Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 5 de maio de 2026

Infame

Creio que conheci, em tempos, o Luís Osório (LO). Há muitos anos. É certo que os anos passam, as pessoas mudam.

LO tem um espaço radiofónico na Antena 1, o “Postal do Dia”. Não sou um ouvinte habitual. Amigos meus, porém, enviaram-me o podcast desse programa do passado dia 23 de abril. Entre surpreendido e indignado, nunca pensei que se chegasse a tanto.

O radialista deu um título ao seu postal: «Abandonámo-los por serem pretos». Queria referir-se a nacionais das colónias que na guerra colonial haviam servido nas Forças Armadas Portuguesas (FAP) e nas Forças Auxiliares (FAux) e, que, com as independências, teriam sido abandonados por Portugal nos seus países. Acrescenta: «Não puderam embarcar, deixaram-nos em terra, abandonados à sorte.»

Uma calúnia infame, que tem servido de arma de arremesso aos saudosos do império colonial que nunca se conformaram com o 25 de Abril, que está por demais denunciada e esclarecida. LO quis tornar-se seu porta-voz. Refere-se, em particular, aos Flechas em Angola e aos Comandos Africanos na Guiné.

Não vou entrar em detalhes, o espaço não o permite. Limitar-me-ei a estes dois casos, exatamente os que mais têm mobilizado os nostálgicos colonialistas.

Em junho de 2012, o Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar (NICCM), promoveu a V Conferência a que chamou “Pronunciamento Militar do 25 de Abril de 1974”. No debate que encerrou o Painel IV, sobre a “Transmissão da Soberania em África”, merece destaque a intervenção do tenente-general Sousa Pinto:

«Foram postos à disposição dos comandos africanos os meios aéreos necessários para os transportar para Portugal, a eles e às suas famílias. Inscreveram-se para vir para Portugal, cerca de trezentos […] É o comando africano, capitão Sayegh, que sendo parente de alguns elementos do PAIGC se reuniu com eles no Senegal, e eles o convenceram que iriam fazer daqueles comandos africanos, a tropa de elite do PAIGC. E é o Sayegh que convence todos aqueles que já estavam inscritos, a não virem. Eu assisti ao governador Fabião a querer convencer o Sayegh que ele estava doido, ele que não impedisse quem quisesse vir, porque senão aquilo podia dar para o torto […] Todos eles desistiram, como se sabe vieram para Portugal aqueles que não tinham dúvidas, o Marcelino da Mata e mais três ou quatro, mas não é verdade que Portugal tenha tido qualquer coisa a ver com o facto de que eles não tenham vindo. Não vieram porque não quiseram […]»

Depois toma a palavra o coronel Matos Gomes:

«Ainda relativamente aos comandos africanos, a questão que o general Sousa Pinto colocou é exatamente assim, logo a partir de maio, há elementos do Batalhão de Comandos Africanos que começam a ter ligações e contatos com elementos do PAIGC […] No caso do capitão Sayegh, ele tinha um irmão que era do PAIGC e a mulher também era.»

Ainda sobre as soluções adotadas para os comandos africanos, escreve o coronel Sales Golias no seu livro A descolonização da Guiné-Bissau e o Movimento dos capitães (Colibri, Lisboa, 2016, p. 199):

«A vinda para Portugal por ser a solução mais segura […] teve larga aceitação e chegou a estar garantida a ida para Portugal de mais de 300 pessoas. Ou seja, como este número inclui as famílias, dos 300 comandos muitos preferiram ficar, mas os quadros mais destacados aceitaram. Porém, o capitão Saiegh, que tinha familiares no PAIGC, reuniu com eles e foi convencido a ficar pois garantiram-lhes que iriam ser transformados em tropas de elite. E já não ouviram as vozes avisadas que os tentaram demover desta ideia, principalmente o brigadeiro Fabião que tentou veementemente convencê-lo a vir para Portugal. Alguns acabaram por vir, como Marcelino da Mata e outros.»

O general Sousa Pinto está vivo. Na altura capitão, comandava a Companhia de Polícia Militar em Bissau. O coronel Matos Gomes, infelizmente já falecido, então capitão comando, foi segundo comandante do Batalhão de Comandos da Guiné, e é um dos nomes mais respeitados da literatura portuguesa contemporânea, quer como ensaísta da área do 25 de Abril e da guerra colonial, quer como ficcionista com o pseudónimo Carlos Vaz Ferraz. As afirmações de ambos acima citadas constam do livro de Atas da referida Conferência, Pronunciamento Militar do 25 de Abril de 1974, NICCM, Lisboa, 1974, pp. 274 a 276. O coronel Jorge Golias, também vivo, era capitão e o mais destacado dinamizador do Movimento dos Capitães na Guiné, aliás pioneiro na sua politização e evolução para o MFA em todo o país, vindo a ter um papel determinante na transferência do poder naquela colónia.

Tudo isto foi ignorado por LO.

No que aos Flechas e a Angola respeita, repete-se a ignorância e desinformação infamante. Se LO tivesse o cuidado de se informar saberia que os Flechas não eram militares das FAP, nem mesmo elementos de FAux. Eram grupos armados criados pela PIDE/DGS que atuavam autonomamente. Depois da independência foram, na maioria, para a África do Sul e muitos integraram-se nas forças de segurança do regime do apartheid, SADF (Bat. 32 Buffalo), combatendo no interior de Angola em apoio da UNITA. Os angolanos, brancos ou pretos que haviam sido militares das FAP ou das FAux, não foram perseguidos por esse motivo. Com a aproximação da independência e depois desta, houve uma corrida dos três Movimentos de Libertação, FNLA, MPLA e UNITA, para recrutarem ex-militares e ex-militarizados das FAP para as suas estruturas armadas. Vieram a confrontar-se na cruenta guerra civil que recomeçou depois do Acordo do Alvor, que já tinha as suas raízes na guerra colonial e foi alimentada pelas intervenções armadas externas. Mataram-se uns aos outros, mas não por terem sido militares portugueses. Foram poucos os quiseram vir para Portugal e não lhes foi negado.

É o sensacionalismo de sound bites e fake news: “foram abandonados”, “por serem pretos ficaram lá”, “o mais vergonhoso episódio da descolonização portuguesa”. Produz efeitos fáceis e esconde a realidade. Só que é falso, é desonesto, é uma infâmia.

