Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Do “legado histórico” à relação “singular” entre Macau e Portugal

Na recepção oficial do Governo da RAEM em Portugal, Sam Hou Fai discursou na língua de Camões perante 400 convidados. Na ocasião, tanto o Chefe do Executivo como o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacaram o legado histórico e a relação “singular” entre Macau e Portugal, perspectivando um futuro de maior proximidade e cooperação. Emídio Sousa defendeu ainda que a comunidade portuguesa é “um elo vivo e permanente” das relações entre Portugal, Macau e a China. Antes, foi inaugurada uma exposição sobre a implementação do princípio “um país, dois sistemas”, onde José Cesário discursou, defendendo que é “essencial” dar passos para facilitar “ainda mais” o fluxo humano entre as partes


Foi em português que Sam Hou Fai decidiu discursar na recepção oficial do Governo da RAEM, que decorreu ao final da tarde de segunda-feira, em Lisboa, e contou com cerca de 400 convidados. O legado histórico das relações entre Macau e Portugal foi vincado quer pelo Chefe do Executivo, quer pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Ambos apontaram ainda para o reforço da ligação e da cooperação, lembrando os mais de cinco séculos de história que unem Portugal e Macau, bem como a República Popular da China.

O líder da RAEM afirmou que a visita a Portugal “constitui simultaneamente um meio simbólico eficaz para transmitir o legado de tradição de amizade e uma iniciativa destinada a avançar na concretização dos importantes consensos alcançados” entre o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, e o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Defendendo que, desde a transferência, “Macau tem aplicado com sucesso o grande princípio de ‘um país, dois sistemas’, alcançando conquistas notáveis reconhecidas mundialmente”, apontou igualmente para “a prosperidade e a estabilidade duradouras”.

Neste âmbito – e perante membros da delegação do Governo da RAEM, representantes da delegação empresarial, representantes da Embaixada da República Popular da China em Portugal, e personalidades de diversos sectores da sociedade portuguesa -, Sam Hou Fai afirmou ainda que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os dos Macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”.

Por outro lado, assegurou que Macau está “cada vez mais empenhado” em “potenciar o papel singular” do território com “ponte” e como “interlocutor de precisão”, “reforçando o aperfeiçoamento dos diversos mecanismos e plataformas de cooperação sino-lusófona”. O objectivo, acrescentou, é que Macau “se torne numa plataforma importante para toda a comunidade internacional, especialmente os países de língua portuguesa”, contribuindo para a concretização de cooperações “mutuamente benéficas de nível mais elevado”.

Na ocasião, fez votos para que “a árvore da amizade entre a China e Portugal permaneça para sempre viçosa e cheia de vitalidade” e para que “a cooperação entre Macau e Portugal em todos os domínios dê frutos ainda mais abundantes”.

Afirmando que a estratégia de “Macau + Hengqin” é “cada vez mais aceite e enraizada na população”, Sam Hou Fai defendeu que “o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin tem um potencial ilimitado”. Depois, convidou as pessoas presentes a visitar o Interior da China, Macau e Hengqin com vista a “descobrir as oportunidades existentes na China, a investir em Macau e Hengqin” e de olhos postos no futuro.

Já o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, começou por dizer que a decisão de Sam Hou Fai de escolher Portugal como destino da sua primeira visita oficial ao exterior “tem um forte valor simbólico”. “Interpretamos [a decisão] como um sinal inequívoco da importância que Portugal continua a ocupar no quadro das relações da RAEM. Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e que reforça a natureza especial do vínculo que nos une. Portugal olha, como sempre olhou, com especial significado para Macau”, afirmou ainda.

Emídio Sousa assinalou que “essa relação singular assenta numa história comum de quase cinco séculos que ligou Portugal a Macau e por essa via a República Popular da China”, acrescentando que, ao longo do percurso histórico, Macau se afirmou como “espaço ideal entre culturas, sistemas e visões do mundo, desempenhando um papel único e irrepetível”. “Esse legado histórico não se encerrou com a retroversão de Macau à soberania da República Popular da China, pelo contrário, marcou o início de uma nova etapa nas relações entre Portugal e Macau, enquadrada num contexto distinto, mas firmemente ancorada nos mesmos valores da confiança mútua, respeito e amizade”, considerou.

“É sobre esse património comum que o Governo de Portugal reafirma a sua determinação em aprofundar e reforçar a ligação com Macau, em estreita articulação com as autoridades da RAEM. A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas”, prosseguiu o Secretário de Estado, acrescentando que a comunidade portuguesa residente em Macau “é importante” e “constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”.

Cesário pede “passos” para facilitar o fluxo humano

Antes da recepção oficial, o Chefe do Executivo presidiu à inauguração da exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, onde disse que Macau zela “sempre” pela defesa do princípio formulado por Deng Xiaoping.

José Cesário, presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, esteve igualmente presente na inauguração da mostra, tendo também assinalado, à semelhança do Secretário de Estado, a relevância da visita de Sam Hou Fai ao país. “Macau é um território que jamais deixará de fazer parte da nossa história, sendo essencial para a nossa presença no Oriente no passado, no presente e no futuro”, afirmou.

Cesário defendeu que é “essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”, apontando que as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China, e das comunidades macaense e chinesa em Portugal, são igualmente questões que requerem acompanhamento permanente.

Recorde-se que Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Orientações que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Antes, tinha elogiado as “excelentes relações” entre as partes e a “a forma exemplar como a transição da administração de Macau se processou”. Numa altura em que a conjuntura política e económica globais são complexas, José Cesário assinalou a “relevância” da visita, tendo em conta o actual contexto geopolítico. Disse ainda estar certo de que resultará daqui “uma ainda maior proximidade”.

Disse ainda que “a luta pela paz a nível mundial, o entendimento entre os povos, o respeito pelo Direito Internacional e a melhoria da nossa relação política, económica e cultural serão questões que, naturalmente, estarão muito presentes nesta visita”.

Exposição mostra “forte vitalidade” do princípio “um país, dois sistemas”

Patente até 28 de Junho nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, a exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’” está dividida em seis capítulos. São eles “Prefácio”, “O princípio ‘um país, dois sistemas’ é o alicerce da Região Administrativa Especial”, “Ponte de ligação para a abertura ao exterior e janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações”, “Zona de cooperação em Hengqin cria novo espaço de desenvolvimento para Macau”, “Sociedade harmoniosa e estável garante uma vida saudável e segura” e “Conclusão”. Através de textos em português e chinês e mais de 100 fotografias, a mostra “faz uma retrospectiva histórica, foca o presente e olha para o futuro, destacando os notáveis feitos alcançados por Macau nas áreas política, económica, social e de bem-estar da população”. São ainda exibidos vários vídeos, incluindo testemunhos de várias figuras emblemáticas que acompanharam a transição de Macau. Catarina Pereira – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 11 de março de 2026

Macau - Novo fundo “abre portas” da China a empresários lusófonos

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau disse à Lusa que o novo fundo de investimento lançado pelas autoridades locais “abre portas” a investidores lusófonos interessados na China. Carlos Cid Álvares apontou que o fundo de 20 mil milhões de patacas “poderá ser um passo significativo para a reestruturação do tecido económico de Macau”.

