Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 14 de julho de 2026

Moçambique - Lucílio Manjate conquista doutoramento com 20 valores e defende mais literatura nas escolas

O escritor, docente e investigador moçambicano Lucílio Orlando Manjate alcançou a classificação máxima (20 valores) na defesa da sua tese de doutoramento na Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo).


A investigação, intitulada “Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa”, propõe uma mudança na forma como a língua portuguesa é ensinada em Moçambique, defendendo o regresso da literatura ao centro do processo de aprendizagem.

Numa entrevista concedida ao jornal O País, Manjate explica que a pesquisa analisa a forma como diferentes gerações de escritores moçambicanos representaram a figura do Magaíza e demonstra como essas narrativas podem ser utilizadas para melhorar o ensino da língua portuguesa. Para o investigador, a substituição de textos literários por conteúdos institucionais e exercícios gramaticais tem contribuído para as dificuldades de leitura, interpretação e comunicação observadas entre muitos estudantes.

O académico defende que a literatura deve ser usada não apenas para ensinar gramática, mas também para formar cidadãos críticos, alertando ainda para a reduzida presença de escritores moçambicanos contemporâneos nos programas escolares. Na sua perspectiva, uma reforma curricular que valorize a literatura nacional poderá tornar o ensino mais próximo da realidade social e cultural do país.

Além do reconhecimento académico, Lucílio Manjate destacou ao O País que concluiu o doutoramento sem bolsa de estudos, conciliando a investigação com a actividade docente e contando com o apoio da família para superar os desafios do percurso. Após alcançar a nota máxima, o escritor afirma que pretende continuar a desenvolver investigações sobre a figura do Magaíza em diferentes manifestações artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 16 de junho de 2026

Macau – Inteligência Artificial está a gerar “transformação profunda” em universidades lusófonas

A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial (IA) e pela digitalização.


“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.

Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) até amanhã, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.

Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.

“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infra-estruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.

A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projectos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.

Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.

“A nossa língua é um património comum, mas é também um activo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.

Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.

“Que daqui surjam novas ideias, novos projectos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.

O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.

Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


domingo, 7 de junho de 2026

Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 2 de junho de 2026

Angola - Movimento Cultural Dyembu Dyetu leva ensino da língua kimbundu a universidade brasileira

Estudantes, professores universitários e investigadores brasileiros estão a beneficiar de aulas online da língua nacional Kimbundu, numa iniciativa que resulta de uma parceria entre o Movimento Cultural Dyembu Dyetu e o Núcleo Permanente de Extensão em Letras (NUPEL), órgão ligado à Universidade Federal da Bahia, no Brasil, vocacionado ao ensino de línguas africanas e estrangeiras


As aulas são ministradas virtualmente para uma turma composta por oito formandos, todos brasileiros. Segundo Miguel Lubwatu, professor de kimbundu e membro do Movimento Cultural Dyembu Dyetu, a parceria, actualmente na terceira fase, surgiu após um convite dirigido à instituição angolana para participar numa palestra académica promovida pela universidade brasileira.

Dessa aproximação, nasceu um acordo de cooperação voltado para o ensino do kimbundu no Brasil. Entre os participantes do curso, encontram-se estudantes universitários, docentes e coordenadores ligados à área das línguas. No ano passado, foi ministrado o terceiro nível da formação e, este ano, decorre o quarto nível. Musseque Segunda – Angola in “O País”


terça-feira, 26 de maio de 2026

Angola - Autor Zeka Mbueti retrata ambiente de ensino e aprendizagem em livros

Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti, apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de ensino e de aprendizagem


Os livros, Tchambassuco e Tchissola e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra situações de bullying e os professores.

Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.

Os temas abordados são inspirados em experiências das quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.

O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da identidade dentro da escola.

São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.

Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas raízes e origens em sonhos e viagens.

A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima, a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.

O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 17 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Projeto bilingue une alunos de Lamego e Massachusetts

Um projeto intercultural bilingue ligou alunos do estado norte-americano de Massachusetts e estudantes do Colégio de Lamego, em Portugal, estabelecendo uma ponte feita de palavras entre os dois países


O projeto, desenvolvido pela professora Mara Santos, com o apoio e enquadramento da Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos, visou promover a língua portuguesa, fortalecer laços culturais e aproximar alunos de diferentes contextos educativos.

