Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Portugal - Instituto Pedro Nunes assegura coordenação nacional do Programa MIT Portugal até 2030

O Instituto Pedro Nunes (IPN), em conjunto com a Universidade do Minho (UMinho), vai assegurar a gestão e coordenação nacional da Fase IV do Programa MIT Portugal (MPP) até 2030. O contrato foi assinado com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e prevê um orçamento anual de cerca de 500 mil euros


A nova fase do programa traz uma mudança na sua governação reforçando a sua abrangência nacional. Após a coordenação pelo Instituto Superior Técnico (Fases I e II) e pela Universidade do Minho (Fase III) a responsabilidade passa agora a ser partilhada com a Universidade de Coimbra, através do IPN, que assume a direção executiva do programa. Os Diretores Nacionais do Programa MIT Portugal serão João Pedro Barreto, da Universidade de Coimbra, e Alexandre Ferreira da Silva, da Universidade do Minho.

Para João Gabriel Silva, Presidente da Direção do IPN, esta nomeação reflete o percurso da instituição. “A escolha do IPN para a Direção Executiva do Programa MIT Portugal é um marco que valida o nosso percurso de décadas na ponte entre o conhecimento académico e o mercado. Estamos prontos para dar ao MIT Portugal uma grande eficácia operacional.", frisa.

A Fase IV do Programa MIT Portugal continuará a promover a colaboração entre o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e universidades, centros de investigação, laboratórios e empresas portuguesas, com o objetivo de reforçar a excelência científica e a transferência de conhecimento para a economia.

"Esta fase pretende dar atenção redobrada à ciência aplicada, onde a colaboração com o MIT resultará em soluções tangíveis para desafios concretos, através de um modelo de projetos mais ágil e orientado para o impacto”, sublinha João Pedro Barreto, Diretor Nacional do Programa MIT Portugal.

O reforço desta parceria é também visto como um passo relevante para a internacionalização do sistema científico nacional. “Este programa consolida Coimbra como um hub tecnológico de relevância internacional, criando condições para que o talento nacional lidere novas transformações tecnológicas”, destaca o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão.

Entre as novidades já em curso destacam-se um novo modelo de projetos de investigação colaborativa, com concurso aberto até 25 de maio, e a iniciativa de empreendedorismo universitário “MIT Portugal 100K”, organizada por estudantes para estudantes, cuja final nacional decorreu recentemente nas instalações do IPN.

Desde a sua criação, em 2006, o Programa MIT Portugal tem desempenhado um papel central na internacionalização e modernização do sistema científico nacional, envolvendo centenas de investigadores, projetos colaborativos e empresas em áreas estratégicas como energia, bioengenharia e transportes. Instituto Pedro Nunes - Portugal


domingo, 12 de abril de 2026

Luxemburgo - Arquivos Nacionais do Luxemburgo estão a ser modernizados com tecnologia portuguesa

Os Arquivos Nacionais do Luxemburgo contam agora com uma nova plataforma digital desenvolvida pela portuguesa Keep Solutions, uma tecnológica com origem na Universidade do Minho


O novo portal vê modernizado o acesso ao património documental do grão-ducado, permitindo a consulta online de 311 fundos e coleções que totalizam cerca de 30 mil documentos digitalizados, de acordo com nota enviada pela empresa ao Bom Dia.

O novo sistema, assegura a tecnológica, substitui a antiga ferramenta de pesquisa, designada “Query”, e utiliza o “software” Archeevo, uma solução criada em Braga.

A plataforma foi concebida para servir investigadores e público em geral, facilitando a localização de registos paroquiais e civis para fins de genealogia, contratos notariais, mapas, fotografias e espólios audiovisuais.

Entre os documentos disponíveis encontram-se também registos históricos relativos aos períodos de ocupação durante as Guerras Mundiais.

Este projeto, que teve início em 2022, reforça o percurso de internacionalização da Keep Solutions na área da gestão e preservação de património digital. Fundada em 2008 por docentes e antigos alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, a empresa tem expandido a sua atividade para diversas instituições europeias, colaborando com os arquivos nacionais da Estónia e da Dinamarca, com a Polícia da Suécia e com a Comissão Europeia.

Em Portugal, a tecnológica foi responsável pelo desenvolvimento de plataformas estruturantes, como o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) e o Portal Português de Arquivos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Dinamarca - Físico português distinguido com a bolsa Young Investigator da Fundação Villum

O físico português André Gonçalves foi distinguido com a bolsa Young Investigator da Fundação Villum, no valor de 9 milhões de coroas dinamarquesas (1,2 milhões de euros)

O investigador, natural de Vieira do Minho, irá estudar, nos próximos cinco anos, na Dinamarca, o comportamento da luz e da matéria à escala nanométrica.

Após esta distinção, André Gonçalves regressa à Dinamarca para liderar uma equipa de investigação independente, dedicada a explorar as interações luz-matéria à nanoescala. “Estou entusiasmado por liderar esta equipa e por aprofundar a nossa compreensão sobre estas interações, além de estudar novas formas de as controlar”, afirma o investigador.

Embora a pesquisa tenha um foco inicial teórico, poderá abrir caminho para o desenvolvimento de dispositivos quânticos e circuitos optoeletrónicos ultrarrápidos. Entre as possíveis aplicações estão melhorias na resolução de microscopia e espectroscopia, o desenvolvimento de sensores biológicos e químicos ultrassensíveis e até mesmo a descoberta de novas utilizações ainda não imaginadas.

“A investigação fundamental é essencial para impulsionar descobertas inovadoras e criar novas tecnologias que beneficiam a sociedade. As interações luz-matéria desempenham um papel central em praticamente todas as áreas científicas e tecnológicas”, destaca André Gonçalves. A bolsa permitirá o recrutamento de dois doutorandos e um pós-doutorando para integrarem a equipa de investigação.

O projeto focar-se-á no conceito de “tunelamento quântico”, um fenómeno no qual partículas ultrapassam barreiras que, segundo a física clássica, seriam intransponíveis. O objetivo é explorar como este fenómeno pode ser aproveitado para estudar e manipular interações luz-matéria em nanoestruturas feitas de novos materiais que suportam polaritões — quasipartículas híbridas que combinam luz e matéria.

