Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Japão - Revista dedica edição especial a Portugal

A revista japonesa de viagens CREA Traveller lançou, a 22 de junho, uma edição especial inteiramente dedicada a Portugal


De acordo com a nota publicada pela embaixada de Portugal no Japão, ao longo de cerca de 150 páginas, a publicação convida os leitores a descobrir várias regiões do país, destacando a sua cultura, história e gastronomia, através de uma reportagem ilustrada com fotografias.

Segundo a representação diplomática portuguesa, esta edição destina-se tanto aos apaixonados por Portugal como àqueles que desejam visitar o país, sendo apresentada como uma publicação de referência para quem procura conhecer melhor o destino.

A produção da reportagem contou com a colaboração do Turismo de Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 23 de junho de 2026

Portugal - Restaurantes lusófonos são um regresso a casa para os imigrantes

O sabor dos pratos lusófonos nos restaurantes da Grande Lisboa transporta à terra natal os imigrantes, que chegam a chorar quando identificam certos temperos, os quais os colocam por momentos na cozinha da sua infância. A propósito dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalados este ano, a Lusa percorreu restaurantes da Grande Lisboa para perceber como a gastronomia continua a ligar comunidades imigrantes às memórias dos países de origem.


Eleanora Carlota, proprietária do restaurante são-tomense Cantinho da Nonô, na Amadora, recebe muitas vezes os comensais com as lágrimas nos olhos. “Há pessoas que se levantam e perguntam-me se me podem dar um abraço; e abraçam. E afirmam: Olha, tu fizeste-me voltar a 30 anos atrás, à comida que a minha avó fazia”.

Para Nonô, 46 anos, o amor é o ingrediente especial servido no seu Cantinho, que abriu em 2019. À mesa deste restaurante na Damaia não falta o peixe andala, que é o “manjar da casa”, tamanha a variedade de utilizações que tem na cozinha, do pastel à feijoada, passando pelo patê e o calulu, o prato nacional são-tomense, que é sempre um sucesso neste espaço, onde o pano africano se destaca na decoração das mesas.

A ementa cresceu à velocidade dos pedidos de clientes de outros países lusófonos, que foram sugerindo a cachupa (Cabo Verde), moamba (Angola), caril de amendoim (Moçambique), caldo de peixe (Moçambique), picanha (Brasil) e pratos portugueses, como o bacalhau à minhota.

No restaurante Mana Gra as refeições não têm horário. Todos e a qualquer hora são bem-vindos ao espaço que serve comida da Guiné-Bissau, num centro comercial em Massamá, onde se procura comer, mas também matar as saudades de casa.

A proprietária e cozinheira é a Graciete Kattar Madi, 52 anos, que sempre teve mão para a cozinha e que desde 1998, quando veio para Portugal, trabalha na restauração. Sempre sonhou em ter um restaurante, que servisse boa comida do seu país, e arriscou quando todos estavam a fechar as portas na pandemia.

O espaço torna-se facilmente pequeno para os clientes que serve e que vêm de várias latitudes. Mas também estudantes guineenses em Portugal, que não têm oportunidade de comer estes pratos e aqui matam as saudades.

“É um regresso a casa”, afirma Graciete, que gosta de ver os seus clientes a usufruir do espaço, que decorou com coloridos panos africanos, e dispensa publicidade, porque acha que “a melhor propaganda é feita pelos clientes satisfeitos”.

Chama ao seu Mana Gra uma clínica da alimentação, onde se encontra tudo do bom e do melhor. O caldo mancarra é o mais procurado neste restaurante, com os clientes portugueses a preferirem outro prato guineense: O chabéu.

Cachupa, grogue e ponche de mel são imprescindíveis no restaurante cabo-verdiano O Coqueiro, na Cova da Moura, Amadora. Maria Patriarca, 70 anos, está à frente da cozinha deste emblemático espaço, que abriu em 1995 e, desde então, é paragem obrigatória de cabo-verdianos, outros africanos, portugueses e estrangeiros. Mas também de chefes de Estado, de Portugal e Cabo Verde, tendo a passagem de Marcelo Rebelo de Sousa colocado este restaurante no itinerário de muitos comensais.

A cabo-verdiana, natural da ilha de Santo Antão, já perdeu a conta às cachupas que cozinhou e que são seguramente largos milhares, servindo no restaurante e a particulares, grupos e empresas. Todos apreciam, mas este já não é o prato da sua preferência.

Os cabo-verdianos, aliás, optam por outros pratos, como peixe grelhado, bife de atum à moda de Cabo Verde ou bitoque. A cachupa é mais escolha de portugueses e estrangeiros.

Maria Patriarca garante que a receita da sua cachupa é igual à primeira que confeccionou e que as medidas são “a olho”. O resultado parece agradar, levando-a a estar ao fogão desde cedo, só parando para comer e só quando os clientes estão já a lanchar.

No espaço gastronómico da associação Casa de Angola, em Lisboa, há pratos que lembram as mães. Isso mesmo contou o cozinheiro Paulo Soares, que há mais de 18 anos ali recebe os comensais. “Quando me dizem que a minha comida transporta para Angola, isso é mais importante do que dizerem que a minha comida está boa”, diz.

E são muitos os que, através de pratos como moamba, calulu, carne seca, funge de peixe frito, são transportados para o país da kizomba.

Paulo Soares, 55 anos, também prefere a moamba da sua mãe, que elege como a melhor do mundo. E entende o gosto que os angolanos, e não só, têm em partilhar a gastronomia e a música angolana, o que fazem com grande frequência neste espaço gastronómico.

O brasileiro Juca Oliveira abriu em 1978 o Brasuca, ao Bairro Alto, quando esta zona fervilhava de intelectualidade, oferecendo pratos com produtos que nem sequer existiam em Portugal, como o feijão preto. Para conseguir o ingrediente principal da feijoada, o prato nacional brasileiro, plantou em Rio Maior cinco quilos, que renderam 200 quilos e com estes obteve quatro toneladas, das quais três ficaram para a cooperativa que fez a plantação.

Hoje, a feijoada brasileira continua na ementa do restaurante e o seu proprietário, com 88 anos, não mostra intenção de alterar o menu, que é igual desde a abertura.

