Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Angola - Livro de João Melo publicado na China

A obra “Será este livro um romance?”, do escritor João Melo, vai ser publicada em Outubro na China Continental e em Macau, numa edição conjunta das editoras Lijiang e Macanese, numa colectânea intitulada “Série Países de Língua Portuguesa”


A obra foi publicada originalmente pela editora portuguesa Caminho em 2022.

João Melo, premiado autor angolano, já publicou, além de Angola, Brasil e Portugal, em países como Cuba, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Estados Unidos e Tunísia. Este ano, os seus livros são esperados na Índia e na Polónia.

A Lijiang Publishing, com sede em Guilin, é uma editora chinesa conhecida por livros sobre ciências sociais, literatura e arte, incluindo uma série de clássicos da literatura francesa e obras de escritores nacionais famosos. Como membro do Guangxi Publishing Media Group, a Lijiang Publishing tem uma presença significativa no mercado editorial chinês.

Entre outras séries notáveis, publicou a série “O Nobel, Literatura Francesa do Século XX”. Trabalha com vários autores chineses renomados, como Liu Xin Wu, Liu Yong, Jia Ping Wa, Zhu Guang Qian e Zhou Ru Chang. João Melo, que escreve há mais de 50 anos, é conhecido principalmente pela sua poesia e também pelos seus contos, bem como pelas suas extensas contribuições à imprensa angolana e de outros países de língua portuguesa.

Segundo uma nota de imprensa da Kalunga - Divulgação & Produções Afro-Atlânticas, a que o Jornal de Angola teve acesso, o professor e tradutor britânico David Brookshaw, que acaba de assumir o cargo de editor de África na Dedalus, escreveu o seguinte sobre o primeiro romance do autor angolano:

“O título deste primeiro romance do proeminente contista, poeta e ensaísta angolano, João Melo, pode ser traduzido como: “Isto é realmente um romance?”. Como o título sugere, não se trata de um romance africano prototípico, como aqueles que os leitores ocidentais (e, claro, os editores) estão acostumados a esperar. E, no entanto, à sua maneira, trata precisamente da camisa de força temática e das restrições que o público leitor fora da África determinou que deveriam constituir a literatura daquele continente”.

“Melo brinca com noções sobre autenticidade do autor, confiabilidade do narrador e perspectiva, introduzindo um elemento de realismo mágico quando Leonardo da Vinci (o pioneiro da perspectiva na pintura) é visto a ter uma conversa séria numa mesa de café em Luanda.

Mas também é um romance que comenta a política de Angola após a retirada da vida política do segundo Presidente do país, José Eduardo dos Santos, em 2018, substituído pelo actual Presidente, João Lourenço, cuja missão era supostamente erradicar a corrupção. O romance também foi escrito tendo como pano de fundo a pandemia global e o lockdown de 2020/1, que serve como um marcador cronológico no desenvolvimento da história”, lê-se na nota da Kalunga. In “Jornal de Angola” - Angola



sábado, 28 de junho de 2025

Angola - Repositório científico não funciona por falta de domínio na internet

Instituições de ensino superior, académicos e investigadores estão limitados em utilizar o Repositório Angolano de Acesso Aberto (RANAA) por falta de um domínio na internet. A responsabilidade de criar o domínio é do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI)



Passado um ano desde que o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESTA) lançou o Repositório Angolano de Acesso Aberto (RANAA) para armazenar de forma permanente, organizar, divulgar e disseminar a produção científica produzida no País, este ainda não está a funcionar por falta de um domínio. Um domínio na internet é apenas um nome que identifica e localiza um site ou endereço na rede, entretanto como este não existe, os investigadores e instituições estão impedidos de publicarem ou pesquisarem qualquer artigo dentro do repositório.

"Depois do lançamento formal, o ministério tinha que actualizar o que permitiria todas as instituições povoar, ou seja, lançar formalmente os artigos. Mas este está atrasado, por falta mesmo deste domínio", explica uma fonte que esteve presente no período de criação do repositório.

O também académico sublinhou ainda que as instituições estão com os artigos para serem publicados, mas não o conseguem por não existir qualquer domínio. "Há interesse por parte das instituições e investigadores.

Também estamos a trabalhar para que existam mais conferências, mais workshops, para alertar a comunidade académica sobre a necessidade de colocar a produção científica no repositório, já que vai ser um meio credível para que se fale da ciência com base no que consta no repositório nacional com acesso aberto.

Além dessa perspectiva, estamos a trabalhar com a UNESCO, no sentido de se criar uma cátedra de ciência aberta a nível do País, que também vai impulsionar bastante essa questão". Por outro lado, António Pedro, investigador e professor universitário lamentou o facto de o repositório não estar a funcionar depois de um ano do seu lançamento, numa altura em que todas as expectativas estavam em alta.

"Não se percebe como é que o ministério faz o lançamento e pronto! Sem se preocupar com a sua funcionalidade. Só foi feito para o "inglês ver" e não com o verdadeiro interesse de termos um repositório, porque a falta de domínio não devia se constituir um problema, pois há inúmeros engenheiros informáticos que podem resolver essa questão", lamenta.

Recorde-se que o repositório foi financiado pela Expatries Frange. Na prática, o objectivo do repositório é garantir o acesso gratuito ao conteúdo, integral ou parcial, da produção intelectual desenvolvida pelas Instituições de ensino superior, docentes, investigadores e estudantes em Angola e na diáspora.

Numa altura em que o plágio tem sido uma das grandes preocupações da comunidade académica, "este repositório vai prevenir o plágio em trabalhos académicos e científicos, vai integrar investigadores angolanos e as suas respectivas pesquisas numa base de dados de acesso aberto, reduzir a ambiguidade na citação de investigadores/autores angolanos e, sobretudo, vai preservar a memória intelectual do País".

Quanto ao tipo de documentos que poderão ser arquivados contam-se os artigos científicos, relatórios técnicos, revistas científicas digitais e impressas, livros científicos e académicos, teses e dissertações de mestrado, códigos de software, fichas de dados bibliográficos, imagens, arquivos de áudio, arquivos de vídeos, material didáctico, entre outros conteúdos.

