Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

China - Estabelece um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos para o mercado europeu

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu


Tem 230 metros de comprimento, 14 conveses e capacidade para transportar até 10.800 automóveis. Chama-se Glovis Nova e acaba de entrar para a história ao partir da China rumo à Europa com a maior carga de sempre de automóveis Tesla transportada num único navio.

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu, segundo o ‘South China Morning Post’.

O destino da viagem foi Zeebrugge, na Bélgica, um dos principais portos de entrada de automóveis na Europa, de onde os veículos foram depois distribuídos por vários mercados europeus.

Os números ajudam a perceber a dimensão da operação. Se fossem estacionados em fila, os 7738 automóveis formariam uma coluna com cerca de 36 quilómetros. Lado a lado, ocupariam uma área equivalente a aproximadamente 9,5 campos de futebol, de acordo com os cálculos divulgados pelo porto de Xangai.

O Glovis Nova pertence à nova geração de navios concebidos para responder ao crescimento das exportações automóveis da China. Movido a gás natural liquefeito (GNL), está entre os maiores transportadores de automóveis do mundo e foi desenhado para reduzir as emissões sem sacrificar a enorme capacidade de carga.

A proximidade entre a Gigafactory da Tesla, em Xangai, e o porto de embarque é um dos fatores que ajuda a explicar a rapidez da operação. Os automóveis percorrem apenas alguns quilómetros desde a linha de produção até ao cais, onde são conduzidos para o interior do navio através de rampas que ligam os vários conveses.

Mais do que um simples recorde logístico, esta viagem ilustra a crescente importância da China no mercado automóvel mundial. Embora a Tesla seja uma empresa dos Estados Unidos, uma parte significativa dos Model 3 e Model Y vendidos na Europa continua a ser produzida em Xangai, seguindo depois por mar até aos portos europeus.

E tudo indica que este recorde poderá não durar muito tempo. Apesar dos 7738 automóveis transportados nesta viagem inaugural, o Glovis Nova pode levar até 10.800 veículos. À medida que entram ao serviço navios cada vez maiores, a fasquia promete continuar a subir. In “Automonitor” - Portugal


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Senegal - Centro do tráfico de cocaína para a Europa

Com o aumento das apreensões recordes de cocaína na costa do Senegal, uma reportagem investigativa do jornal francês Le Monde (19/07/2026) confirma, com riqueza de detalhes e fontes internacionais, o que o Le Journal du Pays já denunciava há três anos: o Senegal consolidou-se como um importante centro de tráfico de cocaína sul-americana destinada à Europa.

Esta convergência entre uma imprensa local independente e uma importante publicação internacional não é insignificante. Ela lança uma luz implacável sobre a dinâmica de poder, a corrupção e a repressão que permeiam o país, particularmente em Casamansa.

Uma estrada chamada "Rodovia 10"

Segundo o jornal Le Monde, mais de um terço da cocaína consumida na Europa transita atualmente por portos da África Ocidental. Os traficantes exploram as fragilidades dos controlos regionais através de uma estratégia de "rebote": as drogas são armazenadas e reembaladas em África antes de serem enviadas para a Europa para evitar a detecção alfandegária. O Porto de Dakar e as águas territoriais senegalesas são fundamentais para essa operação.

Apreensões espetaculares ilustram isso: quase três toneladas interceptadas pela Marinha senegalesa em 2023, 690 kg no mesmo ano e mais de duas toneladas em 2021. Esses números confirmam a expansão acentuada do tráfico desde 2019, conforme destacado por análises da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alerta para um "ciclo vicioso" que liga o tráfico, a instabilidade e a corrupção, particularmente no Sahel e na África Ocidental.

Isso já havia sido revelado pelo Le Journal du Pays.

Já em 2024, o Le Journal du Pays alertava para o papel central desempenhado pela Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia como uma "nova plataforma" para a cocaína e drogas sintéticas na sub-região. Longe de ser uma simples zona de trânsito, a África Ocidental tornou-se um centro estratégico de logística e redistribuição para os cartéis sul-americanos.

Três anos antes, o mesmo veículo de comunicação sediado em Casamansa já havia destacado as ligações entre esses fluxos criminosos e a dinâmica política e de segurança local. Num artigo recente, foi além: segundo o artigo, as operações militares e administrativas do Senegal em Casamansa serviam para "proteger as suas verdadeiras redes de cocaína". Esta grave acusação, além das suas implicações políticas, surge num contexto em que apreensões maciças coincidem com a crescente militarização de certas áreas.

Pontos em comum e silêncios compartilhados

As semelhanças entre o Le Journal du Pays e o Le Monde são impressionantes:

• A dimensão do fenómeno: Ambas as publicações destacam a transição de um tráfico marginal para um problema estrutural, com um aumento exponencial do volume de bens apreendidos.

• O papel dos portos e das águas territoriais: Dakar como centro nevrálgico.

• A natureza dupla do problema: Trânsito internacional, por um lado, e uma explosão do consumo local (crack, cannabis, kush sintético), por outro, particularmente em Dakar.

• O risco de instabilidade: O UNODC e os especialistas citados pelo Le Monde confirmam a ligação entre estes fluxos financeiros e grupos armados ou redes de corrupção, uma perspetiva que o Le Journal du Pays ligou explicitamente às tensões em Casamansa.

