Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de junho de 2025

Portugal - Consórcio liderado pela Universidade de Coimbra recebe financiamento para desenvolver ferramenta digital de suporte à gestão de risco de incêndio

Um consórcio liderado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) recebeu 1,5 milhões de euros para desenvolver um “Gémeo Digital” da floresta, isto é, uma ferramenta digital de suporte à gestão de risco de incêndio.


A Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da FCTUC é a entidade coordenadora do projeto “ForestSphere”, que conta também com a participação do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), as empresas Onesource, Bold Robotics, Sim4Safety e REN, bem como a Comunidade Intermunicipal de Coimbra e a Câmara Municipal da Lousã.

«Um “gémeo digital” consiste numa reprodução, em suporte informático, dos elementos mais relevantes para representar uma dada realidade física, neste caso em concreto, uma floresta, com os componentes e parâmetros requeridos para descrever e modelar os processos físicos para a sua gestão com recursos tecnológicos e humanos», explica Domingos Xavier Viegas, professor emérito da FCTUC e coordenador do projeto.

O projeto ForestSphere, pretende, a partir de dados sensoriais obtidos por diversas fontes, desde satélites, a meios aéreos e terrestres, reconstituir a orografia, o coberto vegetal, as habitações e as estruturas, bem como o ambiente meteorológico, que pode influenciar os incêndios florestais.

De acordo com o especialista, «recorrendo a diferentes modelos, com estes dados numéricos serão simuladas as diversas intervenções relacionadas com a gestão do risco de incêndio, desde a prevenção, ao combate e à recuperação pós-incêndio, replicando virtualmente os processos que decorrem no mundo físico».

Os investigadores esperam, com este projeto, incorporar diversas ferramentas de apoio à decisão que têm sido desenvolvidas pela academia, a nível nacional e internacional, para melhorar a capacidade de interagir no processo de gestão do risco, incluindo no treino dos agentes. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 2 de maio de 2023

Internacional - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde integra consórcio pioneiro para tratar doenças neurológicas

Os investigadores vão desenvolver metodologias para tratar doenças neurológicas associadas à perda de neurónios, intervindo diretamente no cérebro dos doentes


O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) é um dos parceiros de um projeto internacional recentemente financiado com mais de 16 milhões de euros (24 milhões de dólares canadianos) pelo «New Frontiers in Research Fund (NFRF)—Transformation Grant». O objetivo do consórcio, que integra 20 grupos de investigação canadianos e quatro europeus, é desenvolver metodologias para tratar certo tipo de doenças neurológicas associadas à perda de neurónios, intervindo diretamente no cérebro dos doentes, mais especificamente no local onde se verificou a lesão.

Atribuído pelo conjunto das três agências governamentais Canadianas para a investigação – Canadian Institutes of Health Research (CIHR), Natural Sciences and Engineering Research Council (NSERC) and Social Sciences and Humanities Research Council (SSHRC) -, este financiamento tem a duração de seis anos e começou no início de março, sob coordenação do Sunnybrook Research Institute, no Canadá. A equipa do i3S, coordenada pelo investigador Diogo Castro, líder do grupo «Stem Cells & Neurogenesis», irá receber cerca de 750 mil euros.

Apesar de não existir cura para os distúrbios neurológicos associados à disfunção ou perda neuronal, a chamada reprogramação neuronal direta (conversão de outras células em neurónios) é cada vez mais encarada como uma estratégia promissora para “reparar” o cérebro em situações patológicas associadas a perda de neurónios, como por exemplo no caso de doenças neurodegenerativas, ou acidentes vasculares cerebrais.

Na base desta ideia estão resultados encorajadores de experiências desenvolvidas em células em cultura, e que usam proteínas, chamadas fatores de transcrição, para ligar e desligar genes que dão às células características de neurónios.

Reprogramar os neurónios

O desafio, agora, é efetuar a reprogramação neuronal diretamente no cérebro. Para isso, explica o investigador Diogo Castro, “é preciso ultrapassar algumas barreiras”, que o consórcio já identificou como sendo os seus objetivos estratégicos para os próximos seis anos.

Usando, para já, modelos animais, os investigadores vão procurar identificar o conjunto de fatores de transcrição ideal para obter determinados tipos de neurónios (sendo que cada doença está associada à perda de tipos específicos de neurónios); desenvolver metodologias para colocar os fatores dentro das células cerebrais que se quer reprogramar, e encontrar formas de avaliar o sucesso da reprogramação neuronal, por exemplo usando técnicas de imagiologia do funcionamento cerebral.

O objetivo a longo prazo, sublinha Diogo Castro, “é conceber aplicações clínicas para reprogramação neuronal diretamente no cérebro dos pacientes, mais especificamente na zona onde houver perda de neurónios, gerando novos neurónios a partir de células residentes do cérebro adulto, nomeadamente os astrócitos. Mas primeiro é necessário fazermos prova de conceito em modelos pré-clínicos”.

Os astrócitos, explica o investigador, “pela sua plasticidade, abundância e localização, são o candidato ideal para este efeito, já que podem ser convertidos em neurónios com relativa facilidade e se encontram disseminados por todo o órgão”.

O papel do i3S

O grupo de Diogo Castro no i3S tem vindo a desvendar como funcionam os fatores de transcrição envolvidos na geração dos neurónios durante o desenvolvimento embrionário, e que serão os mesmos usados no processo de reprogramação.

No âmbito específico deste consórcio, irá contribuir para o mapeamento dos locais de ligação dos fatores de transcrição ao genoma dos astrócitos, durante a reprogramação neuronal.

Este é um passo importante para se conseguir melhorar este processo, identificando as barreiras naturais existentes, e tornando-o o mais eficiente possível. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 29 de junho de 2021

Portugal - Consórcio português desenvolve dispositivo inovador de proteção para cuidados médicos em contexto de pandemia

Um consórcio que reúne investigadores da Universidade de Coimbra (UC) e do Politécnico de Leiria e a SETsa, Sociedade de Engenharia e Transformação S.A., do Grupo IBEROMOLDES, desenvolveu um equipamento de proteção individual (EPI) inovador, especialmente pensado para a prestação de cuidados médicos em ambientes em que existe um risco acrescido de contaminação biológica, eficaz em contexto de pandemia como a atual COVID-19.