De acordo com as directrizes de funcionamento do RANAA, o processo de arquivamento ocorre na medida em que o próprio autor do artigo, dissertação, tese, entre outros, faz a submissão no RANAA e este arquivamento só será possível quando o trabalho estiver concluído e defendido (no caso de trabalhos de conclusão), ou publicado (no caso de artigos e livros). Alexandre Lourenço – Angola in “Expansão”


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Portugal - Mais de 50 livros de ilustração têm edição estrangeira apoiada pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Mais de meia centena de obras ilustradas foram este ano abrangidas pela Linha de Apoio à Ilustração e Banda Desenhada com 79 mil euros, numa iniciativa que contemplou 41 editoras de 26 países.

Ao todo, são 54 as obras a beneficiarem deste apoio, sendo que entre os ilustradores mais representados encontram-se André Letria, Bernardo P. Carvalho, Catarina Sobral e Natalina Cóias, divulgou a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), em comunicado.

“Se eu fosse um livro”, “Teatro”, “Dança”, “Fox & Meg encontraram um mas-mas” e “A guerra” são as obras ilustradas por André Letria que vão conhecer novas edições na Arménia, Bulgária, Chéquia, Suíça, França, Japão e Macedónia.

Dinamarca, Estónia, Letónia, Noruega e Turquia vão publicar os livros de Bernardo de Carvalho “Daqui ninguém passa!”, “Desvio”, “Plasticus Maritimus” e “Mar negro”, enquanto de Catarina Sobral foram selecionados “Fantasmas, bananas e avestruzes”, “Impossível”, “Greve” e “Achimpa”, que vão conhecer novas edições na Argentina, Arménia, Brasil, França, Colômbia e Filipinas.

A outra autora mais representada nesta linha de apoio, Natalina Cóias, viaja até ao Brasil e Grécia, através dos seus livros “Entra na caixa lobo mau!”, “Lobo bom ou lobo mau?”, “Feliz Natal, lobo mau” e “Lobo bom, lobo mau!”.

Ana Ventura vê também o seu livro “Mudar”, que lhe valeu o Prémio Nacional de Ilustração 2021, ser editado na Turquia.

André Carrilho, Carolina Celas, Joana Estrela, Madalena Matoso, Mariana Rio, Yara Kono e Rachel Caiano são outros dos ilustradores apoiados este ano pelo projeto da DGLAB, contando-se ainda entre os países destinatários a Alemanha, a Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Irão, Peru, Polónia, Sri Lanka e Suécia.

Promovida pela DGLAB desde 2005, a Linha de Apoio à Ilustração e Banda Desenhada tem por principais objetivos divulgar no estrangeiro a produção portuguesa nas áreas da ilustração e banda desenhada, contribuir para a angariação de novos públicos e de novos mercados para autores e editores, e ainda estimular a criação e valorizar o trabalho dos autores.

Comparativamente com o ano passado, aumentou o número de países e o valor da verba atribuída, mantendo-se praticamente na mesma o número de obras abrangidas pela linha de apoio.

Em 2023, foram editados 55 livros (mais um), em 15 países (menos 11 do que este ano), com uma verba de 75.400 euros (menos 3600 euros). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian - Apresentação de “Livros de Fotografia em Portugal: da revolução ao presente”

Este livro, coeditado pela GHOST, pela Pierrot le Fou e pela STET, apresenta os resultados de uma investigação inédita sobre a história recente do livro de fotografia português, enquanto recurso de criação artística e documental e ponto de convergência para a colaboração entre fotógrafos, designers, escritores e editores. Apresentação na sexta-feira 19, pelas 18h 15m na sala 1 da Fundação com entrada livre


A investigação em causa, desenvolvida no âmbito do IHA/NOVA e no contexto do projeto “Imagens e Livros. Estudo sobre o património editorial fotográfico em Portugal (1974 até ao presente)”, decorreu entre setembro de 2021 e março de 2022 e teve o apoio da Biblioteca de Arte.

Ao longo de sete capítulos temáticos, esta publicação analisa uma seleção de 88 livros (maioritariamente provenientes do acervo da Biblioteca de Arte), tendo-se privilegiado, nas palavras dos editores, “a relação entre imagem fotográfica e texto, a dimensão arquivística e institucional do livro de fotografia, as qualidades materiais e performativas desta prática editorial e artística, bem como a ideia de território e identidade”.  Livros de Fotografia em Portugal: da revolução ao presente contém ainda uma contextualização dos livros selecionados, abarcando aspetos históricos, políticos, artísticos e sociais do país.


A responsabilidade editorial desta obra cabe a DavidAlexandre Guéniot, Filipa Valladares, José Luís Neves e Susana Lourenço Marques. O historiador de fotografia e curador espanhol Horacio Fernández é o autor do prefácio, e os textos estão assinados por Catarina Rosendo, Emília Tavares, Filipe Figueiredo, Inês Fernandes, João Seguro, José Bértolo, José Luís Neves, Margarida Medeiros, Mário Moura, Miguel von Hafe Pérez, Sandra Vieira Jürgens, Sérgio Mah, Susana Lourenço Marques, Susana S. Martins e Tania Martuscelli, investigadores e curadores nas áreas das artes visuais, do design e da história da fotografia.

O livro será apresentado pelos editores, contando ainda com a presença de Horacio Fernández, Emília Tavares e Susana S. Martins. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.




quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Portugal - Artigo da Universidade de Coimbra distinguido pela revista inglesa Chemical Engineering Research and Design do IChemE

Um artigo científico da co-autoria de Graça Rasteiro, professora do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) foi um dos selecionados para o editorial de 2023 da revista inglesa Chemical Engineering Research and Design do Institution of Chemical Engineers (IChemE).


O artigo “Particle technology’s contributions to the major challenges of the 21st century A predictive retrospective as a particular birthday present of IChemE”, publicado no domínio Particle Technology (em português, Tecnologia de Partículas), foi escolhido entre os 408 artigos publicados na revista inglesa, nesta área, em 2022, sendo o único com um investigador português na sua autoria.

«Este artigo é um conjunto de ideias sobre os desenvolvimentos futuros da Tecnologia de Partículas e as suas aplicações em diferentes setores, que resultaram dos brainstormings locais nos grupos dos vários autores de diferentes universidades europeias», conta Graça Rasteiro, coordenadora do laboratório de Tecnologias de Partículas, do DEQ.

«Para além de fazermos a retrospetiva desde os anos 70, década em que esta área se começou a estruturar, focámo-nos no futuro e qual pode ser a contribuição da Tecnologia de Partículas para o desenvolvimento da área nos próximos 100 anos. Isto porque, no ano passado fomos convidados a publicar um artigo neste domínio, no âmbito da celebração dos 100 anos do IChemE, o Instituto de Engenharia Química do Reino Unido», revela a professora da FCTUC.