Na prática, os alunos separados pelo Oceano Atlântico trocaram postais com recurso a códigos QR (com gravações de voz), complementada por vídeos produzidos pelos próprios estudantes, “promovendo não só a prática da língua portuguesa e inglesa, mas também uma ligação cultural direta entre os dois contextos educativos”, explicou à Lusa Mara Santos.

Mara é docente num programa de ‘dual language’, ou seja, um programa letivo em duas línguas (português-inglês), em Framingham, Massachusetts, e ao longo dos últimos quatro anos tem vindo a desenvolver projetos interculturais.

Fá-lo não apenas “por se encontrar num programa de intercâmbio de professores entre Portugal e Massachusetts, mas também por acreditar profundamente no valor educativo” dessas iniciativas, assegurou.

“Considero que este tipo de contacto entre alunos de diferentes contextos é extremamente enriquecedor, promovendo uma aprendizagem da língua portuguesa mais autêntica e significativa, bem como o desenvolvimento da empatia, da curiosidade e da consciência intercultural”, explicou à Lusa.

Tudo começou com pequenos cartões-postais.

“Deste lado do oceano, os meus alunos escreveram, desenharam, imaginaram. Mas, com a introdução de códigos QR, algo mudou: aquelas palavras passaram a ter voz. Do outro lado do oceano, os alunos de Lamego não se limitaram a ler, ouviram. Ouviram sotaques, hesitações, entusiasmo. Ouviram pessoas”, contou.

Já os alunos do Colégio de Lamego responderam, “não de forma genérica, mas individual, pessoal, humana”, disse.

“Numa época em que tanto se fala de distância, de tecnologia e de superficialidade, houve aqui algo profundamente autêntico: jovens interessados em conhecer outros jovens.  Mas esses alunos quiseram mais. Apresentaram também um vídeo sobre a sua cidade, a sua história, cultura e identidade”, destacou Mara Santos.

Do lado norte-americano, em Massachusetts, isso despertou uma curiosidade genuína nos alunos do 7.º ano.

“Houve perguntas, risos, surpresa. Houve aprendizagem real, daquela que não se esquece. E depois houve aquilo que não cabe nos objetivos curriculares”, sublinhou.

Os Estados Unidos são um dos países onde o ensino de português mais tem crescido, com mais de 20 mil alunos no ensino básico e secundário, e mais de dois mil estudantes no ensino superior, apoiados por mais de quatro centenas de professores, segundo dados oficiais, que apontam para um crescimento de 100% nos últimos 10 anos. 

Mara Santos destacou que a iniciativa que promoveu transformou-se numa ponte entre os dois países, entre línguas e entre culturas.

“Uma ponte que lembrou aos alunos, e a mim, que aprender uma língua é, acima de tudo, aprender a relacionar-nos com os outros. (…) Talvez sejam estes alunos que melhor nos ensinam que o mundo é maior, mais próximo e muito mais humano do que, por vezes, acreditamos”, observou a docente.

No próximo ano letivo, Mara Santos terá uma nova turma, o que lhe permitirá voltar a desenvolver atividades semelhantes com outros alunos e, eventualmente, explorar novos formatos de intercâmbio e colaboração entre escolas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Canadá - Ensino do português preocupa comunidade luso-canadiana na Província do Ontário

O novo embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucena, considerou na quinta-feira, que o ensino da língua portuguesa é uma das principais preocupações da comunidade luso-canadiana no Ontário, durante a sua primeira visita oficial a Toronto


“Um dos problemas, como sabem, que temos aqui em Toronto, e que me foi já várias vezes referido nestes primeiros contactos com a comunidade, é o ensino da língua portuguesa”, afirmou o diplomata aos jornalistas no consulado de Portugal em Toronto, num encontro aberto à comunidade portuguesa, clubes, associações e órgãos de comunicação social da diáspora.

Bernardo Lucena, que apresentou credenciais à Governadora-geral do Canadá há cerca de um mês, descreveu esta deslocação como a sua “primeira visita à Comunidade Portuguesa de Toronto”, sublinhando que a principal razão da deslocação é precisamente o contacto direto com os portugueses residentes no Ontário e o conhecimento mais aprofundado das suas preocupações.

“A mensagem é muito simples: quer o consulado-geral, quer a embaixada, tenham as portas abertas para a comunidade portuguesa, como sempre tiveram e continuarão a ter, e tentarei fazer o meu melhor para servir a comunidade portuguesa no Canadá”, declarou.

