Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 25 de outubro de 2025

Guiné Equatorial - Conselho de Pesquisa Científica e Tecnológica inicia o processo oficial na Espanha para recuperar o património cultural

Uma delegação da Guiné Equatorial está a documentar mais de 4000 peças em museus de Barcelona e Madrid, um passo antes da sua restituição


O Governo da República da Guiné Equatorial, por meio do Conselho de Pesquisa Científica e Tecnológica (CICTE), realizou uma missão oficial à Espanha, especificamente a Barcelona e Madrid, com o objetivo de identificar, registar e avaliar os bens culturais e naturais de origem equatorial guineense preservados em instituições espanholas desde a época colonial.

A delegação visitou cinco centros importantes: o Museu de Etnologia e Culturas do Mundo, o Museu de Ciências Naturais de Barcelona, ​​o Fundo Sabater Pi da Universidade de Barcelona, ​​o Arquivo Regional de Osona e o Museu Nacional de Antropologia (MNA) em Madrid.

De acordo com os dados coletados, somente o Museu de Etnologia e Culturas do Mundo abriga cerca de 2204 peças de origem guineense equatorial, a maioria do povo Fang, embora também haja objetos Bubi, Hauçá e Anobonese. O Museu Nacional de Antropologia regista cerca de 2000 itens adicionais, mais de 1500 também ligados à cultura Fang.

O Diretor Geral de Ciências Humanas, Tradições, Arqueologia e Artes Visuais do CICTE, José Juan Mañana Nva, explicou que o objetivo central desta missão é "entender o que foi transportado para a Espanha durante o período colonial, com o objetivo de recuperar a nossa independência cultural e conseguir a restituição dos objetos que pertencem ao nosso povo e à nossa identidade cultural histórica".

A delegação também incluiu Teodoro Oló Fernández, Diretor de Cooperação e Relações Internacionais do CICTE, e Cristeta Mangue Ona, Chefe de Coordenação Administrativa, que destacaram a atitude aberta e colaborativa demonstrada pelas instituições espanholas durante todo o processo.

No âmbito da missão, o Museu de Ciências Naturais de Barcelona e o CICTE concordaram em estabelecer uma colaboração técnica focada na troca de conhecimento sobre a conservação de coleções naturais, enquanto o Museu Nacional de Antropologia expressou a sua disposição de manter um diálogo ético e direto com as comunidades de origem dos artefatos.

Esta é a primeira missão oficial da Guiné Equatorial com o objetivo de lançar as bases para um processo de restituição patrimonial, que representa um passo decisivo na descolonização cultural do país. Nos próximos meses, o CICTE processará as informações coletadas para apresentar formalmente as reivindicações às autoridades competentes e promover a restituição de bens que fazem parte da identidade e da memória histórica do povo guineense. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Moçambique – Depois de gastar mais de 1 milhão de dólares em aluguer, LAM devolve “cargueiro” sem uso por falta de certificação

A LAM terá gastado mais de 71 milhões de Meticais com o aluguer de um avião de carga que nunca chegou a funcionar. A aeronave já foi devolvida ao país de origem por falta de certificação. O Instituto de Aviação Civil fala de incumprimento de requisitos para a certificação e diz que a Boeing não reconhece as alterações feitas no aparelho.



Com pompa e circunstância, a companhia de bandeira anunciou a chegada de um novo serviço: a LAM Cargo.

O único movimento que que o avião de carga proveniente da Indonésia fez na pista moçambicana foi no dia da sua inauguração.

E isto foi, precisamente, no dia 13 de Março de 2024, num evento de inauguração da aeronave orientado pelo então vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone.

A entrada deste serviço em funcionamento era quase uma certeza, porque a operação já tinha sido assumida como um sucesso. Havia, inclusive, detalhes de como a LAM Cargo funcionaria.

Por exemplo, a previsão era que o avião fizesse duas viagens por semana para todas as capitais provinciais, à excepção de Tete, para onde seria apenas uma.

Debalde! Era tudo um sonho, que esteve muito próximo da realidade. O avião de carga nunca realizou uma operação sequer! Ficou estacionado no recinto do Aeroporto Internacional de Maputo por um ano.

