Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Portugal - Governos negociam acordo para o porto de Sines ser o centro logístico do Brasil na Europa

Nesta sexta-feira em Lisboa, o ministro dos Portos e Aeroportos brasileiro disse que o Brasil espera assinar no início de 2025 um acordo de cooperação com Portugal para tornar o porto de Sines uma plataforma logística do Brasil para a Europa.


Sílvio Costa Filho, que se encontra em visita oficial a Portugal, revelou que este foi um dos assuntos debatidos com o Ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal, Miguel Pinto Luz, durante o encontro que ambos tiveram na quinta-feira.

Segundo o ministro brasileiro, trata-se de “um acordo comercial” que está a ser, e “em nenhum momento foi discutida a possibilidade de empresas brasileiras participarem no porto” português.

“O que discutimos é que grandes operadores que já têm portos no Brasil (…) possam exportar produtos para o porto de Sines e este servir como parte do ‘hub’ internacional para outros portos aqui na Europa”, frisou.

“Portugal tem o porto de Sines, que representa mais de 40% da agenda portuária do Estado”, além de outros portos, salientou Sílvio Costa Filho, e do seu lado o Brasil quer dialogar com o porto de Santos, de Paranaguá, de Pecém, de Suape e de Pernambuco”, especificou.

O plano logístico deverá contar com essas rotas de integração e devem ser identificados parceiros comerciais que operam no Brasil e em Portugal, bem como outros, que possam fazer essas operações conjuntas, explicou o ministro, lembrando que “é uma prioridade do Presidente Lula [Luis Inácio Lula da Silva] ampliar o diálogo com Portugal e, cada vez mais, com o mercado europeu”.

“Lisboa hoje tornou-se num ‘hub’ internacional de aviação (…) e a ideia é que também o porto de Sines possa se transformar em parte do ‘hub’ logístico do Brasil na Europa”, concluiu.

Nos próximos meses as equipas dos dois ministérios vão estruturar o texto conjunto, para o acordo poder ser assinado numa visita do ministro português ao Brasil, o que poderá ocorrer durante a próxima cimeira Luso-Brasileira, provavelmente realizar-se em fevereiro de 2025, admitiu o governante brasileiro.

O Brasil vive “um momento muito fértil do ponto de vista de oportunidade económicas”, frisou.

“Temos mais de 50 leilões que estarão programados para os próximos 30 meses, na área portuária, aeroportuária e hidroviária. Concessões que serão feitas (…) nos próximos três anos”, destacou.

Na sua visita de dois dias a Portugal, o ministro teve também como objetivo apresentar essa carteira de investimento e concessões a investidores portugueses, num jantar na quinta-feira.

Em entrevista à Lusa, lembrou que o seu país quer “ampliar essas parcerias com o mercado europeu”, para que cada vez mais os investidores destas origens possam investir no Brasil, “em portos, aeroportos, rodovias, em petróleo e gás e na aviação”.

Os investidores, garantiu, podem participar nas concessões portuárias “integralmente, sem a participação de empresas brasileiras, porque o Brasil hoje tem um livre mercado na agenda portuária” e terão “segurança jurídica, estabilidade e, se for preciso, crédito” para os seus negócios.

O Brasil também está a fazer “um grande volume de investimentos nos portos públicos” na ordem de mais cinco mil milhões de euros, acrescentou, referindo que os leilões e concessões que estão a ser feitos nas áreas que tutela equivalem a aproximadamente sete mil milhões de euros.

“Este é o maior programa de investimentos da história do Brasil na área portuária”, sublinhou.

Além disso, “o Brasil teve um crescimento nos portos públicos brasileiros na ordem de mais de 6%”, referiu.

Quanto a interesses já manifestados por investidores portugueses para futuras concessões de portos, Sílvio Costa Filho adiantou que tem havido conversas com a “Mota Engil, Teixeira Duarte e outros grupos”, que “abriram o diálogo” com o Governo e querem fazer investimentos, mencionando ainda conversas com a Acciona, grupo espanhol que com investimentos em Portugal.

Aeroporto

O encontro serviu também para tratar sobre a ampliação de voos comerciais entre os dois países. Com quase 2 milhões de passageiros transportados, Portugal é o país europeu com maior movimentação de viajantes. O número corresponde a 32% de turistas que viajam para o exterior.

Para aumentar o fluxo de turistas, o governo brasileiro mostrou-se favorável em ampliar a conectividade entre Brasil e Portugal. Nesse contexto, o Brasil tem acompanhado o pedido de companhia aérea brasileira para aumentar o número de slots no Aeroporto Internacional de Lisboa, principal do país. A iniciativa visa expandir a atuação em empresas brasileiras em território português, contribuindo significativamente para o fortalecimento das relações bilaterais e ampliando as opções de conectividade entre as nações, o que beneficiará tanto o comércio quanto o turismo.

No âmbito da gestão portuária, os dois governantes consideraram prioritário e de comum interesse potenciar o reforço das ligações entre os dois países por meio do modal marítimo, tendo sempre como compromisso cumprir os princípios da sustentabilidade, digitalização e formação como vetores de orientação desta colaboração. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Portugal - Dois novos pórticos de cais no Terminal XXI de contentores do Porto de Sines

O Terminal XXI do Porto de Sines (Setúbal) vai ter em operação dois novos pórticos de cais, em fevereiro de 2024, adquiridos pela empresa concessionária PSA Sines, que vão permitir aumentar a capacidade de movimentação de contentores.


Em comunicado enviado à agência Lusa, a PSA Sines revelou que os “dois mega-pórticos de cais Ship-to-Shore (STS)”, já montados, chegaram à empresa esta terça-feira.

Estes novos equipamentos “serão adicionados aos 10 pórticos Super Post-Panamax existentes, permitindo que a PSA Sines opere os maiores navios porta-contentores atualmente em operação na Península Ibérica”, destacou a empresa.

E, além disso, continuou, vão desempenhar “um papel importante na expansão da capacidade da PSA Sines de 2,3 para 2,7 milhões de TEU [unidade equivalente a 20 pés], e reforçará a posição da PSA Sines como o porto de entrada preferido da Península Ibérica”.

