Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta FCTUC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FCTUC. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Europa - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra lidera projeto europeu de defesa com Inteligência Artificial para combater ameaças híbridas

O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESCC), uma unidade de I&D associada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), lidera o projeto SHIELD-EU, uma iniciativa de investigação que pretende desenvolver tecnologias de Inteligência Artificial para reforçar a capacidade de resposta a ameaças híbridas, como ciberataques, campanhas de desinformação e outras formas de interferência digital.


Coordenado por Jorge Sá Silva, docente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC e investigador do INESCC, o projeto visa desenvolver uma arquitetura de defesa inovadora baseada em Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial na Borda (Edge AI) e modelos cognitivos, emocionais e comportamentais, com o objetivo de reforçar a resiliência perante ameaças associadas à guerra híbrida.

Os conflitos atuais combinam frequentemente ciberataques, campanhas de desinformação, manipulação psicológica e outras formas de interferência digital, colocando novos desafios à segurança e à capacidade de resposta das organizações e das infraestruturas críticas. Neste contexto, o SHIELD-EU pretende desenvolver soluções tecnológicas centradas no ser humano, capazes de apoiar a tomada de decisão, melhorar a consciência situacional e aumentar a capacidade de resposta em ambientes complexos e de elevada pressão.

Uma das principais linhas de investigação do projeto passa pela utilização de tecnologias de Edge AI, que permitem processar informação crítica localmente, de forma mais rápida, segura e autónoma, reduzindo a dependência de infraestruturas centralizadas e aumentando a robustez operacional.

“O SHIELD-EU pretende colocar o conhecimento científico desenvolvido no INESCC e na FCTUC ao serviço da construção de infraestruturas digitais europeias mais resilientes e seguras, mantendo sempre o ser humano no centro do desenvolvimento tecnológico", destaca Jorge Sá Silva, coordenador do projeto.

O projeto SHIELD-EU é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do concurso DEFESA + CIÊNCIA: Projetos Exploratórios 2025.

O projeto conta com a colaboração da Força Aérea Portuguesa, que contribuirá para a validação das soluções desenvolvidas em cenários operacionais, aproximando a investigação científica das necessidades concretas do setor da defesa. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Active Space Technologies estabelecem parceria para reforçar a inovação e a formação no setor aeroespacial

Protocolo promove a colaboração em ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico, aproximando a academia da indústria de alta tecnologia


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Active Space Technologies assinam amanhã, dia 30 de julho, às 14h30, um protocolo de colaboração que pretende reforçar a cooperação entre a academia e a indústria, promovendo a formação avançada, a investigação aplicada e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os setores aeroespacial e industrial.

A cerimónia de assinatura realiza-se na Sala do Conselho do Edifício Central do Polo II, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e de representantes do Conselho de Administração da Active Space Technologies.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da engenharia aeroespacial, mecânica, eletrotécnica e de computadores, informática, física, materiais, ambiente e gestão industrial, criando oportunidades de colaboração entre investigadores, docentes, estudantes e a empresa.

Entre as iniciativas previstas destacam-se a realização de estágios curriculares e de verão, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em contexto empresarial, bem como a participação de engenheiros e especialistas da Active Space Technologies em aulas, seminários, workshops e outras atividades da FCTUC. O acordo contempla ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação e inovação, nacionais e internacionais, recorrendo às infraestruturas laboratoriais da Faculdade, assim como a prestação de serviços especializados nas áreas da caracterização de materiais, análise estrutural, simulação, prototipagem e validação de sistemas aeroespaciais.

A parceria prevê igualmente a criação de programas de formação executiva, cursos de curta duração e microcredenciais dirigidos aos colaboradores da empresa, promovendo a atualização de competências e a transferência de conhecimento entre a universidade e o setor empresarial.

Esta é a segunda parceria estratégica estabelecida pela FCTUC com empresas do setor aeroespacial no espaço de uma semana. Depois do protocolo celebrado com a Critical FlyTech, a colaboração agora firmada com a Active Space Technologies reforça a estratégia da FCTUC de estreitar a ligação à indústria, contribuindo para a consolidação da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e para a criação de mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade para os seus estudantes.

