Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Macau - Encontro artístico no Instituto Internacional de Macau explora a diversidade linguística

A cidade de Macau é composta por diversas formas de expressão linguística, que vão muito além das línguas oficiais chinesa e portuguesa. Numa sessão marcada para esta quinta-feira, às 18h30, no Instituto Internacional de Macau (IIM), a dupla constituída por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man convida o público a partilhar as suas experiências sobre a “translingualidade quotidiana” da região. As intervenções dos participantes, limitadas a um minuto, serão depois integradas numa obra audiovisual sobre a diversidade linguística local


O Instituto Internacional de Macau (IIM) vai acolher esta quinta-feira, pelas 18h30, um encontro artístico integrado na série “As Espantosas e Curiosas Viagens”, da dupla artística composta por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man.

A sessão tem o nome de “Midissage”, em referência ao termo franco-alemão que descreve um evento especial realizado a meio de uma exposição de arte. Neste caso, a iniciativa decorre a meio da residência da dupla em Macau e Hong Kong, que decorre até 15 de Agosto e que já passou pela Fundação Rui Cunha (FRC) no final de Julho.

O público é agora convidado a tornar-se parte integrante do projecto, organizado em sucessivas rondas de perguntas nas quais cada participante pode intervir durante um máximo de um minuto. Num comunicado do IIM, explica-se que “o formato procura reunir experiências relacionadas com as línguas utilizadas na vida familiar, profissional e urbana de Macau”, que vão para lá do chinês e do português. O encontro vai decorrer maioritariamente em inglês, estando também aberto a intervenções em qualquer outro idioma – incluindo, por exemplo, o tagalo.

As intervenções do público serão posteriormente incluídas numa obra audiovisual sobre “a translingualidade quotidiana” de Macau, “fazendo da própria participação pública parte do processo artístico e documental”. Citada no comunicado do IIM, a dupla explica que esta acção “procura abordar Macau não apenas como lugar de coexistência entre idiomas, mas como espaço onde diferentes formas de falar, escutar e traduzir participam diariamente na construção de presenças”.

No mesmo local, serão exibidos trabalhos têxteis concebidos pela dupla, nunca antes apresentados na Ásia, e uma selecção de entrevistas feitas pelo antropólogo visual Cheong Kin Man, entre 2008 e 2009, junto de comunidades da diáspora de Macau. Com curadoria de Sara Neves, a mostra resulta de uma residência artística que se prolongará até 15 de Agosto, dedicada às ligações humanas e culturais “entre Macau e o mundo, à translingualidade, às memórias diaspóricas e ao património afectivo”. Depois desta data, a exposição “continuará a evoluir diariamente e será gradualmente desfeita, em lugar de encerrar de forma convencional”, segundo adianta o IIM.

A residência em Macau e Hong Kong insere-se num projecto mais amplo de investigação doutoral de Cheong Kin Man em Antropologia, desenvolvido na Universidade Nova de Lisboa e no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Depois desta etapa, o projecto segue para o Brasil até ao final de Setembro e para Portugal entre Outubro e o início de Dezembro. No final do ano, haverá uma residência artística integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe, concluindo assim o percurso por quatro continentes.

O programa conta com o apoio do Goethe-Institut Hongkong (Instituto Alemão de Hong Kong), o apoio institucional do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o patrocínio honorário do Consulado-Geral da Polónia em Hong Kong. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Portugal - Encontro “Esta Língua que Nos Une” na cidade do Porto

O Centro Português de Fotografia (sito na antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto - Largo Amor de Perdição), no Porto, vai receber, no dia 5 de maio - Dia Mundial da Língua Portuguesa -, o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono. O evento é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a UCCLA e o Centro Português de Fotografia.


O encontro irá juntar escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico para pensar a literatura como território comum da língua portuguesa.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Poderá confirmar a sua presença para os números +351 218172950 ou +55 11995737932 (whastApp) ou através do email uccla@uccla.pt.

A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Instituto Guimarães Rosa, do Consulado-Geral do Brasil no Porto, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, do Centro Português de Fotografia, através da cedência do espaço, e do Hotel Vila Galé Porto, através do apoio à hospedagem.

O conceito curatorial parte de uma ideia central: a língua portuguesa não é uma herança imóvel, mas uma casa em movimento. Ao longo de um dia de programação, o encontro propõe o português como plataforma de pensamento crítico, diplomacia cultural, criação artística e cooperação entre comunidades.

O programa estrutura-se em torno de três eixos curatoriais - invenção, travessia e futuro - que traduzem a visão da Associação Portugal Brasil 200 anos para a cidadania da língua: uma língua que não se limita a comunicar, mas cria pertença, confiança, cooperação e novas possibilidades culturais.

A sessão de abertura, às 10 horas, contará com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário-Geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.

Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.

O projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil, será apresentado pelas 12 horas. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa. Participam na apresentação os professores Bruno Coimbra e Helena Silva, a Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, Paula Leal Silva, e a coordenadora da Área Social da UCCLA Princesa Peixoto.

Pelas 15 horas decorrerá a segunda mesa “Corpo, Memória e Travessia”, reunindo o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, com moderação da artista, curadora e investigadora Ângela Berlinde. A conversa discutirá como os corpos atravessam países, afetos e imagens, e como a literatura regista pertencimento, desenraizamento, amor, memória, perda e reinvenção.

Às 16h30, a terceira mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua”, contará com a participação de José Gardeazabal e do poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio. A conversa propõe pensar a poesia como o lugar onde a língua portuguesa continua a arriscar o futuro - entre oralidade e escrita, voz, ritmo, corpo, território, memória e tempo histórico.

Pelas 17h45, terá lugar o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano, afirmando Os Lusíadas como património simbólico que atravessa nações, sotaques e gerações.

