Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 22 de março de 2026

Canadá - Cientista luso lidera avanço em vacina contra infeções bacterianas

O investigador luso-canadiano Mário Monteiro está a liderar um avanço na investigação de vacinas contra infeções bacterianas, com o desenvolvimento de um imunizante inovador contra a ‘Campylobacter jejuni’, uma das principais causas de diarreia a nível mundial


“Que eu saiba, somos o único laboratório universitário cujas descobertas já chegaram a quatro ensaios em seres humanos”, afirmou o cientista em entrevista à Lusa, sublinhando o carácter distintivo do trabalho desenvolvido na Universidade de Guelph, no Canadá.

Professor no departamento de Química daquela instituição, Monteiro coordena uma equipa que obteve resultados positivos num ensaio clínico de fase 1, indicando que a vacina é segura e capaz de induzir resposta imunitária em humanos.

“O objetivo da fase 1 em seres humanos é determinar se a vacina é segura e se cria anticorpos. Neste ensaio, verificámos ambos”, explicou.

Nascido em Lisboa e criado em Aldeias, no concelho de Gouveia, o investigador construiu uma carreira internacional na área das vacinas, após concluir o doutoramento na Universidade de York, em Toronto.

Passou pelo National Research Council of Canada e pela indústria farmacêutica nos Estados Unidos antes de ingressar na Universidade de Guelph.

O projeto, desenvolvido ao longo de mais de duas décadas em colaboração com instituições norte-americanas, baseia-se numa abordagem inovadora centrada em açúcares presentes na superfície das bactérias, ao contrário das vacinas tradicionais, que utilizam proteínas.

“As bactérias têm, na sua camada exterior, açúcares e proteínas. Nós identificámos as estruturas desses açúcares e transformámo-las em vacinas imunogénicas”, detalhou.

O ensaio clínico de fase 1 decorreu entre 2022 e 2024 no Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, envolvendo cerca de 60 adultos saudáveis.

Segundo o investigador, os resultados demonstraram um perfil de segurança favorável e uma resposta imunitária eficaz.

A ‘Campylobacter jejuni’, frequentemente associada ao consumo de frango cru ou mal cozinhado, é considerada uma das principais causas de doenças diarreicas no mundo, podendo provocar complicações graves, incluindo a síndrome de Guillain-Barré.

Para Monteiro, o avanço representa também um contributo relevante para o posicionamento do Canadá na investigação científica global.

“O nosso trabalho mostra que há interesse nas nossas vacinas e que podem ter impacto na saúde global”, afirmou.

O próximo passo será a realização de um ensaio clínico de fase 2, que deverá envolver um maior número de participantes e avaliar a eficácia da vacina na prevenção da doença.

Segundo o investigador, esta fase exigirá financiamento adicional e a participação de parceiros da indústria.

“Na fase 2 vamos testar se a vacina protege contra a infeção. É um marco importante no desenvolvimento”, concluiu.

Monteiro foi distinguido como uma das 50 pessoas mais influentes na área das vacinas em 2014 e integrou, em 2024, o Conselho da Diáspora Portuguesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa” 

Canadá - Nasceu em Gouveia e está a desenvolver vacina inovadora


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Moçambique - Armando Nhantumbo lança livro sobre o conflito em Cabo Delgado

Aconteceu hoje, 09 de abril, na Biblioteca Central da Universidade Pedagógica de Maputo o lançamento do livro A Guerra em Cabo Delgado, da autoria do jornalista e investigador Armando Nhantumbo. A obra propõe uma leitura crítica e fundamentada sobre o conflito armado que assola a província de Cabo Delgado desde 2017.



Com base em apuração no terreno e numa análise multidimensional, Nhantumbo procura recuperar o “relato negado” sobre a insurreição que atingiu praticamente toda a província, à exceção da capital, Pemba. Mais do que um registo testemunhal, o livro constitui uma investigação sobre os contornos sociais, políticos e económicos de uma guerra que redesenhou profundamente o Norte de Moçambique.

A sessão de apresentação contou com a intervenção do jornalista Jeremias Langa, responsável pela apresentação da obra, e os comentários do sociólogo João Feijó e do comunicador Erneste Saul (MC), que trouxeram diferentes leituras sobre o conteúdo e a relevância do livro no debate público nacional.

Promovido pela Ethale Publishing, o evento foi uma oportunidade para discutir um dos episódios mais marcantes da história recente do país, a partir de uma perspectiva informada e comprometida com a verdade factual. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Timor-Leste – Investigador recorda a história da criação de um novo país

O investigador Nuno Rodriguez Tchailoro não fugiu depois de votar no referendo de 30 de Agosto de 1999, que deu a independência a Timor-Leste, permaneceu em Díli porque tinha a responsabilidade de continuar a denunciar a violação dos direitos humanos

Há 25 anos, Nuno Rodriguez Tchailoro, investigador independente na área de história da ocupação indonésia e antigo assessor do ex-Presidente Lu Olo, pertencia à Associação HAK de direitos humanos, que acompanhou a votação no referendo.

“Nós estávamos com outros colegas da Associação HAK e decidimos não fugir para o mato, porque tínhamos a responsabilidade como organização dos direitos humanos de ficar para continuar a disseminar a informação sobre a violação dos direitos humanos”, disse à Lusa.

Em 30 de Agosto de 1999, 344.580 das 446.666 pessoas registadas (433.576 em Timor-Leste e 13.090 nos centros no estrangeiro) escolheram a independência do país e consequentemente o fim da ocupação da Indonésia (a Indonésia invadiu Timor-Leste em 7 de Dezembro de 1975), apesar da violência perpetrada pelas milícias que apoiavam a integração, apoiadas pelas forças militares indonésias.

Com o anúncio dos resultados em 4 de Setembro no Hotel Mahkota, hoje conhecido como Hotel Timor, começou uma onda de violência em Díli com assassínios, deslocação forçada de pessoas para Timor Ocidental, ataques à igreja católica e outras organizações, obrigando milhares de timorenses a fugirem.

