Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Brasil – Importações da China sustentam 5,2 milhões de empregos

As importações oriundas da China sustentaram 5,2 milhões de empregos no Brasil em 2024, mais do dobro dos postos ligados às exportações para o país asiático, segundo um estudo divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC)


O relatório, feito com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, mostra como o comércio bilateral cresceu quase cinco vezes em duas décadas, afetando não só os fluxos comerciais, mas também emprego, salários e dinâmicas sociais.

Embora os empregos ligados às exportações paguem salários mais altos, o impacto das importações é mais disseminado entre empresas e comunidades brasileiras, aponta o estudo.

Em 2024, a China foi destino de 28% das exportações brasileiras e origem de 24% das importações. Ao longo da última década, o Brasil acumulou um excedente de 276 mil milhões de dólares (235 mil milhões de euros) nas trocas com Pequim – 51% do seu ‘superavit’ comercial global. Em contraste, as trocas com Estados Unidos e União Europeia geraram um défice conjunto de 224 mil milhões de dólares (191 mil milhões de euros).

Esse ‘superavit’, no entanto, está concentrado em poucos setores e empresas: 80% das exportações em 2024 foram soja, minério de ferro e petróleo, e menos de 3000 empresas responderam por essas vendas. “Não importa se são soja ou máquinas. O problema é depender de poucos produtos e poucos mercados”, alertou Túlio Cariello, diretor de pesquisa do CEBC e coautor do estudo, no relatório.

Cariello rejeitou a ideia de que o setor de matérias-primas seja sinal de atraso, sublinhando décadas de inovação na agricultura tropical, extração de petróleo em águas profundas e na refinação de minério.

Enquanto as exportações permanecem concentradas, as importações mostram maior diversidade: mais de 40 mil empresas brasileiras compraram produtos da China em 2024 – quase 15 vezes mais do que aquelas que importaram de outros países sul-americanos.

As importações incluem eletrónica, máquinas, fertilizantes e químicos industriais – bens essenciais para setores como o agronegócio.

Camila Amigo, analista do CEBC, afirmou que o aumento do emprego ligado às importações não reflete uma mudança estratégica, mas sim a dependência de componentes estrangeiros. O desafio é transformar esses empregos em apoio à indústria nacional, disse.

Segundo Amigo, o Brasil pode beneficiar da reorganização das cadeias globais, à medida que fabricantes chineses investem no exterior, posicionando-se como polo industrial regional.

O estudo mostra que o Brasil exporta para a China com uma base empresarial muito mais estreita do que para outros mercados: menos de 3000 empresas venderam para o país asiático em 2024, contra quase 10.000 para os EUA e mais de 11.000 para o Mercosul.

Apesar de o número de categorias exportadas ter aumentado de 673 em 1997 para 2589 em 2024, a pauta continua dominada por produtos primários. Carnes, celulose, café e alguns produtos transformados começaram a ganhar espaço.

Nas importações, o Brasil comprou 6914 categorias de produtos da China em 2024, quase todas industriais: eletrónica, veículos, têxteis, farmacêuticos e componentes dominam a lista.

O emprego também reflecte esse desequilíbrio: entre 2008 e 2022, os postos ligados às importações cresceram 55%, enquanto os ligados às exportações aumentaram 62%, mas a partir de uma base menor.

Para reduzir a dependência, Cariello defendeu a reindustrialização com investimento estrangeiro direto. Amigo destacou, por outro lado, oportunidades ligadas à transição energética, como lítio, cobre e manganês, além de milho e frutas, que começaram a aceder ao mercado chinês.

Os dados de 2024 confirmam o peso da China: 73% da soja, 67% do minério de ferro e 44% do petróleo exportado pelo Brasil tiveram como destino o país asiático, que também comprou metade da carne bovina e do algodão brasileiros.

A crescente presença chinesa também gerou pressão sobre a indústria brasileira: algumas empresas, como siderúrgicas, acabaram vendidas a grupos chineses – um sinal de como comércio e investimento se interligam. “A questão é entender que partes dessas cadeias produtivas fazem sentido para o Brasil e como usá-las para apoiar a reindustrialização”, concluiu Amigo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 7 de março de 2025

China - Sugerida criação de uma base logística sino-lusófona ao Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

O reforço da ligação comercial entre Macau e os países lusófonos está entre as propostas submetidas pelos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O empresário Francisco Ho Ka Lon propôs a construção de um centro logístico sino-lusófono em Hengqin para alargar a troca comercial entre o território, o interior da China e os países de língua portuguesa



As autoridades de Macau devem estudar a criação de uma base logística internacional sino-portuguesa em Hengqin, de forma a expandir a escala de importação e exportação de mercadorias a granel entre a região, o interior da China e os países de língua portuguesa, defende Francisco Ho Ka Lon numa proposta remetida ao Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC).

O representante de Macau no referido órgão consultivo político do Governo chinês argumentou que, para transformar a Ilha da Montanha num centro de comércio sino-português, deve utilizar-se bem o papel de Macau como ponte de ligação com o mundo lusófono. “Macau pode aproveitar a construção da base logística sino-portuguesa em Hengqin e expandir a escala de importação e exportação de mercadorias a granel, incluindo componentes electrónicos, aviões, automóveis e bens de gama média e alta”, defendeu.

Francisco Ho, desse modo, sublinhou que Macau pode assim planear a construção de uma série de bases de importação, bem como de locais de supervisão designados para a importação, com o objectivo de “promover o desenvolvimento de alta qualidade das indústrias locais relevantes em termos de produção, transformação e comércio”.

No documento, segundo o empresário, os dados indicam que, em 2023, as importações de Macau de produtos alimentares dos países lusófonos atingiram o valor de cerca de 1,25 mil milhões de patacas, o que representa mais de 87% do valor total das importações por parte da região. Os três tipos de produtos alimentares com valor de importação mais elevado foram, por ordem, magnésio, carne de porco congelada e carne de vaca congelada.

Já as exportações de Macau para os países de língua portuguesa, segundo o responsável, consistiram principalmente em produtos médicos e químicos orgânicos, automóveis e material impresso. “Sendo assim, a construção de um centro de comércio e distribuição dos produtos e alimentos pode apoiar eficazmente o desenvolvimento inovador do comércio de transformação, incentivando o alargamento do negócio da cadeia industrial”, frisou o empresário.

