Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Brasil - Comércio exterior: razões para otimismo

São Paulo – Embora o Ministério da Economia tenha informado que a balança comercial registrou déficit de US$ 176 milhões em janeiro deste ano, o que importa é que o comércio exterior vem seguindo uma trajetória de recordes neste início de 2022. Basta ver que, em janeiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, as exportações cresceram 25,3% e atingiram US$ 19,6 bilhões, o melhor resultado do mês na série histórica iniciada em 1997.

Mesmo com o período de entressafra e os problemas advindos da pandemia de coronavírus (covd-19), os bens agropecuários foram o grande destaque das exportações, com 97,5% de crescimento em janeiro, especialmente em função do desempenho da soja. A indústria de transformação também foi destaque, com crescimento de 36,1% em janeiro, chegando a US$ 12,2 bilhões em vendas.

Já as importações chegaram a US$ 19,8 bilhões, registrando uma alta de 24,6%, a maior desde janeiro de 2014, quando chegaram à marca de US$ 20,2 bilhões. Isso se deu principalmente porque houve um aumento expressivo nas compras de produtos para a indústria extrativa – em especial, petróleo bruto, gás natural e carvão – ligados à produção de energia no Brasil, ainda que os preços dos bens da indústria extrativa importados estejam subindo desde o segundo semestre de 2021, chegando a 99,1% em janeiro deste ano.

Em razão disso, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) também foi recorde, subindo 25% e chegando a US$ 39,52 bilhões. Houve déficit de US$ 176 milhões porque o volume de importações superou o de exportações, mas, apesar de negativo, o resultado representa uma evolução na comparação com janeiro de 2021, quando o déficit comercial somou US$ 219,9 milhões. Este também foi melhor saldo comercial para esse mês desde 2018, quando foi registrado um superávit de US$ 1,6 bilhão.

Em outras palavras: ao lado de uma exportação bastante aquecida, com registros de recordes a cada mês, a importação está em crescimento, o que vem se registrando desde o último semestre do ano passado. Apesar de uma queda no setor agropecuário de 15,7%, em janeiro, houve um aumento de 325,8% nas aquisições da indústria extrativa e crescimento de 14,9% nas compras do exterior da indústria de transformação. As exportações também seguem em alta, com crescimento de 51,8% naquelas destinadas aos Estados Unidos, de 46% no volume enviado para a União Europeia e de 18,3% para a Argentina.

Já para a China, Hong Kong e Macau, os embarques diminuíram 3,8%, refletindo a queda que houve na saída de minério de ferro. Mas isso também pouco representa no comércio entre Brasil e China, que, de 2020 para 2021, avançou 34%, compensando a perda de 5,4% no ano anterior. Aliás, o comércio com a China teve aumento maior que aquele registrado com os Estados Unidos, União Europeia e América do Sul, segundo dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas, que registrou, em 2021, um avanço no volume exportado para o país asiático de 360% desde 2008. Em sentido contrário, no mesmo período, houve uma queda de 18,6% em relação aos Estados Unidos.

Diante desses números, não há como deixar de ver com otimismo o futuro do comércio exterior brasileiro. Basta assinalar que, em 2021, a balança comercial registrou superávit de US$ 61 bilhões, ficado 21,1% superior ao saldo de 2020, quando, na média diária, houve superávit de US$ 50,4 bilhões. Com base nisso, o Banco Central projetou um resultado positivo de US$ 52 bilhões para 2022, enquanto o mercado financeiro se mostrou mais otimista ainda, prevendo um superávit de US$ 57,2 bilhões. Se a confirmação dessas projeções vier, já será uma grande vitória. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Brasil-Portugal: comércio em alta

São Paulo – Dados do Ministério da Economia mostram que a corrente de comércio entre Brasil e Portugal está em alta, apesar dos efeitos provocados pela pandemia de coronavírus (covid-19), tendo aumentado 41,4% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2020. O aumento foi puxado pelas exportações brasileiras de óleos combustíveis e soja e pelas exportações portuguesas de azeites e componentes de aeronaves, de acordo com estatísticas reunidas pela Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil em parceria com a Câmara Brasil-Portugal no Ceará.