Enquanto o Le Monde se mantém cauteloso e factual, baseando-se em relatórios e especialistas internacionais, o Le Journal du Pays adota um tom mais incisivo, típico de um jornal de oposição ou regional, ligando diretamente esse tráfico à repressão observada em Casamansa. As operações do exército senegalês, os despejos de aldeias e as prisões são apresentados não como simples medidas de segurança, mas como um meio de proteger interesses ligados ao narcotráfico.

Será que Casamansa está sendo usada como ferramenta?

Para os habitantes de Casamansa, esta confirmação por um importante veículo de comunicação como o Le Monde legitima questionamentos antigos. Por que tamanha concentração de forças militares numa região historicamente marginalizada, justamente quando o país se torna um polo do narcotráfico? A cooperação internacional com o UNODC e parceiros europeus permite apreensões, mas especialistas enfatizam a adaptabilidade dos traficantes e a persistência da corrupção.

O Senegal enfrenta um duplo desafio: conter o trânsito que enriquece as redes transnacionais e, ao mesmo tempo, gerir o crescente consumo interno que prejudica a juventude. Mas, para muitos em Casamansa, a verdadeira questão continua a ser a da soberania e da transparência: quem realmente beneficia desses fluxos? E a que custo para as populações vizinhas?

Embora o Le Monde confira a credibilidade de uma investigação internacional, o Le Journal du Pays há anos oferece uma perspectiva local, muitas vezes mais crítica, sobre as implicações políticas e humanas. Essa convergência reforça uma observação preocupante: sem uma governança mais transparente e uma paz genuína em Casamansa, o Senegal corre o risco de ver o seu papel como um "centro" consolidar-se, em detrimento da sua estabilidade e desenvolvimento.

A história do narcotráfico na África Ocidental demonstra que os centros logísticos frequentemente atraem mais do que apenas drogas: atraem também os conflitos e a corrupção que deveriam combater. Chegou a hora de uma investigação séria dessas redes, que vá além de apreensões espetaculares e declarações oficiais. Kondiarama e Pape Malang Dabo – Casamansa in “Le Journal du Pays”


domingo, 2 de agosto de 2026

Europa - Fundada por portugueses, Native Scientists continua a crescer

A organização pan-europeia sem fins lucrativos Native Scientists, fundada em 2013 por investigadores portugueses, continua a afirmar-se na promoção da literacia científica junto de crianças provenientes de comunidades migrantes, minoritárias e socialmente desfavorecidas


De acordo com o jornal As Notícias UK, o balanço do ano letivo 2025/2026, a organização revelou ter inspirado 6917 crianças através dos programas Same Home Town (SHT) e Same Migrant Community (SMC), um aumento de mais de duas mil crianças em relação ao ano letivo anterior. Mais de metade dos participantes (55%) tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer e conversar diretamente com um cientista.

A Native Scientists conta atualmente com uma rede de mais de 3000 cientistas voluntários distribuídos por vários países europeus. Estes participam em oficinas práticas nas escolas, aproximando a ciência das crianças e mostrando que o conhecimento científico pode estar ligado à sua realidade e identidade cultural.

Segundo a referida fonte, entre os destaques do último ano está também a publicação de um artigo científico desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Linguística da mesma universidade. O estudo apresenta o “Relational Engagement Model”, um novo modelo de comunicação de ciência que propõe uma relação de proximidade entre cientistas e comunidades, baseada em experiências, cultura e contextos partilhados, em substituição da tradicional transmissão unilateral de conhecimento. Os programas da Native Scientists são apresentados como casos de estudo que demonstram a eficácia desta abordagem.

A organização lançou ainda a primeira edição do seu Programa de Estágios, que envolveu 22 participantes em funções de gestão e coordenação. Ao longo do ano, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento de mais de 60 novas parcerias.

Outro momento em destaque foi o encontro Ponto de Interrogação, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, que reuniu investigadores, professores e responsáveis políticos para debater temas como a educação, a equidade e a comunicação científica. A Native Scientists participou igualmente na conferência nacional SciComPT 2026, em Évora, onde apresentou três comunicações dedicadas à comunicação inclusiva da ciência. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




sexta-feira, 31 de julho de 2026

China - Regista forte crescimento do comércio ferroviário com a Europa

Os comboios de mercadorias que ligam a China à Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, representando um comércio superior a 520 mil milhões de dólares.


Actualmente, transportam por mês a mesma quantidade de mercadorias registada em todo o ano de 2016. Estes foram alguns dos dados revelados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico da China), durante uma conferência de imprensa realizada em Pequim.

Citado pelo jornal oficial “Global Times”, Liang sublinhou que o número de viagens nesta ligação ferroviária comercial aumentou de 1702 em 2016 – quando estes serviços foram unificados sob um único nome – para mais de 20.000 no ano passado, representando uma taxa média de crescimento anual superior a 30%. O mesmo responsável indicou ainda que a digitalização dos processos alfandegários permite agora que estes sejam concluídos em cerca de meia hora e que os horários fixos dos comboios reduziram o tempo de viagem em mais de um terço em rotas como a entre Xi’an (China central) e Duisburg (Alemanha ocidental), que passou de 15 para 11 dias.

Os comboios têm operado com 100% da sua capacidade de carga durante 46 meses consecutivos, observou Liang, acrescentando que a proporção de mercadorias que saem da China em relação às que chegam da Europa está a aproximar-se de um “equilíbrio de um para um”, o que representaria uma “forte procura bidireccional”.