A Tecnologia de Partículas é uma área interdisciplinar das engenharias na qual se lida com processos que envolvem partículas, seja no âmbito dos aerossóis, farmacêutica, medicina, solos, detergentes, ambiente, alimentação, entre outros. Segundo Graça Rasteiro, o primeiro laboratório da área em Portugal, surgiu em Coimbra, no DEQ.

Essencialmente, «o artigo destaca de que forma é que áreas como a da energia, do controle do aquecimento global, da medicina, entre outras, podem beneficiar de desenvolvimentos no domínio da Tecnologia de Partículas. É também referido como a inteligência artificial (IA) e o machine learning podem levar ao desenvolvimento nesta área, permitindo, com base nos dados recolhidos, melhorar técnicas de caraterização de partículas, por exemplo no caso dos aerossóis. O artigo realça ainda como é que recorrendo à IA isso pode ser incorporado para melhorar os próprios processos, o seu controlo e o desenho de novos produtos baseados em partículas», explica a docente.

Neste artigo é também feita uma ligação à área farmacêutica e biomédica, na medida em que se acredita que daqui a uns anos será possível «desenvolver partículas inteligentes que no nosso corpo saibam para onde se dirigir e, face à informação que recolhem do organismo, atuem e libertem o princípio ativo mais adequado e no sítio onde é necessário», conclui.

Conheça aqui o editorial de 2023 da Chemical Engineering Research and Design. Os artigos selecionados estão acessíveis ao público em geral até 31 de outubro. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 15 de junho de 2023

Fundação Calouste Gulbenkian - O impacto ambiental de uma exposição

Avaliação de ciclo de vida de "Europa Oxalá" – Maria do Rosário Palha, Patrícia Fernandes, Sara Pais

Inserida no conjunto de ações desenvolvidas pela Fundação Calouste Gulbenkian para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao seu funcionamento diário e respetivas atividades, esta avaliação de ciclo de vida procurou criar uma base de conhecimento científico que pode ser aplicada a outros eventos da mesma natureza e, também, por outras instituições culturais e artísticas empenhadas em reduzir a sua pegada ambiental. A publicação inclui ainda exemplos de boas práticas já implementadas pela Fundação Calouste Gulbenkian nos últimos anos e possíveis medidas a implementar para reduzir as emissões de CO2 neste âmbito.

“O mundo da arte é, neste momento, lugar de um importante debate no contexto alargado do combate às alterações climáticas e pela preservação dos ecossistemas, espécies e pela habitabilidade do planeta. É também um local de produção de conhecimento, de discussão e troca de ideias, bem como de experimentação para uma sociedade mais sustentável.

O estudo que agora se apresenta traduz as preocupações da Fundação Calouste Gulbenkian nesta discussão. Produtora de centenas de eventos artísticos por ano, e entre estes, mais de uma dezena de exposições de vocação internacional, a Fundação é destino de centenas de milhares de visitantes, dispondo de vários milhares de metros quadrados de área de exposição, bem como de armazenamento climatizado de obras de arte e de livros. A análise do ciclo de vida da exposição Europa Oxalá, um projecto artístico, europeu e europeísta, reunindo mais de vinte artistas que trabalham o lugar da Europa num mundo pós-colonial, pretende constituir-se como um case study singular que permita compreender e desconstruir a forma como a mais bem-intencionada actividade pode influir de maneira perniciosa na vida de todos.”

In Prefácio, por Miguel Magalhães (diretor Programa Cultura) e Louisa Hooper (Diretora Programa Sustentabilidade)

Publicação elaborada a partir da tese de mestrado de Ana Luna Riks de Lacerda “Avaliação do impacte ambiental de exposições artísticas: Aplicação à exposição “Europa Oxalá”. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Revisão Científica: Ricardo da Silva Vieira e Ricardo Filipe de Melo Teixeira, Instituto Superior Técnico

Edição: 1ª ed.

Idioma: Português

Coordenação editorial: Fundação Calouste Gulbenkian

Editado: 2023

Páginas: 21 p.


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Macau - Publicado conto infantil de António Correia a título póstumo

A obra do autor, falecido em Junho passado aos 73 anos vítima de doença prolongada, tem a chancela da LITS. “O Menino que queria ver o Mar”, um conto retirado do seu livro de 1987 “Miscelânea”, e, entretanto, traduzido, é uma obra póstuma do advogado que, durante toda a sua vida, se dedicou à escrita literária.


O advogado e poeta António Correia, falecido este ano aos 73 anos, vítima de doença prolongada, acaba de ter uma obra literária editada a título póstumo pela editora local LITS – Language & IT Services. “O Menino que queria ver o Mar” é um conto infantil que foi retirado do livro do autor “Miscelânea”, publicado em 1987, e traduzido para chinês, conforme explicou ao Ponto Final a proprietária da LITS, Ana João. “A LITS encontrou este conto que está inserido no livro ‘Miscelânea’ escrito pelo autor e sugeriu-lhe uma tradução para chinês, publicando o conto. Ele ficou entusiasmado e acompanhou o processo todo e ainda viu o draft, mas infelizmente não viu o livro publicado”.

A editora referiu que o conto – ilustrado pela artista Angelina Mar – é sobre “um menino que ouve as histórias fantásticas do seu avô marinheiro e começa a sonhar com o mar que ele nunca viu”. “Um dia encontra uma gotinha de água que ia para o mar e ambos partilham o seu amor pelo mar longínquo. A gotinha continua o seu caminho e o menino fica com a mãe e o avô, mas continua a sonhar que um dia vai ver o mar”, acrescentou.

A família de António Correia apoia a edição deste conto e também os projectos que virão a seguir. “A esposa Teresa Portela e os filhos já receberam o livro e estão muito contentes, tendo, inclusive, manifestado apoio à LITS para continuar este projecto”, revelou Ana João ao nosso jornal.

Miscelânea”, livro de onde foi retirado o conto “O Menino que queria ver o Mar”, reúne contos e poesia para crianças que se assumem como mensagens aos jovens em geral e aos seus filhos em particular.

A obra, em português e chinês, para além de poder ser adquirida junto da editora, pode igualmente ser comprada em algumas livrarias do território ao preço de 130 patacas.

