Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Camboja - EUA devolvem 30 obras de arte Khmer que tinham sido roubadas


A justiça norte-americana devolveu esta segunda-feira ao Camboja 30 obras de arte Khmer roubadas perto dos conhecidos templos de Angkor e que tinham sido alvo de tráfico internacional para os Estados Unidos.

O procurador federal Damian Williams, responsável pela maior procuradora do país, entregou oficialmente as antiguidades roubadas ao embaixador do Camboja nos Estados Unidos, Keo Chhea, durante uma cerimónia aberta à imprensa. “Celebramos o regresso do património cultural do Camboja ao povo cambojano e reafirmamos o nosso compromisso de reduzir o tráfico ilícito de obras de arte e antiguidades”, sublinhou Damian Williams.

Entre estas 30 peças, encontra-se uma escultura do século X da divindade hindu “Skanda montada em um pavão” e outra do mesmo período do deus Ganesh. As duas obras foram roubadas de Koh Ker, uma antiga capital do Khmer, a 80 quilómetros dos templos de Angkor, segundo a justiça federal norte-americana.

As 30 obras, datadas desde a Idade do Bronze até ao século XII, foram roubadas, como milhares de outras, no final do século XX, durante as guerras no Camboja na década de 1970, seguidas pela reabertura do país na década de 1990.

A justiça federal lembrou também que milhares de estátuas, esculturas e lintéis Khmer foram traficados durante décadas do Camboja para antiquários em Banguecoque, na Tailândia, antes de serem exportadas ilegalmente para colecionadores, empresários e até museus na Ásia, Europa e Estados Unidos. Um destes traficantes, o britânico Douglas Latchford, foi indiciado em 2019 nos Estados Unidos por tráfico de obras de arte, mas a sua morte extinguiu a ação judicial.

A justiça do Estado de Nova Iorque tem promovido uma vasta restituição de obras de arte.

Desde o Verão de 2020 até ao final de 2021, pelo menos 700 peças foram devolvidas a 14 países, incluindo Camboja, Índia, Paquistão, Egito, Iraque, Grécia ou Itália. O coleccionador norte-americano Michael Steinhardt foi obrigado a devolver em 2021 cerca de 180 antiguidades roubadas nas últimas décadas, num valor total de 70 milhões de dólares.

Este acordo entre a justiça dos EUA e Steinhardt, de 80 anos, permitiu que o colecionador escapasse da acusação, embora tenha ficado proibido para toda a vida de adquirir obras no mercado legal de arte.

Angkor, o maior sítio arqueológico do mundo, com 400 quilómetros quadrados, foi a capital do Império Khmer (do século IX ao XIV). Listado como Património Mundial da UNESCO desde 1992, este espaço histórico reabriu aos turistas após dois anos de pandemia. In “Ponto Final” - Macau


 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Timor-Leste - Assina na próxima semana maior acordo de apoio de sempre com EUA

O Governo timorense assina na próxima semana o maior acordo de apoio de sempre com os Estados Unidos, no valor de 420 milhões de dólares, que, entre outras iniciativas, melhorará as infraestruturas em Díli

Em comunicado o Governo explica que o acordo com a Millennium Challenge Corporation (MCC), a ser executado ao longo de cinco anos, insere-se num programa com um valor total de 484 milhões de dólares e direccionado a “reduzir a pobreza através do crescimento económico”. O investimento incidirá em dois projectos principais, um para a melhoria do sistema de água, saneamento e drenagem e o outro na área da educação e formação.

O primeiro abrange o tratamento de águas, esgotos, sistemas de drenagem, o reforço das instituições e entidades reguladoras, e a criação de um abastecimento sólido de água e esgoto para uso doméstico.

O segundo prevê a abertura de um Novo Centro de Excelência “para a formação de novos professores que garantirá padrões de qualidade e liderança”.

Do total estimado de 484 milhões de dólares, 420 milhões serão disponibilizados pela MCC e o restante pelo Governo de Timor-Leste. “O valor a ser disponibilizado por Timor-Leste será alocado apenas para o projeto de tratamento de águas, esgotos e drenagens, dos quais 34 milhões serão usados para a conexão aos domicílios e para a desativação das fossas sépticas existentes”, explica o Governo. “Os restantes 30 milhões serão utilizados para apoiar a instalação do sistema convencional e para a instalação de bombas de água”, nota ainda.

O programa de apoio dos EUA começou a ser negociado em Dezembro de 2017 quando o Conselho de Administração da MCC seleccionou Timor-Leste como “elegível para a implementação de um programa de promoção do crescimento económico, alinhado com as prioridades de desenvolvimento nacionais”.

Em Julho de 2018 as duas partes assinaram um acordo de financiamento inicial, no valor de 750 mil dólares para a criação de uma equipa, integrada no programa Millennium Challenge Compact, com a missão de identificar os setores económicos a serem desenvolvidos durante a implementação do programa.

Em Abril, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães, liderou uma delegação de alto nível, composta por 14 representantes de várias entidades governamentais, que viajou para Washington para as negociações do acordo final. O documento vai ser assinado em Díli por Fidelis Magalhães e pelo vice-presidente da MCC, Cameron Alford.

Em Abril, Fidelis Magalhães explicou à Lusa que um dos aspetos mais demorados da negociação foi fechar os detalhes sobre o centro de tratamento de resíduos líquidos em Díli e a unidade que fabricará material para tratamento de água potável. “O objectivo depois é providenciar o produto para todos os municípios de Timor, de forma acessível, para poder garantir que a água é tratada localmente antes do consumo”, referiu.

No que toca ao centro de excelência, Magalhães disse que o foco será na formação de professores e gestores escolares, com um componente de formação nas duas línguas oficiais: tétum e português. “Os Estados Unidos apoiam as políticas e prioridades nacionais de Timor-Leste e estamos a ver outras oportunidades de trabalhar em conjunto com outros parceiros de desenvolvimento. Este é o início de um novo paradigma”, explicou.

Para gerir o programa, vai ser criado um novo instituto público timorense, acompanhado ao mesmo tempo pelo MCC e pelo Governo timorense, com um sistema de padrões internacionais que “facilite a eficácia, celeridade e transparência”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

CPLP - Luz verde aos EUA para concluir pedido para ser Observador Associado

O embaixador de Cabo Verde em Lisboa, que representa a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), revelou que os estados-membros autorizaram que os EUA avance com o processo para se tornar num país observador da organização.