O dispositivo, já com pedido de patente submetido junto do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), foi desenvolvido no âmbito do projeto “MASK4MC – Mask for Medical Care”, liderado pela SETsa e financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização do Portugal 2020.


A grande inovação deste equipamento está na capacidade de reduzir significativamente, para a pessoa que o usa, o «risco de inalação de gotículas e aerossóis contaminados que tenham sido exalados por uma outra pessoa infetada que esteja na proximidade. Trata-se de uma viseira com um sistema de ventilação que cria uma cortina de ar, de forma a promover a vedação aerodinâmica da zona de inalação relativamente às zonas circundantes e impede o embaciamento da viseira (condensação devida à respiração)», afirma o coordenador do projeto, Leonel de Jesus.

Este equipamento é especialmente vocacionado para profissionais de saúde que exercem a sua atividade, durante períodos alargados, em ambientes onde o risco de contágio é elevado, como, por exemplo, os médicos dentistas. «Havendo três modos de transmissão por elementos patogénicos exalados a partir de um paciente infetado (por contacto, por gotas e por aerossóis), a situação de grande proximidade entre as vias respiratórias superiores do médico dentista e do seu assistente da zona de exalação de um paciente, eventualmente infetado e sentado na cadeira do consultório, pode permitir a contaminação através de qualquer um desses modos», explica Manuel Gameiro da Silva, coordenador da equipa da UC.

Este novo equipamento, clarifica o consórcio, foi pensado para ser usado «em conjunto com uma máscara facial garantindo um índice de proteção acrescido e um melhor conforto em termos térmicos e visuais, porque o escoamento da cortina de ar contribui para o fornecimento de ar novo e fresco e para o desembaciamento da superfície interior da viseira».

Por isso, concluem os autores do projeto, foram utilizadas abordagens complementares no processo de desenvolvimento do produto, «tendo-se recorrido a simulações numéricas dos escoamentos, em que foram usados modelos virtuais do EPI e do seu utilizador, e a ensaios experimentais realizados com manequins térmicos e acústicos. No projeto e construção dos protótipos recorreu-se ao desenho assistido por computador e a técnicas de prototipagem rápida por métodos aditivos».

Na Universidade de Coimbra, o projeto envolveu a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) e a Faculdade de Medicina (FMUC). Na equipa de investigação da ADAI, participam docentes e investigadores dos departamentos de Engenharia Mecânica da UC e do Politécnico de Leiria. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 30 de maio de 2021

Portugal - Consórcio disposto a comprar a Coelima

Um consórcio com sede em Guimarães quer comprar a têxtil Coelima, que soma mais de 250 trabalhadores e apresentou a insolvência em abril, lê-se na proposta que deu entrada no tribunal, a que a Lusa teve acesso


Entre outros pontos, a proposta que deu entrada no Tribunal de Comércio de Guimarães, no distrito de Braga, tem como condição a manutenção dos postos de trabalho, bem como a assunção dos direitos e antiguidade dos trabalhadores.

“Como demonstração séria do interesse deste consórcio na viabilidade da presente proposta, este consórcio apresenta ainda a disponibilidade de adiantamento imediato do montante que segundo a anterior administração provisória da insolvente será necessário para manter a empresa insolvente em funcionamento durante o mês de junho, cujo valor acresce a quantia de 200 mil euros”, lê-se na proposta.

No texto é ressalvado, no entanto, que “a manutenção dos postos de trabalho dos cargos de direção fica sujeita à condição de uma avaliação prévia das suas competências para o exercício das referidas funções e da necessidade da sua manutenção”.

O consórcio que pretende adquirir a Coelima, têxtil de Guimarães que completa 100 anos no próximo ano, é composto pelas sociedades RTL, SA e José Fontão & Cia, Lda.

Na proposta, os proponentes a investidores pedem a “transmissão definitiva do estabelecimento da insolvente (…) com todo o seu ativo”, o que inclui bens, marcas, maquinaria e carteira de clientes.

O consórcio compromete-se a pagar os créditos à Autoridade Tributária, Segurança Social e créditos bancários em prestações mensais.

São condições deste grupo de empresas que a Coelima se mantenha em funcionamento, a preservação da carteira de clientes, bem como da equipa que compõe o departamento comercial atual.

Também é exigido que a administração cessante apresente um conjunto de documentos “imprescindíveis para a elaboração de um plano de negócios” a elaborar em 30 dias após a receção.

“A presente proposta tem como fim único manter viva a empresa e a marca Coelima, empresa centenária, histórica e que alberga mais de 250 famílias através dos seus trabalhadores”, conclui a proposta.

A Coelima – Indústrias Têxteis apresentou-se à insolvência em 14 de abril, na sequência da quebra de vendas “superior a 60%” provocada pela pandemia e da não aprovação das candidaturas que apresentou às linhas de apoio devido à covid-19.

“A empresa decidiu avançar com o pedido de insolvência, fruto da situação criada pela pandemia, que provocou uma forte redução das vendas e uma pressão sobre a tesouraria insustentável”, adiantou, na altura, à agência Lusa fonte oficial da têxtil.

O anúncio da sentença de declaração de insolvência foi publicado em 22 de abril, com a empresa a apresentar um passivo de perto de 30 milhões de euros e cerca de 250 credores no final de 2020.

Na quarta-feira, a administração da têxtil Coelima anunciou que não vai apresentar um plano de insolvência com vista à recuperação da empresa, por não estarem “reunidas as condições que permitam assegurar a manutenção da exploração”.