“Isso permitir-nos-á explorar novos fenómenos optoeletrónicos, entender melhor a resposta de nanomateriais com propriedades complexas e melhorar técnicas de espectromicroscopia”, explica o cientista.

Com este financiamento, André Gonçalves pretende continuar a contribuir para avanços significativos na área da nanociência, reforçando a importância da investigação fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias e aplicações científicas.

Com 34 anos, André Gonçalves é licenciado em Física pela Universidade do Minho, mestre em Física Teórica pela Universidade do Porto e doutorado pela Universidade Técnica da Dinamarca (DTU). Conta com um percurso académico e científico notável, tendo passado pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique, pelo prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e pelo Instituto de Ciências Fotónicas de Barcelona (ICFO). Atualmente, é professor de Física Teórica e Computacional na Universidade do Sul da Dinamarca.

Ao longo da sua carreira, acumulou prémios atribuídos por instituições como a Fundação Gulbenkian, a Springer Nature e a Sociedade Europeia de Física, além de ter publicado dois livros e 35 artigos em revistas científicas internacionais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 3 de agosto de 2024

Tunísia – Universidade do Minho está a ajudar a produzir tâmaras de forma sustentável

A Escola de Ciências da Universidade do Minho está a ajudar a revitalizar os oásis de tamareiras no Norte de África, levando à sua produção sustentável e à maior valorização. Trata-se do projeto GreenPalm, que desde 2020 junta ainda parceiros de Tunísia, Itália e Espanha e é financiado pela Parceria para a Investigação e Inovação na Região Mediterrânica


A tâmara é uma fonte de cálcio, potássio, magnésio e fibras, reduzindo o risco de doenças neurodegenerativas, osteoporose, enfarte, cancro e stress. Com a sua maior procura e valor comercial, esta fruta passou a ser cultivada em grande escala e num regime de monocultura, sobretudo na variedade mais procurada (Deglet Nour).

Essa prática reduziu a diversidade genética da tamareira e empobreceu a biodiversidade microbiana dos solos no Saara tunisino, alerta Teresa Lino Neto, que na UMinho é professora do Departamento de Biologia e investigadora do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA). “O ideal é recuperar e valorizar os cultivares tradicionais, utilizando diferentes variedades de tamareiras e até de espécies vegetais para aumentar a riqueza microbiana naqueles solos, pois a monocultura continuada impede a plasticidade biológica nos solos e a diversidade de microrganismos capazes de combater adversidades naturais, como uma vaga de calor”, nota.

No GreenPam, que está a terminar, a equipa portuguesa recolheu amostras de solo e de folhas de tamareiras, demonstrou pela identificação molecular que cada variedade de tamareira tem um microbioma próprio e estudou ainda micróbios, adaptados a climas desérticos, que possam servir para medidas de biocontrolo contra pragas e doenças da tamareira. “Esses micróbios foram isolados da planta e têm potencial como alternativa ao uso de pesticidas e fertilizantes químicos”, esclareceu Teresa Lino Neto.

No consórcio do projeto, a equipa italiana complementou o estudo com a análise da diversidade genética de tamareiras, enquanto a espanhola incidiu nos compostos e na composição das tâmaras para rentabilizar subprodutos da cultura da tamareira, como o caroço, e a sua possível comercialização por cooperativas locais. Já a Tunísia detém os oásis e o conhecimento da forma como se cultiva aquela fruta. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 8 de março de 2024

Associação Internacional dos Lusodescendentes – Apresentação da obra Antologia da Literatura Timorense de Tradição Oral - I. Oecusse

No dia 8 de Março de 2024, sexta-feira, pelas 18.00 horas, será apresentada no Museu do Oriente, em Lisboa, a obra Antologia da Literatura Timorense de Tradição Oral - I. Oecusse, da autoria da nossa Diretora do Conselho Científico, Anabela Leal de Barros, Professora do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho e Membro do Centro de Estudos Humanísticos, Responsável pelo Grupo de Estudos Luso-Asiáticos. Fará a apresentação Francisco Topa, Professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Não perca! Associação Internacional dos Lusodescendentes - Portugal


segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Portugal - Duo da Universidade do Minho coleciona prémios internacionais

O Duo Appassionato, formado por Maria João Gomes (piano) e Pedro Travanca (fagote), alunos da Universidade do Minho, recebeu cinco prémios em competições internacionais de música na última quinzena. A dupla obteve o Prémio Especial de Musicalidade e o primeiro lugar da categoria Dueto no “VanBach” (Londres, Inglaterra), o segundo lugar em Música de Câmara e o terceiro lugar em Período Romântico no “Classical Stars” (Varsóvia, Polónia) e ainda o terceiro lugar em Música de Câmara na “International Artists Competition” (Viena, Áustria).


“Estamos felizes e surpresos, pois nas categorias destes concursos online há dezenas e às vezes centenas de músicos de todo o mundo, logo é complicado chegar ao pódio”, diz Pedro Travanca. Curiosamente, o Duo Appassionato só nasceu há um mês. “Namoramos há quatro anos e estamos ligados à música; decidimos então ensaiar juntos, gravar e concorrer – correu bem e prova que em Portugal faz-se coisas boas”, acrescenta.

O duo aposta em repertório romântico do século XIX, como dos compositores Camille Saint-Saëns, Gabriel Grovlez e Edward Elgar. “É uma música intimista, calma, explora sons menos comuns e mostra de forma intensa o que cada um sabe e sente”, nota Maria João Gomes. O próximo passo do dueto é entrar noutros concursos e realizar também concertos ao vivo, articulando com municípios e demais entidades.

Maria João Gomes e Pedro Travanca têm 23 anos, licenciaram-se em Música pela UMinho e são finalistas do mestrado em Ensino de Música pela UMinho, orientados pelos professores Luís Pipa e Roberto Erculiani, respetivamente.