Por sua vez, Leonel Alves e Chen Ji Min sugeriram a criação de um parque universitário em Hengqin para acolher todas as instituições universitárias de Macau. Os dois membros da CCPPC lembraram que o planeamento de terrenos da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin prevê a reserva de uma parcela de 1,2 quilómetros quadrados para um campus universitário. Indicaram que o espaço “pode ser utilizado para permitir que as universidades de Macau funcionem de forma independente neste recinto e partilhem recursos como edifícios académicos, campos desportivos, bibliotecas e cantinas”.

Leonel Alves e Chen Ji Min pretendem estabelecer um centro regional para o desenvolvimento integrado do ensino internacional da ciência e tecnologia e dos recursos humanos. A ambição revelada na proposta de ambos inclui ainda construções de laboratórios de investigação científica e tecnologia a nível nacional.

Ding Xuexiang quer aumentar a confiança da população de Macau

Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro, disse esperar que a confiança da população de Macau no futuro possa ser aumentada depois de se compreenderem as principais políticas do país e as oportunidades de desenvolvimento. Neste caso, o político pediu aos membros de Macau na CCPPC que aprendam e reforcem a divulgação do “importante espírito” das “duas sessões” junto ao público da RAEM.

A declaração de Ding Xuexiang foi dada num encontro realizado ontem com os representantes de Macau da CCPPC. Em declarações à Rádio Macau em língua chinesa, Ho Ion Sang disse que Ding Xuexiang deu grande importância ao crescimento económico do território. Segundo o responsável, o vice-primeiro-ministro espera ainda que os membros de Macau na CCPPC apoiem plenamente o novo Governo e “visitem mais frequentemente a comunidade para conhecerem as necessidades da população, e reforcem os intercâmbios e a cooperação internacionais”, salientou.

Na mesma ocasião, Edmund Ho, vice-presidente da CCPPC, salientou que a visita de Ding Xuexiang aos membros de Macau “reflecte a afectuosa atenção” à região. Além disso, elogiou o relatório de trabalho do Comité Nacional da CCPPC, descrevendo-o como um relatório “pragmático e orientador” e que “reforça a confiança e inspira o moral das pessoas”. O antigo Chefe do Executivo, que presidiu à reunião conjunta dos delegados de Hong Kong e de Macau na CCPPC, revelou que o encontro concentrou-se na promoção da integração nacional acelerada de Hong Kong e Macau. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 25 de julho de 2024

Comércio Internacional de mercadorias de Portugal com a China (2022-2023 e Janeiro-Maio 2023-2024)

Ao longo do último quinquénio, o ritmo de evolução anual do valor das importações portuguesas com origem na China (2019=100) foi sustentadamente crescente, atingindo em 2022 um crescimento significativo face a 2019 (188,8%), tendo desacelerado em 2023 (176,8%).

Por sua vez o ritmo das exportações portuguesas com este destino, à excepção do ano 2020 (94,3%), manteve-se até 2022 ligeiramente acima do nível de 2019, tendo registado um acréscimo significativo em 2023 (127,8%). Walter Marques – Portugal in “ECOPOR”


Aceda ao artigo completo em ECOPOR – Economia Portuguesa.


segunda-feira, 15 de julho de 2024

China - Quer trabalhar com Países Baixos em prol de “cadeias de abastecimento estáveis”

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, disse ao homólogo neerlandês que a China está “disposta a trabalhar” com o país europeu para “assegurar a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento”

As relações entre os dois países foram abaladas pelas restrições impostas pelos Países Baixos às exportações de equipamento de fabrico de semicondutores, componentes essenciais na produção de alta tecnologia, para a China.

Os semicondutores e a tecnologia necessária para a sua produção são cada vez mais sensíveis, à medida que Pequim tenta desenvolver a própria indústria de alta tecnologia, o que tem implicações militares.

Wang sublinhou “o valor” que a China atribui aos seus laços com os Países Baixos, manifestando o desejo de estabelecer “contactos estreitos” com o novo governo neerlandês, segundo um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático.

Reiterou também o “apoio da China ao processo de integração europeia e ao crescimento e desenvolvimento” da União Europeia (UE), sublinhando a importância da “independência estratégica da região”.

Wang condenou as recentes “acusações infundadas feitas contra a China” na cimeira da NATO, realizada esta semana em Washington. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, criticou Pequim por “apoiar a economia de guerra russa” contra a Ucrânia e avisou que “a China não pode facilitar o maior conflito na Europa na história recente sem afetar negativamente os seus interesses e reputação”. Wang defendeu o historial de paz e segurança da China, reafirmou o papel de Pequim como “força estabilizadora na comunidade internacional” e instou a aliança transatlântica a “evitar interferir nos assuntos” da Ásia.

O chefe da diplomacia neerlandesa, Caspar Veldkamp, reconheceu a “força e robustez” da atual relação entre a China e os Países Baixos, apontando a China como uma “grande potência global” e o “principal parceiro económico e comercial” dos Países Baixos na Ásia, de acordo com a nota da diplomacia chinesa. Veldkamp sublinhou ainda a importância das relações entre UE e China, apelando a uma “cooperação construtiva” que não seja prejudicada por divergências, numa altura em que são frequentes as fricções comerciais entre o bloco europeu e Pequim.

Os Países Baixos impuseram no ano passado controlos mais rígidos sobre as exportações de tecnologia que usa luz ultravioleta para gravar circuitos nos ‘chips’ mais avançados.

Com sede na cidade de Veldhoven, no sul dos Países Baixos, a firma ASML é o único fornecedor global deste tipo de tecnologia. O Governo dos Países Baixos proibiu a ASML de exportar algumas das suas máquinas para a China em 2019, mas a empresa ainda vendia sistemas de litografia de qualidade inferior ao país asiático. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 29 de agosto de 2023

Brasil - Novo estudo da Apex aponta Portugal como “maior destino das exportações” brasileiras no cenário da CPLP

Os países da CPLP apresentam mais de 1400 oportunidades para as exportações brasileiras, segundo estudo


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o Perfil CPLP, um estudo que traz análises e informações sobre comércio, questões de acesso a mercado e investimentos entre os países que fazem parte desta Comunidade. O anúncio foi feito durante a XIV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que teve lugar no último dia 27 de agosto, em São Tomé e Príncipe.