A Active Space Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções de engenharia para os setores do espaço, aeronáutica, defesa e indústria, colaborando com algumas das principais organizações e empresas internacionais destas áreas. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Cidadãos chamados a monitorizar uma das plantas invasoras mais problemáticas

Campanha nacional convida cidadãos a mapear inseto que combate a acácia-de-espigas. A equipa integra investigadores da Universidade de Coimbra


A plataforma INVASORAS.PT lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”, uma iniciativa que convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, chamado Trichilogaster acaciaelongifoliae, utilizado no controlo biológico da acácia-de-espigas, uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas encontra-se amplamente distribuída em Portugal continental, onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade. A sua elevada produção de sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos, contribui para a rápida expansão da espécie.

Para ajudar a controlar esta invasão, foi introduzido em Portugal, em 2015, o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido pela equipa da INVASORAS.PT como “Trichi”. Este agente de controlo biológico desenvolve-se principalmente nas gemas florais da planta, originando galhas que impedem a formação de flores e, consequentemente, reduzem a produção de sementes.

Desde a sua introdução, a presença e dispersão da “Trichi” têm sido acompanhadas por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, que também realizaram os testes prévios à introdução.

Segundo Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e membro da equipa INVASORAS.PT, “sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”.

A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização.

Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All.

A iniciativa dirige-se a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.

Com esta campanha, a INVASORAS.PT pretende reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa.

Mais informações e instruções de participação aqui.

Sobre a INVASORAS.PT

A INVASORAS.PT é uma plataforma de informação e ciência-cidadã dedicada às plantas invasoras em Portugal. Disponibiliza recursos sobre identificação, impactes, gestão e mapeamento de espécies invasoras, promovendo a participação pública na sua deteção e monitorização. A plataforma integra investigadores do CFE – Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, da Universidade de Coimbra, e do CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, do Instituto Politécnico de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena projeto europeu para acelerar a eliminação de gases fluorados poluentes

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera um novo projeto europeu que pretende apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados, considerados entre os poluentes mais agressivos para o clima.

Denominado "GWPathFinder", o projeto é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, e conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros do programa europeu Horizon Europe.

Os gases fluorados são amplamente utilizados em sistemas de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor. Apesar da sua relevância para estes setores, apresentam um elevado potencial de aquecimento global, tornando-se um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização.

Para responder a este desafio, o consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital inovadora, interativa e de acesso livre, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis.

A ferramenta funcionará como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica, permitindo acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático.

“Este projeto pretende fornecer os dados e as metodologias necessárias para apoiar decisões informadas, contribuindo para uma transição sustentável dos setores que dependem de tecnologias de refrigeração e climatização”, refere Luís Pedro Viegas.

O "GWPathFinder" está alinhado com os objetivos da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabelece a redução gradual da utilização de hidrofluorocarbonetos (HFC), um dos principais grupos de gases fluorados responsáveis pelo aquecimento global.

Mais informações sobre o projeto podem ser consultadas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra lança Prémio Geologia@UC para apoiar estudantes da Licenciatura em Geologia

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai atribuir até 20 prémios individuais a estudantes do primeiro ano da Licenciatura em Geologia, através da criação do Prémio Geologia@UC, uma iniciativa que visa promover o acesso e a permanência no ensino superior nesta área científica estratégica.

O Prémio Geologia@UC consiste na atribuição de um apoio financeiro de valor equivalente ao montante da propina anual, podendo abranger um total de até 20 estudantes inscritos no primeiro ano da Licenciatura em Geologia da FCTUC.

Com esta iniciativa, o Departamento de Ciências da Terra da FCTUC reforça o seu compromisso com a valorização das Geociências, incentivando a formação de novos profissionais qualificados numa área fundamental para o conhecimento dos recursos naturais, a mitigação de riscos geológicos, a sustentabilidade ambiental e a transição energética.

A Licenciatura em Geologia da FCTUC proporciona uma formação sólida e multidisciplinar nas diversas áreas das Ciências da Terra, combinando ensino teórico e laboratorial de primeira linha com trabalho de campo. O curso prepara os estudantes para responder aos desafios contemporâneos relacionados com os recursos geológicos, o ambiente, os riscos naturais e o ordenamento do território, beneficiando da excelência científica da Universidade de Coimbra neste domínio.

Mais informações sobre o prémio aqui. Universidade de Coimbra – Portugal

Regulamento

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas com sistema de polinização raro

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.