Maria João Gomes é natural de Riba d’Ave (Famalicão) e leciona piano na Academia de Música Fernando Matos (Taipas). Concluiu o secundário como Melhor Aluna do Centro de Cultura Musical. Venceu depois o Audience Award em +18 anos na “Rocky Mountain Competition” e a Platinum Medal em 20-22 anos na “International Music Competition” (ambas no Canadá). Ganhou também uma Bolsa de Mérito pela UMinho, o Prémio de Mérito Musical pela Junta de Freguesia de Riba d’Ave e pertence ao coro da Ópera na Academia e na Cidade.

Pedro Travanca nasceu em Gaia e tem feito digressões como membro da Animato Chamber Orchestra (Suíça), da Orquestra Jovem Sinfónica da Galiza e da Orquestra Jovem da Estremadura (ambas em Espanha). Colaborou nas orquestras de Guimarães, Jovem Vigo, Ópera na Academia e na Cidade e Orquestra Filarmonia das Beiras. Fundou ainda com colegas da licenciatura o Quinteto Sinestesia, que num ano obteve cinco prémios, na categoria Música de Câmara – 19 a 22 anos, em competições online sediadas nos EUA, Irlanda, Rússia, França e Suíça. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Portugal - Ambrose So leva à cidade de Guimarães a “complexidade de Macau”

O Paço dos Duques de Bragança acolhe até ao final do ano uma exposição de caligrafia de Ambrose So, ex-director da SJM, que realça o antigo posicionamento de Macau no panorama mundial. A mostra é promovida pelo Instituto Confúcio da Universidade do Minho


Ambrose So, antigo director da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), volta a mostrar a sua veia artística, desta vez em Portugal, numa exposição patente no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães até 31 de Dezembro, com organização do Instituto Confúcio da Universidade do Minho (ICUM). Intitulada “Um Janus Cultural – A Complexidade de Macau em Exibição Caligráfica”, a mostra apresenta 17 painéis de caligrafia, que evocam o histórico papel de Macau na ligação entre o Oriente e Ocidente.

Contando com o apoio do Ministério da Cultura de Portugal e da Direcção Regional de Cultura do Norte, a exposição visa dar a conhecer “o antigo posicionamento de Macau no cenário mundial” e “reflecte a complexidade” do território em actividades culturais e comerciais durante a sua administração portuguesa, referiu a Universidade do Minho.

“Ambrose So Shu Fai tem dinamizado o diálogo cultural, económico e diplomático entre a China e os países lusófonos. É um artista dedicado à caligrafia chinesa, inspirado nas matrizes da cultura em Macau, e preside a Associação de Caligrafia Jiazi e a Fundação Sino-Latina de Macau, entre outras. Tem obras suas em colecções de instituições de referência em Hong Kong, Macau, China e EUA”, destacam os organizadores da exposição, sem esquecer a faceta de “filantropo” do antigo “braço direito” do magnata Stanley Ho.

Recordam também que Ambrose So foi condecorado com a Ordem de Mérito pelo Presidente da República Portuguesa e a Medalha e Mérito Cultural pelo Governo da RAEM.

A exposição foi inaugurada a 30 de Novembro no Paço dos Duques, numa cerimónia que contou com a presença da vereadora da Câmara Municipal de Guimarães, Adelina Pinto, entre outros responsáveis. Esta iniciativa insere-se no plano de actividades do ICUM, o primeiro Instituto Confúcio em Portugal, que promove há 17 anos diversas acções de formação, conferências, workshops, concursos, bolsas, performances culturais e desportivas e um projecto-piloto de mandarim. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

domingo, 24 de setembro de 2023

Espanha - Professora portuguesa preside a grupo internacional de universidades

A professora Carla Martins, da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, é a nova presidente do Grupo Compostela de Universidades. A tomada de posse decorreu em Sevilha (Espanha), durante a 29ª assembleia-geral desta entidade, que juntou mais de 60 universidades de todo o mundo


“Encaro este desafio com muita honra e orgulho. Queremos reafirmar a importância do ensino superior no desenvolvimento da nossa sociedade e o seu contributo na divulgação do património cultural e dos valores universais comuns”, refere Carla Martins, que é a primeira pessoa da UMinho no cargo e tem o mandato até 2027.

Carla Martins nasceu no Porto há 52 anos e doutorou-se em Psicologia pela Universidade de Reading (Inglaterra). Na UMinho, foi pró-reitora para a Internacionalização (2014-21) e é atualmente professora auxiliar da Escola de Psicologia e membro do Centro de Investigação em Psicologia (CIPsi). Coordenou diversos projetos científicas, publicou dezenas de artigos e capítulos e tem participado em conferências em vários pontos do mundo.

O Grupo Compostela de Universidades nasceu em 1994 com o objetivo de promover a cooperação interuniversitária. Agrega instituições sócias e parceiras do Brasil, El Salvador, EUA, México, Perú, Panamá, República Dominicana, Alemanha, Bielorrússia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, França, Geórgia, Grécia, Hungria, Itália, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Sérvia, Suécia e Suíça. A UMinho é cofundadora do Grupo e já acolheu a assembleia-geral anual em 2011 e 2020. O sítio oficial é gcompostela.org. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 2 de abril de 2023

Estados Unidos da América - A portuguesa que dá cartas na bioengenharia

Susana Cerqueira trabalhou no Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas (Alemanha) e na Miller School of Medicine (EUA), dedicando-se aí ao estudo de lesões na medula espinal. Foi conselheira em Miami Dade para o (re)abrir de escolas na era covid, pivô local da Portuguese American Postgraduate Society e está agora na Universidade de Clemson, na Carolina do Sul


A portuguesa começou a sua carreira académica na Universidade do Minho que a entrevistou. Leia aqui a entrevista desta portuguesa que agora é investigadora na Universidade de Clemson.

O que a levou a escolher Biologia Aplicada?

