Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 26 de abril de 2026

Cabo Verde - Redução do financiamento internacional pode comprometer combate à malária

Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.


O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados totalmente confirmados.

Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das populações.

A docente considerou ainda que uma eventual redução da ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo em Cabo Verde.

Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.

Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a casos importados.

Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de 2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton, entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.

A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Gabão - A taxa de mortalidade infantil é estimada em 39% para crianças menores de 5 anos

Da mesma forma, o relatório do Plano Nacional de Desenvolvimento Comunitário (PNDC) indica que a mortalidade materna permanece alta, com 227 mortes por 100 mil nascidos vivos

Conforme o Gabon Media Time, o Gabão enfrenta uma situação de saúde preocupante, marcada por profundas desigualdades no acesso aos cuidados médicos e por um subfinanciamento crónico.

Segundo dados do Plano Nacional de Crescimento e Desenvolvimento 2026-2030, embora a taxa teórica de acesso aos serviços de saúde em áreas urbanas chegue a 93%, apenas 58% da população os utiliza de facto. O documento ressalta que a situação é ainda mais crítica em áreas rurais, com infraestruturas obsoletas e insuficientes para atender às necessidades da população.

Os indicadores de saúde pública incluídos no Plano Nacional de Desenvolvimento (PNCD) ilustram a magnitude dos desafios: a mortalidade materna permanece elevada, com 227 óbitos por 100 mil nascidos vivos, enquanto a taxa de mortalidade infantil atinge 39% entre crianças menores de cinco anos.

Além disso, doenças como o HIV, a malária e a desnutrição continuam a afetar gravemente a população, especialmente os jovens. Estas doenças representam uma parcela significativa das causas de morbidade e impõem um fardo constante ao sistema nacional de saúde.

Um sistema de saúde sob pressão financeira e estrutural

Apesar da criação do Fundo Nacional de Seguro Saúde e Previdência Social (CNAMGS), com o objetivo de melhorar a cobertura de saúde, o financiamento para o setor permanece insuficiente. Os recursos alocados são limitados e a gestão apresenta deficiências, como atrasos nos reembolsos e controlos de gastos inadequados. Esta situação impacta diretamente a qualidade do atendimento e leva ao aumento dos custos de saúde para as famílias.

Além dessas dificuldades financeiras, existem deficiências estruturais significativas, como a escassez de pessoal qualificado, particularmente médicos especialistas, bem como a insuficiência de formação contínua e a emigração de profissionais de saúde para o setor privado ou para o exterior, o que limita a capacidade do sistema. A governança em saúde também permanece imperfeita, com frágil coordenação institucional e digitalização ainda incipiente. Esses desafios comprometem a ambição de alcançar a cobertura universal de saúde no Gabão, e o Programa Nacional de Coordenação e Desenvolvimento (PNCD) visa fornecer soluções estruturais até 2030. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Moçambique - Aumento de casos de malária preocupa Governo Provincial de Tete

A província de Tete registou, no ano passado, mais de um milhão de casos de malária e cerca de 34 óbitos. Para travar a doença, o sector da saúde vai levar a cabo uma campanha de quimio-prevenção sazonal, que arranca a 23 de Janeiro e vai abranger os 12 distritos com excepção dos distritos de Tete, Tsangano e Mutarara.

Isto acontece numa altura em que a província de Tete regista elevados índices de contágio da malária, o que levou o sector da saúde a reunir-se esta segunda-feira, no Fórum anual Provincial da Malária.

O encontro tinha como objectivo delinear estratégias mais eficazes para o combate à doença.

Dados apresentados no encontro indicam que, só no ano passado, a província notificou mais de um milhão de casos de malária, tendo sido registados cerca de 34 óbitos, um cenário que continua a preocupar as autoridades governamentais.

Para fazer face ao crescente número de casos e prevenir a doença nas crianças, o sector da Saúde vai levar a cabo, a partir de 23 de janeiro, uma campanha de quimio-prevenção sazonal, uma iniciativa que vai abranger os 12 distritos da província com excepção dos distritos de Tete, Tsangano e Mutarara, e será destinada a crianças dos 3 aos 59 meses de idade.

Para além da campanha de quimio-prevenção, o Governo de Tete prevê distribuir, ainda este ano, mais de dois milhões de redes mosquiteiros em toda a província. In “O País” - Moçambique


domingo, 15 de junho de 2025

Portugal - Investigadores dão passo importante na luta contra a malária

Investigadores portugueses do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM) descobriram que a acumulação do pigmento amarelo bilirrubina, uma substância considerada um “produto residual” do organismo, protege contra a malária ao matar os parasitas que causam a doença


Segundo uma investigação publicada na revista científica Science, a equipa liderada por Miguel Soares, investigador principal no GIMM, descobriu que a acumulação do pigmento amarelo bilirrubina é, na verdade, uma resposta adaptativa do corpo que confere proteção contra a malária.

É comum os doentes com malária grave desenvolverem icterícia, uma condição que se manifesta pelo amarelecimento da pele e dos olhos, devido exatamente à acumulação do pigmento amarelo bilirrubina.

Segundo comunicado da GIMM, esta descoberta inovadora revela um mecanismo inesperado de defesa do hospedeiro que pode ser explorado como estratégia terapêutica em futuros tratamentos para a malária.

“Para nosso espanto, descobrimos que talvez a função mais importante da bilirrubina é de nos proteger contra a malária através de um mecanismo que não antecipávamos: mata o parasita”, explica Miguel Soares, coordenador do estudo.

Para a investigadora Ana Figueiredo, primeira autora do estudo, que finaliza o seu doutoramento com Miguel Soares no GIMM, “descobrir que uma molécula produzida pelo próprio organismo durante a infeção pode proteger contra a malária dá-nos uma nova perspetiva sobre os mecanismos de defesa do corpo e abre possibilidades entusiasmantes para o futuro”.

