Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Universidade de Macau cria laboratório com Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) de Portugal

A Universidade de Macau (UM) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) de Portugal celebraram um acordo que preconiza a criação de um Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão.


“O laboratório integrará os pontos fortes académicos e os recursos de investigação de ambas as partes no domínio da nanomedicina de precisão, realizará projectos de investigação interdisciplinares, cultivará talentos de investigação de alto nível e aprofundará a cooperação entre Macau e Portugal em áreas afins”, informou a UM.

O acordo foi assinado na quinta-feira por Rui Martins, vice-reitor da UM, e Ana Pêgo, vice-directora de estratégia e criação de valor do i3S, numa cerimónia testemunhada pelo reitor da Universidade de Macau, Yonghua Song. Nesta deslocação ao campus da instituição local, Ana Pêgo visitou a Faculdade de Ciências da Saúde e o Instituto de Ciências Médicas Chinesas, onde pôde conhecer os resultados da investigação e discutir acções de colaboração com investigadores da UM. Ana Pêgo proferiu ainda uma palestra na UM sobre os projectos de investigação e realizações do i3S, e abordou o desenvolvimento de nanobiomateriais e neurociências com membros da UM. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Macau - Laboratório criado com a Universidade de Macau gera “grande entusiasmo” em Coimbra

O vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da Universidade de Coimbra, João Nuno Calvão da Silva, sublinhou ontem que o laboratório conjunto criado com a Universidade de Macau sobre ciências do cérebro “gerou um grande entusiasmo” na Faculdade de Medicina daquela universidade portuguesa


A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade de Macau (UM) criaram um laboratório conjunto para estudar o envelhecimento cognitivo e responder às necessidades geradas pelo aumento da esperança de vida, como o Jornal Tribuna de Macau já tinha adiantado há uma semana.

Após a inauguração, o vice-reitor para as Relações Externas e Alumni da UC, João Nuno Calvão da Silva, disse à Lusa que “o envelhecimento demográfico, o aumento da esperança de vida são tudo coisas absolutamente excelentes, mas que geram outro tipo de urgências”.

Em Macau, uma projecção da Direção dos Serviços de Estatística e Censos, divulgada em Fevereiro, prevê que o número de idosos ultrapasse o número de jovens já em 2023 e que os residentes com 65 anos ou mais representem 20,9% da população em 2041. Já em Portugal, de acordo com dados do Censos 2021, o número de pessoas com 64 anos ou mais de idade aumentou 20,6% desde 2011 em Portugal, com mais de 2,4 milhões nesta faixa etária, que representa 23,4% da população.

“As universidades de investigação têm dito presente a estas questões e procurado soluções, neste caso com parceiros de excelência”, sublinhou Calvão da Silva, acrescentando que as ciências do cérebro é “uma área de investigação de ponta”, tanto na UM como na UC.

A parceria com Macau, que irá incluir projectos de investigação conjuntos e intercâmbio de investigadores, “gerou um grande entusiasmo na Faculdade de Medicina” da UC, confessou o vice-reitor.

Calvão da Silva destacou a participação de Miguel Castelo Branco, o coordenador do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional da UC, que recebeu em Fevereiro o Prémio Bial de Medicina Clínica 2022, no valor de 100 mil euros, por 15 anos de trabalho sobre o autismo.

Antes da inauguração, o vice-reitor para os Assuntos Globais da UM, Rui Martins, mencionou que as duas instituições estão “a negociar também uma proposta de doutoramento conjunto” na área das ciências do cérebro, em associação com o novo laboratório, outra iniciativa que também já tinha sido noticiada por este jornal.

Além de assinar o acordo de criação do laboratório, Calvão da Silva apresentou a tradução para chinês de um livro, da autoria do pai, sobre o direito ligado ao sinal e contrato-promessa em Portugal. Rui Martins sublinhou que o livro faz parte de uma série de cerca de 20 traduções que a Faculdade de Direito da UM está a fazer para apoiar o direito em vigor em Macau.

Durante uma visita de dois dias a Macau, Calvão da Silva passou também pela Universidade da Cidade de Macau (UCM), na qual abordou um programa de estudos avançados em Relações Económicas Internacionais, com a UCM, em língua inglesa. A iniciativa foi atrasada pela pandemia de covid-19, mas o vice-reitor da UC disse esperar “que possa ser lançado já para o próximo ano [lectivo de 2024/2025] com um número significativo de alunos”.

