Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Portugal - Escritor moçambicano Pedro Pereira Lopes vence o Prémio Imprensa Nacional / Vasco Graça Moura 2024

O escritor moçambicano Pedro Pereira Lopes foi distinguido com o prestigiado Prémio Imprensa Nacional / Vasco Graça Moura 2024 pelo seu livro de poesia intitulado “Tratado das Coisas Sensíveis”. A obra será editada em Portugal, numa iniciativa que celebra o património literário e cultural da língua portuguesa.



Nas redes sociais, o autor partilhou a emoção ao receber a notícia: “Imaginem o arrepio, quando o poeta e escritor Pedro Mexia, presidente do júri, perguntou, via WhatsApp: ‘É o Pedro?’. Eis a novidade que eu ‘não conseguia segurar’. O meu original de poesia, Tratado das Coisas Sensíveis, é o livro vencedor do Prémio Imprensa Nacional/Vasco Graça Moura 2024.”

Na mesma publicação, Pedro Pereira Lopes descreveu o livro como uma obra “dura, íntima, sobre as coisas da vida e, em especial, sobre as coisas do cultivo da palavra”. Além disso, dedicou ainda o prémio à sua amiga e mentora, Fernanda Angius, falecida, que, segundo ele, ficaria muito feliz com este reconhecimento.

Importa referir que esta não é a primeira vez que Pedro Pereira Lopes é reconhecido em Portugal. Em 2017, venceu a 1.ª edição do Prémio Literário INCM / Eugénio Lisboa como texto “Gente Grave”, consolidando o seu lugar como um dos principais nomes da literatura moçambicana contemporânea.

O Prémio Imprensa Nacional / Vasco Graça Moura, criado pela INCM (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), tem como objectivo promover a preservação da língua e cultura portuguesas, ao mesmo tempo que presta homenagem ao escritor e intelectual Vasco Graça Moura. Este galardão anual distingue, alternadamente, trabalhos inéditos nas áreas da Poesia, Ensaio e Tradução, domínios em que Vasco Graça Moura se destacou ao longo da sua vida. Nesta edição de 2024, a menção honrosa foi atribuída à obra A Vocação Nómada das Cidades, de André Craveiro. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Balanço positivo de fim de ano

Chegamos ao fim do ano com boas notícias, uma é nacional. É o início prático do processo dos chefes golpistas, depois de já ter sido julgada e condenada uma parte dos seus fanáticos seguidores, autores dos atos de vandalismo nos prédios da praça dos Três Poderes, em Brasília, há quase dois anos.

O ano 2025 deverá monopolizar a atenção da imprensa na sequência do indiciamento do primeiro escalão dos articuladores de um golpe com assassinatos, envolvendo militares de alto escalão e autoridades do governo passado.

E poderá incluir, ao que tudo indica, o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ele mesmo e seus filhos, apostem numa pressão contrária pelos Estados Unidos, com novo governo no dia 20 de janeiro.

A próxima condenação e prisão de Bolsonaro parece um filme policial da série Columbo, no qual não há suspense, pois, desde o começo, todos já sabem quem é o culpado.

Viveremos o retorno ao passado de intervenções diretas ou indiretas do governo norte-americano no Brasil? Elon Musk e Donald Trump poderão criar condições favoráveis a um impeachment de Lula e Alexandre Moraes?

Improvável, pois Trump estará empenhado num acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, numa normalização no Médio Oriente e no fim de uma ameaça nuclear pelo Irão.

Ao contrário, o julgamento do ex-presidente Bolsonaro, preso ou em liberdade, criará condições para o indiciamento por incitação para o Golpe para juristas intérpretes do artigo 142 da Constituição, interessados em legalizar a intervenção militar, pela Minuta do Golpe, da qual teria participado o jurista Ives Gandra.

Terá chegado a vez, em 2025, de serem processados os idealizadores do "gabinete do ódio" com suas redes sociais especializadas em fake news. Sem esquecer dos guias espirituais evangélicos pregadores e justificadores do Golpe com o uso do Velho Testamento bíblico e da chamada "teoria do domínio".

Outra notícia, também recente, é a queda do ditador sírio Bashar al-Assad, deposto pelo grupo HTS, de Abu Mohammad al-Jolani, um movimento islamista "sui generis", contrário à aplicação da truculenta lei da charia e, até agora, disposto a aceitar a presença de cristãos na Síria.

Algumas redes sociais brasileiras de esquerda lamentam a queda do ditador al-Assad, de longe muito pior que um Ustra. Mas é gratificante ler num texto de Fernando Gabeira - "Considero-me feliz por ter passado um fim de semana colado à TV, vendo o fim de uma longa ditadura, as pessoas festejando nas ruas de Damasco, os presos saindo das masmorras, bandeiras, gritos, exilados preparando a volta."

A ONU e alguns países da União Europeia já vão se encontrar com o chefe Jolani do HTS para avaliarem a situação na Síria e se certificarem da implantação pacífica do novo governo islamita sem criação de uma nova ditadura teocrática na região.

Como a do Irão, apoiadora da ditadura de al-Assad, para a qual este fim-de-ano é negativo. Um debate no canal francês Arte discute se, depois da Síria, não será a vez da teocracia iraniana, que apoiava al-Assad e apoia o Hamas e o Hezbollah, e cuja expectativa de ter a bomba nuclear poderá ser impedida por Trump. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins - Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Lusofonia - As 100 Personalidades Negras mais influentes de 2024

A BANTUMEN apresentou a quarta edição da Power List BANTUMEN 100, uma iniciativa que reconhece e celebra as conquistas de 100 personalidades afrodescendentes de países lusófonos. Este reconhecimento, que se concretiza numa lista de impacto, celebra a excelência em diversas áreas profissionais e culturais, promovendo a visibilidade e a influência da afrodescendência no mundo lusófono.



A lista, disponível aqui, é elaborada em colaboração com vários meios de comunicação de expressão portuguesa, evidenciando a importância da presença e da voz Afrodescendentes nas diferentes esferas sociais, como Ciências, Cultura, Comunicação e Empreendedorismo.

A gala de apresentação deste ano, organizada em co-produção com a Lisboa Cultura, realizou-se no dia 30 de novembro, no Pátio da Galé, no centro histórico de Lisboa, conduzida pelas apresentadoras de televisão Kathy Moeda (Cabo Verde) e Nádia Silva (Angola). O evento contou com a presença do Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, Mayra Andrade, Nenny, Dino de Santiago, Inocência Mata, entre outras personalidades. A moçambicana Assa Matusse, a francesa de origens cabo-verdianas Rislene Semedo e as Batucadeiras das Olaias foram alguns dos artistas que atuaram para os mais de 300 convidados.

A iniciativa visa, além do reconhecimento individual, promover a partilha e a reflexão em torno da diversidade cultural, e no contexto do último ano da Década Internacional dos Afrodescendentes, instituída pela ONU. Esta celebração é uma oportunidade para reforçar a importância do reconhecimento dos direitos afrodescendentes e da luta contra desigualdades históricas.