As transações entre Brasil e Portugal representaram no ano passado 0,78% dos negócios internacionais brasileiros. Nesse contexto, o Brasil vende mais do que compra. Desde 2018, houve crescimento das exportações para Portugal e uma progressiva redução das exportações portuguesas, mas, no primeiro trimestre de 2021, os números foram inferiores aos registrados no mesmo período de 2020. Apesar disso, os volumes somados do comércio entre os dois países permanecem superiores aos registrados em 2019.

Portugal está na 32ª posição na lista de maiores parceiros comerciais do Brasil por volumes de exportações brasileiras. Por sua vez, Portugal ocupa o 39º lugar no ranking de países fornecedor para o Brasil. Entre 2014 e 2019, segundo dados do Ministério da Economia, registraram-se variações acentuadas na corrente de comércio. Em 2019, o intercâmbio comercial foi de US$ 1,92 bilhão, com exportações no montante de US$ 1,16 bilhão, representando queda de 19,9% em relação a 2018. Desse modo, o Brasil tornou-se o 13º país de origem das importações de Portugal e 10º país de destino das exportações portuguesas.

As exportações brasileiras são, sobretudo, de produtos ligados ao setor extrativista, representando 62% de todos os produtos adquiridos por Portugal no primeiro trimestre deste ano. A pauta das importações portuguesas provenientes do Brasil também é composta por bens industriais (19%) e produtos do agronegócio (19%). Já as exportações portuguesas para o Brasil são basicamente de produtos industrializados.

O Brasil vende, sobretudo, óleos minerais e as exportações portuguesas para o Brasil são lideradas por óleos vegetais. Entretanto, os volumes transacionados no primeiro trimestre para esses dois itens são expressivamente inferiores aos transacionados no mesmo período do ano passado. Os destaques positivos do período são, pelo lado brasileiro, a soja que cresceu e representa quase 11% da pauta de exportações brasileiras para Portugal. Do lado português, destaque vai para as bebidas e pescados, que cresceram no mesmo período.

O saldo da balança comercial de mercadorias do Brasil foi positivo ao longo dos últimos cinco anos, chegando a 44,6 bilhões de euros em 2020, com evolução das importações e das exportações no período de 2016 a 2019, registrando queda apenas em 2020. O ritmo das exportações, que aumentou entre 2016 e 2018, desacelerou desde então.

O Brasil é hoje um dos principais provedores de matérias-primas e bens intermediários para a indústria portuguesa. Com isso, altera-se o perfil das exportações brasileiras: produtos como o café, a madeira, o açúcar, o couro e o cacau, que eram dominantes no passado, vêm cedendo espaço a outros commodities como petróleo, soja, minério de ferro e milho.  Em volumes mais modestos, registram-se também vendas de alimentos, frutas tropicais, mobiliário, material elétrico, artigos de couro e eletrônicos.

É de se ressaltar o intercâmbio no segmento aeronáutico, em que se registram vendas de aeronaves completas e compras por firmas brasileiras de peças, acessórios e componentes. Mas aqui deve-se lembrar que a Embraer possui, desde 2012, duas fábricas de componentes em Portugal: uma em Évora, a 135 quilômetros de Lisboa, que produz peças metálicas e materiais compostos; e, em Alverca, perto de Lisboa, controla desde 2004, com 65% de participação, a Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (Ogma), a empresa aeronáutica mais tradicional de Portugal, fundada em 1918. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Brasil - Cenário otimista para 2018/2019

SÃO PAULO – Embora a economia já tenha dados sinais de que o período de recessão está próximo do fim, o que se espera para 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que o saldo da balança comercial seja menor do que em 2017, alcançando um valor entre US$ 48 bilhões e US$ 52 bilhões. A explicação para tanto, segundo o Ibre-FGV, é que, embora se tenha registrado maior crescimento no nível da atividade econômica, há um menor crescimento nos preços das commodities. De qualquer modo, ainda é possível um saldo maior se ocorrer um desempenho mais favorável no volume de commodities e nas exportações de produtos manufaturados, associado ao aumento aguardado do comércio mundial em 2018.