Reunidos em Comité de Concertação Permanente da CPLP, os embaixadores dos nove estados-membros da organização declararam a sua “não objeção relativamente à manifestação de interesse dos Estados Unidos de se tornar observador associado”, afirmou o diplomata de Cabo Verde, país que tem a presidência temporária daquela entidade, Eurico Monteiro, em declarações à Lusa, no final da reunião.

Isto representa uma luz verde aos EUA para avançar com a formalização do processo que tem de seguir até atingir o estatuto de observador associado.

“O que ficou deste CCP foi a não objeção ao pedido dos Estados Unidos, de modo a que possa avançar para as fases seguintes do processo”, adiantou o diplomata cabo-verdiano.

As fases posteriores “são a formalização do pedido e o cumprimento das exigências de documentais” que a CPLP requer para a entrada de um país para a lista de observadores associados.

Depois terá de haver uma outra luz verde, aprovação pelos Estados-membros, e a decisão final na próxima cimeira de chefes de Estado e de governo que decorrerá no próximo verão, em Luanda, capital de Angola.

Em meados do mês de setembro, os Estados Unidos da América deram o primeiro passo para se tornar observador associados da organização dirigindo à Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um pedido por escrito nesse sentido, revelou, na altura, à Lusa o embaixador de Cabo Verde em Portugal.

“Acabamos de receber, de facto, um pedido dos Estados Unidos [da América] no sentido de ser observador da CPLP”, afirmou, na altura, à Lusa o embaixador de Cabo Verde.

Eurico Monteiro, adiantou, na altura que os Estados-membros iriam “analisar com muita atenção” o pedido.

O diplomata cabo-verdiano em Portugal considerou ainda que um país com “a dimensão dos EUA sempre ajuda a dar maior visibilidade à CPLP, maior prestígio e será sempre um parceiro” com o qual a organização poderá contar, “seguramente, nas diversas iniciativas e no reforço da cooperação com os Estados-membros”, bem como na “mobilização das energias”.

O estatuto de observador foi criado na segunda cimeira da organização, na cidade da Praia, em julho de 1998, como resposta ao desejo da CPLP de alargar as colaborações extra comunitárias.

Em 2005, no Conselho de Ministros da CPLP reunido em Luanda, foram estabelecidas as categorias de observador associado e de observador consultivo.

Os Estados que pretendam adquirir o estatuto de observador associado terão de partilhar os respetivos princípios orientadores, designadamente no que se refere à promoção das práticas democráticas, à boa governação e ao respeito dos direitos humanos, e prosseguir através dos seus programas de governo objetivos idênticos aos da CPLP, mesmo que, à partida, não reúnam as condições necessárias para serem membros de pleno direito daquela organização, segundo o ‘site’ oficial daquela comunidade.

Quanto às candidaturas, deverão ser “devidamente fundamentadas de modo a demonstrar um interesse real pelos princípios e objetivos da CPLP”, refere a organização, e serão apresentadas ao secretariado executivo que, após apreciação pelo comité de concertação permanente (composto pelos embaixadores dos nove Estados-membros), as encaminhará para o conselho de ministros, o qual recomendará a decisão final a ser tomada pela cimeira de chefes de Estado e de Governo.

Os observadores associados podem participar, sem direito a voto, nas cimeiras e no conselho de ministros, sendo-lhes facultado o acesso à correspondente documentação não confidencial, podendo ainda apresentar comunicações desde que devidamente autorizados para o efeito. Além disso, podem ser convidados para reuniões de carácter técnico.

Porém, qualquer Estado-membro da CPLP poderá, caso o julgue oportuno, solicitar que uma reunião tenha lugar sem a participação de observadores.

Atualmente, a CPLP conta com 18 países observadores associado e uma organização que OEI – Organização de Estados Ibero-Americanos.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tome e Príncipe e Timor-Leste. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

sábado, 20 de janeiro de 2018

Estados Unidos da América – História de sucesso em língua portuguesa

José Soares chegou com 14 anos à América sem falar inglês e aproveitou para voltar à escola. Fundou uma empresa de construção e é um benemérito da comunidade

Foi Leslie Ribeiro Vicente, diretora da Discovery Language Academy, quem me falou primeiro de José Soares, empresário da construção civil e grande benemérito da comunidade luso-americana de New Bedford. Ainda se lembra de um dia não haver dinheiro para os livros dos alunos de Português numa antiga escola onde deu aulas e de José Soares a mandar comprar o que fosse preciso que ele pagava. E foi também ela, oriunda do Pico como o empresário, que marcou almoço para os três no Inner Bay (restaurante português, pois claro!), para me apresentar a pessoa que tanto admira, e que encarna mais uma história de português de sucesso na América.

É fácil simpatizar com José Soares, até porque diz logo que se chama assim mas que lá na terra, ou seja em Ribeiras do Pico, ainda o tratam por Zezinho. Recebidos por Tony Soares, que há 20 anos é dono deste Inner Bay quase clube português, sentamo-nos numa mesa à janela e depois de escolhermos um peixinho na grelha, José e Leslie, e polvo à lagareiro, para mim, avançamos com a conversa, que há de ser sobre o percurso de vida deste açoriano de 62 anos, pai e avô de americanos.

"Emigrei com 14 anos com o meu pai e a minha mãe. Como na altura para todos os emigrantes, a intenção era a gente tentar melhorar a vida. A vida nos Açores era um bocadinho dura na época. E havia também a ideia de fugir ao serviço militar. Isto hoje pode não cair bem, mas na altura muitos pais tentavam desviar os filhos dos sacrifícios que estavam a fazer-se no Ultramar", conta José. Para evitar ser chamado a combater em África, o irmão mais velho tinha já em 1966 emigrado para o Canadá.

Confesso que me surpreende a idade com que os pais partiram para a América, à beira dos 50 anos no caso do pai, de nome José como o filho. "Muitas vezes penso no assunto, na idade com que o meu pai emigrou. Ele emigrou com 49 anos. E penso na aventura que teve já com essa idade, principiar uma segunda vida num país estrangeiro sem conhecer a língua. Para eles deve ter sido uma decisão difícil, de sacrifício", diz, contando que o pai já morreu, mas que a mãe está viva. Chama-se Josefina.