Nuno Rodriguez Tchailoro e os colegas ouviram o anúncio oficial dos resultados no escritório da HAK, mas já sabiam que a independência venceria. “Durante o anúncio pelo Kofi Annan [antigo secretário-geral da ONU] tínhamos uma televisão pequena e quando fez o anúncio, queríamos celebrar, gritar bem alto, mas não conseguimos, porque ao nosso lado, os nossos vizinhos eram o centro de inteligência da Indonésia”, disse.

Do momento, lembrou à Lusa os abraços e o choro, mas a impossibilidade de celebração. “Uma emoção ambivalente, muito para celebrar, mas não podíamos celebrar, e tínhamos medo”, afirmou o antigo activista, salientando que sabiam que as milícias se preparavam para os atacar no dia a seguir à noite.

A “sorte”, segundo Nuno Rodriguez Tchailoro, é que com eles, além de estarem colegas indonésios, estavam também um cidadão norte-americano e vários britânicos. “Telefonamos para a UNPOL [Polícia das Nações Unidas] a dizer que havia cidadãos estrangeiros para salvar e por causa deles também fomos retirados”, debaixo de fogo e de pedras, explicou.

A polícia da ONU chegou com as milícias à porta, que não conseguiram entrar nas instalações da HAK, porque, como já previam o ataque, eletrificaram os portões e, portanto, sempre que lhes tocavam apanhavam um choque elétrico.

Nuno Rodriguez Tchailoro acabou por ser retirado do país em 6 de Setembro, mas regressou a Timor-Leste, a Baucau, nos primeiros voos apoiados pela ONU.

O regresso ao país foi um “choque”, mas o ativista salientou que já sabiam que a “Indonésia ia destruir toda a cidade”.

O antigo activista foi trabalhar para Lospalos, a cerca de 250 quilómetros a este de Díli, para contar quantas pessoas tinham sido assassinadas e fazer relatórios de direitos humanos. “Não foi fácil, mas a expressão que usávamos naquele tempo era: somos livres. Apesar das dificuldades, a nossa liberdade era mais importante”, disse.

Passados 25 anos, Nuno Rodriguez Tchailoro afirmou que inicialmente, como nova Nação, a ideia era “fazer melhor” que outros países, porque podiam aprender com os fracassos, vantagens e desvantagens com os outros. “Mas depois de 25 anos não aprendemos lições. O que aconteceu é que repetimos os mesmos erros que outros cometeram por causa da inexperiência”, disse.

Nuno Rodriguez Tchailoro referiu que a educação tem uma qualidade muito má, sendo a “base para desenvolver” o país, sendo que na saúde o sistema também “não é muito bom”. “Sonhámos naquele tempo ter educação e saúde com boa qualidade, mas a realidade é muito diferente”, disse. “Então em termos de recursos humanos se continuarmos assim como é que esta Nação vai desenvolver-se melhor no futuro?”, questionou, salientando que o que se passa é diferente daquilo que foi sonhado na altura da resistência. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Cabo Verde – Investigador lança novas técnicas de cultivo onde a chuva escasseia

Raphael Collici, investigador e autor de obras em defesa da biodiversidade, ganhou notoriedade na Europa e agora está a lançar um novo projeto na ilha do Maio, Cabo Verde


Depois de, em França, preservar “Frutos esquecidos” na “Quinta que sonha” — títulos que deu às suas obras –, quer desenvolver técnicas de cultivo onde a chuva escasseia.

“Cada gota conta”, é o lema da Maioasis, entidade estabelecida nos terrenos de uma antiga cooperativa de plantas ornamentais da Calheta, aldeia a poente da ilha, com pouco mais de mil habitantes.

O proprietário daquele espaço fechou o projeto e 120 pessoas que ali trabalhavam tiveram de procurar outras ocupações — algumas emigraram –, até que Raphael Collici comprou o espaço, em outubro de 2022.

“Foi uma oportunidade” de concretizar um sonho antigo de pôr o pé em Cabo Verde, que foi cultivando ao longo de 50 anos de atividade agrícola em campos da Europa e África.

De enxada na mão, pelo terreno abaixo, abre uma vala e no fundo, a todo o comprimento, faz uma caminha de ramos e arbustos secos misturados com uma matéria igualmente seca e esponjosa.

“É caca [excrementos] de vaca”, explica, numa amálgama de francês, italiano e espanhol.

“Da água que vai para o solo, 80% foge”, por ser território arenoso, permeável, pelo que, antes de plantar árvores naquela vala, Raphael usa uma das 20 técnicas que quer demonstrar em Cabo Verde: usar uma base orgânica absorvente para reter toda a humidade.

Assim, o fundo daquela vala vai segurar a água e vai ser solo vivo, com bactérias, tal como é necessário para tudo crescer.

No terreno já se veem bananeiras, palmeiras, calabaceiras, papaeiras e uma árvore de noni: Rapahel aproxima-se desta e explica que dali é possível obter uma fruta com alto teor antioxidante, muito procurada nos mercados ocidentais (como Estados Unidos da América e Europa), onde atingem preços muito aliciantes para o produtor – um litro de sumo de noni pode custar mais de 20 euros.

“Aqui, podes plantar tudo”, diz, desde que cada árvore ocupe o seu lugar, consoante a altura, para aproveitar cada gota de orvalho: por cima ficam as palmeiras, de onde as gotas escorrem pelas folhas para as mangueiras, mais abaixo os abacateiros, depois as papaeiras, até chegarem às plantas de café e cacau, na base, debaixo de toda a outra folhagem.

É como imaginar uma cascata, refere o defensor da biodiversidade que encontrou em Cabo Verde uma forma completar os seus sonhos iniciados na Europa: quer escrever um novo livro e estudar formas de dar formação.

“Gosto do povo. É um sonho antigo” que se segue a outras incursões em África, que até já lhe valeram sustos, como acordar ameaçado por grupos armados num deserto do Senegal.