Ainda segundo dados do Ibre-FGV, em termos de valor, as exportações cresceram 16% e as importações 14%, entre os meses de janeiro de 2017/2018, lideradas pelo aumento de preços: exportações, 11,8% e importações, 15,4%. O aumento nos volumes foi de 2% nas exportações e de 1,5% nas importações. 

Constata-se, portanto, que o aumento nos preços exportados é comum ao fluxo das commodities e não commodities, ocorrendo o mesmo com as importações. É de se ressaltar que houve uma elevação de 40,1% nos preços das commodities. No caso do volume, as exportações de commodities caíram e as de não commodities aumentaram 14,4%. O que se espera é que o volume exportado das commodities, que vem sendo impulsionado especialmente pelo setor de carnes, cresça com o início dos embarques de soja em grãos nos próximos meses. 

Como as empresas procuraram, durante o tempo de recessão, alternativas para sobreviver, o que se prevê é que haja uma melhoria na venda para o exterior de produtos manufaturados, que são aqueles que apresentam maior valor agregado e geram empregos, movimentando o mercado com mais vigor. Segundo pesquisa recente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), essa recuperação tem se dado em função do crescimento da exportação de produtos minerais não metálicos, máquinas e equipamentos, produtos têxteis, veículos automotores e autopeças, artigos de vestuário e produtos alimentícios. 

Por tudo isso, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) vem apostando na retomada do crescimento econômico, principalmente porque o quadro econômico mundial mostra-se muito mais favorável. Afinal, os países desenvolvidos voltaram a crescer de forma consistente e os emergentes têm mantido taxas elevadas de crescimento, ainda que em nível inferior ao observado antes de 2007.

Portanto, os sinais positivos são muitos, apesar da instabilidade política deste ano eleitoral, que pode inviabilizar a agenda de reformas. Assim, o mais provável é que o biênio 2018/2019 venha a marcar a consolidação de um novo ciclo para a economia brasileira. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Brasil - Comércio exterior: a retomada

SÃO PAULO – Se mais um indicativo de que a economia do País se aproxima de um novo ciclo virtuoso fosse necessário, basta o que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) acaba de anunciar: a balança comercial fechou o primeiro semestre com o melhor saldo da história para o período. Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil exportou US$ 36,2 bilhões a mais do que importou. De janeiro a junho, o saldo da balança comercial acumulou alta de 53,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

De acordo com o MDIC, nos seis primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 107,7 bilhões, o quinto melhor primeiro semestre da história, com crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Mais: as exportações de semimanufaturados aumentaram 17,5%, impulsionadas pelas vendas de semimanufaturados de ferro e aço (70,6%), ferro fundido (48,5%) e açúcar bruto (36,4%). Já as exportações de manufaturados subiram 10,1%, com destaque para óleos combustíveis (122%), veículos de carga (59,2%), açúcar refinado (56,5%) e automóveis (52,8%).

A boa performance do comércio exterior tem contribuído sobremaneira para a recuperação da indústria. Basta ver que, no primeiro semestre, o total de produtos vendidos a outros países chegou a US$ 37,7 bilhões, com uma evolução de 10,1% em comparação com o mesmo período de 2016. As exportações de semimanufaturados têm acompanhado esse crescimento, chegando à marca de US$ 15 bilhões, o que resultou num crescimento de 17,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, o governo, com base no crescimento nos preços internacionais e na quantidade exportada, já prevê um superávit de US$ 60 bilhões na balança comercial em 2017, depois de fazer uma estimativa de US$ 55 bilhões no começo do ano. Se isso se efetivar, será o melhor saldo comercial da história para o País, o que não será pouco, levando-se em conta as tribulações provocadas na economia por uma classe política que está longe de merecer o respeito do cidadão de bem.

É verdade que os números da balança foram beneficiados pela recuperação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional), mas os dados positivos de vários setores mostram que, se não houver mais irresponsabilidade no trato das questões políticas, a perspectiva é que haja uma retomada na economia, depois de uma fase de recuo em precedentes na história do País, que deve ser atribuída à inaptidão política da ex-presidente e à incompetência de sua equipe econômica.

