Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 1 de abril de 2024

França – Procura no Leste da Europa o que não consegue na África Ocidental

A França está totalmente empenhada em conquistar a linha da frente dos esforços de punição internacional da Rússia no contexto da guerra na Ucrânia e, depois de ameaçar enviar militares para o terreno, procura agora "explodir" as sólidas relações entre Moscovo e Pequim


Após um longo período, mais de dois anos, em que o Presidente francês, Emmanuel Macron, era visto como a pomba da paz entre os falcões ocidentais, há menos de um mês, tudo mudou em Paris e o "galo" francês não parou de tentar espetar as garras afiadas no dorso do Kremlin.

Alguns analistas colam esta mudança de estratégia do Palácio do Eliseu ao que se está a passar na África Ocidental, onde a Rússia ganha terreno geoestratégico e a França perde influência de forma acelerada, sendo que Moscovo parece ser o antidoto para o fim de uma era.

E, depois de "perder" o Mali, o Níger, o Burquina Faso e a Guiné-Conacri, após golpes militares, a "France Afrique" está prestes a ver também o Senegal sair do seu "mapa", com a eleição para Presidente de Bassirou Faye, que já anunciou como objectivo afastar Dacar de Paris.

Impotente para travar esta sangria de influência no Sahel, Paris, cada vez mais referido pelos media internacionais, inclusive franceses, claramente com Moscovo a emergir como o novo aliado preferencial destes países, virou-se para a Ucrânia na procura da sua "vingança".

Penas de falcão nas asas da pomba da paz francesa

Há pouco mais de mês e meio, o Presidente francês iniciou uma surpreende reviravolta no seu discurso, passando de defensor de um diálogo, firme, mas diálogo, com Vladimir Putin, para chefe de fila da ideia de enviar tropas da NATO para a Ucrânia.

Macron viu esse plano de agudização do discurso ocidental para com Moscovo travado pela Alemanha, EUA e Polónia, as grandes potências no pódio dos aliados de Kiev nesta guerra, que recusaram de forma liminar a ideia de enviar forças militares para o campo de batalha.

Sem novos trunfos na manga, além de anunciar o envio de mais lotes de material militar para as forças ucranianas, incluindo novos misseis de médio-longo alcance Scalp-EG (Storm Shadow) e dezenas de veículos blindados antigos mas funcionais, Paris encontrou uma nova forma de "ferrar" os russos.

E isso passa por procurar desvitalizar as relações entre russos e chineses, embora Pequim e Moscovo as considerem mutuamente indestrutíveis, agora e no futuro observável, até porque no contexto alargado da geoestratégia do Indo-Pacífico, são biunivocamente vantajosas e insubstituíveis.

Para dar início a essa reformulada estratégia de ferir a capacidade global russa, o Presidente Macron enviou o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Stéphane Séjourné, a Pequim, para se encontrar com o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, onde a guerra na Ucrânia foi tema de topo.

Paris quer o impossível de Pequim

Segundo a France 24, o canal de televisão estatal francês em inglês, o chefe da diplomacia francesa foi claro ao dizer ao seu homologo chinês que Paris espera que "a China envie uma mensagem clara à Rússia" que passaria, segundo Paris, por Moscovo perceber que não pode haver paz sem que esta seja definida nos termos ucranianos.

Stéphane Séjourné explicou que essa paz tem de ser negociada com Kiev e que tem de ser definida de acordo com a "lei Internacional" e nos "termos

ucranianos", que é como quem diz, a Rússia aceitar sair incondicionalmente de todos os territórios anexados na Ucrânia, uma condição que Moscovo já disse não estar, sequer enquanto possibilidade, no lote dos temas negociáveis.

Face a isto, é facilmente perceptível que Paris procura colocar a China e a Federação Russa numa rota de colisão, porque é isso que significa exercer

pressão sobre Pequim para convencer Moscovo a negociar termos sobre os quais já disse serem impensáveis.

Nos dois pratos da balança, como Paris está disso consciente, e é esse o seu "trunfo", está a necessidade estratégica de Pequim manter relações diplomáticas e comerciais sólidas com o ocidente, sendo a França um dos grandes "players" europeus e um dos mais abertos a Pequim e menos sensíveis à impetuosidade sancionatória norte-americana contra o gigante asiático.

Por outro lado, coisa que Paris também está ciente, a China e a Rússia têm vindo, anos após ano, e mesmo antes da invasão russa da Ucrânia a 24 de

Fevereiro de 2022, a consolidar relações que ambos os lados definem como "sólidas como uma rocha" e "indestrutíveis".

E a razão é simples de perceber:

- a China é o novo grande parceiro para as exportações da energia russa - gás, carvão e crude - sancionada pelo ocidente, e grande fornecedor dos bens que deixou de poder importar da Europa e dos EUA, viaturas, maquinaria diversa e tecnologia, principalmente.

- a China tem em suspenso um confronto inevitável, só não se sabe quando, como todos os analistas sublinham, com os Estados Unidos pela liderança

do comércio mundial que tem na vasta região do Indo-Pacífico o seu tabuleiro e em Taiwan a peça mais importante deste xadrez.

E quando esse confronto chegar, devido à vasta rede de bases militares dos EUA em torno da costa da China continental, um bloqueio à importação de petróleo e de alimentos seria devastador para a economia e a sociedade chinesa mas que já não é assim enquanto a Rússia, que tem continuidade geográfica com a China, mantiver os oleodutos abertos e a sua vasta produção agrícola disponível para o amigo chinês.

Como definiu com clareza o diplomata dos diplomatas, o norte-americano Henry Kissinger, o "pai" da real politique, entre Estados não há amizade, há

interesses, e no conjunto dos interesses chineses, Paris espera que possa prevalecer a ligação comercial da China ao ocidente em detrimento das ligações "sólidas como uma rocha" à Rússia de Vladimir Putin.

Até ver, a mestria diplomática de Pequim permitiu manter ambas as portas abertas, até porque o caudal comercial e investimento ocidental na economia de 1,4 mil milhões de pessoas da China a isso aconselha.