Os mesmos amigos enviaram-me um segundo podcast, também de Luís Osório. Menos grave o conteúdo, mas igualmente revelador de deficiente preparação do profissional. É uma, mais uma, entrevista com Vasco Lourenço (VL) que, beneficiando da sua “presidência vitalícia” da Associação 25 de Abril, se desdobra, ad nauseam, em tentativas de reescrita da história centrada no seu ego, alardeando uma liderança e responsabilidades no golpe de estado do 25 de Abril, que nunca exerceu nem nunca teve. O que venho designando “Vasco Lourenço no 25 de Abril visto pelo Vasco Lourenço”.

O entrevistador tinha obrigação de se documentar sobre o seu convidado, de se preparar para enfrentar o seu recorrente discurso. Não o fez e o resultado foi a sua introdução à entrevista: «O coronel Vasco Lourenço é o grande herói que resta do 25 de Abril. Na verdade, foi o único militar que esteve e foi o estratega da revolução dos cravos, mas também do 25 de Novembro».

– O grande herói que resta do 25 de Abril? Não houve outros, ou já morreram todos? (i)

– O único militar que esteve? Esteve aonde?

– O estratega da revolução dos cravos e do 25 de Novembro? O que sabe LO de estratégia?

Se tivesse feito o trabalho de casa LO só poderia chegar a uma conclusão: o papel de VL na preparação, organização, conceção e conduta da Operação “Viragem Histórica”, em 25 de Abril de 1974, foi ZERO. Eu repito, para que não haja equívocos, ZERO.

E não há aqui qualquer disputa de protagonismos porque também eu, o meu papel na Operação “Viragem Histórica”, foi zero. Porque, com muita pena, não estava cá. Só que, ao contrário de VL, nunca ninguém me verá, ou ouvirá, arrogar-me do que não sou, invocar o que não fiz, apoderar-me do que outros fizeram. Já afirmei: só está interessado em reescrever a História na primeira pessoa quem não confia no que a História dele dirá. Não padeço dessas angústias.

Por último, é intrigante que LO ignore que os estrategas, se assim quisermos chamar aos principais responsáveis operacionais do 25 de Abril e do 25 de Novembro, têm nome, toda a gente sabe quem são e merecem respeito: chamam-se Otelo Saraiva de Carvalho e António Ramalho Eanes. Pezarat Correia – Portugal in “Giro do Horizonte”

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Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 1932. Curso liceal no Colégio Militar, licenciatura em ciências Militares na Escola do Exército, em 1954; doutoramento na Universidade de Coimbra com distinção e louvor em 2017. Major-general reformado. Seis comissões na guerra colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante no movimento militar que desencadeou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul. Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra fundou e leccionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no Instituto da Defesa Nacional, Universidade Autónoma de Lisboa, e outros institutos superiores militares e civis. Autor de Centuriões ou Pretorianos; Descolonização de Angola – A Jóia da Coroa do Império Português; Questionar Abril...; Angola – Do Alvor a Lusaka; Manual de Geopolítica e Geoestratégia; Guerra e Sociedade; ... da Descolonização – Do protonacionalismo ao pós-colonialismo e co-autor em muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, guerra colonial e descolonização. Autor do livro Do Lado certo da História. In “Âncora Editora”

(i) Saiba LO que, felizmente, ainda restam militares do MFA que, esses sim, estiveram nas ruas, no Continente, onde se fez o 25 de Abril: Delgado Fonseca, Pita Alves, Piteira Santos, Rui Rodrigues, Ferreira do Amaral, Aprígio Ramalho, Castro Carneiro, Helder Neto, Frias Barata, Cardoso de Sousa, Bargão dos Santos, Pina Monteiro, Sousa e Castro, Morais da Silva, José Luis Cardoso, Rosário Simões, Duarte Mendes, Rosado da Luz, Ponces de Carvalho, Freire Nogueira, Glória Alves, Andrade da Silva, Correia Bernardo, Candeias Valente, Tavares de Almeida, Correia Assunção, Miguel Marcelino, Sanches Osório, Santos Coelho, Fialho da Rosa, Pinto de Castro, Soares Canavilhas, Moreira Azevedo, Bacelar Ferreira, Manuel Geraldes, do Exército. Costa Neves, Mendonça de Carvalho, Santos Silva, da Força Aérea. Geraldes Freire, Costa Correia, Martins Guerreiro, Ferreira da Silva, Caldeira Santos, Simões Teles, Nuno Anselmo, Vargas de Matos, Soares Rodrigues, Pedro Lauret, da Armada. E outros que me desculpem, não me vieram de imediato à memória.


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Um olhar crítico sobre Portugal

Obra reúne estudos do historiador inglês Kenneth Maxwell sobre a situação política no país desde a sua primeira visita em 1964


                                                           I

Uma visão de como estava Portugal nos anos que antecederam o golpe militar que derrubou o regime do Estado Novo, herança do salazarismo, no dia 25 de abril de 1974, abre o livro Perspectives on Portuguese HistoryThe 2024 Lectures by Professor Kenneth Maxwell (Grã Bretanha, Robbin Laird, editor, edição em inglês e português, 2025), que reúne também as últimas conferências do autor realizadas em 2024 em São Paulo, Lisboa e na cidade histórica de São Cristóvão, em Sergipe, a propósito das comemorações dos 50 anos do movimento que derrubou a mais antiga das ditaduras na Europa.

O relato inicial Maxwell o escreveu em seus verdes anos, quando viveu alguns meses em Portugal, em 1964, logo depois de sua  chegada à Universidade de Princeton, em Nova Jersey/EUA, e mostra a Lisboa daquele tempo em que a PIDE, a polícia política, exercia um grande poder sobre os corações e mentes dos portugueses sob a liderança do primeiro-ministro António de Oliveira Salazar (1889-1970), à época já um “caudilho envelhecido” e atarantado como o destino do país em meio a guerras que duraram treze  anos (1961-1974) na África na tentativa de manter as possessões lusitanas (Guiné-Bissau, Moçambique e Angola) que faziam parte daquilo que ele chamava de “bocados de Portugal espalhados pelo mundo”.

