Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Macau - Inaugurada exposição da “Policromia Lusófona”

A Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) inaugurou a Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa “Policromia Lusófona”, um dos destaques do programa da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Distribuídas em quatro secções, as peças artesanais estarão em exibição até ao dia 5 de Julho, segundo uma nota de imprensa.


Na secção “Entre o Cruzamento da Urdidura e Trama”, são apresentados utensílios do quotidiano confecionados em fibras naturais e que reflectem “os modos de vida e as tradições estéticas” das várias regiões representadas. Em “Texturas do Som”, o público pode encontrar instrumentos musicais tradicionais complementados por projecções de performances que ilustram “como a música transcende línguas e fronteiras”.

Na zona “Histórias das Esculturas”, as peças em madeira e cerâmica representam “crenças religiosas, mitos populares e cenas do quotidiano”. Na secção “Beleza do Quotidiano”, cada peça de uso diário, como loiça de mesa e adornos, “reflecte a sabedoria dos artesãos dos Países de Língua Portuguesa e as técnicas transmitidas de geração em geração”, num retrato da “rica diversidade cultural” e das “tradições do mundo lusófono”.

As peças foram sendo oferecidas pelas delegações dos países lusófonos ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa ao longo das mais de duas décadas desde que foi criado. Os interessados poderão visitar a exposição gratuitamente, todos os dias até ao próximo domingo, entre as 09h00 e as 21h00.

Hoje é também o segundo e último dia dos Espectáculos de Dança e Música da Semana Cultural em Macau, que têm lugar entre as 18h00 e as 21h00 no Largo do Senado. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5 de Julho, enquanto Pequim acolherá as actuações dos artistas representantes dos países lusófonos nos dias 9 e 10 do próximo mês.

Na semana passada, Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo da província chinesa e a RAEM. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Bangladesh - Tecelagem de saris está por um fio

O sari de Tangail, no Bangladesh, luta pela sobrevivência, com os tecelões a alertarem que a automação e as pressões económicas estão a levar o artesanato secular à beira do colapso, apesar do seu reconhecimento global.


Em Dezembro de 2025, os desenhos detalhados e as texturas delicadas das peças produzidas na cidade de Tangail, no centro do país, foram classificados pela UNESCO como património cultural imaterial, reflectindo “práticas sociais e culturais locais”. Mas, isso trouxe pouco alívio às oficinas locais sobrelotadas, onde a transição para teares automatizados, as escolhas de moda em constante evolução, a instabilidade dos preços dos fios e a falta de apoio governamental têm pressionado os tecelões.

Ajit Kumar Roy, que passa o dia a entrelaçar os fios da teia e da trama enquanto movimenta a lançadeira para a frente e para trás, afirma que a homenagem pouco contribuiu para atenuar as dificuldades diárias.

“É um trabalho árduo”, disse o tecelão de 35 anos à AFP enquanto trabalhava no tear manual que opera há quase duas décadas. “As mãos, as pernas e os olhos precisam de se mover em sincronia. Se eu cometer um erro, temos um problema”, explicou.

Geralmente, os homens lideram o trabalho de tecelagem, tingimento e desenho, enquanto as mulheres preparam os fios, aplicam amido de arroz e dão os últimos retoques.

Outrora considerada uma profissão bem remunerada, a tecelagem sofreu com uma crise de mercado que começou durante a pandemia. Segundo Roy, o proprietário da sua fábrica costumava operar 20 teares manuais, mas agora só tem 10. “Algumas fábricas fecharam completamente”.

Com a quebra da procura e o aumento dos custos, muitos tecelões abandonaram o ofício, passando a trabalhar como motoristas ou na construção civil. “Ganhámos 700 taka (cerca de 46 patacas) por sari, e demorámos pelo menos dois dias a fazer um. Como é que uma família de quatro pessoas pode viver com 350 taka por dia?”

Raghunath Basak, presidente de uma associação de comerciantes de saris, teme que o artesanato possa acabar com ele. Os seus antepassados ​​migraram em busca de clima e água adequados para a tecelagem antes de se estabelecerem em Tangail, situada numa planície aluvial perto do rio Jamuna.

“Também introduzi o meu filho na profissão, mas não sei como se vai desenrascar depois de eu partir”, disse Basak, de 75 anos.

Apesar de ter clientes de alto nível – desde líderes políticos no Estado de Bengala Ocidental, na Índia, à ex-primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, que usou um sari seu para discursar na Assembleia Geral da ONU – Basak insiste que o sector está a enfrentar dificuldades.

A paragem do comércio terrestre com a vizinha Índia, após tensões diplomáticas, também afectou os negócios. “Costumávamos exportar saris por via terrestre e importar fio quando os preços locais disparavam. Agora, as fronteiras terrestres de ambos os lados estão fechadas. A exportação tornou-se praticamente impossível”, apontou.

Na década de 1960, o sari emergiu como um símbolo cultural, à medida que os bengalis, no então o Paquistão Oriental, abraçavam a sua identidade étnica. Mas, a preferência do consumidor está a mudar lentamente.

Kaniz Neera, de 45 anos, compra duas dúzias de saris de Tangail por ano, preferindo os padrões distintos e o design confortável, mas teme que a geração mais jovem se esteja a afastar da moda. “O sari é parte integrante da nossa identidade. A minha mãe usa saris em casa e na rua. Uso-os sobretudo na rua. Mas, as raparigas hoje em dia só usam saris em ocasiões especiais”.

Os investigadores, contudo, permanecem cautelosamente optimistas. Shawon Akand, autor de um livro sobre o assunto, observa que o sari de Tangail é uma evolução relativamente recente, criada pelos descendentes dos tecelões de musselina de Dhakai, cujas criações outrora cativaram os governantes mongóis e a aristocracia europeia.

“Os tecelões de Tangail herdaram técnicas de tecelagem de fios finos dos seus antepassados ​​e adaptaram-nas com desenhos únicos para o sari de Tangail”, destacou Akand, antevendo que o sari de Tangail “vai evoluir” e “perdurar”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Macau - Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa vai estender-se a Pequim e Zhongshan

A 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa será realizada entre o final de Setembro e meados de Novembro. Uma das novidades desta edição é o facto de a iniciativa se estender a Zhongshan e Pequim


A 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa vai acontecer entre os dias 26 de Setembro e 18 de Novembro e, pela primeira vez, vai estender-se também às cidades de Pequim e Zhongshan, indicou ontem o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que organiza o evento.