A Power List BANTUMEN 100 conta com o apoio de dois Media Partners: a RTP África e o canal Trace. A RTP África, responsável pela transmissão em diferido, como canal público voltado à cultura e atualidade das comunidades lusófonas africanas, reforça a conexão e a valorização dessas culturas, enquanto o Trace, canal de televisão francês dedicado à música e à juventude afrodescendente global, amplia o alcance e a representatividade das vozes afro-lusófonas.

A distribuição dos homenageados na Power List BANTUMEN 100 em números reflete 47% Homens, 49% Mulheres e 4% de pessoas não-binários. Em relação aos países de origem: Angola (13%), Brasil (22%), Cabo Verde (19%), São Tomé e Príncipe (11%), Guiné-Bissau (11%), Moçambique (15%) e 19% com dupla nacionalidade (portuguesa mais uma dos PALOP). Em termos de áreas de atuação, Comunicação e Media: 18%; Negócios e Empreendedorismo: 7%; Ciências e Tecnologia: 3%; Artes e Cultura: 32%; Ação Social e Direitos Humanos: 20%

Os homenageados são indicados através de parceiros editoriais - Balai CV (Cabo Verde), BANTUMEN (Lusofonia), CULTNE TV (Brasil), Notícia Preta (Brasil), RSTP (São Tomé e Príncipe) e Xonguila (Moçambique) - assim como através de curadoria de personalidades destacadas em edições anteriores da PowerList.

Esta iniciativa é promovida pela Hausdown, agência criativa lusófona, e patrocinada pelas empresas cabo-verdianas Unitel T+ (telecomunicações) e Glowcondo (gestão imobiliária). O evento associado à iniciativa conta com a co-produção do organismo Lisboa Cultura e o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Adega de Borba, Pastéis de Belém, Prosperous Vodka, Turismo de Lisboa, Sogrape e a Kees Eijrond Foundation. In “Bantumen” - Portugal


sábado, 23 de novembro de 2024

Portugal - Investigadoras do Centro de Biologia Molecular e Ambiental e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa distinguidas com o prémio Basinnov Innovation Award 2024

Ana Preto e Andreia Valente receberam o “Basinnov Innovation Award 2024” e vão agora avançar para ensaios pré-clínicos

 

Um composto criado em Portugal é o primeiro descrito a bloquear as três principais mutações do gene mais frequente no cancro colorretal e pancreático. Este resultado foi mostrado em células do laboratório e em ratinhos e, se os ensaios pré-clínicos e clínicos correrem bem nos próximos anos, o fármaco poderá ser decisivo nesses e noutros cancros com aquelas mutações, como do pulmão, ovário e útero.

O projeto chama-se “TaMuK:Targeting Mutated KRAS”, está patenteado e deu os primeiros passos há cerca de dez anos, pelo grupo da investigadora Ana Preto, no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), e pelo grupo da investigadora Andreia Valente, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), a par de Helena Garcia e Paulo Costa (FCUL) e de Cristina Fillat, do Instituto de Investigações Biomédicas August Pi i Sunyer (Barcelona).

Esta equipa acaba de vencer a primeira edição do “Basinnov Innovation Award 2024”, tendo direito a 20 mil euros para aplicar em ensaios pré-clínicos e a serviços de mentoria da rede europeia de inovação em saúde EIT Health InnoStars. O prémio foi atribuído num evento satélite da Web Summit, em Lisboa, pela biotecnológica Basinnov Life Sciences, pelo Gulbenkian Institute for Molecular Medicine e pela EIT Health InnoStars. A iniciativa visa distinguir uma inovação na oncologia e imunoterapia com grande relevo científico, terapêutico e de potencial aplicação na farmacêutica. 

O novo composto designa-se PMC79, é baseado no metal ruténio e atua como uma espécie de “bala mágica” em mutações do gene KRAS, ligado ao desenvolvimento de vários cancros, como o colorretal e do pâncreas. “O nosso composto é o primeiro capaz de inibir especificamente três das mutações mais frequentes do KRAS (G12D, G12V e G13D), sendo o único a inibir a G12V, sem afetar a proteína normal, tanto in vitro em células de cancro no laboratório como in vivo em modelos de ratinhos com cancro”, explicam Ana Preto e Andreia Valente.

“Este prémio é um exemplo de que a investigação básica é indispensável e impactante para o desenvolvimento de novos fármacos e sua possível aplicação clínica”, acrescentam as investigadoras. Nas últimas décadas foram feitos vários estudos para se atuar no gene KRAS, então considerado “invencível” ou “não tratável”. Recentemente, surgiram no mercado alguns inibidores, mas de eficácia limitada nos cancros colorretal e do pâncreas, no qual o PMC79 parece promissor. Universidade do Minho - Portugal


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Portugal - Prémio Pfizer 2024 distingue investigação do i3S sobre cancro do estômago

Trabalho premiado na categoria de investigação clínica tem como objetivo abrir caminho ao desenvolvimento de terapias que travem a formação de metástases


A investigadora Ana Magalhães, do grupo do i3S «Glycobiology in Cancer» do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), é a vencedora do Prémio Pfizer 2024, na categoria de investigação clínica. O galardão, no valor de 30 mil euros, premeia o trabalho que levou à identificação de um novo alvo que permitirá desenvolver novas terapias para travar a formação de metástases e melhorar o prognóstico de doentes com cancro do estômago.

O projeto liderado pela também Professora Associada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) “centra-se no estudo de alterações à superfície das células que sejam exclusivas das células tumorais, particularmente, no estudo das proteínas e lípidos do chamado glicocálice das células, que quando alterados podem desempenhar um papel determinante na progressão dos tumores”.

A equipa coordenada por Ana Magalhães descobriu que “o proteoglicano Syndecan-4 (SDC4) está muito presente em tumores do estômago do subtipo intestinal e que o aumento da sua expressão está associado a uma maior invasão das células tumorais e a um pior prognóstico dos doentes”.

O estudo, adianta a investigadora, “demonstra ainda que o SDC4 é transportado por vesículas extracelulares, produzidas pelas células tumorais, e consegue direcioná-las para o fígado e para o pulmão, precisamente os órgãos onde é comum aparecerem metástases de cancro do estômago”.

Com estas descobertas, “a nossa equipa contribuiu para a compreensão de um novo mecanismo de comunicação das células tumorais, identificando um potencial alvo para o desenvolvimento de novas terapias que possam travar a formação de metástases e melhorar o prognóstico de doentes com cancro do estômago”, sublinha Ana Magalhães.

Este trabalho assume particular importância num contexto em que o cancro do estômago persiste como um desafio de saúde global, com mais de um milhão de novos casos diagnosticados anualmente e com o aparecimento de sintomas numa fase muito avançada da doença.