“Ao longo das últimas semanas, a Coelima trabalhou ativamente no sentido de reunir os apoios necessários à sua recuperação e à viabilização da implementação de um plano de insolvência. Apesar de todo o empenho e trabalho desenvolvido, não foi possível à Coelima conseguir o compromisso das várias partes envolvidas tendo em vista a apresentação de um plano, pelo que a decisão sobre o futuro da empresa caberá aos seus credores”, avançou fonte oficial da empresa à Lusa.

Na petição de apresentação à insolvência, a têxtil, com 253 trabalhadores, tinha requerido ao tribunal que lhe fosse atribuída a administração da massa insolvente, tendo-se então “comprometido a apresentar um plano de insolvência que previsse a manutenção da exploração da atividade da empresa”.

Constituída em 1922 e uma das maiores produtoras de roupa de cama, a têxtil de Guimarães integra o grupo MoreTextile, que em 2011 resultou da fusão com a JMA e a António Almeida & Filhos e cujo acionista principal é o Fundo de Recuperação gerido pela ECS Capital. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 19 de abril de 2021

Portugal - Empresa da Universidade de Coimbra obteve financiamento para inovar no tratamento da doença coronária

Um consórcio liderado pela ICNAS-Produção, empresa da Universidade de Coimbra (UC), obteve meio milhão de euros de financiamento do programa COMPETE 2020 para concretizar um projeto de investigação, intitulado “BioImage2CTO”, que pretende desenvolver novos biomarcadores de imagem que permitam melhorar o tratamento da doença coronária, uma das principais causas de morte a nível mundial.

Mais especificamente, o consórcio, que envolve também a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e a Universidade do Minho (UMinho), vai centrar-se nas oclusões coronárias crónicas totais (CTO, na sigla inglesa), que são encontradas em cerca de 18 a 35% dos pacientes com doença coronária estável.

As oclusões coronárias crónicas totais caracterizam-se pela obstrução completa (100%) das artérias coronárias, responsáveis pelo fornecimento de oxigénio e nutrientes ao coração. A oclusão destas artérias pode impedir o coração de funcionar normalmente e condicionar o aparecimento de sintomas de insuficiência cardíaca e angina de peito.

Por isso, sublinha a coordenadora do projeto, Maria João Vidigal, «o sucesso do tratamento das CTO reflete-se na qualidade de vida e sobrevivência dos doentes com doença coronária». Atualmente, a terapêutica preferencial, esclarece, «de acordo com as recomendações internacionais sempre que associadas a sintomas e isquemia, é a revascularização percutânea (efetuada através de cateterismo cardíaco) ou cirúrgica, quando possível. No entanto, estudos já realizados, neste contexto, não conseguiram corroborar claramente as vantagens deste procedimento sobre a terapêutica médica otimizada».

Assim, o grande objetivo do projeto, com a duração de dois anos, é «investigar, desenvolver e validar novos biomarcadores na área da imagem molecular que permitam a estratificação do risco, bem como o tratamento apropriado dos doentes CTO. Trata-se de um projeto inovador na área da saúde que se propõe melhorar, e individualizar, práticas clínicas já consideradas de excelência, indo ao encontro de uma medicina personalizada», explica a investigadora do ICNAS e docente da FMUC.

Para que tal seja possível, a equipa do “BioImage2CTO” vai explorar as alterações da perfusão miocárdica, nomeadamente a extensão da área de miocárdio isquémico/viável, que ocorrem perante uma situação de CTO. Essas alterações, clarifica Maria João Vidigal, «são condicionadas por múltiplos fatores que se associam à obstrução coronária, entre os quais se pode destacar o desenvolvimento de circulação colateral, angiogénese, e a disfunção endotelial».

«Embora a angiogénese seja um processo complexo, a sua relação com a expressão de integrinas v3 na membrana celular já foi demonstrada. No entanto, a relação entre a presença de circulação colateral numa CTO e o benefício da revascularização parece fundamental, mas ainda não foi explorada de forma plena. Com este projeto pretende-se desenvolver um novo marcador, de seletividade melhorada para as integrinas v3, que possa ajudar a caracterizar in vivo o processo de angiogénese coronária», explica.

Em paralelo, este estudo visa «poder disponibilizar metodologia de caracterização das CTO, através da utilização de PET-CT (Tomografia por Emissão de Positrões-Tomografia computadorizada), que permita incluir, na abordagem habitual desta situação clínica, novos parâmetros de imagem que facultem uma seleção melhorada de cada doente para revascularização, procedimento não isento a riscos e com custos significativos», acrescenta.

A identificação de novos biomarcadores e o desenvolvimento de metodologias clínicas que permitam selecionar a melhor abordagem terapêutica para cada paciente irão permitir, no futuro, «otimizar a orientação dos doentes com doença coronária, em particular daqueles com oclusões coronárias crónicas. Pretende-se que estas tecnologias sejam amplamente utilizadas na comunidade clínica, tendo seguramente um grande impacto ao nível do diagnóstico não invasivo de doenças cardiovasculares», sustenta Maria João Vidigal.

A coordenadora do projeto “BioImage2CTO” nota ainda que a prevalência da doença coronária tem vindo a aumentar, «consequência da adoção de estilos de vida pouco saudáveis e do envelhecimento progressivo da população, sendo consideráveis os custos envolvidos com o seu diagnóstico e tratamento». Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Europa - Consórcio europeu desenvolve teste inovador para prever o impacto da COVID-19 no coração

 

Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e do Centro para a Inovação em Biotecnologia e Biomedicina (CIBB), liderada por Lino Ferreira, integra um consórcio europeu que pretende desenvolver um novo teste de diagnóstico para identificar pacientes COVID-19 que correm o risco de desenvolver complicações cardiovasculares fatais.

Intitulado “COVIRNA - Um teste de diagnóstico para melhorar a vigilância e o tratamento de pacientes COVID-19”, o projeto é liderado pelo Instituto de Saúde do Luxemburgo (LIH, na sigla inglesa) e junta 15 parceiros das áreas da saúde, academia e indústria de 12 países europeus (Alemanha, Bélgica, Bósnia, Eslovénia, Espanha, França, Holanda, Hungria, Itália, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido).