Calvão da Silva disse que, caso tenha sucesso, o programa pode ser seguido por “outros passos mais importantes” e ser um marco significativo no alargamento da “oferta formativa em inglês” da UC.

O responsável visitou ainda a Universidade Politécnica de Macau, onde falou sobre um acordo, assinado em Agosto, para lançar já este ano lectivo um duplo doutoramento em tecnologias de informação. “Está a ter uma grande adesão”, disse Calvão da Silva, revelando que o número de interessados já ultrapassou o de vagas, que não deverão ser mais de 20. “É um notável sucesso numa área importante”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Portugal - Cientistas criam laboratório para estudar geração de energia limpa e sustentável a partir da comunicação entre microalgas

Uma equipa de cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) criou um laboratório de bioeletrónica e bioenergia com o objetivo de estudar a geração de energia limpa e sustentável a partir da comunicação entre microalgas.

O projeto Generating Energy from Electroactive Algae (GREEN) foi um dos financiados pelas bolsas Starting Grant do European Research Council (ERC), tendo recebido 2,2 milhões de euros, em 2020.

«Este novo laboratório é uma base para estudos emergentes de bioeletricidade. A instrumentação presente permite medir um conjunto amplo de sinais, desde sinais lentos provenientes dos microrganismos que estamos a tentar recolher para produzir energia, até a sinais de alta frequência como é o caso de algumas células do cérebro humano. Acredito que este espaço será uma mais-valia para a ciência multidisciplinar», afirma Paulo Rocha, professor associado no Departamento de Ciências da Vida (DCV) e Investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE).

«Até ao momento, além do laboratório de investigação, já desenvolvemos um conjunto de sensores que consegue detetar comunicação entre microrganismos, nomeadamente microalgas e bactérias», revela o docente da FCTUC, acrescentando que a sua equipa tem vindo a tentar perceber se estes microrganismos comunicam, porque o fazem e se conseguem encontrar um maior sinal para a eletrónica, para captá-lo e armazená-lo.

«Começámos por estudar algumas espécies de microalgas para perceber o tipo de comunicação que tinham. Aliás, a nossa equipa tem um artigo, recentemente publicado, que demonstra a existência de comunicação entre estes microrganismos e ainda que o fazem através de canais iónicos - medidos por diversos sensores desenvolvidos pela nossa equipa e colaboradores», refere. 

«Se conseguirmos armazenar esses sinais bioelétricos de maneira eficiente, conseguimos ter uma fonte de energia renovável. Essa é a ambição principal do projeto», assegura o cientista.

De acordo com Paulo Rocha, a origem destes sinais elétricos ainda está por desvendar, mas há já evidencias de que é uma reação ao stress e até adaptação a determinadas condições. Portanto, pelo menos até 2025, a equipa irá continuar a trabalhar com objetivo de descobrir este fenómeno e, acima de tudo, alcançar uma nova fonte de energia renovável.

Para acompanhar o projeto pode aceder à página do GREEN. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Portugal - Universidade de Coimbra tem o primeiro laboratório ibérico especializado na certificação de ventiladores


A ICNAS-Produção, empresa da Universidade de Coimbra (UC), acaba de concluir a instalação do primeiro laboratório ibérico especializado no teste e certificação de dispositivos médicos respiratórios, designadamente ventiladores pulmonares, no contexto da Covid-19.

Chama-se VentiLab 4 COVID-19 e resulta de um projeto que obteve 329 mil euros de financiamento do COMPETE 2020, através do Sistema de Incentivos I&D Empresas e Infraestruturas de Ensaio e Otimização (COVID-19).

Face à atual situação pandémica, em que aumenta a pressão nos hospitais devido ao número elevado de infeções graves causadas pela Covid-19, os ventiladores de emergência são críticos. No entanto, estes dispositivos médicos só podem ser utilizados após certificação. Este laboratório permite fazer os testes «físico-químicos e microbiológicos indicados pelo INFARMED [autoridade competente pela certificação em Portugal], segundo as normas internacionais (normas "ISO"), para avaliar a biocompatibilidade e a segurança dos ventiladores desenvolvidos no âmbito da resposta à pandemia da Covid-19. As normas são aplicáveis a todo o tipo de ventiladores», explica Antero Abrunhosa, gerente da ICNAS-Produção e líder do projeto.

