Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inova no tratamento da leucemia mieloide aguda

Nova estratégia terapêutica que potencia quimioterapia contra a leucemia mieloide aguda deverá ser testada em colaboração com o IPO Porto


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova estratégia terapêutica, agora publicada na Science Translational Medicine, que pode melhorar a eficácia da quimioterapia e reduzir complicações graves associadas ao tratamento da leucemia mieloide aguda.

O grupo, liderado por Delfim Duarte, provou que a administração de transferrina, uma proteína que transporta ferro pela corrente sanguínea, em conjunto com a quimioterapia, melhora a recuperação da medula óssea, aumenta a sobrevivência e reduz as complicações infecciosas associadas à terapia convencional.

A leucemia mieloide aguda é tratada, na maioria dos casos, com quimioterapia intensiva. “Apesar de eliminar células cancerígenas com eficácia, este tratamento provoca toxicidade elevada, nomeadamente a acumulação excessiva de ferro nos tecidos”, explica 0 hematologista do IPO Porto e líder do grupo de investigação Hematopoiesis and Microenvironments do i3S.

Neste estudo, os investigadores testaram a administração de apotransferrina humana, uma forma de transferrina sem ferro, para captar esse mineral em excesso e redistribuí-lo para células saudáveis da medula óssea e do sistema imunitário.

Utilizando vários modelos experimentais, incluindo ratinhos com leucemia, a equipa demonstrou que esta abordagem reduz significativamente os níveis de ferro tóxico circulante após a quimioterapia.

Nova terapia reforça combate a infeções graves

A equipa estudou ainda a segurança desta estratégia no contexto de infeção grave, uma das principais causas de morte em doentes com leucemia mieloide aguda.

Num modelo experimental de infeção por E. coli, os animais tratados com apotransferrina sobreviveram mais tempo. “Não porque se eliminaram as bactérias, mas devido a uma resposta inflamatória mais controlada. A apotransferrina reduziu a inflamação excessiva, ajudando o organismo a lidar melhor com a infeção”, esclarece Marta Lopes, primeira autora do estudo.

Com base nestes “dados pré-clínicos promissores”, a equipa espera poder avançar, num futuro próximo, com um ensaio clínico, em colaboração com a unidade de ensaios de fase precoce do IPO Porto, que avalie o uso da transferrina como terapêutica adjuvante à quimioterapia.

“O objetivo é avaliar, de forma preliminar, a segurança e a eficácia desta combinação [transferrina e quimioterapia] em doentes com leucemia mieloide aguda”, conclui Delfim Duarte. Universidade de Porto


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Ministro da Educação sentiu na RAEM “a importância que a China dá à lusofonia”

Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia


Portugal e China vão reactivar a comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação, anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação, ciência e inovação.

O governante português adiantou que os dois ministros vão liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.

A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação, intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral nesta área.

De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em muitas áreas”, sublinhou.

O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os programas de dupla titulação.

“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para essa circulação de talento”, afirmou.

Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60 instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”, afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa ligação.

Questionado sobre as áreas científicas com maior potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida, considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.

Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar mais avançado nos próximos meses.

Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por ambos os países, como o envelhecimento da população.

O ministro destacou também o crescimento do ensino do mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60% nos últimos dois anos.

Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Internacional - Lisboa, Rio, Macau e Milão querem acelerar aplicação da investigação médica

A Universidade de Lisboa (ULisboa) está a liderar a criação de um mestrado, em quatro países, para acelerar a aplicação dos resultados da investigação médica fora do laboratório. O director da Faculdade de Medicina da ULisboa revelou à agência Lusa que o programa de mestrado está na fase de “instalação e criação”, no âmbito do projecto europeu Erasmus Mundus.

Além da ULisboa, o mestrado vai juntar a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM, na sigla em inglês) e a Universidade Humanitas, em Milão.

O programa de dois anos “visa criar uma linguagem comum em pessoas que têm licenciaturas ou em medicina ou outras áreas próximas”, explicou João Eurico Fonseca. O objectivo é formar “facilitadores da investigação de translação, portanto, de passagem do laboratório para a prática clínica, de investigação clínica, de empreendedorismo, de ligação às empresas”, acrescentou o especialista.

Os alunos vão receber formação em pelo menos três das quatro instituições que irão fazem parte do futuro mestrado, sublinhou o também director do Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

Fonseca falava no final de uma deslocação a Macau que incluiu uma reunião com a UCTM sobre o mestrado, mas também encontros com a Universidade de Macau (UM) sobre a criação da primeira faculdade de medicina pública da região.

A UCTM tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, que foi oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019.

O acordo sobre a Faculdade de Medicina da UM vai ser assinado “na próxima semana, em Lisboa”, pelo reitor da ULisboa, Luís Ferreira, e pelo reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, disse João Eurico Fonseca. Song Yonghua vai estar integrado na delegação que acompanha o líder do Governo de Macau, que irá visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de Abril, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que Sam Hou Fai tomou posse, no final de 2024.

“Estamos mesmo no final de todo este processo em que, na fase de validação, vai participar a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES)”, referiu João Eurico Fonseca.

Os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM, com inauguração previsto para 2028, poderão também obter o reconhecimento da ULisboa e assim exercer em Portugal, confirmou o dirigente.

Mas Fonseca sublinhou que, para isso acontecer, os finalistas da licenciatura em Medicina da UM terão ainda de fazer uma tese para completar o mestrado integrado da ULisboa.

Em Janeiro, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina vai ter quatro mil estudantes, no novo campus da instituição, que está a ser construído em Hengqin. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Lusa”


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Portugal - Vamos conhecer "a cidade do Porto de Júlio Dinis"?