“É o meu suor que paga o trabalho aqui. Ainda vou a França e volto. Quando posso, invisto aqui. Um pouco aqui e lá”, descreve, sob o alpendre de uma casa branca de alvenaria de onde se avista quase todo-o-terreno, onde uma melancia carnuda aberta na mesa ajuda a suportar o sol abrasador.

Quando questionado sobre os lucros que espera fazer, encolhe os ombros.

Fez amigos nos campos de lavoura ao longo da vida, mas diz que alguns “aburguesaram-se”, “o que é pena”, porque “conheciam boas técnicas de retenção de água” e esse é o desafio que agora enfrenta no Maio — como muitos cientistas dizem que será o desafio global, devido às alterações climáticas.

Jaen-Luc, braço direito de Rapahel na Maioasis, chegou ao Maio no início do ano e aponta para o céu para explicar o seu otimismo: “todos os dias vejo nuvens”.

“Sei que há humidade no ar e, já fiz prospeção, há lençóis de água no subsolo. Por isso, estou otimista”.

Ao lado, Diza Tavares, 40 anos, e Sandro Fernandes, 19 anos, residentes da ilha do Maio, colaboram com o projeto: tratam de áreas de cultivo, rega e outros detalhes do dia-a-dia, num projeto que veem como uma nova oportunidade, numa ilha que tem vindo a perder população e procura projetos que detenham quem ali ainda vive — hoje são pouco mais de seis mil habitantes. In “MadreMedia” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 19 de julho de 2023

Portugal - Luso-canadiano promove conferência sobre os feitos da ciência portuguesa

O investigador luso-canadiano Mário Monteiro está a preparar uma conferência, que pretende celebrar os feitos da ciência portuguesa, como “uma das melhores do mundo”, levando a Gouveia, em 2024, dezenas de cientistas

“Esta conferência e convívio, pretende celebrar a ciência portuguesa como uma das melhores do mundo. Esta é a minha área profissional, consigo bem avaliar as descobertas que estão a ser feitas por cientistas portugueses, pelo menos na última década”, disse.

A ‘LUSOciência Gouveia 2024’ terá lugar de 01 a 03 de agosto de 2024, um evento que será gratuito e aberto ao público em geral.

O professor de química da Universidade de Guelph, Mário Monteiro, que cresceu na Serra da Estrela, em Aldeias, Gouveia, no distrito da Guarda, mas vive no Canadá desde 1981, sublinhou que o encontro “vai ser uma boa montra para a ciência portuguesa e celebrar os sucessos dos investigadores portugueses”.

Em 2014, Mário Monteiro foi distinguido pela organização britânica vaccinenation.org em colaboração com a World Vaccine Congress, como uma das 50 pessoas mais influentes em termos globais na área das vacinas, numa lista liderada por Bill Gates.

Além dos cientistas portugueses, na diáspora e em Portugal, também aquela região do interior “será promovida”.

Para já estão confirmados quase 30 participantes, sendo 50 por cento deles, do sexo feminino, em várias áreas, como matemática, física, química e biologia.

Entre os cientistas confirmados, encontram-se o físico Pedro Vieira, investigador do Perimeter Institute (Canadá), a professora de química orgânica e biomolecular Amélia Rauter, da Universidade de Lisboa, o professor de biologia química da Universidade de Cambridge (Reino Unido), Gonçalo Bernardes, o professor de química orgânica da Universidade de Viena (Áustria), Nuno Maulide, o professor Manuel Coimbra, da Universidade de Aveiro e editor chefe da revista ‘Carbohydrate’ Polymers.

Mário Monteiro também frisou, que a ciência em Portugal terá que ser mais organizada e conhecida “para ter mais apoios necessários”, daí que este convívio e conferência, possa “ser um palco para os investigadores portugueses no mundo”.

“Os portugueses estão na linha da frente da ciência mundial. Nós em Portugal também o devemos celebrar”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Portugal - Investigador da Universidade de Coimbra ganha bolsa europeia de 1,9 milhões de euros para desvendar a dinâmica estrutural de motores moleculares

Sérgio Domingos, cientista da Universidade de Coimbra (UC), acaba de ganhar uma bolsa “Starting Grant”, no valor de 1,9 milhões de euros, atribuída pelo European Research Council (ERC).


Esta verba vai permitir desenvolver, durante os próximos cinco anos, uma estratégia experimental, inovadora, «para desvendar as formas tridimensionais de algumas moléculas chave no campo da nanotecnologia molecular, e entender a sua mecânica de funcionamento», afirma o investigador do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Essencialmente, o projeto distinguido pelo Conselho Europeu de Investigação, intitulado “MiCRoARTiS – Microwave Fingerprinting Artificial Molecular Motors in Virtual Isolation”, ambiciona desvendar «os segredos da mecânica estrutural de motores moleculares “construídos” pelo Homem, de forma a torná-los cada vez mais funcionais, mas também desenvolver a técnica de espectroscopia de micro-ondas para além do estado da arte, tornando-a cada vez mais útil nesta e noutras áreas do conhecimento, como na identificação de moléculas em partes distantes do universo (Astrofísica Molecular), ou no estudo de interações entre medicamentos e recetores moleculares do corpo humano (Química Medicinal)», destaca Sérgio Domingos.

Para tal, e graças ao financiamento obtido, vai ser criado, na Universidade de Coimbra, um laboratório de espectroscopia de micro-ondas de elevada performance, «uma infraestrutura única em Portugal», esclarece o investigador.

Sérgio Domingos diz ainda que «é um sentimento incrível ser selecionado num programa tão competitivo de ciência e ter a oportunidade de desenvolver este projeto na minha casa, a Universidade de Coimbra».

O Conselho Europeu de Investigação foi criado em 2007 pela União Europeia (UE) para financiar cientistas de excelência. As bolsas “ERC Starting Grant” são dirigidas a investigadores em início de carreira, possibilitando-lhes formar grupos de trabalho e desenvolver projetos em diferentes áreas científicas. Universidade de Coimbra - Portugal

Declarações do investigador Sérgio Domingos:


sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Portugal - Pesquisador propõe subsídio mensal por cada filho para aumentar a natalidade

A inversão do decréscimo da natalidade nos territórios do interior de Portugal “exige políticas públicas de médio e longo prazo”, defendeu o pesquisador em desenvolvimento regional Fernandes de Matos, propondo um subsídio mensal por cada filho em função do rendimento familiar.

