Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Macau - Clube Militar iniciou obras no interior do restaurante

Até 7 de Setembro, o restaurante do Clube Militar vai estar de portas fechadas, para que se proceda a obras urgentes na estrutura do tecto. A responsabilidade do projecto é do arquitecto Bruno Soares. Vão ser utilizados materiais de tecnologia mais avançada, que permitirão uma absorção do ruído 75% superior ao que acontecia anteriormente. Manuel Geraldes, membro da direcção do clube, disse ao Jornal Tribuna de Macau que os trabalhos de renovação deveriam ter sido realizados na altura da pandemia, mas “não havia disponibilidade financeira para o fazer”


Os habituais clientes do restaurante do Clube Militar vão ter de, durante mais de um mês, procurar outros locais para degustar a renomada gastronomia, porque o espaço encerrou ontem para obras de renovação. Quem passar junto ao edifício e por entre as janelas abertas pode confirmar o início dos trabalhos com a existência de andaimes colocados no interior do espaço.

A maior intervenção centrar-se-á no local onde habitualmente há mais sócios e visitantes, ou seja, o salão onde funciona o restaurante. As obras vão incidir na substituição da estrutura do tecto.

“Na altura da covid, o ar condicionado era pouco ou nada utilizado, porque não tínhamos dinheiro para tal, só que isso poderia ter riscos e foi o que aconteceu”, começou por revelar Manuel Geraldes ao Jornal Tribuna de Macau.

O membro da direcção, responsável pela gestão do restaurante e dos bares, lembrou que essa situação foi provocando a degradação de uma parte do tecto, por causa da humidade que se foi infiltrando, daí o desabar da mesma, a 16 de Setembro do ano passado. Tudo por causa do material absorvente que foi perdendo capacidade.

“Este é o problema dos edifícios públicos que têm de estar de portas abertas e, por isso, deterioram-se com facilidade em virtude da humidade que penetra e provoca estragos”, disse o vogal da direcção, reconhecendo que, por essa razão, “estas obras são urgentes e já deveriam ter sido feitas logo a seguir à covid, mas só agora, com o Clube a passar por uma situação mais estável financeiramente, é que decidimos avançar, permitindo igualmente que o nosso pessoal possa gozar férias”.

Manuel Geraldes frisou que “não é possível fazer este tipo de renovação com o restaurante e outros espaços interiores a funcionar, por isso temos de fechar durante pouco mais de um mês”. A reabertura do espaço está agendada para 7 de Setembro.

O responsável do projecto da remodelação do tecto, que é a parte mais importante das obras que decorrerão no Clube Militar, é o arquitecto Bruno Soares. “Ele vai colocar uma nova camada no tecto e utilizar materiais de tecnologia mais avançada, provenientes da Suíça (tais como os anteriores, mas agora mais sofisticados), que permitirão uma absorção mais eficaz do ruído”, disse, acrescentando que esse sistema de redução do som possibilitará uma eficácia 75% superior ao que se verificava até aqui, “o que vai ser fantástico”.

Para além dos arranjos profundos no tecto do restaurante, há outras obras a ter em conta, como a área da cozinha, “onde é necessário efectuar alguma renovação, não só das instalações em si, como de alguns equipamentos”. O bar sofrerá também pequenas obras, como pintura e reparação de certas deficiências que a humidade tornou visíveis ao longo dos anos.

Melhoramentos já feitos nos salões do Clube

Nos últimos meses já foram realizado alguns trabalhos de manutenção, concretamente no Salão Stanley Ho, onde têm decorrido, por exemplo, os concertos das “Jornadas Musicais do Clube Militar”, além de outros eventos. Realizaram-se igualmente obras de melhoria no Salão Ho Yin, situado no piso inferior e que serve para várias funções, como jantares, convívios ou exposições.

Essa fase de renovações está concluída, assim como o exterior, que contou com uma nova pintura. “Como se pode ver do lado de fora, o edifício ficou muito bonito”, vincou.

Sobre orçamentos, Manuel Geraldes disse que as obras actuais vão ser pagas pelo clube, enquanto as restantes, já realizadas, terão a comparticipação do Instituto Cultural, uma vez que o edifício antigo está classificado como de interesse público e constitui “um documento de anteriores povos ou épocas da história de Macau”, como foi denominado aquando de um decreto-lei emanado pelo Governo do território, a 7 de Agosto de 1998, numa legislação sobre património estabelecida pelo antigo Governador, o general Rocha Vieira.

O membro dos corpos gerentes do Clube Militar, há vários anos a exercer o cargo, afirma que a instituição está “numa postura de grande estabilidade”, reconhecendo que vive muito das receitas do restaurante. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Finlândia - Chef Carlos Henriques tem três restaurantes em Helsínquia

Depois do Nolla, o primeiro restaurante de desperdício-zero nos países nórdicos, o chef Carlos Henriques já abriu em Helsínquia mais dois novos espaços, um deles com sabores portugueses, e sonha agora escrever um livro sobre o conceito

A equipa dos três restaurantes – normalmente de 36 pessoas e que aumenta para 50 funcionários no verão – já conta com seis portugueses, disse o chefe de cozinha à Lusa, em Helsínquia.

“De longe, Portugal é o país de onde nos chegam mais currículos”, referiu Carlos Henriques, ilustrando a curiosidade de cozinheiros portugueses no restaurante.