Em seguida, o leitor irá encontrar a conferência que o professor Maxwell  ministrou na Universidade de São Paulo (USP), em abril de 2024, sobre os 50 anos da Revolução dos Cravos, em que observa que a derrubada do primeiro-ministro Marcello Caetano (1906-1980) causou grande preocupação em Washington, especialmente ao todo-poderoso Henry Kissinger (1923-2023), secretário de Estado (1973-1977) à época do governo do presidente Gerald Ford (1913-2006). Kissinger já havia contribuído decisivamente para a queda do presidente Salvador Allende (1908-1973), no Chile, em setembro de 1973 e, apesar desse seu lado obscuro, ganhara o Prêmio Nobel da Paz daquele ano.

 

                                                          II

Embora o general António de Spínola (1910-1996) tivesse assumido a presidência com o apoio do Movimento das Forças Amadas (MFA) e sua orientação política fosse de direita, ele, forçado pelas circunstâncias, havia formado um governo de coalizão, com a presença de comunistas e esquerdistas. Com o tempo, porém, tentou reforçar sua autoridade diante do MFA, o movimento dos capitães, mas a presença de comunistas num governo ocidental pela primeira vez desde o início da Guerra Fria (1947-1991) causou horror aos aliados de Portugal na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). E Kissinger, por sua vez, tratou de reagir da mesma forma que havia reagido à eleição de Allende no Chile.

Por força política dos comunistas e socialistas, deu-se a descolonização, o que acirrou ainda mais a oposição do Mundo Ocidental ao governo português. Spínola ainda tentou reverter a situação, admitindo até a possibilidade de se tornar um novo Augusto Pinochet (1915-2006). Mas não obteve êxito, tendo sido substituído em setembro de 1974 por Costa Gomes (1914-2001), outro militar, que consolidaria a democracia no país.

Já Kissinger haveria de aumentar a pressão para reverter a situação, enviando a Portugal o general Vernon Walters (1917-2002), vice-diretor da Central Intelligence Agency (CIA), que tivera participação direta na preparação do golpe militar que ocorreu no Brasil em 1964. Segundo o professor, Kissinger só não faria Portugal repetir a tragédia do Chile em razão da ação de Frank Carlucci (1930-2018), o novo embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, que, com base nos resultados das eleições de 1975, conseguiu contornar a pretensão do então secretário de Estado e apoiar o caminho pacífico que se abria para um regime democrático em Portugal.

Para se ter uma ideia do ideal totalitário que marcava a personalidade de Kissinger, basta ver que, em 2004, Maxwell, ao resenhar o livro The Pinochet  Files, do norte-americano Peter Kornbluh, para a revista Foreing Affairs, desagradou ao ex-secretário do Estado, que respondeu por escrito às reflexões do articulista. No entanto, a revista, provavelmente pressionada por Kissinger, recusou-se a publicar a réplica de Maxwell, o que mostra que, nos Estados Unidos, a liberdade de imprensa não passa da liberdade de quem pode mais. Em função disso, em maio daquele ano, o professor renunciou ao cargo de diretor de Estudos Latino-Americanos do Conselho de Relações Exteriores de Nova York.

 

                                                          III

Um fato curioso que envolve a atuação diplomática do governo brasileiro ao tempo do regime militar (1964-1985) aparece no último capítulo que tem por título “O pivô: o golpe português do 25 de abril e as suas consequências globais”, que reproduz o discurso que Maxwell fez em Lisboa, em 25 de outubro de 2024, em evento organizado pela Fundação Oriente. Neste discurso, o professor apresentou documentos até aqui desconhecidos e levantados pelo notável jornalista brasileiro Elio Gaspari, que incluem registros de conversas secretas do general Spínola, então exilado no Brasil, com agentes secretos do Serviço Nacional da Informações (SNI), no Rio de Janeiro e em Brasília, em 1975.

O que surpreende é a reação do  general Ernesto Geisel (1907-1996), o ditador de plantão, ao recusar o apoio brasileiro a uma pretensão do general português, apesar das afinidades extrema-direitistas que alimentavam. Spínola queria ajuda para empreender uma invasão de Portugal e, provavelmente, transformar-se num Pinochet lusitano. A atitude de Geisel, aliada ao trabalho do embaixador norte-americano Frank Carlucci em Lisboa, ao contornar o desejo de Kissinger de fazer de Portugal, a exemplo do  Chile, um escudo para interromper a propagação do que considerava uma “infecção” comunista no resto da Europa, acabou por evitar muito derramamento de sangue em território luso. E o Brasil continuou a apoiar a política de descolonização na África. Menos mal.

Da obra, faz parte também conferência que Maxwell proferiu em 2024, nos Estados Unidos, em seu último ato como professor da Universidade  de Harvard, ao participar do Colóquio Internacional de Arte e Literatura Luso-Brasileira, realizado naquela instituição. Desta vez, apresentou suas reflexões sobre a reconstrução de três grandes cidades europeias, Londres, Lisboa e Paris, que foram reunidas no recém-lançado livro  The Tale of Three Cities (Londres, Robbin Laird, editor, edição em inglês, francês e português, 2025).

Da obra consta ainda entrevista que Maxwell concedeu ao professor Luís Eduardo de Oliveira, da cátedra Marquês de Pombal da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em junho de 2024, à época em que recebeu o título de doutor honoris causa daquela instituição, além da saudação feita pelo professor Dilton Cândido Santos Maynard, pró-reitor de Graduação, e do discurso de aceitação pelo homenageado.


                                                         IV

Kenneth Maxwell foi diretor e fundador do Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos (DRCLAS), da Universidade de Harvard (2006-2008), e professor do Departamento de História de Harvard (2004-2008). De 1989 a 2004, foi diretor do Programa para a América Latina no Conselho de Relações Exteriores e, em 1995, tornou-se o primeiro titular da cátedra Nelson e David Rockefeller em Estudos Interamericanos. Atuou como vice-presidente e diretor de Estudos do Conselho em 1996. Lecionou anteriormente nas universidades de Yale, Princeton, Columbia e Kansas.

Fundou e foi diretor do Centro Camões para o Mundo de Língua Portuguesa em Columbia e foi diretor de Programa da Tinker Foundation, Inc. De 1993 a 2004, foi revisor de livros do Hemisfério Ocidental para Relações Exteriores. É colaborador regular da New York Review of Books e foi colunista semanal entre 2007 e 2015 do jornal Folha de S. Paulo e é colunista mensal de O Globo desde 2015.