O VentiLab 4 COVID-19 possui equipamento analítico capaz de avaliar a qualidade dos gases que percorrem os ventiladores e «assegurar que os dispositivos não libertam contaminantes que possam ser nocivos para os doentes. Esses contaminantes podem ser partículas, compostos voláteis que sejam libertados, por exemplo, pelos materiais utilizados para fabricar os ventiladores, ou mesmo microrganismos como bactérias ou fungos», esclarece Antero Abrunhosa.

O gerente da ICNAS-Produção sublinha que este projeto é «um exemplo de como podemos readaptar os laboratórios e o conhecimento científico existentes nas empresas e nas universidades para fazer face à situação atual. A ICNAS-P produz medicamentos, tem laboratórios para o seu Controlo de Qualidade. Através deste projeto, adaptou agora um desses laboratórios para o teste dos ventiladores».

Atualmente, no espaço ibérico não existem laboratórios dedicados ao teste de ventiladores de emergência no âmbito da Covid-19. Assim, o VentiLab 4 COVID-19 é o primeiro laboratório ibérico construído especificamente para testar todos os tipos de ventiladores de emergência desenvolvidos no âmbito da pandemia, permitindo a certificação, essencial para a utilização clínica destes equipamentos.

Embora o laboratório agora criado esteja centrado na certificação de ventiladores no âmbito do combate à Covid-19, também é possível realizar outros testes que «envolvam a análise de componentes gasosos e está à disposição da comunidade científica e das empresas interessadas. A prioridade serão os ventiladores, mas não rejeitamos outros desafios», conclui Antero Abrunhosa. Universidade de Coimbra - Portugal


 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

China - Universidade de Soochow inaugurou o Laboratório Conjunto China-Portugal das Ciências de Conservação do Património Cultural, em parceria com a Universidade de Évora e a Universidade Cidade de Macau

 


Num comunicado, a universidade sublinha que o laboratório faz parte da iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota e foi incluído em Setembro pelo ministério chinês da Ciência e Tecnologia numa lista de projectos prioritários de cooperação internacional. O laboratório funcionará em rede, com as três universidades a colaborar em projectos que vão desde o digital à conservação preventiva e sistemas de manutenção, disse à Lusa António Candeias, vice-reitor da Universidade de Évora.

Uma das missões é a investigação em materiais históricos e novas tecnologias, disse o director do novo laboratório, Wu Yongfa, incluindo técnicas de reabilitação virtual do património cultural.

Assim que a pandemia permitir, o laboratório Hércules da Universidade de Évora, dedicado às ciências do património, irá enviar um laboratório móvel para realizar campanhas na China Continental, revelou António Candeias. Além de dar formação a investigadores chineses, as três universidades pretendem criar mestrados e doutoramentos conjuntos, acrescentou o académico, que já foi director do laboratório Hércules.

O laboratório pretende desenvolver projectos de conservação e programas de investigação e formação em conjunto com autoridades e instituições da China Continental, Macau e Portugal, confirmou a Universidade de Soochow.

O acordo que levou à formação do laboratório foi assinado a 6 de Novembro e é válido por cinco anos.

A ligação à universidade da cidade de Suzhou, que fica perto de Xangai, surgiu através de uma parceria já existente entre a Universidade de Évora e a UCM, disse António Candeias. A instituição de Macau vai financiar uma cátedra dedicada ao desenvolvimento sustentável do património cultural em Évora, enquanto a universidade portuguesa vai ajudar a abrir e a montar em Macau um laboratório instrumental afiliado ao laboratório Hércules, num projecto que recebeu financiamento da Fundação Macau.

A deslocação de um investigador português para começar a montar o laboratório na UCM foi adiado para Janeiro ou Fevereiro devido à pandemia, lamentou António Candeias. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Moçambique - Novo Laboratório de Paleontologia foi inaugurado na Gorongosa

Durante a sua recente visita ao Parque Nacional da Gorongosa para as celebrações do Dia Mundial dos Fiscais de Fauna Bravia, a Ministra da Terra e Ambiente de Moçambique, Ivete Maibaze, inaugurou o novo Laboratório de Paleontologia do Parque.

O Laboratório de Paleontologia foi construído para fornecer um espaço de trabalho adequado para estudar as recentes descobertas de fósseis de mamíferos na Gorongosa. O laboratório contém uma sala de colecção de fósseis, uma sala de trabalho para análise de fósseis, um escritório, uma sala de aula e uma sala de armazenamento (para todos os equipamentos de colecta e levantamento).

