Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Brasil - Foi Deus quem criou a escala 6x1

O pastor Silas Malafaia é pela manutenção da escala de trabalho 6x1 e diante de seus fiéis, numa pregação na sua igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, aproveitou para criticar o Bolsa Família e ironizar "do jeito que estão indo as coisas, logo haverá gente querendo um dia de trabalho e seis de folga".

Evidentemente existe muito cinismo quando um milionário rejeita a escala 5x2, um dia de folga para os trabalhadores de menores salários, porém o pastor Malafaia tem a seu favor a Bíblia. Segundo ela, foi o próprio Deus quem criou a escala 6x1, pois teria trabalhado seis dias para criar a Terra, o homem e a mulher, mas no sétimo dia, escreve o primeiro livro bíblico, o de Gênesis, Deus descansou.

E, mais tarde, ao entregar os dez mandamentos para Moisés, Deus colocou a obrigação do descanso no sétimo dia, como terceiro mandamento, depois dos seis dias de trabalho, para a família humana. E isso incluía mesmo seus visitantes, seus animais e seus servidores, em outras palavras, seus escravos.

A ideia de um Deus cansado e ao mesmo tempo generoso era simplesmente simbólica, mesmo porque os sete dias de trabalho e descanso divinos não se repetiam. Mas essa primeira lei trabalhista, atribuída ao sobrenatural e inscrita nos livros religiosos desde os primeiros agrupamentos humanos, foi oportuna pois impedia a exaustão das pessoas numa época em que nenhum trabalho era mecânico.

Entretanto, a crença de uma origem divina da primeira lei limitando o tempo semanal de trabalho não significa que não possa ser melhorada. Aqui o erro dos fundamentalistas bíblicos, no caso Silas Malafaia e dos pastores evangélicos que lhe seguem nessa linha.

A escala bíblica do 6x1 tinha uma falha básica: não estabelecia quantas horas diárias se deveria trabalhar nos dias favoráveis. Assim, de uma maneira geral, mas vamos citar a França, só em 1848, os trabalhadores conseguiram limitar para 12 horas a duração do trabalho diário. Na maioria dos países ocidentais, trabalhava-se de 14 a 16 horas por dia. Marx defendia a jornada de 10 horas, mas a Revolução Russa de 1917 foi além, criou a jornada de 8 horas, imitada por outros países, como a França, em 1919.

Apesar de resistências de certos políticos e empregadores, existem setores no Brasil que já adotaram, faz tempo, escalas semanais de horas de trabalho favoráveis aos empregados. É o caso dos empregos com a chamada semana inglesa e o dos bancários com cinco dias de seis horas diárias num total de trinta horas semanais.

Entretanto, existem certas atividades de trabalhadores avulsos, como as empregadas domésticas, que dificilmente se adaptarão à escala 5x2 por pressão de seus patrões. Esse setor bem se enquadra na crítica do Canal Metrópoles sobre a mentalidade histórica de raízes coloniais de certos patrões, herdada do período da escravidão. Em compensação, o Valor Econômico já publicou reportagem mostrando a adesão de algumas empresas varejistas à escala 5x2 para seus empregados.

Em contrapartida, os trabalhadores de plataformas digitais conhecidos como uberizados ou empreendedores autônomos com flexibilidade horária, escapam à escala 5x2 e das proteções trabalhistas, embora esteja sendo discutida a regulamentação de seus trabalhos. Fora da proteção da CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, estão sem férias remuneradas e sem 13.º salário, trabalhando jornadas que ultrapassam as 8 horas normais e sem descanso semanal. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Coreia do Sul - Seul vai enviar avião para repatriar mais 300 trabalhadores sul-coreanos detidos nos EUA

A Coreia do Sul vai enviar um Boeing 747-8i da Korean Air aos Estados Unidos para repatriar os mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos na operação de imigração realizada numa megafábrica da Hyundai na passada sexta-feira

O avião partirá o mais tardar esta quarta-feira do Aeroporto Internacional de Incheon com destino ao aeroporto Hartsfield-Jackson, em Atlanta, Geórgia (EUA), segundo fontes da indústria da aviação citadas ontem pela agência de notícias local Yonhap.