As novas gruas STS ‘partiram’ de Xangai, na China, no passado dia 07 de setembro e “chegaram em segurança depois de terem estado no mar durante quase três meses”.

“O novo equipamento, que se espera que esteja pronto para operações ao vivo em fevereiro de 2024, será agora submetido a seis semanas de testes e comissionamento”, revelou a concessionária do Terminal XXI do Porto de Sines.

“Com um alcance de 24 filas de contentores e uma altura de 55 metros, teremos agora seis gruas de cais com capacidade total para movimentar navios com dimensões superiores a 24000 TEU, sem limitações”, salientou a presidente executiva (CEO) da PSA Sines, Nichola Silveira, citada no comunicado.

E, “juntamente com a nossa força de trabalho polivalente e empenhada, os nossos níveis de produtividade reforçarão a nossa posição como um dos maiores terminais de contentores do sul da Europa”, acrescentou a mesma responsável da empresa.

A PSA Sines opera o maior terminal de contentores de Portugal, com uma capacidade instalada de 2,3 milhões de TEU, uma extensão de cais de 1350 metros e um calado de 16,5 metros.

O Terminal XXI é “o único terminal em Portugal com capacidade para receber os maiores navios porta-contentores do mundo”, designados como ‘megacarriers’, indicou a empresa.

A PSA Sines destacou que, desde o início das obras do terminal, em 2000, já investiu “mais de 370 milhões de euros” no desenvolvimento das suas “instalações de última geração”.

Atualmente, decorrem obras de expansão do Terminal XXI do Porto de Sines, as quais, quando estiverem concluídas, vão permitir ao terminal aumentar “a sua capacidade de movimentação anual para 4,2 milhões de TEU”.

Trata-se da expansão da Fase III do terminal, no valor de “mais de 412 milhões de euros”, notou hoje a empresa, lembrando que, com estas obras, a PSA Sines pretende “continuar a facilitar o aumento do volume de carga e a satisfazer as necessidades crescentes dos seus clientes”.

“Quando a expansão da Fase III estiver totalmente concluída em 2030, o terminal poderá duplicar a sua capacidade de movimentação anual de 2,1 milhões de TEU para 4,2 milhões de TEU, reforçando assim a sua posição como um dos principais portos da região”, frisou a PSA Sines, que conta com 1200 funcionários, pelo que é “o maior empregador” do litoral alentejano. In “O Digital” – Portugal com “Lusa”


quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Portugal, Brasil e Angola querem aproximar portos rumo a um “triângulo comercial”

Portugal, Brasil e Angola ambicionam a criação de um “triângulo comercial” de agropecuária, cereais e hidrogénio verde através da aproximação dos seus portos, disseram responsáveis portuários


O projecto será apresentado para a semana em Bruxelas onde se espera receber financiamento da iniciativa Global Gateway, lançada pela Comissão Europeia (CE) para promover ligações inteligentes, limpas e seguras a nível dos sectores digital, da energia e dos transportes, esperando mobilizar 300 000 milhões de euros até 2027.

“É uma negociação que depois tem de haver entre as autoridades brasileiras e europeias, em que pode haver também investimento de entidades portuguesas”, explicou à Lusa o presidente do Porto de Sines, José Luís Cacho, durante o XIV Congresso da Associação dos Portos de Língua Portuguesa (APLOP), que decorreu na segunda-feira em Brasília, subordinado ao tema “Corredores Logísticos, Sustentabilidade e Inovação”.

O responsável português frisou ainda estar confiante de que a iniciativa será bem acolhida por parte dos investidores já que o projeto tem como objectivo “aumentar os fluxos e as trocas comerciais” entre Portugal e o Brasil.

Em Julho, o Porto de Sines e a Companhia Siderúrgica Nacional do Brasil já tinham assinado um memorando no âmbito da iniciativa Global Gateway, tendo sido também assinado um memorando de entendimento com a Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, em Angola. “Sempre na lógica do agronegócio, dos minérios, e energia”, sublinhou, referindo-se ao gigante sul-americano, que é um dos celeiros do mundo e que no Porto do Pecém, em Fortaleza, capital do estado do Ceará, alinhado com as ambições energéticas do Governo brasileiro, pretende também capacitar as instalações para a exportação de hidrogénio verde, produzido através do processo de eletrólise da água (separação do oxigénio e do hidrogénio) e utilizado, principalmente, para a produção de fertilizantes para a atividade agrícola, mas que poderá ser usado como combustível e matéria-prima industrial para produtos farmacêuticos.

“Sines tem uma centralidade, não só em relação à Europa e Norte de África e África Ocidental que permitirá potenciar o crescimento das trocas comerciais, nomeadamente nos produtos agroalimentares”, considerou José Luís Cacho.

Outra das vantagens desta conexão Sines-Pecém é a possibilidade de o transporte de mercadorias ser intensificado após a assinatura do acordo comercial entre a Europa e o bloco do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai), que se espera que seja concluído no final do ano.

Também à margem do congresso lusófono, o presidente da Associação Empresarial de Sines, Hugo Manuel Ferreira, considerou que o porto português, através desta conexão com o Brasil, mas também a Barra do Dande, em Angola, pode ajudar a suprimir a falta de cereais na Europa.

Com a invasão da Rússia à Ucrânia “a Europa sentiu um aumento brutal no preço dos cereais”, disse, recordando que Sines tem o 14.º porto com movimentação de carga da Europa.

Hugo Manuel Ferreira frisou ainda que com o encerramento da central elétrica de Sines, de carvão, o porto está com mais capacidade de armazenamento. “O terminal está preparado para qualquer tipo de carga”, afirmou.

Já do lado de Angola, o presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, Joaquim Piedade, afirmou à Lusa que a expectativa é de que, em 2026, cerca de 860 hectares do projecto desta zona franca já estejam concluídos com terminal marítimo e refinaria.