O encerramento, às 18h15, será marcado por um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia. A apresentação celebrará a musicalidade e a força da língua portuguesa através de textos clássicos e contemporâneos. UCCLA

Programa


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Caretos de Podence e Kankuram aproximam Portugal e a Guiné-Bissau

As tradições dos mascarados proporcionaram um encontro entre Portugal e a Guiné-Bissau num momento que junta os Caretos de Podence Património da Humanidade e o Kankuran, um símbolo cultural do povo guineense.


O encontro aconteceu, em Bissau, proporcionado pelo Centro Cultural Português em Bissau, que convidou os Caretos de Podence, os tradicionais mascarados de Trás-os-Montes, em Portugal, e o emblemático Kankuran da Guiné-Bissau para “celebrar a cultura como ponte entre tradições”.

Trata-se, como explica o Centro Cultural Português, numa nota enviada à Lusa, de aproximar “Portugal e a Guiné-Bissau através de duas expressões culturais profundamente enraizadas nas suas tradições”.

“Vindos de contextos distintos, partilham algo essencial: a força da máscara, do ritual, do movimento e da comunidade”, descreve, destacando que partilham ainda “a capacidade de transformar a rua em palco, a tradição em identidade viva, e a celebração em momento de pertença colectiva”.

A figura endiabrada, a máscara e o colorido das vestes é comum aos Caretos de Podence, com os fatos de lã amarelos, verdes e vermelhos, e ao Kankuran, com um fato todo vermelho, tradicionalmente feito de material de uma árvore local.


A tradição dos caretos esteve praticamente extinta na aldeia portuguesa de Podence, em Macedo de Caveleiros, que conseguiu nas últimas décadas levar os tradicionais mascarados do Entrudo Chocalheiro, que saem à rua pelo Carnaval, à categoria de Património da Humanidade.

O Kankuran é uma figura mítica da Guiné-Bissau associado sobretudo às cerimónias do fanado (circuncisão) dos jovens homens, mas também à protecção da floresta e ao combate a feitiçarias.

O Centro Cultural Português em Bissau deu a conhecer melhor “estas duas expressões do património imaterial de Portugal e da Guiné-Bissau” numa cerimónia no espaço Camões, no final de sexta-feira.

Além da actuação dos tradicionais mascarados, o momento serve para a apresentação do livro Ser Careto - Caminhada Rumo à Unesco de António Carneiro, o rosto dos Caretos de Podence, que tem acompanhado esta caminhada nas últimas décadas.

António Carneiro disse à Lusa que esta deslocação a Bissau “é um momento único e histórico” para os Caretos de Podence, que vieram actuar pela primeira vez em África, no país irmão que é a Guiné-Bissau.

Depois da passagem por “dezenas de países”, da Europa à Ásia, os Caretos de Podence estão na Guiné-Bissau a convite da Embaixada de Portugal, imediatamente a seguir ao Entrudo Chocalheiro, que no último fim de semana e até ao dia de Carnaval encheu com milhares de forasteiros nacionais e estrangeiros as ruas da pequena aldeia transmontana com cerca de 200 habitantes.

O Carnaval de Podence ganhou novo impulso com a elevação a Património Mundial da Unesco em 2019 e António Carneiro espera que possa ser “uma inspiração” para outras tradições e símbolos culturais.

De Bissau, os Caretos de Podence seguem para Itália e têm já agendadas novas apresentações além-fronteiras, em Macau e nos Estados Unidos. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Cabo Verde e Macau alargam cooperação financeira

O combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo e a formação de quadros são algumas das áreas abrangidas por um novo acordo de cooperação entre a Autoridade Monetária de Macau e o Banco de Cabo Verde


A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) e o Banco de Cabo Verde assinaram um novo acordo de cooperação, para aprofundar o intercâmbio em matérias relacionadas com a supervisão financeira. Focado na vertente “prudencial”, este acordo, celebrado durante o 12.º “Encontro de Governadores dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa”, realizado em Cabo Verde, “abrange áreas como a supervisão no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, a cooperação técnica, a formação de quadros profissionais, bem como a supervisão e o intercâmbio relativos a serviços financeiros emergentes, com o objectivo de salvaguardar em conjunto a segurança e a estabilidade dos respectivos sistemas financeiros”, informou a AMCM, num comunicado.

“Esta iniciativa simboliza um aprofundamento da cooperação e intercâmbio entre as duas instituições no domínio da supervisão financeira”, sintetiza a entidade reguladora de Macau.

A AMCM selou o primeiro acordo de cooperação e assistência técnica com o Banco de Cabo Verde em 1999, tendo a versão actualizada sido assinada, em Setembro de 2024, em Macau, por ocasião da 2ª “Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais e dos Quadros da Área Financeira entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Até agora, a AMCM já celebrou acordos de cooperação bilateral com 12 autoridades de supervisão financeira de oito países de língua portuguesa. Olhando para o futuro, o organismo garante que “continuará a aprofundar a cooperação bilateral e multilateral com os países de língua portuguesa no âmbito financeiro, promovendo activamente o intercâmbio e a interacção” entre a China e os países lusófonos, por forma a “desempenhar plenamente o papel de Macau como “Plataforma de Serviços Financeiros entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

O Encontro de Governadores dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa inclui intervenções de representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste, bem como do Banco Central dos Estados da África Ocidental e do Banco dos Estados da África Central. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 14 de maio de 2025

China - Empresas anunciam investimentos de 4,29 mil milhões de euros no Brasil

Um encontro empresarial realizado em Pequim terminou com investimentos chineses no valor de 27 mil milhões de reais (4,29 mil milhões de euros) no Brasil, anunciou o Governo brasileiro



O líder da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) disse que estiveram presentes no evento mais de 500 empresários chineses e 200 brasileiros.