Foi ainda Herodotus fellow no Instituto de Estudos Avançados de Princeton e Guggenheim fellow e membro do Conselho de Administração da The Tinker Foundation, Inc. e do Conselho Consultivo da Fundação Luso-Americana. Também é membro dos Conselhos Consultivos da Brazil Foundation e da Human Rights Watch Americas. Fez bacharelado e mestrado no St. John's College, na Universidade de Cambridge, e mestrado e doutorado na Universidade de Princeton. É colaborador regular do site Second Line of Defense (www.sldinfo.com).

Publicou também A Devassa da Devassaa Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal 1750-1808 (Editora Paz e Terra, 1978), Marquês de Pombal – Paradoxo do Iluminismo (Editora Paz e Terra, 1996), A Construção da Democracia em Portugal (Editorial Presença, 1999), Naked Tropics: essays on empire and other rogues (Psychology Press, 2003), Chocolate, piratas e outros malandros (Editora Paz e Terra, 1999),  Mais malandros – ensaios tropicais e outros (Editora Paz e Terra, 2005) e Kenneth Maxwell on Global Trendsan historian of the 18th century looks at the contemporary world (Robbin Laird, editor, Second Line of Defense, 2023), entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil 

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Perspectives on Portuguese History, de Kenneth Maxwell. Grã-Bretanha, Robbin Laird, editor, edição em inglês e português, Second Line of Defense, 278 páginas, R$ 107,89  (Amazon), 2025.                                                                           

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona e Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


sábado, 26 de abril de 2025

Estados Unidos da América - Luso-americanos alertam para risco de esquecimento do 25 de Abril

Cinquenta e um anos depois da revolução do 25 de Abril, luso-americanos que viveram a ditadura e emigraram para os Estados Unidos alertaram para a necessidade de preservar a memória e não deixar que as novas gerações se iludam

“Há uma tentativa de mitificar o salazarismo”, afirmou o professor Diniz Borges, num evento organizado pelo Instituto Português Além-Fronteiras, a que preside, na Universidade Estadual da Califórnia em Fresno.

“Tenho as memórias de uma terra pobre e triste”, contou, falando da sua origem numa pequena freguesia dos Açores, de onde saiu aos 10 anos.

No evento, intitulado “Revolução dos Cravos: Perspetivas de Portugueses na América”, o professor reformado José Luís da Silva considerou que há hoje uma “tentativa de limpar a imagem” de Salazar por certas franjas da sociedade.

“O tempo é perigoso, faz esquecer muita coisa e dourar o passado. Temos de evitar o saudosismo do antigo”, salientou. O vice-presidente da Luso-American Education Foundation lembrou que o regime usava o medo e o analfabetismo para controlar a população, e que em grande parte do país – incluindo a sua freguesia, Relva – não havia água canalizada nem eletricidade.

“Havia a Casa do Povo, a escola até à quarta classe e era isso”, apontou. “Era o regime do medo e do atraso com alguns avanços brandos, tudo muito pacato. Enquanto a Europa avançava, nós estávamos a marcar passo na Europa e no mundo”.

Também Anísio Correia, luso-americano que viveu a revolução em Portugal, apontou para o perigo da falta de memória e do ensino do que foi o regime ditatorial e como ele acabou.

“Tenho muito receio que as pessoas se esqueçam e comecem a idealizar um tempo horrível, antes da Revolução. E comecem a acreditar no que lhes dizem charlatães”, afirmou, realçando que há vozes que estão a crescer em influência e vendem uma visão do regime que não corresponde ao que realmente se passava.

Correia lembra que, nas primeiras eleições democráticas e livres em Portugal, a 25 de abril de 1975, foi atingido o recorde de participação de 91,7%, algo que é “impensável” hoje em qualquer democracia.

“Os problemas que agora surgem em Portugal são muito mais universais, são problemas e desafios à democracia que temos de ter em conta”, disse o consultor. “Espero que nós, como sobreviventes de uma época em que a democracia não existia, possamos dar o exemplo a quem não conheceu esse tempo”.

Ilídio Pereira, banqueiro que emigrou para os Estados Unidos em 1978, considerou que uma das maiores conquistas de Abril foi a eliminação da PIDE. “Ao ser extinta esta polícia de informação, tirou poder a quem a implantou e deu liberdade a quem a detestava”, apontou.

O movimento sindical que deu direitos aos trabalhadores e a liberdade de educação foram outros avanços importantes para o luso-americano, que se mostrou crítico da forma branda como a data tem sido assinalada na diáspora e até no país.

“Fico triste que haja autarquias em Portugal que não celebraram nada”, disse, referindo-se ao cancelamento de cerimónias devido à morte do Papa Francisco.

Pereira também notou que muitas associações portuguesas nos Estados Unidos preparam celebrações focadas na gastronomia, mas sem grandes referências ao 25 de Abril, algo que Diniz Borges confirmou.

“A falta de celebração do 25 de Abril pelo corpo diplomático português é assustadora”, afirmou o professor, reivindicando também maior atenção ao ensino de português na diáspora.

“Se Portugal tivesse investido no direito aos filhos dos imigrantes de aprenderem português, 50 anos mais tarde não tínhamos o problema que temos hoje”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Macau - Lançado o programa cultural para as celebrações do “Junho, Mês de Portugal”

Foram apresentadas as várias actividades programadas para as comemorações do “Junho, mês de Portugal” em Macau. As celebrações vão contar com exposições, concertos, seminários e uma mostra de cinema, entre outros eventos. Como acontece todos os anos, no dia 10 de Junho realizar-se-á a cerimónia do hastear da bandeira e em seguida a romagem à gruta de Camões. Em destaque está o Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau e a celebração dos 500 anos do nascimento do poeta Luís de Camões, bem como os 50 anos da revolução de Abril


O programa das comemorações do “Junho, mês de Portugal” em Macau foi apresentado. Do programa fazem parte várias exposições, instalações, concertos, seminários, workshops e mostras de cinema, entre outros eventos e actividades, num total de 27 actividades culturais reunidas para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Na apresentação do programa, Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, destacou a importância desta longa tradição anual das comemorações do Dia de Portugal em Macau, em especial sobre a data especial dos 500 anos de Camões e 50 anos do 25 de Abril. Fez um breve comentário à necessidade de maior aderência aos eventos por parte dos consumidores, em especial na compra de bilhetes para espectáculos e na restauração. Deixou ainda claro que ainda não foram confirmadas presenças oficiais vindas de Portugal para representar o Governo no dia 10 de Junho.