A seguir a publicação dos perfis bloco Mercosul, União Europeia e BRICS, a Inteligência da ApexBrasil lançou esta semana o Perfil CPLP, com informações sobre o cenário do comércio internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e os seus nove países-membros.

Comércio exterior

O estudo aponta que entre os desafios a serem superados na relação comercial entre os países da CPLP está a questão da logística para possibilitar “maior circulação de produtos e pessoas”. Outro desafio identificado é a “promoção de uma maior integração de negócios entre os diversos países e ainda a possibilidade da criação de um banco de fomento”.

Hoje, a CPLP é o 14° principal destino das exportações brasileiras, e os dados mostram que “há espaço para crescimento”. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 1451 oportunidades comerciais para empresas brasileiras nos países-membros da Comunidade, com destaque para óleos brutos de petróleo, tubos de ferro ou aço, produtos laminados, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos de transporte.

Exportações brasileiras

As exportações do Brasil para a CPLP ainda concentram-se em bens de menor valor agregado. Óleos brutos de petróleo, soja e milho não moído representam 62% das exportações. Outros produtos com destaque são laminados de ferro ou aço, açúcares, carnes de aves e preparações de carne, que contam com exportações acima de US 100 milhões.

Entre os parceiros comerciais do Brasil na CPLP, Portugal aparece destacadamente como o maior destino das exportações, com participação de 84,3% em 2022, expressivamente maior que o segundo destino, Angola, com 12,6%.

Segundo o Perfil, o comércio brasileiro com a CPLP mostra tendência de crescimento. Entre 2018 e 2022, as exportações brasileiras para os países da Comunidade apresentaram um crescimento médio anual de 26,6%. Para o biénio 2022-2024, é esperado crescimento médio anual de 3,6%.

Importações de países da CPLP

As importações brasileiras provenientes da CPLP também são relativamente concentradas: os cinco principais grupos de produtos representam cerca de 75% da pauta, com destaque para Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus (28,8%), Gorduras e óleos vegetais, “soft”, bruto, refinado ou fracionado (17,8%), no segmento de commodities, e no segmento de produtos com maior valor agregado: aeronaves e outros equipamentos, incluindo as suas partes (7,1%), e Bebidas alcoólicas (3,7%).

Em 2022, Portugal foi também a maior origem das importações brasileiras, com participação de 56,3%. Entre os principais produtos estão azeite de oliva e partes e peças de aeronaves, sendo estes últimos devido à operação de subsidiária da Embraer naquele país. Após Portugal, Angola segue como a segunda maior origem de importações, com 43,6%, com, basicamente, Óleos brutos de petróleo.

Entre os principais fornecedores para o mercado brasileiro, os Estados Unidos concorrem com os países da CPLP em Óleos brutos e Óleos combustíveis de petróleo.

Acesso a mercados

Segundo informações de entidades ligadas ao governo do Brasil, “não existe acordo de comércio entre todos os membros da CPLP. Da mesma forma, nenhum dos países da CPLP possui acordo comercial com o Brasil. No entanto, Mercosul e União Europeia concluíram, em 2020, as negociações para a criação de uma área de livre comércio. Atualmente, os textos do acordo estão em fase de revisão jurídica para posterior assinatura e processo de internalização”.

Entre os grupos de produtos mais protegidos, destacam-se alíquotas incidentes nos grupos “bebidas e tabaco” com tarifas variando entre 15,8% e 56,6%, considerando cinco dos noves países analisados. O grupo “vestuário” aparece como um dos mais protegidos em quatro dos nove países analisados, com variação tarifária entre 20% e 35%. Dentre os países da CPLP, Timor-Leste é o que possui menor tarifa simples NMF, média de 2,5%.

Em termos comparativos, a CPLP, como um conjunto, ocuparia a 18ª posição no ranking de stock de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil em 2021.Entre 2012 e 2015, o stock de IED da CPLP no Brasil teve uma redução, voltando a crescer a partir de 2016. Em 2021, alcançou US 11,9 mil milhões, impulsionado pelo crescimento do stock de IED português no país.

Pela ótica do número de empresas que operam no Brasil, houve um aumento significativo da quantidade de empresas portuguesas entre 2010 e 2020, com redução do número de empresas angolanas. Além destes, entre os membros da CPLP, apenas Cabo Verde tem empresa operando no Brasil. No total, o número de empresas de países da CPLP que atuavam no país em 2020 era de 796.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se os vários investimentos da EDP (Portugal) no Brasil entre os quais a fábrica de hidrogênio verde em São Gonçalo do Amarante-CE (2022), e a abertura do Data Center da Angola Cables em Fortaleza-CE, em 2023.

Quanto aos investimentos do Brasil em países da CPLP, o stock de IED brasileiro cresceu 38% entre 2020 e 2021, registando US 6,97 mil milhões em 2021, distribuídos entre Portugal (US 5,6 mil milhões), Angola (US 1,2 mil milhões), Moçambique (US 68,4 milhões) e Guiné Equatorial (US 39,5 milhões).

Em termos comparativos, o conjunto dos países da CPLP ficaria na 13ª posição no ranking de destino do stock de IED brasileiro em 2021. Essa posição já chegou a ser a décima entre 2012 e 2013.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se o anúncio da fábrica de motores elétricos da WEG em Santo Tirso, Portugal, estimada em US 27 milhões em 2022; a abertura da sede regional da TV Miramar (Record) em Maputo, Moçambique em 2023, estimada em US 65 milhões, e a sede regional da Transdata em Luanda, Angola em 2023, estimada em US 27 milhões.

“Os estudos Perfil País oferecem visão panorâmica e análises sucintas sobre os principais mercados mundiais, permitindo às empresas brasileiras rápido acesso aos aspetos mais relevantes para comércio e investimentos. Estão disponíveis informações como oportunidades para negócios brasileiros no país, macroeconomia, balança comercial, principais concorrentes e fornecedores, governança, investimentos e acordos em comércio internacional, entre outras”, informou a ApexBrasil.

