Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Balanço positivo de fim de ano

Chegamos ao fim do ano com boas notícias, uma é nacional. É o início prático do processo dos chefes golpistas, depois de já ter sido julgada e condenada uma parte dos seus fanáticos seguidores, autores dos atos de vandalismo nos prédios da praça dos Três Poderes, em Brasília, há quase dois anos.

O ano 2025 deverá monopolizar a atenção da imprensa na sequência do indiciamento do primeiro escalão dos articuladores de um golpe com assassinatos, envolvendo militares de alto escalão e autoridades do governo passado.

E poderá incluir, ao que tudo indica, o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ele mesmo e seus filhos, apostem numa pressão contrária pelos Estados Unidos, com novo governo no dia 20 de janeiro.

A próxima condenação e prisão de Bolsonaro parece um filme policial da série Columbo, no qual não há suspense, pois, desde o começo, todos já sabem quem é o culpado.

Viveremos o retorno ao passado de intervenções diretas ou indiretas do governo norte-americano no Brasil? Elon Musk e Donald Trump poderão criar condições favoráveis a um impeachment de Lula e Alexandre Moraes?

Improvável, pois Trump estará empenhado num acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, numa normalização no Médio Oriente e no fim de uma ameaça nuclear pelo Irão.

Ao contrário, o julgamento do ex-presidente Bolsonaro, preso ou em liberdade, criará condições para o indiciamento por incitação para o Golpe para juristas intérpretes do artigo 142 da Constituição, interessados em legalizar a intervenção militar, pela Minuta do Golpe, da qual teria participado o jurista Ives Gandra.

Terá chegado a vez, em 2025, de serem processados os idealizadores do "gabinete do ódio" com suas redes sociais especializadas em fake news. Sem esquecer dos guias espirituais evangélicos pregadores e justificadores do Golpe com o uso do Velho Testamento bíblico e da chamada "teoria do domínio".

Outra notícia, também recente, é a queda do ditador sírio Bashar al-Assad, deposto pelo grupo HTS, de Abu Mohammad al-Jolani, um movimento islamista "sui generis", contrário à aplicação da truculenta lei da charia e, até agora, disposto a aceitar a presença de cristãos na Síria.

Algumas redes sociais brasileiras de esquerda lamentam a queda do ditador al-Assad, de longe muito pior que um Ustra. Mas é gratificante ler num texto de Fernando Gabeira - "Considero-me feliz por ter passado um fim de semana colado à TV, vendo o fim de uma longa ditadura, as pessoas festejando nas ruas de Damasco, os presos saindo das masmorras, bandeiras, gritos, exilados preparando a volta."

A ONU e alguns países da União Europeia já vão se encontrar com o chefe Jolani do HTS para avaliarem a situação na Síria e se certificarem da implantação pacífica do novo governo islamita sem criação de uma nova ditadura teocrática na região.

Como a do Irão, apoiadora da ditadura de al-Assad, para a qual este fim-de-ano é negativo. Um debate no canal francês Arte discute se, depois da Síria, não será a vez da teocracia iraniana, que apoiava al-Assad e apoia o Hamas e o Hezbollah, e cuja expectativa de ter a bomba nuclear poderá ser impedida por Trump. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins - Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Lembrando o 7 de Outubro

Geralmente a gente comemora os aniversários e as coisas boas. É mais raro e ao mesmo tempo é triste lembrar desgraças e infelicidades.

Mas hoje é o caso - 7 de outubro, data do ataque terrorista do Hamas a diversos kibutz, a jovens alegres que ainda dormiam depois de uma festa rave, todos desarmados, eram civis, ataque qualificado como um pogrom a cidadãos israelenses. Agravado com o sequestro de mais de duzentas pessoas transformadas em reféns, algumas delas já mortas.

As consequências foram enormes com a resposta israelense, o envolvimento do Irão, os ataques ao movimento Hezbollah no Líbano e o risco atual de um conflito maior no Oriente Médio.

O movimento terrorista Hamas, cujo objetivo é a destruição de Israel e não a criação de um Estado Palestino, como queria a OLP de Yasser Arafat, é acusado de ter utilizado a população de Gaza como escudo e nega, mesmo diante das evidências de vídeos postados nas redes sociais, as atrocidades cometidas há um ano contra jovens, mulheres e crianças, mesmo bebês. E essa negativa é endossada por grande parte das redes sociais de esquerda brasileiras.

