Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Integração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Integração. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Timor-Leste – Governo anuncia teste a professores contratados e dispensados em 2023

O Ministério da Educação de Timor-Leste anunciou que vai realizar um teste especial para os professores contratados e dispensados em 2023 e que têm realizado protestos para serem integrados no sistema ensino



“Este teste especial será realizado este ano. Começará pelo Ensino Secundário Geral e Técnico Vocacional, seguido pelo teste para o nível do Ensino Básico, conforme as necessidades”, declarou o porta-voz do Ministério da Educação timorense Filipe Rodrigues Pereira, em conferência de imprensa, em resposta aos professores.

No final de 2023, muitos professores timorenses que trabalhavam com base num contrato com o Ministério da Educação foram dispensados, deixando de integrar o sistema de ensino público no país.

Segundo o porta-voz, este teste especial será exclusivo para o grupo de professores contratados em 2023.

O Ministério da Educação disponibilizará uma matriz ou guia de estudo para que os candidatos possam preparar-se para o exame. “A matriz será um material geral de referência para o teste especial. Espera-se que, com uma boa preparação, os ex-professores possam obter bons resultados no exame”, destacou.

O responsável explicou ainda que o Ministério da Educação analisará soluções, de acordo com as regras, para os ex-professores contratados em 2023 que não cumpram os critérios do teste especial, por terem apenas o diploma do ensino secundário. “A resolução dos problemas dos ex-professores contratados em 2023 será feita por fases, começando pelo teste especial, e posteriormente será encontrada uma solução para aqueles que possuem apenas o diploma do ensino secundário”, acrescentou.

De acordo com o porta-voz, a Ministra da Educação já orientou o Diretor-Geral do Ministério da Educação a preparar todos os procedimentos necessários para avançar com a publicação do processo de registo e participação no teste especial.

O dirigente afirmou também que, em reuniões anteriores, os ex-professores contratados concordaram com a decisão do Ministério da Educação e manifestaram disponibilidade para participar no teste.

Filipe Rodrigues Pereira recordou que, nos últimos anos, foram realizados dois testes para bolsas de formação de professores, nos quais cerca de 200 ex-professores contratados conseguiram aprovação.

Por essa razão, o Ministério da Educação incentiva os ex-professores contratados em 2023 que ainda não participaram nos testes anteriores a aproveitarem esta oportunidade para contribuir para um ensino de qualidade na formação das futuras gerações do país. “Gostaria de afirmar que a solução para os ex-professores contratados em 2023 está no Ministério da Educação. A realização deste teste especial foi discutida com o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, que está a par do processo. Esperamos que todos possam participar no teste especial dentro de pouco tempo”, pediu. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Cabo Verde - Integra programa da União Europeia para promoção de turismo local

O Instituto do Património Cultural de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias para promoção de turismo ligado às tradições locais. O projecto Renaturmac integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades


O Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias (Espanha) para promoção de turismo ligado às tradições locais, anunciou ontem a instituição.

O projecto Renaturmac reúne diversas regiões da Macaronésia e “integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades”, explicou o IPC em comunicado.

A colaboração com as Ilhas Canárias, Açores e Madeira “fomentará o intercâmbio de boas práticas e a implementação de acções conjuntas para a preservação e promoção da identidade cultural e histórica do arquipélago”, indicou.

Segundo o IPC, “a participação de Cabo Verde neste projeto marca um avanço significativo na valorização do património nacional e no turismo sustentável, trazendo benefícios diretos às comunidades locais”.

Cabo Verde receberá um financiamento de 45.000 euros para capacitação das comunidades do Parque Natural de Serra Malagueta, uma das principais zonas montanhosas da ilha de Santiago, que chega a mais de mil metros de altitude.

O objectivo passa por valorizar “a medicina tradicional e o artesanato, incentivando o uso sustentável dos recursos do parque e a identificação de valores patrimoniais e turísticos com potencial de desenvolvimento”.

O IPC é um dos beneficiários do Projecto Renarturmac, iniciativa da União Europeia (UE) no quadro do programa Interreg MAC 2021-2027, que visa a valorização e conservação do património natural e cultural das ilhas da Macaronésia. Os arquipélagos têm procurado unir esforços em busca de fundos europeus para o desenvolvimento.

Numa conferência de imprensa, após a III Cimeira da Macaronésia, realizada na quinta-feira, na ilha canária de Lanzarote, os presidentes das Canárias, Fernando Clavijo, e da Madeira, Miguel Albuquerque, o vice-presidente dos Açores, Artur Manuel Leal, e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Alberto Rui de Figueiredo, afirmaram ter retirado da reunião “um roteiro claro” para os próximos anos.

Assim, segundo Clavijo, há um foco no “reforçar o papel geoestratégico destes arquipélagos e afirmar a importância que podem ter, tanto para a União Europeia como para os continentes africano e americano”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 23 de abril de 2024

Brasil - Programa educativo promove integração entre línguas indígenas

O entendimento recíproco entre os povos indígenas e os formuladores e aplicadores das legislações brasileiras é o principal objetivo do Programa Língua Indígena Viva no Direito desenvolvido pela Advocacia-Geral da União (AGU) com os Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa lançada em cerimônia em Brasília, na última quinta-feira (18), com a participação presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve seus princípios e objetivos publicados nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União.


Entre as medidas previstas pela política pública a tradução da legislação brasileira, dos termos e conceitos jurídicos para as línguas indígenas, assim como a capacitação de legisladores e profissionais do Direito em conhecimentos relacionados a diversidade cultura e social desses povos. Os membros das comunidades também serão capacitados para maior acesso às legislações nacionais e internacionais, assim como às políticas públicas.

Segundo divulgação feita pela AGU, por meio de nota, o texto da Constituição Federal será o primeiro a ser traduzido nas línguas Guarani-Kaiowá, Tikuna e Kaingang, por serem as mais faladas no país. E para garantir a integridade cultural, o processo terá a participação de líderes e membros dos povos indígenas, que ajudarão a construir textos onde serão considerados a interação com os sistemas legais indígenas.

Os novos conteúdos serão divulgados entre as comunidades, advogados, órgãos dos Três Poderes, colegiados, universidades e organizações da sociedade civil que atuam em políticas públicas e em iniciativas que tratam dos direitos dos povos indígenas. Fabíola Sinimbú – Brasil “Agência Brasil” in “O Progresso Digital”


segunda-feira, 16 de maio de 2022

Internacional - Universidade de Coimbra participa em projeto europeu que avaliou políticas regionais de integração de migrantes e refugiados

Um estudo que avaliou as políticas de integração de migrantes não comunitários e refugiados em 25 regiões de 7 países europeus, incluindo Portugal, colocou os Açores e Lisboa como regiões com um grau avançado em termos do modelo de integração regional. Deste estudo, no qual participou a Universidade de Coimbra (UC), resultou o primeiro Índice de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX) para Regiões, designado MIPEX-R.

Com coordenação geral da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa, em Portugal o estudo foi conduzido pelo investigador Paulo Espínola, do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC.