"Poder de fogo" de Paris

A questão agora é saber se a França tem suficiente "poder de fogo" para impor a Pequim um desvio neste padrão de actuação e obrigar a China a sair da neutralidade que procura evidenciar quanto ao conflito na Ucrânia, opondo-se às sanções ocidentais a Moscovo.

Ambos os países caminham sobre uma fina camada de gelo com águas geladas sob os seus pés, mas a China, devido ao entrelaçado da sua economia com as restantes economias globais, incluindo a dos EUA, poderá ter mais lastro que Paris para lidar com as pressões de Emmanuel Macron, que acaba de descobrir que tem um problema interno de grande complexidade com o gigantesco défice de 5,5% do Produto Interno Bruto francês.

Face a este cenário, como vai Pequim responder à exigência do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, que está de visita oficial à China, para que envie "sinais fortes" a Moscovo sobre a guerra na Ucrânia, especialmente na questão de negociar a paz nos termos ucranianos, que, recorde-se, o Kremlin já disse serem "impensáveis".

Stéphane Séjourné está a apostar as fichas todas nesta visita a Pequim como o demonstram as suas declarações citadas pelos media franceses, dizendo ao seu homólogo Wang Yi que Paris está convencida de que não pode haver paz duradoura sem ser nos termos ucranianos e sob os auspícios da Lei Internacional.

E colou ainda mais a Chiba a essa saída, a dos termos ucranianos, sublinhando que para Paris conseguir esse resultado é muito importante manter um diálogo de grande proximidade com Pequim, que tem um papel fundamental para levar Moscovo a respeitar a Lei Internacional.

Recorde-se que Macron caiu nas boas graças de Pequim durante a sua última visita à China, no ano passado, onde defendeu que a União Europeia não deve seguir o plano dos Estados Unidos para a China, salientando a importância de os europeus terem o seu caminho próprio.

Como vai a diplomacia chinesa lidar com estas duplas forças tectónicas, só se saberá com o correr do tempo, mas se há algo que o "Império do Meio" já habituou o mundo é que nada é impossível e os interesses acabam sempre por sobressair face aos incómodos políticos e éticos.

Teste de fogo

Alias, esta questão vai ser posta à prova já nas próximas semanas, face à inevitável ofensiva de grande envergadura que os russos vão lançar, como denotam vários especialistas militares, incluindo o português major-general Agostinho Costa, aproveitando a vantagem que estão a conseguir no campo de batalha.

Com as defesas ucranianas à beira do colapso, principalmente por quebra do fluxo ilimitado de armas do ocidente, mas igualmente devido à incapacidade de recrutar para as fileiras das suas forças armadas, a Rússia está por cima nesta guerra e deverá aproveitar o início do Verão, com a solidificação do terreno, para avançar de forma decisiva sobre as linhas ucranianas.

E o argumento para esse avanço já está a ser desenhado, com a acusação directa de Moscovo a Kiev pelo ataque ao Crocus City Hall, exigindo mesmo ao regime de Volodymyr Zelensky que entregue à Rússia todos os responsáveis pela organização da mortandade.

Entre os nomes que Moscovo quer ver nas suas prisões, está o chefe do serviço de segurança interna, o SBU, Vasyl Maliuk, que recentemente assumiu publicamente que a Ucrânia esteve por detrás das mortes na Rússia de elementos próximos do Kremlin, como Darya Dugin, filha do filósofo e aliado de Putin, Alexander Dugin ou dos ataques à ponte da Crimeia.

Apesar da saída a público dos EUA e da França a garantirem que o ataque foi reivindicado, pelo `estado islâmico", o Kremlin não descola da versão de que foi uma encomenda de Kiev.

E essa ligação é a justificação que faltava para Putin mudar o chip da operação militar especial para uma guerra aberta com a Ucrânia e, em consonância, aumentar o poder de fogo, enviar novas armas, como os misseis Zircon, para o campo de batalha e lançar uma nova e vasta campanha de recrutamento, aumentando mesmo o intervalo etário dos novos mancebos. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

China - Autodidacta, aventureiro, empreendedor: a jornada de Fernando Colaço do Alentejo a Pequim

Natural do Alentejo, Fernando Colaço começou a programar aos 12 anos, abdicou do ensino superior, trabalhou na Suíça e percorreu o mundo, antes de se instalar em Pequim, onde aprendeu chinês e criou uma empresa

“É algo que herdei da minha mãe: se não sabes, aprende”, disse à agência Lusa o empresário e programador autodidacta, de 45 anos, natural da vila alentejana de Castro Verde e radicado na China desde 2012.

Colaço despertou para a programação ainda antes de a Internet existir, ao “ver filmes de ficção científica” e “ler revistas de informática”.

Na adolescência, ia à boleia até Beja para requisitar livros sobre programação na biblioteca local. A prática desenvolveu-a num ZX Spectrum, comprado em segunda mão e pago às prestações pelo pai. “Enquanto os meus amigos jogavam jogos eu era o maluco da programação”, lembrou.

O ensino não acompanhava o “andamento” de Colaço, que nem sequer completou o secundário: “O curriculum dos cursos de engenharia informática era conteúdo que já nem eu usava”.

O serviço militar, cumprido em Elvas, junto à fronteira com Espanha, despertou-lhe a curiosidade pelo exterior. Daí partiu para a Suíça, onde trabalhou, durante oito anos, para as multinacionais Young & Rubicam e Bedrock Group, até ter outra ideia “maluca”. “Decidi vender o carro e a mobília. Nos seis anos e meio seguintes, vivi a cada quatro meses num país diferente”, contou. “A mala era a casa e a mochila o escritório”.

Chegou ao extremo oriente via transiberiano, a linha ferroviária mais longa do mundo, que liga Moscovo a Pequim. Foi na capital chinesa que a fase do nómada programador acabou: “Já não saio daqui”. “As pessoas têm de se habituar: a China é diferente. Tens de estar cá para perceber e, aos poucos, vais absorvendo”, descreveu. “No meu caso, fui absorvido e acabou por crescer em mim”, disse.

Fernando é o único proprietário da Colaco Technology, a empresa de programação e ‘design’ que fundou no início da pandemia da covid-19, à medida que os grupos tecnológicos do país despediram parte dos funcionários e optaram por contratar serviços externos, gerando oportunidades para pequenas empresas. “Senti ‘é agora ou nunca’”, explicou o português.