António Correia na revista de Cultura

Entretanto, para pontuar o percurso literário de António Correia, os professores universitários Jorge Bruxo e Lurdes Escaleira escreveram um artigo académico sobre a obra literária do advogado, que publicaram na mais recente edição da Revista de Cultura do Instituto Cultural (IC). “O presente artigo resulta de pesquisa documental, tanto da obra literária como de artigos sobre essa obra e o seu autor, bem como de elementos obtidos em diálogo com António Correia, um poeta e prosador português com presença em Portugal, Angola, Macau e Brasil. Pretende despojar-se esta narrativa de subjectivismos, mantendo um juízo crítico independente, visando contribuir para um mais profundo conhecimento e uma maior divulgação dos contos, romances e poesia de António Correia”, pode ler-se no resumo do texto.

António Correia foi advogado e um dos fundadores do escritório de advocacia C&C, residiu em Macau cerca de 20 anos e regularmente se deslocava e permanecia no território por largos períodos. Em 1991, foi nomeado membro do Conselho Consultivo do Governo de Macau e, entre 1992 e 1996, foi deputado na Assembleia Legislativa (AL). Saiu do território no final dos anos de 1990, mas manteve sempre uma ligação ao mesmo onde voltou por diversas vezes.

Depois de regressar a Portugal, o advogado desempenhou funções como administrador-executivo da ANA – Aeroportos de Portugal, com especial destaque para a ilha da Madeira, onde esteve intimamente ligado à ampliação do Aeroporto Internacional do Funchal.

Em 2000, recebeu das mãos do Presidente da República, Jorge Sampaio, a Ordem de Mérito, no grau de Grande Oficial.

O autor tem obra literária divulgada e reconhecida, maioritariamente poesia, mas também ficção e crónica. Publicou em Macau, Portugal, Brasil e Japão. Das mais diversas obras publicadas por António Correia, que colaborou igualmente com a imprensa, destacam-se, na poesia, “Amagao Meu Amor” (sonetos), Macau, 1992,  “Rua Sem Nome” (romance), Lisboa, 1999, e, “Lisboa, em Haiku”, edição trilingue, em português, inglês e japonês, Lisboa, 2015. Participou ainda em diversas antologias de poesia de onde se destaca a última, editada em 2020 em Macau, intitulada “Rio das Pérolas”, com a chancela da Ipsis Verbis e coordenada pelo poeta português António MR Martins.

“O seu conceito de liberdade insere-se também numa óptica ocidental e oriental, pois representa metaforicamente o sentido de liberdade ainda vivo na cidade de Macau e explicitado na harmoniosa convivência entre diferentes crenças”, escreveu a italiana Michela Graziani, em 2012, no trabalho académico “Luz e Negrume – Para uma reflexão do sentido da vida em António Correia”. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”






quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Macau - Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Coimbra publicam monografia sobre estudos na área da linguística do português

O Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e o Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada (CELGA-ILTEC) da Universidade de Coimbra (UC) colaboraram na elaboração de uma monografia sobre estudos na área da linguística do português. O livro, intitulado “Português brasileiro e português europeu: um diálogo de séculos”, acaba de ser publicado, anunciou a UPM em nota de imprensa.

A monografia resulta de uma colaboração académica entre as duas universidades e faz parte da série “Português Língua Pluricêntrica – Estudos de Linguística”. Esta série, editada por Graça Rio-Torto, linguista da Universidade de Coimbra, Gaspar Zhang, Coordenador do CPCLP da Universidade Politécnica de Macau, e Liliana Inverno, Coordenadora do CELGA-ILTEC da Universidade de Coimbra, cobre uma vasta gama de tópicos como as teorias linguísticas e a prática do uso do português como língua pluricêntrica (tanto na sua sincronia como na sua diacronia), com o objectivo de promover à escala global a língua e cultura portuguesas e os resultados excelentes dos estudos sobre a linguística portuguesa.

Contando com a colaboração de vários estudiosos no campo da linguística portuguesa de ambas as universidades, o livro centra-se nos contrastes linguísticos entre o português europeu e o português brasileiro. No primeiro capítulo são apresentadas as semelhanças e as diferenças mais impressivas entre o português brasileiro e o português europeu, sendo analisado também o impacto do Português Brasileiro Vernáculo ou Popular na política de língua do país; o segundo capítulo aborda o fenómeno da ausência do artigo definido antes de “possessivo + grupo nominal” no português brasileiro e a situação desta questão linguística no português europeu; o terceiro capítulo compara as condições de utilização da construção de “negação dupla e pós-verbal” em português europeu e do Brasil, e analisa as hipóteses sobre a origem desta construção através de múltiplos tipos de textos; o quarto capítulo debruça-se sobre a colocação dos pronomes clítico em frases do português brasileiro e do português europeu, dando ênfase à próclise do pronome pessoal “SE”; o quinto capítulo examina as condições sintáctico-semânticas em que o português europeu e o português brasileiro usam ELE e LHE com valor de Complemento Directo, sendo este fenómeno linguístico analisado através de textos de diferentes períodos históricos. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Macau - Bicentenário do jornal “Abelha da China”

Em Lisboa:

Os 200 anos da criação do primeiro jornal de língua portuguesa em Macau serão celebrados na próxima segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau com uma conferência que contará com uma série de investigadores e historiadores ligados à RAEM, como é o caso de Tereza Sena, Jorge Arrimar ou Cátia Miriam Costa, entre outros. Será ainda lançado o livro “A Abelha da China nos seus 200 Anos: Casos, Personagens e Confrontos na Experiência Liberal de Macau”


O primeiro jornal em língua portuguesa de Macau foi criado há 200 anos e chamava-se “A Abelha da China”. Para celebrar a efeméride, que marca o início da presença da imprensa em português no território, algo que perdura até aos dias de hoje, o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolhe, na próxima segunda-feira, uma palestra que conta com vários investigadores e historiadores ligados ao território que vão apresentar as diversas perspectivas históricas e políticas de um jornal ligado aos ideais liberais de 1820.

Ao HM, o académico Duarte Drumond Braga, um dos coordenadores do projecto, explicou a importância de celebrar esta data. “É o primeiro jornal de Macau e o primeiro de uma longa linhagem que continua até hoje. Ele está ligado ao movimento Liberal e a alguns partidários desse movimento em Macau, além de que era um jornal com uma orientação política bastante marcada nesse sentido. Penso que vale a pena ser celebrado.”