Das 25 regiões estudadas, 12 foram classificadas com um grau avançado em termos do modelo de integração regional, entre as quais as regiões de Lisboa e Açores, 4 encontravam-se numa fase intermédia e 9 com atraso.

Este projeto, intitulado REGIN – Regions for Migrants and Refugees Integration, foi realizado ao longo dos últimos dois anos e teve como grande objetivo incluir a integração de migrantes e refugiados nas políticas de coesão social ao nível regional.  O facto de Lisboa não possuir Governo Regional, a avaliação teve como referência a atuação da Câmara Municipal de Lisboa no seu concelho.

As políticas de integração das duas regiões portuguesas foram classificadas como «ligeiramente desenvolvidas, fazendo parte do grupo mais avançado, registando Lisboa maior pontuação global (máximo = 100). Os pontos mais fortes da política de integração de Lisboa passam pela formulação e implementação das políticas de integração e no desenvolvimento de relações com os atores envolvidos. A política dirigida aos refugiados está mais desenvolvida do que a dos imigrantes não comunitários. Ao nível das áreas de intervenção, atingiu pontuação máxima (100) no âmbito da estratégia para a cultura e religião e necessita de melhorar o apoio à integração dos imigrantes nas escolas e, principalmente, promover campanhas preventivas sobre anti-discriminação», relata o investigador do CEGOT, que contou com a colaboração de Sandra Silva, investigadora do Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa (UL), no estudo referente à região de Lisboa.

Nos Açores, prossegue, pelo contrário, «a estratégia para os imigrantes encontra-se mais desenvolvida do que a dos refugiados. Os Açores apresentam um bom nível de produção de políticas e são fortes nas áreas de integração da cultura, religião e anti-discriminação. No entanto, o mesmo não se verifica no que se refere a implementação e avaliação das políticas, bem como no fraco nível de utilização de recursos comunitários e nacionais.  Será preciso tomar medidas ao nível do apoio prestado aos imigrantes em termos de habitação e das suas línguas maternas».   

Estas conclusões têm por base um questionário sobre políticas públicas de integração aplicado às entidades regionais ligadas direta e indiretamente aos imigrantes. Este questionário abrangeu 61 indicadores de áreas distintas, nomeadamente competências formais da região, coordenação e implementação da política de integração, utilização dos fundos nacionais e comunitários na política de integração e coordenação com as ONG e os Stakeholders. Em simultâneo foi realizado outro questionário com 57 perguntas de cariz mais estatístico.

Em resultado do projeto, o Governo Regional dos Açores implementou algumas medidas de melhoria, entre as quais «decidiu criar um website, uma aplicação móvel e um documento impresso como guia de boas-vindas para os imigrantes.  Este conjunto de ferramentas fornecerá, de forma direta e organizada, todas as informações sobre o processo de integração. Também vão permitir notificar os imigrantes sobre prazos de inscrição e possibilidade de preencher formulários e colocar questões sobre dúvidas que se levantem», exemplifica Paulo Espínola.

Este estudo foi financiado, no valor de 1,8 milhões de euros, pelo European Union's Asylum, Migration and Integration Fund, e teve como parceria técnica e coordenação das regiões o Barcelona Centre for International Affairs (CIDOB), o Migration Policy Group (MPG) e a Instrategies, empresa especializada em assuntos europeus e internacionais, com foco em mobilidade e migração. Colaborou ainda no estudo o Governo Regional dos Açores.  

Com a ofensiva russa na Ucrânia, o investigador do CEGOT lembra que «foram já 6 milhões de ucranianos que, entretanto, deixaram o seu país em direção, sobretudo, à União Europeia. Esta corrente poderá mudar a relação de Portugal com os refugiados, isto porque o nosso país não tem sido muito procurado por este tipo de migrantes forçados».

Paulo Espínola observa que, «desde a crise migratória do Mediterrâneo de 2015, com a política de redistribuição de Beneficiários de Proteção Internacional da União Europeia, que Portugal aumentou o número de vagas, que não são 100% ocupadas anualmente. Isto acontece porque existe uma clara preferência dos refugiados pelos países da Europa Central e Ocidental. E até os que chegam a Portugal, porque as vagas nesses países esgotaram, quando surge uma oportunidade a maioria acaba por deixar o país».

«Considero que pode haver uma alteração a este nível, porque ainda há em Portugal uma comunidade ucraniana expressiva, aproximando-se dos 29 mil residentes em 2020. Ou seja, para o refugiado ucraniano há atualmente um suporte de apoio, que pode ser familiar, amizade ou então simplesmente recebido confortavelmente na sua própria língua. Desta forma, à partida, estão reunidas as condições para o alargamento do período de estada desses imigrantes», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

CPLP - Secretário-executivo visita a Guiné Equatorial para acelerar integração

Lisboa – O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) visita a Guiné Equatorial entre 7 e 11 de Março, para “acelerar” a integração do país e discutir “compromissos” assumidos, como a abolição da pena de morte.

“Há uma necessidade urgente de implementar o programa de apoio à integração da Guiné Equatorial, por forma a mostrar que as coisas estão a andar”, disse à Lusa Zacarias da Costa.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste recordou que “tem havido cada vez mais Estados-membros a declararem publicamente as suas expectativas, de alguma forma frustradas, quanto à estagnação”, no cumprimento dos compromissos assumidos pela Guiné Equatorial, aquando da adesão ao bloco lusófono em 2014.

Nomeadamente, apontou, a abolição da pena de morte no Código Penal, mas “também, obviamente outra questão importante, que é a da implementação da língua portuguesa” neste país, o único falante de espanhol na comunidade.

“Contarei, nos meus contactos com as autoridades equato-guineenses, não só levantar essas questões, mas sobretudo proporcionar um ambiente diferente para olharmos para elas de uma forma construtiva, ou num quadro mais dinâmico, para que possamos todos, principalmente as autoridades da Guiné Equatorial, corresponder às expectativas que os Estados-membros têm em relação à integração cada vez maior” do país na organização, afirmou.

Zacarias da Costa adiantou que o objectivo da sua deslocação oficial é inteirar-se dos “esforços que têm havido” e articular com as autoridades locais “formas de criar um quadro diferente, com maior dinamismo”, para se poder “acelerar o programa de integração e implementar os compromissos assumidos desde a cimeira de Díli” (2014).

Na altura, num discurso em português, perante os líderes lusófonos, o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, assumiu o compromisso de “defender os estatutos” da CPLP e “actuar conforme os seus princípios e objectivos” e anunciou que o país iria ter, no ano seguinte, um centro de estudos multidisciplinares de expressão portuguesa dedicado àquela comunidade.

Outra das intenções do secretário-executivo nesta visita “é acelerar a ratificação do Acordo de Mobilidade” pela Guiné Equatorial, um acordo assinado pelos nove Estados-membros na última cimeira, que decorreu a 17 de Julho de 2021 em Luanda e que já entrou em vigor em cinco dos países da organização – Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Portugal e Moçambique. No Brasil o processo de ratificação também já está concluído.