A expansão das rotas que ligam a China à Europa também aumentou a atractividade para os comerciantes transfronteiriços, afirmou o representante da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mencionando as novas ligações abertas através do corredor do Mar Cáspio, através da Turquia, e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas devido à escalada dos conflitos geopolíticos também beneficiou estes comboios, especialmente para as empresas que procuram um acesso rápido à Europa, como os fabricantes de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram os prazos de entrega de cerca de 40 dias para aproximadamente 15 em resposta à onda de calor que afecta o continente. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Europa - Existe uma solução "imediata" para as energias eólica e solar na rede elétrica que está obsoleta?

“As ambições políticas não significam nada se os elétrons limpos ficarem presos em filas de conexão”


A rede elétrica "ultrapassada" da Europa está com dificuldades para acompanhar o crescimento das energias renováveis, mas especialistas afirmam que uma solução "imediata e sem intervenção" está prestes a ser descoberta.

Relatórios anteriores do think tank de energia Ember alertaram que mais de 120 GW de projetos de energia renovável previstos estão atualmente em risco devido a congestionamentos e "capacidade insuficiente da rede".

Para se ter uma ideia, uma central elétrica com capacidade de 1 GW poderia abastecer aproximadamente 876.000 residências durante um ano, caso elas consumam a média anual de 10.000 kWh de eletricidade.

Os parques solares e eólicos existentes também estão a ser limitados pela rede elétrica do continente, que foi originalmente construída em torno de centrais de carvão concentradas.

Isso, aliado à inflexibilidade da energia eólica e solar – que dependem das condições meteorológicas para a geração de energia, em vez da procura real – significa que enormes quantidades de energia limpa são desperdiçadas todos os anos.

Embora o armazenamento em baterias e o investimento a longo prazo na rede elétrica sejam frequentemente apontados como as únicas soluções reais para enfrentar este problema, uma nova análise da Ember descobriu que a Europa poderia adicionar 25 GW de energia eólica e solar em sete países da UE sem construir capacidade adicional na rede por meio da "hibridização".

O que é hibridização?

A hibridização combina tecnologias como energia eólica, solar e de armazenamento numa única conexão à rede elétrica. Imagine as três fontes a compartilhar a mesma "tomada" na rede de eletricidade.

A Ember afirma que, na Europa, as centrais hidroelétricas são "particularmente adequadas" para a hibridização, porque grande parte da sua capacidade de geração de energia fica ociosa durante o dia.

Isto ocorre porque as centrais hidroelétricas funcionam como baterias sob procura, que podem ter a sua produção aumentada quando o consumo de eletricidade aumenta (o que normalmente acontece no início da manhã e no início da noite, quando as pessoas estão em casa) ou operar com baixa produção nos horários de menor consumo.

“Ao adicionar energia eólica ou solar no mesmo ponto de conexão de uma central hidroelétrica, os desenvolvedores podem entrar em operação mais rapidamente e os operadores podem usar a infraestrutura da rede de forma mais eficiente – em média, dobrando a utilização – mantendo-se dentro dos limites de exportação”, afirma Elisabeth Cremona, líder de infraestruturas de energia da Ember.

O relatório constatou que, na Áustria, Bulgária, França, Itália, Portugal, Roménia e Espanha (os principais mercados de energia hidroelétrica da UE), a hibridização poderia integrar 18% das novas energias renováveis ​​previstas para 2030 sem exigir capacidade adicional na rede elétrica.

A hibridização oferece uma solução "imediata".

Dos sete mercados estudados pela Ember, apenas Portugal e Espanha possuem regras específicas para projetos híbridos. Os demais países carecem de "marcos regulatórios claros", segundo o relatório.

Os especialistas defendem, portanto, uma legislação nacional, juntamente com uma priorização mais rápida dos projetos híbridos, para remover as barreiras à implantação de energias renováveis ​​e fazer um melhor uso da infraestrutura existente.

“As ambições políticas não significam nada se os elétrons limpos ficarem presos em filas de conexão”, acrescenta Cremona. “Para os países que enfrentam congestionamentos, a hibridização oferece uma solução imediata e sem intervenção.” Euronews


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Bélgica - Tem o pior histórico em relação a produtos químicos permanentes na Europa

A ONG ambiental ClientEarth argumenta que as autoridades belgas não tomaram nenhuma providência, apesar de terem conhecimento dos altos níveis de poluentes há anos


Advogados apresentaram uma queixa contra a Bélgica pela sua falha em proteger os seus cidadãos dos significativos riscos à saúde causados ​​por substâncias químicas persistentes.

A ClientEarth apresentou uma queixa de violação dos direitos humanos ao Comité Europeu dos Direitos Sociais (CEDS). A Bélgica tem os níveis mais elevados de substâncias químicas PFAS persistentes (PFAS) de qualquer país europeu.

“Não só a contaminação existe há muito tempo, como também notamos que as autoridades têm informações sobre esta contaminação há anos, senão décadas, e que muito pouco foi feito”, afirma Hélène Duguy, advogada ambiental da ClientEarth.

A ONG ClientEarth tem um histórico sólido de ações judiciais contra governos e empresas em questões ambientais. Esta é a primeira vez que a organização se dirige ao ECSR, órgão de monitorização do Conselho da Europa que avalia se os Estados-membros estão respeitando a Carta Social Europeia. "Escolhemos este comité porque sabemos que ele tem um grande poder de fiscalização", disse Duguy à Euronews Earth.

