Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Cidadãos chamados a monitorizar uma das plantas invasoras mais problemáticas

Campanha nacional convida cidadãos a mapear inseto que combate a acácia-de-espigas. A equipa integra investigadores da Universidade de Coimbra


A plataforma INVASORAS.PT lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”, uma iniciativa que convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, chamado Trichilogaster acaciaelongifoliae, utilizado no controlo biológico da acácia-de-espigas, uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas encontra-se amplamente distribuída em Portugal continental, onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade. A sua elevada produção de sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos, contribui para a rápida expansão da espécie.

Para ajudar a controlar esta invasão, foi introduzido em Portugal, em 2015, o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido pela equipa da INVASORAS.PT como “Trichi”. Este agente de controlo biológico desenvolve-se principalmente nas gemas florais da planta, originando galhas que impedem a formação de flores e, consequentemente, reduzem a produção de sementes.

Desde a sua introdução, a presença e dispersão da “Trichi” têm sido acompanhadas por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, que também realizaram os testes prévios à introdução.

Segundo Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e membro da equipa INVASORAS.PT, “sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”.

A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização.

Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All.

A iniciativa dirige-se a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.

Com esta campanha, a INVASORAS.PT pretende reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa.

Mais informações e instruções de participação aqui.

Sobre a INVASORAS.PT

A INVASORAS.PT é uma plataforma de informação e ciência-cidadã dedicada às plantas invasoras em Portugal. Disponibiliza recursos sobre identificação, impactes, gestão e mapeamento de espécies invasoras, promovendo a participação pública na sua deteção e monitorização. A plataforma integra investigadores do CFE – Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, da Universidade de Coimbra, e do CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, do Instituto Politécnico de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Portugal - Inseto australiano reduz até 98% a produção de sementes de acácia-de-espigas nas dunas nacionais

Um grupo de investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC/IPC) confirma o sucesso do controlo biológico da acácia-de-espigas (Acacia longifolia), uma das plantas invasoras mais problemáticas do litoral português.


O inseto australiano Trichilogaster acaciaelongifoliae, introduzido em 2015 depois de vários testes e análises de risco, está a reduzir até 98%, em alguns locais, a produção anual de sementes desta planta invasora, demonstrando ser uma ferramenta eficaz, segura e sustentável para apoiar a recuperação dos ecossistemas dunares.

«Os nossos resultados mostram que o controlo biológico está a funcionar. Cinco anos após o estabelecimento do agente, a produção de sementes apresenta uma redução muito significativa, de até 98%. Ao fim de nove anos, a produção de sementes praticamente desapareceu nas áreas onde o agente está estabelecido há mais tempo», revela a primeira autora do estudo, Liliana Neto Duarte, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS/ESAC/IPC).

«Este é um passo essencial para quebrar o ciclo reprodutivo da acácia-de-espigas, criando condições para a regeneração da vegetação nativa dunar», afirma Elizabete Marchante, investigadora do CFE/FCTUC, destacando que estas evidências científicas estão publicadas na revista internacional Journal of Environmental Management.

De acordo com o estudo, que acompanhou durante seis anos árvores de acácia-de-espigas em várias dunas da região Centro, o aumento das galhas formadas pelo inseto levou a uma queda drástica na produção de vagens e sementes, impedindo o reforço do banco de sementes no solo – um dos principais mecanismos que garante a persistência desta invasora.

Adicionalmente, os investigadores observaram o enfraquecimento progressivo de algumas árvores sob forte pressão de galhas, podendo, em alguns casos, levar à sua morte. Os autores destacam, ainda, que o controlo biológico deve ser integrado com outras práticas de controlo, como o corte mecânico e a manutenção de árvores portadoras de galhas nas áreas de intervenção, assegurando a continuidade do controlo a longo prazo.

«O sucesso obtido reforça a necessidade de investir em estratégias integradas de gestão de espécies invasoras na Europa, aproveitando soluções naturais que reduzem custos e aumentam a eficácia», concluem as investigadoras. Universidade de Coimbra


quarta-feira, 28 de abril de 2021

Portugal - Inseto da Austrália reduz significativamente o potencial invasor da acácia-de-espigas

Um pequeno inseto australiano libertado em Portugal para o controlo natural da acácia-de-espigas está a reduzir de forma significativa a capacidade de propagação desta espécie, uma das piores invasoras no litoral português. A conclusão é de um estudo que acaba de ser publicado Journal of Environmental Management.


Em 2015, Portugal foi o primeiro país da Europa continental a efetuar a libertação intencional de um agente para controlar biologicamente uma planta invasora, depois de mais de uma década de estudos efetuados por uma equipa do Centro de Ecologia Funcional (CFE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e da Escola Superior Agrária (ESAC), do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

Os investigadores do CFE e da ESAC efetuaram a libertação deste agente de controlo biológico – uma pequena vespa australiana formadora de galhas (Trichilogaster acaciaelongifoliae), muito específica – para controlar a acácia-de-espigas (Acacia longifolia), desde 2015, em 61 locais ao longo da costa portuguesa. Esta introdução foi depois acompanhada pela equipa, nos anos seguintes, para estudar o estabelecimento, dispersão e efeitos ao longo dos primeiros anos pós-libertação do inseto.

Os resultados dessa monitorização, agora publicados, mostram que, embora o estabelecimento inicial «tenha sido limitado pelo facto de o agente ter sido introduzido a partir do hemisfério sul, as taxas de estabelecimento aumentaram muito após a sincronização de seu ciclo de vida com as estações do hemisfério norte e fenologia da acácia-de-espigas. Atualmente observa-se um crescimento exponencial das populações, que se afastam cada vez mais dos locais de libertação. Observou-se que passados poucos anos os ramos de acácia-de-espigas com galhas de Trichilogaster acaciaelongifoliae diminuíram a produção de vagens (menos 84%), sementes (menos 95%) e ramos secundários (menos 33%)», sublinham Hélia Marchante e Elizabete Marchante, coordenadoras do estudo.


A acácia-de-espigas, esclarecem, é uma das plantas invasoras «com maior dispersão ao longo do litoral português, onde forma extensas áreas monoespecíficas; produz milhares de sementes anualmente, que se acumulam no solo por várias décadas, e promovem a rápida reinvasão de áreas intervencionadas. A vespa australiana introduzida promove a formação de galhas nas gemas florais e vegetativas da acácia-de-espigas, reduzindo o seu potencial invasor».

Francisco López-Núnez, investigador do CFE e primeiro autor do estudo, observa que «apesar de a introdução e estabelecimento deste agente de controlo biológico ainda ser recente e ter distribuição limitada ao longo do território, os resultados agora publicados confirmam o estabelecimento com sucesso do agente em Portugal e mostram que este está a afetar de forma negativa a capacidade da acácia-de-espigas se reproduzir e crescer».

As espécies invasoras «são uma das principais causas de perda de biodiversidade a nível global, promovendo também prejuízos elevados a nível económico e de saúde humana. A gestão destas espécies é um desafio complexo e muito dispendioso. O controlo biológico de plantas invasoras é uma ferramenta chave para a gestão mais sustentável destas espécies, mas ainda é muito pouco utilizado na Europa», concluem Hélia Marchante e Elizabete Marchante. Universidade de Coimbra - Portugal