As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

"No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam", refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Internacional - Obesidade estabiliza e até diminui em vários países, aponta estudo epidemiológico global

Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema em regiões desfavorecidas


Um estudo internacional publicado na revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.

A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos populacionais e de centenas de milhões de participantes.

Os resultados mostram que, após um aumento rápido e sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.

Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões, influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.

Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas, evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde pública.

Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito significativas.

Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.

O trabalho contou ainda com a participação de outros docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira, Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um novo condutor transparente e ultra-resiliente que promete transformar o futuro dos dispositivos wearables, dos ecrãs táteis e de tecnologias de recolha de energia.


Esta investigação propõe uma solução inovadora para um dos principais desafios da eletrónica moderna: desenvolver filmes condutores que são simultaneamente transparentes e elásticos, capazes de se esticar, dobrar e acompanhar o movimento humano sem comprometer o seu desempenho elétrico.

No centro desta descoberta está uma arquitetura nanométrica tridimensional em forma de giroide, preenchida com metal líquido. Esta estrutura geométrica avançada permite que o material suporte deformações extremas, incluindo alongamentos, torções e compressões, mantendo uma condutividade elétrica estável e eficiente.

O estudo, publicado na revista npj Flexible Electronics, do grupo Nature, resulta de uma colaboração entre o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), o Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e o Departamento de Física da FCTUC.

Segundo os investigadores, a nova abordagem ultrapassa as limitações dos condutores tradicionais, que tendem a partir ou degradar-se quando sujeitos a esforços mecânicos repetidos. Para além da elevada elasticidade, o novo composto combina duas características raramente conciliáveis: elevada condutividade elétrica e transparência ótica, essenciais para aplicações em tecnologias de visualização e interfaces inteligentes.

“Os ecrãs, touchscreens e células solares atuais continuam a ser fundamentalmente frágeis. O nosso objetivo é criar eletrónica macia, resiliente e sustentável, capaz de resistir a dobragens, alongamentos, impactos e até perfurações sem perder funcionalidade”, explica Mahmoud Tavak, líder do estudo e investigador do ISR.

“Os resultados incluem dispositivos eletroluminescentes capazes de esticar até 600%, enquanto o próprio condutor transparente suporta deformações até 1400%, o que significa que pode esticar até 14 vezes o seu comprimento original”, acrescenta.

Para validar o potencial da inovação, a equipa integrou o novo condutor em dispositivos optoeletrónicos e sistemas de eletroluminescência, demonstrando a sua aplicabilidade em contextos reais.

De acordo com Mahmoud Tavak, este avanço representa “um passo decisivo rumo a uma eletrónica verdadeiramente integrada no quotidiano”, aproximando a tecnologia da flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas biológicos.

Este trabalho de investigação é financiado pelo projeto Liquid 3D do Conselho Europeu de Investigação (ERC) (Grant Agreement n.º 101045072). Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Portugal - Departamento de Arquitetura mantém atividade plena noutros espaços da Universidade de Coimbra

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) informa que está concluído o processo de reorganização das atividades do Departamento de Arquitetura (DARQ), na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin e do início da empreitada de requalificação do Colégio das Artes, que até então era sede do Departamento. Está garantido o pleno funcionamento do DARQ noutros espaços da Universidade de Coimbra (UC), com todas as condições para os estudantes que frequentam o Departamento ou nele vão ingressar no próximo ano letivo.


Em resultado do esforço conjunto de toda a comunidade académica, para assegurar a continuidade das atividades com normalidade e o mínimo de perturbação possível, foi garantida a resposta coordenada e a mobilização de recursos que garantem o funcionamento pleno do DARQ, enquanto a utilização do Colégio das Artes estiver condicionada. As suas atividades estão neste momento distribuídas por diferentes espaços do Polo I da UC, como os Colégios de Jesus, de São Bento e das Artes [ala poente] e os Departamentos de Matemática, Física e Química.

Já as atividades do curso de Design e Multimédia da FCTUC, que também estava sediado no Colégio das Artes, foram transferidas para o Departamento de Engenharia Informática, no Polo II da UC.