Aposta da FUNCEX Europa

Em maio deste ano, a nossa reportagem revelou que o espaço económico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai contar com o maior banco de dados de comércio exterior alguma vez já produzido. Foi o que assegurou, na altura, Higor Ferro Esteves, diretor geral da FUNCEX Europa, entidade localizada em Portugal, e que serve de base de atuação, no velho continente e na África, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – FUNCEX, com sede no Brasil. Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), é uma das impulsionadoras desta solução que promete dar “maior qualidade” às conexões comerciais das nações lusófonas.

O projeto foi anunciado no último dia 24 de abril em Lisboa, durante um evento que discutiu as “Relações Comerciais – Brasil – CPLP” e que foi organizado pela FUNCEX, em parceria com a CE-CPLP e o banco português Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras. Esta iniciativa decorreu no âmbito da Cimeira Luso-Brasileira e teve como intuito “fortalecer as relações comerciais e de cooperação entre o Brasil e a CPLP”.

Segundo apurámos, o banco de dados vai surgir fruto de um protocolo assinado entre a FUNCEX e a CPLP e vai possibilitar cruzar os dados comerciais dos nove países aderentes à CPLP. A ideia é fomentar o comércio dos Estados-membro da CPLP entre si e com outros países.

António Pinheiro, presidente da FUNCEX, disse que a parceria com a Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa é “fundamental” no processo de internacionalização da Fundação que preside e que um dos objetivos da entidade é “estabelecer conexões ainda mais profundas com a CPLP, tendo como parceira fundamental a CE-CPLP, uma organização fundada em Lisboa em 2004 e que visa incentivar a cooperação económica entre os Estados-membros com foco nos seis espaços económicos onde estão inseridos”.

Entenda a CPLP

A CPLP destaca-se por ser um foro multilateral de cooperação entre os países de língua portuguesa, integrado por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor-Leste. Criado em 1996, o grupo procura “fomentar a concertação política entre os seus membros, a cooperação em todos os domínios e a difusão da língua portuguesa”.

O ponto de partida para a formação da CPLP foi a língua portuguesa e o seu significado como herança cultural partilhada. A partir destes laços culturais, os países membros articularam crescente cooperação multitemática, na qual as questões económicas ganham crescente importância. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Comércio internacional de mercadorias de Portugal no âmbito da CPLP (2018 a 2022)

A “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP) foi criada em 1996, sendo seus países fundadores Angola, o Brasil, Cabo Verde, a Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Em 2002 foi admitido Timor-Leste e mais recentemente, em 2014, a Guiné-Equatorial, observador associado que foi desde 2006.

Entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, situa-se o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento de obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços, tornando-a assim numa importante alavanca para o desenvolvimento do espaço económico lusófono e consequente melhoria das condições de vida das suas populações.

Pretende-se neste trabalho analisar, através de quadros e gráficos, a evolução das importações e exportações efectuadas por Portugal com cada um dos seus parceiros na CPLP no período de 2018 a 2022, a partir de dados de base do Instituto Nacional de Estatística (INE), em versão definitiva até 2021 e preliminar para 2022, com última actualização em 10 de Julho de 2023.

Para o cálculo do peso de Portugal nas importações e nas exportações de cada um dos parceiros comunitários foram utilizados, para Portugal, dados de base do (INE), considerados mais correctos para o fim em vista, e para os parceiros na CPLP estatísticas do International Trade Centre (ITC) calculadas a partir de diversas fontes. Walter Marques – Portugal “ECOPOR - Economia Portuguesa

Para aceder ao artigo completo clique aqui.

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Macau - Importações de mercadorias produzidas em países de língua portuguesa cresceram 65,1% em Janeiro

O valor importado para Macau de mercadorias produzidas nos países de língua portuguesa foi, em Janeiro, 125 milhões de patacas, ou seja, mais 65,1% do que em Janeiro do ano passado. A informação foi divulgada ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

As estatísticas do mês de Janeiro de 2023 mostram que foram exportadas 899 milhões de patacas de mercadorias, menos 37,2%, face ao idêntico mês de 2022. O valor da exportação doméstica (89 milhões de patacas) diminuiu 55,4%. A DSEC destaca que o valor da exportação doméstica de vestuário e o de produtos farmacêuticos e produtos químicos orgânicos caiu 79,8% e 50,3%, respectivamente. No mês em análise importaram-se 10,45 mil milhões de patacas de mercadorias, ou seja, menos 24,7%, em termos anuais. Realça-se que os valores importados de: telemóveis; joalharia em ouro, bem como produtos de beleza, de maquilhagem e de cuidados da pele diminuíram 56,8%, 37,1% e 32,8%, respectivamente. Todavia, os valores importados de componentes electrónicos e de alimentos e bebidas aumentaram 102,1% e 2,5%, respectivamente.

Os valores exportados de mercadorias para Hong Kong (713 milhões de patacas), para os Estados Unidos da América (19 milhões de patacas) e para a União Europeia (7 milhões de patacas) em Janeiro de 2023 desceram 38,4%, 67,7% e 59,9%, respectivamente, face ao idêntico mês do ano transacto. O valor exportado de mercadorias para o interior da China fixou-se em 57 milhões de patacas (menos 35,7%, em termos anuais).

Quanto aos países ou territórios de origem, os valores importados de mercadorias produzidas na União Europeia (3,76 mil milhões de patacas) e no interior da China (3,01 mil milhões de patacas) em Janeiro de 2023 caíram 25,4% e 29,4%, respectivamente, face ao idêntico mês do ano transacto. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 24 de março de 2022

Portugal - Porto de Aveiro reforça ligações marítimas com Rio Grande do Sul e Imbituba

O porto de Aveiro vai reforçar as ligações marítimas com os portos brasileiros de Rio Grande do Sul e Imbituba, visando incrementar o segmento de carga geral fracionada, segundo fonte portuária.

O reforço das ligações aos dois portos brasileiros resulta de contatos estabelecidos pela administração portuária, a Perez Torres Maritima Iberica e a Portline, durante a “Intermodal South América”, principal evento de logística, transporte de cargas e comércio exterior da América do Sul, que decorreu entre os dias 12 e 17, na São Paulo Expo.

O objetivo do reforço das ligações marítimas transatlânticas é o crescimento do comércio internacional de carga geral fracionada, segmento em que o porto de Aveiro já é líder nacional.

