Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Timor-Leste - Aldeia dá exemplo de restauração da segurança alimentar

Local abalado por escassez de água, desmatamento, erosão e deslizamentos está a recuperar a sua capacidade produtiva por meio de um novo sistema de irrigação e técnicas agroflorestais introduzidos pelo PNUD, os resultados incluem redução da subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças


As terras férteis da aldeia Bahadatu em Timor-Leste sofreram um duplo impacto nas últimas décadas: a escassez de água causada pela alteração climática e os deslizamentos de terra como efeito de práticas agrícolas que assolaram a mata.

Ambos os eventos abalaram as fontes de irrigação, fazendo com que o local historicamente abundante mergulhasse na pobreza. Os campos que antes eram viçosos e verdes tornaram-se estéreis e muitas colheitas falharam. Os rendimentos das famílias diminuíram quase 40%.

Envolvimento da comunidade

A aldeia, localizada no suco (distrito) de Fatulia, ganhou uma nova vida com um projeto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, que aliou a reconstrução do sistema de irrigação com técnicas agroflorestais nas encostas para proteger a fonte de água dos impactos de deslizamentos.

Ao visitar o local, a ONU News percebeu que a principal razão para o sucesso desta restauração não foram os 415 metros de alvenaria do canal de irrigação nem os 1,5 mil metros quadrados de paisagem recuperada. Foi o envolvimento da comunidade que plantou novas árvores e maneja a irrigação todos os dias com as próprias mãos.

Eles contam com brilho nos olhos sobre as técnicas de plantio que aplicaram e mostram com empolgação o caminho que a água percorre quando é aberta a comporta construída para regular a irrigação dos campos de cultivo.

De acordo com o chefe do Suco Fatulia, Angelino Moisés Pereira, antigamente a comunidade só conseguia plantar arroz uma vez por ano, hoje, eles semeiam duas vezes.


Melhoria da segurança alimentar

Segundo o PNUD, houve um aumento entre 10 e 15% no rendimento das culturas, resultando num volume adicional de 300 a 450 quilos de arroz por hectare. Isso melhorou diretamente a segurança alimentar de 918 moradores e reduziu a subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças.

O projeto, apoiado pelo Fundo Verde do Clima e iniciado em maio de 2023, já garantiu o plantio de 14.665 árvores, incluindo 1334 espécies frutíferas. Com isso, a comunidade irá beneficiar no futuro de uma variedade maior de alimentos.

O agricultor Américo Ximenes Pereira relatou o seu envolvimento dizendo que plantou até agora com sucesso 1,8 mil árvores polivalentes, incluindo rambutan, mogno e laranjeiras.

Disse estar otimista de que dentro de cinco anos estas árvores produzirão uma “colheita substancial”, permitindo-o “vender os frutos no mercado e, assim, melhorar a situação económica” da sua família.

Empoderamento económico das mulheres

O agricultor Câncio Pereira dos Reis, disse que com a orientação recebida da ONG Raebia, parceira do PNUD, todos aprenderam como plantar de forma eficaz para garantir a sobrevivência das árvores.

Sobre o sistema de irrigação, ressaltou que todos partilham a responsabilidade garantindo que cada campo de arroz receba a quantidade adequada de água.

A chefe da aldeia Bahadatu, Edviges da Costa Gusmão,  disse que as mulheres estão plenamente envolvidas em diversas tarefas físicas, tais como plantar árvores, cultivar campos de arroz e estabelecer viveiros de peixes e criadouros.

Segundo ela “estas atividades não só capacitam as mulheres, mas também lhes proporcionam incentivos económicos”.

Necessidade de reabilitação das estradas

No entanto, a líder da aldeia disse que o grande desafio agora é a estrada que conecta os campos com os mercados. As más condições significam que durante a estação chuvosa, não é possível transitar pelo caminho.

Edviges pediu que o PNUD e o governo continuem os esforços de reabilitação para garantir que a comunidade possa “aceder à estrada à medida que a estação das chuvas se aproxima”.

Mateus Soares Maia, representante da ONG Raebia explicou que o governo participou da inauguração deste canal de irrigação e se comprometeu a inaugurar outro em breve na região. O Ministério da Agricultura também forneceu três tratores manuais para os agricultores da aldeia Bahadatu.