Nas instalações da empresa, um apartamento convertido em escritório, situado junto ao Taikoo Li, um dos centros comerciais mais movimentados de Pequim, Fernando Colaço senta-se entre os seus nove funcionários chineses. Dois portugueses trabalham remotamente a partir de Portugal. “Aqui toda a gente tem o mesmo salário do que eu e, no final do ano, os lucros da empresa são distribuídos equitativamente”, frisou. “Quando é para tomar decisões, incluindo contratações ou despedimentos, todos os funcionários votam”, contou.

A gestão da empresa contrasta com a prática na China, que apesar de, segundo a sua Constituição, ser “um Estado socialista, liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa”, tem altos índices de desigualdade. O país ultrapassou os Estados Unidos, em 2021, em número de bilionários, segundo o relatório Hurun, considerada a Forbes chinesa.

Outra diferença: na Colaco Technology, a semana de trabalho não excede as 40 horas e os funcionários gozam 25 dias de férias por ano. Isto contrasta com o horário “996” – das 9 da manhã às 9 da noite, 6 dias da semana – praticado entre as empresas de tecnologia chinesas. “Quis fazer exactamente o contrário”, frisou. “Eu próprio sou programador e sei que trabalhar dessa forma não tem aproveitamento nenhum: chega a um ponto em que tudo sai mal”, acrescentou. “Não é uma opção política: simplesmente funciona”, realçou.

De Portugal, Fernando Colaço diz sentir falta da “família e da cozinha portuguesa”. No caso da comida, porém, as saudades são atenuadas por uma tradição que cultivou na empresa: na última sexta-feira do mês, um dos funcionários cozinha um prato da respetiva terra natal. “Quando me calha a mim, tento fazer alguma coisa alentejana”, revelou.

Os funcionários “ganharam o gosto” e alguns já sabem fazer pão, migas com entrecosto ou açorda à alentejana, contou. A tosta-mista passou também a fazer parte da rotina diária ao pequeno-almoço. “Em Portugal acabou por acontecer o contrário”, disse. “Aos poucos fui ensinando a minha mãe a fazer coisas simples da cozinha chinesa e ela aprendeu”. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Macau - Elevar cooperação sino-lusófona para “um novo patamar”

O novo secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau enalteceu o trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa, criado há 10 anos, fazendo votos para que continue a promover a cooperação entre a China e o mundo lusófono


Ji Xianzheng, secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (vulgo Fórum de Macau) participou, por videoconferência, na cerimónia comemorativa do 10º aniversário da criação do Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa (CEPLP) e do lançamento do “Relatório de Desenvolvimento dos Países de Língua Portuguesa (2021)”, que decorreu ontem em Pequim. O novo responsável do Fórum Macau fez questão de saudar o CEPLP pelo seu “desempenho assíduo na formulação de propostas de políticas” e expressou o desejo de que o Centro continue a promover a cooperação entre a China e os países de Língua Portuguesa (PLP) e a integração da RAEM no desenvolvimento nacional, por forma a levar a cooperação sino-lusófona para “um novo patamar”.

Segundo uma nota do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Ji Xianzheng sublinhou que as publicações do CEPLP “desempenham um papel activo” na promoção da missão de Macau como Plataforma, permitindo ao público aumentar os conhecimentos sobre as relações económico-comerciais entre a China e os países de Língua Portuguesa. Com o apoio de entidades como o Fórum de Macau, o CEPLP compilou e publicou vários artigos académicos no âmbito do “Relatório de Desenvolvimento dos Países de Língua Portuguesa” e organizou uma série de discussões durante a Conferência Anual de Estudos Conjuntos dos Países de Língua Portuguesa, ocasião aproveitada para uma abordagem temática sobre áreas em destaque na cooperação China-PLP, bem como para um balanço sobre o desenvolvimento económico e social dos países lusófonos e os resultados das acções realizadas no quadro do Fórum de Macau.

No seu discurso, Ji Xianzheng referiu, por outro lado, que o Secretariado Permanente do Fórum de Macau desenvolveu várias iniciativas de cooperação no combate à pandemia e intercâmbios de cariz comercial e cultural. As partes intervenientes “consolidaram a amizade através de solidariedade recíproca, o que veio a aprofundar o papel de Macau enquanto plataforma na ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, e implementar, com acções concretas, o conceito de comunidade de futuro compartilhado para a humanidade”, realçou.

Entre outros convidados, a cerimónia contou com as presenças de Wei Jianguo, membro do Comité de Especialistas do Centro de Intercâmbio Económico Internacional da China, Wang Qiang, vice-reitor da Universidade de Economia e Negócios Internacionais, Wang Limin, editor-chefe da “Social Sciences Academic Press (China)”, e Wu Jun, director do Instituto dos Estudos Regionais e Internacionais da Universidade de Economia e Negócios Internacionais. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

China - Devolvida à China escultura em bronze saqueada por um contingente militar anglo-francês no séc. XIX

 

Uma escultura em bronze que pertencia ao Antigo Palácio de Verão, em Pequim, e que foi comprada, em 2007, pelo bilionário Stanley Ho, retornou ao local de origem, 160 anos após ter sido usurpada por um contingente militar anglo-francês, reportou a agência Lusa.

A obra, uma cabeça de cavalo esculpida em bronze, é a primeira a ser devolvida ao Antigo Palácio de Verão a partir do exterior, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, que lista a peça como o “último tesouro perdido” do recinto.

A peça foi desenhada pelo jesuíta italiano Giuseppe Castiglione (1688-1766), um missionário que trabalhou durante mais de meio século para a corte dos Qing, a última dinastia imperial a governar a China.

A peça foi saqueada por tropas estrangeiras até ser comprada em leilão por Stanley Ho, por um valor equivalente a cerca de 70 milhões patacas. A Administração do Património Cultural Nacional da China (NCHA) reivindicou a peça e, em 2019, Stanley Ho doou-a ao Estado chinês.

O empresário, que morreu em Maio deste ano, disse estar “honrado por ter desempenhado um papel importante” no “resgate de relíquias chinesas do exterior”.