Esta nova instalação é uma expansão bem-vinda para o Laboratório de Biodiversidade Edward O. Wilson, que foi inaugurado em 2014. O Laboratório está a apoiar inventários de biodiversidade e pesquisas ecológicas. Possui um laboratório molecular e possui colecções zoológicas e botânicas de espécies do Parque. Também é realizado um mestrado em tempo integral em Biologia da Conservação, com doze estudantes moçambicanos.

Com este novo Laboratório de Paleontologia, será possível exibir a coleção de fósseis, fornecer um espaço de trabalho para investigadores de paleontologia e primatologia (incluindo a Escola de Campo Oxford-Gorongosa anual) e adicionar outra sala de aula para programas educacionais, permitindo workshops de programas de mestrado em simultâneo.

O Projecto Paleo-Primata da Gorongosa (PPPG) é liderado pela Dra. Susana Carvalho - Professora Associada de Paleoantropologia na Escola de Antropologia e Museu de Etnografia de Oxford, onde coordena o Laboratório de Modelos de Primatas para Evolução Comportamental no Instituto de Antropologia Cognitiva e Evolutiva. O Projecto está actualmente a formar e orientar vários estudantes moçambicanos na área da paleontologia: Jacinto Mathe a nível de Mestrado / Doutoramento, Amélia Macôa, Clara Mendes e Açucena Nhantumbo a nível de licenciatura (Universidade Eduardo Mondlane). Tongai Castigo (que estuda paleobotânica) tem colaborado estreitamente com a equipa do PPPG e agora está a ter colaboração do Projecto num artigo sobre plantas fósseis. Outra estudante moçambicana na área de primatologia é Rassina Farassi, que está a concluir o seu mestrado. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Macau – Ivermectina a solução para o tratamento da covid-19?

Ivermectina é o nome do princípio activo produzido pela Hovione Macau que, segundo uma equipa de investigadores de Melbourne, na Austrália, pode ser a solução no tratamento da Covid-19. É nos laboratórios de Macau que a empresa portuguesa produz para todo o mundo o fármaco usado principalmente como desparasitante, e que poderá servir também para travar o novo coronavírus



Há uma embalagem transparente com cinco gramas de um pó branco em exposição dentro de uma das caixas de luz de um dos laboratórios da Hovione Macau. É a ivermectina, e nem Eddy Leong, director-geral das operações de Macau da farmacêutica portuguesa, nem Philip Lee, líder da equipa de controlo de qualidade, se atrevem a adivinhar um preço para aquele pacote. “Quanto mais branco, mais puro”, diz apenas Philip ao Ponto Final.

No laboratório de cromatografia, que serve para os profissionais da Hovione Macau purificarem as substâncias com as quais trabalham, há dez aparelhos HPLC nas bancadas, ventiladores a sair do tecto e quatro cientistas de luvas, óculos e bata branca. Nesta sala, explica Philip Lee, confirma-se a qualidade das amostras e verifica-se o nível de impurezas. Aqui são analisadas amostras dos cerca de 15 fármacos produzidos pela Hovione Macau.

O laboratório imediatamente ao lado tem um propósito semelhante. Aqui, os aparelhos pousados nas bancadas chamam-se Mastersizer 3000 e servem para analisar o tamanho das partículas de cada amostra. “Para que, por exemplo, cada partícula tenha o tamanho certo para ser absorvida pelo corpo humano”, explica Philip Lee. Ao lado, há dois UV Spectrometer. “O da direita é novo, foi comprado já este ano”, frisa Philip. Estes aparelhos são usados para analisar a qualidade das partículas através da luz ultravioleta. Na sala, mais microscópios, balanças, fornos, tubos de ensaio, lâmpadas e tubos brancos vindos do tecto.



Esperança no tratamento da covid-19

O pó branco em exposição na caixa de luz tem estado em destaque nas últimas semanas porque uma equipa de investigadores da universidade australiana de Monash, em Melbourne, concluiu, através de testes ‘in vitro’, que a ivermectina pode eliminar o novo coronavírus em 48 horas. O estudo foi publicado pela revista científica Antiviral Research. As atenções voltaram-se, então, para Macau, já que grande parte da produção da ivermectina é assegurada no território.