O chefe do suco, Angelino Moisés Pereira, disse que até ao final deste ano, com as duas fontes a operar, será possível abastecer de água toda a comunidade do posto administrativo de Venilale.

Culinária Local

Ele comentou que um benefício positivo do envolvimento comunitário é o aumento do conhecimento entre os membros sobre técnicas eficazes de plantação. Isto fez com que um maior número de indivíduos participasse ativamente no cultivo dos campos de arroz.

Esse alimento é preparado de diversas maneiras em Timor-Leste, sendo uma das mais tradicionais a katupa, um bolinho de arroz cozido em leite de coco, temperado com açafrão, alho e sal e enrolado em uma folha de coqueiro ou bambu.

A aldeia Bahadatu, localizada em uma das muitas encostas montanhosas do país, enfrenta dificuldades de acesso, problemas de infraestrutura e pobreza. Mas nada disso diminui a força de vontade da sua gente, que sonha em melhorar de vida por meio da agricultura, nem a hospitalidade com os visitantes, que são recebidos com uma grande variedade de pratos locais como a katupa.

A intervenção do PNUD para melhorar e proteger a irrigação dos campos de cultivo e introduzir árvores frutíferas é, portanto, uma forma de alimentar os sonhos e a identidade de um dos locais mais remotos, de um dos países mais longínquo do mundo. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News




segunda-feira, 12 de junho de 2023

Timor-Leste - Produção de arroz mais que duplicou entre 2018 e 2022

A produção de arroz em Timor-Leste mais que duplicou entre 2018 e 2022, enquanto a área de cultivo do produto mais consumido na dieta timorense cresceu quase 47%, segundo dados do Governo.


Segundo a Lusa, os dados fazem parte do relatório final do mandato do VIII Governo Constitucional, a que a Lusa teve acesso, e que ainda não foi oficialmente tornado público, que nota que, nesse período, a área de cultivo de arroz passou de 20294 hectares, em 2018, para quase 37700 hectares em 2022.

A produtividade média do arroz por hectare, por seu lado, passou de 3,32 toneladas em 2018 para 4,1 toneladas em 2022, aumento que o Governo diz “pode ter sido influenciado por melhorias na gestão das culturas e práticas de irrigação, bem como melhores condições climatéricas”.

Factores que contribuíram, explica o executivo, “para aumentar significativamente a produção de arroz” durante este período.

“Em 2018, a produção de arroz em casca foi de 67127 toneladas, enquanto em 2022, atingiu 143006 toneladas, um aumento de 113%. A produção de arroz também apresentou um crescimento notável, passando de 40276 toneladas em 2018 para 85804 toneladas em 2022, um aumento de 113,5%”, refere o relatório.

“A previsão para 2023 aponta para 98,8 mil toneladas de arroz de produção nacional”, considera ainda. In “Fenagri” – Moçambique com “Lusa”


domingo, 17 de julho de 2022

Brasil - Pela criação da Secretaria da Despesa Federal

Em 2006, dois economistas do Banco Mundial, Indermit Gill e Homi Kharas, cunharam a expressão “armadilha da renda média” para qualificar os países que conseguiram superar a linha da pobreza, atingiram o patamar das nações de renda média, mas não conseguem avançar para o clube dos países ricos. A remuneração da mão de obra já não é tão baixa para que possam competir com produtos de baixo valor agregado, e de outro lado, a produtividade e a competitividade destes países não são suficientes para enfrentar as economias mais dinâmicas. O primeiro grande passo foi a migração em massa do campo para a cidade, de trabalhadores que agregavam pouco valor, para empregos mais produtivos, principalmente na indústria, durante os processos de industrialização dos países. Algumas nações tiveram ainda o reforço do bônus demográfico, anos de crescimento acelerado da população, que permitiu incorporar um importante contingente populacional adicional à economia. São dois movimentos que se esgotaram na maioria dos países. A partir daí os avanços requerem ganhos de produtividade e inovação. Foi o que levou adiante países como Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Portugal e Irlanda e deixou para trás diversos outros, entre eles o Brasil, onde, para agravar o quadro, aconteceu um dos mais fortes processos de desindustrialização, em boa parte por desfuncionalidades nas políticas públicas, que comprometeram a competitividade.

