Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de março de 2026

Moçambique – Avança projecto mineiro de Revúboè, uma nova etapa para a industrialização do país

O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou, na passada sexta-feira, na cidade de Moatize, província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè, uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico nacional.


Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto representa um marco importante na valorização dos recursos minerais do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e contribuem para a melhoria das condições de vida da população.

“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República.

O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo accionista do empreendimento, pela confiança depositada no potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè.

Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das mais importantes reservas de carvão do continente africano e do mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano concreto.

“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas, em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada família moçambicana”, afirmou.

De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032.

A iniciativa deverá igualmente criar 1500 empregos directos e cerca de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como educação, saúde, agricultura e infra-estruturas.

O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais, nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala.

Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto.

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor acrescentado, deixando para outros países os benefícios do processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com Revúboè começamos a mudar”, afirmou.

Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia de valor no território nacional.

O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar, com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra, garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados com as comunidades locais.

No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental, advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua implementação.

“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”, advertiu.

Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infraestruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário.

Para o Presidente da República, a exploração responsável dos recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as populações locais, através de oportunidades económicas em áreas como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte e outras actividades associadas à cadeia mineira.

“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo, trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que trabalhamos”, sublinhou.

O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e no benefício mútuo.

Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à população da província de Tete pela concretização do projecto, desejando sucesso na sua implementação.

“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares do desenvolvimento económico nacional”, concluiu. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Moçambique - Gás natural lidera exportações e gera receitas recorde

O gás natural tornou-se o principal produto de exportação de Moçambique no primeiro trimestre de 2025, superando o carvão mineral. As exportações de gás totalizaram 567,7 milhões de dólares, um crescimento homólogo de 28%, impulsionado pelo aumento do volume exportado na área 4 da bacia do Rovuma e pela valorização de 12,8% no preço médio internacional.




Em sentido oposto, segundo a agência Lusa, o carvão registou uma queda de 35%, totalizando 300,8 milhões de dólares, devido a paralisações em minas, interrupções na linha férrea causadas por intempéries e instabilidade social relacionada com o período eleitoral. Além disso, o preço médio do carvão caiu 6%.

O alumínio também ultrapassou o carvão, com exportações no valor de 380,7 milhões de dólares, representando um crescimento de 88,3% face ao ano anterior, alavancado pelo aumento de 45% no volume exportado e de 14% nos preços.

O Estado arrecadou até Junho 210 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural, mais do que em todo o ano de 2024. Os valores, canalizados para o Fundo Soberano de Moçambique, incluem montantes referentes a exercícios passados e ao primeiro semestre de 2025. In “O País” – Moçambique com “Lusa”


segunda-feira, 29 de maio de 2023

Portugal - Estudo conclui que resíduos mineiros de carvão em autocombustão têm impacte negativo no meio ambiente

Um estudo do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) concluiu que os resíduos mineiros de carvão em autocombustão representam um impacte negativo para o meio ambiente devido à produção de drenagem ácida que, como consequência, pode afetar os solos e os ecossistemas da área envolvente.

A investigação sobre os resíduos mineiros em autocombustão em Portugal, com início em 2007, além de incidir sobre a identificação de autocombustão de resíduos mineiros resultantes da exploração de carvão no passado, tem como objetivos identificar e compreender os impactes desse processo no ambiente, particularmente nos solos, nas águas e na atmosfera.


«O impacte mais significativo poderá estar relacionado com as emissões de compostos orgânicos voláteis durante a combustão. Foram detetadas substâncias, nomeadamente hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e outros compostos orgânicos, que são emitidas para a atmosfera e que são prejudiciais para a saúde humana. Esta situação pode ser particularmente preocupante quando as escombreiras em autocombustão se encontram perto de áreas habitadas», revela Joana Ribeiro, professora do DCT e autora do estudo.

De acordo com a investigadora da FCTUC, em Portugal, são conhecidos três casos de escombreiras de resíduos mineiros de carvão cuja ignição começou em 2005 devido a incêndios florestais. Uma dessas escombreiras, em São Pedro da Cova, Gondomar, permanece em autocombustão há quase duas décadas, sendo uma fonte de contaminação para a atmosfera devido à emissão de compostos orgânicos voláteis que resultam da combustão do carvão, e para o meio envolvente devido à drenagem ácida. Em 2017, outras duas escombreiras entraram em combustão, também devido a incêndios florestais, mas nestes casos a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) implementou um projeto de reabilitação que permitiu a extinção da combustão.

«Há sempre formas de resolver situações como a da escombreira de São Pedro da Cova, no entanto, são dispendiosas e complexas», assegura Joana Ribeiro, acrescentando que existem várias soluções, nomeadamente a que foi aplicada pela EDM que inclui a remobilização do material do local, arrefecimento com água e um agente retardador da temperatura, recolocação e compactação no local. «Essa compactação é fundamental uma vez que faz com o acesso e a circulação do oxigénio no interior da escombreira, que alimenta o processo de combustão, seja limitado», garante.

Segundo a professora do DCT, este é um processo que acontece em todo o mundo e que tem não só impacte ambiental e na saúde, mas também a nível económico, uma vez que pode ocorrer numa mina de carvão e nas camadas de carvão propriamente ditas, alterando e inviabilizando o recurso geológico.

Assim, Joana Ribeiro considera «muito importante fazer uma inventariação das escombreiras de carvão que existem em Portugal, das respetivas características e condições de deposição, assim como da situação em relação ao enquadramento em zonas florestais. Desta forma, o risco de ignição e consequente autocombustão de escombreiras de carvão poderia ser minimizado através da gestão florestal e territorial adequada», conclui.

Para além da participação de investigadores do DCT da FCTUC, a investigação contou também com investigadores da Universidade do Porto.

O artigo científico “Prediction of acid production potential of self-combusted coal mining wastes from Douro Coalfield (Portugal) with integration of mineralogical and chemical data”, publicado na International Journal of Coal Geology, pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Moçambique - Acelera crescimento para 3,2% este ano segundo a consultora Oxford Economics Africa

A consultora Oxford Economics Africa estima que a economia de Moçambique deverá acelerar o crescimento este ano para 3,2%, depois de ter registado uma expansão de 2,2% no ano passado

“Olhando em frente, esperamos que a tendência de acréscimo das exportações minerais seja mantida a médio prazo, alimentada principalmente pela contínua melhoria da produção de carvão e pelo início da produção de gás natural na bacia do Rovuma”, apontam os analistas, num comentário aos números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística de Moçambique.

“Além disso, antecipamos que os investimentos nas infraestruturas de expansão da rede energética, a reconstrução da infraestrutura danificada em Cabo Delgado, e o recomeço dos investimentos nos maiores projetos de gás também ajude a sustentar o crescimento económico”, lê-se na nota enviada aos clientes.

A economia de Moçambique cresceu 2,1% no ano passado, de acordo com os dados do INE, o que para os analistas da Oxford Economics Africa é desapontante, já que apesar de ter crescido 3,4% no último trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano anterior (variação homóloga), Moçambique até registou um crescimento negativo de 0,2% face ao terceiro trimestre do ano passado (variação em cadeia).

“Vários fatores pesaram no desempenho económico em 2021, incluindo questões operacionais temporárias nas principais minas, a destruição de infraestrutura e propriedades devido às cheias e o desalojamento de comunidades devido à insurgência em curso em Cabo Delgado”, apontam os analistas, concluindo, ainda assim, que “apesar dos desafios, a subida na produção de carvão na mina de Moatize, operada pela Vale, apoiada pela melhoria das exportações de outras matérias-primas e a redução das medidas de contenção à pandemia, deu à economia algum fôlego”. In “Milénio Stadium” - Canadá

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Austrália - O maior porto de carvão do mundo rendeu-se às energias renováveis


O Porto de Newcastle, na Austrália, também conhecido por ser o maior porto de exportação de carvão do mundo, rendeu-se as energias verdes. A direção acaba de anunciar que irá operar a 100% através de energias renováveis.

A mudança ocorre no âmbito do seu plano de descarbonização, a implementar até 2040. O Porto exporta, em média, 165 megatoneladas de carvão por ano, mas pretende-se que este seja apenas parte da sua receita até 2030.

Na Austrália, o carvão é a principal fonte de energia da população: correspondeu a 54% em 2020. No entanto, este número tem vindo a descer – era de 80% no início do século – e a pressão para uma transição rumo às fontes renováveis tem vindo a surtir efeitos na própria indústria.

Craig Carmody, CEO do Porto de Newcastle, explica ao Guardian que a mudança “foi necessária” e que é preferível “fazer isto agora enquanto temos controlo no nosso destino, enquanto temos receitas, do que numa situação de crise na qual a nossa receita entra em colapso e ninguém nos empresta dinheiro”. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Portugal - Torna-se o quarto país da União Europeia a deixar de usar carvão para gerar eletricidade


Portugal encerrou no fim-de-semana a última central a carvão, acabando com a utilização do poluente para a geração de eletricidade. Torna-se o quarto país da União Europeia a fazê-lo.

O grupo ambiental Zero disse em comunicado que a central do Pego, no centro de Portugal, é o segundo maior emissor de dióxido de carbono do país, acrescentando que "libertar-nos da maior fonte de gases com efeito de estufa foi um dia importante para Portugal".

Embora a licença para a produção esteja tecnicamente em vigor até ao final do mês, o seu stock final de carvão acabou na sexta-feira. Isso fez do sábado o primeiro dia em que a eletricidade foi produzida no país sem o uso do carvão.

A alteração ocorre nove anos antes do fim planeado de Portugal para o uso de combustíveis fósseis até 2030. O processo começou em 2017, quando o país assinou uma declaração para abandonar o uso de carvão na COP23.

Bélgica, Áustria e Suécia são os outros três países europeus que já deixaram de usar carvão para geração de energia.

Embora 60 a 70 por cento da sua eletricidade venha de fontes renováveis, Portugal ainda depende fortemente de combustíveis fósseis importados para atender às necessidades globais de energia.

A saída de Portugal do carvão ocorre depois que a Comissão Europeia ter anunciado que processaria o país por não tomar medidas contra a baixa qualidade do ar. Euronews com “Reuters”


 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Moçambique – Enquanto a nível mundial se discute as alterações climáticas a brasileira Vale produziu 1 milhão de toneladas de carvão

A produção de carvão na Mina de Moatize ultrapassou 1 milhão de toneladas no último mês de Outubro, um resultado significativo que já não era alcançado há mais de 3 anos.

Assim, Outubro ficou marcado por um forte desempenho operacional da actividade mineira com a produção a ultrapassar, só num mês, mais de 1 milhão de toneladas processadas de carvão metalúrgico e carvão térmico.

Segundo Leonardo Xerinda, Gerente Executivo da Operação da Mina, “este é o resultado do empenho das equipas e do trabalho de revitalização das fábricas”. Leonardo Xerinda realça a segurança operacional como um elemento-chave sendo importante “garantir sempre que estamos a operar de forma segura e que cada um se supera no seu ramo de actuação, pois só assim teremos resultados que ultrapassam a nossa expectativa”, aponta ainda Leonardo Xerinda.

Todo o esforço e investimento empreendidos para atingir o marco de 1 milhão de toneladas reforça o compromisso em manter uma operação competitiva e garantir a continuidade operacional da indústria do carvão em Moçambique.

Em linha com o seu pilar estratégico do Novo Pacto com a Sociedade e enquanto procura conduzir um processo responsável de identificação de interessados no negócio de carvão, a Vale manterá todos os seus compromissos com a sociedade e os stakeholders, incluindo obrigações assumidas relativamente a colaboradores e comunidades. In “Olá Moçambique” – Moçambique

Recordemos que Moçambique é um dos países que mais tem sofrido com as alterações climáticas. Baía da Lusofonia (também responsável pelo título da notícia).

 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Moçambique - CFM voltam a transportar carvão da África do Sul

Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vão voltar a transportar carvão da África do Sul para o porto da Matola, após uma interrupção de 20 anos, disse hoje à “Lusa” fonte da empresa

Com este regresso, a empresa pública prevê que o número de comboios que transportam carvão para os portos de Maputo e Matola passe de quatro para sete por dia, o que representará o transporte de cerca 21 mil toneladas por dia na linha de Ressano Garcia, que liga Moçambique e África do Sul.

Para garantir que a linha, de 88 quilómetros, suporte estas operações, está em curso um plano de reabilitação. Além da reconstrução de duas pontes, a empresa prevê a substituição de travessas numa extensão de 24 quilómetros.

A previsão da empresa é de que os comboios dos CFM transportem anualmente cerca de sete milhões de toneladas na linha de Ressano Garcia, aumentando a captação de receitas.

O transporte de carvão da África do Sul para o porto da Matola usando locomotivas dos CFM foi interrompido em 1998 devido à falta de meios da empresa moçambicana, explicou Adélio Dias, porta-voz dos CFM.

As operações ficaram entregues, nestas duas décadas, à operadora sul-africana Transnet Freight Rail (TFR). In “Transportes & Negócios” - Portugal

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Moçambique - Novo terminal de carvão da Beira pronto em 2020

A primeira fase do novo terminal de carvão do porto da Beira, Moçambique, deverá entrar em funcionamento em 2020, afirmou na Cidade do Cabo o presidente executivo da Mozambique Essar Ports



O novo terminal arrancará com uma capacidade de 10 milhões de toneladas/ano e representará um investimento de 260 milhões de dólares.

Tej Nargundkar, que participou na Conferência Sul-Africana de Exportadores de Carvão, sublinhou que o facto de o porto da Beira não permitir a atracação de navios de mais de 50 mil toneladas de arqueação bruta ou com um calado superior a 12 metros não constitui um entrave ao negócio, uma vez que a maior parte dos portos indianos também não é de águas profundas.

O objectivo central do grupo Essar, através da Essar Ports, é utilizar o porto da Beira para a exportação de carvão mineral extraído em Moatize, província de Tete, respondendo dessa forma ao aumento da procura que se verifica na Índia.

O terminal a construir será totalmente mecanizado desde a descarga dos vagões até ao armazenamento e carga dos navios, tendo o cais 300 metros de comprimento e 24 de largura e dispondo de uma capacidade de 700 mil toneladas na primeira fase.

O porto da Beira fica localizado a 580 quilómetros da bacia carbonífera de Moatize, sendo o transporte do carvão feito pela Linha do Sena. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Moçambique – Vale Moçambique passará a utilizar o porto de águas profundas de Nacala

A Vale Moçambique vai deixar de utilizar a Linha do Sena e o porto da Beira para realizar as suas exportações de carvão mineral, que ficarão concentradas no Corredor Logístico de Nacala (CLN) e respectivo porto de águas profundas, disse o presidente da empresa.

Corredor de Nacala

Márcio Godoy declarou ao “Notícias”, de Maputo, à margem da cerimónia de assinatura dos contratos de financiamento do CLN, que a empresa pretende aumentar, de 12 milhões de toneladas, este ano, para 17 ou 18 milhões de toneladas, em 2018, o carvão a exportar, “quantidade que pode muito bem ser acomodada no CLN.”

A linha de caminho de ferro do Sena e o porto da Beira dispõem de capacidade para escoar cerca de 20 milhões de toneladas por ano mas o canal de acesso ao porto só pode acomodar navios até 40 mil toneladas de arqueação bruta, necessitando além disso de operações de dragagem quase permanentes devido ao assoreamento.

Márcio Godoy adiantou ao jornal que o porto de águas profundas de Nacala tem capacidade para receber navios até 180 mil toneladas, “algo que é muito mais vantajoso para a Vale Moçambique”.

“Pretendemos começar a exportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano, quase a mesma capacidade que existe no porto da Beira, pelo que é para nós vantajoso usar o porto de Nacala devido à maior capacidade dos navios que ali podem atracar”, referiu o presidente do Conselho de Administração da Vale Moçambique.

O grupo mineiro Vale e o grupo parceiro Mitsui & Co assinaram na semana passada um acordo de financiamento do projecto de melhoramento do Corredor Logístico de Nacala, através de intervenções na linha e aquisição de material circulante. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

domingo, 2 de abril de 2017

Moçambique – Brasileira Vale vende activos à japonesa Mitsui

Vale deverá encaixar 733 milhões de dólares no pagamento inicial da venda de participações em activos à Mitsui

O grupo brasileiro Vale concluiu a venda de participações em activos em Moçambique ao grupo japonês Mitsui, devendo receber um pagamento inicial de 733 milhões de dólares, anunciou o grupo mineiro em comunicado divulgado esta semana na sua página de internet.

O comunicado acrescenta que o grupo Vale receberá um adicional de 37 milhões de dólares, quando o financiamento para o projecto carbonífero de Moatize, na província de Tete, ficar concluído, dispondo o grupo japonês da opção de devolver a participação caso tal não aconteça até Dezembro próximo.

Após cerca de três anos de negociações, o grupo Mitsui concordou em comprar 15% da participação de 95% detida pelo grupo brasileiro na mina de carvão de Moatize (os 5% restantes são propriedade do Estado moçambicano) e metade da participação de 50% do grupo Vale no Corredor Logístico de Nacala, que compreende uma linha de caminho-de-ferro entre Moatize e Nacala e instalações portuárias.

Em comunicado divulgado em Setembro de 2016, o grupo Vale havia anunciado esperar vir a receber 768 milhões de dólares com a venda, à japonesa Mitsui, de participações na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala, em Moçambique, ao abrigo do novos termos do acordo originalmente assinado em 2014. Entretanto, o grupo Vale nomeou um novo presidente executivo, Fabio Schvartsman, que sucede na condução dos negócios a Murilo Ferreira.

A 15 de Março corrente, A Vale disse ter concluído a transacção de equity antes da assinatura do project finance, sendo um grande marco para o Corredor Logístico de Nacala, já que demonstra confiança no avanço do project finance, cuja conclusão é esperada para acontecer ao longo de 2017. Se a assinatura do project finance não for concluída até o final de Dezembro de 2017, a Mitsui tem a opção de transferir, de volta para a Vale, a sua participação na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala.

Mais-valias à vista

Sem dúvidas que estarão longe dos impostos de Mais-Valias conseguidos na operação de venda de acções da ENI à Exxon Mobil, mas tratar-se-ião de somas significativas para a tesouraria do Estado, tendo em conta que a escassez de recursos que se regista com o facto dos parceiros de apoio ao orçamento terem cancelado as doações a Moçambique. Em 2016, a empresa Vale extraiu da sua mina de Moatize, na província de Tete, cerca de 5.5 milhões de toneladas métricas de carvão mineral, depois de no ano anterior, 2015, ter produzido cinco milhões de toneladas métricas, o equivalente a cinco biliões de quilogramas. A empresa mineira explica que o aumento de produção resulta de uma melhoria do projecto Moatize I e arranque de um novo, denominado Moatize II. Nos últimos três meses de 2016, a produção de carvão da mineira atingiu 1.6 milhões de toneladas, ficando 9.7% abaixo do recorde atingido no terceiro trimestre do mesmo ano. In “O País” - Moçambique

quarta-feira, 15 de março de 2017

Moçambique - Mota-Engil ganha linha e porto de Macuse com chinesa CCEC

A Mota-Engil ganhou o concurso para a construção da linha férrea entre Moatize e Macuse, e do porto de Macuse, em Moçambique, em parceria com a chinesa CCEC, adiantou ao Transportes & Negócios José Pires da Fonseca, presidente da concessionária responsável pelo desenvolvimento do projecto.

A parceria entre as construtoras portuguesa e chinesa é “50/50″, sendo que a CCEC é “uma das maiores construtores mundiais”, acrescentou o dirigente da Thai Moçambique Logística (TML).

O investimento previsto ronda os 2,3 mil milhões de dólares. O financiamento da obra será “assegurado integralmente pela concessionária”, com base em  “contratos de logística a serem assinados com as grandes mineradoras da região de Tete, entre elas as indianas Jindal, JSW e ICVL”, referiu o português que há três anos trocou a Rio Tinto pela Thai Moçambique.

A nova linha ferroviária terá uma extensão de cerca de 500 quilómetros, entre a região carboníferia de Moatize, na província de Tete, e a zona de Macuse, na província da Zambézia. O novo porto terá capacidade para receber navios de 80 mil toneladas.

Para Pires da Fonseca, “este projecto permite colocar definitivamente Moçambique na rota do mercado internacional do carvão para siderurgia e térmico”.

A concessão do também conhecido por Corredor da Zambézia foi decidida ainda no final de 2013. A concessionária “é detida maioritariamente pela tailandesa Italian Thai Development Company, a maior construtora asiática”. Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) detêm 20%, em representação do Estado, e a empresa local Codiza os restantes 20%.

Os últimos três anos, recorda José Pires da Fonseca, foram dispendidos em “estudos de impacto ambiental e social” além do desenvolvimento “da solução técnica para a construção de tão complexo projecto”.

A nova linha complementará, e servirá de alternativa, às existentes linhas da Nacala e do Sena para o escoamento do carvão de Tete.

Pires da Fonseca iniciou o seu percurso profissional na CP, tendo chegado a liderar a CP Carga, de onde saiu para criar a Takargo, o primeiro operador privado português de transporte ferroviário de mercadorias. Em meados de 2011 assumiu a liderança das operações ferroviárias da então Veolia Transdev na Península Ibérica. Um ano volvido, regressou às mercadorias, em Moçambique, dirigindo os projectos ferroviários da Rio Tinto, onde se incluia já este projecto de Macuse, então considerado estratégico para o gigante mineiro. Em 2014, o português tornou-se CEO da Thai Moçambique Logística. In “Transporte & Negócios” - Portugal

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Moçambique – Empresa chinesa pretende instalar-se para transformação de carvão

Uma empresa chinesa chamada China Brasil Xinnenghuan International Investment (CBStell) está interessada em instalar uma indústria de transformação de carvão metalúrgico em carvão de coque. O interesse foi formalizado na passada sexta-feira, na cidade de Maputo, através da assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério da Indústria e Comércio e a direcção da empresa daquele país asiático.

Caso o projecto seja concretizado, a empresa CBStell vai comprar o carvão metalúrgico extraído na província de Tete pela empresa brasileira Vale e outras companhias para depois transformá-lo em carvão de coque. De seguida, a empresa vai exportar o carvão transformado para abastecer sua indústria siderúrgica localizada no Brasil, especializada na produção de aço.

Para implementar o projecto, a empresa chinesa terá de investir cerca de 1.4 biliões de dólares norte-americanos. O objectivo principal é exportar quatro milhões de toneladas de carvão coque anualmente para o Brasil.

O projecto ainda não foi aprovado pelas autoridades nacionais, mas é apoiado pelo Governo. A empresa China Brasil Xinnenghuan International Investment veio a Moçambique para apurar se há disponibilidade de carvão que necessita para viabilizar o projecto, bem como espaço para instalar a sua indústria na cidade de Nacala. Se tudo correr como está planeado pela empresa, o projecto começa a ser implementado este ano.

Para a implementação do projecto, a empresa contará com um financiamento do governo chinês, assegurou ao “O País”, uma fonte do Ministério da Indústria e Comércio moçambicano. Clemênsio FijamoMoçambique in “O País”

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Moçambique – Linha férrea de Sena retomou a actividade

O comboio de carvão regressou à linha férrea de Sena, transportando carvão mineral extraído nos campos de produção de Moatize, na província de Tete, para exportação a partir do Porto da Beira, em Sofala.

Após cerca de seis meses de completa paralisação devido à tensão político-militar, uma composição-tipo formada por quatro locomotivas e 84 vagões carregados do minério pertencente à companhia brasileira Vale chegou a meio da manhã de ontem ao Terminal de Carvão do Porto da Beira, sinalizando o retorno à exploração de uma rota estratégica para os negócios da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM, E.P.).

Antes da paralisação do transporte de carvão, a linha férrea de Sena chegou a conhecer um tráfego intenso, com uma média diária de 22 comboios em ambos sentidos, transportando desde carvão mineral da Vale, passando por carga dos CFM e passageiros das várias comunidades servidas pela via. 

Segundo dados apurados pelo “Notícias”, o reatamento da circulação de comboios na linha de Sena segue-se a um entendimento entre os CFM e a Vale, com a primeira agora a assumir os encargos com a segurança da composição e respectiva carga.

Ainda este ano foi concluído um projecto de reabilitação e ampliação que conferiu à linha de Sena uma capacidade de carga fixada em 20 milhões de toneladas de carga por ano, contra os anteriores 6,5 milhões de toneladas.

Com a reabilitação passaram para a história os sistemáticos episódios de descarrilamento, que resultavam em danos avultados, tanto para os CFM, como para os donos das mercadorias.

As obras de reabilitação e ampliação, orçadas em 163 milhões de dólares, foram executadas pelo consórcio português Mota-Engil & Edvisa e consistiram no aumento das linhas de cruzamento de 750 para 1500 metros em todas as 40 estações e apeadeiros, de modo a permitir a circulação de comboios-tipo com até 100 vagões puxados por seis locomotivas.

A restauração física da Linha de Sena também contemplou a reabilitação de todas estações e a construção de uma, em Cateme, bem como a abertura de apeadeiros nos locais de maior aglomerado populacional em toda a extensão para dar resposta ao pedido das comunidades que sempre manifestaram o interesse de ver a circulação do comboio trazer ganhos para a população.

A recente recuperação do preço do carvão de coque, de 80 para 160, e do térmico de 50 para 72 dólares norte-americanos a tonelada renova as expectativas dos operadores numa exploração rentável daquele recurso na bacia sedimentar do Zambeze, localizada em Tete.

Até 2011 o preço de uma tonelada de carvão de coque custava 296 dólares no mercado internacional, enquanto o térmico era vendido a 121 dólares em finais de 2015, uma queda que afectou a produção e consequentemente as exportações. Esta situação teve igualmente impacto na redução da força de trabalho e no desempenho da economia da província de Tete. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

sábado, 16 de julho de 2016

Moçambique – Concessionado terminal de carvão do Porto da Beira

O governo moçambicano acaba de concessionar à empresa NTCB o desenvolvimento do terminal de carvão do porto da Beira, por forma a viabilizar os investimentos realizados em toda a cadeia logística da linha de Sena.

Ambrósio Sitoe, porta-voz do Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC), explicou no passado dia 14 de Julho de 2016, a jornalistas na cidade da Matola, província de Maputo, que em 2013 o Governo aprovou um investimento de 4,6 biliões de dólares norte-americanos num projecto que tem como sócio maioritário a Vale Moçambique, para aumentar a capacidade de linha de Sena de 6,5 para 20 milhões de toneladas anuais.

“Os objectivos propostos para a linha de Sena estão em fase bastante adiantada, devendo terminar em Dezembro próximo. Entretanto, o terminal de carvão do porto da Beira continua com uma capacidade de escoamento de carvão de cerca 6 milhões de toneladas por ano, pelo que há uma necessidade de se acelerar a harmonização das capacidades das duas infra-estruturas”, disse

Ambrósio Sitoe, que é igualmente porta-voz do XXXIV Conselho Coordenador do MTC, que decorreu até ontem, na cidade da Matola, afirmou ainda que o Executivo está empenhado em aumentar a capacidade de escoamento do porto da Beira.

“Durante o conselho foram também discutidos projectos prioritários ligados ao desenvolvimento do porto da Beira, que são a linha de Machipanda (cujo estudo de viabilidade já foi concluído); a reabilitação do Cais 11 - que vai garantir a logística de carga contentorizada; e a questão da Draga de Macuti, que teve um acidente”, afirmou.

Segundo a fonte, o presente Conselho Coordenador constatou que grande parte das actividades planificadas para 2015 foi cumprida, embora tenha sido um ano atípico por causa da estiagem no sul e centro do país, chuvas intensas na zona norte, tensão política e a crise económica que abala o mundo.

“Neste âmbito, podemos destacar a conclusão da fase I da reabilitação do porto de Nacala, inaugurado em Setembro de 2015, e do terminal de carvão de Nacala-a-Velha, tendo este iniciado com as operações comerciais com um navio que transportou 168 mil toneladas para o Japão”, disse.

O porta-voz afirmou ainda que os participantes avaliaram a dragagem do porto de Maputo, que está a aumentar a sua cota para garantir a entrada de navios de grande calado.

“O grande objectivo do sector dos Transportes e Comunicações é a construção de infra-estruturas para responder à procura da carga nacional e regional”, frisou. In “Jornal de Notícias” - Moçambique