O Nolla (zero, em finlandês), de que Carlos Henriques é coproprietário, juntamente com um chef sérvio e outro espanhol, abriu em 2018 na capital finlandesa, sendo o primeiro restaurante ‘zero-waste’, um conceito que é aplicado à confeção, procurando a utilização máxima do produto, mas também aos fornecedores e roupas utilizadas pela equipa.

“Quando começámos, as pessoas não tinham ideia do que estávamos a fazer”, descreveu o português, a viver na Finlândia há 12 anos.

A preocupação com o ambiente valeu ao Nolla uma estrela verde do guia Michelin, que distingue o compromisso com a sustentabilidade. Além disso, é um restaurante ‘Bib Gourmand’ da Michelin, atribuído a estabelecimentos com uma boa relação qualidade/preço.

“Usamos o bom senso para evitar o desperdício que, com o tempo, se torna uma tendência de que todos beneficiam. É doloroso ver o desperdício e a negligência e, uma vez feito, não podemos voltar atrás. É simplesmente uma mentalidade e, para nós, é agora uma rotina diária”, justificam, no sítio da Michelin.

Os fornecedores são produtores locais que “trabalham em harmonia com a natureza” e evitando o uso de embalagens.

“O fornecedor de batatas entrega em sacas que guardamos aqui, o leite vem em leiteiras, o óleo é comprado à tonelada e usamos os nossos próprios vasilhames. Vinagre somos nós que fazemos. Os copos são garrafas de vidro cortadas”, exemplificou.

No ‘Nolla’, praticam uma cozinha mediterrânea apenas com produtos “que crescem” na Finlândia, algo que Carlos Henriques assume ser “um desafio”.

“É como tentar cozinhar em casa, mas não há limões, não há azeite, não há ervas aromáticas no inverno”, relatou.

A confeção, disse, também é “um bocadinho mais pré-industrial” – não cozinham em vácuo, por exemplo. “Usamos frigideiras”.

O compromisso com o desperdício-zero envolve uma monitorização e uma reflexão permanentes.

Cada chef tem, na sua bancada, uma caixa transparente onde coloca o desperdício.

“Quando vamos deitar fora, temos de responder a quatro perguntas: quem sou eu, o que estou a deitar fora, porquê e quanto. A cada 15 dias, pensamos o que podemos melhorar, se as porções são demasiado grandes, qual é o tamanho do menu, se estamos a descascar algo e precisamos mesmo de o fazer. O que importa é que haja uma progressão”, relatou.

O (pouco) desperdício orgânico é transformado num compostor próprio e o composto é depois entregue aos produtores, como adubo. As roupas da equipa vêm de restos de lençóis de um hospital ou são feitas em algodão 100% reciclado.



Depois do Nolla, a equipa de cozinheiros abriu o Elm (ulmeiro, as árvores que se avistam da janela do restaurante), onde os sabores portugueses estão mais presentes.

Esta semana, foi a vez de inaugurar o Nolita, uma padaria que também serve comida “baseada no pão e massas”, feitos no local.

Agora, a equipa tem “o sonho” de escrever um livro sobre o conceito de ‘desperdício-zero’.

“Acho que ainda não tivemos tempo de refletir sobre todos os processos que desenvolvemos”, disse Carlos Henriques, referindo que “não há assim tantos livros profissionais”.

O trabalho, garantem, nunca acaba: “Continuamos a tentar melhorar todos os dias”, disse o chef português, admitindo que “é muito difícil mudar hábitos”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 17 de setembro de 2023

Hungria - Chef português coleciona estrelas Michelin

Tiago Sabarigo, o responsável pelo Essência Restaurant, em Budapeste, nunca imaginou ser chef. Entretanto já considerado um dos melhores do mundo em 2018, 2023 marca o terceiro ano consecutivo em que o chef português vê o seu trabalho e um dos seus estabelecimentos a serem distinguidos com uma estrela Michelin


A cerimónia de entrega dos galardões “estrela Michelin” aconteceu na passada quinta-feira, na capital húngara. Desta edição, resultou a terceira distinção consecutiva de Tiago e Eva Sabarigo, responsáveis pelo Essência Restaurant – Tiago & Éva, em Budapeste, que voltaram a ser galardoados com uma estrela pelo guia.

Para o português, “a satisfação de renovar a estrela Michelin é a mesma que tivemos no primeiro ano”, confessa ao Boa Cama Boa Mesa, reconhecendo que é o trabalho investido no projeto que faz com que estejam “melhores que no ano passado, e dia após dia”.

Nascido em Évora, em 1986, Tiago Sabarigo nunca sonhou ter este percurso, confessou à NiT. Agora, aos 36 anos, é um português emigrado em Budapeste onde é dono e Chef do restaurante “Essência Restaurant” juntamente com a sua mulher, Eva Sabrigo, na cidade onde a conheceu. Aberto ao público desde o primeiro dia de dezembro de 2019, desde então tem visto o seu menu a ser reconhecido ano após ano pelo prestigiado guia.

Já nessa altura considerado um dos melhores 100 chefs do mundo, pela lista The Best Chef Awards em 2018, ano em que também foi o único português na lista, o seu percurso tem sido marcado por diversos reconhecimentos.