“Com o esforço conjunto de toda a comunidade, envolvendo a colaboração de muitas Unidades Orgânicas e Unidades de Extensão Cultural e Apoio à Formação, foi possível resolver o impacto significativo que a tempestade Kristin e as intempéries que se seguiram tiveram em vários edifícios da UC. No caso concreto do Colégio das Artes, não posso deixar de sublinhar a estreita colaboração entre a FCTUC e a Reitoria, sempre envolvendo o DARQ, e o contributo solidário das Unidades que agora acolhem as atividades relocalizadas”, afirma o Vice-Reitor para o Património, Edificado e Turismo da UC, Alfredo Dias.

O Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, refere “o empenho e a resiliência de toda a comunidade DARQ e a colaboração de vários departamentos que, em articulação com o Gabinete Técnico da FCTUC e a Reitoria, tornaram possível restabelecer rapidamente as condições necessárias ao funcionamento das atividades”.

Luís Miguel Correia, Diretor do DARQ, sublinha que, “atendendo aos efeitos da depressão Kristin verificados em janeiro no Colégio das Artes, foram muitos os desafios colocados à Reitoria da UC, à Direção da FCTUC e à comunidade do DARQ”, exigindo a reorganização do Departamento e a garantia de instalações adequadas para acolher aulas teóricas, práticas e laboratoriais, bem como outras atividades académicas e científicas dos cursos de Arquitetura e de Design e Multimédia.

O Diretor reconhece que, “cerca de dois meses depois, a vida do DARQ se aproxima do seu funcionamento regular, apesar dos condicionalismos”, sublinhando a importância de “instalações que promovam a aprendizagem e o trabalho coletivo, sem dispersão”, e expressando confiança de que os esforços em curso permitirão melhorar as condições no próximo ano letivo. Enaltece ainda a “paciência e resiliência da comunidade do DARQ” ao longo deste período.

Ao mesmo tempo que foram asseguradas as condições necessárias ao normal desenvolvimento das atividades do DARQ, foi também iniciada a primeira fase das obras de requalificação do Colégio das Artes, incindindo na ala norte do edifício, com um investimento de cerca de quatro milhões de euros. “A Reitoria vai continuar a trabalhar até ao limite da sua capacidade de ação, como tem feito desde 2019, em estreita articulação com a FCTUC, para concretizar as soluções robustas e duradouras pelas quais todos ansiamos”, conclui o Vice-Reitor Alfredo Dias. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Internacional - Estudo liderado pela UC deteta microplásticos e contaminantes químicos em aves marinhas subantárticas

Um estudo internacional liderado por investigadores do Centre for Functional Ecology (CFE) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) detetou microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos) em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas, nomeadamente na Geórgia do Sul. Alguns destes compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos.


Neste estudo, publicado na revista Journal of Hazardous Materials, foram analisados indivíduos de sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção. No total, foram identificadas 1275 partículas de origem antropogénica nos tratos gastrointestinais dos indivíduos analisados, correspondendo a uma média de cerca de 17 partículas por indivíduo.

“As análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico. Foram também identificadas partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”, explica Joana Fragão, aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey, no Reino Unido.

O estudo analisou ainda a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves. Estes compostos, que podem interferir com o sistema hormonal, foram detetados, incluindo retardadores de chama, com concentrações mais elevadas no fígado.

“Os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”, sublinha Filipa Bessa, coautora do estudo.

Ainda assim, os investigadores destacam que estes dados contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes, sublinhando a importância de reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade, incluindo a implementação de programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra recebe Prémio ABB por avanços em método para síntese e reconstrução 3D a partir de imagens

O trabalho premiado tem aplicação em cirurgia minimamente invasiva para tratamento e diagnóstico de lesões articulares


O estudante Nelson Forte Simão, do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), recebeu o “Prémio ABB” referente ao ano letivo 2024/2025, atribuído pela multinacional ABB.

A cerimónia de entrega decorreu no passado dia 14 de abril, na Sala do Conselho da Unidade Central da FCTUC, no Polo II, e reconheceu o trabalho desenvolvido pelo estudante na dissertação de mestrado intitulada “3D Ellipsoid Splatting for Cameras with Radial Distortion: Applications in Arthroscopy”.

O trabalho premiado tem como motivação a artroscopia, que recorre à introdução de uma câmara através de uma pequena incisão para diagnosticar e tratar lesões articulares de forma minimamente invasiva. Apesar das suas vantagens, estes procedimentos colocam desafios significativos ao cirurgião devido à visibilidade e acesso limitados.

