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domingo, 22 de março de 2026

Canadá - Cientista luso lidera avanço em vacina contra infeções bacterianas

O investigador luso-canadiano Mário Monteiro está a liderar um avanço na investigação de vacinas contra infeções bacterianas, com o desenvolvimento de um imunizante inovador contra a ‘Campylobacter jejuni’, uma das principais causas de diarreia a nível mundial


“Que eu saiba, somos o único laboratório universitário cujas descobertas já chegaram a quatro ensaios em seres humanos”, afirmou o cientista em entrevista à Lusa, sublinhando o carácter distintivo do trabalho desenvolvido na Universidade de Guelph, no Canadá.

Professor no departamento de Química daquela instituição, Monteiro coordena uma equipa que obteve resultados positivos num ensaio clínico de fase 1, indicando que a vacina é segura e capaz de induzir resposta imunitária em humanos.

“O objetivo da fase 1 em seres humanos é determinar se a vacina é segura e se cria anticorpos. Neste ensaio, verificámos ambos”, explicou.

Nascido em Lisboa e criado em Aldeias, no concelho de Gouveia, o investigador construiu uma carreira internacional na área das vacinas, após concluir o doutoramento na Universidade de York, em Toronto.

Passou pelo National Research Council of Canada e pela indústria farmacêutica nos Estados Unidos antes de ingressar na Universidade de Guelph.

O projeto, desenvolvido ao longo de mais de duas décadas em colaboração com instituições norte-americanas, baseia-se numa abordagem inovadora centrada em açúcares presentes na superfície das bactérias, ao contrário das vacinas tradicionais, que utilizam proteínas.

“As bactérias têm, na sua camada exterior, açúcares e proteínas. Nós identificámos as estruturas desses açúcares e transformámo-las em vacinas imunogénicas”, detalhou.

O ensaio clínico de fase 1 decorreu entre 2022 e 2024 no Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, envolvendo cerca de 60 adultos saudáveis.

Segundo o investigador, os resultados demonstraram um perfil de segurança favorável e uma resposta imunitária eficaz.

A ‘Campylobacter jejuni’, frequentemente associada ao consumo de frango cru ou mal cozinhado, é considerada uma das principais causas de doenças diarreicas no mundo, podendo provocar complicações graves, incluindo a síndrome de Guillain-Barré.

Para Monteiro, o avanço representa também um contributo relevante para o posicionamento do Canadá na investigação científica global.

“O nosso trabalho mostra que há interesse nas nossas vacinas e que podem ter impacto na saúde global”, afirmou.

O próximo passo será a realização de um ensaio clínico de fase 2, que deverá envolver um maior número de participantes e avaliar a eficácia da vacina na prevenção da doença.

Segundo o investigador, esta fase exigirá financiamento adicional e a participação de parceiros da indústria.

“Na fase 2 vamos testar se a vacina protege contra a infeção. É um marco importante no desenvolvimento”, concluiu.

Monteiro foi distinguido como uma das 50 pessoas mais influentes na área das vacinas em 2014 e integrou, em 2024, o Conselho da Diáspora Portuguesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa” 

Canadá - Nasceu em Gouveia e está a desenvolver vacina inovadora


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde em consórcio para criar vacina contra vírus transmitidos por mosquitos

Trata-se de uma vacina de largo espectro contra dengue, Zika, febre amarela, vírus do Nilo Ocidental e outros flavivírus que causam mais de 100 mil mortes anualmente


Especialistas de virologia, imunologia, biotecnologia e saúde pública de dez instituições de sete países europeus e dos Estados Unidos juntaram-se para, nos próximos três anos, desenvolverem uma vacina inovadora, designada Flavivaccine, contra flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial epidémico, como o dengue, o Zika, a febre amarela e o vírus do Nilo Ocidental.

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) é o parceiro português deste consórcio internacional, coordenado por Julien Pompon, do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD), de Montpellier, França, no âmbito de um projeto financiado com mais de oito milhões de euros pela União Europeia através do programa HORIZON-RIA – Research and Innovation Actions.

O i3S foi convidado a juntar-se como «membro de excelência» na sequência do concurso “HopON” da Comissão Europeia, devido à experiência do grupo liderado por Joana Tavares em infeções transmitidas por mosquitos, e irá receber 540 mil euros para desenvolver a sua participação.

Nesta altura, estima-se que estas doenças (dengue, Zika, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental) afetem anualmente cerca de 500 mil pessoas e causem mais de 100 mil mortes em todo o mundo. Mas, devido ao aquecimento global, os habitats dos mosquitos vetores (Aedes e Culex) estão a expandir-se para a Europa e para a América do Norte e o risco de surtos e epidemias de flavivírus tem vindo a aumentar de forma significativa. Quase toda a população humana está em risco de infeção por flavivírus, pelo que é urgente agir preventivamente e antecipar estratégias de vacinação, antes que as epidemias sejam cada vez maiores e mais frequentes e evoluam para pandemias.

«Atualmente não existem vacinas eficazes contra vários flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial pandémico e, nos casos em que estas existem (como a vacina contra o dengue), têm muitas vezes limitações em termos de segurança, eficácia ou acessibilidade», explica a investigadora do i3S e Professora Auxiliar do ICBAS, Joana Tavares, que vai liderar a equipa portuguesa. O Flavivaccine, garante, «tem potencial para resolver estas questões, proporcionando uma plataforma segura, eficaz, flexível e de rápida aplicação».

Segundo Joana Tavares, esta proposta de vacina é de largo espetro e oferece uma abordagem preventiva alargada e mais segura, atuando na fase inicial da infeção resultante do contacto com o mosquito. O Flavivaccine tem como alvo componentes da saliva do mosquito. No final do projeto, garante a Investigadora, «pretendemos ter uma vacina candidata pronta para entrar em desenvolvimento clínico».

Além dos flavivírus já conhecidos, o consórcio internacional vai acompanhar de perto o potencial de emergência de novos vírus ainda não caracterizados, que podem representar futuras ameaças à saúde pública. «O nosso projeto centra-se no combate à ameaça global dos flavivírus, nomeadamente a dengue, a febre amarela, o Zika e o Nilo Ocidental, mas a vacina também tem potencial para proteger contra outros flavivírus, incluindo a encefalite japonesa», sublinha a investigadora.