O dirigente disse que representa “uma mudança de paradigma”, pois as autoridades da cidade passam a assumir o papel de “capital paciente [investimento que aceita um retorno mais demorado] e orientador” da diversificação da economia.

O Governo anunciou em 27 de Fevereiro o lançamento de um Fundo de Orientação Governamental, que visa orientar capitais privados para investimento em sectores prioritários que ajudem a economia local a diversificar para além do sector dos casinos.

O fundo tem quatro alvos principais: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. Macau prevê concluir ainda este ano a constituição do fundo.

“O foco em indústrias emergentes e na transformação de resultados científicos e tecnológicos abre portas para investidores estrangeiros, incluindo os lusófonos”, afirmou Álvares.

Para o presidente da CCILC, o fundo, que deverá arrancar este ano com uma injecção inicial de 11 mil milhões de patacas, podendo atingir 20 mil milhões com capitais privados, “poderá ser uma oportunidade para as empresas dos Países de Língua Portuguesa”.

“O fundo, ao privilegiar o investimento em projectos de inovação e modernização industrial, poderá funcionar como um catalisador para que essas empresas encontrem em Macau um parceiro estratégico e capital para escalar os seus projectos na Ásia”, descreveu Carlos Cid Álvares.

O representante empresarial recordou que a CCILC tem defendido o papel de Macau como plataforma sino-lusófona e que esta medida “concretiza essa visão de forma prática”.

O empresário salientou que os sectores alvo prioritários definidos pelo Executivo de Macau coincidem com áreas onde empresas do Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) têm “know-how e competitividade internacional”.

“Veja-se o exemplo do Brasil, com forte presença no agronegócio tecnológico e nas energias renováveis, ou de Portugal, com um ecossistema de startups tecnológicas e fintechs muito dinâmico”, apontou.

Outro ponto relevante, segundo o presidente da CCILC, é a articulação com a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O Governo Central chinês estabeleceu esta zona económica especial, adjacente a Macau, para diversificar a economia da RAEM, com foco em tecnologia, finanças e turismo.

Um Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhol foi estabelecido nessa área para fomentar o comércio, oferecendo serviços jurídicos, fiscais e linguísticos para empresas lusófonas e hispânicas no mercado chinês.

O presidente da CCILC acrescentou que o fundo “vem dar liquidez e peso institucional” ao modelo de cooperação conjunto estabelecido para Macau e Hengqin.

“Para os empresários lusófonos, poderá ser o cenário ideal: instalar a sua sede em Macau, beneficiando do seu sistema jurídico e da familiaridade com a língua portuguesa, e localizar em Hengqin a componente mais intensiva em espaço ou produção”, explicou.

“Presumimos que a voz da experiência da China e dos mercados lusófonos poderá acrescentar valor para o projecto”, concluiu Carlos Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Macau - SJM leva dois chefs portugueses a Wuhan em estratégia de promoção turística integrada

A SJM Resorts, em sintonia com a Direcção dos Serviços de Turismo, vai realizar a “MACAO Week in Hubei-Wuhan 2025”, de 5 a 8 de Setembro. O evento tem como objectivo promover Macau como destino turístico junto do mercado de Hubei, destacando a estratégia “Tourism+” através de ofertas gastronómicas, culturais e de entretenimento. A operadora vai apresentar o trabalho de dois chefs de cozinha portuguesa em Wuhan, dentro de um programa extenso de gastronomia sobre as iguarias locais

Num esforço concertado para reforçar a sua presença no mercado turístico chinês, Macau prepara-se para realizar a “Semana de Macau em Wuhan – Hubei 2025”, uma iniciativa abrangente que decorrerá de 5 a 8 de Setembro na Praça Jianghan Guan, em Wuhan. O evento, organizado pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), visa apresentar o potencial da região enquanto centro de turismo diversificado, assente no conceito do recorrente “Turismo +”, e atrair visitantes do interior da China.

O sector privado assume um papel de destaque nesta missão promocional. A SJM Resorts, em parceria com a DST, será uma das entidades protagonistas, encarregue de materializar o título de Macau como Cidade Criativa da Gastronomia. A componente culinária inicia-se a 4 de Setembro com um jantar de gala exclusivo, “Wuhan Saboreia a Magia de Macau: Sabores Partilhados das Marés do Rio e do Mar”, onde os chefs Herlander Fernandes e Pedro Miguel Santos do Carmo prepararão um menu de alta cozinha macaense-portuguesa, harmonizado com vinhos portugueses.

A partir de 5 de Setembro e até 8 de Outubro, a experiência gastronómica estender-se-á ao público geral através de um buffet temático no Café Reign do Wanda Reign Wuhan. O “Canto da Gastronomia de Macau” oferecerá mais de 20 especialidades, desde galinha à africana e amêijoas à bulhão pato até ao pudim serradura, proporcionando uma viagem autêntica pelos sabores do território.

A estratégia de promoção transcende o formato tradicional de feira, integrando-se profundamente na paisagem urbana de Wuhan. De 2 a 8 de Setembro, os emblemáticos rios Yangtze e Han servirão de palco para um espectáculo de luzes temático, projectando a imagem de Macau no coração da cidade. O ponto alto nocturno será um espectáculo de ‘video mapping’ 3D na Praça Jianghan Guan, concebido para simbolizar a sinergia entre as duas cidades criativas da UNESCO – Macau na Gastronomia e Wuhan no Design – através de uma narrativa visual imersiva.

No recinto principal do evento, a SJM marcará presença com um stand dinâmico, onde apresentará as suas ofertas integradas nos resorts Grand Lisboa Palace e Grand Lisboa. Os visitantes poderão desfrutar de espectáculos imersivos que combinam percussão, dança e arte culinária, interagir com a mascote da empresa e obter informações sobre pacotes promocionais exclusivos, com estadias a partir de 1400 patacas. Paralelamente, realizar-se-á uma “Bolsa de Turismo” (Travel Trade Mini Mart), destinada a profissionais do sector, aprofundando assim a cooperação comercial.