E, num comunicado desta terça-feira, 21 de Janeiro, a LAM anuncia a devolução do avião de carga.

“A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique – comunica que a aeronave Boeing B737-300, adquirida para o transporte dedicado de carga foi retomada à procedência, pelo facto de não ter tido a certificação no território nacional”, lê-se no documento da LAM.

A companhia de bandeira esclarece, ainda, por quanto tempo o avião ficou no país.

“A aeronave em referência manteve-se em Moçambique desde 31 de Dezembro de 2023 e descolou do Aeroporto Internacional de Maputo no dia 18 de Janeiro de 2025, com destino a Jacarta, Indonésia”, detalhou a companhia de bandeira.

O “O País” sabe que a LAM pagava, mensalmente, 93 mil dólares por mês pelo aluguer da aeronave, o que corresponde a mais de cinco milhões de Meticais ao câmbio actual.

Isto significa que, num período de 12 meses, no qual o avião esteve em Moçambique, as Linhas Aéreas de Moçambique terão pagado mais de um milhão de dólares, o equivalente a mais de 71 milhões de Meticais, ao câmbio do dia.

Mas, afinal, o que terá inviabilizado o funcionamento do serviço de carga?

A aquisição desta aeronave, desde logo, não envolveu a autoridade reguladora da aviação civil.

“O avião saiu da Indonésia, voou para Moçambique com pilotos indonésios, matrícula da Indonésia e aterrou no país sem envolvimento da autoridade moçambicana. O único documento que eles submeteram aqui (no IACM) foi a reserva do registo. Quando o avião aterra no território nacional, é desregistado. Ficou, momentaneamente sem autoridade que regulasse”, revelou João de Abreu, PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

Como não podia ficar assim, o Instituto de Aviação Civil de Moçambique solicitou à LAM documentos para tratar da certificação do avião de carga.

Os requisitos solicitados pela autoridade reguladora da aviação civil não foram cumpridos. “Foi verificado que nem todos os documentos, que são necessários para este tipo de certificação, estavam completos. Portanto, quando nós devolvemos o dossier, há uma série de reuniões que explicamos e, até, colocamos a possibilidade de o operador, querendo, continuar a operar com a certificação do país de onde o avião veio, porque a nossa legislação permite. Então, este processo de vaivém de documentos é que fez este atraso, que fez com que o avião não pudesse voar, porque não estava registado em sítio nenhum”, explicou João de Abreu.

O avião, segundo o Instituto de Aviação Civil de Moçambique, era de passageiros e foi modificado para ser carga. O fabricante, a Boeing, não reconhece as alterações feitas.

“Neste processo de modificação de passageiro, o fabricante do avião não foi notificado porque, quando nós pedimos confirmação e manuais à Boeing, ela (a Boeing) só reconhecia aquele avião ainda como de passageiros. É necessário, sempre, que haja uma autoridade que certifique depois da modificação, que diga se o avião está em condições de voar ou não. Este é que é o problema que o nosso operador não conseguiu exibir o documento da autoridade que diga que depois da modificação uma certa autoridade certifica, dizendo que o aparelho está em condições”, detalhou o PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

A nossa equipa de reportagem soube que o avião teve avaria durante o regresso ao seu país e teve de pousar para reparação. Depois disso, seguiu viagem para a Indonésia. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 30 de abril de 2024

Egipto - Recupera estátua de 3400 anos encontrada na Suíça

O Egipto recebeu de volta uma estátua de 3400 anos que representa a cabeça do rei Ramsés II, depois de ter sido roubada e contrabandeada para fora do país há mais de três décadas, informou o Ministério de Antiguidades do país


A estátua está agora no Museu Egípcio no Cairo, mas não está em exibição. O artefacto passará por restauração, informou o ministério num comunicado.

A estátua foi roubada do templo de Ramsés II na antiga cidade de Abydos, no sul do Egipto, há mais de três décadas. A data exata não é conhecida, mas Shaaban Abdel Gawad, que chefia o departamento de repatriação de antiguidades do Egito, disse que se estima que a peça tenha sido roubada no final da década de 1980 ou no início da década de 1990.