Num comunicado divulgado pela Presidência brasileira na segunda-feira, Jorge Viana salientou ainda que 25% das importações do Brasil são provenientes do país asiático.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve na abertura do evento e disse que a China “tem sido um exemplo” por fazer negócios e investir em “países desprezados” por outras potências há décadas.

Isto embora a China tenha “sido retratada como inimiga do comércio global”, lamentou Lula da Silva, que se encontra em Pequim, onde decorre o fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Entre os principais anúncios saídos do encontro empresarial sino-brasileiro está o da fabricante automóvel Great Wall Motor, que vai investir seis mil milhões de reais (952 milhões de euros) para expandir a operações no Brasil, de onde exportará para toda a América do Sul e México.

Metade deste investimento será destinada à criação de um polo de energia renovável no estado do Piauí (nordeste do Brasil), cuja construção deverá gerar cinco mil empregos, segundo o Governo brasileiro.

Horas antes, o Brasil já tinha anunciado um investimento de mil milhões de dólares (900 milhões de euros) na produção de combustível renovável para a aviação por parte da empresa chinesa Envision Group.

Foi acertada a criação de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Energias Renováveis em parceria com a empresa de turbinas eólicas chinesa Windey Technology.

A gigante chinesa de entrega de comida Meituan vai investir cinco mil milhões de reais (794 milhões de euros) para entrar no mercado brasileiro através da subsidiária Keeta, que já opera noutros países.

O Governo do Brasil disse esperar que este investimento, através de um contrato cuja assinatura teve a presença de Lula de Silva, crie 100 mil empregos indiretos nos próximos cinco anos.

Também a empresa de bebidas Mixue, uma das líderes do setor na China, pretende expandir-se para o Brasil com um investimento de 3,2 mil milhões de reais (508 milhões de euros), que poderá criar 25 mil empregos até 2030.

O grupo mineiro chinês Baiyin Nonferrous Group anunciou a aquisição da mina de cobre de Serrote, no estado de Alagoas (nordeste), por 2,4 mil milhões de reais (381 milhões de euros).

Em Pequim, Lula da Silva participou na abertura da 11.ª Reunião Ministerial do fórum China-CELAC e, em seguida, reuniu-se com o homólogo chinês, Xi Jinping, com quem também assinará acordos para ampliar a cooperação bilateral. O fórum China-CELAC conta ainda com a presença dos presidentes da Colômbia e do Chile.

Xi promete 8,3 mil milhões de euros em empréstimos à América Latina e Caraíbas

O líder chinês, Xi Jinping, prometeu ontem conceder empréstimos no valor de 66 mil milhões de yuan (8,3 mil milhões de euros) à América Latina e às Caraíbas, numa cimeira com líderes dessas regiões. “Para apoiar o desenvolvimento dos países da América Latina e das Caraíbas, a China fornecerá um crédito de 66 mil milhões de yuan”, disse Xi, na abertura do fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas).

Em Pequim, o dirigente elogiou as relações de longa data do país com os países-membros da CELAC, num momento de “confronto entre blocos”.

“Embora a China, a América Latina e as Caraíbas estejam distantes, os dois lados têm uma longa história de trocas amigáveis”, disse Xi. “Só através da unidade e da cooperação é que os países podem salvaguardar a paz e a estabilidade mundiais e promover o desenvolvimento e a prosperidade em todo o mundo”, disse o líder chinês, denunciando “a intimidação e a hegemonia”, numa referência aos Estados Unidos.

Xi prometeu apoio aos países da América Latina e das Caraíbas para que “rejeitem a interferência externa” e “sigam um caminho de desenvolvimento alinhado com as suas condições nacionais”. “A China apoia as nações regionais na defesa da sua soberania e independência nacional”, acrescentou.

Na segunda-feira, a China e os Estados Unidos anunciaram um acordo, com a validade de 90 dias, com efeitos a partir de 14 de maio, ao abrigo do qual reduzirão os direitos aduaneiros mútuos em 115%.

Durante esse período os direitos aduaneiros dos Estados Unidos sobre as importações chinesas estarão limitados a 30%, em comparação com 10% da China para as importações dos EUA.

Nas primeiras declarações públicas após este acordo, Xi Jinping declarou que “as práticas intimidatórias e autoritárias só levam ao isolamento” e que “não há vencedores numa guerra comercial”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 14 de abril de 2025

Macau - Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau quer realizar encontro de jornalistas da lusofonia

A Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) realizou no sábado a reunião da assembleia geral, onde foi aprovado o exercício financeiro e o relatório de actividades referente a 2024 e apresentado o plano de actividades para 2025. José Miguel Encarnação, presidente da direcção da AIPIM, adiantou ao Ponto Final que um dos objectivos para este ano passa pela organização de um encontro de jornalistas de países de língua portuguesa em Macau.



“Pretendemos envolver mais o nosso sector da comunicação social em língua portuguesa e inglesa, mas principalmente em língua portuguesa na lusofonia, portanto está a ser pensado – e já foi falado com as autoridades – a realização de um evento que possa trazer até Macau jornalistas de outros países de língua portuguesa”, referiu o presidente da associação.

Em relação a 2024, Encarnação destacou o número crescente de associados, que está agora nos 78. O presidente da associação apontou também para as boas relações da AIPIM com as autoridades locais, com o Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM e com o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM.

Por fim, destaque também para a participação em iniciativas realizadas em Hong Kong ou no interior da China, como o curso intensivo sobre a República Popular da China, que se realizou na Universidade de Fudan, em Xangai, em Setembro do ano passado. Esta iniciativa contou com a participação de 12 jornalistas e outros convidados da sociedade civil. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Angola e Brasil pretendem aprofundar relações no domínio da Defesa

As delegações do Brasil e de Angola reuniram-se, na última segunda-feira, em Brasília, onde manifestaram a pretensão de aprofundar as relações no domínio da Defesa



De acordo com uma nota, enviada ao JA Online, a abordagem foi feita entre o ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Angola, João dos Santos, e o homólogo brasileiro, José Monteiro Filho.

Durante o encontro, as delegações passaram em revista o estado actual de cooperação entre as instituições e reiteraram a necessidade de consolidar e diversificar a parceria estratégica vigente.

Na ocasião foi, igualmente, decidida a dinamização do Comité Conjunto de Cooperação da Defesa para a monitorização dos projectos em curso.

Para João Ernesto dos Santos, é importante reforçar e consolidar a cooperação nas áreas de apoio à paz, formação, ensino, infra-estruturas e indústria militar.

Por sua vez, José Monteiro Filho defendeu a necessidade de continuar a desenvolver acções para melhorar a cooperação no referido sector. In “Jornal de Angola” - Angola


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Brasil - Maranhão sedia encontro de escritores de língua portuguesa

Entre os dias 19 e 21 de novembro, São Luís do Maranhão será palco de um encontro inédito que reunirá quatro grandes escritores de língua portuguesa em atividade. Estarão na capital maranhense o moçambicano Mia Couto, os angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki e a historiadora brasileira Mary del Priore. O evento terá lugar no Convento das Mercês e faz parte do projeto Conversações de Além-Mar, que recentemente, em sua quarta edição, trouxe a São Luís o escritor cabo-verdiano Joaquim Arena.

Nas palavras do advogado e escritor Alexandre Lago, um dos idealizadores do projeto, o Conversações de Além-Mar tem como principal objetivo a aproximação das literaturas de língua portuguesa e sua maior disseminação pelos diversos países que falam o idioma, em especial o Brasil. “Nos incomodava e continua incomodando muito o fato de nós, brasileiros, desconhecermos escritores e escritoras dos demais países de língua portuguesa, como Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e mesmo de Portugal, como também o fato de escritores desses países desconhecerem a literatura brasileira contemporânea”, observa Lago, um estudioso da literatura lusófona.

“Com exceção de nomes já celebrizados”, diz ele, “praticamente não conhecemos esses autores, sendo que eles também desconhecem a nossa produção literária atual”. Além de palestra e interação com o público, está prevista sessão de autógrafos e reuniões. Alexandre Lago faz questão de frisar, no entanto, um aspecto importante do Conversações de Além-Mar, que é o fato de o projeto não ficar limitado a encontros em auditórios e lançamento de obras.

“Em suas passagens por São Luís, os nossos convidados visitam instituições culturais, como bibliotecas e casas de cultura, trocam experiências com nossos escritores, conversam com gestores e visitam autoridades. Enfim, formam vínculos e pontes importantes para o crescimento da literatura lusófona, incluindo, bom que se diga, a produzida no Maranhão”, diz Lago, lembrando, por exemplo, que a partir da vinda desses escritores muitos são os trabalhos de dissertação de mestrado que surgem nas universidades, estudando suas obras.

O encontro é uma realização do Instituto Casa do Autor Maranhense e da Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) que tem como uma das missões institucionais a promoção e a divulgação do patrimônio histórico e cultural das culturas ibero-americanas e lusófonas, bem como a promoção da amizade e do intercâmbio cultural entre seus povos. Sendo assim, o evento coaduna com tal propósito que busca incentivar o diálogo entre as nações de língua portuguesa, reforçando os laços culturais que unem esses países e valorizando a riqueza literária e histórica que emerge dessas tradições.

Programação

Terça-feira (19), às 18h

Sessão Solene em homenagem aos 35 anos do Instituto Internacional da Língua Portuguesa

Homenageados:

José Sarney

Mário Soares (In Memoriam)

José Aparecido de Oliveira (In Memoriam)

Quarta-feira (20), às 19h

Diálogo com os escritores Mary Del Priore e Ondjaki

Mediação: Bruno Tomé (Academia Ludovicense de Letras) e Bruna Castelo Branco (jornalista)

Lançamento dos livros:

Segredos de uma Família Imperial (Mary Del Priore)

Bom dia, Camaradas (Ondjaki)

Quinta-feira (21), às 19h

Diálogo com os escritores Mia Couto e Agualusa

Mediação: Ceres Costa Fernandes (Academia Maranhense de Letras) e Adonay Moreira (escritor)

Lançamento dos livros: A cegueira do Rio (Mia Couto)

Mestre dos Batuques (Agualusa)

Biografia dos autores

MARY DEL PRIORE – Nascida no Rio de Janeiro em 1952, Mary Lucy Murray del Priore formou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Continuando sua formação, concluiu seu Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. Foi então que saiu do Brasil para defender o título de Pós-Doutorado pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, em Paris, no ano de 1996. A historiadora lecionou História do Brasil Colonial na Universidade de São Paulo e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), em Niterói. Além disso, atua como colaboradora em periódicos nacionais e internacionais. Tem diversos livros publicados.

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA – José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e Berlim. É romancista, contista, cronista e autor de literatura infantil. Os seus romances têm sido distinguidos com os mais prestigiados prêmios nacionais e estrangeiros, como, por exemplo, o Grande Prêmio de Literatura RTP (atribuído a Nação Crioula, 1998). Também os seus contos e livros infantis foram merecedores de prêmios, como o Grande Prêmio de Conto da APE e o Grande Prêmio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian, respetivamente. O Vendedor de Passados ganhou o Independent Foreign Fiction Prize, em 2004, e, mais recentemente, o romance Teoria Geral do Esquecimento foi finalista do Man Booker Internacional, em 2016, e vencedor do International Dublin Literary Award (antigo IMPAC Dublin Award), em 2017.