Segundo o comunicado da GIMM, os parasitas do género Plasmodium, que causam a malária, infetam e multiplicam-se no interior dos glóbulos vermelhos que circulam no sangue. Nessas células, alimentam-se de hemoglobina — a proteína que utiliza o ferro, contido dentro de uma estrutura molecular chamada hemo, para transportar oxigénio. No final do seu ciclo de expansão, provocam a lise (rutura) dos glóbulos vermelhos, libertando o restante da hemoglobina que não ingeriram, na corrente sanguínea.

De acordo com o comunicado, o laboratório liderado por Miguel Soares tem demonstrado, ao longo dos anos, que, quando a hemoglobina é libertada na corrente sanguínea, larga o hemo que é altamente tóxico para o hospedeiro e é a causa do desenvolvimento de formas graves de malária. Para evitar a acumulação do hemo na circulação, o hospedeiro induz uma série de reações bioquímicas complexas que culminam na produção de bilirrubina, um pigmento amarelo que se pensava não ser mais que um “produto residual” tóxico.

Segundo a explicação científica, divulgada pela GIMM, “a conjugação da bilirrubina no fígado permite a sua excreção no intestino e limita a acumulação de bilirrubina na circulação. Quando há acumulação de bilirrubina na circulação, o mesmo é considerado como sendo revelador de uma disfunção do fígado”. Esta associação, de acordo com o centro de investigação, contribuiu, ao longo de séculos, para a ideia de que a icterícia não é mais do que uma resposta patológica (causadora de doença).

Contudo, um número crescente de descobertas tem vindo a demonstrar que a bilirrubina tem várias funções biológicas importantes, o que levou a equipa a explorar esta hipótese no contexto da malária.

“Através de várias experiências complementares, tanto in vivo como in vitro, demonstrámos que a bilirrubina bloqueia a proliferação e virulência (capacidade de induzir doença) dos parasitas Plasmodium dentro dos glóbulos vermelhos, impedindo-os de se alimentarem e de produzirem energia, o que conduz à sua morte”, explica Ana Figueiredo.

A malária continua a ser uma doença com elevada mortalidade a nível global, especialmente entre crianças com menos de cinco anos. Só em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou cerca de 560.000 mortes por malária em todo o mundo.

“Esta descoberta abre portas para explorar até que ponto esta estratégia natural de defesa do organismo pode ser usada terapeuticamente, de forma a aliviar o enorme impacto da malária nas populações humanas”, conclui Miguel Soares. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Moçambique - Início da vacinação contra a malária

Moçambique registou 6,2 milhões de casos de malária no primeiro semestre de 2024, menos 22% em igual período do ano passado, e o número de óbitos provocados pela doença baixou para 196, anunciou o Governo.

“A malária continua a ser um dos maiores problemas de saúde pública no nosso país e, em parte, condiciona o nosso desenvolvimento económico”, reconheceu na província da Zambézia, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, durante o arranque do programa de vacinação contra a doença.

O governante referiu que, só nos primeiros seis meses deste ano, Moçambique registou cerca de 6,2 milhões de casos de malária contra oito milhões em igual período de 2023, o que representa uma redução em 22%.

O responsável acrescentou que, no primeiro semestre deste ano, foram registados 196 óbitos intra-hospitalares contra 211 mortes em igual período de 2023, representando uma redução na ordem de 7%.

“Os ganhos acima referidos resultam da utilização de intervenções combinadas e eficazes que têm impacto na redução do peso da malária no país”, afirmou o ministro, acrescentando que a nova vacina vai ser administrada em todas as unidades sanitárias da província da Zambézia.

“A selecção da província da Zambézia como pioneira está relacionada com o facto de ser a que tem o elevado peso da doença, medido pelo número de casos e óbitos”, referiu o governante, destacando igualmente que a vacinação vai expandir-se para todo o país a partir de 2025, em função do aumento da disponibilidade da vacina a nível global.

Moçambique iniciou a vacinação contra a malária no país, começando na província da Zambézia, centro do país, com um grupo alvo de crianças dos seis aos 11 meses, anunciou o Ministério da Saúde.

“A vacina contra a malária tem efeitos na redução dos casos graves e óbitos por malária”, pode ler-se num documento do Ministério da Saúde que acrescenta que a vacinação que arranca hoje representa um investimento, numa primeira fase, de 381.229 dólares, financiados pelo Governo e pela Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (Gavi), entre outros parceiros.

As autoridades nacionais anunciaram anteriormente que será utilizada no país a R21/Matrix-M, segunda vacina contra a malária para crianças, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e aprovada em Outubro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 2 de maio de 2024

Angola - Mais de 100 mil casos de malária no primeiro trimestre deste ano no município do Cazenga em Luanda

O município do Cazenga, em Luanda, registou, só de Janeiro a Março deste ano, mais de 100 mil casos de malária, mais 10 mil comparando com o período homólogo de 2023, com maior enfâse em mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos, uma situação que está a preocupar as autoridades deste município, soube o Novo Jornal


As autoridades reconhecem que o nível da doença está em alta no município e que diariamente o Hospital Municipal do Cazenga e o dos Cajueiros registam centenas de casos, mas não avançaram o número de óbitos registados neste período.

Na província de Luanda, os dados estatísticos dos primeiros três meses deste ano não foram ainda revelados, mas a informação que chegou ao Novo Jornal indica que ao nível dos municípios, o Cazenga continua no topo da lista, uma situação que inquieta a administração municipal.

De Janeiro a Março do ano passado, as unidades de saúde do município do Cazenga reportaram à direcção municipal mais de 90 mil casos de malária. Este ano, no mesmo período, as autoridades reportaram 100 mil.