Passeio integrado nas celebrações da Figura Eminente da Universidade do Porto 2025 vai ter lugar na manhã de 20 de setembro. Inscrição gratuita


Qual era o circuito habitual do médico e escritor Joaquim Guilherme Gomes? Que cidade era, efetivamente, aquela que conhecia e frequentava? O Porto de Júlio Dinis – Entre a Medicina e a Literatura é o tema do percurso pedonal que, no próximo dia 20 de setembro, nos vai levar para fora de portas. É mais uma iniciativa no âmbito do programa da Figura Eminente 2025.

Com partida do Edifício Histórico da U.Porto (Reitoria), esta caminhada convida à redescoberta do Porto Oitocentista. Como? Através do olhar e da sensibilidade de Júlio Dinis, aliás, Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871) – médico e escritor. Pelo caminho, haverá tempo para destacar o seu primeiro romance. Publicado em 1868, Uma Família Inglesa, desenrola-se no Porto e leva-nos a conhecer as narrativas de uma sociedade influenciada por comerciantes ingleses.

Entre ruas, edifícios e paisagens que moldaram a vivência pessoal e profissional do médico e escritor, o que se pretende é desatar os vínculos entre a sua formação médica e a sua produção literária que foi, efetivamente, marcada por uma constante atenção ao quotidiano, à psicologia das personagens e à realidade social da época.

O itinerário

O ponto de encontro, como já foi referido, será a Reitoria da U.Porto, mais especificamente às 11h00, no hall de entrada onde se encontra, em exposição, um coração de pendente, que terá sido uma oferta de Júlio Dinis a Ana P. B. D. Simões, juntamente com um desenho de Júlio Dinis feito por Abel Salazar.

Não esquecer que foi aqui, na antiga Academia Politécnica do Porto, que Júlio Dinis completou a sua formação académica e onde também foi professor.

Do edifício da Reitoria, iremos avançar para o Monumento a Júlio Dinis, localizado em frente ao Hospital de Santo António, local de onde se partirá em direção ao Hospital de São Francisco, no centro histórico do Porto, onde trabalhou o pai de Júlio Dinis. Deste ponto do percurso, basta descer em direção à Ribeira e, bem perto, iremos encontrar a Igreja de S. Nicolau. E por que motivo esta igreja faz parte do percurso? A razão é simples: foi nesta igreja que Júlio Dinis foi batizado.

Na rua da Alfândega, mesmo ali perto, fica o Arquivo Histórico Municipal do Porto. Será neste local, mais especificamente na Biblioteca de Assuntos Portuenses, que nos iremos dedicar à bibliografia de Júlio Dinis. Tarefa que permitirá aprofundar, com particular destaque, os “meandros” de Uma Família Inglesa.

O percurso seguirá, depois, para outro local muito especial. Este itinerário irá culminar a sua sexta etapa no local onde Júlio Dinis nasceu.

A condução deste percurso cultural caberá a Graça Lacerda, Técnica Superior na Divisão Municipal de Bibliotecas/Gabinete de Apoio às Bibliotecas e à Leitura da Câmara Municipal do Porto.

Embora já se tenha atingido o limite de inscrições, poderá contactar-nos para o caso de haver alguma desistência. Basta enviar um e-mail para: cultura@reit.up.pt

As Figuras Eminentes da U.Porto 2025

Júlio Dinis é uma das seis personalidades que, unidas pela ligação à U.Porto e pela formação em Medicina, vão ser celebradas ao longo do ano, através de um vasto e diversificado programa de atividades.

Do grupo das Figuras Eminentes da U.Porto 2025 fazem ainda parte o médico e arqueólogo José Leite de Vasconcelos (1858-1941), o médico e professor António Plácido da Costa (1848-1916), o médico e político Luís de Pina (1901-1972), a cientista e professora Maria de Sousa (1939-2020) e o médico e professor Daniel Serrão (1928-2017).

O programa de iniciativas irá prolongar-se até ao final do ano, de forma a celebrar o legado deixado por estas figuras que se destacaram pela obra e impacto que deixaram na sociedade. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 18 de junho de 2025

Angola - Mais de 130 médicos regressam ao país após formação em Cuba

Um grupo de 136 médicos angolanos na especialidade de medicina geral regressou, esta quarta-feira, ao país, após três meses de formação em Medicina Geral e Familiar, em Cuba


Os profissionais desembarcaram nas primeiras horas da manhã, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, onde foram recebidos pelo coordenador da Unidade de Implementação do Projecto (UIP) do Ministério da Saúde, Job Monteiro António.

Segundo um comunicado de imprensa enviado ao JA online, os médicos integram o Programa Emergencial de Formação de Recursos Humanos para a Saúde, financiado pelo Banco Mundial, que tem como meta capacitar 38.000 profissionais de saúde até 2028, reforçando o compromisso com a cobertura universal da saúde em Angola.

Durante a recepção, os formandos expressaram gratidão ao Governo angolano, ao Ministério da Saúde e às instituições parceiras pelo investimento feito na formação de quadros nacionais.

“Voltamos com mais ferramentas, conhecimento técnico e sensibilidade para responder com eficácia às necessidades do nosso povo. Agradecemos ao Governo de Angola e ao Banco Mundial por tornarem este sonho possível”, afirmou Lívia Kitembo, médica da província de Luanda.

Também da capital, a médica Solange Manuel sublinhou que a formação em Cuba reforçou não só a nossa competência clínica, mas também o compromisso com a humanização do atendimento. "É uma aposta ganha para o sistema nacional de saúde", enfatizou.

Já Rogério Chipoia, da província do Moxico destacou a importância de uma nova abordagem preventiva na saúde pública

"Apelamos aos munícipes a procurarem os serviços médicos atempadamente, mesmo em situações menos graves. O nosso papel é orientar e acompanhar, evitando sobrecargas nos hospitais e agravamento de casos que poderiam ser evitados".

Ministra da Saúde recebe profissionais

A nota adianta, que os médicos recém-chegados serão recebidos oficialmente pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, no Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória Espírito Santo, em Luanda, numa cerimónia de boas-vindas que incluirá felicitações institucionais e a partilha das metas da nova fase do programa.