É verdade que as fábricas apresentam ainda uma capacidade ociosa em torno de 25%, que se reflete diretamente na compra de máquinas e equipamentos e no desemprego para boa parte do operariado, o que acaba por afetar também os setores de alimentos e vestuário e outros. Mas, seja como for, é indiscutível que o aumento nas exportações e importações aponta para uma retomada do crescimento econômico do Brasil. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 24 de junho de 2017

Brasil - Portos paulistas respondem por 29,7% da balança comercial

Com uma movimentação de 158 milhões de toneladas no ano passado, os portos de Santos e de São Sebastião (este, no Litoral Norte do Estado) escoaram 15,8% das cargas que passaram pelo sistema portuário nacional. Em valor, esses produtos somaram US$ 95,9 bilhões, 29,7% da balança comercial do País.

Estes dados estão entre as informações que podem ser conferidas no Anuário dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo - 2017, publicação lançada na noite da passada quarta-feira (21), em Santos, pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). A iniciativa integra o plano da entidade de se consolidar como um centro de inteligência do setor.

No Porto de Santos, o Sopesp reúne 42 empresas, cerca de 70% das que atuam no segmento. Juntas, elas foram responsáveis, em 2016, pela movimentação de 110,5 milhões de toneladas, garantindo uma receita de US$ 92,1 bilhões.

E neste ano, a entidade passou por uma reformulação. Além da contratação de profissionais de mercado, ela adquiriu uma nova sede, mais moderna, e procura investir na comunicação com as empresas associadas e a sociedade civil.

“A ideia é abrir as portas, ter os associados mais perto. A fase de luta laboral existe, mas ela está em menor escala. Hoje, uma das nossas bandeiras é desenvolver o negócio para o operador portuário. É a gente procurar caminhos de busca de eficiência, redução de custos, conseguir novos negócios. Não só em Santos, mas em toda a abrangência do sindicato”, destacou o vice-presidente do Sopesp, João Batista Almeida Neto.

De acordo com o Anuário, a movimentação de cargas em Santos apresentou um crescimento de 8 milhões de toneladas entre 2010 e 2016. Já o número de atracações apresentou uma queda de 1.311 manobras, o que mostra que, nos últimos anos, cada navio atracado no complexo santista movimentou cerca de 5 mil toneladas a mais, em média.

“A gente ainda tem muita oportunidade para aumentar os níveis de movimentação, buscando eficiência e baixando custo. Então, é uma possibilidade real de a gente tentar agregar mais valor ao negócio de cada operador. O nosso segmento não visa só aquele grande operador do Porto. Tem os menores e eles precisam até mais do nosso apoio. Essa é a visão para o futuro”, destacou Almeida.

Parceria

Esta nova fase da entidade também é marcada por parcerias com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a administradora do Porto de Santos. Uma das mais importantes é a que resultou na programação da dragagem de berços do cais santista.

“Quando o Sopesp assumiu o cronograma (do serviço), a gente começou a identificar coisas boas e coisas que tinham oportunidade de melhoria. Aprendemos e mostramos os pontos em que a Codesp também poderia melhorar. O resultado foi um maior controle na operação da dragagem e nós conseguimos, hoje, indicar onde está o problema. Se você não tem controle de gestão, você se perde”, destacou o vice-presidente.

Para o diretor-executivo do Sopesp, José dos Santos Martins, o novo foco da entidade vai forçar uma mudança comportamental nas empresas do setor portuário. Para ele, o lançamento do Anuário é um legado para a comunidade.

“Tudo tem seu tempo. O início do Sopesp foi muito massacrante porque tivemos, nesses 10 a 15 anos, muita briga com negociação coletiva. O foco ficou voltado para a negociação porque essa era a necessidade. Passado esse estágio, a nossa visão de negócio é diferenciada. Queremos um banco de dados, um sítio, uma comunicação com esse cliente para que ele possa se integrar mais nesse processo”. Fernanda Balbino – Brasil in “A Tribuna”

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Brasil - Promover a revitalização da economia

SÃO PAULO – Em discurso durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, reconheceu que a política de comércio exterior cada vez mais se coloca no centro da agenda prioritária do governo. É de se admitir que se trata de um bom sinal, mas também um reconhecimento público de uma autoridade de que, até aqui, a política de comércio exterior nunca foi prioritária para o governo.