A obra do Terminal Oceânico da Barra do Dande foi iniciada em 2012, mas suspensa em 2016, tendo o Governo tomado a decisão de a retomar em 2018. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 22 de junho de 2021

Internacional - Pandemia arrefece a relação bilateral Portugal - China e traz estagnação

A questão do investimento no Porto de Sines, entre outras, veio demonstrar que “o momento da China em Portugal pode não ser tão forte como aparenta”. A conclusão é do académico Paulo Duarte, que acaba de publicar um artigo sobre o assunto na revista JANUS, da Universidade Autónoma de Lisboa. O investigador acredita que, devido à pandemia, a relação bilateral sofre mesmo de alguma estagnação


The covid-19 factor in Portugal-China relations: time to rest” [O factor covid-19 nas relações Portugal-China: tempo para descansar” é o nome do mais recente artigo assinado pelo académico português Paulo Duarte sobre uma relação bilateral que não se tem revelado tão forte como apontam os discursos oficiais.

Uma das conclusões do artigo, publicado na última edição da revista JANUS, da Universidade Autónoma de Lisboa, conclui que “apesar de iniciativas sem precedentes, os desenvolvimentos da covid-19 vieram demonstrar que o momento chinês em Portugal pode não ser tão forte como aparenta ser”. E isso nota-se em alguns investimentos estratégicos que acabaram por estagnar, como é o caso do Porto de Sines. Em Abril deste ano, foi notícia o facto de o concurso internacional para a construção e concessão do novo terminal ter terminado sem qualquer proposta, quer chinesa, quer americana. No entanto, as duas grandes potências mantêm este activo debaixo de olho.

Escreve Paulo Duarte que “os EUA escolheram o momento certo [o foco de Pequim nos protestos de Hong Kong e a covid-19 ainda numa fase inicial” para realizar uma visita de alto nível ao Porto de Sines a 12 de Fevereiro de 2020. Considerando que a China já tinha demonstrado interesse no Porto de Sines”, esta “não foi uma viagem de lazer, mas sim geopolítica”.

Segundo explicou Paulo Duarte ao HM, “os projectos da China em Portugal, e em vários pontos do mundo, estagnaram por causa da covid-19 na expectativa de que a China se restabeleça em primeiro lugar, algo que tem conseguido comparando com outros países”.

Mas mais do que isso, nota-se “muita assertividade no tom entre a China e EUA, mais do que propriamente uma mudança de posicionamento de Portugal face à China”.

Com a reconquista democrata da Casa Branca como pano de fundo, Paulo Duarte acredita que ainda é cedo para uma análise sobre o que irá mudar no tabuleiro da política internacional.

“A questão do Porto de Sines e da rede 5G poderão ser factores primordiais para testar a fidelidade portuguesa face aos EUA. Mas o certo é que não vemos mais o tom de ultimato como vimos com a Administração Trump através do seu ex-embaixador em Portugal. Mas teremos de ver o que vai acontecer.”

O poder da NATO

Portugal, um velho aliado da NATO, mas também um forte parceiro comercial da China, “deverá certamente privilegiar o aliado de longa data”, tendo em conta os interesses de ambos os países. Ao HM, Paulo Duarte confirma isso mesmo. “Não tenhamos dúvidas [de que Portugal vai sempre manter uma ligação com a NATO”. A relação Portugal-China é comparada pelo académico à ligação que o país tem com a Grécia, mas “não vem retirar fidelidade [de Portugal] em relação à NATO, EUA ou União Europeia (UE)”.

Ainda assim, a China continuará como um importante player. “Portugal vai aproveitar algumas propostas feitas pela China, nomeadamente em relação à rede 5G e outras, para desenvolver o nosso mercado. Isso é algo que António Costa [primeiro-ministro] e o nosso Governo tem conseguido aproveitar, com uma diplomacia talentosa face à China e EUA.”

Mas, mais uma vez, a imprevisibilidade da pandemia faz com que seja cedo para traçar conclusões definitivas. “Quando tudo estiver mais ultrapassado em termos de vacinação contra a covid-19 vamos voltar a ver a competição por outros activos estratégicos portugueses”, frisou o académico.

Apesar deste jogo marcado por dois poderes, Paulo Duarte defende um maior pluralismo de parceiros estratégicos de Portugal. “Não deveríamos dar monopólio nenhum, mesmo como membros da NATO e da UE, a empresas apenas dos EUA. Temos de ter a porta aberta a várias propostas. Portugal não é um grande mercado e tanto os EUA como a China sabem disso. Mas, do ponto de vista geoestratégico, é uma ponte entre a Europa, África e as Américas.”

Covid-19 é mais um passo

No artigo assinado por Paulo Duarte, é defendido que a pandemia não representa mais do que “uma fase do multilateralismo chinês”. “Antes da pandemia o multilateralismo chinês já tinha demonstrado uma incrível sofisticação (implícita no acesso de vários estados da UE ao Banco de Investimento de Infra-estruturas Asiático contra a vontade dos EUA), e na era pós-covid-19 ainda se mantém”, lê-se ainda.

Com uma nova ordem mundial “a ganhar forma”, e sem que haja um consenso sobre como vai ser a diplomacia mundial nos próximos tempos, só um ponto ganha “relativa convergência” face a como será o mundo no pós-pandemia.

“Há uma consciência de que a pandemia mostrou as vulnerabilidades do mercado global, mas também [a ideia] de que nenhum Estado soberano deveria continuar a depender de Estados terceiros em domínios estratégicos e, claro, [na área] da medicina e equipamento médico, cuja produção é dominada pela China.”

No texto, o académico fala da “diplomacia da máscara” levada a cabo pela China no apoio a outros países, nomeadamente à própria UE, que recebeu uma resposta mais rápida por parte das autoridades chinesas e russas no combate à pandemia.

O académico considera que, apesar da sociedade portuguesa não ser “colectivista”, ao contrário da chinesa, “onde há a propensão para obedecer a uma figura forte”, a capacidade de Portugal para responder à pandemia “não foi menos notável do que na China, que construiu hospitais em poucos dias”.

“A população portuguesa seguiu de forma escrupulosa as medidas de confinamento, algo que não aconteceu, por exemplo, em Itália. Portugal procurou evitar os erros cometidos por outros em vez de os repetir. O mesmo pode ser dito a propósito da China, que foi incomparavelmente mais rápida a aprender com os seus próprios erros, tal como a gestão de episódios passados, como a SARS”, lê-se no artigo.

