Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra desenvolve sistema de IA que visa a monitorização das pegadas ambientais na agricultura

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um sistema baseado em inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) que visa a monitorização das pegadas ambientais na agricultura.


 

O projeto “Pegada 4.0”, liderado pela Universidade de Évora e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foca-se em cinco indicadores essenciais: dióxido de carbono, recursos hídricos, poluição difusa, paisagem e biodiversidade. O objetivo é medir e reduzir o impacto ambiental das práticas agrícolas, promovendo uma produção mais sustentável.

Catarina Silva, professora do Departamento de Engenharia Informática (DEI) e investigadora do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), explica que o foco principal da FCTUC é a pegada da biodiversidade, incentivando a sua preservação e crescimento nas parcelas agrícolas definidas no projeto. «Trabalhamos na monitorização da biodiversidade, recolhendo e processando informação sobre espécies existentes e a sua evolução ao longo do tempo», conta a líder do projeto na UC.

A metodologia utilizada inclui a recolha de dados multimodais, abrangendo medições de temperatura e humidade, imagens de insetos e plantas, registos sonoros de aves, entre outros. O objetivo é integrar e analisar estas informações, permitindo a identificação automática das espécies e a deteção de novas ao longo do tempo, através de modelos de IA dinâmicos.

O projeto conta com a participação de 20 parceiros agricultores e diversas herdades, que colaboram ativamente na monitorização ambiental. A empresa Agroinsider, ligada à Universidade de Évora, está também envolvida na iniciativa. 

Dinis Costa, estudante do DEI envolvido nesta investigação, destaca a importância da “SmartAg”, uma aplicação desenvolvida no âmbito deste projeto, que permite aos agricultores submeter imagens e sons em tempo real para análise científica. «A app é usada para registar evidências das espécies, indicando qual a espécie, coordenadas e hora do registo», explica.

Bernardete Ribeiro, docente do DEI e investigadora do CISUC, sublinha que este projeto representa um avanço significativo na agricultura de precisão, apostando em modelos de IA e machine learning dinâmicos para uma maior eficiência. «Pretendemos implementar estes modelos em hardware de baixo custo, tornando o processo mais eficaz, desde a conceção até à implementação no terreno», afirma.

A pegada da monitorização também inclui a instalação de armadilhas de insetos que recolhem imagens para identificação de espécies. Segundo o aluno do DEI, a “SmartAg” permite que os agricultores registem as espécies avistadas. Essas imagens serão classificadas automaticamente através de modelos inteligentes. «Numa fase inicial, os agricultores apenas têm de validar se a classificação da IA está correta, ajudando a melhorar continuamente os modelos», esclarece. 

Este projeto analisa ainda o impacto das alterações da paisagem na biodiversidade, demonstrando como a gestão sustentável pode beneficiar o ecossistema agrícola. Com modelos de IA já em teste no terreno, a equipa da FCTUC está a trabalhar para consolidar estas tecnologias na prática agrícola.

«Com esta abordagem inovadora, espera-se que a agricultura portuguesa se torne mais eficiente e amiga do ambiente, estabelecendo um novo padrão para a gestão agrícola sustentável», conclui a equipa. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Portugal - Ondjaki galardoado com Prémio Vergílio Ferreira 2023

A escolha para o Prémio Vergílio Ferreira recaiu este ano sobre Ondjaki, escritor, livreiro e artista de diversas disciplinas. Este galardão, instituído pela Universidade de Évora (UÉ) em 1996, incide sobre o conjunto da obra de um autor que se tenha distinguido nos domínios da ficção ou do ensaio


O júri, reunido na Universidade de Évora, decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio Vergílio Ferreira a Ndalu de Almeida, popularmente conhecido como Ondjaki. “O contributo que Ondjaki faz para que a língua portuguesa seja língua de reconciliação e mesmo de consciência crítica para todos os falantes de português” é destacado pelo júri.

Ondjaki nasceu em Luanda, Angola, em 1977 e estudou sociologia na Universidade de Lisboa. As suas obras incluem poemas como “Actu sanguíneu”, contos “Momentos de aqui”, livros infantis “A bicicleta que tinha bigodes” ou romances “Quantas madrugadas tem a noite” e “Bom dia, camaradas.”