Chegou ao mundo da gastronomia “por sorte e acaso”, explicou à NiT. “No final do secundário, em 2007 ou 2008, não sabia o que fazer a seguir. Quando o meu pai encontrou o curso de cozinha da Escola Profissional de Hotelaria e Turismo de Lisboa, acabei por me inscrever. Não era dos melhores alunos, mas a verdade é que o interesse surgiu naturalmente e, quando dei por mim, estava a entregar-me de corpo e alma aquele curso intensivo de um ano”, explica Tiago Sabarigo.

O seu primeiro trabalho em cozinha foi no Ritz Four Seasons Hotel Lisboa, até que em 2012 emigrou para Londres para integrar a equipa do restaurante Petrus, de Gordon Ramsay. De seguida, passou ainda pelo Pied à Terre Restaurant, de David Moore, e pelo já encerrado Texture Restaurant, também em Londres, antes de se mudar para a Hungria, onde integrou a equipa do Costes Restaurant, e depois o Costes Downtown na Hungria ao lado do chef Miguel Rocha Vieira, com quem conquistou a sua estrela Michelin.

Em 2019 abriu o Essência Restaurant – Tiago & Éva, e desde então os reconhecimentos do guia não têm parado de surgir. Este ano, de um menu que representa uma combinação de sabores húngaros e portugueses, destacaram-se os pratos “polvo, pepino e manga”, “gaspacho, melancia e muxama de atum” e o também “bacalhau, açorda alentejana”, criação que remete para as origens do chef.

“Trata-se de um restaurante aconchegante e deliciosamente diferente no coração da cidade, em que uma pequena e luminosa sala da frente com janelas em arco passa pelas mesas da cozinha aberta para uma sala mais intimista onde manchas de azulejos azuis e brancos lembram a herança de Tiago. Escolha o menu português ou húngaro, ou um menu de degustação que combina os dois — literalmente, o melhor dos dois mundos —, os pratos são equilibrados e elegantes”, pode ler-se no Guia Michelin desde ano, que completa a descrição com um elogio ao chef, pelo seu “toque hábil no que diz respeito ao tempero e ao equilíbrio”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Macau - Restaurante do clube militar “voltou aos seus melhores dias”

O Clube Militar de Macau passou por momentos difíceis durante a pandemia, os quais já foram praticamente ultrapassados, segundo disse Manuel Geraldes, membro da direcção, ao Jornal Tribuna de Macau. Recentemente, a instituição reuniu-se em assembleia-geral e analisou estes primeiros seis meses de 2023. No relatório elaborado, destaque para a recuperação, “quase a 100%” dos tempos anteriores à pandemia, graças principalmente à actividade do restaurante que “continua a ter muita gente”. As Jornadas Musicais são para continuar e tudo aponta para que, até ao final do ano, haja mais um festival de gastronomia, eventos que têm ajudado as receitas, mas também na formação do pessoal


A última assembleia-geral do Clube Militar de Macau serviu para os sócios aprovarem o relatório de actividades e as contas do exercício de 2022 e, sem segundo lugar, para abalizarem e aprovarem as propostas de plano de actividades e o orçamento para o ano em curso. Durante a reunião debateu-se, essencialmente, o momento da instituição de matriz portuguesa e no relatório elaborado está bem vincada a “recuperação financeira”, abalada por causa da pandemia.

Em seis meses de abertura “a uma vida normal de Macau”, ou seja, sem os constrangimentos que a crise pandémica provocou, muito concretamente no sector da restauração, o Clube Militar já “praticamente recuperou a 100%” relativamente ao período pré-pandemia, segundo declarou Manuel Geraldes ao Jornal Tribuna de Macau.

O membro da direcção, com a responsabilidade da actividade do restaurante e do bar, fala com satisfação do momento que a instituição atravessa em termos financeiros, recordando os momentos muito complicados durante cerca de três anos. “Foi muito difícil, mas conseguimos superar, também com a compreensão dos nossos funcionários”, sublinhou.

O Clube dispõe de 25 trabalhadores ligados ao restaurante e ao bar, a que acrescem mais cinco na secretaria, e não despediu ninguém na altura da pandemia. “Falámos com todos e eles compreenderam a situação. Cumprimos todas as nossas obrigações”. Hoje, já são pagas as horas extraordinárias e os feriados, e “os funcionários já têm uma melhor formação por causa dos festivais de gastronomia, uma vez que também aprendem bastante”, explicou.

O restaurante do Clube Militar “voltou aos seus melhores dias”, salienta Manuel Geraldes, para quem os festivais de gastronomia muito contribuíram para o sucesso da recuperação. “Vieram de facto dar conforto e foi importante para a energização do nosso pessoal da cozinha e do restaurante”, acrescenta.

Já este ano o chef português Diogo Rocha supervisionou a cozinha do Clube, confeccionando vários pratos típicos portugueses, e a sua vinda constituiu mais um momento alto. “Tivemos pela primeira vez um cozinheiro com uma estrela verde, além de possuir uma estrela Michelin, o que demonstra que o chef Diogo Rocha é uma pessoa preocupada com a natureza, o que muito nos honrou”, realçou Manuel Geraldes.

Os festivais de gastronomia são para continuar. “Este ano esperamos ter mais um chef, até porque isso está contemplado no relatório de actividades e queremos manter essa periodicidade de duas vezes por ano recebermos um cozinheiro vindo de Portugal”, reforça o dirigente.