O trabalho publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (doi/10.1073/pnas.2214853120) uniu esforços de uma equipa multidisciplinar constituída por investigadores e clínicos de cinco instituições nacionais e uma internacional: Juliana Poças (i3S e ICBAS), primeira autora deste trabalho, Catarina Marques (i3S e ICBAS), Catarina Gomes (i3S), Andreia Hanada Otake (Fundação Champalimaud), Filipe Pinto (i3S), Mariana Ferreira (i3S), Tiago Silva (i3S), Isabel Faria-Ramos (i3S), Rita Matos (i3S), Ana Raquel Ribeiro (i3S), Emanuel Senra (i3S), Bruno Cavadas (i3S), Sílvia Batista (Fundação Champalimaud), Joana Maia (Fundação Champalimaud), Joana A. Macedo (i3S) Luís Lima (IPO-Porto), Luís Pedro Afonso (IPO-Porto), José Alexandre Ferreira (IPO-Porto), Lúcio Lara Santos (IPO-Porto), António Polónia (i3S, Ipatimup), Hugo Osório (i3S), Mattias Belting (Lund University), Celso A. Reis (i3S e ICBAS) Bruno Costa-Silva (Fundação Champalimaud) e Ana Magalhães (i3S e ICBAS).

“Uma grande honra e motivo de alegria”

Atribuídos pela farmacêutica Pfizer e pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa desde 1956, os Prémios Pfizer – o mais antigo galardão na área da investigação biomédica em Portugal – têm como objetivo apoiar e promover a investigação científica, destacando a excelência dos investigadores portugueses.

Para Ana Magalhães, esta distinção representa, por isso, “uma grande honra e motivo de alegria para toda a equipa envolvida neste trabalho, e será certamente uma motivação para continuarmos a desenvolver esta linha de investigação e aproximarmos o conhecimento científico de uma possível aplicação na prática clínica”.

Nesta 68.ª edição dos Prémios Pfizer, foram também distinguidos os investigadores Caren Norden, da Fundação GIMM, e Filipe Pereira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC), na categoria de investigação básica.

Paulo Teixeira, Diretor Geral da Pfizer Portugal, salienta a pertinência dos trabalhos premiados: “Os projetos representam um contributo valioso para a melhoria da qualidade de vida das populações, reiterando a necessidade de que a saúde e a ciência permaneçam indissociáveis na procura por novas soluções terapêuticas”. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Portugal - Prémio Leya vai para 'Pés de Barro' de Nuno Miguel Silva Duarte

O romance de Silva Duarte tem como pano de fundo a construção da primeira ponte sobre o Tejo, em Lisboa, e dá "um retrato do Portugal dos anos 1960"


O romance 'Pés de Barro', do português Nuno Miguel Silva Duarte, venceu o Prémio Leya, no valor de 50 mil euros, na edição mais concorrida desde sempre, com 1123 candidatos, foi anunciado esta quarta-feira.
Dos 1123 candidatos, de 15 países, foram selecionados oito finalistas, tendo saído vencedor 'Pés de Barro', ao qual o presidente do júri, Manuel Alegre, se referiu como "uma obra que atualiza a tradição do romance político-social".
O romance de Silva Duarte tem como pano de fundo a construção da primeira ponte sobre o Tejo, em Lisboa, e dá "um retrato do Portugal dos anos 1960".
"Por um lado, a formação de um exército proletário para a construção da ponte, por outro, as primeiras partidas do exército para a guerra colonial", disse Manuel Alegre.
"'Pés de Barro' polariza o seu realismo histórico no quotidiano de um pátio em Alcântara e nas razões de viver dos que nele se acolhem", disse Manuel Alegre, realçando que o romance "encaminha-se para o anúncio metafórico do 25 de Abril".
Nuno Miguel Silva Duarte, de 52 anos, nasceu em Sintra, no distrito de Lisboa, e é publicitário há cerca de 30 anos.
O júri do Prémio Leya foi presidido pelo escritor Manuel Alegre, tendo ainda sido constituído pelo professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, pela jornalista e crítica literária Isabel Lucas, pelo ex-reitor da Universidade Politécnica de Maputo Lourenço do Rosário, pela poetisa e historiadora angolana Ana Paula Tavares e pela jornalista e historiadora brasileira Josélia Aguiar.
Dos 1123 originais recebidos, o maior número veio do Brasil (708), seguindo-se Portugal (350) e, em terceiro, Moçambique (19).
O Prémio Leya foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em português, sendo o prémio literário com o maior valor pecuniário para romances inéditos em língua portuguesa.
No ano passado, o vencedor foi o escritor brasileiro Victor Vidal, com a obra 'Não há pássaros aqui'.
O primeiro vencedor, em 2008, foi o brasileiro Murilo Carvalho com 'O Rastro do Jaguar'.
Portugal com sete escritores distinguidos, é o país mais galardoado, seguindo-se o Brasil com quatro e Moçambique com um. Em três edições, o prémio não foi atribuído, em 2015, 2019 e 2020.
A portuguesa Gabriela Ruivo Trindade é a única mulher distinguida até à atual edição. O romance 'Uma Outra Voz' valeu a Ruivo Trindade o Prémio Leya em 2013. Agência Lusa


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Internacional - A procura por combustíveis fósseis já atingiu o pico?

Embora a China esteja a produzir cada vez mais energia verde, há preocupações de que a procura por combustíveis fósseis possa crescer em outras partes da Ásia


A energia limpa está em alta, mas nem tudo são boas notícias.

Um novo relatório divulgado na quarta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE) mostra que o mundo está pronto para produzir energia limpa em abundância até à segunda metade da década de 20, mas alerta que também haverá um excesso de combustíveis fósseis que aquecerão o planeta.

Embora a produção de baterias e painéis solares esteja a aumentar, o ritmo de afastamento do mundo dos combustíveis fósseis ainda está longe do necessário para limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius acima dos tempos pré-industriais — o limite estabelecido no Acordo de Paris.

O relatório World Energy Outlook 2024 mostra que o mundo está a caminho de atingir 2,4 graus de aquecimento até 2050.

“Estamos agora a avançar rapidamente para a Era da Eletricidade”, disse o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol, marcando o lançamento do World Energy Outlook anual.

A energia em todo o mundo "será cada vez mais baseada em fontes limpas de eletricidade", acrescentou.


O que está por trás da contínua grande produção de combustíveis fósseis?

Para entender esta questão, é importante olhar para a China.

O relatório admite que a nação asiática está a impulsionar as tendências globais de energia, mas isso não é necessariamente uma coisa boa. Na verdade, embora seja o principal fabricante de painéis solares e baterias, também é o maior emissor mundial de gases de efeito estufa.

Nos últimos anos, a China foi responsável pela maior parte do crescimento da procura por petróleo . No entanto, os veículos elétricos agora representam cerca de 40 por cento das vendas de carros novos lá, o que fez com que os principais produtores de petróleo e gás dissessem que estão "em apuros".

As descobertas da AIE indicaram que as emissões de gases que causam o aquecimento global na China podem atingir o pico em 2025, mas "dadas as mudanças em andamento na China, achamos que isso pode ser um pouco pessimista", disse Bill Hare, CEO da Climate Analytics.