As autoridades egípcias detectaram o artefacto quando ele foi colocado à venda numa exposição em Londres em 2013. Ele passou por vários outros países antes de chegar à Suíça, de acordo com o ministério de antiguidades.

“Essa escultura de cabeça faz parte de um grupo de estátuas que retratam o rei Ramsés II sentado ao lado de várias divindades egípcias”, disse Abdel Gawad.

Ramsés II foi um dos faraós mais poderosos do Egipto antigo. Também conhecido como Ramsés, o Grande, ele foi o terceiro faraó da Décima Nona Dinastia do Egito e governou de 1279 a 1213 a.C.

O Egipto colaborou com as autoridades suíças para estabelecer a sua propriedade legítima. A Suíça entregou a estátua à embaixada egípcia em Berna no ano passado, mas foi apenas recentemente que o Egipto trouxe o artefacto de volta. In “Swissinfo” – Suíça com “Reuters”


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Portugal - Cavalos-marinhos resgatados em 2022 na Trafaria já foram devolvidos à natureza

Os cavalos-marinhos que em março de 2022 foram recolhidos na zona da baía da Trafaria, no concelho de Almada, e acolhidos no Oceanário de Lisboa, foram devolvidos ao seu habitat natural, foi anunciado.


“A ação decorreu no passado dia 31 de outubro, foi coordenada pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e envolveu o Oceanário, o MARE-ISPA, devidamente licenciados para a translocação dos cavalos-marinhos, e a Câmara Municipal de Almada”, revela o ICNF, em comunicado.

A devolução dos cavalos-marinhos, que tinham sido resgatados na sequência do colapso de um pontão, foi feita em mergulho, na zona da Trafaria, no distrito de Setúbal.

Segundo o ICNF, este núcleo populacional de cavalos-marinhos é das espécies Hippocampus hippocampus e Hippocampus guttulatus.

Após a sua recolha em março, os cavalos-marinhos foram acolhidos pelo Oceanário de Lisboa, onde permaneceram até agora.

A intervenção de 2022, ainda de acordo com o instituto, “permitiu recolher cinco marinhas (Syngnathus acus) e 23 cavalos-marinhos, das duas espécies ocorrentes em Portugal (quatro cavalos-marinhos comuns, Hippocampus hippocampus, e 19 cavalos-marinhos-de-focinho-comprido, Hippocampus guttulatus)”.

“As marinhas, que entretanto se haviam reproduzido, permitiram devolver mais de 100 indivíduos no passado mês de março”, acrescenta o ICNF.

Na nota, o instituto salienta que “as espécies Hippocampus hippocampus e Hippocampus guttulatus têm graves problemas de conservação, necessitando de medidas de proteção específicas e urgentes, o que fez com que já estejam listadas nos anexos da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) e no Regulamento Comunitário, que aplica essa convenção na União Europeia”.

As duas espécies foram também incluídas nos anexos do decreto-lei que aprovou o regime jurídico aplicável à proteção e à conservação da flora e da fauna selvagens e dos habitats naturais das espécies enumeradas nas Convenções de Berna e de Bona, acrescenta ainda o instituto. In “Green Savers” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Camboja - EUA devolvem 30 obras de arte Khmer que tinham sido roubadas


A justiça norte-americana devolveu esta segunda-feira ao Camboja 30 obras de arte Khmer roubadas perto dos conhecidos templos de Angkor e que tinham sido alvo de tráfico internacional para os Estados Unidos.

O procurador federal Damian Williams, responsável pela maior procuradora do país, entregou oficialmente as antiguidades roubadas ao embaixador do Camboja nos Estados Unidos, Keo Chhea, durante uma cerimónia aberta à imprensa. “Celebramos o regresso do património cultural do Camboja ao povo cambojano e reafirmamos o nosso compromisso de reduzir o tráfico ilícito de obras de arte e antiguidades”, sublinhou Damian Williams.

Entre estas 30 peças, encontra-se uma escultura do século X da divindade hindu “Skanda montada em um pavão” e outra do mesmo período do deus Ganesh. As duas obras foram roubadas de Koh Ker, uma antiga capital do Khmer, a 80 quilómetros dos templos de Angkor, segundo a justiça federal norte-americana.