Bélgica: o principal foco europeu de PFAS

PFAS, também conhecidos como "químicos eternos", são um grupo de mais de 10.000 substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas pela indústria pelas suas propriedades de resistência à água, manchas e gordura. Elas também são encontradas em caixas de pizza, panelas antiaderentes, absorventes higiénicos e roupas para atividades ao ar livre.

Eles têm sido associados a múltiplos riscos à saúde, como certos tipos de cancros, doenças metabólicas e problemas de fertilidade.

De acordo com o projeto The Forever Pollution Project , que coletou dados e mapeou a poluição por PFAS em todo o continente, a Bélgica apresenta os níveis mais elevados de poluição por PFAS na Europa.

Entre os principais locais belgas afetados pela poluição por PFAS, destacam-se Zwijndrecht, uma cidade próxima a Antuérpia fortemente impactada devido à sua proximidade com a fábrica da multinacional 3M, e Chièvres, perto da fronteira francesa, onde a contaminação foi associada a uma base aérea próxima. O mapa também mostra que Bruxelas é significativamente afetada pela poluição por PFAS, particularmente nas áreas ao redor de Anderlecht e Uccle.

A reclamação da ClientEarth baseia-se em exemplos como o de Zwijndrecht, onde as agências públicas tinham conhecimento do problema das PFAS anos antes do escândalo vir à tona em 2021.

Membros do governo flamengo, incluindo Bart De Wever, então prefeito de Antuérpia e atual primeiro-ministro da Bélgica, foram informados da contaminação já em 2017, mas não tomaram nenhuma providência.

Já no início dos anos 2000, a 3M e as agências flamengas discutiam a poluição por PFAS na área próxima à fábrica, mas subestimaram a dimensão do problema.

Quais são os riscos para a saúde associados aos produtos químicos eternos?

Os PFAS estão associados a diversas condições de saúde. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde classificou o ácido perfluorooctanoico (PFOA) como carcinogénico para humanos e o ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS) como possivelmente carcinogénico para humanos.

Estas duas substâncias PFAS são proibidas na UE, mas, como podem levar centenas de anos para se decompor, ainda estão presentes no solo, na água e no sangue de pessoas em muitas áreas contaminadas da Europa.

O cancro não é o único risco à saúde associado aos PFAS. "Estes compostos estão associados a várias doenças metabólicas, como diabetes, diminuição da fertilidade e obesidade", disse Philippe Grandjean, professor de medicina ambiental do Instituto Nacional de Saúde Pública de Copenhague, à Euronews Earth.

Grandjean destacou que os PFAS representam um risco não apenas para os adultos atualmente expostos a eles, mas também para as gerações futuras.

“Os PFAS afetam a saúde do sêmen do pai, ou seja, a qualidade do sêmen, e aumentam o risco de infertilidade ou aborto espontâneo”, explicou. “Os PFAS atravessam a placenta e, portanto, a mãe transmite essa carga de PFAS para o feto. Além disso, os PFAS são excretados no leite materno”, acrescentou.

De acordo com Grandjean, todos esses riscos à saúde devem, portanto, servir como importantes incentivos para que os governos invistam em prevenção.

Como os produtos químicos eternos se tornaram uma questão de direitos humanos

Não é a primeira vez que a poluição por PFAS é associada a violações de direitos humanos. Em 2024, especialistas das Nações Unidas classificaram a poluição por PFAS gerada pela DuPont e pela Chemours na Carolina do Norte como uma questão de direitos humanos.

Ações judiciais sobre a poluição por PFAS estão em andamento em toda a Europa, com ONG ambientais e moradores a processar a França pela sua falha em lidar com a poluição por PFAS em maio de 2026. Uma decisão é esperada em 2027.

“Queremos mesmo apresentar uma queixa que apoie e seja complementar a essas ações [europeias]”, explica Duguy.

“PFAS não é apenas uma questão ambiental, é também uma questão humana, e os governos e as autoridades públicas têm o dever de proteger esses direitos”, continuou ela.

Num comunicado à imprensa, a ClientEarth observou que a ECSR deverá decidir sobre a admissibilidade da reclamação em 2027 e que uma decisão final é estimada em dois a três anos.

Com esta denúncia, a ClientEarth espera provocar mudanças concretas na regulamentação de PFAS na Bélgica.

Especificamente, eles querem que a Bélgica proíba todos os produtos químicos persistentes e forneça soluções para as comunidades afetadas. “Essas medidas incluem, por exemplo, garantir o monitoramento biológico sistêmico das pessoas, especialmente das populações vulneráveis, como crianças e gestantes. Mas também começar a remediar e descontaminar, algo que ainda é muito lento na Bélgica”, disse Duguy à Euronews Earth.

No entanto, a limpeza da poluição por PFAS é incrivelmente complexa. De acordo com um estudo publicado na segunda-feira (6 de julho) no periódico Environmental Science: Processes and Impacts, mesmo que a Europa investisse 100 mil milhões de euros por ano em remediação, isso removeria uma fração ínfima desses produtos químicos persistentes do meio ambiente. Euronews



sexta-feira, 26 de junho de 2026

Europa - Preços ao consumidor: Quais são os países mais caros e os mais baratos?

Da Islândia à Macedónia do Norte, os preços ao consumidor variam drasticamente em toda a Europa. Novos dados do Eurostat mostram onde os bens e serviços do dia a dia são mais caros — e por que os preços, por si só, não contam toda a história


O mesmo cabaz de compras pode custar quase quatro vezes mais, dependendo de onde estiver na Europa. Mas quais são os países mais caros e como podemos compará-los de forma justa?