Seul já tinha anunciado que os mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos após uma grande operação de imigração numa fábrica da Hyundai no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, iriam ser libertados e levados para casa.

As autoridades de imigração dos Estados Unidos anunciaram na sexta-feira que detiveram 475 pessoas, a maioria delas cidadãos sul-coreanos, quando centenas de agentes federais procederam a uma inspeção na fábrica da Hyundai na Geórgia, onde a marca sul-coreana tem uma linha de montagem de veículos eléctricos.

Os agentes concentraram-se numa fábrica ainda em construção, na qual a Hyundai fez uma parceria com a LG Energy Solution para produzir baterias que alimentam veículos eléctricos.

O chefe da diplomacia sul-coreana, Cho Hyun, anunciou no último fim de semana que mais de 300 nacionais da Coreia do Sul tinham sido detidos e que viajaria pessoalmente para os Estados Unidos para tentar acordar com as autoridades norte-americanas uma solução para o caso.

A operação foi a mais recente de uma longa série de inspeções realizadas no quadro da agenda de deportação em massa da Administração do Presidente Donald Trump. Ainda assim, distingue-se pela dimensão e porque o local visado tem sido apresentado como o maior projeto de desenvolvimento económico do estado da Geórgia.

Por outro lado, a operação também surpreendeu Seul, que é uma importante aliada de Washington. Em julho, a Coreia do Sul concordou em comprar aos Estados Unidos 100 mil milhões dólares (85,37 mil milhões de euros) de energia, assim como fazer um investimento em território norte-americano de 350 mil milhões de dólares (298,8 mil milhões de euros) em troca da redução das tarifas alfandegárias decretadas por Trump.

Há cerca de duas semanas, por outro lado, os dois chefes de Estado encontraram pela primeira vez na Casa Branca.

O episódio voltou a colocar em discussão a denúncia constante das empresas sul-coreanas sobre a falta de vistos adequados para enviar técnicos às suas fábricas nos Estados Unidos. A ausência de autorizações de trabalho adequadas levou muitos trabalhadores a viajar com vistos que não lhes permitiam realizar tarefas nas obras em causa, segundo Seul.

Paralelamente, o recente acordo comercial assinado com a administração Trump inclui compromissos de investimento por parte de Seul em áreas-chave como baterias e semicondutores, o que aumenta ainda mais a necessidade deste tipo de pessoal especializado.

O caso gerou um descontentamento geral na Coreia do Sul, que incluiu protestos em Seul. Uma pesquisa da Realmeter publicada na terça-feira mostrou que quase 60% dos cidadãos se declararam profundamente decepcionados com o governo norte-americano do Presidente Donald Trump devido a medidas consideradas excessivas, contra 31%, que disseram entender a medida como uma ação inevitável das autoridades migratórias americanas. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 17 de maio de 2024

Timor-Leste – Presidente da República defende recrutamento local de timorenses para trabalharem em Portugal

O Presidente de Timor-Leste defendeu que o recrutamento de timorenses para trabalharem em Portugal devia ser feito localmente ou à chegada ao país, para evitar “falsas agências de emprego” e “combater o “tráfico humano”. O que “faria todo o sentido é que qualquer timorense que queira trabalhar em Portugal, chegando lá, fosse apoiado por agências vocacionadas para o efeito e fossem logo trabalhar”, disse José Ramos-Horta, quando questionado pela Lusa sobre a decisão de Portugal de passar a exigir comprovativo de meios de subsistência para atribuir visto de trabalho a cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “Eu compreendo, do lado de Portugal que haja precauções”, disse o chefe de Estado, dando como exemplo o Japão, que abriu um programa para contratar trabalhadores estrangeiros, mas que chegam ao país já com contrato e emprego garantido.

O objectivo, explicou Ramos-Horta, é “evitar que vão milhares de pessoas de repente e só depois é que começam a procurar emprego”. Nesse sentido, o Presidente timorense defendeu também que deviam instalar-se em Timor-Leste agências portuguesas de contratação de trabalhadores. “Fazem entrevistas e recrutamento aqui, toda a papelada é feita, para evitar falsas agências de emprego, combater o tráfico humano, falsas agências de viagens. Muitos timorenses que foram para Inglaterra, há 20 anos, primeiro foram para Portugal e foi uma agência portuguesa que organizou tudo e que continua a apoiar timorenses”, salientou.