Apesar de se encontrar no bom caminho, o que mereceu a congratulação por parte dos dirigentes presentes na assembleia-geral, presidida por Jorge Neto Valente, o Clube Militar ainda passa por algumas dificuldades em termos de manutenção, nomeadamente na vertente patrimonial com o Instituto Cultural e na parte da restante da infra-estrutura. “Estamos a tentar recolher fundos para ir fazendo a manutenção do edifício”, refere Manuel Geraldes.

Enquanto isso, os eventos prosseguem, como as Jornadas Musicais em força, de 15 em 15 dias, “actividades subsidiadas a 100% pela SJM, na pessoa do presidente [do Clube] Ambrose So”, que marcou também presença na assembleia-geral.

O Clube Militar conta actualmente com cerca de 700 sócios. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 26 de março de 2023

Estados Unidos da América - Novo restaurante português abriu Los Angeles

O novo restaurante português Barra Santos, um projeto da Last Word Hospitality, abriu em Los Angeles com lotação esgotada, preenchendo um vazio na cidade numa altura em que cada vez mais norte-americanos visitam Portugal


“É por essa razão que está aqui este pessoal todo”, disse à Lusa o coproprietário Michael Santos, um luso-americano nascido em Portugal e criado na costa Leste dos Estados Unidos que fala bem a língua. Já tinha apontado que, em LA, “quase não há restaurantes portugueses”.

O público que acorreu à estreia foi maioritariamente norte-americano, lotando o espaço interior e a zona exterior pouco depois da abertura das portas. O tempo de espera por mesa chegou a atingir uma hora e meia, algo que deixou Michael Santos impressionado. “Está uma loucura agora”, referiu.

Num ambiente descontraído, com quadros alusivos ao fado e fotografias a preto e branco de um Portugal passado, a azáfama no Barra Santos foi temperada por sons raros em Los Angeles, como a “Canção de Engate” de António Variações.

O menu é tipicamente português com foco nos grandes êxitos culinários que são associados a Portugal. Há frango com piripíri, tostas de sardinha, pastéis de bacalhau e bifanas. Há também salada de bacalhau e grão-de-bico, camarão preparado com vinho verde e alho, e pratos com linguiça.

“Temos queijo dos Açores, temos pão com fiambre cortado bem fininho e também azeitonas”, acrescentou Michael Santos. “É mesmo uma casa portuguesa”.

Além da comida, a carta de vinhos é um dos grandes atrativos do local. “A maior parte do vinho na nossa lista é português, 75% a 80% da lista é portuguesa”, frisou Michael Santos.

O responsável disse que gostaria que o restaurante fosse um local de eleição também para lusodescendentes, visto que praticamente não há outras ofertas semelhantes (à exceção do Natas em Sherman Oaks, que é mais virado para pastelaria, e do Caldo Verde na baixa, que tem uma mistura de cozinha lusa e californiana).

“Espero que seja o princípio e traga mais portugueses aqui”, afirmou Santos, apontando que a comunidade está muito dispersa. “A Califórnia é tão grande que estão espalhados pelo estado todo”.

É um forte contraste com o que Santos viveu do outro lado dos Estados Unidos. “Não há comunidade portuguesa aqui como há na Costa Leste”, disse. “Fui criado em Rhode Island onde é tudo português, há muitas comunidades”.

O Barra Santos, localizado em Cypress Park, dista cerca de 40 quilómetros do salão português de Artesia, cidade onde reside a maior comunidade portuguesa do condado de Los Angeles.

É precisamente da Portugal Imports em Artesia que vêm vários dos produtos usados pelo restaurante, que também tem como fornecedores a HGC Imports em São José e um importador de Point Loma, San Diego.

“Todos os produtos que conseguimos encontrar vêm de Portugal”, explicou Santos, com importações diretas e indiretas. “O que não conseguimos encontrar usamos coisas daqui ou espanholas”.

Aberto de quarta a domingo, o Barra Santos vai servir sobretudo snack, jantares e bebidas. O projeto foi bastante antecipado no mercado por ser uma criação da Last Word Hospitality, a mesma equipa responsável pelo Found Oyster, um sítio que ganhou notoriedade (e espaço no guia Michelin) com os seus pratos de peixe e marisco. In “Sapo 24” – Portugal com “Lusa”



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Macau - Casas-museu vão receber restaurante que “promova a cultura portuguesa”

Uma das Casas-Museu da Taipa vai servir para albergar um restaurante “que promova a cultura portuguesa com características próprias de Macau” e que sirva “alimentos e bebidas gourmet macaenses”. A ideia foi anunciada ontem pelo Instituto Cultural, através da abertura de um concurso público. O espaço, que deverá também servir para exposições e workshops, será arrendado por um período de quatro anos


O Instituto Cultural (IC) pretende aproveitar uma das Casas-Museu da Taipa para abrir um restaurante que promova a cultura portuguesa com características próprias de Macau. Para isso, o organismo abriu um concurso público. De acordo com a informação publicada ontem em Boletim Oficial, o prazo do arrendamento do espaço será de quatro anos.

Em concreto o objectivo do concurso é a adjudicação, por arrendamento, do nº 1 da Avenida da Praia na Taipa, para a “abertura e exploração de um restaurante que promova a cultura portuguesa com características próprias de Macau e que possua elementos do património cultural intangível de Macau, através de fornecimento de alimentos e bebidas gourmet macaenses, em conjugação com o ambiente envolvente das Casas da Taipa”. Além disso, o espaço deve também ser utilizado para “vendas, exposições, actividades experimentais, workshops, entre outros”.