Os índices de nível de preços do Eurostat fornecem a resposta. Eles comparam o custo de bens e serviços de consumo em cada país com a média da UE.

Em termos simples, se o mesmo cabaz de bens e serviços custa em média €100 em toda a UE, quanto custaria esse cabaz em cada país?

Para tornar a comparação representativa, o Eurostat baseia os índices nos preços médios nacionais anuais de mais de 2000 bens e serviços.

Existem duas maneiras de medir os preços. Uma considera apenas os gastos diretos das famílias, enquanto a outra inclui também serviços financiados publicamente, como saúde e educação.

Este artigo utiliza a medida mais abrangente, conhecida como Consumo Individual Real (CIR), que, segundo o Eurostat, é mais adequada para comparações internacionais. O gráfico também inclui a medida de gastos das famílias (GFF).

Um nível de preços de 100 corresponde à média da UE. Uma pontuação acima de 100 significa que um país é mais caro, enquanto uma pontuação abaixo de 100 significa que é mais barato.

Esses números comparam apenas preços. Eles não levam em consideração os níveis de rendimento, o que significa que um país mais caro não é necessariamente menos acessível para os seus residentes.

Então, quais são os países mais caros e quais são os mais baratos?

Dentro da UE, a diferença é gritante. Luxemburgo lidera a lista, enquanto a Roménia tem os preços mais baixos. Os preços ao consumidor no Luxemburgo são 2,5 vezes maiores do que na Romênia.

Ao incluir os países candidatos à UE e os membros da EFTA, a Islândia torna-se o país mais caro e a Macedónia do Norte o mais barato, ampliando a diferença para 3,7 vezes.

De um modo geral, a Europa Ocidental e do Norte tendem a ter preços mais elevados, enquanto a Europa Central e Oriental permanecem mais baratas.

Os preços e os lucros contam toda a história.

A Islândia é 83,7% mais cara do que a média da UE, e a Suíça, 81%.

“Os números devem sempre ser analisados ​​em conjunto com os rendimentos. O que importa para o padrão de vida não é se os preços são altos, mas sim o que um salário local compra localmente — poder de compra , e não apenas o preço”, disse o professor Robert Inklaar, da Universidade de Groningen, à Euronews Business.

Por exemplo, ele observou que a Suíça parece cara, mas os salários suíços são altos o suficiente para que o poder de compra lá esteja entre os mais fortes da Europa; o mesmo nível de preços com um salário muito mais baixo seria percebido de forma muito diferente.

Dinamarca (40,2%), Irlanda (39,6%) e Noruega (38,4%) também estão entre os países mais caros da Europa, cerca de 40% acima da média da UE.

A Suécia e a Finlândia seguem-nas, mas os seus índices são comparativamente mais baixos. Os preços são 28,4% mais altos na Suécia e 26,1% mais altos na Finlândia do que a média da UE.

Nos Países Baixos, um consumidor paga 120,4 €, na Áustria 119 € e na Bélgica 118,1 € pelo mesmo cabaz de bens e serviços, que custa em média 100 € na UE.


Classificação das maiores economias da Europa

Entre as quatro maiores economias da UE, a Alemanha é a mais cara, com preços 9,1% superiores à média da UE, enquanto a Espanha é 8,9% mais barata. Isso significa que uma pessoa pagaria €18 a mais na Alemanha do que na Espanha pelo mesmo cabaz de produtos.

A França (106,4) está ligeiramente acima da média da UE e a Itália (98) está ligeiramente abaixo.

Na outra ponta do ranking, os preços são significativamente mais baixos em grande parte do sudeste da Europa.

Na Macedónia do Norte, um cabaz de produtos no valor de 100 euros, considerando a média da UE, custaria apenas 49,7 euros, menos da metade.

Na Turquia, o custo seria de € 52,2, seguido pela Bósnia (€ 55,7), Roménia (€ 58,9) e Bulgária (€ 60). Estes países são pelo menos 40% mais baratos que a UE.

Montenegro (61), Sérvia (62,5), Albânia (65,7), Polónia (71,1) e Hungria (71,6) também estão entre os países mais baratos, com preços pelo menos 25% abaixo da média da UE.

Países que também são mais baratos do que a média da UE incluem Croácia (76,3), Eslováquia (81,4), Lituânia (81,4), Chéquia (82), Grécia (84) e Portugal (85,3).

O que causa as diferenças nos níveis de preços?

"O principal motivo para a variação de preços em toda a Europa é a variação salarial, que por sua vez está ligada à produtividade", disse Robert Inklaar à Euronews Business.

"Onde os trabalhadores são mais produtivos, eles ganham mais, e esses salários mais altos impactam diretamente o preço de tudo o que precisa ser produzido e consumido localmente — uma refeição num restaurante, um corte de cabelo, uma consulta ao dentista, o aluguer, a creche. Nada disso pode ser importado, então o seu preço simplesmente acompanha os custos da mão de obra local."

Inklaar destaca que seria um erro pensar que isso se aplica apenas a serviços. Ele observa que mesmo bens que parecem totalmente comercializáveis ​​— como os alimentos na prateleira de um supermercado ou uma peça de roupa — carregam um grande componente local: a loja, os funcionários, o transporte e o aluguer do imóvel. Portanto, os salários locais também estão embutidos nos preços dos bens, embora em menor grau do que nos serviços.

Os salários não são o único fator.