O fascínio e a curiosidade em perceber como todos os processos que ocorrem na Natureza estão interligados de forma perfeita. O meu professor de Biologia no ensino secundário era um apaixonado pelo tema e contagiou-me com o seu entusiasmo. Quando comecei a ter aulas práticas e percebi como se podem manipular os sistemas biológicos, quer para compreender, quer para tentar reverter erros ou patologias, senti que queria explorar essas possibilidades no futuro. O facto de o curso de Biologia Aplicada na UMinho ter uma componente mais aplicada diferenciou-o dos tradicionais cursos de outras faculdades.

Como passou de Biologia Aplicada para o doutoramento em Engenharia de Tecidos, Medicina Regenerativa e Células Estaminais?

O que me motiva mais em investigação científica é encontrar soluções para problemas médicos. Este doutoramento do I3Bs pareceu-me ser uma boa opção para aprender e desenvolver tecnologias inovadoras, nomeadamente o uso de biomateriais multifuncionais como agentes terapêuticos e, também, como meio para direcionar medicamentos a tecidos patológicos. As tecnologias que estão a ser desenvolvidas nas áreas de engenharia de tecidos são muito promissoras!

Que momentos da vida universitária deixaram mais saudades?

As relações de amizade e a rede de apoio construída durante o percurso académico são o que deixa mais saudades. Fiz grandes amigos durante a licenciatura e o doutoramento. Continuo ligada à academia agora como mentora internacional de alunos da UMinho, o que é um privilégio. Poder contribuir na formação dos mais novos é, sem dúvida, uma retribuição pelo excelente ensino que tive em Portugal. Tenho muito gosto em estabelecer pontes através de iniciativas que aproximam os EUA e Portugal, porque me mantém ativamente ligada ao meu país de origem.

Quando não investiga, vira-se para a dança. Que outros hobbies a fazem sorrir?

A dança foi uma parte muito importante da minha formação. Surgiu de forma inocente quando os meus pais me inscreveram na Companhia de Dança Arte Total, em Braga, sem que eu quisesse. Fui um bocado forçada, na verdade, mas depois de começar nunca mais consegui parar. Até fiz o curso para professora de ballet e cheguei a dar formação vários anos. Embora não dê tantas aulas e espetáculos como quando vivia em Portugal, a dança continua comigo, onde quer que esteja, ocupando sempre espaço na minha vida. Tenho este ano alguns projetos neste âmbito, quer de estabelecimento de intercâmbios artísticos entre Portugal e os EUA, quer de planos de coreografia para uma peça de dança contemporânea em Portugal. Recentemente, comecei também a explorar um novo hobbie, a escrita criativa. Durante a pandemia participei em workshops com autores portugueses e fiquei surpreendida com a vontade que senti em descobrir a minha voz na escrita. É um interesse que continua a crescer e que também quero manter.

Gosta de morar na costa leste dos EUA?

Sim, gosto! Já considerei ir trabalhar para a Califórnia, na costa oeste, mas o facto de ser tão longe de Portugal desencantou-me. Optei por ficar deste lado e ter apenas um oceano de distância a separar-me de “casa”. A costa leste tem desde clima tropical no Sul até temperaturas mais frias na zona Norte, além de várias cidades e locais de interesse que vale a pena conhecer.

Portugal é uma paragem obrigatória quando está de férias? Pretende regressar de vez?

Absolutamente! Aliás, nem tenho explorado outros destinos turísticos recentemente, uma vez que dedico as minhas férias a visitar Portugal e as minhas pessoas queridas que por lá vivem. Não há nenhum outro sítio no mundo onde me sinta mais confortável e à vontade como em Portugal. Em relação ao regresso, talvez possa acontecer, mas penso que não será em breve. Neste momento da minha vida, faz sentido para mim continuar nos EUA. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Universidade do Minho”

 


quinta-feira, 16 de março de 2023

Portugal - Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho desenvolvem nanomateriais para terapia combinada do cancro

Inovação permite uma libertação controlada dos fármacos e uma menor frequência de tratamentos no hospital


Uma equipa dos Centros de Física e de Química da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), com a colaboração do Instituto de Polímeros e Compósitos, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e do Centro CINBIO da Universidade de Vigo, desenvolveu novos nanomateriais que permitem a libertação controlada e localizada de fármacos utilizados, por exemplo, no combate ao cancro.

Os cientistas conceberam um hidrogel contendo nanopartículas de ouro, que permite a libertação de fármacos e o controlo da taxa de libertação através do uso de um laser na região do infravermelho, algo que não acontece com os medicamentos tradicionais. Os primeiros resultados do estudo foram tema de capa da conhecida revista Soft Matter, da Royal Society of Chemistry.

“Na quimioterapia convencional, grande parte do fármaco que é administrado tem efeitos adversos no organismo, e o que atua no local alvo é uma pequena parte. Com este material, conseguimos ultrapassar essa limitação, pois é aplicado localmente e controlamos a libertação do fármaco, ajustando a terapia e evitando que o paciente tenha de ir constantemente fazer tratamentos ao hospital”, refere Sérgio Veloso, investigador do Centro de Física e aluno do doutoramento em Física na UMinho. O avanço permite ultrapassar limitações na administração de fármacos antitumorais, nomeadamente a baixa solubilidade em água, a baixa biodisponibilidade e efeitos secundários adversos.

A formulação em gel engloba lipossomas, que possibilitam o encapsulamento do agente bioativo, e nanopartículas de ouro, que permitem que a aplicação de radiação infravermelha resulte num aumento da libertação do fármaco encapsulado, por via do aquecimento local promovido pelas nanopartículas, conhecido como hipertermia. Por sua vez, a hipertermia atua como terapia adjuvante e contribui para o aumento da eficácia do agente bioativo. O estudo permitiu compreender diferentes fatores que influenciam a resposta do material ao estímulo laser, além de saber como modelar as propriedades do gel com os compósitos utilizados.