MIA COUTO – Antônio Emílio Leite Couto é um escritor moçambicano, nascido em 5 de julho de 1955, na cidade de Beira. Trabalhou como jornalista durante quase 10 anos, porém ingressou na Faculdade de Biologia e, posteriormente, tornou-se professor universitário, profissão que concilia com a sua carreira de escritor. Assim, em 1983, publicou seu primeiro livro de poesias, Raiz de orvalho. Já seu primeiro romance — Terra sonâmbula — foi publicado, em 1992, com grande sucesso de público e crítica. Ganhador do Prêmio Camões em 2013, Mia Couto é um autor da literatura contemporânea, e suas obras são caracterizadas, principalmente, pelo resgate da tradição cultural moçambicana por meio de uma linguagem marcada por neologismos. Recentemente Mia Couto foi agraciado com o Prêmio FIL de Literatura em Línguas Românicas 2024, destacando-se por sua inovação linguística e abordagem sobre a África.

ONDJAKI – O poeta e escritor africano Ndalu de Almeida, popularmente conhecido como Ondjaki, nasceu na cidade de Luanda, capital angolana, em 1977. Sua trajetória artística passa também pela atuação teatral e pela pintura. É também cineasta e autor de roteiros cinematográficos. Após realizar seus primeiros estudos na sua terra natal, obteve a licenciatura em Sociologia na capital portuguesa. Em 2000 o poeta conquistou a segunda posição no concurso literário angolano António Jacinto, e lançando seu primeiro volume de poesias, Actu Sanguíneu. Integra antologias publicadas no Brasil, no Uruguai e em Portugal.

Lançamentos e autógrafos

Segredos de uma Família Imperial – Mary Del Priore mergulha na trajetória íntima e pública dos Orléans e Bragança após a Proclamação da República nos anos de exílio na Europa. Mary Del Priore explora a história de perto, entre os relatos e registros oficiais, em busca da representação dessa família como realmente eram. O que os tornava humanos para além do que os tornava realeza ante os dilemas de uma Monarquia em declínio.

A cegueira do Rio – Moçambique, 1914. Às vésperas da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Alemanha e Portugal disputam o território à margem do rio Rovuma. Com o ataque germânico ao posto de Madziwa e a morte de dezenas de soldados africanos, a região se transforma em um verdadeiro campo de batalha. É a partir desse caso ― inspirado em um evento real ― que correm as águas desta história. Ameaçados pelo poderio alemão e subjugados pela colonização portuguesa, os povos de Moçambique encontram amparo naquilo que é impossível de se apagar: sua própria língua.

Mestre dos Batuques – Neste romance o escritor angolano José Eduardo Agualusa discute questões de identidade e de pertencimento, subvertendo estereótipos e ideias predefinidas, ao mesmo tempo em que expõe os crimes e contradições do processo colonial português no continente africano.

Bom dia, Camaradas – Uma Luanda dos anos 1980 com professores cubanos, escolas entoando hinos matinais e jovens de classe média é o cenário de Bom dia, camaradas. Do universo do romance também fazem parte as lembranças dos cartões de abastecimento, as desigualdades sociais e os conflitos entre modernidade e tradição. Através do olhar lírico de um garoto, o leitor é levado a uma Angola que acabou de se tornar independente e é obrigada a repensar as regras sociais e a questionar as causas da desigualdade. Ondjaki nos conduz aos pequenos acontecimentos do cotidiano que mostram como é preciso mais que um decreto para que as mudanças de fato aconteçam.

O encontro internacional de escritores de língua portuguesa, acontece às 19h nos dias 19 a 21 de novembro, no Convento das Mercês – Rua da Palma, 502, Desterro. In “Mundo Lusíada” - Brasil


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Portugal - Faculdade de Medicina da Universidade do Porto apresenta resultados do projeto que está a estudar o coração das grávidas

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai promover, no próximo dia 4 de outubro, o “I Encontro PERIMYR & OralBioBorn”, com o objetivo de apresentar os resultados do projeto que está a estudar o coração de mulheres grávidas para investigar a insuficiência cardíaca


A sessão, que terá início às 14h00, na biblioteca do Departamento de Cirurgia e Fisiologia (piso 6 do CIM-FMUP), irá reunir investigadores e participantes do projeto iniciado em 2019.

“Pretendemos divulgar os resultados obtidos durante estes cinco anos, bem como criar um momento de networking entre os diversos envolvidos e fomentar a discussão de planos futuros, para que possam surgir novas colaborações para o “PERIMYR & OralBioBorn”, adianta Inês Falcão Pires, professora da FMUP e uma das coordenadoras do projeto.

O programa deste encontro terá início com uma sessão de boas-vindas e uma breve apresentação de cada um dos estudos por parte das investigadoras principais: Inês Falcão Pires (FMUP), Benedita Sampaio Maia (FMDUP), e Egija Zaura, investigadora principal do consórcio internacional METAHEALTH.

Seguir-se-á a apresentação dos principais resultados de teses de doutoramento e de mestrado já concluídas no âmbito desta coorte, e de outros trabalhos em curso.

Antes da apresentação dos resultados à comunidade, nomeadamente às participantes grávidas recrutadas para este estudo, haverá um momento de discussão sobre quatro áreas temáticas do projeto: saúde cardiovascular da mulher, saúde oral da mãe e da criança, microbioma humano e medicina de estilos de vida.

As pessoas interessadas em participar neste encontro devem realizar inscrição previamente, através do preenchimento do respetivo formulário.

Estudo mantém recrutamento de mais mulheres grávidas

Atualmente, o “PERIMYR & OralBioBorn” continua a recrutar participantes para responderem a novos objetivos que foram crescendo a partir do projeto inicial.