A América Latina, de maneira geral, tem tido dificuldades de avançar para novo patamar de renda. Relatório do Banco Mundial sobre a região aponta o impacto da queda dos investimentos públicos em infraestrutura, há quatro décadas, sobre a competitividade, o crescimento e a desigualdade. E destaca a eficiência dos gastos como alternativa para aumentar a disponibilidade de recursos.

No Brasil, uma ideia que talvez mereça reflexão é a de separar uma parte da competente equipe da Secretaria da Receita Federal, independentemente de nesse momento aparentemente estar desfalcada, para criar a Secretaria da Despesa Federal, que se encarregaria de reduzir os gastos públicos pelo aumento da eficiência. Surtiria o mesmo efeito do aumento de impostos para equilibrar as contas, com a vantagem de extrair menos recursos da sociedade. E a experiência poderia ser replicada nos Estados e até nos municípios.

A crescente ingerência do Congresso no orçamento público, que também reduz a eficiência do gasto,  vem de uma característica intrínseca do nosso sistema político e de contas públicas, que permite discutir direitos sem as correspondentes obrigações. A grande maioria dos agentes se sente no direito de pressionar por gastos, sem a responsabilidade ou até a preocupação pelo equilíbrio das contas públicas. Muitos países resolveram isso criando ferramentas para gerenciar a qualidade e quantidade desse gasto, com adequada atribuição de responsabilidades e participação da sociedade. No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal, inspirada na experiência de outros países, previa a criação do Conselho de Gestão Fiscal (CGF), para gerir a questão. Por iniciativa do Movimento Brasil Eficiente, a regulamentação para a criação do CGF foi aprovada por unanimidade no Senado Federal, em 2015 (PLS 141/2014), mas após distorções introduzidas por deputados para diminuir a sua eficácia, dorme na Câmara dos Deputados, desde então. O Congresso precisa sair da zona de conforto e entender que não existe almoço grátis, nem governo grátis. Carlos Schneider – Brasil

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Carlos Rodolfo Schneider - Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o Grupo H. Carlos Schneider, que inclui empresas como Ciser Fixadores, Ciser Automotive e Hacasa Empreendimentos Imobiliários.

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Brasil - Inovação industrial é a saída

Goiânia – Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e desenvolvida pelo Instituto FSB mostrou que 68% de 500 indústrias de pequeno porte (de 10 a 49 empregados) consultadas não possuem área de inovação e 76% não têm orçamento específico para inovação nem profissionais dedicados exclusivamente a esse fim. Isso mostra que essas empresas, na maioria, não têm estrutura para tornar a inovação uma atividade contínua.

A pesquisa apontou ainda que 78% das empresas sentiram impacto da pandemia de coronavírus (covid-19) sobre seus negócios e que pelo menos 27% foram muito prejudicadas. Para 55% dos entrevistados, a cadeia de fornecedores foi o primeiro ou segundo aspecto mais impactado pela pandemia, seguido pelas vendas (50%) e pela relação com os trabalhadores (19%). De acordo com a pesquisa, 45% das pequenas empresas tiveram mais dificuldades em inovar por conta da pandemia. Mais:  68% das pequenas empresas não fizeram inovação nesse período. Pensando num mundo pós-pandemia, 80% afirmaram que terão que investir em inovação para crescer ou se manter no mercado.

Da pesquisa da CNI, o que se conclui é que o trabalho remoto, instaurado por força da pandemia, mudou a realidade das pequenas indústrias, que tiveram de recorrer a esse tipo de atividade. Segundo a enquete, nesse período, 43% das empresas adotaram o trabalho no sistema home office. As regiões Nordeste e Sudeste foram as que mais tiveram empregados em trabalho remoto: 52% e 45% das empresas, respectivamente. E, das 500 empresas consultadas, 35% vão manter esse modelo, mesmo depois da pandemia.

Esse cenário mostra ainda que indústrias e outros estabelecimentos comerciais terão de buscar novas ferramentas para manter a competitividade e a produtividade, especialmente na área de inovação. E uma das soluções passa pela adoção de parcerias com startups e logtechs como forma de atender às expectativas e demandas cada vez mais refinadas, complexas e exigentes que são reivindicadas por clientes e consumidores.