Para além da gastronomia e do entretenimento, a promoção destacará a diversidade das ofertas existentes em Macau. Serão realçadas experiências culturais únicas da região, como a exposição “Picasso: Beleza e Drama” e o espectáculo de ballet residente “The Adventures of ALICE”, no Grand Lisboa Palace. O calendário desportivo de alto rendimento também será um argumento-chave, com a promoção de eventos como o Grande Prémio de Macau e, sobretudo, a co-organização dos 15.º Jogos Nacionais com Guangdong e Hong Kong, para posicionar Macau como uma “Cidade do Desporto”.

Esta iniciativa enquadra-se numa estratégia mais ampla da DST, que desde 2020 já levou a “Semana de Macau” a dez cidades do interior da China, atraindo cerca de seis milhões de participantes. O mercado de Hubei, que registou um crescimento de 11% no número de visitantes a Macau no ano anterior, é considerado prioritário, beneficiando da conectividade oferecida pelos voos directos Wuhan-Macau e pela rede ferroviária de alta velocidade. Com um valor promocional total superior a 26 milhões de RMB em pacotes turísticos exclusivos, o evento visa não só captar visitantes, mas também consolidar pontes de cooperação económica e comercial sustentável entre Macau, Hubei e Hengqin. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Macau - Chefe do Executivo quer atrair empresas tecnológicas e científicas do bloco lusófono

O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, quer que empresas dos sectores da tecnologia e ciência vindas dos países lusófonos se fixem no território, disse o Governo local


Sam Hou Fai apontou como objectivo para o território “atrair activamente empresas científicas e tecnológicas de excelência dos países de língua portuguesa”, de acordo com um comunicado.

O líder do Governo sublinhou que estas empresas podem estabelecer operações tanto em Macau como na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, na vizinha Hengqin.

Esta zona económica especial, gerida em conjunto pelas autoridades de Macau e da província de Guangdong, foi lançada pelo Governo Central chinês em 2021, com uma área de cerca de 106 quilómetros quadrados.

Em sentido contrário, Sam prometeu “apoiar as empresas científicas e tecnológicas do interior da China a expandirem para o exterior”, aproveitando as vantagens de Macau e os quatro laboratórios de referência do Estado situados na cidade.

O Chefe do Executivo falava na terça-feira à noite, num encontro com o ministro da Ciência e Tecnologia chinês, Yin Hejun, que veio a Macau para assinalar a reestruturação dos quatro laboratórios.

Os laboratórios, com sede na Universidade de Macau e na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, são dedicados às áreas de medicina chinesa, ciência lunar e planetária, microeletrónica e Internet das coisas (comunicação entre objetos e aparelhos). Horas antes, Yin defendeu que os quatro laboratórios devem “aproveitar o ambiente e as vantagens de Macau”, nomeadamente a tradição de “cooperação com o exterior”, para contratar mais “talentos internacionais”.

Também na terça-feira, o Governo de Macau anunciou que Sam Hou Fai vai visitar Portugal a partir de 16 de Setembro, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que tomou posse, em dezembro.

O Chefe do Executivo – o primeiro líder do território semiautónomo a dominar a língua portuguesa – vai visitar Lisboa e Madrid, entre 16 e 23 de setembro, indicou em comunicado o Gabinete de Comunicação Social.

Em Maio, Sam disse que a delegação enviada por Macau a Portugal e Espanha irá incluir empresários dos setores industrial, comercial e financeiro da região e “até certas empresas do interior da China”. Na mesma altura, o líder do Governo defendeu que o território tem de “receber os amigos estrangeiros para investir em Macau e também concretizar os seus sonhos em Macau”, principalmente na área da tecnologia avançada. Sam sublinhou que “podem ser provenientes dos países de língua português e espanhola”. “Desde que sejam a favor da diversificação económica, são sempre bem-vindos”, acrescentou o dirigente. Sam defendeu que os empresários locais devem “explorar os mercados de língua espanhola e portuguesa e os mercados de África e o Médio Oriente”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Macau - Negócios em Angola seduzem empresários

Oportunidades de negócio em áreas como os têxteis, agricultura e tecnologia levaram o empresário de Macau Eduardo Ambrósio e um grupo de representantes de Hengqin a Angola. Em Luanda, o grupo manteve contactos com diversas entidades. O macaense disse ao Jornal Tribuna de Macau que a deslocação visou principalmente “estudar formas de enviar ‘know-how’ para aquele país africano e sensibilizar os empresários chineses que estão interessados em apostar no mercado angolano”


O empresário de Macau Eduardo Ambrósio e alguns representantes industriais de Hengqin estiveram em Luanda durante alguns dias para estudar formas de levar “know-how” para Angola, em áreas como os têxteis, a agricultura e as tecnologias.

O empresário macaense liderou as visitas efectuadas a diversas entidades bancárias e associações comerciais, e esteve reunido com o Ministro da Economia e Indústria angolano, Rui Miguêns de Oliveira, numa altura em que na capital daquele país africano estavam a ocorrer tumultos.

“Apesar da situação que se verificava, mas que acalmou ao fim de três dias, pude manter diversos contactos e ajudar os elementos de Hengqin, que tinham estado antes na Guiné-Bissau, a deslocar-se à Zona Económica Especial da Catola”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos.

O sector do vestuário é uma das principais áreas de investimento possível de estabelecer com Angola, “uma vez que não há nenhuma fábrica que faça uniformes”, disse o dirigente.

As primeiras abordagens foram feitas na capital angolana. A partir daqui, “vou falar com os empresários da China que estejam interessados em fazer ali negócios no ramo dos têxteis, expandindo também para outros países do continente africano”, salientou.

Para Ambrósio, Macau servirá de ponte para levar empresários da Grande Baía a Angola, ajudando os jovens daquele país a desenvolver a indústria têxtil e ter trabalho. “O objectivo é levar técnicos, especialistas e peritos nesta área”, frisa, acrescentando que “a China está agora numa crise e pretende exportar muita tecnologia para África”.


Constatando que a maioria dos chineses que estão em Angola são do norte, o que dificulta a comunicação com os líderes angolanos, afirma que “Macau tem a vantagem de falar português”.

Apontando que Angola tem um vizinho com milhões de habitantes, o Congo, frisa que “poderá desenvolver esse grande mercado”. O Brasil tem igualmente potencial, “mas fica muito longe”, admite.