As 27 actividades marcadas para o próximo mês dão início no dia 1 de Junho e finalizam dia 30 de Junho, e envolvem 16 associações de Macau e outras quatro entidades de Portugal.

Para inaugurar a abertura das actividades no primeiro dia do próximo mês, um sábado, o Instituto Português no Oriente (IPOR) abre as portas da sua sede ao público com uma peça de teatro direccionada para os mais pequenos. Elaborada pelos artistas da ETCetera Teatro, a peça de teatro infantil “Era uma vez (outra vez)” faz uma adaptação das histórias dos irmãos Grimm e dá início às 15h. O projecto é fruto de um apoio conjunto entre o Governo da RAEM e o Governo de Portugal, através do Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

Ainda na sede do IPOR, às 16h, dará início outra actividade, desta vez uma apresentação do projecto literário “Dinis Caixapiz”, da Sílaba – Associação Educativa e Literária. Contará com a presença virtual de Carlos Alberto Silva, que introduzirá a nova experiência de leitura, manifestada numa caixa de assinatura trimestral cheia de surpresas para leitores entre os 5 e 13 anos de idade. Uma inovadora maneira de gerar mais interesse pela leitura às crianças.

Também no dia 1 de Junho, os visitantes que passarem pela sede da Casa de Portugal em Macau (CPM) poderão encontrar uma instalação de autoria da artista plástica Elisa Vilaça, que celebra os 500 anos de Camões, numa figura gigantesca do poeta a projectar-se pela varanda da sede.

Para concluir o dia, a CPM inaugura na galeria da Casa Garden, pelas 17h, a exposição “Para os Olhos dos Jovens (de Espírito)”, do arquitecto e fotógrafo Francisco Ricarte. Um conjunto de obras de fotografia cândida e com humor, que pretende cativar os mais jovens, bem como os jovens de espírito, e introduzi-los à arte da fotografia. Esta exposição contém uma segunda parte e estende-se ao dia seguinte, com um workshop que leva o mesmo nome, guiado pelo fotógrafo. Dará início às 10h30, para jovens entre os 8 e 11 anos, com uma segunda sessão às 15h, desta vez para jovens entre os 12 e os 15 anos. O evento tem patrocínio da Fundação Macau.

A galeria A2 do Albergue SCM irá acolher a exposição de Diogo Muñoz, que celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com “Macau Forever”, uma colecção de sessenta obras do renomado artista. Uma organização da CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, a mostra inaugura às 18h30 no dia 6 de Junho e fica patente para além de Junho, encerrando dia 15 de Julho.

Por entre as actividades destacadas está o concerto da banda portuguesa Capitão Fausto, que irá actuar em conjunto com o popular cantor David Huang, no teatro do MGM Cotai. Numa organização que envolve o Instituto Cultural, o concerto dará início às 20h do dia 7 de Junho.

Nos dias 8, 9, 15 e 16 de Junho realiza-se um workshop de construção de brinquedos em madeira, liderado pelo artista Daniel Garfo. Uma organização da CPM foi destacada durante a conferência, a importância em consciencializar as crianças sobre o consumo de plásticos, sendo pertinente criar um espaço de criação de brinquedos alternativos. O local do workshop será nas oficinas da Escola de Artes da CPM.

Outro evento destacado durante a apresentação do programa é o Seminário Sobre os Projecto de Alta Tecnologia em Portugal e Macau, que irá trazer dia 8 de Junho, pelas 15h, dois oradores ao 1º andar do Salão Lótus do Restaurante Plaza, para aprofundarem o tema de Macau como importante plataforma para desenvolvimento das relações económicas entre os países da língua portuguesa. Este encontro vem a seguir à recente 6.ª Conferencia Ministral do Fórum em Macau e contará com a presença de Bernardo Pinho.

No mesmo dia será inaugurada, pelas 17h na Galeria de Exposições do Bela Vista, a mais recente exposição da associação fotográfica Halftone, que leva o nome “A Presença da Matriz Portuguesa em Macau, nas Imagens Entre Tempos”, juntando obras de diferentes artistas da associação, numa abordagem sobre a presença da cultura e identidade portuguesa em Macau.

Entre o dia 20 e 21 de Junho estão marcados dois eventos diferentes para homenagear o Centenário da Viagem Aérea Portugal-Macau. Uma exposição itinerante, que inaugura às 15h, dia 20 de Junho, no auditório do Consulado Geral, contará com a presença da neta de Brito Paes, um dos famosos aviadores envolvidos na viagem. O projecto foi desenvolvido pelo Museu do Ar, que também colocará uma placa de homenagem da Força Aérea aos aviadores. A mesma exposição será levada para Hong Kong, onde ficará exposta no Clube Lusitano.

Na parte do cinema, haverá a “Mostra de Cinema Português”, uma extensão ao Indie Festival realizado em Portugal. Uma coorganização da Fundação Oriente com Margarida Moz da Portugal Film e com apoio da Associação CUT e do BNU. As sessões são divididas entre 28, 29 e 30 de Junho, com horários ainda por confirmar.