“Das reuniões com empresários portugueses e brasileiros dos portos do Rio Grande do Sul e de Imbituba resultou o compromisso de promover dois memorandos de entendimento para reforçar as ligações marítimas e a cooperação com estes portos, ainda em 2022”, dá conta a administração portuária.

Após dois anos de interregno, o principal encontro da América do Sul dos setores logístico, de transporte de cargas multimodal e de tecnologia associada ao transporte, que este ano assinalou a sua 26.ª edição, voltou a reunir em São Paulo os profissionais da cadeia logística, nos formatos físico e digital de forma simultânea.

De acordo com dados da administração portuária, o porto de Aveiro cresce 21,6% no mês de fevereiro, tendo movimentado mais 21,6% de mercadorias face ao período homólogo, com um total de 457369 toneladas.

Na carga geral fracionada verificou-se um aumento de 99,2%, impulsionado pelo contributo dos produtos florestais, com um total de 134995 toneladas. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

sábado, 19 de março de 2022

Rússia - Abre novas vias com a China para transporte de mercadorias

A Rússia abriu uma nova rota ferroviária de mercadorias com a China, através do Cazaquistão, que permitirá a entrega de contentores em 18 dias, noticiou a agência oficial russa TASS.

A nova linha ligará a cidade de São Petersburgo, no Mar Báltico, a Shenzhen, uma cidade do sul da China adjacente a Hong Kong, que estão separadas por mais de 7500 quilómetros.

“Organizámos um serviço multimodal terrestre entre a China e a Rússia através do Cazaquistão. Foi aberta uma nova rota com um tempo de entrega de contentores de 18 dias entre Shenzhen e São Petersburgo”, anunciou a empresa ferroviária russa, citada pela TASS.

A agência disse que um primeiro comboio com contentores com bens de consumo partiu já este mês, sem precisar o dia, passando pelos postos fronteiriços de Khorgos-Altynkol, entre a China e o Cazaquistão, e Semiglavy Mar-Ozinki, entre este país e a Rússia.

No futuro, a empresa pretende assegurar a entrega regular de mercadorias nesta rota e enviar quatro comboios todos os meses, segundo a TASS.

A empresa ferroviária russa organizou anteriormente um novo serviço de contentores entre o terminal de Stupino, na região de Moscovo, e o porto de Vanino, no território de Khabarovsk, no extremo oriental da Rússia junto à fronteira com a província chinesa de Heilongjiang (nordeste).

As infra-estruturas existentes nesta linha permitirão a circulação mensal de até oito comboios de contentores.

A TASS não indicou a data em que este serviço começou a funcionar, nem se as novas rotas com a China vão contribuir para a Rússia enfrentar as sanções que lhe foram impostas por ter invadido a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

A União Europeia (UE) e países como os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão ou a Austrália decretaram duras sanções contra interesses russos que afetam praticamente todos os setores da economia.

Na segunda-feira, o conselheiro de segurança nacional norte-americano, Jake Sullivan, advertiu a China de que terá um preço a pagar se ajudar a Rússia a ultrapassar as sanções.

O alerta foi transmitido por Sullivan durante uma reunião, em Roma, com uma delegação chinesa liderada pelo chefe do gabinete do Partido Comunista da China para os Assuntos Externos, Yang Jiechi.

A posição ambígua da China em relação à invasão da Ucrânia foi contestada esta semana pelo académico e analista Hu Wei, que defendeu que Pequim deve “abdicar da neutralidade e escolher a posição dominante no mundo”.

“A China só pode salvaguardar os seus próprios interesses ao escolher o menor de dois males, afastando-se da Rússia o mais rápido possível”, escreveu Hu, que é vice-presidente do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas do Gabinete do Conselho de Estado.

A primeira ligação ferroviária para transporte de carga entre a Rússia e a China foi inaugurada em 2013, com destino final em Almati, a maior cidade do Cazaquistão.

Nos últimos anos, novas vias passaram a incluir o resto da Ásia Central, Médio Oriente e a região do Cáucaso, com paragem final na Alemanha, Polónia, Bélgica ou Espanha.

O percurso entre o centro da China e a Europa leva 12 dias a ser percorrido. É um terço do tempo necessário por via marítima, mas que também acarreta habitualmente mais custos.

Durante a pandemia de covid-19, porém, o preço do transporte por navio entre a China e a Europa quase quadruplicou, devido à escassez de contentores, atingindo valores recorde.

O comércio entre a China e a Rússia subiu 35,9%, em 2021, em termos homólogos, para um valor recorde de 146,9 mil milhões de dólares, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

A Rússia é um importante fornecedor de petróleo, gás, carvão e bens agrícolas, beneficiando de um superavit comercial com a China.

Desde que sanções contra a Rússia foram impostas, em 2014, depois da anexação da Crimeia, o comércio bilateral entre Pequim e Moscovo cresceu mais de 50%. A China tornou-se o maior destino das exportações da Rússia. In “Hoje Macau” - Macau

 

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Internacional - O desenvolvimento da China fortalece os países de língua portuguesa


A China tem-se revelado um parceiro comercial da maior importância para os oito Países de Língua Portuguesa (PLP). Estas nações têm uma enorme diversidade geográfica, uns são continentais, outros são arquipélagos e estão dispersos por todos os continentes: na África estão cinco – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe; na Ásia está Timor-Leste; na América está o imenso Brasil; e na Europa está Portugal. Contudo, todos têm uma característica comum com a China, o facto de terem o oceano a uni-los e, nos últimos anos, todos têm vindo a celebrar acordos económicos significativos com este país. Estas características são importantes para os PLP explorarem, a seu favor, as respectivas participações na iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”.

Os PLP usufruem de vantagens concorrenciais, se beneficiando de um melhor acesso a financiamento, crédito e facilidades económicas da China, pelo facto de terem estreitas relações com a cidade chinesa de Macau (de origem portuguesa). Desde o regresso de Macau à China (criação da RAEM em Dezembro de 1999) que o governo central do país tem vindo a promover o desenvolvimento da região, nomeadamente, com a criação, em 2003, do Fórum para a Cooperação Económica e o Comércio entre a China e os Países de Língua Portuguesa, mais conhecido por Fórum Macau.