A formação decorreu entre Março e Junho de 2025, como parte da preparação para a prova de título profissional agendada para Setembro, sendo a especialidade de Medicina Geral e Familiar uma das prioridades do Ministério da Saúde para garantir a expansão e qualidade dos cuidados de saúde primários em todo o país.

Este regresso simboliza o início de uma nova fase no sector da saúde, em que o saber adquirido no exterior será colocado ao serviço do povo angolano, com dedicação, conhecimento e compromisso renovado com o bem-estar das comunidades. In “Jornal de Angola” - Angola


terça-feira, 17 de junho de 2025

Macau - Médicos formados pela Universidade de Macau vão poder exercer em Portugal

Universidades de Lisboa e Macau vão oferecer curso de Medicina em co-tutela, com reconhecimento mútuo e aposta na investigação científica


A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ULisboa) está a colaborar com a Universidade de Macau (UM) para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse à Lusa um dirigente da ULisboa.

Luís Graça explicou que os cursos vão funcionar em co-tutela, permitindo aos médicos formados na UM obterem “uma equivalência e um reconhecimento” pela Faculdade de Medicina da ULisboa.

Entre as vantagens estará “permitir assim que os médicos formados aí no território [Macau] possam também exercer medicina em Portugal”, sublinhou o investigador.

Em dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que a ULisboa vai ajudar a criar a primeira faculdade de medicina pública de Macau, no novo campus da instituição, em Hengqin.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM, Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Luís Graça, especialista em imunologia de transplantes, demonstrou também entusiasmo com potenciais colaborações entre as duas universidades na área da investigação científica.

“Se nós pensarmos em termos de ciência, o reforço do potencial científico de ambas as instituições com uma colaboração próxima entre si é algo que claramente vai beneficiar ambos os lados dessa parceria”, disse o dirigente.

Graça disse que a Faculdade de Medicina da ULisboa está a organizar o primeiro simpósio para reunir os investigadores da instituição e da UM, com vista a promover projetos conjuntos de investigação.

A faculdade tem tido “colaborações pontuais de investigadores com investigadores de outras universidades chinesas”, uma vez que “é importante uma proximidade com locais onde se faz ciência de excelência e ensino de excelência”, disse o diretor.

Mas Graça disse que a colaboração com a UM é “mais institucional (…) e pode permitir um reforço ainda maior dessas parcerias”. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Macau - Dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram a exercer a profissão devem ser recrutados

Dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram para virem exercer a profissão para Macau deverão ser contratados, indicaram os Serviços de Saúde. Outros dois médicos ainda necessitam de informações complementares e análises para serem recrutados

Os Serviços de Saúde vão propor a contratação de dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram para integrar a rede hospitalar do território, disse à Lusa este departamento governamental.

“Após a apreciação curricular do Centro Hospitalar Conde de São Januário, é proposta a contratação de dois médicos especialistas de Medicina Interna”, escreveram os Serviços de Saúde num email enviado à Lusa na sexta-feira à noite.

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, esteve no final de Maio em Portugal para abordar a possibilidade do recrutamento de profissionais portugueses.

Em Outubro, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, referiu que, de um total de 12 médicos portugueses que se candidataram para trabalhar na região, oito reuniam os requisitos para integrar a rede de saúde local.

Contudo, no mês seguinte, admitiu que dos oito pré-seleccionados para trabalharem em Macau, no novo Hospital das Ilhas, alguns já tinham desistido do processo, de acordo com a TDM. À margem do programa radiofónico “Fórum” do canal da rádio da TDM em língua chinesa, o responsável notou que os especialistas invocaram razões pessoais.

À Lusa, os Serviços de Saúde vêm agora dizer que, dessas oito candidaturas, quatro foram submetidas por “portadores de bilhete de identidade de residente (BIR) de Macau, pelo que necessitam de obter a acreditação antes de preencherem os requisitos legais para o ingresso na carreira”.

“Quanto aos restantes quatro, que são portadores de passaporte de Portugal, após a apreciação curricular do Centro Hospitalar Conde de São Januário, é proposta a contratação de dois médicos especialistas de Medicina Interna, sendo que os outros dois ainda necessitam de informações complementares e análises”, concluiu.

No final de Novembro, os Serviços de Saúde tinham dito à Lusa que, “de acordo com a situação dos recursos médicos” no território, as autoridades “continuam a recrutar os médicos especialistas com qualificações especiais, que estão em falta em Macau”.

O novo Hospital Peking Union de Macau vai entrar em funcionamento, “a título experimental”, no final deste ano, reiterou o Governo em Outubro. Situado no Cotai, a infraestrutura tem uma área bruta de construção de cerca de 430 mil metros quadrados e é o maior complexo de cuidados de saúde do território.

O coordenador do Gabinete Preparatório do Centro Médico de Macau do novo hospital anunciou, em Setembro, a abertura de concurso para preencher 200 vagas para médicos, enfermeiros, funcionários técnicos e administrativos. Em declarações à Ou Mun Tin Toi, Lei Wai Seng não excluiu a contratação de médicos do exterior, incluindo de Portugal.

Ainda recentemente, numa interpelação escrita ao Governo, o deputado Che Sai Wang citou dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), dizendo que, até 2022, havia 1965 médicos em Macau, ou seja, “2,9 médicos por cada mil habitantes”.

“Estabelecendo a comparação com os países desenvolvidos, verifica-se que o número médio de médicos por cada mil habitantes é de 3,2 a 3,9, portanto existe ainda uma certa distância. Isto demonstra que o número de médicos em Macau não é suficiente para satisfazer as necessidades de assistência médica dos residentes”, salientou.

Em resposta, Alvis Lo notou que os planos das autoridades apontam para três médicos por cada mil habitantes em 2025. Quanto aos passos seguintes, o diretor dos Serviços de Saúde garantiu que “será também intensificada a formação de pessoal”.

“Tendo em conta a procura de serviços de especialidade em Macau, os recursos humanos existentes e os necessários no futuro, será definido o número de vagas para a formação de médicos especialistas em Macau, e as diversas instituições de formação iniciarão, em breve, a formação de médicos especialistas, envolvendo mais de 60 vagas”, lê-se na resposta de Lo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 27 de julho de 2023

Macau – Chefe do Executivo destaca “base sólida” no ensino de português

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng reuniu-se na quarta-feira, na Sede do Governo, com o reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira. Segundo um comunicado do Executivo, o encontro serviu para uma troca de opiniões sobre temas como aprofundar a cooperação nas áreas da investigação científica, ensino, formação de quadros qualificados, bem como promover o desenvolvimento do ensino superior para ambas as partes, entre outros.


Na ocasião, o Chefe do Executivo aproveitou para salientar que Macau “possui uma base sólida e vantagem para o desenvolvimento sustentável do ensino de português, investigação científica e académica e formação de quadros qualificados na área do turismo”. “Nos últimos anos, as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal têm concretizado vários projectos de cooperação, que consolidam a parceria entre as partes nas áreas do ensino superior e tecnologia, criando oportunidades de desenvolvimento de alta qualidade”, referiu o líder do Governo, esperando que possam acelerar, em conjunto, os projectos no âmbito do acordo de cooperação na área da medicina, assinado pela Universidade de Lisboa e Universidade de Macau. Ao mesmo tempo, Macau continuará a desempenhar o seu papel de plataforma, promovendo a cooperação de investigação científica e académica entre as instituições de ensino superior de Macau, Portugal e o Interior da China, e ajudar o intercâmbio de alta qualidade entre as instituições de ensino superior do Interior da China e de Portugal, acrescenta a nota do Executivo.

O reitor Luís Ferreira, por sua vez, referiu que a visita lhe permitiu conhecer “o rápido desenvolvimento da Universidade de Macau em áreas diversas nos últimos anos”, incluindo a criação de vários laboratórios de referência do estado e a consecução de múltiplos resultados científicos inovadores. “A Universidade de Lisboa é a maior instituição pública de ensino superior em Portugal com uma longa história. A universidade possui uma das melhores capacidades em investigação científica do mundo na área da medicina, com laboratórios avançados e resultados de investigação científica de nível mundial. Espera que, no futuro, a Universidade de Macau e a Universidade de Lisboa possam cooperar de forma prática na área da medicina, contribuindo para Macau em matéria de investigação científica, desenvolvimento académico e formação de quadros qualificados e melhorando a vida da população de Macau”, disse Luís Ferreira.

No encontro estiveram ainda presentes o reitor a Universidade de Macau, Song Yonghua, e o vice-reitor, Rui Martins. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Macau – Presidente da Casa de Portugal preocupada com quebra de funcionários públicos portugueses

Amélia António, advogada e presidente da Casa de Portugal, disse à Tribuna de Macau que a não reposição de funcionários públicos portugueses é algo que a preocupa, principalmente em determinadas áreas como a Medicina, Direito ou Educação. Por outro lado, defendeu que mesmo que haja oportunidades de emprego na RAEM será difícil trazer pessoas de Portugal. “O clima, a ideia que se instalou relativamente à situação de Macau é de difícil aceitação por muitas pessoas”, afirmou

A não reposição de funcionários públicos portugueses é uma questão que inquieta a presidente da Casa de Portugal, que aponta que há áreas-chave em que o fenómeno é particularmente preocupante. “Não vejo portugueses a vir para a Função Pública e da própria Função Pública têm saído pessoas que fazem cá falta. Em termos oficiais não vejo que as pessoas que saem sejam repostas por outras com o mesmo tipo de formação, sobretudo por causa da língua”, afirmou Amélia António em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

“Isso preocupa-me, porque há muitas áreas onde faz falta, por um lado, a formação e a preparação das pessoas e, por outro, a abertura que isso significa em termos de cabeça, em termos de troca de ideias. Tudo o que seja estreitar um universo é mau”, defendeu a também advogada há mais de 30 anos no território.

Questionada sobre a que sectores se referia, Amélia António disse que as mais óbvias são a Medicina e o Direito, “duas áreas particularmente preocupantes”, mas também a Educação. “O Ensino é muito importante e a todos os níveis. Para Macau desempenhar o papel que supostamente se lhe atribui, o Ensino é muito, muito importante”, apontou. “Estas são áreas de formação que mexem com a vida das pessoas e por isso são particularmente preocupantes”, frisou.

De acordo com as estatísticas disponibilizadas pelos Serviços de Administração e Função Pública, o número de trabalhadores vindos de Portugal tem vindo a decrescer ao longo dos últimos anos. Em concreto, desceu de 276 em 2019 para 265 em 2020. E no ano passado a tendência manteve-se, com um total de 244 funcionários públicos naturais de Portugal.

Já no que respeita ao sector privado, Amélia António admite que “se as coisas melhorarem bastante” possa haver abertura para pessoas com certo tipo de formação. “Mas tudo vai depender do clima que aqui se viver”, prosseguiu.

Interesse em vir?

Se os portugueses continuarão interessados em vir para o território havendo oportunidades, Amélia António disse que é difícil avaliar neste momento, mas considera que não haverá muita facilidade em trazer pessoas. “A sensação que tenho é exactamente a oposta. Neste momento, mesmo havendo hipóteses de trabalho, não é fácil recrutar pessoas para Macau, porque o clima, a ideia que se instalou relativamente à situação de Macau é de difícil aceitação por muitas pessoas”.

“Acho que tem sido muito negativa a campanha que tem sido feita relativamente a Macau. Falo do clima que se vive, falo das pessoas que têm saído, e algumas delas demasiado zangadas com Macau, e que vão passando uma mensagem negativa que desencoraja muito as pessoas”, acrescentou.

Amélia António sublinhou que muitas pessoas têm abandonado o território, o que representa uma “perda” para a comunidade. Na sua perspectiva, a questão do emprego dependerá do impacto que as medidas agora implementadas venha a ter. “Se a vida normalizar, pode ser que haja possibilidade de algumas pessoas voltarem ou de virem novas pessoas para certas funções”, apontou.

Recentemente, as autoridades da RAEM anunciaram uma mudança de direcção na política de combate à covid-19 e desde então têm sido muitas as alterações às medidas implementadas. Ainda que as quarentenas para quem chega do estrangeiro se mantenham no esquema “5+3”, agora já é permitido que as pessoas infectadas cumpram isolamento domiciliário.

A advogada olha para as alterações com “optimismo”, no entanto, lamentou que não tenha havido uma evolução ao longo do tempo: “Isto põe as pessoas nervosas, porque julgam que estão muito seguras e depois de repente acham-se inseguras. Mas isso era um caminho que tinha de ser feito. Tenho esperança de que este caminho seja para um futuro melhor”.

Recorde-se de que não há muito tempo o deputado José Pereira Coutinho disse, em entrevista à Lusa, que tem dúvidas sobre se vão continuar a existir oportunidades de emprego no território para os portugueses, tal como acontecia no passado. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 15 de julho de 2022

Macau - Académico pede mais cooperação comercial luso-chinesa na energia verde e medicina

O pró-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng, assegurou que Macau deve aproveitar plenamente as suas vantagens para promover o desenvolvimento comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O também presidente do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa da mesma universidade espera que a cooperação possa incentivar mais financiamento na exploração em actividades relacionadas com a energia verde e a indústria médica

A RAEM deve desfrutar das suas vantagens de localização geográfica e multilinguismo para aprofundar o desenvolvimento comercial entre a China e os Países Lusófonos, nomeadamente na vertente de cooperação em energia verde e na indústria da medicina, defendeu o pró-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng, numa palestra online sobre a relação comercial luso-chinesa em Guangdong.

O professor asseverou que Macau, enquanto plataforma sino-lusófona, precisa de tirar pleno partido das políticas favoráveis para proporcionar facilidade e comodidade aos empreendedores, especialmente às Pequenas e Médias Empresas relacionadas, incentivando mais empresas locais a utilizar o Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa para explorar o mercado nos países lusófonos.

“Ao fortalecer o contacto entre as empresas e as instituições de Macau e dos Países de Língua Portuguesa, por meio do financiamento de negócios e injecção de capitais, Macau pode cultivar novas vertentes de crescimento económico e comercial nas áreas de energia verde, sector médico e de cuidados de saúde”, afirmou Ip Kuai Peng.

No que diz respeito a energias limpas, recorde-se que a RAEM tem realizado, desde 2008, o evento anual do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental (MIECF), ajudando a promover as novas oportunidades de negócio das empresas locais, do interior da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já na edição do ano passado, mais de 400 empresas do interior da China, Brasil, Portugal, Hong Kong e Macau apresentaram mais de 700 produtos e serviços de tecnologias biodegradáveis e de gestão e tratamento de resíduos.

A referida palestra acerca da cooperação empresarial luso-chinesa foi realizada na passada quarta-feira, com organização do Ministério da Educação da República Popular da China e da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong.

Na ocasião, Ip Kuai Peng destacou que as redes comerciais internacionais e o multiculturalismo de Macau podem levar a cabo o acesso das actividades comerciais luso-chinesas no mercado da União Europeia, da América Latina e de África, de forma a promover a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e elevar o nível de cooperação em negócios e investimento com os países de língua portuguesa, acelerando a “dupla circulação” do País em nível nacional e internacional.

“Aliado às vantagens das empresas nacionais e aos objectivos do desenvolvimento e construção dos países de língua portuguesa africanos, as empresas do Continente devem tomar a iniciativa de liderar ou acompanhar as empresas de Macau para avançar nos investimentos, financiamentos, licitações, transferências de técnicas, e participar nos projectos de construção de infraestruturas desses países lusófonos, em prol do desenvolvimento económico e da melhoria da vida dos cidadãos de todas as partes”, sugeriu o académico.

O também presidente do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau salientou na palestra que, com o apoio do Governo Central, Macau desempenha o seu papel para construir uma plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa e para aprofundar a relação entre as partes.

“No ano passado, o volume do comércio entre a China e os países lusófonos aumentou cerca de 20 vezes em relação ao início do estabelecimento do Fórum de Macau. O montante de investimento directo fora da categoria de finanças marcou um crescimento de 50 vezes. Dado que o campo de cooperação económica, comercial e de investimento são mais amplos, a função de Macau enquanto plataforma sino-lusófona e ponte de ligação foi ainda mais consolidado”, adiantou.

Além disso, Ip Kuai Peng considera importante que Macau se concentre no reforço das funções da plataforma sobre os serviços financeiros prestados a empresas do interior da China e dos países lusófonos, contribuindo para o fluxo de capital. Na perspectiva do mesmo professor, tendo em conta a promulgação do Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, a RAEM deve esforçar-se no desenvolvimento direccionado de negócios financeiros modernos, fazendo progresso nos serviços da liquidação em renminbi e atraindo recursos financeiros internacionais de alta qualidade. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”

 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Brasil - Vai discutir reconhecimento dos médicos em reunião bilateral com Portugal

O governo do Brasil vai abordar a questão do reconhecimento dos médicos que pretendem exercer em Portugal na próxima reunião bilateral, segundo fonte do Ministério das Relações Exteriores, confirmando que tem recebido queixas.

A fonte oficial adiantou que o assunto vai ser colocado na agenda da próxima reunião da subcomissão de educação e reconhecimento de graus e títulos, que junta as diplomacias de Portugal e Brasil e deverá acontecer “em meados do ano”.

O assunto do reconhecimento dos médicos brasileiros regressou à agenda depois de a Lusa ter escrito, há duas semanas, vários textos sobre os clínicos estrangeiros que pretendem exercer em Portugal, questionando as entidades com responsabilidades na matéria.

À Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, Miguel Guimarães, falando sobre o modelo de seleção de candidatos estrangeiros a exercer medicina em Portugal, deu como exemplo o Brasil, “o país do mundo com mais cursos de Medicina”, cuja duração pode variar de um a seis anos.

“O Brasil tem os piores e os melhores cursos de Medicina”, disse, comentando que “abrir uma escola médica no Brasil é muito fácil” e que “a maior parte dos médicos brasileiros não estão inscritos na Ordem dos Médicos brasileira”.

As declarações de Miguel Guimarães motivaram queixas e pedidos de esclarecimento por parte de médicos brasileiros em Portugal, confirmou à Lusa a fonte diplomática, sublinhando que o Ministério das Relações Exteriores “não vai polemizar publicamente com o bastonário da Ordem dos Médicos”, o que seria “contraproducente”. Porém, não deixou de assinalar que Miguel Guimarães referiu “indicações não verdadeiras” sobre os cursos de medicina no Brasil.

O Itamaraty – frisou – tem prestado “continuamente atenção a episódios como este” e relatado a Brasília “os obstáculos que identifica no livre exercício profissional”, tendo por referência o Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil.

Assinado em 2000, o tratado inclui, no artigo 12.º, um “Estatuto de igualdade entre portugueses e brasileiros”, que estabelece que “gozarão dos mesmos direitos e estarão sujeitos aos mesmos deveres dos nacionais desses Estados”, especificando, no artigo 39.º, que “os graus e títulos acadêmicos de ensino superior concedidos por estabelecimentos para tal habilitados” serão reconhecidos por ambas as partes, desde que tenham “uma duração mínima de três anos” e que não haja “diferença substancial entre os conhecimentos e as aptidões atestados pelo grau ou título em questão”.

O Brasil vai voltar a pôr o tema na agenda, “com vista a procurar uma solução construtiva” e, para isso, e porque a subcomissão permite “chamar órgãos reguladores”, o Itamaraty entende que, à luz deste episódio, é de “mobilizar o Conselho Federal de Medicina” brasileiro “para encetar um diálogo mais intenso com a sua congênere” portuguesa, a Ordem dos Médicos.

O CFM não se pronunciou, mas a entidade tem sido chamada a intervir em grupos privados de mensagens frequentados por médicos brasileiros que vivem e trabalham em Portugal.

Até meados de dezembro passado, Portugal contava com 16967 clínicos de nacionalidade estrangeira (28,4% do total). Segundo dados da Ordem dos Médicos, os espanhóis lideram o grupo, com 38,9%, seguindo-se os brasileiros, com 19,9%.

Quem se candidata a exercer medicina em Portugal tem, no mínimo, um ano civil inteiro pela frente, para cumprir dois requisitos exigidos para a inscrição na Ordem dos Médicos: ver reconhecido o curso/grau por qualquer uma das oito Escolas Médicas portuguesas e demonstrar que sabe comunicar em português.

Para os que chegam de fora da União Europeia, o reconhecimento é condicionado pelas entidades que regulam a atividade médica, passando por uma avaliação de conhecimentos acadêmicos, clínicos e linguísticos, assegurados, primeiro, pelas Escolas Médicas portuguesas e, depois, pela Ordem dos Médicos, com uma prova de comunicação médica.

Portugal aprovou, nos últimos três anos, 42,2% dos pedidos de candidatos a médicos oriundos de países estrangeiros, três quartos dos quais brasileiros, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Internacional - Startup portuguesa que luta contra o cancro vence prémio

A startup portuguesa Dioscope, que criou uma plataforma para a formação médica e criação de sistemas de apoio à decisão clínica em hospitais, venceu a competição internacional ‘Building Bridges, Beating Cancer’, organizado pela farmacêutica Novartis e pelo grupo nórdico Scanbalt

O ‘Building Bridges, Beating Cancer’ é um evento e uma competição internacional de empreendedorismo que procura soluções inovadoras no âmbito da saúde digital para eliminar as diferenças e desigualdades no acesso ao tratamento do cancro na Europa.

Entre faculdades, centros de pesquisa, e startups, a Dioscope foi a única vencedora das duas competições a concurso: arrecadou o prémio de ‘Top Project’, para a melhor iniciativa que está a quebrar barreiras no acesso às terapias oncológicas, e venceu o desafio de empreendedorismo ‘Hackathon’, que decorreu entre os dias 22 e 26 de novembro.

O ‘Top Project’ vencedor da Dioscope é o “oncologista virtual”.

Neste momento, as doenças oncológicas são a primeira causa de morte na Europa, enquanto em Portugal, são diagnosticados anualmente cerca de 40 mil casos de cancro. Para combater a falta de médicos especialistas em cancro que se faz sentir a nível global, a Dioscope criou o “oncologista virtual”, uma solução inovadora que presta ajuda aos médicos de família em tempo real, melhorando o diagnóstico e tratamento precoce dos doentes com cancro.

Fundada em 2018 pelo médico Tomás Pessoa e Costa, a Dioscope é uma startup de formação médica e criação de sistemas que volta a ser reconhecida internacionalmente. No ano passado, foi a primeira empresa portuguesa a vencer os ‘WSA European Young Innovators’, iniciativa do âmbito da ONU que premeia os projectos Europeus com maior impacto social.

Os sistemas de apoio à decisão clínica são uma forma de melhorar a eficácia dos serviços hospitalares, previnem o erro médico e melhoram a articulação entre as várias especialidades. No entanto, o custo e a adaptação dos sistemas para cada hospital, são limitações para uma implementação generalizada.