Ele também afirmou que a distância, a distribuição, a regulamentação e a própria fronteira contribuem para o aumento dos custos, de modo que produtos idênticos não acabam tendo preços idênticos em todos os lugares. As diferenças no IVA e em outros impostos sobre o consumo representam um encargo adicional.

“Uma comparação mais completa, portanto, relaciona o nível de preços com os salários ou o rendimento (disponível) , idealmente em termos de poder de compra, levando em consideração as diferenças cambiais e tributárias”, disse ele.

O professor Rainer Maurer, professor aposentado da Universidade de Pforzheim, enfatizou que os níveis de preços dos estados-membros da União Monetária Europeia mostram uma clara correlação positiva com o PIB per capita.

Noutras palavras, os países mais caros da Europa também tendem a ser os mais ricos. Preços altos geralmente andam de mãos dadas com rendimentos mais altos, razão pela qual os economistas afirmam que os níveis de preços devem sempre ser considerados juntamente com o poder de compra. Euronews business




quarta-feira, 10 de junho de 2026

Europa - Azulejos portugueses feitos com ostra brilham na Nova Bauhaus Europeia

Azulejos feitos por dois arquitetos suíços a partir de conchas de ostras apanhadas em Portugal são um dos projetos portugueses em destaque no Festival da Nova Bauhaus Europeia, num projeto coordenado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa


“A ideia era imaginar o que poderia ser um azulejo português em 2026, uma época em que a sustentabilidade faz parte do desenvolvimento de Portugal e, por isso, quisemos criar um biomaterial, um azulejo sustentável, num material não extrativo e sem recurso intensivo a energia”, disse à agência Lusa o arquiteto Jeremy Morris, que trocou a Suíça por Portugal, onde juntamente com Lucas Carlisle criou um novo produto: azulejos feitos de cascas de ostras.

“O que fazemos é pegar em conchas usadas de restaurantes ou produtores locais, esmagá-las e transformá-las em pó, ligá-las com extrato de algas, que é um sequestrador de carbono, e depois secar o material ao ar”, referiu.

O material foi precisamente um dos projetos a merecer o interesse da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma visita à feira onde cerca de 80 expositores de todos os Estados-Membros mostram projetos desenvolvidos no âmbito da Nova Bahaus Europeia, movimento que promove a investigação se soluções mais sustentáveis.

Os azulejos portugueses são apenas um dos resultados de um projeto mais amplo, desenvolvido pelo consórcio Bauhaus of the Seas Sails, coordenado pelo Instituto de Tecnologias Interativas do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e que envolve 18 parceiros académicos de sete cidades da Europa: Oeiras e Lisboa (Portugal), Veneza e Génova (Itália), Hamburgo (Alemanha) Malmo (Suécia) e Roterdão e o delta dos rios Scheldt e Reno, na Holanda.

O consórcio recebeu da União Europeia cinco milhões de euros para desenvolver novas abordagens nestas regiões que “ têm em comum a ligação ao mar ou aos rios”, disse à Lusa o coordenador de comunicação, Frederico Duarte, especificando que foram desenvolvidos 14 projetos pilotos nestas localidades, um deles “este, intitulado “À flor do azulejo, a cor do Tejo”.

Mais do que a criação de azulejos inovadores, o projeto representa, para Lisboa, “uma ponte entre um desenvolvimento de um equipamento municipal, que é o BioLab” e a sua aplicação prática em projetos como a cafetaria de uma biblioteca móvel em Marvila.

Os azulejos, também já estão a ser usados num contentor colocado no parque ribeirinho de Marvila, “uma espécie de ponto de encontro”, afirmou Ana Silva Dias, do setor da cultura da Câmara Municipal de Lisboa.

“A grande mais-valia do projeto, é que de repente conseguimos ligar a cidade a um ponto do rio e começar a trabalhar a partir do rio”, disse a mesma responsável, destacando a importância da revitalização do jardim onde estão localizados os equipamentos que ajudam a “fazer a ligação entre duas realidades sociais, com uma urbanização mais de luxo e uma zona de habitação social”.

Pela primeira vez “trabalhámos de uma forma muito ligada, muito coesa entre a cultura e a inovação e a economia”, sublinhou, manifestando o interesse de que mais projetos desta natureza sejam desenvolvidos.

Essa é também a expectativa de Frederico Duarte e de Jeremy Morris, mas enquanto isso, para que os azulejos cheguem a mais aplicações práticas, “é preciso a sua certificação e que o projeto possa escalar e ter investidores” que até sábado mostram o projeto no Festival da Nova Bauhaus Europeia, no parque do Centenário, em Bruxelas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 28 de abril de 2026

Macau - Aeroporto planeia rota Macau - Lisboa com escala em Hangzhou

Uma rota Macau-Lisboa, via Hangzhou e com serviço de bagagem despachada até ao destino final, está em planeamento da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, que está a estudar com a Beijing Capital Airlines para a operação desta ligação. A empresa revelou também que o transporte de mercadorias de Macau para a Europa representou um terço do volume total de carga do aeroporto local no ano passado


A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) adiantou estar em negociações com a Beijing Capital Airlines para lançar voos entre Macau e Lisboa, com escala em Hangzhou, no interior da China, com registo das malas directo até ao destino final.