“Essencialmente, para os municípios que estão muito rarefeitos, […] um subsídio mensal por cada filho poderia ajudar”, sugeriu Fernandes de Matos, referindo que esse apoio a nível local devia ser atribuído “em função do rendimento familiar”, à semelhança do abono de família, com escalões.

Em entrevista, o pesquisador em desenvolvimento regional e professor da Universidade da Beira Interior considerou que os apoios municipais de incentivo à natalidade atribuídos uma única vez e com um valor fixo são “um contributo”, mas funcionam como “penso rápido”, sem responder ao problema estrutural dos territórios do interior, inclusive a falta de serviços públicos de proximidade, desde a área da educação à saúde.

Entre os municípios com medidas de incentivo à natalidade está Alcoutim, no distrito de Faro, que ocupou nas últimas duas décadas o ‘ranking’ dos cinco concelhos com menos nascimentos em Portugal, com 16 nados-vivos em 2001 e 11 em 2020, pelo que decidiu atribuir 5000 euros por cada bebé que nasça no concelho.

Já o município de Almeida, no distrito da Guarda, que registou o maior decréscimo do país no número de nascimentos em 2020 comparativamente a 2001, com uma redução de -71,8%, ao passar de 64 para 18 recém-nascidos, prevê a atribuição de 1.000 euros para o primeiro filho e de 1250 euros para o segundo filho e seguintes.

Para o investigador Fernandes de Matos, este tipo de apoio à natalidade deve manter-se como “um incentivo inicial”, mas é necessário que seja “complementado com as medidas de carácter mais permanente”.

Apesar de ser uma tendência registada nas últimas duas décadas em todo o país, à exceção da região do Algarve, o decréscimo da natalidade foi mais acentuado nos concelhos do interior, o que traduz em parte a dinâmica de perda de população nestes territórios, a par do aumento do padrão de litoralização e da concentração populacional junto da capital, segundo os resultados preliminares dos Censos 2021.

Na perspetiva do investigador em desenvolvimento regional, além das medidas de apoio à natalidade, é preciso resolver os desincentivos à fixação de população no interior do país, desde a deficitária rede pública de creches e jardins de infância à falta de transportes públicos, e reforçar os investimentos nestes territórios, nomeadamente projetos de interesse nacional com “efeito âncora”.

“A discriminação que se quer positiva do interior, que é flexibilizar algumas das regras e ter apoios majorados, pecam por defeito, é sempre menos do que aquilo que era necessário”, apontou o professor da Universidade da Beira Interior, indicando que estes territórios com pouca população acabam também por ser penalizados na atribuição de fundos comunitários, assim como na representatividade por parte do poder político, inclusive na Assembleia da República.

Com a maioria dos investimentos a concentrarem-se no litoral, em que as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto “são autênticos aspiradores”, que “sugam recursos, sejam humanos, sejam financeiros”, o tecido social e econômico dos territórios do interior tem dificuldade em avançar com novos projetos, inclusive devido ao “próprio desânimo”, explicou o investigador, dando como exemplo as remessas dos emigrantes do interior que são canalizadas para investimentos no litoral em vez de serem na região de origem.

“Se não há esta infraestruturação, claro que o tecido económico vai ficando mais fraco, a produção vai desaparecendo, porque não há oportunidades, não há emprego, não há empresas a crescer, não há novas empresas a ficarem sediadas, tudo isto se vai acumulando”, expôs.

A inversão da tendência de decréscimo da natalidade “exige políticas públicas de médio longo prazo, portanto não podem ser políticas públicas pensadas para um ciclo legislativo, têm de ser pensadas num horizonte 10, 15, 20 anos”, considerou Fernandes de Matos.

“A questão não é só o aumento da taxa de natalidade, diria que essa é a questão, eventualmente, mais simples, assumindo que há população jovem e que quer assumir esse desafio de ter mais filhos […], mas é preciso pensar que, depois das crianças nascerem, temos de lhes dar condições, a elas e aos pais, para terem aquilo que é o seu desenvolvimento e tudo aquilo que é depois a criação de oportunidades, para que essas crianças criadas, formadas, possam ficar na região”, sustentou.

O investigador afirmou ainda que as condições “não são propícias” para que o ciclo de decréscimo de nascimentos se inverta naturalmente, por dinâmicas próprias que são criadas e geradas na região.

“Se não se fizer nada ou se se mantiver as mesmas políticas, as mesmas atuações, a situação vai-se agravar naturalmente”, alertou, defendendo que, em termos de política pública, “é preciso olhar de vez para os serviços de proximidade”.

“Como é que se quer inverter a natalidade, como é que se quer inverter esta quebra de população quando, por exemplo, a rede de ensino básico está depauperada?”, questionou o professor da Universidade da Beira Interior.

Entre os serviços em falta no interior do país destacam-se ainda a saúde, os transportes públicos, inclusive autocarros e comboios, e os postos de correios, a que se juntam outros problemas a resolver, designadamente o custo das portagens das autoestradas ex-SCUT, a habitação a preços acessíveis, o preço da água e a rede de acesso à internet, indicou Fernandes de Matos.

Neste âmbito, a resposta deve passar por uma articulação entre os vários níveis de governação, central e local, envolvendo a comunidade, o tecido empresarial, as universidades e os politécnicos.

Além de medidas concretas como a atribuição de um subsídio mensal por cada filho em função do rendimento familiar, o investigador realçou a necessidade de um trabalho de sensibilização sobre o problema, que “é grave” e coloca em risco o país como um todo: “se hoje não temos bebés, amanhã não temos pessoas a criar riqueza e amanhã não teremos também idosos”.