Por fim foi apresentado o roteiro gastronómico que irá decorrer durante todo o mês de Junho. Com o objectivo de valorizar a importância da gastronomia portuguesa no contexto cultural de Macau, a segunda edição do Roteiro de Gastronomia de Pratos Portugueses na RAEM “Comer e Beber à Portuguesa” divulgará uma lista de restaurante participantes, que oferecerão um desconto de 10,6%, em referência à data em comemoração do Dia de Portugal, perante a apresentação do cartaz do programa nos estabelecimentos. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”



terça-feira, 21 de maio de 2024

“Я Ə Ĝ Я Ê §U §” peça sonora de Djam Neguin sobre Amílcar Cabral, estreia hoje nas plataformas digitais

Sob encomenda de um dos mais importantes teatros de Lisboa, o Teatro do Bairro Alto (TBA), o artista cabo-verdiano Djam Neguin lança hoje a peça sonora Я Ə Ĝ Я Ê §U § (Regressus), nas plataformas digitais. O áudio pode ser ouvido gratuitamente na ligação do programa DITO E FEITO, nas páginas oficiais do TBA https://teatrodobairroalto.pt/pt/evento/regressus



Regressus, inspirado no legado político e poético de Amílcar Cabral, é uma obra artística que explora a ideia de reversibilidade sonora a partir do entrançamento de testemunhos, evocações, rezas, mandingas, oratórias, carpidações, confissões, canto-poemas, vocalizações e inflexões vocais femininas (reais e geradas por Inteligência Artificial)


Tendo como fio fonográfico um discurso remoto de Cabral, pela ocasião do dia 8 de Março, dia internacional da Mulher, cria-se uma experiência de multiversidade hibridizada por sonoridades que cruzam o real e o virtual, conjeturando outras dimensões de memória, temporalidade e experiência sensorial.

 

Esta peça sonora, desenvolvido pelo artista transdisciplinar cabo-verdiano Djam Neguin é parte constituinte de uma série das manifestações e intervenções artísticas para assinalar o centenário do nascimento de Amílcar Cabral e os 50 anos do 25 de Abril.

 

“É um projeto que pretende, dentro do âmbito das celebrações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral, recordar a importância das mulheres na guerra colonial, bem como o pensamento feminista de Cabral. A peça foi costurada a partir de um discurso de Amílcar Cabral (disponível gratuitamente no Youtube) sobre o dia 8 de Março. Esse manifesto feminista, serviu de inspiração para a criação de uma experiência sonora com participação de mulheres negras de diversas faixas etárias. Na minha peça participam ineditamente a minha avó e a minha prima mais nova. São exploradas várias forças femininas – o choro carpideira e a reza como energias de canalização espiritual – o canto e o murmúrio como formas de narrar e reescrever o real. Foram usadas também vozes produzidas por inteligência artificial, que trazem ainda esta camada de relação com o que já vivemos hoje, com os novos e futuros tempos. O avanço tecnológico está disparado, numa sociedade que ainda continua misógina, machista e patriarcal, e a mulher negra continua castrada de direitos, acessos e existências. As taxas de feminicídio continuam altíssimas, e elas são as principais vítimas”

 

O projeto conta com excertos de poemas de Vera Duarte, e participação de vozes como Fattu Djakité, Ineida Moniz, Sandra Horta, Rosy Timas, Bulan Kora, Anaís Isabel, Isabel Mosso e Nereida Delgado de Cabo-Verde, a artista luso-angolana Bibiana Figueiredo, duas atrizes lusodescendentes em Portugal, Inês e Isabel Sousa e a batucadeira cabo-verdiana residente em Lisboa, Ilda Vaz.

 

A arte cover do projeto é da autoria da artista Plástica cabo-verdiana Simone Spencer. Djam Neguin – Cabo Verde

 

 

Ficha Técnica

Conceção, Edição e Direção Artística

Djam Neguin

Contribuição poética

Escritora-poetisa Vera Duarte

Participantes

Rosy Timas

Sandra Horta

Anaís Isabel

Bulan Kora

Ineida Moniz

Isabel Mosso

Inês Sousa

Isabel Sousa

Bibiana Figueiredo

Fattu Djakité

Ilda Vaz

Nereida Delgado

Audios

Amilcar Cabral

Ana Maria Cabral

Ângela Coutinho

Apoio Mixagem

Awesounds

Apoio Sonoro

MM Studio

Fábio Rocha

Margarida Prates

 



sábado, 27 de abril de 2024

Bélgica - Celebrou-se Abril numa “sala de cravos” em Bruxelas

Foi numa sala cheia de cravos, de pais e filhos de Abril que decorreram as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril, na emblemática “Salle des Mariages” do Hôtel de Ville da Commune de Saint-Gilles, organizadas pela embaixada de Portugal na Bélgica e pelo Instituto Camões


“Um evento emocionante onde foram reinterpretadas, pela inconfundível voz de Ana Rocha e pelos instrumentos do virtuoso Rui Salgado Trio, músicas revolucionárias dos anos 60 e 70 cantadas pelas grandes vozes femininas daquela época”, adiantou a embaixada nas redes sociais.

Na mesma publicação, a embaixada remeteu um “agradecimento especial ao Burgomestre da Commune de Saint-Gilles, Jean Spinette e a toda a sua extraordinária equipa, por terem sempre abertas as portas à nossa Comunidade e por celebrarem connosco a liberdade, a democracia e a pluralidade”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Luxemburgo - Central sindical OGBL comemora o 25 de Abril

A OGBL, central sindical luxemburguesa, através do seu Departamento dos Imigrantes, organiza a celebração do 50° aniversário da Revolução dos Cravos através de um serão de debate e convívio em Esch-sur-Alzette, no próximo dia 3 de maio de 2024


O serão tem início às 18:30 com uma mesa-redonda, que conta com vários convidados: Mars Di Bartolomeo, deputado do LSAP e que em 1974 era jornalista e editor da rubrica política do jornal luxemburguês Tageblatt; Carlos Trindade, antigo dirigente da CGTP-IN e atual membro do Comité Económico e Social Europeu (CESE); Maria Eduarda Macedo, ex-conselheira comunal do partido Déi Gréng da cidade do Luxemburgo e colunista do Bom Dia, entre outros convidados.

Depois do debate segue-se um jantar-cocktail e a atuação de vários artistas. Entre estes, destaque para o músico, compositor, cantor e contrabaixista sertanense Miguel Calhaz, que acaba de lançar “ContraCantos”, um álbum de homenagem ao 25 de Abril de 1974 e aos músicos que cantaram Abril: Zeca Afonso, Fausto Bordalo Dias, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho.

A fadista, atriz de cinema, teatro e televisão luso-luxemburguesa, Magaly Teixeira declamará alguns poemas de Abril. Magaly Teixeira é uma das atrizes mais promissoras do Luxemburgo. Integrou o elenco do filme “Até pró ano” (2018) de Philippe Machado e a segunda temporada da série luxemburguesa “Capitani” (2021). Atualmente, encontra-se em digressão pelo Luxemburgo com a peça de teatro “Les nuits d’Aurore”, que aborda o assédio no meio escolar.