"O meu pai, como muitos emigrantes, nos primeiros anos pensava ganhar algum, juntar algum, o máximo possível, para depois regressar à terra. Mas à medida que os filhos vão crescendo, vão casando, começam a mudar de ideias. Por um lado, vão-se habituando à América, por outro, quando vão à terra de visita, veem que as condições não são aquelas a que se tinham habituado. O meu pai sempre teve essa ideia de fazer vida de novo por lá. Quando veio para os Estados Unidos não se desfez da casa nem dos terrenos que tinha. Ele gostava muito de animais, de criar gado, no Pico costuma ser mais animais para carne. Ele tinha essa ideia de uma lavoura", relembra o empresário.

Josefina vive nos Estados Unidos até hoje. É a matriarca de uma família que vai ganhando novas gerações, cada vez mais americanizadas, como é natural. José Soares tem dois filhos, um rapaz e uma rapariga. E três netos. Diz que ambos os filhos se casaram com americanos e em casa falam em inglês, pelo que os netos saberem português vai ser difícil.

"Em casa sempre falámos em português. Os meus filhos podem ter uma conversa em português, mesmo que possam introduzir uma ou outra palavra inglesa se não souberem a nossa. Agora com os netos vamos também tentando fazer a conversa em português, para eles se irem habituando e sei que eles percebem alguma coisa. Não nos respondem em português, mas nós quando lhes pedimos algumas coisas eles correspondem. Sabem o que estamos a pedir", conta.

O empresário picoense casou-se com uma portuguesa, também dos Açores mas de outra ilha. E não a conheceu nem em Portugal nem nos Estados Unidos. "A minha esposa é da Graciosa, tinha emigrado para o Canadá com 9 anos. Como eu tinha o meu irmão Manuel a viver lá em cima visitava-o muitas vezes e ao fim de uns tempos conheci a Maria João, começámos a namorar e casámo-nos, explica, mostrando como é dinâmico este mundo da emigração portuguesa, gente que se habitua a viver entre vários países, esquecendo fronteiras.

José pede uma garrafa de tinto português para os três. O Inner Bay faz questão de estar bem fornecido e por isso a oferta é vasta. Peço que me explique como foi a integração na sociedade americana de um miúdo de 14 anos chegado de uma ilha no meio do Atlântico. "Não falava nada de inglês quando cheguei. Escola era difícil. Fomos ter aulas com outros emigrantes. Intenção era aprender inglês como segunda língua. Mas como éramos todos portugueses, só se falava português, nas aulas, nos jogos. No ano seguinte mudei de escola e lá tive ordem para seguir para o nono ano. Aí é que fiquei preocupado. Era um liceu americano, o Roosevelt. Eu só tinha a quarta classe de Portugal. Na altura nos Açores queria estudar mas também nunca com grande empenho e como não era obrigatório... E com 10 anos comecei a trabalhar. Depois fiquei arrependido e por isso agarrei essa segunda oportunidade de estudar nos Estados Unidos. Completei o liceu e tirei um curso técnico de eletricidade", sintetiza.

A oportunidade de criar uma empresa surgiu da necessidade, como conta o próprio José Soares: "Trabalhei muito, para poder amealhar algum. Nos anos 1970 houve aqui uma crise de emprego. E eu precisava de ganhar dinheiro para as crianças e decidi apostar na construção. A minha empresa é a Bay State Drywall. Temos 84 trabalhadores. Com empreitadas, mais ainda. Dois terços dos nossos funcionários são portugueses. Não se trata de um preconceito. O principal é a pessoa saber trabalhar e ter vontade. Nos últimos cinco anos até temos metido mais latinos do que portugueses. São do México, do Equador, da Guatemala. Desde que saibam trabalhar." Lerei mais tarde, no site da empresa, que Jason, o filho formado em Engenharia, também acabou por integrar a Bay State Drywall, que atua no Massachusetts mas também noutros estados da Nova Inglaterra.

José recorda que o pai, ao chegar à América, "foi trabalhar para uma fábrica de tecidos e com vontade de ganhar mais algum, depois das horas normais, começou a pintar e a fazer manutenção das casas de madeira que há aqui. Fez negócio disso. E eu para ganhar mais trabalhava com ele nas horas vagas".

Sobre se no seu caso sente que aconteceu a concretização do famoso sonho americano, hesita um pouco antes de responder: "Penso muitas vezes se teria conseguido em Portugal o que consegui aqui. Quem gosta de trabalhar, quem tem ambição, também faz a sua vida em Portugal. Mas não ia ter o sucesso que tive cá. Esta é uma terra de oportunidades. Quem faz pela vida consegue. Dou graças a ter tido esta oportunidade de vir para a América. Podia ter tido uma boa vida nos Açores, acredito, mas não o sucesso que tive aqui." E acrescenta que chegou a ter uma empresa em Portugal, nos Açores, mas que a vendeu há dois anos.

Com casa no Pico e na Graciosa, José Soares visita muito os Açores, mas vai também algumas vezes ao continente. E até diz que agora que está "a chegar a uma idade mais madura" vai tentar tirar mais tempo para ir a Portugal, conhecer mais o resto do país. "Já visitei o Norte e gostei. Também o Algarve."

Fico curioso por sabê-lo fã do FC Porto. "Tornei-me adepto do Porto aqui na América. Houve um tempo em que eu ligava pouco ao futebol e em que a rivalidade era entre o Benfica e o Sporting e havia sempre aquelas intrigas, aquele barulho. E eu não gostava desse barulho. Depois, nos anos 1980, o Porto veio cá fazer uns jogos amigáveis, era o tempo do Futre, e ganhei afeição. Depois o Porto começou a ganhar quase tudo", explica o açoriano.

No final do almoço, quando explico de novo esta série de artigos sobre portugueses na América, mostra-se emocionado. "Gosto muito de Portugal. Tenho grande afeto. Vou todos os anos e já me aconteceu ir três vezes num ano. Julho e Agosto passo em Portugal. Tenho casa e barco, tenho uma canoa baleeira, que é muito tradicional no Pico, e passo o verão lá. Fazer vida efetiva em Portugal não. A família está cá. Mas quero levar os netos para conhecerem e tomarem gosto àquilo", diz.