O secretário das Comunidades Portuguesas, José Cesário, anunciou terça-feira que os cidadãos lusófonos que pretendam entrar em Portugal com um visto de trabalho da CPLP vão ter de comprovar meios de subsistência até arranjarem trabalho, ao contrário do que estava anteriormente previsto. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, já tinha afirmado em 09 de maio que o Governo português está a trabalhar em “acordos laborais” com países lusófonos para identificar necessidades de mão-de-obra, nomeadamente na agricultura e regular o fluxo de imigrantes.

Portugal e Timor-Leste assinaram em outubro um memorando de entendimento sobre Mobilidade Laboral com o objetivo de facilitar a migração legal de trabalhadores timorenses para território português, assegurando os seus direitos laborais e de proteção social. Segundo os Censos de 2022 de Timor-Leste, os seis principais destinos de emigrantes timorenses são o Reino Unido, Irlanda, Coreia do Sul, Austrália, Indonésia e Portugal. In “Ponto Final” - Macau

 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Portugal - Metade dos ordenados não chegam aos 1000 euros

Mais de 50% dos trabalhadores receberam salários inferiores a 1000 euros em 2022, uma percentagem que sobe para 65% no caso dos jovens com menos de 30 anos, segundo dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

De acordo com o documento elaborado pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, apresentado na Concertação Social, no ano passado 56% dos trabalhadores em Portugal recebiam um salário inferior a 1000 euros, uma percentagem que compara com 72% em 2015.

No caso dos jovens, 65% recebiam abaixo de 1000 euros, em 2022, face a 84% em 2015.

O salário médio dos trabalhadores com remuneração declarada à Segurança Social era no ano passado de 1269,34 euros, superior em 29% ao valor de 2015, enquanto para os jovens (até 30 anos), o salário médio era de 1037,57 euros, mais 40% em comparação com 2015.

Os dados do GEP mostram ainda que a percentagem de trabalhadores a receber até 760 euros (o valor do salário mínimo nacional em 2023) reduziu-se para metade em 2022 face a 2015, tendo passado de 60% para cerca de 30%.

Quanto à dinâmica salarial, o documento indica que os trabalhadores que mudaram de empresa viram o seu salário crescer em média 16,3% em 2022 face a 2021, enquanto que os que se mantiveram na mesma empresa tiveram um aumento médio de 6,2%.

Considerando o total de trabalhadores em outubro, em média, os salários aumentaram 5,2% face a 2021, indicam os dados. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 4 de julho de 2020

Angola – Regresso de trabalhadores portugueses abordado pelo embaixador de Portugal junto do Governo angolano

O embaixador português em Luanda disse que tem abordado com o Governo angolano o regresso de portugueses ao país, que considerou “elementos importantes para o desenvolvimento da vida em Angola e para a economia”.

Pedro Pessoa e Costa, que falava à imprensa no final do ato de entrega de equipamentos para o combate da pandemia de covid-19 em Angola, doados pelo Governo de Portugal, respondia à questão sobre a situação de cidadãos portugueses que querem regressar ao país africano.

“Gostaria um dia de trabalhar mais esses essenciais, que são essenciais para o presente, para o futuro, de Angola, como regressar, sempre em pleno respeito pelas regras e pelo quadro existente, e sempre divulgado pelas autoridades angolanas, [que] são as quarentenas, sejam elas domiciliares sejam elas em hotéis indicados para o efeito”, disse o embaixador português.

Segundo o embaixador, continua a ser grande o número de portugueses que ainda se encontra em Angola, dada a dimensão das relações de amizade e de cooperação existente entre os dois países, mas alguns membros da comunidade já puderam regressar a Portugal através de voos excecionais e humanitários.