Segundo Bernardo Lucena, a questão do ensino do português foi abordada em reuniões mantidas esta quinta-feira com responsáveis do governo da província do Ontário, incluindo encontros com membros do executivo provincial ligados às áreas da economia e do ensino superior.

“As relações entre Portugal e o Canadá atravessam neste momento uma fase muito positiva, quer no plano económico, quer no plano político, e isso cria oportunidades importantes para Portugal e também para as comunidades portuguesas aqui estabelecidas”, afirmou o diplomata, acrescentando que Portugal poderá beneficiar do atual contexto de aproximação entre o Canadá e a União Europeia, incluindo nas áreas comercial e da defesa.

Nascido em Lisboa em 1960, Bernardo Lucena ingressou na carreira diplomática em 1987 e exerceu anteriormente funções como embaixador de Portugal em Cabo Verde e na Irlanda, representante permanente junto da OCDE e conselheiro diplomático do primeiro-ministro português.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, afirmou que o ensino da língua portuguesa continua a ser uma das principais preocupações da rede consular e associativa no Ontário, sobretudo devido às dificuldades enfrentadas pelo Programa de Línguas Internacionais do Distrito Escolar Católico de Toronto (TCDSB, sigla em inglês).

“Essa é uma mensagem que nós temos vindo a passar, o desvalor e a desvantagem que é eliminar um Programa de Línguas Internacionais num mundo onde a mobilidade é um valor nuclear, tanto para o percurso académico como para as oportunidades profissionais dos jovens”, afirmou a diplomata.

Ana Luísa Riquito recordou que o ensino do português no Ontário abrange escolas comunitárias, ensino básico e secundário e ainda o ensino universitário, nomeadamente através de programas existentes nas universidades de York e de Toronto.

A responsável explicou que a cooperação entre Portugal e as instituições de ensino canadianas é desenvolvida através do instituto Camões, com apoio financeiro, formação e treino de professores e iniciativas de promoção da língua e cultura portuguesas.

“O português não é apenas uma língua de identidade e de herança, é uma língua de oportunidade, uma língua internacional falada em vários continentes e cada vez mais valorizada no contexto global”, afirmou a cônsul-geral, referindo que essa posição foi transmitida pelo embaixador aos representantes do governo do Ontário.

Também o presidente do Conselho Regional da América do Norte do Conselho das Comunidades Portuguesas, Paulo Pereira, classificou como “gravíssimo” o risco de redução do ensino integrado de português nas escolas católicas de Toronto.

“O corte iminente do ensino integrado nas escolas católicas significa a perda do ensino português para cerca de 2200 alunos, o que seria um golpe muito duro para a nossa comunidade e para o futuro da língua portuguesa no Canadá”, alertou.

Segundo Paulo Pereira, a eventual eliminação das aulas integradas durante a semana poderá provocar uma quebra significativa no número de estudantes, uma vez que muitos alunos não terão disponibilidade para frequentar aulas apenas ao fim de semana.

“Vamos perder muitos alunos com isso, e o ensino integrado ajudava que os alunos matriculados na escola fizessem parte automaticamente do programa, sem terem de abdicar do tempo familiar ou das atividades de fim de semana”, explicou.

O conselheiro das comunidades portuguesas acrescentou ainda que o envelhecimento da população luso-canadiana está igualmente a afetar as associações comunitárias, tradicionalmente responsáveis pela promoção do ensino e da cultura portuguesas no Canadá.

Bernardo Lucena descreveu a comunidade portuguesa no Canadá como “dinâmica”, “bem integrada” e reveladora de “um portuguesismo assinalável”, considerando tratar-se de “uma comunidade de sucesso que continua muito ligada às suas raízes e à cultura portuguesa”.

O diplomata reconheceu, contudo, que muitos dos problemas apresentados pelos representantes comunitários são semelhantes aos encontrados noutras geografias da diáspora portuguesa, incluindo questões ligadas à participação eleitoral, serviços consulares e renovação geracional das organizações comunitárias.

A visita oficial do embaixador português a Toronto decorre entre 14 e 17 de maio e inclui encontros com autoridades provinciais, instituições sociais e associações portuguesas.