Os ingredientes são, contudo, hoje mais fáceis de obter, permitindo fazer especialidades como a moqueca de camarão, elogiada pelos estrangeiros como melhor do que no Brasil e mais barata. Sandra Moutinho / Cláudia Joaquim – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 6 de junho de 2026

Macau – Chef Lídia Brás, do norte de Portugal, traz tradições gastronómicas ao Clube Militar

A chef Lídia Brás vai confeccionar, juntamente com o assistente Fernando Araújo, pratos típicos portugueses na cozinha do Clube Militar, em mais uma edição do Festival de Gastronomia e Vinhos. Irão apresentar receitas diversificadas, algumas das quais de Trás-os-Montes, numa iniciativa que decorrerá entre os dias 8 e 15 de Junho, integrada na programação “Junho, Mês de Portugal”


O restaurante do Clube Militar volta a oferecer aos clientes um menu especial, confeccionado por chefs vindos expressamente de Portugal para dar corpo a mais um Festival de Gastronomia e Vinhos, que decorrerá entre 8 e 15 de Junho. Lídia Brás estará na cozinha, acompanhada pelo assistente Fernando Araújo, para produzir pratos variados, mas com um toque transmontano, já que a chef é natural de Miranda do Douro, no nordeste de Portugal.

O festival proporcionará também a degustação de alguns vinhos portugueses, para acompanhar receitas, tanto de carne como de peixe, numa “ligação a tradições de festas populares, comidas de campo e rituais específicos”, como refere um comunicado da organização.

Aquela que liderará a cozinha do Clube Militar durante 13 dias, chefia o projecto Stramuntana (Transmontana na língua Mirandesa). Com uma formação inicial em Artes, foi na cozinha que encontrou o seu lugar e paixão. “O seu trabalho preserva a autenticidade, sazonalidade e características da comida portuguesa, por vezes com um toque pessoal de inovação”, sublinha a nota introdutória do evento gastronómico.

Cozinheira por vocação, Lídia Brás mantém a intrínseca relação com Trás-os-Montes e com os modos e costumes das suas raízes, e é onde investiga o receituário Transmontano ancestral. Além da participação em programas televisivos, feiras gastronómicas, eventos privados e “showcookings”, é maioritariamente no seu restaurante, o Stramuntana, que divulga produtos, receitas e também os produtores do nordeste de Portugal.

Fernando Araújo nasceu em Vila Nova de Gaia, arredores do Porto, mas foi nas raízes minhotas – em Adaúfe – que passou grande parte da infância. Herdou desde cedo o palato apurado e o gosto pelo saber-fazer da gastronomia nortenha: os peixes e mariscos do litoral, os enchidos tradicionais e os pratos ricos de carne da terra.

Mais tarde, no Alentejo, aprofundou o conhecimento sobre a riqueza da gastronomia nacional, absorvendo tradições, sabores e técnicas que marcariam o seu percurso profissional. Em 2006, abriu o primeiro negócio gastronómico, dando início a um percurso de crescimento na restauração e no universo vínico. Desde então, tem consolidado experiência através de formações especializadas em vinhos e gastronomia.

O evento, integrado na programação do “Junho, Mês de Portugal”, serve igualmente para assinalar o 156.º aniversário do Clube Militar, instituição que há mais de duas décadas promove este tipo de iniciativas, trazendo ao território conceituados chefs lusos para criar menus especiais. Em anos recentes, o festival tem-se focado na autêntica cozinha regional portuguesa e na harmonização com vinhos nacionais.

Há um ano, também durante o mês de Junho, o Clube Militar trouxe à RAEM três cozinheiros, liderados por Justa Nobre, que contou com a colaboração das assistentes Ana Graça e Teresa Seixas.

Além deste festival no Clube Militar, o “Junho, Mês de Portugal” inclui outras iniciativas de restauração, como a “Festa Gastronómica Portuguesa”, que decorrerá no dia 8, no restaurante Baccara do Hotel Sofitel. Trata-se de um “buffet gourmet” com vinhos seleccionados de nove regiões, numa noite dedicada aos “sabores autênticos portugueses”.

Enquanto isto, a série de eventos lançados para assinalar o “Mês de Portugal” engloba o roteiro gastronómico “Comer e Beber à Portuguesa”, em terceira edição, apresentando este ano um recorde de 35 restaurantes, bares ou cafés aderentes, que apresentarão menus temáticos com descontos de 10,06%, em alusão à data da celebração.

No final, através de um sorteio, os consumidores nesses espaços têm oportunidade de ganhar uma refeição para duas pessoas. Além disso, os clientes que pagarem os almoços ou jantares com o cartão BNU durante o período da promoção habilitar-se-ão ao sorteio de uma viagem a Portugal. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Moçambique - Chef Assante Baquete lança o livro “A Cura – Uma Jornada do Estômago à Alma” em Portugal

A chef moçambicana Assante Baquete Manhiça, actualmente radicada em Portugal, lançou no passado dia 30 de Maio, em Lisboa, a obra A Cura – Uma Jornada do Estômago à Alma, num evento que contou com o apoio da Batoto Yetu Portugal. O livro apresenta uma narrativa autobiográfica marcada por experiências de vida, fé, superação pessoal e a profunda ligação da autora com a gastronomia.


Mais do que um livro de culinária, a obra retrata o percurso de transformação de Assante Baquete, mostrando como a cozinha se tornou uma ferramenta de recuperação emocional e espiritual. A autora partilha momentos difíceis da sua vida e revela de que forma encontrou na gastronomia um caminho para reconstruir a sua autoestima, propósito e bem-estar.

Em entrevista ao programa Bem-Vindos, da RTP África, Assante explicou que a culinária entrou na sua vida como forma de cura após enfrentar períodos de depressão. Segundo a chef, durante muitos anos trabalhou em escritórios na área de procurement, mas decidiu abandonar a carreira corporativa para seguir a sua paixão pela cozinha, chegando inclusive a abrir um restaurante em Moçambique.

Com A Cura – Uma Jornada do Estômago à Alma, Assante Baquete procura inspirar outras pessoas a encontrarem forças para superar desafios pessoais, defendendo que a alimentação, a fé e o autoconhecimento podem caminhar juntos na busca pelo equilíbrio emocional. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Luso-americanos unem gastronomia e diáspora em simpósio internacional na cidade de Newark

Dois empresários luso-americanos promovem sábado, em Newark, um simpósio gastronómico inspirado nas comunidades emigrantes que moldam o cenário culinário e cultural diversificado naquela cidade norte-americana


Denominado “Saboreie Newark”, o evento tem curadoria da Plusable, uma companhia de relações públicas fundada nos Estados Unidos pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira, e reunirá ‘chefs’ locais e internacionais, assim como decisores políticos, para apresentar a diversidade gastronómica de Newark e o seu papel cultural na região.

“Com convidados internacionais de Portugal, Brasil, Itália, entre outros países, o evento destaca a forma como as comunidades emigrantes estão a moldar a identidade de Newark e como a gastronomia serve como um poderoso motor de crescimento económico e de narrativa global”, indicou a Plusable num comunicado enviado à agência Lusa.