Hare acrescentou que "há todas as hipóteses" de que as emissões da China já tenham atingido o pico em 2023 - mas que mais dados são necessários para ter certeza de que esse é o caso.

Qual é o papel da China na produção de veículos elétricos?

A China não só já responde por metade dos veículos elétricos (VEs) do mundo nas ruas como também, até 2030, a projeção é que 70% de todas as vendas de carros novos no país serão elétricos.

O país também aumentou significativamente sua produção de energia eólica e solar, o que significa que a China está alinhada com sua própria meta para lidar com as alterações climáticas.

O relatório da AIE descreve um futuro em que a adoção de veículos elétricos continua a ganhar força e, positivamente, sugere que a prática pode potencialmente substituir até 6 milhões de barris por dia de procura de petróleo até 2030.

Com base nas tendências e políticas atuais e na disponibilidade de materiais, acrescenta, os veículos elétricos devem atingir 50% das vendas globais de automóveis em 2030.

Apesar dessas notícias positivas, a expansão da energia limpa também está a acontecer junto com um aumento na procura por energia: "Isso significa que, mesmo quando vimos um crescimento recorde em instalações e adições de energia limpa, as emissões continuaram a aumentar", disse Lauri Myllyvirta, analista-chefe do think tank Centre for Research on Energy and Clean Air.

Outras razões para a procura por eletricidade crescer ainda mais rápido do que o esperado?

“[É] impulsionado pelo consumo industrial leve, mobilidade elétrica, refrigeração, data centers e IA”, diz o relatório.

A AIE tem esperança de que a procura por carvão, petróleo e gás caia globalmente na década, com as emissões de carbono também atingindo o seu ponto mais alto e diminuindo. O relatório explica que a expansão da energia eólica e solar, juntamente com a crescente adoção de VEs, deve significar um futuro mais limpo para a energia.

No entanto, também destaca que, à medida que a China muda rapidamente para baterias e energia renovável, as empresas petrolíferas estão cada vez mais a vender os seus produtos para a Índia.

A AIE projeta que a Índia adicionará quase dois milhões de barris de petróleo por dia à sua procura até 2035. Isso pode ser uma boa notícia para os produtores de petróleo que procuram compensar o declínio do crescimento noutras regiões, mas não é uma boa notícia para o planeta. Euronews




domingo, 13 de outubro de 2024

Prémios da Lusofonia 2024 homenageiam Xanana Gusmão e 14 outras personalidades

Histórico líder timorense recebeu o ‘Prémio Carreira’ na edição anual dos Prémios da Lusofonia, organizados em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com a Câmara Municipal de Cascais


O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi homenageado na VIII edição da Gala Prémios da Lusofonia, numa cerimónia que distinguiu 15 personalidades dos nove países que têm a língua portuguesa como língua oficial, este sábado, no Estoril.

“Este meu prémio pertence ao povo timorense. Aos timorenses que lutaram pela integridade da nação e que se sacrificaram pela libertação do seu território. Coube-me o papel de liderar esta luta. Mas, em boa verdade, eu é que fui liderado pelo povo. Foram as mulheres, homens, jovens e crianças do meu amado país que me inspiraram, que me deram força e esperança, e que nunca me permitiram desistir nos momentos mais difíceis do meu percurso pelo qual sou hoje homenageado”, afirmou o histórico líder timorense, recordando os anos de luta pela autodeterminação de Timor-Leste.

Kay Rala Xanana Gusmão recebeu o ‘Prémio Carreira’ durante o evento anual dos Prémios da Lusofonia, que têm a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Câmara Municipal de Cascais como entidades parceiras.

António Quintas, antigo embaixador de São Tomé e Príncipe em Portugal, e Manuel Nsua, primeiro-ministro da Guiné Equatorial e antigo diretor do Banco Nacional da Guiné Equatorial, receberam o ‘Prémio Mérito Lusófono’, enquanto Luísa Diogo, antiga primeira-ministra de Moçambique, e Filomena Gonçalves, ministra da Saúde de Cabo Verde, foram distinguidas com o ‘Prémio Especial Lusofonia’.

O ‘Prémio Língua Portuguesa’, que na edição do ano passado foi entregue ao Instituto Camões, distinguiu o escritor e jornalista brasileiro Edmilson Caminha.

Quanto aos galardoados portugueses, a fadista Ana Moura recebeu o ‘Prémio Música do Mundo’, o encenador e dramaturgo Filipe La Féria o ‘Prémio Teatro e Cinema’, o ativista Miguel Duarte o ‘Prémio Cidadania’, a apresentadora Liliana Campos o ‘Prémio Comunicação Social’ e a estilista e empresária Ana Sousa recebeu o ‘Prémio Moda e Estilismo’.

Na esfera das empresas, a ISQ recebeu o ‘Prémio Ação Empresarial, que em edições anteriores foi atribuído à Delta Cafés e a Rui Nabeiro.

O ‘Prémio Ambiente’ foi entregue a Josefa Sacko, comissária para a Agricultura e Economia Rural da União Africana (UA), o ‘Prémio Diplomacia’ a Maria de Fátima Jardim, atual Embaixadora de Angola na Albânia, o ‘Prémio Literatura’ a Abdulai Sila, engenheiro, economista e investigador social da Guiné-Bissau.

Em representação do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, a vereadora Carla Semedo saudou a “celebração da herança cultural riquíssima que ultrapassa fronteiras” representada no evento dos Prémios da Lusofonia, aludindo à comunidade global de 270 milhões de falantes de língua portuguesa.

“É uma homenagem a essa diversidade, que nos enriquece mutuamente, e é um lembrete de que a nossa língua comum é uma força de coesão, capaz de promover o diálogo intercultural e a compreensão entre os povos. A comunidade da lusofonia é mais do que uma comunidade linguística. É uma comunidade de afetos, de partilhas e de sonhos comuns. (…) A lusofonia é um vasto oceano de diversidade. De Lisboa a Luanda, de São Paulo a Maputo, de Díli a Praia”, afirmou a vereadora.

Do lado da CPLP, o secretário executivo Zacarias da Costa falou da Gala Prémios da Lusofonia como “o palco onde se manifesta o poder transformador da cultura e da língua”. “Este é um momento que não apenas celebra as conquistas de figuras excecionais do nosso universo lusófono, mas também reafirma o compromisso da CPLP em promover e fortalecer os laços que unem os povos de língua portuguesa espalhados pelo mundo”, disse o diplomata timorense.

Sobre os laços da CPLP com os Prémios da Lusofonia, Zacarias da Costa aponta para um “reflexo da nossa convicção de que a promoção das culturas lusófonas e da língua portuguesa é uma missão coletiva e uma responsabilidade partilhada”, defendendo a importância do “intercâmbio cultural e fortalecimento das indústrias criativas pioneiras e estratégias no plano de ação da CPLP”. Sobre a “essência da lusofonia”, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação explica-a como “a capacidade de criar pontes, de unir povos e de transformar a diversidade numa força motriz para o desenvolvimento”.