Além disso, acrescenta Joana Tavares, «os flavivírus são particularmente propensos a mutações, o que aumenta a sua capacidade de saltar de uma espécie hospedeira para outra. Esta particularidade, combinada com os extensos reservatórios animais e os habitats em expansão dos seus vetores (como os mosquitos e as carraças), criam as condições ideais para o aparecimento de novos flavivírus, pelo que é necessário monitorizar todos os que conhecemos e que têm potencial para causar surtos e desenhar uma estratégia de vacinação capaz de se adaptar a um vasto número de vírus que ainda não conhecemos, mas que podem rapidamente emergir e conduzir a epidemias».

A consolidação de esforços numa única vacina contra múltiplos flavivírus transmitidos por mosquitos com potencial epidémico não só racionaliza a proteção das populações e reduz o número de hospitalizações, como alivia a pressão sobre os sistemas de saúde, diminuindo o impacto económico e social das doenças transmitidas por mosquitos, cujo custo anual ultrapassa os nove mil milhões de euros a nível global.

O i3S faz parte deste consórcio com uma equipa que integra três grupos de investigação: «Host-Parasite Interactions», liderado por Joana Tavares, «Gene Regulation», liderado por Alexandra Moreira, e «Nanomedicines & Translational Drug Delivery», liderado por Bruno Sarmento. Universidade do Porto - Portugal

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Moçambique - Inicia contactos para garantir vacinas contra Mpox

O país está a contactar parceiros internacionais para ter acesso a vacinas contra a varíola dos macacos, apesar de ainda não existirem casos positivos. Moçambique vai reforçar a vigilância nas fronteiras para evitar a entrada de pessoas contaminadas, principalmente da vizinha África do Sul, país com casos confirmados.

A propagação da varíola dos macacos tem sido muito rápida pelo continente africano, tendo a vizinha África do Sul, casos confirmados. 

Apesar de não ter casos positivos, o país tem se antecipado na busca de vacinas pelo mundo, para responder ao surto, caso necessário.

“Através dos seus parceiros regionais e globais, Moçambique tem estado a fazer diligências para que tenha, quando disponível o estoque, para poder aplicar, em caso de declaração de surto no país. Neste momento, o país continua livre da doença, por isso, é elegível, mas estamos precavidos” disse Eduardo Samo Gudo, director-geral do Instituto Nacional de Saúde.

O Instituto Nacional de Saúde afirma que está a ser reforçada a vigilância nas fronteiras para evitar a importação de casos. “O que estamos a fazer é reforçar a segurança nas fronteiras, com foco para aqueles países que têm casos confirmados. A Organização Mundial da Saúde não recomenda a restrição de viagens para nenhum país, e nós estamos a cumprir com essa recomendação”, acrescentou Samo Gudo.

O Centro Africano de Controle de Doenças (CDC África), alerta que ainda há falta de vacinas no mundo para combater a Mpox. Enquanto isso, procuram-se soluções.

“As capacidades são muito limitadas, especialmente em termos de diagnóstico. E como sabem, só a Nigéria, na África, recebeu 10 mil doses de vacina, e estamos a trabalhar com os parceiros internacionais para receber mais vacinas para o continente. Não há tratamento, por enquanto, para a MPOX, mas também estamos a trabalhar para acelerar os treinamentos clínicos para obter uma dose segura”, explicou Benjamin Djoudalbaye, chefe de Política, Diplomacia de Saúde e Comunicação no CDC África.

O Conselho Consultivo Técnico do CDC África está reunido em Maputo para, entre outros, traçar estratégias conjuntas do continente, para o combate à doença.

“Esta reunião vai, igualmente, avaliar a  situação epidemiológica da Mpox no nosso continente e emitir as respectivas recomendações. Estamos convictos de que as deliberações que aqui sairão, vão fortalecer a capacidade nacional, regional e continental para uma resposta colectiva à Mpox e futuras emergências de saúde e segurança continental”, concluiu o ministro da Saúde, Armindo Tiago.

O encontro, de dois dias, vai igualmente discutir o quadro para a declaração de emergência de saúde pública de segurança continental. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Portugal - Vai doar vacinas contra a mpox a países africanos

Portugal vai doar a países africanos vacinas contra a mpox, anunciou o Ministério da Saúde, depois de França, Alemanha e Espanha terem comunicado o mesmo compromisso esta semana.

Em comunicado, o Ministério da Saúde salienta que as vacinas vão ser doadas a “países africanos, que têm registado um aumento expressivo de casos desta doença já declarada pela Organização Mundial de Saúde como ‘emergência de saúde pública global’”.

“Portugal tem atualmente um ‘stock’ de vacinas contra o vírus mpox e está na disposição de ceder entre 10% a 15% deste ‘stock’ de vacinas”, indica o gabinete tutelado por Ana Paula Martins.

Portugal responde assim ao pedido da Comissão Europeia aos Estados-membros da União Europeia (UE), na semana passada, para disponibilizarem vacinas e medicamentos para África.

“O Ministério da Saúde já solicitou que seja comunicado junto do ‘board’ da HERA (Autoridade Europeia para a Preparação e Resposta a Emergências Sanitárias) esta intenção e disponibilidade. A cedência das vacinas ficará naturalmente dependente de uma articulação ao nível da União Europeia”, acrescenta.

Na quarta-feira, o Ministério da Saúde adiantou que estava a avaliar a doação a países africanos de vacinas, de acordo com o seu ‘stock’ e com as necessidades internas.

A mpox é uma doença viral que se propaga dos animais para os seres humanos, mas que também pode ser transmitida entre seres humanos através do contacto físico, provocando febre, dores musculares e lesões cutâneas.

Uma nova estirpe (“clade 1b”) de mpox foi detetada na República Democrática do Congo (RD Congo) em setembro de 2023 e depois notificada em vários países vizinhos.