Em termos gerais, o autor denota que “a política externa portuguesa tem sido particularmente habilidosa em lidar com a China, enquanto mantém os antigos compromissos lado a lado com a UE e os EUA”.

Relativamente a uma das principais conclusões da última cimeira do G7, sobre a possível criação de uma política ocidental semelhante à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, Paulo Duarte defende que não é mais do que uma resposta tardia do ocidente. “A UE acordou tarde para o projecto “Uma Faixa, Uma Rota”, não tinha uma resposta ao início e hoje tem, mas é pautada por diferentes visões de países da UE, também a nível mais macro.”

Além da UE, “o mundo começou a acordar de forma tardia para esta questão e percebeu que a China tem conseguido canalizar muitos países para a sua iniciativa, de modo que os países ditos do mundo ocidental perceberam que têm de ter uma resposta. Mas isto acontece por reactividade e não por pró-actividade”, aponta Paulo Duarte.

Quem reagiu a esta iniciativa do G7 foi a China, que mostrou forte oposição. Na última terça-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, disse que a proposta não passa de uma difamação da China e “transgride os propósitos e princípios da ONU e a tendência dos tempos de paz, desenvolvimento e cooperação de ganho mútuo”.

A mesma proposta do G7 “põe em evidência as más intenções dos EUA e de uns outros países para criar deliberadamente antagonismo e ampliar as diferenças. A China está fortemente insatisfeita e opõe-se firmemente a isso”, disse Zhao Lijian. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sábado, 13 de março de 2021

Portugal e Brasil “empenhados” no Porto de Sines como ‘hub’ para o agronegócio


Nesta sexta-feira, Governantes de Portugal e do Brasil manifestaram-se “empenhados na promoção de Sines”, através do porto existente nesta cidade do litoral alentejano, como “‘hub’ europeu para o agronegócio brasileiro”, disse a administração portuária.

Em comunicado, a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) aludiu a um seminário ‘online’ realizado neste dia 12 e que juntou “mais de 100 representantes de cooperativas agrícolas, ‘traders’, associações setoriais e exportadores brasileiros que atuam no setor agroalimentar”.

A abertura do evento foi feita pelo governante português Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado para a Internacionalização, e o encerramento esteve a cargo da ministra de Estado, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina.

Um envolvimento que “demonstra o comprometimento dos governos dos dois países em potenciar este relacionamento”, baseado no Porto de Sines, no distrito de Setúbal, afirmou a APS.

“Governantes de Portugal e do Brasil empenhados na promoção de Sines como ‘hub’ [centro de distribuição e transferência] europeu para o agronegócio brasileiro”, pode ler-se também no comunicado.

Este seminário virtual, intitulado “Sines – Hub Europeu para o Agronegócio Brasileiro”, contou igualmente com a participação de representantes do complexo portuário, logístico e industrial de Sines.

O presidente da APS, José Luís Cacho, apresentou as valências portuárias oferecidas a este setor, tanto no que respeita à carga a granel (como soja ou milho), como no que respeita à carga contentorizada (incluindo a refrigerada) cuja ligação semanal entre Sines e portos brasileiros já existe, disse a entidade portuária.

Segundo a APS, o presidente executivo da Aicep Global Parques, Filipe Costa, entidade que gere a Zona Industrial e Logística de Sines, “reforçou a capacidade disponível para acomodar a instalação de projetos agroalimentares em zonas muito próximas do porto, com o objetivo de acrescentar valor à carga movimentada”.

Já no início deste ano, em 06 de janeiro, a Comunidade Portuária e Logística de Sines (CPLS) disse querer apostar na importação de produtos agrícolas oriundos do Brasil, através do Terminal Multiusos do Porto de Sines, com destino à Península Ibérica.

“O Terminal Multiusos, utilizado para a importação de carvão, deixou de estar ocupado após o encerramento da central termoelétrica de Sines, tendo condições ideais para a importação de produtos agrícolas”, disse à agência Lusa na altura Jorge d’Almeida, presidente da CPLS, que celebrou um protocolo de cooperação com a Câmara de Comércio Brasil Portugal – Centro Oeste (CCBP-CO).

O objetivo do acordo é “estudar e promover uma solução logística eficaz e eficiente para a exportação de produtos agropecuários brasileiros pelos portos brasileiros, preferencialmente os localizados no Arco Norte, com destino à Europa e ao Norte de África, através do Porto de Sines”, explicou então, em comunicado, a comunidade portuária. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quarta-feira, 4 de março de 2020

Grécia – O porto do Pireu já é o quarto maior da Europa

O porto do Pireu cresceu 15% em 2019 e, com isso, tornou-se o maior do Mediterrâneo e o quarto maior da Europa no movimento de contentores



O porto do Pireu, sob gestão da Cosco, continua a sua cavalgada no ranking dos maiores portos europeus de contentores. No ano passado foi, de muito longe, o que mais cresceu no top 15 e, com isso, galgou duas posições, ultrapassou Valência e Bremerhaven e assumiu o quarto posto, atrás dos “gigantes” Roterdão, Antuérpia e Hamburgo.

De acordo com os resultados elaborados por Theo Notteboom, no ano passado os 15 maiores portos de contentores europeus processaram 79 071 TEU, mais 2,8% que em 2018. Os três maiores somaram 25 929 TEU, num crescimento homólogo de 4,6%.

O crescimento do topo 15 em 2019 compara com os 4,7% verificados em 2018 e os 4,6% de 2017, nota o especialista. Mas superam os 2,1% de 2016 e, por maioria de razão, os -1,6% de 2015.

Comparando com 2007, o ano anterior à crise financeira global, o top 15 de 2019 aumentou a sua produção 29%. Mas Gioia Tauro, Hamburgo e Bremerhaven ainda não atingiram os  números de então. Na inversa, Gdansk cresceu 20 vezes e o Pireu triplicou-os.