“Os voos da TAP são todos a pedido das autoridades portuguesas para repatriar, saíram os primeiros, aqueles que tinham mais dificuldades, os que foram apanhados sem rede em Angola, os que tinham questões de saúde, mas também tem sido aproveitado para repatriar expatriados que queriam voltar aos seus países, nomeadamente por algumas rotações, diplomatas também, que têm vindo a utilizar os voos da TAP”, disse.

De acordo com Pedro Pessoa e Costa, “até agora as coisas têm funcionado bem,”.

“Hoje em dia continuamos com o espaço aéreo angolano fechado e, portanto, continuamos com o mesmo formato de voos humanitários especiais, porque vivemos uma situação especial, que levam para Portugal e para a Europa aqueles que nos pedem para regressar, esperando também que muitos deles voltem”, frisou.

O diplomata português sublinhou que recentemente felicitou as autoridades angolanas pela maneira como têm vindo a lidar com a questão da pandemia, “provando até que tomaram as iniciativas e as decisões atempadamente e as corretas”.

Angola é o país africano lusófono com menos infeções pelo novo coronavírus (315 casos), mas é o terceiro com mais mortos (17, a seguir à Guiné Equatorial e Guiné-Bissau. In “Angola 24 Horas” - Angola

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Filipinas - Governo lançou um programa de apoio a trabalhadores no estrangeiro

O Governo das Filipinas lançou um programa de apoio a trabalhadores no estrangeiro, mas os critérios limitam os beneficiários. A associação local Green Phillippine Migrant Workers Union lançou uma petição a pedir para serem abrangidos outros cidadãos

A Green Phillippine Migrant Workers Union lançou uma petição online a apelar ao apoio financeiro do Governo das Filipinas. A associação quer ter acesso a um programa já anunciado, mas considera que as regras que determinam quem pode ser beneficiário “não são justas”. O Governo das Filipinas já tinha anunciado que vai apoiar cidadãos a trabalhar no estrangeiro que viram o seu emprego ser afectado pela pandemia da covid-19 com 200 dólares americanos, ou o montante equivalente na moeda do local onde se encontrem.

É elegível quem tenha sido afectado pela perda involuntária de trabalho, devido à imposição de isolamento pelo país em que se encontra, ou por ter sido infectado com o vírus, estejam estas pessoas a trabalhar no exterior ou sejam elas repatriadas para as Filipinas, sem receber qualquer apoio financeiro do país onde encontram ou dos seus empregadores. São abrangidos aqueles que tiverem os seus documentos de trabalho e passaporte regularizados, mas também trabalhadores sem documentos, quando estes ainda não tiverem sido processados, ou por alguma razão tenham perdido o seu estatuto.

“Desde que os governos de diferentes países anunciaram as medidas de precaução a declarar isolamento, muitos estabelecimentos, escritórios e empresas ficaram paralisados há já 50 dias, o que teve um grande impacto nas nossas finanças”, defende a Green Philippine Migrants Workers Union, observando que existem trabalhadores no estrangeiro em diferentes situações.

A associação alerta para os trabalhadores que ficam em casa dos patrões, a maioria dos quais empregadas domésticas que não podem sair para enviar dinheiro às famílias, ou que chegaram mesmo a não receber salário porque os próprios empregadores também sofreram danos financeiros. E dá também como exemplo aqueles que não têm apoio da entidade patronal e precisam de ajuda para pagar os custos básicos do dia a dia, como arrendar alojamento próprio.

Os que tiverem visto os seus contratos terminar pelo impacto negativo nos negócios, incluindo trabalhadores que não conseguiram encontrar um trabalho novo e quem têm disputas laborais pendentes anteriores às declarações de estado de isolamento, são também mencionados pela associação.

Das limitações

“Precisamos mesmo de assistência financeira para sobreviver, tendo em consideração que vivemos noutro país. A nossa organização e outros grupos estão a fazer o seu melhor para chegar a quem precisa através da angariação de donativos para lhes dar comida, mas estamos limitados para conseguir ajudar todos”, pode ler-se.