A importância do Fórum Macau foi expressamente destacada pelo presidente chinês, Xi Jinping, e pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, nas duas reuniões realizadas com o Governo da RAEM, em Pequim, no passado dia 21 de Dezembro. Para além da integração de Macau no projecto da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau (iniciativa que agrega 11 cidades, onde se incluem Macau e Hong Kong), o Governo central reforçou o apoio a Macau com o projecto da “Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, iniciativa que pretende promover a diversificação e sustentabilidade das actividades económicas de Macau, para “contribuir para o novo avanço da integração de Macau no desenvolvimento” da parte continental da China. Tendo Xi Jinping referido que “a pátria é sempre o forte apoio para a manutenção da estabilidade e da prosperidade de Macau a longo prazo.

Deste modo, o Governo Central vai continuar a cumprir firme e escrupulosamente o princípio de Um País, Dois Sistemas’ e apoiar plenamente a diversificação adequada da economia” de Macau.

As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa foram de US$167,565 mil milhões, entre Janeiro e Outubro de 2021, um aumento homólogo de 40,92%. As importações Chinesas dos Países de Língua Portuguesa foram de US$115,431 mil milhões, um aumento homólogo de 35,12%, sendo as exportações da China para os Países de Língua Portuguesa de US$52,134 mil milhões, correspondendo a 55,69% de aumento homólogo1. Podemos constatar que a balança comercial é, globalmente, muito favorável aos PLP, com um superavit de 63,297 mil milhões.

Os valores das trocas comerciais da China com os PLP colocam o Brasil em primeiro lugar, seguido de Angola, Portugal, Moçambique e com valores bem inferiores Timor-Leste, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Desde 2009 que o Brasil tem feito da China o seu principal parceiro comercial, quer ao nível das exportações, quer das importações, substituindo cerca de um século de primazia dos EUA. A imensidão continental do Brasil justifica que ocupe, isolado, o primeiro lugar nas trocas comerciais dos PLP com a China. Só as trocas do Brasil, entre Janeiro e Outubro de 2021, totalizam US$138,005 mil milhões, sendo a balança comercial favorável ao Brasil em US$51,774 mil milhões. Algumas previsões internacionais, nomeadamente do FMI, assinalam as potencialidades económicas do Brasil que, ao recuperar da grave crise pandémica, poderá ascender da actual situação de 12.ª maior economia do mundo, em termos de PIB, em 2020, para a 7.ª e mesmo, a médio prazo, para a 4.ª economia do mundo. Não é assim de estranhar que o Brasil tenha sido escolhido para integrar a plataforma de relacionamento internacional com a China – os Brics, que partilha com a Índia, a Rússia e a África do Sul.

O relacionamento da China com os Países Africanos de Língua Portuguesa acompanha o sucesso da China na África, o qual pode ser explicado com base em três principais razões: a China não é um novo parceiro, desde muito cedo que apoiou a independência dos países africanos do colonialismo europeu; a China não impõe a sua visão ou modelo político, como condição para apoiar o desenvolvimento dos países africanos, ao contrário dos governos dos EUA e da Europa; por fim, e não menos importante, os investimentos da China respondem às necessidades estruturais dos países que pedem esse apoio, investindo, nomeadamente, em infraestruturas essenciais ao desenvolvimento autónomo desses países. O comércio entre a China e a África atingiu US$167,8 mil milhões nos primeiros 11 meses de 2020, sendo Angola o terceiro maior parceiro comercial da China no continente africano.

Desde 2012 que a União Europeia deixou de ser o principal parceiro de África. A China é um dos mais importantes parceiros comerciais deste continente tendo, em 2009, ultrapassado os EUA e é o principal parceiro comercial da África do Sul (absorve 2/3 do capital chinês investido na África).

Apesar da pressão contra e ilegítima do governo dos EUA, Portugal e os Países de Língua Portuguesa integraram a Iniciativa Chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”, o maior projecto mundial de comunicação intercontinental, de adesão voluntária e baseado no interesse comum dos países participantes.

Durante a visita de Xi Jinping a Portugal, em Dezembro de 2018, foram assinados 17 protocolos, entre os quais podemos destacar: a abertura de portos portugueses ao transporte marítimo chinês para a Europa e para a África; a abertura às novas tecnologias e ao apoio a centros de investigação científica dedicados ao Espaço e aos Oceanos.

Dando continuidade aos compromissos assumidos, Portugal foi o primeiro país da União Europeia a emitir obrigações do tesouro em Renminbi (Panda Bonds, em maio de 2019, cuja emissão foi um sucesso).

É nossa firme convicção, ser do interesse estratégico da Europa, de Portugal e de todos os países de língua portuguesa, reforçarem as respectivas Parcerias Estratégicas com a China (sem esquecer a Rússia e a Índia e, naturalmente, sem hostilizar a América). É neste contexto que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” se transformou num importante e consistente projecto para promover um mundo pacífico, através de uma rede de comércio ligando o Oriente e o Ocidente.

Portugal e a Europa devem rejeitar hostilizar a China, recusando o espírito de guerra fria ou de cruzada de nós (os “bons”, os “democratas” do Ocidente) contra os outros (os “maus” do Oriente, o papão do comunismo e da China).

É possível, é necessário, contar com a China para reforçar o espírito de confiança mútua entre os países, para o sucesso urgente no triplo combate, deste mundo globalizado, à pandemia da Covid-19, às alterações climáticas e à diminuição da iníqua partilha de riqueza.

1 Segundo as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, de janeiro a outubro de 2021,https://www.forumchinaplp.org.mo/pt/trocas-comerciais-entre-a-china-e-os-paises-de-lingua-portuguesa-de-janeiro-a-outubro-de-2021-foram-de-us167565-mil-milhoes/ Rui Lourido – Portugal in “Hoje Macau”


 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Cabo Verde - Grupo ETE de Portugal vai fortalecer o comércio do país com os mercados asiático e africano

O Grupo ETE de Portugal está a lançar uma joint venture para impulsionar o comércio internacional de Cabo Verde com os mercados da Ásia e África.

Denominada NANAMI, a joint venture reúne o grupo português com Steelduxx, SevenLog Ghana e TST Japan. Em nota, o vice-presidente do grupo ETE em Cabo Verde, Jorge Maurício, disse que a iniciativa vai contribuir para atrair novos clientes e dinamizar o comércio.