Escreve também peças de teatro e roteiros de cinema. Recebeu inúmeros prémios, incluindo o Prémio Sagrada Esperança 2004 em Angola, o Prémio António Paulouro 2005 em Portugal, Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco em 2007, e o Grinzane for Africa 2008, na categoria de melhor jovem autor e, em 2013, recebeu o Prémio Literário José Saramago por seu romance Os Transparentes. Em 2012, o jornal britânico The Guardian nomeou-o como um dos cinco escritores africanos mais importantes. Os seus livros foram traduzidos para francês, italiano, alemão, inglês, sérvio, polaco e sueco. Em Umbundu, uma das línguas nacionais angolanas, Ondjaki significa "guerreiro".

Na edição referente a 2023, o júri, presidido pelo professor da Universidade de Évora Antonio Sáez Delgado, integra também os docentes universitários Eunice Ribeiro (Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho); Fátima Freitas Morna (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa); Elisa Nunes Esteves (Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora) e Miguel Filipe Mochila (Crítico Literário).

Tal como nas edições anteriores, a cerimónia de entrega do galardão está agendada para o dia 1 de março, data em que se assinala o aniversário da morte do escritor Vergílio Ferreira (1916-1996), patrono do prémio e autor de "Aparição".

O Prémio Vergílio Ferreira foi atribuído, pela primeira vez, a Maria Velho da Costa, seguindo-se Maria Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vítor Manuel de Aguiar e Silva e Agustina Bessa-Luís.

Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Mário de Carvalho, Luísa Dacosta, Maria Alzira Seixo, José Gil, Hélia Correia, Ofélia Paiva Monteiro, Lídia Jorge, João de Melo, Teolinda Gersão, Gonçalo M. Tavares, Nélida Piñon, Carlos Reis, Ana Luísa Amaral e Helena Carvalhão Buescu foram os outros galardoados. Universidade de Évora - Portugal


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

África - Empresa de Évora lidera projeto internacional sobre hidrogénio natural

HyAfrica é o nome do projeto que arranca ainda em agosto. Terá a duração de três anos e é financiado pela União Europeia


A empresa portuguesa CONVERGE!, sediada em Évora, vai liderar o primeiro projeto de investigação internacional sobre prospeção e utilização de hidrogénio natural como nova fonte de energia, o HyAfrica, financiado pela União Europeia, foi hoje revelado.

O projeto, com início este mês e uma duração de três anos, é liderado pela CONVERGE!, uma "spin-off" da Universidade de Évora (UÉ) e sediada no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), mas envolve mais oito parceiros.

O HyAfrica "visa estimar os recursos em hidrogénio natural em regiões promissoras de Marrocos, de Moçambique, da África do Sul e do Togo e avaliar o seu impacto socioeconómico para as comunidades locais", explicou hoje a UE, em comunicado enviado à agência Lusa.

"O projeto envolverá as partes interessadas na identificação dos procedimentos de regulação e licenciamento necessários para a exploração de hidrogénio nos países alvo e comparará os modelos de negócio baseados em hidrogénio natural com outras soluções de energias renováveis para compreender as suas vantagens e complementaridade", acrescentou.

Este é "o primeiro projeto de investigação internacional sobre a prospeção e utilização de hidrogénio natural como uma nova fonte de energia", cofinanciado pela União Europeia através da Parceria Euro-Africana em Investigação e Inovação em Energias Renováveis (LEAP-RE).

O HyAfrica - "Rumo a uma fonte de energia renovável de próxima geração - o hidrogénio natural como opção energética em África" parte de uma pergunta base: "Pode o hidrogénio natural ser usado para gerar eletricidade para as comunidades locais?".

A CONVERGE!, com cinco anos de existência e atividade de investigação e desenvolvimento (I&D) nos domínios da geoenergia (geotermia, hidrogénio natural, armazenamento de energia e de CO2 em formações geológicas), assim como o consórcio que lidera, querem encontrar a resposta.

Segundo a academia alentejana, "o hidrogénio natural, também designado por hidrogénio branco, ocorre em ambientes geológicos específicos, como resultado de reações químicas entre determinados tipos de rocha e a água, a grandes profundidades".

"É um recurso natural, gerado continuamente, que pode constituir uma fonte de energia primária e limpa, renovável e sem intermitência. A viabilidade da sua utilização para produção de eletricidade está demonstrada desde 2012 através de um projeto-piloto no Mali", indicou.