À saída cruzo-me com Tony Cabral, membro da Câmara de Representantes do Massachusetts e uma das figuras mais destacadas da comunidade luso-americana na Nova Inglaterra. Também ele fará parte desta série de reportagens no DN. E ficou comprovado que o Inner Bay é mesmo um ponto de abrigo para os portugueses. Leonídio Ferreira – Portugal in "Diário de Notícias" Reportagem apoiada pela FLAD

sábado, 24 de junho de 2017

Moçambique – Ministério da Saúde e Embaixada dos EUA promovem encontro para fortalecer resposta ao HIV/SIDA

O Ministério da Saúde e a Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique promoveram um encontro nacional, entre os dias 21 e 23 de Junho, em Maputo, para discutir estratégias de fortalecimento da resposta ao HIV/SIDA.

O encontro reuniu equipas técnicas de nível central e provincial do Ministério da Saúde (MISAU) e do Conselho Nacional de Combate ao HIV/SIDA (CNCS), do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio do SIDA (PEPFAR), e de vários parceiros nacionais e internacionais envolvidos na resposta à epidemia.

Contando com mais de 200 participantes, a reunião criou uma oportunidade para o fortalecimento das acções de planificação, colaboração e comunicação entre os diferentes intervenientes institucionais, permitindo uma análise situacional dos vários mecanismos clínicos e comunitários existentes para o controlo da epidemia e a definição de estratégias que aumentem o seu impacto.

Observando o trajecto de sucesso registado ao longo das duas últimas décadas na resposta nacional, e que se traduz numa crescente disponibilidade de serviços de prevenção e de cuidados e tratamento do HIV em todo o país, os participantes apresentaram novas propostas para o reforço das acções em curso considerando os resultados preliminares do Inquérito de Indicadores de Imunização, Malária e HIV/SIDA em Moçambique (IMASIDA), recentemente divulgados.

Os dados preliminares do IMASIDA estimam um aumento da prevalência do HIV entre a população adulta (15-49 anos) para 13,2%, uma diferença de cerca de 1,7 pontos percentuais relativamente ao Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre o HIV/SIDA em Moçambique (INSIDA), realizado em 2009.

Embora os resultados finais do IMASIDA não estejam ainda disponíveis, os seus dados epidemiológicos preliminares permitem já orientar novas estratégias clínicas e comunitárias, sendo consensual a necessidade de continuar a expandir os serviços de prevenção de nível comportamental e biomédico. Por outro lado, é também recomendada a crescente disponibilidade de serviços de cuidados e tratamento do HIV, que beneficiam já mais de 900 mil pessoas em todo o país. Para melhor alçancar grupos populacionais específicos, como crianças, adolescentes e jovens e homens adultos, abordagens inovadoras foram tambem discutidas para melhorar o seu acesso e retenção nos cuidados clínicos.

Durante a reunião, foram também apresentados os resultados semianuais da implementação do Plano Operacional de 2016 (COP16, na sigla em inglês) do PEPFAR para Moçambique, e das actividades previstas para o próximo ano (COP17). Através do PEPFAR, o Governo dos Estados Unidos é o mais importante doador das actividades nacionais de resposta ao HIV/SIDA, tendo o seu apoio ultrapassado os dois mil milhões de dólares desde 2004.

A procura de um uso racional e impactante dos recursos alocados através do COP para melhor servir a população moçambicana tem levado a uma crescente coordenação entre as autoridades de saúde nacionais e a equipa representante do PEPFAR em Moçambique, sendo este encontro um exemplo destes esforços que irá continuar a ser promovido de forma regular. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Brasil - EUA: maior intercâmbio

SÃO PAULO – Em 2016, nenhum país ou mesmo bloco importou tantos produtos industrializados do Brasil quanto os EUA, como mostram dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC): foram US$ 14,2 bilhões, o que equivale a uma alta de 2,9% em comparação com 2015. A importação de produtos de maior valor agregado teve uma participação de 61,3% de um total de US$ 23,1 bilhões exportados pelas empresas brasileiras para o mercado norte-americano.

De tudo o que foi negociado em 2016 com os EUA, os embarques de aeronaves corresponderam a 13%. Para se ter uma ideia da importância dos EUA para a indústria brasileira, basta dizer que a União Europeia (UE) importou US$ 12,6 bilhões em produtos manufaturados brasileiros, ou seja, US$ 1,6 bilhão a menos que o volume importado pelos norte-americanos. Hoje, o Brasil é o 12º país no ranking de exportações americanas e 17º em importações. 

Mais: os EUA são o segundo maior exportador do mundo e o primeiro importador. Das 50 principais multinacionais do planeta, 30 têm matriz nos EUA. Daquelas 50, as 11 principais são dos EUA. Por isso, não se pode levar em conta quando o presidente Donald Trump anuncia a intenção de adotar medidas de restrição a produtos de outros países porque os EUA não podem ser protecionistas pela simples razão de que iriam perder muito dinheiro.

Aparentemente, o que o presidente Trump quer são negociações mais equilibradas para reduzir o déficit comercial dos EUA com algumas nações. Mas esse não é o caso do Brasil. Em 2016, o Brasil registrou US$ 23,8 bilhões em importações dos EUA, gerando um déficit de US$ 646 milhões. No ano anterior, o déficit foi ainda maior, de US$ 2,4 bilhões.

Desses números, o Estado de São Paulo é responsável por 33% das exportações brasileiras e por 45% das importações, tendo acumulado em 2016 um déficit de US$ 2,4 bilhões e, em 2015, de US$ 3,5 bilhões. Ou seja, o Brasil segue na contramão do mundo, acumulando, desde 2007, déficits na relação comercial com os EUA, como se fosse um país desenvolvido em sua relação com um parceiro em desenvolvimento.

Em 2017, ao que tudo indica, a Argentina deverá voltar a ocupar a liderança no ranking dos países que mais importam produtos manufaturados brasileiros, superando os EUA, país que em 2014 desbancou exatamente os argentinos dessa posição. Pela primeira vez em três anos, no primeiro quadrimestre, a Argentina foi o país que mais importou bens industrializados brasileiros com as compras totalizando US$ 4,7 bilhões.