Mas, a meta imediata do secretariado-executivo é a implementação “de quatro dos seis eixos” do Programa de Apoio à Integração da Guiné Equatorial (PAIGE). “Os eixos cinco e seis deveremos implementar mais tarde, em Abril, possivelmente, uma data que será acordada entre as partes”, adiantou.

Promoção da língua portuguesa, acervo institucional, património cultural e comunicação social, são os quatros primeiros eixos daquele que é o segundo PAIGE, desde que Guiné Equatorial se tornou Estado-membro da CPLP.

Sociedade civil e direitos humanos são os dois últimos eixos.

Apesar de ainda não haver uma agenda definida, “mas apenas o convite” para visitar o país, o secretário executivo da CPLP espera encontrar-se com o Presidente da República, Teodoro Obiang, com o ministro das Relações Exteriores, bem como com outros membros do executivo daquele país responsáveis pelas áreas que serão desenvolvidas no âmbito do PAIGE.

Zacarias da Costa referiu que vai procurar, tal como fez na sua recente visita oficial ao Brasil, ter encontros com a Câmara dos Deputados e com o Senado, “de forma a acelerar o processo de ratificação do acordo de mobilidade”.

A prioridade, porém, é articular com as autoridades locais, datas para a implementação dos quatro primeiros eixos do PAIGE e também conciliar calendários, não só do secretariado, mas também dos parceiros que ajudam o secretariado a implementar o programa.

“Quero referir que há uma necessidade enorme e urgente em executar e terminar este programa, cuja calendarização tem sofrido já vários atrasos, não só derivados da pandemia, mas também atrasos devido ao acerto de datas pelas duas partes, o secretariado [executivo e as autoridades equato-guineenses”, salientou.

Para estes quatro eixos, o secretário-executivo assegurou que há financiamento garantido, para os restantes dois, terá de ser aprovado um novo orçamento pelos Estados-membros.

Segundo Zacarias da Costa, esta visita surge na sequência do reafirmar de um compromisso das autoridades da Guiné Equatorial de cofinanciarem a implementação dos eixos que irão ter lugar na capital, Malabo.

“Eu espero que seja cumprido, porque é mediante esse compromisso que nós nos iremos deslocar a Malabo”, adiantou.

A missão, liderada pelo próprio secretário-executivo, conta ainda com a participação de parceiros e responsáveis que irão implementar os quatro eixos do programa.

Zacarias da Costa sublinhou também que agora, com a situação de covid-19 mais “relaxada ou controlada”, é tempo de avançar e “é obrigação de todas as partes, começando pela Guiné Equatorial, mas também do secretariado e naturalmente também pelos Estados-membros”. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Galiza – Integra o movimento Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa

A JUPLP (Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa) — movimento de interação juvenil — publicou, nesta semana, nas suas redes sociais a integração da Galiza como território lusófono. Como parte do plano de trabalho, o movimento recrutará membros galegos e fará ações no sentido de apresentar a história entre a comunidade autónoma e a lusofonia


A organização internacional defende em nota de imprensa que “O galego-português começou a ser falado durante a Idade Média na região ocidental da Península Ibérica, dando origem às línguas portuguesa e galega. De acordo com o movimento de reintegração da Galiza, a língua não pode continuar a fazer o seu caminho de forma isolada e deve entrar no universo lusófono para garantir o seu futuro e para que se abram janelas culturais, comerciais, económicas e sociais.”

O galego e coordenador da JUPLP, Diego Garcia, diz que é importante a integração da língua da Galiza na lusofonia porque só assim o seu futuro será promissor: “As oportunidades serão escassas se a região continuar isolada ou entrar num processo de profunda castelhanização”, afirma. Diego acrescenta que a língua deve ser um elo de comunicação com outras sociedades, principalmente os que têm a língua portuguesa como oficial.

Josianny Furtado, cabo-verdiana e coordenadora do movimento, complementa que integrar a Galiza na JUPLP não é um ato qualquer, mas sim uma atitude de reflexão histórica e cultural no que gira em torno da nossa língua. “A partir de agora, iniciaremos o recrutamento de membros da Galiza e trabalharemos com a apresentação da história da língua galego-portuguesa, dos patrimónios culturais da Galiza e na organização do evento Conexões na região”, declara.

A JUPLP

Nascido em julho de 2020, o projeto reúne diversos jovens da lusofonia para debater a cultura, a história e temas pertinentes para toda esta juventude. O objetivo do movimento é tornar-se uma organização que abrange os milhões desses jovens e fazer todo o trabalho respeitando as questões sociais e as realidades de cada país. O maior projeto da JUPLP é o evento Conexões, que teve a sua primeira edição na cidade de Coimbra, em Portugal. O evento tem o objetivo de promover um debate de ideias para entender melhor o que se passa na conjuntura cultural de cada país. As próximas edições serão em Cabo Verde, Brasil e, conforme anunciado recentemente, o encontro na Galiza. In “Portal Galego da Língua” - Galiza



quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Macau - Plano de “integração” do ensino abrange três escolas luso-chinesas


A Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes e a Escola Primária Luso-Chinesa da Flora vão integrar-se em estabelecimentos de ensino oficiais que passarão a ministrar todos os níveis, do infantil ao secundário complementar, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Por outro lado, a Escola Oficial Zheng Guanying, a Escola Oficial de Seac Pai Van, a Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung” e a Escola Luso-Chinesa da Taipa vão manter-se inalteradas, bem como o Jardim de Infância Luso-Chinês “Girassol”.

Nas instalações da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora passará a funcionar uma escola oficial de sistema “one stop” do Ensino Especial, sendo os actuais alunos dos níveis infantil e primário da secção portuguesa transferidos para a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, e os restantes para a Escola Primária Oficial Luso-Chinesa “Sir Robert Ho Tung”, para que possam continuar os seus estudos nos ensinos primário e secundário. Segundo a DSEDJ, a nova escola de ensino especial “permitirá uma maior eficácia na prestação de serviços aos alunos com necessidades educativas especiais, devido à concentração das equipas de profissionais docentes e de serviços terapêuticos”.

A DSEDJ sublinhou que, no ano lectivo de 2022/2023, vai proceder à integração das escolas oficiais da sua tutela com o intuito de “melhorar, ainda mais, o ambiente de ensino, proporcionando uma maior harmonização com o prosseguimento de estudos e satisfazendo as necessidades de crescimento integral”.

Com esta reestruturação, o número de escolas oficiais com sistema “one stop”, disponibilizando todos os níveis de ensino – do Infantil ao Secundário Complementar – aumentará duas para cinco: Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, Escola Oficial Zheng Guanying, Escola Oficial de Seac Pai Van e Escola Primária Luso-Chinesa da Flora. A Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte será integrada na Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional. Além disso, o tempo do transporte, de ida e volta, dos alunos que actualmente têm de frequentar a Escola Luso-Chinesa de Coloane será reduzido, “proporcionando um local de frequência escolar mais conveniente” e “respondendo às solicitações urgentes de encarregados de educação e alunos do ensino especial, que têm vindo a ser apresentadas ao longo de vários anos”, frisou o organismo. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

China - Países da CPLP recomendam entrada da Guiné Equatorial no Fórum Macau

As delegações diplomáticas dos países de língua portuguesa em Pequim acordaram a recomendação para adesão da Guiné Equatorial ao Fórum Macau na próxima reunião extraordinária ministerial agendada para Outubro. A informação foi avançada ontem pelo embaixador de Portugal em Pequim após a conclusão da 16.ª Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa


O pedido de adesão da Guiné Equatorial ao Fórum Macau esteve ontem em discussão na 16.ª Reunião Ordinária do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e acabou por ser recomendado por representantes do Governo Central da China, das Embaixadas dos Países de Língua Portuguesa em Pequim, do Governo da RAEM, e do Departamento dos Assuntos Económicos e Delegação Comercial do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau.