A agricultura será outra das apostas a explorar em terreno angolano pelos homens de negócios do Interior da China, concretamente no reerguer da indústria do café. “Angola foi o terceiro maior exportador de café do mundo antes da guerra e agora quer recomeçar, por isso, a ideia é tentar levar pessoas a Timor-Leste para os ensinar na plantação de café, para que depois possam desenvolver a indústria em Angola”, afirma.

No que diz respeito às trocas comerciais entre a China e a África, o empresário refere que “o futuro está no continente africano” e que pode haver um maior intercâmbio. “Os chineses poderão importar diamantes e peças preciosas e exportar tecnologia, para além de algumas empresas da China terem um papel importante na construção civil em Angola”, sublinha.

Estes temas dominaram o encontro de Eduardo Ambrósio com o Ministro da Economia e Indústria angolano. “Foi uma conversa bastante positiva, durante cerca de quatro horas, período em que tivemos oportunidade de abordar várias questões de uma forma geral e no qual o ministro mostrou grande interesse e abertura para que a China faça investimentos em Angola”, concluiu. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”






terça-feira, 17 de junho de 2025

Macau - Médicos formados pela Universidade de Macau vão poder exercer em Portugal

Universidades de Lisboa e Macau vão oferecer curso de Medicina em co-tutela, com reconhecimento mútuo e aposta na investigação científica


A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ULisboa) está a colaborar com a Universidade de Macau (UM) para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse à Lusa um dirigente da ULisboa.

Luís Graça explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Entre as vantagens estará “permitir assim que os médicos formados aí no território [Macau] possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador.

Em dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que a ULisboa vai ajudar a criar a primeira faculdade de medicina pública de Macau, no novo campus da instituição, em Hengqin.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM, Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica.

“Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, disse o dirigente.

Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projetos conjuntos de investigação.

A faculdade tem tido “colaborações pontuais de investigadores com investigadores de outras universidades chinesas”, uma vez que “é importante uma proximidade com locais onde se faz ciência de excelência e ensino de excelência”, disse o diretor.

Mas Graça disse que a colaboração com a UM é “mais institucional (…) e pode permitir um reforço ainda maior dessas parcerias”. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 5 de junho de 2025

China - Intercâmbio entre Países de Língua Portuguesa e Grande Baía norteia Fórum de Infra-estrututras

Mais de 400 representantes de países de língua portuguesa, incluindo empresas listadas no mercado de capitais e marcas de renome, vão participar no Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, que arranca no próximo dia 10. Um dos destaques da feira é a Zona Macau-Hengqin, que apresentará combinações de instalações multimédia e produtos desenvolvidos autonomamente


Os projectos que envolvem os países de língua portuguesa (PLP) vão estar em foco no Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, que decorrerá durante três dias, a partir de 10 de Junho, na Cotai Expo do Venetian. Até ao momento, mais de 400 representantes governamentais, empresariais, bem como elites do sector das infra-estruturas, provenientes dos PLP e da Grande Baía, inscreveram-se no certame, incluindo empresas listadas na bolsa de valores e marcas de renome.

Um dos destaques da feira, que vai na 16ª edição, é a Zona de Exposição Macau-Hengqin, instalada num espaço de 150 metros quadrados. Com base na experiência adquirida na primeira instalação no ano transacto, a área apresentará uma “combinação de instalações multimédia e produtos desenvolvidos autonomamente pelas empresas”, segundo refere um comunicado do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Uma das novidades é a divulgação de modelos de estruturas de instalação imediata e pronta a habitar, feitas em aço e betão, bem como os modelos de viaturas inteligentes de inspecção 5G, “capazes de realizar praticamente todo o processo de inspecção no local, de modo a evidenciar as imagens das marcas, as tecnologias, os serviços e os resultados das empresas de infra-estruturas de Macau e Hengqin”, adianta o texto.

A Zona de Exposição irá também “reforçar a compreensão” quanto às oportunidades de desenvolvimento conjunto de Macau e Hengqin, por parte dos representantes do sector que marcarão presença no Fórum.

Além disso, entre os mais de 220 projectos assinados em edições anteriores, os projectos de infra-estruturas que envolvem os PLP e as cidades integradas na Grande Baía, em cooperação com parceiros nacionais e internacionais, representam um valor de cerca de 39 mil milhões de dólares.

As áreas de actividade incluem a construção civil, consultoria técnica, energia e electricidade, serviços à população e inovação tecnológica, destacando o papel de Macau enquanto plataforma.

A fim de promover a cooperação e o intercâmbio inter-regionais no sector das infra-estruturas, a entidade organizadora planeou uma série de seminários de intercâmbio, encontros empresariais, fóruns, exposições e sessões de bolsas de contacto, concentrando-se nos elementos dos PLP, da Grande Baía e de Hengqin.

Além de se realizarem vários eventos de cooperação em infra-estruturas entre a China e os PLP, como a conferência anual “Construção Inteligente e Industrializada”, será também divulgado o Relatório de Análise do Índice de Desenvolvimento de Infra-estruturas dos PLP e dos Resultados de Macau na Participação na Implementação Conjunta da Iniciativa Faixa e Rota (2025), proporcionando ao sector uma “referência prospectiva” na expansão da cooperação em infra-estruturas.

No terceiro dia do Fórum, a 12 de Junho, serão realizadas sessões especiais de encontros entre as empresas de Macau e Hengqin e os expositores, “atendendo, com precisão, às necessidades de desenvolvimento das empresas e impulsionando mais cooperação empresarial relacionada com Macau e Hengqin, por meio de sessões exclusivas de bolsas de contacto”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 21 de abril de 2025

China - Hengqin terá um centro para comércio lusófono e hispânico

Hengqin vai ter um centro para promover as relações comerciais com os países de língua portuguesa e espanhola. A novidade foi anunciada pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, na apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa para este ano

O Governo anunciou, na sexta-feira, o estabelecimento de um centro para promover os serviços económicos entre a China e os países de línguas portuguesa e espanhola na vizinha zona económica especial de Hengqin.

A ideia é proporcionar às empresas destes países serviços no “âmbito linguístico, jurídico, fiscal, de verificação da observância das normas, de formação, de arbitragem e de mediação”, referiu, na Assembleia Legislativa, o secretário para a Administração e Justiça de Macau, André Cheong Weng Chon.

As palavras de André Cheong, no âmbito da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para este ano relativas à pasta da Administração e Justiça, vão ao encontro do que o líder do Governo, Sam Hou Fai, anunciou na segunda-feira, ao declarar a intenção de “promover o intercâmbio e a cooperação”, através de Macau, entre a China e o universo de países de língua espanhola.