O material está a ser estudado através de ensaios biológicos em modelos celulares tridimensionais, para que possa depois ser testado com modelos in vivo. “Temos indicações bastante positivas. O material é biocompatível e temos resultados muito promissores”, acrescenta Sérgio Veloso. A investigação vai continuar com o desenvolvimento de materiais mais sofisticados, para permitir um controlo total da libertação de fármaco, capazes de promover um tratamento mais eficaz e a entrega controlada e segura de diversos fármacos antitumorais. In “Universidade do Minho” - Portugal


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Portugal - Estudo avalia potencial impacto económico e social das redes elétricas inteligentes

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), Universidade da Beira Interior (UBI), Universidade do Porto (UP) e Universidade do Minho (UM) avaliou o potencial impacto económico e social de tecnologias resultantes de um projeto de investigação, ainda com baixo nível de maturidade tecnológica, mas com elevado potencial de serem desenvolvidas num prazo mais alargado no contexto da evolução para as redes elétricas inteligentes.

Na UC, o estudo, recentemente publicado na revista Tecnology in Society, foi realizado por uma equipa do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Esta investigação foi desenvolvida tendo por base o projeto colaborativo Enhancing Smart Grids for Sustainability (ESGRIDS), que visou o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias para os desafios futuros das redes elétricas inteligentes, considerando três vertentes principais - a rede de distribuição, os mercados e o consumidor final de energia.

«Em particular, este estudo avaliou os potenciais impactos económicos e sociais das tecnologias das redes inteligentes com baixo Technology Readiness Level (TRL) e como identificar suas contribuições esperadas no quadro da transição energética, que tem um papel fulcral na descarbonização da economia», começa por explicar Carlos Henggeler, professor catedrático do DEEC e diretor do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra).

No âmbito do projeto, foram desenvolvidos modelos, aplicações computacionais e protótipos laboratoriais no âmbito da resposta dinâmica da procura de energia elétrica, otimização de operações da rede elétrica sob incerteza, e novos modelos de negócios envolvendo comercializadores e operadores da rede de distribuição.

Um dos principais tópicos deste estudo é o papel dos consumidores. «Com a capacidade de fazer geração fotovoltaica com recurso à luz solar e, eventualmente, armazenamento quer em baterias estáticas, quer em baterias de veículos elétricos, o consumidor passa a ter um papel muito mais ativo para o equilíbrio e a eficiência global de todo o sistema elétrico», afirma o docente da FCTUC.

Assim, a equipa do INESC Coimbra, em colaboração com o ALGORITNI/LASI da UM, C-MAST da UBI e a UPT, tentou perceber «quais os mecanismos, os sistemas e a inteligência computacional a embeber na tecnologia que podem ajudar o consumidor a ter esse papel mais ativo», esclarece Carlos Henggeler, acrescentando que «são múltiplos os benefícios, nomeadamente a nível económico e ambiental, tanto para o sistema elétrico, como para o próprio consumidor».

De acordo com o professor do DEEC, «este papel mais ativo dos consumidores pode passar pela participação em mercados organizados, com o apoio de utensílios tecnológicos e da inteligência computacional que é implementada nessas tecnologias para, por exemplo, responder a sinais da rede em situações que há uma menor geração de fontes renováveis ou uma sobrecarga em determinadas redes de distribuição, para os consumidores procederem dinâmica e automaticamente a alterações nos seus padrões de consumo, através de uma otimização dos seus recursos energéticos (trocas com a rede, gestão de cargas, armazenamento, microgeração local)».

Com a finalidade de saber como desenvolver uma otimização integrada de todos os recursos energéticos, ao longo desta investigação foram criados modelos de previsão, otimização, análise de rede e eletrónica de potência em colaboração entre as quatro unidades de I&D.

«O nosso trabalho foi sobretudo de otimização integrada de recursos energéticos do ponto de vista do consumidor, bem como desenvolver modelos de otimização do ponto de vista do comercializador de energia, para a definição de tarifas dinâmicas, isto é, com preços variáveis no tempo de acordo com múltiplos fatores, nomeadamente o preço dos mercados grossistas, o estado da rede, a disponibilidade de geração. No fundo são esses preços variáveis que induzem a mudança de comportamento dos consumidores», conclui o professor da FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Portugal - Investigadora do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho distinguida com Bolsa de Jovens Investigadores em Dor 2022

Lisboa – “The Rostral Ventromedial Medulla As A Key Target Of The Maladaptive Response To Chronic Inflammatory Pain” é o projeto de investigação básica vencedor da Bolsa de Jovens Investigadores em Dor 2022, atribuída pela Fundação Grünenthal

Da autoria da investigadora Diana Rodrigues, licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e aluna de Doutoramento no domínio de investigação No Pain no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho (ICVS), o projeto tem como principal foco o papel da modulação descendente na cronificação da dor em doentes com osteoartrose.

O objetivo principal desta investigação passa por explorar as alterações celulares (neuronais e gliais), moleculares e eletrofisiológicas no tronco cerebral produzidas pela osteoartrose e obter respostas acerca de como a osteoartrose tem impacto na estrutura e função do RVM (medula rostral ventromedial), e se um tratamento farmacológico com recurso a antidepressivos pode melhorar ou modular estas alterações.

Através de uma série de técnicas comportamentais, histológicas e eletrofisiológicas, a investigadora pretendeu avaliar alterações na estrutura do RVM, no número e morfologia dos seus neurónios e células da glia, nos níveis de neurotransmissores e na resposta dos neurónios a diversos estímulos. A compreensão destes mecanismos permitirá ao desenvolvimento futuro de novas terapias que possam melhorar a qualidade de vida dos doentes com osteoartrose.

A entrega da Bolsa de Jovens Investigadores em Dor 2022 realizou-se no âmbito do Colóquio da Fundação Grünenthal, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no dia 18 de outubro. A sessão foi dirigida pelo Professor Doutor Walter Osswald, presidente da Fundação Grünenthal.