Sobre a exceção de aumento da natalidade nos concelhos do litoral do Algarve, o docente disse que pode ter a ver com a própria estrutura da população, eventualmente por ser mais jovem e ter mais imigrantes jovens a residir na região: “assumindo que haverá imigrantes jovens pode estar aí a chave para esta diferenciação”.

Já o caso de Odemira, no distrito de Beja, que também registou uma subida de nascimentos nos últimos 20 anos, pode estar associado, igualmente, à imigração de jovens a trabalhar no setor agrícola, em que grande parte vem da Ásia: “até pelas suas características culturais, têm mais filhos do que nós europeus”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

terça-feira, 27 de abril de 2021

Macau – Apresentação do livro “Seis reitores do liceu de Macau” do investigador António Aresta

“Seis Reitores do Liceu de Macau”, assim se intitula a obra que António Aresta vai publicar e que será apresentada dia 30 na Escola Portuguesa de Macau. O investigador revelou ao Jornal Tribuna de Macau alguns pormenores sobre a história desta escola e defendeu que os seis “ajudaram, cada um a seu modo, a consolidar a identidade e o prestígio da comunidade portuguesa no Extremo Oriente”. Aresta considera que cada um deles merecia, por si só, uma monografia. A edição é de Rogério Beltrão Coelho, sendo o prefácio escrito por Cecília Jorge

O investigador e historiador António Aresta vai lançar a obra “Seis Reitores do Liceu de Macau”, que será apresentada na Escola Portuguesa de Macau a 30 de Abril, e, mais tarde, em Setembro, em Lisboa. Ao Jornal Tribuna de Macau, o autor sublinha que, até ao fim do século passado, Macau possuiu três estabelecimentos de ensino “verdadeiramente emblemáticos e com objectivos educativos diferenciados”: o Seminário de S. José, a Escola Comercial Pedro Nolasco e o Liceu Nacional Infante D. Henrique, mais conhecido por Liceu de Macau.

António Aresta refere que as três escolas tiveram “uma importância nuclear na construção da história cultural de Macau”, tendo todas “ultrapassado os cem anos de ininterrupta actividade” e formado “milhares de jovens dentro de um grande espectro multicultural”. “Mas, ao mesmo tempo, também ajudaram a modelar a identidade cultural de Macau, vincando a sua face europeia e luso-chinesa, mas também latina e cristã. O emérito historiador de Macau, Monsenhor Manuel Teixeira, foi professor nessas três escolas e sobre elas escreveu páginas decisivas. Mas, como é evidente, ainda muito ficou por dizer e por historiar”, acrescenta.

Os reitores do Liceu de Macau sobre os quais Aresta se debruça são José Gomes da Silva (que nasceu em 1853 e morreu em 1905), natural do Porto e médico militar; Manuel da Silva Mendes (1867-1931), de Vila Nova de Famalicão, que estudou Direito; Carlos Borges Delgado (1887-1941), de Chaves, que enveredou pela área da Matemática; Énio da Conceição Ramalho (1916-2013), natural de Macau, da área das línguas Germânicas; António Maria da Conceição (1910-1985), também natural de Macau e que seguiu línguas Românicas; e, por fim, o lisboeta Túlio Lopes Tomaz (1910-1995), que se formou em Físico-Química.

“Estes seis reitores, que, a traços largos, são apresentados neste livro, perfilham esta filosofia da educação, foram personalidades marcantes em Macau e ajudaram, cada um a seu modo, a consolidar a identidade e o prestígio da comunidade portuguesa no Extremo Oriente”, afirma. António Aresta diz mesmo que, com excepção de Manuel Silva Mendes, que é já bastante estudado, cada um deles “merecia um trabalho monográfico onde se pudesse evidenciar a sua vida, o seu pensamento e a sua obra”.

Recordando que o Liceu de Macau teve três dezenas de figuras que ocuparam a função de reitor, o autor frisa que houve também “professores que deveriam ter sido reitores e por caprichos do destino não o foram”. Aponta, por exemplo, o professor Fernando Lara Reis, “figura ímpar a quem o Liceu e Macau muito devem”.

“A dimensão ultramarina da educação portuguesa tem sido pouco estudada, não só pelas controvérsias ideológicas que lhe estão associadas mas sobretudo pelo descaminho do imenso património documental e arquivístico, o que tem impedido o aparecimento de trabalhos de investigação com a constância que seria desejável”, defende Aresta. “Já estou a dar continuidade a este trabalho, abrangendo mais dez figuras que ocuparam as funções de reitor. É um trabalho lento, feito nos ócios do ofício”, acrescenta, em declarações a este jornal.

O Liceu de Macau foi fundado em 27 de Julho de 1893. A inauguração foi feita a 28 de Setembro de 1894, com 57 alunos, altura em que o território era governado por José Maria Horta e Costa.

“O Liceu teve sempre uma vida muito atribulada, misturando-se um pouco de tudo: escassez de alunos, polémicas na imprensa, insuficiência de recursos, querelas políticas com deputados e senadores, problemas com o Leal Senado, quezílias com o Governador, invejas com o Seminário e com a Escola Comercial. Mas conseguiu superar todas as malquerenças e vicissitudes e lá foi singrando com acerto e competência”, recorda. Por outro lado, o corpo docente era “muito bom” nesses “tempos áureos”, representando a “intelligentzia portuguesa expatriada em Macau”.

António Aresta diz que a obra é dedicada a “uma multidão”: a todos os que trabalharam, estudaram e ensinaram no Liceu de Macau, desde 1894 até 1998.

Rogério Beltrão Coelho, da “Livros do Oriente”, editou o livro. Ao Jornal Tribuna de Macau, disse que “não houve um desafio específico relativo a esta edição”. “Há um desafio global e constante, quando se fala hoje na edição de livros em Português em Macau. O diminuto número de potenciais leitores locais, que raramente chega à centena, não permite recuperar os encargos com a edição através da venda de exemplares”, apontou.

Beltrão Coelho sublinhou que, não havendo uma política de apoio à edição no território, “qualquer obra que surja será sempre fruto do sacrifício do editor ou da sorte de se ver bafejado por um patrocínio ocasional”.