Missão histórica

Nos últimos anos, o NCHA intensificou esforços para localizar relíquias perdidas e, a partir de 2019, recuperou cerca de 140.000 peças do exterior, através de cooperação policial, acções judiciais, negociações e doações.

Construído no início do século XVIII, o Antigo Palácio de Verão (Yuanmingyuan) era um complexo de edifícios e jardins que alternavam arquitectura tradicional chinesa com a arquitectura europeia da época, realizada por Castiglione.

O palácio foi saqueado e destruído por soldados franceses e ingleses, em 1860, no contexto da Segunda Guerra do Ópio, por ordem do vice-rei britânico na Índia, Lord Elgin, que justificou esta decisão com a tortura e execução de alguns membros da uma delegação britânica que se tinham deslocado à China para negociarem com os líderes chineses.

Nas últimas décadas, várias vozes apelaram à reconstrução do palácio, para recuperar o património imperial e impulsionar o turismo, mas as autoridades preferem mantê-lo em ruínas para que continue a ser um símbolo das invasões estrangeiras, sofridas pela China nos séculos XIX e XX. In “Hoje Macau” - Macau


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

China – Abertura de escritório de advogados em Hengqin junta profissionais de Macau e Pequim

Foi assinado hoje um acordo que levará à abertura de um novo escritório na Ilha da Montanha gerido por Manuela António e parceiros da China Continental. Ao Jornal Tribuna de Macau, a advogada frisou que a abertura deste escritório pode ser uma maneira de “tornar Hengqin mais Macau e Macau mais Hengqin”, aproximando os dois sistemas. Defendeu que também poderá atenuar a crise trazida pela COVID-19



O escritório de Manuela António assina hoje, às 11:00, um acordo com um escritório de Pequim para começarem a operar na Ilha da Montanha, o que deve acontecer no início do próximo ano. “Vamos começar a fazer prospecção do espaço e tencionamos abrir em princípios do ano que vem, primeiro trimestre, logo a seguir ao Ano Novo Chinês. É esse o nosso objectivo”, adiantou a advogada em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

“Considerando que da parte do Governo Central há muita vontade de dinamizar estas cidades, nomeadamente Hengqin e, aproveitando a proximidade em relação a Macau, [a firma de Pequim] resolveu escolher um escritório de Macau para fazer uma associação e abrir um escritório em Hengqin”, frisou. Nestas condições, o escritório de Manuela António ficará responsável por lidar com as questões que envolvam o Direito de Macau e o escritório de Pequim as que digam respeito ao Direito chinês.

Isto será sobretudo útil para os clientes de Macau que “queiram fazer negócios em Hengqin” que tem “um Direito especial”. “Talvez seja uma maneira de tornar Hengqin mais Macau e Macau mais Hengqin, de aproximar os dois sistemas. Estamos com muita esperança de que isto seja também uma maneira de colmatar agora o decréscimo substancial de transacções que temos tido com o vírus e já com a situação menos favorável de Hong Kong que se faz sentir bastante aqui”, acrescentou.

Este novo escritório poderá também potenciar o desenvolvimento do sector financeiro, acredita Manuela António. “Pode ser que seja uma forma de potenciar os negócios em Macau e na China. A nossa esperança é que, com esta ligação, possamos potenciar a imagem de Macau em Hengqin e que Hengqin possa potenciar a sua imagem em Macau”, fomentando os negócios na área financeira, indicou a causídica, reforçando a ideia de que um dos actuais desígnios do Governo é “ampliar a área financeira de Macau”.

Questionada sobre os desafios de trabalhar com profissionais da China Continental, Manuela António destacou que “claro que os há”, desde logo porque “têm uma maneira diferente de trabalhar”. “Vamos aprender com eles e eles vão aprender connosco. Há uma disciplina diferente e uma abordagem diferente e o facto de estarmos a trabalhar num Direito que é o de Hengqin, também é especial”, sublinhou. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

China - Semana de Macau em Pequim realiza-se entre 26 e 29 de Setembro

A Semana de Macau em Pequim realiza-se entre 26 e 29 de Setembro, no entanto, está já em curso a actividade “Encontro ao anoitecer no Largo do Senado – em Pequim”, que se prolonga até 25 de Outubro. Visitantes e residentes da capital chinesa podem provar iguarias típicas do território e sentir “a atmosfera romântica e artística” do Largo do Senado



Com a situação epidémica estabilizada em Macau, assim como no Interior da China, o Governo vai promover a RAEM em Pequim, aproveitando também a retoma da emissão dos vistos turísticos a partir desta quarta-feira. A promoção ao ar livre decorrerá entre 26 e 29 de Setembro, na conhecida Rua de Wangfujing, porém, em antecipação está já em curso a actividade “Encontro ao anoitecer no Largo do Senado – em Pequim”.

Segundo os Serviços de Turismo, até 25 de Outubro, “os residentes e visitantes de Pequim são bem-vindos a deslocar-se à esplanada na Praça Norte do Macau Center, para sentir a diversidade da cultura gastronómica de Macau como Cidade Criativa de Gastronomia”, entre as 16:00 e as 21:30. No local, estão oito tendas de comida, com iguarias como pastéis de nata, canja de caranguejo característica, comidas macaenses, petiscos portugueses, cerveja de Macau, vinho tinto e vinho branco português.

Durante a actividade, uma banda irá tocar todas as noites das 19:00 às 21:00, “dando a sentir aos espectadores a atmosfera romântica e artística, como se estivessem no Largo do Senado de Macau”. Já entre os dias 27 e 29 deste mês, pelas 16:00, 17:00 e 18:00, serão apresentadas danças folclóricas portuguesas e concertos com instrumentos musicais portugueses de Macau.

Entre os objectivos da Semana de Macau em Pequim estão a promoção dos “elementos turísticos, comerciais, culturais, desportivos e de entretenimento”, bem como chamar a atenção para o 15º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial.

Na área do palco principal “serão realizados espectáculos em pontos fixos e será instalado um ecrã electrónico em formato das Ruínas de S. Paulo, para dar a conhecer de forma abrangente as diversas características culturais de Macau”.

