Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Macau - Projecto de ampliação da Escola Portuguesa de Macau poderá concretizar-se em breve

A ampliação das instalações da Escola Portuguesa, com a construção de um novo bloco, poderá avançar logo que haja aprovação do Governo, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau Jorge Neto Valente. O presidente da Fundação EPM adiantou que foi feita uma “proposta concreta”. O bloco deverá ter quatro andares e ocupará uma das áreas do actual recinto desportivo ao ar livre, integrando igualmente uma cave com parque de estacionamento. A expansão permitirá albergar entre 1000 e 1200 alunos. Enquanto isto, outras obras de melhoramento, como alargamento das salas, substituição dos elevadores, instalação de software e renovação da fachada vão começar neste Verão


A Escola Portuguesa de Macau (EPM) poderá finalmente ver a ‘luz do dia’ no que respeita ao projecto de ampliação das instalações, isto se for aceite a “proposta concreta” feita pelos responsáveis da instituição, a pedido do Governo.

Segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau o presidente da Fundação Escola Portuguesa, a concretização da ambição, “que tem já mais de uma década”, poderá assim estar para breve.

“A ampliação nunca avançou ao longo de todo este tempo, mas agora foi feita uma proposta concreta para ver se o Governo concorda ou não em financiar as obras que pretendemos realizar”, salientou Jorge Neto Valente.

“Perguntaram-nos o que queríamos fazer e nós enviámos as propostas para ver se eles aceitam ou não”, expressou, admitindo que, se houver ‘feedback’ positivo, “avançaremos com o projecto, porque para já só temos o esboço”.

A concretizar-se, a obra de ampliação incluirá essencialmente a construção de um novo bloco, de quatro andares (com cave destinada a parque de estacionamento), a ser erigido numa área onde actualmente existe o campo desportivo ao ar livre.

“Os alunos poderão continuar a utilizar esse espaço, que terá então por cima quatro andares com salas de aula e laboratórios, permitindo o aumento de estudantes para entre 1000 e 1200, não mais do que isso”, prevê.

Se as obras de expansão forem para a frente, como espera Neto Valente, arrancarão logo que possível, devendo demorar não menos do que um ano. “Mesmo escolhendo tempo bom, sem chuva, e até chegar ao apetrechamento final, acabamentos, interiores e outros aspectos, a construção demorará certamente pelo menos um ano”, referiu.

A ideia é que os trabalhos sejam realizados sem prejuízo escolar. “Temos de fazer as coisas de maneira a não impedir o normal funcionamento das aulas”, sustentou.

Recorde-se que esta questão da ampliação e até mesmo da mudança das instalações já vem de longe, tendo, ao longo dos anos, sido alvitrados diversos locais da cidade para a construção de uma nova escola, sem, no entanto, haver uma decisão concreta.

A mais recente abordagem aconteceu em Abril de 2023, na sequência da deslocação de Ho Iat Seng a Lisboa, quando o então Ministro da Educação de Portugal, João Costa, se mostrou confiante de que o projecto iria arrancar precisamente nesse ano. No quadro de uma cooperação “muito boa”, os Governos de Portugal e da RAEM têm “uma perspectiva de parceria que permitirá a ampliação” da EPM, sublinhou o governante em declarações ao JTM e à TDM, após ter discutido esse dossiê com o Chefe do Executivo.

João Costa assegurou ainda que estavam lançadas as bases para “começar a trabalhar o projecto”. Tendo em conta que os valores finais da propalada para a ampliação não tinham sido definidos, o ministro escusou-se a apontar a dimensão absoluta ou percentual desse apoio, adiantando apenas que estava prevista uma “comparticipação muito expressiva” do Governo de Macau.

“Não sei dizer um prazo concreto de construção, mas há já um acordo para fazermos a ampliação”, e assim “permitir uma melhoria muito significativa das instalações da escola, que é muito necessária”, salientou ainda, em declarações proferidas à margem da recepção oferecida pelo Governo da RAEM na capital portuguesa.

Na altura, Ho Iat Seng não abordou em pormenor essa matéria, mas deixou uma forte garantia: “Se a escola precisar do nosso apoio sobre a questão do aumento dos estudantes, de certeza que iremos apoiar e providenciar as medidas necessárias para isso”.