Olhando para o alinhamento dos 15 maiores portos europeus de contentores em 2019, são poucas as diferenças relativamente a 2018. Nas subidas destaca-se o Pireu, de 6.º para 4.º, enquanto Algeciras passou de 7.º para 6.º, Le Havre de 11.º para 10.º e Gdansk de 16.º para 15.º. Na inversa, Bremerhaven, Marsaxlokk e Southampton perderam posições, o que no caso do porto britânico lhe custou mesmo a presença no restrito “clube”.

Na sua análise, Notteboom sublinha os diferentes perfis dos portos, com o Pireu e Algeciras quase exclusivamente hubs de transhipment, e Felixtowe, Génova ou S. Petersburgo quase exclusivamente portos gateway.

Os desafios de Sines

Sines integrou o top 15 europeu em 2016, então com uma produção de 1,5 milhões de TEU e um crescimento de 908,7% (!) na comparação com 2007.

O porto português não figura agora entre os 15 maiores, mas Theo Notteboom assinala que tem potencial para lá regressar. A par da Southampton, Londres, Zeebrugge, La Spezia ou Marselha, todos com resultados entre os 1,4 e os 2 milhões de TEU em 2019.

Mas Sines, como Algeciras e Valência, terá de haver-se com a “concorrência” de Tanger Med, que no ano findo cresceu 38% e tocou os 4,8 milhões de TEU, e que este ano deverá andar a ampliar a sua capacidade, assinala o especialista. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sábado, 3 de agosto de 2019

Internacional – Classificação do movimento de contentores segundo a Lloyd's List Maritime Intelligence em 2018

Porto de Santos em 39º, Porto de Sines em 93º



O Porto de Santos ficou em 39º lugar entre os maiores portos do mundo na movimentação de contêineres em 2018, segundo levantamento divulgado na quarta-feira (31) pela publicação especializada britânica “Lloyd's List Maritime Intelligence”, uma das mais prestigiosas do mundo dedicadas a portos e navegação. Os 4,12 milhões de TEU (medida padrão equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentados no ano passado colocou Santos três posições acima do ranking de 2017, quando ficou na 42ª colocação. A lista é encabeçada pelo Porto de Xangai, na China, com 42 milhões de TEU. Os dez portos mais bem colocados ficam na Ásia - sete na China; um em Singapura; um na Coreia do Sul; e um em Dubai.

De acordo com o ranking “One Hundred Ports 2018”, o Porto de Santos é o maior do Hemisfério Sul. A revista destaca o crescimento de 7% registrado no ano, que elevou a movimentação de 3,85 milhões de TEU em 2017 para 4,12 milhões de TEU. Em 2019, a movimentação está em crescimento e registrou recordes mensais em maio e junho, embora no acumulado do ano tenha caído 3,5%, para 1,9 milhão de TEU.

Na América Latina, o Porto de Santos ocupou a 1ª posição entre 2012 e 2015. Desde 2016 está em 2º na movimentação, atrás do Porto de Colón (Panamá). O porto panamenho é gerido por uma empresa chinesa especializada em carga conteinerizada, sendo o 2º maior do mundo em transbordo de carga (atrás apenas de Hong Kong). In “Portos e Navios” – Brasil

Segundo a classificação da "Lloyd's List Maritime Intelligence" para além do Porto de Santos na costa atlântica da América do Sul, encontra-se o Porto de Buenos Aires na 92ª posição com um crescimento de 22,4% em 2018 face ao ano anterior.

Na Península Ibérica, o Porto de Valência é o melhor classificado no 29º lugar, com um aumento de 7,3% em relação ao ano de 2017. Seguem-se os Portos de Algeciras, (33º) +8,7%, de Barcelona, (48º) +15,1% e o Porto de Sines na posição 93ª com um acréscimo de 4,9%. Baía da Lusofonia



quarta-feira, 6 de março de 2019

Portugal - Zona de Actividades Logísticas de Sines avança em 2020

A aicep Global Parques prevê lançar em 2020 uma nova Zona de Actividades Logísticas (ZAL) junto ao futuro terminal de contentores Vasco da Gama, no porto de Sines



A aicep Global Parques prevê lançar em 2020 uma nova Zona de Actividades Logísticas (ZAL) junto ao futuro terminal de contentores Vasco da Gama, no porto de Sines.

“Queremos avançar em 2020 com o início da primeira fase do loteamento da ZAL “extraportuária”, contígua ao futuro terminal Vasco da Gama, para acompanhar a dinâmica que será criada por estes investimentos, que estimam um aumento da capacidade de movimentação de contentores dos actuais 2,1 milhões para 7,6 milhões de TEU”, adiantou à “Lusa” o CEO da aicep Global Parques.

Trata-se de uma zona “com uma dimensão significativa”, 106,5 hectares, e uma localização privilegiada para projectos na área “da logística de 2.ª linha” e “de consolidação”, que, “a longo prazo”, poderá beneficiar de “uma eventual substituição progressiva da utilização do Terminal Multipurpose” do porto de Sines.

“Podemos ter uma dinâmica de sectores exportadores nacionais, como os mármores, as rochas calcárias e o sector alimentar, cargas que poderiam, eventualmente, no futuro, substituir o carvão no Terminal Multipurpose”, sublinhou Filipe Costa.

Sete milhões para expandir a Zona Industrial Logística

Já este ano, a aicep Global Parques prevê investir sete milhões de euros no loteamento de mais 60 hectares na ZIL de Sines.

“Vamos ter um grande ciclo de desenvolvimento na ZIL de Sines, que tem uma ocupação de 89%, e para acomodar alguns desses investimentos de que estamos à espera no setor petroquímico vamos ter de fazer novos loteamentos”, disse à “Lusa” o presidente executivo da empresa, Filipe Costa.

“Há pelo menos 10 anos que não se faziam novos loteamentos e isto é sintomático de alguma retoma económica, industrial e do cluster petroquímico”, revelou o CEO da aicep Global Parques, que gere a Zona Industrial Logística de Sines onde estão localizadas as maiores empresas do país, como a Petrogal e a Repsol Polímeros.