Lançados em 2017, os Prémios da Lusofonia reconhecem a vida e obra de cidadãos e cidadãs da lusofonia em várias áreas – em que “a paridade de género constitui ponto de honra” -, contando com Isabel Leitão como fundadora e mentora. In Jornal Económico” - Portugal




sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Guiné-Bissau - Escritor Abdulai Silá distinguido com o “Prémio da Lusofonia 2024” na categoria de literatura

O escritor guineense Abdulai Silá foi distinguido com o “Prémio da Lusofonia 2024” na categoria de literatura e a Gala da entrega da distinção será realizada no próximo dia 12, no Casino Estoril em Portugal.

A informação foi avançada na página do Facebook do Portal Guigui, uma Plataforma que reúne informações sobre os mais variados temas relacionados a artes e entretenimentos.

A Plataforma salienta que Silá foi distinguido na 8ª Edição da Gala Prémios da Lusofonia, que homenageia anualmente em Portugal desde 2017, cidadãos e cidadãs da lusofonia que se distinguiram por obra e carreira nas mais diversas atividades e áreas que exercem.

Abdulai Silá, natural da Guiné-Bissau, é Engenheiro Eletrotécnico de formação. Assumiu uma carreira como gestor de empresas e, atualmente, combina o trabalho de editor, escritor e consultor, com o de apoio a organizações sem fins lucrativos.

Foi Presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau e fundador do PEN Clube. Em 2013 foi condecorado pelo Estado francês, que o consagrou como “Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres”.

Das recentes distinções recebidas constam o Prémio Prestígio (Teatro) da RTP África (2021), o Prémio Guerra Junqueiro, “100 Personalidades Negras mais influentes da Lusofonia” (Revista Bantumen, 2023), Diploma de Mérito da Federação das Associações de Deficientes da Guiné-Bissau (2023).

Segundo o Portal Guigui, a obra de Abdulai Silá constitui um ativo cultural incontornável e é, sem dúvida, uma obra que presta um serviço de elevada representatividade e craveira à literatura guineense e lusófona.

De acordo com a Plataforma Guigui, a atribuição do Prémio Lusofonia 2024, área literatura, surge assim como natural e de inteira justiça. Ângelo Costa – Guiné-Bissau in “Agência de Notícias da Guiné”


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Moçambique - Ana Magaia considera que Feira do Livro da Beira marca diferença na valorização da literatura

As actividades desenvolvidas pela Associação Kulemba, em prol da literatura em Moçambique, marcam a grande diferença, em termos práticos, na valorização da literatura moçambicana. Essa posição foi defendida pela actriz Ana Magaia, depois do encerramento da quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2024), que decorreu entre os dias 18 e 20 de Setembro.


Para Ana Magaia, a Kulemba está a fazer o que devia ter sido feito há muito tempo. A actriz acrescentou que a associação está a dar aulas a grandes gerações ao proporcionar eventos como a FLIB, que permitem discutir vários aspectos da literatura moçambicana.

Na FLIB 2024, Ana Magaia participou no sarau de encerramento do evento, no qual fez uma leitura encenada do conto “Rosita, até morrer”, da autoria Luís Bernardo Honwana, escritor homenageado na quarta edição da FLIB.

Em relação ao trabalho apresentado, a actriz sublinhou que encenar qualquer peça sobre a obra de Honwana é motivacional e inspirador, uma vez que faz recordar vários episódios da sua juventude nos diferentes palcos do país, pois ela estreou esta peça, pela primeira vez, nos anos 80.

Palestras, conversas, debates, sarau cultural e feira de livros foram as actividades programadas para a quarta edição, que decorreu no Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, Livraria Fundza, Universidade Licungo, Centro Cultural Português na Beira e Casa do Artista. Nessas actividades, houve participação de diferentes públicos que celebraram a grande festa do livro.

No seu discurso de encerramento, Dany Wambire, presidente da Associação Kulemba, sublinhou que esta edição é uma continuação da celebração dos 60 anos de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso, uma vez que, ainda neste ano, houve, em Maputo, actividades iniciais, como o simpósio e a publicação do livro “O inventário da memória”, organizado por José dos Remédios.

Depois destes quatro dias de intensas actividades, Dany Wambire afirmou que Associação Kulemba conseguiu cumprir, com sucesso, os objectivos traçados para a festa de seis décadas da obra emblemática que marcou várias gerações em Moçambique e no estrangeiro. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Moçambique - Luís Bernardo Honwana diz que o livro é o único instrumento para desenvolver o país

O escritor de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso”, Luís Bernardo Honwana, defende que não existe nenhum outro instrumento, senão o livro, para que qualquer país se desenvolva em diversas áreas. Honwana falava durante uma palestra, na quinta-feira, na Livraria Fundza.


Luís Bernardo Honwana disse, durante o seu discurso na abertura oficial da 4ªedição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, cujo lema é “Encontro entre Literatura, Direito e Religião”, que Moçambique faz parte das nações que devem abraçar o livro para encontrar a solução de vários problemas.

Acrescentou ainda que a pobreza no país só será mitigada através dos livros, pois é nos manuais onde se encontra a chave que pode abrir as portas para a solução dos males existentes, especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança, tecnologia, entre outras.

O escritor vincou que este debate deve ser levado a sério, pelo que, o livro não pode ser visto, como acontece muitas vezes, como algo lúdico. Por isso, Honwana entende que já está na hora de se desenharem políticas sobre o livro.

O escritor fez comentários sobre a importância das línguas autóctones moçambicanas e disse ser vergonhoso observar a existência de pessoas que sentem o complexo de inferioridade quando se comunicam nas suas línguas de origem. Para ele, Moçambique deve orgulhar-se por ter vários idiomas.

Hoje, prosseguem as actividades do FLIB-2024. Por isso, às 18 horas, vai decorrer, no Centro Cultural Português na Beira, o debate sobre os temas: “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”.

Luís Bernardo Honwana, conversou, na manhã da passada quarta-feira, na Universidade Licungo, Cidade da Beira, com docentes e estudantes de diferentes cursos.

No dia inaugural da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024), organizada pela Associação Kulemba, a qual está a decorrer estre esta quinta-feira e amanhã, sábado, na cidade da Beira, Luís Bernardo Honwana referiu-se a vários temas que mexem com a actualidade e o passado do país. Nessa ocasião, falou da falta de valorização das línguas bantu em Moçambique, defendendo que há ainda uma grande discrepância entre o que se diz e o que se pratica.

Ainda assim, o autor afirma que, mesmo depois de 50 anos de independência, não se pode afirmar que a língua portuguesa ocupou um espaço privilegiado no país, uma vez que exclui muitos moçambicanos em diversas áreas das suas vidas. Citou, a título de exemplo, o processo da construção da paz e da democracia e, também, o processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o autor defende que só se envolvem ou sentem-se envolvidos os que têm domínio da língua portuguesa, colocando, desta maneira, os outros como meros assistentes.

No segundo caso, o Luís Bernardo Honwana defendeu que, apesar de estar em andamento o programa bilingue de ensino, em algumas regiões, dá-se privilégio ao português.