O ressurgimento em África está a ter um grande impacto na República do Congo, RD Congo, Burundi, Quénia, Ruanda e Uganda. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 24 de agosto de 2024

União Europeia – Vacina da farmacêutica Moderna já pode ser usada contra vírus respiratório comum

A Comissão Europeia anunciou ter autorizado a utilização da vacina mResvia, da farmacêutica Moderna, contra o vírus respiratório comum, destinada à imunização de idosos a tempo da próxima estação fria

“A Comissão autorizou a vacina de ARN mensageiro ‘mResvia’, destinada a imunizar adultos com mais de 60 anos de idade contra a doença do trato respiratório inferior causada pela infeção pelo vírus sincicial respiratório”, indica o executivo comunitário em comunicado.

A vacina, destinada a combater o vírus respiratório sazonal altamente contagioso principalmente em idosos, é “a primeira de ARN mensageiro a ser autorizada na UE para uma doença que não a covid-19”, adianta o comunicado da Comissão Europeia.

Em causa está o vírus sincicial respiratório, normalmente com sintomas ligeiros, mas que pode ter consequências graves para as pessoas vulneráveis, incluindo os idosos.

“A autorização da mResvia surge antes da época de outono/inverno, quando as infeções respiratórias como com o vírus sincicial respiratório tendem a atingir o seu pico em toda a UE”, justifica a comissão.

A ‘luz verde’ segue-se a uma avaliação científica positiva efetuada pela Agência Europeia do Medicamento em junho.

Cabe agora às autoridades de cada Estado-membro decidir se e como irão utilizar a vacina, em conformidade com os seus planos nacionais de vacinação.

Citada no comunicado, a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, apela para a adoção do fármaco, vincando que “a vacinação salva-vidas”.

“Numa União Europeia da Saúde forte, estamos determinados a garantir que todos tenham acesso à proteção de que necessitam contra doenças graves. Esta aprovação da primeira vacina de ARN mensageiro contra o vírus sincicial respiratório mostra claramente a importância da inovação quando se trata de proteger a saúde dos nossos cidadãos”, adianta Stella Kyriakides. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 29 de julho de 2024

Portugal - Investigadores da Universidade do Porto criam protótipo de vacina para tratar cancro

Vacina baseada em açúcares presentes nas células tumorais pretende educar o sistema imunitário a responder contra tumores sólidos


Investigadores do Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia do Porto (CI-IPOP), do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Faculdade de Ciências (FCUP), e do Laboratório Associado para a Química Verde da Universidade do Porto – REQUIMTE (LAQV-REQUIMTE) estão a desenvolver uma vacina baseada em açúcares presentes nas células tumorais que pretende educar o sistema imunitário a responder contra tumores sólidos, contribuindo, desta forma, para o tratamento da doença oncológica.

Segundo o líder do projeto, José Alexandre Ferreira, investigador do grupo de Patologia e Terapêutica Experimental do CI-IPOP e docente do Departamento de Patologia e Imunologia Molecular do ICBAS, “o protótipo da vacina desenvolvido resulta de mais de uma década de trabalho, sendo que uma parte foi financiado por um projeto liderado pelo IPO que envolve também o i3S”.

Os investigadores começaram por perceber como é que os açúcares que cobrem as células se alteram com o cancro e com a progressão da doença, através da análise das alterações de padrões de glicosilação em vários tumores. No seguimento destas análises exaustivas descobriram que as células tumorais mais agressivas perdem a capacidade de expressar estes açúcares mais complexos e exuberantes, passando a expressar açúcares imaturos e muito mais simples.

Foi com esta descoberta que iniciaram esta investigação e que, posteriormente, tentaram identificar as proteínas que estavam associadas a estes açúcares e entender a sua função biológica. “Achámos que seria interessante criar ferramentas para ensinar o sistema imunológico a responder a células que tinham estas alterações de glicosilação, que são células muito envolvidas no processo de agressividade da doença e de disseminação”, explica José Alexandre Ferreira.

A investigação passou, ainda, por uma série de etapas, culminando no protótipo de vacina, entretanto já patenteada pelo IPO-Porto. Pelo caminho foram publicados também dois artigos em revistas científicas, mais especificamente na Journal of Controlled Release e na ACS Nano.

Uma vez que 80 por cento dos tumores sólidos, tanto em fases iniciais como muito avançadas, expressam estas alterações, “o espetro de aplicação será também muito grande”, sublinha o investigador. Esta alteração nos açúcares foi também identificada nas metástases, já que há evidências que se pode encontrar estes padrões de glicosilação em tumores de bexiga, gástricos e colorretal, entre outros.

Vacina “passou” nos testes com sucesso

Neste momento, a vacina encontra-se em fase pré-clínica, tendo já sido testada in vitro e in vivo no biotério do i3S pela investigadora Flávia Castro e por Rui Freitas e Andreia Miranda, estudantes de doutoramento do ICBAS a realizar investigação no CI-IPOP, sob supervisão do líder deste projeto e dos investigadores do i3S Bruno Sarmento e Maria José Oliveira.

“O objetivo era perceber se conseguíamos induzir uma resposta imunitária segura, específica e capaz de reconhecer células tumorais”, explica José Alexandre Ferreira, acrescentando que os resultados validaram a eficácia da vacina.

Para além de permitir gerar anticorpos que reconhecem as células tumorais, a vacina demonstrou ainda “criar alguma memória imunológica, o que abre portas para pensar numa proteção contra a recidiva”. No entanto, mesmo com estes “resultados promissores”, continuam por superar alguns desafios antes da sua aplicabilidade clínica, nomeadamente com o ambiente imunossupressor induzido pelos tumores mais agressivos.

Atualmente, a equipa já se encontra a explorar novas moléculas para aumentar a resposta imunitária e a combinar a solução com terapias já existentes. É precisamente ao nível molecular que entra o trabalho realizado nos Laboratórios do LAQV-REQUIMTE, no Departamento de Química e Bioquímica da FCUP. “O nosso papel no LAQV foi participar na identificação de alvos moleculares específicos das células tumorais, utilizando metodologias de proteómica baseada na espetrometria de massa”, descreve André Silva, investigador do LAQV-REQUIMTE, na FCUP, e docente no ICBAS.