Recorde-se que os trabalhadores não residentes (TNR) de Macau foram excluídos dos apoios anunciados pelo Governo da RAEM no âmbito do impacto económico provocado pela covid-19, sob o fundo de 10 mil milhões de patacas. Uma decisão justificada na semana passada pelo secretário para a Economia e Finanças com a necessidade de tomar opções face aos recursos financeiros existentes. De acordo com dados da Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos, no final de 2019 havia mais de 196 mil trabalhadores não residentes, dos quais 17,2 por cento eram oriundos das Filipinas. Salomé Fernandes – Macau in “Hoje Macau”

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Macau – Trabalhadores lusos de casinos admitem regressar a casa

Os portugueses que estão a trabalhar em casinos de Macau, forçados a encerrar devido ao surto do novo coronavírus, afirmaram que vão regressar a Portugal.

Com taxas de ocupação nos hotéis a descerem dramaticamente e com as salas de jogo fechadas por determinação do Governo de Macau, os ‘resorts’ integrados incentivaram os trabalhadores de vários departamentos a anteciparem as férias.

Vários portugueses contactados pela agência Lusa, que pediram para não ser identificados por não estarem autorizados a falar, explicaram que os casinos ofereceram um sistema de bónus (dias adicionais) aos trabalhadores que marcassem férias para estas próximas semanas. No início da semana circularam informações de que os operadores estavam a enviar funcionários para casa sem vencimento, o que motivou uma reacção do Governo de Macau, que expressou a sua oposição e lembrou a obrigatoriedade de as empresas cumprirem a legislação laboral.

A falta de trabalho efectivo e os preços das viagens para Portugal, mais baratas do que é habitual, muito por causa da diminuição de procura de voos devido ao surto do novo coronavírus, convenceu os portugueses a optarem por um regresso temporário a Portugal.

Recorde-se que as receitas dos casinos em Macau já tinham descido 11,3 em Janeiro, em relação a igual período de 2019, um resultado explicado pelas autoridades pelo surto do novo coronavírus, que reduziu o fluxo de jogadores na capital mundial do jogo. Para ilustrar a dimensão da perda turística em Macau, o número de visitantes na região durante a chamada “semana dourada” do Ano Novo Lunar, de 24 a 31 de janeiro, desceu quase 80 por cento, em relação a igual período de 2019.

Entretanto, o número de mortos na China continental devido ao novo coronavírus aumentou hoje para 908, mais 97 do que no domingo, informaram as autoridades.

Segundo os números divulgados pela Comissão Nacional de Saúde da China, são agora 40 171 as pessoas infectadas no país. Um aumento de 97 mortes indica um recrudescimento de casos do novo vírus, 2019-nCoV, depois de ter havido uma quebra no dia anterior.

A mesma fonte precisou que até à meia noite local contavam-se 6484 casos graves e que 3281 tiveram alta, depois de se curarem da doença, que começou no final de 2019 na cidade de Wuhan, na província central de Hubei.

Até agora a Comissão, disse, fez o seguimento médico a 399 487 pessoas que tiveram contacto próximo com os infectados, dos quais 187 518 continuam em observação.

Na última contagem, anunciada na manhã de domingo, o número de mortes na China continental era de 811, a que se somavam mais duas mortes fora da China continental, um nas Filipinas e outro em Hong Kong.

Esse balanço já ultrapassa o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que entre 2002 e 2003 causou a morte a 774 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na China, mas a taxa de mortalidade permanece inferior.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países. In “Hoje Macau” - Macau com “Lusa”

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Angola - Segurança Social: Apenas 1,7 dos 7,5 milhões de trabalhadores estão inscritos

Apenas 1,7 milhões de trabalhadores estão abrangidos pela Segurança Social, segundo informação avançada pela ministra da Acção Social Família e Promoção da Mulher, Victória da Conceição que assumiu que o número "é muito inferior à dimensão real da força de trabalho existente no País, estimado na ordem dos 7,5 milhões".



Victória da Conceição afirmou que "apesar da obrigatoriedade legal de inscrição e vinculação dos trabalhadores por conta de outrem, por contra própria, do serviço doméstico e do clero religioso, ainda há uma "parte considerável" da população activa por cobrir pela Segurança Social".