A ivermectina é um princípio activo desparasitante, usado habitualmente em medicamentos para combater os piolhos, a rosácea e a Cegueira dos Rios, uma doença causada pela picada de moscas e cujas larvas acabam por provocar cegueira em humanos. As conclusões do estudo australiano para a aplicação em casos de infecção pela Covid-19 foram apenas feitas, até agora, ‘in vitro’, e ainda não há data para os testes em humanos.

De Loures para a Taipa

A Hovione foi fundada, em 1959, em Loures, Portugal, pelo francês Ivan Villax. O químico esteve na China no final da década de 1970. Em 1979, abriu um escritório em Hong Kong e, em 1983, abriu a fábrica de Macau. O empreendimento custou 30 milhões de patacas e reaproveitou as antigas instalações da fábrica de panchões Him Un Iec Kei Chan, na Taipa.

Hoje, a Hovione investiga e desenvolve novos processos químicos e dispositivos médicos. Além disso, produz princípios activos para a indústria farmacêutica mundial. Tem actualmente cinco fábricas, em Portugal, Macau, Nova Jérsia, nos Estados Unidos, em Taizhou, na China, e em Cork, na Irlanda. Até 2028, a empresa quer ser a principal fornecedora de soluções farmacêuticas a nível global, lê-se no site da empresa. Nas instalações de Macau, há cerca de 200 funcionários, 15 dos quais portugueses.



Eficácia da doxiciclina contra o antrax

Em 2001, o antrax começou a ser usado como arma biológica, principalmente nos Estados Unidos. Uma substância chamada doxiciclina provou ser eficaz no tratamento das infecções pulmonares, na pele e nos intestinos associadas ao antrax. Essa substância, à semelhança daquilo que acontece agora com a ivermectina, era produzida quase em exclusivo pela Hovione Macau.

De acordo com um comunicado divulgado a 31 de Outubro de 2001, pela própria Hovione, a fábrica de Macau registou, na altura, um aumento “dramático” nas vendas da doxiciclina. “A Hovione, com uma unidade de produção na ilha da Taipa, Macau, aumentou a produção de doxiciclina para atender à crescente procura por parte dos Estados Unidos, provocada pelos ataques bioterroristas com antrax”, lê-se na nota da empresa. Uma semana depois, a emissora norte-americana CNN noticiava que a doxiciclina era o fármaco escolhido pela Administração de George W. Bush para o tratamento das infecções. “As autoridades de saúde de Washington anunciaram que vão dar às pessoas que precisem de tratamento preventivo contra o antrax o antibiótico doxiciclina”. Na altura, a Hovione Macau exportou a substância para a América, Europa, Austrália, Paquistão, Índia e Irão, por exemplo. No total, foram mais de 30 países os que receberam a doxiciclina de Macau. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Suíça - O teste que deverá permitir a volta à normalidade

Teste serológico, "O teste em si é rápido e fácil de realizar", explica Giuseppe Togni do laboratório Unilabs. Uma máquina pinga o soro sanguíneo sobre uma solução contendo o antígeno derivado do vírus, que se encontra contido num pequeno tubo de ensaio. Após um curto período de incubação, a máquina lê automaticamente o resultado: uma reação colorida significa "positiva", os anticorpos estão presentes no soro. Uma só máquina pode realizar 400 testes por hora de forma totalmente automática e, se necessário, operar 24 horas por dia



Cientistas de todo o mundo concordam que encontrar uma vacina contra a Covid-19 levará meses, se não anos. Entretanto, o mundo científico e político deve dar respostas aos cidadãos para que estes possam regressar à sua vida quotidiana normal o mais rapidamente possível. A solução pode consistir em testes serológicos, que estarão prontos na Suíça até ao final de abril.

Enquanto esperam por uma vacina ou tratamento para combater a Covid-19, os cientistas apostam no diagnóstico. Para além do rastreio, o teste serológico é uma das soluções disponíveis. 

Do que se trata esse teste?

O nosso organismo combate as doenças infecciosas através do sistema imunológico: produzimos anticorpos em resposta a agentes externos, para enfrentá-los e erradicá-los (assim espera-se). Depois de derrotarmos uma doença infecciosa, mantemos uma espécie de "memória" do vírus que nos atacou na nossa corrente sanguínea, para que possamos combatê-lo melhor e mais rapidamente se ele voltar. Esta memória é o anticorpo, e o resultado final é a imunidade.