Para Luís Bernardo Honwana, as línguas bantu continuam a representar a identidade dos moçambicanos em diversos contextos.

No final, o escritor desafiou os estudantes a pensarem soluções para os problemas do país e a não serem somente assistentes. Com isso, disse que os trabalhos de conclusão de curso devem ser pensados com o objectivo de resolver os desafios que Moçambique enfrenta.

Nesta terça-feira, Luís Bernardo Honwana também teve um encontro com os estudantes do Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, onde afirmou que qualquer país que queira ser grande deve apostar na formação de quadros com capacidade de ser e estar perante as várias adversidades.

A quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB-2024) subordina-se ao tema “Encontro entre Literatura, Direito e Religião” e tem como convidado especial o escritor Luís Bernardo Honwana. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Suíça – 77.º Festival de Cinema de Locarno começa dia 7

O Festival Internacional de Cinema de Locarno, na região suíça de língua italiana, o Ticino, é considerado o quarto pela ordem de importância, depois de Veneza, Cannes e Berlim. Tem, porém, uma particularidade: sendo um festival no começo do outono europeu ainda com noites quentes, inclui, além das projeções nas salas escuras, bons filmes exibidos ao ar livre, na maior praça da cidade, a Piazza Grande, num telão de 400 metros quadrados.


Tudo está previsto para o prazer dos oito mil espectadores sentados na Piazza Grande, porém não existe uma garantia a 100% de noites sem chuva. Alguns ainda se lembram das três noites consecutivas de chuvas na Piazza Grande, durante o festival de 2001. Este ano, o primeiro filme a ser exibido na praça pode chamar chuva por seu título!

O filme inaugural do Festival de Locarno, O Dilúvio, tem uma história bem francesa, mas é dirigido pelo cineasta napolitano Gianluca Jodice, tendo como atores principais Mélanie Laurent e Guillaume Canet.

É uma reconstrução dos últimos dias do casal real Louis XVI e Maria Antonieta, presos e retirados de Versalhes com seus filhos nos tumultos da Revolução Francesa, em 1789, e levados à Torre do Templo, um sinistro castelo parisiense, onde aguardam julgamento. O fim do filme não é segredo, é a pena de morte na guilhotina.

O filme é ainda inédito e só será lançado nos cinemas e streaming no dia 25 de dezembro. Gianluca Jodice ficou conhecido por seu filme O Mau Poeta sobre a relação entre Gabriele D`Ánnunzio com Benito Mussolini, vista pelos olhos de Giovanni Comini, funcionário do Partido Fascista.

Será também exibido na Piazza Grande o filme iraniano As Sementes da Figueira Sagrada, de Mohammad Rasoulof, com Prêmio Especial no Festival de Cannes. O cineasta iraniano fugiu do Irão, onde tinha sido condenado pela ditadura teocrática a cinco anos de prisão e a receber 50 chicotadas por seus filmes.

Haverá 17 filmes inéditos selecionados para a Competição Internacional, dos quais 7 são dirigidos por realizadoras. Essa quase paridade de gênero é considerada uma inovação entre os festivais internacionais.


Na falta de filme brasileiro na competição, chama a atenção o filme português em coprodução com a Suíça, Fogo do Vento, primeiro filme de Marta Mateus. Uma síntese do enredo foi distribuída pela produção - Soraia trabalha na vindima e é protagonista de um ritual quase perdido. Ela enfrenta um grande touro preto que escapou. No alto das árvores, num plano entre mundos, a comunidade partilha o pão com os antepassados convocados para a celebração da vida e do vinho. Entramos na grande noite onírica, onde a natureza também fala. Arde, é o fogo do vento que traz a onda de calor. Rui Martins - Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.




quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Venezuela - Fraude ou golpe? As redes sociais explicam

Quem não tem acompanhado o governo de Nicolás Maduro na Venezuela ou quem ignora ou confunde países e tendências políticas na América Latina pode ter dificuldade para fazer um juízo de valor: houve fraude nas eleições ou há uma tentativa de golpe pela extrema-direita?

Num momento desses, pode-se testar a validade e utilidade das redes sociais, porém, há o risco da pessoa ser enganada, ser convencida por uma inverdade, ou ficar totalmente desorientada, diante de "influenciadores" de orientações políticas opostas. Sem se falar nos canais especializados em criar falsas informações ou deturpar notícias verdadeiras, as conhecidas fake-news.

É possível se fazer um teste e conseguir obter um resultado correto e próximo da verdade? Não custa tentar, pois entender as eleições venezuelanas é uma oportunidade rara que nos oferecem as redes sociais. Vamos dar uma volta entre algumas delas, na busca de uma orientação segura para chegar a uma conclusão segura.

Mas é sempre bom lembrar haver maus perdedores. Donald Trump ao perder na tentativa de reeleição para Joe Biden espalhou a história de ter sido roubado e de ter havido fraude nas urnas e nas apurações. Acusação talvez possível de ser levada a sério, pois os EUA usam ainda o sistema de voto impresso e o envio do voto por correspondência.

Essa explicação de fraude nas urnas e nas apurações foi também utilizada pelo ex-presidente Bolsonaro ao perder a reeleição. Com uma ligeira diferença, Bolsonaro falava em fraudes nas urnas eletrônicas antes mesmo das eleições, gerando uma certa desconfiança quanto às suas intenções e deixando a suspeita de pretender recorrer ao argumento das fraudes, no caso de perder a reeleição. Tanto Trump como Bolsonaro são políticos da extrema-direita.

Mas vamos saber o que circula nas redes sociais e imprensa, em busca de uma boa orientação.

Começamos com o canal Opera Mundi, de Caracas, onde está o jornalista Breno Altman, que se refere ao comunicado do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciando a vitória de Maduro. Ele explica ser digital o voto com identificação biométrica do votante mas com uma comprovação impressa - ou seja, depois de votar, o eleitor recebe um recibo confirmando ter votado, e esse recibo é colocado numa urna. Na chamada auditagem das urnas, existe a ata das urnas e a contagem dos recibos de votações, que devem ser iguais.

Breno conta ter havido tentativas de hackers, da Macedônia, tentando interferir na votação. As atas auditadas têm o prazo de 72 horas para serem autenticadas ou três dias. Em síntese tudo está em ordem, segundo Breno, é a direita e a extrema-direita que colocam em dúvida a validade do resultado das eleições.

No seu relato, Breno Altman citou o Centro Carter como o responsável pela criação do sistema eleitoral venezuelano, um dos mais confiáveis do mundo. Ora, o canal MyNews, de esquerda, conseguiu uma declaração oficial do Centro Carter criticando os resultados das eleições. De acordo com Sylvia Colombo, correspondente do MYNews, o Centro Carter funciona como uma ONG sem vínculos políticos. Ela também fala de restrições às atividades de jornalistas na Venezuela, razão pela qual preferiu não ir à Venezuela nas eleições.