Segundo o anúncio, assinado pela presidente do organismo, Leong Wai Man, as propostas devem ser entregues no edifício do IC, no Tap Seac, até às 17h00 de 30 de Dezembro. No dia 15 de Novembro, realizar-se-á uma visita ao espaço que será arrendado, pelas 15h30, sendo que os interessados devem contactar o IC para inscrição até às 17h00 do dia 14.

Os candidatos têm de entregar uma caução provisória de 20 mil patacas e uma caução definitiva de 40 mil patacas. A renda base ainda não está definida. Além disso, os concorrentes devem estar inscritos nos Serviços de Finanças e na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Imóveis. Se o concorrente for empresário em nome individual, deve ser residente na RAEM; no caso de sociedades comerciais, o capital social deve ser detido numa percentagem superior a 50% por residentes da RAEM, não sendo admitida a participação de consórcio.

Segundo o IC, os critérios de apreciação incluem a renda (40%), o plano de negócios (35%), o projecto de planeamento do interior (10%) e a experiência do concorrente (15%).

As Casas-Museu da Taipa foram construídas em 1921, tendo servido, em tempos, como residências de funcionários públicos de categorias superiores, nomeadamente às famílias macaenses, segundo o IC. Em 1992, foram reconhecidas como um complexo edificado de valor arquitectónico. Mais tarde, o Governo decidiu renovar as casas completamente e transformá-las num sítio museológico, que abriu ao público em finais de 1999 como as Casas-Museu.

“Aclamado como um dos oito sítios de topo de Macau, as Casas da Taipa representam o encanto do estilo arquitectónico português na Taipa. As residências portuguesas ao longo da Avenida da Praia, em conjunto com a vizinha Igreja de Nossa Senhora do Carmo e jardim, abrangem uma paisagem pitoresca na qual as cinco casas verdes sobressaem como mais representativas”, pode ler-se na página do organismo. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Macau - “Lvsitanvs” abriu hoje na Casa de Vidro

O “Lvsitanvs” abriu hoje na Casa de Vidro, no Tap Seac, depois de o espaço ter sido parcialmente inaugurado em Dezembro de 2019. O restaurante vai estar aberto todos os dias, entre as 10:00 e as 22:00, exceptuando na primeira semana em que fechará pelas 20:30. Ao Jornal Tribuna de Macau, a presidente da Casa de Portugal mostrou-se satisfeita com a abertura e disse esperar que este projecto corra bem


O restaurante da Casa de Portugal abriu hoje portas no novo espaço – a Casa de Vidro, no Tap Seac – para servir as habituais refeições à comunidade. Depois de vários contratempos, após a inauguração parcial que decorreu em Dezembro de 2019, Amélia António disse agora ao Jornal Tribuna de Macau estar satisfeita com a abertura. “Claro que nos sentimos todos muito contentes, mas conscientes das muitas dificuldades e dos muitos problemas que temos pela frente. Perdemos muito tempo e recuperar esse tempo perdido não é uma coisa de menos importância. Mas, obviamente foram anos à espera e portanto temos de estar satisfeitos”, começou por dizer a presidente da Casa de Portugal.

Segundo explicou, durante a primeira semana o restaurante vai abrir de forma faseada, uma vez que há ainda coisas para arrumar e organizar, além de que os trabalhadores têm de se adaptar ao novo espaço, equipamentos e instalações. Significa isto que, em vez de funcionar das 10:00 às 22:00, o “Lvsitanvs” vai estar aberto até às 20:30 nesta fase inicial. O restaurante estará aberto todos os dias. “Isto é para as pessoas perceberem que não estará tudo na perfeição, que não estará tudo a 100%, porque não é possível”, apontou, acrescentando que as “mãos” são poucas e são necessárias tanto na sede, onde estão agora a decorrer obras, como no restaurante.

“O espaço vai ficar em condições para poder começar a funcionar, mas com muita coisa ainda por organizar. Neste momento estamos a funcionar nos limites e é um esforço enorme. A gente espera que corra bem e que [o projecto] compense este esforço”, prosseguiu Amélia António.

Questionada sobre se tem algum receio relativamente à adesão, Amélia António mostrou-se positiva: “Há quem tenha esse receio e que nos alerta, mas eu sou um bocadinho optimista por uma razão simples – se as pessoas durante estes anos, com sol e com chuva, e dificuldades, foram sistematicamente à Casa, com condições mínimas, acho que tendo agora um espaço agradável e bonito não vai ser por terem de andar um bocadinho mais que vão deixar de ir. E a verdade é que as pessoas não trabalham todas no coraçãozinho de Macau, portanto outros irão andar um bocadinho menos até ao novo espaço”. Neste sentido, disse acreditar que “só há razões para que continuem a ir”.

O novo restaurante integra novidades. “O facto de estar aberto até às 22:00 e os sete dias da semana permite que as pessoas possam marcar jantares de confraternização, festas de anos. Como temos pessoal muito à justa, é possível fazer isso com marcação prévia para podermos ter um reforço no momento daquele evento”, contou.