O teste serológico pode detectar a presença destes anticorpos no soro sanguíneo. Uma vez que estes são produzidos pelo nosso corpo após vários dias ou semanas, o teste é utilizado para compreender não se a doença está presente, mas se a desenvolvemos. Neste caso estamos considerando principalmente pessoas assintomáticas que não sabem que foram infectadas.

O objetivo do teste serológico é identificar pessoas que tenham se recuperado da infecção e descobrir se são imunes à Covid-19. Estes são dois aspectos fundamentais para aqueles que têm de decidir a nível político como agir nas próximas semanas ou meses, se é preferível continuar a restringir os direitos fundamentais dos indivíduos ou se é seguro relançar o país à normalidade. em segurança.

O teste na Suíça

O teste é desenvolvido em laboratórios de todo o mundo, numa corrida contra o tempo. A Suíça, que está na vanguarda da pesquisa biomédica, também investe recursos para responder a este desafio.

Já se encontram hoje no mercado vários testes. Os melhores têm uma confiabilidade entre 85 e 90%. Giuseppe Togni, Director Científico do laboratório central da Unilabs em Coppet, cantão de Vaud, considera que os dados são insuficientes: "A confiabilidade é essencial com este tipo de teste. Nos nossos laboratórios, conseguimos atualmente alcançar uma taxa de 99%. Mas isto não é suficiente. Temos de ter 100% de certeza. Seria perigoso para qualquer pessoa sentir-se segura com base num mau teste".

O passo decisivo para alcançar 100% de confiabilidade deve ser dado nas próximas semanas. "Até há poucos dias, não me atreveria a antecipar uma data", admite Giuseppe Togni, responsável por uma força-tarefa internacional, "mas, tendo em conta os resultados, estou muito confiante". Um teste serológico fiável estará pronto no final do mês de abril". Na corrida para desenvolver um teste, a equipe de Giuseppe Togni está trabalhando com as universidades de Genebra e Zurique.

Anticorpos protetores?

A monitorização dos anticorpos é essencial, mas também é necessário determinar se estes anticorpos permitem o desenvolvimento da imunidade. Como explica Giuseppe Togni, "o importante é saber se esses anticorpos são 'neutralizantes' ou não". Existem anticorpos protetores (uma vez desenvolvidos, a pessoa fica imune à doença) mas também existem anticorpos que não o são, como o que combate a AIDS.

Atualmente, é ainda muito cedo para rotular esses anticorpos como neutralizantes. "Ainda não há estudos definitivos. Com base na nossa experiência, estes anticorpos devem ser protetores porque a Covid-19 é muito semelhante a outros coronavírus que já conhecemos", diz o investigador.

Isso significa que aqueles que superaram a infecção estariam protegidos, independentemente de terem ou não desenvolvido sintomas.

Ciência e política

Se conseguirmos identificar com segurança aqueles que são imunes, eles poderão voltar ao trabalho, minimizando assim o risco de contágio. "No entanto, não é essa a questão que temos de colocar a nós próprios. Temos de nos perguntar para quem são estes testes. Não vale a pena testar toda a população. No Ticino, por exemplo, de acordo com estudos fiáveis, entre cinco a dez por cento das pessoas estão infectadas. Não faria sentido testar toda a gente".

Então, quem deve ser testado? Giuseppe Togni está convencido: "Acima de tudo, o pessoal de enfermagem. Depois, todas as pessoas em profissões que não podem ser interrompidas. Depois, podemos considerar a possibilidade de alargar os testes a outros setores". Mas cuidado, adverte o cientista: "durante este período, vimos emergir uma grande solidariedade entre as pessoas e especialmente entre gerações. Se começarmos a escolher quem pode e quem não pode fazer o teste, essa solidariedade pode facilmente desaparecer".

O teste estará disponível no final de Abril, no momento em que a crise do coronavírus atingir o seu pico na Suíça. Caberá então aos políticos fazer bom uso dela. Riccardo Franciolli – Suíça in “Swissinfo.ch/ets”

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Portugal – Universidade do Minho cria laboratório de Biologia Alimentar



A Universidade do Minho vai criar um laboratório de formação, investigação e conhecimento na área da Biologia Alimentar, em Vila Nova de Famalicão, na antiga Didáxis, local “propicio à partilha de conhecimento e inovação”, adiantou a autarquia.