Os investigadores também caracterizaram, na FCUP, modelos moleculares desenvolvidos no IPO-Porto que estiveram na base da formulação da vacina. Para este trabalho de caracterização molecular, que contou também com a participação de Marta Relva Santos, estudante de doutoramento em Ciências Biomédicas do ICBAS, foi fundamental o equipamento do Centro de Química de Materiais da U.Porto, também localizado na FCUP, que “não existe em mais nenhuma das instituições envolvidas no consórcio”, ressalva André Silva.

Um longo, mas importante processo de validação

Segue-se ainda um processo de validação com vista ao desenho de um ensaio clínico. José Alexandre Ferreira reforça, a propósito, a importância de as pessoas perceberem “os avanços que estão a ser feitos” e também que este é “um processo longo de validação para que depois a solução apresentada ao doente seja segura, eficaz e uma mais-valia”.

Já para Lúcio Lara Santos, docente do Departamento de Anatomia do ICBAS e coordenador do grupo de Oncologia Molecular e Patologia Viral do CI-IPOP, serão necessárias “provas e contraprovas” de que a vacina funciona, que é útil e não prejudicará os doentes, e “pode vir a ser uma boa arma”. Só depois de provado o resultado dos ensaios diante das autoridades responsáveis “será possível desenhar um ensaio clínico”, adiantou.

O oncologista termina com uma certeza: “Temos uma ideia de investigação que é lógica, temos todos os ingredientes para que isto venha a funcionar, estamos na fase pré-clínica para garantirmos que aquilo que esperamos vai ser a evidência que nos permite avançar para a parte clínica”. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Brasil – Segundo a Organização Mundial de Saúde é o país com mais casos de dengue no mundo

O Brasil lidera o número de casos de dengue no mundo, com 2,9 milhões registrados em 2023, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos são mais da metade dos 5 milhões registrados mundialmente. A organização chamou atenção, no último dia 22, para a doença que tem se espalhado para países onde historicamente a doença não circulava.

Entre as razões para o aumento está a crise climática, que têm elevado a temperatura mundial e permitido que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti sobreviva em ambiente onde antes isso não ocorria. O fenômeno El Niño de 2023 também acentuou os efeitos do aquecimento global das temperaturas e das alterações climáticas.

Em todo o mundo a OMS relatou mais de 5 milhões de infecções por dengue e 5 mil mortes pela doença. A maior parte, 80% desses casos, o equivalente a 4,1 milhões, foram notificados nas Américas, seguidas pelo Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental. Nas Américas, o Brasil concentra o maior número de casos, seguido por Peru e México. Os dados são referentes ao período de 1º de janeiro e 11 de dezembro.

Brasil

Do total de casos constatados no Brasil, 1474, ou 0,05% do total são casos de dengue grave, também chamada de dengue hemorrágica. O país é o segundo na região com o maior número de casos mais graves, atrás apenas da Colômbia, com 1504 casos.

Países anteriormente livres de dengue, como França, Itália e Espanha, reportaram casos de infecções originadas no país – a chamada transmissão autóctone – e não no estrangeiro. O mosquito Aedes aegypti é amplamente distribuído na Europa, onde é mais conhecido como mosquito tigre.

Alterações climáticas

No Brasil, levantamento feito pela plataforma AdaptaBrasil, mostrou que as mudanças climáticas no Brasil podem levar à proliferação de vetores, como o mosquito Aedes aegypti e, em consequência, ao agravamento de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. A plataforma é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),

As projeções indicam também expansão da malária, leishmaniose tegumentar americana e leishmaniose visceral. O trabalho levou em conta as temperaturas máxima e mínima, a umidade relativa do ar e a precipitação acumulada para associar a ocorrência do vetor, que são os mosquitos transmissores das diferentes doenças em análise. A AdaptaBrasil avalia também a vulnerabilidade e a exposição da população a esses vetores.

A dengue é a infecção viral mais comum transmitida a humanos picados por mosquitos infectados. É encontrado principalmente em áreas urbanas em climas tropicais e subtropicais.

Os principais sintomas da dengue são febre alta, dor no corpo e articulações, dor atrás dos olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

Para evitar a infestação de mosquitos, o Ministério da Saúde orienta que é necessário eliminar os criadouros, mantendo os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas, capas ou tampas. Medidas de proteção contra picadas também podem ajudar especialmente nas áreas de transmissão. O Aedes aegypti ataca principalmente durante o dia.

Vacina

Na quinta-feira (21), o Ministério da Saúde incorporou a vacina contra dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, o Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público universal.

Conhecida como Qdenga, a vacina não será disponibilizada em larga escala em um primeiro momento, mas será focada em público e regiões prioritárias. A incorporação do imunizante foi analisada e aprovada pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec).

O Ministério da Saúde informou que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) trabalhará junto à Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) para definir a melhor estratégia de utilização do quantitativo disponível, como público-alvo e regiões com maior incidência da doença para aplicação das doses. A definição dessas estratégias deve ocorrer nas primeiras semanas de janeiro.

Em entrevista à Radioagência Nacional, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, enfatiza a importância da vacina para controlar a dengue no país. “A vacina, sem dúvida, junto com outras medidas, será importante instrumento para controle dessa doença”, disse.

Ele acrescenta que “a dengue é uma doença que impacta diretamente praticamente todo o território nacional, vem se expandindo em regiões onde a gente não tinha dengue e o controle do vetor do mosquito transmissor da doença têm sido insuficientes para que nos consigamos diminuir as taxas de infecção que só se alastram”.

Ministério da Saúde

Em nota, o ministério diz que está alerta e monitora constantemente o cenário da dengue no Brasil. Para apoiar estados e municípios nas ações de controle da dengue, a pasta repassou R$ 256 milhões para todo o país para reforçar o enfretamento da doença.

A pasta informa que instalou uma Sala Nacional de Arboviroses, espaço permanente para o monitoramento em tempo real dos locais com maior incidência de dengue, chikungunya e Zika para preparar o Brasil em uma eventual alta de casos nos próximos meses. Com a medida, será possível direcionar melhor as ações de vigilância.