A mascote do Turismo, “Mak Mak” também estará “de plantão” no local, a horas fixas, para que os visitantes da promoção possam conhecer melhor a situação do turismo de Macau. A Semana de Macau na capital chinesa contará também com a oferta de lembranças.

No dia 27, haverá uma “Sessão de Promoção sobre Turismo, Convenções e Exposições Pequim-Macau”, uma colaboração dos Serviços de Turismo com o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Macau - Surto epidémico em Pequim faz apertar medidas de controlo fronteiriço

O aumento do número de casos de COVID-19 em Pequim fez com que as autoridades da RAEM elevassem o controlo fronteiriço. Além da inspecção às mercadorias, também as pessoas que tiverem visitado Pequim nos últimos 14 dias e queiram entrar em Macau serão sujeitas a regras mais apertadas. Além disto, na conferência diária sobre o surto epidémico, as autoridades confirmaram o lançamento de um plano de apoio ao sector do turismo



A coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença afirmou que a nova vaga de casos de COVID-19 em Pequim fez com que as autoridades locais ajustassem as medidas nas fronteiras para pessoas e mercadorias provenientes da capital. “Para todas as pessoas que tenham estado em Pequim, nos últimos 14 dias, o código de saúde será amarelo”, avançou Leong Iek Hou, na conferência de imprensa sobre o surto epidémico.

Garantiu ainda que as autoridades vão “fazer uma inspecção a essas pessoas” para apurar se estiveram nas zonas da cidade onde foi detectado o vírus. “Se for o caso, serão sujeitas a quarentena. Caso contrário, fazemos um rastreio e telefonaremos para saber mais detalhes sobre a sua condição de saúde”, esclareceu.

A responsável salientou ainda que o Instituto para os Assuntos Municipais irá reforçar o controlo sobre as mercadorias importadas de Pequim.

Durante a manhã, em declarações ao “Ou Mun Tin Toi”, Leong Iek Hou admitiu que as autoridades locais têm analisado as orientações sobre o uso de máscaras, chegando a ponderar permitir que deixasse de ser obrigatório nalgumas situações em Macau. Porém, perante o actual contexto, recuaram e mantêm a recomendação sobre o uso permanente de máscaras.

“Sabemos do incómodo do uso de permanente de máscara com o tempo quente, mas não podemos garantir que não existam pessoas assintomáticas na comunidade, nem assegurar a ausência do vírus em todos os materiais importados”, explicou, acrescentando que, “a curto prazo, os Serviços de Saúde vão continuar a apelar que a população mantenha todas as medidas, de forma rigorosa, de protecção individual”.

Por outro lado, a partir de hoje, os residentes que viram os pedidos de isenção aceites já podem atravessar as fronteiras para Zhuhai. Os 1000 residentes – quota estabelecida entre as autoridades das duas regiões – foram notificados ontem via WeChat.

Além da autorização, os residentes têm de ter um código de saúde associado ao teste nucleico bem como um resultado negativo da COVID-19. A notificação, além das regras, integra ainda o prazo de validade da isenção.

Alvis Lo Iek Long afirmou ainda que o sistema, que recebeu 7611 pedidos em apenas dois dias, irá continuar encerrado.

“Como se trata de um número muito elevado precisamos de tempo para ponderação”, disse, acrescentando que o sistema não suportou o elevado volume de pedidos de isenção em apenas dois dias de funcionamento.

15 rotas para ajudar turismo

Na mesma conferência, as autoridades anunciaram pormenores do programa “Vamos Macau”. A campanha integra 15 roteiros turísticos, destinados a residentes, para impulsionar o consumo interno no sector do turismo.

Esta iniciativa conta com o apoio da Fundação Macau, que atribui um limite de 580 patacas, correspondente a dois roteiros, por participante.

A oferta inclui seis roteiros comunitários e nove de lazer. Entre as actividades propostas estão excursões pelas zonas históricas, bem como de natureza, espectáculos e buffets nos resorts. Nas propostas que dizem respeito ao Centro Histórico, serão distribuídos vales de consumo, de 100 patacas, para os participantes usarem em restaurantes aderentes.

Todos os itinerários estarão disponíveis em Português, Inglês, Mandarim e Cantonês.

O subdirector dos Serviços de Turismo, Cheng Wai Tong, indicou que as excursões poderão arrancar na próxima segunda-feira, mas remeteu mais pormenores para uma conferência agendada para hoje. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sábado, 16 de maio de 2020

China - Uma escritora portuguesa em Pequim



Aos 32 anos, Sara F. Costa tem cinco livros publicados e poemas traduzidos para sete línguas. A vencedora do Prémio Glória de Sant’Anna 2019 e ex-aluna da Universidade do Minho em Línguas e Culturas Orientais vive na China. É também escritora de ficção, tradutora, professora de línguas e coordena o coletivo artístico Spittoon.

Nascida em 1987 em Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, Sara F. Costa é autora dos livros “A Melancolia das Mãos e Outros Rasgos” (Editora Pé de Página, 2003), “Uma Devastação Inteligente” (Atelier Editorial, 2008), “O Sono Extenso” (Âncora Editora, 2012), “O Movimento Impróprio do Mundo” (Âncora Editora, 2016) e “A Transfiguração da Fome” (Editora Labirinto, 2018).

Mais recentemente, Sara F. Costa coordenou e traduziu a obra “Poética Não Oficial – Poesia Chinesa Contemporânea” (Editora Labirinto, 2020).

O seu trabalho tem sido destacado com diversos prémios literários, desde o seu primeiro livro de poesia aos 16 anos. Como poeta europeia emergente, participou, em 2017, no Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul e, em 2018, fez parte da organização do Festival Literário de Macau e do Festival Internacional de Literatura entre a China e a União Europeia, que decorreu em Xangai e Suzhou.

Em 2019 foi convidada para a segunda edição das Chair Poetry Evenings em Calcutá, na Índia. Para além da poesia, escreve também ficção e traduz literatura chinesa para Português e Inglês. Sara F. Costa reside em Pequim, onde coordena eventos literários internacionais no coletivo artístico Spittoon. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 17 de março de 2020

China - Número de casos importados de Covid-19 excede número de infecções locais pelo terceiro dia consecutivo


O número de novos casos importados de coronavírus entretanto confirmados na parte continental da China superou o número de novas transmissões e infecções locais pelo terceiro dia, segundo dados oficiais. As autoridades locais afirmam que a contenção de casos “importados” é a “prioridade máxima” nesta altura.