O programa prevê visitas à Luso Canadian Charitable Society, ao sindicato da construção LIUNA Local 183, à Casa dos Açores do Ontário, à Casa do Alentejo, ao Magellan Community Foundation e a Little Portugal, além da participação num encontro de professores de português no estrangeiro e na gala da Federação dos Empresários e Profissionais Luso-Canadianos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Timor-Leste - Ministra da Educação afirma que ensinar e aprender português é um acto de memória

A ministra da Educação timorense considera que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um acto de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos


A ministra da Educação timorense, Dulce Soares, afirmou que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. “Ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória, pois esta língua acompanhou a nossa resistência e afirmação enquanto povo, mas é também um ato de responsabilidade, porque aquilo que ensinamos hoje moldará o país que seremos amanhã”, disse Dulce Soares.

A ministra da Educação falava no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Díli (escola CAFE), onde, com o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi também assinalado na maioria das escolas públicas timorenses.

Na intervenção, Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos.

A ministra agradeceu também aos professores timorenses e portugueses pelo “trabalho dedicado, muitas vezes desenvolvido em contextos exigentes”.

Os Centro de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE é um projeto conjunto de Portugal e Timor-Leste, teve início em 2014, e já está presente em todos os municípios timorenses.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, atualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses. Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Comissão da Função Pública, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou que hoje cerca de 30% dos timorenses já falam português e que a tendência é para aumentar. “A língua portuguesa está a avançar. Se olharmos para o passado, em 2000 quase ninguém falava português, não chegava a 1%. Agora há muitos jovens, milhares e milhares, que já falam e continuará a evoluir gradualmente”, afirmou Ramos-Horta. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau - Novos alunos da Escola Portuguesa aperfeiçoam português em curso de Verão

Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”


A dificuldade dos alunos de língua não materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma “melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.

Acácio de Brito considera ser importante que os novos alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo que o curso tem esse objectivo.

A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de 60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.

“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso, cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho, mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.

Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.

Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo, mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com o desenvolvimento do mandarim.

“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e, ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.

Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.

Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”, esclarece.

Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em 2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de Verão.

Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença, porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.

Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal

A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês. Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director, Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 25 de abril de 2026

Macau - Chefe do Executivo diz que língua portuguesa “não merece preocupação”

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais

“Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa.

Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.

“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou.

Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.

“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.

O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”.

Salários mais altos

No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses.

“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”

Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.

Mercado em projecção

Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”.

Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”.

Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”.

O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Macau - Instituto Português do Oriente e Universidade de Coimbra unidos para reforçar ensino do Português

Ao abrigo de um protocolo assinado em Lisboa, o Instituto Português do Oriente vai ensinar as “bases” da língua portuguesa a estudantes que queiram prosseguir estudos na Universidade de Coimbra, adiantou Patrícia Quaresma ao Jornal Tribuna de Macau. O curso decorre durante os meses de Verão, num total de 300 horas de formação, incluindo, além da parte da língua, a parte cultural

O Instituto Português do Oriente (IPOR), a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e a Universidade de Coimbra (UC) assinaram um protocolo de cooperação para prosseguimento de estudos na UC. A directora do IPOR, Patrícia Quaresma, explicou ao Jornal Tribuna de Macau que o acordo “pretende preparar alunos de Macau para o acesso ao ensino superior” naquela universidade portuguesa.

“O que este protocolo vai permitir é que os alunos se inscrevam no programa de prosseguimento de estudos na Universidade de Coimbra, fazendo uma primeira parte de um curso de língua portuguesa no IPOR, em Macau”, acrescentou, indicando que serão cerca de 300 horas. O curso decorrerá durante os meses de Verão, depois de terminarem os exames.

O ideal, segundo esclareceu Patrícia Quaresma, é que os alunos consigam chegar ao nível A2 de proficiência. “Mas, se não conseguirem chegar a esse objectivo, pelo menos já têm uma base de língua portuguesa quando chegarem a Coimbra, à universidade, e entrarem no ano zero”.

A directora do IPOR disse ainda que as bases não são apenas de língua, mas também a nível de cultura. Por outro lado, será também dado apoio aos alunos na preparação para o mundo académico, “não só mostrando como é que funciona a cidade, como é que são os serviços, mostrando-lhes também como é que poderão, por exemplo, encontrar um quarto, como é que podem abrir uma conta, preparar a documentação toda para fazerem um visto”, exemplificou.