Prevê-se um investimento superior a dois milhões de euros na “zona 1”, a Norte do parque, no loteamento de uma área de 15,7 hectares para acomodar “investimentos de dezenas de milhões de euros em unidades associadas ao biodiesel, construção e alguma logística”, adiantou.

Na “zona 2” da ZIL, serão investidos mais de cinco milhões de euros no loteamento de uma área de 44,3 hectares “para fazer face aos projectos de petroquímica que estão em carteira” e “à expansão dos actuais clientes” ligados a este sector.

“São projectos, dos principais clientes de oil and gas e petroquímicos do parque e do porto de Sines, na ordem dos milhares de milhões de euros, que já estiveram em carteira antes da última crise financeira e que agora são retomados e vão beneficiar o parque e o país nos próximos três anos”, disse Filipe Costa. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Portugal - Terminal XXI garante novo recorde em Sines

O Terminal XXI, operado pela PSA Sines, garantiu na passada quarta-feira um novo máximo histórico na movimentação de contentores



A cerca de duas semanas do fecho do ano, o Terminal XXI atingiu, a 12 de Dezembro, a marca de 1 669 295 TEU, que supera os 1 669 057 registados em todo o ano de 2017, anunciou o Porto de Sines.

Em termos homólogos, o resultado já alcançado representa um crescimento de 5%.

A movimentação de contentores em Sines começou o ano em baixa, penalizada sobretudo pela comparação com um arranque excepcional de 2017, mas lentamente foi recuperando e em Setembro deu um salto de 46%. Agora confirmou-se o recorde.

Para 2019 as perspectivas são bastante positivas, assinala a administração portuária.

Em consequência, a PSA Sines adquiriu e está a instalar mais equipamentos de movimentação de contentores, que entrarão em operação no início de 2019. É o caso de um pórtico de cais – o 10.º – Super Post-Panamax, com capacidade para operar os maiores navios em operação comercial e 4 RTG’s (gruas de parque).

A PSA Sines tem um plano de investimento na expansão do terminal de contentores que está a negociar no âmbito da renegociação da concessão, em curso. In “Transportes & Negócios” - Portugal

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Portugal – Acordo de entendimento com a China liga porto de Sines ao projecto “Rota da Seda”

Portugal vai assinar um acordo de entendimento com a China para ligar o porto de Sines ao denominado mega projecto de integração internacional promovido por Pequim – “Uma Faixa, Uma Rota”, designado por muitos como a nova “Rota da Seda”, que continua a fazer desconfiar” a Europa, apesar dos países que mais contestam serem os que detêm mais investimentos chineses



Não é propriamente uma novidade. Desde há alguns anos que a posição geográfica e as boas condições do porto de Sines estavam sinalizadas pelo interesse do Estado chinês, o que, por outro lado, coincide com a vontade do Governo de Lisboa de dinamizar uma estrutura portuária que tem capacidade de desenvolvimento muito para além das existentes actualmente.

Fontes do governo português recordaram ao JTM que as manifestações de interesse entre os dois países sobre o porto de Sines já vêm do governo de Passos Coelho, mas ganharam maior dinâmica a partir da entrada em funções do executivo de António Costa, que, pela parte portuguesa, cometeu o dossier ao secretário para a Internacionalização, que por várias vezes se deslocou a Pequim com o assunto no topo da agenda das relações económicas bilaterais.

A novidade actual é que, a antecipar a visita de Xi Jinping a Portugal, o acordo de entendimento foi já anunciado pelo Primeiro-Ministro, António Costa, num encontro com correspondentes estrangeiros. “Queremos assinar um memorando na próxima semana para a integração do porto de Sines à Rota da Seda”, afirmou salientando que quer transformar o local num “elemento importante” da parte europeia da denominada “Uma Faixa, Uma Rota”.

“O porto tem a melhor capacidade disponível, é de águas profundas, e tem uma localização óptima para receber e servir as rotas transatlânticas, mediterrâneas e as do Cabo”, explicou. Situado a 160 quilómetros a sul de Lisboa, o terminal de contentores de Sines é gerido por Singapura e por ali passa um terço do gás liquefeito exportado pelos EUA para a Europa, sendo um dos poucos portos europeus com a capacidade de armazenamento. A verdade é que Sines é um dos raros portos de águas profundas europeus na confluência entre continentes, onde os grandes navios contentores podem acostar.

Por isso, de acordo com o Primeiro-Ministro português, Sines poderá ser uma importante interface da Europa com o restante do mundo e o governo de Portugal acredita que ele é bastante relevante para o desenvolvimento das relações entre o continente europeu, a Ásia e as Américas justificando a utilização do novo Canal do Panamá pela China como a via mais rápida e mais barata de atingir os mercados atlânticos.

Espanha diz não mas também disse sim

A postura do Primeiro-Ministro de Portugal difere da manifestada pela Espanha na semana anterior. O Presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, recebeu Xi na terça-feira da última semana e negou integrar o país neste projecto chinês, mas também assinou um “memorando de entendimento” entre o porto de Algeciras e o porto de Ningbo (a antiga Liampó, onde os portugueses aportaram antes de se fixarem em Macau), o maior porto do mundo em volume de actividade.

“Há uma manobra geopolítica de tentar manter relações internacionais num momento complicado para a China”, explicou à AFP Ángel Saz Carranza, director do centro de geopolítica e empresas ESADEGeo considerando que a “guerra comercial em curso com os Estados Unidos” (já temporariamente suspensa à margem da reunião do G20) se pode estender à Europa cujos Estados-membros se pronunciarão em Dezembro sobre o controlo dos investimentos estrangeiros, incluindo os chineses, a fim de proteger sectores-chave como a energia.

Foi nesse contexto que Xi prometeu na quarta-feira no Senado espanhol “agilizar o acesso ao mercado chinês” e “aumentar a protecção à propriedade intelectual”, o que para o analista mais não é que uma prova que “para Pequim é “o momento de fazer declarações públicas para tentar abrandar a opinião europeia”.

Jean-François Di Meglio, presidente do “think tank” Asia Centre, com sede em Paris disse à AFP que nesta viagem ibérica, Pequim tenta “encontrar caminhos fáceis de acesso para os investimentos chineses na Europa, e consolidar o que foi conseguido” nesses países apesar das reticências de outros governos europeus.