De acordo com a Comissão Nacional de Saúde (NHC, na sigla inglesa), um total de 16 novos casos foram confirmados no domingo, 12 dos quais tendo chegado do exterior e confirmados na China

Pequim está agora a reforçar a aplicação da lei para conter casos importados, numa altura em que muitas pessoas regressam de países atingidos pelo vírus. Actualmente, existem 120 mil entradas diárias no país, desde que a OMS declarou o Covid-19 uma pandemia na semana passada, de acordo com dados emitidos pela Administração Nacional de Imigração.

O vírus mortífero, detectado inicialmente na província de Hubei, abrandou na China, à medida que se espalha rapidamente pelo resto do mundo. A Itália relatou 1809 mortes e 853 pessoas perderam a vida no Irão na segunda-feira.

Os passageiros que não cooperaram com as autoridades alfandegárias à entrada no país, incluindo esconder ou forjar informação sobre a sua saúde e medidas de quarentena, poderão ser punidos, segundo um comunicado emitido pelas autoridades competentes.

Várias cidades e províncias, incluindo Pequim e Xangai, anunciaram uma quarentena de 14 dias para pessoas provenientes do exterior. Oficiais de Pequim disseram que todos os viajantes internacionais ficarão de quarentena num local isolado, pagando os custos desse período.

Catorze pessoas morreram no domingo, aumentando o número total de mortes da pandemia na China para 3213. Os 14 óbitos ocorreram na província de Hubei, o epicentro do surto, segundo Mi Feng, porta-voz da NHC.

Até domingo, existiam 148 casos de infecção na Região Administrativa Especial de Hong Kong, 11 em Macau. In “Portuguese People” - China

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Portugal - Alunos sem aulas em Macau e Pequim voltam ao Politécnico de Leiria

Vinte e quatro estudantes do Politécnico de Leiria que estudam em Macau e Pequim regressaram a Portugal por estarem sem aulas, que estão suspensas por tempo indeterminado devido ao coronavírus, confirmou a instituição portuguesa



O Politécnico de Leiria tem uma licenciatura em Tradução e Interpretação Português-Chinês/Chinês-Português em que os estudantes portugueses, obrigatoriamente, passam um ano em Macau e um em Pequim. “Pelo adiamento, por tempo indeterminado, do início do segundo semestre, os nossos estudantes, com o nosso apoio, decidiram regressar a Portugal”, disse à agência Lusa o presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, numa resposta por escrito.

Segundo o presidente do Politécnico, os estudantes tiveram ainda o acompanhamento e suporte da embaixada de Portugal.

“Numa articulação com as autoridades de saúde, 21 estudantes chegaram no dia 10 de Fevereiro. Estes estudantes foram recebidos pelo Politécnico de Leiria no aeroporto, de acordo com as recomendações das autoridades de saúde”, adiantou.

Outros três estudantes de Macau já tinham chegado anteriormente e “foram sujeitos a um rastreio antes de virem para Portugal”.

“Em relação a esta situação, o Politécnico de Leiria recebeu os estudantes no aeroporto e está a seguir todas as recomendações das autoridades locais de saúde”, referiu ainda Rui Pedrosa.

O presidente assegurou ainda que o Politécnico de Leiria “está a acompanhar de perto esta situação e tem feito comunicações regulares com a comunidade académica de modo a manter a tranquilidade e normalidade no seu funcionamento”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

China – Lançamento de índice para promover luta anti poluição

O Gabinete Nacional de Estatística da República Popular da China publicou o primeiro índice de províncias e regiões classificadas segundo o "PIB Verde", uma variável entre o crescimento económico e os compromissos locais na luta contra a contaminação ambiental



O município de Pequim, apesar da poluição atmosférica que afeta a cidade, é o melhor classificado das 31 subdivisões estudadas na primeira edição do índice que mediu os valores de 2016.

As províncias do Sudeste: Fujian e Zhejiang encontram-se em segundo e terceiro lugares respetivamente.

Em último lugar estão as regiões autónomas do Tibete e Xianjiang (oeste), onde os níveis de contaminação costumam ser menores, mas onde se vive em situação de maior pobreza.

O índice mede 56 variáveis como a eficiência no consumo de energia, as emissões de dióxido de carbono, a qualidade do ar, além de outras mais convencionais como o rendimento per capita ou o investimento na investigação e no desenvolvimento.

"A avaliação anual vai ajudar todas as regiões a melhorar o desenvolvimento ecológico", disse o diretor do organismo que coordena as estatísticas, Ning Jizhe.

O índice é elaborado a partir de dados obtidos pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (órgão estatal de planificação económica), o Departamento de Informação do Partido Comunista e o Ministério do Ambiente.

Além do índice, o Gabinete Nacional de Estatística publicou também uma sondagem em que os cidadãos das várias regiões responderam sobre a situação do meio ambiente local.

Em contrataste com os resultados do "PIB Verde", na sondagem, Pequim situa-se em penúltimo lugar e o Tibete na primeira posição. In “TSF” – Portugal com “Lusa”

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

China - Sabores da terra de “Camões” persistem em Pequim

Chegou à capital chinesa há sete anos e foi ficando. Paulo Quaresma é agora responsável pelas cozinhas do hotel Legendale e do restaurante “Camões”. À Tribuna salienta que os ricos azulejos azuis atraem a atenção do público chinês, mas também nota que é difícil manter um restaurante português aberto



É numa das alas do hotel Legendale, perto de Wanfujing, em Pequim, que se encontra o restaurante “Camões”. Passando pela árvore de Natal de dimensões consideráveis no hall de entrada, rapidamente se trocam os tons dourados pelos azuis dos azulejos e decoração a condizer.

Criado em 2009, o espaço é uma ode aos azulejos portugueses, ao poeta que lhe empresta o nome, a algumas frases pintadas nas paredes e a outros ícones da cultura portuguesa, como a guitarra. Nas escadas por detrás do balcão, há ainda espaço para as Ruínas de São Paulo, de uma Macau recuada no passado.