“A adesão da Guiné Equatorial [ao Fórum Macau] ficou recomendada aos ministros para que os ministros depois analisem, no mês de Outubro, quando houver a reunião, se decidem a sua aprovação ou não”, começou por explicar o embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, acrescentando depois que a adesão foi avaliada de acordo com a candidatura apresentada e pelo facto de a Guiné Equatorial ser um membro efectivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. “É só a recomendação, nada mais. Recomenda com base na candidatura e no facto de a Guiné Equatorial ser já membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). É um espelho daquilo que é a CPLP. Recomenda-se com base na análise da candidatura e no facto de já ser um membro efectivo da CPLP há vários anos”, frisou José Augusto Duarte.

Com a recomendação dos representantes do Fórum Macau, o processo de adesão da Guiné Equatorial será decidido na próxima reunião extraordinária ministerial do Fórum de Macau em Outubro de 2021. No entanto, a questão dos Direitos Humanos na Guiné Equatorial não fez parte da discussão. “Se em alguma altura a questão dos Direitos Humanos foi abordada nesta reunião? Não é o contexto. É uma questão pertinente, mas não é o contexto. A partir do momento que é membro da CPLP não há contexto para aqui criar um contexto que não há na CPLP. Há que ver em instância própria para o fazer”, respondeu o embaixador de Portugal em Pequim sobre o assunto, adiantando depois que ainda não há uma data para a realização da reunião extraordinária ministerial. “A data exacta ainda não está confirmada, mas estamos a apontar para a última semana de Outubro ter a reunião. Será uma reunião virtual com os ministros nas respectivas capitais e os embaixadores que estão na China e aqui em Macau”.

Já o representante da Guiné Equatorial na reunião defendeu a entrada no Fórum Macau e invocou, em castelhano, o “pleno direito” do país africano de integrar o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. “A entrada Guiné Equatorial no Fórum de Macau faz sentido porque a Guiné Equatorial é membro dos países da CPLP com pleno direito. E se há um grupo entre Macau e os países de língua portuguesa, obrigatoriamente que a Guiné Equatorial sente que reúne as condições para entrar neste grupo e apresentou a sua candidatura para entrar enquanto país irmão. O que não se deve fazer é deixar irmãos de fora. E, por isso, a Guiné Equatorial ofereceu-se para integrar o Fórum de Macau para unir-se com o resto dos países irmãos da CPLP”, afirmou Camilo Ochaga Esono Afana, encarregado de Negócios da Embaixada da Guiné Equatorial na República Popular da China.

Questionado sobre que investimentos podem resultar da entrada da Guiné Equatorial no Fórum Macau, Camilo Ochaga Esono Afana assinalou que as oportunidades de negócios podem ser recíprocas. “Há aspectos de interesse da República Popular da China que podem ser encontrados na Guiné Equatorial como exportação de petróleo, exportação de madeiras e outros materiais. De igual forma, o Governo da República da Guiné Equatorial também pode estar necessitada de muitas coisas por parte da República Popular da China, por exemplo, os fluxos financeiros e recrutamento de recursos humanos, porque praticamente a China está a fornecer bolsas de estudo a vários países africanos, não só da Guiné Equatorial”, disse o encarregado de Negócios da Embaixada da Guiné Equatorial em Pequim.

Sobre a questão dos direitos humanos na Guiné Equatorial, Camilo Ochaga Esono Afana garantiu que o país tem feito grandes progressos nessa matéria e assegurou que a pena de morte está suspensa desde 2014. “Desde o primeiro dia em que a Guiné Equatorial solicitou a adesão, tanto os países da CPLP como o Fórum Macau deram-nos certas condições para podermos ser membros deste grupo. E parte destas condições, a Guiné Equatorial está a cumpri-las cabalmente, legalmente, e à parte disso está a conseguir alcançar novas etapas em relação às questões dos Direitos Humanos da ONU”, vincou Camilo Ochaga Esono Afana, acrescentando que, “em 2014, a Guiné Equatorial adoptou uma moratória sobre a pena capital” e que, “agora mesmo não se pode falar nada sobre a pena capital na Guiné Equatorial porque já está totalmente abolida [a pena de morte]”. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com


sábado, 15 de maio de 2021

Fórum da Sociedade Civil da CPLP propõe que os países tenham agenda de desenvolvimento


Cidade da Praia – O presidente da VerdeFam disse que o Fórum da Sociedade Civil da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa propõe que os países tenham agenda de desenvolvimento, com quadros de acção a longo prazo para as organizações da sociedade.

Francisco Tavares fez esta intervenção à imprensa, durante a apresentação do terceiro Encontro do Fórum da Sociedade Civil da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (FSC-CPLP), que acontece entre nos dias 20 e 21 de Maio, via zoom.

Conforme apontou, o fórum da sociedade civil é uma organização representativa dos estados membros da CPLP, que teve o seu reconhecimento pela vigésima reunião ordinária do Conselhos de Ministros da organização, realizada em Díli, Timor Leste, em 2015.

Segundo destacou, quando se fala da sociedade civil e desenvolvimento sustentável, pressupõe que os países tenham agenda de desenvolvimento, e essas agendas devem ser referencias e quadros de acção a longo prazo para as organizações da sociedade civil, balizando as suas acções em referências globais.

“É desta forma que as organizações da sociedade civil participam no desenvolvimento sustentável e trabalhando de forma alinhada com as autoridades da sociedade civil”, referiu.

De acordo com o responsável, este ano o evento vai ocorrer num contexto especial da pandemia, que determina a prioridade para emergência económica social e sanitária, em que “todos os países tiveram recessão economia em 2020”, enfrentando a crise com a melhores das suas capacidades.

“Seguramente em todos os outros países da CPLP, existe uma tendência vincada de empobrecimento e assim cada vez mais gente corre o risco de ficar para trás”, salientou, sublinhando que o contexto recentra o papel e a importância das organizações da sociedade civil, porque são elas o “garante essencial para que ninguém fique para trás”.

“A parceria das organizações da sociedade civil contribui de forma essencial para se criar um contexto favorável, para se impulsionar mudança e se acelerar o progresso”, ressaltou o presidente da Associação Cabo-verdiana para a Protecção da Família.

Conforme a agenda do evento, haverá uma aula magna sobre a mobilidade e integração no espaço da CPLP, ministrada pelo secretário executivo da organização Francisco Ribeiro de Telles e pelo embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro.

Além disso, vários temas vão ser discutidos, destacando o papel do fórum no âmbito da CPLP, a sociedade civil e a agenda 2030 dos países da CPLP, o papel das organizações da sociedade civil da CPLP na implementação dos objectivos do desenvolvimento sustentável, entre outros. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Macau – Brasileiro forma campeões de capoeira e aproveita para ensinar português

As aulas de capoeira do brasileiro Eddy Murphy estão a dar medalhas e a formar campeões em Macau, mas também estão a servir para ensinar português a crianças de mais de uma dúzia de países



À tarde, num ginásio num centro comercial na ilha da Taipa, há tradições, línguas e costumes que são convocados à reunião, para tocar, jogar e dançar, bem como cantar, nomear dos pés à cabeça partes do corpo e contar números, sempre em português.

“A capoeira é o maior veículo de divulgação da língua portuguesa”, sentencia Eddy Murphy, até porque está presente em centenas de países, salienta, enquanto os mais pequenos praticam ‘capoeiragem’, a expressão brasileira que o mestre quer que em Macau signifique que há mais vida para além da competição que a arte marcial arrasta.

Em Macau, são muitos os países que habitam as aulas de capoeira do brasileiro – que se fixou há cerca de duas décadas na Ásia -, e do Grupo Axé Capoeira, do mestre Barrão. Nas ‘t-shirts’ dos alunos está estampada a expansão, escrita a várias cores: Brasil-China-Macau-Hong-Kong.

Tarzan, Formigão, Amarela, Tangerina, Amazonas, Eddy Murphy, Pensador, Luz e Açaí são alcunhas de algumas das crianças e jovens que representam também diferentes geografias, da Malásia ao Canadá e Japão, dos Estados Unidos a Singapura, da Tailândia e Indonésia até aos países lusófonos como Brasil e Portugal, e que se cruzam no antigo e multicultural território administrado pelos portugueses, agora região administrativa especial chinesa. Caleb, que por ali, na ‘capoeiragem’ de Macau, é conhecido pela alcunha de Pensador, nasceu em Singapura, filho de pai canadiano e mãe norte-americana.

Mais expansivo que a irmã, descreve-se, atirando a idade e nome, bem como a alcunha de Katie (Luz). E explica o peso das aulas de capoeira na segurança e fluência no português que evidencia, orgulhoso: “Também [aprendemos] numa escola portuguesa, também aprendemos ali”.

Ao lado, Eddy Murphy, de 53 anos, acrescenta o ‘pormenor’: os mais pequenos chegaram primeiro, depois vieram os pais, e, com a necessidade de os filhos entenderem melhor as aulas de capoeira, acabaram por os fazer entrar na Escola Portuguesa de Macau. Eddy Murphy garante que a arte de ‘cozinhar’ esta fusão é simples de se entender pela integração social e construção de pontes, asseguradas pela arte marcial que vive da dança, da música e da cultura popular.

“A gente trabalha com ela [capoeira] em todos os sentidos. A capoeira tem várias vertentes: a arte marcial, [e] a integração, que é o mais importante”, diz Ednilson Almeida, conhecido pelo título de mestre na ‘tribo’ da arte marcial, que o batizou de Eddy Murphy por causa “dos disparates” juvenis “que faziam todos rir”, lembrando o comediante e actor norte-americano Eddie Murphy. “Macau é a base da federação asiática”, diz. Foi na cidade que decorreu no ano passado um campeonato mundial de capoeira, no qual os ‘capoeiristas’ treinados por Eddy Murphy arrebataram “a maioria das medalhas”, uma delas a de ouro, frisa.

Haverá uma meia dúzia de campeões em Macau, entre asiáticos e mundiais, mas o que realmente importa na capoeira sobrevive à ausência de títulos, depreende-se das palavras de Mariana, ali batizada de Amarela, e que aceita sem pruridos a apresentação do mestre, como se pecasse por defeito: “a melhor ‘capoeirista’ de Macau”. Tem 13 anos, é portuguesa nascida em Macau, e gosta de “conviver com pessoas (..) dentro do grupo, (…) ensinar as crianças a jogar capoeira” e de ser um modelo, para “mostrar às crianças que é possível fazer coisas em que podem não acreditar [que são capazes]”.

Desde os dois anos e meio a ser treinada por Eddy Murphy, começa a dizer que “é giro ver como todos evoluem à sua maneira”, porque todos são diferentes, para logo depois ser completada pelo mestre: a capoeira “é uma coisa tribal, para que todos nos sintamos em casa, incluídos”.

Mais do que em casa está a filha, Khiari, que treina na mesma ‘tribo’ que o pai fez nascer. Açaí, como é conhecida pelos membros da capoeira, começou desde cedo a perceber a importância de fazer amigos e de conhecer outras culturas. Entre sorrisos cúmplices, aquela que é uma das campeãs da ‘tribo’ da capoeira de Macau, a jovem de nove anos é ‘incentivada’ pelo punho de Eddy Murphy a corrigir a resposta à pergunta “É duro ter o pai como mestre?”, substituindo um “é bom” por um “é muito bom”. João Carreira – Agência Lusa in “Ponto Final”


sábado, 21 de dezembro de 2019

Macau - A capacidade de adaptação, 20 anos depois

Os portugueses já foram muita coisa em Macau, ou não estivéssemos a falar de quase 500 anos de história. Mas façamos ‘zoom in’ para as últimas duas décadas, altura em que a cidade regressou à pátria-mãe. Se num passado muito longínquo os marinheiros foram comerciantes vorazes, antes de 1999 prevalecia uma comunidade sobretudo de funcionários públicos. Após a passagem de administração para a China mudou (quase) tudo, e aí veio ao de cima uma característica que quase sempre se cola aos portugueses: a capacidade de adaptação. Saltaram para o lado do “Macau novo”, aquele que nasceu nos casinos, todo ele dourado e esplendoroso. Os arquitectos lusos ajudam a projectá-los, os engenheiros dão-lhes forma, e os advogados são o cimento legal para que a caixa registadora não pare de tilintar



Olharmo-nos ao espelho e mostrarmos para fora o que somos, nem sempre é um exercício fácil, e quando não falamos só de nós, mas de um grupo, o grau de dificuldade é superlativo. Mas é exactamente isso que uma advogada, um economista, uma professora, e um jornalista/historiador se propuseram a fazer em relação à comunidade portuguesa em Macau, nos últimos 20 anos. Se, no passado, se insuflou do poder real que a administração nos dava, há quem ache que hoje os portugueses “são praticamente invisíveis”. Ainda assim, continuamos a contribuir com o “nosso saber fazer” que ajuda ao progresso económico da cidade que em 2020 será a mais rica do Mundo. E damos ainda um colorido étnico que retira a Macau o rótulo “de mais uma cidade qualquer do Sul da China”. No entanto, o futuro — profetizam estes portugueses — é de uma lenta, mas inexorável diluição da sua existência no território.

Duas décadas é um período relativamente curto, quando o colocamos em perspectiva com cinco séculos de história, ainda assim, tempo suficiente para observar mudanças no papel de uma comunidade. João Guedes, jornalista, e um homem que desenvolveu um vasto conhecimento sobre a história de Macau e da China, não tem pejo em afirmar que a transformação dos portugueses depois da passagem de soberania para a China “foi radical”. “Diria, com um certo exagero, que a comunidade que havia antes de 1999 desapareceu depois disso”.

Antes dessa data, os portugueses eram um grupo que “tinha um poder político”, era “a comunidade de referência” e “quem mandava”. No período anterior à transição, segundo Guedes, os nacionais eram quase todos funcionários públicos. “O emigrante português que vinha para aqui fazer um negócio, não existia. Não havia sequer restaurantes portugueses, normalmente eram três ou quatro e não mais”, afirma, acrescentando que estes espaços de restauração só pulularam depois da transição. “A situação alterou-se do dia para a noite”, conclui.

Alteração no centro do poder

O economista Albano Martins faz um retrato cru do tom das diferenças que 20 anos ajudaram a carregar. O homem que lidera uma das associações mais relevantes de protecção dos animais, a ANIMA, diz que recuar no tempo é lembrar uma “comunidade que era muito protegida”. A transferência de soberania resultou, como é normal, numa alteração do centro de poder e de decisão que se deslocou para a comunidade chinesa que é agora a privilegiada.

“O acesso à administração de Macau já não existe. Está limitadíssimo. Só a comunidade chinesa é que o tem, e nota-se que na Função Pública as chefias portuguesas desapareceram todas”, afirma, ressalvando que no Governo de Edmund Ho — primeiro Chefe do Executivo da RAEM — a mudança não foi imediata, mas que depois se tornou inevitável.

Mas esta nova realidade não é necessariamente má ou negativa. Se olharmos para as questões económicas, os portugueses ficaram a ganhar, argumenta Albano. “A verdade é que com a transição houve a possibilidade de alguma comunidade portuguesa, do ponto de vista económico, ter melhores condições do que com a administração portuguesa, em que os dinheiros estavam contados”.

Mas se a dimensão financeira é importante, não será tudo. A questão dos direitos, das liberdades e das garantias sempre provocou algum receio. Medo infundado, para Albano Martins. “Mantemos os mesmos direitos. Nem mais, nem menos. Não acho diferença nenhuma”, defende. 

No entanto, no quotidiano há coisas que se alteraram. Amélia António lembra que, no passado, havia um serviço de censura através dos meios judiciais. Ele evidenciava-se em processos de abuso da linguagem, ou a multiplicação de casos de liberdade de imprensa. “Havia jornais com uma colecção de processos razoável a correr. Hoje isso não se verifica. Não vejo que a imprensa portuguesa faça autocensura. Nos chineses, por outro lado, há alguma censura interna”, contrapõe.

Mas e vivemos agora melhor ou pior? A professora do Departamento de Português da UMAC, Maria José Grosso, há várias décadas no território, crê que as coisas mudaram “para melhor”. Há sobretudo menos diferenças no interior da comunidade. “Havia pessoas que viviam muito bem, mas havia mais desigualdades sociais. As pessoas que ocupavam cargos da administração, andavam em carros negros com motoristas. Hoje as coisas estão mais niveladas”, considera.

Uma voz informada sobre a realidade dos portugueses em Macau é a da presidente da Casa de Portugal, Amélia António, que afirma que a diferença mais visível, aquela que entra pelos olhos adentro, é a transformação etária. Em 1999, a comunidade “de uma maneira geral era constituída por pessoas mais velhas do que actualmente”. “Há mais crianças pequenas, vem gente mais nova para o território, e têm filhos com idades pré-escolar e escolar”, identifica. Para esta advogada é uma consequência directa dos que saíram e dos que, entretanto, chegaram à RAEM, muitos deles em início de carreira profissional.

O medo da mudança

Antes de avançar, vamos dar um passo atrás para compreender o ambiente que se vivia algum tempo antes de Portugal e da China assinarem o tratado de passagem de transferência de soberania de Macau, mediado pelos 50 anos de transição regidos pelo princípio de “um país, dois sistemas”.

Quando começa a reviver o período antes da viragem de milénio, Amélia António descreve que “uma parte das pessoas que aqui estavam, tinha história antiga”. “Muitos tinham vindo para Macau numa fase mais conturbada da história da China. Mantiveram sempre um certo receio”, declara.

A esses somaram-se outros que − vindos dos territórios de língua portuguesa em África que passaram por processos de independência − tinham ficado marcados por situações de vida complicadas. No entanto, Macau era diferente e, por isso mesmo, correu tudo de outra forma. No entanto, a psicologia de um grupo tem muitas nuances. “Aqui não havia nada que pudesse causar esses receios, mas talvez o peso mental de experiências dos próprios tenha estado na origem desses receios”, remata a advogada.

João Guedes lembra que, à época, ficou com a sensação de que os medos eram mais dos que estavam em Portugal, do que daqueles que viviam em Macau. “Estávamos habituados a lidar com a China, não haveria nada parecido ao que se passou com Angola e Moçambique”, sublinha.

A advogada Amélia António crítica, no entanto, o tempo reduzido que foi dado a estas pessoas para fazerem escolhas. “Estavam a assimilar a situação e tiveram que tomar decisões, algumas delas precipitadas”, lamenta. Por isso, houve muita gente “que saiu por causa das regras de integração” na Administração Pública, eram pessoas que estavam numa idade em que “à medida que se foram reformando, regressaram ao país”. Os que voltaram, acredita, foram movidos pela insegurança e o receio, que se revelaram infundados.

Em consequência disto, Guedes recorda que muitos regressaram a Macau, anos mais tarde, “porque as condições de vida em Portugal eram difíceis, e as pessoas estavam habituadas a um determinado nível de vida aqui, e não o conseguiram manter lá”, explica.

Uma bolha difícil de furar sem a língua

Albano Martins – que esteve ligado durante vários anos a diversas entidades públicas e privadas da área financeira e económica – dá o seu exemplo para ilustrar a dificuldade de integração dentro da sociedade em Macau. “Vivemos numa bolha fechada, não tenho dúvidas”, começa por dizer. “Vivo em Macau há 38 anos e nunca me integrei em comunidade nenhuma”, argumenta. O mesmo declara que nunca foi considerado como local. “Raramente a comunidade macaense me convida para algum evento. Nós vivemos num gueto”, enfatiza. Albano acredita que este é o retrato genérico dos portugueses no território, “tirando um ou outro profissional” que, dada a sua posição na sociedade, “tem contactos para efectuar com as várias comunidades”, caso contrário “cada um faz a sua vida”.

Para o ex-funcionário da Autoridade Económica de Macau isto não é uma crítica, é apenas uma constatação. “Poucos saem de um rolo de amizades, muito pequeno, não há grandes sítios onde a comunidade possa estar globalmente”, afere.

O jornalista João Guedes corrobora da ideia de separação, e dá-lhe uma imagem em forma de mapa. “Macau é constituído por várias cidades, há a cidade chinesa, há a pequena aldeia portuguesa, a cidade filipina, há a cidade americana e australiana e a inglesa. Todas estas cidades convivem neste sítio. Não são realidades virtuais, e não se misturam”.

As diferenças culturais, que se reflectem na forma de estar são também uma componente importante neste fenómeno. Maria José Grosso garante ter muitos amigos chineses, e não faz diferença entre estes e os portugueses, mas é inegável que a maneira como interage com uns e com outros “é diferente”. “Os chineses vêm a minha casa e gostam muito de lá almoçar e jantar, mas o contrário já não é tão frequente. O amigo chinês convida para ir a um restaurante, mas eu tenho a sorte de ter um ou dois que me convida a ir a casa”, sublinha.

A professora reconhece que a sua experiência não é transversal, e que para os chineses há uma relação entre a amizade e a função. A de Maria José está bem identificada para eles. “É a de continuar a educar e a passar determinados conhecimentos, mas posso dizer que em Portugal não é muito diferente”, coloca a docente em perspectiva.

Maria José tem ao longo de algumas gerações apreciado a evolução das relações dos portugueses com os outros grupos, e descreve que não vê grandes diferenças ao longo dos tempos. “Nos documentos antes dessa data falava-se muito de diálogo entre a comunidade portuguesa e a comunidade chinesa. E eu a brincar dizia que o silêncio também é uma forma de comunicação”, garante. “Não há um racismo evidente entre comunidades. Aqui não o vejo nem da parte dos chineses, nem da dos portugueses, nem da parte de brasileiros, ou então devo ser uma mulher privilegiada”, afiança.

A língua e a dificuldade de os portugueses aprenderem o cantonês e o mandarim justifica outra parte do distanciamento com os locais. Há muitos que têm um nível rudimentar de conversação, mas que apenas chega para o dia-a-dia e pouco mais. Esta especialista diz que estas “são línguas tonais”, e se pronunciarmos mal um tom “significa logo uma coisa totalmente diferente”. Estas exigem de quem está a aprender muito trabalho, muito estudo. Talvez por isso, nenhum dos quatro entrevistados do Ponto Final fale ou escreva cantonês com fluência.

“Não falo cantonense, escrevo algumas coisas, percebo outras, foi uma opção que fiz. Em Macau, a língua dos negócios era o inglês, e essa foi aquela em que sempre apostei”. “Mas quem pretende ficar cá deve falar a língua local, não nos é feita segregação nenhuma, é assim que deve ser. Se não falarmos a língua local, estaremos sempre um pouco fora do circuito”, considera.

O facto de, durante muitos anos, o mundo dos portugueses em Macau se movimentar à volta do português também não ajudou, segundo Amélia António. “Os macaenses que dominavam as duas línguas eram um ‘pivot’ das relações da comunidade. As pessoas não tinham uma grande preocupação de aprender a língua a sério. Diziam umas coisas, era mais ou menos como a gente brinca com o francês do emigrante que chega a Portugal, que atira umas coisas que não se percebe muito bem”, graceja.

A mesma advogada diz ter a sensação de que antigamente os portugueses “estavam mais integrados”, porque viviam mais anos em Macau, e, por isso, naturalmente conheciam mais gente, estabeleciam mais relações de amizade. Já quem chegou mais recentemente, de uma maneira geral, não tem muito tempo para se integrar. “Há muita gente que vem dois ou quatro anos, uma comissão ou duas, e depois volta a casa. As pessoas vêm para aumentar o currículo, ver o Oriente, ter uma experiência nova, não vão criar grande entrosamento com quem está”, afiança.



Outra forma de analisar o nível de integração de uma comunidade estrangeira é o número de casamentos mistos. Apesar da ausência de números oficiais, a presidente da Casa de Portugal acredita que durante muito tempo eles existiram, e que “por isso é que havia uma grande comunidade macaense”.

Posteriormente, os que começaram a vir para esta região da China, estavam já enquadrados numa missão, e chegavam com a família para um par de anos no território, o que geralmente não propiciava esse tipo de relações. Mais recentemente, a advogada afirma que se volta a ver na rua mais casais mistos “porque chegou gente mais nova” que “vem solteira e livre” e, por isso, “essas situações acontecem”. “Mas não se trata de um movimento contínuo”, ressalva.

Mudar sempre e em força, mas os portugueses têm poder?

Durante anos e anos, os portugueses controlaram parte significativa da Função Pública, e instalaram-se nessas posições. Seriam poucos os que estavam fora dessa órbita.  Entretanto, nos últimos 20 anos tudo se alterou. A maioria dos que agora vêm, não é para a administração, mas para empresas privadas. “É gente que, com algumas excepções, tem formação especifica, em Direito, arquitectura, engenharia, electrónica, ou áreas artísticas”, identifica Amélia António.

Já João Guedes salienta a tradição do português na área jurídica de Macau, cidade em que “as dúvidas se esclarecem em português e a jurisprudência vai-se buscar a Portugal, porque ela não existe em Macau”. “É onde se sente mais a presença portuguesa. Os funcionários judiciais, os advogados e os juízes, muitos deles falam o português, e isso não se verifica nos outros sectores de actividade. É a grande área da presença nacional”, refere.

O crescimento da cidade para o Cotai, a ‘strip’ mais rica do Mundo, foi acompanhada pelos portugueses. Amélia António conta que quando as empresas dos casinos se instalaram, recorreram a gente que estava nos países de origem das empresas-mãe, “e não passaram cartão à existência dos portugueses”. “Mas depois perceberam que era mais fácil recrutar aqui, porque muitos de nós éramos residentes. Começaram a perceber a vantagem e a qualidade das pessoas. E hoje têm uma quota razoável em diferentes postos de trabalho”, valoriza.

E como é que esta reestruturação do posicionamento social se reflectiu no poder que a comunidade tem no território? João Guedes é peremptório: “Portugal deixou de ter qualquer poder, entregou-o à comunidade chinesa. Nós é que pensamos, creio eu, que ainda temos alguma influência em Macau, mas não temos. Temos alguns elementos da comunidade influentes, mas isso é diferente”.

Por outro lado, a presidente da Casa de Portugal crê que a capacidade de influenciar, de apresentar propostas, de certa maneira, se mantém. “Há um respeito pelo que acrescentamos a Macau. Se a comunidade portuguesa, a cultura portuguesa, não existissem, a contrabalançar com o restante, Macau era igual a Zhuhai”.

Esta diferenciação é muito valorizada quer nos documentos políticos, quer em vários discursos oficiais. Mas, muitas vezes, a sensação que fica é que estas ideias são mais retóricas do que práticas. Amélia António concorda com esta leitura da realidade, e crítica os muitos “lobbys de interesses”, que muitas vezes se sobrepõem à política do Governo, quer de Macau, quer do Governo Central. “Há quem se ponha em bicos dos pés em Macau, para se mostrar com mais amor à pátria do que os outros todos. As pessoas estão convencidas de que mostram o seu amor à pátria tentando empurrar para a frente, julgam que estão a fazer um grande serviço, e por isso temos em Macau pessoas mais papistas do que o Papa”, refere, sublinhando que neste território vive com uma população de ondas. O que quer dizer isso? “Não está com o espírito de ‘eu pertenço aqui’, como a população chinesa que é mesmo de Macau”.