A divulgação do programa vai agora começar a ser feita, sendo que os alunos que pretendem ir estudar para a UC já poderão inscrever-se, dentro do conjunto de vagas reservadas para alunos internacionais que vão de Macau. No total, deverão ser cerca de 30 vagas.

“Há várias licenciaturas e mestrados que estão previstos, depois eles podem consultar e ver quais é que são os cursos que pretendem frequentar e candidatar-se. Claro que isto tem um processo também de avaliação da própria candidatura, onde também se tem em conta o exame unificado que fazem em Macau e a conclusão de estudos que fazem nas escolas secundárias”, sublinhou Patrícia Quaresma.

O protocolo foi assinado durante a recepção oficial do Governo da RAEM em Lisboa, no âmbito da visita do Chefe do Executivo. No total, foram firmados 18 acordos, envolvendo áreas tão diversas como saúde, cultura, assessoria jurídica, formação de talentos, entre outras.

DST com cooperações nas áreas do turismo e cultura

A Direcção dos Serviços de Turismo celebrou um memorando de entendimento para a cooperação em matéria de turismo com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo e um protocolo de colaboração com a EGEAC Lisboa Cultura, com vista a “reforçar as ligações de Macau com Portugal e a Europa através do turismo e da cultura, para apoiar os esforços de diversificação das fontes de visitantes internacionais e solidificar o posicionamento de Macau como um centro mundial de turismo e lazer”. O primeiro tem por finalidade enquadrar e definir as formas de cooperação na promoção do turismo e na formação online para o sector, não excluindo outras formas de cooperação que possam vir a ser definidas no futuro. Em concreto, está prevista, por exemplo, a formação e desenvolvimento de competências técnicas, com a criação de cursos online, para “dar a conhecer aos profissionais locais os produtos turísticos acordados entre as partes, bem como capacitá-los para a sua promoção nos mercados de Portugal e da Europa”. Já o segundo prevê a promoção da cultura e tradições de Macau em Lisboa e a internacionalização das festas da capital portuguesa, nomeadamente a participação das Marchas Populares vencedoras em festividades de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Portugal - José Saramago deixa de ser leitura obrigatória no ensino português

De acordo com a proposta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, actualmente em consulta pública até ao dia 28 do corrente mês, deixa de ser obrigatória a leitura de obras de José Saramago no ensino secundário. Hodiernamente, o programa prevê a leitura integral de Memorial do Convento ou de O Ano da Morte, de Ricardo Reis.

Em contrapartida, a proposta abre a possibilidade de escolha do romance Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mário de Carvalho. Na prática, as escolas deixam de estar obrigadas a escolher uma obra de Saramago no 12.º ano, passando a poder optar pela obra de Mário de Carvalho. Refira-se que José Saramago é o único escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998… Dani Costa – Angola in “O País”

 

sábado, 21 de março de 2026

Moçambique - Música clássica chega à periferia com novo núcleo no Xipamanine

O ensino de música em orquestras e coros infantojuvenis passa a ter uma nova dinâmica na cidade Maputo. A Associação Kulungwana e o Centro Cultural Municipal Ntsindya, firmaram, esta sexta-feira, uma parceria para expandir a formação destas artes na capital do país através do projecto Xiquitsi.

É o início de uma nova era para o projecto Xiquitsi fora do centro urbano da capital do país. O ensino da arte musical ganha agora um novo espaço, e uma nova forma de fazer.

O bairro de Xipamanine é a nova casa de formação dos petizes, que vão aprender música e também de outras práticas que contribuam para o seu desenvolvimento. 

“E pretendemos com isto devolver aquilo que nasceu nesta mesma casa. Para quem não sabe, esta é uma casa onde se reuniam e continuam a reunir-se, com menos frequência, os citadinos aqui do bairro dos Xipamanine e nós queremos intensificar. Queremos que os nossos meninos venham para aqui não só jogar futebol como já o fazem, não só andar nas ruas, mas que possam entrar aqui com uma motivação, com uma regularidade e com isso afastá-lo de outras actividades menos propícias para as idades dos nossos meninos”, explicou Eldevina Materula, Fundadora do Xiquitsi.

Com esta expansão, o Xiquitsi reafirma o seu propósito de identificar e lapidar talentos em comunidades onde o acesso a instrumentos e formação técnica especializada é tradicionalmente limitado.