A divulgação e distribuição do livro em Portugal resume-se à Livraria da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, que se encontra encerrada devido à pandemia.

O prefácio é de Cecília Jorge, onde escreve que o que distingue António Aresta “além de uma erudição patente nos seus escritos, é o rigor e a seriedade da comunicação assente em factos e em documentos”, “fugindo aos sensacionalismos, e ao relato que apenas se fundamenta na ficção”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Cabo Verde – Faleceu o antropólogo e escritor Moacyr Rodrigues


Mindelo – O antropólogo, investigador e escritor Moacyr Rodrigues faleceu hoje aos 87 anos na sua ilha natal São Vicente.

O escritor, filólogo e antropólogo Moacyr Rodrigues foi um estudioso da morna e um dos grandes apoiantes da sua elevação a Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Também durante a sua vida debruçou-se sobre a história do Carnaval cabo-verdiano, especialmente o de São Vicente

Segundo Moacyr Rodrigues, que fazia uma análise dos 100 anos do Carnaval de Mindelo, à Inforpress, no princípio as marchinhas que animavam os bailes do Carnaval eram do Brasil mas, depois esses compositores cabo-verdianos começaram a fazer músicas com sabor e contexto cabo-verdiano.

“As marchas que eram cantadas ou dançadas nos anos de 1945 no Brasil em 1946 estavam em Cabo Verde. Mais tarde B. Léza começou a fazer marchinhas cabo-verdianas, com estilo brasileiro sim, mas de sabor e contexto cabo-verdiano. Havia outro compositor chamado Nha Banha”, revelou.

Gabriel Moacyr Rodrigues nasceu na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente a 09 de Abril de 1933. Em 1957 iniciou o curso de Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, que prosseguiu na Universidade de Coimbra.

Em 1985 licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês/Português) pela Universidade Clássica de Lisboa. Em 2003 obteve o Mestrado em Relações Interculturais pela Universidade Aberta do Porto, na área de Antropologia Visual e em 2010 obteve o Mestrado em Ciências Musicais — Etnomusicologia na Universidade Nova de Lisboa doutorou-se na mesma área pela mesma universidade em 2015.

Em 1999 começou a leccionar no ensino superior em Cabo Verde, onde ensinou disciplinas de Língua e Cultura Cabo-verdiana e Portuguesa, Antropologia Cultural e História, Cultura e Património, entre outras. É autor de vários livros e alguns artigos publicados em revistas de diversos países.

Moacyr Rodrigues faleceu esta madrugada em São Vicente. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

domingo, 11 de outubro de 2020

Canadá - Investigador português defende rendimento básico em Portugal

Um investigador português no Canadá defende que Portugal deve adotar um rendimento básico incondicional como resposta ao impacto económico e social da pandemia, dando o exemplo do país norte-americano

“A pandemia colocou Portugal perante uma crise económica e social sem precedentes” e a “criação de uma nova prestação social tem vindo a ser discutida” entre dirigentes políticos portugueses, afirmou Filipe Duarte, professor e investigador da Universidade de Windsor no Canadá, que defende uma solução transversal para toda a população.

Trata-se de uma medida que o investigador tem vindo a defender desde o início da pandemia: “a criação de uma medida de Rendimento Básico Incondicional (RBI) de cariz emergencial, seja ela temporária a atribuir por um período de seis a doze meses, ou de caráter permanente”.

O investigador considera o modelo canadiano um ‘case-study’ devido ao Benefício de Resposta de Emergência do Canadá (CERB, sigla em inglês), uma medida de apoio temporário e emergencial, destinou-se a todos aqueles que tenham perdido o emprego, ficado doentes, que tenham necessitado de fazer quarentena ou tenham estado encarregues de cuidar de alguém doente, devido à pandemia.

O benefício emergencial fixo tributável no valor de 2000 dólares canadianos (1284 euros) por mês deveria ter duração até quatro meses a partir de 15 de março de 2020. No entanto, o Governo de Otava estendeu o programa até ao dia 27 de setembro. A maioria dos beneficiários do CERB transitaram para o Subsídio de Desemprego (IE), com o parlamento em Otava a aprovar na semana passada por unanimidade um novo Benefício de Recuperação do Canadá através do projeto de Lei C-4.

As autoridades estimam que cerca de dois milhões de trabalhadores são elegíveis para o novo IE, enquanto que cerca de 890 mil poderão ter o apoio do fundo de recuperação.

Filipe Duarte considera que, seis meses depois, “o impacto da pandemia tem vindo a acentuar ainda mais as desigualdades pré-covid” e por isso é urgente a criação “de políticas sociais inovadoras como resposta ao impacto económico e social provocado pela pandemia face ao aumento do desemprego, formal e informal, à quebra de rendimento de trabalho e ao aumento de despesas familiares várias decorrentes da pandemia.”

No passado dia 18 de julho, por ocasião da 18.ª Palestra Anual Nelson Mandela 2020, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu “a integração gradual do setor informal nas estruturas de proteção social”.

Guterres afirmou ainda que “um mundo em mudança requer uma nova geração de políticas de proteção social com novas redes de segurança, incluindo a possibilidade de um Rendimento Básico Incondicional”.

Apesar dos atuais regimes de layoff simplificado, bem como os apoios já existentes do subsídio de desemprego, o estabelecimento de níveis mínimos de proteção social “é essencial”.

O investigador propõe assim que todos os cidadãos em Portugal, cujo rendimento de trabalho, formal ou informal, tenha terminado ou sido suspenso, e que por razões várias não qualifiquem para o subsídio de desemprego, “possam beneficiar automaticamente da medida”.

O mesmo defende que a nova medida de RBI deverá sempre situar-se acima do Indexante dos Apoios Sociais (IAS). Atualmente, em 2020, o IAS é de 438,81 euros.

Filipe Duarte considera que todos os cidadãos que tenham perdido rendimento nos últimos 6 a 12 meses, incluindo os apoios do regime de layoff, o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção (RSI) “devem beneficiar da medida de RBI, até um máximo de duas prestações por agregado familiar”.