Também Albano Martins não acha que o discurso que coloca Macau como plataforma entre a China e os países lusófonos tenha muita adesão à realidade, pelo menos numa dimensão que beneficie os portugueses. “Se me disser que os naturais de Macau que dominam a língua chinesa podem ser intermediários dessa plataforma, sim continuam a ser. Macau é uma plataforma quando o empresário português exporta para cá, mas não para criar mais postos de trabalho para os portugueses que estão na Europa”, descreve.

Se abanar, ainda cai?

No imaginário de qualquer português, que mal tenha ouvido falar do território, há uma imagem que se associa de imediato a Macau: a árvore das patacas. É um termo muito antigo que ficou na tradição oral. A expressão remonta a tempos ancestrais, quando os portugueses vieram para Oriente. João Guedes conta que nessa altura a prioridade número um era o comércio, e os negócios não davam lucros de 20%, mas sim de 100%, 200% ou 300%. “E ficou a árvore das patacas, que era a moeda mexicana, que corria aqui em Macau. A região tinha relações com o México, através de Manila”, justifica.

O jornalista e historiador acha que, apesar de os tempos serem outros, é natural que os portugueses continuem a chegar a Macau com essa expectativa, porque este é um local em que se vive substancialmente melhor em termos económicos. “Aqui não se pagam impostos. Só isso dá para fazer poupanças, coisas que são inimagináveis no nosso país”, valoriza.

Em Macau ganha-se bem porque há pleno emprego, e mesmo com as rendas de casas exageradamente altas “consegue-se viver bem”. “Pode-se viajar com frequência. É uma vida descansada. Não vivemos o estereótipo do emigrante que vem ganhar uma miséria. Aqui trabalha-se muito, mas ganha-se bem”, concretiza.

O economista Albano Martins não vê a questão da mesma maneira. Na realidade, observa-a de uma forma diametralmente oposta. “Neste momento, penso que é pouco interessante. O custo de vida é brutalmente elevado”, defende. A isso soma-se, na sua opinião, não haver oportunidades para os portugueses “que não tenham Bilhete de Identidade e Residência (BIR)”. “Os que não têm BIR não têm hipótese nenhuma de conseguir emprego cá”, identifica.

Albano dá o exemplo dos médicos, como uma das classes mais destacadas, e na qual se vêem poucos profissionais vindos de Portugal a chegar ao território. Na opinião deste economista, o “sonho de Macau” só funciona “para pessoas em início da vida, e que não se importam de bater com a cabeça, muitas vezes, até encontrar um emprego”.

Maria José Grosso discorda, e está convencida que Macau mantém um forte poder de sedução. A razão mais próxima são os paupérrimos salários que se praticam em Portugal. “Falo com professores, enfermeiros e ganham muito mal. Os vencimentos andam na casa dos 1000/1500 euros, são 15 mil patacas”, analisa, apontando para os rendimentos muito mais atractivos em Macau.

O português: património ou valor?

A língua é um dos activos históricos, culturais, mas também económicos, mais valiosos que os portugueses deixaram em Macau. Maria José, professora do Departamento de Português da UMAC, baliza, entre 1980 e 1999, como o grande período de ebulição da língua em Macau. Um dos factores de grande interesse, foi o ingresso à Função Pública em que “era um requisito necessário para subir na carreira”.

O IPOR surge e é criado um Departamento de Língua Portuguesa na Universidade de Macau, onde aparecem os cursos superiores. “Há toda uma efervescência em relação ao português”, relembra. À época, o tema dominante era o bilinguismo e a necessidade de o promover. Visto em retrospectiva, Maria José equipara o ambiente ao de “alguém que sente que vai partir e que quer fazer uma despedida em apoteose”.

As expectivas não saem do papel, e depois vive-se um período de limbo, quando se chega à conclusão de que em Macau seria muito difícil uma implementação massiva do português e do chinês. “Isso passaria por nós sermos também bilingues”, relembra.

Esta professora grante que não é por falta de verbas e de investimento que a língua portuguesa não tem feito mais progresoss. “São canalizados muitos esforços para a formação de professores na China, não há nenhuma parte do mundo em que se tenha feito tanto por isso”, enfatiza.

O problema é que depois não há consequências. “Não podemos dizer que A, B ou C têm culpa. É toda uma interacção”, explica, acrescentando que, formalmente, há muitas coisas a acontecer, mas os investimentos não são bem concebidos e são desfasados da realidade.

Maria José não dúvida que a língua portuguesa vai continuar e desta vez não arrisca grandes prognósticos. Em 1999, pensou que o idioma “ia ficar só ligado às ruas, ao nome das casas”, mas agora crê que “tudo tem a ver com as mudanças políticas” que se vão seguir. “Não imaginava que continuasse e desta forma, mas a própria política linguística da China mudou. Houve a preocupação com o português. Tem de haver um escoamento para a população ter emprego, e é nessa conjuntura que a própria China tem uma política pró-português”, que está muito relacionada com os negócios com os dois grandes países em termos de população da esfera da língua portuguesa, nomeadamente Brasil e Angola.

Esta professora acredita que o português é uma língua com futuro, porque é preciso comunicação para haver mais comércio. Mas ressalva que “há cartas para serem jogadas”, e “Hong Kong também terá um papel”. A docente projecta que, dentro de algumas décadas, o português vai continuar a ouvir-se e a estudar-se em Macau, mas não pela mão dos portugueses ou dos brasileiros, mas dos chineses que hoje a aprendem.

A diluir

Olhar para o futuro da comunidade portuguesa não é uma tarefa fácil, mas também não parece haver muito optimismo. O economista Albano Martins credita que a presença de Portugal far-se-á se houver “empresas portuguesas que para cá venham”, mas não acho “que as coisas se vão engrandecer”. “Haverá gradualmente, à medida que os tempos vão correndo, um regresso da comunidade a Portugal”, projecta.



Para Amélia António o quadro está, neste momento, bastante baço. “Muita coisa está a suceder, aquilo que se está a passar em Hong Kong pode ter uma influência em Macau. A cortina em relação ao futuro é muito opaca”, explica.



Ainda assim, quer crer que Macau pode ser uma bandeira importante da China, e que por razões de diferente natureza “a presença de Portugal continue a fazer a diferença”. Não é para amanhã nem depois, mas até 2049 as coisas vão-se alterar muito, segundo João Guedes. O jornalista e historiador olha para a política chinesa para a região, e aponta a Grande Baía como um projecto que foi criado para fazer desaparecer Macau e Hong Kong.

Como resultado, os pouquíssimos portugueses que cá ficarão, “cá continuarão” e “não haverá solavancos, nem empurrões”. Agora, é quase certo que, “como comunidade, desapareceremos”. “E isso é natural. Muito naturalmente, vamos caminhar para a extinção”, remata. João Malta – Macau in “Ponto Final”

joaomalta.pontofinal@gmail.com