Em comunicado enviado à Lusa, a câmara de Famalicão explica que a nova estrutura da academia minhota vai ficar instalado na “no futuro Centro Tecnológico das Carnes” e beneficiara ainda do facto “do concelho ser epicentro de um conjunto de empresas de referência nacional e internacional no setor”.

Segundo explica a autarquia, “até ao final do ano, cerca de 30 investigadores da Universidade do Minho estarão a trabalhar em Vila Nova de Famalicão, mas o objetivo é expandir o laboratório e alargá-lo a outras áreas”

Além dos laboratórios de investigação, o espaço, recentemente adquirido pela autarquia, terá ainda um conjunto de salas para formação e uma incubadora para transferência de conhecimento, sendo os setores a privilegiar o âmbito alimentar (carnes, bolachas e produtos relacionados e laticínios), áreas identificadas como sendo de referência para o município.

“Este espaço é uma mais-valia para o concelho. Vem acrescentar uma nova resposta ao nível do ensino e da investigação”, afirma no texto o presidente da autarquia, Paulo Cunha.

O autarca refere ainda ser “muito gratificante para a câmara municipal constatar o interesse de uma instituição como é o caso da Universidade do Minho, em trazer para Famalicão um centro de investigação de excelência que não só responderá a necessidades locais como a outras dinâmicas de outros âmbitos, nomeadamente empresariais e económicas”.

No texto, a autarquia explica que a Universidade do Minho “reconhece a importância do município de Vila Nova de Famalicão, como parceiro para o desenvolvimento da sua atividade de formação (avançada), investigação e para o reforço da valorização e transferência de conhecimento”.

As duas entidades vão assim assinar um protocolo que “pretende responder à necessidade de reforçar a interação da Universidade do Minho com o município, contribuir para a dinamização da atividade económica, reforçar a atividade cientifica da UMinho em cooperação com o tecido industrial da região, apostar na formação avançada dos quadros das empresas, promover a transferência e valorização de conhecimento gerado e apostar em áreas de atividade económica emergente no concelho”.

Para além da Universidade do Minho, o edifício receberá a partir de setembro um polo do Instituto Politécnico de Cávado e do Ave (IPCA) que se vai juntar ao polo do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) com oferta dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais, em várias áreas. In “Mundo Português” - Portugal

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Macau - Laboratório de tradução automática chinês-português vai nascer entre Macau e Évora

A Universidade Cidade de Macau e a Universidade de Évora estão a trabalhar no desenvolvimento de um novo sistema de tradução chinês-português cujos primeiros resultados devem surgir daqui a um ano. Paulo Quaresma, um dos investigadores responsáveis pelo projecto, disse ao Ponto Final que a equipa está agora a trabalhar nas candidaturas a programas de investimento em Macau e Portugal



A Universidade Cidade de Macau e a Universidade de Évora estão a colaborar na criação de um laboratório de tradução automática chinês-português. O projecto foi apresentado por Paulo Quaresma, professor associado do Departamento de Informática da Universidade de Évora, durante a primeira conferência sobre inovação de conhecimento entre a China e os países de língua portuguesa e latino-americanos que ontem decorreu na Universidade Cidade de Macau. Ao Ponto Final, o académico e um dos seis coordenadores do laboratório disse esperar obter os primeiros resultados daqui a um ano. Para breve estão as candidaturas a programas de financiamento, tanto em Portugal como em Macau, com a equipa a esperar obter cerca de um milhão de euros (cerca de nove milhões de patacas) para arrancar com o projecto.

O processo nasceu há um ano, durante o qual a equipa de investigadores esteve a preparar as candidaturas que serão brevemente apresentadas, em Macau, ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), e em Évora, ao programa de fundos comunitários Alentejo 2020. Com cada candidatura a equipa espera obter entre 400 mil a 500 mil euros (entre 3,6 milhões e 4,5 milhões de patacas), destinados a financiar a infra-estrutura tecnológica de grande desempenho computacional, que ficará localizada em Évora, e a equipa de investigadores a tempo inteiro durante dois anos que será constituída por três doutorados e, pelo menos, cinco doutorandos. Actualmente, a trabalhar no projecto estão quatro investigadores das áreas da informática e da linguística da Universidade de Évora e outros dois docentes da Universidade Cidade de Macau.

