Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 1 de agosto de 2026

Galiza - Falo galego, fala-me português!

A AGAL, Associaçom Galega da Língua, lança a campanha Falo galego, fala-me português para sensibilizar as pessoas lusófonas sobre a realidade linguística galega. A campanha promove que as pessoas galegofalantes e lusófonas se comuniquem entre elas sem mudarem a língua


Existe uma queixa contínua cada vez que uma pessoa galega visita Portugal: “É que eu lhes falo em galego, e sempre me respondem em portunhol”. O motivo de que isto aconteça nom é desleixo nem maldade, é simplesmente desconhecimento. A maioria das pessoas que falam português nom conhecem a realidade linguística galega e nom sabem da continuidade linguística que existe entre as duas beiras do Minho.

É por isso que a AGAL decidiu lançar a campanha Falo galego, fala-me português. Com este slogan tam simples, a campanha quer dar a conhecer o galego às pessoas de todos os países de língua oficial portuguesa. Por um lado, a campanha procura que quando uma pessoa galega visite um país de língua portuguesa, as pessoas estejam sensibilizadas com a sua realidade. Que saibam que é uma pessoa galega a falar em galego, e nom uma pessoa castelhanofalante a esforçar-se por falar em português. E que saibam que essa pessoa galega agradece que lhe falem em português, e nom quer que a outra pessoa se esforce em falar castelhano ou portunhol. Polo outro lado, a campanha também quer mostrar a Galiza como uma terra acolhedora para todas as pessoas que falam português. Que saibam que podem vir falando na sua língua e que vam ser entendidas, que nom é preciso que mudem de língua para falarem com as pessoas galegas.


A Campanha

A campanha começou oficialmente no dia 25 de julho, coincidindo com o Dia Nacional da Galiza. A primeira açom fôrom as camisolas com o logo da campanha, pensadas para que as pessoas galegas vistam quando visitem Portugal. As camisolas estivérom disponíveis no posto que tivo a AGAL no Festigal e esgotárom-se no mesmo dia. “Estamos totalmente abraiados”, dixo Jon Amil, presidente da associaçom, “nom esperávamos que a campanha tivesse um recebimento tam grande”.

A campanha continuará a desenvolver-se nos próximos meses, com mais camisolas, crachás e outros objetos promocionais. Também se apostará polas redes sociais como vetor para visibilizar a campanha no mundo, com vídeos de pessoas relevantes da cultura e da internet. “Isto está apenas a começar”, declarou Jon Amil. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sábado, 25 de julho de 2026

Galiza - Curso Internacional de materiais para o português decorreu com êxito em Compostela

Compostela acolheu um pioneiro e inédito curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego


Entre os dias 6 e 11 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que o prestigiado curso do IILP decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em outros territórios vinculados com a lusofonia, como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste…entre outros. A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.

Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse sítio existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspectos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

Sendo a galega uma variedade tão próxima da portuguesa, os níveis de dificuldade estabelecidos para os materiais no Portal (níveis 1, 2 e 3) foram adaptados à realidade galega. Cabe destacar a visão diversa e pluricêntrica que as formadoras do PPPLE defendem e promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas identidades que compõem na atualidade a língua portuguesa. Agora, pela primeira vez desde a inauguração do PPPLE, unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte dessas propostas didáticas que chegam a mais de 25.000 docentes de português em todo o mundo.

O evento foi organizado pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração da Junta da Galiza e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A ação, ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.

Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa em Santiago de Compostela representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas na promoção do ensino do português e reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais dedicados à difusão da língua portuguesa. A formação constitui igualmente uma oportunidade para consolidar uma comunidade docente especializada e contribuir para uma oferta educativa cada vez mais ajustada à realidade sociolinguística galega. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Galiza - Lançamento do livro “Begonha Caamanho, uma das nossas”, em Valença do Minho

O evento será dentro das Sextas Literárias que organiza a cámara municipal, o próximo 26 de junho às 21h (hora portuguesa) no auditório da Biblioteca Municipal de Valença. No lançamento falarám Lara Rozados e Charo Lopes

O último volume editado na Através Editora, Begonha Caamanho, uma das nossas, é um trabalho que compila três textos, da autoria de Lara Rozados, Charo Lopes e Isaac Lourido. A coordenação editorial é de José João R. Rodrigues e o design e diagramação um trabalho de Miguel Durão.

O livro contém três aproximações: um percurso pela vida da homenageada sem pretensões de totalidade, construído por um olhar honestamente parcial; um sério estudo da sua obra, cujo rigor é em si um reconhecimento do valor do macrotexto em foco; e um terceiro texto, colocado no início para perspetivar a leitura e difuminar a distinção entre vida e obra.

Eis uma proposta para pensar, de uma maneira original e justa, aquela que tantas pessoas e coletivos consideramos uma das nossas.

Aqui podes ler a entrevista com as autoras.

Autoria:

Charo Lopes (Boiro, 1988) é jornalista, poeta e fotógrafa. Licenciada em Jornalismo (USC), com formação em Fotografia Artística e mestrado em Literatura, publicou De como acontece o fim do mundo (2016) e Álbum (2020), ambos premiados. Colabora com projetos culturais e editoriais, desenvolvendo um trabalho que cruza imagem, escrita e perspetiva feminista.

Lara Rozados (Poio, 1982) foi jornalista, monitora ou teatreira, mas agora trabalha como professora de língua e literatura galega no ensino público e é mãe, e às vezes escreve. Licenciada em Jornalismo e doutora em Literatura (USC), publicou O caderno amarelo (2014), VII Premio de Poesía Victoriano Taibo, em fanzines e livros coletivos e prologou E continuaremos a contar, de Paula Carballeira (2021), em Através.

        Isaac Lourido (Ferrol, 1981) é professor e investigador na Universidade da Corunha. As suas linhas de investigação abrangem a história literária, os processos de conflito cultural, a poesia contemporânea e o campo editorial galego. O seu último livro publicado é Xoán González-Millán: a projeção de um pensamento crítico (Através Editora, 2023), que coordenou conjuntamente com Arturo Casas e Cristina Martínez. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Galiza - O festival “Aquí tamén se fala” consolida-se na sua terceira ediçom e dá o salto internacional

O projeto nascido no IES Rafael Dieste da Corunha converte um instituto público num referente europeu da dinamizaçom cultural e linguística a partir da mocidade


A Corunha converterá-se de novo na sexta-feira 12 de junho, e desde as 17h00, num dos grandes epicentros da música em galego e das culturas atlânticas com a celebraçom da terceira ediçom do Festival Aquí Tamén Se Fala, uma iniciativa impulsada polo IES Rafael Dieste que continua ampliando horizontes e fazendo história.

O evento, que nasceu nas aulas dum instituto público da cidade e que terá de novo lugar na Praça da Tolerância, consolida-se este ano como um festival de dimensom internacional graças à incorporaçom ao cartaz da artista portuguesa Carolina Deslandes, uma das vozes mais relevantes da música lusa contemporânea e auténtico fenómeno social com um milhom de seguidóries no Instagram num país de pouco mais de dez milhões de habitantes.

A presença de Deslandes supom um novo marco para um festival que, desde a sua criaçom, conseguiu situar a música e a lingua galegas num espaço de prestígio, convivência e celebraçom coletiva.

Junto à artista portuguesa atuarám as bandas galegas Apolo 18, Kid Mount e De Ninghures, três propostas que representam a diversidade, a renovaçom e o momento de efervescência criativa que vive atualmente a música galega.

O festival é uma das iniciativas mais visíveis de Aquí Tamén Se Fala (ATSF), o maior movimento de dinamizaçom linguística do país, nascido no IES Rafael Dieste e convertido já num fenómeno social e educativo sem precedentes. O que começou como uma campanha impulsada polo alunado para visibilizar a presença do galego nos bairros da Corunha acabou estendendo-se a centos de centros educativos de todo o país, mobilizando dezenas de milhares de estudantes e recebendo reconhecimentos como o Prémio da Cultura Galega, o Innovagal, o Rosalia de Castro da Deputaçom da Corunha ou o Mil Primaveras.

A singularidade do projeto reside em que som es própries estudantes quem lideram boa parte das ações, assumindo tarefas de comunicaçom, produçom audiovisual, organizaçom cultural e dinamizaçom social.

Ao longo dos últimos anos, ATSF conseguiu converter as redes sociais num escaparate para a cultura galega, contando com a participaçom de figuras de referência do âmbito musical, literário, audiovisual e desportivo, e construindo uma narrativa positiva ao redor da língua que conseguiu conectar com uma nova geraçom.

Neste contexto, o festival representa muito mais do que uma programaçom musical. É a culminaçom anual dum modelo educativo inovador que entende a cultura como ferramenta de transformaçom social e a língua como espaço de encontro. O facto de que um instituto público seja capaz de organizar um evento destas características continua a ser um caso praticamente sem precedentes na Europa, reforçando o papel da educaçom pública como motor de criaçom cultural e participaçom cidadã.

Após reunir por volta de 5000 pessoas em cada uma das suas anteriores edições, o Festival Aquí Tamén Se Fala encara este novo capítulo com a ambiçom de continuar a crescer sem renunciar à sua essência: demonstrar que a mocidade pode liderar projetos culturais de grande impacto e que a língua galega tem capacidade para ocupar com naturalidade os cenários, as ruas, os ecrãs e os espaços de referência do presente.

A terceira ediçom do festival confirma deste modo que o fenómeno Aquí Tamén Se Fala já transcendeu o âmbito educativo para se converter num dos movimentos culturais mais inovadores e influentes da Galiza atual. In “Portal Galego da Língua” - Galiza



sexta-feira, 22 de maio de 2026

Galiza - Apresentação da coleção Através do Brasil na Corunha

Na quarta-feira 27 de maio, às 19.30 h, a A. C. Alexandre Bóveda acolhe a apresentaçom da coleçom Através do Brasil, um projeto editorial da Através Editora dedicado à divulgaçom da literatura brasileira no espaço galego-português


O evento decorrerá no local da Agrupaçom Cultural, no primeiro andar do número 36 na rua Santo André.

A sessom permitirá dar a conhecer os dous primeiros títulos da coleçom: As histórias do futuro, de Machado de Assis, e Eu sou vós mesmos: vinte contos, de Clarice Lispector. Através destas obras, propom-se um percurso por duas figuras fundamentais da literatura brasileira, explorando a sua releváncia estética e o seu lugar na tradiçom literária em língua portuguesa.

A atividade contará com a participaçom dos diretores da coleçom, que abordarám os critérios editoriais, o enquadramento do projeto e as perspetivas futuras, abrindo também espaço para diálogo com o público:

Carlos Paulo Martínez Pereiro Professor Catedrático da Universidade da Corunha e, entre 1980 e 1990, docente de ensino secundário, publicou, com Alva Martínez Teixeiro, Machado de Assis e a ‘mundana comédia’ (2017), além de diversas monografias sobre literatura galego-portuguesa e brasileira. Recebeu o Prémio de Investigaçom Xunta de Galicia (1992), o Prémio de Ensaio Espiral Maior (2000) e foi finalista do Prémio de Ensaio da AELG em 2007 e 2010.

Alva Martínez Teixeiro Professora Distinguida Senior da Universidade da Corunha e Professora Estrangeira Associada da PUCRS (Porto Alegre), foi Professora de Estudos Brasileiros da Universidade de Lisboa (2012-2024) e docente na Université Mohammed V de Rabat (2012-2016). É autora de monografias sobre figuras centrais da literatura brasileira e portuguesa. Recebeu, entre outros, o Prémio de Ensaio Ramón Piñeiro (2007) e o Prêmio Internacional de Monografias Itamaraty (2014). In “Portal Galego da Língua” Galiza


sábado, 16 de maio de 2026

Galiza - Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico no Val Minhor

O evento decorrerá na terça-feira, dia 19 de maio, às 20h, na livraira Libraida (r/Rosalia de Castro, 13) de Gondomar


O autor, Juan Luis Fernández, estará acompanhado pelo presidente do Turonia GFG, Gonzalo Henrique Rodríguez Amorín, para apresentar a última novidade da Através Editora: Futebol gaélico. História, regras, táticas de jogo e técnicas de treino.

Futebol Gaélico é um desporto popular porque pertence ao povo. A sua profunda alicerçagem social no seu país de origem, a Irlanda, e nos outros países em que é praticado testemunha-o. Para além de promover a saúde física, constrói vínculos igualmente saudáveis: tece umha comunidade baseada no respeito e na diversidade. As pessoas que o praticam, embora atinjam um alto rendimento e encham estádios, renunciam à profissionalidade. As suas instituições nom som dirigidas polas grandes corporaçons, mas sim por umha larga base associativa e amadora, e as mulheres contam com as suas próprias estruturas institucionais.

As comunidades de Futebol Gaélico, também na Galiza, som espaços em que o jogo limpo está sempre por cima da ânsia de vitória. A concorrência entre equipas é vivida com intensidade, mas também com respeito. A identidade de cada clube é o valor preponderante, só superado pola identidade comunal e o sentido do convívio.

Este manual oferece um percurso pola história dos desportos gaélicos e a sua adoçom na Galiza, bem como umha apresentaçom das regras, dos estilos e táticas de jogo e das técnicas de treino. O autor, Juan Luis Fernández Pérez, doutor em Ciências da Atividade Física e do Desporto, oferece neste volume a primeira obra galega de referência do Futebol Gaélico, revendo sistematicamente o conhecimento disponível e fornecendo umha ferramenta incontornável para as comunidades do desporto, nomeadamente para as galegas. Também, claro, umha justa homenagem para elas.

Sobre o autor:

Juan Luis Fernández Pérez. Licenciado (2002) e doutor (2011) em Ciências da Atividade Física e do Desporto, exerce como professor de Educaçom Física no ensino público desde 2004. Ao longo de vários anos esteve vinculado ao desporto de competiçom, praticando atletismo (RC Celta), karaté (Shotokan Vigo) e andebol (UB Lavadores e BM Cangas).

Quando já se considerava afastado do desporto competitivo, em 2014 foi abordado numa pizzaria de Vigo por um jovem irlandês, Feidhlim, que reconheceu de imediato a camisola de futebol gaélico que levava – uma prenda que o seu irmão lhe trouxera de umha viagem–. Assim começou a sua relaçom com este desporto: primeiro como jogador do Keltoi Vigo GAC e, posteriormente, como um dos fundadores do Turonia Gondomar FG, clube no qual também jogou e onde continua atualmente como treinador.

Formado como Coach Developer pela GGE (2024), participa no desenvolvimento das categorias de base através do projeto Gaélico Escolas e exerce também como preparador físico da Seleçom Galega feminina. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


domingo, 3 de maio de 2026

Galiza - Conferência Internacional: O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira

No próximo 4 de maio terá lugar em Santiago de Compostela a conferência internacional O Caminho de Santiago na Perspetiva Brasileira. Nela serão tratadas, de modo breve e dinâmico, questões como a primeira tradução do Codex Calixtinus para o português, sacralidades medievais na produção académica brasileira e, sobretudo, a primeira oficialização do Caminho de Santiago no Brasil, que é também a primeira na América, com mais de 20 quilómetros reconhecidos pela Catedral de Santiago de Compostela (2017).


Será no dia 4 de maio, às 16h30, na Sala de Graus da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela.

O seminário será liderado pela Professora Catedrática Renata Nascimento, coordenadora do primeiro Centro de Estudos Compostelanos no continente americano, figura de referências nos estudos medievais e diretora do projeto O Jacobeu como Permanência: a popularização do Caminho de Santiago no Brasil, e membro do Comité de Expertos do Caminho de Santiago (Galiza). M. Isabel Morán Cabanas (USC) e Renata Nascimento (Universidade Federal e PUC de Goiás, Brasil) organizam esta jornada internacional para especialistas e o público interessado em geral. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Portugal - Nasce o De Norte a Sul um novo meio de comunicação luso-galaico

A iniciativa procura oferecer um novo ponto de encontro noticiando assuntos de toda a faixa atlântica peninsular


Ourense, Lisboa, Laracha, Guimarães, Ferrol, Compostela ou Porto, eis alguns dos lugares de residência dos promotores que lançaram esta aventura editorial. Com domicílio fiscal em Portugal e sob a Direção do portuense Luís Loureiro (jornalista com carreira na RTP e professor de jornalismo na Universidade do Minho), o novo projeto promete contar o que acontece na Galiza e Portugal através de notícias gerais, locais, notícias de desportos, ciência e cultura assim como um elenco de opinião que já inclui jornalistas, músicos, escritoras, informáticos, cientistas e artistas galegas, portuguesas e africanas.

O jornal, em língua portuguesa, conta ainda com uma equipa de voluntários entusiasta, um trabalhador e o apoio duma comunidade alargada de pessoas, da Corunha a Lisboa, que já decidiram contribuir economicamente para a iniciativa.

Com vocação de servir à comunidade segundo afirmam no seu sítio web, procura ainda ser parte dum espaço atlântico comum para um maior entendimento dos intercâmbios sociais, culturais e económicos que impactam positivamente a Galiza e Portugal. O novo meio, a nascer (e não por acaso) em 25 de abril, incluirá ainda uma visão mais alargada com o olhar posto nos países de língua portuguesa e o Sul Global.

Mais do que um simples jornal os promotores afirmam que será também um ponto de encontro, um espaço pensado para as pessoas se reverem e provocar novas sinergias. Como exemplo a secção de espaços afins, onde promoverão projetos de interesse social ou a sua loja online, onde além de produtos de produção própria se encontram já outros projetos editoriais, principalmente pequenas editoras selecionadas pela sua qualidade e compromisso com a cultura.

Secções de jogos, resenhas e uma completa agenda cultural e social, assim como a promessa de videocasts de análise das dinâmicas globais e podcasts para breve, completam a oferta deste novo meio que visa ultrapassar fronteiras.

De Norte a Sul, de livre acesso e sob licença Creative Commons, depende essencialmente dos seus assinantes. Pode ser visitado em denorteasul.eu. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Península Ibérica - Menina, de MAR, eleita Melhor Música de 2025 pelo público de Portugal e Será por flores, de Uxía, foi eleita pela Galiza

Depois de um mês de votações e mais de 5000 participações do público em geral, a gala aRi[t]mar da música e da poesia galego-portuguesas já tem as suas canções escolhidas como Melhor Música de 2025 na Galiza e Melhor Música de 2025 em Portugal. Neste caso, os utilizadores decidiram que Menina, de MAR em colaboração com Carolina Deslandes foi a Melhor Música de 2025 em Portugal. Do lado galego, Será por flores, de Uxía, foi eleita Melhor Música de 2025 na Galiza.


Menina é o single mais bem-sucedido e destacado do primeiro álbum de longa duração da algarvia MAR, que editou a canção em colaboração com Carolina Deslandes. Trata-se de uma música que combina uma base eletrónica com ares de R&B contemporâneo, com as vozes de MAR e Carolina Deslandes, num tom mais próximo do hip-hop. A canção fala, através de uma história na primeira pessoa atravessada pela violência machista e vicária, da necessidade de amar, ensinar a amar-se e a defender-se.

Do lado da música galega, Será por flores é prova da sensibilidade de uma Uxía que tem nas costas uma extensíssima carreira, sem que isso a impeça de se mostrar incansável. O público do aRi[t]mar escolheu como melhor música do ano na Galiza um tema no qual a artista natural de Mos exibe a sua faceta mais próxima da canção de autor e da poesia, desenvolvendo a maior parte do single com guitarras e uma voz limpa. O timbre de Uxía, tão característico e cheio de matizes, preenche uma canção que tem mesmo um certo ar crepuscular. Já é uma das grandes canções de uma das grandes vozes da música galega contemporânea.


As canções que alcançaram o pódio na Galiza, em segundo e terceiro lugar, foram Todos contra min, dos Ulex, e Perdín a memoria, de MJ Pérez. No âmbito do território português, a segunda e terceira classificadas foram Brinde (16h00), de Carolina Deslandes, e Respirar, de Calema em colaboração com Sara Correia.

Ambas as vencedoras, MAR e Uxía, serão convidadas para recolher o seu prémio na Gala aRi[t]mar Galiza e Portugal 2026, que será celebrada neste outono em Santiago de Compostela.

MAR é uma das vozes emergentes mais singulares da nova música portuguesa. Nascida em Monte Gordo, no Algarve, a sua proposta move-se entre o pop, o hip-hop e a música eletrónica, sempre envoltos numa certa tendência para a experimentação e a exploração sonora. Cantora, compositora e produtora, MAR desenvolve um projeto em que a música convive com uma forte dimensão estética e visual. Menina, editada em colaboração com a estrela portuguesa Carolina Deslandes, é um dos singles do seu primeiro álbum de longa duração.


Uxía é uma das vozes mais reconhecíveis e marcantes da música galega contemporânea. Natural de Santa María de Sanguiñeda, no município pontevedrês de Mos, a sua carreira abrange já quatro décadas como intérprete e compositora. Em Uxía conviveram, convivem e continuarão a conviver a música galega de raiz, a canção de autor e, sobretudo, uma sensibilidade aberta às músicas do mundo e, em particular, às manifestações culturais e artísticas da lusofonia. Em virtude desse carácter aberto e integrador, destaca-se também no âmbito da colaboração e do impulso de iniciativas culturais de diversa índole. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Galiza - Aberto prazo de inscrições para os cursos aPorto 2026

Os aPorto são cursos de português realizados no Porto, com uma semana de duração, organizados pela AGAL em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que oferecem uma experiência para mergulhar na língua e cultura portuguesa


Nesta edição, aPorto 2026, dá-se continuidade à modalidade para docentes, com homologação das horas de formação pela Junta da Galiza, será de 3 a 7 de agosto, com dois níveis: A2 e B1. Também continua a se oferecer o formato clássico que decorrerá de 10 a 14 de agosto, e inclui aulas de manhã e atividades socioculturais à tarde, focadas na produção oral, como sessões de conversa e passeio com portuenses, para além das aulas de dicção e pronúncia.

E ainda, o aPorto Noturno. Orientado para pessoas com certo domínio da língua, permite aprofundar o conhecimento da sociedade portuguesa atual, da sua realidade social e cultural. Decorrerá na semana de 17 a 21 de agosto, com atividades em horário de tarde-noite – dicção e pronúncia, conversa em mini-grupos, ateliê de teatro, espectáculos, caminhada noturna guiada, gastronomia…

Com o interesse de facilitar uma participação mais alargada na descoberta da cidade invicta, há um desconto para participantes que desejem prolongar até duas semanas os cursos aPorto.

O preço, que inclui aulas -que decorrem na Faculdade de Letras do Porto- e atividades socioculturais e um jantar é de 300 euros para uma semana, e de 440€ euros por duas semanas. No caso de pessoas sócias da AGAL, estudantes, ex-alunas, afiladas da CIG, reformadas e desempregadas será de 250 euros.

Ademais, existe a possibilidade de usufruir do alojamento da residência universitária. Toda a informação está disponível no próprio sítio e para resolver qualquer dúvida a respeito, o email é: cursos@a.gal. As inscrições podem ser feita aqui. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Galiza - Lançamento do livro A Santiago em romaria vem, na livraria Couceiro de Compostela

O evento decorrerá na quinta-feira, dia 26 de fevereiro, às 19h na livraria Couceiro de Compostela (praça de Cervantes, 6), e nele participarám as autoras da coletánea, as professoras Yara Frateschi e Isabel Morán e o professor José António Souto Cabo, e em nome da editora falará Luigi Cavaliere, coordenador do volume


A Santiago em romaria vem: a lírica galego-portuguesa e Compostela, propõe um mergulho acessível no universo da literatura galego-portuguesa medieval, explorando seus principais protagonistas, a riqueza das cantigas e o papel central de Santiago de Compostela nesse cenário cultural.

Nesta coletânea, Santiago surge como cenário vivo de uma arte que unia palavra, música e emoção. Entre ruas e claustros, entre o sagrado e o profano, ecoam as vozes dos trovadores que fizeram da cidade um ponto de encontro e de difusão poética. As cantigas aqui reunidas revelam um tempo em que a poesia circulava como gesto de celebração, deixando em Compostela o rasto de uma das mais belas tradições líricas da nossa língua.

A Santiago em romaria vem: a lírica galego-portuguesa e Compostela convida a um reencontro com as origens da poesia em nossa língua. Nascida no noroeste da Península Ibérica, entre os séculos xii e xiv, a poesia galego-portuguesa representa o primeiro crescimento literário das terras que hoje partilham uma mesma herança linguística e cultural.

Santiago de Compostela — centro espiritual, político e artístico da Idade Média peninsular — foi o espaço privilegiado onde essa tradição trovadoresca se expandiu e ganhou forma.

Autoria:

Yara Frateschi Vieira nasceu no Brasil. É professora titular, aposentada, de Literatura Portuguesa da Universidade Estadual de Campinas. Tem se dedicado, especialmente, ao estudo da lírica galego-portuguesa, área na qual publicou numerosos artigos e livros, entre os quais En cas dona Maior: os trovadores e a corte senhorial galega no século xiii (Santiago de Compos tela, 1999); Henry R. Lang: O cancioneiro de D. Denis e estudos dispersos, edição organizada em conjunto com Lênia Márcia Mongelli (Niterói, 2010); Mulleres medievais. Textos e imaxes na lírica galego-portuguesa, coord. de Esther Corral Díaz e Yara Frateschi Vieira (Santiago de Compostela, 2023).

Maria Isabel Morán Cabanas nasceu na Galiza. É professora titular na área de Filologias Galega e Portuguesa da Universidade de Santiago de Compostela e dedica-se especialmente ao estudo dos períodos medieval, renascentista e barroco de uma perspetiva multidisciplinar e comparatista, sobretudo no âmbito do neotrovadorismo. Publicou numerosos artigos e livros em coautoria ou autoria individual, entre os quais Traje, gentileza e poesia: O campo semântico do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (Lisboa, 2001) e Poesia, espetáculo e peregrinação na Corte portuguesa (Berlin, Bruxelles, Chennai, Lausanne, New York, Oxford, 2025).

José António Souto Cabo nasceu na Galiza. É professor catedrático na área de Filologias Galega e Portuguesa da Universidade de Santiago de Compostela. A sua atividade académica centraliza-se na análise das coordenadas sociológicas e espaço temporais da lírica galego-portuguesa e também no estudo e edição de textos medievais. Entre as suas publicações mais recentes, encontram-se Rui Vasques: Crónica de Santa Maria Íria (Santiago de Compostela, 2001) e Os cavaleiros que fizeram as cantigas: Aproximação às origens socioculturais da lírica galego-portuguesa (Niterói, 2012). In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sábado, 17 de janeiro de 2026

Galiza - Uxía, Mondra e Malvela, reinterpretam o clássico de “Pola rúa de San Pedro”

Pola rúa de San Pedro é unha composición de Magín Blanco, escrita para Malvela, que axiña se converteu nun himno popular galego. Agora, Uxía, Mondra e Malvela, coa produción de Budiño, ofrécennos unha nova versión que actualiza o seu espírito.


O videoclip, rodado na rúa de San Pedro de Compostela, rende homenaxe non só á música senón tamén a este barrio histórico: porta de entrada á cidade e lugar de acollida e resistencia comunitaria, así como berce e refuxio da comunidade LGBTIAQ+. As voces que saen polas fiestras, as persoas que aparecen na rúa e as portas que se abren para convidar á festa son a metáfora perfecta dunha Compostela viva, diversa e rebelde.

Esta versión non é só unha actualización estética, senón a celebración dunha canción que naceu para o pobo e que hoxe segue viva, reinventada entre a tradición —aqueles cantos de taberna con Morgan e Os Estalotes— e novas estéticas musicais.

Cómpre salientar a participación de Daniela de Miguel, de 8 anos, última incorporación de Malvela, que representa o relevo xeracional tan presente neste clip. In “Uxía Oficial” - Galiza


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Galiza - Henrique Egea apresenta “As histórias que nos conta(ra)m”… em Ourense

O lançamento da novidade editorial As histórias que nos cont(ar)am na Galiza e… em Portugal, de Henrique Egea, decorrerá na quinta-feira, dia 22 de janeiro, às 19:30h no centro social A Galheira, ubicado na praça de Santo Cosme, no casco velho da cidade auriense.

O evento contará com a presença do autor, Henrique Egea, que estará acompanhado por José Manuel Barbosa.

Este ensaio histórico analisa o viés historiográfico e trata de oferecer um outro relato, centrado na realidade galega, útil para rever o que fomos e o que somos


A maioria de nós acredita que a historiografia nasça da análise do passado, baseada nos dados disponíveis. Mas a historiografia, e nomeadamente a destinada à divulgação, costuma ser a expressão, mais ou menos evidente, da ideologia e do contexto do autor, não o “resultado asséptico” da análise “científica”.

Os momentos do passado que a historiografia escolhe para a sua análise e os silêncios que pesam sobre outros momentos são, em grande medida, tão significativos como a elaboração dum discurso ideologicamente marcado.

A historiografia está feita por pessoas com ideologia e contextos que forçam a determinadas escolhas. Não existe a historiografia neutral. Elabora-se na procura duma explicação ou justificação para o presente e, mesmo, para o futuro.

Nos países sem estado, a tónica geral é o silêncio ou, no melhor dos casos, a história costuma estar submetida à interpretação doutros, moldada ao discurso oficial. O caso galego é paradigmático duma historiografia submetida a um projeto alheio que nos nega. Os silêncios interesseiros, as meias-verdades e as mentiras no relato, desarticulado, da nossa história vêm de longe, como a leitora poderá ver neste livro. Eis o motivo de uma outra entrega de historiografia, com uma análise centrada no nosso contexto histórico, útil para rever o que fomos e somos.

Sobre o autor:

Henrique Egea Lapina (1963) é licenciado em Filologia Clássica pola Universidade de Compostela, foi professor de Língua em Ponte Vedra durante mais de 30 anos. Interessado desde a juventude na história da Galiza, especialmente a medieval, dedicou boa parte do seu tempo ao estudo das fontes e, como consequência, percebeu várias incongruências no relato oficial. Resultante deste labor, além de diversas colaborações na revista digital Terra e Tempo, publicou, em colaboração, 40 datas que zeram a História da Galiza (Através, 2019) e Todas mortas e (quase) esquecidas (Através, 2020), e, em solitário, Remover Roma por Santiago (Igalhis, 2022). In “Portal Galego da Língua”


sábado, 27 de dezembro de 2025

Galiza – Cria categoria especial no âmbito dos Caminhos de Santiago com rotas portuguesas

O Governo galego anunciou a criação, no próximo ano, de uma nova categoria para reconhecer rotas culturais de interesse regional associadas ao Caminho de Santiago, contando-se, entre o grupo inicial, o Caminho Cultural de Santiago da Geira e dos Arrieiros e o Minhoto Ribeiro (Braga), e o Caminho de São Rosendo (Santo Tirso)


O ministro da Cultura, Língua e Juventude, José López Campos, explicou que um dos objetivos desta nova classificação é reconhecer percursos que, embora não preencham todos os critérios exigidos para serem declarados Caminho de Santiago, “cumprem os requisitos considerados relevantes para receberem uma atenção especial das administrações públicas”.

“São percursos que ligam a história, tradição e património, e especialmente importantes para difundir a cultura e identidade por toda a região”, salientou López Campos, na terça-feira, dia 23, após uma reunião com representantes de municípios galegos.