A negociação tem como objectivo “promover voos da Beijing Capital Airlines entre Hangzhou e Macau, utilizando Hangzhou como ponto de escala para voos directos para Lisboa”, explicou Edman Lee, director adjunto do Departamento de Marketing da CAM ao Canal Macau em língua chinesa.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines opera já uma ligação directa entre Lisboa e a cidade chinesa de Hangzhou, sendo actualmente a única rota aérea directa entre Portugal e a China. Essa ligação tem agora uma frequência de dois voos semanais e a rota tem uma duração aproximada de 13 horas.

O plano actual entre a CAM e a Beijing Capital Airlines é permitir que os passageiros do território possam apanhar voos Macau-Hangzhou com a mesma companhia aérea chinesa e fazer a viagem directa de Hangzhou para Lisboa, sem passar o controlo de migração em Hangzhou e recolher a bagagem só na capital portuguesa.

A CAM indicou que será também possível fazer escala em Pequim para chegar a Lisboa, com a ligação entre as duas cidades a ser lançada em breve.

Recorde-se que a Beijing Capital Airlines já anunciou que vai lançar, durante o Verão, uma ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa, numa operação sazonal com início no final de Junho e duração de cerca de três meses. O voo terá uma frequência semanal que parte de Lisboa à segunda-feira.

Além disso, a CAM pretende ainda utilizar cidades da China continental, como Pequim, Chengdu e Chongqing, como pontos de escala com tempo de espera em menos de três horas, para lançar voos com transferência de bagagem directa para destinos europeus, como a Espanha.

A empresa gestora do Aeroporto de Macau assegurou que está a “promover activamente” a expansão do mercado do Sudeste Asiático e do Nordeste Asiático, com plano de aumentar a frequência dos voos e o número de destinos nestas áreas, como a ligação a Fukuoka, no Japão.

No que diz respeito às rotas de médio e longo curso, a CAM está a analisar o desenvolvimento de rotas para a Índia e outras opções de voos com escalas.

As informações da empresa indicam que o Aeroporto Internacional de Macau conta actualmente com 29 companhias aéreas que operam 44 rotas.

Carga de Macau para a Europa

A CAM, por outro lado, abordou também o transporte de mercadorias, sublinhando os resultados das rotas exclusivamente de carga entre Macau e a Europa.

No ano passado, o volume de mercadorias transportadas de Macau para a Europa foi de cerca de 31.700 toneladas, representando cerca de 29,2% do volume total de carga do aeroporto. Entre elas, 8700 toneladas corresponderam à rota de Madrid, representando 8% do total.

Os dados fornecidos por Frank Wu, director do Departamento de Logística e Desenvolvimento da Aviação Geral da CAM, mostram ainda que o comércio electrónico transfronteiriço é o principal contribuinte para a carga do aeroporto, representando 90% do volume total.

A CAM afirmou que os voos directos de carga da Ethiopian Airlines entre Macau e Espanha já entraram em operação regular. Para as rotas de longo curso no futuro, a CAM irá lançar voos “que se relacionam com a plataforma sino-lusófona”, com vista a uma expansão do mercado para a América do Sul, por exemplo, para países como o Brasil, “que tem uma população numerosa e uma elevada frequência de utilização de serviços de comércio electrónico”, frisou.

O porta-voz da CAM referiu ainda que a situação no Médio Oriente está a afectar os preços dos combustíveis, estando o aumento dos custos a levar a uma redução dos voos de carga. Mas, “por enquanto, o impacto não é significativo”, assegurou.

Quanto à previsão da União Europeia de, no segundo semestre deste ano, cobrar uma taxa fixa de 3 euros e uma taxa de processamento de 2 euros sobre pequenas encomendas com valor inferior a 150 euros, a CAM acredita que tal medida irá a afectar, a curto prazo, as exportações de mercadorias de Macau para a Europa. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Europa – Cinco países vão economizar 58% nas contas de energia este ano graças à energia limpa

Consumidores em cinco países da UE economizarão até € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano, em comparação com aqueles que possuem a matriz energética mais poluente.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.


Os países da UE com a matriz energética mais limpa estarão protegidos do aumento vertiginoso do preço do petróleo e do gás, uma vez que a guerra contra o Irão continua a evidenciar o verdadeiro custo da dependência dos combustíveis fósseis.

Dois dias após os bombardeamentos atingirem o Médio Oriente, os preços do TTF holandês (referência para os preços do gás no grosso em toda a Europa) dispararam 68%, chegando a € 52,8 por megawatt-hora, o nível mais alto em dois anos.

No início desta semana (segunda-feira, 20 de abril), o TTF holandês estava a ser negociado a um preço bem mais baixo, de € 40,2 por MWh. A queda ocorre após sinais de significativa desaceleração em meio a um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda é consideravelmente mais alta do que antes do início do conflito (€ 31,5 por MWh).

Grande parte da volatilidade se deve ao controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem de 38 km que transporta cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás. Em março, as exportações de gás natural liquefeito (GNL) para a UE caíram 11%.

Isso levou o comissário de energia da UE a recomendar que os países reabasteçam os seus estoques de forma constante durante o verão para "mitigar a pressão sobre os preços e evitar uma corrida no final do verão".

Isso também abriu caminho para um rápido interesse em energias renováveis ​​produzidas localmente, que são cada vez mais consideradas um investimento mais estável em vista das tensões geopolíticas.

“Não há aumentos acentuados nos preços da luz solar nem embargos à energia eólica”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no mês passado.

Será que a energia limpa pode proteger a UE do aumento dos preços do gás?