“Isto vai permitir que as crianças aqui da zona não precisem de percorrer grandes distâncias. Vai dinamizar aqui a comunidade e vamos oferecer esta oportunidade de ter um ensino de música de qualidade onde vamos ter classe de coro, de percussão e de sopros. E nós pensamos que vamos poder dinamizar também o centro cultural de Cinza”, disse Henny Matos, Directora-executiva da Kulungwana.

Desde a sua fundação, o projecto Xiquitsi tem sido um farol na promoção da música erudita em Moçambique. In “O País” - Moçambique


domingo, 15 de março de 2026

Timor-Leste - Portugueses procuram aprender tétum

“Neineik, neineik” (devagar), é assim que a professora timorense Beatriz Sarmento lida com o desânimo dos seus alunos portugueses, que estão a aprender tétum, língua oficial de Timor-Leste a par do português, na Escola Portuguesa de Díli (EPD)


Desde o início de fevereiro, que mais de 20 portugueses se inscreveram na nona edição do curso de tétum, nível básico, do Centro de Formação da EPD.

Beatriz Sarmento não tem dúvidas que aumentou a procura de portugueses a querer aprender tétum.

“Já avançámos até à nona edição do curso tétum e tenho pedidos individuais de portugueses que querem aprender. Na verdade, cresceu. Este ano a turma cresceu bastante”, afirmou à Lusa.

A professora explicou o aumento do interesse pela aprendizagem do tétum com a integração social, mas também por razões profissionais.

“Estou a aprender tétum principalmente por uma questão profissional e depois também por uma questão de integração em Timor-Leste. No meu caso, acho que me devo render ao tétum e integrar-me na sociedade timorense”, afirmou à Lusa Bruno Pereira, um dos alunos do curso, que trabalha como assessor no Governo timorense.

Mário Coutinho, professor em Timor-Leste, disse que decidiu aprender tétum por “curiosidade” e por “necessidade” de perceber como os alunos comunicam.

Questionado pela Lusa sobre se é uma língua difícil de aprender, Mário Coutinho disse que é um “bocadinho complicado”.

“O sistema gramatical, a sintaxe semântica é um bocadinho diferente da língua portuguesa, mas ‘neineik, neineik’, aos poucos iremos conseguir”, afirmou Mário Coutinho.

Para Amélia Costa, que trabalha como jurista no Governo timorense, a aprendizagem do tétum é essencial para quem trabalha com a Administração.

“Só as pessoas mais idosas é que falam e percebem português e para acompanharmos reuniões e falar em reuniões é absolutamente necessário o tétum”, disse.

Amélia Costa afirmou também que é um bocado difícil aprender a falar tétum até porque a estrutura da língua é completamente diferente do português.

“Eu supunha que havia muito mais palavras portuguesas no tétum, que tinha uma base essencialmente portuguesa e não tem tanto como eu pensava, e depois há palavras que querem dizer várias coisas ao mesmo tempo, por isso, é um bocadinho difícil”, considerou Amélia Costa.

Apesar da grande percentagem de palavras emprestadas do português, mas que se escrevem de outra forma, a professora Beatriz Sarmento salienta que “não é fácil adquirir o tétum” para os portugueses.

É que o tétum, explicou, tem uma estrutura frásica bastante diferente do português e as palavras que se usam diariamente são muito diferentes.

Depois há também verbos que se encontram implícitos e as letras aspiradas, como o “h”, que não existem no português, e a troca e adaptação da ortografia.

“Outra dificuldade é o sentido duplo ou triplo de uma palavra”, acrescentou.

Mas, “neineik, neineik”, a aprendizagem lá se vai fazendo e após um mês de aulas, o curso termina no final de março, os alunos já conseguem articular algumas frases e ter os conhecimentos básicos para as necessidades diárias, incluindo ir às compras.

Sobre se a aprendizagem da língua portuguesa também está a ter mais procura por parte dos timorenses, Beatriz Sarmento, que trabalha igualmente como professora no Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional de Timor-Leste, afirmou que há cada vez mais pedidos.

“Neste momento não temos recursos humanos suficientes para atender os pedidos que chegam” ao centro da universidade pública timorense, acrescentou.

Após a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste adotou as línguas tétum e portuguesa como línguas oficiais, e o indonésio e o inglês como línguas trabalho. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”