“O Grupo ETE está a construir um modelo global de infraestrutura de serviço em Cabo Verde, oferecendo soluções integradas que, dia após dia, visam consolidar o seu compromisso com o desenvolvimento económico e social do país. E parte disso é a promoção de relações comerciais e intercâmbios com outros países africanos ou de outros continentes”, afirma Maurício.

Sediada em Antuérpia, a NANAMI concentra-se em serviços integrados de logística, agenciamento, afretamento e serviços marítimos, gestão de navios e consultoria marítima, o que, segundo Jorge Maurício, representa “uma contribuição fundamental” para a fluidez das cadeias logísticas.

“O surgimento do NANAMI vai ajudar a facilitar a penetração das empresas asiáticas no mercado cabo-verdiano e, ao mesmo tempo, promover novos negócios entre este mercado e o mercado asiático, resultando numa maior dinamização do comércio internacional”, acrescenta.

Segundo o vice-presidente do grupo ETE em Cabo Verde, vários factores tornam Cabo Verde um país cada vez mais favorável ao dinamismo do comércio internacional. In “Notícias do Norte” – Cabo Verde

 

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Brasil - Privatização: é preciso bom senso

São Paulo – Estudo preparado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) mostra que, se não houver nenhuma recidiva na pandemia de coronavírus (covid-19), especialmente com o aparecimento de possíveis variantes mortais, como a Delta, particularmente contagiosa, o comércio internacional poderá crescer 10,8%, em vez dos 8% que foram estimados em março. Superada a fase mais aguda da pandemia, esse crescimento poderia ser maior, se não houvesse, como consequência daquele mal, escassez de contêineres e atraso na movimentação de cargas nos portos.

Segundo dados da OMC, a expectativa de crescimento na América do Sul é de 7,2% nas exportações neste ano. Já as importações devem crescer 19,9%, indicando uma retomada da atividade na região. Ao mesmo tempo, o comércio de serviços deverá ficar atrás da expansão das trocas de mercadorias, sobretudo nos setores ligados ao turismo. Para 2022, a OMC prevê uma expansão de 5,3% da economia mundial.

Seja como for, o Porto de Santos precisará estar preparado para a retomada dos índices que foram registrados no período pré-pandemia. É o que se espera a partir da efetivação das mudanças previstas pelo Ministério da Infraestrutura, que não são poucas. No primeiro trimestre de 2022, será leiloado o arrendamento do terminal STS 11, na margem direita. Além disso, para os próximos quatro anos, estão previstos 11 leilões, que deverão render cerca de R$ 10 bilhões que serão investidos com o arrendamento de áreas, infraestrutura nos terminais com contratos vigentes e acesso rodoferroviário.

Ainda neste mês de novembro, serão leiloados os terminais STS 08 e STS 08A destinados a granéis líquidos minerais. Já o leilão do STS 53, destinado a granéis sólidos minerais, será em 2022. Outros leilões estão previstos, mas ainda sem data. São eles: STS 10 e o TRA (Terminal Retro Alfandegado) Saboó e TRA Margem Esquerda, destinados à movimentação de contêineres. O STS 11, no bairro de Paquetá, será arrendado para um terminal destinado a granéis sólidos vegetais (soja em grão, farelo de soja, milho, açúcar e desembarque de trigo). Segundo a Santos Port Authority (SPA), estão previstos, inicialmente, investimentos estimados em R$ 693 milhões para uma área de 114,7 mil metros quadrados, com capacidade para armazenar 397 mil toneladas. Esses arrendamentos terão um prazo inicial de 25 anos.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, a desestatização do Porto de Santos deverá gerar investimentos que serão destinados ao aprofundamento do calado, serviços de dragagem, acessos terrestres, a construção do túnel Santos-Guarujá, entre outras obras e serviços. O novo operador deverá assumir a administração da SPA, empresa com controle majoritário do governo federal, responsável pela gestão e fiscalização das instalações portuárias e das infraestruturas públicas.

Se vai dar certo, não se sabe, mas, a se levar em conta experiências anteriores, a privatização tem sido benéfica para o País. Basta ver que o serviço de telefonia teve um salto de qualidade após a privatização da Telebras, enquanto outras empresas privatizadas que antes eram deficitárias passaram a registrar lucros, como o Vale e a CSN, que hoje geram em impostos mais receita à União do que quando estavam sob controle estatal.

Já na área de energia elétrica, a experiência não tem sido exitosa. Basta ver que, em Goiás, com a venda da Companhia Energética de Goiás (Celg) para a Ente Nazionale per l´Energia Elettrica (Enel), a energia elétrica ficou bem mais cara para o consumidor. O curioso é que o governo italiano é o maior acionista da Enel. Ou seja, ocorreu uma “privatização”, pois os lucros da empresa vão para o governo da Itália. Por isso, é preciso que cada privatização seja muito bem pensada. E que haja bom senso. Até porque essa não é uma panaceia, capaz de curar todos os males. Liana Martinelli - Brasil            

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Brasil - Mais acordos comerciais

São Paulo – Estudo sobre barreiras tarifárias, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que as exportações brasileiras estão sujeitas a tarifas de importação que custam, em média, o dobro das aplicadas em países com características geográficas e econômicas semelhantes às do Brasil. Segundo o estudo, a tarifa média de importação aplicada aos produtos brasileiros no exterior é de 4,6%, enquanto na média a dos demais países é de 2,3%.

De acordo com o estudo, entre 18 países selecionados, o Brasil é aquele que está submetido à terceira maior tarifa de importação (4,6%) quando busca acessar mercados estrangeiros, ficando atrás apenas da Argentina (5,3%) e da Índia (4,8%). Na América Latina, com exceção da Argentina e do Brasil, os demais países chamam a atenção pela baixa tarifa média a que estão sujeitos ao exportar seus produtos: Colômbia (1,2%), Chile (1,2%), Peru (1,1%) e México (0,4%).

Já no grupo dos Brics, a tarifa do Brasil é a segunda maior, atrás da Índia, mas é superior à das demais economias: China (3,7%), África do Sul (2,4%) e Rússia (2,0%). O estudo mostra ainda que, em relação aos produtos industrializados, o Brasil possui a quarta maior tarifa entre os países selecionados. A tarifa é de 3,3%, atrás apenas das registradas pela Índia (4,4%), Indonésia (3,8%) e China (3,6%).