O projeto, que acaba de arrancar, tem a duração de dois anos e conta com um financiamento de 3,9 milhões de euros da União Europeia (UE) no âmbito do plano de ação ERAvsCorona, que promove a cooperação entre instituições de investigação europeias para fortalecer a resposta à pandemia.

O grupo de investigadores da UC participa no projeto em duas fases distintas. Na primeira fase, e em estreita colaboração com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), vai recolher «amostras de sangue de pacientes diagnosticados com COVID-19, que depois serão analisadas no sentido de identificar biomarcadores que permitem antecipar o impacto cardíaco da doença de COVID-19», explica Lino Ferreira, adiantando que, num segundo momento, a equipa da UC será responsável por «desenvolver terapias para atenuar o impacto da COVID-19 no coração».

O consórcio espera fornecer «um teste de diagnóstico que estratificará os pacientes COVID-19 de acordo com o seu nível de risco de desenvolver doenças cardíacas, permitindo à equipa médica selecionar a terapêutica mais adequada para tratar os doentes», salienta Lino Ferreira. Além disso, assinala ainda o investigador do CIBB da UC, no âmbito do projeto, «serão também desenvolvidos tratamentos inovadores para atenuar o impacto da COVID-19 no coração».

O projeto tem como objetivo final (ao fim dos dois anos) colocar no mercado o kit de diagnóstico. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Europa - Consórcio quer promover as Geociências Planetárias

Criar um mestrado Erasmus Mundus em Geociências Planetárias é o objetivo do projeto “GeoPlaNetSP”, que reúne em consórcio várias universidades europeias, nomeadamente as universidades de Coimbra, Porto, Nantes, Pádua e Chieti/Pescara.

Para criar as condições para ter o novo mestrado a funcionar no ano letivo 2022/2023, o consórcio vai estreitar e aprofundar relações através da criação, utilização e partilha de tecnologias inovadoras no ensino de geociências planetárias, voltadas para o fortalecimento da excelência académica nesta área do conhecimento.

Para tal, obteve um financiamento de 263 mil euros da União Europeia no âmbito do programa “Erasmus+ Strategic Partnership for higher education”. Esta verba vai permitir o intercâmbio de professores e alunos, «para atividades letivas integradas nas formações de mestrado já existentes em cada uma das instituições parceiras. As atividades, que envolvem igualmente a ESA [Agência Espacial Europeia] e empresas locais de tecnologia para o espaço, têm como temas principais a empregabilidade e práticas inovadoras de ensino na área das ciências do espaço, assim como habitabilidade e mapeamento geológico em análogos planetários», afirmam Alexandra Pais, Fernando Carlos Lopes, João Fernandes e José Pinto da Cunha, docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) envolvidos no projeto.


Os docentes sublinham que as geociências planetárias visam essencialmente o conhecimento dos planetas do sistema solar, «em particular os planetas que são rochosos como a Terra (Mercúrio, Vénus e Marte), bem como os respetivos satélites naturais. Neste âmbito, são adaptadas a esses astros as técnicas e tecnologias usadas na Terra. Assim, as Geociências Planetárias oferecem uma possibilidade de testar modelos de formação do sistema solar e de alcançar um conhecimento mais integrado sobre a composição, estrutura e evolução dos planetas».

Por outro lado, acrescentam, «num tempo em que se perspetiva (numa escala de tempo inferior a um século) a realização de viagens interplanetárias tripuladas, a preparação dessas missões necessitará a montante do conhecimento profundo da natureza dos planetas que desejarmos visitar». 

O projeto “GeoPlaNet-SP” tem ainda a colaboração de uma empresa francesa de base tecnológica - VR2Planets -, que trabalha na área da realidade virtual, e está inserido numa rede mais alargada que congrega duas dezenas de instituições e laboratórios de investigação de 16 países. Esta rede, que nasceu em 2017, por iniciativa do Laboratoire de Planétologie et de Géodynamique da Universidade de Nantes, centra-se na interação e colaboração entre investigadores na promoção das geociências planetárias (na Europa) e nela se integra desde o início o Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC).

A participação da UC neste consórcio tem por base o plano de estudos do Mestrado em Astrofísica e Instrumentação para o Espaço e a participação de empresas tecnológicas ligadas ao espaço, com as quais este mestrado tem vindo a colaborar. Universidade de Coimbra - Portugal



segunda-feira, 27 de abril de 2020

Internacional – Universidade de Coimbra lidera consórcio para estudo pioneiro sobre a resiliência psicológica durante a pandemia COVID-19

A Universidade de Coimbra (UC) lidera um consórcio internacional que vai estudar a compaixão, conexão social e resiliência perante o trauma durante a pandemia COVID-19.

Coordenado por Marcela Matos, do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), este estudo, pioneiro pelo foco da análise e pela abrangência multicultural da equipa de investigadores e da população-alvo, envolve investigadores de 18 países de todo o mundo - Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Dinamarca, Eslováquia, Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Japão, Argentina, Chile, Colômbia, Perú, Uruguai, México e Brasil -, provenientes de instituições académicas, empresas e organizações sem fins lucrativos, como a The Compassionate Mind Foundation (Reino Unido).

Considerando que a crise associada à COVID-19 tem efeitos nefastos tanto na saúde física quanto na saúde mental das pessoas em todo o mundo, o objetivo, explica Marcela Matos, «é examinar o impacto psicológico desta pandemia e compreender que fatores podem ser protetores contra as suas consequências negativas ao nível da saúde mental».

«Pretende explorar, ao longo do tempo e em diferentes países/culturas, os efeitos da pandemia COVID-19 na nossa sensação de segurança e ligação aos outros, sintomas psicopatológicos (como a ansiedade, depressão e trauma), procurando determinar de que modo as pessoas lidam com esta situação e se a mesma pode ser fonte de crescimento pessoal pós-traumático. Um dos aspetos mais inovadores consiste na investigação do possível efeito protetor da compaixão e da autocompaixão», explicita a coordenadora do consórcio.