De fato, desde 1991, quando se tornou membro do Mercosul, o Brasil só firmou três acordos de livre-comércio – com Israel, Palestina e Egito, mas deste apenas o primeiro está em vigor –, enquanto no mundo ocorreu uma explosão de tratados bilaterais e regionais. Esse fato mostra e explica por que o Brasil ficou para trás na área do comércio internacional.
           
Portanto, só agora, quando o País chegou ao fundo do poço, depois de dois anos de involução em seu Produto Interno Bruto (PIB), em razão das últimas más administrações federais, parece que seus governantes descobriram que o caminho para a retomada do crescimento econômico passa também por um comércio exterior consistente em que o superávit seja produto de uma corrente de comércio forte e não como o de 2016, de US$ 47 bilhões, que não foi obtido por aumento de exportações, mas por queda de importações.

Apesar da retórica governamental, o que se vê ainda é que as importações continuam caindo livremente, em função de vários fatores internos, como falta de demanda, desemprego e inadimplência. E, principalmente, porque a indústria nacional vem perdendo competitividade no mercado exterior e até no mercado interno. Com isso, não tem condições de importar bens de capital (máquinas e equipamentos), linhas de produção ou mesmo fábricas completas usadas para expandir seu parque fabril e sua produção.

Está claro que, enquanto não se fizer as reformas estruturais nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista e, principalmente, enquanto não se investir maciçamente em infraestrutura, o Brasil vai continuar sendo obrigado a exportar tributos ou custos elevados, o que derruba a competitividade de seus produtos. Por isso, não se sabe até que ponto os acordos comerciais que estão sendo buscados em negociações do Mercosul com o México, com a União Europeia, Canadá e com a Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta, na sigla em inglês), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, poderão ajudar a reativar o comércio exterior brasileiro.

Obviamente, esses acordos comerciais são bem-vindos e trazem a esperança de que irão ajudar a promover uma revitalização nos números da balança comercial (exportação/importação), o que se dará principalmente se estimularem novas empresas estrangeiras a acreditar que o Brasil vive um bom momento. Só com novos empreendimentos que criem empregos e aumentem a renda no País será possível promover a revitalização da economia. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Brasil - Comércio exterior: perspectivas para 2017

SÃO PAULO – Se a bola de cristal do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) não estiver avariada, em 2017 haverá recuperação das exportações e importações e superávit no mesmo patamar do registrado em 2016, de US$ 47,7 bilhões, o maior da História do País. O panorama visto assim da ponte, não seria desanimador. Pelo contrário. O problema é que, em razão da crise em 2016, tanto as compras de outros países quanto as vendas externas foram as menores desde 2009, ou seja, o que houve foi um “superávit negativo”.

Na verdade, o resultado positivo recorde só foi possível porque, enquanto as exportações recuaram 3,5% em relação a 2015, as importações sofreram ainda mais e caíram 20,1% na mesma comparação, caindo quase cinco vezes mais que as exportações. Por causa da crise e da menor demanda por bens, as compras do Brasil no exterior recuaram 20,1%. Como se dizia à época feliz de nossas vidas, quando alguém tentava ganhar um jogo na base da tramóia ou de uma manobra pouco ética: assim não vale.

Por isso, o MDIC nem deveria vir a público exercitar esses números, com o objetivo indisfarçável de apresentá-los como prova de que o comércio exterior brasileiro está reagindo à crise. Afinal, não é o superávit na balança comercial que gera atividade econômica para o setor, mas a corrente de comércio. E esta não reflete hoje um bom momento. Pelo contrário. Desde 2014, não há aumento da corrente de comércio. Portanto, é preciso trabalhar muito para que esses números sejam apresentados como reflexo de um cenário econômico positivo.