O painel de oradores conta com intervenções de Tereza Sena, historiadora e ex-residente de Macau, que apresenta o painel “Ascensão social e política de um natural de Macau durante o Liberalismo: António dos Remédios (ca.1770.-1841) – o primeiro passo”. Destaque ainda para a presença de Jorge Arrimar, poeta ligado a Macau que vai falar sobre a ligação do Ouvidor Arriaga, importante figura política do território à época e “um dos grandes inimigos” d’A Abelha da China, recordou Duarte Drumond Braga. “Ele era a figura mais poderosa de Macau nessa altura e partidário de um grupo rival às pessoas que estavam ligadas ao jornal.”

O programa inclui também a participação de Jin Guoping, do Instituto de Macauologia da Universidade de Jinan, em Cantão, e também ligado ao Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau, que abordará o tema “A Abelha da China estudada na Macauologia”.

Duarte Drumond Braga entende ser muito provável que o jornal fosse lido “por uma elite” da sociedade. A Abelha da China tinha artigos de opinião mas funcionava também como uma espécie de Boletim Oficial, que só seria criado muito depois. “Eram publicados resumos das sessões do Leal Senado, mas era um jornal que também tinha uma parte literária. Tinha uma posição política forte, porque o grupo liberal [ligado ao jornal] conseguiu chegar ao poder, embora sejam expulsos depois. O jornal também deu depois muitas informações sobre esse processo.”

O coordenador desta iniciativa entende que faltam ainda estudos académicos sobre o jornal. “Há um trabalho muito bom, feito pelo Daniel Pires, que é o ‘Dicionário Cronológico da Imprensa de Macau no Século XIX’, mas que não esgota estes materiais. Não só a Abelha da China como os jornais que começam a aparecer na altura estão ainda por estudar. Agnes Lam [docente na Universidade de Macau], por exemplo, deu um bom contributo, mas faltam ainda alguns estudos.”

Livro lançado

Acima de tudo o programa destaca a criação do primeiro jornal de língua não chinesa “no contexto da Revolução Liberal de 1820 e da primeira formulação do constitucionalismo português”, aponta o texto de apresentação do evento. Marcado, portanto, pelas doutrinas liberais da época, a Abelha da China “foi uma breve mas intensa publicação periódica (1822-23) que veio dar corpo à ideia de que não há verdadeira liberdade sem imprensa e sem a liberdade desta”.

“Plenamente alinhada com os debates do seu tempo, o seu projecto seria tomado por outros agentes políticos. Todavia, o seu legado de insubmissão acabaria por vingar”, aponta a mesma apresentação, que destaca ainda o facto de o periódico defender “uma ideia de autonomia sempre ligada à oligarquia local”.

“Nesse sentido, o jornal mostra também as alianças e os contactos múltiplos que o atravessam: com a China, onde sempre se enraizou, a Metrópole [Lisboa], o Brasil e Goa”.

“Por entre as suas páginas circulam figuras e influências de todas as proveniências, mostrando como Macau se integrava plenamente nos movimentos políticos e culturais do seu tempo, e onde a comunidade chinesa se encontrava ativa face a eles. E daí os casos, as figuras e os confrontos que gravitam em seu torno, e que os ensaios de historiadores e críticos da cultura e do jornalismo dissecam nesta obra”, lê-se ainda.

A sessão de segunda-feira, 12, conta ainda com a apresentação do livro “A Abelha da China nos seus 200 Anos: Casos, Personagens e Confrontos na Experiência Liberal de Macau”, que reúne artigos da autoria dos investigadores Cátia Miriam Costa, Jin Guoping, Jorge de Abreu Arrimar, Pablo Magalhães e Tereza Sena. A obra “tem por foco o primeiro jornal de Macau em língua portuguesa analisado a partir de diversas áreas das humanidades” e inaugura “a nova coleção de livros de História com chancela do CCCM, sendo feita em parceria com a Universidade de Macau”.

Acima de tudo, o livro pretende mostrar “um renovado interesse na história de Macau, na história do jornalismo na China e em língua portuguesa, e também na história sóciopolítica e cultural do território”. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”

Em Macau:

A Fundação Rui Cunha e a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) vão realizar na próxima segunda-feira, pelas 18:30, uma palestra que visa comemorar os 200 anos da publicação do primeiro número do jornal “A Abelha da China”, que teve lugar no dia 12 de Setembro de 1822.

A palestra decorrerá na Fundação Rui Cunha, tendo como oradores João Guedes, jornalista e autor, e Daniel Pires, professor universitário. A moderação estará a cargo de José Miguel Encarnação, jornalista e presidente da AIPIM.

O lançamento do jornal “A Abelha da China” marcou “o início da imprensa escrita em Macau, tendo posteriormente surgido largas centenas de títulos em Português, Chinês e, mais recentemente, em Inglês”, recorda a Fundação Rui Cunha.

Os promotores da palestra prometem “uma enriquecedora sessão sobre a história de Macau” e o “precioso contributo” do jornal “A Abelha da China”, na “história de todo o jornalismo em língua portuguesa na China, assim como na história sociopolítica e cultural do território”. A sessão será integralmente realizada em língua portuguesa sem interpretação simultânea. A entrada é livre. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau




quinta-feira, 28 de julho de 2022

Angola - Marcolino Moco diz que não publicação de cadernos eleitorais é fraude

O ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, afirmou que a publicação dos cadernos eleitorais não é apenas uma exigência legal. A promulgação deve fazer parte da transparência que devia presidir a um acto eleitoral tão importante como o deste ano, diz, indo ao encontro da reclamação feita pela UNITA, principal partido da oposição, junto da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), relativa ao Ficheiro Informático de Cidadãos Maiores (FICM) onde estão inscritos os cidadãos habilitados a votar nas eleições de 24 de Agosto

"É legítimo, sob o ponto de vista legal, mas sobretudo do ponto de vista ético e moral, especialmente numa altura em que se fala de gente e mais gente falecida que poderá votar a favor da continuidade deste sistema político absurdo", disse ao Novo Jornal o também ex-primeiro ministro.

Marcolino Moco referiu que os angolanos são administrados com desonestidade desde que terminou a guerra em 2002.

"Qualquer Lei, desde essa altura, serve para justificar a continuidade de um regime de partido-Estado, pessoalizado no Presidente da República, que não presta contas a nada nem a ninguém", frisou.

Marcolino Moco salientou que a não a publicação dos cadernos eleitorais é fraude.