Há sete anos em Pequim, Paulo Quaresma é agora o “chef” do “Camões” e de toda a área de restauração do Legendale, à excepção do restaurante chinês. “Trabalhava em Portugal, mas as coisas não estavam famosas e pensei que se aparecesse uma boa oportunidade no estrangeiro, iria para aquela que oferecesse algo concreto”, começou por contar à Tribuna.

A resposta chegou e foi para o “Camões”. “A princípio pensei que fosse para Macau, mas com o desenrolar da conversa percebi que era para o centro de Pequim”, afirmou, acrescentando que viajou sem expectativas e foi ficando.

“Como passei muito tempo com os chefes, agora fazem tudo bem sozinhos. Venho todos os dias ao restaurante, mas eles dão conta do recado. Nos menus ou convidados especiais é que poderei ter um papel maior” referiu.

Segundo recorda, “o hotel foi desenvolvido para os Jogos Olímpicos de 2008 e a ideia de David Chow era dar a conhecer parte da cultura portuguesa ao povo chinês e também oferecer algo diferente”. “Poucas pessoas conhecem comida portuguesa, portanto, seria mais uma oferta de pratos internacionais e ocidentais para os convidados e hóspedes do hotel”.

No entanto, admite ser “muito difícil para um restaurante português sobreviver estes anos todos, sem estar inserido numa estrutura como um hotel, e mesmo em hotel seria difícil sem David Chow”. O Hotel Hilton chegou a ter outro chefe português que, no entanto, já cessou funções.

Entre as dificuldades sentidas na operação de um espaço de restauração português, salienta a falta de produtos, como enchidos e carne de porco que não estão certificados. Tal facto complica a execução e autenticidade de alguns pratos.

Paulo Quaresma admite que poderia fazer outros pratos como açordas, mas não seriam atractivos para os clientes. Aliás, mesmo no caso do bacalhau, é necessário por vezes explicar aos clientes que é diferente do peixe fresco a que estão habituados. “Muitas vezes tenho de explicar que faz parte da nossa cultura gastronómica e que não tem nada de errado”, conta.

O arroz de marisco e o de pato são os favoritos, porque estão próximos dos gostos chineses, mas também há quem arrisque o presunto Pata Negra e leitão assado.

Quanto à decoração, adianta que os chineses gostam de tirar fotografias, porque acham curioso que os azulejos sejam parecidos com as pinturas dos seus vasos.

Olhando para a cidade em si, Paulo Quaresma realça que, quando chegou em 2010, as principais mudanças já se tinham dado com os Jogos Olímpicos. “Mesmo assim, vemos muitas zonas destruídas e reconstruídas, muitos arranha-céus, hotéis de cinco estrelas, edifícios de escritórios. Vemos muitas mudanças físicas, destruição de hutongs e reconstrução. Também há mudanças na parte cultural”, destacou.

O choque inicial desapareceu e agora,casado com uma mulher local e dois filhos, pensa em voltar a Portugal, mas admite que estará sempre dividido entre os dois países.

“Também aprendi muito cá. Recordo-me quando era pequeno apenas sabíamos que era um país fechado, não se prestava muita atenção, mas quando chegamos e vemos a realidade, vamos gostando e ficando. Está a ser positivo”, disse.

A seu ver, como há falta de contacto, a China continua a ser um “bicho mau do outro lado do Mundo, sobre o qual os meios de comunicação só dizem coisas más”. Porém, acredita que essa percepção está a mudar com os turistas e investimento chinês.

Outro contributo é dado pelos muitos estudantes portugueses que chegam a Pequim. No regresso a Portugal, “vão mostrando o que é realmente estar na China, o quão diferente é do que pensam”.

Por outro lado, segundo Paulo Quaresma, os chineses têm poucas informações sobre Portugal, até porque o mercado é tão grande que é difícil fazer chegar a mensagem. No entanto, revela, “qualquer taxista conhece o Ronaldo”, além de que “Figo, Nuno Gomes e Rui Costa também são conhecidos”. Liane Ferreira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

terça-feira, 23 de maio de 2017

Macau - RAEM acolhe Fundo para Lusofonia a 1 de Junho

A mudança, de Pequim para Macau, da sede do fundo chinês de mil milhões de dólares destinado a investimentos de e para os países lusófonos vai realizar-se a 1 de Junho, anunciou o Governo da RAEM



O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, adiantou que a cerimónia de inauguração na RAEM da sede do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa vai realizar-se durante o VIII Fórum Internacional sobre Investimento e Construção de Infraestruturas, que decorre a 1 e 2 do próximo mês.

O presidente do Fundo, Chi Jianxin, avançou, em Outubro, à agência Lusa, que a sede do fundo ia ser transferida de Pequim para Macau com o objectivo de facilitar a divulgação e o contacto junto dos potenciais interessados.

De acordo com Lionel Leong, numa primeira fase, a sede do fundo vai ficar localizada no centro de apoio empresarial do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e, posteriormente, vai mudar-se para o futuro “Complexo de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Aquando da V Conferência Ministerial do Fórum Macau, em Outubro último, o Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, assistiu à cerimónia de descerramento da placa do referido complexo, ainda por construir. Segundo o Governo da RAEM, o descerramento da placa simbolizou “o novo patamar para Macau na criação da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

Lionel Leong sublinhou que a mudança da sede do fundo para Macau, que tinha descrito anteriormente como uma “prenda” de Pequim, constitui “um passo importante no reforço de Macau como ‘plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”. De acordo com uma nota oficial, o Secretário espera que as empresas do território e do Interior da China “aproveitem bem esta oportunidade e o Fundo para que as actividades de investimento e de comércio nos países de língua portuguesa corram bem”.

O complexo, além de ir ser o palco para o Fórum Macau, vai albergar o Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, o Centro de Serviço Empresarial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o Centro de Formação, o Centro de Informações, e um Pavilhão sobre Relações Económicas, Comerciais e Culturais entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Com uma área de 14200 metros quadrados, o complexo, que ainda não tem uma data de abertura prevista, terá também um Pavilhão de Exposição alusivo ao desenvolvimento urbanístico de Macau e irá disponibilizar “escritórios temporários e permanentes para os serviços públicos, organismos e as associações da China e dos países lusófonos envolvidos na construção da plataforma e organização do Fórum, segundo dados revelados anteriormente.