Trechos da declaração oficial do Centro Carter circulam pela Internet e fazem sérias críticas às eleições, do tipo “O processo eleitoral da Venezuela não atendeu aos padrões internacionais de integridade eleitoral em nenhuma de suas etapas”.

O canal Meteoro, de esquerda, adota uma posição de cautela, reproduzindo entrevista da TV LCI, no qual se fala da campanha da oposição para descredibilizar Nicolás Maduro. Mas critica a ex-candidata Maria Corina, ultra liberal, que está chamando o exército para intervir no país.

O canal petista Brasil 247 sentiu a divisão criada dentro da esquerda por ter apoiado a reeleição do presidente Maduro, decisão reforçada com a declaração da dirigente petista Gleisi Hoffmann, com a posição do PT favorável ao presidente Maduro. Para o Brasil 247, a Venezuela é um posto avançado da luta contra o imperialismo americano. O canal critica a demora do Brasil em reconhecer a vitória de Maduro, mas a declaração neutra do presidente Lula vem sendo criticada por muita gente de esquerda como o jornalista Ricardo Kotscho, tanto no UOL como numa entrevista para o MyNews.

De uma maneira geral, a imprensa critica Maduro. O jornal Le Monde publica no seu sítio um vídeo no qual responde à pergunta - por que é contestada a vitória de Maduro? O canal UOL foi unânime nas críticas ao presidente Maduro.

Essas opiniões diferenciadas sobre as eleições na Venezuela ajudaram a formar uma opinião? Maduro é também criticado por permanecer muito tempo no poder. Com esse terceiro mandato ficará 17 anos na presidência. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI

 

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Portugal - Biotêxtil de cascas de alho "made in" Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e F Belas Artes UP vence prémio internacional

O projeto “Sacalho” destacou-se na categoria de «Product Design/Eco Design - Estudantes» dos DNA Paris Design Awards 2024


Produzir um biotêxtil feito de cascas de alho? A proposta tem tanto de inusitado, mas a verdade é que o conceito acaba de ser premiado nos DNA Paris Design Awards, na categoria de Product Design/Eco Design – Estudantes. Criado no Laboratório de Desenvolvimento de Produtos e Serviços (LDPS) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), no âmbito do Mestrado em Design Industrial e de Produto, o “Sacalho” de Guilherme Giantini surgiu com o intuito de viabilizar a exequibilidade de fabrico, promover a criação de materiais alternativos, de base biológica, aos comumente usados com fins lucrativos no mercado, e que contribuem para o alto impacto e poluição ambiental.

Tudo começou a ganhar forma a partir da exploração da composição de vários resíduos alimentares: borras de café, cinzas de madeira, cascas de amendoim e cascas de alho. A última opção acabou por prevalecer por ser um elemento típico da cozinha mediterrânea.

Em Portugal, onde são perdidos, anualmente, cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos, e o setor têxtil é responsável por 20% da contaminação da água doce, o projeto teve como principal estratégia a utilização de resíduos para o seu fabrico.

Ciente de que o atual descarte de sacos de algodão atinge o equilíbrio do seu impacto ambiental somente após 20 mil utilizações consecutivas, fazendo com que seja necessário usá-las, diariamente, por 54 anos para compensar a poluição associada ao seu fabrico, o “Sacalho” pretende ajudar a mitigar a pegada ecológica destes artigos.

O projeto de design de Guilherme Giantini contou com a mentoria científica de Lígia Lopes, Diretora do Mestrado em Design Industrial e de Produto da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP) e apoio ao fabrico de Jorge Lino Alves, docente da Secção de Materiais e Processos Tecnológicos do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP.

Sobre os DNA Paris Design Awards

Os DNA Paris Design Awards distinguem o trabalho de arquitetos e designers internacionais, que melhoram o nosso quotidiano através de um design prático, belo e inovador.

Esta competição aborda as disciplinas do design nas áreas da arquitetura, interior, paisagem, produto ou gráfico, que cause impacto e mereça exposição internacional.

Todas as candidaturas foram avaliadas por um júri composto por designers, editores e criativos que se dedicam à verdadeira excelência do design. A avaliação das candidaturas baseia-se numa série de critérios que são constantemente adaptados às normas atuais. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 13 de julho de 2024

Moçambique - Francisco Panguana Júnior vence Prémio Literário Fernando Leite Couto

O moçambicano Francisco Panguana, de nome artístico Aristarco Velos, é o vencedor da 6.ª edição do prémio literário Fernando Leite Couto, com a obra "Os peregrinos da sobrevivência", anunciou em Maputo, o júri.


"A obra ‘Os peregrinos da sobrevivência’ foi selecionada devido à sua criatividade, inovação temática, correção linguística e domínio técnico narrativo", justificou o júri na voz da sua presidente, Teresa Manjate.

A distinção de Francisco Panguana Júnior, natural da província de Tete, no centro de Moçambique, inclui um valor de 150 mil meticais (2154 euros) e a edição e publicação da obra em Moçambique e em Portugal.

Para além do valor, Francisco Panguana Júnior vai beneficiar de uma residência literária em Portugal, onde vai participar no festival internacional de literatura de Óbidos, em outubro.

O livro "Os peregrinos da sobrevivência" será editado pela Fundação Fernando Leite Couto com 600 exemplares, dos quais 100 serão impressos em Lisboa, com o patrocínio da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, sendo o livro apresentado durante o festival de literatura de Óbidos.

Além de Teresa Manjate, o júri foi composto pelos professores de literatura Aurélio Cuna e Agostinho Goenha, pela bibliotecária Aissa Mithá e pelo jornalista Gil Filipe, tendo sido avaliadas 67 obras.

O prémio literário Fernando Leite Couto, que "distingue novos autores", tem como objetivo "estimular a produção" de novas obras literárias de novos autores moçambicanos que escrevem em língua portuguesa. In “RTP” - Portugal




quinta-feira, 11 de julho de 2024

Fundação Calouste Gulbenkian – Vencedores do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2024

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade deste ano realça a diversidade de soluções no âmbito da agricultura sustentável e distingue pessoas e organizações que contribuem para a segurança alimentar, resiliência climática e proteção dos ecossistemas a nível global. Os vencedores são pioneiros da agricultura sustentável da Índia, Egipto e EUA


O programa Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (Índia), o Professor Rattan Lal (EUA/Índia) e a plataforma de ONG SEKEM (Egipto) são os vencedores do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2024, pela sua contribuição para a segurança alimentar global, a resiliência climática e a proteção dos ecossistemas.

O júri, presidido pela antiga chanceler alemã Angela Merkel, selecionou estas três entidades como reconhecimento da importância da complementaridade do seu trabalho e da necessidade de conciliar a investigação científica com aplicações práticas na área da agricultura sustentável.

Os três vencedores foram selecionados, de entre 181 candidaturas de 117 nacionalidades (o maior número de sempre de nomeações e distribuição geográfica), pelas suas abordagens distintas à agricultura sustentável – a agricultura biodinâmica, natural e regenerativa – as quais têm sido implementadas com sucesso em diversas regiões com condições climáticas adversas, demonstrando como a agricultura sustentável beneficia as comunidades, os agricultores, as economias e o planeta.