O hidrogénio é considerado essencial para a transição energética e a União Europeia e vários países africanos já definiram estratégias que exigem a produção de hidrogénio a partir do metano com captura de CO2 (hidrogénio azul) ou da eletrólise da água usando fontes de energia renováveis (hidrogénio verde), lembrou a UE.

A abordagem proposta pelo HyAfrica é diferente: "defende a exploração do hidrogénio que ocorre em formações geológicas e a sua utilização como fonte de energia primária".

"Este recurso renovável constante pode constituir um complemento de menor custo para a produção de hidrogénio, sem perdas de eficiência associadas ao ciclo de produção industrial do hidrogénio azul e do hidrogénio verde e sem impactos no uso do solo e no consumo de água inerentes à produção de hidrogénio verde", disse a UE.

O projeto envolve também dois institutos de investigação alemães (Fraunhofer IEE e Leibniz Institute for Applied Geophysics), a Direção Nacional de Geologia e Minas de Moçambique e cinco universidades: Mohammed Premier (Marrocos), de Lomé (Togo), de Limpopo e de Pretoria (África do Sul) e Eduardo Mondlane (Moçambique).In “Dinheiro Vivo” – Portugal com “Lusa”


domingo, 19 de dezembro de 2021

Internacional - Universidade de Évora em Portugal integra projeto para alterar rota de asteroide

Um professor e investigador da Universidade de Évora (UÉ) participa num projeto internacional, com a norte-americana NASA e a Agência Espacial Europeia, para estudar um asteroide e alterar a sua rota, foi divulgado

O projeto representa “um contributo importante para o conhecimento sobre os asteroides, para a engenharia aeroespacial em Portugal e para a aposta da UÉ no aeroespacial”, afirmou Rui Melício, o docente e investigador envolvido na iniciativa.

Rui Melício, que integra a equipa científica do projeto, é docente do Departamento de Engenharia Mecatrónica e investigador do Instituto Ciências da Terra (ICT), da UÉ, e do Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC), do Instituto Superior Técnico (IST).

Segundo a academia alentejana, através do projeto, denominado “NEO-MAPP/ESA – missão HERA”, uma equipa de investigadores pretende reforçar o conhecimento sobre o asteroide Didymos e a sua lua Didymoon e alterar a sua rota.

Envolvendo a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e a Agência Espacial Norte Americana (NASA, na sigla em inglês), o projeto já lançou um foguetão, a partir uma base na Califórnia, nos Estados Unidos.

O foguetão agora lançado faz parte da missão de Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo (DART) e tem o objetivo de tentar mudar a trajetória do asteroide binário Didymos, que se encontra a 11 milhões de quilómetros da Terra, indicou a UÉ.

Citando a NASA, a academia alentejana realçou que este foguete é “cerca de 100 vezes menor” do que o asteroide Dymorphos, descoberto em 2003, e foi escolhido para esta missão porque “o seu tamanho é comparável aos asteroides que poderiam representar uma ameaça para a Terra”.

Contudo, vincou, “o sistema de asteroide duplo em si não é uma ameaça para a Terra”.

De acordo com a UÉ, a missão DART pretende “gerar um impacto a 25 mil quilómetros por hora contra o asteroide binário Didymos (o asteroide Didymoon de 170 metros de diâmetro que orbita em torno do Didymos de 780 metros)”.

“Além da cratera, prevê-se a alteração imediata de um milímetro por segundo na velocidade do asteroide, que, com a força da gravidade, acabará por influenciar a trajetória do elemento maior do par”, referiu.

Passados 10 anos, salientou, “essa alteração na rota pode representar um desvio de centenas de quilómetros”.

Prevendo que o resultado desta missão seja apurado em 2026, a UÉ adiantou que “os efeitos do impacto da colisão” vão ser monitorizados através da missão HERA, levada a cabo pela ESA, contando com “um instrumento automático” criado em Portugal.

Denominado LIDAR, esse instrumento foi desenvolvido por investigadores do Centro de Astrofísica e Gravitação (CENTRA) do IST, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do ICT e pelas empresas EFACEC e Synopsis Planet.

O LIDAR (‘Light Detection and Ranging’), que utiliza “tecnologia ótica de deteção remota que mede propriedades da luz refletida”, vai seguir a bordo de um outro foguetão para “auxiliar na navegação, recolher dados para reconstruir o perfil destes asteroides e apurar que elementos contém o seu interior”.