Promovida pela Fundação Grünenthal, a Bolsa de Jovens Investigadores em Dor destina-se a apoiar a realização de projetos de investigação básica relacionados com a temática da dor. Atrevia - Portugal

Sobre a Fundação Grünenthal

A Fundação Grünenthal é uma entidade sem fins lucrativos que tem por fim primordial a investigação e a cultura científica na área das ciências médicas, com particular dedicação ao estudo da dor e respetivo tratamento. Para mais informações consulte www.fundacaogrunenthal.pt

 


sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Suíça - Portuguesa premiada por desenvolver um substituto ósseo bioativo

Helena Pereira foi premiada no VI Concurso Pitch de Investigação do Grupo Compostela de Universidades, na Suíça, por apresentar um novo substituto ósseo com materiais bioativos, que pode ser absorvido pelo corpo humano e permitir a fase natural de regeneração óssea, melhorando a vida dos pacientes

A aluna do doutoramento em Líderes para as Indústrias Tecnológicas da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e do Programa MIT-Portugal adiantou que o projeto está na fase exploratória e com testes in vitro nos laboratórios do Centro de Microssistemas Eletromecânicos da Universidade do Minho (CMEMS), em Guimarães.

O principal objetivo da cientista do CMEMS é “criar um produto que se dissolva ao longo dos anos com base em material bioativo, ao mesmo tempo que o osso se regenera, o produto dissolve-se”. Atualmente, o fosfato de cálcio já é usado como substituto ósseo, em pessoas com pouco osso.

Helena explica que “a presente solução funciona como um implante de fosfatos, pois, além de dissolver à taxa de regeneração do osso e de forma controlada, tem propriedades mecânicas equivalentes às do osso”.

“Essa é a minha principal inovação, graças a uma combinação dos fosfatos de cálcio e do processo de manufatura”, realça a jovem investigadora.

Este novo substituto recorre à “utilização de fosfatos de cálcio degradáveis, combinando hidroxiapatita e beta-tricálcio de fosfato, para obter um substituto com dissolução controlada, compatível com a taxa de regeneração óssea, e elevadas propriedades mecânicas, equivalentes às do osso, o que permite evitar perda óssea, nova cirurgia, imunorreações e outras complicações ligadas a tratamentos comuns”. Helena acrescenta ainda que “por exemplo, substitutos sintéticos com titânio, cobalto e crómio têm revelado problemas como libertação de ferro e excessiva rigidez”.

Em comunicado a jovem acrescenta ainda alguns dados interessantes como o facto de “o osso ser o segundo tecido mais transplantado do mundo e se estimar que 1.5 milhões de pessoas por ano sofrem uma fratura devido a doenças ósseas, com custos significativos para os sistemas de saúde”.

Realça ainda que “o problema afeta em especial os seniores e a Organização Mundial de Saúde prevê que no ano 2050 haja dois mil milhões de pessoas com mais de 60 anos”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Portugal - Cientista Rui L. Reis galardoado em Bordéus

Rui L. Reis, diretor e fundador do Grupo 3B’s e presidente do I3Bs – Instituto de Investigação em Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos da Universidade do Minho, recebeu esta manhã o Prémio Klaas de Groot da Sociedade Europeia de Biomateriais (ESB), a maior desta área a nível europeu

A entrega decorreu no Congresso Anual da ESB, em Bordéus, e incluiu uma palestra do homenageado. Rui L. Reis faz assim o “hat-trick” das principais distinções desta sociedade, após obter o prémio de jovem cientista (Jean Leray Award, Barcelona, 2002), o de carreira (George Winter Award, Dublin, 2011) e, agora, o de mentoria e apoio na carreira de jovens investigadores.

“É uma honra ver a ESB reconhecer a minha contribuição na formação de uma nova geração de cientistas de biomateriais e as qualidades de mentoria que fui desenvolvendo, sempre tentando passar a quem trabalha comigo e depois avança para outras posições de relevância na academia ou na indústria nos mais diversos cantos do mundo”, diz Rui L. Reis, mostrando “um enorme orgulho” pelas três distinções da ESB.

“Após a licenciatura, tive a oportunidade de trabalhar algum tempo numa empresa dos Países Baixos fundada por Klaas de Groot (que muito admiro) e Clemens van Blitterswijk (outro amigo, o único que também recebeu os três grandes prémios da ESB e é um dos meus principais colaboradores), o que foi decisivo para o lançamento da minha carreira e torna mais marcante receber um prémio com este nome”, realça.

O Prémio Klaas de Groot é atribuído a cientistas que demonstraram capacidade distintiva de liderança, mentoria e orientação científica, ajudando muitos jovens investigadores a estabelecerem uma carreira independente, promovendo-os internacionalmente e dando-lhe as condições necessárias de crescimento e evolução. Ainda segundo a ESB, a distinção reconhece a capacidade de estimular talento jovem, investindo nisso de forma desinteressada e permitindo a criação de uma nova geração de cientistas de biomateriais na Europa e no mundo.

Rui L. Reis é assim o único cientista com prémios de carreira e de contribuições para a literatura científica, quer na área dos biomateriais como na de engenharia de tecidos e medicina regenerativa, obtidos na Europa e nos EUA. Além das distinções da ESB, recebeu o Clemson Award da Sociedade Americana de Biomateriais e as duas maiores distinções TERMIS-EU da Sociedade Internacional para a Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa. Entre outros prémios científicos, de inovação e de empreendedorismo pelo globo, estão a nomeação para a National Academy of Engineering dos EUA, dois doutoramentos honoris causa, o IET Harvey Engineering Research Prize e o UNESCO International Life Sciences Award.

Nascido há 55 anos no Porto, Rui L. Reis doutorou-se em Ciência e Engenharia de Polímeros pela UMinho, na qual foi vice-reitor e é diretor do grupo de investigação 3B’s, que fundou há 23 anos, diretor do laboratório associado ICVS/3B’s e do Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa (EXPERTISSUES). É dos portugueses com mais publicações científicas (cerca de 1600), mais citações (55.500), maior “índice h” de impacto (107), mais financiamentos internacionais em projetos I&D (supera os 150 milhões de euros), mais palestras em congressos (2065) e tem 125 patentes, que originaram várias empresas. Presidiu a TERMIS, dirige o International College of Fellows, Biomaterials Science and Engineering (FBSE), que agrega todas as sociedades da área, e está no board de dezenas de revistas científicas, sendo por exemplo editor honorário do “Journal of Tissue Engineering and Regenerative Medicine” e editor associado da nova revista “PNAS Nexus”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Macau - Duas universidades locais a par de algumas portuguesas

Dois estabelecimentos de ensino superiores locais – a Universidade de Macau e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau encontram-se muito bem classificados no prestigiado Ranking de Xangai, surgindo a par de algumas Universidades portuguesas.