Será um dia de demonstrações gastronómicas e diálogo global subordinado ao tema “A Taça Culinária: Unidos à Mesa”, a poucas semanas de Newark e outras cidades dos Estados Unidos receberem uma audiência global para o Campeonato do Mundo de Futebol.


“Desde as influências portuguesas, brasileiras e espanholas do Ironbound District até às ricas cozinhas africana, caribenha e sul-americana que se encontram em Newark, a cultura gastronómica da cidade reflete gerações de herança, resiliência e inovação”, sublinha.

O programa deste ano inclui painéis de discussão dinâmicos, como “Unir Cidades Através do Sabor” e “Receber o Mundo: Comida, Cultura e o Palco Global de Newark”.

No ano passado, o ‘chef’ português Gil Fernandes foi o convidado especial do evento. Já na edição deste ano, o destaque vai para o ‘chef’ brasileiro Nelson Soares, que fará uma demonstração culinária ao vivo.

De acordo com a organização, outro dos principais destaques da edição deste ano é um acordo formal de intercâmbio de estudantes entre Newark e Cascais, permitindo a dois estudantes da cidade norte-americana treinar durante seis semanas com o ‘chef’ Gil Fernandes no restaurante Fortaleza do Guincho, em Cascais.

“O ‘Saboreie Newark’ é um poderoso reflexo de quem somos como cidade — ousados, diversos e profundamente ligados a uma família global mais ampla”, disse o presidente da Câmara de Newark, Ras J. Baraka, citado no comunicado.

“Enquanto nos preparamos para receber o mundo para os jogos do Mundial de Futebol, este evento mostra não só os nossos sabores, mas também os nossos valores — união, oportunidade e orgulho. Reunir talentos locais e parceiros internacionais para o ‘Saboreie Newark’ fortalece a nossa economia, eleva as nossas comunidades e constrói pontes culturais duradouras que se estendem muito para além das nossas fronteiras”, acrescentou.

O programa, que é gratuito e aberto ao público, inclui ainda degustações de restaurantes locais, oferecendo aos participantes a oportunidade de experienciar em primeira mão a diversificada identidade culinária de Newark, cidade que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.

“Acreditamos firmemente que Newark é a autêntica capital gastronómica da América e que a sua cena culinária tem o poder de impulsionar o orgulho cultural e o crescimento económico”, afirmou Isabelle Coelho-Marques, CEO da Plusable.

Em entrevista ao Bom Dia, por ocasião do evento de 2025, Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira explicaram que acreditam “que a construção de laços estratégicos entre a diáspora portuguesa e Portugal tem um potencial imenso, que ainda não está a ser explorado ao nível que poderia e deveria ser”. Os luso-americanos sentem que, em muitos casos, a diáspora portuguesa ainda é vista “como uma comunidade presa ao saudosismo de um Portugal que já não está em sintonia com o país da atualidade”.

A dupla sugere que se passe a valorizar os talentos que se destacam na diáspora e se desenvolvam estratégias sustentáveis para elevar a marca de Portugal ao nível que merece, alcançando ainda mais destaque global. “Nas nossas comunidades que residem no estrangeiro, cada vez mais emigrantes e luso-descendentes ocupam cargos de destaque nos países de acolhimento, mas, ainda assim, o coração continua em Portugal”, concluem. Leia a entrevista completa aqui. In “Bom dia Europa” Luxemburgo com “Lusa”




quinta-feira, 7 de maio de 2026

Timor-Leste - Culinária da Indonésia ganha espaço no país reforçando laços de amizade

A chef aprendeu a cozinhar com a mãe indonésia e ao chegar a Timor-Leste passou a vender pratos típicos com especiarias que foram caindo no gosto dos timorenses. De encomendas esporádicas, Egha passou a fornecer serviços de buffet a eventos


Uma chef mudou-se para o país vizinho, Timor-Leste, com o marido por causa do trabalho dele. Ao dividir o tempo aprendendo o novo idioma e um ritmo de vida diferente, ela decidiu dedicar-se ao que sabia fazer melhor, cozinhar os pratos aprendidos com a mãe na Indonésia.

Esta é a história de Egha, que conta ter aprendido a cozinhar antes mesmo de saber nomear os temperos que usava.  Ela lembra que foi muito incentivada pelo marido para abrir o próprio restaurante, mas após chegar a Timor-Leste, ele veio a falecer, de repente. E Egha voltou para a Indonésia.

Pratos esgotados para o almoço

Depois de um tempo de luto, a chef percebeu que o seu lugar era em Díli, onde ao lado do marido, descobrira a sua vocação. Arrumou as malas e retornou à capital timorense para realizar o sonho de recomeçar a vida fazendo o que fazia melhor: cozinhar. No início, vendia a comida para vizinhos e amigos, mas logo depois a produção teve de aumentar pela procura popular.

Egha cresceu tanto que abriu o próprio negócio de buffet integral. Ali, ela fornece pratos indonésios como o ayam krispi, ou frango frito crocante, além de pratos rotativos que na maioria dos dias, acabam esgotados na hora do almoço.

A história de Egha parece-se com a de muitos migrantes que tiveram os seus negócios afetados na época da pandemia da Covid-19. Muitos que haviam construído vidas tranquilas e estáveis ​​de repente viram-se sem trabalho e sem opções.

Egha decidiu abrir as portas da sua cozinha e começou a acolher outros migrantes que haviam perdido os seus empregos e não tinham para onde ir. Ela ofereceu trabalho, compartilhou os seus conhecimentos e deu a eles uma oportunidade para recomeçar.

Gado-gado, sucesso do público

Ao ser perguntada pela Organização Internacional para Migrações, OIM, ela diz que se há algum prato que melhor captura a alma deste warung, é o gado-gado.

À primeira vista, parece uma salada simples: legumes, ovos cozidos, tofu frito e tempeh. Mas o prato completa-se com o seu molho de amendoim – rico, cremoso, quente e perfumado – que transforma cada elemento em algo maior do que a soma das suas partes.

O nome gado-gado significa “mistura-mistura” em indonésio. Não existe uma única versão definitiva. O prato muda dependendo dos ingredientes disponíveis. Diferentes ingredientes, texturas e origens são reunidos sob o mesmo molho. Cada etapa importa e cada ingrediente desempenha o seu papel.