De acordo com a Universidade de Évora, um meteorito com 100 metros, a 20 mil quilómetros por hora, gera uma cratera de um quilómetro de diâmetro e um rasto de destruição num diâmetro de 10 quilómetros.

Já “um meteorito de um quilómetro arrasa uma área de 100 quilómetros, desencadeia sismos e tsunamis em vários pontos do globo e dispersa poeiras capazes de alterar o clima e destruir parte da vida na Terra”, notou.

Os investigadores, acrescentou, dizem ser possível detetar, até 10 anos atempadamente, uma colisão com meteoritos de grande dimensão, pelo que existe uma margem de quatro a cinco anos para desenvolver missões específicas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Portugal - Jovens entregam cabazes para ajudar alunos cabo-verdianos da Universidade de Évora

Évora – Cerca de 60 cabazes com bens alimentares de primeira necessidade e material escolar e roupa de inverno foram reunidos por um grupo de jovens e entregues a estudantes cabo-verdianos carenciados da Universidade de Évora.

A entrega dos cabazes realizou-se na quinta-feira, numa iniciativa promovida por um grupo informal de jovens, denominado “Perceptions”, sediado em Évora e inscrito no Registo Nacional do Associativismo Jovem (RNAJ).

“Estamos sempre muito atentos ao que se passa em Évora, apercebemo-nos de que existiam jovens que precisavam de ajuda e começámos a fazer a recolha”, disse à agência Lusa o porta-voz do grupo de jovens, Rafael Matos.

Este elemento dos “Perceptions” indicou ter começado a seguir com mais atenção a situação de um grupo de cerca de 60 estudantes cabo-verdianos da Universidade de Évora depois de ter visto nas redes sociais o apoio dado pela Câmara de Évora, também com a entrega de cabazes.

“É uma situação complicada. Quando às pessoas lhe falta comida ou precisam de ajuda convém ser o mais urgente possível”, sublinhou, notando que em pouco mais de um mês o grupo de jovens conseguiu juntar alimentos, material escolar e roupa de inverno.

Rafael Matos, aluno da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus da Universidade de Évora, contou que os “Perceptions” começaram por juntar “aquilo que cada um podia dar” para constituir os cabazes.

“Um quilo de arroz aqui, um quilo de massa ali e todos conseguimos dar um bocadinho”, explicou, acrescentando que, depois, também recorreram “às redes sociais” para pedir donativos e “a pessoas e instituições” que “gostam de ajudar”.

O porta-voz do grupo de jovens referiu que para que seja dada “uma ajuda mais regular” aos estudantes cabo-verdianos, o grupo já os sinalizou junto de instituições, como Caritas, Banco Alimentar Contra a Fome e Misericórdia.

“São jovens que vem estudar para Portugal e, mesmo que tenham bolsa, [o valor que recebem] não cobre metade das despesas que têm e isso leva ao ‘stress’ financeiro”, notou o também estudante de enfermagem.

Rafael Matos salientou que os estudantes internacionais têm “muitas despesas”, alegando que o valor da propina “é mais alto” e que os quartos em Évora “são caros”, havendo rendas de “300 euros e 400 euros, muitas vezes, sem condições”.

A Câmara de Évora entregou, no início de Janeiro deste ano, 50 cabazes com bens essenciais a alunos cabo-verdianos que frequentam a universidade local.

Na altura, o município explicou que a entrega dos cabazes inseriu-se no projecto “Cabo Verde na UÉ”, criado há três anos por um estudante de doutoramento em Bioquímica para apoiar os alunos deste país que frequentam o ensino superior na cidade alentejana. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

China - Universidade de Soochow inaugurou o Laboratório Conjunto China-Portugal das Ciências de Conservação do Património Cultural, em parceria com a Universidade de Évora e a Universidade Cidade de Macau

 


Num comunicado, a universidade sublinha que o laboratório faz parte da iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota e foi incluído em Setembro pelo ministério chinês da Ciência e Tecnologia numa lista de projectos prioritários de cooperação internacional. O laboratório funcionará em rede, com as três universidades a colaborar em projectos que vão desde o digital à conservação preventiva e sistemas de manutenção, disse à Lusa António Candeias, vice-reitor da Universidade de Évora.