Recorde-se que o projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Maratona da Saúde 2017 e pela Bolsa João Porto 2019, atribuída pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Em 2022, o projeto recebeu financiamento internacional, o que permitiu a extensão do follow-up às grávidas recrutadas até aos três anos após o parto. Universidade do Porto - Portugal

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Burgenstock: a Suíça falhou e Lula se ausentou

A Suíça gastou 15 milhões para organizar um encontro de paz entre a Rússia e a Ucrânia, falho desde sua organização, por não ter a presença de Vladimir Putin. O presidente Lula descartou sua participação diante da ausência da Rússia, mas perdeu uma chance única de ser o principal participante, diante da ausência do presidente norte-americano Joe Biden e do chinês Xi Jinping.


Perdeu também a chance de passar dois dias num lugar paradisíaco suíço, no alto da montanha do Burgenstock com vista para o lago dos Quatro Cantões, hospedado num hotel de muitas estrelas, financiado pelo Qatar, sem gastar um real.

Mais do que isso, valorizaria seus recentes discursos pela paz contra os massacres em Gaza por Israel, de onde tirou o embaixador brasileiro como forma de protesto. Talvez Celso Amorim tenha esquecido de lhe dizer que a invasão da Ucrânia pela Rússia já causou mais de 250 mil mortes, cinco vezes mais que em Gaza, a maioria jovens soldados, porém esse número também inclui mulheres e crianças.

De nada adiantou a insistência da presidente suíça Viola Amherd, que viajou de Berna a Genebra, na tentativa de convencer Lula. Para ela, a presença brasileira daria mais corpo ao encontro de Burgenstock, dada sua presidência do G20 e sua participação ativa no BRICS e no novo conceito internacional do Sul Global.

Porém, Lula preferiu ouvir Putin, com o qual tivera uma conversa por telefone e assim ganhar mais na liderança junto aos países do Oriente Médio e africanos, contra a hegemonia das relações EUA e Europa. Isso se insere na nova concepção política e sociológica do pós-colonialismo que, em termos práticos, visa o fim da dolarização no comércio internacional.

Ao contrário de Lula, o presidente colombiano Gustavo Petro, de esquerda, foi ao encontro de Burgenstock, mas saiu sem assinar o documento final, afirmando que "as conclusões do encontro tinham sido pré determinadas por blocos de países pela guerra". Não ficou claro se Petro se referia à OTAN ou se incluía a Rússia, detonadora da guerra.

A Índia também não assinou o documento final do encontro de Burgenstock. Jornais indianos interpretaram como dependência indiana face à Rússia, em matéria de armamentos e da importação do petróleo a preço reduzido.

Os jornais suíços foram bastante críticos quanto aos resultados obtidos, como mostra o jornal Blick: "num hotel de luxo do Burgenstock, as pessoas acreditaram na feérica ideia de que uma solução diplomática poderia ser encontrada... uma perigosa ilusão". 

O jornal suíço Le Temps publicou uma entrevista com a embaixadora do Brasil na capital suíça, Berna. Cláudia Buzzi esteve no encontro apenas como observadora e isso mostra como Lula categorizou Burgenstock. Para ela, "o encontro confirmou ser um tanto unilateral". Segundo Cláudia Buzzi, "o presidente Lula explicou à presidenta suíça e ela bem entendeu que era importante para o Brasil a presença das duas partes no encontro, sem isso falar de paz não tinha sentido". Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 3 de junho de 2024

A visita de Mário de Andrade a Alphonsus Guimaraens

Mariana (1745) foi a primeira vila de Minas Gerais, a Cidade Primaz, um marco histórico nesses campos de ouro e minérios, de picos altos, fria e úmida, no meio da Mata Atlântica. Conserva a arquitetura barroca colonial, em igrejas encantadoras com altares de madeira torneada, lustres de cristal e notas musicais vindas de um antigo órgão alemão.


Foi para Minas Gerais que a caravana modernista, organizada pelo escritor e folclorista Mário de Andrade (1893-1945), se dirigiu em 1924. Integravam a caravana Oswald de Andrade, Godofredo da Silva Telles, René Thiollier, Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado e o poeta de origem suíça em visita ao Brasil, Blaise Cendrars. Encontraram no século XVIII mineiro, na área das artes visuais, o “lastro cultural de uma identidade nacional”. Mário havia publicado um longo ensaio no Jornal do Brasil sobre a arte religiosa em Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo e São João del-Rei. Escreveu também sobre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e suas magníficas esculturas. A partir daí, propõe a proteção do patrimônio cultural brasileiro, através do serviço histórico e artístico nacional, que se tornou realidade no dia 30 de novembro de 1937, em ato do presidente Getúlio Vargas. Mário via nas cidades mineiras uma “sociedade de pensamento que fala em independência e república”, já com a participação de mulatos e artesãos.

Mário anteriormente fora para Mariana, com o intuito de visitar o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens, conhecido como “o solitário de Mariana”. Alphonsus nascera em Ouro Preto, foi apaixonado por sua prima Constança, desde muito cedo escrevendo versos para ela. Constança morreu prematuramente de tuberculose e essa tragédia pessoal, amor e morte, está presente em toda a sua obra poética. Quem não se lembra de “Ismália”?

Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

 

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

 

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

 

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...

 

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...

 

Alphonsus formou-se em Direito em 1895. Já juiz e casado com Zenaide, mudou-se para Mariana vivendo em isolamento completo, morrendo nessa cidade em 1921, com cinquenta anos. Compunha loucamente poemas de forte misticismo, numa atmosfera branca de sonhos e melancolia.

Mário de Andrade, jovem de vinte e seis anos, dedicado à promoção cultural nacional, pesquisador incansável de ritmos novos para a poesia, bem como de uma linguagem genuinamente brasileira, no léxico e na sintaxe, sentia-se impactado pelos poemas que atravessaram cachoeiras e vales até o Rio de Janeiro e São Paulo.