A compaixão «tem sido definida como a sensibilidade ao sofrimento no próprio e nos outros, capaz de gerar esforços concretos para aliviar ou prevenir esse mesmo sofrimento. Este projeto investigará, de modo transcultural, se a compaixão desempenha um papel protetor relevante na atenuação dos efeitos nocivos da pandemia na saúde mental dos indivíduos», acentua.

Este estudo tem como população-alvo indivíduos da população geral (com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos), profissionais de saúde e pessoas em cargos de chefia em empresas e instituições. A participação envolve o preenchimento anónimo e confidencial de um questionário online.

Mais informações sobre o projeto e como participar podem ser encontradas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal

domingo, 11 de agosto de 2019

Lusofonia - Escolas de engenharia portuguesas unem-se para reforçar impacto no mundo lusófono

Com a presença da Universidade de Aveiro (UA), um Consórcio que une seis das principais Escolas de Engenharia portuguesas numa estratégia conjunta e com vista para o mundo e o futuro - e tendo para já como foco os países de língua portuguesa- foi anunciado a 24 de julho, numa cerimónia presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor



O evento contou com os representantes das seis escolas de Engenharia, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) que se junta a esta colaboração. O Consórcio (CEE) reúne o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT Nova) e a UA. A colaboração assume linhas de ação comuns em vários domínios, nomeadamente na contribuição para a excelência no ensino, na investigação e inovação.

Segundo Paulo Vila Real, que acompanhou a criação do Consórcio por parte da UA, “a qualidade do ensino, da investigação e o número de alunos na área das Engenharias, permitiu à UA associar-se aos seus membros fundadores. A participação da UA nesta iniciativa, permitir-lhe-á aprofundar a cooperação com os membros do Consórcio, contribuindo de maneira relevante para a formação de quadros, docentes e investigadores dos países de língua portuguesa. Os decisores políticos passarão a dispor de um interlocutor que contribua para as reflexões e decisões de políticas de educação e investigação na área das engenharias”.

“Formar docentes e investigadores dos países de língua portuguesa, capacitando-os da melhor forma para os desafios do futuro e para as lideranças que poderão exercer” é um importante objetivo deste consórcio, de acordo com João Falcão e Cunha, diretor da FEUP. Prova disso mesmo serão as 20 bolsas de doutoramento atribuídas anualmente ao consórcio, a serem atribuídas por concurso, e que estarão já disponíveis a partir do próximo ano letivo.

A ideia vem sendo trabalhada pelos representantes das escolas de Engenharia há algum tempo, cientes das mais-valias que residem nesta colaboração. “Como se costuma dizer a união faz a força e conjuntamente temos uma capacidade de ensino, inovação e investigação muito maior”, salienta o professor João Falcão e Cunha, que foi nomeado diretor executivo do consórcio. “Queremos, com este consórcio, que a Engenharia tenha, cada vez mais, um maior impacto na sociedade e na economia portuguesas, e o reforço da formação é um investimento fundamental para atingirmos esse objetivo”, acrescenta o diretor da FEUP.

Os resultados deste Consórcio tornar-se-ão visíveis já em setembro, com a abertura de concursos para os estudantes de doutoramento. “O que vamos propor é que esse conjunto de alunos, apesar de serem distribuídos pelas várias escolas, sejam acompanhados e se mantenha o contacto entre eles para que se criem laços que no futuro podem vir a ser importantes como forma de ligar as escolas e empresas em que vão trabalhar”, salienta o professor Arlindo Oliveira, membro da Comissão Executiva. Além das bolsas, está previsto que sejam, também, celebrados anualmente, e no âmbito das mesmas, dois contratos para investigadores doutorados.

O MOOC “Astrolábio” que versará sobre a área de Sistemas de Informação e Engenharia de Software é outro dos produtos resultantes deste Consórcio.  O curso de ensino à distância conta com o contributo das seis escolas da Engenharia e estará disponível a partir de janeiro de 2020. “Este é também um contributo importante, e identificámos esta área das tecnologias de informação como sendo uma das mais relevantes nos dias que correm”, explica o professor Arlindo Oliveira.

O Centro UNESCO, com a designação de Ciência LP – Centro Internacional para a Formação Avançada em Ciências Fundamentais de Cientistas oriundos dos Países de Língua Portuguesa, também apresentado hoje pela FCT, é um reforço e simultaneamente um pilar dos objetivos do CEE. O mesmo tem como objetivo dar formação avançada aos cientistas, numa primeira fase de língua portuguesa, e se as necessidades identificadas assim o justificarem em outras línguas. O objetivo é melhorar a capacidade de investigação e de educação dos candidatos que vêm destes países. As bolsas de doutoramento e a contratação de investigadores por parte dos consórcios serão feitas em articulação com o Centro UNESCO.

A sessão da assinatura do Consórcio contou também com a presença da ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Maria do Rosário Sambo, do ministro da Educação Nacional e Ensino Superior da Guiné-Bissau, Daurtarin Costa e da ministra da Educação, Família e Inclusão Social de Cabo Verde, Maritza Rosabal Peña.

Aproveitando o momento e a sua essência foi também assinado um protocolo de cooperação entre a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e o Consórcio de Escolas de Engenharia (CEE) para “estimular a modernização progressiva e a reestruturação do ensino da engenharia no contexto universitário europeu”. In “Universidade de Aveiro” - Portugal

quarta-feira, 29 de maio de 2019

União Europeia – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra participa em consórcio europeu que pretende industrializar a impressão 3D de metais



Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por Pedro Neto, desenvolveu um sistema de geração automática de programas de robô para a fabricação de peças de metal de geometria complexa pelos processos de manufatura aditiva (vulgarmente designada impressão 3D).

Este sistema foi criado no âmbito do INTEGRADDE (Intelligent data-driven pipeline for the manufacturing of certified metal parts through Direct Energy Deposition process), um mega projeto europeu que recebeu um financiamento de 16 milhões de euros do programa Horizonte 2020 da União Europeia.