Uma das missões é a investigação em materiais históricos e novas tecnologias, disse o director do novo laboratório, Wu Yongfa, incluindo técnicas de reabilitação virtual do património cultural.

Assim que a pandemia permitir, o laboratório Hércules da Universidade de Évora, dedicado às ciências do património, irá enviar um laboratório móvel para realizar campanhas na China Continental, revelou António Candeias. Além de dar formação a investigadores chineses, as três universidades pretendem criar mestrados e doutoramentos conjuntos, acrescentou o académico, que já foi director do laboratório Hércules.

O laboratório pretende desenvolver projectos de conservação e programas de investigação e formação em conjunto com autoridades e instituições da China Continental, Macau e Portugal, confirmou a Universidade de Soochow.

O acordo que levou à formação do laboratório foi assinado a 6 de Novembro e é válido por cinco anos.

A ligação à universidade da cidade de Suzhou, que fica perto de Xangai, surgiu através de uma parceria já existente entre a Universidade de Évora e a UCM, disse António Candeias. A instituição de Macau vai financiar uma cátedra dedicada ao desenvolvimento sustentável do património cultural em Évora, enquanto a universidade portuguesa vai ajudar a abrir e a montar em Macau um laboratório instrumental afiliado ao laboratório Hércules, num projecto que recebeu financiamento da Fundação Macau.

A deslocação de um investigador português para começar a montar o laboratório na UCM foi adiado para Janeiro ou Fevereiro devido à pandemia, lamentou António Candeias. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

domingo, 5 de julho de 2020

União Europeia - Financia estudo para captura e reutilização de CO2 em Portugal

Portugal poderá vir a ter estruturas para capturar dióxido de carbono de modo a poder ser reutilizado ou armazenado, e a União Europeia vai financiar um estudo para saber se é viável essa estratégia de redução de emissões.

Para saber se é economicamente viável e do interesse das empresas que mais poluem, uma equipa de investigadores vai percorrer o país entre a Figueira da Foz e Setúbal durante um ano para ouvir empresas, autarquias organizações não-governamentais e todas as partes interessadas.

O investigador Júlio Carneiro, da Universidade de Évora, disse à agência Lusa que a captura e reutilização de carbono se faz em torno de “grandes centros emissores de dióxido de carbono, como centrais termoelétricas, refinarias ou cimenteiras”.

O processo é “separar e capturar” o dióxido de carbono presente nos gases resultantes da combustão, “comprimi-lo a grandes pressões e transportá-lo, através de gasodutos ou navios, para o reutilizar”.

Por exemplo, em Portugal, que tem uma estratégia para o uso de hidrogénio como fonte de energia, o dióxido de carbono pode ser combinado para produzir metano, essencialmente “dando valor económico” a um gás que reforça o aquecimento global quando é libertado para a atmosfera.

Além da reutilização, há outra maneira de lidar com o dióxido de carbono capturado nas estruturas industriais, encaminhando-o e armazenando-o na rocha terrestre, em formações geológicas profundas, algo que a Noruega faz no mar do Norte desde 1996.

Júlio Carneiro afirmou que a principal variável que é preciso avaliar é o “grande investimento em infraestruturas que é necessário”, desde as instalações específicas para captura do gás à rede de gasodutos que seria preciso construir para o transportar.

O investigador assinalou que a perspetiva de reutilizar o dióxido de carbono também seria “atrativo para que não seja só um custo, mas também um proveito”.

O projeto Strategy CCUS, da União Europeia, vai olhar para a chamada Bacia Lusitaniana, uma área com cerca de 20 mil quilómetros quadrados que abrange cerca de cem quilómetros da costa ocidental portuguesa.

Juntamente com as zonas da bacia do rio Ebro, em Espanha, e o vale do Ródano, em França, vai ser avaliada por uma equipa conjunta que inclui as universidades de Évora, Nova de Lisboa, Direção Geral de Energia e Geologia e a cimenteira Cimpor.

Júlio Carneiro indicou que em maio de 2022 deverão ser divulgadas as principais conclusões da análise. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Internacional - Universidade de Évora participa em projeto multinacional de energia solar



O projeto, designado SolAqua – Accessible, reliable and affordable solar irrigation for Europe and beyond, tem o apoio do programa europeu Horizonte 2020 e reúne um consórcio de 11 organizações de seis países ((Portugal, Espanha, França, Itália, Marrocos e Roménia), revelou a Universidade de Évora (UÉ).