Essa situação difícil pode ser constatada também em outros números. Por exemplo, as importações de bens de capital (máquinas e equipamentos), que sinalizam o interesse das empresas em investir, somaram US$ 18,3 bilhões em 2016, registrando uma queda de 21,5% em comparação com 2015. As compras de bens intermediários (insumos para elaboração de produtos) de outros países também apresentaram redução de 14,9% em relação a 2015, somando US$ 84,9 bilhões.

Caíram, entre outras causas, porque a demanda por bens do exterior – entre os quais estão insumos e bens de capital, usados na produção industrial – recuou em função da crise econômica que se instalou no País como resultado das administrações desastrosas que caracterizaram os últimos governos. Para piorar, as vendas ao exterior caíram principalmente em razão da redução de preços das commodities (bens primários com cotação internacional).

A rigor, a única boa notícia que se pode tirar dos dados apresentados pelo MDIC é que as exportações de produtos industrializados, com maior valor agregado, cresceram em 2016 na comparação com 2015. Divididos em manufaturados e semimanufaturados, esses bens tiveram alta de 1,2% e 5,2% nas vendas, respectivamente, em relação ao ano anterior. Embora essa elevação tenha ficado abaixo da previsão que se fazia há um ano, esse pormenor mostra que o parque industrial brasileiro continua dinâmico. É o que permite que se tenha ainda uma visão otimista para este ano de 2017. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Portugal - Balança Comercial com os seus Parceiros na CPLP 2008 - 2015



O Blogue "Baía da Lusofonia" apresenta hoje o trabalho do Senhor Engenheiro Walter Anatole Marques que é uma sequência do estudo apresentado no passado dia 14 de Dezembro de 2016, do Comércio Internacional da CPLP e dos respectivos Estados Membros. Agora apresenta-se o comércio bilateral Portugal - CPLP e com cada um dos seus Estados Membros.


Comércio internacional de mercadorias de Portugal com os seus parceiros na CPLP 
2008 a 2015


Walter Anatole Marques


1 – Nota introdutória

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi criada durante a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em Lisboa em 1996, sendo países fundadores Angola, o Brasil, Cabo Verde, a Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e S. Tomé e Príncipe. Em 2002, no decorrer da cimeira de Brasília, foi a vez de Timor-Leste e mais recentemente, em 2014, na cimeira de Dili, da Guiné-Equatorial.

Entre os seus objectivos, no âmbito da cooperação em todos os domínios, com aprofundamento da amizade mútua, situa-se o desenvolvimento de parcerias estratégicas e o levantamento dos obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços, tornando-o assim numa importante alavanca para o desenvolvimento do espaço económico lusófono e consequente melhoria das condições de vida das suas populações.

Em trabalho anterior avaliou-se, ao nível de cada estado-membro, a evolução do volume das trocas intra e extracomunitárias realizadas entre 2008 e 2015, por produtos e por mercados de origem e de destino, com base em estatísticas veiculadas pelo “International Trade Centre” (ITC). Pretende-se agora analisar, para o mesmo período e com algum pormenor, a evolução das importações e das exportações efectuadas por Portugal com cada um dos seus parceiros na CPLP, com base em estatísticas do Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE).

2 – Balança Comercial de mercadorias


A Balança Comercial de Portugal com o conjunto dos seus oito parceiros na CPLP é superavitária, com o elevado grau de cobertura das importações pelas exportações de 150% em 2015, apesar de uma quebra acentuada das exportações de cerca de -25% face ao ano anterior, com um forte contributo de Angola.

Como se pode observar na Figura 2, a balança comercial de Portugal com cada um dos actuais oito parceiros, ao longo dos últimos oito anos, apenas foi deficitária com o Brasil e com a Guiné-Equatorial, tendo esta aderido à Comunidade apenas em Julho de 2014.


3 – Peso da CPLP no comércio internacional de Portugal com o Mundo e Países     Terceiros

O peso da CPLP nas importações globais portuguesas ao longo dos últimos oito anos oscilou entre 2,4%, em 2009, e 6,5%, em 2012 e 2013, situando-se em 3,8% em 2015.

Face às importações provenientes do conjunto dos Países Terceiros, o menor peso verificou-se em 2009, com 11,4% do total, e o maior em 2013, com 23,4%, sendo de 16,1% em 2015 (Figura 3).