Ao Novo Jornal, não aceitam revelar o total de mortos no primeiro trimestre, mas asseguram que os números são "preocupantes".

A informação foi avançada ao Novo Jornal pelo director municipal da Saúde, Caetano Miguel, que disse que há nesta altura um trabalho árduo da administração do Cazenga para combater esta doença, que é a segunda causa de morte em Angola, a seguir à sinistralidade rodoviária.

Segundo o responsável, a malária é a doença que mais frequentemente assola os habitantes do município.

"Estamos a falar de 101 mil casos só no primeiro trimestre deste ano. É um número preocupante, mas estamos a trabalhar para reduzi-lo", disse o director municipal.

Entretanto, a administração do Cazenga deu início, na semana passada, a uma campanha municipal de combate à malária.

Segundo Caetano Miguel, é importante que as famílias ataquem o problema, evitando acima de tudo o contacto com os mosquitos, usando mosquiteiros. Já os munícipes, pedem às autoridades que melhorem o saneamento básico nos bairros, para evitar que a malária seja a principal patologia nos hospitais.

O Novo Jornal sabe que os distritos urbanos mais afectados pela doença são os do Kalawenda, Hoji-Ya-Henda, Cazenga Popular e Tala-Hadi.

Com uma população estimada em dois milhões de habitantes, o Cazenga tem 15 unidades sanitárias públicas, sendo um hospital geral e dois municipais.

O Hospital Geral dos Cajueiros é a unidade de saúde a nível do município que mais tem recebido pacientes, e onde mais de 1500 doentes são atendidos diariamente. Deste número, centenas são diagnosticados com malária. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 


sábado, 13 de janeiro de 2024

Cabo Verde - A Organização Mundial da Saúde certifica o País como livre de paludismo, assinalando um marco histórico na luta contra a malária

Um total de 43 países e 1 território foram agora certificados como livres de malária



A Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou Cabo Verde como um país livre de malária, marcando uma conquista significativa na saúde global. Com este anúncio, Cabo Verde junta-se ao grupo de 43 países e 1 território a quem a OMS atribuiu esta certificação.

Cabo Verde é o terceiro país a ser certificado na região africana da OMS, juntando-se às Maurícias e à Argélia, que foram certificadas em 1973 e 2019, respetivamente. O fardo da malária é o mais elevado no continente africano, que representou aproximadamente 95% dos casos globais de malária e 96% das mortes relacionadas em 2021.

A certificação da eliminação da malária impulsionará um desenvolvimento positivo em muitas frentes para Cabo Verde.  Os sistemas e estruturas criados para a eliminação da malária reforçaram o sistema de saúde e serão utilizados para combater outras doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue. Os viajantes de regiões não endémicas de malária podem agora viajar para as ilhas de Cabo Verde sem receio de infecções locais de malária e dos potenciais inconvenientes das medidas de tratamento preventivo. Isto tem o potencial de atrair mais visitantes e impulsionar as actividades socioeconómicas num país onde o turismo representa aproximadamente 25% do PIB.

“Saúdo o governo e o povo de Cabo Verde pelo seu empenho inabalável e resiliência na sua jornada para eliminar a malária”, disse o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A certificação da OMS de que Cabo Verde está livre da malária é uma prova do poder do planeamento estratégico da saúde pública, da colaboração e do esforço sustentado para proteger e promover a saúde. O sucesso de Cabo Verde é o mais recente na luta global contra a malária e dá-nos esperança de que, com as ferramentas existentes, bem como com as novas, incluindo as vacinas, podemos ousar sonhar com um mundo sem malária.”

A certificação da eliminação da malária é o reconhecimento oficial pela OMS do estatuto de país livre da malária. A certificação é concedida quando um país demonstra – com provas rigorosas e credíveis – que a cadeia de transmissão autóctone da malária pelos mosquitos Anopheles foi interrompida a nível nacional durante, pelo menos, os últimos três anos consecutivos.  Um país deve também demonstrar a capacidade de impedir o restabelecimento da transmissão.

“A certificação como país livre de malária tem um enorme impacto e foi preciso muito tempo para chegar a este ponto. Em termos de imagem externa do país, isso é muito bom, tanto para o turismo como para todos os outros. O desafio que Cabo Verde superou no sistema de saúde está a ser reconhecido”, afirmou o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.

Cabo Verde, um arquipélago de 10 ilhas no Oceano Atlântico Central, tem enfrentado desafios significativos em matéria de malária. Antes da década de 1950, todas as ilhas eram afectadas pela malária. As epidemias graves eram frequentes nas zonas mais densamente povoadas até à implementação de intervenções específicas. Através da utilização orientada da pulverização de insecticidas, o país eliminou a malária duas vezes: em 1967 e 1983. No entanto, lapsos subsequentes no controlo dos vectores levaram a um regresso da doença. Desde o último pico de casos de malária no final dos anos 80, a malária em Cabo Verde tem estado confinada a duas ilhas: Santiago e Boa Vista, que estão agora ambas livres de malária desde 2017.

“A conquista de Cabo Verde é um farol de esperança para a região africana e não só. Demonstra que, com uma forte vontade política, políticas eficazes, envolvimento da comunidade e colaboração multissectorial, a eliminação da malária é um objetivo alcançável”, afirmou o Dr. Matshidiso Moeti, Diretor Regional da OMS para África. “A concretização deste marco por Cabo Verde é um exemplo inspirador para outras nações seguirem.”

O caminho de Cabo Verde para a eliminação da malária tem sido longo e recebeu um impulso com a inclusão deste objetivo na sua política nacional de saúde em 2007. Um plano estratégico para a malária de 2009 a 2013 lançou as bases para o sucesso, centrando-se num diagnóstico alargado, num tratamento precoce e eficaz e na notificação e investigação de todos os casos. Para conter a onda de casos importados da África continental, o diagnóstico e o tratamento foram fornecidos gratuitamente aos viajantes internacionais e aos migrantes.

Em 2017, o país transformou um surto numa oportunidade. Cabo Verde identificou os problemas e introduziu melhorias, o que levou a zero casos autóctones durante três anos consecutivos.

Durante a atual pandemia de COVID-19, o país salvaguardou os progressos; os esforços centraram-se na melhoria da qualidade e da sustentabilidade do controlo dos vectores e do diagnóstico da malária, reforçando a vigilância da malária – especialmente nos portos, aeroportos, na capital e nas zonas com risco de restabelecimento da malária.

A colaboração entre o Ministério da Saúde e vários departamentos governamentais centrados no ambiente, na agricultura, nos transportes, no turismo, etc., desempenhou um papel fundamental no sucesso de Cabo Verde. A comissão interministerial para o controlo dos vectores, presidida pelo Primeiro-Ministro, foi fundamental para a eliminação. O esforço de colaboração e o empenho das organizações comunitárias e das ONG demonstram a importância de uma abordagem holística da saúde pública.

Enquanto Cabo Verde celebra este feito monumental, a comunidade global elogia os seus líderes, profissionais de saúde e cidadãos pela sua dedicação à eliminação da malária e à criação de um futuro mais saudável para todos. In “Ministério da Saúde de Cabo Verde”

sábado, 2 de dezembro de 2023

Nações Unidas - Brasil e Timor-Leste avançam no combate à malária, segundo relatório global

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique estão entre nações onde se observam altas de casos em comparação com o período pré-pandemia. A publicação anual da OMS sobre a doença alerta sobre crescente ameaça das alterações climáticas

Eventos climáticos extremos impulsionaram a alta significativa no número de casos de malária em todo o mundo no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Em nível global foram registados 249 milhões de casos da doença durante o período, em comparação com 244 milhões em 2021. Os dados são do Relatório Mundial sobre a Malária de 2023, lançado nesta quinta-feira em Genebra.

Países de língua portuguesa

A análise destaca que esse total está 16 milhões acima das notificações registadas em 2012, antes da Covid. A África concentra cerca de 94% dos 233 milhões de casos e 95% das 608 mil mortes provocadas pela malária.

No caso dos países lusófonos, o relatório revela que Angola superou em 25% o total de casos e mortes em relação ao período anterior à Covid-19.

O Brasil reduziu a incidência de malária em cerca de 25%, um decréscimo considerado substancial. Foram menos 28 mil casos em comparação com o período pré-pandemia.

A Guiné-Bissau teve um aumento de cerca de 5% em casos. Na mesma região, São Tome e Príncipe atingiu uma taxa de pacientes de malária acima de 55% em relação ao pré-Covid.

Total global de óbitos

Moçambique registou quase 4,2% dos casos em nível global, estando entre os quatro países que juntos concentram quase metade de pacientes de malária no mundo. Já Timor-Leste não registou casos de malária pelo segundo ano consecutivo.

O número global de óbitos no período em análise teve uma queda em comparação com os 610 mil registados em 2021. Os totais ainda superam as 576 mil mortes registadas em 2019.

A OMS apela aos países para que aumentem ações de combate às alterações do clima. A agência aponta as inundações e o aumento da temperatura como razões para uma “tempestade perfeita” de mosquitos, que aumentam os casos de malária.

A publicação que examina a ligação entre as alterações climáticas e a malária revela que as mudanças na temperatura, a humidade e a precipitação influenciaram o comportamento e a sobrevivência do mosquito Anopheles, que transmite a doença.

Redução do acesso aos serviços essenciais

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, as alterações do clima representam um risco substancial para os progressos no combate à malária, especialmente em regiões vulneráveis.

O chefe da agência da ONU destaca que mais do que nunca é preciso que as respostas sejam sustentáveis e resilientes, juntamente com ações urgentes para abrandar o ritmo do aquecimento global e reduzir os seus efeitos.

Com as variações do clima, esperam-se efeitos indiretos nas tendências da malária como redução do acesso aos serviços essenciais contra a doença e perturbações na cadeia de abastecimento de redes tratadas com inseticida, medicamentos e vacinas.

O relatório destaca que o deslocamento da população devido a fatores induzidos pelo clima também pode levar a uma alta de casos da malária, à medida que pessoas sem imunidade migrem para áreas endêmicas.

Vacinas contra a malária recomendadas pela OMS

O relatório também cita realizações tais como a implementação faseada em três países africanos da primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS, a Rts,s/AS01.

A redução de casos foi substancial e a queda nas mortes chegou a 13% na primeira infância em todas as causas nas áreas onde a vacina foi administrada em comparação com áreas onde não houve o tipo de imunização.

Os avanços no combate à malária estenderam-se às áreas onde foram implementadas intervenções como distribuição de redes, pulverização com inseticidas dentro das casas e outras medidas relacionadas à saúde infantil.

Em outubro, a OMS adotou a vacina R21/Matrix-M. a expectativa é que a aplicação dos dois imunizantes aumente a oferta e seja possível alargar a distribuição na África.

No total, 34 países reportaram menos de mil casos de malária, em comparação com apenas 13 nações no ano 2000. O total revela avanços na eliminação. Este ano, Azerbaijão, Belize e Tajiquistão foram declarados livres da malária. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Guiné-Bissau - Regista aumento de casos de malária

A Guiné-Bissau está a registar neste momento um recrudescer de casos de paludismo (malária), uma situação que o coordenador do programa de combate à doença, o médico José Ernesto Nante considera como “normal nesta altura do ano

Em declarações à Lusa, o médico, especialista em saúde pública, indicou que as regiões de Bafatá e Gabú, no leste do país, Bolama e Tombali, no sul, são as zonas com maior taxa de prevalência da doença, sobretudo em crianças. Ernesto Nante assinalou que o aumento de casos do paludismo acontece geralmente entre os meses de junho e novembro, período das chuvas na Guiné-Bissau, mas que este ano a situação regista um ligeiro aumento nas quatro regiões.

O médico defende ainda que o pico da incidência da doença será no mês de novembro. O coordenador do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo disse que a Guiné-Bissau é considerada um país endémico, mas desde 2016 o Governo, sob recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), começou uma intervenção nas comunidades, visando a erradicação da doença em 2030. “Toda a população guineense é vulnerável ao risco de contaminação, mas o Governo elegeu o paludismo como impactante para a economia da população, daí ter elaborado uma estratégia nacional de combate à doença”, observou Nante. A chamada intervenção QPS (Quimio Prevenção Sazonal), consiste em dar dois antipalúdicos às crianças de até 59 meses e às grávidas a partir de 13 semanas que tenham comparecido às consultas pré-natais nos centros de saúde.

“Dando medicamentos como Fansidar e Modoquina isso garante proteção à criança de 75% a 92%”, observou Ernesto Nante.

Olhando para os dados, o coordenador Nacional de Luta contra o Paludismo afirmou que a situação “tende a conhecer melhorias”, em comparação com o período antes de 2016. “Segundo os dados do Instituto Nacional da Saúde Pública no decorrer de 2021 foram notificados um total de 181855 casos entre os quais resultaram em 462 óbitos”, observou Ernesto Nante, frisando que nos primeiros seis meses deste ano foram contabilizados cerca de 58 mil casos. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Moçambique - Rastreio domiciliário mantém famílias livres da malária


Em Moçambique mais de 400 famílias estão incluídas no projeto de rastreio domiciliário contra a malária. Nestes lares estão os mosqueteiros tratados com inseticida que são convencionalmente utilizados ​para o controlo da doença também conhecida como paludismo.

Colocar redes tratadas em portas e janelas provou ser uma alternativa à pulverização residual interna e reduz a dependência de inseticidas químicos.

Redes nas portas e janelas

Algumas famílias consideram a iniciativa, um contributo valioso no controle de vetores da malária. Na localidade de Matuba, no distrito de Chóckwe na província de Gaza, já há relatos do sucesso da implementação da iniciativa.   

Stefina Mocuvele, 62 anos, lembra que antes de colocarem as redes nas portas e janelas, na época do surto da malária, os netos estavam sempre doentes. Ela lembra que tinha que percorrer cerca de 10 km para acompanhar o neto de seis anos ao hospital.

O sucesso no controlo da malária em Moçambique conta com a intervenção da comunidade científica que desenvolveu uma nova vacina em 2021. As campanhas direcionadas também contribuem para a redução dos casos da malária.

Desafios e aceitação

Moçambique viu uma queda anual de 11% nos casos a partir de 2020 (mais de 11,3 milhões) para 2021 (10,6 milhões). Apesar dos esforços do governo e parceiros, o país continua entre os quatro primeiros de 11 nações consideradas com maior incidência da malária.

Persistem desafios no uso correto de redes mosqueteiros e a aceitação pela população na pulverização residual interna.   

Dados do relatório global da OMS indicam que cerca de 95% dos estimados 228 milhões de casos relacionados à malária e 600 mil mortes registadas em 2021 ocorreram na região africana.  O relatório indica que 55% de todos os casos e 50% das mortes em todo o mundo são apenas de seis países da África, incluindo Moçambique. Ouri Pota – Moçambique ONU News


 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Portugal – Investigadora cria pulseira que engana mosquitos

Uma ex-aluna da Universidade do Minho (UMinho) criou uma pulseira odorífera “que leva os mosquitos a julgar que os humanos são plantas”, prevenindo assim picadas associadas a doenças como malária, dengue ou zika

Em comunicado, a UMinho refere que aquela tecnologia, chamada X-OCR e desenvolvida ao longo de cinco anos, está a ser alvo de patente e foi agora testada com 98% de sucesso em 300 pessoas no Brasil, prevendo-se para breve novo teste no Burkina Faso, com aval da Organização Mundial de Saúde.

A pulseira é produzida em Vila Verde, distrito de Braga, e começou a ser vendida este mês, em seis cores, em style-out.com e em farmácias do sul do país, mas o foco principal está nas regiões tropicais e subtropicais.

“Podemos ajudar a diminuir a mortalidade destas doenças e, quiçá, a erradicar a propagação, além de permitir poupanças aos sistemas nacionais de saúde”, admite, citada no documento, a investigadora Filipa Fernandes, autora da pulseira.

Citando estudos, notou que os mosquitos “custam” 410 milhões de euros por ano ao Governo do Brasil e a cada 30 segundos morre uma criança africana por malária.

“Mortes são casos extremos, mas importa contar ainda todos os doentes e os milhões de pessoas picadas”, sublinha.

Segundo a investigadora, cada pulseira tem um raio de ação de 60 centímetros e dura 30 dias.

“Só sentimos um leve aroma ao colocar a pulseira, ao contrário dos mosquitos, que até se podem aproximar e pousar em nós, mas não vão picar, pois desta vez julgam estar sobre uma planta e irão procurar alimento [sangue] noutros animais”, frisa.

Sublinha que a pulseira não danifica o ecossistema e também não é um repelente.

A pulseira é feita de silicone medicinal e, no interior, de cera com compostos e derivados de plantas, que, perante o calor corporal, liberta de forma controlada um odor que “confunde” os insetos.

As plantas utilizadas são citronela, neem e lavanda, a combinação que, segundo Filipa Fernandes, “se revelou mais eficaz para confundir” as espécies de mosquitos ‘Anopheles’ e ‘Aedes’, transmissoras de doenças como malária, zika, dengue, febre amarela e chikungunha.

Os ensaios em contexto real arrancaram no Ceará, nordeste do Brasil.

“Foi um sucesso e com inúmeros relatos de felicidade. Um jovem deu a sua pulseira à avó fragilizada para a proteger. Não é medicamento, mas claramente previne o contacto com mosquitos e doenças associadas e é uma esperança para quem vive nesses ambientes”, refere Filipa Fernandes.

Prevê-se novo ensaio na Unidade de Investigação Clínica de Nanoro, no Burkina Faso, com supervisão da Organização Mundial de Saúde, estando-se a aguardar financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.

Outro desafio é o dispositivo poder camuflar também os humanos perante as espécies ‘Culex’, transmissoras da febre do Nilo, entre outras doenças.

“Cada espécie de mosquito tem repulsa por plantas específicas, como quando gostamos ou não de um perfume, e estamos a apurar a equação certa neste caso”, diz ainda a investigadora. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Nações Unidas – Realça impacto da Agência de Saúde Global, Unitaid, envolvendo Brasil e Portugal

Pelo menos 100 milhões de pessoas já beneficiaram de investimentos para combater a tuberculose, HIV, malária e Covid-19, investimentos em tecnologia podem levar a economias até US$ 5 mil milhões ainda nesta década. A parceria internacional integra o Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19


Os 15 anos da Agência de Saúde Global, Unitaid, reuniram personalidades como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o ex-presidente americano, Bill Clinton. O evento foi realizado em Genebra na Conferência Mundial da Saúde.

A iniciativa foi apresentada em 2006 pelo grupo formado por Brasil, Chile, França, Noruega e Reino Unido. Aos principais doadores, juntaram-se Portugal, Canadá, Alemanha e Itália.

Tratamentos

O diretor de relações exteriores da Unitaid, o brasileiro Maurício Cysne, citou dezenas de projetos implementados que já beneficiaram milhões de pessoas pelo mundo. Ele falou à ONU News sobre a comemoração.




“Nos últimos 15 anos, a Unitaid promoveu o acesso a mais de 150 tecnologias de saúde favorecendo o atendimento a mais de 100 milhões de pessoas através do mundo. Alguns exemplos dessas inovações incluem os tratamentos de HIV mais utilizados no mundo inteiro e os primeiros medicamentos para tratamento de crianças com HIV e tuberculose. Incluem ainda há soluções de rastreio e tratamento para o cancro do colo do útero e todas as ferramentas atualmente utilizadas na prevenção da malária.”

Em meio à crise da Covid-19, uma das apostas da Unitaid é aprender do passado para evitar desigualdades na resposta a pandemias futuras.

Cysne mencionou como o desempenho atual é orientado a obter retornos aplicando uma fração dos investimentos.

“A Unitaid financia este pacto identificando produtos de saúde inovadores e eliminando as barreiras que limitam o seu uso em larga escala. A Unitaid também assumiu um papel fundamental na resposta à Covid-19, liderando os espaços globais para tratamentos e diagnósticos. Essas inovações em saúde, representando menos de 1% de investimento global para a Tuberculose, HIV e malária, fazem com que a Unitaid economize mais de US$ 5 mil milhões até 2030.”

Já a mensagem do secretário-geral destaca as conquistas alcançadas pelas parcerias fechadas pela Unitaid na saúde global na resposta a diferentes desafios.

António Guterres disse que foi essencial quebrar barreiras em países de baixa e médio rendimento, enquanto ampliam-se serviços e produtos para garantir saúde para todos e cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Entre os benefícios listados estão o acesso de pacientes africanos a melhores tratamentos de HIV e novas fórmulas de alta qualidade para tratar tuberculose com maior facilidade para administrar.

Ameaças

De acordo com o chefe da ONU, o combate à malária ganhou com a distribuição sazonal de medicamentos em larga escala. O resultado foi uma queda drástica de mortes infantis, sem aumento de custos.

Diante da Covid-19, Guterres disse que e é preciso um acesso equitativo a produtos e respostas de saúde “globais fortes e coordenadas”.

Ressaltou que a poupança de tempo quando se trata de prevenir, diagnosticar e tratar doenças ajuda a fortalecer a capacidade coletiva de responder às ameaças à saúde. 

A Unitaid faz parte do Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 23 de novembro de 2021

Portugal - Fundação Gulbenkian vai apoiar investigação em saúde nos PALOP

A Fundação Gulbenkian vai apoiar quatro projetos de investigação em saúde nas áreas do cancro, malária e HIV, em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau, num investimento de 600 mil euros, até 2024


Pamela Borges é a investigadora responsável pelo projeto “Cape Verde Molecular Biology Laboratory Implementation”, desenvolvido no IPO Porto que será realizado no Hospital Central da Praia Dr. Agostinho Neto, em Cabo Verde.  Este projeto consiste numa caracterização clínica, fenótipa e genética do cancro da mama das mulheres cabo-verdianas, com o objetivo é perceber o padrão e a subtipagem molecular, no sentido de ajudar os médicos a encontrarem uma terapêutica mais eficiente.

Em Angola, no Instituto Nacional de Investigação em Saúde /Centro de Investigação em Saúde de Angola, serão desenvolvidos dois projetos: “Probing the future of Triple Artemisinin-based Combination Therapy in Angola”, liderado pela investigadora Cláudia Fançony, em estágio no ICVS Univ. Minho, e que consiste na exploração das forças opostas que dois fármacos exercem num único alvo do parasita da malária, suscetíveis de potenciar mecanismos de resistência incompatíveis.

O outro projeto intitula-se “Next-generation sequencing to understand the HIV-1 transmission patterns in Angola”, do investigador Cruz Sebastião, que esteve no IHMT-Univ Nova de Lisboa, e que tem como objetivo explorar os padrões de transmissão e disseminação do VIH, assim como perceber a emergência de mutações de resistência, o impacto nos esquemas de tratamento antirretroviral e o custo relacionado com o tratamento de pacientes com resistência aos antirretrovirais no país.

Outro dos projetos vencedores será implementado no projeto Saúde de Bandim na Guiné-Bissau, e é liderado por Viriato M’bana que fez estágio no IMM.  No projeto “Epidemiological Association of Burkitt’s Lymphoma and Malaria in Guinea-Bissau”, o investigador quer perceber como é que a malária leva ao aparecimento do cancro, nomeadamente do linfoma de Burkitt, um cancro pediátrico comum nas zonas endémicas da malária já que o mecanismo molecular da ligação entre a malária e este tipo de cancro é ainda desconhecida.

A relevância, a originalidade, a qualidade da proposta apresentada e o impacto previsível no desenvolvimento de capacidades pessoais do candidato e da instituição, foram os critérios tidos em conta na avaliação.

Os quatro projetos, selecionados por um júri internacional, foram os vencedores do programa ENVOLVE Ciência PALOP, iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian que teve como objetivo apoiar o desenvolvimento de carreiras científicas em ciências da saúde de jovens investigadores dos PALOP na consolidação das suas carreiras científicas nos países de origem, reforçando os sistemas científicos. Os investigadores referidos estiveram em Portugal, durante oito meses, em instituições científicas que acolheram o desenvolvimento dos seus projetos. Fundação Gulbenkian - Portugal


domingo, 24 de outubro de 2021

Angola - Vacina da malária pode “poupar” vida a mais de duas mil crianças por ano

Com aprovação da primeira vacina contra malária, Mosquirix, pelo menos duas mil crianças poderão ser salvas por ano no País. Implementação da vacina começa a ser testada em 2023. Angola está entre as nações com mais casos da doença


Mais de duas mil crianças menores de cinco anos poderão deixar de morrer de malária no País com a aprovação da vacina RTS, S/AS01 ou Mosquirix. A primeira vacina para a mais mortal das doenças endémicas no mundo foi aprovada no início de Outubro deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após ter mostrado uma eficácia acima de 50%.

De acordo com a OMS, a Mosquirix é fácil de fazer chegar a todo o lado, além de ser eficaz e ter um custo apropriado, garantindo uma redução de, pelo menos, 30% nos casos mais graves de malária.

Angola, segundo aquele organismo das Nações Unidas, é um dos países onde o fardo da doença é maior, devido aos altos números de casos e de morte.

Dados do Ministério da Saúde (MINSA) apontam que os menores de cinco anos representam a franja mais afectada pela malária, seja a nível de casos, como de óbitos. Por exemplo, só em 2020, dos mais de 11 mil mortos causados pela doença, perto de seis mil foram menores de cinco anos, em 2,6 milhões de casos registados. Ou seja, em 2020, mensalmente, quase 500 crianças morreram devido à doença, uma média de quase 16 por dia.

Neste ano, entre Janeiro e Agosto, por exemplo, das nove mil mortes registadas, conforme o coordenador do Programa Nacional de Combate à Malária, em entrevista à rádio LAC, mais de duas mil foram em menores de cinco anos.

Jeremias Agostinho, especialista em Saúde Pública, lamenta que a eficácia da vacina ainda não seja a desejada, mas defende que o Governo deve adquiri-la "faça sol ou chuva". O médico avança que, embora ainda não haja um preço estipulado, Angola deve adiantar-se e começar já a fazer diplomacias para a aquisição. Teresa Fukiady – Angola in “Novo Jornal”



quarta-feira, 30 de junho de 2021

China - Organização Mundial da Saúde anuncia a erradicação da malária

A China conseguiu erradicar a malária, depois de 70 anos a tentar suprimir a doença, transmitida por mosquitos e que mata centenas de milhares de pessoas todos os anos, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS). O país, que tinha 30 milhões de casos anuais na década de 40 do século passado, não registou um único caso local, nos últimos quatro anos.

Esta doença, transmitida pelo mosquito Anopheles, matou mais de 400 mil pessoas, em 2019, sobretudo em África. “Felicitamos o povo chinês por ter livrado o país da malária”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“A China junta-se ao número crescente de países que mostram que um futuro sem malária é possível”, apontou o responsável, que atribuiu o êxito chinês a “décadas de ação focada e sustentada”.

Os países que registaram três anos consecutivos sem transmissão local podem inscrever-se para obter a certificação da OMS que valida o seu estatuto de nação livre da malária.

O pedido de certificação deve ser acompanhado com provas dos resultados, e demonstrar a capacidade de prevenir qualquer transmissão posterior.

A China é o 40.º território a obter esta validação da agência da ONU.

Os últimos foram El Salvador (2021), Argélia e Argentina (2019) e Paraguai e Uzbequistão (2018).

A China é o primeiro país da região do Pacífico Ocidental, na nomenclatura da OMS, a receber esta certificação em mais de 30 anos.

Apenas três países daquela região receberam a certificação até agora: Austrália (1981), Singapura (1982) e Brunei (1987).

No relatório de 2020 sobre a malária, a OMS constatou que os avanços na luta contra a doença estagnaram, sobretudo nos países africanos, que apresentam as maiores taxas de contaminação e morte.

Após um declínio constante, desde 2000, quando a doença causou 736 mil mortes, o número de mortos subiu a 411 mil em 2018, e 409 mil em 2019.

Mais de 90% das mortes ocorreram em África e foram sobretudo crianças (265 mil).

Em 2019, houve 229 milhões de casos de malária, patamar que se mantém há quatro anos.

Pequim começou na década de 1950 a identificar os locais onde havia casos de malária e a combatê-la com tratamentos antimaláricos preventivos, observou a OMS.

O país também eliminou áreas favoráveis à criação de mosquitos e aumentou o uso de inseticidas nas residências.

Em 1967, a China lançou um programa científico para encontrar novos tratamentos e que levou à descoberta, na década de 1970, da artemisinina, o principal medicamento contra a doença, extraído de uma planta.

O número de casos caiu para 117 mil, no final de 1990, e as mortes foram reduzidas em 95%. Esforços adicionais, realizados em 2003, permitiram reduzir para cerca de 5000 contaminações por ano, em dez anos.

“A capacidade da China de se aventurar fora do caminho tradicional foi bem-sucedida na sua luta contra a malária e também teve um importante efeito dominó a nível global”, disse o diretor do programa global de malária da OMS, Pedro Alonso.

Depois de quatro anos sem contaminação local, Pequim candidatou-se à certificação, em 2020.

O risco de casos importados, especialmente dos vizinhos Laos, Myanmar (antiga Birmânia) e Vietname, continua a ser uma fonte de preocupação.

Uma vacina, anunciada no final de abril pela Universidade de Oxford, demonstrou uma eficácia de 77% em testes em África. Esta inoculação poderá ser aprovada nos próximos dois anos. In “Hoje Macau” – Macau

 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

São Tomé e Príncipe - Entre os países com potencial para eliminar malária até 2025

São Tomé e Príncipe é um dos oito novos países identificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como tendo potencial para eliminar a malária nos próximos cinco anos, juntando-se a Cabo Verde e Timor-Leste


A iniciativa E-2025, lançada hoje em antecipação ao Dia Mundial da Malária, que se assinala domingo, identificou um grupo de 25 países com potencial para erradicar a malária dentro de cinco anos.

Para este novo programa, transitaram automaticamente os 17 países que apesar de terem atingido a meta de zero casos locais de paludismo no âmbito da iniciativa E-2020 ainda não foram certificados pela OMS como “Malaria Free”.

A estes juntaram-se oito novos países – São Tomé e Príncipe, Vanuatu, Tailândia, Coreia do Norte, Honduras, República Dominicana, Guatemala e Panamá – que registaram menos de 3 mil casos em 2019 ou menos de 5 mil casos e redução de infeções em pelo menos quatro anos entre 2015 e 2019.

Estes países receberão apoio especializado e orientação técnica para atingir o objetivo de zero casos de transmissão local de malária.

De acordo com as autoridades de saúde são-tomenses, desde 2014, foram registados, em média, entre 290 e 300 casos de malária por ano.

Através da E-2020, lançada em 2017, a OMS apoiou 21 países, incluindo os lusófonos Cabo Verde e Timor-Leste, nos seus esforços para atingir a meta de zero casos locais de malária, uma meta alcançada por oito países: Cabo Verde, Argélia, Belize, China, El Salvador, República Islâmica do Irão, Malásia e Paraguai.

Apesar de ter atingido a meta de zero casos de transmissão local desde 2018, Cabo Verde não recebeu ainda a certificação de país livre de malária, transitando para o novo grupo de 25 países, tal como Timor-Leste, que em 2020 registou um caso local de paludismo.

A OMS concede esta certificação quando um país consegue interromper a transmissão dos casos locais de paludismo em todo o território durante pelo menos três anos consecutivos, devendo demonstrar a capacidade de impedir o restabelecimento da transmissão.

Até 2015, Cabo Verde tinha reduzido a transmissão da malária local para apenas sete casos. Contudo, casos importados levaram a um surto em 2017, quando o país registou 423 infeções locais na Cidade da Praia, na ilha de Santiago.

Em janeiro de 2021, após três anos consecutivos de zero casos indígenas, Cabo Verde tornou-se elegível para solicitar a certificação da OMS para a eliminação da malária, aguardando essa certificação.

Em 2019, a Argélia tornou-se o terceiro país da África a ser oficialmente certificado como livre de paludismo pela OMS, depois das Maurícias (1973) e de Marrocos (2010).

A nova iniciativa para parar a transmissão da doença nos próximos cinco anos foi lançada durante um fórum virtual, que contou com a participação de responsáveis nacionais, trabalhadores da saúde e parceiros mundiais, além de líderes da OMS.

Durante a iniciativa, a diretora da OMS para África, Matshidiso Moeti, sinalizou o “longo caminho” que há ainda a percorrer para a eliminação da doença no continente, apesar dos progressos alcançados em alguns dos países da iniciativa E-2020.

“Não atingimos as metas de 2020. Embora os novos casos se tenham reduzido mais de 9% entre 2000 e 2015, nos últimos cinco anos, o progresso estagnou, com a incidência de casos a reduzir-se menos de 2 por cento”, disse.

Moeti defendeu que “é preciso fazer mais”, promovendo a distribuição universal de redes mosquiteiras e o acesso a medicamentos antimaláricos às populações dos 87 países onde ainda há registos de casos de malária.

“Estamos a trabalhar com os países para identificar as razões da estagnação dos progressos para podermos regressarmos ao bom caminho”, disse, defendendo que é preciso deixar de “ver a malária apenas como um problema de saúde e passar a encarar a doença como uma ameaça ao desenvolvimento sócio económico”.

Apesar disso, a diretora da OMS adiantou que, nos últimos 20 anos, mais de 1,2 mil milhões de casos de malária e 7,1 milhões de mortes foram evitados em África, continente que concentra mais de 94% de todos os casos e mortes causadas pela doença.

Em 2019, o número de novas infeções por malária rondaram os 229 milhões, um número relativamente estável ao longo dos últimos quatro anos.

Desde 2018, as mortes estagnaram em cerca de 400.000 pessoas por ano, das quais mais de 265.000 são crianças. In “África 21 Digital” – Brasil com “Lusa”