A governante, que falava na abertura do seminário "Regimes de Protecção Social", referiu que "as estatísticas da Segurança Social mostram que 99% dos segurados estão vinculados ao regime dos trabalhadores por conta de outrem, lembrando que, nestes, estão incluídos os funcionários públicos, e apenas 1% se distribui pelos restantes regimes especiais de protecção social obrigatória".

"É por isso necessário alargar a cobertura do sistema de protecção social obrigatória aos trabalhadores agrícolas de pequena produção, das pescas, por conta própria, com frágil capacidade contributiva, as domésticas e empregadores urbanos das microempresas", explicou a ministra, reforçando que "é necessária inovação administrativa para assegurar a diversificação da economia".

"Além da necessidade de se expandir o sistema de protecção social obrigatório a novos grupos profissionais, é fundamental que se assegure também que as entidades empregadoras e os trabalhadores destes regimes especiais contribuam regularmente para o sistema", explicou.

Empresas incumpridoras da segurança social arriscam punição

O secretário de Estado do Trabalho e Segurança Social, Manuel Moreira, avisou, no mesmo seminário, que as empresas que não cumpram com os pagamentos à Segurança Social, pondo em risco o futuro do trabalhador, poderão ser punidas por lei.

Referindo que o agravamento da situação económica produziu uma diminuição do cumprimento das obrigações dos contribuintes e, simultâneamente, o aumento do risco de fraude e evasão, informou que o Executivo vai aprovar, em breve, dois projectos de diploma legal - um que estabelece o regime jurídico de vinculação e de contribuição da protecção social obrigatória e outro sobre o regime jurídico de regulamentação e cobrança de divida à Protecção Social Obrigatória.

"O Executivo pretende colmatar o vazio existente no ordenamento jurídico relativamente ao modo do incumprimento das contribuições, juros de mora e das multas, com vista a garantir os recursos financeiros necessários para o pagamento das prestações futuras aos segurados inscritos no sistema".

E em Março, o NJOnline, dava conta, numa reportagem, de que, em Angola há centenas de empresas que não garantem a reforma dos seus trabalhadores, apesar de lhes deduzirem os respectivos descontos nos ordenados mensalmente.

As pessoas vêem-se, assim, no fim de uma vida de trabalho, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

OIT – Fazer a detecção do HIV no trabalho

GENEBRA - Como parte de uma iniciativa destinada a fazer com que os trabalhadores e as suas famílias testem a prova de detecção do HIV, a OIT chega a trabalhadores em sectores tão diversos como salões de beleza, agricultura, indústria de transporte, mineração e entretenimento, bem como o sector informal em 18 países, da Ucrânia até ao Uganda.

A OIT colabora com múltiplos parceiros, incluindo governos, sindicatos e empregadores, para implementar uma iniciativa muito eficaz, a VCT @ WORK (detecção e orientação voluntária no trabalho). Esta iniciativa é considerada uma parte importante dos esforços mundiais dirigidos para reduzir os défices na deteccão e no tratamento do HIV a fim de alcançar a meta de por fim à sida até ao ano de 2030.

Desde que a iniciativa foi lançada em 2013 - pela OIT, ONUSIDA, a Organização Internacional dos Empregadores (IBE) e a Confederação Internacional dos Sindicatos (CSI) - mais de 4,1 milhões de trabalhadores e os seus familiares receberam aconselhamento e submeteram-se ao teste de detecção do HIV. Mais de 103 mil pessoas que tiveram resultados de HIV positivos foram encaminhadas para a terapia antirretroviral.

A Coal India Limited (CIL) é uma das principais empresas envolvidas na iniciativa, é a maior empresa pública do setor de carvão na Índia com 314 mil funcionários e um grande número de trabalhadores contratados. No total, 29580 funcionários e os seus familiares a cargo tiveram acesso a serviços de triagem e aconselhamento para o HIV. As 141 pessoas que tiveram resultados seropositivos recebem tratamento antirretroviral por parte da empresa.