Melhoramentos gerais arrancam no Verão

Relativamente a outras obras, de pequena e média dimensão, que começarão já neste período de férias de Verão, o presidente da Fundação EPM disse que os projectos já estavam pedidos. “Primeiro nós dizemos o que pretendemos fazer e depois o Governo diz se aceita financiar ou não”, mencionou.

Acrescentou que, como foi dada uma resposta positiva quanto às intenções de beneficiação, havia um prazo, até início de Abril, para entrar com uma proposta definitiva sobre os trabalhos a realizar, seguindo-se a aprovação ou não dos preços apresentados. Esse processo deverá demorar pouco tempo e, assim, logo que haja aprovação “arrancaremos com estas obras, pagando-as primeiro e esperando que o dinheiro nos seja devolvido”, esclareceu.

Este novo ciclo de pequenos melhoramentos interiores, a serem introduzidos nos próximos meses, tem um orçamento de cerca de 18 milhões de patacas, e englobarão trabalhos diversificados.

A substituição dos elevadores será uma das prioridades. “Já têm mais de 30 anos”, afirmou Jorge Neto Valente, para quem há outros melhoramentos que têm de ser feitos. Por exemplo, beneficiação dos laboratórios de línguas e de inteligência artificial, instalação e actualização do software, instalação de novos aparelhos de ar condicionado no ginásio e no auditório, novos sanitários no Bloco B, insonorização das paredes e substituição das janelas. Um dos jardins interiores será nivelado, proporcionando um maior espaço para a horta pedagógica.

Ademais, a fachada da EPM sofrerá também melhoramentos. “A frente da escola será pintada e haverá uma intervenção ao nível dos azulejos, alguns dos quais se soltaram”, explicou.

Sobre as obras planeadas para este Verão, Acácio de Brito, director da EPM, considera virem na sequência de uma “melhoria contínua”. Para o responsável, procura-se, “em cada momento que passa, criar as melhores condições, na base de um princípio ético e ecológico”.

Isto é, concretizou, “a melhoria dos espaços é condicionadora das formas comportamentais”. “Se escola tiver uma ecologia e uma organização dos espaços, podemos ter melhores resultados, o mesmo acontecendo se tivermos melhores recursos humanos, melhores pais e se formos mais exigentes, num conjunto de valências que, se estiverem reunidas, podemos ter bons resultados”, garantiu.

Recorde-se que em 2025 a EPM sofreu obras de remodelação e manutenção no seu interior, focadas na melhoria da cantina/bar (que mudou de local), dos balneários junto ao ginásio e da sala de professores. Os trabalhos decorreram maioritariamente aos fins-de-semana e férias para não perturbar as aulas, e as novas instalações foram inauguradas no início do ano lectivo, em Setembro.

Acácio de Brito afirmou que “não há qualquer tipo de dúvidas” de que a escola tem “uma outra cara”, ao melhorar substancialmente as instalações. “São evidências”, enfatizou.

EPM vai registar aumento de alunos no próximo ano

A Escola Portuguesa irá registar um aumento de estudantes no ano lectivo de 2026/2027, a avaliar pelos números apurados até meados de Maio, que apontam para 826, segundo informou o director do estabelecimento de ensino. Acácio de Brito disse ao Jornal Tribuna de Macau que o processo ainda está a decorrer, “até porque há pessoas que ainda estão a pedir transferências”. No entanto, considera que o crescimento será uma realidade e “tem sido constante nos últimos anos”. O responsável sublinhou que o aumento irá incidir principalmente no ensino secundário e em concreto no 12º ano. No que concerne aos novos alunos, cuja maioria sai dos jardins de infância, o número deverá rondar entre 60 e 70 crianças. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau - Novos alunos da Escola Portuguesa aperfeiçoam português em curso de Verão

Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”


A dificuldade dos alunos de língua não materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma “melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.

Acácio de Brito considera ser importante que os novos alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo que o curso tem esse objectivo.

A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de 60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.

“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso, cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho, mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.

Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.

Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo, mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com o desenvolvimento do mandarim.

“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e, ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.

Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.

Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”, esclarece.

Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em 2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de Verão.

Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença, porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.

Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal

A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês. Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director, Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Macau - Todos os finalistas da Escola Portuguesa de Macau colocados no ensino superior

Os estudantes que concluíram o 12º ano na Escola Portuguesa de Macau e apresentaram candidaturas ao ensino superior em várias universidades, principalmente em Portugal, viram o processo aprovado na totalidade. O director da EPM disse ao Jornal Tribuna de Macau que a taxa de 100% “significa que a escola está no bom caminho”. Acácio de Brito parabeniza os 22 alunos, mas também professores e pais pelo sucesso. Para o novo ano lectivo, que começou há uma semana, a EPM regista o dobro de matrículas no 12º ano, sendo o total de 48, o que levará a um “crescendo” de candidatos ao ensino superior de 2026/2027

A Escola Portuguesa (EPM) registou com sucesso a totalidade dos alunos que se candidataram ao ensino superior e vão continuar os seus estudos em universidades em Macau, em Portugal ou noutros países e regiões. Foram 22 os estudantes que garantiram o acesso, sendo que 18 irão frequentar estabelecimentos de ensino em Portugal.

Felicitando em primeiro lugar os alunos pelo trabalho realizado, o director da EPM saúda igualmente os professores e os pais pelo sucesso alcançado. “Isto é algo que deixa satisfeitos todos aqueles que diariamente labutam em prol da melhor educação para os nossos jovens”, disse Acácio de Brito ao Jornal Tribuna de Macau, notando que, “no ano passado, isto não aconteceu”.

Concluída a segunda fase do concurso para as candidaturas ao ensino superior público em Portugal, “100% dos nossos alunos foram colocados”, o que significa, segundo o responsável, que “a escola está no bom caminho”, acrescentando que, “se melhorámos as condições físicas da escola, é também para a melhoria contínua”.

Acácio de Brito considera que o currículo também ajuda a que este sucesso seja concretizado. “O nosso currículo é muito robusto e permite uma preparação adequada para os alunos”, frisa, acentuando que, “através de um processo de avaliação externa, que são os próprios exames e a questão da candidatura, isto vem demonstrar que de facto temos de continuar a trabalhar para continuarmos a ter esse sucesso, por isso, estão todos de parabéns”.

Na primeira fase, sublinha, “uma aluna não tinha, por razões da sua escolha, ficado colocada, e, neste momento, entrou na Faculdade de Belas Artes, no Porto, assim como um aluno que tinha concorrido, mas pediu a transferência, entrou em engenharia aeroespacial do Instituto Superior Técnico, em Lisboa”.

A EPM conta para o ano lectivo 2025/2026, que arrancou no dia 9 de Setembro, com 48 matrículas no 12º ano, ou seja, o dobro do ano passado. Enquanto isto, também no ensino secundário, há 50 alunos no 11º e 51 no 10º.

“A tendência é para aumentar nos próximos anos lectivos”, atesta o director da EPM, antecipando um “crescendo” de estudantes que vão chegar ao derradeiro nível nos próximos anos, seguindo depois para as universidades. “Provavelmente, isto foi fruto um bocado dos reflexos da pandemia, uma vez que na altura houve saída de muitos estudantes para Portugal e outros locais”, constata.

Por outro lado, o mesmo responsável informou que a questão da disciplina de inglês, face à não aprovação da quota do professor por parte dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, já está a ser resolvida através de um reajustamento para este primeiro período de aulas. Estamos a proceder à redistribuição das disciplinas, porque temos de solucionar este tipo de situações de imediato, daí que, neste momento, está resolvido”, expressa, ressalvando que “depois logo veremos”.

Sobre a não utilização dos telemóveis no espaço interior da escola, afirmou que “já há cacifos, colocados por nós, para esse efeito”. “Os alunos estão a adaptar-se bem, pelo menos não tenho ‘feedback’ de discordâncias, decorrendo nesta altura, com cerca de uma semana de aulas, um processo de avaliação, monitorização e readaptação, que esperamos que corra da melhor maneira”, referiu, observando ainda que “muitos estudantes já não trazem sequer para a escola o telemóvel”.

Para o ano lectivo 2025/2026, a EPM tem 810 alunos matriculados, mais 37 do que ano passado, o que significa um acréscimo de 5%. No que diz respeito às turmas, não há alteração, mantendo-se 39 no total, distribuídas por 15 no primeiro ciclo, nove no segundo, 10 no terceiro e seis no secundário.

A nível de instalações, o início do ano escolar no estabelecimento de ensino fica assinalado por alguns melhoramentos, um dos quais ao nível do espaço de restauração e bar, situado logo à entrada do edifício, no lado oposto à secretaria, cujo objectivo é oferecer melhores condições a alunos e professores.

Além disso, a área de recreio foi aumentada e há a registar a renovação dos balneários junto ao pavilhão desportivo, com mais duches para ambos os sexos, agora num total de 15 em cada sector. A sala de música foi igualmente remodelada, assim como a sala de professores desviada para outro local. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 3 de maio de 2024

Macau - Pedida maior preservação da língua portuguesa

Amélia António lamenta que a Língua Portuguesa não seja tão preservada como deveria. A presidente da Casa de Portugal considera que há alguma contradição quando se sabe que “há cada vez mais gente a aprender Português” e depois esse crescimento “não tenha acontecido ao nível de vários sectores em Macau”. Também ao Jornal Tribuna de Macau, Acácio de Brito, director da Escola Portuguesa, diz que o idioma de Camões é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”


A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala no domingo, 5 de Maio, Amélia António falou ao Jornal Tribuna de Macau sobre a importância da língua e as dificuldades que a mesma enfrenta “ao nível das coisas públicas no território”.

Questionada se a Língua Portuguesa tem sido bem preservada, a presidente da Casa de Portugal foi peremptória ao afirmar que “não tanto como deveria ser”, considerando que “continuam a registar-se muitas dificuldades em vários sectores de Macau”.

“Sabemos que nunca houve tanta gente a aprender Português no território como actualmente, mas depois, nas coisas públicas, naquilo que a própria lei nos dá o direito de nos dirigirmos e sermos correspondidos, em muitos casos isso não acontece”. Por isso, “há essa contradição, que não está explicada, como aliás outras que temos em Macau”, nota Amélia António.

A dirigente da associação de matriz lusa reforça a sua opinião mencionando que “nos últimos anos, com o número de pessoas a aprender a nossa língua, muitos falam Português, mas depois, na prática, é como se esse crescimento não tivesse acontecido”. Ou seja, complementa, “é como se fosse o contrário, como se tivesse diminuído o número de pessoas a aprender Português, quando na realidade não é isso”.

Críticas à parte, sustenta que “faz todo o sentido celebrar este dia, porque o Português é uma língua falada em todos os continentes”. Por isso, prossegue, “é muito importante, cada vez mais, a sua valorização”. Os países que falam a língua são, “alguns deles, países grandes, com muita gente, daí que o Português tem de conquistar de facto o seu lugar, nomeadamente nas instituições internacionais”.

Amélia António reforça essa importância asseverando que “tudo o que seja valorizar a língua, mostrar a relevância dela, mostrar a dimensão mundial é fundamental para que cada vez mais seja reconhecida como uma língua de grande valor”.

Por sua vez, no âmbito da celebração do Dia Mundial, o director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) salienta que a Língua Portuguesa é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”. “Sendo uma língua oficial de inúmeros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, envolvendo no seu conjunto cerca de 300 milhões a 400 milhões de pessoas, é um idioma global que se projecta em todos os continentes e é, aliás, a língua mais falada no hemisfério sul”, referiu a este jornal.

Acácio de Brito considera que o Português provoca proximidade. “Essa proximidade no tempo é, julgo eu, juntar pedras, e encontrámo-la no espírito da lusofonia enquanto espaço de partilha linguística e cultural”.

Adianta que “o enfoque nessa dimensão cultural deve ser de algum modo o ‘leitmotiv’ (fio condutor) até para aquilo que nós somos numa escola portuguesa na China, uma escola que naturalmente procura que o ensino do Português, como língua materna, como língua de herança, ou como língua estrangeira, exija aproximações que elas mesmas são diferenciadas”.

Acácio de Brito acentua que “o que nós entendemos nesta celebração também, é que a Escola Portuguesa de Macau deve constituir-se num espaço privilegiado de formação dos jovens e complementarmente deve afirmar-se como âncora de aprofundamento da língua e da cultura portuguesa e chinesa”.

Destacando este processo de aproximação de culturas, que é a relevância da existência de uma escola portuguesa no Oriente, o responsável da EPM conclui que “é por isso que o alinhamento cultural é fundamental”, porque “vai permitir-nos fazer negócio e tantas outras coisas”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 4 de março de 2024

Macau - Director da Escola Portuguesa de Macau quer melhorar proficiência do português e mandarim

A abertura de mais uma turma de 1º ano a partir de Setembro e uma melhoria na qualidade de ensino do mandarim foram algumas das novidades anunciadas por Acácio de Brito, director da Escola Portuguesa de Macau (EPM), que no sábado passado realizou o seu habitual dia aberto


“Estamos no limite da capacidade de receber alunos, mas tomámos uma decisão estratégica de ter mais uma turma do 1º ano, que no ano passado não foi possível”, partilhou o director da Escola Portuguesa de Macau (EPM), Acácio de Brito à Rádio Macau no último sábado, dia de portas abertas da instituição. Nos seus planos está também a vontade de melhorar a capacidade de aprendizagem da língua portuguesa e do mandarim, com o lançamento de um novo programa para aumentar a proficiência das duas línguas oficiais do território. A decisão procura ir ao encontro das necessidades dos alunos que frequentam aquele estabelecimento de ensino. “Temos aqui muitos alunos que são de origem chinesa e que não falam português, e temos alunos de origem portuguesa e que não falam mandarim”. A importância de dominar as duas línguas, sublinhou, prende-se com a própria identidade da escola, que é “uma escola portuguesa em Macau, e uma escola portuguesa na China”.

As actividades do dia aberto da EPM incluíram um momento cultural no átrio do estabelecimento de ensino, seguida de uma visita educativa à horta biológica localizada no pátio do recinto. O resto da manhã foi preenchido com actividades desportivas e um workshop de “Arte e Movimento”, possibilitando-se aos encarregados de educação e famílias visitas aos laboratórios de biologia, física e química, e ainda às salas de música e do 1º ciclo. O dia aberto permitia igualmente que se ficasse a conhecer os serviços de psicologia e orientação escolar e outros departamentos da escola.

Jorge Neto Valente, presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau, à Rádio Macau abordou os mesmos planos anunciados por Acácio de Brito, classificando-os de “ambiciosos”, planos esses que elevarão a escola a ser “única”, no sentido de ir para além do mero ensino da língua portuguesa. “Uma escola de língua e cultura portuguesa na China, onde convivemos com a língua e cultura chinesa”. Admitindo ainda a necessidade de ampliação das instalações da escola, problema de fundo que “há anos que se discute”, mas sem solução encontrada, justificou o impasse pelo facto de que estas “são obras de vulto, e que exigem grande ponderação”, e elevados meios financeiros. Até lá, o responsável garantiu que se vai procurar investir na “qualidade de vida” do interior e estética do espaço, melhorando “tudo o que seja possível melhorar”.

Também presente no dia aberto esteve o cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong. Em declarações à Rádio Macau, Alexandre Leitão assegurou que tem acompanhado a situação da escola desde que assumiu o mandato, competência que referiu ser inerente ao cargo. Este acrescentou que sabe que a escola é “crítica na afirmação da presença portuguesa e na preservação de uma identidade especial”, herança do período da administração portuguesa e que a seu ver é “essencial valorizar em todos os planos, incluindo o económico”.

Reiterando a perspectiva de Neto Valente, o dignatário defendeu a importância da divulgação não apenas da língua, mas sobretudo da cultura portuguesa, mencionando que naquela instituição escolar, embora haja domínio da língua de Camões, há muitas vezes falta de conhecimento da cultura portuguesa e da lusofonia. “Penso que é algo que temos de trabalhar com urgência, e é decisivo”, alertou, “porque a cultura ajuda a dominar melhor a língua, tal como a língua ajuda a compreender melhor a cultura, e esta interacção é essencial”. Leitão acredita que é necessário haver também uma maior interactividade com as várias comunidades do território e com a região envolvente, destacando a importância de os jovens conhecerem “o meio em que vivem e crescem”. Quanto ao domínio do chinês, Alexandre Leitão sublinhou que esta mais-valia também servirá no futuro como forma de difusão das culturas lusófonas e macaense.

Ao mesmo meio de comunicação social, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais da EPM, defendeu ter as mesmas prioridades referidas por Acácio de Brito e Jorge Neto Valente, sublinhando a competência bilingue de português e chinês na escola como um “interlocutor privilegiado do Governo nesta dinamização do bilinguismo”. A proficiência em particular do mandarim, diz, é “um assunto importante de ser tratado”, já que este tem verificado que alunos da EPM que frequentam aulas de chinês desde a primária, ao chegarem ao 7.º ano acabam por optar por outras línguas como o francês, por questões de maior facilidade, partilhou. “Também se nota que os alunos que vão aprendendo mandarim não conseguem ter uma conversa. Há dificuldades no ensino que é preciso colmatar”, partilhou. Filipe Figueiredo abordou ainda a questão da sobrecarga dos alunos do 12.º ano, que têm um número mais elevado de disciplinas comparativamente com os colegas de escolas em Portugal, partilhando que estes saem prejudicados no cálculo das médias e no acesso às universidades devido àquela discrepância. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 7 de março de 2023

Timor-Leste – Presidente da República condecora director cessante da Escola Portuguesa de Díli


O Presidente da República timorense condecorou ontem o diretor cessante da Escola Portuguesa de Díli com a Medalha da Ordem de Timor-Leste, em reconhecimento pelo trabalho de liderança do seu mandato.

Acácio de Brito foi ontem condecorado por José Ramos-Horta numa cerimónia no Palácio Presidencial em Díli, durante a qual o chefe de Estado destacou o trabalho do director cessante ao longo dos seus sete anos à frente da EPD. “A Medalha é um reconhecimento pelos esforços que Acácio de Brito desenvolveu na Escola Portuguesa de Díli, pela ação desenvolvida em resultado da calamidade das cheias de março de 2020 e o papel na reconstrução”, refere-se no decreto da condecoração.

José Ramos-Horta destacou o papel de Acácio de Brito, que terminou oficialmente o seu mandato esta semana, sublinhando a importância da Escola Portuguesa de Díli no espaço educativo nacional.

“Há pessoas que servem uma instituição ou sociedade durante algum tempo e ao partirem de regresso à sua terra deixam obras e gratas recordações. O amigo Acácio esteve connosco sete anos, vai partir, mas deixa uma bela obra”, afirmou. “O resultado está à vista: mais de mil alunos, mais de 95% timorenses, de famílias simples e pobres e de famílias mais bafejadas pela vida. Conheço a escola, conheço a obra, conheço a liderança de qualidade de Acácio de Brito, incluindo nos tempos de grandes desafios”, disse.

Ramos-Horta recordou que os professores e funcionários da escola “salvaram crianças” nas cheias 2020 e que a EPD “produziu jovens que honraram todos os timorenses” com boas classificações em competições internacionais.

O chefe de Estado recordou que a EPD serviu de inspiração, aquando do seu primeiro mandato, para o projecto que incentivou de criação das antigas escolas de referência, hoje Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE).

“Disse na altura que para ganharmos a batalha da língua portuguesa em Timor-Leste teríamos que repicar em todo o país o modelo da Escola Portuguesa”, recordou, referindo-se ao projecto que está hoje em 12 dos 13 municípios do país e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA). “A EPD vai continuar, aumentar, talvez com mais uma escola em Oecusse, outra em Baucau. As CAFE vão consolidar, melhorar e expandir. Timor-Leste necessita disso, é incontornável para o futuro de Timor-Leste”, vincou.

Intervindo na cerimónia, Acácio de Brito agradeceu o apoio da liderança timorense ao projeto da EPD, e em particular nos esforços de reconstrução depois das cheias, e a toda a comunidade escolar pelo trabalho desenvolvido. “Recordo momentos dramáticos que vivemos durante as cheias de 13 de março de 2020. Recordo também a pandemia que nos obrigou a todos a um trabalho fantástico”, afirmou.

Em declarações à Lusa, depois da cerimónia, Acácio de Brito destacou os grandes desafios do mandato, em particular a resposta às cheias, considerando que a EPD “está melhor” do que quando chegou. “Isso é facilmente constatável em todos os aspetos, com mais alunos, com resultados. Cerca de 97% dos alunos são timorenses e é uma escola com belíssima qualidade, que devemos aos belíssimos professores, funcionários, pais e alunos”, disse. “Cumpri todos os objetivos que estavam traçados e introduzimos outros, incluindo o ano zero, e a inovação, com apoio adicional a alunos com maiores dificuldades em língua portuguesa”, sublinhou.

Entre os projectos que procurou desenvolver o único que, disse, não conseguiu implementar, foi o da expansão da escola, iniciativa que, considera, ainda é essencial.

Criada em 2009, a Ordem de Timor-Leste pretende “com prestígio e dignidade, demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que na sua atividade profissional, social ou mesmo num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da humanidade”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”