Com a criação de uma plataforma de criação de sistemas de decisão customizável, a Dioscope conseguiu eliminar o esforço de desenvolvimento de um sistema próprio para cada hospital, mantendo a autonomia das equipas médicas na gestão e adaptação de cada algoritmo de decisão. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 6 de novembro de 2021

Cabo Verde - Formados 17 médicos fruto de uma parceria Uni-CV/ Universidade de Coimbra


Cidade da Praia – Cabo Verde já conta com mais 17 médicos, formados, fruto de uma parceria entre a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e a Universidade de Coimbra (Portugal), através do primeiro mestrado integrado em Medicina.

O projecto, implementado em 2015, foi concluído hoje no Campus de Palmarejo Grande, na Cidade da Praia, com a cerimónia de outorga. Na ocasião, o director da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Robalo Cordeiro, comprometeu-se em inscrever os novos médicos cabo-verdianos na Associação dos Antigos Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra, “para continuarem a vivenciar a Academia”.

“Essa formatura representa um privilégio, orgulho e uma honra por serem alunos exemplares e com um nível de dedicação muito da acima da média”, salientou o responsável, considerando os novos médicos “exemplos” de todos aqueles que passam pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Robalo Cordeiro comprometeu-se também em alargar o âmbito deste projecto a nível da formação avançada, nomeadamente ao programa de doutoramento em Ciências da Saúde.

Acrescentou   ainda a criação   de vagas para que docentes da Universidade de Cabo Verde, antigos estudantes e outros licenciados, ao abrigo deste protocolo, para que possam ter entrada nesse programa de doutoramento.

Por sua vez, a reitora da Uni-CV, Judite Nascimento, salientou a consecução desse desiderato, considerado mo princípio “ousado e ambicioso”, por criar condições para a formação dos médicos, em parceria com a Universidade de Coimbra.

“Em Março de 2024 após a tomada de posse de reitora da Uni-CV solicitei um encontro com o então primeiro-ministro para apresentar as metas e os desafios do novo programa para o mandato de quatro anos (…) e foi considerado um programa muito ousado por ser o maior desafio da instituição”, explicou Judite Nascimento.

A partir daí, segundo a responsável, criou-se “um grande compromisso e uma conexão” entre a vontade política e uma instituição académica, “capaz de conduzir o sonho e a ambição num projecto exequível”, permitindo ao País melhorar os seus indicadores de qualidade de sistema da saúde e “formar médicos competentes”.

Hagi Lopes, em representação dos formados, disse à Inforpress que foi “um percurso árduo”, mas com “um fim triunfante”, depois de três primeiros anos em Cabo Verde e mais dois em Portugal.

“Tivemos uma boa capacidade de respostas e de adaptação e nós os finalistas e o País estamos de parabéns por abraçarmos este projecto”, notou Hagi Lopes, que classificou este modelo integrado de formação de “exigente e competente”.

Este projecto, instituído em 2015, foi desenhado com a finalidade de formar médicos cabo-verdianos, na tentativa de colmatar a necessidade do sistema de saúde e consequentemente melhorar a qualidade dos cuidados prestados à população.

O primeiro mestrado integrado em Medicina, com duração de seis anos, é uma iniciativa conjunta das universidades de Cabo Verde (Uni-CV) e de Coimbra (UC).

O curso arrancou com 25 alunos, sendo 20 cabo-verdianos e cinco dos restantes países africanos de língua portuguesa, seleccionados num universo de mais de 100 candidaturas, com exigência de média de 17 valores.

O primeiro ano do curso teve um corpo docente de 14 professores, dos quais sete cabo-verdianos e outros tantos portugueses, com salários pagos pela UC, enquanto a Uni-CV, com sede na Cidade da Praia, arcou com um suplemento e despesas de deslocação e estadia dos docentes lusos. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Suíça - "Nanotecnologia é o remédio do futuro"

A nanotecnologia poderá personalizar os tratamentos médicos e ajudar até na cura do cancro, afirma Cornélia Palivan. A ilustre pesquisadora suíça ressalta os potenciais da tecnologia, mas lembra que muita coisa continuará ficção científica


Ao escutar o prefixo 'nano', alguns podem mais lembrar um filme de ficção científica. No entanto, a nanociência significa simplesmente uma técnica de manipulação de partículas numa escala nanométrica, ou seja, molecular. "Uma tecnologia que deve inspirar mais esperança do que receio", insiste Cornelia Palivan, professora de química na Universidade da Basileia e membro do Instituto Suíço de Nanotecnologia.

Swissinfo: A senhora considera possível imaginar uma realidade como a retratada no nosso conto de ficção científica: nanotecnologia injetada no corpo humano, assumindo o seu controlo e até manipulando pessoas?

Cornelia Palivan: Diria que não. Nós estamos muito longe desse cenário. Os chamados "nanobots" ainda são ficção científica. Seria algo fascinante, mas surreais. Poderia pensar, no máximo, no perigo das nanopartículas de engenharia, que contêm compostos tóxicos ou armas químicas e biológicas potencialmente muito letais desenvolvidas pelos governos. Mas aqui estamos falando de venenos e isso não tem nada a ver com o tamanho. O rótulo 'nano' não define uma boa ou má tecnologia, mas sim identifica uma forma de resolver problemas a nível molecular. Isto pode ser extremamente útil, especialmente na medicina.

SI: Como se desenvolve hoje a nanotecnologia?

C.P.: O meu grupo trabalha na implementação da nanotecnologia em vários campos, indo da medicina, ecologia e até chegamos na ciência de alimentos. Estamos fazendo isso através do desenvolvimento dos chamados "materiais bio-híbridos", que são obtidos pela combinação de biomoléculas - como proteínas e enzimas - com materiais sintéticos em quantidades muito pequenas. São compartimentos (cápsulas muito pequenas) em uma nano- ou microescala que não excedem 100 nanômetros de raio e dentro dos quais encapsulamos, por exemplo, enzimas que agem uma vez que estas cápsulas são absorvidas pelo corpo.

Um dos problemas na medicina é que as biomoléculas contidas nos medicamentos perdem rapidamente a eficácia. Com materiais bio-híbridos, como os nossos nanocompartimentos, é possível manter a plena funcionalidade das proteínas e enzimas e garantir que elas realizem as suas atividades. Além disso, graças a estas "nano cápsulas" sintéticas, as biomoléculas são protegidas e permanecem intactas.

SI: A nano-medicina poderia ser mais eficaz do que os tratamentos atuais?

C.P.: Sim, mas não se trata apenas de uma questão de eficácia. Na medicina, o maior desafio hoje é tornar os medicamentos também mais seguros, reduzindo os efeitos colaterais. Qualquer pessoa pode ir à farmácia e comprar pílulas de cores diferentes para tratar de diferentes doenças. Mas a questão é saber o que elas contêm. A ideia é que o médico do futuro não irá apenas prescrever medicamentos aos seus pacientes, mas também certificar-se de que o medicamento funcione no lugar certo e não seja tóxico para outras partes do corpo. Isto é o que todos esperam quando vão à farmácia. Desse ponto de vista, a nanotecnologia pode ajudar, pois permite que esses portadores sejam "projetados".

Trabalhar com nanotecnologia significa tentar copiar a natureza para entender como uma proteína específica age dentro de uma célula e substituí-la onde for necessário se ela estiver ausente devido a uma doença. Se recorrermos à solução clássica, a introdução de moléculas em pó, como é o caso da maioria das drogas, o risco é que em algumas situações as substâncias não consigam entrar nas células porque são grandes demais para serem aceitas.

Um exemplo bem conhecido são as vacinas baseadas na tecnologia do RNA mensageiro (como a utilizada nas vacinas contra o Covid-19): o ácido ribonucleico ou RNA é incorporado em nanopartículas que atuam como vetores. Estes vetores protegem a molécula e a transportam para onde ela é necessária. Sendo projetadas quimicamente, é mais fácil para estas nanopartículas serem aceitas pelas células.

SI: Existe algum risco associado à nanotecnologia, já que se trata de uma técnica nova?

C.P.: Obviamente os riscos existem. Mas é difícil dizer quais são, pois são necessários vários anos de testes e resultados clínicos antes que possam ser totalmente avaliados. Portanto, é normal que as pessoas façam perguntas. Por exemplo, no caso das vacinas contra o Covid-19, sabemos que elas funcionam bem e conhecemos os efeitos a curto prazo, mas ainda não conhecemos os efeitos a longo prazo porque ninguém teve tempo de estudar em profundidade algo que apareceu há um ano e meio atrás. Portanto, estes riscos a longo prazo têm que ser enfrentados pela ciência.

Mas gostaria de dizer uma coisa muito importante: para serem comercializados, os medicamentos estão sujeitos a anos e anos de pesquisas, estudos e até mesmo testes fracassados. Pode ser um processo muito frustrante porque cada vez que você falha uma etapa, é preciso começar de novo. Mas isto é inevitável, pois o corpo humano é uma máquina muito complexa. Além disso, é importante garantir a segurança do medicamento. Isto também é verdade para a nanotecnologia: por mais promissoras que sejam as soluções criadas, se não conseguirem passar por todas as etapas experimentais são expulsas.

SI: Em que campos a nanotecnologia poderia fazer uma diferença no futuro?

C.P.: Na medicina, certamente no diagnóstico e tratamento do cancro. As nanopartículas são conhecidas como agentes de contraste e podem ser muito úteis para identificar tumores em áreas específicas do corpo ou para monitorizar a direção das células tumorais. Além disso, a nanotecnologia dá um impulso significativo à medicina personalizada e de precisão, essencial no tratamento do cancro. Este é o único futuro possível (para terapias) e neste sentido a nanociência é a única solução, pois permite engendrar a nível molecular todos os tipos de vetores e atacar anticorpos específicos. É por isso que podemos considerar a nanotecnologia a 'medicina' do futuro.

Noutras áreas, a nanociência poderia ajudar a ecologia, resolvendo o grande problema da pureza da água. Graças às nanopartículas contendo proteínas que podem combater os poluentes, a água poderia ser purificada. Estas mesmas partículas também poderiam ser utilizadas na indústria alimentar para detectar mudanças na qualidade e deterioração dos alimentos.

SI: Como serão financiados esses novos medicamentos?

C.P.: É verdade que os custos são altos e certamente não acessíveis, mas ainda não vejo uma solução para este problema. As empresas que desenvolvem as tecnologias têm interesse em manter os preços altos e preservar as patentes o máximo de tempo possível por razões de lucro. Desse ponto de vista, a questão ainda não pode ser resolvida.

SI: Isso significa que no futuro apenas quem tiver recursos suficientes poderá se dar ao luxo de tratar o seu cancro, por exemplo?

C.P.: Infelizmente sim, se os custos de tratamento não caírem. Gostaria de ser mais otimista, mas ainda não vejo como. Seria necessário uma visão política global e uma ação a nível internacional. As iniciativas de países individuais, como a Suíça ou a França, não são suficientes.

SI: A senhora prevê um futuro no qual a nanotecnologia seja capaz de prolongar a vida humana?

C.P.: Algumas experiências estão em andamento, mas é muito difícil. Afinal, o corpo humano é algo maravilhoso e incrivelmente complicado. Além disso, há dois grandes desafios a serem superado: um é estender a vida; a outra, estender a qualidade de vida. Já vimos que, à medida que a idade média aumenta, as doenças neurodegenerativas também estão em ascensão. Deste ponto de vista, viver uma vida saudável por tanto tempo quanto possível é mais importante do que simplesmente viver mais tempo.

Na universidade pesquisamos as chamadas "organelas artificiais". As organelas, como as mitocôndrias, são estruturas celulares fundamentais para a vida. Com nossas organelas artificiais, queremos tentar copiar a natureza, incluindo materiais sintéticos que as tornam mais fortes. Esta tecnologia poderia ser muito promissora no futuro para apoiar os processos que sustentam a vida. Sara Ibrahim – Suíça in “Swissinfo”