Um novo relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) constatou que, apesar da forte alta dos preços e dos crescentes temores sobre a diminuição da oferta, o bloco permanece "mais bem protegido" da sensibilidade aos preços do que em 2022 – após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Isso deve-se principalmente ao crescimento explosivo das energias renováveis, que atingiram novos recordes em 2025 e poderão economizar para a UE a impressionante quantia de € 5,8 mil milhões em 2026, substituindo o gás natural, que é caro.

Especialistas apontam que esse valor seria significativamente maior se os preços do gás não fossem responsáveis ​​por definir o preço da energia em muitos países, devido ao mecanismo de precificação marginal da UE.

Em 2025, cada aumento de €1/MWh no preço do gás levou a um aumento de €0,37 por MWh nos preços da eletricidade – uma redução de oito por cento em relação a 2022.

“Isto está diretamente ligado à separação [do preço da eletricidade] do gás e aos investimentos em energia limpa, cuja participação na geração de eletricidade na UE cresceu 14% em 2025, em comparação com 2022”, explica o relatório.

Quais são os países da UE que estão mais protegidos do aumento dos preços do gás?

Todos os Estados-membros da UE têm observado uma redução na sua sensibilidade às flutuações dos preços do gás nos últimos anos, na sequência do aumento da energia limpa.

Mas são os consumidores de cinco países da UE em particular – Dinamarca, Finlândia, França, Suécia e Eslováquia – que beneficiam da maior participação de energia limpa na sua matriz elétrica. O relatório afirma que estas nações economizarão € 8,5 mil milhões nas suas contas de energia este ano. Isso representa uma redução de 58% nas contas em comparação com os países com a matriz energética mais poluente (Polónia, Itália, Grécia, Estónia e Países Baixos).

A estimativa baseia-se na premissa de que o consumo permanecerá o mesmo este ano em comparação com 2025, levando em consideração os preços mais altos e a sensibilidade do preço do gás.

De acordo com dados de 2025, a Suécia saiu vitoriosa como o país da UE com a menor sensibilidade às oscilações do preço do gás. Em média, para cada aumento de €1 no preço do gás, a Suécia regista um aumento de apenas €0,04/MWh nos preços da eletricidade no mercado grossista.

“Embora a Suécia seja um dos nove países com reservas de gás natural significativamente abaixo da média da UE, a sua baixa dependência dessa fonte de energia – com 99% de sua eletricidade proveniente de energia limpa – protege ainda mais o mercado de eletricidade de choques de preços”, afirma o relatório.

Espanha e Portugal também estão a beneficiar do investimento acelerado em energias renováveis, tendo registado um crescimento de 21% na energia limpa em 2025 em comparação com 2022. Este crescimento foi impulsionado, em grande parte, por um aumento de 74% na energia solar.

Ao mesmo tempo, a sensibilidade de ambos os países aos choques nos preços do gás diminuiu 53%. No ano passado, para cada aumento de €1 no preço do gás, a zona de produção conjunta de Espanha e Portugal registou um aumento de €0,089 por MWh, o terceiro mais baixo do bloco.

A França também testemunhou uma redução acentuada na sua sensibilidade aos preços do gás, principalmente devido ao crescimento da energia limpa, que fez com que a sua sensibilidade ao gás caísse pela metade entre 2022 e 2025.

Quais são os países que estão a pagar o preço pela sua dependência de combustíveis fósseis?

Apesar de ter registado um aumento de 31% na geração de energia limpa, os Países Baixos continuam mais sensíveis aos preços do gás do que em 2022.

Apesar da participação da energia solar e eólica na geração de eletricidade do país ser superior à média da UE, o gás continua sendo a principal fonte individual de eletricidade no país.

“A sua sensibilidade também está ligada à sua elevada integração no mercado europeu de gás – muitas vezes como tomadores de preços – e, portanto, à sua suscetibilidade a choques transmitidos por países vizinhos como a Alemanha”, acrescenta o relatório.

“O gás tem tradicionalmente desempenhado um papel desproporcional na produção centralizada de eletricidade nos Países Baixos (22%), enquanto as fontes de energia limpa, especificamente a solar, têm um papel mais importante na geração descentralizada de eletricidade.”

Por exemplo, nos Países Baixos, a energia solar é muito utilizada durante o dia, mas à noite é preciso recorrer a outras fontes de energia, muitas vezes com necessidade de gás.

A Polónia é outra anomalia na tendência geral da UE. Apesar de registar um crescimento anual de 48% em energias renováveis ​​desde 2022, a sensibilidade do país aos preços do gás permanece alta.

Isso deve-se principalmente ao facto de a Polónia estar a incentivar a geração de eletricidade a gás, num esforço para substituir e reduzir o carvão, que continua sendo essencial para mais da metade da produção total de eletricidade no país.

“A mudança de foco da Polónia para o gás, em vez de fontes de energia limpas, fez com que a geração de energia a partir dessa commodity aumentasse 132% em 2025 em comparação com 2022”, explica o estudo.

“Essa maior dependência, que representou 13% do total em 2025, fez com que a sensibilidade aos preços do gás também aumentasse em 87%.”

Para cada aumento de €1 no preço do gás, a Polónia regista um aumento de €0,36 por MWh na eletricidade.

A Hungria também demonstrou maior sensibilidade aos preços do gás em comparação com 2022, registando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Embora o país tenha testemunhado um crescimento expressivo da energia solar, a falta de capacidade de conexão à rede elétrica faz com que a Hungria ainda seja obrigada a depender do gás natural para manter a estabilidade. Euronews