“O momento é de intensificar os esforços e as medidas de prevenção por parte de todos para reduzir a transmissão da doença. Para evitar o agravamento dos casos, a população deve buscar o serviço de saúde mais próximo ao apresentar os primeiros sintomas”, diz o texto, que ressalta ainda que cerca de 11,7 mil profissionais de saúde foram capacitados em 2023 para manejo clínico, vigilância e controle da dengue. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Agência Brasil”

 

sábado, 2 de dezembro de 2023

Nações Unidas - Brasil e Timor-Leste avançam no combate à malária, segundo relatório global

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique estão entre nações onde se observam altas de casos em comparação com o período pré-pandemia. A publicação anual da OMS sobre a doença alerta sobre crescente ameaça das alterações climáticas

Eventos climáticos extremos impulsionaram a alta significativa no número de casos de malária em todo o mundo no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Em nível global foram registados 249 milhões de casos da doença durante o período, em comparação com 244 milhões em 2021. Os dados são do Relatório Mundial sobre a Malária de 2023, lançado nesta quinta-feira em Genebra.

Países de língua portuguesa

A análise destaca que esse total está 16 milhões acima das notificações registadas em 2012, antes da Covid. A África concentra cerca de 94% dos 233 milhões de casos e 95% das 608 mil mortes provocadas pela malária.

No caso dos países lusófonos, o relatório revela que Angola superou em 25% o total de casos e mortes em relação ao período anterior à Covid-19.

O Brasil reduziu a incidência de malária em cerca de 25%, um decréscimo considerado substancial. Foram menos 28 mil casos em comparação com o período pré-pandemia.

A Guiné-Bissau teve um aumento de cerca de 5% em casos. Na mesma região, São Tome e Príncipe atingiu uma taxa de pacientes de malária acima de 55% em relação ao pré-Covid.

Total global de óbitos

Moçambique registou quase 4,2% dos casos em nível global, estando entre os quatro países que juntos concentram quase metade de pacientes de malária no mundo. Já Timor-Leste não registou casos de malária pelo segundo ano consecutivo.

O número global de óbitos no período em análise teve uma queda em comparação com os 610 mil registados em 2021. Os totais ainda superam as 576 mil mortes registadas em 2019.

A OMS apela aos países para que aumentem ações de combate às alterações do clima. A agência aponta as inundações e o aumento da temperatura como razões para uma “tempestade perfeita” de mosquitos, que aumentam os casos de malária.

A publicação que examina a ligação entre as alterações climáticas e a malária revela que as mudanças na temperatura, a humidade e a precipitação influenciaram o comportamento e a sobrevivência do mosquito Anopheles, que transmite a doença.

Redução do acesso aos serviços essenciais

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, as alterações do clima representam um risco substancial para os progressos no combate à malária, especialmente em regiões vulneráveis.

O chefe da agência da ONU destaca que mais do que nunca é preciso que as respostas sejam sustentáveis e resilientes, juntamente com ações urgentes para abrandar o ritmo do aquecimento global e reduzir os seus efeitos.

Com as variações do clima, esperam-se efeitos indiretos nas tendências da malária como redução do acesso aos serviços essenciais contra a doença e perturbações na cadeia de abastecimento de redes tratadas com inseticida, medicamentos e vacinas.

O relatório destaca que o deslocamento da população devido a fatores induzidos pelo clima também pode levar a uma alta de casos da malária, à medida que pessoas sem imunidade migrem para áreas endêmicas.

Vacinas contra a malária recomendadas pela OMS

O relatório também cita realizações tais como a implementação faseada em três países africanos da primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS, a Rts,s/AS01.

A redução de casos foi substancial e a queda nas mortes chegou a 13% na primeira infância em todas as causas nas áreas onde a vacina foi administrada em comparação com áreas onde não houve o tipo de imunização.

Os avanços no combate à malária estenderam-se às áreas onde foram implementadas intervenções como distribuição de redes, pulverização com inseticidas dentro das casas e outras medidas relacionadas à saúde infantil.

Em outubro, a OMS adotou a vacina R21/Matrix-M. a expectativa é que a aplicação dos dois imunizantes aumente a oferta e seja possível alargar a distribuição na África.

No total, 34 países reportaram menos de mil casos de malária, em comparação com apenas 13 nações no ano 2000. O total revela avanços na eliminação. Este ano, Azerbaijão, Belize e Tajiquistão foram declarados livres da malária. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Macau - Isabel Zendal Gómez e os 250 anos da Dama da Vacina

A enfermeira espanhola trouxe, pela primeira vez, a vacina contra a varíola para Macau e Cantão, no âmbito da Real Expedição Filantrópica da Vacina – mais conhecida por Expedição Balmis, entre 1803-1806 – liderada pelo médico Francisco Javier de Balmis. A Organização Mundial da Saúde considerou Zendal como a “primeira enfermeira da história em missão internacional”. Chegou ao território no dia 5 de Outubro de 1805


Já ouviu falar de Isabel Zendal Gómez? Faz este ano 250 anos que nasceu na Galiza, em Espanha. E porque é que esta mulher é tão importante para Macau e, inclusive, para a China? Porque em 1805 chegou ao território, então administrado por Portugal, no âmbito da Real Expedição Filantrópica da Vacina – também conhecida por Expedição Balmis, entre 1803-1806 – trazendo, pela primeira vez, a vacina contra a varíola, a bordo da corveta Maria Pita.

Sabendo que a vacina não tinha chegado à China, o médico Francisco Javier de Balmis – líder da expedição espanhola – pediu autorização para aportar em Macau, autorização que lhe foi concedida, saindo de Manila, nas Filipinas – então colónia espanhola – a 3 de Setembro de 1805, e chegando um mês depois, a 5 de Outubro.

A expedição, da qual Isabel Zendal Gómez era a principal enfermeira e única mulher da equipa – entre dez integrantes –, vacinou a população de Macau e de várias cidades chinesas até chegar a Cantão. O seu grande propósito foi o de vacinar o maior número possível de pessoas contra a doença e contou com o “total apoio” do Rei Carlos IV de Espanha, cuja filha havia morrido da maleita.

A Real Expedição Filantrópica da Vacina partiu de Corunha e chegou até à América do Norte, aportando no México, e na América do Sul, chegando ao Chile. Depois seguiu viagem até à Ásia, onde chegou às Filipinas, antes de rumar à China. Estima-se que tenham sido vacinadas mais de 350 mil pessoas durante a expedição, desconhecendo-se quantas pessoas foram vacinadas em Macau e na província de Cantão.

Nascida a 26 de Fevereiro de 1773, a galega natural de Órdenes, na Corunha, foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1950, como a “primeira enfermeira da história em missão internacional”. Curioso o facto de a sua mãe, Ignacia Gómez, ter morrido precisamente de varíola, em 1786, quando Isabel tinha 13 anos. Em 31 de Julho de 1793, nasceu o seu filho Benito Vélez, que Isabel criou como mãe solteira. A 14 de Outubro de 1803 publicou-se o decreto em que incorporava Isabel Zendal Gómez no projecto expedicionário.

Ao longo da sua vida – desconhecendo-se em que ano morreu, mas acredita-se que terá falecido no México –, Zendal Gómez foi também supervisora e reitora do orfanato Casa de Expósitos, situado na Corunha, e o seu papel na expedição foi o de cuidar de um grupo de 22 crianças, órfãos portadores do vírus com o qual a vacina foi preparada.

A vacina contra a varíola é o primeiro fármaco do género a ter ido ao encontro da humanidade. O antídoto serviu para fazer frente a uma doença considerada “a maior assassina”, conforme escreveu o médico Donald R. Hopkins no seu livro “The Greatest Killer – Smallpox in History”, editado em 1983 e reeditado em 2002.

Recorde-se que a vacina contra a varíola foi inventada em 1796 pelo naturalista e médico franco-inglês Edward Jenner, falecido há precisamente 200 anos, em Berkeley, no Reino Unido.

Entre os diversos reconhecimentos ao trabalho de Isabel Zendal Gómez, para além do seu nome ter sido dado a diversas ruas em Espanha, também o romance da escritora Julia Alvarez, “Saving the World”, em 2006, baseia-se na experiência da enfermeira durante a expedição. Em 2016, foi criada a Associação Isabel Zendal para investigar, divulgar e promover, local, nacional e internacionalmente, o protagonismo da Galiza na expedição. Posteriormente, em 2018, o grupo farmacêutico espanhol CZ Veterinaria mudou de nome para Zendal em homenagem à galega. Também no mesmo ano foi publicado o livro de banda desenhada “Nuevo Mundo. Isabel Zendal en la expedición de la vacuna”, da autoria de El Primo Ramón. Mais recentemente, durante a pandemia de Covid-19, a capital Madrid deu o nome da profissional de saúde ao Hospital de Emergências Enfermera Isabel Zendal, que foi construído, precisamente, em resposta à doença que ainda assola o mundo. Diversas outras publicações e até filmes foram feitos com base na história de vida de Zendal Gómez e da Real Expedição Filantrópica da Vacina. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”



quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Portugal – Decididamente não se aposta na investigação

Covid-19: Vacina portuguesa contra a doença vê chumbada candidatura ao PRR


A biotecnológica portuguesa Immunethep, sediada em Cantanhede, viu a sua candidatura ser chumbada ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19.

Com ensaios não clínicos com resultados promissores terminados desde meados de 2021, a biotecnológica esteve durante algum tempo à espera de um mecanismo financeiro por parte do Governo português para poder avançar para ensaios clínicos e chegar ao mercado, tendo sido conduzido para o PRR.

A 29 de dezembro, surgiu a confirmação da recusa da candidatura apresentada a um dos avisos deste plano, depois de a Immunethep ter apresentado recurso a uma primeira comunicação de não aprovação no verão de 2022, disse à agência Lusa Bruno Santos, cofundador e administrador da empresa sediada em Cantanhede, no distrito de Coimbra.

O projeto procurava um financiamento de cerca de 30 milhões de euros para um processo que se previa implicar um investimento global de 60 milhões de euros, já prevendo uma unidade produtiva nesta área.

Segundo Bruno Santos, o projeto não obteve a nota máxima em vários parâmetros, nomeadamente na categoria de inovação e diferenciação, o impacto do projeto no perfil de especialização produtiva do país, o impacto na região, ou o potencial de valorização económica.

“O mais frustrante é que, quando fizemos os primeiros contactos com o Governo, tínhamos estados europeus a apoiar diretamente projetos em valores de 100, 200 ou 300 milhões de euros. Tínhamos aqui um projeto com capacidade, que podia fazer a diferença, na altura quase no início da pandemia, e sempre disseram que era interessante e que queriam apoiar, mas nunca se avançou para o apoio”, constatou.

De acordo com o responsável, a biotecnológica foi encaminhada “para uma série de programas mais tradicionais”, mas que não se ajustavam à velocidade necessária para o desenvolvimento de uma vacina contra a covid-19.

“Supostamente o PRR seria rápido, mas começámos a falar com o Governo em 2020 e em dezembro de 2022 sabemos que é uma resposta negativa”, lamentou.

Para Bruno Santos, para além do desenvolvimento da vacina contra a covid-19, o projeto permitiria a Portugal ter “capacidade produtiva” numa área onde não há qualquer resposta no país.

“Não há qualquer capacidade produtiva nesta área e vai continuar a não haver e Portugal vai continuar dependente da resposta dos outros países”, sublinhou, frisando que a possibilidade de surgir uma outra pandemia será “muito grande”.

O financiamento e o desenvolvimento da vacina seria também uma oportunidade “para acelerar o crescimento da Immunethep”, que trabalha já em parceria com grandes farmacêuticas e que recentemente recebeu 2,5 milhões de euros do Conselho Europeu da Inovação para os ensaios clínicos de uma vacina multibacteriana, num projeto cujo investimento pode ascender aos 17,5 milhões de euros.

“Temos uma série de pessoas com formação superior, doutorados. Diz-se que é preciso pôr doutorados na indústria, mas depois há um projeto que assegura esse espaço para essas pessoas e não é aprovado. Tivemos conversas com governantes a dizer que isto fazia todo o sentido, que este é o modelo de desenvolvimento que querem para o país, mas os projetos apoiados pelo PRR não têm esse perfil”, criticou Bruno Santos.

Em março de 2021, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, chegou a deslocar-se às instalações da biotecnológica e afirmou que o Governo estava disponível para apoiar o desenvolvimento de uma vacina portuguesa contra a covid-19. In “MultiNews Sapo” – Portugal com “Lusa”

Pode aceder a toda a informação sobre esta vacina da Immunethep aqui.


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Portugal - Estudo revela que vacina mais infecção fornecem meses de protecção contra o SARS-CoV-2

Orientada por Luís Graça e Manuel Carmo Gomes, os resultados da investigação foram, esta semana, publicados na revista Lancet Infectious Diseases. “A protecção conferida pela imunidade híbrida é inicialmente de cerca de 90%, reduzindo após cinco meses para cerca de 70%, e tende a se estabilizar num valor em torno de 65% após oito meses”, concluíram os cientistas


Um grupo de investigadores portugueses concluiu que a imunidade híbrida contra o variante Ómicron BA.5 do SARS-CoV-2 dura cerca de oito meses após uma infecção. As conclusões, publicadas esta semana na revista Lancet Infectious Diseases, referem que, embora tenha sido estabelecido que a infecção após a vacinação fornece um reforço imunológico, a duração desse reforço não era conhecida até agora. “A protecção conferida pela imunidade híbrida é inicialmente de cerca de 90%, reduzindo após cinco meses para cerca de 70%, e tende a se estabilizar num valor em torno de 65% após oito meses, em comparação com a protecção em pessoas vacinadas que nunca foram infectadas pelo vírus”, afirmou o co-autor Luís Graça, citado em comunicado de imprensa divulgado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Graça, investigador principal Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL), e Manuel Carmo Gomes, professor da Faculdade de Ciências da UL, ambos membros da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 da Direcção Geral de Saúde (DGS), concluíram que “esses resultados mostram que a imunidade híbrida conferida pela infecção com subvariantes anteriores do SARS-CoV-2 em pessoas vacinadas é bastante estável”.

Este estudo segue-se aos resultados publicados em Setembro de 2022 pelos mesmos investigadores na revista científica New England Journal of Medicine onde, na altura, mostraram, através do estudo da população portuguesa largamente vacinada, que a infecção pelas primeiras subvariantes Ómicron, em circulação em Janeiro e Fevereiro do ano passado, “conferia protecção considerável para a subvariante Ómicron BA.5, que circula em Portugal desde Junho e que continua a ser a variante predominante em muitos países”. “Em Setembro, tínhamos observado que a infecção pelas primeiras subvariantes Ómicron conferia uma protecção para a subvariante BA.5 cerca de quatro vezes superior a pessoas vacinadas que não foram infectadas em nenhuma ocasião, mostrando a importância da imunidade híbrida para a protecção contra novas infecções. Agora mostramos que essa protecção conferida pela vacinação em conjunto com as infecções prévias é estável e mantém-se até pelo menos oito meses após a primeira infecção”, referiu ainda o investigador principal Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes.

Sobre os cálculos envolvidos, João Malato, primeiro autor do mesmo estudo, explicou que “com esses dados, calculamos o risco relativo de reinfecção ao longo do tempo em pessoas vacinadas com infecções anteriores pelas primeiras subvariantes Ómicron do SARS-CoV-2, permitindo concluir sobre o nível de protecção contra a reinfecção. Descobrimos que a protecção permanece alta oito meses após o contacto com o vírus.” Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

sábado, 17 de dezembro de 2022

Brasil - Vacina contra a dengue do Instituto Butantan tem eficácia de 79,6%

A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan (Butantan-DV) mostrou uma eficácia de 79,6% para evitar a doença, de acordo com o estudo clínico de fase 3. Os dados são de um acompanhamento de dois anos com mais de 16 mil indivíduos de todo o Brasil.

Durante esse período, não foi reportado nenhum caso grave de dengue nos participantes. O resultado positivo é fruto de um trabalho de mais de 10 anos com parceiros internacionais e pode ter grande impacto na saúde pública brasileira. Até dezembro de 2022, o Brasil registrou 1,4 milhão de casos e 978 óbitos pela doença, um aumento de 172,4% e 400% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Saúde.

Em andamento desde 2016, a fase 3 envolve 16235 voluntários de 2 a 59 anos, avaliados por 16 centros de pesquisa de diferentes regiões do país. O imunizante foi administrado em 10259 pessoas, em dose única, e o restante recebeu placebo. A incidência de casos de dengue sintomáticos confirmados por laboratório foi analisada depois de 28 dias da vacinação até dois anos de seguimento de cada participante. O estudo seguirá até todos os indivíduos completarem cinco anos de acompanhamento, em 2024.

A eficácia da vacina também foi avaliada, separadamente, de acordo com a exposição prévia ao vírus da dengue. Em pessoas que contraíram a doença antes do estudo, a proteção foi de 89,2%. Já naqueles que nunca tiveram contato com o vírus, a eficácia foi de 73,5%.

A vacina do Butantan é tetravalente, feita para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). No entanto, no período da pesquisa, apenas os tipos 1 e 2 circularam no país. A eficácia registrada para evitar a infecção por estes vírus foi de 89,5% e 69,6%, respectivamente.

A fase 3 segue em andamento e os pesquisadores ainda pretendem gerar dados de eficácia para os sorotipos 3 e 4. Na fase 2 do ensaio clínico, que teve seus resultados publicados em artigo na The Lancet Infectious Diseases, 80% dos voluntários produziram anticorpos contra os quatro sorotipos.

Segurança

O estudo avaliou a frequência de reações adversas até 21 dias após a vacinação. Das mais de 10 mil pessoas que receberam o imunizante, apenas três (menos de 0,1%) apresentaram eventos adversos graves, e todos se recuperaram totalmente. A frequência de eventos adversos foi semelhante entre as três faixas etárias (2-6, 7-17 e 18-59 anos).