A pública UM-Universidade de Macau surge a par da Universidade de Aveiro e a Universidade do Minho, entre as 400ª e as 500ª melhores do mundo. Já a privada UCTM- Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau encontra-se entre os 500º e os 600º lugares, como a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra.

Tal como no ano passado, as instituições anglo-saxónicas continuam entre as 10 melhores: oito universidades norte-americanas e duas britânicas estão no topo do ranking internacional de 2022, das melhores instituições de ensino superior, que tem sido feito desde 2003 pela empresa independente Shanghai Ranking Consultancy.

No topo da lista, Harvard está mais uma vez à frente da também norte-americana Stanford. Este ano, outra universidade norte-americana, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), ficou em terceiro lugar no pódio, relegando a britânica Cambridge para quarto lugar. Oxford surge em 7º lugar. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Jornalista Carlos Fino lança obra “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”

Nova obra do jornalista português traz 500 páginas profusamente ilustradas com imagens de caráter histórico sobre a complexa relação Portugal-Brasil


Uma tese de doutoramento em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e pela Universidade de Brasília do jornalista português residente no Brasil, Carlos Fino, deu vida ao livro “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”.

Segundo o autor, a força da relação Brasil-Portugal por via da história, do sangue e da língua, por um lado, contrasta com a permanência de um sentimento de estranhamento e incomunicação. Confrontado com estas duas realidades contraditórias, quis aprofundar estudo nessas razões.

Em mais de 500 páginas profusamente ilustradas com imagens de caráter histórico sobre a complexa relação Portugal-Brasil, o autor estuda nesse passado comum as razões de um estranhamento e (in)comunicação, como por exemplo, cita um “sentimento antilusitano” que existe disseminado no Brasil.

O livro está em fase de pré-lançamento nos dois países pela Editora LISBON BOOKS – Livraria Atlântico.

Sinopse

A relação entre Portugal e o Brasil tem sido descrita como uma experiência de ambiguidades geradora de estranhamento. Se, por um lado, se reconhece existir proximidade histórica, por outro, é notório que o vínculo entre os dois países é muito menos intenso do que faria supor a partilha de uma mesma língua e um passado de três séculos de convívio sob governo comum.

Em nenhum outro lugar da sua aventura pelo mundo os portugueses se enraizaram tão profundamente como no Brasil, Apesar disso, há já dois séculos, o desfasamento dos respectivos discursos culturais – ambos marcados pelo ressentimento – não podia ser maior: o Brasil sempre procurando obliterar a memória da sua inegável raiz lusitana (“o ato fundador português”, na expressão de Eduardo Lourenço) e Portugal, numa perene nostalgia imperial, repetindo sem cessar os lugares comuns dos “laços de sangue” que os brasileiros simplesmente recusam ou não querem recordar.

Foi esta percepção genérica que motivou o trabalho de investigação apresentado na obra de Carlos Fino; inspirado, por um lado, pela constatação de Amado Luiz Cervo de que “algo especial governa as relações entre Brasil e Portugal, parceria eternamente inconclusa” e pela interrogação que o historiador brasileiro se coloca e fizemos nossa: “Que mistério existe a desafiar a compreensão das relações bilaterais?”

Por outro lado, como escreveu Maria de Lourdes Soares, se há ainda, em termos de distância cultural, “tantas léguas a nos separar, tanto mar”, conforme versos de Chico Buarque, como fazer desse mar tamanho “um mar que unisse, já não separasse”, como sonhou Pessoa?”

Conclusões

Na Universidade do Minho, quando da apresentação do estudo, Carlos Fino falou das principais conclusões sobre o projeto de investigação.

“Primeira: o fato de a nacionalidade brasileira ter no seu DNA – como detetamos ao longo da investigação – um sentimento antiportuguês que sempre tem sido cultivado desde a independência até hoje, sobretudo através do sistema de ensino, de onde saem gerações sucessivas de brasileiros com uma péssima imagem de Portugal (apesar de um corrente lusófila igualmente presente na sociedade)” disse o autor ao jornal NOS da UMinho.

“Segunda conclusão: a necessidade de Portugal ter isso presente na relação com o Brasil, sobretudo em termos de políticas de comunicação, se quiser que esse sentimento antilusitano seja atenuado ou mesmo ultrapassado. Até hoje, essas políticas têm sido muito deficitárias. Há um verdadeiro apagão mediático português no Brasil. Para se mudar essa situação impõe-se a elaboração de uma estratégia de aproximação de longo prazo e de longo fôlego, que vá além das efemérides e dos falsos ditirambos econômicos oficiais. E aí, no meu entender, a Academia poderia ter um papel crucial no sentido de congregar esforços de todos os setores envolvidos: governantes, homens de negócios, jornalistas, diplomatas… sem esquecer, claro, a forte comunidade portuguesa. Em qualquer caso, é urgente mais comunicação entre Portugal e o Brasil”. In “Mundo Lusíada” – Brasil 


terça-feira, 12 de outubro de 2021

Portugal - “Os Lusíadas” de Camões vai ter edição ilustrada por 10 mulheres, com linguagem contemporânea


O poema épico “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, vai ter uma edição ilustrada por 10 mulheres, com “atualização do texto” para a linguagem contemporânea, lançada no âmbito da terceira edição da Bienal de Ilustração de Guimarães (BIG).

Em conferência de imprensa decorrida nesta segunda-feira, o diretor artístico da bienal, Tiago Manuel, realçou que o projeto visa ir além da “igualdade” prevista “na lei e na Constituição” e da “retórica” que lhe está associada”, tendo a “força simbólica” de ser o primeiro trabalho de ilustração de uma “obra canônica” da literatura mundial a ser integralmente elaborado por mulheres.