Com esta escolha, o Prémio Gulbenkian para Humanidade 2024 vem sublinhar como os desafios climáticos são interdependentes e conduzem a crises sistémicas interligadas. As alterações climáticas estão a agravar a perda de biodiversidade, a ocorrência de fenómenos climáticos extremos e a degradação dos recursos, perturbando os sistemas alimentares e a saúde humana, a nível mundial. Simultaneamente, a agricultura contribui significativamente para as alterações climáticas através das emissões de carbono, da degradação dos solos e dos recursos hídricos, e da perda de biodiversidade.

Os Vencedores

Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (Índia) é um programa que apoia pequenos agricultores, sobretudo mulheres, na transição para uma agricultura natural; Rattan Lal (EUA/Índia) é um cientista pioneiro na abordagem à agricultura centrada no solo; e SEKEM (Egipto), uma organização com trabalho no domínio da agricultura biodinâmica, é distinguida em particular pela sua emblemática iniciativa Associação Biodinâmica Egípcia, uma rede que apoia os agricultores na transição para práticas agrícolas regenerativas.

Os três vencedores vão partilhar o Prémio, no valor de 1 milhão de euros, a fim de expandirem o seu trabalho em prol de sistemas alimentares mais seguros e sustentáveis.

O programa Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (APCNF) apoia pequenos agricultores na transição de uma agricultura intensiva, com recurso a substâncias químicas, para uma “agricultura natural”, através de técnicas como utilizar resíduos orgânicos e não lavrar a terra para melhorar a saúde do solo, reintrodução de sementes autóctones e diversificação de culturas, incluindo árvores. O programa foi lançado, em 2016, pelo Governo de Andhra Pradesh, um estado na costa sudeste da Índia, de forma a criar respostas sustentáveis às preocupações dos agricultores com as crises económicas e as alterações climáticas.

Implementado pela organização sem fins lucrativos Rythu Sadhikara Samstha (RySS) (Farmers Empowerment Cooperation), o APCNF é o maior programa de agroecologia do mundo, envolvendo mais de um milhão de pequenos agricultores, sobretudo mulheres, em 500.000 hectares na região de Andhra Pradesh. Logo na primeira fase de transição, este programa permite aos agricultores um aumento na produtividade das colheitas, bem como melhores rendimentos e vantagens para a saúde. Gera ainda benefícios ambientais e sociais ao sequestrar mais carbono no solo, reverter a degradação do solo, reduzir a sua temperatura e aumentar a biodiversidade. O sucesso do programa assenta em quatro pilares: implementação baseada numa rede consolidada de coletivos de mulheres; aprendizagem interpares através de “Agricultores Mentores”; tecnologia evolutiva; e ser uma iniciativa apoiada pelo estado.

Este modelo está a ser incubado em 12 estados da Índia e será introduzido, ainda este ano, em cinco outros países do Sul Global, adaptado aos contextos locais.

Rattan Lal, natural da Índia e Professor de Ciência dos Solos na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, é um cientista de prestígio mundial, precursor de uma abordagem centrada no solo, que harmoniza a produção alimentar com a preservação ecológica e a mitigação das alterações climáticas. As suas metodologias têm demonstrado, a nível global, a interligação entre a saúde dos solos e o bem-estar ambiental e humano, bem como a importância de promover a segurança alimentar, em paralelo com a conservação dos recursos naturais. Ao promover a investigação e a educação em prol da gestão sustentável dos solos, Rattan Lal tem contribuído para o desenvolvimento do conhecimento na área da agricultura sustentável e da resiliência climática.

SEKEM é uma plataforma de ONG e empresas que promovem abordagens holísticas no combate às alterações climáticas. Criada há quase 50 anos numa região desértica do Egipto, SEKEM focou-se, desde o início, na agricultura biodinâmica, regenerando solo árido com o envolvimento da comunidade local. O seu trabalho no domínio da alimentação e da agricultura promove as práticas regenerativas e destaca os benefícios conexos de soluções baseadas na natureza, tanto para o solo como para as comunidades.

A principal iniciativa de SEKEM no âmbito da agricultura regenerativa é a Associação Biodinâmica Egípcia (EBDA), a maior associação de agricultores independentes do Egipto, que dá apoio na transição de modelos agrícolas convencionais para modelos agrícolas regenerativos, o que, por sua vez, promove o desenvolvimento rural. Até à data, a EBDA apoiou cerca de 10.000 agricultores e converteu mais de 40.000 hectares de terra.

Sistemas alimentares sustentáveis e a resiliência climática

Para Angela Merkel, Presidente do Júri, “O acesso a uma alimentação de elevada qualidade nutricional é de importância vital para todos. As alterações climáticas, e o aquecimento global que daí resulta, provocaram um aumento de fenómenos climáticos extremos e põem em perigo a segurança alimentar global. Esta situação implica um desafio adicional a todos os que se dedicam ao setor agrícola. Os vencedores deste ano demonstraram, de forma exemplar, como, na prática, os sistemas alimentares sustentáveis podem contribuir para a resiliência climática.”

A alimentação é fundamental para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a agenda de desenvolvimento das Nações Unidas para o século XXI. O segundo dos 17 ODS tem como objetivo “erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.” Para atingir este objetivo até à data prevista de 2030, é necessária colaboração internacional, com vista à transformação sustentável do sistema alimentar e agrícola a nível global.

António Feijó, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, afirma: “Queremos distinguir os vencedores deste prémio pelo seu trabalho pioneiro no domínio da agricultura sustentável e pelas soluções inovadoras para a segurança alimentar, resiliência face às alterações climáticas e proteção dos ecossistemas a nível global. Cada um dos premiados demonstrou um grande empenho na transformação das práticas agrícolas, provando que os modelos sustentáveis podem prosperar em ambientes desafiantes e diversos. O seu trabalho demonstra os benefícios da agricultura sustentável para as comunidades e para o planeta. Acreditamos que as suas histórias irão inspirar outros a implementar abordagens semelhantes noutras regiões do mundo e a construir um futuro sustentável para todos.”

Sobre o Prémio Gulbenkian para a Humanidade

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e distingue indivíduos e organizações que contribuem com o seu exemplo e liderança para enfrentar o maior desafio atual da humanidade: as alterações climáticas e destruição da natureza. No valor de um milhão de euros, reconhece contribuições excecionais para a ação climática e soluções que inspiram esperança e novas possibilidades.

Este é o quinto ano em que o prémio é atribuído. Em 2020, foi atribuído a Greta Thunberg; em 2021, foi entregue ao Pacto Global de Autarcas para o Clima e a Energia;  em 2022, foi atribuído conjuntamente ao Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) e à Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas (IPBES); e, em 2023, conjuntamente a Bandi “Apai Janggut”, líder comunitário tradicional da Indonésia, Cécile Bibiane Ndjebet, ativista e agrónoma dos Camarões, e Lélia Wanick Salgado, ambientalista, designer e cenógrafa do Brasil. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal