Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 20 de abril de 2026

França - Elsinha lança “Liberdade”, um álbum que cruza culturas e histórias pessoais

A artista lusófona baseada em Paris, Elsinha, prepara-se para lançar o seu primeiro álbum de estúdio, “Liberdade”, no próximo dia 3 de junho. Depois do EP “Salvação” (2019), o projeto afirma uma identidade artística construída a partir da fusão de múltiplas influências culturais.


Nascida em França de pais portugueses, Elsinha cresceu num ambiente onde a música fazia parte da própria história familiar. Neste novo trabalho, a cantora apresenta uma sonoridade híbrida, onde se cruzam referências afro-brasileiras, elementos da tradição lusófona e influências ibéricas, incluindo melodias andaluzas e nuances do fado. O resultado é um álbum emocionalmente intenso, que reflete tanto o percurso pessoal da artista como a sua experiência multicultural.

Um álbum com identidade definida

Comparado com o trabalho anterior, a artista considera que este novo projeto revela uma maior maturidade artística e uma direção mais clara. “Este álbum tem cores mais harmoniosas e uma identidade mais comum”, explica, destacando uma maior coesão sonora e conceptual com o apoio e direção artística do coletivo Mix et Métisse.

O projeto inclui temas em português e espanhol, refletindo o percurso internacional da artista, que já viveu em França, Brasil e Espanha. A artista integra de forma intuitiva influências adquiridas nos diferentes países onde viveu. Das palmas flamencas às sonoridades brasileiras e incluindo elementos mais clássicos constrói uma linguagem musical própria e não deixa de sublinhar o impacto que teve na sua música o facto de ter crescido em Paris, num ambiente que caracteriza como “marcado pela diversidade cultural”.

O single “Soledad”, já disponível com videoclipe, antecipa o tom intimista do disco: “é uma música carregada de lembranças de infância, uma época onde me sentia sozinha e incompreendida”, explica.

A herança e a reconstrução do passado

Para além da dimensão cultural, Liberdade afirma-se como um projeto profundamente pessoal, onde a artista revisita a sua história familiar e a relação ambivalente com a música. Com raízes numa família onde o bisavô tocava acordeão nas Arcadas do Fado, em Almancil, e a mãe tinha paixão pelo fado, este caminho foi durante anos visto com receio: “Na minha família, a perceção era que não dava para viver da música”.

Durante anos, o tema foi um tabu na família, até ao momento marcante em que a mãe assistiu, pela primeira vez, a um concerto seu no Café de la Plage, em Paris. “Ela segurou-me a mão, a chorar, e disse: agora percebo porque é que queres fazer isto, foste feita para isto”.

Iniciado há três anos, sem uma direção definida, o projeto foi ganhando forma à medida que a artista revisitava o passado e transformava esse processo num caminho de cura e libertação. “Foi toda uma recompilação do passado que depois se revelou no meu trabalho, e a direção foi-se mostrando aos poucos”.

O resultado é um disco que cruza memória e presente, num gesto de cura que a própria define também como coletivo: “Sinto que este trabalho foi feito para mim, mas também para libertar as memórias da minha mãe, da minha avó e dos meus ancestrais”. A participação da mãe na última faixa reforça esse simbolismo, encerrando o álbum como um momento de união e reconhecimento. Catarina Franco – França in “LusoJornal”


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Cabo Verde - Viva o 13 de Janeiro!

Salvé!

Esta data, rica de simbolismo, repleta de significação na história da nossa ainda jovem democracia (35 anos), deverá ser comungada por todos os cabo-verdianos. Digo isso, porque aqui chegados, parece estar a haver pontualmente, algum retrocesso no sentido da interiorização nacional da data.

Devemos todos recordar que o feriado foi sufragado pelos Deputados da Nação, dos Partidos políticos com representação parlamentar na altura, em 22 de Março de 1999, Lei n.º 95/V/99, que assim instituiu o 13 de Janeiro como feriado nacional.

Daí que se estranhe bastante a resistência incompreensível e inexplicável, pela actual CM da Praia, instituição de grande importância nacional, por ser a Câmara Municipal da capital do país que reiteradamente vem fazendo a uma data que é de todos. Sim, de todos!

Explico-me: qual foi o ponto de partida para o 13 de Janeiro de 1991?

Ora bem, o 13 de Janeiro, resultou porque para ele concorreram a sociedade civil cabo-verdiana, os três Partidos políticos à época existentes, a saber: o PAICV, a UCID e o então, recém-fundado, MPD. Todos, todos convergiram para que existisse esta data memorável!  Terem-no feito em divergência ou em convergência, não importa, antes pelo contrário, foi assim salutar pois, já transpirava a democracia.

Na realidade, o que importa é que todos foram à sua maneira, obreiros.

Houve uma movimentação nacional que galvanizou os cidadãos de todas as ilhas e os das nossas comunidades emigradas. Sem o concurso de todas as forças vivas, sociais e políticas residentes e fora de Cabo Verde ao tempo, não seria possível esse magnífico dia em que o povo das ilhas, pela primeira vez, (aqui aplica-se bem) em completa liberdade, foi chamado às urnas para escolher através do voto secreto, quais seriam os seus representantes no Parlamento cabo-verdiano.

Como não comemorar com festiva alegria, tal momento histórico de repleta euforia nacional?  Como tentar apagar da memória colectiva, a data que marcou, esperemos que para sempre, a fundação e a instituição do modelo de governação democrático no nosso país?

Que fique claro que a data não tem pertença partidária e nem podia ter, foi obra de todos.  Consequentemente, qualquer tentativa para colocá-la partidariamente, serve apenas para diminuí-la para beliscá-la gravemente na sua enorme grandeza.

Por favor! Não façamos este triste serviço à nossa história democrática tão bela e bem-vinda às ilhas!!

Note-se: as eleições foram livres. Ganhou o MPD, como poderia ter ganhado o PAICV. O povo decidiu soberanamente.

Estas são as palavras que me ocorreram hoje e, com as quais, queria salvar (na significação crioula do termo) o 13 de Janeiro!

E tal como comecei, assim termino:

Salvé e Viva 13 de Janeiro! Ondina Ferreira – Cabo Verde in Coral-vermelho.blogspot


domingo, 1 de setembro de 2024

XII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa na cidade da Praia

"Literatura, Liberdade e Inclusão" é o tema que irá assinalar a XII edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa que decorrerá na cidade da Praia, de 5 a 8 de setembro, na Biblioteca Nacional de Cabo Verde e no Hotel Trópico.


A abertura oficial contará com a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o encerramento do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.

A edição deste ano prestará homenagem ao centenário do nascimento de Amílcar Cabral e ao V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões.

Esta edição contará com a participação dos seguintes escritores:

Angola e Macau - Jorge Arrimar;

Brasil - Domício Proença Filho (vídeo) e Fernanda Ribeiro (vencedora do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa 2024);

Cabo Verde - António Correia e Silva, Arménio Vieira, Augusta Teixeira, Cheila Delgado, Comandante Pedro Pires, Daniel Mendes, Germano Almeida, José Luiz Tavares, Mário Lúcio, Nardi Sousa, Paulo Veríssimo e Vera Duarte;

Galiza - Alfredo Ferreiro Salgueiro;

Guiné-Bissau - Tony Tcheka;

Moçambique - Luís Carlos Patraquim;

Portugal - Inês Barata Raposo, Isabel Alçada (vídeo), José Pires Laranjeira e Rita Marnoto;

São Tomé e Príncipe - Olinda Beja;

Timor-Leste - Luís Cardoso.

Programa do XII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

O Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP) é uma iniciativa da UCCLA e da Câmara Municipal da Praia (CMP), em parceria com a Empresa de Mobilidade e Estacionamento da Praia (EMEP).

Poderá consultar as edições anteriores aqui. UCCLA




domingo, 7 de abril de 2024

Cabo Verde - Democracia mundial em debate

A ilha do Sal acolhe, nos dias 8 e 9 de Abril, a conferência internacional “Liberdade, Democracia e Boa Governança: Um olhar a partir de Cabo Verde”, na qual participam políticos e especialistas de vários continentes. O evento visa promover a discussão sobre os desafios actuais da política contemporânea e vem reassumir, perante o mundo, o compromisso de Cabo Verde, ponto central do Atlântico Médio, para com os valores em debate


Num momento em que “a democracia e a liberdade têm estado sobre ataque em todo o mundo” e se assiste a um aumento exponencial do populismo, impõe-se aos governos inverter esta situação. E é neste contexto, e como forma de contribuir para este debate, “que se faz necessário” e que surge a conferência internacional Liberdade, Democracia e Boa Governança, organizada pelo governo de Cabo Verde, justifica Janine Lélis, Ministra de Estado, da Defesa Nacional, da Coesão Territorial e Ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares.

Assim, durante cerca de um dia e meio, conferencistas, intelectuais, académicos, políticos e especialistas de renome, nacionais e de “vários cantos do mundo”, vão reunir-se para debater esses temas.

O propósito da conferência, como explica ainda a ministra, é, com um olhar a partir do Cabo Verde, abordar os desafios que todos estamos a vivenciar, bem como a necessidade de combater essas fragilidades, “numa perspectiva global, variada e integrada”.

Ao mesmo tempo, o evento vem reforçar, perante o mundo, o compromisso de Cabo Verde, plataforma de prestação de serviços no Atlântico Médio, para com esses valores.

“Entendemos que temos um papel importante na região africana, para tentar exercer influência positiva. Queremos também aprender, e melhorar aquilo que é possível aprimorar, com aqueles cujas experiências de democracia estejam muito desenvolvidas. Mas, essencialmente, queremos mostrar que se pode contribuir sempre e que todos têm responsabilidade na promoção da democracia”, resume.

Programa

A conferência internacional Liberdade, Democracia e Boa Governança vem, essencialmente, “retratar a experiência, a vivência e as diferentes formas de implementação e construção da Democracia, bem como a própria vivência da liberdade”, um pouco por todo o mundo.

Para tal, o evento conta com a participação de convidados da África, da Europa, da América do Norte e do Sul e da Ásia (este último ainda a confirmar), que analisarão diferentes questões ao longo da sessão especial de alocuções e quatro painéis em que se divide a conferência.

Depois da sessão de abertura, presidida pelo Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, e na qual marcam presença representantes da União Europeia, das Nações Unidas e da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), arranca o painel especial sobre o tema “Fazendo a Democracia Funcionar”.

Esta sessão irá contar com alocuções de personalidades que já tiveram cargos de responsabilidade nesse desiderato, nomeadamente António Costa, ex-ministro de Portugal e Patrice Trovoada, primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, em exercício.

Segue-se o painel “Democracia e Estado de Direito”, e, por fim, o painel “Democracia e Liberdades Religiosa”, que encerra o primeiro dia.

No segundo e último dia da conferência, o primeiro painel intitula-se “Promovendo a Integridade de Informação”, e nele, como o nome indica, será discutida “ a problemática à volta das redes sociais, das fake news e outros desafios e ameaças à veracidade e credibilidade da informação na era digital”. Ou seja, este painel vai debruçar-se sobre a importância de uma “informação mais íntegra, que se mostra necessária para o fortalecimento da democracia, e a necessidade de empoderar as pessoas para uma verdadeira cidadania”, explica Janine Lélis.

O quarto painel será dedicado ao tema “Promovendo a Boa Governança e a Transparência na Gestão da Dívida Pública”, e decorrerá sob a “perspectiva da luta contra a corrupção, da necessidade de prestação de contas para o aumento da credibilidade e da confiança dos sistemas políticos perante os seus representados”.

Além das personalidades já frisadas, vários outros intervenientes de renome farão parte da conferência, sendo de destacar ainda a participação de representantes de várias organizações que trabalham na promoção da democracia. Entre estas estarão, designadamente, o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), com sede nos Estados Unidos e o National Democratic Institute (NDI). A Fundação Gertúlio Vargas, do Brasil, a Organização Europeia de Direito Público e l›Institut Prospective et Securité en Europe (IPSE), são também entidades presentes, entre várias organizações, políticos e especialistas nacionais e estrangeiros.

Declaração do Sal

A conferência internacional Liberdade, Democracia e Boa Governança: Um olhar a partir de Cabo Verde culminará com a elaboração de uma declaração – a Declaração do Sal – onde estarão reflectidos os princípios discutidos e os compromissos assumidos para promover esses valores fundamentais.

Como refere a ministra, pretende-se que esta conferência seja apenas o início de outros eventos, discussões e reflexões. Neste sentido, pretende-se que esta declaração seja um contributo para tal.

Ademais, pretende-se fazer uma edição, com esses conteúdos das várias apresentações.

Da parte de Cabo Verde, esta é, pois, “a influenciação que queremos fazer no Concerto das Nações, nesta matéria, para também mostrar o interesse do governo e o seu comprometimento no bom funcionamento das instituições e na melhoria da democracia e do Estado de direito. É esse o objectivo que move o governo e é esta construção que nós queremos fazer, junto com outros, neste exercício que se revela ser importante”, resume.

A realização desta conferência, que decorrerá no Hotel Hilton e cuja organização é coordenada pelo Gabinete do Primeiro-ministro e Gabinete da Ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, prevê uma despesa de até 55 mil contos na contratação de bens e serviços por ajuste directo. Sara Almeida – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sexta-feira, 5 de abril de 2024

Exposição “Que mar se vê afinal da minha língua?” propõe reflexão sobre memória, identidade e liberdade

“Que mar se vê afinal da minha língua?” é o nome da exposição organizada pela BABEL e que vai ser inaugurada no dia 12 de Abril, na Casa Garden. A mostra, que junta cerca de 50 obras de artistas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor-Leste e Goa, pretende estimular a discussão sobre conceitos como memória, história, identidade e liberdade. Margarida Saraiva, a curadora, disse ao Ponto Final que as obras representam um panorama das principais preocupações dos artistas nos mundos de expressão portuguesa hoje em dia


Memória, história, identidade e liberdade são alguns dos conceitos que vão ser explorados na exposição “Que mar se vê afinal da minha língua?”, que é inaugurada no dia 12 de Abril, na Casa Garden, ficando disponível até 12 de Maio.

Esta exposição, organizada pela BABEL e co-organizada pela REDE de Residências dos Mundos de Expressão Portuguesa, a central-periférica e Delegação de Macau da Fundação Oriente, irá marcar o início das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Macau.

A mostra vai juntar cerca de 50 obras de artistas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Macau, Timor-Leste e Goa. Alguns dos artistas que vão expor na Casa Garden são: Aline Motta, Ana Battaglia Abreu, Ana Jacinto Nunes e Carlos Morais José, Bianca Lei, Catarina Simão, Cecília Jorge, Eliana N’Zualo, Eric Fok, Filipa César e Sónia Vaz Borges, José Aurélio, José Drummond, José Maçãs de Carvalho, Konstantin Bessmertny, Luigi Acquisto e Bety Reis, Mónica de Miranda, Nuno Cera, Peng Yun, Rui Rasquinho, Sofia Yala, Subodh Kerkar, Thierry Ferreira, Tiago Sant’Ana, Wong Weng Io. Serão apresentadas obras em diferentes disciplinas, da fotografia à poesia, passando pelo vídeo, cinema, pintura, escultura e novos media.

“Que mar se vê afinal da minha língua?” já foi mostrada em Alcobaça, Portugal, entre Dezembro do ano passado e Março deste ano. Depois da passagem por Macau, a mostra segue para Fortaleza, Mindelo, Luanda e Maputo.

Em comunicado, a organização explicava que a exposição “propõe uma reflexão sobre questões essenciais como memória, história, identidade e liberdade, num contexto pós-colonial e globalizado”. “O objectivo não é apenas olhar para o passado, mas também para o futuro: o que será do espaço de expressão portuguesa daqui a dois ou três séculos? Como será a liberdade num mundo controlado por algoritmos e obcecado com a vigilância no espaço privado, público e digital?”, interroga a nota de imprensa.

Um panorama das preocupações dos artistas

Ao Ponto Final, Margarida Saraiva, a curadora da exposição, comentou que são as próprias obras – e o facto de estarem juntas nesta exposição – que permitem questionar, então, temas como memória, identidade e liberdade. “As obras, em conjunto, oferecem-nos um panorama daquilo que são as principais preocupações dos artistas nos mundos de expressão portuguesa hoje em dia”, afirmou. Neste contexto, há abordagens mais críticas, outras mais nostálgicas e outras ainda que olham para o futuro.

Nesta exposição, o termo “lusofonia” fica excluído: “Não queríamos que este projecto tivesse nenhuma conotação, nem política, nem ideológica e nem sequer económica e, portanto, consideramos que não existe um som luso. Existem muitos sons lusos que se expressam de várias formas”.

Em colaboração com as curadoras Ângela Berlinde e Gisela Casimiro, foi sendo feita uma pesquisa de artistas que pudessem contribuir para o debate proposto por esta exposição. Foi uma selecção que arrancou de um “trabalho colectivo de diálogo”, assinalou Margarida Saraiva. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 18 de março de 2024

Austrália - 2º Encontro da Comunidade Portuguesa em Sydney!

E cá estamos nós novamente para mais um evento incrível!

É com imensa alegria que anunciamos o programa do nosso 2º Encontro da Comunidade Portuguesa, onde todos estão cordialmente convidados a participar!

Data: 28 de Abril de 2024, a partir das 12:00 (Comida e bebidas servidos durante todo o evento).

Local: Club Inner West - Marrickville, Sydney


Será um dia repleto de momentos especiais, surpresas emocionantes e, claro, muita partilha de experiências entre todos nós.

Destaque Especial: Não se preocupem com os mais pequeninos! Teremos um cantinho especialmente dedicado a eles, com atividades supervisionadas por uma profissional qualificada. Assim, as crianças poderão desfrutar de momentos de diversão enquanto os adultos aproveitam o evento.

Reservas: Por favor, garantam o vosso lugar até ao dia 20 de Abril através de mensagem privada.

Agradecemos imensamente a todos os que estarão presentes para contribuir e mostrar o verdadeiro espírito da nossa comunidade aqui na Austrália: solidariedade, união, e uma imensa alegria contagiante!

Vamos celebrar juntos a nossa liberdade de sermos Portugueses!

Mal podemos esperar para vos receber! Mónica Marques - Austrália


sábado, 10 de fevereiro de 2024

CPLP - Aeroportos de Washington e Rio de Janeiro recebem exposições de artistas

Os aeroportos internacionais de Washington e do Rio de Janeiro têm abertas ao público duas exposições de artistas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre temas como a identidade de um povo ou o 25 de Abril.

As duas novas exposições “Arte Box”, que resultam de uma parceria do Arte Institute com a VisitPortugal e a iniciativa RHI, estarão abertas ao público até ao mês de abril.

A exposição “Arte Box” em Washington, denominada “Liberdade”, tem lugar no Aeroporto Internacional Washington Dulles, na capital norte-americana, e surgiu no âmbito da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril em Portugal, “que devolveu a liberdade ao povo português e aos países que, à data, ainda eram colônias portuguesas”.

“Pelo que convidamos artistas da CPLP para celebrar o evento e a liberdade em si – um valor tão necessário na época, como hoje”, indicou o Arte Institute num comunicado enviado à Lusa.

As obras foram criadas pelos artistas lusófonos Thierry Ferreira, Susa Monteiro, Guilherme Atanásio, Nah Pinheiro, Bruno Miguel, Sandrine Cordeiro, Abraão Vicente, Cinara Saiónára, Maria Barreira e Carolina M Correia, que, através da sua arte, celebram o seu conceito de liberdade, materializando-o das mais variadas formas.

Já a exposição “Arte Box” no Brasil encontra-se no RIOgaleão Aeroporto Internacional Tom Jobim do Rio de Janeiro e é denominada de “(ID)entidade”.

Jordi Burch, Catarina Neto, Emerson Quinda, Patrícia da Mata, José Varatojo, Elano Passos, Orlando Azevedo, Ana Kemper, Carlos Segá e Martim Meirelles são os artistas da CPLP envolvidos nesta exposição, num diálogo com os territórios de onde são originários.

“Reflete sobre a influência de um território, de um país, na identidade de um povo e vice-versa. Através de diferentes trabalhos, materiais, sensibilidades e perspetivas, mostramos fragmentos de cada uma das culturas que animam esses espaços, essas terras, unidas pelo passado e uma mesma língua”, lê-se no comunicado.

Alem destas duas exposições, ao longo do ano serão ainda exibidas mais duas – “Sonho e Utopia” e “Uma língua que nos une” -, que irão rodar pelos dois aeroportos de forma a assinalar os 50 anos do 25 de abril.

“Ao promover a arte em ambientes e espaços não tradicionais, estas exposições, realizadas em diferentes locais de cada aeroporto, abrem portas para artistas e sua arte, dando também a possibilidade a pessoas de todo o mundo de conhecerem a cultura de cada país”, explicou o Arte Institute.

Fundado em 2011, o Arte Institute é uma organização pioneira, independente e sem fins lucrativos, sediada em Nova Iorque, que dinamiza a produção e difusão de artistas e projetos de arte contemporânea portuguesa e de países da lusofonia, através de eventos que produz em todos os continentes. Em quase 13 anos já promoveu mais de 1000 artistas e esteve presente em 38 países e 118 cidades. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Timor-Leste - Líder da oposição critica decisão de Myanmar e reafirma defesa de princípios

O líder do maior partido da oposição timorense, a Fretilin, criticou a decisão “extrema” da junta militar de Myanmar expulsar o encarregado de negócios de Timor-Leste, vincando que toda a liderança é consistente na defesa dos mesmos princípios

“A questão da junta militar não participar nas reuniões da ASEAN demonstra que é a junta que está a excluir Myanmar da ASEAN e por isso mesmo a nossa posição é coerente”, disse à Lusa o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri.

“Queremos ser membro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) mas não queremos trair os valores e princípios pelo que lutamos, a afirmação de liberdade, paz, democracia e respeito pelo Estado de direito e pelos direitos universalmente reconhecidos”, considerou.

Alkatiri, contactado telefonicamente em Lisboa, onde se encontra em visita, reagia à decisão da junta militar do Myanmar ordenar a expulsão do encarregado de negócios de Timor-Leste, em protesto com posições recentes das autoridades timorenses sobre aquele país.

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros em nome do Governo da República da União de Myanmar pede ao encarregado de negócios da embaixada da República Democrática de Timor-Leste, senhor Avelino Fernandes Ximenes Pereira, para deixar o Myanmar o mais tardar até 1 de Setembro”, refere-se numa nota da diplomacia daquele país a que a Lusa teve acesso.

Na nota de duas páginas, a junta militar aponta o que considera ser vários atos cometidos pelas autoridades timorenses, incluindo referências à situação no país pelo Presidente da República timorense, José Ramos-Horta.

Alude ainda a declarações do primeiro-ministro Xanana Gusmão que a 03 de agosto disse que Timor-Leste poderia não aderir à Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) se o organismo regional for incapaz de encontrar uma solução para o conflito no Myanmar. “Enquanto for primeiro-ministro não entra na ASEAN se a ASEAN não convence a junta militar, se não encontrar uma solução. Somos uma democracia. Podemos ter problemas, mas não há golpes de Estado, há respeito pelas eleições presidenciais e parlamentar, mostrando ao mundo que nós temos uma cultura democrática”, disse Xanana Gusmão na altura.

Esses comentários levaram o Governo de Myanmar a convocar o encarregado de negócios, para um voto de protesto a 15 de Agosto. “As declarações imprudentes e irresponsáveis do primeiro-ministro não são apenas prejudiciais par a manutenção das relações bilaterais entre Myanmar e Timor-Leste, mas também negligenciam de forma grosseira os contínuos ataques violentos do grupo terrorista chamado de Governo de Unidade Nacional (NUG)”, refere a nota datada de 25 de Agosto.

Mari Alkatiri disse que a posição de Timor-Leste demonstra coerência e respeito pelos “princípios e valores e convenções internacionais que o país ratificou”, considerando a decisão de expulsão uma “posição extrema”. E considera que a decisão de expulsão “só veio comprovar que o regime não entendeu a posição de Timor-Leste, expressa pelo primeiro-ministro”.

O líder da Fretilin disse que Timor-Leste mantém, há décadas, a vontade de ser membro da ASEAN – organização regional de que Myanmar faz parte e onde Timor-Leste tem estatuto de observador – e que todos devem compreender a posição do país, vincada na sua própria história.

“Nós, os líderes de liberação nacional, viemos de uma luta muito difícil, mas conseguimos rapidamente entender-nos com o Governo indonésio, reconciliamo-nos com a Indonésia, depois deste prolongado conflito de 24 anos demonstramos sentido de Estado”, afirmou. “Isso foi uma demonstração de coerência e consistência do nosso lado de que questões do passado, ainda que pendentes, não são de conflito e problemas. E acho que toda a ASEAN deve compreender isso”, afirmou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 

sábado, 10 de junho de 2023

Cabo Verde - 29ª edição do Mindelact celebra centenário de Amílcar Cabral

A 29ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact, acontece entre 03 e 11 de Novembro, numa edição que tem como mote a liberdade e antecipa a celebração do Centenário do Nascimento de Amílcar Cabral. A edição também vai homenagear Samira Pereira


A informação foi partilhada pela associação, segundo a qual a “Edição Liberdade”, como está intitulada o festival este ano, vem mostrar que “as artes performativas são, na sua génese e natureza, uma ferramenta para a livre expressão, sem amarras, sem preconceitos, sem medos e um instrumento para abrir mentes e horizontes”.

Ela é, igualmente, uma pré-celebração do Centenário do Nascimento de Amílcar Cabral, que se comemora no próximo ano.

Produção da África do Sul pela primeira vez

Nesta edição, diz a associação, o Palco 01 manterá a sua identidade, ao apresentar grandes propostas cénicas nacionais e internacionais, sendo de destacar a presença, pela primeira vez, de uma produção da África do Sul, dirigida e interpretada por mulheres.

Homenagem à Samira Pereira

“Flávia Gusmão fechará o ciclo de 5 produções dedicadas à nossa querida ativista Samira Pereira, apresentando a sua inquietante criação “Bochizami”, com um elenco de várias gerações”, avança a mesma fonte.

O espetáculo dará destaque a premiada atriz nacional Vitalina Varela, que pela primeira vez se apresentará no Mindelo.

Outro destaque já confirmado é a estreia absoluta de uma coprodução entre o Festival Mindelact e o Teatro da Garagem, de Lisboa, uma encenação de Carlos Pessoa da “versão” de Aimé Césaire, o poeta da negritude, do texto de Shakespeare, “Tempestade”, a que o autor deu o título de “Uma Tempestade”.

“Estes exemplos, na edição que tem o mote da “Liberdade”, não são fortuitos nem acidentais. São escolhas que pretendem dar voz a quem não a tem ou a quem está a sofrer tentativas de silenciamento, de dar palco a quem não tem palco, promovendo uma reflexão que se pretende ativa e radical”, afirma a organização.

Palco II dedicado ao nacional

Já o Palco 2 será todo ele dedicado às artes performativas nacionais, com uma vasta mostra de trabalhos cénicos que têm sido construídos a partir de, ou com a colaboração, do projeto Tri*Pé Três Ilhas Três Artes.

“Estejam pois, preparados, para mais uma fantástica edição do festival Mindelact”, avisa a organização. In “A Nação” – Cabo Verde


segunda-feira, 7 de março de 2022

Timor-Leste – Apoia liberdade e independência do povo sarauí

Díli – A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste (MNEC), Adaljiza Magno, encontrou-se com o representante da Frente POLISÁRIO do Sahara Ocidental na Europa e União Europeia, Oubbi Bouchraya.

Adaljiza Magno aproveitou a oportunidade para reafirmar a posição de Timor-Leste no apoio total à luta do povo sarauí pela independência.

“Timor-Leste apoia plenamente o povo sarauí na luta pela liberdade e independência”, afirma Adaljiza Magno, num comunicado dirigido à Tatoli.

Neste encontro, a MNEC timorense abordou, também, a questão da candidatura de Timor-Leste a membro do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas para o período de 2024 a 2026.

Por sua vez, Bouchraya manifestou o seu apoio à candidatura de Timor-Leste na ONU.

“A Sahara Ocidental vai apoiar plenamente a candidatura de Timor-Leste”, disse.

Durante a reunião, os dois governantes discutiram questões dos direitos humanos e o estado das negociações políticas sobre o Sahara Ocidental.

A ministra esteve acompanhada pelos Representantes Permanentes de Timor-Leste junto do Gabinete das Nações Unidas de Genebra e Nova Iorque, Lurdes Bessa e Carlito Nunes.

Recorde-se que o Parlamento Nacional aprovou uma resolução relativa à constituição de um grupo parlamentar para se solidarizar com a causa do Sahara Ocidental. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”

 

domingo, 31 de outubro de 2021

Lusofonia - Primeiros presos no Campo de Concentração do Tarrafal chegaram há 85 anos

Foi há precisamente 85 anos que chegaram a Cabo Verde, os primeiros 151 presos portugueses deportados em Campos de Concentração, a Tarrafal de Santiago. Hoje, este Património Cultural Nacional vive as memórias da luta pelas liberdades de pensamento de associação e de reunião dos povos, procurando promover o diálogo pela paz pela tolerância e diversidade


O Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago, Museu da Resistência na qualidade de Património Cultural Nacional desde 2006, relembra através da sua página oficial do Facebook, a história que marcou os seus 85 anos de existência.

Foi há precisamente 85 anos, que chegaram a Cabo Verde, os primeiros presos portugueses deportados em Campos, pelo regime do Estado Novo então vigente em Portugal entre 1936 e 1954.

Prisioneiros

Do total de 340 presos, 151 foram aprisionados no Campo de Concentração em Tarrafal de Santiago.

Deste grupo, faziam parte Bento Gonçalves, líder do Partido Comunista Português (PCP) e Mário Castelhano, líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT), sendo que os restantes presos, eram de diversas profissões das quais camponeses, soldados, operários, marinheiros, estudantes e intelectuais que tiveram a ousadia de desafiar o regime político vigente.

“Campo da morte lenta”

Como castigo, estes foram tirados do país e instalados em barracas de lona com deficientes condições de habitabilidade e de higiene – “o espaço era ambíguo e os próprios presos acabariam por colaborar na edificação daquilo que seria a colónia penal, desde logo escavando as valas para que nenhuma tentativa de fuga sucedesse”.

As péssimas condições das instalações, da alimentação, da falta de assistência médica ou de índole criminosa, acrescida pelas condições geográficas e os constantes maus tratos começaram em 1937 a registar as primeiras mortes. Na primeira fase, 32 presos portugueses perderam a vida no “campo da morte lenta”.

Novos prisioneiros

Em 1953 o último preso português, Francisco Miguel, abandonou o Campo e o espaço foi encerrado por cerca de 8 anos. Contudo, a ideologia de aprisionar pensamentos, desterrar, isolar e castigar ainda faziam parte do regime.

Assim, Tarrafal seria novamente espaço de deportação e cárcere de presos políticos, desta, nacionalistas das antigas colônias, sendo os primeiros os angolanos em 1962, seguida de uma leva de 100 guineenses no mesmo ano e mais tarde os cabo-verdianos.

Preservar e perpetuar parte da memória…

“Libertado” em 1974, o complexo funcionou até 1985 como quartel das Forças Armadas de Cabo Verde. A seguir, o espaço foi ocupado por muitas famílias, salvando-se, porém, o estabelecimento prisional.

Em 2000 o complexo prisional passou a ser o “Museu da Resistência”, com o objetivo de preservar e perpetuar parte da memória histórica de Cabo Verde e em particular das ex-colónias portuguesas em África (Angola e Guiné-Bissau) e de Portugal.

Em 2006, o Campo de Concentração do Tarrafal passou a ser Património Cultural Nacional.

Dez anos mais tarde, o museu foi “rebaptizado” por “Museu do Campo de Concentração do Tarrafal”, tratando-se da “primeira experiência em Cabo Verde de uma musealização “in situ”, procurando “valorizar e perpetuar a memória, as emoções contidas no próprio local, a passagem do tempo, o passado recente do Campo, colocando a memória no estado atual das coisas”. In “A Nação” – Cabo Verde



sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Angola - Estado autoritário vs direito à informação e à liberdade de expressão: o que fazer no plano judicial?

Estamos a falar de dois direitos humanos fundamentais, consagrados na Constituição da República de Angola (CRA, art. 40º), na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (CADHP, art. 9º) na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH, art. 19º) e no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (PIDCP, art. 19º). A efectivação concreta desses direitos, articulados a outras disposições do sistema, como as que consagram a liberdade de acção social e política, constituir-se-ia num vector essencial para o desenvolvimento do Estado democrático e de direito, em Angola, bem como na consolidação definitiva do processo de paz e reconciliação nacional. Esta era, na verdade, uma das maiores expectativas acalentadas pelo discurso eleitoral e particularmente o inaugural do presidente empossado em 2017, depois que durante os anteriores 15 anos de paz, esses direitos foram fatalmente espezinhados.

Acontece, porém, que mal foi afastado da direcção do partido no poder o anterior líder, em finais de 2018, rapidamente se regressou à situação anterior, até em determinados aspectos com requintes muito mais preocupantes. A situação exige uma reacção à medida, por parte dos operadores do direito, especialmente, da comunidade dos advogados que, como defensores das vítimas individuais e colectivas da ofensa aos direitos referidos não se dignificam, permanecendo impávidos e serenos perante essa situação. Há vias a seguir, todas elas pacíficas: a via do diálogo a solicitar às autoridades porque a situação é quase insustentável – é ver a ponta do iceberg na recente denúncia do jornalista Alves Fernandes – e a via processual a desencadear, na base da CRA, que bem pode acabar em instâncias internacionais de protecção dos direitos humanos e dos povos, com fundamento nas disposições da CADHP, da DUDH e do PIDCP. Marcolino Moco - Angola

Marcolino José C. Moco – Advogado, PH.D em Direito, Consultor, Docente Universitário, Conferencista 

sábado, 14 de agosto de 2021

Guiné-Bissau – Domingos Simões Pereira viajou para Lisboa ao abrigo da decisão do Tribunal da Relação

Bissau - O Presidente do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde PAIGC deixou a capital Bissau com destino a Lisboa, Portugal, depois de o Tribunal de Relação ter publicado no dia 11 do corrente mês, um despacho em que deu por nula a deliberação do Ministério Público que tinha embargado a viagem.

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, denunciou no passado dia 23 de Julho de que foi proibido de viajar para Portugal no voo da Euro Atlântic por "ordens superiores", qualificando o acto de restrição das liberdades fundamentais dos cidadãos.

Em declarações à imprensa momentos antes de deixar o país, Domingos Simões Pereira defende que todo o cidadão guineense deve sentir a vergonha de ter uma pessoa que não honre aquilo que deve ser a sua responsabilidade.

Disse que ninguém pode subtrair os direitos e liberdades de um cidadão baseado no seu belo prazer.

ʺO que o juiz veio a fazer é o que o Procurador Geral da República devia conhecer, porque a vocação do Procurador Geral é proteger os direitos fundamentais e não ser chamado à ordem por um juiz”, disse.

O líder do PAIGC considera-se um cidadão livre como sempre foi, salientou que se houver, mais uma vez, algum impedimento da sua viagem não seria nenhuma questão de vida ou morte. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

sábado, 24 de julho de 2021

Guiné-Bissau – Líder do PAIGC proibido de sair do país

Bissau - O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, denunciou o que considerou ser uma ordem "cobarde" de restrição das liberdades fundamentais dos cidadãos.

Domingos Simões Pereira foi proibido de viajar para Portugal no voo da Euroatlântico por "ordens superiores".

"Quero aqui à frente do departamento de migração do aeroporto denunciar esta situação grosseira de restrição das liberdades fundamentais de um cidadão", afirmou o líder do PAIGC, em declarações aos jornalistas no aeroporto, onde se deslocou para saber  das razões pelas quais foi impedido de viajar.

Segundo Domingos Simões Pereira, o departamento de migração não apresentou qualquer documento e evoca a "existência de uma ordem superior" que o impede de viajar, sem qualquer explicação sobre os "fundamentos legais".

"É absolutamente ilegal a cobardia das pessoas que o fazem. Pelo menos que me enfrentem e digam, nós estamos a restringir a tua liberdade porque temos força para o fazer e porque o decidimos fazer", disse Simões Pereira.

"Mas são tão cobardes, que ficam nos seus espaços fingindo que estão ocupados com os seus dossiês tão importantes, dão ordens que não têm qualquer fundamentação legal e jurídica e o departamento da migração comunica que são ordens superiores que me impedem de viajar", sublinhou.

O líder do PAIGC afirmou também aos jornalistas que vai apresentar queixa e responsabilizar "não só quem executa, mas também quem manda executar".

Segundo Domingos Simões Pereira, "o mundo vai saber o tipo de regime que se quer instalar neste país", salientando que "o regime é arbitrário e ditatorial, mas amador".

"Vamos ser livres, se tivermos a coragem de ser livres. A mim ninguém me dá ordens que não correspondem à lei, porque isto é absolutamente arbitrário", disse, falando para os cidadãos guineenses.

"Enquanto não tivermos essa capacidade, essa determinação, de dizer que ninguém pode restringir as nossas liberdades, vamos continuar a ser tratados como cordeiros, a mim ninguém me trata como cordeiro", disse.

Contactada pela imprensa, a secretaria de Estado da Ordem Pública disse não ter conhecimento, remetendo declarações para mais tarde.

O empresário guineense Veríssimo Nancassa, próximo do PAIGC, também foi impedido de viajar em junho por "ordens superiores".

Na sequência do impedimento de viagem do empresário, a imprensa guineense noticiou a existência de uma lista de pessoas impedidas de viajar.

Na altura, as autoridades guineenses, nomeadamente o Ministério do Interior, disseram desconhecer totalmente a existência de qualquer lista. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “Lusa”

 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Timor-Leste – Continua a ser escasso o esforço na obtenção dos restos mortais dos heróis na luta pela independência


Díli – O deputado da Bancada Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (FRETILIN) David Dias Ximenes ‘Mandati’ pediu ao Governo timorense que exigisse ao homólogo indonésio que indicasse o local onde se encontram os restos mortais de Nicolau Lobato e de outros heróis nacionais.

As declarações proferidas por David Ximenes estão relacionadas com o facto de a maioria dos ex-soldados indonésios, que se envolveram em operações militares em Timor-Leste durante a luta armada, ter já uma idade muito avançada.

“Muitos ex-militares indonésios estão a envelhecer e alguns até já morreram. Prabowo Subyanto [atual Ministro da Defesa da Indonésia] que, no momento da morte de Nicolau Lobato, tinha pouco mais de 20 anos, começa a envelhecer. Também os ex-comandantes do Batalhão 744 estão na velhice e alguns já faleceram”, disse ‘Mandati’, esta terça-feira, no âmbito do plenário, no Parlamento Nacional (PN).

David referiu ainda que, caso cidadãos indonésios venham a Timor-Leste para visitar as sepulturas dos seus heróis, deverão, em primeiro lugar, dar conhecimento ao Governo sobre os restos mortais dos heróis timorenses.

“Pedimos à Indonésia que, se for possível, nos indique onde estão os restos mortais dos nossos heróis, como os de Nicolau Lobato, em Daitula, os de 10 de junho de Marabia, os de 1983 e de 12 de novembro de 1991. Pode também indicar-nos os locais onde estes foram enterrados para que possamos recolher os restos e enterrá-los”, defendeu o deputado.

‘Mandati’ disse ainda ter ouvido o empenho do Estado na obtenção dos restos mortais dos heróis na luta pela independência de Timor-Leste, esforço este que, segundo o parlamentar, continua a ser escasso.

“Falei com o Embaixador da Indonésia e transmiti-lhe alguns dados sobre a questão. Este informou-me ter feito esforços neste sentido. Quanto ao nosso Governo, deverá também envidar esforços, caso contrário não iremos obter nenhum resultado”, concluiu. Evaristo Martins – Timor-Leste in “Tatoli”


 

domingo, 29 de novembro de 2020

Paquistão – Kaavan, o elefante que vai recuperar a liberdade

 


Durante décadas este elefante serviu como “entretenimento” num zoológico do Paquistão.

Em 1985 o Sri Lanka ofereceu este elefante, acabado de nascer, ao Paquistão, de forma a promover as relações bilaterais entre os dois países. Após uma longa batalha judicial Kaavan, o elefante macho de 35 anos, vai ser, finalmente, libertado do seu cativeiro  e viverá num santuário.

Durante décadas o elefante mais solitário do mundo divertiu multidões no seu pequeno e árido pedaço de terra num zoológico do Paquistão.

Para entreter os visitantes, os “tratadores” picavam o elefante com ganchos, de forma a fazê-lo mexer-se, aumentando assim as receitas e o suposto divertimento de quem o ia visitar.

Com o passar do tempo, os animais desapareceram dos seus recintos, o zoológico foi ficando decadente e pouco visitado. A sua única companheira morreu, supostamente de sepsis causada pelos ganchos cravados profundamente na sua pele.

E durante anos, parecia que ninguém se importava com o destino solitário do elefante. As suas feridas infetaram e as correntes em torno das suas pernas lentamente deixaram cicatrizes permanentes. Kaavan entrou lentamente em psicose e obesidade.

Mas no domingo, o elefante mais solitário do mundo finalmente deixará para trás o seu recinto desolador e viverá do outro lado do continente, graças à determinação de uma união entre voluntários determinados e, de uma forma um tanto inesperada, a ícone pop americana Cher.

O tribunal determinou que o elefante seja transferido do Zoológico de Islamabad (anteriormente conhecido como Zoológico de Marghazar) para um santuário onde ele possa viver livremente. Como o Paquistão não tem santuários adequados para o elefante, as autoridades paquistanesas escolheram um santuário de elefantes no Camboja para ser o novo lar de Kaavan. In “Green Savers Sapo” - Portugal


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Macau – 25 de Abril, Sempre!

Apesar da pandemia, o 25 de Abril foi assinalado em Macau, com o palco das comemorações “instalado” nas redes sociais. Dois vídeos sobre uma data que “não pode passar em branco” tiveram feedback “positivos”. Numa data muito emotiva, Manuel Geraldes apontou que as redes sociais ajudaram a encurtar o distanciamento social. Por outro lado, Amélia António sublinhou que a iniciativa levada a cabo pela Casa de Portugal constituiu um sucesso e serviu de aprendizagem para o futuro



As celebrações em Macau do “Dia da Liberdade” deste ano foram condicionadas pela pandemia, mas a Casa de Portugal não quis que isso fosse motivo para “saltar a data”, pelo que gravou um vídeo comemorativo. Combinando um espectáculo de marionetas, um momento musical e narrativas sobre a Revolução dos Cravos, o vídeo foi produzido pela equipa da associação e divulgado nas redes sociais.



A presidente da Casa de Portugal disse ao Jornal Tribuna de Macau que sentiu as pessoas “perceberam que o trabalho foi feito com calor humano e empenho”. “Acho que, dentro do que era possível fazer foi um esforço bem recebido e bem feito. Pelas reacções das pessoas que nos mandaram ‘feedback’ e pelo movimento que teve o Facebook acho que despertou interesse e que as pessoas gostaram”, afirmou Amélia António.

Apesar do sucesso, reconheceu ter sido difícil levar a cabo este projecto. “Foi uma experiência muito em cima da hora, porque havia outras coisas a acontecer. Nós não tivemos, até muito tarde, a certeza do que podíamos fazer e portanto quando se decidiu que tinha de ser este formato foi já com muito pouco tempo”, contou, acrescentando que “estas coisas parece que são todas muito simples, mas dão muito trabalho”.

Segundo Amélia António, entre os elogios o público destacou especialmente a atenção dada ao público infantil “que é uma coisa pouco comum”.

Por outro lado, a responsável lamentou que esta celebração não decorresse como nos anos anteriores. “É triste que tenha de ser assim, não é um 25 de Abril que nos encha a alma”, lamentou Amélia António, porém, sublinhando que “serviu de aprendizagem para próximos projectos”.

“Isto não substitui a presença física nem o encontro entre as pessoas, mas alivia essa falta”, pelo que no futuro este formato voltará a funcionar, mas como complemento.

A Casa de Portugal arranca agora com a preparação de “Junho, mês de Portugal” e retomará os trabalhos interrompidos nas futuras instalações do restaurante no Tap Seac.

Conforme noticiámos na edição de sexta-feira, a “Comissão Ad Hoc 25 de Abril”, também produziu um vídeo musical que foi partilhado nas plataformas pela Associação 25 de Abril. Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, Manuel Geraldes salientou que a interpretação de várias obras de Zeca Afonso por parte de José Li Silveirinha, jovem pianista de Macau, mereceu rasgados elogios.

“É um momento musical brilhante, lindíssimo. E claro que é isso que as pessoas dizem nas redes sociais”, afirmou.

A data “que não deve ser esquecida” é sempre um dia muito emotivo para Manuel Geraldes que mesmo com o confinamento social não deixou de o partilhar com “os de sempre”.

“Passei o dia em casa a ver um filme e a falar com as pessoas em Portugal. Recebi os telefonemas habituais desta altura, ainda estou cansado de ontem”, confessou, realçando que “com as redes sociais permitem-nos esta troca e partilha apesar das circunstâncias e da distância entre Macau e Portugal”. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”