“Posso dizer com orgulho que Portugal, um país de que gosto e no qual trabalho, é o primeiro a fazer um trabalho ilustrado inteiramente concertado por mulheres, para uma obra que não só faz parte do cânone português, como mundial. Na ilustração, Portugal é dos países com mais representação. Temos artistas a trabalhar para o mundo inteiro”, disse o ilustrador, na sessão de apresentação da obra, decorrida no Palácio Vila Flor, em Guimarães.

Com lançamento previsto para 21 de outubro, a edição conta com ilustrações das artistas Carolina Celas, Joana Rego, Joana Estrela, Madalena Matoso, Amanda Baeza, Inês Machado, Mariana Rio, Catarina Gomes, Marta Madureira e Marta Monteiro e um ‘design’ elaborado por Joana Pires.

Esse elenco, escolhido pelo júri dos vários prémios da BIG a partir de uma lista mais vasta de ilustradoras, dão uma “visão muito diferente” da epopeia face àquela que seria dada pelos homens.

Além das ilustrações, a edição apresenta ainda um texto adaptado à contemporaneidade, graças ao trabalho da professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, conhecedora da obra camoniana, Rita Marnoto.

“Uma obra destas implica cuidados e subtilezas. A pessoa mais indicada para adaptar o texto era a professora Rita Marnoto, com uma obra extensíssima em Camões”, explicou Tiago Manuel.

Lançada pela editora Kalandraka, vocacionada para a publicação de obras ilustradas, a primeira edição da versão ilustrada de “Os Lusíadas” vai ter 1200 exemplares, com 600 disponíveis no mercado livreiro, a um preço unitário de 35 euros.

A responsável Margarida Noronha disse sentir um “orgulho imenso” por ter no catálogo da editora uma obra com uma “modernidade gráfica” que pode levar o poema épico de Luís Vaz de Camões a “públicos-alvo” diferentes dos habituais.

Entre os exemplares lançados, 300 vão ser distribuídos pela Universidade do Minho, entidade parceira neste projeto. Para o reitor, Rui Vieira de Castro, esta é uma forma de as instituições de ensino superior serem mais do que os lugares onde se providencia “educação superior às pessoas”, e se procura o “alargamento das fronteiras do conhecimento”.

“[A Universidade do Minho] também quer ser uma instituição que intervém no desenvolvimento cultural, social e económico. (…) A partir da própria reitoria da universidade, já temos editado obras fundamentais da literatura portuguesa, como ‘Os Lusíadas’, por comemoração dos 30 anos da Universidade do Minho [em 2003]”, recorda.

Rui Vieira de Castro vincou ainda que a adaptação do texto de Camões para o “português corrente” visa “permitir um acesso mais generalizado a uma obra que nem sempre os jovens e a população em geral alcançam”.

Já Adelina Paula Pinto, vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães, entidade que vai distribuir 200 exemplares pelas escolas do concelho, realçou que o trabalho das 10 ilustradoras convoca os leitores a “reinterpretarem” o trabalho de Camões e a “olharem o mundo com novas janelas”.

Em curso desde 11 de setembro, a terceira edição da BIG estende-se até 31 de dezembro, tendo já atribuído o Prémio Carreira, no valor de 10 mil euros, a Cristina Reis, cenógrafa do Teatro da Cornucópia por quatro décadas, e o Grande Prémio BIG, de cinco mil, ao artista Sebastião Peixoto. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Portugal - Universidade do Minho lidera pedidos de patentes de invenções nacionais no primeiro semestre


A Universidade do Minho liderou no primeiro semestre em número de pedidos de invenções nacionais com 13, seguida de Rui Manuel Dias Ferreira (11) e pela Universidade do Porto (10), segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

De acordo com o relatório estatístico do primeiro semestre, entre os cinco maiores requerentes de patentes aparecem ainda uma empresa, a japonesa Yazaki Corporation (nove), e António Jorge de Oliveira Rodrigues (sete).

No que toca ao ranking das empresas, além da Yazaki Corporation, destacam-se as portuguesas Fravizel – Equipamentos Metalomecânicos, com sete pedidos, e a Hovione Farmaciencia, com seis.

Neste período, o instituto recebeu 407 pedidos de invenção, menos 31,1% face ao mesmo período de 2020, quando foram verificados 591.

Por região, entre janeiro e junho, 120 pedidos (35,1%) tiveram origem na região Norte, 115 (33,6%) na Área Metropolitana de Lisboa e 79 (23,1%) no Centro.

Já na Madeira verificaram-se dois pedidos (0,6%), enquanto nos Açores não houve qualquer solicitação de patente.

No primeiro semestre de 2021, dos pedidos de invenções nacionais de origem portuguesa, 41,8% foram apresentados por inventores independentes (143), 29,8% por pessoas coletivas (102), 20,5% por instituições de ensino superior (70) e apenas 7,9% por instituições de investigação (27), lê-se no documento.

O INPI concedeu 166 patentes no primeiro semestre, mais 56,6% do que no período homólogo.

Por modalidade de Direitos de Propriedade Industrial (DPI), entre janeiro e junho, os pedidos de marcas, logótipos e dos Outros Sinais Distintivos de Comércio (OSDC) foram os que tiveram maior procura junto do instituto, com uma subida de 34,8% para 13930, contra os 10330 verificados no primeiro semestre do ano anterior.

No total, foram concedidas 10179 marcas e OSDC nacionais, um aumento de 26% em comparação com os primeiros seis meses do ano anterior.

Por sua vez, a via nacional do design caiu, no período em causa, em número de pedidos, 4,4%, “apresentando um volume total de 642 objetos para 152 pedidos”.

Contabilizaram-se ainda 114 concessões de design nacional para 516 objetos concedidos, ou seja, um recuo de 70,8%.

Criado em 1976, o INPI dedica-se a registar e proteger os direitos de propriedade industrial, marcas, patentes e designs em Portugal, promovendo a respetiva proteção no estrangeiro, segundo informação disponível na sua página ‘online’. In “O Minho” - Portugal