O Fórum de Macau foi criado em 2003 e, mais de duas décadas depois, o Chefe do Executivo decide alargar o foco aos países que falam castelhano. A cooperação deve incidir, como indicou na apresentação geral das LAG, entre outros sectores, nas áreas das finanças, cultura, turismo e comércio electrónico transfronteiriço.

“São países próximos em termos de cultura e de língua, que fazem parte do mundo latino. E temos em conta as experiências do passado, a cultura, todo o sistema político, social desses países”, referiu André Cheong.

Como uma tosta

Notando que o novo espaço tem gestão mista, de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada, o responsável disse ainda que o “centro de apoio comercial não se sobrepõe ao Fórum [de Macau]”.

Na semana passada, Sam Hou Fai, o primeiro líder de Macau a dominar a língua portuguesa, sugeriu também que ia aproveitar uma visita a Portugal, prevista para depois das eleições legislativas portuguesas de 18 de Maio, para se deslocar a Espanha e “iniciar contactos”.

A Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin é um projecto lançado por Pequim, em 2021, gerido conjuntamente pela província de Guangdong e por Macau, com uma área de cerca de 106 quilómetros quadrados.

Persistem, porém, uma série de problemas nesta área especial, notou André Cheong, referindo “a insuficiência no desenvolvimento da economia real, a alta taxa de desocupação dos edifícios comerciais, bem como a falta de circulação de pessoas e de actividade comercial”.

Na segunda fase da construção desta zona, disse o secretário, Macau e a província de Guangdong vão reforçar “a interligação de infraestruturas”, “a articulação das regras e mecanismos” e a “aproximação dos residentes de Macau e Hengqin”.

IAM | Reforma pretende simplificar estrutura orgânica

Depois das mudanças no conselho de administração do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), nomeadamente a saída de José Tavares do cargo de presidente, eis que vêm aí novas mudanças.

Na sexta-feira, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, disse que “a actual organização institucional [do IAM] não satisfaz as necessidades de trabalho do próprio instituto nem corresponde às expectativas dos cidadãos”, pelo que a partir deste ano serão feitos “os trabalhos de reestruturação de forma faseada”.

O objectivo é “racionalizar e simplificar a estrutura orgânica interna, ajustando as funções com base nos princípios da gestão centralizada, do reforço da coordenação e da simplificação dos procedimentos, no sentido de evitar a gestão por camadas e para aumentar a eficiência da gestão municipal do IAM”.

Função Pública | Subsídio de nascimento passa a 6580 patacas

O secretário André Cheong anunciou na sexta-feira que o subsídio de nascimento para trabalhadores da Função Pública irá passar do índice 60 para 70, o que significa que passa a ser de 6580 patacas. “A RAEM ajustou o subsídio de nascimento, mas não para a Função Pública, que se mantém no índice 60. Sugerimos que esse subsídio seja ajustado para 70, equivalente a cerca de 6580 patacas”, disse.

Recorde-se que o Governo anunciou também, nestas Linhas de Acção Governativa, a criação do subsídio para a infância, que deverá chegar a 15 mil crianças até três anos de idade. Estas crianças irão receber 1500 patacas mensais, ou seja, 18 mil patacas por ano. In “Hoje Macau” - Macau


terça-feira, 15 de abril de 2025

Macau - “Cluster” de indústria médica e “Cidade Universitária” em Hengqin

Sam Hou Fai dedicou uma considerável parte das Linhas de Acção Governativa a abordar o desenvolvimento de Hengqin, tendo dito que pretende criar “um cluster da indústria médica e de saúde” na Zona de Cooperação Aprofundada. O Chefe do Executivo está também apostado em desenvolver uma “Cidade Universitária de Educação Internacional” do outro lado da fronteira



O apoio de Hengqin na diversificação da economia de Macau está ainda “aquém das expectativas” e a RAEM deve “alinhar aguerridamente nas estratégias nacionais para alcançar um melhor desenvolvimento”, defendeu ontem o Chefe do Executivo. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa, Sam Hou Fai sublinhou que o desenvolvimento da cooperação Macau-Hengqin é uma das suas missões.

Nesse âmbito, Sam Hou Fai indicou que o Governo vai “introduzir criteriosamente tecnologias e conceitos médicos de ponta a nível internacional, construindo uma série de instituições médicas especializadas de alto nível”. A ideia é atrair “o estabelecimento de uma série de empresas tecnológicas de saúde de alta qualidade na Zona de Cooperação Aprofundada, criando um cluster da indústria médica e de saúde com características de Macau e Hengqin”.

A par disso, afirmou que será adoptado o modelo “Registo de Macau + Produção em Hengqin” para promover o “desenvolvimento integrado e profundo” da indústria de medicina tradicional chinesa de Macau e Hengqin. Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai prometeu que se irá empenhar na “optimização do sistema da conta de comércio livre multifuncional, no impulsionamento da participação dos bancos qualificados com capitais de Macau no projecto-piloto da Zona de Cooperação, e na promoção do fluxo transfronteiriço de capitais entre Macau e Hengqin”.

Além disso, o Chefe do Executivo está também apostado em criar uma “Cidade Universitária de Educação Internacional” em Hengqin, evidenciando “as vantagens das instituições de ensino superior de Macau”. De acordo com o Relatório das LAG, a ideia é através da “internacionalização de quadros qualificados, pesquisas científicas e intercâmbio científico e tecnológico”, levar a cabo acções promocionais do desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin no âmbito da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados.

“O Governo da RAEM irá proceder ao trabalho de coordenação para que as instituições de ensino superior locais qualificadas a recrutar alunos do Interior da China para cursos de licenciatura, (…) possam, recorrendo ao modelo de extensão pedagógica “Uma Universidade, Duas Zonas”, realizar trabalhos preparatórios para criação do novo campus universitário na Zona de Cooperação, com o objectivo de criar um ambiente pedagógico que esteja uniformizado com o de Macau, e de configurar um projecto piloto de integração de Macau com Hengqin no âmbito do ensino superior”, afirmou.

Sam Hou Fai disse ainda que serão também “envidados esforços para obter autorização para construir mais Laboratórios de Referência do Estado”. A Universidade de Macau (UM) será a primeira a implementar o modelo de extensão pedagógica na Zona de Cooperação. O líder da RAEM disse ontem que, apesar de a UM já ter o terreno, não tem dinheiro para iniciar a construção, sendo também essa uma das razões pelas quais o orçamento para 2025 precisa de ser revisto.

Em relação a Hengqin, o Chefe disse ainda que serão destacados mais trabalhadores da Administração Pública de Macau para trabalharem na Comissão Executiva e nas diversas estruturas de trabalho. Sam Hou Fai frisou ainda que a RAEM vai “promover de forma proactiva” o projecto-piloto de contratação de juízes de Macau para desempenharem funções de juízes não permanentes nos tribunais de Hengqin.