“Essa nova medida de proteção social terá como objetivo estabelecer mínimos de proteção social face ao impacto da pandemia bem como promover o estímulo da economia pela via do aumento do rendimento disponível dos cidadãos”, frisou.

Para o investigador, o Rendimento Básico Incondicional tornou-se o “canivete suíço das políticas sociais”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2020

Decorre entre 16 de outubro e 16 de novembro o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio do Ministério da Cultura.



O concurso Bolsas Criar Lusofonia é dirigido a escritores oriundos dos países da Comunidade de Países de Língua Oficial portuguesa, com obra divulgada nacional e internacionalmente. Patrocinado pelo Ministério da Cultura e gerido pelo Centro Nacional de Cultura, tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para estadas em países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Pretende-se criar oportunidade de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

São instituídas duas bolsas de criação / investigação literárias, sendo uma das quais obrigatoriamente atribuída a um português.

Podem candidatar-se às bolsas de criação/investigação escritores e investigadores de nacionalidade Angolana, Brasileira, Cabo Verdiana, Guineense, Moçambicana, Portuguesa, São Tomense e Timorense, com obra divulgada publicamente nos seus países e, de preferência, também fora deles.

Este programa já contemplou escritores como José Eduardo Agualusa, Possidónio Cachapa, Miguel Real, Germano de Almeida, Ondjaki, Pedro Rosa Mendes e tantos outros.

Consulte aqui o regulamento.

Mais informações e esclarecimentos: alexandra.prista@cnc.pt


domingo, 4 de outubro de 2020

Suíça - Investigador português lança associação de graduados portugueses

 


Um investigador português da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) quer reunir graduados portugueses na Suíça numa associação, com o objectivo de promover o intercâmbio de experiências pessoais e profissionais. São vários os países europeus que contam com associações que juntam graduados portugueses nos seus países de acolhimento. Este ano, foi a vez de ser lançado na Suíça o projecto que pretende reunir licenciados, mestres, doutorados ou pós-doutorados, das mais diversas áreas de actividade no maior número possível de cantões suíços.

Paulo Gomes, investigador no CERN há mais de 30 anos, foi o mentor do projecto que junta os graduados portugueses na Suíça.

"Ao longo dos últimos 30 anos, o número de portugueses no CERN tem vindo a multiplicar-se. Há cerca de 300 portugueses a trabalhar de forma permanente ou temporária no CERN", explicou o engenheiro em electrónica à agência Lusa, relatando que a ideia surgiu em 2018, em conversa com colegas num encontro da diáspora organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Portugal.

"Esta associação já existia em vários países europeus e já estava a fazer falta na Suíça, visto que se trata de um país que acolhe um grande número de portugueses", afirma o investigador do CERN.

O acto constitutivo da Associação dos Graduados Portugueses na Suíça foi assinado a 14 de Julho no consulado português de Genebra, tendo sido apresentados e aprovados os estatutos, bem como confirmados os seus primeiros corpos sociais.

O presidente da Associação dos Graduados Portugueses na Suíça (AGRAPS), Paulo Gomes, relatou que o projecto da associação já tinha sido apresentado, no ano passado, ao então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, aquando da sua visita ao CERN mas que só este ano foi possível constituir formalmente a organização.

Trata-se de uma associação que pretende estabelecer uma rede de comunicação entre os graduados portugueses que residam ou trabalhem em território helvético, promovendo trocas de experiências pessoais e profissionais com vista a reforçar as ligações com os meios académico, científico, industrial, empresarial, cultural, tecnológico e governamental, não só na Suíça como em Portugal.

Actualmente a AGRAPS conta com cerca de 20 membros constituintes e uma centena de profissionais interessados em integrar o grupo enquanto sócios.

Segundo o presidente, a mais recente associação de apoio aos graduados portugueses na Suíça tem contado com o apoio das congéneres nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Luxemburgo e Países Baixos. O grupo reúne uma vez ao ano para discutir e trocar ideias no âmbito de desenvolver uma comunidade além-fronteiras.

"Pretendemos estreitar o contacto de todos os membros da nossa associação organizando encontros socioculturais e científicos para os membros, assim como interagir com a comunidade portuguesa", declara o presidente.

Além disso, Paulo Gomes, refere ainda que o comité associativo está a trabalhar sobre a criação de um espaço, no próprio 'site' da associação, destinado a todos os graduados portugueses que desejem estudar e/ou trabalhar na Suíça ou voltar a Portugal, com o objectivo de esclarecer dúvidas. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

sexta-feira, 8 de março de 2019

Portugal - Financia bolsas a investigadores de língua portuguesa da CPLP

O presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), Luís Faro Ramos, e o diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Incanha Intumbo, assinaram no dia 28 de fevereiro, o ato de entrega pelo Governo da República Portuguesa ao IILP de uma contribuição voluntária no valor de 200 mil euros “para o desenvolvimento do programa de bolsas de cientista convidado do IILP por um período de três anos (2019-2021) durante o qual serão anualmente concedidas duas bolsas a investigadores de língua portuguesa para apoio a projetos do IILP”, informa uma nota divulgada pelo Camões, I.P.

O documento foi assinado na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, e o Secretário Executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles.

O ‘Programa de bolsas: Cientista convidado do IILP’, que tem o apoio do Governo português, foi lançado pelo IILP para dinamizar o idioma comum ao espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Luís Faro Ramos sublinhou que este “estímulo” permitirá ao IILP reforçar as suas atividades e apelou aos restantes países da CPLP e aos observadores associados para que sigam o exemplo português e contribuam também com programas semelhantes para que a atividade do IILP “seja mais visível e tenha mais resultados”.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, em Lisboa, foram reconhecidas as dificuldades que o IILP tem enfrentado para desenvolver as suas atividades devido à falta de meios humanos e financeiros, e fizeram-se apelos a outros países para que sigam o exemplo português.