O recém-formado conjunto “Grupo de Cantares Alentejanos” subirá ao palco para interpretar o hino da Revolução dos Cravos, “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, entre outros temas.

Este serão decorre na Maison du Peuple, sede histórica da OGBL, em Esch-sur-Alzette (60-62 boulevard J.-F. Kennedy). A entrada é livre para os sócios da OGBL e custa 25 euros para os não-membros. Para todos, a inscrição é obrigatória (maria.dasilva@ogbl.lue/ou tel. 540545-274) até 29 de abril. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 25 de abril de 2024

Nações Unidas - Debate de lusófonos realça desafios pós 25 de abril

O Secretário-geral António Guterres defende que do ponto de vista histórico, a revolta “deveria ter ocorrido décadas mais cedo”. Os embaixadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste realçam impacto da revolução no nascimento de novas nações



Para marcar os 50 anos da “Revolução dos Cravos”, a ONU News realizou um debate de alto nível com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e os representantes permanentes nas Nações Unidas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.

A discussão trouxe reflexões sobre a importância daquele momento histórico, quando antigas colônias portuguesas se mobilizavam pela liberdade e o país europeu transitava do autoritarismo para a democracia.

Estar do lado certo da história

Tendo vivenciado os eventos da conhecida como a “Revolução dos Cravos” em Portugal, Guterres declarou que “estar do lado da liberdade contra a opressão” é estar do lado certo da história.

“É claro que estamos do lado certo da história libertando um país da ditadura e estamos do lado certo da história reestabelecendo justiça nas relações internacionais, depois de um passado colonial que é inaceitável”.

Para o líder da ONU, “a verdade é que não teria havido o 25 de Abril sem o que foi a luta dos movimentos de libertação africanos”. Segundo ele, “as duas coisas estão interligadas e é por isso que não há uma relação de causa e efeito”.

Nesse sentido, o chefe das Nações Unidas afirmou que se alguma coisa pode ser criticada no 25 de abril, é que, “do ponto de vista histórico, deveria ter ocorrido décadas mais cedo”.

Interlocutores legítimos

Em resposta à primeira pergunta do debate, o representante de Angola, Francisco José da Cruz, afirmou que a “Revolução dos Cravos” teve uma grande importância para os angolanos por ter criado a dinâmica que levou à independência do país.

“Ficou mais claro o desejo de Portugal de avançar neste processo quando o secretário-geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim, visitou Portugal em agosto e Portugal deixou claro que este seria o caminho a seguir e que os movimentos de libertação seriam os interlocutores legítimos neste processo que levaria à independência”.

Respondendo à mesma pergunta, o embaixador brasileiro, Sérgio Danese, disse que o 25 de abril teve dois impactos principais no Brasil, que à época vivia um regime militar. O primeiro foi o de mostrar que “havia uma esperança” para um caminho de redemocratização. O segundo foi na diplomacia.

“Nós tínhamos uma contradição muito forte na nossa política externa. Nós reconhecíamos a independência de todas as ex-colônias francesas, britânicas, holandesas, mas nos mantínhamos presos ao colonialismo português e o 25 de Abril e as suas imediatas consequências nos libertaram prontamente desse jugo. E nós fomos o primeiro país a reconhecer Angola. E depois fomos dos primeiros a reconhecer cada uma das ex-colônias portuguesa.

Cooperação bilateral

Respondendo sobre o que ajudou a moldar novas relações entre as nações do bloco lusófono, a embaixadora de Cabo Verde, Tânia Romualdo, destacou a relação entre os povos como a base para o vínculo entre os Estados que surgiram naquele momento.

“Essa revolução permitiu não começar, mas continuar essa profunda amizade que unia os povos. Portugal às ex-colônias, o Brasil, enfim. Havia ali uma união, uma amizade muito forte que antecedeu a própria revolução, que contribuiu para a revolução e que ajudou para que o processo da descolonização, após o 25 de Abril, acelerasse a cooperação bilateral”.

No debate sobre a Revolução dos Cravos, veio à tona a questão da convergência dos países de língua portuguesa, não obstante a diversidade durante a construção democrática e de novas nações.

Bloco lusófono

O embaixador Pedro Comissário, de Moçambique, destacou como o bloco lusófono se distingue por vínculos de proximidade e solidariedade junto das Nações Unidas. O país é o único do bloco lusófono atualmente representado como membro não permanente do Conselho de Segurança.

“A CPLP é um modelo totalmente diferente do modelo da Commonwealth ou da Francofonia. É um modelo de Estados soberanos, mas ligados por um vínculo de profunda fraternidade. O 25 de abril deu-nos essa base, esse impulso para que hoje tenhamos este afeto que une os nossos países.”

Nessa questão, a embaixadora de Portugal, Ana Paula Zacarias, mencionou os esforços em curso na frente diplomática para se fazer ouvir a voz comum, em português, nas Nações Unidas. Ela enfatizou que algumas posições comuns já se escutam na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança.

“E fazê-la ouvir significa trabalhar em conjunto. Trabalhar em conjunto nas áreas que já foram identificadas. Sobretudo, temos muito a fazer na coordenação política, na coordenação das questões de segurança e defesa, que são neste momento um aspecto fundamental. E tudo o que tem a ver com a luta contra as alterações climáticas.”

Cenário político e de desenvolvimento

O representante de Timor-Leste, Dionisio Babo Soares, falou de um reforço em nível interno e externo para impulsionar a futura atuação em bloco num mundo marcado por complexidades no cenário político e de desenvolvimento.

“Para Timor-Leste, a CPLP é um ponto de entrada ao mundo.  Os países-membros são os que estão localizados em diferentes partes do mundo. O esforço para a reintrodução da Língua Portuguesa em Timor-Leste está sendo mais intensivo. Trabalhamos juntamente com Portugal nesse sentido e estamos empenhados a avançar com esse programa que é ter o português como língua oficial das Nações Unidas, mas para além disso há também trabalharmos em várias áreas.”

Olhando para o futuro, Guterres classifica as relações de cooperação que hoje existe entre os países lusófonos como um “símbolo de paz” que deve inspirar o mundo.