Mais produtos lusófonos na Grande Baía

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, garantiu que o Governo vai promover “o acesso de mais produtos dos países de língua portuguesa ao mercado da Grande Baía”. Segundo disse, será maximizada, “de forma plena”, a função do “Pavilhão de Exposição da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, transformando Macau num “Ponto de partida” para os produtos lusófonos no acesso ao mercado da Grande Baía. Sam Hou Fai disse também que serão realizados diversos tipos de Convenções e Exposições, “no sentido de criar mais cenários para o aprofundamento da conectividade entre as nove cidades da Grande Baía e os países de língua portuguesa”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 13 de março de 2025

China - Vogal na Assembleia Popular Nacional propõe universidades sino-lusófonas em Hengqin

Na despedida da sessão da ANP, Dominic Sio, representante da RAEM no órgão legislativo, fez mais uma sugestão relacionada com a lusofonia. Com o intuito de aprofundar a construção da Zona de Cooperação Aprofundada, o vogal considera que o Ministério da Educação chinês pode apoiar a China e os países lusófonos a abrirem em conjunto instituições de ensino superior em Hengqin

No último dia da 3ª Sessão da 14ª Assembleia Nacional Popular (ANP), Dominic Sio, representante de Macau na ANP, entregou mais uma proposta. Sugeriu ao Ministério da Educação chinês que apoie a abertura de instituições de ensino superior na Zona de Cooperação Aprofundada, numa cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Segundo a imprensa em língua chinesa, Dominic Sio sustentou que a formação e concentração de mais quadros com “visão internacional” e “afeição pelo território local” corresponde às “necessidades urgentes” para o aprofundamento da construção da Zona de Cooperação Aprofundada. Neste sentido, enfatizou que a solução de atrair instituições de ensino superior do Interior da China, de Macau e dos países lusófonos, bem como quadros de alto nível a desenvolverem uma “cooperação eficaz” em Hengqin pode não apenas juntar mais quadros de alto nível correspondentes às necessidades de desenvolvimento, como também impulsionar a internacionalização do ensino superior da Zona de Cooperação. Ao mesmo tempo, fará com que Hengqin desempenhe um papel mais forte no intercâmbio e cooperação entre a China e os países lusófonos.

Em específico, Dominic Sio propôs que Hengqin cative cursos e docentes de topo de Portugal e do Brasil através das vantagens da ilha ao nível das políticas fiscais e de quadros, para criar um “instituto de investigação sob a cooperação sino-lusófona”, empenhado em desenvolver a cooperação internacional indústria-academia-investigação.

Além disso, sugeriu a concepção de um “laboratório ou centro de investigação conjunto sino-lusófono”, focado na agricultura, energia, ciências marinhas, entre outros domínios, por forma a promover a incubação e transformação dos frutos científicos e tecnológicos dos países lusófonos, dando também impulso à inovação e desenvolvimento de Hengqin. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau 


terça-feira, 11 de março de 2025

China - Membros da CCPPC querem isenção de direitos aduaneiros para produtos dos países lusófonos

A entrada de produtos dos países lusófonos em Hengqin sem direitos aduaneiros foi uma das propostas que os membros de Macau apresentaram à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Sugeriram assim uma maior abertura do mercado comercial da Ilha da Montanha com a importação de vinhos portugueses com isenção de direitos aduaneiros. Por outro lado, as autoridades de Guangdong avançaram com o plano de impor a possibilidade de passagem fronteiriça no posto de Hengqin sem apresentação de documentos de identificação



Os representantes de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) propuseram a isenção de direitos aduaneiros para as mercadorias oriundas dos países lusófonos que entram em Hengqin, nomeadamente os vinhos de Portugal.

No que toca à abertura de mercado da Ilha da Montanha, os responsáveis pedem também para introduzir políticas aduaneiras “mais convenientes” para facilitar o processo da importação dos produtos fabricados nos países de língua portuguesa.

A proposta foi apresentada conjuntamente por nove membros de Macau ao Governo Central, assinada por Leonel Alves, Chan Wa Keong, que são advogados e antigos deputados à Assembleia Legislativa; Huang Liuquan, subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM; Ho Ion Sang, Ip Sio Kai e Lam Lon Wai, actuais deputados do hemiciclo; Chui Chi Tou, editor-chefe do Jornal Ou Mun; Li Peng Bin, subdirector do Hospital Kiang Wu; e Francisco Ho Ka Lon, empresário.

Dessa forma, os membros da CCPPC consideram que os produtos dos países de língua portuguesa podem ser um ponto de partida para Hengqin se abrir e liberalizar a entrada dos produtos do exterior, complementando o desenvolvimento diversificado de Macau.

“Poderá haver problemas e riscos se as mercadorias, especialmente cigarros e bebidas alcoólicas, forem totalmente liberalizadas para entrarem em Hengqin. Portanto, temos de explorar caminhos viáveis a este respeito”, frisam. Os responsáveis salientam que o consumo dos produtos dos países lusófonos no interior da China ainda se encontra “dentro da gama controlável”, comparando com os de outros países, pelo que é “apropriado para ser um projecto piloto” de isenção de direitos aduaneiros.

A escolha de produtos lusófonos deve-se também ao facto de, segundo o documento, Macau ter vindo a operar a plataforma sino-portuguesa há muitos anos e “possui uma vasta experiência em matéria de intercâmbio económico e comercial”, e a abordagem pode consolidar melhor o papel da plataforma sino-portuguesa de Macau.

Deslocação entre fronteiras

A questão de facilitar a passagem fronteiriça entre Macau e o interior da China dominou uma reunião da delegação de Guangdong na Assembleia Popular Nacional (APN). Wang Weizhong, governador da província, revelou que está a promover medidas para acelerar a passagem fronteiriça no posto fronteiriço de Hengqin com isenção de apresentação de documentos de identificação.

O também vice-secretário do comité provincial do PCC indica que Pequim vai formular uma série de iniciativas de apoio a Hengqin e vai implementar mais políticas para a ligação dentro da Grande Baía centradas na circulação de pessoas e veículos.

O membro de Macau à APN, Kevin Ho, sugeriu acrescentar um visto de visita a Macau de talentos desportivos do Continente por ocasião dos Jogos Nacionais deste ano. Vong Hin Fai propôs medidas especiais para o acesso dos advogados de Hong Kong e de Macau à província de Guangdong através dos veículos de matrícula única, “promovendo a cooperação e o desenvolvimento dos serviços jurídicos e facilitando o estabelecimento de laços entre os advogados da Grande Baía e as empresas e organizações da província de Guangdong”, defendeu.