Obviamente, nada se tem contra esse incremento comercial com a Argentina. Pelo contrário. O que urge é que haja por parte do governo federal ações mais efetivas no sentido de melhorar a infraestrutura nacional, reduzindo o custo Brasil, para que o produto manufaturado brasileiro tenha condições de se colocar no mercado norte-americano de maneira mais competitiva. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 7 de março de 2017

Trump e o Brasil

SÃO PAULO – A se levar em conta declarações e atitudes do novo presidente dos EUA, Donald Trump, o mundo caminha para um ambiente de protecionismo exacerbado, do tipo em que quem pode mais chora menos. A princípio, o Brasil não terá muito a ganhar nesse tipo de ambiente, mas, se o seu governo souber aproveitar as oportunidades, com certeza, o País poderá aumentar o seu intercâmbio comercial com os demais países e blocos.

Com o esvaziamento da Parceria Transpacífico (TPP), depois da saída dos EUA a 23 de janeiro de 2017, o Brasil só tem a ganhar, até porque estava fora do acordo e, para fazer negócio com um de seus sócios, teria de se submeter às regras que seriam impostas pelos signatários do tratado. Formada também por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã, a parceria TPP estava destinada a ser o maior bloco econômico do mundo e haveria de impor regras de comércio a todo o planeta.

Com a saída dos EUA, não se sabe o que o futuro reserva para a TPP, mas o Brasil, por meio do Mercosul, não agiria mal se procurasse se aproximar comercialmente dos parceiros que continuam a fazer parte do acordo. Aliás, com México, Chile e Peru, que com a Colômbia formam a Aliança do Pacífico, o Mercosul já vem procurando estabelecer pontes para um intercâmbio mais intenso, superando os anos de desconfiança entre os dois blocos que marcaram a presença dos Kirchner à frente do governo argentino e do chamado Partido dos Trabalhadores (PT) do governo brasileiro.

De fato, com o México, o Brasil pode se aproveitar do espaço deixado pelos EUA, em especial na área do agronegócio. Como se sabe, o México é um grande importador de milho e carne dos EUA, mas, se as relações entre os dois países continuarem a se deteriorar, o Brasil pode aparecer como a principal opção para o fornecimento daqueles dois importantes itens.

Se houver uma política norte-americana hostil em relação à China, com o aumento do protecionismo aos produtos dos EUA, o Brasil, da maneira transversal, também pode se beneficiar dessa política, aumentando suas exportações para aquele país. Como se sabe, a China constitui hoje um grande parceiro do Brasil no agronegócio.

Embora se saiba que Trump pessoalmente exale um desconhecimento assombroso a respeito do Brasil, o governo brasileiro não pode deixar de fazer esforços para aumentar o intercâmbio com os EUA. Afinal, hoje, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China, com comércio bilateral de US$ 46 bilhões em 2016.

No ano passado, o déficit comercial do Brasil com os EUA baixou quase quatro vezes em comparação com 2015, caindo para US$ 646 milhões. Mas não há muito a se comemorar com essa redução do déficit, pois foi provocada pela queda de importações por parte do Brasil, em razão da crise econômica e política que o País atravessou em 2016. Como se sabe que a prioridade dos EUA agora é aumentar as exportações, reduzindo as importações, como se conclui do lema “America first” de Trump, é preciso cautela nesse relacionamento, pois, do contrário, o déficit brasileiro poderá crescer assustadoramente. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Portugal - Vinho tinto Porca de Murça brilha nos EUA

Este vinho recebeu tripla distinção da Wine Spectator. Foi o único vinho europeu a consegui-lo nos últimos seis meses.

O vinho Porca de Murça tinto 2013, da marca de vinhos da Real Companhia Velha foi distinguido pela revista de vinhos Wine Spectator.

Este vinho que chega ao consumidor norte-americano por menos de dez dólares e que em Portugal custa cerca de três euros foi classificado com 90 pontos e recebeu o selo de ‘Best Value’ e a eleição de Wine of the Week pela revista Wine Spectator, como informa a organização em comunicado enviado às redações.

Para Pedro Silva Reis, presidente da Real Companhia Velha, citado no mesmo comunicado, “este triplo reconhecimento tem particular relevo porque, na análise que foi feita, verifica-se que no universo de ‘Vinhos até 10 dólares’ o nosso foi o único europeu a conseguir este feito nos últimos seis meses.

E acrescenta que “para Portugal é extremamente importante o facto de a Wine Spectator continuar a evidenciar os vinhos do Douro, não só ao nível de vinhos de topo – com três do Douro no top 5 mundial –, mas também dos vinhos mais comerciais e de maior volume, como é o caso do Porca de Murça”. In “Epicur” - Portugal

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Brasil – A outra Amazônia, a azul

O gigante Brasil (8,5 milhões de km²), para o bem ou para o mal, está distante, geograficamente, dos grandes mercados e conflitos. Talvez por isso carece de um pensamento estratégico e deixa para amanhã o que deveria ter sido feito ontem. O país se dá ao luxo de ser inconsequente, porque está longe dos grandes problemas e da dura concorrência que afeta outras nações.

Está ou estava? Sim, porque já não se encontra mais tão distante das disputas globais. O Atlântico Sul, para muitos, é apenas a nossa grande praia de 7,5 mil quilômetros, um "Oceano tranquilo". Poucos lembram da Guerra das Malvinas, mas, mesmo assim, o planeta se tornou uma "aldeia global" e o Atlântico Sul agora é uma região estratégica na geopolítica mundial.

Do lado brasileiro, nossa Amazônia Azul (expressão cunhada pela Marinha), com uma superfície de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, contém gigantescas reservas de petróleo do pré-sal, e novos lençóis foram descobertos no litoral argentino, próximo às Malvinas. Do lado africano, a faixa de petróleo explorável do Golfo da Guiné se expande sem cessar. Mas também há reservas de gás, minérios raros e pesca abundante. E ambas margens tiveram grande crescimento econômico nas últimas décadas, com mercados consumidores gerando fluxos transatlânticos. E o tráfego marítimo de cargas, que apenas o cruza ligando outros continentes, conheceu notável expansão.

A competição econômico-estratégica global entre Estados Unidos e China encontrou um ponto nevrálgico no Atlântico Sul. Os EUA estão se desengajando do incontrolável e oneroso Oriente Médio e encontram aqui o petróleo de que necessitam, numa região sem ameaças e com custo de transporte muito baixo pela proximidade. As compras americanas criarão reciprocidades econômicas e políticas na região, daí a retomada das relações com a América do Sul e com a África.