“Uma mensagem de grande esperança de que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que está em todos os continentes e onde há hoje um profundo sentido de fraternidade que infelizmente falta no mundo, onde vemos divisões profundas, guerras e conflitos por toda a parte. Que esta comunidade, que é um símbolo de paz, possa ter um papel decisivo em restabelecer a confiança que está perdida, infelizmente, no nosso mundo e em restabelecer as condições que nos possam permitir não apenas mais paz, mas ao mesmo tempo um desenvolvimento mais justo”.

A íntegra do debate inclui intervenções completas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e dos embaixadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 22 de abril de 2024

Macau - União e confraternização nos 50 anos do 25 de Abril

As celebrações em Macau dos 50 anos do 25 de Abril têm vindo a decorrer ao longo do mês e atingirão o auge no próprio dia da comemoração da Revolução dos Cravos, com a realização de alguns jantares-convívio. Um deles acontecerá no Clube Militar, através de uma comissão “ad-hoc”, que volta também a contar com a participação da Casa de Portugal. Aí não faltará música portuguesa e possivelmente uma pequena declaração em vídeo de uma figura proeminente do acto que marcou o início da liberdade e da democracia em Portugal. O programa geral dos eventos, organizado por várias instituições, abrange diversas áreas, desde as artes, a música e o cinema, passando pela fotografia, a poesia e palestras


Todos os anos, o 25 de Abril é recordado em Macau através de vários eventos, mas em 2024, com a celebração do meio século da Revolução, as comemorações apresentam um foco algo diferente, mais alargado, dado o simbolismo da data.

No “dia grande”, ou seja, na data propriamente dita dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, uma comissão “ad hoc”, que tem vindo a chamar a si a iniciativa há mais de 30 anos, realizará um jantar-convívio no Clube Militar, ao qual se volta a juntar a Casa de Portugal.

Manuel Geraldes, elemento da organização e dirigente do Clube Militar, disse ao Jornal Tribuna de Macau que “juntaram-se esforços para celebrar a fraternidade da comunidade portuguesa e assim vamos estar em conjunto à mesa, unidos, e num local que tem condições para receber provavelmente mais de uma centena de pessoas”.

O jantar contará com música e, possivelmente, um pequeno discurso em vídeo de uma personalidade ligada à revolução, mas ainda sem nome confirmado.

Enquanto isto, uma “Comissão Comemorativa 50 Anos 25 Abril” foi criada com a colaboração de várias instituições portuguesas, entre as quais o Consulado Geral de Portugal, o Instituto Português do Oriente (IPOR) e a Casa de Portugal, cujo programa inclui exposições e concertos, entre os quais se podem destacar uma mostra, já a decorrer na Casa Garden, promovida pela Fundação Oriente e intitulada “Que Mar Se Vê Afinal da Minha Língua?”, e uma outra, a inaugurar esta segunda-feira na Casa de Vidro, numa iniciativa da Casa de Portugal, com o nome “50 passos para a Liberdade”.

Segundo a Casa de Portugal, esta exposição evoca a Viragem Histórica que o 25 de Abril representou, “pretendendo-se celebrar a conquista da liberdade e a construção da democracia, dando a conhecer o passado, mas também perspectivando o futuro”.

A mostra, que irá manter-se para apreciação do público até 19 de Maio, apresenta 50 acontecimentos relevantes do período que medeia entre a tomada de posse do último presidente do Conselho do Estado Novo, Marcelo Caetano, e a publicação da Lei de 27 de Julho, pela qual Portugal reconhece o direito dos povos coloniais à autodeterminação e independência.

A música será também um dos principais componentes das celebrações, tendo a SOMOS – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa levado a efeito, com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura e do IPOR, um espectáculo com canções de Zeca Afonso, interpretadas por Pedro Jóia e José Salgueiro.

A Livraria Portuguesa, por sua vez, terá uma Feira do Livro, entre hoje e o dia 28 deste mês, ao passo que o Teatro D. Pedro V recebe o concerto de fados “Traz um Amigo Também”, às 20h00 do dia 30, espectáculo que igualmente acontecerá em Hong Kong a 2 de Maio, no Club Lusitano, pelo grupo de fados de António Ataíde.

EPM organiza palestra, música e ciclo de cinema

Com a aproximação da data efectiva do aniversário dos 50 anos da efeméride, outros eventos estão a ser preparados, alguns em contexto escolar, organizados pela Escola Portuguesa de Macau (EPM), como “Canções de Abril”, amanhã às 18h00, no Auditório do Consulado, pelo Grupo ORFF e Tuna da EPM.

Hoje, pelas 09h50, nas instalações daquele estabelecimento de ensino, realiza-se uma palestra e apresentação do documentário “A Revolução a partir de Macau” com o jornalista e escritor João Guedes. Também esta segunda-feira será inaugurada na EPM, no átrio interior, uma exposição de trabalhos alusivos ao 25 de Abril pelos alunos do 1º ciclo, 6º, 9º e 12º ano de História e História A.

A EPM preparou também outros eventos, com destaque para um “momento de teatralização/poesia”, ciclos de cinema, leitura e análise, em contexto de sala de aula (1º ciclo), da obra “Avó, onde estavas no 25 de Abril?” da autoria de Ana Markl, e ainda a participação no concurso “Artistas Digitais” – 50 Anos do 25 de Abril – Centro de Competência “Entre o Mar e a Terra” Portugal.

No que diz respeito ao programa geral, elaborado pela “Comissão Comemorativa 50 Anos 25 Abril”, o mesmo termina com um ciclo de cinema, promovido pela Casa de Portugal e IPOR. As sessões decorrerão sempre às 18h30 no Auditório do Consulado, entre os dias 7 de Maio e 19 de Junho.

Num texto enviado às redacções, a Comissão lembra que as verdadeiras celebrações tiveram início no dia 23 de Março de 2022, “momento em que passámos a ter mais dias de democracia do que aqueles que vivemos em ditadura” e fecham em Dezembro de 2026, “quando se cumpre, por um lado, 50 anos da aprovação da Constituição da República portuguesa e, por outro, 50 anos do ciclo eleitoral que decorreu ao longo de 1976”.

A comissão organizadora dos eventos em Macau conclui que “o dia 25 de Abril será de confraternizações num ou mais jantares comemorativos organizados pelas associações locais”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”