Como teria sido essa visita? Esse inusitado encontro entre Mário de Andrade e Alphonsus de Guimaraens? O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) imaginou esse encontro e registrou-o num magnífico poema narrativo, um denso diálogo entre duas gerações de poesia, onde o poeta modernista reverencia o simbolista. Uma soberba homenagem à herança deixada pelos simbolistas. O poema “A visita” de Drummond começa assim:

“1919. 10 de julho.

Palmas. A porta aberta não responde.

Ô de casa! Mais palmas. A menina

Manda entrar. O corredor abre à esquerda,

Na tristeza de cinza do escritório baixo.

Dentro, o homenzinho,

50 anos por fazer, mas feitos secamente

No rosto grave: — O senhor deseja?

— Vim conhecer o Príncipe, vim saudar o Príncipe

Dos Poetas das Alterosas Montanhas.”

E aí tem início a respeitosa conversa, pois é bom conversar com aquele que contempla o deserto das cidades mortas. Dois obcecados pela vertigem do poema no cristal da linguagem. Mário veio de longe, de baldeados trens de ferro, da chuvosa São Paulo, para conhecer o estranho poeta encravado naquelas paragens sonolentas. Mário confessa que toca piano, que a música é uma forma de poesia, pede que Alphonsus lhe mostre alguns poemas guardados. Mário começa a ler em voz alta: “Tens um lis de ternura, que desliza à flor da pele em mágoa suavizante...” Mário delira diante do poeta que diz o indizível. Interpreta versos em francês, sua segunda língua. Tudo se transfigura em redor e dentro desses poetas gigantes, entre as montanhas de Minas. Tudo se dissolve e a luz os traspassa. Despedem-se. É dolorida a despedida, mas a visita foi completa. Alphonsus agradece, Mário retruca, pois é ele quem se rende e se alegra. Desaparece pela rua vazia, como uma ave desconjuntada e grande. A memória nunca se diluirá, embora não fique na folhinha de Mariana. Dois anos depois, a alma de Alphonsus de Guimaraens será uma cruz enterrada no céu.

Essas belezas todas estão no livro A Visita, uma edição particular, homenagem a Carlos Drummond de Andrade. Foram apenas 125 exemplares numerados e recebi esse presente valioso das mãos do bibliófilo José Mindlin (1914-2010), quando lhe fiz uma visita em São Paulo para conhecer sua famosa biblioteca.

Importante o que Dr. Mindlin me contou sobre o planejamento gráfico desse livro. Que chamou a fotógrafa Maureen Bisiliat (1931), inglesa naturalizada brasileira, que atuou na formação do acervo de arte popular da Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo, para ilustrar o poema. Aí ela teve uma ideia: ilustrar com fotografias de pedras preciosas. As pedras das Minas Gerais: a opala da noite em estilhaços; o topázio cravado na terra; a ametista negra da solidão; as águas-marinhas, as turmalinas, blocos gelados de insuportável silêncio. Gemas coradas, diamantes, berilos azuis e amarelos. Ficou de uma lindeza pura e mineral.

 Por que só hoje relembrei dessas visitas? De quando Mário de Andrade visitou Alphonsus Guimaraens, de quando Drummond visitou as antigas lembranças dos poetas, de quando eu visitei o Dr, Mindlin, um homem raro? Não sei o motivo, mas foram visitas perfeitas, dessas que não se repetem. Raquel Naveira - Brasil in Blog de São João del-Rei

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Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei)

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Raquel Naveira, nascida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é professora universitária, escritora, ensaísta, poeta e crítica literária. Formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco, na cidade de São Paulo, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também de São Paulo, e doutora em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, da França. 

Deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa na Universidade Católica Dom Bosco. Residiu no Rio de Janeiro, onde deu aulas na Universidade Santa Úrsula, e em São Paulo, na Faculdade Anchieta. Deu também aulas de pós-graduação na Universidade Nove de Julho (Uninove) e na Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo. Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de trinta livros de poesia, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de tecla, poemas (Editora Escrituras, 1999), indicados ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu ainda o livro infanto-juvenil Pele de jambo e o de ensaios Fiandeira. Além de Manacá, publicou outro livro de crônicas, Leque aberto, pela Editora Penalux.

Publicou também os romanceiros Guerra entre irmãos, poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá, poemas inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território, livro que se transformou no filme de curta-metragem Cobrindo o céu de sombra, monólogo com a atriz Christiane Tricerri, sob a direção de Célio Grandes. Lançou o CD Fiandeiras do Pantanal, em que declama seus poemas, acompanhada pela voz e a craviola da cantora Tetê Espíndola.

Pertence à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo-SP, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF, e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil


sábado, 11 de maio de 2024

Macau – Encontro da comunidade macaense na diáspora realiza-se no final de Novembro

Uma sessão cultural, um concurso de cozinha macaense e uma visita a Hengqin são alguns dos pontos que farão parte do programa do encontro das comunidades macaenses que se vai realizar este ano, avançou ao Ponto Final José Luís Sales Marques. O presidente do Conselho das Comunidades Macaenses adiantou também que o número de participantes será maior do que o inicialmente esperado e poderá ser o maior de sempre


José Luís Sales Marques, presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, deu, em declarações ao Ponto Final, mais detalhes sobre o programa do encontro dos macaenses que se vai realizar em Macau entre os dias 30 de Novembro e 6 de Dezembro.

O responsável indicou que no dia 30 de Novembro haverá apenas um convívio informal entre os participantes e no dia seguinte, 1 de Dezembro, é que terá início o programa oficial, com uma sessão cultural da parte da manhã. Na noite desse dia, que é visto como “o dia simbolicamente mais importante do encontro”, realizar-se-á a sessão de abertura.

