Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 30 de julho de 2024

Portugal - Associação europeia financia projeto do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde sobre pré-leucemia aguda

Financiamento de 240 mil euros permitirá ao investigador Delfim Duarte estudar o papel do ferro na formação e diferenciação anormal das células de sangue (hematopoiese clonal)


A Associação Europeia de Hematologia – The European Hematology Association (EHA) atribuiu recentemente uma das três Bolsas de Investigação para Médicos Cientistas a Delfim Duarte, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e hematologista do IPO-Porto.

No valor de 240 mil euros, e com uma duração de três anos, este financiamento permitirá ao investigador estudar o papel do ferro no processo da formação e diferenciação anormal das células de sangue (hematopoiese clonal), que aumenta o risco de desenvolvimento da leucemia mieloide aguda (LMA).

A hematopoiese clonal é uma condição recentemente descrita que afeta a forma como as células sanguíneas são produzidas e que está associada com o envelhecimento e com o risco de LMA, um tipo agressivo de cancro do sangue que afeta os glóbulos brancos.

Neste projeto, especifica Delfim Duarte, “vamos estudar o papel da inflamação e do ferro na formação e diferenciação das células de sangue e desenvolvimento de leucemia”. Com o avançar da idade, acrescenta, “o número de erros nas células da medula que dão origem às células sanguíneas vai aumentando por acumulação de mutações em genes que regulam vários processos celulares. As células mutadas expandem e têm função alterada, aumentando assim o risco cardiovascular e de desenvolvimento de leucemia mieloide aguda”.

De acordo com o investigador, “vários estudos demonstraram que estas células mutadas têm um perfil pró-inflamatório, muitas vezes relacionado com uma proteína reguladora dos níveis sistémicos de ferro, a hepcidina”.

Além disso, acrescenta Delfim Duarte, “dados preliminares do nosso grupo de investigação no i3S (Hematopoiesis and Microenvironments) sugerem que essa proteína e os níveis de ferro regulam por sua vez a formação de novas células sanguíneas”.

Neste projeto, continua o também professor auxiliar convidado da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), “vamos estudar em doentes e modelos animais a relação entre a inflamação, ferro e a formação de novas células sanguíneas, bem como o risco de evolução para leucemia. Este estudo pode ter implicações importantes para a prevenção do risco cardiovascular e de desenvolvimento de leucemias nesta população”.

Para obter estas informações, a equipa de Delfim Duarte, que inclui investigadores da Universidade de Tours (França) e da Universidade de Zurique (Suíça), vai estudar amostras de doentes com hematopoiese clonal e modelos de ratinho que mimetizam a condição humana.

Para o investigador, este financiamento da Associação Europeia de Hematologia, que resultou de um processo de avaliação muito exigente, representa o “reconhecimento da solidez da proposta e uma motivação adicional. É também o reconhecimento do trabalho que a nossa equipa tem desenvolvido nesta área nos últimos anos”.

Como médico, continua Delfim Duarte, “é também uma oportunidade única de explorar num contexto pré-clínico possíveis futuros tratamentos para os doentes com patologia hemato-oncológica. Isto só é possível graças ao consórcio do Porto Comprehensive Cancer Center (P.CCC) Raquel Seruca, que inclui o i3S e o IPO-Porto”. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 18 de setembro de 2021

França – Vacina por via intranasal avança no combate contra a Covid-19, depois de Portugal e Brasil

Uma nova linha de combate contra a Covid-19 surge no horizonte: as vacinas por via intranasal, um método promissor nos testes animais, mas que ainda precisa de ser confirmado entre seres humanos. Os dados preliminares apontam para um elevado nível de proteção e uma maior capacidade de reduzir a transmissão do que as vacinas já disponíveis

Depois da portuguesa Immunethep e das brasileiras CTVacinas e da  Universidade de São Paulo, os testes clínicos em animais na França estão a apresentar resultados, a tal ponto que dois organismos públicos, o Inrae e a Universidade de Tours, apresentaram um pedido de patente para um modelo.

A diretora da equipa de pesquisa BioMAP da universidade, Isabelle Dimier-Poisson, afirmou que os testes em ratos apresentaram "100% de sobrevivência" nos exemplares vacinados desta forma e depois infectados com a covid-19. Todos os ratos não vacinados faleceram, informou a cientista.

"Os animais vacinados estão 100% protegidos contra as formas sintomáticas e, a princípio, contra as formas graves do vírus. E como têm carga viral muito reduzida, deixam de ser contagiosos, o que é um dos aspectos interessantes da via nasal", destacou Philippe Mauguin, presidente do Inrae, um instituto de investigação.

Num artigo publicado em julho na revista Science, os cientistas Frances Lund e Troy Randall destacaram que, na comparação com as vacinas intramusculares, as intranasais mostram duas camadas de proteção adicionais.

A primeira é representada pelos IgA, anticorpos que desempenham um papel crucial na função imunológica das mucosas. Depois, aparecem as células B e T de memória, que residem nas mucosas respiratórias e formam uma barreira particular contra infecções.

"Quando o vírus infecta uma pessoa, geralmente entra pelo nariz. A ideia é fechar esta porta de entrada", explica a diretora de investigação do Inserm, Nathalie Mielcarek, líder de uma equipa do Instituto Pasteur de Lille, que está a trabalhar num projeto de vacina nasal.

"Com as vacinas intramusculares a resposta imunológica nas mucosas não é muito duradoura, nem muito forte. Por isso é mais vantajoso imunizar a nível nasal", destaca a imunologista e diretora de investigação no Instituto Cochin Morgane Bomsel.

As vacinas atualmente no mercado protegem contra os casos graves de covid-19, mas são menos eficientes contra a transmissão.

Ao receber o medicamento diretamente nas mucosas nasais, os pacientes têm menos carga viral nos pulmões, "ou seja, são casos menos graves e em consequência há menos risco de transmissão", explica Nathalie Mielcarek.

No momento, existe apenas um modelo de vacina intranasal utilizado, contra a gripe, nos Estados Unidos. De acordo com a OMS, há oito tratamentos em fase de avaliação clínica. O mais avançado está a ser desenvolvido por um grupo de universidades e empresas chinesas. Além disso, há dezenas em estudo.

Quando surgiu a covid-19, o Instituto Pasteur na França, associado à empresa Theravectys, desenvolveu rapidamente uma vacina que codificava o antígeno Spike, a proteína que permite ao SARS-CoV2 penetrar as células.

"Testamos diversas vias de administração e detetamos, nos ensaios pré-clínicos, que quando a injeção era realizada por via intranasal se alcançava a erradicação completa do vírus em animais", explica a diretora de pesquisa do laboratório conjunto, Laleh Majlessi.

Outra vantagem do método intranasal é que representa uma barreira à propagação do vírus no cérebro. Além disso, esta vacina parece ser eficaz contra todas as variantes do Sars-CoV-2, segundo Laleh Majlessi.

A vacina intranasal pode ser uma maneira eficaz de aplicar uma dose de reforço, nos países onde a população já recebeu duas doses prévias.

Ao permitir a redução da transmissão do vírus "poderia permitir um retorno à vida normal antes da pandemia, sem distanciamento social e sem máscara", imagina Isabelle Dimier-Poisson. In “MadreMedia Sapo” – Portugal com “AFP”

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