Isso pode ser vantajoso para o Brasil, se tiver uma visão estratégica, pois o mapa mostra ilhas britânicas espalhadas pelo centro do Oceano, com vasta zona exclusiva e há projetos de fora da região visando "securitizá-lo" contra supostas ameaças. Se o Brasil não levar a sério a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (criada com nações das duas margens em 1986 e legitimada pela ONU), nem construir uma defesa naval moderna, a riqueza da Amazônia Azul pode mudar de mãos e o Oceano pode deixar de ser tranquilo. Não há mais espaços vazios no mapa. Paulo Visentini – Brasil in “Zero Hora”

Paulo Fagundes Visentini é historiador, professor titular de Relações Internacionais da Ufrgs. 

sábado, 18 de abril de 2015

Brasil-EUA: em busca do espaço perdido

SÃO PAULO – As conseqüências de 12 anos de ideologização das relações do Brasil com os Estados Unidos, que incluem o trabalho de bastidores feito com a Argentina para levar ao fracasso a criação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), estão aí à mostra de todos: só neste ano de 2015, a balança comercial brasileira já acumulou um déficit de US$ 5 bilhões. E a situação tende a ficar pior, ainda que o novo governo Dilma Rousseff tenha mudado drasticamente a filosofia nada pragmática que pautou o relacionamento com os Estados Unidos até o final do ano.

Com a projetada visita da presidente a Washington, o que se espera é o fim do distanciamento diplomático entre os dois países que dificultava o avanço das negociações comerciais, pois não havia de lado a lado nenhuma boa vontade e tampouco canais para a facilitação do comércio bilateral. Agora, já se vê uma luz no fim do túnel com a assinatura do recente acordo de convergência regulatória, que constitui, na verdade, o primeiro ato concreto dessa reaproximação. O segundo ato bem que poderia ser a decisão de Washington de rever a exclusão do Brasil do seu Sistema Geral de Preferências (SGP), direito perdido em julho de 2013. 

É claro que entre empresas e empresários dos dois países nunca houve nenhuma diferença e os negócios continuaram a ser fechados, ainda que em menor intensidade, exatamente em função da ausência de incentivos e facilidades. São os números que provam isso: em 2000, 25% do que o Brasil exportava tinham como destino final o mercado norte-americano, mas, a partir de 2003, a queda foi paulatina, porém constante, a ponto de chegar a 12% em 2014.

Obviamente, não basta agora um aperto de mão presidencial para que tudo volte ao patamar de 2000. A recuperação do espaço perdido é um trabalho lento e gradual porque os mercados mudam de uma maneira muito veloz e o produto que deixa de ser comprado é imediatamente substituído por outro de outro país. Ainda assim, o Brasil tem a rara oportunidade de voltar a vender em maior quantidade para os Estados Unidos, aproveitando-se da atual fase de recuperação da economia norte-americana.

Para tanto, o governo brasileiro tem de fazer a sua parte. E não será, como o faz agora, incluindo o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) na mira do chamado ajuste fiscal, que irá contribuir. Pelo contrário. Como as cotações das commodities (metálicas, minerais e agropecuárias) estão em baixa no mercado internacional e a economia interna já não apresenta o dinamismo de anos anteriores, só resta uma saída para brecar a queda que se registra na balança comercial: exportar mais produtos manufaturados e semimanufaturados.

Isso significa que é preciso que o governo volte a aprovar operações no Proex nos níveis anteriores a 2014, pois, afinal, se não houver financiamento para os produtos e serviços com destino ao exterior, a situação pode piorar. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Estados Unidos da América - IV Conferência de Literatura em Língua Portuguesa abre 10ª Edição do Boston Portuguese Festival

A Universidade de Massachusetts - Boston será palco da conferência Lusophone Women Writers, no dia 21 de abril de 2015, numa parceria entre os consulados de Portugal, Brasil e de Cabo Verde, em Boston, e o Centro de Língua Portuguesa/Camões, I.P. na UMass Boston. As escritoras convidadas são Inês Pedrosa, de Portugal, Vera Duarte Pina, de Cabo Verde e Carol Bensimon, do Brasil.

Esta conferência, que abre a 10ª edição do Boston Portuguese Festival, pretende cruzar os percursos de três escritoras contemporâneas, refletindo sobre o que as mulheres destes três espaços produzem, o que pensam, como pensam, como dão voz às suas palavras. Um debate que visa também repensar modos e meios de aproximação e pontos de contacto entre escritoras dos diversos países de língua portuguesa.

Esta iniciativa será um espaço para reflexão, discussão e intercâmbio, moderado por Leonor Simas-Almeida, professora na Brown University e uma oportunidade para apresentar a produção literária feminina lusófona a um público maior e interessado na troca de informação.


O livro A Emergência da Mulher: Re-Visões Literárias sobre a Açorianidade, de Irene do Amaral, será apresentado pela autora e por Christopher Larkosh, professor na UMass Dartmouth. À margem deste evento, a escritora Inês Pedrosa tem ainda agendadas deslocações a várias instituições da Nova Inglaterra como o Rhode Island College, o Boston College e a Brown University e UMass Dartmouth. Instituto Camões

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Brasil - Exportações: EUA são o foco

SÃO PAULO – Os Estados Unidos já representaram o principal destino das exportações brasileiras, mas, desde 2003, quando o governo brasileiro entendeu de reduzir uma suposta dependência econômica e passou a trabalhar para o fracasso das negociações para a criação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), o Brasil só perdeu espaço naquele mercado, o maior do planeta. Basta ver que, no primeiro bimestre deste ano, as vendas para os Estados Unidos somaram US$ 3,7 bilhões, o que equivale a apenas 14,6% do total. Ou seja: a participação norte-americana nas exportações brasileiras ficou atrás da Ásia (27,8%), América Latina e Caribe (20,8%) e União Europeia (20,1%).

Com o cenário difícil que se contempla nos dias de hoje e o processo de desindustrialização que ameaça o parque fabril nacional, o próprio governo brasileiro, herdeiro daquele que se iniciou em 2003, hoje reconhece implicitamente a insensatez daquela política exterior. E, desde o dia 1º de janeiro de 2015, passou a apostar no mercado norte-americano com a esperança de que a balança comercial brasileira seja menos dependente de economias de regiões com baixo crescimento econômico.

Ainda bem que a economia norte-americana dá sinais de recuperação neste ano, o que poderá fazer com que a demanda por produtos manufaturados produzidos no Brasil aumente, diminuindo os prejuízos que se prevêem em função da retração que se vê especialmente na Argentina. Mas isso não significa que o mercado norte-americano irá se abrir de um dia para o outro. Como se sabe, a conquista de mercados é um processo paulatino que passa pela retomada da confiança perdida junto ao cliente. Até porque, se um produto perde espaço, é imediatamente substituído por outro, de outro país. E não é fácil recuperar o terreno perdido.

Para piorar, um levantamento da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) revela que os preços dos produtos vendidos pelo Brasil estão no nível mais baixo desde novembro de 2009, o que tem contribuído para o registro de seguidos déficits na balança comercial. Até fevereiro, a balança acumulava um déficit de US$ 6 bilhões, especialmente em função de queda nas cotações das commodities, o que se deu pela desaceleração da economia chinesa, grande importadora de produtos básicos. Por isso, a desvalorização do câmbio – tão esperada pelos exportadores – ainda não vem compensando a queda de preço e o aumento de custo.

Seja como for, a desvalorização do real deve beneficiar especialmente a exportação dos produtos manufaturados, o que já se pôde notar em março. Mas, para que esse crescimento seja seguro e gradual, é preciso que haja maior abertura no mercado norte-americano, já que a América Latina, um dos principais destinos dos manufaturados, passa hoje por uma fase de desaceleração econômica. O que se espera, portanto, é que o Memorando Bilateral sobre Facilitação de Comércio, que Estados Unidos e Brasil acabaram de assinar em Washington, produza logo seus efeitos. Mauro Dias - Brasil

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Mauro Lourenço Dias, engenheiro eletrônico, é vice-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP, e professor de pós-graduação em Transportes e Logística no Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 20 de março de 2015

Internacional – Fornecimento mundial de armamento

A China tornou-se em 2014 o terceiro maior fornecedor de armas do mundo, atrás de EUA e Rússia, informou ontem o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês). Os principais clientes chineses são o Paquistão, a Venezuela, Bangladesh e Mianmar.

Segundo o levantamento, em apenas quatro anos, Pequim deixou França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha para trás e hoje representa 5% do fornecimento de armas do planeta. Em apenas cinco anos, a alta nas vendas chinesas foi de 143%. A média mundial foi de apenas 16% nesse mesmo período. As exportações de armas da Alemanha caíram 43% e as vendas francesas sofreram uma contração de 27%.

Consideram os especialistas, um dos motivos das altas nas vendas chinesas é a recusa de países ocidentais em vender para alguns governos. O maior cliente de armas chinesas hoje é o Paquistão, rival da Índia na região e que comprou 41% das exportações de Pequim. "Muitos países ocidentais rejeitam exportar para o Paquistão temendo ofender a Índia", declarou o coronel aposentado do Exército chinês, Yue Gang.

Segundo ele, a China ainda não teria os mesmos "complexos políticos" que seus rivais no mercado. "Pequim não discrimina compradores", declarou. Neste período, o contrato mais lucrativo da China foi a venda de 50 caças para o Paquistão. Outro importante comprador foi a Venezuela, com importações de mais de US$ 480 milhões, 28% das vendas chinesas foram para Bangladesh e Mianmar.

O mercado africano também é cada vez mais adepto às armas chinesas, principalmente depois que Pequim passou a investir de forma pesada no continente. No período avaliado, 18 governos africanos compraram armas chinesas.

Investimentos bilionários fizeram da indústria chinesa uma das mais competitivas e modernas. Em paralelo a isso, as importações de armas estrangeiras para a China caíram 42% em cinco anos. Em 2000, a China era o maior importador do mundo. Hoje, já deixou o posto para indianos e sauditas.

Apesar da expansão chinesa, as empresas americanas ainda fornecem 31% de todas as armas do mundo, e as indústrias russas, 27%. O levantamento do Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo não inclui o Brasil entre os maiores exportadores do mundo.
 
Ofensiva de vendas está ligada a amplos gastos com Defesa¹

A ofensiva da China no mercado internacional de equipamentos militares – armas e sistemas – está diretamente ligada ao crescimento de seu orçamento de Defesa. A conta é alta, aumenta sempre e é preciso obter recursos para subsidiar o "esforço de ameaça permanente" referendado pelo Congresso Nacional do Povo.

Esses gastos aumentam desde 1995 – para 2015 a previsão de investimentos é de US$ 142 bilhões. É o segundo maior pacote de despesas no setor entre as grandes economias mundiais, menor apenas que o total aplicado pelos EUA – cerca de US$ 640 bilhões.

Os mercadores chineses são agressivos. Atuam em regiões tão diferentes quanto América Latina, Ásia, África Central e Oriente Médio. Em fevereiro, os fornecedores das empresas de Pequim estavam envolvidos na disputa de contratos independentes, em fase de decisão, cujos valores superavam US$ 3,5 bilhões.

A lista de compras dos países potencialmente clientes, cuidadosamente mantida em sigilo, abrange produtos como jatos de treinamento e ataque ao solo, blindados anfíbios sobre rodas, lançadores de foguetes, mísseis navais com alcance de 100 km, corvetas, radares de controle de área, tanques, e modernos sistemas de defesa antiaérea. Além disso, há o fluxo habitual de fuzis, pistolas, munições, granadas, redes de comunicações e, claro, a planilha dos itens paralelos – fardamento, rações de longa duração, hospitais de campanha.

Bem próximo do Brasil, na Venezuela e na Bolívia, as forças aéreas locais utilizam o jato Karakorum, de treinamento e bombardeio leve. A Argentina considera receber caças supersônicos J-10, helicópteros e cargueiros de uso geral.