França, Alemanha e Itália pedem há anos uma legislação europeia que permita filtrar certos investimentos. Esses países preocupam-se que grupos estrangeiros, em particular chineses, assumam o controlo de tecnologias-chave, comprando empresas europeias de uma maneira consideram desleal.

Madrid e Lisboa têm sido mais receptivos, embora “em números absolutos, os investimentos chineses sejam mais significativos no Reino Unido e na Alemanha, mas em percentagem em relação ao PIB são maiores na Espanha e em Portugal”, frisou. 

Um megaprojecto internacional

“Uma Faixa, Uma Rota” é um megaprojecto internacional de infras-estruturas para ligar a China com os seus vizinhos na Ásia e os demais continentes e na verdade é constituído por várias rotas, tendo como pano de fundo a globalização comercial e o desenvolvimento dos países de forma a tornar menos evidente a diferença entre países ricos e pobres, como se prova com a sua extensão à África.

Desde o início, o plano dividiu a União Europeia entre os que apoiam a iniciativa, como a Grécia, Polónia e Portugal, e outros países que observam a proposta com receio, como Alemanha e França. A posição portuguesa é bastante compreensível pois várias empresas chinesas já possuem grandes investimentos em sectores estratégicos de Portugal, controlando, por exemplo, 28,25% do grupo Energias de Portugal (EDP).

Segundo a imprensa portuguesa, porém, o Governo de Lisboa não irá propriamente integrar o plano “Uma faixa, Uma rota”, mas sim, tal como Espanha vai assinar apenas um “memorando de entendimento” para estabelecer a “cooperação entre Portugal e a Rota da Seda”, de acordo com uma fonte diplomática portuguesa. Portugal quer que o investimento industrial chinês suba um novo degrau – da compra de empresas para a construção de raiz” acentuava o “Público”.

O caso do Porto de Sines é um exemplo. Vai abrir um concurso público para a construção do novo terminal, já baptizado como Vasco da Gama, e Portugal veria com interesse que a China fizesse o terminal de raiz, com naturais benefícios de gestão do projecto durante um período de tempo. A imprensa portuguesa refere que há conversações entre as duas partes, mas o Governo de Lisboa não deixa de acentuar que “aberto o concurso público internacional ganhará quem fizer a melhor oferta.”

Uma nota oficial, distribuída em Portugal, refere ainda que no dia e meio da visita do Presidente Xi Jinping “está prevista a assinatura de um total de 19 instrumentos legais que culminam um processo de intensa negociação bilateral em áreas que vão da cultura à ciência e da agro-indústria ao comércio”.

O Governo de António Costa espera que dos contactos a manter (a delegação chinesa integra vários ministros) haja uma mútua abertura dos mercados garantindo, desde logo o aumento das exportações para o mercado chinês, mas a abertura de uma nova rota aérea directa entre Lisboa e Pequim (muito possivelmente com a nacional Air China em vez da privada Capital Airlines que já deteve a rota e a suspendeu recentemente).

Outra questão, que existe de há muito e talvez possa ter alguns desenvolvimento é o da exportação da carne de porco portuguesa que a China não tem aceite alegando “questões de saúde pública” e naturalmente a cooperação no âmbito dos países africanos de expressão oficial portuguesa que Pequim cometeu a Macau através do Fórum Macau.

A cooperação científica e tecnológica pode igualmente ter desenvolvimentos em especial na troca de estudantes e investigadores. Ricardo Jorge – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Portugal - Terminal XXI recebe a 10.ª grua super post panamax

O Terminal XXI de Sines prepara-se para entrar o novo ano com mais um pórtico de cais e quatro pórticos de parque



O novo pórtico de cais do Terminal XXI está já em fase de montagem, como o documentam as fotos publicadas pela PSA Sines na sua página do Facebook.

Será o décimo pórtico de cais do terminal de Sines, um super post panamax, com um alcance de 75,2 metros e, logo, capaz de operar navios com até 24 fiadas de contentores.

Mais adiantada está a instalação dos quatro pórticos de cais RTG E-one, de propulsão híbrida (diesel-eléctrica), com capacidade para movimentar contentores até 41 toneladas.

Os quatro equipamentos chegaram a Sines a bordo de um navio da Cosco Shipping e estão agora a ser submetidos à final de ensaios operacionais-

Recorde-se que a PSA Sines está a negociar com a administração portuária a expansão da concessão do terminal de contentores. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sábado, 17 de novembro de 2018

Internacional - França não quer Portugal na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”

A França estará a pressionar Portugal para não aderir formalmente à iniciativa chinesa, quando Xi Jinping visitar Lisboa no próximo mês. Fontes garantem que a Alemanha também está preocupada. Mas Portugal não quer desperdiçar o eventual investimento chinês no Porto de Sines



A França pediu a Portugal para não aderir à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, de acordo com as revelações feitas pelo antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, numa recente entrevista ao jornal i. Maçães afirmou concretamente que “tanto quanto sei, o Presidente Macron enviou uma mensagem ao Governo português dizendo que ficaria muito desiludido se Portugal entrasse na iniciativa chinesa”. Ao Ponto Final, a presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda, Fernanda Ilhéu, diz não conhecer essas pressões e, a existirem, considera-as “com certeza muito estranhas”.

A antiga directora executiva da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa lembra que “a União Europeia ainda não definiu uma estratégia clara sobre a sua participação na iniciativa ‘Faixa e Rota’, e embora em 2018 se tenham dado alguns passos nesse sentido, ainda não existe uma posição estruturada para um comportamento multilateral dos países membros, portanto o que estamos a verificar é que existem já países a avançar com memorandos de entendimento bilaterais e alguns projectos entre Países da União e a China no contexto ‘Faixa e Rota’ começam a tomar forma nomeadamente da Itália, da Grécia, da Inglaterra da própria França…”.

Já o investigador Paulo Duarte, autor do livro “A Faixa e Rota chinesa: a convergência entre Terra e Mar”, considera, também em declarações ao Ponto Final, que “são pressões expectáveis e naturais, sobretudo porque vêm de países que são eles próprios motores da União Europeia ao nível geopolítico, geoestratégico e geo-económico, França e Alemanha”.