Além disso, a utilização de câmaras com distorção radial - o chamado efeito “olho de peixe” - dificulta a aplicação de algoritmos de Inteligência Artificial e Visão por Computador que possam vir a apoiar o médico durante a intervenção.

Neste contexto, Nelson Simão desenvolveu uma abordagem inovadora para aplicar 3D Gaussian Splatting (3DGS) a imagens com efeito de “olho de peixe”. O método proposto permite modelar simultaneamente a luz e a geometria tridimensional da cena, bem como gerar novas vistas artroscópicas, o que abre novas perspetivas para aplicações em navegação cirúrgica e educação clínica.

O trabalho foi supervisionado por João Pedro Barreto, Professor Associado do DEEC da FCTUC, e contou com a coorientação de Michel Antunes, gestor de Investigação e Desenvolvimento na S&N Orion-Prime, S.A., uma empresa de tecnologia médica com origem na atividade de investigação da universidade.

Para Mário do Ó, Líder da área de negócio Motion e Membro do Board da ABB Portugal, "o Prémio ABB é uma forma de reconhecer e valorizar o talento e a excelência académica em áreas tecnológicas críticas para o futuro da indústria. O trabalho desenvolvido demonstra o enorme potencial da investigação aplicada, com impacto direto em áreas tão exigentes como a saúde. Esta iniciativa reforça também a ligação da ABB ao meio académico, ao promover a inovação e contribuir para a formação de profissionais preparados para responder aos desafios tecnológicos do futuro".

O “Prémio ABB” distingue anualmente o estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC que obtenha a classificação mais elevada numa dissertação nas áreas de Automação Industrial, Controlo Automático, Robótica, Domótica e Acionamentos/Variação de Velocidade. O prémio, no valor de mil euros, inclui ainda a possibilidade de realização de um estágio remunerado na empresa. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Internacional - Fungos únicos no planeta estão a desaparecer. Estudo liderado pela Universidade de Coimbra alerta para perdas irreversíveis

Apesar de serem vitais para os ecossistemas, os fungos continuam largamente esquecidos na conservação global


Um estudo internacional liderado pelo Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) alerta que há espécies de fungos únicas no planeta, sem parentes próximos na árvore da vida, que podem desaparecer para sempre.

A investigação, desenvolvida em colaboração com o Comité para a Conservação dos Fungos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), identificou espécies evolutivamente distintas e globalmente ameaçadas. Estas espécies representam linhagens isoladas, com histórias evolutivas únicas acumuladas ao longo de milhões de anos, o que significa que a sua extinção não seria apenas mais uma perda de biodiversidade, mas sim o desaparecimento de ramos inteiros da história da vida na Terra.

Publicado na revista científica Conservation Letters, o estudo analisou 94 espécies de fungos pertencentes a géneros monotípicos, grupos que incluem apenas uma única espécie conhecida. Os resultados revelam um cenário preocupante: nove espécies já se encontram ameaçadas ou próximas disso, enquanto a maioria, 56, não dispõe de informação suficiente para avaliar o seu estado de conservação. Apenas 28 foram classificadas como de baixo risco. Para os investigadores, este desconhecimento é, por si só, um dos maiores sinais de alerta.

“A deficiência de dados reflete graves lacunas no conhecimento sobre estes organismos. Em muitos casos, as espécies são conhecidas apenas pela sua descrição original, feita há mais de uma década, sem qualquer registo desde então”, explica Susana Cunha, líder do estudo e aluna do Doutoramento em Biociências da FCTUC e do Jardim Botânico Real de Kew no Reino Unido.

“Isto significa que podemos estar a perder espécies únicas sem sequer termos consciência disso.”

Apesar do seu papel fundamental para a vida na Terra, nomeadamente na decomposição de matéria orgânica e na regulação dos ciclos de nutrientes, os fungos continuam largamente ausentes das prioridades globais de conservação. Ao contrário do que acontece com animais e plantas, ainda não existe uma lista que identifique as espécies de fungos mais distintas evolutivamente e ameaçadas, uma lacuna que os investigadores consideram urgente colmatar.