Hoje, Egha emprega cerca de 10 pessoas no seu warung, muitas delas migrantes. O trabalho sustenta a sua família, bem como as famílias daqueles que trabalham com ela. Para muitos funcionários, é mais do que um local de trabalho. É um lugar de pertença, onde podem reconstruir as suas vidas e apoiarem-se uns aos outros. Andrea Empamano - Organização Internacional para Migrações ONU News 


sábado, 28 de março de 2026

Luxemburgo - Association de divulgation et d’intervention éducatives organiza festa portuguesa em Soleuvre, no sul do país

Soleuvre, no sul do Luxemburgo, prepara-se para acolher uma nova festa portuguesa, marcada para o próximo dia 2 de maio de 2026. O evento, organizado pela ADIE asbl (Association de divulgation et d’intervention éducatives), terá lugar na Salle Festikuss, situada na Rue Jean Anen


O cartaz é encabeçado por Markus e por Ás da Concertina, contando ainda com a atuação da Banda Compacto para animar o convívio.

No plano gastronómico, a organização aposta em pratos tradicionais da cozinha portuguesa, destacando-se no menu a carne de porco à portuguesa e o bacalhau à brás.

A entrada para o evento tem um custo de 35 euros.

As reservas para a iniciativa podem ser efetuadas através dos contactos +352 691197695 e +352 691197992. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 25 de outubro de 2025

Macau - “PortugalFoods” de olho no mercado online chinês

A “PortugalFoods assinou um acordo com a “Tmall” para ter “uma forte presença portuguesa” numa das maiores plataformas de comércio electrónico da China, revelou a directora executiva da associação do sector agro-alimentar. Deolinda Silva considerou “muitíssimo interessante” o protocolo de cooperação assinado durante a 2ª Exposição Económica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), em Macau.


“O nosso objectivo é começarmos a trabalhar realmente na constituição de – eu não digo uma loja – uma forte presença portuguesa nesta plataforma”, explicou. “Não é fácil, mas eles estão ali prontos para nos ajudar, e nós também já vamos cada vez mais adquirindo mais conhecimento sobre o desafio que nos espera”, admitiu.

A cooperação arrancou com uma apresentação dos produtos de associados da “PortugalFoods” junto de empresas chinesas “das mais variadas categorias”, revelou. A associação trouxe produtos de 12 companhias à C-PLPEX, mas conta com mais de 200 associados entre empresas, entidades do sistema científico e da fileira agro-alimentar e outras actividades conexas.

A apresentação faz parte de uma estratégia da “Tmall” para promover os produtos agro-alimentares portugueses “de uma forma agregada, para se ganhar alguma dimensão”, referiu Deolinda Silva. “O trabalho que tem de ser feito junto destes parceiros chineses é imenso, porque praticamente não existe uma presença de produtos portugueses”, lamentou.

O primeiro contacto com a “Tmall” aconteceu durante a edição de 2024 do “FHC Shanghai Global Food Trade Show”. A “PortugalFoods” voltará a participar nesta feira, entre 12 e 14 de Novembro, para “percepcionar melhor o potencial que existe para criar parcerias” para encontrar futuros compradores, referiu a directora executiva.

A China “é um mercado com um potencial brutal, mas que deve ser trabalhado de forma faseada e por regiões”, disse Silva, apontando o sul da China como prioridade.

Segundo a “PortugalFoods”, as exportações agro-alimentares portuguesas atingiram 10 mil milhões de euros em 2024, um crescimento anual de 8,5%. A associação antecipa novo crescimento em 2025, embora mais modesto.

Empresa de Fafe quer exportar pudins para a China

Por sua vez, uma empresa de Fafe está a investir em robots para conseguir produzir, por ano, um milhão de pudins inspirados no pudim abade de priscos e começar a exportar para a China. O criador do Pudim da TV, Paulo Fernandes, anunciou que, até ao final do ano, a fábrica da empresa no distrito de Braga terá quatro robots a operar, atingindo assim a capacidade para produzir um milhão de pudins por ano.

A unidade fabril, criada há dois anos e meio, já fornece sobremesas a mais de 400 restaurantes em Portugal e exporta para nove países na Europa e América do Sul, disse Fernandes no segundo dia da C-PLPEX, que está a decorrer em simultâneo com a 30ª Feira Internacional de Macau.

Fernandes trouxe o Pudim da TV ao território “acima de tudo para tentar perceber como é que é o palato daqui dos chineses, se o pudim é bem aceite ou se nós temos que fazer alguma afinação ao sabor”.

A empresa, cujo volume de negócios atinge “umas centenas de milhares de euros”, pretende também “arranjar parceiros” para fazer a distribuição do pudim e repetir “o crescimento exponencial” do pastel de nata no estrangeiro.

Paulo Fernandes disse estar a analisar a possibilidade de aderir a um programa do Governo de Macau, que irá entrar em vigor em Novembro, para ajudar empresas estrangeiras a internacionalizar-se a partir da RAEM. O chef revelou que tinha reuniões marcadas com potenciais parceiros. Dependendo do interesse, Macau pode ser a “porta de entrada” do Pudim da TV para mercados como Hong Kong e a China continental. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

China - Portugueses abrem restaurante em Hengqin

Um restaurante de gastronomia mediterrânica abre oficialmente este sábado na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Localizado no centro comercial Huafa, o restaurante Vivo é um Projecto de dois portugueses que viram uma oportunidade de aproximar duas geografias – China e sul da Europa.


Não se trata de culinária de fusão. Ainda assim convivem neste restaurante várias tradições: culinárias portuguesa, espanhola e italiana, preparadas por um chef de Xangai com matéria-prima chinesa.

“Estamos na China, queremos apostar em produtos frescos chineses”, diz à Lusa um dos sócios, João Maria Pegado.

Tanto é que no menu não se encontra, para já, o tradicional polvo à lagareiro. Há que continuar a percorrer os mercados locais até encontrar o produto ideal, explica Pegado.

“Poderíamos ir a Macau buscar o polvo congelado, mas o nosso grande objectivo era trabalhar com produtos frescos na China. Em termos de custo, torna muito mais rentável, mas queremos também aproveitar e fazer esta fusão entre produtos chineses e pratos portugueses”, diz.

O Vivo está em modo ‘soft opening’ desde 18 de Julho. E João Maria Pegado não se queixa do trajecto percorrido até aqui, apesar da dificuldade da língua.

À Lusa, diz que vai concorrer em breve aos apoios do Governo de Macau, numa altura em que as autoridades incentivam o investimento na Zona de Cooperação Aprofundada, uma área económica especial, criada em 2021 com vista à diversificação económica e integração regional da RAEM no resto do país.

E Hengqin atrai cada vez mais visitantes de Macau, refere o investidor. Nesta área gerida pelos dois lados da fronteira, já é permitida, por exemplo, a circulação de condutores de Macau, mediante pedido de licença, lembra Pegado.