O preço dos produtos militares da China é atraente, geralmente 30% abaixo da cotação internacional, combinando interesses comerciais e políticos. O caso argentino é típico. Enquanto negoceia a revitalização das Forças Armadas com material chinês, a presidente Cristina Kirchner cedeu a Pequim uma área na Província de Neuquén, a 1.800 km de Buenos Aires, para pesquisa espacial. O programa chinês é controlado pelo Ministério da Defesa. In “Defesanet” - Brasil

¹Análise: Roberto Godoy

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Brasil - EUA a retomada

SÃO PAULO – Os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que, desde 2009, o Brasil importa mais do que exporta para os EUA, o que é um contrassenso, pois, diante do maior mercado importador do mundo, o normal seria que a balança da nação norte-americana fosse deficitária em relação ao parceiro. Eis os números: em 2009, o déficit do Brasil foi de US$ 4,4 bilhões; em 2010, de US$ 7,7 bilhões; em 2011, de US$ 8,1 bilhões; em 2012, de US$ 5,6 bilhões; em 2013, de US$ 11,4 bilhões; e em 2014, de US$ 7,9 bilhões.

Essa relação desigual, no entanto, está com os dias contados, pois, ao que parece, os EUA deverão voltar a ser o principal destino das exportações brasileiras, senão em 2015, pelo menos em 2016 ou 2017. Ou seja, em breve, os EUA deverão recuperar a liderança perdida para a China em 2009, o que deverá acontecer não só em função do crescimento da economia norte-americana e da desvalorização do real como da queda nas cotações das commodities agrícolas e minerais.

O crescimento da China não apresenta o fôlego de antes e não necessita tanto de matérias-primas. O resultado está na queda de 35% que tiveram os embarques com destino ao país asiático. Esse não é bom sinal, pois o ideal seria que o Brasil aumentasse o volume de vendas para os EUA de produtos semimanufaturados e manufaturados, sem deixar de vender commodities para a China nos níveis dos últimos anos.

É de se notar que aqueles produtos são aqueles de maior valor agregado e que, por isso mesmo, geram mais empregos e reativam o mercado doméstico. Sem contar que estão menos sujeitos às oscilações de preços. Portanto, é de se comemorar essa retomada das vendas de produtos industriais para os EUA que, aliás, em 2014, superaram a Argentina, tornando-se o principal destino de exportações de manufaturados do Brasil, com embarques de US$ 15,1 bilhões.

Hoje, segundo a Funcex, os manufaturados respondem por 54% dos embarques para os EUA, os semimanufaturados por 21% e os básicos por 25%. Mas é de se lembrar que, desde 2006, o petróleo é o maior item na pauta de exportações para os EUA. Em 2014, as vendas do produto chegaram a US$ 3,4 bilhões e representaram 12,6% dos embarques. Mas, em seguida, vieram produtos manufaturados, como os de ferro e aço (US$ 2,2 bilhões), aviões (US$ 1,93 bilhão) e motores e turbinas para aviões (US$ 1,57 bilhão).

Até o começo deste século XXI, o mercado norte-americano respondia por 24% das vendas brasileiras, mas, em 2014, ficou com12%. Isso significa que há muito que fazer para se recuperar o terreno perdido. Ainda bem que o governo brasileiro, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, parece que aprendeu com a sabedoria chinesa que negócios são negócios. Milton Lourenço – Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Brasil-EUA: correção de rota

SÃO PAULO – Em 2009, para justificar a adesão à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) da Guiné Equatorial, país africano governado desde 1979 por partido único e por um mesmo dirigente autoritário e onde poucas pessoas falam o Português, uma alta autoridade do governo brasileiro da época saiu-se com esta: “Negócios são negócios”. Essa estratégia política, ao que parece, não foi seguida em relação aos Estados Unidos, o maior mercado do planeta, pois houve nos últimos governos um propósito deliberado de procurar um distanciamento com aquela nação, a pretexto de diminuir uma possível dependência comercial e política.

Ao que parece, o atual governo já deixou para trás esse tipo de doença infantil e tem procurado se reaproximar de Washington. E, não fosse o episódio de julho de 2013, quando veio à tona o escândalo sobre a espionagem de cidadãos e empresas brasileiras pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), que levou a presidente brasileira a cancelar uma visita àquela nação, as negociações estariam bem mais adiantadas.

Seja como for, o resultado daquela desastrada estratégia pode ser conferido nos últimos dados sobre a corrente de comércio (importações/exportações) entre os dois países divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ainda que se deva levar em conta também os efeitos da crise financeira global que se registrou a partir de 2008.

Na área de exportações, em 2014, o Brasil vendeu mercadorias para os Estados Unidos no montante de US$ 27 bilhões, o que representou um crescimento de 9,63% em relação a 2013 (US$ 24,6 bilhões), praticamente igualando a melhor marca até agora, obtida em 2008 (US$ 27,4 bilhões). Em 2009, esse valor caiu para US$ 15,6 bilhões, mas, desde então, foi registrada uma recuperação contínua. É de se ressaltar que, do montante de 2014, US$ 19 bilhões foram resultado da venda de produtos semimanufaturados e manufaturados, enquanto US$ 6,3 bilhões, de produtos básicos. Ou seja, isso mostra que o mercado norte-americano é extremamente importante para a sobrevivência da indústria brasileira, especialmente a paulista, porque absorve mais produtos de maior valor agregado.

Na área de importações, em 2014, o Brasil comprou US$ 34,9 bilhões em mercadorias, o que representou uma queda de 2,83% em relação a 2013 (US$ 36 bilhões), mas manteve a marca acima de US$ 30 bilhões que se registra desde 2011. Em 2008, época do início da crise global, o montante foi de US$ 25,6 bilhões, tendo caído para US$ 20 bilhões em 2009, recuperando-se em 2010 (US$ 27 bilhões).

O que se constata também é que o Brasil desde 2009 importa mais do que exporta para os Estados Unidos. Eis os números: em 2014, o déficit do Brasil foi de US$ 7,9 bilhões; em 2013, de US$ 11,4 bilhões; em 2012, de US$ 5,6 bilhões; em 2011, de US$ 8,1 bilhões; em 2010, de US$ 7,7 bilhões; e em 2009, de US$ 4,4 bilhões. Em outras palavras: o Brasil segue numa direção contrária à da maioria dos países, já que o mercado norte-americano é majoritariamente importador. É como se o Brasil fosse o país desenvolvido e os Estados Unidos a nação em desenvolvimento.

Como se vê, algo está errado na estratégia comercial brasileira. E o novo governo precisa revê-la urgentemente. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.