O estudo sublinha que a falta de dados resulta de anos de subinvestimento na investigação micológica. Sem informação básica sobre distribuição, ecologia e diversidade, torna-se difícil integrar os fungos nas políticas de conservação e garantir a sua proteção efetiva.

Para inverter esta tendência, os autores defendem um reforço do investimento em investigação de base, incluindo inventariações de campo e o uso de ferramentas inovadoras como o DNA ambiental, que pode ajudar a revelar a presença de espécies difíceis de detetar. Ao mesmo tempo, destacam o potencial da ciência cidadã como forma de acelerar o conhecimento, envolvendo comunidades locais na recolha de dados sobre a diversidade fúngica.

“Espécies com poucos registos ou registos antigos são candidatas ideais para projetos participativos”, sublinha Susana Gonçalves, coautora do estudo. “O envolvimento dos cidadãos pode ser decisivo para colmatar lacunas de informação e apoiar a conservação.”

Os investigadores recomendam, ainda, que estas espécies únicas sejam alvo de análises moleculares para confirmar a sua posição isolada na árvore da vida e, sempre que se confirme o seu carácter singular, que passem a ser prioridade na conservação. Sem uma ação concertada, alertam, o mundo arrisca-se a perder uma parte insubstituível do seu património natural, muitas vezes antes mesmo de a conhecer. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra alertam que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõem um método complementar

Um estudo coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET), alerta que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.


O trabalho, intitulado “Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review” e publicado na revista Freshwater Biology, envolveu 23 investigadores de sete instituições nacionais. A equipa analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, e realizou uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.

Segundo os investigadores, medir a taxa de decomposição da matéria vegetal permite avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, um aspeto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.”

O estudo revela, ainda, que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição. Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas.

“Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 26 de março de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra desenvolve tecnologia de Inteligência Artificial para reconhecer emoções na música

Uma equipa de investigadores do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a desenvolver novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) capazes de identificar automaticamente as emoções presentes na música, combinando análise do áudio e das letras das canções.


O trabalho é realizado no âmbito do projeto MERGE – Music Emotion Recognition: Next Generation, coordenado por Rui Pedro Paiva, docente da FCTUC, e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com um orçamento de 196 mil euros. A equipa inclui os investigadores Matthew Davies, Pedro Lima Louro, Renato Panda, Ricardo Malheiro e Ricardo Santos.

O objetivo é melhorar os sistemas que permitem classificar música de acordo com a emoção que transmite, funcionalidade cada vez mais relevante em plataformas de streaming.

Segundo Rui Pedro Paiva “o projeto MERGE pretende dar um salto na investigação nesta área, combinando áudio e letra das músicas para criar sistemas capazes de classificar emoções automaticamente, utilizando inteligência artificial, processamento de sinal áudio e linguagem natural.”

Uma das principais inovações é a abordagem bimodal, que integra dados do áudio e da letra, permitindo extrair descritores musicais relacionados com ritmo, tonalidade, expressividade e percussão. O projeto inclui também novas bases de dados públicas de música anotadas emocionalmente, fundamentais para robustecer a investigação nesta área.

Entre os resultados já obtidos está um protótipo de aplicação que posiciona cada música num “mapa emocional” com dois eixos: valência (emoções positivas ou negativas) e ativação (intensidade emocional). Isto permite criar playlists personalizadas ou explorar música conforme o estado de espírito do utilizador.

Além do avanço científico, o projeto pretende demonstrar estas inovações através de uma aplicação autónoma e uma plataforma web, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas mais precisos e úteis em Music Emotion Recognition.

O MERGE representa um avanço significativo num campo multidisciplinar que combina informática, ciência de dados, psicologia musical e inteligência artificial, com potencial impacto em bibliotecas musicais digitais, plataformas de streaming e novas formas de interação com música.

O projeto contou ainda com a contribuição significativa do estudante de doutoramento Tiago Ribeiro e de vários estudantes de mestrado que participaram no desenvolvimento do trabalho científico, entre os quais Alice Mangara, Hugo Redinho, Guilherme Almeida, Guilherme Branco, Luís Seco, Mariana Paulino, Pedro Sá, Samuel Machado, Simone Chieppa, Tiago Ribeiro e Tomás Ferreira. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 16 de março de 2026

Portugal - Estudantes da Universidade de Coimbra promovem nova edição da maior competição de robótica da Região Centro do país

O BotOlympics está de regresso para a sua 11.ª edição, afirmando-se como a maior competição de robótica da Região Centro. O evento decorrerá nos dias 19, 20 e 21 de março, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), no Polo II. A grande final terá lugar na praça central do Alma Shopping, no dia 22 de março.