"É um aspecto que implica fraude, entre outros, como a Indra, a composição da CNE, a contagem dos votos, o transporte das urnas, as intimidações e as tentativas de corrupção de quem quer que seja, que tente pensar diferente, especialmente na comunicação social", apontou.

Questionado sobre qual seria a posição do Tribunal Constitucional (TC) nas vestes do Tribunal Eleitoral, no que diz respeito à publicação dos cadernos eleitorais, disse que a oposição, a sociedade civil, incluindo a igreja Católica, que há dias visitaram a presidente do TC, estão a fingir que existe um Tribunal Constitucional, para não criar problemas de maior.

"Temos um sistema que se comporta como uma criança mimada, a quem devemos dar sempre alguma razão. Olhe-se para a forma como ele é composto e recomposto. Olhe-se para a forma como ele decide, por cada milímetro, sob a orientação do Executivo ou do partido no poder, para admitir ou rejeitar a pretensão de criar partidos", concluiu.

O deputado do MPLA, Tomás da Silva, respondeu que a Lei remete para a divulgação dos nomes de eleitores nas assembleias de voto e no website da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

"A lei remete-nos para a divulgação dos nomes dos eleitores nas assembleias de voto e no website da CNE. Penso que este trabalho está a ser feito presencialmente pela CNE", resumiu.

A UNITA, ao apresentar a reclamação junto da CNE, diz que está em causa a integridade dos cadernos eleitorais, já que revelam a existência de cidadãos falecidos e outros que, tendo emigrado há vários anos, fixaram residência no estrangeiro.

Segundo o partido, uma pequena amostra colhida por familiares de mais de uma centena de cidadãos falecidos, só em Luanda (alguns há mais de dez anos), permitiu apurar que estes constam das listas de eleitores, tendo-lhes sido atribuídas uma assembleia e mesa de voto para votarem no dia 24 de agosto de 2022.

"Apercebendo-se disso, os cidadãos estão preocupados com a integridade dos cadernos eleitorais e com a possibilidade real de alguém utilizar fraudulentamente e de forma organizada a identidade dos milhares de cidadãos falecidos, indevidamente inscritos nos cadernos eleitorais, para praticar o crime do voto plúrimo", expõe a UNITA em comunicado.

O "Galo Negro" defende que está em causa "uma séria ameaça à integridade do processo" pois é "incompreensível que milhares de cidadãos já falecidos e que não fizeram prova de vida no período de 2012 a 2022, voltem a aparecer nos cadernos eleitorais de 2022", defendendo que a inclusão de cidadãos falecidos no FICM e nos cadernos eleitorais viola a lei, torna os cadernos eleitorais inválidos e aumenta o risco de violação do direito de voto.

Estão autorizados a concorrer às eleições gerais de 24 de Agosto os partidos MPLA, UNITA, PRS, FNLA, APN, PHA e P-NJANGO e da coligação CASA-CE.

Do total de 14,399 milhões de eleitores esperados nas urnas, 22560 são da diáspora, distribuídos por 25 cidades de 12 países de África, Europa e América.

A votação no exterior terá lugar em países como a África do Sul (Pretória, Cidade do Cabo e Joanesburgo), a Namíbia (Windhoek, Oshakati e Rundu) e a República Democrática do Congo (Kinshasa, Lubumbashi e Matadi).

Ainda no continente africano poderão votar os angolanos residentes no Congo (Brazzaville, Dolisie e Ponta Negra) e na Zâmbia (Lusaka, Mongu, Solwezi). In “Novo Jornal” - Angola

 

 


sexta-feira, 11 de março de 2022

Congresso Internacional assinala 450 anos da publicação de “Os Lusíadas” de Camões

É já amanhã que se realiza o Congresso Internacional que assinala os 450 anos da publicação de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, a partir de várias partes do mundo, incluindo Macau. No território, Sara Augusto, docente na Universidade Politécnica de Macau, vai debruçar-se sobre o tema “Invocando as Musas: os trabalhos e as leituras”. Segundo explicou ao Jornal Tribuna de Macau, a sua intervenção tem que ver principalmente com o ensino da Literatura Portuguesa e sobretudo de “Os Lusíadas”, no âmbito do Português Língua Estrangeira

Realiza-se este sábado o Congresso Internacional dos 450 anos da publicação de “Os Lusíadas”, que aconteceu precisamente a 12 de Março de 1572. A iniciativa acontece a partir de várias partes do mundo.

A primeira parte intitula-se “Camões e a Ásia” e contará com um discurso do Rei de Ternate, Sultão Hidayatullah Sjah, bem como com uma mensagem do Reitor da Universitas Khairun de Ternate, Dr. M. Ridha Ajam, a partir da Indonésia. Após a inauguração do evento segue-se a comunicação “Traduzir ‘Os Lusíadas’ para indonésio”, por Danny Susanto, pelas 15h40 (hora de Macau); a sessão “450 anos depois, ‘Os Lusíadas’ em turco”, por Ibrahim Aybek (16h00); e “‘Os Lusíadas’ em árabe: características da tradução”, por Abdeljelil Larbi (16h20).

Sabri Zekri vai depois tentar responder à questão “Porquê traduzir Camões para farsi?” (16h40); Taraneh Arabzadeh falará sobre “Publicar Camões no Irão” (16h55) e Felipe de Saavedra vai debruçar-se sobre “Camões e a Indonésia” (17h10). Segue-se depois uma sessão intitulada “Intertextualidades Lusíadas em textos escritos por naturais goeses em língua portuguesa (1702-1713)”, pelas 17h30, conduzida por Regina Célia Pereira da Silva; e “Imagens do Oriente e dos orientais n’‘Os Lusíadas’”, por João Oliveira (17h50). Para terminar o painel, Filipa Araújo apresentará “Camões, o poeta que ‘do Oriente as portas vem abrindo’” (18h10). Após as comunicações haverá um espaço de debate.

A segunda parte, por sua vez – “‘Os Lusíadas’: 450 anos de fascínio” -, divide-se em duas, a primeira das quais se intitula “Camões Contemporâneo”, e começa pelas 18:00 em Macau, com a intervenção de Sara Augusto. A docente da Universidade Politécnica de Macau vai debruçar-se sobre o tema “Invocando as Musas: os trabalhos e as leituras”. Ao Jornal Tribuna de Macau, Sara Augusto explicou que a sua intervenção tem que ver principalmente com o ensino da Literatura Portuguesa e sobretudo de “Os Lusíadas” de Camões, no âmbito do Português Língua Estrangeira (PLE).