Não é preciso ser especialista em comércio internacional para se concluir o que é óbvio: o País está nessa situação porque, ao longo dos anos, tanto sob a direção de partidos conservadores ou de linhagem mais à esquerda, nunca os seus governantes se preocuparam em formalizar acordos comerciais com outros países ou blocos, com os quais poderia negociar tarifas mais generosas.  No total, ainda segundo dados da CNI, os países que mantém acordos com o Brasil representam apenas 7% do comércio mundial.

A única exceção é o Mercosul, criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, e que hoje está sob risco, em razão de divergências entre os governos do Brasil e Uruguai, de um lado, e o da Argentina, de outro, quanto a uma possível abertura que permita cada parceiro negociar individualmente acordos fora do bloco. Se esta possibilidade se concretizar, a ideia de bloco cairá por terra e o mais provável é que o Mercosul venha a se definhar.

A esperança que resta é que, em 2022, saia a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), desde que sejam resolvidas as pendências sobre concessões, depois de mais de duas décadas de negociações. Se aprovado pelos parlamentos dos países dos dois blocos, o acordo representará 25% da economia mundial. Mais: cerca de 90% dos produtos de ambos os blocos não mais serão onerados por imposto de importação, já que os itens mais sensíveis terão de cumprir um cronograma de redução das tarifas que, em alguns casos, será de 15 anos.

Seja como for, a diretriz de comércio exterior não pode parar por aí, pois constitui uma política de Estado, independentemente do partido daquele que vencer as eleições presidenciais em 2022. É preciso que o Mercosul ratifique o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e avance nas negociações com Canadá, Reino Unido e África do Sul e ainda com o México e países da América Central. Sem deixar de aprofundar uma agenda de diálogo com os Estados Unidos. Todos esses parceiros representam oportunidades de comércio de bens de alto valor agregado, serviços e investimentos.

Tudo isso poderá significar uma reação contrária ao processo de desindustrialização pelo qual passa o País desde 2010, o que não significa qualquer impedimento a que os segmentos de minério de ferro, soja, petróleo, celulose, milho em grãos, açúcar, carne bovina e carne de frango, que estão em alta no mercado internacional, cresçam cada vez mais e garantam o superávit na balança comercial. O que é preciso levar em conta é que os produtos industrializados têm maior valor agregado e produzem mais vagas de emprego, fatores primordiais para que no País movimente também o seu mercado interno e saia da crise. Liana Martinelli - Brasil 

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de relações institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

terça-feira, 20 de julho de 2021

Em defesa do Mercosul

São Paulo - Criado há 30 anos, o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (atualmente suspensa), é fruto da redemocratização dos seus países-membros e foi concebido com a intenção de fortalecer a economia e o bem-estar das populações. A ideia era criar uma área de livre-comércio, mesmo com imperfeições, gerando um grande mercado comum, com os produtos do bloco podendo circular livremente, com consequente barateamento de custos e aumento do consumo por meio do estabelecimento de uma tarifa externa comum (TEC).

Dificuldades da economia global, porém, acabaram por afetar os países da região e hoje se discute a reformulação dos acordos que levaram à criação do Mercosul e a perspectiva de alianças fora do bloco, como a União Europeia.

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, entre 2011 a 2020, o Brasil exportou US$ 54,9 bilhões a mais do que importou dos demais países do bloco, com uma pauta em que prevaleceram produtos industrializados e alimentos. É de se registrar que, nesse período, o superávit comercial perdeu apenas para a China, país para o qual o Brasil exportou US$ 158,3 bilhões a mais do que importou, sendo que as vendas para o país asiático estão concentradas em poucos produtos, especialmente ligados ao agronegócio e à indústria extrativa, que fornecem reduzido valor agregado.

O produto interno bruto (PIB) do Mercosul chegou a US$ 4,4 trilhões em 2019, o que o coloca como a quinta maior economia do mundo. Isso não é pouco. Portanto, é importante que este bloco se mantenha unido para viabilizar a retomada da economia dos seus países-membros. Ocorre que essas nações têm perfis diferentes, tanto em termos de política econômica e saúde fiscal quanto em orientação ideológica, o que atrapalha o seu desenvolvimento.

O governo brasileiro, assim como o uruguaio, por exemplo, defende medidas de modernização com mudanças de regras para destravar acordos bilaterais, ou seja, dar maior liberdade de negociação aos países-membros para negociar com outros blocos ou países. Entre as medidas propostas pelo ministro da Economia do Brasil, estão a redução da TEC do Mercosul e o fim da regra que exige unanimidade para a tomada de decisões. Neste caso, o governo argentino é totalmente contrário.

A melhor saída, porém, seria pensar coletivamente, proporcionando maior unidade ao bloco. Ocorre que a redução unilateral das tarifas possivelmente reforçaria uma já existente competição não isonômica em razão de problemas crônicos de competitividade.

Segundo estimativas do Ministério de Economia, um acordo entre Mercosul e União Europeia poderá representar um incremento no PIB de US$ 87,5 bilhões a US$ 125 bilhões em 15 anos, ao garantir para produtos nacionais acesso a insumos de elevado teor tecnológico e com preços mais baixos. A redução de barreiras, a maior segurança jurídica e a transparência das regras também irão facilitar a presença do Brasil nas cadeias globais, com geração de mais investimentos, emprego e renda.

Ocorre, porém, que o acordo está paralisado, à espera de um anexo com pautas e compromissos ambientais que sequer foram negociados. O que se sabe é que parte do acordo foi assinada em junho de 2019, após 20 anos de negociações, e que hoje o texto tramita entre revisões e traduções e aguarda a ratificação de parlamentares europeus, que já adiantaram que, da forma como está, não será ratificado.  

Entre essas reivindicações, por exemplo, está a de garantir que as cadeias de produção de produtos destinados à exportação sejam limpas, ou seja, sem qualquer origem de desmatamento ou destruição ambiental. Não devemos, porém, confundir o Brasil com seu presidente atual. Ele vai passar, mas o acordo vai ficar. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de relações institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br