Organizado pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC) e pelo Clube de Robótica da Universidade de Coimbra (CR/UC), o evento conta com o apoio institucional, do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR Coimbra), do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC), da FCTUC e da Câmara Municipal de Coimbra.

O principal objetivo do BotOlympics é dar a conhecer o mundo da robótica e da Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, através de uma abordagem divertida e acessível. A iniciativa procura inspirar os mais jovens e despertar o interesse por uma área que desempenha um papel determinante no futuro tecnológico.

A competição distingue-se por reunir, no mesmo espaço, alunos do ensino básico, secundário e superior. Esta partilha intergeracional promove a troca de experiências e o contacto direto com diferentes níveis de conhecimento.

Ao longo de quatro dias, os participantes poderão viver momentos de aprendizagem, desafio e convívio. A programação inclui ainda atividades paralelas e desafios surpresa preparados pela organização.

O evento integra também o BotKids, que terá lugar no Alma Shopping, no dia 21 de março. Este momento será dedicado a demonstrações e desafios abertos ao público, especialmente direcionados aos mais novos, aproximando a comunidade da robótica e da tecnologia.

A edição de 2026 contará com três provas distintas. A “RoboRoad Adventure”, integrada na Prova ISR e destinada ao ensino básico, desafia os robôs a percorrer uma estrada com cruzamentos e obstáculos, tomando decisões corretas até ao destino.

A “Robot Delivery”, correspondente à Prova Bot’n Roll e dirigida ao ensino secundário, simula um serviço de entregas, exigindo o transporte eficiente de caixas para os respetivos pontos de descarga.

Por fim, a prova “Polícia e Ladrão”, integrada na Prova FCTUC e destinada ao ensino superior, propõe a recriação de uma perseguição, na qual um robô polícia deve capturar um robô em fuga, testando rapidez e precisão.

Mais informações podem ser consultadas na página oficial do evento. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 6 de março de 2026

Portugal - Docente da Universidade de Coimbra distinguida por organização europeia na área da Química

Teresa Pinho e Melo, docente e investigadora do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), foi nomeada, pela Chemistry Europe, Chemistry Europe Fellows, distinção atribuída a personalidades que se destacam pelo contributo excecional para a comunidade científica europeia, demonstrando excelência em investigação e inovação.


Os 22 Chemistry Europe Fellows serão formalmente distinguidos pelas respetivas sociedades nacionais e homenageados durante o 10.º Congresso de Química EuChemS, que decorrerá em Antuérpia, em julho.

A Chemistry Europe é uma organização que reúne 16 sociedades químicas de 15 países europeus e amplamente reconhecida pela publicação de revistas científicas de elevada qualidade. O programa Chemistry Europe Fellows, atribuído bienalmente, desde 2015, reconhece membros de excelência das sociedades que integram esta organização, tal como a Sociedade Portuguesa de Química, cujos serviços prestados e trabalho académico têm fortalecido continuamente a missão desta organização e das sociedades associadas.

O trabalho científico desenvolvido pela especialista da FCTUC, reconhecido nacional e internacionalmente, contribuiu de forma notável para o avanço da Química Orgânica, valendo-lhe este importante reconhecimento da Chemistry Europe. A nomeação dos novos Fellows sublinha a relevância e o impacto crescente da investigação europeia em química, bem como o talento e dedicação de vários cientistas.

Esta distinção é vitalícia e os Fellows atuam frequentemente como embaixadores da colaboração pan-europeia. Entre os anteriores distinguidos contam-se laureados com o Prémio Nobel, como Ben Feringa (Países Baixos), Jean-Marie Lehn (França) e Sir Fraser Stoddart (EUA).

A lista completa dos cientistas distinguidos está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra lidera Experiência GLOSS que regressa à Terra da Estação Espacial Internacional

A experiência científica GLOSS (Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors: Optica para raios gama e sensores de estado sólido), liderada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), regressou à Terra a bordo da cápsula Cargo Dragon C211 da Space X, tendo amarado no Oceano Pacífico ao largo de San Diego, Califórnia, EUA.