Mas há outros atractivos: a gasolina é mais barata – “os carros de Macau vêm abastecer-se ao fim de semana, parecemos nós [portugueses] em Badajoz” – os supermercados mais em conta, mais espaço e mais áreas verdes. “Espaço aberto onde se pode relaxar sem se estar no meio da cidade. Essa é a grande razão que faz com que as pessoas troquem Macau por Hengqin ao fim-de-semana e às vezes até durante a semana, à hora do almoço”, reflecte.

Também Hengqin parece ser uma opção mais económica para os chineses que visitam Macau, onde, de acordo com dados referentes a Agosto, o preço médio de um quarto de hotel é 1461 patacas.

“Hengqin tem sido cada vez mais um ponto de concentração, de dormida, utilizado por muitos visitantes. Muitos dos prédios que foram feitos como escritórios, o Governo deu licenças (…) para se fazerem hotéis ao estilo de Airbnb [alojamento local]”, disse.

Hong Kong e Macau são, para já, origem do grosso dos visitantes do restaurante, mas João Maria Pegado espera também alcançar mais consumidores do Interior da China.

“Ainda há poucas pessoas que sabem o que significa [o conceito] mediterrânico”, salienta, referindo, no entanto, que, para muitos dos que visitaram o Vivo, a paella negra tem sido escolha recorrente.

A este prato juntam-se outras especialidades da casa, como arroz à pescador, camarões à guilho ou frango no churrasco, nomeia Pegado, que deixou uma carreira ligada ao desporto para se dedicar ao negócio da restauração.

“É especial”, assume. “Sentia que faltava um restaurante de comida ocidental, e que poderia ter sucesso nessa parte (…). Vivo em Hengqin há três anos e é um local que aprecio bastante, permite-me estar perto de Macau, cidade onde cresci e com a qual me sinto identificado”, conclui. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Macau - Calema e Marisa Liz cantam no Festival da Lusofonia

O duo de cantores são-tomenses Calema é o principal cabeça-de-cartaz da edição deste ano do Festival da Lusofonia. Também em destaque vai estar a portuguesa Marisa Liz. O evento de dois fins-de-semana, final de Outubro e princípio de Novembro, decorrerá em simultâneo com o Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que apresentará mais de 80 actividades


Já é conhecida a programação do Festival da Lusofonia, que, pela segunda vez consecutiva, se realiza em dois fins-de-semana. No primeiro, entre 24 e 26 de Outubro, Calema, duo de cantores oriundos de São Tomé e Príncipe, é a grande atracção da festa. O concerto está agendado para 25 de Outubro, às 21h30.

Os irmãos Fradique e António Mendes Ferreira tinham já sido sondados pela organização em anos anteriores, tendo agora respondido afirmativamente ao convite para participar no festival.

Segundo a crítica musical, os Calema, baseados em Portugal, conquistaram aquilo que nenhum artista do mundo lusófono tinha conseguido até este momento: encher o Estádio da Luz, onde cerca de 50 mil pessoas presenciaram o espectáculo no passado mês de Junho. A dupla toca canções do género Afro pop, kizomba, R&B e pop.

Em 2017, em Portugal, lançaram o álbum “A Nossa Vez”, ou simplesmente “ANV”, e dois anos depois foram anunciados como compositores e intérpretes da canção “A Dois”, com a qual participaram no Festival da Canção. No ano passado, fizeram uma digressão para celebrar os 15 anos de carreira, com dois concertos esgotados na MEO Arena.

Nesta primeira deslocação a Macau e à Ásia, os Calema deverão interpretar os temas que mais os notabilizaram, assim como trechos recentes, os quais lhes têm granjeado grande popularidade junto dos fãs em Portugal e no continente africano.

No segundo fim-de-semana do Festival da Lusofonia, dia 1 de Novembro, pelas 21h30, o palco do anfiteatro das Casas da Taipa receberá outra figura em destaque no programa musical, a portuguesa Marisa Liz. A cantora e compositora é conhecida principalmente por ter sido vocalista da banda Amor Electro, com a qual lançou álbuns de sucesso e ganhou prémios. Em 2022, iniciou uma carreira a solo com o álbum “Girassóis e Tempestades”, e também se destacou como mentora em diversas edições do programa televisivo “The Voice Portugal”.

No 28.º Festival da Lusofonia outros artistas musicais irão actuar ao longo dos seis dias do evento, nomeadamente Rui Orlando (Angola), Carimbó Paidégua (Brasil), Memu Sunhu (Guiné-Bissau), Josslyn (Cabo Verde), Tafika (Moçambique), Galaxy (Timor Leste), Sanskruti Sangam (Goa, Damão e Diu) e Negros Unidos (Guiné Equatorial).

Na festa popular deste ano, será dado maior destaque à promoção da cultura angolana, com a apresentação de gastronomia típica, onde deverá estar presente um chefe vindo expressamente de Angola, e obras artísticas deste país lusófono, tudo apontando para que um artesão possa mostrar a sua arte ao longo dos seis dias junto à tenda angolana.

Além disso, haverá ainda actuações interpretadas por grupos artísticos de 10 países e regiões de língua portuguesa, bem como de mais de 40 artistas lusófonos locais. Aos espectáculos musicais, irão juntar-se, como habitualmente, jogos tradicionais e degustação gastronómica.

Encontro de Artes e Cultura leva artistas à comunidade

O Festival da Lusofonia irá realizar-se em simultâneo com o 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), embora este seja estendido até Dezembro, apresentando mais de 80 sessões de actividade, no âmbito de seis eventos principais, nomeadamente: a Narrativa Espiritual – 2025 Exposição Anual de Artes entre a China e os PLP, Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português, Espectáculos de Música e Dança Tradicional na Comunidade, Festival de Cinema, Concerto Sino-Lusófono e Workshop de Degustação. Segundo a organização, mais de 780 artistas e intérpretes nacionais e estrangeiros irão oferecer ao público “uma festa multicultural, em espaços históricos do património mundial, bairros comunitários e teatros modernos”.

As actuações integradas nos espectáculos de música e dança em vários pontos da comunidade e no Galaxy Macau, terão lugar entre 23 de Outubro e 2 de Novembro, com o objectivo de “evidenciar o fascínio e a diversidade das artes performativas da China e dos PLP”, refere uma nota do Instituto Cultural (IC), organismo responsável pela iniciativa, contando com vários apoios, o principal dos quais da Galaxy Entertainment.

Enquanto Cidade de Cultura da Ásia Oriental 2025, Macau acolhe igualmente o 7.º Festival de Cinema, sob o tema “Transcendendo Fronteiras”. O evento apresentará uma selecção especial de obras da China, dos PLP e da Ásia Oriental.

A Exposição de Livros Ilustrados, sob o tema “Mundo de Contos de Fadas”, realiza-se entre 24 de Outubro e 2 de Novembro, no Auditório do Carmo. Durante 10 dias consecutivos, estarão disponíveis mais de 800 livros infantis, maioritariamente em chinês e português, com entrada gratuita.