Segundo explicou Paulo Quaresma, trabalhar com o par chinês-português constitui um desafio particular, quando comparado, por exemplo, com português-inglês, e especialmente devido às diferenças que separam as duas línguas e à falta de recursos de tradução. “Temos este grande desafio de trabalhar especificamente para o par de língua chinês-português. Temos que usar, por exemplo, as publicações oficiais do Governo [de Macau] que estão nas duas línguas oficiais como ‘input’ destes novos sistemas de aprendizagem automática que vão tentando criar um modelo mais adequado para a tradução automática nos dois sentidos”, explicou o investigador, doutorado em Informática.

Para Paulo Quaresma, o que vai distinguir este novo sistema de tradução de outros já existentes como, por exemplo, o Google Translate, é a introdução e utilização de informações específicas do chinês e português aplicadas ao conhecimento do mundo. “Para se conseguir dar um salto qualitativo grande nos sistemas actuais, nomeadamente neste par de línguas é preciso algo que normalmente os sistemas actuais não estão a incorporar, que é informação específica das línguas em casa. Os sistemas de hoje em dia são um processo automatizado e, no fundo, recebem como ‘input’ grandes quantidade de documentos em português e em chinês e tentam criar um modelo”, explicou o docente.

“Precisamos de ter informação de facto linguística das duas línguas e conhecimento do mundo como ‘input’ para melhorar os sistemas de tradução. O que nós defendemos é que não se pode esquecer todo o trabalho de investigação que foi feito em dezenas de anos na área da linguística de perceber como é que a língua portuguesa e a língua chinesa funcionam, quais os seus modelos e os sistemas actuais esquecem um pouco isso, é tudo automatizado”, defendeu. A comprovar-se esta abordagem, os primeiros resultados deste novo sistema de tradução devem aparecer daqui a um ano, disse Paulo Quaresma. Catarina Vila Nova – Macau in “Ponto Final”

segunda-feira, 13 de março de 2017

Guiné-Bissau – Vai dispor de um novo laboratório

Bissau – A Guiné-Bissau vai contar brevemente com um novo Laboratório de Saúde Pública no quadro de um projecto sub regional de 2013 e financiado pelo Banco Mundial no valor de 21 milhões de dólares.

A revelação é do Presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (Inasa), durante a cerimónia de entrega de certificados a cerca de 40 técnicos de Laboratório de diferentes unidades hospitalares de Bissau.

Plácido Cardoso afirmou que o referido projecto visa o reforço da vigilância epidemiológica, ambiental, animal e humana e que engloba a Guiné-Bissau e os restantes países da África Ocidental, e que está a ser implementado por fases.

Aquele responsável afirmou que estão empenhados na criação de Unidade de Gestão do Projecto tendo em conta o montante elevado posto a sua disposição e que deverá entrar em funcionamento antes do final do ano em curso.

“Um dos componentes do projecto será a construção de um novo Laboratório Nacional de Saúde Pública que vai absorver cerca de três milhões de dólares e que terá mais competências e maior nível de segurança em comparação com o actual”, explicou Plácido Cardoso.

O Presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública disse que o novo laboratório terá outra inovação porque vai estar igualmente ao serviço da veterinária, ambiente entre outros, de forma a dar resposta a exigência da saúde pública do país.

Plácido Cardoso sublinhou que um dos objectivos prioritários do INASA é de adoptar o Laboratório Nacional de capacidades que permitam a investigação e a resposta a várias ameaças de saúde pública.

“Em várias ocasiões já dissemos que um laboratório de referência ajuda-nos nas investigações porque é com base nas investigações que poderemos ter orientações para as respostas”, referiu.

Aquele responsável afirmou que vão continuar a fazer exames de rotina, acrescentando que, o que é inerente ao Laboratório de referência nacional a ser construída é justamente para ter a competência de investigar e antecipar surtos entre outros.

O Presidente do Instituto Nacional de Saúde “Ricardo Jorge” de Portugal, Fernando Almeida, instituição que apoiou a referida formação, disse que pretendem criar competências e não dependências na cooperação com a Guiné-Bissau, no domínio sanitário.

“Por isso nós estamos muito contentes em entregar esses certificados de autonomia. Isso é a competência sem dependência”, frisou.

O curso com a duração de cinco meses foi ministrado por especialistas do Instituto Nacional de Saúde “Ricardo Jorge” de Portugal e visa capacitar os técnicos de laboratório da Guiné-Bissau nos domínios de diagnóstico de meningite, paludismo, febre-amarela, tuberculose, de vírus do ébola, zika entre outros. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau