Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Valentim Fagim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Valentim Fagim. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Galiza - Lançamento do livro O nosso Porto, de Carlos Taibo, na livraria Couceiro em Compostela

Na próxima quarta-feira, dia 24 de janeiro, às 19h, Carlos Taibo apresenta o seu novo livro, O nosso Porto, um olhar a partir da Galiza, editado pola Através. O evento decorrerá na livraria Couceiro (Praça do Pam -Cervantes-), e o autor estará acompanhado polo editor, Valentim Fagim


Este é um ensaio pessoal sobre o Porto em que se revelam algumas das querenças, se calhar também as obsessões, do autor. Nas suas páginas revelam-se o desenvolvimento urbano da cidade, as suas divisões internas, o património religioso e civil, o peso do rio e do mar, as contestações que nasceram em ruas e cafés, a inquietante turistificação destas horas, o mundo dos escritores e das livrarias, ou a relação da Galiza com um espaço que é, por muitos motivos, galego. Não está o leitor, ou a leitora, ante um guia da cidade: está ante um exercício de amor que não esconde as cautelas.

Carlos Taibo

Foi durante trinta anos professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid. Tem publicado Parecia não pisar o chão. Treze ensaios sobre as vidas de Fernando Pessoa (Através, 2010), Comprender Portugal (Catarata, 2015), em espanhol, e, em colaboração com Arturo de Nieves, Galego, português, galego-português? (Através, 2013). Nos últimos anos foram publicados em Portugal os seus livros Colapso (Letra Livre/Mapa, 2019) e Ibéria esvaziada (Letra Livre, 2022).

Carlos Mendes

O facto de ter nascido num dos bairros históricos mais emblemáticos do Porto não será estranho à grande paixão que nutre por essa cidade. Desde tenra idade dedicado à música e à fotografia, acabou por optar por esta última como carreira profissional, concluindo bacharelato em fotografia e mais tarde licenciatura em arte e comunicação, ambos na Escola Superior Artística do Porto.

Acabou integrando também a formação em audiovisuais, cursando fotografia cinematográfica avançada na Escuela Internacional de Cine y TV, de San Antonio de los Baños, Cuba. Durante anos, desenvolveu profissionalmente trabalho em fotografia, com especialização em fotografia de arquitectura, especialidade que leccionou no Instituto Português de Fotografia, mas, na última década, a direcção de fotografia ocupa a quase totalidade do seu trabalho, com especial destaque na área do documentário, para televisão. Desde a primeira edição, programador dos cursos aPorto (www.aporto.org). In “Portal Galego da Língua” - Galiza


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Galiza - Apresentaçom do livro “Estou a estudar português” de Valentim Fagim em Lugo

Na próxima segunda-feira dia 9 de janeiro às 17h, a Escola Oficial de Idiomas (EOI) de Lugo acolherá a apresentaçom do livro Estou a estudar português, com presença do autor, Valentim Fagim


Este livro está idealizado para pessoas que querem abordar o português a partir da variedade galega ou do castelhano. Os materiais que o livro compõe são aqueles que se precisam para fazer este percurso. Este tipo de materiais costuma aparecer espelhado em diferentes e valiosas obras. A missão do autor foi reuni-los e tentar explicá-los e arrumá-los com vontade pedagógica. O texto aparece entremeado com exercícios, breves, de forma a poder integrar aqueles saberes mais estruturais ou aquelas dinâmicas mais comuns.

O manual, de quase 300 páginas, está pensado especialmente para estudantes castelhano e galego-falantes. Conta com ilustraçons de Iván Suárez e com prefácio do escritor português Marco Neve, quem diz sobre este manual “A viagem por uma língua, como muito bem diz Valentim Fagim no final do livro que tens nas mãos, é infinita — e dizer isto nem é bem uma metáfora. Podemos imaginar frases em português e continuar por toda a eternidade. Não nos acabaria a língua nunca. Assim, aprender qualquer um dos idiomas das Terra é um desafio e uma aventura, mas também algo tremendamente recompensador. De repente, temos mais uma infinitude de frases dentro de nós. De repente, podemos falar e conversar e escrever como queremos noutra língua, com mais pessoas, com palavras que nos espicaçam para pensar de outra maneira — não porque as línguas sejam fundamentalmente diferentes, mas porque cada língua tem os seus atalhos secretos para falar do mundo”. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


domingo, 12 de junho de 2022

Galiza - Estou a estudar português, última edição da coleção Através da Língua

Da autoria de Valentim Fagim, professor na EOI de Compostela, Estou a estudar português foi idealizado para pessoas que querem abordar o português a partir da variedade galega ou do castelhano

Os materiais que o livro compõe são aqueles que se precisam para fazer este percurso. Este tipo de materiais costumam aparecer espelhados em diferentes e valiosas obras. O objetivo do livro foi reuni-los e tentar explicá-los e arrumá-los com vontade pedagógica.

O texto aparece entremeado com exercícios, breves, de forma a poder integrar aqueles saberes mais estruturais ou aquelas dinâmicas mais comuns.

O livro inclui um prologo do divulgador linguístico Marco Neves e os desenhos são da autoria de Iván Suárez. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


terça-feira, 7 de setembro de 2021

Galiza - Aberto o prazo em todas as Escolas Oficiais de Idiomas para estudar português

Nestas datas está aberto o prazo em todas as EOI da Galiza para se inscrever, quer nas provas de classificação, onde uma breve avaliação serve para nos colocar no nível certo, quer nas aulas do presente ano letivo. Colocamos a informação da EOI de Santiago mas no resto dos centros as datas são parecidas.

Para encorajar a malta galega para se inscrever no presente ano letivo, a DPG criou este vídeo onde aparecem várias docentes a explicar as bondades de estudar português:



Se souberem de alguém que padeça lusopatia, brasucopatia ou galaicopatia, podem passar a informação. É fácil de curar. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

Valentim Fagim - Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP


domingo, 6 de agosto de 2017

Galiza - Tés crianças, tés alternativas

Por volta da difusão social do galego são feitas cada ano uma miríade de campanhas institucionais e pessoais, surgem debates intensos mais ou menos emocionais, mais ou menos racionais e escrevem-se artigos que são comentados, em média, por mais pessoas que outros textos com temáticas diferentes. A língua move, é claro. Ora, toda esta ação empalidece perante uma pergunta: somos capazes de garantir a transmissão linguística de pais para filhos?

Na Galiza, a percentagem de pessoas que tem vontade manifesta de que os seus filhos falem o galego que elas falam é pequeno. A percentagem de aquelas que o conseguem é ainda menor. Possivelmente tu, que estás a ler este texto, tenhas vontade ou terás vontade no futuro.

Por que as crianças falam a língua que falam? Esta também é uma pergunta iniludível. Antes de eu ser pai achava que os progenitores eram a chave do cofre. Agora que sou pai e converso com pais, verifiquei que a chave são os iguais… os amigos e colegas. Por sua vez, os desenhos animados também têm um peso importante, não apenas polo tempo de exposição que implica como também polo valor que as crianças dão a umas personagens que nem sempre falam a língua da casa.

Em termos gerais, a melhor forma de facilitar que os miúdos conservem a língua com que foram educados polos pais é existir uma envolvente em galego, por outros palavras, um ambiente que, maioritariamente, se expresse na língua da Galiza. Um dos espaços imprescindíveis são as escolas e os infantários. Em média, uma criança passa lá 5 horas diárias de segunda a sexta-feira. Se somarmos as atividades extra-escolares ligadas ao centro ou os encontros com colegas da escola fora da mesma, a cifra torna-se ainda mais crucial. Na atualidade, este serviço é abordado polas escolas sementes nalgumas cidades e nas áreas rurais, nem todas, por muitos centros onde o galego é hegemónico entre as turmas. Ora, resta muito por fazer e a maioria das famílias estão desassistidas, escolarmente falando.

Outra área relevante, se atendemos ao número de horas e a influência que têm nas vidas dos miúdos, são os desenhos animados. Neste aspeto, há uma má e uma boa notícia. A notícia ruim é que os galegas e as galegas somos educados em que a nossa língua é local (enquanto o castelhano e internacional, não é?. Com esse esquema, os desenhos animados tornam-se numa tarefa impossível. Na TV existem dous canais 24 horas de programação infantil em castelhano, com as desenhos que todos querem ver e a TVG não oferece nada que se lhe poda comparar. Ora, falava também de uma boa notícia: podemos ser desobedientes e viver o galego como uma língua internacional (como o castelhano, enfim). Então o mapa muda e aparecem mil possibilidades trocando a TV polo computador/Internet de onde se podem obter as mesmas sérias que oferece a TV espanhola. Se o uso do audiovisual é feito desde o princípio em galego internacional, a Doutora Brinquedos ou Dora, a aventureira falam galego.

De facto, falam. No capítulo Peixe fora d´água, da versão brasileira de Dora, a aventureira, a nossa criança vai ouvir encher, buracos, balde, rocha vermelha, caranguejo, polvo, tartarugas, golfinhos. Na versão que nos oferece o sistema cultural espanhol vai ouvir llenar, agujeros, cubo, roca roja, cangrejo, pulpo, tortugas, delfines. Cada escolha implica uma forma diferente de estar no mundo. Onde queremos estar? Onde queremos que estejam os nossos filhos? Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”


Valentim Fagim - Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Galiza - Imagina

Ao escrever um artigo como este imagino a pessoa que o vai ler. Penso em alguém a falar galego a quem causa estranheza esta forma de ver escrita a sua língua. Para mim também foi um desafio, no seu dia, ler textos assim porque fum educado, como ela, em que esta ortografia e esta língua eram estrangeiras. No entanto, eu pediaria-lhe um pouco de paciência. Talvez descubra um relato novo para a sua língua e quem sabe se melhor que o que lhe foi transmitido.

Do que leva lido até agora é provável que lhe provoquem ruído palavras como escrever, alguém ou estranheza. Talvez, imagino, nas aulas de Língua Galega tenha deparado com estas palavras ao tratar a literatura medieval mas o certo é que já estamos no século XXI.

Agora as pessoas realizamos muitas tarefas com o idioma que não eram possíveis na Idade Média. Para começar, porque daquela a imensa maioria das pessoas não sabia ler. Como agora sabemos decifrar um texto escrito, podemos fazer um sem-fim de tarefas: procurar informação na Internet, usar as Apps do telemóvel ou ler as legendas dos filmes e saber de que tratam. Ora, nem tudo é ler. O idioma serve também para as nossas crianças desfrutarem com desenhos animados, os adultos chegarem a um lugar usando o GPS e todos, adultos e miúdos, sermos seduzidos por jogos em formato eletrónico.

Há quem diga, e é possível ser assim, que as línguas ausentes nesses formatos do séc. XXI vão ter dificuldades para garantir a sua presença nas gerações vindouras. E eu pergunto à pessoa que me lê, será capaz de nos sobreviver a língua da Galiza?

Imagino que te diriam que sim mas pensarás que não. Ora, repara num aspeto importante. Se foste capaz de chegar até aqui na tua leitura, com maior ou menor dificuldade, quer dizer que tens o potencial de fazer muitas cousas com o teu idioma que te ensinaram que só eram possíveis em castelhano. E aqui entra o relato da língua galega, aquilo de que é local e que não serve para muito. Ora, os relatos podem-se reescrever. Devem, de facto, ser reescritos.

Einstein, o físico, afirmava que fazer todos os dias o mesmo e esperar resultados diferentes é prova de pouca saúde. Teremos pouca saúde a respeito da língua?

Eu imagino que as políticas linguísticas do séc. XXI integrarão as outras variedades da nossa língua bem como as suas sociedades, Brasil, Portugal ou Angola. Isto vai aumentar o bem-estar da nossa sociedade e fortalecer o nosso idioma milenar. Imagino que, da mesma forma que sabemos o nome de personalidades que se expressam em espanhol em lugares que nunca visitaremos, saberemos quem é Pepetela, Luís Filipe Rocha ou Adriana Calcanhoto e desfrutaremos da sua obra. Imagino que se alguém quer viver em galego o poderá fazer, sobretudo as crianças. Imagino que tenhamos do galego a mesma visão alargada e otimista em que fomos educados a respeito do castelhano.

Ora, do que se trata é de que tu também o imagines porque quantos mais formos a imaginar, criaremos antes essa realidade. E, como sabes, temos pouco tempo.

Em se tratando de imaginar, imagino que se este artigo ganhar e sair publicado nos meios de comunicação colaboradores (1), ninguém pedirá para alterar a sua ortografia dado que já estamos no séc. XXI e não podemos fazer todos os dias as mesmas cousas… e esperar resultados diferentes. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

   (1)   - Este artigo foi apresentado foi apresentado ao XIII Prémio a artigos jornalísticos normalizadores do Concelho de Carvalho.


Valentim Fagim, Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.

domingo, 15 de maio de 2016

Galiza – Formatar

Sou um viguês nascido na década de 70. Fui programado para falar em castelhano, como todos os rapazes da minha geração na minha cidade, em tantas cidades, em tantos lugares. O grau de sucesso do programa foi muito elevado, alcançando a quase unanimidade. Portanto, sou um minúsculo erro de sistema.

O erro de sistema que eu sou foi educado para ver a língua galega como local, inútil e dialetal. Local porque só se falava na Galiza, ou ainda pior, nas aldeias, ou pior ainda, só nos corpos humanos mais lesados polo tempo. Inútil porque não dá os serviços mínimos que dá a língua castelhana, aquilo que exige um cidadão corrente do século XXI, textos, software, música. Dialetal porque é um arremedo do castelhano, porque não é autêntica, porque é uma cópia má.

O erro de sistema decidiu falar em galego no final da adolescência e contestar esta visão de uma língua que passava agora a ser dele. No entanto, tinha uma limitação séria. Fora programado nas aulas de língua galega para a ver, e portanto para a viver, como sendo só da Galiza. A língua das sociedades brasileira, angolana ou portuguesa era outra, portanto era estrangeira, portanto não era dele e as produções que gerava, textos, software, música, eram alheias. A consequência direta desta  prescrição era que… o galego tinha pouca produção e tinha um padrão de língua muito dependente do castelhano, eufemismos de “inútil” e “dialetal”.

Pouco depois, o erro de sistema decidiu formatar o seu disco rígido, de vez. Formatar a programação social a respeito da nossa língua, a que assentava em várias gerações de galegos e galegas, a que irradiavam as elites e ecoavam aqueles que as mantêm. E não só. Formatar a programação do galego da transição, que como tantos produtos da transição era uma fantasia, um parece-que que acabou sendo um para-nada, uma ilusão para satisfazer os que não sonham e os que têm pesadelos que, por vezes, são os mesmos.

Duas décadas depois, o erro de sistema vive instalado na sua língua. Ora, mudou a programação. A nova inclui uma língua internacional e compartilhada, uma alta gama de produtos para viver nela e um formato de língua soberano a respeito do castelhano. A minha filha, de poucos anos, conversa com a Dora, a aventureira ou joga a ligar imagens de animais com uma voz que lhe diz: tartaruga, tubarão, golfinho. A minha filha nasceu livre de programas maliciosos, de esses que limitam. Somos já vários milhares de pessoas as que formatamos o nosso disco rígido e tudo vai mais rápido, mais ágil, mais limpo. A que estás esperando? A uma nova versão do mesmo programa?  Que tal se mudamos o sistema? Valentim Fagim – Galiza in “Praza Pública”

segunda-feira, 7 de março de 2016

Galiza – PGL entrevista os diretores da Através Editora

Fagim e Serém, diretores da Através Editora: «A magia do nosso projeto é que muitas pessoas doam o seu tempo e o seu saber».

«A respeito de Portugal o que nos mostra a experiência da Através é que não chega com editar em galego internacional para os livros serem vendidos. É precisa rede humana e prescritores/as»

Xosé Antón Serém e Valentim Fagim som os atuais diretores da Através Editora, o selo editorial da Associaçom Galega da Língua (AGAL). O processo editorial, os retos para a ediçom em galego-português ou a distribuiçom de livros galegos em Portugal som alguns dos temas principais da conversa que tivemos com os nossos entrevistados.

Uma editora é, como destaca Roberto Calasso, algo mais que uma Marca editorial, é um projeto, um conjunto de títulos que entre eles conformam uma mensagem, uma proposta ao lê-las em conjunto… Qual é a mensagem de Através? Ou qual quereria ser?

Xosé Antón Serém: É comum o ditado de que umha editora é o seu catálogo. E nom vou discordar. Parece umha evidência, mas nom o é tanto. Fazer um catálogo coerente, sem estridências e na medida do possível vinculado à qualidade já é maravilhoso, mas se ainda por riba propós novas ideias, tentas abrir caminhos, provocas conexons sugestivas e te deixas contagiar da riqueza humana e intelectual que se respira ao teu redor, já é mel sobre filhoas. Através tenta ser um pouquinho de todo isto. É a gente a que deve dizer se o imos conseguindo. Nós estamos bastante satisfeitos.

Acho que Através emite varias mensagens, sem ir mais longe, que a riqueza dum movimento social, como é o reintegracionismo, foi e é motor da editora, mas que esta nom se circunscreve só a ele. Outra, que se ofereces livros e propostas interessantes a gente agradece, e nom olha muito em que grafia está escrito. Pola via dos factos estamos dando também a mensagem de que se podem fazer projetos que incidem no cerne da cultura do país, sem ter que esperar a que os dinossauros das instituiçons despertem algum dia do seu sono amnésico. Outra mensagem é que podemos trabalhar horizontalmente, em rede, com umha excecional rede de colaboradoras /es, sem hierarquias.

Valentim Fagim: O nome da editora envia uma mensagem, Através quer atravessar fronteiras mentais e físicas. Fomos educados, ou melhor sociabilizados, para nos limitar. O galego é local e serve para o que serve, que é pouco segundo se nos diz. Através quer contestar esta forma de viver, quer no formato de galego que usa, quer nos temas que trata. Pessoalmente, o que mais me satisfaz do nosso trabalho são aqueles livros que são adquiridos por pessoas que não têm o hábito de ler em galego internacional. Lembro agora o caso de O pequeno é grande, a respeito do minifúndio na Galiza. Penso nos seus leitores e leitoras e fico satisfeito como editor.

Através começou como uma editora “salva vidas”… isto é uma empresa para socorrer náufragos reintegratas e outros rebeldes que não podiam encontrar editora no sistema cultural galego, tão fechado como é. Mas como evoluiu? como funciona hoje, quem quer editar em Através, como se escolhe após ter editado destacadas e premiadas obras, em ensaio, poesia e prosa?

X. A.: Acho que nom houvo muito de editora “socorrista” nos seus começos nem agora. Tínhamos claro que a maturidade, a riqueza, a rede tecida polo reintegracionismo podia promover umha editora marcante, com os objetivos de qualidade e interesse.Isso sim, estamos encantados de recebermos náufragos, reintegratas e rebeldes do país no nosso catálogo atravessado.

V. F.: A Através dá um bom serviço para pessoas que escrevem habitualmente em galego internacional e num primeiro momento essas foram as nossas edições mas também recebemos propostas de pessoas que não têm esse hábito cultural mas que, por razões de todo o tipo, querem publicar uma dada obra nesse formato de língua. É o caso do celebrado Galiza, um povo sentimental?, da Helena Miguélez, por exemplo.

Os processos de escolha não são simples. Cada projeto é avaliado por duas pessoas, uma da equipa editorial e outra externa e tomamos em consideração muitas variáveis. Afinal, somos uma editora amadora, fazemos isto por amor, e só temos capacidade de editar 11 livros por ano. A amadorismo tem uma parte de limitação mas também de aventura. Adoramos a aventura.

As questões pendentes do livro galego e especificamente do livro reintegrata são o mercado português e a profissionalização? São um sonho, um objetivo a meio prazo… uma desesperação?

X. A.: Quanto à profissionalizaçom, nom é descartável, mas nom há que esquecer que vimos dum movimento social, com um grau de ativismo alto, e isso trabalha em contra da profissionalizaçom. Em todo o caso, há umha semiprofissionalizaçom do processo (pessoa liberada a tempo parcial, distribuidoras…).

Quanto a Portugal, cada vez penso mais que temos umha especie de “sebastianismo” com isso: estamos sempre à espera de que Portugal reconheça a Galiza, e na verdade isso despista-nos bastante de muitas outras tarefas pendentes. Em todo o caso, o que precisamos é de mais contato e prescritores com o mundo cultural lusófono, que até agora só está nos departamentos de português da Universidade ou das EOI.

V. F.: A respeito de Portugal o que nos mostra a experiência da Através é que não chega com editar em galego internacional para os livros serem vendidos. É precisa rede humana e prescritores/as. Estamos nesse processo de construção de rede que é uma das chaves que torna a estratégia reintegracionista tão interessante e tão rica a respeito da estratégia autonomista.

Quanto à profissionalização, na equipa temos uma pessoa que recebe um salário e centra a sua ação no contato com as distribuidoras, temas económicos, loja on-line, envio de livros aos clubistas, etc. Toda essa parte feita amadoramente seria muito pouco eficaz.

A magia do nosso projeto é que no processo de transformar um rascunho num livro impresso há muitas pessoas envolvidas que doam o seu tempo e o seu saber. A chave é combinar ambos os processos, profissional no que não pode ser amador e amador no que sim pode ser. Aproveito esta entrevista para agradecer todas as colaborações neste sentido, avaliação de originais, revisões linguísticas, capas, diagramações, etc. Como diziam em La Bola de Cristal: sólo no puedes, con amigos sí.

Desde os anos 70, o mexicano Gabriel Zaid (o autor de “Los demasiados libros”) vinha apontando que o número de livros que se publicavam e as editoras era excessivo, na época dourada do texto electrónico, das grandes editoras na rede e do e-book (do que alguns já apontam certo declínio)… por que editar em papel?

X. A.: Primeiro dizer que o velho matemático é discípulo do Rafael Dieste, que delicia de intelectuais! Vou à pergunta: também deveríamos editar em e-book, mas o papel aí está, é um artefacto que para certo tipo de leituras continua a ser revolucionário.

Para mim a dia de hoje há umha leitura centrífuga, rápida, internética, fascinante, porque enlaça umha cousa com outras em questons de segundos (e com áudios, vídeos, imagens…) e umha leitura em papel mais sossegada, reconcentrada, profunda, fascinante também quando atopamos esses livros que nos capturam. Vejo-as complementares.

V. F.: A priori parecia e parece que tudo ia ser digital mas os analógicos não morrem. Há pessoas que gostamos de tocar e sentir o papel. Talvez seja uma doença ainda não diagnosticada. Seja como for, a versão em epub é um tema que temos pendente e a única forma eficaz de chegar ao público brasileiro e africano.

O mercado do livro galego é anómalo. Por uma banda está super-saturado de propostas editoriais, por outra tem um mercado estancado, dependente do mundo institucional e da leitura escolar… Publicar reintegracionistas, autores galegos em Português, como encaixou aí? como achais que vos recebe o público? e os livreiros?

X .A.: Penso que um dos traços mais desesperantes é que nom engancha mais público. Há umha minoria que se interessa polo livro galego ou de tema galego, e a grande maioria nom liga. Nós temos autoras e autores mui potentes, com um público que as segue, mas entendo que é essa minoria sempre.

No público há de todo, desde o que se surpreende até o que nos parabeniza. Polo geral, muito bem. Temos claro que devemos ser mui pedagógicos com a difusom do nosso catálogo. Os livreiros bastante bem, mas o sector da cultura com o que estou mais felizmente surpreendido e contente é com os críticos. Eles e elas estám sendo os nossos melhores embaixadores.

V. F.: No mundo editorial mais institucional intuo que tarde ou cedo vai haver um colapso. Os números não dão. Intuo que a maioria das obras que se editam na Galiza tenham tiragens de 300-500 exemplares. Isto é aceitável para editoras pequenas mas nem tanto para grandes maquinarias editoriais. Cada vez há menos investimento a fundo perdido por parte das instituições públicas porque cada vez há menos capital e menos necessidade de investir no galego. Que sucederá quando o colapso chegar… ? Saberemos logo.

O livro infantil em papel suporta bem as crises, tanto a do digital como a das livrarias. É universo próprio onde o caráter tátil do livro-objeto, o desenho, os formatos apresenta regras próprias; por outra banda, o livro infantil-juvenil é uma das chaves e indicadores de uma língua normalizada… Para quando o reintegracionismo se aventura aí?

X .A.: Estamo-lo pensando. É umha questom que dividiu o Conselho editorial bastante tempo porque é um livro muito especial de fazer e caro. Ademais, Galiza tem varias editoras específicas muito potentes e prestigiosas em livro infantil, e que também editam em português. Por outra parte, trabalhar a etapa infantil e juvenil suporia ajudar a pôr essa semente para a Galiza do futuro.

V. F.: Com efeito, é um debate larvado na equipa que ressurge periodicamente mas é quase certo que daremos esse passo. O desafio é que a maioria de edições em infantil costumam ser made in China, motivado polo formato do livro, e nós não vamos enveredar por aí. Teremos que planificar muito e bem cada projeto. Seja como for, está para nascer essa tal coleção infantil. Não demorará. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

sábado, 3 de outubro de 2015

Galiza - AGAL, casa comum

A AGAL tem mais de trinta anos de história. Três décadas dão para muitas mudanças. Na sua origem houvo uma ligação estreita com a esfera filológica de que dão fé vários congressos internacionais de língua e um intenso labor prescritivo, como é o caso da proposta normativa para a variedade galega. Lentamente, ganhou peso a difusão social do reintegracionismo; para isto foram fulcrais as equipas de Bernardo Penabade e o PGL foi um farol.

Em 2009, a que chamamos humoradamente de Geração Spectrum acentuou essa forma de fazer social em que se procurava explicar a estratégia reintegracionista de diferentes formas e para diferentes públicos e onde se tentava criar um discurso que reptasse sobre os muros. Aspirávamos, e aspiramos, à hegemonia social, a chegar a um estado de cousas onde seja considerado uma excentricidade negar que a língua de Portugal e do Brasil seja a nossa.

Nestes seis anos em que primeiro fum presidente, e agora vice-presidente, o foco era chegar às pessoas. Interessa o conteúdo dos produtos e a sua eficácia, não o formato ortográfico do continente. Cada equipa decidia soberanamente. Daí os ateliês Ops para o ensino secundário com mais de 12.000 receptores, a Através Editora com 41 títulos (para dar saída à nossa produção nacional) ou o documentário Decreto Filgueira (que aproveita a figura do homenageado para explicar a origem do statu quo linguístico).

Na AGAL existem duas sensibilidades sobre a sua natureza e missão social, ambas legítimas. Há quem ache que a norma gerada pola Comissom Linguística deve ser o motor da associação e que a ação da AGAL deve centrar-se no seu uso. Outros consideramos que a AGAL deve ser a casa comum dos reintegracionistas, tenham a sensibilidade que tiverem sobre a prática escrita. No primeiro caso, gera-se uma hierarquia em que as pessoas que usam uma dada norma têm mais direitos e espaços que os que usam a outra. No segundo caso não há hierarquias pola forma ortográfica, só interessa criar produtos e discursos que tenham qualidade e sejam eficazes. São duas estratégias diferentes para o reintegracionismo. Oxalá haja um debate rico, falemos e escutemos para ser a assembleia a que escolha o rumo da associação nos próximos anos.

Na AGAL houvo várias eleições que acabaram por ser marcantes para o seu desenvolvimento. A convocatória de 24 de outubro confio em que marque um nova forma de convivência, construindo uma casa onde todos caibamos, uma casa grande. Uma casa grande onde 100% das energias sejam dedicadas a incidir socialmente e a crescer. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”



Valentim Fagim - Nasceu em Vigo. Professor de Escola Oficial de Idiomas (Ourense, Santiago de Compostela, Vila Garcia, Ferrol), é licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações (PGL, Novas da Galiza, Praza Pública, Sermos Galiza, etc.), mas também livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH.Manual de língua para transitar do galego-castelhano para o galego-português (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Tem realizado trabalho associativo através da AR Bonaval, da Assembleia da Língua de Compostela, do local social A Esmorga e da AGAL, entidade que promove a estratégia luso-brasileira para a nossa língua, de que foi presidente entre 2009 e 2012 e de cujo Conselho continua a fazer parte como vice-presidente. Também é académico da AGLP.

sábado, 11 de outubro de 2014

Galiza – Partir de zero

Regularmente são feitas campanhas para promover o uso social do galego. Não escasseiam, por sua parte, debates públicos sobre o seu estado de saúde social e por onde devemos transitar a médio prazo. Um debate recorrente a respeito do discurso em volta do galego, quando queremos promover o seu uso social, é: devemos focar apenas aspetos positivos ou mostrar também o avançado estado de substituição linguística? Há uns anos apareceram, na cidade onde moro, pintadas com um número que indicava os falantes perdidos no ano anterior. Depois surgiram vozes diversas, quer criticando a campanha, por pessimista, quer gabando-a, por promover a consciência.

Uma regra básica da publicidade, poderia-se arguir, é que o comum das pessoas não costuma pegar, para si, no que está associado ao fracasso. Ainda, os que finalmente pegarem são tão poucos que nem justifica a promoção.

Ora, acontece que este “tapemos o negativo” dá muito jeito aos responsáveis da estratégia institucional para esconder um fracasso e não questionar um modelo. Trinta anos deveria dar para fazer análises embora também seja certo que, quando alguém só tem UMA estratégia, para que servem as análises? Se correr bem, regozijemo-nos, se correr mal, é a vida.

Os inícios dos anos 80 foram muito importantes na história da nossa língua. Foi quando se começou a implementar a estratégia “oficial”. Partia da base de que a cidadania do Brasil e de Portugal e as suas produções, do género que forem, não tinham nada a ver connosco. Eram estrangeiras.

A consequência mais relevante desta focagem era que, para construir, havia que partir de zero. Queríamos o Windows em galego? Partir de zero. Queríamos ler Paul Auster? Partir de zero. Queríamos os desenhos animados da Peppa Pig? Partir de zero. Queríamos o Asterix? Partir de zero.

O pior é que conseguiram convencer a maioria dos galegos de que o seu zero particular era de todos, e multiplicar por zero sabemos no que dá.

É o momento de trabalhar com outras aritméticas, sobretudo porque não vamos ter muitas mais sequências de trinta anos. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”


Valentim Fagim - Nasceu em Vigo. Professor de Escola Oficial de Idiomas (Ourense, Santiago de Compostela e desde 2013 em Vila Gardia), é licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações (PGL, Novas da Galiza, Praza Pública, Sermos Galiza, etc.), mas também livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH.Manual de língua para transitar do galego-castelhano para o galego-português (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Tem realizado trabalho associativo através da AR Bonaval, da Assembleia da Língua de Compostela, do local social A Esmorga e da AGAL, entidade que promove a estratégia luso-brasileira para a nossa língua, de que foi presidente entre 2009 e 2012 e de cujo Conselho continua a fazer parte como vice-presidente. Também é académico da AGLP.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Uno, duo ou trino

Um subproduto de deus é a certeza. Não levamos bem que não haja nada debaixo dos pés. Talvez por isso a ciência véu a ocupar em muitas pessoas o lugar deixado por deus. Disto não se livra, porque o havia de fazer, a língua.

É habitual nos procelosos debates internáuticos atacar a pouca cientificidade de uma afirmação ou apelar à Filologia como um Salomão do século XXI a dirimir se A é B são, ou não, entidades diferentes. Pobre filologia, invocada para resolver o que não pode. Pobres filólogos requeridos como popes para dar a sua bênção. Bom, nem tão pobres que alguns adoram o papel, seja dito de passagem. Deve ser difícil renunciar ao poder das togas.

Nas últimas semanas várias músicas vêm à minha cabeça. Parece que mudei de tema mas apenas o parece, um bocado de paciência. Vou a caminhar e o Spotify da minha cabeça canta: “Eu sou um rapazinho, Embora pequenino, Tenho muito tino, Sou o Ruca”. Passado um tempo a playlist deixa sair “olá amigo, já estamos aqui, somos os caricas, vamos brincar”. Se não bastasse, a seguir soa: “Fum ao mercado comprar café e a formiguinha picou-me no pé”. Enfim, é o que che tem ser pai. Como? Que mudei de tema? Não, vais ver que não.

Deixávamos atrás aos filólogos salomônicos, com as suas togas e as suas espadas a decidir se galego e português e brasileiro são Uno ou Trino ou Duo. Que tal se deixamos passagem aos sociólogos, aos politólogos, aos economistas, aos programadores culturais, aos músicos, aos encenadores e a tantos outros opinarem sobre o tema? Que tal, ainda melhor, se perguntamos aos galegos e as galegas como vivem as sua língua? Uns como zero, outros como uma vaga companhia, outros como o eco das aldeias, outros como o crisol da nação galega “só para nós”, outros como uma vantagem curricular, outros como o universo em que querem educar os seus filhos para além dos limites que nos inculcaram, a incluir o Brasil, Angola ou Portugal. E todos vivemos no mesmo país. Pobre Salomão. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

domingo, 15 de setembro de 2013

Hipóteses

 
Houston, temos uma hipótese
 
Taboo é um jogo de tabuleiro em que devemos descrever um conceito sem o nomear nem usar certas palavras na descrição, aquelas que facilitariam a identificação por parte da nossa equipa. É provável que a palavra Língua aparecerá no maço de fichas do tal jogo e atrevo-me a arriscar que os tabus serão palavras como Identidade, País, Gramática e outras similares.
 
A palavra cuja enunciação não creio que seja proibida é Planeta, o que é de notar porque dominar uma língua não deixa de ser uma viagem interplanetária que nos oferece numerosas regalias. Há quem esteja interessado na literatura ou a música, quem visualize o mercado laboral ou as oportunidades de negócio, quem deseje aumentar a sua rede social... tudo isto e mais consegue-se com o acesso a um planeta língua. Na verdade, estamos num momento histórico onde se privilegia como nunca ter o cartão de embarque para diferentes línguas/planetas. A insistência de Bruxelas neste aspeto é constante e os diferentes governos, com mais ou menos jeito e sinceridade, investem na formação em línguas.
 
Para a possessão de cartões de embarque, existem países com vantagens à partida: Suíça, Bélgica, Quebeque, Porto Rico... Que temos os galegos e as galegas a dizer ao respeito? Para já, a língua galego-portuguesa nasceu na Galiza e a língua castelhana está por toda a parte. São as duas línguas românicas com mais falantes e estão presentes em numerosos países e continentes. Não está mal para começar a viagem, no mínimo, melhor do que Madri, Berlim ou Paris.
 
Ora, o que interessa não é a pista de descolagem, de onde partimos, mas o percurso, por onde vamos, e o destino, aonde queremos chegar.
 
Se começamos a contar desde 1980, quando o galego entra no sistema educativo, até hoje, deparamos com uma rota de viagem bastante estranha onde o castelhano é aproveitado na sua totalidade enquanto o galego-português na sua “infimidade”. Passados trinta anos, quase todos habitamos o planeta Ñ, sabemos mover-nos à vontade, aproveitar o que nos oferece. Porém, não se passa o mesmo com o planeta NH. A imensa maioria não transita este astro nem parece interessar-lhes. Aqueles que o fazemos somos mais ricos, certeza, mas uma pergunta surge logo, por que o que é bom para nós e está ao alcance de todos, não é de transito comum?
 
Para responder a esta pergunta é comum falar-se de auto-ódio, os galegos são assim, são assado, o nacionalismo espanhol, etc. e tal. É capaz de ser assim mas seria bem mais interessante perguntar-se sobre o que fizemos com a nossa língua e o que se pode fazer de diferente. Afinal, o que mais de estranho tem a rota de viagem é que o Brasil, Portugal, Angola, as suas gentes, as suas produções não existem. Não aparecem nos nossos radares. Engolidos por algum buraco negro? Habitam noutra dimensão? Acho que não, é acender o meu computador e estão aí.
 
O diretor do Consello da Cultura Galega, Ramón Villares, afirmou que se desaproveitara este recurso mas que esta atitude era revisável. Todos os galegos e galegas viríamos a ganhar, que é o que realmente importa, com a mudança de rumo. Temos um problema, sim, mas também temos uma hipótese. Viagem interestelar? 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1.... Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Através


Às editoras chegam, para além de textos suscetíveis de serem publicados, ideias. A de Carlos Taibo parecia ótima: entrevistar pessoas do mundo cultural galego a respeito da identidade da língua galega e a posição da Galiza a respeito da Lusofonia.

Na ATRAVÉS tentamos levar a ideia para à frente, mas não conseguimos. Passado um tempo, o projeto chegava ás nossas mãos da autoria do próprio Carlos, em parceria com o sociólogo Arturo de Nieves. A ideia tornou-se agora um livro ao acesso dos galegos e galegas interessados na língua, um clã cada vez mais numeroso.

No texto da contracapa o leitor fica informado do que pode encontrar no seu interior:

Este livro tem a sua origem em muitas conversações informais que os seus coordenadores mantiveram com figuras da cultura e, em geral, da vida galegas. As discussões relativas à condição da ortografia oficial ou as relações entre a Galiza e o mundo lusófono são frequentes e, além disso, e amiúde, duras e descorteses, circunstância que obriga a identificar uma matéria sensível que convém -esta é a nossa opinião- dessacralizar, tanto mais quanto que estamos a falar dum debate importante que ultrapassa o âmbito meramente ortográfico-linguístico.

Nesta obra o nosso objetivo, modesto, era recolher a opinião de pessoas importantes na vida galega em relação com as discussões correspondentes.

Todas estas pessoas entrevistadas no livro deviam responder a três questões ligadas entre si: a adequação da vigente norma institucional para o galego, a relação entre galego e português e a vinculação da Galiza com o resto da lusofonia.

Até cem pessoas foram entrevistadas mas foram 56 as que decidiram responder as anteditas questões. Polo livro desfilam pessoas do mundo literário, da historiografia, do ativismo linguístico e da Filologia, da política, da música e ainda de outras áreas. A lista inteira pode-se consultar aqui.

Seria tentador colocar agora aquelas respostas que me chamaram mais a tentação mas vou reprimir o desejo para dar rédea solta à vossa curiosidade, portanto ao vosso desejo. Esta semana teremos a sorte de poder interatuar com os autores. Estarão connosco nas cidades de Vigo, de Compostela e da Corunha e talvez contem mais histórias das que aparecem no livro, de nós depende que o façam. Valentim Fagim - Galiza in "Portal Galego da Língua”




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Obradoiro


“O galego seria mais divertido”

“Desde há umhas semanas a AGAL conta com umha nova direçom, reforço da anterior que tivem a fortuna de coordenar. Foram anos intensos em que nasceram vários projetos, os aPorto, a Imperdível, cursos on-line, a Através Editora... mas de todos eles há um do que estou notadamente satisfeito, os Ops.

É um obradoiro para o ensino secundário que tem como objetivo central evidenciar um facto: a língua é a nossa vantagem competitiva como galegos e galegas. Até o momento em que escrevo estas linhas tenhem-se ministrado mais de um centenar de ateliês com a satisfaçom geral de docentes, responsáveis das equipas de Normalización Linguística e, o mais importante, os destinatários e as destinatários dos mesmos. É o que evidenciam os testes de avaliaçom elaborados por eles:

“Querendo, podemos comunicar facilmente em português” “Aprendi que no mundo muita gente fala português!” “Sabendo galego, estamos no mundo” “É importante dominarmos bem a língua que se fala no Brasil” “Graças ao galego, temos abertas as portas de muitos países”...

Entre estas e muitas outras frases aliciantes houvo umha que me abalou especialmente vindo de umha turma de Arçua: “se déssemos isto nas classes, o galego seria mais divertido”.

Como se sabe, na Galiza há pessoas que vivem o galego como sendo umha língua compartilhada (com o Brasil, Angola, Portugal...) e pessoas que a vivem como sendo especificamente da Galiza. Para além das nossas vivências pessoais, o certo é que a língua dos países citados estám ao alcance da cidadania galega e o seu usufruto seria umha mais-valia geral. Como também é sabido, o sistema educativo galego nunca tem implementado estruturalmente esta potencialidade. Simplesmente, os planos de estudo nom contemplam que os nossos alunos e alunas saiam do ensino obrigatório portando esta riqueza.

Pessoalmente concordo com o tal aluno arçuano: os aulas de galego teriam muito a ganhar implementando a língua e as culturas lusófonas. Ganhariam com certeza os estudantes que, sem grandes esforços, teriam acesso a um planeta cultural como também ganhariam os seus Curriculum Vitae, facto de especial relevância nos tempos que nos toca viver.

Ora, também ganharia a consideraçom e o estatuto do galego, canal que nos conecta com um mundo a que nom podem aceder os alunos de outros cantos do estado espanhol.

Por fim, e em consequência, ganhariam também os docentes de galego pois seriam os guias galácticos para aceder ao Planeta NH. Mais do que nunca, é um bom momento para sulcar a galáxia.” Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ops!


“Nos últimos meses estive em vários liceus de secundário a mostrar os alunos e alunas que a nossa língua, contradizendo algumas informações que lhes chegavam, é uma oportunidade de grande valor. Este ateliê, que nasceu de uma ideia do Carlos Figueiras, transformou-se, depois de várias reuniões e reflexões, no Ops!, cujo site, da autoria de Eugénio Outeiro, lançamos hoje.

Ops! é o que exclamamos quando nos apercebemos de algo que já sabíamos mas não alcançávamos a lembrar. Ops! é um ateliê para mostrar a alunos e alunas do nosso sistema educativo que a nossa língua é:

1) uma entrada privilegiada para aceder ao mundo em português

2) a nossa vantagem competitiva no quadro espanhol e europeu.

Ops! nasce por várias razões. Um dos dissabores que me ficou depois de ter finalizado o sistema educativo obrigatório é que nenhum dos 60/70 professores que tive dedicasse quinze minutos a revelar-nos que a língua de Portugal e do Brasil, e portanto as suas sociedades e as suas obras, estavam ao nosso alcance. Ops! vai ao encontro desta carência mas não só:

Nasce para pôr em valor a língua da Galiza, fazendo ver a sua potencialidade e contrabalançando os preconceitos que a subvalorizam.

Nasce porque o português é a sexta língua mais falada no mundo, oficial em 4 continentes e 8 países, sendo um deles o Brasil, uma potência emergente.

Nasce porque o plurilinguismo vai ter cada vez mais valor, promovido pela globalização e as instituições políticas (a começar pela União Europeia).

Nasce porque é em épocas de crise quando é mais preciso afinar onde vamos investir os nossos recursos e depositar a nossa atenção. Afinal, quer uns, quer outros, são limitados.

O ateliê é desenvolvido em português de Portugal ou do Brasil para afirmar a nossa internacionalidade e está dividido em quatro partes. Na primeira revelamos como podemos ler os textos em português à galega. Na segunda mostramos o mundo que se expressa em português e o que temos a ganhar como galegos e galegas. Na terceira, Ops!, lembramos o muito que sabemos mas convidamos a manter a atenção e aprofundar no estudo, e na última trabalhamos com sites que podem permitir que os alunos e as alunas aprendam por eles mesmos, de forma autónoma.

Ops! conta com o seguinte corpo docente para além do coordenador, Valentim R. Fagim, e são Eugénio Outeiro, Antia Cortiças, Noemi Pinheira, Kike Martins e Breogám Vila. A nossa função é comunicar uma boa notícia: a nossa língua é mundial.

Na atualidade, vários concelhos galegos contrataram Ops!: Vigo, Ponte Vedra, Moanha, Redondela, a Corunha, Melide e Ourense bem como centros educativos da Fonsagrada, Cea, Alhariz, Arçua, Lousame e o Barco.

Frente ao preconceito, Ops!” Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Galeguismo

“Sempre me chamou a atençom a atraçom que o galeguismo histórico sentiu polo português e os países que o falam, atençom que o galeguismo oficial há tempos que enviou para as malvas, essencialmente porque é o preço para sair na fotografia. No entanto, sempre fiquei mais chocado com a fascinaçom que sentiam polos países celtas de cuja comunidade, ao que parece, fazíamos parte.

Longe de mim entrar em debates sobre o celtismo de que pouco sei. Simplesmente queria bater o ponto na atitude: a Galiza Lusófona era, e é, um desafio ao statu Quo, a Galiza céltica nom.”  Valentim Fagim - Galiza     in "www.pglingua.org"