A vacina do Butantan tem perfil de segurança semelhante tanto para quem teve a doença como para aqueles que nunca tiveram contato com o vírus. Hoje, no Brasil, há somente uma vacina aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disponível na rede privada e indicada apenas para quem já teve dengue.

O trabalho de uma década

A Butantan-DV é derivada de uma tecnologia do Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH) licenciada em 2009. A instituição americana cedeu as patentes e os materiais biológicos referentes às quatro cepas virais que compõem a vacina da dengue, permitindo que o Butantan produza e distribua o imunizante no Brasil. Em 2018, o instituto assinou um acordo de colaboração e licenciamento com a farmacêutica multinacional MSD, em uma ação conjunta para acelerar o desenvolvimento e registro do produto.

A fase 1 do ensaio clínico, desenvolvida nos Estados Unidos (2010-2012), e a fase 2, conduzida no Brasil (2013-2015), mostraram que a vacina induz produção de anticorpos contra os quatro sorotipos do vírus. Esse é o maior desafio na produção de uma vacina contra a dengue, já que é possível ser infectado mais de uma vez por diferentes vírus – e no caso de uma reinfecção, a chance de desenvolver uma doença grave e com risco de morte é maior.

Caso o imunizante seja aprovado futuramente pela Anvisa, ele poderá ser incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e disponibilizado gratuitamente para a população brasileira. A vacina é composta pelos quatro tipos do vírus da dengue atenuados, ou seja, enfraquecidos, que induzem a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas.

Produção nacional de amplo impacto

A fábrica do Butantan que produzirá futuramente a vacina contra a dengue já está pronta – lá também será produzido o imunizante contra a chikungunya (que está em fase final de ensaios clínicos). No ano passado, o parque industrial do Butantan produziu 100 milhões de doses de CoronaVac, 80 milhões de doses de vacina contra a gripe, 28 milhões de doses de vacinas contra hepatite A e B, HPV, DTaP e raiva, e 560 mil unidades de soros.

A autonomia do Brasil na produção de vacinas, em especial contra arboviroses, pode mudar o rumo do combate a essas doenças na América Latina. Em entrevista recente ao Portal do Butantan, o epidemiologista da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) Carlos Frederico Campelo afirmou que o controle da doença no maior país da região tem o poder de mudar o cenário endêmico em todo o continente americano, além de servir como modelo para outros países.

De acordo com a OPAS, cerca de 500 milhões de pessoas nas Américas correm o risco de contrair dengue. O número de casos na região aumentou muito nas últimas quatro décadas, passando de 1,5 milhão de casos acumulados na década de 1980 para 16,2 milhões na década de 2010-2019. No mundo, 400 milhões de pessoas são acometidas pela dengue anualmente. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Moçambique - Rastreio domiciliário mantém famílias livres da malária


Em Moçambique mais de 400 famílias estão incluídas no projeto de rastreio domiciliário contra a malária. Nestes lares estão os mosqueteiros tratados com inseticida que são convencionalmente utilizados ​para o controlo da doença também conhecida como paludismo.

Colocar redes tratadas em portas e janelas provou ser uma alternativa à pulverização residual interna e reduz a dependência de inseticidas químicos.

Redes nas portas e janelas

Algumas famílias consideram a iniciativa, um contributo valioso no controle de vetores da malária. Na localidade de Matuba, no distrito de Chóckwe na província de Gaza, já há relatos do sucesso da implementação da iniciativa.   

Stefina Mocuvele, 62 anos, lembra que antes de colocarem as redes nas portas e janelas, na época do surto da malária, os netos estavam sempre doentes. Ela lembra que tinha que percorrer cerca de 10 km para acompanhar o neto de seis anos ao hospital.

O sucesso no controlo da malária em Moçambique conta com a intervenção da comunidade científica que desenvolveu uma nova vacina em 2021. As campanhas direcionadas também contribuem para a redução dos casos da malária.

Desafios e aceitação

Moçambique viu uma queda anual de 11% nos casos a partir de 2020 (mais de 11,3 milhões) para 2021 (10,6 milhões). Apesar dos esforços do governo e parceiros, o país continua entre os quatro primeiros de 11 nações consideradas com maior incidência da malária.

Persistem desafios no uso correto de redes mosqueteiros e a aceitação pela população na pulverização residual interna.   

Dados do relatório global da OMS indicam que cerca de 95% dos estimados 228 milhões de casos relacionados à malária e 600 mil mortes registadas em 2021 ocorreram na região africana.  O relatório indica que 55% de todos os casos e 50% das mortes em todo o mundo são apenas de seis países da África, incluindo Moçambique. Ouri Pota – Moçambique ONU News


 

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Canadá - Mais de metade das doses de vacina AstraZeneca expiraram e vão ser colocadas no lixo

O Canadá está prestes a colocar no lixo mais de metade das suas doses da vacina da AstraZeneca. Segundo o governo não foi possível encontrar compradores dentro ou fora do país para adquirir estas vacinas contra a COVID-19. A Health Canada diz que cerca de 13,6 milhões de doses expiraram na primavera e que por isso agora vão ser colocadas no lixo. Quando começaram a surgir notícias sobre o risco de formação de coágulos sanguíneos que estas vacinas provocavam o Canadá optou por usar vacinas da Pfizer e da Moderna

Apesar de os coágulos serem muito raros podiam ser fatais, daí a decisão do governo federal. Há um ano, o Canadá disse que ia doar quase 18 milhões de vacinas AstraZeneca a países em vias de desenvolvimento e até 22 de junho deste ano o país já entregou quase 9 milhões de vacinas AstraZeneca a 21 países.

O Canadá também doou 6,1 milhões de doses da vacina Moderna das 10 milhões de doses prometidas para doação, mas deitou fora mais 1,2 milhões de doses dessa vacina. Cerca de 85% dos canadianos são considerados totalmente vacinados, em comparação com 61% da população mundial e apenas 16% das pessoas que vivem nas regiões mais pobres do mundo. In “Milénio Stadium” - Canadá