A Cátedra Energias Renováveis da universidade alentejana (CER-UÉ) “é a única entidade portuguesa a integrar o consórcio” desta iniciativa, que está focada “na irrigação fotovoltaica de alta potência”, destacou a academia.

O aumento da quota de energias renováveis na Europa, “ao combinar tecnologia fotovoltaica e hidráulica com irrigação de alta eficiência”, é o principal objetivo do projeto, coordenado na UÉ por Luís Fialho, da CER.

“A irrigação solar permitirá o fornecimento de energia” para a rega de culturas agrícolas “com zero emissões e um custo até 70% inferior às soluções à base de combustíveis fósseis existentes”, destacou a UÉ, no comunicado divulgado.

O investigador Luís Fialho explicou que “o mercado para adoção da tecnologia de irrigação fotovoltaica de alta potência encontra-se num ponto crítico de evolução”.

O SolAqua irá, pois, “criar e fomentar as condições para uma evolução com sucesso para um mercado consolidado, com elevada proteção do consumidor final, redução de custos e de preço da energia, mas também alto nível de inovação”, argumentou.

Atualmente, lembrou o investigador da CER-UÉ, “o modelo energético da agricultura europeia exige grande quantidade de energia para bombear água para as culturas de regadio”.

Isto “implica uma pesada fatura de quatro mil milhões de euros, além de custos ambientais associados às 16 milhões de toneladas de CO2 produzidas todos os anos, que representam cerca de 15% das emissões totais de CO2 da agricultura da União Europeia (UE)”, assinalou.

Neste quadro, “a irrigação solar tem um enorme potencial de aplicação, apenas desaproveitado por barreiras não tecnológicas, como falta de consciência e de competências em irrigação solar entre os irrigadores, pequenas e médias empresas (PME) locais e autoridades públicas”, destacou a academia alentejana.

Luís Fialho lembrou que, desde 2010, a CER-UÉ desenvolve “tecnologias de energia solar e de armazenamento de energia” com o objetivo de “potenciar o contributo da energia solar para a Transição Energética” e que, em Alter do Chão (Portalegre), existe até uma instalação-piloto que “utiliza tecnologia semelhante à que será desenvolvida” pelo projeto SolAqua.

Este projeto multinacional, numa primeira fase, pretende “produzir sete materiais e ferramentas de ‘habilitação-chave’ para adoção do mercado de irrigação solar”, assim como definir “padrões de qualidade e de metodologias de avaliação económica e ambiental”, referiu a academia.

A seguir, de acordo com a universidade, “será promovido um plano de divulgação e de comunicação, direcionado para partes interessadas na Europa e no norte de África, sobre irrigação solar e sobre o plano de exploração do SolAqua”.

“Este plano, que contempla um instrumento de apoio a ser replicado” pelas autoridades públicas em “investimentos em irrigação solar, permitirá o desencadear de um mercado funcional” nesta área, afirmou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Portugal - Universidades de Évora e de Macau unem-se em projectos de tradução e de património



A Universidade de Évora e a Universidade da Cidade de Macau acordaram esta terça-feira parcerias nas áreas do património cultural e da informática, aplicada à saúde e centrada na tradução automática entre chinês e português. A assinatura dos memorandos de entendimento para estas parcerias decorreu de forma paralela à cerimónia de atribuição, pela Universidade de Évora (UÉ), do grau de Doutor ‘Honoris Causa’ a Chan Meng Kam, presidente do Conselho da Universidade Cidade de Macau (UCM).

A reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, explicou aos jornalistas, no final da cerimónia, terem sido formalizados “dois memorandos de entendimento”, um deles “na área do património cultural” e que implica a criação de uma cátedra na universidade alentejana, no valor de “cerca de 50 mil euros”. Esta cátedra permitirá “financiar estudos sobre a herança cultural” comum entre Macau e Portugal, com o envolvimento do Laboratório Hercules da UÉ, indicou. “Vamos receber cá pessoas para fazerem estágios e vamos mandar para lá pessoas para fazerem também estágios e iremos formar alguém que fique à frente do laboratório lá [em Macau]”, explicou.