Liderado pela Asociación de Investigación Metalúrgica del Noroeste - Centro Tecnológico AIMEN, de Espanha, o projeto INTEGRADDE foca-se precisamente na incorporação da manufatura aditiva de componentes metálicos de médio e grande porte no ambiente industrial europeu, especialmente nas indústrias aeronáutica, aeroespacial, metalomecânica e metalúrgica. Para atingir este ambicioso desígnio do novo paradigma da Indústria 4.0, o projeto junta em consórcio 26 parceiros de 11 países (Alemanha, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia).

Pedro Neto explica que, ao contrário do que acontece na manufatura aditiva de plástico, «que está hoje relativamente bem estabelecida, por exemplo na fabricação de protótipos, a manufatura aditiva de metal ainda está numa fase de desenvolvimento. As soluções existentes apresentam custos elevados (mão de obra especializada e equipamentos)».

Por isso, «é grande a necessidade de robotização do processo para que este seja mais eficiente, quer em termos de custo, quer na qualidade dos componentes produzidos. A manufatura aditiva de metais possibilita o fabrico de componentes estruturais (em diversos tipos de metais) com geometrias complexas e impossíveis de realizar por outro processo. A título de exemplo, podemos fabricar componentes com cavidades internas e com menor massa», destaca o docente e investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC.

O sistema agora criado pela equipa de Coimbra, e que será integrado na estratégia global das tecnologias que resultarão do INTEGRADDE, «fornece as trajetórias que o robô deve executar, extraídas a partir de modelos 3D dos componentes a produzir. O método desenvolvido permite a fabricação de componentes com geometrias complexas de forma automática, reduzindo drasticamente os tempos de programação dos robôs e parametrização do processo. Além disso, este novo sistema apresenta um carácter genérico que pode ser aplicado em qualquer robô e nos diversos processos de manufatura aditiva de metal» detalha Pedro Neto.

Prevê-se que a robotização da impressão 3D de metais «conduza a grandes vantagens competitivas para a indústria reduzindo custos de produção, aumentado a flexibilidade dos sistemas produtivos e permitindo a fabricação de componentes com geometrias complexas. Para se ter uma ideia, prevê-se um aumento de 25 por cento na velocidade de produção de componentes complexos em pequenos lotes», conclui.

Os resultados do projeto INTEGRADDE vão ser demonstrados em cinco empresas parceiras do consórcio, dos setores aeroespacial, metalomecânico, moldes, metalúrgico e de construção civil. Mais informação sobre o projeto INTEGRADDE está disponível aqui. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Timor-Leste - Já detém participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise



Singapura - Representantes timorenses e das petrolíferas ConocoPhillips e Shell assinaram, em Singapura, o documento final que concretiza a compra por Timor-Leste de uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise, no mar de Timor.

O documento foi assinado por Xanana Gusmão, em nome de Timor-Leste, pelo presidente da ConocoPhillips Australia, Chris Wilson, e pela vice-presidente da Shell Australia, Cecile Wake, numa curta cerimónia num escritório de advogados, 24 horas depois de os 650 milhões de dólares (575 milhões de euros) do negócio serem transferidos para as petrolíferas.

"Apesar de serem negociações complexas, conduzidas num ambiente de respeito mútuo e cooperação, conseguimos chegar a um acordo, primeiro com a Conoco e depois com a Shell para comprar 56,56% dos campos de Sunrise", disse Xanana Gusmão na cerimónia.

"Hoje podemos dizer que alcançámos os objetivos, conseguimos concluir os dois acordos, que beneficiam não apenas os vendedores, mas Timor-Leste e os restantes parceiros no projeto Sunrise", frisou o representante especial do Governo para os temas de petróleo e gás.

A cerimónia foi essencialmente simbólica, já que equipas das duas partes verificaram e assinaram os complexos documentos do negócio na segunda-feira, transferindo depois os 350 milhões de dólares para a Conoco e os 300 milhões para a Shell.

"Hoje completamos a compra pelo Governo de Timor-Leste da participação de 30% da ConocoPhilips Australia e dos 26,56% de participação da Shell Australia nos campos de Greater Sunrise", lê-se na página assinada.

Segundo o documento, as participações da ConocoPhilips Australia e da Shell Australia que foram compradas incluem "a participação nos Contratos de Partilha de Produção (PSC) 03-19 e 03-20 dentro da Zona Conjunta de Desenvolvimento Petrolífero (JPDA) e as leases de retenção NT/RL2 e NT/RL4 emitidas pela Austrália".

Formalmente, a participação foi adquirida pela petrolífera timorense Timor Gap, através de quatro subsidiárias criadas especialmente para este negócio.

Com a concretização do negócio, acordado no ano passado com as petrolíferas, Timor-Leste assume uma participação maioritária de 56,6% no consórcio do projeto, que inclui ainda a petrolífera australiana Woodside, como operadora, e a Osaka Gas.

Estes são acordos "históricos", como recordou hoje Xanana Gusmão, e que agora abrem as portas para o desenvolvimento dos campos petrolíferos e de gás natural.

"Agora começa um novo período em que temos de encontrar a melhor solução para desenvolver o Sunrise de forma benéfica para todos e que contribua para o desenvolvimento do nosso povo e da nossa nação", disse.

O presidente da ConocoPhillips, Chris Wilson, saudou a conclusão da operação, afirmando que, apesar das diferenças de opinião sobre o modelo de negócio, as duas partes se respeitaram.

"A Conoco e Timor-Leste trabalharam juntos para tentar desenvolver Timor-Leste. Não estávamos alinhados na estratégia de desenvolvimento. Mas repetíamos sempre a opinião um do outro", disse.

"Respeitamos a escolha de Timor sobre o conceito de desenvolvimento e Timor respeitou o nosso desejo de fazer esta oferta de comprar a nossa participação", acrescentou, referindo que a empresa vai continuar como operador no campo Bayu Undan e "continuar a tentar maximizar os benefícios para Timor-Leste".