Em Fevereiro, após a primeira ronda do concurso público da empreitada de concepção e construção, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transporte indicou que, segundo as estimativas, a obra poderia ter início no segundo semestre e que o prazo máximo de execução era de 600 dias. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

terça-feira, 16 de setembro de 2014

China – Fórmula E no circuito automobilístico de Pequim

Brasileiro vence estreia absoluta da Fórmula E

Português Félix da Costa também vai participar na competição de carros eléctricos.

O piloto brasileiro Lucas di Grassi, venceu no passado sábado, dia 13 de Setembro de 2014, em Pequim, a primeira corrida de sempre de Formula E, Mundial de carros eléctricos que arrancou no circuito urbano da capital chinesa.

O histórico pódio desta corrida ficou completo pelo francês Franck Montagny, e o alemão Daniel Abdt.

Esta primeira corrida do Mundial de Fórmula E decorreu num circuito que atravessou o complexo olímpico dos Jogos de Pequim 2008, de 3,453 quilómetros.

O português António Félix da Costa é um dos 20 pilotos que disputarão este Mundial de Fórmula E, mas não se estreou em Pequim por estar a disputar a oitava prova do campeonato de Turismos da Alemanha, no autódromo EuroSpeedway Lausitz, em Oberspreewald-Lausitz. In “Ponto Final” - Macau

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Circuito Automobilístico de Pequim

Arquitecto português desenhou circuito em redor do “Ninho do Pássaro”

Mão portuguesa no circuito citadino de Pequim

O circuito urbano de Pequim que acolherá a primeira prova do recém-nascido Campeonato FIA de Fórmula E, para carros eléctricos, foi apresentado no final de Março e tem a particularidade de estar a cargo da equipa liderada pelo arquitecto português, Rodrigo Nunes.

O traçado nascido em redor do Estádio Olímpico de Pequim, que ainda está pendente da homologação da Federação Internacional do Automóvel (FIA), terá um perímetro de 3,44 quilómetros e vinte curvas, e é fruto da cooperação do gabinete de projectos português, da FIA, Formula E Malásia, da Federação de Desportos Motorizados da República Popular da China (FASC), do Comité do Parque Olímpico, do Team China Racing e das autoridades governamentais de Pequim.

A oportunidade de trabalhar neste projecto surgiu no final de 2012 e tudo começou com o Circuito da Boavista, circuito que nos anos ímpares tem recebido a corrida portuguesa do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC). “Somos os projectistas do Circuito da Boavista desde o seu ressurgimento em 2005.

Nesse ano, foi idealizado um circuito que permitisse a realização de provas nacionais de automobilismo. Após o sucesso do evento em 2005 foi-nos pedido para propormos as adaptações necessárias, tanto ao nível do traçado como ao nível dos sistemas de segurança, de modo a possibilitar a realização de uma prova do Campeonato do Mundo. Essas propostas foram feitas, aceites, e o Circuito da Boavista tem uma prova do WTCC desde 2007“, explicou o arquitecto luso ao HM.

O contacto com a Fórmula E ocorreu em 2012: “um elemento da Fórmula E contactou-me referindo que sabia que o meu gabinete era responsável pelo projecto do Circuito da Boavista, que conhecia muito bem a sua evolução técnica desde 2005 e que pretendiam concretizar um campeonato do mundo realizado única e exclusivamente em meio urbano”. O “know-how” adquirido na construção do circuito citadino portuense tem sido valorizado, para além de permitir “desenvolver soluções técnicas pioneiras que nos são hoje solicitadas para serem adoptadas noutros circuitos urbanos.”

CARACTERÍSTICAS EM AMBIENTE ÚNICO

O traçado em redor do “Ninho do Pássaro” tem, segundo o nosso interlocutor, características naturais “de um circuito automóvel urbano puro que se podem resumir a curvas pronunciadas e espaço livre limitado”. Claro que as condicionantes dos circuitos urbanos, como o Circuito da Guia em Macau é o melhor exemplo, “são sempre um desafio para quem pretende a realização de um evento desta natureza e serão trabalhadas de modo a potenciar o grau de segurança e do próprio espectáculo”.

Nas largas ruas da capital chinesa, os monolugares da Fórmula E serão capazes de atingir uma velocidade de ponta de 225 km/h, como tal, “as longas rectas serão pontualmente interrompidas, através da criação de chicanes, potenciando a segurança nas zonas do circuito com mais limitações, tanto físicas – existência de construções, edifícios, jardins, árvores, etc. – como da própria configuração existente”, esclareceu o arquitecto.

Para o brasileiro Lucas di Grassi, vencedor do Grande Prémio de Macau Fórmula 3 de 2004, ex-piloto de F1 e piloto da Audi Sport ABT Formula E Team: “para os pilotos, será um desafio tremendo conhecer os limites da pista com rapidez, assim como compreender os pontos de ultrapassagem. Os lugares mais óbvios são a primeira e a última curva. O circuito também vai requerer bastante tracção e estabilidade na travagem, enquanto as zonas de recuperação de energia, nos pontos de travagem, irão ajudar a estabilizar o carro.”

PITLANE ORIGINAL

A maior particularidade do circuito de Pequim está no seu pitlane, em forma de “U”, que para Di Grassi “é único e requer alguma prática especial para o fazer certo, isto porque os pilotos terão que trocar de carros nas boxes.“ Esta foi a solução encontrada pelo arquitecto Nunes para a falta de espaço existente, mas que ao mesmo tempo “irá permitir uma situação de interacção única entre o público, pilotos e a própria corrida”. As corridas da Fórmula E serão realizadas num só dia, de forma a minimizar a interrupção que causam nas cidades que acolhem os eventos. Uma sessão de treinos-livres, uma qualificação e uma corrida de 60 minutos fazem parte de um programa que encerra com concertos e animação de rua. A corrida de Pequim e de início de temporada está marcada para o dia 13 de Setembro. Sérgio Fonseca – Macau in “Hoje Macau”