As parcerias público-privadas foram eficazmente utilizadas para promover a iniciativa VCT @ WORK. Na Indonésia, por exemplo, foi estabelecida uma parceria entre a OIT e a Pertamina, uma das maiores empresas públicas. A Pertamina adoptou uma política no local de trabalho para garantir um ambiente não discriminatório para as pessoas que vivem com o HIV e realizou uma campanha de informação, orientação e triagem do HIV para os trabalhadores nos locais de trabalho em todo o país. Na Federação Russa, a OIT associou-se com a maior empresa de mineração do país, a Siberian Coal Energy Company (SUEK) e os centros regionais de luta contra a sida. A OIT realizou actividades de promoção e sensibilização e a empresa implementou o programa em oito locais para atender os trabalhadores, as suas famílias e comunidades.

No Zimbabwe, para alcançar os trabalhadores da economia informal, as sessões de detecção e orientação foram organizadas em locais de trabalho do sector informal, tais como oficinas de reparação de veículos, fábricas de processamento de alimentos e mercados de rua. As unidades móveis também forneceram serviços de triagem e aconselhamento do HIV para trabalhadores, que foram mobilizados através de operadores do setor informal utilizando as estruturas locais em parceria com autoridades locais e conselhos municipais.

No Quénia, a OIT e os seus parceiros proporcionaram serviços de selecção e aconselhamento do HIV para motoristas de pesados nas áreas de trabalho sexual ao longo do corredor de transporte setentrional. A OIT associou-se com a Organização Central dos Sindicatos do Quénia, a União dos Camionistas de Longa Distância do Quénia, o Centro Comunitário de Recursos de Saúde Rodoviária e o Programa Suíço de Prevenção do HIV / Sida no Trabalho.

A iniciativa VCT @ WORK está sendo implementada no Cambodja, Camarões, China, República Democrática do Congo, Egipto, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Indonésia, Quénia, Moçambique, Nigéria, Federação Russa, África do Sul, Tanzânia, Ucrânia e Zimbabwe. Organização Internacional do Trabalho

domingo, 9 de agosto de 2015

Portugal - A Produtividade e a Organização

Numa vila situada na parte continental de Portugal duas fábricas de têxteis laboram a uma centena de metros de distância.

Numa delas, criada por um luso-descendente, filho de um casal de emigrantes que encontrou na Alemanha o local de trabalho permitindo um futuro melhor. O jovem, depois de uma infância a gozar férias na localidade de origem dos pais, estimulado pela qualidade climática, beleza paisagística, decidiu, com o apoio das poupanças dos pais, regressar a Portugal e investir numa fábrica de têxteis.

Mandou construí-la, preocupando-se com a auto-suficiência energética, decidiu instalar painéis solares no telhado do edifício e quatro mini eólicas em cada extremo do mesmo.

Uma centena de trabalhadores chegam diariamente, de segunda a sexta-feira, por volta das 7h e 50M às instalações, transportados por dois autocarros da empresa, para às 8 horas iniciarem o trabalho com modernas máquinas computorizadas que permitem o fabrico de tecidos de qualidade.

Por volta das 10H 30M há uma paragem de quinze minutos para os trabalhadores descansarem e realizarem as tarefas pessoais que considerem importantes. Às 13 horas os trabalhadores deslocam-se para a cantina no interior das instalações, onde durante uma hora têm acesso a uma refeição gratuita, escolhida na véspera entre quatro pratos diferenciados.  Nesta empresa não há subsídio de almoço.

O regresso ao trabalho faz-se pelas 14 horas e depois de um intervalo de quinze minutos a meio da tarde a fábrica encerra às 17H 30M, regressando os trabalhadores a casa, transportados novamente nos autocarros da empresa. Quem quiser usufruir, a empresa disponibiliza gratuitamente às famílias dos trabalhadores, uma lavandaria para tratamento da roupa, com acesso através de um cartão que permite a utilização até às 24 horas.

Nos meses de Junho a Setembro, o jovem empresário organiza piqueniques quinzenalmente ao fim-de-semana, onde ele e os trabalhadores mais as respectivas famílias, participam nos mais diversos passeios, utilizando os autocarros da empresa e alugando as viaturas que forem necessárias.