Dentro desse cenário, é fundamental que grandes empresas recebam incentivos para contratar startups e logtechs, que possam ser alcançados por meio da isenção do pagamento de diversos tributos e taxas. Afinal, essas pequenas empresas hoje podem constituir um agente estratégico na promoção de grandes e médias indústrias, que assim podem experimentar novas alternativas na expansão de seus negócios. No caso das logtechs, estas pequenas empresas procuram oferecer qualidade e rapidez na entrega, mais informação no processo de compra e pagamento facilitado, com soluções que modernizam processos internos, otimizam custos logísticos e aumentam a eficiência na prestação de serviços.

Deve-se levar em conta ainda que uma startup não trabalha apenas diretamente com o setor de tecnologia da informação (TI), mas procura apresentar soluções para outros departamentos da empresa, como, por exemplo, a área de recursos humanos (RH), que, afinal, precisa manter os funcionários motivados na busca de inovação.

As startups podem também trazer soluções para o setor de comércio eletrônico (e-commerce), especialmente no gerenciamento da carga, com a criação de aplicativos com foco na gestão de equipes externas, como de motoristas e promotores de vendas, sem complicações e com velocidade. Em outras palavras: as startups podem oferecer uma experiência fascinante a empreendedores que buscam explorar atividades inovadoras no mercado. Ivone Silva - Brasil

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Ivone Maria da Silva, economista, empresária, diretora da Imase Soluções Empresariais, em  Goiânia, conselheira do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) e conselheira classista do Conselho Administrativo Tributário de Goiás (CAT-GO). E-mail: diretoria@imase.com.br

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Brasil - Indústria: produtividade em alta

SÃO PAULO – Dados que constam de estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a produtividade do trabalho na indústria em 2017 ficou 2,3% superior à média dos principais parceiros comerciais do País em relação a 2016, reforçando uma tendência observada desde 2015. Entre os parceiros comerciais estão Estados Unidos, Argentina, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido.

Isso demonstra em números que a situação econômica do Brasil, apesar da turbulência ocasionada por um período de eleições extremamente marcado por posições radicais, não é tão ruim como anunciam os pregoeiros do caos. Basta ver que, como indica o citado estudo que, entre 2016 e 2017, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu 4,3% e só não foi maior que a produtividade apresentada pela Coreia do Sul, que cresceu 5,8%.

Já os Países Baixos apresentaram desempenho semelhante ao do Brasil, com um aumento de 4,2% da produtividade. Depois, aparecem Argentina, com 3,8%, e Japão, com 3,3%. É de se lembrar que a produtividade do trabalho é medida como o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção. Nos últimos cinco anos (2012-2017), a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira mostrou recuperação e acumulou aumento de 9,1%. O Brasil registrou os mesmos números que Coreia do Sul.

É claro que não se pode, a partir desta constatação, concluir que o País segue em águas tranquilas rumo ao seu futuro grandioso e que nada se deve mais fazer. Pelo contrário. É preciso avançar, até porque a competitividade da indústria continua a ser um importante desafio para a economia brasileira, pois só com preços competitivos será possível aumentar os números da exportação. Para tanto, é preciso também que se aumente a qualidade da educação no País, a fim de se formar operários e dirigentes mais capacitados, além de se investir em ciência e tecnologia.

Obviamente, a competitividade da indústria para aumentar precisa também de investimentos em infraestrutura logística, com a ampliação e conservação das malhas rodoviária, ferroviária e hidroviária e de portos e aeroportos. Só assim será possível competir com os preços exibidos por produtos asiáticos e outros competidores não só no mercado externo como no interno.

Não se pode deixar também de assinalar que esses dados compilados para o estudo da CNI foram obtidos num período que foi marcado pela paralisação no transporte de carga rodoviária que se deu no mês de maio de 2018, como reflexo da greve dos caminhoneiros, ocorrência, de certo modo, inusitada na história do País. De fato, a tendência de alta na indústria de transformação brasileira retrocedeu no segundo trimestre do ano, com a produtividade caindo 3,4% em comparação com o mesmo período de 2017, interrompendo uma tendência de alta registrada desde o segundo trimestre de 2016.