As 30 obras, datadas desde a Idade do Bronze até ao século XII, foram roubadas, como milhares de outras, no final do século XX, durante as guerras no Camboja na década de 1970, seguidas pela reabertura do país na década de 1990.

A justiça federal lembrou também que milhares de estátuas, esculturas e lintéis Khmer foram traficados durante décadas do Camboja para antiquários em Banguecoque, na Tailândia, antes de serem exportadas ilegalmente para colecionadores, empresários e até museus na Ásia, Europa e Estados Unidos. Um destes traficantes, o britânico Douglas Latchford, foi indiciado em 2019 nos Estados Unidos por tráfico de obras de arte, mas a sua morte extinguiu a ação judicial.

A justiça do Estado de Nova Iorque tem promovido uma vasta restituição de obras de arte.

Desde o Verão de 2020 até ao final de 2021, pelo menos 700 peças foram devolvidas a 14 países, incluindo Camboja, Índia, Paquistão, Egito, Iraque, Grécia ou Itália. O coleccionador norte-americano Michael Steinhardt foi obrigado a devolver em 2021 cerca de 180 antiguidades roubadas nas últimas décadas, num valor total de 70 milhões de dólares.

Este acordo entre a justiça dos EUA e Steinhardt, de 80 anos, permitiu que o colecionador escapasse da acusação, embora tenha ficado proibido para toda a vida de adquirir obras no mercado legal de arte.

Angkor, o maior sítio arqueológico do mundo, com 400 quilómetros quadrados, foi a capital do Império Khmer (do século IX ao XIV). Listado como Património Mundial da UNESCO desde 1992, este espaço histórico reabriu aos turistas após dois anos de pandemia. In “Ponto Final” - Macau


 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

França - Parlamento autoriza devolução 'histórica' de arte de Klimt e Chagall a famílias judias

Quinze obras, incluindo pinturas de Gustav Klimt e Marc Chagall, poderão ser devolvidas aos herdeiros de famílias judias saqueadas pelos nazis depois que o parlamento francês autorizou unanimemente a devolução na noite de terça-feira.

Após a votação unânime da Assembleia Nacional no dia 25 de janeiro pelo Senado, - dominado pela direita - a decisão foi validada com aplausos dos herdeiros ou dos seus representantes presentes na tribuna.

"Este é um primeiro passo" porque "obras de arte e livros saqueados ainda são mantidos em coleções públicas. Objetos que... nunca deveriam estar lá", disse a ministra da Cultura Roselyne Bachelot, enquanto a pesquisa sobre a proveniência das coleções tem acelerado.

Congratula-se com uma lei "histórica" ​​pela qual, pela primeira vez em setenta anos, "um governo está a tomar medidas para permitir a restituição de obras de coleções públicas saqueadas durante a Segunda Guerra Mundial ou adquiridas em condições conturbadas durante a ocupação, por causa de perseguições anti-semitas".

Era necessário um projeto de lei parlamentar para anular o princípio da inalienabilidade das coleções públicas.

Senadores de todos os lados saudaram as restituições que vão "na direção do apaziguamento" e do "fim de um processo muito longo".


A senadora Esther Benbassa, historiadora especializada no povo judeu, destacou a importância desta votação "no momento em que alguns tentam reabilitar o regime de Vichy no debate público", em referência a Eric Zemmour, candidato de extrema-direita no Eliseu.

Segundo a relatora Béatrice Gosselin (LR), as espoliações foram "um dos aspectos da política de aniquilação dos judeus da Europa liderada pelo regime nazi" e "sem ser o instigador, o regime de Vichy também colaborou ativamente nesses crimes".

Entre as 15 obras está "Rosiers under the trees" de Gustav Klimt, mantida no Museu d'Orsay, a única obra do pintor austríaco pertencente às coleções nacionais francesas. Foi adquirido em 1980 pelo Estado a um comerciante.

Uma extensa pesquisa estabeleceu que pertencia à austríaca Eléonore Stiasny, que o vendeu durante uma venda forçada em Viena em 1938, durante o Anschluss, antes de ser deportada e assassinada.

Quais as obras de arte estão a ser devolvidas?