Segundo Ana Costa Freitas, já foi efectuado o inventário dos equipamentos que a Universidade Cidade de Macau terá de comprar “para ter um laboratório minimamente apetrechado e, depois”, começa-se “logo a trabalhar”. Na área da informática, explicou a reitora, a colaboração prevê a criação de laboratórios conjuntos entre as duas universidades assentes num sistema “de tradução por computador” de chinês-português e vice-versa. “Já estamos a começar, por exemplo, na parte do ‘machine learning’ [a máquina automática de tradução] já temos o laboratório”, frisou Ana Costa Freitas.

No protocolo relativo à área da informática, consultado pela agência Lusa, pode-se ler que a parceria abrange também um laboratório colaborativo neste âmbito centrado na saúde. A realização de cursos de Verão, de turismo ou de arquitectura paisagista, na academia alentejana, recebendo alunos de Macau, será outro dos “frutos” da colaboração com a universidade privada de Macau, segundo a reitora.

Após receber a distinção da universidade portuguesa, Chan Meng Kam, revelou aos jornalistas que a Universidade Cidade de Macau vai criar, “no próximo ano lectivo, uma licenciatura em Estudos Portugueses”. A Universidade da Cidade de Macau dedica “uma grande atenção aos estudos e programas centrados na aprendizagem da língua portuguesa”, frisou o responsável. Segundo Chan Meng Kam, o Governo da China “presta uma grande atenção ao papel de Macau como plataforma” de ligação aos “países de língua portuguesa”. In “Ponto Final” - Macau

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Macau - Laboratório de tradução automática chinês-português vai nascer entre Macau e Évora

A Universidade Cidade de Macau e a Universidade de Évora estão a trabalhar no desenvolvimento de um novo sistema de tradução chinês-português cujos primeiros resultados devem surgir daqui a um ano. Paulo Quaresma, um dos investigadores responsáveis pelo projecto, disse ao Ponto Final que a equipa está agora a trabalhar nas candidaturas a programas de investimento em Macau e Portugal



A Universidade Cidade de Macau e a Universidade de Évora estão a colaborar na criação de um laboratório de tradução automática chinês-português. O projecto foi apresentado por Paulo Quaresma, professor associado do Departamento de Informática da Universidade de Évora, durante a primeira conferência sobre inovação de conhecimento entre a China e os países de língua portuguesa e latino-americanos que ontem decorreu na Universidade Cidade de Macau. Ao Ponto Final, o académico e um dos seis coordenadores do laboratório disse esperar obter os primeiros resultados daqui a um ano. Para breve estão as candidaturas a programas de financiamento, tanto em Portugal como em Macau, com a equipa a esperar obter cerca de um milhão de euros (cerca de nove milhões de patacas) para arrancar com o projecto.

O processo nasceu há um ano, durante o qual a equipa de investigadores esteve a preparar as candidaturas que serão brevemente apresentadas, em Macau, ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT), e em Évora, ao programa de fundos comunitários Alentejo 2020. Com cada candidatura a equipa espera obter entre 400 mil a 500 mil euros (entre 3,6 milhões e 4,5 milhões de patacas), destinados a financiar a infra-estrutura tecnológica de grande desempenho computacional, que ficará localizada em Évora, e a equipa de investigadores a tempo inteiro durante dois anos que será constituída por três doutorados e, pelo menos, cinco doutorandos. Actualmente, a trabalhar no projecto estão quatro investigadores das áreas da informática e da linguística da Universidade de Évora e outros dois docentes da Universidade Cidade de Macau.

Segundo explicou Paulo Quaresma, trabalhar com o par chinês-português constitui um desafio particular, quando comparado, por exemplo, com português-inglês, e especialmente devido às diferenças que separam as duas línguas e à falta de recursos de tradução. “Temos este grande desafio de trabalhar especificamente para o par de língua chinês-português. Temos que usar, por exemplo, as publicações oficiais do Governo [de Macau] que estão nas duas línguas oficiais como ‘input’ destes novos sistemas de aprendizagem automática que vão tentando criar um modelo mais adequado para a tradução automática nos dois sentidos”, explicou o investigador, doutorado em Informática.

Para Paulo Quaresma, o que vai distinguir este novo sistema de tradução de outros já existentes como, por exemplo, o Google Translate, é a introdução e utilização de informações específicas do chinês e português aplicadas ao conhecimento do mundo. “Para se conseguir dar um salto qualitativo grande nos sistemas actuais, nomeadamente neste par de línguas é preciso algo que normalmente os sistemas actuais não estão a incorporar, que é informação específica das línguas em casa. Os sistemas de hoje em dia são um processo automatizado e, no fundo, recebem como ‘input’ grandes quantidade de documentos em português e em chinês e tentam criar um modelo”, explicou o docente.