No dia seguinte, vai realizar-se um concurso de cozinha macaense. “Este é um evento que já fizemos no passado, mas estamos à espera que venha a atrair mais interesse porque a gastronomia macaense é um elemento fundamental”, explicou Sales Marques.

Salientando que o programa ainda não está fechado, adiantou também que no dia 4 de Dezembro haverá uma visita a Hengqin. É já habitual o Conselho das Comunidades Macaenses organizar uma visita ao interior da China no âmbito dos encontros dos macaenses e, desta vez, os participados são convidados a visitar a Ilha da Montanha. Esta visita “tem muito significado porque, desde 2019 [último ano em que se realizou o encontro] até agora, já aconteceram tantas coisas, tantos desenvolvimentos e novidades [relativas a Hengqin] que gostaríamos de partilhar com as casas de Macau e com os participantes que vêm de diferentes partes do mundo”, justificou Sales Marques, acrescentando que ainda não está estabelecido o plano detalhado da visita à Ilha da Montanha.

Ao longo dos dias vão acontecer mais actividades, incluindo iniciativas que procurem envolver os jovens. Por outro lado, ao longo dessa semana, vão ser organizadas outras actividades, como visitas às zonas históricas de Macau. No dia 6 de Dezembro acontece, então, a festa de encerramento do encontro.

É habitual haver um jantar que reúne todos os participantes. Em 2019, esse jantar realizou-se no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Este ano, a localização deverá ser outra, uma vez que, “por uma questão de logística, o Costa Nunes não estará disponível”. A organização está agora à procura de espaços alternativos.

Número de participantes deverá ser o maior de sempre

José Luís Sales Marques também adiantou que o número de participantes esperados neste encontro deverá ser superior ao inicialmente previsto. Estava prevista a participação de cerca de 1400 macaenses, mas agora a organização espera cerca de 1600, uma vez que há mais pré-inscrições do que o antecipado. A confirmar-se, esta poderá ser a maior participação de sempre neste evento.

Até agora, já há mais de 1200 pré-inscrições só de macaenses na diáspora. O último encontro aconteceu em 2019. Na altura, participaram, no total, 1313 convidados. Entre eles, houve 974 participantes provenientes da diáspora macaense. Este encontro das comunidades macaenses realiza-se desde 1993 e acontece normalmente de três em três anos. Durante os anos da pandemia, o evento não se realizou e foi adiado para 2024. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 24 de abril de 2024

Macau - Encontro de delegações da Fundação Oriente para partilhar o “que se faz de melhor” na RAEM e em Goa

O 1.º Encontro de Delegações da Fundação Oriente (FO), que se realiza em Macau por ocasião do 25 de Abril, é uma “primeira aproximação” entre as representações e “uma rampa de lançamento” para maior intercâmbio


“Tivemos aqui uma ideia de aproximação, uma primeira aproximação, não só para trocar experiências entre nós, delegados (…) mas isto foi uma coisa que nasceu (…) do interesse que temos em aprender com aquilo que se faz de melhor em cada um desses sítios”, disse à Lusa a delegada da Fundação Oriente em Macau, Catarina Cottinelli.

A decorrer entre 24 e 29 de Abril, esta primeira edição junta apenas Macau e Goa, estando a delegação de Timor-Leste ausente devido a compromissos.

Nadia Rebelo, Franz Schubert Cotta e Omar de Loiola Pereira, três músicos de Goa, sobem ao palco, na Casa Garden, Macau (27 de Abril), e no Clube Lusitano, em Hong Kong (28 de Abril), para dois concertos que incluem temas de fado e de mandó, género musical goês.

Está prevista ainda uma conferência sobre o trabalho da Fundação Oriente na Índia, com incidência na recuperação de património cristão no estado indiano de Goa e no apoio e promoção do ensino de português. “A fundação aqui também tem o papel não só dessa manutenção do património, dessas ligações a Portugal, mas também tudo o que seja o incremento dos laços entre Portugal e Índia, mais concretamente em Goa. E, além dessa recuperação, também temos vindo pontualmente a suportar ou apoiar o governo de Goa na recuperação de algum património hindu”, disse à Lusa o delegado da FO Goa, Paulo Gomes.

O encontro na região chinesa, onde Catarina Cottinelli diz esperar elevar a cumplicidade entre as representações, é também uma oportunidade para dar a conhecer as comunidades com quem trabalham e até “a própria estratégia” para as respetivas regiões, “que é um pouco diferente” e adaptada “a cada contexto”. “A fundação [em Macau], hoje em dia, tem um papel mais na vertente cultural, do intercâmbio cultural, de promover as atividades que fazemos aqui, promover justamente uma relação maior com a cultura chinesa e portuguesa, e, neste caso, a cultura de Macau”, explicou.

Cottinelli já pensa em encontros futuros, na Índia e em Timor-Leste, e assegura que as ideias existem, nomeadamente a realização de residências artísticas. “Por que não trazermos artistas de Goa e vice-versa”, sugeriu, avançando ainda a possibilidade de levar artistas de Macau que queiram fazer investigação em Goa. Já Paulo Gomes admite que este primeiro evento pode ser uma “rampa de lançamento” para a realização de “duas ou três atividades anuais que envolvam as três delegações”.

A Fundação Oriente nasceu em 18 de março de 1988 como uma das contrapartidas impostas pela então administração portuguesa em Macau à concessão em regime de exclusividade da exploração do jogo no território. Desenvolve acções culturais, educativas, artísticas, científicas, sociais e filantrópicas, com vista à valorização e à continuidade das relações históricas e culturais entre Portugal e o Oriente. Após a abertura da delegação da FO em Macau, em 1988, seguiu-se Goa, em 1995, e Timor-Leste, em 2002. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”