Onze desenhos e uma cera conservados no Museu do Louvre, o Musée d'Orsay e o Musée du Château de Compiègne, bem como uma pintura de Utrillo conservada no Musée Utrillo-Valadon ("Carrefour à Sannois"), também fazem parte dos reembolsos esperados.

Uma pintura de Chagall, intitulada "Le Père", mantida no Centre Pompidou e que entrou para as coleções nacionais em 1988, foi adicionada. Foi reconhecida como propriedade de David Cender, um músico e violeiro judeu polaco, que imigrou para a França em 1958.

Para 13 das 15 obras, os beneficiários foram identificados pela Comissão de Indemnização às Vítimas de Espoliação (CIVS), criada em 1999.

A França há muito é acusada de ficar atrás de vários vizinhos europeus quando se trata de reparações.

Uma missão de pesquisa e restituição de bens culturais saqueados entre 1933 e 1945 foi criada no Ministério da Cultura há dois anos.

100 mil obras de arte foram apreendidas na França durante a guerra de 1939-1945, de acordo com o Ministério da Cultura. 60000 mercadorias foram encontradas na Alemanha na Libertação e devolvidas à França. Entre elas, 45000 foram rapidamente devolvidas aos seus donos.

Cerca de 2200 foram selecionadas e confiadas à guarda dos museus nacionais (obras "MNR" que podem ser devolvidas por simples decisão administrativa) e os restantes (cerca de 13000 objetos) foram vendidos pela administração de Propriedades no início da década de 1950. Muitas obras saqueadas voltaram assim ao mercado de arte.

Uma "lei-quadro" poderia facilitar as restituições nos próximos anos. Segundo Bachelot, "chegaremos lá". Euronews com “AFP”


sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Zimbabué – Inicia restituição de terras aos antigos proprietários expropriados

O Zimbabué começou a compensar e a restituir as terras expropriadas a mais de 3500 fazendeiros, na sua maioria brancos, durante as décadas de 1980, 1990 e 2000, pelo antigo Presidente Robert Mugabe, num programa alargado de revigoramento do sector agrícola que visa fazer regressar o país à condição de um dos grandes celeiros de África e com isso ajudar a combater a crise económica em que vive há vários anos


Numa declaração perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, Ziyambi Ziyambi, ministro da Justiça, Assuntos Jurídicos e Parlamentares do Zimbabué, anunciou que Harare vai garantir 3,5 mil milhões de dólares norte-americanos para compensar 3500 agricultores devido à exploração das suas terras desde que estas lhes foram retiradas pelo regime de Robert Mugabe, que declarou os fazendeiros brancos como inimigos a abater nos últimos anos do seu longo "reinado".

Face a uma continuada degradação da economia zimbabueana, que foi, durante décadas, considerado um dos celeiros de África, especialmente vincada na perda de vigor e abandono de milhões de hectares de terras férteis devido à falhada reforma agrária do antigo regime, o actual Presidente, Emmerson Mnangagwa, que substituiu Mugabe, deposto por um golpe militar, em 2017, está a liderar uma "revolução" na agricultura do país que agora ganha corpo com este processo que visa atrair de novo os antigos agricultores e proprietários para as suas terras mediante garantias que englobam as Nações Unidas.

Recorde-se que Mugabe escolheu como trunfo para ganhar o apoio das massas populares declarar guerra aos proprietários brancos, retirando-lhes, pela força, por vezes através de invasões violentas, liderados por antigos elementos da sua ZANU-PF, a força política que liderou na luta pela independência do Reino Unido, conseguida em 1980, mas sem que essa expropriação em larga escala tenha sido concluída integralmente do ponto de vista legal.

E todo esse processo está, finalmente, a ser agora revertido porque, como tem sido admitido publicamente pelo actual Governo de Harare, as expropriações estiveram por detrás de um retrocesso gigantesco no país, levando mesmo a que o Zimbabué tenha e esteja a viver longos períodos de fome severa onde outrora havia fartura e as exportações agrícolas superavam toda a restante economia, incluindo a mineração.