Em foco estará também o Workshop de Degustação, que incluirá três sessões de café preparado à mão, permitindo aos participantes provar os cafés típicos dos PLP e do Interior da China.

Na apresentação do Encontro e do Festival da Lusofonia, que decorreu no Centro Cultural, a presidente do IC, Leong Wai Man, disse acreditar que “a importância das artes e da cultura reside não apenas na exibição e na apreciação, mas também na promoção da comunicação entre as pessoas e no diálogo entre povos”, destacando “o interesse em partilhar a essência profunda e a vitalidade inovadora das culturas chinesa e lusófona e experienciar o encanto de Macau como cidade multicultural”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Macau - Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa vai estender-se a Pequim e Zhongshan

A 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa será realizada entre o final de Setembro e meados de Novembro. Uma das novidades desta edição é o facto de a iniciativa se estender a Zhongshan e Pequim


A 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa vai acontecer entre os dias 26 de Setembro e 18 de Novembro e, pela primeira vez, vai estender-se também às cidades de Pequim e Zhongshan, indicou ontem o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que organiza o evento.

A iniciativa vai reunir grupos culturais e artísticos de nove países, incluindo a China (província de Qinghai), Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Haverá também uma feira de artesanato, demonstrações culinárias e stands com produtos dos países de língua portuguesa e de Macau. A cerimónia de inauguração, que vai realizar-se na Doca dos Pescadores no dia 26 de Setembro, vai juntar chefs portugueses e empresas de catering locais para criarem juntos menus especiais com iguarias com sabores dos países lusófonos.

No dia de arranque, vai realizar-se também a inauguração da Exposição e Transmissão de Obras Audiovisuais China-Portugal 2025 na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês). O evento incluirá a exibição de um documentário que pretende “fortalecer a aprendizagem mútua entre os chineses e os países de língua portuguesa”.

O Fórum de Macau destaca também uma exposição de arte dos países de língua portuguesa e o lançamento de um livro sobre a literatura lusófona, que terá lugar na galeria do Instituto para os Assuntos Municipais, no dia 24 de Outubro, apresentando obras de artistas de vários países de língua portuguesa. A exposição decorrerá de 25 de Outubro a 18 de Novembro.

Além disso, durante a Semana Cultural, terá lugar o lançamento do livro da obra “Será Este Livro um Romance?”, do autor angolano João Melo. O livro foi traduzido para chinês e será lançada simultaneamente na China Continental e em Macau.

Pela primeira vez, o evento não se realiza apenas em Macau. Em Zhongshan, na Praça Xingzhong, vão realizar-se apresentações de música e dança e uma exposição de obras de países de língua portuguesa, no Museu Comercial e Cultural de Xiangshan. Já a etapa de Pequim, sediada no Beitou Shopping Park Plaza, contará com actuações de música e dança, bem como actividades promocionais de grupos artísticos.

Esta edição pretende “alavancar as vantagens únicas de Macau como plataforma para a China e os países de língua portuguesa, consolidando a Semana Cultural como um evento marcante que demonstra a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’, promovendo o intercâmbio integral entre a China e os países de língua portuguesa, disseminando a cultura chinesa e fomentando a aprendizagem mútua entre civilizações”, salienta o Fórum de Macau. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Macau - SJM leva dois chefs portugueses a Wuhan em estratégia de promoção turística integrada

A SJM Resorts, em sintonia com a Direcção dos Serviços de Turismo, vai realizar a “MACAO Week in Hubei-Wuhan 2025”, de 5 a 8 de Setembro. O evento tem como objectivo promover Macau como destino turístico junto do mercado de Hubei, destacando a estratégia “Tourism+” através de ofertas gastronómicas, culturais e de entretenimento. A operadora vai apresentar o trabalho de dois chefs de cozinha portuguesa em Wuhan, dentro de um programa extenso de gastronomia sobre as iguarias locais

Num esforço concertado para reforçar a sua presença no mercado turístico chinês, Macau prepara-se para realizar a “Semana de Macau em Wuhan – Hubei 2025”, uma iniciativa abrangente que decorrerá de 5 a 8 de Setembro na Praça Jianghan Guan, em Wuhan. O evento, organizado pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), visa apresentar o potencial da região enquanto centro de turismo diversificado, assente no conceito do recorrente “Turismo +”, e atrair visitantes do interior da China.

O sector privado assume um papel de destaque nesta missão promocional. A SJM Resorts, em parceria com a DST, será uma das entidades protagonistas, encarregue de materializar o título de Macau como Cidade Criativa da Gastronomia. A componente culinária inicia-se a 4 de Setembro com um jantar de gala exclusivo, “Wuhan Saboreia a Magia de Macau: Sabores Partilhados das Marés do Rio e do Mar”, onde os chefs Herlander Fernandes e Pedro Miguel Santos do Carmo prepararão um menu de alta cozinha macaense-portuguesa, harmonizado com vinhos portugueses.

A partir de 5 de Setembro e até 8 de Outubro, a experiência gastronómica estender-se-á ao público geral através de um buffet temático no Café Reign do Wanda Reign Wuhan. O “Canto da Gastronomia de Macau” oferecerá mais de 20 especialidades, desde galinha à africana e amêijoas à bulhão pato até ao pudim serradura, proporcionando uma viagem autêntica pelos sabores do território.

A estratégia de promoção transcende o formato tradicional de feira, integrando-se profundamente na paisagem urbana de Wuhan. De 2 a 8 de Setembro, os emblemáticos rios Yangtze e Han servirão de palco para um espectáculo de luzes temático, projectando a imagem de Macau no coração da cidade. O ponto alto nocturno será um espectáculo de ‘video mapping’ 3D na Praça Jianghan Guan, concebido para simbolizar a sinergia entre as duas cidades criativas da UNESCO – Macau na Gastronomia e Wuhan no Design – através de uma narrativa visual imersiva.

No recinto principal do evento, a SJM marcará presença com um stand dinâmico, onde apresentará as suas ofertas integradas nos resorts Grand Lisboa Palace e Grand Lisboa. Os visitantes poderão desfrutar de espectáculos imersivos que combinam percussão, dança e arte culinária, interagir com a mascote da empresa e obter informações sobre pacotes promocionais exclusivos, com estadias a partir de 1400 patacas. Paralelamente, realizar-se-á uma “Bolsa de Turismo” (Travel Trade Mini Mart), destinada a profissionais do sector, aprofundando assim a cooperação comercial.