Esta foi também a postura da vice-presidente da Shell Australia, Cecile Wake, que considerou que o dia era "muito importante para Timor-Leste", mas deixava um ligeiro sabor "amargo" à Shell, que esteve ligada ao projeto "desde as primeiras perfurações em 1974".

"As amizades que se formam em jornadas longas e difíceis podem ser as mais fortes e perduram no tempo. [...] A amizade que fizemos com Timor-Leste e com parceiros do Sunrise vão perdurar no tempo. Respeitamos as aspirações do povo de Timor-Leste e desejamos todo o êxito no projeto", sublinhou.

Numa recente entrevista à Lusa, o presidente e diretor executivo da Timor Gap, Francisco Monteiro, disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero (FP) para financiar os custos de capital (CAPEX) de até 12 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 11 mil milhões de euros) para o desenvolvimento do projeto do gasoduto para Timor-Leste e processamento na costa sul.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares (24,7 mil milhões de euros), explicou o responsável. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sexta-feira, 29 de março de 2019

Brasil - Consórcio luso-brasileiro desenvolve tratamento inovador para feridas de pele



Um tratamento inovador e mais econômico para úlceras de pressão, feridas de pele provocadas pela diminuição de circulação sanguínea, está sendo desenvolvido por acadêmicos do Brasil e Portugal.

Professores do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), em equipe coordenada pela professora Ana Angélica Macedo, do IFMA Campus Imperatriz, esteve reunida em Coimbra até 7 de fevereiro para realizar as primeiras análises laboratoriais.

O projeto “Preparação e Caracterização de Hidrocolóide obtido a partir de Galactomanana Reticulada para Aplicações em Úlceras de Pressão” foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA) e será desenvolvido até junho de 2020.

As úlceras de pressão são habitualmente tratadas com hidrocolóides – curativos que fazem a regeneração da pele e que são produzidos com material de alto custo, explicou Ana Angélica Macedo.

O objetivo do consórcio luso-brasileiro é encontrar uma solução mais econômica por meio da extração de polissacarídeo da semente Adenanthera pavonina L., segundo a pesquisadora do IFMA. Só no final da investigação será possível quantificar a economia que este método pode representar, mas a utilização de “material vegetal biodegradável, abundante e de baixo custo” permite antecipar que os custos de produção serão reduzidos comparativamente aos métodos existentes.

“O objetivo principal, é que, no final, tenhamos um produto inovador e eficaz para úlceras de pressão para patentear e comercializar”, informou Ana Angélica Macêdo.

Parceria portuguesa

“Complementando os recursos existentes nas diferentes instituições de ensino superior, a investigação é mais célere e produtiva”, afirmou o professor Fernando Mendes, da ESTeSC, justificando assim a parceria Brasil-Portugal.

O consórcio “caracteriza bem a investigação científica nos dias de hoje: multidisciplinar e transnacional, com diferentes conhecimentos, competências e aptidões, a trabalhar em conjunto para encontrar soluções para problemas na área da saúde, e com forte impacto no indivíduo e na sociedade”, complementou.

A pesquisa reúne uma equipe de especialistas multidisciplinar, composta por três professores brasileiros (Ana Angélica Macedo e Rafael Mendonça de Almeida, do IFMA, e Cléber Cândido Silva, da UFMA), cinco estudantes bolsistas, sendo três deles do Maranhão (Gabriel Sá de Sena e Lucas Ribeiro de Sousa, do IFMA, e Romicy Dermondes Souza, da UFMA), além de quatro professores da ESTeSC: Ana Paula Fonseca e Jorge Balteiro (Departamento de Farmácia), Fernando Mendes (Ciências Biomédicas Laboratoriais) e Filipe Amaral (Ciências Complementares). In “Mundo Lusíada” - Brasil

terça-feira, 13 de novembro de 2018

São Tomé e Príncipe - Consórcio Total / Sonangol com contrato para explorar petróleo

O consórcio Total/Sonangol foi escolhido para explorar com o Governo de São Tomé e Príncipe o bloco 1 na Zona Económica Exclusiva são-tomense, no âmbito de um contrato de partilha de produção, anunciou o director da Agência Nacional de Petróleos (ANP) de São Tomé, Orlando Pontes



Segundo o responsável, o compromisso entre o Executivo são-tomense e o consórcio Total/Sonangol será assinado "dentro de algumas semanas" e prevê a exploração de poços em outros blocos, já a partir do próximo ano.

Falando aos jornalistas à saída de um encontro com o primeiro-ministro de São Tomé, Patrice Trovoada, Orlando Pontes adiantou que o governante já está a par desse acordo.

"Nós lançámos, há uns meses, um concurso restrito para a exploração do bloco 1. Viemos informar o senhor primeiro-ministro que vamos anunciar o início das negociações para a assinatura do contrato com o consórcio Total/Sonangol para o bloco 1 na nossa zona exclusiva", clarificou o director da ANP, citado pela agência Lusa.

Orlando Pontes acrescentou que o dossiê do petróleo de São Tomé e Príncipe atravessa uma "fase importante", com o país a "atrair as grandes empresas" petrolíferas.

"No princípio desta semana, a Shell anunciou que vai entrar em quatro blocos em São Tomé e Príncipe, por isso estamos numa fase em que as grandes empresas manifestam os seus interesses. Já temos três: a BP, a Shell e a Total", explicou o responsável. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

São Tomé e Príncipe - Consórcio norte-americano e britânico negoceia dois blocos de petróleo

São Tomé – As autoridades petrolíferas são-tomenses e consórcio formado pela britânica British Petroleum “BP” e a norte-americana Kosmos Energy vão iniciar “nos próximos dias as negociações”, visando, a prospeção de dois blocos de petróleo no mar são-tomense – anunciou o director da Agência Nacional de Petróleo, Orlando Pontes.

Através de um comunicado Pontes explicou que a abertura das negociações surge do direito de prospeção adquirido pelo consórcio formado pela britânica Exploration Operating “BP” e pela norte-americana Kosmos Energy que venceu o concurso “restrito” lançado pela Agência Nacional de Petróleo referente aos blocos números 10 e 13 da Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe.

“A Agência Nacional do Petróleo informa que no âmbito do concurso restrito nº1 e 2/2017, relativo aos blocos nº 10 e 13 da Zona Económica Exclusiva de STP, após a avaliação das propostas apresentadas, o consórcio BP Exploration Operating Company Limited e a Sociedade Kosmos Energy saiu vencedor”- lê-se no comunicado.

A Agência Nacional de Petróleo acrescenta em seu comunicado que “dará início nos próximos dias, as negociações com o referido consórcio com vista a assinatura do Contrato de Partilha de Produção de petróleo e gás” dos supracitados blocos petrolíferos.

Numa Zona Económica Exclusiva, ZEE com cerca de 129 mil kms quadrados, repartidos em 19 blocos, São-Tomé e Príncipe prevê efectuar a sua primeira perfuração em 2019 de acordo com os estudos sísmicos da Kosmos Energy, que detém maioritariamente os blocos 5, 6,11 e 12 da zona considerada rica em petróleo e gás. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “Agência STP-Press”

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Lusofonia - Consórcio vai realizar estudo sobre o ensino do português como língua de herança

O consórcio é composto pelo Camões, IP e pelas universidades de Lisboa, Nova de Lisboa, Porto, Minho, Lancaster (Reino Unido) e Tübingen (Alemanha). No seu âmbito, vão ser estudados durante cinco anos, cerca de 300 mil textos de alunos que aprendem Português como língua de herança

Um consórcio criado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, IP) e por seis universidades, quatro portuguesas e duas estrangeiras, vai criar o primeiro ‘corpus’ (coleção de textos) mundial de Português Língua de Herança.

O consórcio é composto pelo Camões, IP e pelas universidades de Lisboa, Nova de Lisboa, Porto, Minho, Lancaster (Reino Unido) e Tübingen (Alemanha).

No seu âmbito, vão ser estudados durante cinco anos, cerca de 300 mil textos de alunos de português no estrangeiro.

A universidade de Lancaster será a responsável pelos projetos de investigação a desenvolver no âmbito do protocolo.

O ‘corpus’ vai reunir cinco ou seis textos redigidos por ano pelos mais de 70 alunos que aprendem português como língua de herança em todo o mundo, num total de “200 a 300 mil” trabalhos, explicou Patrick Rebuschat, da Universidade de Lancaster, na sessão de formalização do consórcio, que decorreu na sede do Camões, IP, em Lisboa.

Entre os objetivos desta parceria está a elaboração de um estudo sobre a motivação de alunos e pais para a aprendizagem do Português, a realizar a partir de inquéritos e entrevistas, num trabalho de recolha que será assegurado pela rede de coordenadores do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE), tanto da rede oficial, como da particular.

Onde não houver coordenações de ensino, a recolha será assegurada pelos postos consulares e diplomáticos.

Atualmente, há no estrangeiro mais de 72 mil alunos a aprenderem português como língua de herança, enquanto o português como língua segunda conta com mais de 113 mil estudantes.

“Este estudo vai permitir descrever detalhadamente o Português Língua de Herança e compará-lo com o Português Língua Não Materna”, sublinhou Patrick Rebuschat.

Para o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas o “primeiro grande objetivo” deste consórcio “é estudar o perfil dos alunos e das suas famílias – um estudo de contexto – tendo em vista aperfeiçoar os conteúdos dos materiais didático-pedagógicos quer a própria formação de professores”.

José Luís Carneiro voltou a referir que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem “duas prioridades que caminham juntas”, referindo que “o objetivo de integração da língua nas estruturas curriculares dos países onde temos comunidades não significa desguarnecer ou dar menor atenção ao ensino da língua portuguesa enquanto língua de origem”.

Sobre o estudo, sublinhou que vai permitir responder a questões como: “Porque é que procuram a língua portuguesa? Qual o papel das famílias na procura da língua portuguesa? Se a língua portuguesa é um fator de inserção, de inclusão, ou é um fator de bloqueio à integração cívica ou institucional?”.

Já o secretário de Estado da Educação afirmou que são cada vez mais necessárias políticas públicas fundamentadas “em evidências”, apesar de não se deixar de parte a aposta em políticas baseadas na ideologia.

“Quando decidimos apoiar os filhos dos nossos emigrantes que não têm acesso à língua materna, há aqui uma aposta ideológica de não deixar que percam as suas raízes com a sua língua materna”, sublinhou João Costa.

Algo que só se constrói se for assente em “políticas de evidência (científica)”, acrescentou o governante. “E sem dados, não há evidências”, disse ainda, referindo-se ao estudo que será realizado. In “Mundo Português” - Portugal

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Argélia – Consórcio chinês cria hub de transbordo na Argélia

Dentro de sete anos, se tudo correr como previsto, a Argélia disporá de um porto de transhipment de contentores com uma capacidade projectada para atingir os 6,5 milhões de TEU em quatro anos.

O novo porto será construído por um consórcio chinês e operado pela Shanghai Ports Group. As autoridades argelinas estimam que assim será mais fácil captar tráfegos e contentores com origem/destino no Extremo Oriente, que ali façam transhipment, que utilizem as redes viária e ferroviária argelinas para chegar ao interior do continente africano.

A primeira fase do novo porto deverá estar operacional dentro de sete anos. Serão precisos depois mais quatro anos atingir os programados 23 postos de atracação e a capacidade de movimentar 6,5 milhões de TEU e 26 milhões de toneladas de mercadorias/ano.

O acordo para o desenvolvimento do novo projecto foi ontem mesmo assinado na Argélia pelo ministro dos Transportes argelino e por representantes da China Harbour Engineering Company e da China State Construction Engineering Corporation.

O projecto deverá arrancar formalmente em Março próximo, assim esteja constituída a nova sociedade que ficará responsável pelo seu desenvolvimento. In “Transporte & Negócios” - Portugal