A empresa é um caso de sucesso, com os seus produtos exportados para os exigentes mercados do centro e norte da Europa. O empresário está a pensar aumentar a produção, contratando mais trabalhadores. Tem sido convidado, mas recusa qualquer função política. A empresa tem uma sólida situação financeira.

Os trabalhadores desta empresa compram os seus haveres no comércio tradicional da vila, entre o encerrar da fábrica e as 20 horas e ao sábado até à hora do almoço, pois da parte da tarde e ao domingo as lojas estão encerradas.

A uma centena de metros encontra-se a outra empresa têxtil, construída na mesma época, por um jovem de uma família rica da vila, que apostou no mesmo equipamento que a entidade anterior.

Os empregados podem entrar na empresa das 8 h até às 10 horas, o almoço efectua-se entre as 12 e as 14 horas e a saída das 17 às 20 horas. Não tem cantina, os trabalhadores têm uma sala onde podem aquecer num micro-ondas o almoço trazido de casa, ou deslocarem-se a um restaurante ou a casa para tomarem a refeição. Todos recebem um subsídio de almoço que é recebido num cartão a utilizar, normalmente em estabelecimentos que têm terminais de multibanco.

A empresa exporta uma pequena parte da produção para o sul da Europa, o restante destina-se ao mercado nacional e como demora muito tempo a receber dos clientes,transacciona à porta da fábrica, em dinheiro, a clientes que depois vão vender em feiras ambulantes ou em locais de passagem de pessoas, nas grandes cidades, no seu percurso entre a casa e o emprego.

O empresário passa a vida entre a fábrica e a agência bancária para tentar resolver os seus problemas. Uma das soluções que pretende implementar é a redução de pessoal, pois os encargos são elevados.

Os empregados, queixam-se que trabalham muito, pois saem tarde da fábrica, mas em cada semana trabalham o mesmo número de horas que a outra empresa, esquecendo-se que na maioria das vezes entram quase às 10 horas.

Como não conseguem fazer as compras dentro do horário do comércio local e não têm acesso aos terminais multibancos, os trabalhadores aproveitam o fim-de-semana para deslocarem-se à sede do concelho, para utilizarem o valor do subsídio de almoço em aquisições no hipermercado. Estes trabalhadores não contribuem para o desenvolvimento da sua terra.

Este último empresário tem movido influências, embora com as dificuldades da sua empresa, conseguindo que um seu irmão tenha conseguido ganhar as eleições para presidente da junta de freguesia.

Duas empresas, dois percursos distintos, dois resultados díspares, devido a organizações individualizadas, que levam a produtividades diferenciadas. Em qualquer entidade, o mais importante são as pessoas. Baía da Lusofonia

sábado, 4 de maio de 2013

Azucrine!


Perante a realidade que os jovens enfrentam para não encontrar um emprego, obrigando-os a abandonar o conforto do meio socioeconómico onde sempre residiram, perante a dificuldade em aplicar os conhecimentos que obtiveram, gastando o que os pais e o país tinham e também não tinham, há que começar a ultrapassar uma certa passividade e iniciar um processo de peleja e não há nada como principiar por azucrinar, azucrine!

Os trabalhadores estão a sofrer nos seus direitos e regalias por situações para as quais não contribuíram, sendo responsabilizados por gastos excessivos, por despesas desmedidas, por compras que não realizaram, por tudo aquilo que alguns desbarataram e através da comunicação social imputam a outros, que sempre viveram do seu magro ordenado e apenas tiveram a oportunidade de superar um dia de cada vez, para eles está na hora de azucrinar, azucrine!

Os reformados, excluindo os reformados da política, que após uma vida de trabalho, contribuindo mensalmente durante longos anos para o sistema de pensões, esperavam uma reforma condigna, um sistema de saúde que respondesse às dificuldades que a idade avançada cria, os reformados que esperavam ter um sistema de transportes públicos acessíveis, para lhes permitir a mobilidade necessária para poderem conviver, distrair, não ficarem entre paredes à espera que o tempo passe, necessitam de azucrinar, azucrine!

Se depois de ler estas linhas for a um dicionário para saber o significado de azucrinar, já está a manifestar um princípio de desassossego perante a leitura das mesmas. Baía da Lusofonia