Para além da gastronomia e do entretenimento, a promoção destacará a diversidade das ofertas existentes em Macau. Serão realçadas experiências culturais únicas da região, como a exposição “Picasso: Beleza e Drama” e o espectáculo de ballet residente “The Adventures of ALICE”, no Grand Lisboa Palace. O calendário desportivo de alto rendimento também será um argumento-chave, com a promoção de eventos como o Grande Prémio de Macau e, sobretudo, a co-organização dos 15.º Jogos Nacionais com Guangdong e Hong Kong, para posicionar Macau como uma “Cidade do Desporto”.

Esta iniciativa enquadra-se numa estratégia mais ampla da DST, que desde 2020 já levou a “Semana de Macau” a dez cidades do interior da China, atraindo cerca de seis milhões de participantes. O mercado de Hubei, que registou um crescimento de 11% no número de visitantes a Macau no ano anterior, é considerado prioritário, beneficiando da conectividade oferecida pelos voos directos Wuhan-Macau e pela rede ferroviária de alta velocidade. Com um valor promocional total superior a 26 milhões de RMB em pacotes turísticos exclusivos, o evento visa não só captar visitantes, mas também consolidar pontes de cooperação económica e comercial sustentável entre Macau, Hubei e Hengqin. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 5 de maio de 2025

Japão - Expo2025: Polvo é iguaria mais procurada no restaurante do Pavilhão de Portugal

O polvo é a iguaria mais procurada pelos visitantes do restaurante do Pavilhão de Portugal na Expo 2025 Osaka, no Japão, embora o pastel de nata não fique atrás, disse à Lusa o chef José Sousa Botelho



Ainda o relógio não tinha batido o meio-dia (menos oito horas em Lisboa), já dezenas de pessoas faziam fila à porta do restaurante do Pavilhão de Portugal, em véspera do Dia de Portugal e Dia Mundial da Língua Portuguesa e Dia da Criança no Japão.

O chef José Sousa Botelho lidera o restaurante do pavilhão português, no âmbito da concessão ganha pela sua mulher, a japonesa Hazuki.

"Tive um restaurante com a minha mulher durante 11 anos, fechámos o restaurante há cerca de três anos para nos mudarmos para uma parte mais rural do Japão onde temos agora outro negócio, mas voltámos agora durante a feira a Osaka onde fomos felizes durante 14 anos", relatou o chef português.

Sobre o que é mais consumido desde que a Expo2025 Osaka abriu as portas, em abril, o chef aponta o polvo.

"Aquilo que é mais procurado é o polvo, eles são grandes comedores de polvo aqui em Osaka", salientou.

Aliás, "quando se refere que em Portugal também se come polvo e não ficamos nada atrás relativamente ao consumo eles ficam espantados, porque não tinham essa noção", apontou o chef José Sousa Botelho.

O polvo "sem dúvida é a nossa matéria-prima mais procurada", seguido do bacalhau, ameijoas e do pastel de nata.

"Sem dúvida, o pastel de nata é provavelmente o produto que mais rotação tem" devido "ao custo associado e à facilidade de procura e consumo", acrescenta, referindo que estes são "os pontos fortes do menu".

Questionado sobre quais as nacionalidades que mais têm procurado o restaurante do Pavilhão de Portugal, o responsável admite serem os cidadãos nipónicos.

"Penso que japoneses, estamos no Japão a procura é feita por essencial pelo público japonês", no entanto "temos muitos portugueses", até "mais portugueses do que estava à espera, e muitas outras nacionalidades".

Em síntese, a procura é "bastante internacional".

José Sousa Botelho é chef profissional desde que veio para o Japão, há mais de uma década, onde começou a sua carreira "a 100%".

"Estava a estudar arquitetura", e enquanto estudava "fazia uma perninha" em restauração. Desde criança que fazia part-time e trabalhos de férias ligados à restauração, relatou, apontando que a arquitetura e a gastronomia andavam de mãos dadas.

Depois, o "Japão recebeu-me muitíssimo bem e tive a operar com bastante sucesso 11 anos em Osaka", cidade japonesa conhecida pela sua diversidade gastronómica.

"Osaka tem sempre um espaço grande no meu coração e estou feliz por voltar [à cidade] com uma oferta diferente" daquela que tinha "no meu espaço próprio".

Agora, "espero que as pessoas gostem de cá vir e visitar mais de uma vez", disse.

Com Osaka no coração, o chef português não tem planos para regressar a Portugal para já.

"Pelo menos para o futuro próximo está fora de questão", rematou. In “Notícias ao Minuto” - Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 23 de abril de 2025

Brasil – Jornal Mundo Lusíada foi tema de publicação científica sobre gastronomia portuguesa

Uma publicação científica sobre gastronomia portuguesa, publicada no Brasil, sublinha a importância de conteúdos apresentados no jornal Mundo Lusíada, para a preservação do patrimônio cultural alimentar lusitano no Brasil.



“A salvaguarda das tradições alimentares portuguesas no Brasil por meio do jornal Mundo Lusíada”, publicado em dezembro passado, é assinado pelos professores Marcos Roberto Pisarski Junior e Jean Carlos Vieira Santos, da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Os professores do curso de Gastronomia na UEG, na cidade de Caldas Novas, fizeram a pesquisa como parte da disciplina “História da Gastronomia”, com a abordagem de diversos países do mundo, entre eles Portugal.

Ao Mundo Lusíada, o professor Jean Santos defendeu que os jornais têm um papel fundamental na formação de opiniões dos acadêmicos e pesquisadores ao desenvolver o pensamento crítico. “Sugerimos como fonte de pesquisa, aos graduandos do curso, as publicações gastronômicas do Jornal Mundo Lusíada, pois acompanhamos as matérias desse veículo de comunicação há vários anos, principalmente relacionadas ao turismo, à cultura e à gastronomia. De modo geral, na disciplina ‘História da Gastronomia’, as discussões e reflexões permitem o entendimento da gastronomia não apenas de Goiás e do Brasil, mas como um fenômeno atinente a outros países” declarou.

O estudo aponta que, “no Brasil, o jornal Mundo Lusíada desempenha um papel importante na preservação das tradições alimentares portuguesas destacando-se pela publicação de receitas tradicionais”. A pesquisa investiga como o jornal contribui para a salvaguarda do patrimônio alimentar português no Brasil, com foco no fortalecimento da identidade cultural luso-brasileira.

Uma análise documental de edições publicadas nos últimos cinco anos, em formatos impresso e digital, foi feita a partir da relevância das receitas para a preservação da cultura alimentar.  E também incluiu uma revisão bibliográfica interdisciplinar nos campos da gastronomia, história, sociologia e comunicação.