Paulo Duarte lembra “a pressão natural que os Estados Unidos exerceram, ainda na era Obama, para evitar que 14 Estados europeus aderissem ao Banco Asiático de Investimento e Infra-estrutura. O certo é que as pressões do parceiro transatlântico viriam a revelar-se um fiasco, porque contra a vontade de Washington e na ausência de qualquer resposta coordenada da Comissão Europeia face à Faixa e Rota chinesa, uma parte significativa dos países-membros da União Europeia aderiu à iniciativa chinesa”, incluindo Portugal.

Para Duarte, “quem mais legítimo para pressionar Portugal a não ser países europeus, como uma França ou Alemanha, que querem preservar uma identidade europeia, tão abalada pelo anúncio do Brexit, pelo terrorismo, refugiados, entre outros?”. O Ponto Final contactou a Embaixada de França em Lisboa, solicitando explicações e outros detalhes, sem resultado.

A resposta de Portugal

Fernanda Ilhéu acredita que “o Governo português com certeza saberá lidar com essa realidade e distinguir o que são pressões concorrenciais e o que são os contornos de precaução na assinatura de memorandos de entendimento que não infrinjam as regras da União Europeia”.

O também investigador Paulo Duarte acredita que “Portugal será cauteloso”. Por um lado, “pesam os compromissos face à União Europeia, à OTAN e, em geral, a solidariedade e o sentido de pertença face a uma Europa em pré-convulsão de vária ordem. Por outro lado, Portugal será pragmático. Sines pesa na balança do pragmatismo, o gás natural, o eixo Panamá-Praia da Vitória (porto de águas profundas de que se ouvirá falar no futuro e que fica na Ilha Terceira, Açores), o sector dos seguros e da energia, a rota ferroviária que actualmente liga Yiwu a Madrid e que tenderá a terminar, no futuro, em Portugal (muito provavelmente em Sines, onde a terra abraça o mar)… Tudo isso são factores importantes, especialmente se se tiver em conta que a União Europeia é heterogénea e acusa sinais de fraqueza”.

Em resumo, diz Duarte ao Ponto Final: “Posso estar equivocado, mas não creio que Portugal feche a porta à ‘Faixa e Rota’ chinesa até porque de certa forma já está inserido nela. Basta lermos as notícias que dão conta do interesse veemente dos governantes chineses em tentar captar o olhar da China para Sines… Viria agora Portugal, apenas por causa das naturais pressões franco-alemãs, voltar atrás e dizer que afinal Sines e o investimento chinês já não são importantes? Não me parece. Muito pelo contrário. Agora, Portugal pode adoptar uma perspectiva moderada, não abrindo incondicionalmente a porta à China nem se fazendo total mudo face aos avisos franco-alemães, quando estes últimos pugnam por maior controlo estratégico (não necessariamente em Portugal mas na UE ‘lato sensu’) de sectores da economia considerados vitais”.

Já Bruno Maçães, que recentemente publicou o livro “O Despertar da Eurásia”, entende, na entrevista que deu ao jornal i, que “a questão é delicada e exige muita reflexão da parte do Governo português, porque há muito a ganhar, mas também, possivelmente, bastante a perder, qualquer que seja a decisão. Uma das razões pelas quais a decisão está em aberto é precisamente o facto de haver pressões dos dois lados”. O Ponto Final pediu um comentário ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português, sem sucesso.

A visita de Xi Jinping

Segundo apurou o Ponto Final, que confirmou junto de várias fontes a informação tal como o ex-secretário de Estado a formulou, é a proximidade da visita de Xi Jinping a Portugal no próximo mês que dita esta agenda. A França, mas também a Alemanha, pretendem evitar que Portugal aproveite esse momento para se pronunciar abertamente sobre a adesão à iniciativa Chinesa, preferindo uma posição mais neutral.

A verdade é que, até ao momento, não houve uma declaração formal por parte de Lisboa, ainda que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tenha afirmado em Maio deste ano, durante a visita a Lisboa do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que “Portugal apoia firmemente a iniciativa ‘Faixa e Rota’ desde o seu início.”

Bruno Maçães fala numa “decisão estratégica e que tem também muito a ver com uma questão fundamental da política externa portuguesa que é a de saber se a política europeia e a nossa posição na Europa é sempre mais importante do que tudo o resto, ou se a nossa política europeia se encaixa numa política mais global. Julgo que nos últimos 20 anos não houve decisão mais importante para a política externa portuguesa do que esta que vai ser tomada nos próximos meses”.

Curioso é que, sem uma adesão formal, a França já tem projectos bilaterais com a China, que se podem enquadrar na iniciativa. E Macron, que esteve já este ano na China, prometeu voltar “pelo menos uma vez por ano”. João Meneses – Macau in “Ponto Final”

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Portugal - PSA Sines duplica capacidade ferroviária

A PSA Sines vai duplicar a capacidade da plataforma ferroviária do Terminal XXI. As obras já começaram

Numa nota na sua página do Facebook, a concessionária do terminal de contentores de Sines dá conta que a expansão da plataforma ferroviária passa pela instalação de duas novas linhas para comboios de até 750 metros de comprimento (actualmente dispõe de apenas duas) e pela criação de mais três hectares de parque para contentores.

O porto de Sines é a maior plataforma nacional de transporte ferroviário de mercadorias, sobretudo em consequência da operação da MSC (e, mais recentemente, da aliança 2M) no Terminal XXI.

Na sua nota, a PSA Sines dá conta que decorrem as negociações para uma nova fase de crescimento do Terminal XXI e afirma o seu empenho “em dotar o nosso terminal com equipamentos de última geração, de modo a prestar sempre serviços de excelência aos seus clientes”.

Na verdade, já foi nomeada a comissão que irá renegociar, em nome do Estado, a concessão do terminal de contentores de Sines. e a concessionária prepara-se para instalar ainda este ano mais quatro pórticos de cais para facilitar as operações em terra. In “Transportes & Negócios” - Portugal