Além disso, o objectivo é realizar eventos culturais. Além da loja que tem produtos produzidos pelos artistas e artesãos ligados à Escola de Artes e Ofícios, haverá pequenos eventos, workshops, demonstrações e música. “Vamos ter de organizar um programa com alguma regularidade em que acontecem coisas sem ser só a comida”, apontou.

Constituído por dois andares, o espaço tem 50 lugares no rés-do-chão para refeições. Em cima situa-se a loja, com uma oferta variada em termos de produtos artesanais; e um espaço que é flexível e que pode oferecer mais 50 lugares para refeições, caso a parte de baixo esteja lotada, jantares privados e outras actividades.

De resto, Amélia António referiu que os lanches, que eram muito procurados nomeadamente pela comunidade chinesa, vão continuar a ser servidos, sendo que o objectivo é que haja mais variedade.

“Era muito importante para a Casa que isto corresse bem porque, com as dificuldades todas que se têm agravado de ano para ano, este projecto correr bem e ajudar um bocadinho a manter a parte cultural era muito importante”, frisou.

Recorde-se que o tempo de exploração do espaço pela Casa de Portugal previsto contratualmente era de três anos, com possibilidade de renovação. Quanto a este aspecto, Amélia António disse que agora é preciso fazer as contas devido às inúmeras alterações que se deram. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Singapura - Restaurante português recebe prémio

O estabelecimento da cadeia de restaurantes TUGA, propriedade do arquitecto Carlos Macedo e Couto, situado na cidade-estado arrecadou mais um prémio. Desta vez, venceu o prémio Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean


O restaurante TUGA situado em Singapura acaba de ser agraciado com o prémio Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean Star Awards, anunciou o estabelecimento de restauração na sua página oficial no Facebook. “É com o maior dos prazeres que anunciamos oficialmente a todos, que o TUGA é o vencedor do Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean Star Awards”, escreveu o restaurante na rede social.

O estabelecimento faz parte de uma micro-cadeia de dois restaurantes idealizados pelo arquitecto português, actualmente radicado em Taiwan, mas que viveu muitos anos em Macau, Carlos Macedo Couto.

Couto, pai do piloto André Couto, inaugurou o TUGA em Taiwan num antigo cabeleireiro, corria do ano de 2015. O modelo de negócio passa por lojas de vinho que acabam por também ser restaurantes. “É uma espécie de representação de Portugal com tudo o que há de melhor do país”, disse, na altura, o proprietário à comunicação social, destacando a loja gourmet de produtos portugueses associada ao restaurante, que vende azeites, frutos secos, conservas ou queijos, entre outras iguarias.

Em Singapura, o arquitecto aliou-se a uma sócia local, Sue-Shan Quek – que já frequentava o espaço de Taipé –, e, no início de 2020, a escolha acabou por acontecer numa zona mais elevada da cidade-estado – Dempsey Hill -, também ela considerada nobre, que em tempos esteve ocupada por militares. O antigo director da Herdade do Mouchão, no Alentejo, em Portugal, David Marques Ferreira é actualmente o director de operações.

Nelson Santos dirige a cozinha em Taiwan e Tiago Martins coordenada os pratos em Singapura. Apesar do conceito gourmet associado à marca, a gastronomia servida nos dois espaços é tradicional. São servidas amêijoas à Bulhão Pato, peixinhos da horta, canja de galinha, bacalhau à Brás, polvo à lagareiro ou carne de porco à alentejana, entre outros.

Recorde-se que o TUGA Singapura foi distinguido, na primeira metade deste ano, como o Melhor Novo Restaurante do Ano pela World Gourmet Summit, o mais prestigiado evento gastronómico do sudeste asiático. Ambos os espaços têm sido, de tempos a tempos, agraciados com prémios de hotelaria e restauração. O Ponto Final tentou contactar Carlos Macedo Couto, mas, até ao fecho da edição, o arquitecto não respondeu às questões. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 28 de setembro de 2021

Macau - Obras do restaurante “Lvsitanvs” estão prestes a terminar

Apesar de não apontar ainda uma data para a abertura do novo restaurante “Lvsitanvs”, a presidente da Casa de Portugal em Macau mostra-se satisfeita com o facto da instalação da cozinha estar já na fase terminal. Ao Jornal Tribuna de Macau, Amélia António voltou a tecer críticas ao excesso de burocracia dos serviços administrativos

Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM), adiantou ao Jornal Tribuna de Macau que está em vias de ser concluída a instalação da cozinha do restaurante “Lvsitanvs” na “Casa de Vidro”, no Tap Seac.

“Estamos na fase – esperemos nós – terminal de instalação da cozinha para que depois sejam feitas as inspecções necessárias para se obter as licenças para então podermos abrir. A partir do momento que se teve a licença de obras, em Julho e Agosto, o tempo não foi suficiente, porque as obras exigiam equipamentos de extracção do vapor e outros equipamentos que não há em Macau. Tiveram de ser importados e tudo isto tem sido muito complicado. Estamos com a esperança de que estejamos mesmo na ponta final e anunciaremos logo que estiver concluída a obra”, referiu.

A operação do espaço onde funcionará o restaurante “Lvsitanvs” foi sujeito a concurso público pelo Instituto Cultural (IC), tendo sido adjudicada à CPM em 2019. Desde então, a associação enfrentou uma série de contratempos, incluindo divergências com a Administração sobre diversas despesas, inicialmente não previstas por Amélia António.