“A relação que a literatura portuguesa continua a estabelecer com Camões e com ‘Os Lusíadas’ demonstra a sobrevivência de uma das obras mais emblemáticas da nossa literatura e que marcou a produção literária do século XVI, de acordo com o contexto histórico, cultural e poético”, apontou a docente, acrescentando que a sua comunicação se situa no campo da didáctica da literatura.

Segundo Sara Augusto, a sua intervenção pretende levantar um conjunto de problemas que se oferecem à leitura da epopeia por parte de alunos com alguma proficiência da língua portuguesa. “Problematizo, sim, mas tento também estabelecer uma prática que tenho experimentado e que parece resultar relativamente bem”, acrescenta.

A docente explicou que este é um tema sobre o qual se costuma debruçar, no sentido em que lhe interessa a forma como decorre o processo de ensino-aprendizagem, não só de “Os Lusíadas”, mas também da lírica camoniana e outros períodos e respectivas obras e autores de épocas também recuadas.

Questionada sobre se há desafios neste âmbito, Sara Augusto disse que “são imensos”. “Em primeiro lugar, está em causa a leitura de textos literários que, por si só, já apresentam elevado nível de estranhamento e especificidade, que os distancia da expectável comunicação eficaz da linguagem do quotidiano. Depois, a leitura implica um conhecimento do contexto de produção, capaz de influenciar a produção poética. Trata-se de períodos literários que implicam códigos poéticos, formais e temáticos, instituídos com algum rigor e que permitem orientar a leitura, o que não deixa de ser um aspecto a considerar e que em muito pode facilitar a abordagem, tanto minha como dos alunos”, prosseguiu.

Mas os desafios não se ficam por aqui: “Resta falar nas dificuldades que os alunos sentem com o vocabulário erudito e com a importância e o efeito dos recursos estilísticos. Penso que com uma escolha criteriosa dos textos literários e uma leitura motivadora os alunos podem ver o seu esforço recomendado: conseguirem ler obras que fazem parte do cânone e da memória colectiva dos portugueses”.

Quanto ao Congresso em si, a docente afirmou que “nunca é demais a celebração de uma efeméride deste tipo, tendo em conta a importância que Os Lusíadas têm tanto na literatura portuguesa como europeia”. “Representa a capacidade de, utilizando modelos clássicos da Antiguidade, actualizados entretanto na literatura italiana renascentista, construir uma longa narrativa em verso, extremamente engenhosa e erudita, onde se reúne grande parte do conhecimento da época, e se celebra, como tema principal a viagem de Vasco da Gama para a Índia, momento alto da expansão marítima portuguesa e da história da Europa”, considera.

Sublinhando que a obra de Camões é sobretudo conhecida dos falantes de língua portuguesa, portugueses ou não, que fizeram a sua formação escolar em língua portuguesa, apontou ainda que Camões faz parte do cânone literário e dos programas da escola secundária. “Quando falamos do nível universitário e contamos com alunos maioritariamente falantes de chinês, mandarim ou cantonense, a minha esperança é de que os meus alunos passem a conhecer a obra de Camões, mesmo que de forma simbólica, ou seja, identificarem, sobretudo, as estrofes da Proposição de Os Lusíadas, onde se afirma a intenção e o impacto esperado, e conhecerem alguns dos sonetos mais exemplificativos da poética maneirista, de forma a poderem observar como foram alvo de constante intertextualidade ao longo dos séculos. Este contacto permite também aos alunos uma oportunidade de perceberem melhor alguns espaços de excelência em Macau”, afirmou.

Depois de Sara Augusto, seguem-se as intervenções de Maria Antonietta Rossi sobre o tema “Sebastião da Gama e ‘Os Lusíadas’” (18h20), Cândido Oliveira Martins com “Receção de Camões na escrita de José Régio” (18h40), Maria do Carmo Pinheiro Silva Cardoso Mendes com a sessão “O português de todos os tempos: Agustina Bessa-Luís leitora de Luís Vaz de Camões” (19:00), e Maria Eduarda Miranda Paniago & Caio Gagliardi com “Leitura e (re)escritura de ‘Os Lusíadas’: a navegação poética de Manuel Alegre” (19h20). Esta parte termina também com uma discussão.

Camões, a obra e a edição

Pelas 20h00 em Macau, inicia-se o painel “Camões, da sua época até ao século XIX”. Será então a vez de Vitor Amaral de Oliveira, com “Camões e D. Sebastião, um par romântico”, e de Aude Plagnard, que se vai debruçar sobre o tema “As vidas francesas de Luís de Camões” (20h20). Depois José Carlos Canoa vai falar sobre “As grandes colecções camonianas dos séculos XIX e XX” (20h40) e Gil Clemente Teixeira vai conduzir uma sessão intitulada “Cruzar pequenos mundos de poesia: a recepção de ‘Os Lusíadas’ (1572) no poema ‘Ulyssippo’ (1640) de António de Sousa de Macedo” (21h00). “’Os Lusíadas’, um espelho de príncipes” será abordado por Isabel Rio Novo (21h20), enquanto “O amor na ‘ilha namorada’ d’’Os Lusíadas’” será conduzido por Marcelo Lachat. No fim deste painel haverá o lançamento de livros e um debate.

A terceira parte do Congresso começa pelas 23h00, intitulando-se “A obra de Camões e a sua edição”. Maria do Céu Fraga será a primeira, falando sobre “Camões e o soneto pastoril: tradição e novidade”, seguindo-se depois Barbara Spaggiari, com “Para a edição crítica das ‘Cartas’ de Luís de Camões” (23h20). “A música em Camões: concordâncias musicais no ‘Cancioneiro de Paris’” será a última comunicação e caberá a Fábio Vianna Peres (23h40).

No fim, decorrerá um painel conclusivo – “As edições em curso da obra camoniana: a edição crítica de ‘Os Lusíadas’ pelo CIEC, a edição Camoniana de Genebra, e a edição do teatro camoniano” – com as intervenções de Telmo Verdelho, Barbara Spaggiari e José Camões (00h00). A moderação estará a cargo de Felipe de Saavedra.

No Congresso haverá participações especiais de estudantes de Cultura Portuguesa, História de Portugal e Língua Portuguesa da Universitas Indonesia.

As sessões podem ser acompanhadas online, através do YouTube

(https://www.youtube.com /c/LuísdeCamõesYT).