A missão SpX-33 foi liderada por Rui Curado Silva, docente da FCTUC, e por Jorge Maia, da Universidade da Beira Interior (UBI), ambos investigadores do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) Coimbra.

Durante cerca de um ano, amostras de materiais (CZT: telureto de cádmio e zinco) das câmaras dos futuros telescópios de raios gama estiveram expostas ao ambiente espacial (radiação orbital, amplitudes térmicas extremas e oxidação).  «Estes sensores quando em operação no espaço, as suas prestações degradam-se e perdem sensibilidade observacional. Até ao presente, a relação entre o tempo de exposição destes sensores ao ambiente espacial e a degradação das suas prestações nunca foram estudadas com a requerida profundidade», revela Rui Curado Silva.

«Para observarmos o Universo nas bandas dos raios X e dos raios gama (astrofísica de altas energias), é necessário colocar no espaço telescópios equipados de sensores capazes de captar imagens do céu nestas bandas do espectro eletromagnético porque a atmosfera absorve este tipo de radiação antes de chegar à superfície da Terra», explica Jorge Maia.

De acordo com os especialistas, estes sensores estiveram na plataforma Bartolomeo da Estação Espacial Internacional, exposta em permanência ao ambiente exterior de radiação, bem como a variações de temperatura extremas, cerca de -150°C quando a Estação Espacial orbita do lado noturno da Terra, e a temperaturas na ordem dos 120°C quando a Estação se encontra do lado do sol.

Os sensores expostos ao ambiente espacial da Estação Espacial Internacional serão devolvidos a Coimbra dentro de dois meses, onde serão testados para avaliar o nível de degradação operacional quando as suas prestações serão comparadas com as prestações de sensores iguais que permaneceram na Terra.

«A partir desta análise, vamos validar a viabilidade destes sensores serem integrados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber de que forma será possível produzir sensores ainda melhores. Desta forma, esperamos contribuir para o desenvolvimento de instrumentação para astrofísica de altas energias e, por consequência, para a sensibilidade de observação, que poderá ter impactos importantes na compreensão da física das ondas gravitacionais, recém-descobertas», concluem.

Além da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna) e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma, Itália). Esta experiência foi financiada pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Portuguesa. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 2 de março de 2026

Portugal - Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra aposta no futuro com três novas licenciaturas em áreas estratégicas

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de anunciar o lançamento de três novas licenciaturas que reforçam a sua posição na linha da frente do ensino da engenharia em Portugal: Engenharia Aeroespacial, Construção Digital e Engenharia Naval e Oceânica. As novas formações arrancam já no ano letivo de 2026/2027 e refletem uma aposta clara na inovação e na transformação tecnológica.


A licenciatura em Engenharia Aeroespacial surge como resposta direta ao forte crescimento do setor aeronáutico e espacial, preparando profissionais para atuar em áreas como aviação, espaço, drones, satélites e novos sistemas de mobilidade aérea.

Já o curso de Construção Digital vem transformar a formação tradicional na área da construção, integrando tecnologias digitais avançadas, modelação BIM, automação, fabrico digital e princípios de sustentabilidade. Esta licenciatura pretende formar profissionais altamente qualificados para liderar a modernização de um setor em profunda transformação, respondendo aos desafios da eficiência energética, da digitalização e da construção sustentável.

A nova licenciatura em Engenharia Naval e Oceânica, que funcionará no Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz, aposta no enorme potencial estratégico do mar, formando engenheiros capazes de intervir nos domínios da construção naval, engenharia costeira, energias renováveis marinhas, exploração oceânica e proteção dos ecossistemas marinhos. Trata-se de uma área-chave para o desenvolvimento da chamada economia azul, com crescente impacto científico, tecnológico e económico.

Com esta aposta, a FCTUC reforça o seu compromisso com uma formação de excelência, fortemente ligada à investigação científica, à inovação e à proximidade ao tecido empresarial. As novas licenciaturas abrem portas a carreiras de elevado valor acrescentado, num contexto nacional e internacional, contribuindo para a captação de talento jovem e para o desenvolvimento sustentável do país.

As candidaturas decorrem no âmbito do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior. Universidade de Coimbra - Portugal