Seja como for, a previsão para os próximos meses é que o indicador de produtividade volte a refletir o aumento da eficiência, o que significa que, apesar da crise econômica, as empresas têm se mostrado eficientes, reduzindo custos, sem fazer cortes drásticos na mão-de-obra, que se tem mostrado competente. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

domingo, 9 de agosto de 2015

Portugal - A Produtividade e a Organização

Numa vila situada na parte continental de Portugal duas fábricas de têxteis laboram a uma centena de metros de distância.

Numa delas, criada por um luso-descendente, filho de um casal de emigrantes que encontrou na Alemanha o local de trabalho permitindo um futuro melhor. O jovem, depois de uma infância a gozar férias na localidade de origem dos pais, estimulado pela qualidade climática, beleza paisagística, decidiu, com o apoio das poupanças dos pais, regressar a Portugal e investir numa fábrica de têxteis.

Mandou construí-la, preocupando-se com a auto-suficiência energética, decidiu instalar painéis solares no telhado do edifício e quatro mini eólicas em cada extremo do mesmo.

Uma centena de trabalhadores chegam diariamente, de segunda a sexta-feira, por volta das 7h e 50M às instalações, transportados por dois autocarros da empresa, para às 8 horas iniciarem o trabalho com modernas máquinas computorizadas que permitem o fabrico de tecidos de qualidade.

Por volta das 10H 30M há uma paragem de quinze minutos para os trabalhadores descansarem e realizarem as tarefas pessoais que considerem importantes. Às 13 horas os trabalhadores deslocam-se para a cantina no interior das instalações, onde durante uma hora têm acesso a uma refeição gratuita, escolhida na véspera entre quatro pratos diferenciados.  Nesta empresa não há subsídio de almoço.

O regresso ao trabalho faz-se pelas 14 horas e depois de um intervalo de quinze minutos a meio da tarde a fábrica encerra às 17H 30M, regressando os trabalhadores a casa, transportados novamente nos autocarros da empresa. Quem quiser usufruir, a empresa disponibiliza gratuitamente às famílias dos trabalhadores, uma lavandaria para tratamento da roupa, com acesso através de um cartão que permite a utilização até às 24 horas.

Nos meses de Junho a Setembro, o jovem empresário organiza piqueniques quinzenalmente ao fim-de-semana, onde ele e os trabalhadores mais as respectivas famílias, participam nos mais diversos passeios, utilizando os autocarros da empresa e alugando as viaturas que forem necessárias.

A empresa é um caso de sucesso, com os seus produtos exportados para os exigentes mercados do centro e norte da Europa. O empresário está a pensar aumentar a produção, contratando mais trabalhadores. Tem sido convidado, mas recusa qualquer função política. A empresa tem uma sólida situação financeira.

Os trabalhadores desta empresa compram os seus haveres no comércio tradicional da vila, entre o encerrar da fábrica e as 20 horas e ao sábado até à hora do almoço, pois da parte da tarde e ao domingo as lojas estão encerradas.

A uma centena de metros encontra-se a outra empresa têxtil, construída na mesma época, por um jovem de uma família rica da vila, que apostou no mesmo equipamento que a entidade anterior.

Os empregados podem entrar na empresa das 8 h até às 10 horas, o almoço efectua-se entre as 12 e as 14 horas e a saída das 17 às 20 horas. Não tem cantina, os trabalhadores têm uma sala onde podem aquecer num micro-ondas o almoço trazido de casa, ou deslocarem-se a um restaurante ou a casa para tomarem a refeição. Todos recebem um subsídio de almoço que é recebido num cartão a utilizar, normalmente em estabelecimentos que têm terminais de multibanco.

A empresa exporta uma pequena parte da produção para o sul da Europa, o restante destina-se ao mercado nacional e como demora muito tempo a receber dos clientes,transacciona à porta da fábrica, em dinheiro, a clientes que depois vão vender em feiras ambulantes ou em locais de passagem de pessoas, nas grandes cidades, no seu percurso entre a casa e o emprego.

O empresário passa a vida entre a fábrica e a agência bancária para tentar resolver os seus problemas. Uma das soluções que pretende implementar é a redução de pessoal, pois os encargos são elevados.