“Os resultados mostram que as receitas publicadas, em sua maioria enviadas por colaboradores da comunidade luso-brasileira, reforçam o vínculo cultural entre gerações, promovendo um sentimento de pertencimento e continuidade. Conclui-se que o Jornal Mundo Lusíada atua como uma ferramenta importante na preservação e difusão do patrimônio cultural alimentar português, fortalecendo a memória coletiva e a identidade cultural em contextos de imigração” informam os pesquisadores.

A pesquisa também reconhece o papel do jornal não só na preservação como na promoção da cultura, unindo brasileiros e portugueses. “Além do papel de integração da comunidade luso-brasileira, cumpre a função de promover a imagem de Portugal como destino para turismo, gastronomia e vinhos da Europa, apresentando, com certa regularidade, receitas, resenhas sobre viagens e divulgações de eventos que acontecerão em terras lusitanas”.

O bacalhau

Um dos pontos da pesquisa cita, dentre as tradições alimentares lusitanas,  o uso do Bacalhau como a mais enraizada. “O ato de consumir um preparo à base de bacalhau pode remeter ao comensal um sentimento de pertencimento à sua pátria ou de seus ancestrais, fortalecendo e salvaguardando a identidade cultural portuguesa presente no coração dos imigrantes e seus descendentes”. 

Receitas que trazem, por exemplo, o Risoto de Bacalhau, o Leite Creme, ou o Bolo Rei, estão entre os assuntos com mais acessos no sítio do Mundo Lusíada, assim como o enoturismo e os vinhos portugueses. Dentre esses conteúdos muito acessados, estão artigos da escritora Renata Goulart, que assinou blog dedicado à gastronomia portuguesa Delícias no Tacho, e a chef e consultora gastronômica Bete Carneiro, que assinou uma coluna gastronômica no Mundo Lusíada retratando gastronomia e história.

“No caso do Jornal Mundo Lusíada, as receitas não apenas reforçam a tradição culinária, mas também promovem o imaginário coletivo sobre a cultura de além-mar, destacando-se como um elo entre o passado e o presente das práticas culturais no Brasil” conclui a pesquisa.

A publicação está em uma das principais revistas científicas nacionais da área do turismo (Revista Hospitalidade), e pode ser lida no sítio aqui.

Autores

O professor Marcos Roberto Pisarski Junior nasceu nos Estados Unidos da América (EUA) e possui descendência polonesa, e reside no Brasil desde criança. Cursou a graduação em Gastronomia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e o mestrado em Turismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, está no doutorado pela Universidad de Guadalajara (UdeG), no México.

Jean Carlos Vieira Santos, durante o doutorado na Universidade Federal de Uberlândia (MG), realizou o Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PDEECAPES) na Universidade do Algarve e, depois, cursou o pós-doutoramento em Turismo pela Faculdade de Economia da mesma instituição ao sul de Portugal.

Os professores também já participaram de eventos com ênfase na temática culinária e de alimentação em Portugal, sobretudo na Universidade de Coimbra. Vanessa Sene – Brasil In “Mundo Lusíada”


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Macau - Mostra Gastronómica Sino-lusófona

Entre um super-alimento vindo de Angola e tradições nascidas em Timor-Leste, da resistência à ocupação indonésia, arranca na sexta-feira uma mostra que durante cinco dias vai promover em Macau a gastronomia lusófona.


“Uma super-comida do futuro”, foi como o ‘chef’ angolano Nário Tala descreveu o catato, numa apresentação à imprensa do menu da Mostra Gastronómica Lusófona, que vai decorrer na Doca dos Pescadores de Macau, até 22 de Outubro.

A surpresa fica reservada para a chegada do prato à mesa do Restaurante Vic’s, com o catato – um tipo de lagarta, típico da cozinha angolana – salteado com beringela, azeite, cebola e alho.

“É um alimento muito proteico, tem vitamina C, ferro, zinco, e podes encontrar com facilidade. Não engorda, é anticancerígeno, e pode ser feito de várias maneiras”, explicou Tala à Lusa.

As sementes de linhaça, cânhamo e chia, a maca, a espirulina, o açaí e as bagas goji são alguns dos chamados super-alimentos, caracterizados por uma elevada concentração de nutrientes como vitaminas, ómega 3 e proteínas.

O catato “é um alimento comum, faz parte da cultura, principalmente na parte do norte de Angola”, mas Nala admitiu que ainda “há uma resistência” a comer esta lagarta da palmeira-de-dendé. “Como tudo na vida, há de se ter um princípio”, defendeu o ‘chef’. “Em Angola há boas equipas a fazerem estudos do que são os nossos alimentos”, acrescentou.

Em Fevereiro de 2023, o ‘chef’ angolano Hel Araújo lançou o projecto Ovina Yetu (‘o nosso produto/a minha coisa’, na língua Umbundu), para recolher de forma exaustiva informações sobre mais de mil produtos nativos, incluindo o catato.

Depois de demonstrar “quais são os benefícios que tem para o corpo humano”, Nário Tala acredita que o catato vai encontrar um público entre as pessoas que procuram na alimentação “sustentabilidade e prevenção de saúde”.

O ‘chef’ sublinhou que a lagarta “não precisa de ser cultivada” e que o seu consumo até pode encorajar a população a plantar mais palmeiras. “Acabamos por consumir o que a palmeira nos oferece, mas sem destruí-la”, explicou Tala.


A importância da sustentabilidade foi também sublinhada por Maria das Dores, que saiu pela primeira vez da ilha de Príncipe para apresentar em Macau um ‘abobó’, com feijão, farinha de mandioca e peixe grelhado.

“Nós usamos aquilo que é nosso. Por isso, o que é nosso é bom e também fica mais barato”, disse à Lusa a ‘chef’ santomense.

Para a timorense Delfina Maria Baptista Guterres, usar ingredientes autóctones como o milho e a batata doce é também uma forma de preservar tradições de Timor-Leste.

“O milho em pó, por exemplo, depois de frito, dura meses e essa era a comida que a gente levava quando vivíamos no mato, por vezes até anos, durante a ocupação, quando o inimigo vinha atacar”, recordou a ‘chef’ timorense.

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) levou a cabo uma resistência armada nas matas timorenses durante décadas, após a invasão por parte da Indonésia, em 07 de Dezembro de 1975.

“Mas essa malta nova já não faz muito disso, querem coisas mais instantâneas”, lamentou Guterres.

A Mostra Gastronómica Lusófona inclui ainda Martinho Moniz, um ‘chef’ português radicado em Macau, e a macaense Ana Manhão.

Ana Manhão disse que, mais do uma ‘chef’, se identifica como uma defensora das “tradições culinárias” dos macaenses.

Os cinco ‘chefs’ irão também dar workshops de culinária, no âmbito da 16ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”