“Tenho tido momentos muito duros de ultrapassar neste processo. O concurso foi adjudicado em Agosto de 2019 e daí até cá foi um calvário. Tem sido um rosário de dificuldades em que fomos sempre expondo as nossas razões e argumentando em relações a algumas coisas e o IC acabou por nos dar razão. Não há soluções ideais, mas isto permitiu que as coisas andassem. Tivemos de encomendar os equipamentos, que são caros, a uma empresa especializada e não íamos correr o risco de fazer essa negociação e dar sinais antes de termos a certeza de que podíamos avançar com a obra”, salientou a mesma responsável, explicando que o surto de COVID-19 em Agosto também não ajudou a acelerar o processo.

“Não somos uma empresa com capacidade para correr riscos económicos faseados e já corremos de mais mesmo assim. Temos de ser muito cautelosos a fazer as coisas e esta segunda fase do COVID-19, quando já estávamos com a obra em curso, voltou a empanar tudo um bocado. No entanto, enquanto não vir preto no branco que foi tudo aprovado digo apenas que estou optimista”, confessou.

Burocracia “dificulta” negócios

Após ter sido acordado no mês passado com o IC que as mais de 200 mil patacas de rendas pagas pela CPM, sem usufruir do espaço, seriam um adiantamento aos valores do contrato de exploração de três anos, Amélia António referiu que “há imensas coisas que podem melhorar”.

“Fazem-se exigências burocráticas que não fazem sentido. Tivemos de apresentar tudo como se estivéssemos a fazer uma obra de raiz, quando a única coisa que íamos mexer era na cozinha e apenas para colocar os equipamentos necessários. O resto das instalações não se iam alterar e mesmo assim foi preciso apresentar projecto de arquitectura, projecto de electricidade, projecto de esgotos como se estivéssemos a fazer algo do zero”, elencou.

Amélia António adverte por isso que esse tipo de exigências acaba por dificultar os negócios. “A parte burocrática, a repetição e a exigência de documentos de diferentes organismos é uma coisa que continua muito complicada em Macau. Falamos que a RAEM tem de caminhar para o ‘e-administration’, mas nada funciona em termos electrónicos. Os serviços que têm a documentação das diferentes entidades exigem que eles sejam sempre apresentados. Passamos a vida a pedir certidões, a pedir isto e aquilo para provar o que já provámos não sei quantas vezes”, alertou.

“Acho que há muito que andar e espaço para andar, mas é preciso uma grande ligação das diferentes áreas da Administração Pública. Cada área, e isto tem sido um problema ao longo dos anos e continua agora, funciona como se existisse sozinha. Não há interligação de informação e colaboração. Isto dificulta muita a vida aos administrados e dificulta os negócios” explicou. Martim Silva – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 1 de março de 2021

Macau – Restaurante de comida portuguesa vai abrir no hotel Grand Lisboa Palace

O hotel Grand Lisboa Palace, a aposta da Sociedade de Jogos de Macau para o Cotai, vai ter um restaurante português com um chef distinguido pelo guia de gastronomia Michelin. A informação foi avançada por Angela Leong, co-presidente da empresa mãe da SJM, que antevê a abertura do novo hotel para a primeira metade deste ano.

“Posso revelar que vamos ter um restaurante com comida portuguesa e um chef muito famoso de Portugal […] Não vou ainda revelar o nome, mas se em Portugal se disser o nome dele todos sabem quem é. Por enquanto fica como segredo, depois será uma surpresa”, afirmou Angela Leong, que espera dar uma surpresa a portugueses e residentes que gostam da comida portuguesa. “Queremos dar uma surpresa a todos os portugueses e aos residentes que gostam da comida portuguesa. Vai ser um restaurante com comida muito boa”, prometeu.

Sobre a identidade do chef, a deputada fez tabu, no entanto, apontou que foi distinguida pelo guia da marca Michelin e que o nome dele é muito conhecido em Portugal. No entanto, a co-presidente da empresa mãe da SJM reconheceu que a pandemia pode atrasar a abertura do espaço “Ainda não chegou a Macau por causa da pandemia. Está em Portugal, mas depois da pandemia vai viajar para Macau e vai gerir o restaurante”, explicou.

Em 2021 tinham sido atribuídas 35 estrelas Michelin em Portugal, para 28 restaurantes. Entre os chefs mais mediáticos e com a classificação de duas estrelas num único restaurante encontra-se os nomes de José Avillez, Rui Paula, Ricardo Costa e ainda Henrique Sá Pessoa. Porém, o último não deverá ser considerado, uma vez que já é responsável pelo restaurante Chiado, num casino operado pela concessionária Sands.

Abertura este ano

Apesar de o ano passado ter ficado marcado pelo início da pandemia, a SJM continuou as obras de construção do hotel e casino Grand Lisboa Palace. Em 2019, a empresa esperava que o hotel com cerca de 1.900 hotéis tivesse um custo final de 39 mil milhões de dólares de Hong Kong. Porém, um comunicado dessa altura à bolsa de Hong Kong não afastava a possibilidade do preço aumentar.

No entanto, as obras estão concluídas e segundo Angela Leong a empresa aguarda agora pelo tratamento de formalidades, como a realização de inspecções e semelhantes. “Nesta altura estamos todos a trabalhar para a abertura do hotel, mas ainda estamos a aguardar por todas as vistorias necessárias”, explicou.