IPOR diz que encontro “é altamente benéfico” para a obra de Camões e sua divulgação

Apesar de não estar envolvido na organização do Congresso, o Instituto Português do Oriente (IPOR) considera que estas iniciativas são sempre importantes “para aprofundar o conhecimento da obra de um poeta que, quase 500 anos depois da sua morte, continua a ser enigmática mesmo para os que a estudam diária e compulsivamente”. Para Joaquim Coelho Ramos, este aprofundar de conhecimentos “tem sempre consequências positivas a nível geral, na medida em que abre novos caminhos para uma obra cuja importância há muito ultrapassou as fronteiras nacionais, mas também a nível específico, na medida em que permite a todos os que o desejem, um acesso mais descodificado a certos aspectos da epopeia”. Sublinhando que o interesse pelo poema a nível internacional não é de hoje, o director do IPOR apontou ao Jornal Tribuna de Macau que “este tipo de encontros científicos, com partilha de visões e de leituras ancoradas em bases culturais diferentes (decorrente, justamente, do carácter internacional dos participantes) é altamente benéfico quer para a obra, quer para a sua divulgação”. Apesar de considerar que a divulgação de “Os Lusíadas” tem sido bem feita pelas instituições portuguesas em várias partes do mundo, nomeadamente em cátedras patrocinadas pelo Instituto Camões, Coelho Ramos defende também que “talvez haja espaço para um maior apoio à divulgação dos trabalhos de investigação, nomeadamente ao nível da sua difusão através de uma rede de investigadores ou centros de investigação internacionais”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Moçambique - A Associação Moçambicana de Juízes e a Alcance Editores assinaram Memorando de Entendimento

A Associação Moçambicana de Juízes (AMJ) e a Alcance Editores assinaram, na passada terça-feira, 28 de Setembro, em Maputo, um Memorando de Entendimento (MdE), que tem por objectivo a materialização da colaboração institucional entre as duas entidades, por um período de dois anos.

Trata-se de um acordo, com o qual se pretende estimular a publicação e a divulgação de trabalhos dos associados da AMJ e ainda a edição de obras de literatura jurídica e geral pela editora Alcance Editores.

Na ocasião, o presidente da AMJ, Carlos Mondlane, explicou que a parceria com a Alcance Editores visa disponibilizar aos juízes uma plataforma para a colocação e difusão dos seus pensamentos, devido ao embaraço da doutrina de outros países, que não são necessariamente consentâneos com a evolução do direito moçambicano.

“Com este acordo, pretendemos por um lado elevar o nível técnico dos magistrados judiciais e, por outro, disponibilizar à sociedade moçambicana tudo aquilo que resulta de uma reflexão por parte dos aplicadores do direito em Moçambique. A parceria é importante para nós, na vertente de permitir que os juízes moçambicanos passem a escrever sobre matérias de interesse e, ao mesmo tempo, oferecer à sociedade moçambicana tudo aquilo que versa sobre o direito moçambicano”, referiu Carlos Mondlane.

Por sua vez, em representação da Alcance Editores, Sérgio Pereira, indicou que o MdE é oportuno para a sua instituição na medida em que passarão a produzir mais livros que venham da AMJ, quer sejam de direito, literatura ou contos infantis.

“Nós, como editora, vamos no âmbito deste MdE identificar a qualidade dos livros, que possam surgir e ainda dar uma resposta positiva daquilo que serão as obras finais resultantes deste acordo em momento oportuno”, concluiu Sérgio Pereira.

Importa referir que a AMJ e a Alcance Editores comprometem-se em realizar seminários envolvendo diversas individualidades nacionais e internacionais na difusão de temas que visam estimular a literatura jurídica e geral. In “Olá Moçambique” - Moçambique

 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Internacional - Publicado primeiro livro científico escrito por uma máquina

Livro escrito por máquina

A Springer Nature, uma das maiores editoras de publicações científicas do mundo, publicou seu primeiro livro gerado por computador, compilado automaticamente por um algoritmo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Goethe, na Alemanha.


O livro, disponível para reprodução gratuito, oferece uma visão geral das publicações científicas mais recentes sobre as baterias de íons de lítio.

O objetivo é dar aos pesquisadores uma visão geral das pesquisas mais recentes neste campo em rápido crescimento, mas sedento por inovações.

O processo de criação automatizada do livro contou com vários componentes que analisaram o conteúdo em texto da plataforma da editora Springer, para que as publicações relevantes fossem automaticamente selecionadas e processadas. Essas publicações revisadas por pares passaram então por um agrupamento baseado em similaridade para organizar os documentos de origem em capítulos e seções coerentes.

Resumos sucintos dos artigos foram criados automaticamente dentro dos capítulos. As passagens extraídas e citadas dos artigos originais são referenciadas por ligações que permitem que os leitores explorem o documento original. Apresentações, tabelas de conteúdo e seções de referência criadas automaticamente facilitam a orientação dentro do livro.

Livros gerados por máquina

"Esta publicação nos permitiu demonstrar até que ponto os desafios das publicações geradas por máquina podem ser resolvidos quando especialistas de editoras científicas colaboram com linguistas da computação. O projeto também nos permitiu entender melhor as expectativas de autores, editores, editores e consumidores, no que diz respeito a requisitos científicos e econômicos," disse o professor Christian Chiarcos, que liderou a equipe que desenvolveu o Beta Writer, o programa capaz de compilar livros científicos.

A editora, por sua vez, reconhece que os livros escritos por máquinas ainda não conseguem rivalizar com o conhecimento gerado por cientistas humanos, mas podem ter seu lugar no futuro.

"Enquanto artigos de pesquisa e livros escritos por pesquisadores e autores continuarão a desempenhar um papel crucial na publicação científica, prevemos muitos tipos diferentes de conteúdo na publicação acadêmica no futuro: desde a geração de conteúdo inteiramente criado por humanos, até uma variedade de geração de textos híbridos máquina-humano e textos totalmente gerados por máquina. Este protótipo é um primeiro marco importante que alcançamos, e esperamos que também inicie um debate público sobre as oportunidades, implicações, desafios e riscos potenciais do conteúdo gerado por máquina na publicação acadêmica," disse Henning Schoenenberger, da Springer.

O livro "Baterias de Íons de Lítio - Um Resumo Gerado por Máquina da Pesquisa Atual", em tradução livre, está disponível gratuitamente apenas em inglês - veja a ligação na bibliografia. In “Inovação Tecnológica” - Brasil