“Precisamos de ter informação de facto linguística das duas línguas e conhecimento do mundo como ‘input’ para melhorar os sistemas de tradução. O que nós defendemos é que não se pode esquecer todo o trabalho de investigação que foi feito em dezenas de anos na área da linguística de perceber como é que a língua portuguesa e a língua chinesa funcionam, quais os seus modelos e os sistemas actuais esquecem um pouco isso, é tudo automatizado”, defendeu. A comprovar-se esta abordagem, os primeiros resultados deste novo sistema de tradução devem aparecer daqui a um ano, disse Paulo Quaresma. Catarina Vila Nova – Macau in “Ponto Final”

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Macau – Instituto de Formação Turística vai cooperar com a Universidade de Évora

O Instituto de Formação Turística (IFT) e a Universidade de Évora assinaram um acordo que pretende promover o intercâmbio de estudantes, vagas para estágio, investigação conjunta e colaboração futura em cursos de pós-graduação, tendo em vista a área do restauro e gestão do património.

Em Setembro, Alexis Tam levou quatro delegações em visita a Portugal, uma das quais do ensino superior. O protocolo, que visa aprofundar relações no curso de gestão de património, vai permitir “colocar alunos a estagiar na Universidade de Évora”, bem como “aproveitar os professores desta universidade para ensinar e dar workshops aqui”, referiu o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.

“É uma colaboração perfeita para nós. Estamos a fazer o melhor possível para providenciar oportunidades aos nossos alunos, nomeadamente para fazer estágios em Portugal”, indicou. Para além de querer atrair alunos portugueses para instituições de ensino superior na RAEM, o governante quer ajudar a formar estudantes de outros países lusófonos, nomeadamente de Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé, Guiné Bissau e Timor Leste. “Temos de exportar os nossos cursos académicos porque hoje em dia temos condições”.

Em relação ao IFT, Alexis Tam declarou que “já não é só um instituto local”, acrescentando que “o governo da RAEM está a investir muito” na instituição sediada em Mong-Há.

Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora, explicou que a instituição que dirige precisa de atender tanto às necessidades regionais como internacionais. “Já vamos receber dois estudantes em Janeiro, para trabalhar no laboratório Hércules, mas em princípio vamos fazer um curso de verão já este ano”, adiantou, à margem da cerimónia da assinatura.

E espera que o inverso também suceda, com estudantes da Universidade de Évora a virem para o IFT. “Os alunos da Universidade de Évora têm de ser muito forçados a sair mas têm começado a sair mais. Muitos vão já em Erasmus para a Europa, Macau é uma outra realidade”, referiu.

“Évora é manifestamente agrícola mas também tem outras indústrias a fixarem-se. E temos de fixar mais indústria, ter mais emprego qualificado para podermos fixar mais jovens que não têm de ser nem os de Évora, nem os Alentejanos, nem os Portugueses”, clarificou. A necessidade, segundo indicou Ana Costa Freitas, é tornar Évora num centro atractivo e a cooperação com Macau torna-se importante pela vontade do Governo chinês em manter uma ligação a Portugal.

Nesse sentido, no âmbito da parceria com o IFT, pretende ainda fazer “mestrados e doutoramentos em co-tutela, que dêem benefícios para ambas as instituições”.

Com a alteração da lei do Ensino Superior, o IFT começou já a preparar um programa de mestrado em gestão hoteleira. E Fanny Wong, presidente do IFT, indicou estar interessada em colaborar com outras entidades. “Com a Universidade de Évora poderia ser na área da gestão de património porque têm programas muito fortes nessa área”, disse.

Fanny Vong frisou perceber que o IFT precisa “de diversificar as [suas] relações internacionais, e os países de língua portuguesa não podem ser ignorados”.

A presidente confessou que, na visita à Universidade de Évora ficou impressionada com o laboratório Hércules, na área do restauro, sendo que o IFT tem um curso de gestão do património. Para além disso “os estudantes estão a começar a ver que têm mais oportunidades se dominarem o português”, pelo que parcerias com instituições de países de língua portuguesa fomentam interesse. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”