Na vertente das exportações, o seu peso no total para o Mundo variou entre um mínimo de 6,9% em 2015 e um máximo de 9,7% em 2013.

Nas exportações portuguesas para os Países Terceiros a CPLP pesou entre 25,2% em 2015 e 38,2% em 2009.

De sublinhar que entre 2008 e 2014 o peso da CPLP se situou sempre acima de 30%, sendo a quebra verificada em 2015 explicada principalmente pelo comportamento das exportações para Angola.


4 – Peso dos estados-membros da CPLP nas importações e exportações de Portugal em 2015

O maior volume das importações portuguesas com origem nos parceiros da CPLP incide em Angola (50,2% em 2015), seguida do Brasil (37,8%), da Guiné-Equatorial (9,8%) e de Moçambique (1,7%).

Com quotas inferiores a 1% seguiram-se, no mesmo ano, Cabo Verde (0,5%), Timor-Leste (0,1%), a Guiné-Bissau (0,01%) e S. Tomé e Príncipe (0,01%) (Figura 4).

Por sua vez, na vertente das exportações sobressai Angola (61,5% em 2015), o Brasil (16,7%), Moçambique (10,4%) e Cabo Verde (6,3%), seguidos à distância pela Guiné-Bissau (2,2%), S. Tomé e Príncipe (1,7%), Guiné-Equatorial (1,1%) e por Timor-Leste (0,3%) (Figura 5).



5 – Importações por grupos de produtos em 2015

As importações portuguesas com origem nos parceiros da CPLP representaram 3,8% das importações globais em 2015. O grupo de produtos dominante é o dos “Energéticos”, que em 2015 representou 68,6% do total e teve por principais fornecedores Angola, a Guiné-Equatorial e o Brasil. Seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (16,3%), com destaque para o Brasil, Moçambique, Angola e Timor-Leste, “Minérios e metais” (4,3%), com principal origem no Brasil, “Aeronaves, embarcações e partes” (2,4%), com Brasil e Angola à cabeça, “Químicos” (2,2%), em sua grande parte originários do Brasil, “Máquinas, aparelhos e partes” (2,0%), maioritariamente do Brasil, Angola, Cabo Verde e Guiné Equatorial, “Madeira, cortiça e papel” (1,7%), principalmente do Brasil, mas também de Angola e da Guiné-Equatorial, “Calçado, peles e couros” (1,1%), do Brasil e Cabo Verde, “Produtos acabados diversos” (0,5%) e “Material de transporte terrestre” (0,1%) (Figura 6).


Numa análise mais fina por produtos, definidos a dois dígitos da Nomenclatura Combinada (NC-2), constata-se que entre os quinze predominantes, representando 95,8% das importações totais em 2015, se destacam os “Combustíveis e óleos minerais”, que pesaram 68,5% no total das importações provenientes da CPLP nesse ano (Figura 7).


Seguiram-se as “Sementes e frutos de oleaginosas”, o “Ferro fundido, ferro e aço”, as “Aeronaves e suas partes”, os “Cereais”, as “Frutas”, o “Plástico e suas obras”, o “Tabaco e sucedâneos manufacturados”, a “Madeira”, o “Peixe, crustáceos e moluscos”, as “Máquinas e aparelhos mecânicos”, o “Café e chá”, as “Máquinas e aparelhos eléctricos”, as “Peles e couros” e o “Calçado e suas partes”.

Os maiores contributos para as importações globais couberam às “Sementes e frutos de oleaginosas” (28,0%), aos “Combustíveis e óleos minerais” (19,6%), às “Aeronaves e suas partes” (14,6%) e ao “Tabaco e seus sucedâneos” (12,5%). Seguiram-se o “Café e o chá” (9,0%), as “Frutas” (6,7%), os “Cereais” (5,7%), a “Madeira” (4,9%), o “Ferro fundido, ferro e aço” (4,8%) e as “Peles e couros” (3,0%). Com pesos inferiores, o “Peixe, crustáceos e moluscos” (1,7%), o “Calçado e suas partes” (1,5%), o “Plástico e suas obras” (1,3%), as “Máquinas e aparelhos mecânicos” (0,5%) e as “Máquinas e aparelhos eléctricos” (0,4%).