O diretor executivo do ILLP, Incanha Intumbo, reconheceu que o instituto tem desenvolvido a sua missão a custo devido à “insuficiência financeira” e afirmou que os Estados-membros deviam esforçar-se para cumprir os seus compromissos a nível de contribuições (quotas), apesar de alguns terem “situações financeiras muito complicadas”.

O IILP quer realizar atividades nos países-membros, mas “isso tem custos em recursos humanos e materiais”, frisou Incanha Intumbo, acrescentando que, sem meios, não é possível realizar essas atividades.

Para Incanha Intumbo, este “apoio extraordinário”, que representa dois terços do orçamento do IILP, é “um marco” que vai “permitir levar o IILP às pessoas” e desenvolver mais programas no terreno.

O diretor executivo do IILP destacou a relevância da língua portuguesa, apontando estimativas que colocam o número de potenciais falantes de língua portuguesa entre 270 a 280 milhões, com impacto económico na internacionalização das empresas e nas trocas comerciais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, mostrou disponibilidade para que Portugal dê continuidade a esta contribuição extraordinária, mas sem se comprometer.

“Como nos casamentos, o amor começa por ser extraordinário e depois vai crescendo e, seguramente, aqui vai acontecer o mesmo”, desde que se deem os “passos certos” e os montantes sejam “bem administrados” para poder crescer “solidamente”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva acrescentou que o objetivo é apoiar o IILP na sua missão principal de promover a língua, com um programa que valoriza “a dimensão da investigação aplicada e aplicável ao ensino do português enquanto língua não materna”. In “Mundo Português” - Portugal

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Internacional - Equipa liderada por português descobriu mecanismo que atrasa Alzheimer



A equipa é liderada pelo investigador Cláudio Gomes do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Os cientistas descobriram um novo mecanismo bioquímico nas células nervosas que retarda a formação dos depósitos de agregados de proteína no cérebro, causadores da doença de Alzheimer.

A descoberta foi publicada no dia 29 de junho na revista científica ‘Science Advances’, da ‘American Association for the Advancement of Science’.

“A proteína S100B acumula-se junto das placas (depósitos) de amilóide nos cérebros com Alzheimer, e o nosso trabalho revela agora que essa ‘coincidência’ tem uma razão de ser, dado que descobrimos que a proteína S100B interage com a proteína beta-amilóide, atrasando a sua agregação”, explica Joana Cristóvão, estudante de doutoramento e primeira autora do estudo.

“Em estudos com culturas de células observamos que a proteína S100B reverte a toxicidade induzida por agregados da proteína beta-amilóide, o que reforça este novo papel na defesa anti agregação”, continua a jovem investigadora.

No seu entender, “esta investigação desvenda novas funções das alarminas S100 que serão comuns entre patologias neurodegenerativas para além da Doença de Alzheimer, o que abre perspetivas sobre a possibilidade de desenvolvimento futuro de terapias direccionadas para estes alvos”.

A doença de Alzheimer afeta milhões de pessoas em todo o mundo e resulta da acumulação de formas tóxicas da proteína beta-amilóide sob a forma de agregados que causam a morte dos neurónios, resultando em demência.

Esta investigação foi conduzida no BioISI – Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Portugal) em colaboração com investigadores do I3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (Portugal), Universidade de Freiburg (Alemanha) e Universidade Técnica de Munique (Alemanha). O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT, Portugal), Fundação Bial (Portugal) e pelo Deutsche Forschungsgemeinschaft (Alemanha). In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 5 de maio de 2018

Portugal - Investigador nacional premiado com distinção internacional



João Pedro de Magalhães, antigo aluno da Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto, foi recentemente distinguido com o prémio ‘Carreira’ pela instituição Marie Curie Alumni. O prémio foi atribuído durante a conferência anual da instituição Marie Curie, que decorreu em Leuven, na Bélgica.

O galardão visa destacar e reconhecer a qualidade do trabalho centrado no estudo do genoma e no processo de envelhecimento humano desenvolvido pelo investigador.

O cientista, a trabalhar atualmente na Universidade de Liverpool, em Inglaterra, interessa-se sobre os mecanismos genéticos, celulares e moleculares que conduzem ao envelhecimento.

“O seu objetivo é o de promover o tratamento de doenças associadas ao envelhecimento e, assim, melhorar a qualidade de vida e a saúde, a longo prazo”, informa uma nota divulgada pela Universidade Católica no Porto.

João Pedro de Magalhães licenciou-se em Microbiologia, em 1999, na Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto, e em 2004, já centrado na área do genoma e do envelhecimento, ingressou num pós-doutoramento na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, onde acabou por integrar a equipa de investigação de George Church, pioneira nesta área.

Em 2008, João Pedro de Magalhães foi convidado pela Universidade de Liverpool a desenvolver e a liderar o próprio grupo de investigação em genómica aplicada e envelhecimento. “O galardão agora conquistado promove o elevado mérito do projeto de João Pedro de Magalhães”, elogia a Católica do Porto no mesmo comunicado.

A Escola Superior de Biotecnologia integra a Universidade Católica no Porto foi pioneira no lançamento da formação em Engenharia Alimentar em Portugal, há mais de 30 anos, oferecendo ainda a única licenciatura em Microbiologia existente no país. O suporte científico aos vários cursos é garantido pela investigação desenvolvida no Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), que detém o estatuto de Laboratório Associado e participa ativamente em mais de 40 redes nacionais e internacionais.

A Marie Curie Alumni (Associação Marie Curie de Antigos Alunos) é uma associação de investigadores que beneficiaram ou beneficiam de uma ‘Ação Marie Curie’ – recentemente denominada ‘Ações Marie Skłodowska-Curie’ no âmbito do pilar ‘Excelente Ciência’ do Programa Horizonte 2020 para a investigação, da União Europeia. Os investigadores que estão prestes a trabalhar num projeto Marie Curie são também elegíveis para participação, assim como supervisores e coordenadores de projetos Marie. O principal objetivo da associação é proporcionar aos seus membros um espaço onde possam compartilhar experiências e interesses. In “Mundo Português” - Portugal