Com a abertura do novo casino, a SJM expande a marca “Lisboa”, depois da abertura do icónico Casino Lisboa e, posteriormente, já depois da transição do Grand Lisboa, ambos na península. João Filipe e Nuno Wu – Macau in “Hoje Macau”

 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

China - Sabores da terra de “Camões” persistem em Pequim

Chegou à capital chinesa há sete anos e foi ficando. Paulo Quaresma é agora responsável pelas cozinhas do hotel Legendale e do restaurante “Camões”. À Tribuna salienta que os ricos azulejos azuis atraem a atenção do público chinês, mas também nota que é difícil manter um restaurante português aberto



É numa das alas do hotel Legendale, perto de Wanfujing, em Pequim, que se encontra o restaurante “Camões”. Passando pela árvore de Natal de dimensões consideráveis no hall de entrada, rapidamente se trocam os tons dourados pelos azuis dos azulejos e decoração a condizer.

Criado em 2009, o espaço é uma ode aos azulejos portugueses, ao poeta que lhe empresta o nome, a algumas frases pintadas nas paredes e a outros ícones da cultura portuguesa, como a guitarra. Nas escadas por detrás do balcão, há ainda espaço para as Ruínas de São Paulo, de uma Macau recuada no passado.

Há sete anos em Pequim, Paulo Quaresma é agora o “chef” do “Camões” e de toda a área de restauração do Legendale, à excepção do restaurante chinês. “Trabalhava em Portugal, mas as coisas não estavam famosas e pensei que se aparecesse uma boa oportunidade no estrangeiro, iria para aquela que oferecesse algo concreto”, começou por contar à Tribuna.

A resposta chegou e foi para o “Camões”. “A princípio pensei que fosse para Macau, mas com o desenrolar da conversa percebi que era para o centro de Pequim”, afirmou, acrescentando que viajou sem expectativas e foi ficando.

“Como passei muito tempo com os chefes, agora fazem tudo bem sozinhos. Venho todos os dias ao restaurante, mas eles dão conta do recado. Nos menus ou convidados especiais é que poderei ter um papel maior” referiu.

Segundo recorda, “o hotel foi desenvolvido para os Jogos Olímpicos de 2008 e a ideia de David Chow era dar a conhecer parte da cultura portuguesa ao povo chinês e também oferecer algo diferente”. “Poucas pessoas conhecem comida portuguesa, portanto, seria mais uma oferta de pratos internacionais e ocidentais para os convidados e hóspedes do hotel”.

No entanto, admite ser “muito difícil para um restaurante português sobreviver estes anos todos, sem estar inserido numa estrutura como um hotel, e mesmo em hotel seria difícil sem David Chow”. O Hotel Hilton chegou a ter outro chefe português que, no entanto, já cessou funções.

Entre as dificuldades sentidas na operação de um espaço de restauração português, salienta a falta de produtos, como enchidos e carne de porco que não estão certificados. Tal facto complica a execução e autenticidade de alguns pratos.

Paulo Quaresma admite que poderia fazer outros pratos como açordas, mas não seriam atractivos para os clientes. Aliás, mesmo no caso do bacalhau, é necessário por vezes explicar aos clientes que é diferente do peixe fresco a que estão habituados. “Muitas vezes tenho de explicar que faz parte da nossa cultura gastronómica e que não tem nada de errado”, conta.

O arroz de marisco e o de pato são os favoritos, porque estão próximos dos gostos chineses, mas também há quem arrisque o presunto Pata Negra e leitão assado.

Quanto à decoração, adianta que os chineses gostam de tirar fotografias, porque acham curioso que os azulejos sejam parecidos com as pinturas dos seus vasos.

Olhando para a cidade em si, Paulo Quaresma realça que, quando chegou em 2010, as principais mudanças já se tinham dado com os Jogos Olímpicos. “Mesmo assim, vemos muitas zonas destruídas e reconstruídas, muitos arranha-céus, hotéis de cinco estrelas, edifícios de escritórios. Vemos muitas mudanças físicas, destruição de hutongs e reconstrução. Também há mudanças na parte cultural”, destacou.

O choque inicial desapareceu e agora,casado com uma mulher local e dois filhos, pensa em voltar a Portugal, mas admite que estará sempre dividido entre os dois países.

“Também aprendi muito cá. Recordo-me quando era pequeno apenas sabíamos que era um país fechado, não se prestava muita atenção, mas quando chegamos e vemos a realidade, vamos gostando e ficando. Está a ser positivo”, disse.

A seu ver, como há falta de contacto, a China continua a ser um “bicho mau do outro lado do Mundo, sobre o qual os meios de comunicação só dizem coisas más”. Porém, acredita que essa percepção está a mudar com os turistas e investimento chinês.

Outro contributo é dado pelos muitos estudantes portugueses que chegam a Pequim. No regresso a Portugal, “vão mostrando o que é realmente estar na China, o quão diferente é do que pensam”.

Por outro lado, segundo Paulo Quaresma, os chineses têm poucas informações sobre Portugal, até porque o mercado é tão grande que é difícil fazer chegar a mensagem. No entanto, revela, “qualquer taxista conhece o Ronaldo”, além de que “Figo, Nuno Gomes e Rui Costa também são conhecidos”. Liane Ferreira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”