6 – Exportações por grupos de produtos, em 2015

As exportações portuguesas com destino aos parceiros da CPLP pesaram 6,9% nas exportações globais em 2015.

O grupo de produtos dominante é o de “Agro-alimentares”, que em 2015 representou 28,4% do total e teve por principais destinos Angola, o Brasil, Cabo Verde, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau (Figura 8).

Seguiram-se as “Máquinas, aparelhos e partes” (23,1%), com destaque das exportações para Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Guiné Equatorial, “Minérios e metais” (11,6%), em que sobressai Angola, o Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Equatorial, “Químicos” (11,5%), principalmente para Angola, Moçambique, Cabo Verde e Brasil, e “Produtos acabados diversos” (10,5%), maioritariamente destinados a Angola, Moçambique, Brasil e Cabo Verde.

Com peso inferior a 4% do total alinharam-se os grupos “Madeira, cortiça e papel” (3,9%), em sua maior parte com destino a Angola, Moçambique, Cabo Verde e Brasil, “Têxteis e vestuário” (2,7%), principalmente para Angola, Brasil, Moçambique e Cabo Verde, “Aeronaves, embarcações e partes” (2,6%), essencialmente para o Brasil, “Material de transporte terrestre e partes” (2,6%), principalmente para Angola, mas também Brasil, Moçambique e Cabo Verde, “Energéticos” (2,0%), com predomínio da Guiné-Bissau, Moçambique e Angola, e “Calçado, peles e couros” (1,2%), tendo Angola como principal destino.



A nível de dois dígitos da Nomenclatura Combinada, os quinze principais produtos exportados para a CPLP em 2005 representaram 67,7% do total, produtos que pesaram 55,1% na exportação para o Mundo (Figura 9).

As maiores quotas da CPLP nas exportações para o Mundo couberam às “Gorduras e óleos animais e vegetais” (38,1%), “Aeronaves e suas partes” (37,2%), “Preparações de carnes, peixe, crustáceos e moluscos” (27,2%), “Leite e lacticínios” (23,7%), “Máquinas e aparelhos mecânicos” (12,4%), “Obras de ferro fundido, ferro e aço” (10,7%) e “Produtos farmacêuticos” (10,6%).

Seguiram-se os grupos “Peixes, crustáceos e moluscos” (9,7%), “Máquinas e aparelhos eléctricos” (9,5%), “Mobiliário, colchões e candeeiros” (8,8%), “Ferro fundido, ferro e aço” (6,4%), “Plástico e suas obras” (5,1%), “Combustíveis e óleos minerais” (1,8%) e “Automóveis, tractores e ciclos” (1,5%).

7 – Importações e exportações em Portugal por estado-membro da CPLP entre 2008 a 2015

Seguem-se dados estatísticos, apresentados em quadros e gráficos, relativos às trocas de mercadorias entre Portugal e cada um dos estados-membros da CPLP no período de 2008 a 2015, cobrindo a balança comercial, as importações e exportações por grupos de produtos, os quinze principais produtos (SH-2) importados e exportados e a evolução das importações e exportações por grupos de produtos, no período em análise, face ao valor que detinham em 2008 (2008=100).

Em anexo encontra-se ainda representado o peso de Portugal nas importações e nas exportações de cada parceiro da CPLP, agora a partir de dados de base do “International Trade Centre” (ITC), excepto no que diz respeito às trocas da Guiné-Bissau e de Timor-Leste com Portugal, em que, por falta de informação com esta origem, foram utilizados dados do Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), com aplicação do factor de conversão Cif-Fob = 0,9533 (Anexo 2).







Um trabalho de Walter Anatole Marques -  walter@anatolemarques.com
















Portugal - Balança Comercial com Angola 2008 - 2015









Um trabalho de Walter Anatole Marques -  walter@anatolemarques.com








Portugal - Balança Comercial com o Brasil 2008 - 2015










Um trabalho de Walter Anatole Marques -  walter@anatolemarques.com








Portugal - Balança Comercial com Cabo Verde 2008 - 2015










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