O responsável do governo regional da Galiza explicou que esta medida responde às solicitações “dos municípios, associações e entidades que, nos últimos anos, têm realizado um extenso trabalho de documentação para divulgar rotas únicas”.

Assim, a criação desta categoria pretende destacar os itinerários que promovem e difundem a cultura, o desenvolvimento sustentável e a coesão social em diferentes regiões, especialmente nas áreas em risco de exclusão cultural devido às suas condições geográficas e sociais.

Além do Caminho Cultural de Santiago da Geira e dos Arrieiros (CGA), estão também listados os itinerários de São Rosendo (Santo Tirso), Minhoto Ribeiro (Braga), Muxía via Brandomil, Mariñán, Muros-Noia, do Mar e do Künig.

Entre estes, o CGA é de longe o itinerário mais procurado pelos peregrinos, com 757 compostelas atribuídas este ano. Em oito anos, estima-se que tenha sido percorrido por pelo menos 7634 pessoas, 3176 das quais receberam o documento que comprova a chegada à capital da Galiza pelos meios tradicionais.

Esta nova categoria será formalizada através de um decreto que estabelecerá as medidas específicas para a proteção, promoção e apoio, garantindo que estes percursos recebem “uma atenção especial por parte das administrações públicas no planeamento de programas culturais, na atribuição de subsídios e na conceção de iniciativas que valorizem a sua importância”.

O Caminho da Geira tem 239 quilómetros, começa na Sé de Braga e passa pelos municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.

Foi apresentado em 2017, em Ribadavia (Galiza) e em Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, e referido em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021).

O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via do género mais bem conservada do antigo Império Romano do Ocidente, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos poucos que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Galiza - Lançamento de As histórias do futuro de Machado de Assis no Camões – Centro Cultural Português em Vigo

O evento decorrerá na quinta-feira, dia 18 de dezembro, às 19:30h no local do Camões – Centro Cultural Português, na praça de Almeida s/n, do casco velho viguês. No lançamento falarám o professor Carlos Paulo Martínez Pereiro e a professora Alva Martínez Teixeiro, acompanhados do poeta e gestor cultural brasileiro André de Oliveira.


O clássico que inaugura a coleção Através do Brasil compila “uma novela e 24 contos que contam”, sendo aquela o mítico relato machadiano “O alienista”. A seleção, a edição dos textos e o posfácio foram trabalhados pelas professoras da Universidade da Corunha, Alva Martínez Teixeiro e Carlos Paulo Martínez Pereiro.

“Este livro seleciona vinte e cinco ficções da melhor e mais representativa narrativa curta de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), em concreto aquelas que possuem uma maior potência de atualidade e em que, desde o passado, o genial escritor conseguiu dizer e narrar para os sucessivos futuros por vir; aquelas, enfim, que nos ajudam sempre a melhor nos compreender.

A gigantesca vertente ficcional da obra breve de um tão genial escritor, mais de cem anos volvidos, continua a falar por extenso da umana cosa bocacciana para os nossos corações e para as nossas mentes, merecendo, a rigor, figurar na nossa sensibilidade moderna pelas numerosas ocasiões em que se referiu com autenticidade aos nossos sentimentos, grandezas, contradições e limitações”.

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908), foi um dos maiores escritores da literatura brasileira. Era filho de um operário e de uma lavadeira. Autodidata, destacou-se como romancista, contista, poeta, dramaturgo e cronista. Fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, é autor de obras-primas como Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba. Sua escrita irónica e profunda revela crítica social e análise psicológica refinada. Apesar das origens humildes e do preconceito racial da época, tornou-se uma referência incontornável da literatura em língua portuguesa. Morreu em 1908, consagrado nacional e internacionalmente. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Galiza - João Aveledo apresenta “As histórias da Galiza Natural” em Lugo

O evento decorrerá no sábado, dia 22 de novembro, às 12h no centro social Mádia Leva [Rua Serra de Ancares, 18] em Lugo. O autor estará acompanhado por Jacobe Pintor


As histórias da Galiza Natural é o número 40 da coleçom Através de Nós e foi coordenado por Valentim Fagim e Vítor Giadás. A diagramação e capa é um trabalho de Miguel Durão.

É este um livro feito com mimo, armado devagar durante uma vida inteira de caminhadas “das ribeiras do Návia às do Douro, da Costa da Morte aos Montes de Leão”, por “terras mornas e húmidas”, “entre granitos e xistos”. É uma caixa em que o autor foi guardando, nas suas excursões e leituras, pedaços dos “bosques antigos e lendários”, das “águas oceânicas, que no Aquém-Minho se adentram nos vales fluviais” e até mesmo de “relíquias de eras glaciais”.

Hoje recupera, desses vinte e cinco anos de trabalho, um total de 80 textos, publicados em diferentes meios de comunicação social galegos, arrumados por temáticas e acompanhados de vários índices onomásticos. Uma ferramenta incontornável para conhecer melhor “um variado território de características naturais peculiares”: um “país velho e suavemente ondulado” que se estende “por cima de estados, por cima de comunidades autónomas”. O Maciço Galaico-Duriense. A Galiza Natural.

O livro pode começar a ler-se aqui.

Sobre o autor:

João Aveledo nasceu na Crunha em 1964, filho de mestres e neto de labregos. Mas está especialmente vinculado ao Gestal (Monfero), a aldeia materna, onde vive boa parte do ano e onde tem um pequeno rebanho de ovelhas.

‘Bichólogo’ e ‘boticário sem botica’. Entre os anos 1993 e 1994 trabalhou como auditor ambiental, vinculado à Comissão Galega do Ambiente. Atualmente ganha a vida como professor de Diagnóstico Clínico.

É sócio da AGAL e da Sociedade Galega de Ornitoloxía. Foi um dos fundadores da A. R. Bonaval e do Movimento Defesa da Língua.

Formou parte, com V. Vila Verde e E. Maragoto, do coletivo “Filmes de Bonaval”, sob cuja autoria foram publicados os documentários: “Entre Línguas”, “Em Companhia da Morte” e “A Fronteira Será Escrita”. Também dirigiu “Saltério de Fingoi. O exílio lucense de Carvalho” e “Machado”, performance escultórica realizada em colaboração com F. Remiseiro e G. Díaz. Na sua faceta literária, publicou O Livro Vermelho do Reintegracionismo e o poemário Arceia. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra conclui que atuar cedo sobre pequenas populações de acácias é essencial para travar o seu avanço

Um estudo liderado por Raquel Juan Ovejero, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Universidade de Vigo, concluiu que atuar mais cedo sobre as pequenas populações de acácias é essencial para travar o seu avanço.


A invasão por acácias tem consequências críticas para a estabilidade das florestas da faixa atlântica da Península Ibérica e, mesmo em níveis reduzidos de presença, o seu impacto é notável, tanto na vegetação como no solo. Estes resultados estão publicados na revista científica Neobiota.

O estudo foi realizado na Serra da Lousã, uma região com paisagem florestal fragmentada, onde coexistem plantações de pinheiros e outras coníferas introduzidas, florestas nativas de carvalhos e castanheiros, bem como matos mediterrânicos. Os investigadores analisaram de que forma a invasão da Acacia dealbata (acácia-mimosa) e da Acacia melanoxylon (acácia-negra) afeta a estrutura da vegetação, a qualidade do solo e da folhagem (em termos de teor de carbono e azoto), e as comunidades de colêmbolos - pequenos invertebrados do solo fundamentais para o ciclo de nutrientes e para a decomposição da matéria orgânica. Foram ainda estudados os efeitos em cascata que estas alterações podem provocar no funcionamento geral do ecossistema.

«À medida que aumenta a sua cobertura, diminui, de forma significativa a abundância de plantas herbáceas e a riqueza de espécies, o que se traduz numa perda clara de biodiversidade», explica a responsável do estudo. «Não só se detetou uma redução na relação carbono/azoto da folhagem e um aumento do carbono orgânico com a invasão das acácias -  alterações que modificam a disponibilidade de nutrientes e os processos de decomposição -, como também se registaram impactos na fauna», acrescenta a investigadora, destacando que os diferentes grupos funcionais de colêmbolos responderam de forma desigual às modificações no solo e na folhagem, evidenciando «alterações subtis, mas relevantes na dinâmica dos ecossistemas».

Esta investigação refere que as acácias australianas se tornaram, pouco a pouco, num dos principais problemas ambientais da região mediterrânica. A sua capacidade de fixar azoto, formar massas densas e substituir a vegetação autóctone altera profundamente a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.

«Em Portugal, a situação é especialmente grave. É o país mediterrânico com maior número de espécies de acácias invasoras, favorecidas pelo abandono rural e pela fragmentação florestal», sublinha Raquel Juan. A Galiza acompanha esta tendência, sofrendo também uma expansão acelerada destas espécies. «Estes fatores aumentam a vulnerabilidade das florestas e matos, onde as acácias avançam rapidamente e provocam perdas de biodiversidade, alterações no solo e maiores dificuldades na gestão florestal», afirma.

Os especialistas concluíram que «as intervenções precoces são mais eficazes, menos dispendiosas e reduzem o risco de consequências ecológicas graves. No entanto, a gestão requer acompanhamento contínuo, dado que ambas as espécies possuem bancos de sementes persistentes e podem rebrotar após perturbações», alertam. Além disso, acrescentam que a restauração de habitats nativos surge como uma ferramenta fundamental para reforçar a estabilidade dos ecossistemas e prevenir novas invasões.

Na Galiza e em Portugal, as medidas para conter a expansão das acácias baseiam-se, geralmente, na eliminação manual ou mecânica de plântulas e pequenos núcleos, no descasque ou, quando tal não é viável, na injeção de herbicida em exemplares isolados, bem como no corte basal de manchas mais extensas. Neste último caso, é necessário aplicar tratamentos complementares, que podem incluir cortes repetidos antes de os rebentos atingirem cerca de um metro de altura, a aplicação de herbicida nos rebentos quando possível, ou o tratamento químico direto do cepo.

«Em todos os cenários é essencial garantir um acompanhamento contínuo, dado que tanto a Acacia dealbata, como a Acacia melanoxylon possuem bancos de sementes persistentes e apresentam elevada capacidade de rebrote após corte ou incêndio», termina a investigadora, salientando ainda que a restauração dos habitats nativos afetados é uma prática recomendável, uma vez que favorece a recuperação dos ecossistemas e contribui para reduzir o risco de reinvasão.

Este estudo foi realizado no âmbito do projeto-piloto MyForest, integrado do F4F -Forest For Future, um projeto regional que teve como objetivo a valorização da fileira florestal da região centro, financiado pela CCDRC. Universidade de Coimbra - Portugal