A iniciativa vai reunir grupos culturais e artísticos de nove países, incluindo a China (província de Qinghai), Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Haverá também uma feira de artesanato, demonstrações culinárias e stands com produtos dos países de língua portuguesa e de Macau. A cerimónia de inauguração, que vai realizar-se na Doca dos Pescadores no dia 26 de Setembro, vai juntar chefs portugueses e empresas de catering locais para criarem juntos menus especiais com iguarias com sabores dos países lusófonos.

No dia de arranque, vai realizar-se também a inauguração da Exposição e Transmissão de Obras Audiovisuais China-Portugal 2025 na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês). O evento incluirá a exibição de um documentário que pretende “fortalecer a aprendizagem mútua entre os chineses e os países de língua portuguesa”.

O Fórum de Macau destaca também uma exposição de arte dos países de língua portuguesa e o lançamento de um livro sobre a literatura lusófona, que terá lugar na galeria do Instituto para os Assuntos Municipais, no dia 24 de Outubro, apresentando obras de artistas de vários países de língua portuguesa. A exposição decorrerá de 25 de Outubro a 18 de Novembro.

Além disso, durante a Semana Cultural, terá lugar o lançamento do livro da obra “Será Este Livro um Romance?”, do autor angolano João Melo. O livro foi traduzido para chinês e será lançada simultaneamente na China Continental e em Macau.

Pela primeira vez, o evento não se realiza apenas em Macau. Em Zhongshan, na Praça Xingzhong, vão realizar-se apresentações de música e dança e uma exposição de obras de países de língua portuguesa, no Museu Comercial e Cultural de Xiangshan. Já a etapa de Pequim, sediada no Beitou Shopping Park Plaza, contará com actuações de música e dança, bem como actividades promocionais de grupos artísticos.

Esta edição pretende “alavancar as vantagens únicas de Macau como plataforma para a China e os países de língua portuguesa, consolidando a Semana Cultural como um evento marcante que demonstra a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’, promovendo o intercâmbio integral entre a China e os países de língua portuguesa, disseminando a cultura chinesa e fomentando a aprendizagem mútua entre civilizações”, salienta o Fórum de Macau. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Brasil - A luta quilombola pela preservação de práticas agrícolas tradicionais

A Comunidade do Cerrado mineiro preserva tradições reconhecidas pela ONU como único Património Agrícola Mundial do país. A coleta de flores sempre-vivas ajuda ao combate à pobreza, mas a cultura do eucalipto ameaça tradição



Andreia Ferreira dos Santos é apanhadora de flores. Criada pela avó no Quilombo Raiz, ela cresceu colhendo as “sempre-vivas”, que são mais de 300 espécies de plantas do Cerrado em Minas Gerais. Elas servem para compor buquês ornamentais de longa duração. 

Após colhidas e secas, estas flores são fundamentais para as comunidades tradicionais da região. Por isso, foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, como o primeiro Sistema Importante do Património Agrícola Mundial brasileiro.

Principal fonte de rendimento da comunidade

Andreia é parte da quinta geração do quilombo, que foi fundado pela sua trisavó. Ela conta que a sua identidade está incrustada na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Ali, ela e outros 100 quilombolas cultivam a “roça de toco” (sistema de cultivo com rodízio de culturas) e criam animais nos quintais. 

A principal fonte de rendimento da comunidade, contudo, advém da coleta das flores. De acordo com ela, em cada safra, que varia conforme a espécie, uma pessoa consegue apanhar até uma tonelada de flores, vendidas entre R$ 25 e R$ 70 reais, o quilo.

Mas a realidade mudou a partir dos anos 2000, com o processo de modernização agrícola no país. O cultivo de eucalipto chegou à região, gradualmente substituindo as florestas, e as flores, pela monocultura. 

Artesanatos e capim-dourado

Os quilombolas foram perdendo acesso ao território à medida em que o espaço para a colheita era reduzido entre as novas fazendas. 

A comunidade partiu então para o desenvolvimento de artesanatos. Andreia Ferreira dos Santos conta que “o impacto cultural e económico foi muito grande. Uma forma de continuar o nosso modo de vida foi agregar valor”. 

Foi assim que, desde 2006, o trabalho manual de capim-dourado do Quilombo Raiz chegou a feiras em todo o Brasil, e até a outros países, na forma de pulseiras, brincos, luminárias e diversos objetos.

Preocupada com a juventude 

Isso não significa que a atividade tradicional foi abandonada. “A colheita de flores continua sendo importante e é passada de geração em geração, mesmo espremidos no território e sem acesso aos campos de colheita tradicionais”, ressalta a líder, que se inquieta em relação ao futuro. 

“Eu fico um pouco preocupada com a juventude. Se a gente não consegue colher de forma positiva, que mantenha os jovens dentro do território, com os seus próprios rendimentos, é uma dificuldade. O território é muito importante para que continue a cultura e os modos de vida tradicionais”, destaca. 

Com o objetivo de articular a defesa dos direitos da comunidade, a mestre em estudos rurais entrou para os movimentos sociais em 2014. Ela integrou a Comissão de Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas. “Dentro da comunidade, outros jovens e eu temos a liderança. Foi onde eu me encontrei neste processo. Somos muito ativos em procurar acesso a políticas públicas”, explica.

Primeiro Património Agrícola Mundial do Brasil

A partir dessa mobilização, em 2015, a comunidade recebeu oficialmente do governo brasileiro o título de quilombo e, em 2018, a consagração como apanhadores de flores sempre-vivas. Dois anos depois, chegou o título de Património Agrícola.

Além do valor simbólico, os reconhecimentos conquistados têm o potencial de gerar resultados concretos. Segundo ela, a articulação nacional e internacional deu visibilidade à comunidade, o que contribuiu para barrar a entrada da mineração na região, evitando a contaminação da água nos campos de colheita. 

“O reconhecimento da ONU foi bem importante e impactante. A comunidade entende que é muito mais importante ter água do que ter dinheiro. Nós já vivemos do que temos até hoje e queremos continuar assim”.

Ação das mulheres e geração de rendimento

A organização da comunidade também possibilitou que o Quilombo Raiz se tornasse um fornecedor do Programa Nacional de Alimentação Escolar e começasse o processo para integrar o Programa de Aquisição de Alimentos, duas iniciativas de compras públicas oriundas da agricultura familiar. 

Para a coletora de flores, o acesso às políticas públicas é fundamental para manter o território: “não basta pensar na cultura, a gente tem que pensar na geração de rendimento também”.

Com muitas conquistas até aqui, a comunidade segue mobilizada para garantir os seus direitos, com destaque para a ação das mulheres. E lideranças como ela são a maioria: “é uma rede de mulheres trabalhando para a comunidade se manter. São elas que estão mais presentes nos quintais e na luta. A associação é composta só por mulheres. Elas estão em todos os contextos”. 

O que são os Sipams?

O Programa de Sistemas Importantes do C, Sipam, lançado pela FAO em 2002, é uma iniciativa do Escritório de Alterações Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente. Ele reconhece e apoia sistemas agrícolas tradicionais que combinam conservação da biodiversidade, património cultural, ecossistemas resilientes e meios de subsistência sustentáveis. Com 89 sistemas em 28 países, o Sipam exemplifica o compromisso da FAO em transformar os sistemas agroalimentares, integrando o conhecimento tradicional com práticas inovadoras para enfrentar desafios globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a pobreza rural. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

UCCLA – Assinala o Dia das Mulheres de São Tomé e Príncipe

Celebra-se, no dia 19 de setembro, o Dia das Mulheres de São Tomé e Príncipe. Para assinalar os 50 anos da data, a MenNon Associação promove, em conjunto com a UCCLA e o Chá de Beleza Afro, no dia 21 de setembro, a partir das 11 horas, um programa cultural diversificado.


Mostras de artesanato e gastronomia, uma conferência subordinada ao tema “50 Anos de 19 de Setembro - Educação, Emigração e Saúde: Construindo um futuro sustentável!”, momentos musicais e muito mais vão preencher todo o dia. Não falte a esta iniciativa tão importante!

De salientar que no dia 19 de setembro de 1974, um grupo de Mulheres saiu às ruas da capital de São Tomé, exigindo ao então Governo colonial a independência nacional.


sábado, 27 de julho de 2024

Angola - Peças artesanais nacionais encantam turistas no Soyo

A praça de Artesanato é um dos pontos mais visitados pelos turistas que se deslocam ao município do Soyo, província do Zaire, sobretudo os que almejam levar uma recordação do país


No mercado de artes, no município petrolífero do Soyo, trabalham cerca de 30 artesãos, que conseguem no local vender e promover os seus trabalhos artesanais.

A Praça de Artesanato fica aberta de segunda a sábado, das 9 às 15h00. Nestes dias, registam-se números consideráveis de compradores, entre turistas e moradores locais. Há, também, com regularidade, a presença de amantes das artes que fotografam as novidades dos artesãos.

No sábado passado, por exemplo, a equipa de reportagem do Jornal de Angola, deparou-se com alguns dos compradores. João Jing, de nacionalidade chinesa, olhava com encanto cada peça que encarava numa das bancadas no local, enquanto recebia explicações do vendedor sobre cada detalhe da obra.

Alguns minutos depois, João Jing fechou o negócio, não de uma, mas de cinco peças de artesanato. As obras adquiridas foram, nomeadamente, "O Pensador”, "Mwana Pwô”, "Pilão”, "Capa de Crocodilo” e "Mapa de Angola”.

Logo de seguida, um cidadão libanês, que preferiu manter o anónimo, apareceu no mercado ansioso para adquirir uma peça. Após muito observar, o libanês escolheu a "Mwana Pwô”.

O estrangeiro disse estar em Angola a passeio, por isso quis adquirir um artigo de forma a levar como recordação. O interlocutor afirmou que a peça vai servir de lembrança não apenas do município do Soyo, como do país em si, pois como declarou "tem a capacidade de encantar a qualquer estrangeiro”.

Por outro lado, o artesão Estêvão Joana Cambua explicou que os dias mais movimentados no mercado são os fins-de-semana. O artesão, que também é responsável pela gestão da praça, sublinhou que nestes dias o local recebe a visita de muitos cidadãos nacionais de outras províncias e estrangeiros.

Estêvão Joana Cambua contou que a maioria dos vendedores ainda não está inscrita em nenhuma Associação dos Artesãos, tanto a nível do município do Soyo, quanto da província do Zaire. "A não inscrição se deve ao facto de no município, os artistas ainda não terem discutido a questão”.

O artesão Pedro António, que exerce a profissão há 17 anos, é o mais antigo na praça. Em declarações ao Jornal de Angola, disse que para melhor execução das peças adquire os materiais no município do Tomboco.

Proprietário de um ateliê, situado no bairro Nkungu-Yengele, Pedro António revelou que a procura de obras artesanais na praça tem oscilado. Mas, reconheceu que quando o município alberga alguma actividade a nível provincial ou nacional, os artesãos vendem muito.

O artesão contou que, além da venda no mercado, tem executado obras por encomenda. Pedro António explicou que vende a maior parte das suas obras na praça de Artesanato, por ser o único lugar colocado à disposição dos artesãos.

Para o artesão, o negócio seria mais rentável se houvesse um acordo entre os Ministérios da Cultura e do Turismo, pois isto permitiria a venda de quadros em hotéis, resorts e restaurantes, locais de permanência de turistas.

No entanto, reconheceu que se os artesãos estivessem já congregados numa associação local, com personalidade jurídica, muitos dos entraves que estão a viver, estariam ultrapassados. Fula Martins – Angola in “Jornal de Angola”

sexta-feira, 26 de abril de 2024

UCCLA - Organiza Mercado da Língua Portuguesa em Cascais

A sexta edição do Mercado da Língua Portuguesa, que irá decorrer de 17 a 19 de maio, está de volta ao Mercado da Vila, em Cascais. Organizado pela UCCLA, o evento conta com a parceria da Câmara Municipal de Cascais e o apoio institucional da Câmara Municipal de Lisboa.


Com uma programação diversificada, que inclui cerca de 40 bancas, palestras, gastronomia, música e muitas atividades extra, o Mercado da Língua Portuguesa reafirma, mais uma vez, o potencial e a importância da língua portuguesa como um elo de união dos países lusófonos.

No ano em que se assinalam os 50 anos do 25 de Abril, a UCCLA apostou em proporcionar a todos várias surpresas. Haverá momentos lúdicos e espaço para crianças, tertúlia literária subordinada ao tema “A Liberdade também se escreve”, gastronomia e artesanato representativo dos diferentes países, e na música vamos contar com a participação especial de Eddy Tussa, um dos maiores artistas atuais da música tradicional urbana de Angola, o Semba.

Não pode faltar a esta grande festa de homenagem à língua portuguesa!

Horário do mercado:

Dia 17 de maio - 18 às 23 horas

Dia 18 de maio - 10 às 23 horas

Dia 19 de maio - 10 às 20 horas

Todas as informações sobre o Mercado estão disponíveis através da ligação:

https://www.uccla.pt/noticias/uccla-organiza-mercado-da-lingua-portuguesa-em-cascais

Mais informações aqui.




 

sábado, 13 de abril de 2024

Espanha - Portugal é país convidado da Feira Cultural de Tivenys, em Tarragona

De 19 a 21 de abril, Portugal participa na Feira Cultural de Tivenys, em Tarragona, como país convidado. Nesta terceira edição haverá espaço para mostras da nossa cultura, tradições, música, artesanato e ainda gastronomia


Para animar os visitantes, haverá também uma atuação do português Luís Peixoto, do Grupo de Danças e Cantares de Alvarães de Viana de Castelo, e também do Grupo de Folclore da Casa de Portugal de Andorra.

Além destes, está ainda prevista uma exposição de trajes típicos de Viana do Castelo, uma prova de vinhos portugueses, um showcooking de comida típica portuguesa pela Escola de Hotelaria e do Turismo de Viana do Castelo, workshops de tapetes de sal da Romaria da Senhora d’Agonia e uma Conferência do jornalista Sebastià Bennasar i Llobera.

Esta é uma colaboração entre o consulado-geral de Portugal em Barcelona, o município de Tivenys e a cidade de Viana do Castelo, realizada com o apoio do Camões I.P. no âmbito da Ação Cultural Externa e do Programa Cultura Portugal. In “Bom dia Europa”


sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Macau - Festival da Lusofonia arranca hoje nas Casas da Taipa

Com a cultura portuguesa em foco, a 26ª edição do Festival da Lusofonia voltará a animar a zona das Casas da Taipa nos próximos três dias


Organizado pelo Instituto Cultural (IC), em colaboração com os Serviços de Turismo e o Instituto para os Assuntos Municipais e com o apoio principal da Galaxy Entertainment, o Festival da Lusofonia regressa hoje às Casas da Taipa para a sua 26ª edição, que dará particular destaque à cultura portuguesa, através da realização de mostras de gastronomia e artesanato.

Pela primeira vez desde 2019, o palco do Anfiteatro das Casas da Taipa volta a receber músicos dos países lusófonos, nomeadamente o português Carlão, os cabo-verdianos Fogo Fogo e o guineense Sambalá Canuté. A banda Fogo Fogo actuará hoje (20:30), seguindo-se Carlão no sábado (21:30) e Sambala Canuté no domingo (20:30). No palco secundário instalado no Largo do Carmo irão actuar cerca de 30 artistas lusófonos locais.

Segundo o IC, na mostra de artesanato será possível apreciar e comprar azulejos e cerâmica portuguesa do artesão português Paulo Reis. Já na mostra de gastronomia, o menu do jantar incluirá pratos típicos portugueses confeccionados pelo chef Telmo Gongó no Largo da Igreja do Carmo.

Paralelamente, a mostra cultural das 10 comunidades lusófonas residentes em Macau, nomeadamente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e a comunidade macaense dará a conhecer, através dos seus expositores, a música, dança, arte, artesanato, trajes tradicionais, literatura, informação turística e ainda os petiscos e bebidas típicas dos respectivos países ou regiões.

Nas tardes de amanhã e domingo, os visitantes poderão ainda participar em jogos tradicionais portugueses (corrida de esquis, corrida de sacos, corrida com colher de pau, subida ao pau de sebo, tracção à corda, entre outros), torneios de matraquilhos e diversos jogos para crianças. No Jardim Municipal da Taipa funcionará um restaurante temporário, com grelhados e comida típica portuguesa, sendo que à noite, no Largo do Carmo, serão servidas especialidades dos países e regiões participantes.

Em simultâneo decorre o 5º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujo programa integra o “Concerto de Camané com a Orquestra Chinesa de Macau” no Grande Auditório do Centro Cultural pelas 20:00 de 18 de Novembro. Os bilhetes já estão à venda na Bilheteira Online de Macau, com preços de 200, 300 e 400 patacas.

Também no âmbito do 5º Encontro, será inaugurada hoje a Exposição de Obras Ilustradas em Chinês e Português, no Auditório do Carmo, na Taipa. O evento vai contar com a presença de mais de 30 livrarias e editoras, incluindo de Portugal, e incluir mais de 500 livros ilustrados e livros infantis em várias línguas, principalmente em chinês e português. A exposição estará aberta ao público até 5 de Novembro, das 10:00 às 22:00, sendo que o IC também vai organizar duas sessões diárias de leitura familiar.

Por outro lado, entre hoje e 29 de Dezembro, a Casa da Literatura de Macau recebe a exposição “Amor entre Páginas”, com a apresentação de 50 conjuntos de “ilustrações originais fantásticas e de estilos variados, de nove autores [grupos] de livros ilustrados do interior da China, de Portugal e de Macau”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Macau - “She Left Her Body”, exposição de Clara Brito, na Casa Garden a partir de 23 de Setembro

Fruto da sua residência artística na Fundação Oriente, a designer Clara Brito concebeu em parceria com outros artistas locais uma exposição que recorre ao desenho, colagem e caligrafia chinesa para explorar “sentimentos interiores” e promover a literacia emocional, pegando ainda em diferentes formas de artesanato tradicional do Delta do Rio das Pérolas


Em colaboração com outros artistas locais, a exposição de artes visuais de Clara Brito “She Left Her Body” poderá ser visitada na Casa Garden a partir de 23 de Setembro. Com o objectivo de promover a literacia emocional, a exposição apresenta obras bidimensionais, com recurso a um conjunto de técnicas que vão desde o desenho, colagem, caligrafia chinesa e ‘lase’, bem como peças tridimensionais para serem usadas em instalações e espectáculos, indicou a nota da organização. O processo de colaboração entre Clara Brito, curadora e artista principal, e Elsa Lei Pui Mio, designer de luz, Lora Lo Iok Iong, designer de moda, e Mandy Cheuk, maquilhadora, resultou numa uma exposição de artes visuais sobre “emoções, sentimentos interiores e comportamentos, que utiliza diferentes formas de artesanato tradicional desta parte do mundo”.

A exposição é organizada pela Associação Cultural +853 e pela Fundação Oriente, na sequência da actual residência artística da designer, e conta ainda com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, da Casa de Portugal em Macau, do Centro de Produtividade de Transferência de Tecnologia de Macau, da Faculdade de Gestão da Universidade da Cidade de Macau, e da Livraria Portuguesa.

A ideia nasceu em 2021, fruto de uma experiência própria de Clara Brito. “Estava a fazer leituras e a escrever sobre uma fase da minha vida em que estava bastante infeliz, e as emoções que conseguia visualizar nesses momentos assemelhavam-se quase a um sentimento que eu tinha saído do meu corpo, para poder sair daquele momento e desligar as minhas emoções”, recorda. Em Psicologia, a artista aprendeu que isso se chama dissociação, um termo usado para identificar a sensação em que se abandona o corpo para ultrapassar situações muito desafiadoras. Isso levou-a a este projecto, que visa informar as pessoas sobre literacia emocional para “permitir que os outros tenham uma vida melhor”.

Tomando como base a utilização de materiais de artesanato tradicional da região, Clara Brito explicou que aproveitou a oportunidade da exposição para “fazer uma pesquisa mais aprofundada desses materiais e utilizá-los como ferramenta mediática para fazer um trabalho artístico e explorar esses conceitos”.

A exposição “She Left Her Body” está sob a alçada do projecto “Tomorrow’s Heritage”: co-criado por uma comunidade de criativos, investigadores, designers e indústrias tradicionais de artesanato e têxteis sediadas na área da Grande Baía e nos Países de Língua Portuguesa, “Tomorrow’s Heritage” tem como objectivo “especular, investigar e documentar, nestes diferentes cantos do mundo, as crenças culturais vivas e os padrões de comportamento dos seus cidadãos e do seu património cultural secular de artesanato e indústria têxtil”.

O objectivo é de “não só documentar e mapear as indústrias tradicionais de Macau e do Sul da China – que são alguns dos materiais que tenho trabalhado ao longo do meu trabalho como designer nos últimos 20 anos – mas também explorar e documentar as indústrias tradicionais de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa, e usar essas pesquisas e esses materiais numa abordagem mais contemporânea”, explica.

Fundada em 2006, a Associação Cultural +853 tem desenvolvido, todos os anos, projectos criativos e culturais em Macau, indicou a associação em nota.  Desde 2010, começou a desenvolver projectos culturais e criativos com Portugal. Em 2015 “deu os primeiros passos para exportar o património histórico cultural de Macau para as cidades mais relevantes do Delta do Rio das Pérolas”. No seu portefólio de experiências, a Associação Cultural +853 organizou o “This Is My City”, um festival que acontece anualmente, desde 2006, e a exposição de fotografia “Língua Franca”, organizada em 2019 em cooperação com o Instituto Cultural de Macau. Em 2020, organizou também a exposição “Outros Portos – Outros Olhares” na galeria dos Maus Hábitos na cidade do Porto em Portugal. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”




terça-feira, 25 de julho de 2023

Macau - Artesanato feito por reclusos e jovens em internato expostos no Museu de Ciência

Pinturas, peças de artesanato, esculturas em bambu ou madeira e outros produtos confeccionados por reclusos e jovens em internato vão estar expostos no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau. São ao todo mais de 7 mil peças que podem ser adquiridas no local, mas também através de uma plataforma online. A iniciativa da Direcção dos Serviços Correcionais, do IAS e da DSEDJ pretende sensibilizar a população para a questão da reinserção social, combatendo o estigma em torno de quem “serviu tempo” nos serviços correcionais, mas que tem o direito de voltar a ser acolhido pela sociedade

De 28 a 30 de Julho, mais de 7 mil peças de artesanato criadas por reclusos e jovens internados vão estar expostas e à venda no Centro de Convenções do Centro de Ciência de Macau. A iniciativa, que pretende “despertar a atenção da sociedade”, no sentido de “apoiar e aceitar os jovens internados e reclusos na reintegração social”, foi organizada conjuntamente pela Direcção dos Serviços Correcionais (DSC), pelo Instituto de Acção Social (IAS) e pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Em nota, a DSC indicou que a exposição inclui uma variedade de artesanatos, desde bordados, obras em ponto cruz, a esculturas em bambu ou em madeira, mas também de pinturas a óleo modernas ou de paisagens chinesas, bem como pingentes decorativos e produtos domésticos feitos a partir de argila, resina, e outros materiais ecológicos.

Paralelamente, no dia da abertura da exposição, a 28 de Julho, vai ser lançada também uma plataforma de venda online de artesanatos produzidos por reclusos e jovens internados que, indica o mesmo comunicado, vai facilitar as “vendas regulares online de diversos produtos confeccionados por reclusos e jovens internados, permitindo que o público faça compras de forma conveniente”. Concomitantemente, quem no local tiver adquirido qualquer produto, tem automaticamente acesso gratuito às restantes exposições do Centro de Ciência de Macau, acesso que é providenciado através da obtenção de um adesivo.

No local da exposição, vão ser apresentadas ainda várias mensagens de apoio e de encorajamento à reinserção social que foram escritas por vários voluntários da população. Estas mensagens foram recolhidas durante uma actividade organizada anteriormente pela DSC intitulada “Mensagens de Incentivo para a Reabilitação”. A DSC relevou ainda que vão ser divulgadas informações relativas aos vários serviços de reinserção social ligados à DSC, IAS e DSEDJ nas placas de exibição electrónicas do Centro de Convenções, e haverá ainda uma zona de tendas de jogos. Para além de auxiliar na divulgação das mensagens de solidariedade, estas tendas de jogos servem para criar um ambiente mais acolhedor do público, em que se pode, por exemplo, “auto-embalar” os produtos comprados, ou fazer ‘check-in’, divulgou ainda a mesma nota.

A Embaixadora da Solidariedade “Shiny” da DSC também vai estar presente no local da exposição para sensibilizar o público presente no sentido de se dar mais atenção e apoio aos reclusos e jovens internados, “construindo uma sociedade harmoniosa e inclusiva em conjunto”. A DSC tem-se empenhado em criar condições favoráveis para a reintegração dos reclusos e jovens internados, organizando diversos cursos de formação com certificado profissional e de técnicas profissionais orientados por instrutores profissionais, indicou a mesma em nota. Estes cursos são criados “de acordo com as mudanças sociais e tendência de desenvolvimento do mercado, para que os reclusos e jovens internados possam fazer bom uso do tempo, aprender um ofício e aumentar a capacidade competitiva, preparando assim para a reintegração social no futuro”.

A exposição, que este ano tem o tema “Mostra Activa de Talentos, Reabilitação na Convivência Harmoniosa”, é de entrada gratuita, e está aberta entre as 13h e 18h no dia 28, e entre as 10h e 18h nos dias 29 e 30 de Julho. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Macau - Lusofonia celebra 25 anos de história e “alguns braços-de-ferro”

Aquele que se transformou no “grande evento popular de Macau” faz 25 anos amanhã. O Festival da Lusofonia surgiu de um convite da Câmara das Ilhas e começou por juntar membros das diferentes comunidades dos países de língua portuguesa. Mais tarde, surgiram as associações que hoje fazem do festival um encontro de diferentes culturas. O Jornal Tribuna de Macau falou com actuais ou anteriores líderes de várias associações dos países lusófonos que contaram as suas memórias dos primeiros anos, o que esperam para o futuro e qual o significado desta festa que junta milhares de pessoas nas Casas Museu da Taipa


O Festival da Lusofonia celebra amanhã o seu 25º aniversário – são 25 anos de história, de convívio, de intercâmbio cultural, mas também de “alguns braços-de-ferro”. Tudo começou com um convite da Câmara Municipal das Ilhas dirigido às comunidades dos países de língua portuguesa para começar aquela que viria a ser a maior festa do mundo lusófono no território. Na altura, as associações que hoje fazem o Festival da Lusofonia ainda não tinham sido criadas.

Ao Jornal Tribuna de Macau, a presidente da Casa de Portugal recordou que a criação e continuidade do festival estavam envoltas em muitas incertezas. “Isto começou com uma iniciativa da Câmara das Ilhas, foi muito em cima da transição e havia dúvidas sobre se tinha pernas para andar. O que é certo é que foi crescendo e transformou-se no grande evento popular de Macau. A história é longa e é uma história de alguns braços-de-ferro, mas no fundo [o festival] teve sempre uma saída positiva e isso é que é importante”, afirmou Amélia António.

Na sua perspectiva, essa percepção é partilhada por todas as associações, apesar de todos os anos haver “grande frustração” nos apoios e na forma como muitas coisas foram tratadas. “Muitas vezes tivemos de fazer pressão para que as coisas se desenvolvessem, mas acho que isso faz parte da História e o que é importante é que tenha sido um grande evento popular sempre em crescimento”, prosseguiu. Para Amélia António, os braços-de-ferro “valeram a pena”.

Jane Martins, presidente da Casa do Brasil, recordou que na altura foi convidada como cidadã brasileira a viver em Macau – a Casa do Brasil só seria criada mais de 10 anos depois. “Telefonaram para mim e pediram se podia participar como representante da comunidade brasileira, porque naquela época não havia muitos brasileiros aqui, então iniciámos a primeira edição. Naquela época não havia assim o subsídio para fazer grandes decorações, e não tínhamos muitas ideias. Lembro-me de que disseram para pormos produtos brasileiros, que podíamos vender, que podia ser comida”, afirmou.

Foi já na altura que surgiu a ideia das caipirinhas, que se mantém até aos dias de hoje como a principal atracção da barraca do Brasil. “Pensámos que aqui nos restaurantes e nos bares não se vendia caipirinha, e como não havia cachaça também, a gente decidiu fazer com vodca, então tivemos a ideia de fazer caipirosca”, contou Jane Martins. A fama começou a aumentar ano após ano e em 2009 o Brasil passou a ser representado pela associação.

Outra das memórias que Jane Martins tem é de que no primeiro ano, em que choveu torrencialmente num dos dias, as barraquinhas eram “muito fracas”. “Trouxemos cá bailarinas de samba do Japão, eles queriam que trouxéssemos um ‘show’ brasileiro, então a gente conseguiu. Havia muita chuva, mas a festa realizou-se na mesma”, acrescentou.

Elias Colaço, que já esteve à frente da Associação de Goa, Damão e Diu, estava também no território quando se deu início ao festival. “Na altura não havia todas estas associações que há hoje. Fizeram um convite às pessoas e a minha família – a minha mãe e os meus tios – esteve muito envolvida. Agora as coisas estão muito diferentes e ainda bem. Mas, era muito engraçado, na altura avançava-se primeiro com o dinheiro e depois eles repunham e a construção das barracas era muito feita por carolice. No nosso caso, o meu tio é que fazia os desenhos e durante os primeiros anos fizeram-se stands temáticos”, apontou em declarações a este jornal.

Uma réplica de uma caravela da época, uma reprodução do fortim do mar de Diu e a porta dos vice-reis de Goa foram alguns dos temas dos primeiros anos. “Acompanhei a construção de alguns stands e era estarmos ali a noite inteira, no Carmo, até às seis da manhã. Serrar, cortar, pregar, pintar e tudo mais”, recordou. “A parte dos cozinhados era distribuída um bocadinho por todos, a minha mãe fazia umas coisas e outros faziam outras”.

Correr o mundo no espaço de centenas de metros

Para Elias Colaço, o Festival da Lusofonia é “um evento fantástico”. “Adoro a Lusofonia, gosto imenso de lá ir, gosto imenso de lá estar. Vou para lá e venho-me embora quando as portas fecham. É uma coisa fantástica tomar a noção de que naquele espaço de 200 a 300 metros corremos o mundo e passamos por vários continentes. Numa simples rua percorremos vários continentes e isso é uma coisa que só a Lusofonia consegue”, sublinhou.

Afirmando que o evento “é muito importante” para Macau, Elias Colaço lembrou que o interesse da comunidade chinesa relativamente ao Festival da Lusofonia tem crescido cada vez mais. “É muito importante porque são comunidades que existem e estão presentes em Macau há muitos anos e que têm dado o seu contributo cultural para Macau. E mais: do que tenho notado nos últimos anos, há um aumento de interesse da população chinesa, tanto local como não local, no festival”, prosseguiu.

Apesar do interesse crescente, Elias Colaço apontou que, devido à pandemia, nos últimos anos tudo tem sido feito “com a prata da casa”. Ainda assim, acredita que o Festival da Lusofonia tem pernas para continuar a andar, até porque “tem muito que ver com a política de aproximação da China aos países de língua portuguesa”. “Acho que ainda vai durar muitos anos. Se não mais 25, mais alguns”, concluiu.

Ada Sousa, presidente da Associação de Amizade Macau-Cabo Verde, disse ter “alguma reserva” quando questionada sobre se o festival duraria mais 25 anos na RAEM. “Não sei, muito sinceramente, até porque neste momento, por causa da covid, as fronteiras não estão abertas e temos sentido alguma falta de pessoal em termos logísticos. Precisamos de sangue novo e em Macau as pessoas têm saído”, lamentou.

Na sua opinião, a participação das pessoas que vêm do exterior, é uma parte muito importante do festival, mas que há quase três anos não existe. “É sempre uma grande alegria quando vêm pessoas dos países lusófonos porque trazem música, anedotas, contos, e uma pessoa sente que está em Macau, mas que está em casa, que estamos lá. É bom ter pessoas de fora para vir mostrar a cultura de cada um dos países, para sentirmos que Macau é verdadeiramente uma plataforma”, defendeu.

A Lusofonia, para Ada Sousa, “é reunir as pessoas” e “mostrar o calor” dos países de língua portuguesa. “É mostrar aquilo que temos para contribuir para a RAEM que queremos”, finalizou.

Na mesma linha, a presidente da Casa de Portugal sublinhou que as associações estão a sentir cada vez mais dificuldades e que para que o festival continue é preciso ter os meios necessários. “As associações estão a perder pessoas e a sentir cada vez mais dificuldades em conseguir fazer as coisas como gostam, como aspiram, como acham que devem continuar a fazer para que não se perca a qualidade. Portanto, neste momento com as indefinições que existem, com todas as nuvens que há no horizonte, com tudo isso só com uma bola de cristal poderia responder”.

Para Amélia António, o Festival da Lusofonia é um ponto muito importante de convívio entre as diferentes comunidades. “É um momento de grande confraternização, e é um momento muito marcante para a população local e a que visita Macau – agora mais limitada -, porque percebem e sentem como é que se vive em Macau. É sentir o clima de confraternização e de entendimento das comunidades que fazem parte de Macau”, descreveu.

“Macau é um local próprio que tem cultura, maneira de estar e de viver que são próprias, que o identificam enquanto espaço diferente. Acho que é de certa maneira uma coisa muito rica e nos tempos que correm, de desentendimentos confrontos, de problemas a nível mundial, esta forma pacífica e comunicativa e de entreajuda que se vive entre estas comunidades de Macau é qualquer coisa de importante para marcar a diferença com o que de desagradável e difícil se vive no mundo. Para mim, a lusofonia tem esse valor todo”, concluiu.

Já Helena Brandão, presidente da Associação dos Amigos de Moçambique, que participa no festival desde 2002, recordou que apesar da falta que sentiam dos produtos do país, do artesanato, assim como o facto de terem “pouca experiência” neste tipo de festa popular, guardaram boas memórias dos primeiros anos desta iniciativa. “Quem tivesse peças de artesanato, livros ou outros produtos moçambicanos emprestava-os para que pudéssemos expor. A associação não tinha nada e contávamos com ajuda de alguns elementos da comunidade”.

“A Festa da Lusofonia na minha opinião é um dos eventos mais importantes de Macau. Pelo significado, pelo envolvimento das comunidades de língua portuguesa, pelos encontros, pela diversidade, e sobretudo pela amizade e solidariedade entre a comunidade lusófona de Macau”, apontou.

A língua portuguesa como elemento de união

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, recordou que no início a participação foi feita através do grupo dos Dóci Papiaçám. A chuva que caía naqueles primeiros anos, em que o festival era realizado em Junho por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, não lhe sai da memória.

Na sua opinião, este “é um festival que tem pernas para andar”. “Julgo que é do interesse da RAEM, do interesse do Governo Central, pelo menos de acordo com o discurso oficial há sempre um apoio à ideia da lusofonia ligado à ideia da plataforma e contacto com os países de língua portuguesa. É um festival que só fortalece o papel de Macau e é um bom cartaz turístico”, apontou.

O líder associativo frisou ainda que o Festival da Lusofonia “é um fenómeno fantástico”. “A Lusofonia é um fenómeno, é um movimento, é algo de positivo. Que haja mais Lusofonias! É um fenómeno importante na comunicação dos povos, é uma coisa para ser festejada, numa altura em que o mundo está como está”, prosseguiu.

Senna Fernandes realçou ainda o que de comum une estes países: a língua. “Num sítio tão pequeno como Macau e mesmo na China podemos encontrar pessoas com antecedentes culturais completamente diferentes dos nossos e estamos a comunicar. Eu valorizo isto. A Lusofonia tal e qual como a celebramos só acontece em Macau, é único. A Língua Portuguesa tem esta propensão para ligar os povos”, afirmou.

A Língua Portuguesa é também para Jane Martins um dos aspectos mais significativos deste festival. “Na Lusofonia a gente fala muito mais português do que em qualquer outro dia do ano, então é muito agradável, porque é uma reunião de amigos que você não vê o ano inteiro. E depois há muito interesse dos chineses pela cultura de qualquer outro país de língua portuguesa. Então para mim aquilo é uma reunião de falantes da língua portuguesa como não há outra igual em Macau. Isso é o que mais importa. Depois é a alegria das pessoas, comemorar aqueles três dias”, descreveu a presidente da Casa do Brasil.

Este ano, a cultura macaense foi escolhida para ser o foco do Festival da Lusofonia, que decorrerá entre amanhã e domingo, nas Casas Museu da Taipa. A edição deste ano da Lusofonia apresentará assim a gastronomia e o artesanato macaenses, e além de se centrar na cultura macaense propõe-se também a “salientar a história da viagem das culturas dos países lusófonos através do oceano e do seu estabelecimento nesta cidade”. A programação abrangerá espectáculos em patuá promovidos por associações locais macaenses e uma mostra de gastronomia macaense.

Ao longo de três dias, os expositores das comunidades portuguesas de Macau formadas por macaenses e pessoas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste vão mostrar a sua música, artesanato, vestuário e acessórios, gastronomia e informações turísticas. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 13 de maio de 2022

UCCLA - Cascais recebe a 4.ª Edição do Mercado da Língua Portuguesa


Artesanato, gastronomia, música, literatura e outras atividades vão marcar presença na 4.ª edição do Mercado da Língua Portuguesa, de 27 a 29 de maio, no Mercado da Vila de Cascais. Um evento organizado pela UCCLA, em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, que promete homenagear a língua portuguesa e a união das várias culturas pelo mundo. Não falte!

Mais de 40 bancas de artesanato e gastronomia, 12 músicos, aulas diversas - zumba, fado bailado, yoga - tertúlia literária, atividades para crianças, muita animação e muito mais... ingredientes mais que suficientes para que nos visite no Mercado da Vila de Cascais.

A música de Angola dará o pontapé de saída e marcará a abertura do mercado pelas 18 horas, do dia 27 de maio. Ao longo do dia haverá mais música e o programa fechará pelas 22 horas. Nos dias 28 e 29 de maio, o Mercado da Língua Portuguesa começará pelas 11 horas e, durante todo o dia, haverá múltiplas atividades.

No dia 29 de maio, durante a tarde, a Cultura falará mais alto, com a apresentação do vencedor do Prémio de Revelação Literária UCCLA – CM LISBOA e uma Tertúlia Literária subordinada ao tema “Comunicar em português, uma forma de união”, com moderação do jornalista Nicolau Santos. A música do Brasil fechará esta 4.ª edição do Mercado da Língua Portuguesa, pelas 19 horas.

Consulte todas as informações disponíveis sobre esta edição do Mercado da Língua Portuguesa aqui.


 

terça-feira, 29 de março de 2022

França - Semana cultural portuguesa em Viroflay dedicada ao artesanato


No sábado passado começou mais uma edição da Semana Cultural da Amicale Culturelle Franco-Portugaise Intercommunale de Viroflay (78), este ano dedicada ao “Artesanato português, da tradição à modernidade”.

O evento começou no sábado, dia 26 de março, às 17h00, com a inauguração da exposição que há nome ao evento: “Artesanato português, da tradição à modernidade”.

No domingo à tarde teve lugar uma conferência proferida por Elisete Mouillé sobre “L’art des Azulejos, histoire et techniques”.

Esta quarta-feira, dia 30 de março, vai ter lugar mais um momento forte da Semana Cultural: durante a tarde os alunos inscritos nas aulas de português daquela cidade vão visitar a exposição na companhia do professor Amadeu Nazaré, e à noite está prevista uma mesa redonda sobre o ensino da língua portuguesa em França, cuja convidada é Adelaide Cristóvão, Coordenadora do ensino de português junto da Embaixada de Portugal em Paris.

Destaque-se ainda a projeção de um filme documentário sobre o artesanato português no sábado, 2 de abril, às 15h30.

A exposição está patente ao público entre os dias 26 de março e 3 de abril, na sede da associação, na Sala Camões – 73 avenue du Général Leclerc, em Viroflay (78) – todos os dias, entre as 15h00 e as 18h00. Todos os outros eventos também têm lugar nesta mesma sala. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


 

quinta-feira, 24 de março de 2022

UCCLA - Concerto ao vivo com Djâmen



Com uma metamorfose de estilos muito própria e uma linguagem musical vanguardista, o músico e compositor brasileiro Djâmen vai subir ao palco da UCCLA no dia 8 de abril, a partir das 19h30.

As portas irão abrir às 18h30, onde não faltará o artesanato e a gastronomia do Brasil, com a Seja Arte e a Via Creperia.

A entrada tem o valor de 8€ ou 18€ para 3 pessoas e o pagamento poderá ser feito por MBway através do número +351 926 922 767, com a respetiva identificação. Caso não tenha MBway, poderá enviar um email para anabela.simao@uccla.pt a solicitar a reserva e o pagamento será feito à entrada do concerto. Agradecemos a quem efetuar o pagamento no local, que traga o valor certo.

Djâmen

Músico e compositor nascido no Brasil, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Homem negro em resgate ancestral. Ser humano em jornada de aprendizagem mundo a fora. Vejo música nas coisas e faço das coisas música. É nela que as minhas vivências e imaginário se encontram. Como eu, a minha arte é uma metamorfose de estilos e texturas. É assim que se define Djâmen, artista radicado em Portugal, co-vencedor do Prémio Latin Grammy Awards, em 2018, que recentemente tem lançado ao mundo o seu trabalho autoral. Com uma linguagem musical vanguardista, ele se considera parte do movimento afrofuturista que representa a união do resgate ancestral com o novo.

https://www.facebook.com/Djamenn

https://www.instagram.com/dja_men/

https://linktr.ee/dja_men

https://open.spotify.com/artist/3Bfn9QsnUm8EzNZZd55Mq4

https://soundcloud.com/djamenfarias

Veja e ouça Djâmen no Mercado da Língua Portuguesa, no dia 22 de julho de 2021 –

https://www.youtube.com/watch?v=GwWxk9p4Dww

Seja Arte

Pensando em sustentabilidade e aproveitamento de produtos, Ana Lúcia, criadora do Seja Arte, produz com originalidade acessórios com a utilização de cápsulas de café e o resultado são peças de bijutaria transformadas em anéis, fios e colares.

https://www.facebook.com/sejaarte.artesanatos

https://www.instagram.com/sejaarte.pt/

Via Creperia

Movidas pela vontade de levar às pessoas os sabores irresistíveis dos crepes, através de produtos diferenciados, com qualidade, práticos e saborosos, em 2015, foi criado o Via Creperia Street Food. Do Brasil vieram os originais crepes no palito, uma variação do crepe tradicional, feita com massa mais consistente e servidos de forma prática e divertida. Com versões doces e salgadas e recheios saborosos, os crepes no palito conquistaram muitas pessoas.

https://www.facebook.com/viacreperia  

https://www.instagram.com/viacreperia/