Os empregados, queixam-se que trabalham muito, pois saem tarde da fábrica, mas em cada semana trabalham o mesmo número de horas que a outra empresa, esquecendo-se que na maioria das vezes entram quase às 10 horas.

Como não conseguem fazer as compras dentro do horário do comércio local e não têm acesso aos terminais multibancos, os trabalhadores aproveitam o fim-de-semana para deslocarem-se à sede do concelho, para utilizarem o valor do subsídio de almoço em aquisições no hipermercado. Estes trabalhadores não contribuem para o desenvolvimento da sua terra.

Este último empresário tem movido influências, embora com as dificuldades da sua empresa, conseguindo que um seu irmão tenha conseguido ganhar as eleições para presidente da junta de freguesia.

Duas empresas, dois percursos distintos, dois resultados díspares, devido a organizações individualizadas, que levam a produtividades diferenciadas. Em qualquer entidade, o mais importante são as pessoas. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lei 8 630


                                                                                                                     
          SÃO PAULO - É  inegável que a  Lei 8 630, a  chamada Lei de Modernização dos Portos, em vigor há exatos 20 anos, representou um avanço considerável nas atividades do Porto de Santos. Como se sabe, essa Lei passou a admitir a participação da iniciativa privada numa série de atividades que antes eram exclusivas da empresa estatal responsável pela gestão e operação do porto.

            Isso se deu, porém, não em razão de uma estratégia clara do governo ou por razões ideológicas, mas porque, diante do crescimento da participação do País no comércio exterior e dos volumes movimentados, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), sucessora da antiga Companhia Docas de Santos (CDS), mostrava-se incapaz de responder à demanda.

            Não fosse por isso, com certeza, o modelo antigo continuaria a vigorar por mais anos a fio, com a empresa funcionando como moeda de troca no jogo partidário e cabide de empregos para apaniguados de políticos de alto escalão. Muitos trabalhadores hoje aposentados lembram-se bem do tempo em que para conseguir uma vaga nas Docas era preciso exibir um bilhetinho assinado por um deputado federal.

         Ainda  bem  que a  classe política  teve de se  curvar às  exigências da modernidade e da sociedade. O resultado é que, em 20 anos, os operadores privados mudaram radicalmente o panorama no Porto. Isso fica claramente expresso nos números oficiais dos índices de eficiência, ou seja, produtividade, tempo de espera das embarcações na barra e custo de operação por contêiner.

          Segundo dados da Santos Brasil, o custo de operação de um  contêiner para embarque/desembarque passou de US$ 737 em 1995 para US$ 290 em 2012, ou seja, houve uma redução de 60% desde a implantação da Lei 8.630. No mesmo período, o tempo de espera para atracação caiu de 22 horas para 6 horas. Já os índices de produtividade subiram de 15 movimentações por hora (mph) para até 155 mph em determinadas embarcações. Mas, em média, o Terminal de Contêineres (Tecon), operado pela Santos Brasil, tem alcançado a marca de 80 mph, o que se assemelha aos padrões dos terminais europeus.

            A produtividade da Libra Terminais não tem ficado muito atrás. Em 2011, a média de operações da empresa foi de 37 mph, mas em 2012 há houve um ganho significativo, com o índice passando para 50 mph. Para 2013, a expectativa da empresa é chegar a 70 mph, o que igualmente pode ser considerado um padrão europeu.

          Obviamente, isso não significa que se vive o melhor dos mundos e não haja necessidade de novos avanços, mas a conclusão que fica é que, ao abrir espaço para a participação privada nas operações portuárias, o País escapou do pior.

          Não  foi à  toa que o  governo,  novamente  pressionado  pela  realidade adversa, tratou de editar a Medida Provisória 595 que permite que terminais privados sejam instalados fora da área do porto organizado, enquanto dentro do porto organizado as áreas serão sempre licitadas obedecendo à diretriz da maior movimentação de cargas e menor preço oferecido.

           Agora o governo corre  para  leiloar 158 terminais  portuários  até o final do ano. Se haverá de consegui-lo, não se sabe, já que a morosidade estatal é sobejamente conhecida: afinal, nos últimos cinco anos, apenas oito ou nove terminais foram licitados. Seja como for, se arrendar pelo menos 50% desse número em 2013, já terá dado um passo gigantesco. Milton Lourenço - Brasil
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.