De todo esse caos desencadeado pelo Hamas e pela reação bíblica de Israel de não deixar pedra sobre pedra em Gaza, ressurgiu com força na Europa e na América Latina o antissemitismo, enquanto o wokismo e o Sul Global mostrou a adesão de grande parte da esquerda e de universitários americanos e europeus a uma islamização nas teorias sociológicas anti-imperialistas e pós-colonialistas.

Isso é evidente nas redes sociais brasileiras de esquerda. Essa islamização equivale a um retrocesso social e político, pois uma boa parte dos países considerados anti-imperialistas é composta de ditaduras e teocracias, onde, como simples exemplo, as mulheres são cidadãs de segunda classe e os homossexuais e trans são perseguidos e mesmo mortos.

O jornal Le Monde publica um importante editorial, no qual defende a criação do estado palestino junto com o de Israel, e não a criação de um com a destruição do outro, como a solução para a atual crise.

E cito a respeito um texto de Marcelosik, publicado em baixo de um texto negacionista do Canal GGN, de Ana Gabriel Sales, no qual ele diz - "a luta a favor do estado palestino e contra o governo fascista de Netanyhou não pode se confundir com a normalização de uma milícia fundamentalista de extrema-direita a partir do pensamento binário de setores de nossa esquerda." Texto com o qual concordo plenamente. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 


domingo, 15 de março de 2015

Estados Unidos da América - Cura para a diabetes pode estar numa planta

A cura para a diabetes pode estar num composto encontrado na harmal, uma planta do Médio Oriente. Um grupo de investigadores descobriu que a substância, denominada harmina, é capaz de levar à multiplicação das células beta do pâncreas e de controlar os níveis de açúcar no sangue.

A equipa da Faculdade de Medicina de Icahn, integrada no Hospital Mount Sinai, nos EUA, analisou mais de 100.000 potenciais fármacos e concluiu que a harmina é a única substância a conseguir induzir a divisão e multiplicação de células-beta adultas de humanos em culturas laboratoriais, um desafio que durante anos se tem colocado aos cientistas.

À medida que os seres humanos se desenvolvem, todas as células do organismo se dividem em duas, conduzindo à multiplicação celular, que acontece a par da formação dos órgãos.

As células beta do pâncreas comportam-se, porém, de forma diferente: a maior parte da sua multiplicação realiza-se durante o primeiro ano de vida, sendo interrompida no decurso da infância e deixando um “stock” limitado de células que tem de durar “para sempre”.

A perda de células beta, produtoras de insulina, é considerada a principal causa da diabetes de tipo um, visto que o sistema imunitário dos pacientes com esta doença ataca e destrói estas células por engano. A falta de células beta contribui decisivamente para a diabetes tipo de dois, pelo que o desenvolvimento de medicamentos que aumentem o número destas células é a maior prioridade dos investigadores.

No âmbito do estudo, cujos resultados foram publicados esta semana na revista científica "Nature Medicine", os cientistas do Hospital Mount Sinai, coordenados por Andrew Stewart, descobriram que a harmina triplicou o número de células-beta e contribuiu para o equilíbrio dos níveis sanguíneos de glicose em três grupos de ratinhos com diabetes.

Embora a multiplicação de células-beta seja encarada como a abordagem mais óbvia para o tratamento da doença, todas as tentativas feitas no passado com vista a esta multiplicação tiveram um sucesso modesto, já que a sua programação genética faz com que as células resistam fortemente à divisão na idade adulta.

Este é, portanto, uma vitória inédita para os cientistas. “As nossas conclusões demonstram que a harmina consegue levar à proliferação de células-beta a um nível que pode ser relevante para o tratamento da diabetes”, afirma Stewart, principal autor do estudo, em comunicado.

“Apesar de ainda haver muito trabalho pela frente para melhorar a especificidade da harmina, bem como a sua potência e a de outros compostos a ela associados, acreditamos que estes resultados representam um passo em frente fundamental para um futuro tratamento mais eficaz desta doença”, acrescenta o investigador.

A harmina é derivada de uma planta chamada harmal que cresce, sobretudo, no Médio Oriente, existindo também em algumas vinhas da América do Sul. O composto é conhecido por ter efeitos psicoativos no cérebro, que afectam o sistema nervoso e alteram o humor e que justificam o seu uso em cerimónias espirituais e na medicina tradicional.

O próximo objectivo dos cientistas é, portanto, procurar adaptá-la de forma a que influencie apenas a produção de células beta e possa ser usada no desenvolvimento de um novo fármaco sem esse tipo de efeitos secundários. In “Jornal de Angola” - Angola