Supremo Tribunal Popular da China reforça protecção de direitos dos residentes de Macau

O Supremo Tribunal Popular da China admite trabalhar neste ano para reforçar a protecção dos direitos e interesses dos cidadãos, incluindo dos residentes de Macau, bem como aumentar a sensibilização sobre o Estado de direito. O mais alto órgão judicial da RPC apresentou no sábado o seu relatório sobre o trabalho onde revelou que, no ano passado, foram julgados 27.000 processos que envolviam Hong Kong, Macau e Taiwan, o que representa um aumento de 4,3% em relação ao ano anterior. Registaram-se também 7840 processos tratados com assistência jurídica mútua que envolviam Hong Kong, Macau e Taiwan, menos 15,4% face a 2023. Zhang Jun, presidente do Supremo Tribunal Popular, salientou ter criado uma plataforma de cooperação judicial e jurídica na Grande Baía que serve a promoção da convergência das normas judiciais e jurídicas entre de Guangdong, Hong Kong e Macau. O responsável acrescentou que sete organizações de mediação de Hong Kong e Macau estabeleceram cooperação no ano passado com os tribunais de Guangdong para resolução de litígios civis e comerciais transfronteiriços. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 7 de março de 2025

China - Sugerida criação de uma base logística sino-lusófona ao Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

O reforço da ligação comercial entre Macau e os países lusófonos está entre as propostas submetidas pelos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O empresário Francisco Ho Ka Lon propôs a construção de um centro logístico sino-lusófono em Hengqin para alargar a troca comercial entre o território, o interior da China e os países de língua portuguesa



As autoridades de Macau devem estudar a criação de uma base logística internacional sino-portuguesa em Hengqin, de forma a expandir a escala de importação e exportação de mercadorias a granel entre a região, o interior da China e os países de língua portuguesa, defende Francisco Ho Ka Lon numa proposta remetida ao Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC).

O representante de Macau no referido órgão consultivo político do Governo chinês argumentou que, para transformar a Ilha da Montanha num centro de comércio sino-português, deve utilizar-se bem o papel de Macau como ponte de ligação com o mundo lusófono. “Macau pode aproveitar a construção da base logística sino-portuguesa em Hengqin e expandir a escala de importação e exportação de mercadorias a granel, incluindo componentes electrónicos, aviões, automóveis e bens de gama média e alta”, defendeu.

Francisco Ho, desse modo, sublinhou que Macau pode assim planear a construção de uma série de bases de importação, bem como de locais de supervisão designados para a importação, com o objectivo de “promover o desenvolvimento de alta qualidade das indústrias locais relevantes em termos de produção, transformação e comércio”.

No documento, segundo o empresário, os dados indicam que, em 2023, as importações de Macau de produtos alimentares dos países lusófonos atingiram o valor de cerca de 1,25 mil milhões de patacas, o que representa mais de 87% do valor total das importações por parte da região. Os três tipos de produtos alimentares com valor de importação mais elevado foram, por ordem, magnésio, carne de porco congelada e carne de vaca congelada.

Já as exportações de Macau para os países de língua portuguesa, segundo o responsável, consistiram principalmente em produtos médicos e químicos orgânicos, automóveis e material impresso. “Sendo assim, a construção de um centro de comércio e distribuição dos produtos e alimentos pode apoiar eficazmente o desenvolvimento inovador do comércio de transformação, incentivando o alargamento do negócio da cadeia industrial”, frisou o empresário.

Por sua vez, Leonel Alves e Chen Ji Min sugeriram a criação de um parque universitário em Hengqin para acolher todas as instituições universitárias de Macau. Os dois membros da CCPPC lembraram que o planeamento de terrenos da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin prevê a reserva de uma parcela de 1,2 quilómetros quadrados para um campus universitário. Indicaram que o espaço “pode ser utilizado para permitir que as universidades de Macau funcionem de forma independente neste recinto e partilhem recursos como edifícios académicos, campos desportivos, bibliotecas e cantinas”.

Leonel Alves e Chen Ji Min pretendem estabelecer um centro regional para o desenvolvimento integrado do ensino internacional da ciência e tecnologia e dos recursos humanos. A ambição revelada na proposta de ambos inclui ainda construções de laboratórios de investigação científica e tecnologia a nível nacional.

Ding Xuexiang quer aumentar a confiança da população de Macau

Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro, disse esperar que a confiança da população de Macau no futuro possa ser aumentada depois de se compreenderem as principais políticas do país e as oportunidades de desenvolvimento. Neste caso, o político pediu aos membros de Macau na CCPPC que aprendam e reforcem a divulgação do “importante espírito” das “duas sessões” junto ao público da RAEM.

A declaração de Ding Xuexiang foi dada num encontro realizado ontem com os representantes de Macau da CCPPC. Em declarações à Rádio Macau em língua chinesa, Ho Ion Sang disse que Ding Xuexiang deu grande importância ao crescimento económico do território. Segundo o responsável, o vice-primeiro-ministro espera ainda que os membros de Macau na CCPPC apoiem plenamente o novo Governo e “visitem mais frequentemente a comunidade para conhecerem as necessidades da população, e reforcem os intercâmbios e a cooperação internacionais”, salientou.

Na mesma ocasião, Edmund Ho, vice-presidente da CCPPC, salientou que a visita de Ding Xuexiang aos membros de Macau “reflecte a afectuosa atenção” à região. Além disso, elogiou o relatório de trabalho do Comité Nacional da CCPPC, descrevendo-o como um relatório “pragmático e orientador” e que “reforça a confiança e inspira o moral das pessoas”. O antigo Chefe do Executivo, que presidiu à reunião conjunta dos delegados de Hong Kong e de Macau na CCPPC, revelou que o encontro concentrou-se na promoção da integração nacional acelerada de Hong Kong e Macau. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Macau - Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento ajudou três empresas lusas a entrar em Hengqin

Três empresas de capitais portugueses contaram com o apoio do IPIM para obter licenças comerciais em Hengqin, onde estão a operar em áreas como a consultoria jurídica e a gestão de projectos



O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse à Lusa que ajudou três empresas de capitais portugueses a estabelecer negócios em Hengqin. “Actualmente, existem três casos de investidores portugueses que obtiveram licenças comerciais na Zona de Cooperação [Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin]”, acrescentou o IPIM.

Numa resposta a questões enviadas pela Lusa, o organismo revelou que as três empresas de capitais portugueses estão a operar em “áreas como a consultoria jurídica e a gestão de projectos”.

O IPIM disse que as empresas de Macau com investimento estrangeiro, de Portugal, Alemanha, República Checa e Austrália, representam cerca de 7% dos pedidos recebidos para registo em Hengqin.

No dia 6 de Fevereiro, o IPIM indicou, em comunicado, que tinha recebido 100 pedidos de empresas de Macau, através de um serviço transfronteiriço de registo comercial na zona económica especial, com quase 90 já aprovados.

O instituto disse à Lusa que os restantes processos ainda não foram aprovados porque “incluem casos em acompanhamento, à espera de documentos adicionais ou em que houve ajustamentos efectuados pelos próprios requerentes”.

As empresas de Macau com capitais estrangeiros “estão optimistas” quanto a aproveitar a zona económica especial para uma expansão no mercado do Interior da China, referiu o IPIM, no comunicado divulgado no início de Fevereiro.

Mais de 40% das empresas de Macau que já apostaram em Hengqin estão envolvidas em indústrias de turismo e lazer integrados, saúde e bem-estar, finanças modernas, tecnologias de ponta, convenções e exposições, comércio, cultura e desporto, acrescentou o organismo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Macau - Universidade de Lisboa vai ajudar a criar Faculdade de Medicina

A Universidade de Lisboa vai ajudar a criar uma Faculdade de Medicina no novo campus da Universidade de Macau (UM), na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), disse um vice-reitor da instituição

“A Faculdade de Medicina, que será a primeira faculdade de medicina pública aqui em Macau, será feita em parceria com a Universidade de Lisboa. Já temos um acordo nesse sentido”, disse Rui Martins.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública TDM Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina (1:25) já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Macau inaugurou em setembro o Hospital Macau Union, o terceiro e o maior complexo de cuidados de saúde da região semiautónoma chinesa, com uma área de cerca de 430 mil metros quadrados.

O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital já prestava tratamentos de 24 especialidades, tendo começado a funcionar a título experimental em 20 de dezembro de 2023.

O hospital, com tecnologia e equipa de gestão do Peking Union Medical College Hospital, de Pequim, situa-se no Cotai, onde está localizada grande parte dos casinos em Macau, e abriu com 852 camas, 26 salas de cirurgia e um laboratório central.

No início de agosto, a então secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Elsie Ao Ieong U, disse esperar que o processo de recrutamento de pessoal médico termine “ainda este ano”.

Em abril, o líder do Governo cessante Ho Iat Seng disse que os hospitais da região tinham 24 médicos provenientes de Portugal.

Elsie Ao esteve em maio de 2023 em Portugal para tentar recrutar médicos portugueses.

Em dezembro de 2023, os Serviços de Saúde de Macau (SSM) disseram à Lusa que iriam propor a contratação de dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram.

Os SSM admitiram que alguns tinham desistido do processo porque, como tinham estatuto de residente em Macau, seriam obrigados a realizar internato e exames. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

China - Hengqin e Grande Baía apontadas como grandes oportunidades para empresários lusófonos

Dirigentes empresariais disseram à Lusa que a crescente integração de Macau com a vizinha Hengqin e com o sul da China é “uma grande oportunidade” para companhias lusófonas entrarem no mercado chinês



A liderança da zona especial económica de Hengqin “quer mesmo” atrair companhias lusófonas, em parte porque inclui pessoas “lá colocadas pelo governo de Macau que estão a par das vantagens deste sabor português que Macau tem”, explicou o presidente da Câmara de Comércio Europeia em Macau (MECC, na sigla em inglês).

Rui Pedro Cunha recordou que, ainda na pandemia de covid-19, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau já estava a estudar as leis dos países de língua portuguesa “para permitir que um contrato comercial feito em Hengqin possa especificar qual é o direito que se aplica”.

O dirigente sublinhou que as mercadorias estrangeiras transformadas em Hengqin, com um valor acrescentado de pelo menos 30%, podem depois aceder livremente ao resto da China continental.

De acordo com a Organização Mundial do Comércio, desde 2020 que os bens de consumo estrangeiros pagam uma tarifa alfandegária média de 6,9%, além de um Imposto de Valor Acrescentado (IVA) de 13%. “Pode ser uma extraordinária vantagem em comparação com produzir em Portugal, transportar para a China e depois ainda pagar direitos à entrada”, defendeu Cunha.

O presidente da MECC disse que as empresas portuguesas teriam “muito a ganhar em começar por Hengqin, até numa perspetiva de escala”, porque a China “é um território gigantesco”, com 1,4 mil milhões de pessoas. Cunha apontou a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau como a região “com maior probabilidade de sucesso”, uma vez que já concentra mais de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês.

Os empresários portugueses devem olhar para Macau, “não como 600 mil habitantes”, mas sim como parte de uma região “com um PIB 10 vezes o de Portugal e com perspetiva de crescimento acelerado”, disse o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa.

Uma vez que “a China pode assustar, porque é um país gigante”, Carlos Cid Álvares defendeu que as empresas lusófonas podem “apostar em Macau para fazer essa triangulação com negócios na Grande Baía”. Mas Rui Pedro Cunha admitiu que poderá não haver muitos interessados, uma vez que, “com exceção do Brasil e em Angola, em alguns setores, possivelmente não existirão empresários com uma dimensão interna que ponderem a expansão internacional”.

No caso do Brasil, acrescenta Carlos Cid Álvares, “85% dos negócios têm tal dimensão que passam diretamente por Pequim e não precisam de Macau”.

O Brasil é de longe o maior parceiro comercial da China entre os países lusófonos e, nos primeiros dez meses de 2023, o comércio bilateral subiu 8,4% em termos anuais para 160,4 mil milhões de dólares (152,8 mil milhões de euros).

Ainda assim, Carlos Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos, acredita que há estados brasileiros mais periféricos “para os quais poderia ser utilíssimo Macau e Hengqin como plataforma”.

Rui Pedro Cunha acredita que falta mais promoção, algo que foi impossível durante a pandemia. “Agora estão a começar a fazer visitas de charme para se darem a conhecer no exterior”, sublinhou o presidente da MECC, dando como exemplo, em setembro, a deslocação da liderança de Hengqin para falar com a agência de promoção de investimento de Oeiras. Mas, alertou Cunha, as empresas devem aproveitar “uma grande oportunidade”, porque algumas das políticas especiais em Hengqin “eventualmente deixarão de ser necessárias quando já existir uma determinada massa crítica”. In “Ponto Final” - Macau com “Lusa”