Ao fim de mais de três anos de negociações, o Governo do Presidente Mnangagwa chegou a um acordo, em Julho de 2020, com 3500 agricultores a quem vão ser pagos 3,5 mil milhões USD para os compensar do longo período em que as suas terras estiveram a ser exploradas por terceiros, como o ministro da Justiça, Assuntos Jurídicos e Parlamentares foi explicar a Genebra.

Na imprensa zimbabueana, desde que Robert Mugabe foi deposto, têm.se multiplicado as críticas à sua política agrária, com alguns analistas a não esconderem que foi essa perseguição aos antigos fazendeiros que deu início a um ciclo de desastres que estão por detrás de uma das mais severas crise económica em todo o continente, inclusive com a deterioração da sua indústria do turismo que era um sólido pilar económico do país.

Com estas medidas, o Governo do Presidente Emmerson Mnangagwa espera que sejam levantadas as sanções internacionais impostas por alguns países ocidentais a partir do ano 2000 devido à violação dos Direitos Humanos com a execução da política agressiva de reforma agrária de Mugabe. In “Novo Jornal” - Angola

 


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Portugal - Exemplar "raro" de abutre preto devolvido à liberdade no Douro Internacional

 


O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) devolveu hoje ao Parque Natural do Douro Internacional um exemplar "raro" de abutre negro e dois grifos, tratados por especialistas em aves necrófagas por se encontrarem desnutridos e fracos

“Este é um dia importante para ICNF, ao devolver à liberdade um raro exemplar de abutre-preto ao seu habitat natural, neste caso ao Parque Natural do Douro Internacional, onde existe uma pequena colónia destas aves necrófagas composta por dois casais. Foram, também restituídos à natureza dois grifos”, disse à Lusa a diretora Regional do Norte do ICNF, Sandra Sarmento.

As aves foram devolvidas ao seu ecossistema no miradouro do Carrascalinho, concelho de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança.

O abutre-preto foi recolhido em Fafe (distrito de Braga) pela GNR, provavelmente por se ter “perdido” e ter estado vários dias sem encontrar alimento, sendo transportado e acolhido pelo ICNF no Centro de Recuperação de Fauna Selvagem no Gerês.

A ave esteve em recuperação durante cerca de um mês e meio, com o acompanhamento pelo Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Centro de Interpretação Ambiental e de Recuperação Animal (CIARA), no concelho de Torre de Moncorvo.

Já o grifo foi apanhado em Mogadouro, seguindo os mesmos passos de recuperação.

Segundo a responsável regional do ICNF, em Portugal o abutre-preto conta com uma população de cerca de 35 casais com uma colónia a sul próxima de Barrancos, outra no Parque Natural do Tejo Internacional e, mais a Norte, a pequena colónia do Parque Natural do Douro Internacional.

A responsável do ICNF disse que há um trabalho de acompanhamento de aves rupícolas através do programa ‘Life Rupis’, um projeto teve início em julho de 2015 com uma duração de quatro anos.

Esta iniciativa ibérica teve um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia, cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

“Nesse contexto positivo de recuperação da espécie, ainda que lenta e vulnerável, pretende-se sempre que possível contribuir com a libertação de mais exemplares com a esperança que se possam instalar e juntar à pequena população existente”, indicou.

Com a presente libertação desta ave juvenil, o ICNF pretende contribuir para a conservação desta espécie devolvendo-a à liberdade num dos locais melhor preservados do Parque Natural do Douro Internacional próximo da colónia já existente.

O ‘Life Rupis’ está a terminar em território português e espanhol, mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda, e na área protegida de Arribes del Duero.

Em Portugal existem três tipos de abutre, o grifo, o abutre-do-egito, ou britango, e o abutre-preto, sendo que as duas últimas espécies são as mais ameaçadas e acompanhadas pelo ‘Life Rupis’.

Segundo os estudos realizados por vários organismos ligados à avifauna ibérica, os abutres-pretos extinguiu-se como nidificante em Portugal no início da década de 70 do século XX.

As principais ameaças à sua conservação são a mortalidade por envenenamento ou por colisão ou eletrocussão, o abate ilegal, a redução da disponibilidade de alimento, a degradação do habitat de alimentação e nidificação e a perturbação humana.

O abutre-preto é a maior rapina da Europa, podendo ter uma envergadura de asa de quase três metros. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”