Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Timor-Leste - Doa 8,6 milhões de euros a Portugal para apoiar recuperação dos incêndios

O Governo de Timor-Leste aprovou, esta quarta-feira, um donativo de dez milhões de dólares (cerca de 8,6 milhões de euros) à República Portuguesa, destinado à recuperação dos danos causados pelos incêndios florestais que têm afectado o país desde Julho

De acordo com a Lusa, a decisão foi tomada em reunião do Conselho de Ministros, após proposta do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Num comunicado oficial, o executivo timorense expressa solidariedade com o povo e autoridades portuguesas face aos “graves incêndios florestais”.

Portugal continental tem enfrentado múltiplos incêndios rurais de grande dimensão, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortes, incluindo um bombeiro, e deixaram vários feridos, além de destruírem habitações, explorações agrícolas e vastas áreas florestais.

Em resposta à emergência, Portugal activou o Mecanismo Europeu de Protecção Civil, recebendo apoio com aeronaves especializadas no combate aos incêndios.

Segundo dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), cerca de 250 mil hectares já foram consumidos pelas chamas. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Portugal - Cavalos-marinhos resgatados em 2022 na Trafaria já foram devolvidos à natureza

Os cavalos-marinhos que em março de 2022 foram recolhidos na zona da baía da Trafaria, no concelho de Almada, e acolhidos no Oceanário de Lisboa, foram devolvidos ao seu habitat natural, foi anunciado.


“A ação decorreu no passado dia 31 de outubro, foi coordenada pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e envolveu o Oceanário, o MARE-ISPA, devidamente licenciados para a translocação dos cavalos-marinhos, e a Câmara Municipal de Almada”, revela o ICNF, em comunicado.

A devolução dos cavalos-marinhos, que tinham sido resgatados na sequência do colapso de um pontão, foi feita em mergulho, na zona da Trafaria, no distrito de Setúbal.

Segundo o ICNF, este núcleo populacional de cavalos-marinhos é das espécies Hippocampus hippocampus e Hippocampus guttulatus.

Após a sua recolha em março, os cavalos-marinhos foram acolhidos pelo Oceanário de Lisboa, onde permaneceram até agora.

A intervenção de 2022, ainda de acordo com o instituto, “permitiu recolher cinco marinhas (Syngnathus acus) e 23 cavalos-marinhos, das duas espécies ocorrentes em Portugal (quatro cavalos-marinhos comuns, Hippocampus hippocampus, e 19 cavalos-marinhos-de-focinho-comprido, Hippocampus guttulatus)”.

“As marinhas, que entretanto se haviam reproduzido, permitiram devolver mais de 100 indivíduos no passado mês de março”, acrescenta o ICNF.

Na nota, o instituto salienta que “as espécies Hippocampus hippocampus e Hippocampus guttulatus têm graves problemas de conservação, necessitando de medidas de proteção específicas e urgentes, o que fez com que já estejam listadas nos anexos da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) e no Regulamento Comunitário, que aplica essa convenção na União Europeia”.

As duas espécies foram também incluídas nos anexos do decreto-lei que aprovou o regime jurídico aplicável à proteção e à conservação da flora e da fauna selvagens e dos habitats naturais das espécies enumeradas nas Convenções de Berna e de Bona, acrescenta ainda o instituto. In “Green Savers” – Portugal com “Lusa”


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Portugal - O gato-bravo pode vir a ser salvo da extinção

O presidente do ICNF diz à Visão que está a ser avaliada a possibilidade de ter um programa de reprodução em cativeiro do gato-bravo no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves. O cruzamento com gatos comuns, os atropelamentos e a destruição do seu habitat têm dizimado o gato-bravo em Portugal


É provável que haja atualmente menos de uma centena de gatos-bravos no País. É essa a estimativa dos investigadores que avaliaram a espécie para o Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental, a primeira grande análise ao estado de conservação dos nossos mamíferos em quase duas décadas. “O declínio da qualidade do habitat e os potenciais efeitos da hibridação, que podem ter ocorrido no passado ou vir a ocorrer nos próximos 16 anos, poderão ter levado, ou vir a levar, à redução do tamanho da população na ordem dos 20%. Estima-se um reduzido número de indivíduos maduros (que pode ser <100).”

Esta diminuição aguda da população de gato-bravo levou ao agravamento da sua categoria de ameaça, passando de “vulnerável” para “em perigo”, o mesmo nível de ameaça em que se encontram o lince-ibérico e o lobo-ibérico – com a diferença de que, nos casos destas duas espécies, a tendência é de expansão.

O estado do gato-bravo está a levantar a hipótese de ser já necessário recorrer à reprodução em cativeiro, como medida extrema de salvar o felino da extinção. E essa reprodução poderá ser feita nas instalações do próprio Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, no Algarve. Foi o que admitiu o presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em entrevista à Visão, para o artigo principal do Caderno Verde deste mês na revista. “Estamos a avaliar a possibilidade de virmos a integrar no centro de reprodução do lince uma medida de reprodução do gato-bravo. É uma forte probabilidade”, disse Nuno Banza, recordando que “o gato-bravo tem um papel muito importante no mundo rural, de complemento à atividade do lince, ajudando a comer os animais mais fracos, os doentes, a regular o sistema”.

“Felizmente, ainda temos alguns registos do animal em Portugal, embora se encontre numa condição difícil, que nós nem sequer conhecemos bem”, continua o presidente do ICNF. “Mas sabemos que, recriando determinadas condições da espécie, pode ser muito interessante aproveitarmos a experiência do lince para diversificar a atividade do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, apostando numa espécie que também é emblemática em Portugal.”

Soluções para estancar este definhar do gato-bravo têm sido discutidas, em conjunto, por investigadores de Portugal e Espanha, onde a situação é também preocupante, revela Miguel Rosalino, coordenador do capítulo dos carnívoros do Livro Vermelho. “Há um trabalho ibérico informal de universidades para delinear uma estratégia que consiga reverter esta tendência negativa”, diz o investigador do cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).

O especialista descreve a situação do gato-bravo como “preocupante”, sublinhando que o felino é “cada vez mais raro”, devido sobretudo a dois fatores: “Perda de habitat, com redução de floresta nativa, e hibridação com o gato doméstico.” Luís Ribeiro – Portugal in Visão Verde


terça-feira, 15 de setembro de 2020

União Europeia - Projeto LYNXCONNECT passou nos diferentes critérios de avaliação no apoio à reprodução do lince ibérico

O projeto LYNXCONNECT – Criando uma metapopulação de lince-ibérico (Lynx pardinus) genética e demograficamente funcional, (LIFE 19 NAT/ES/001055), tem como objetivo central o aumento da população de lince-ibérico e o reforço da conectividade entre as subpopulações de Portugal e Espanha



O projeto “LYNXCONNECT” foi submetido em 2019, por Espanha e Portugal, a financiamento ao programa “LIFE ACTION GRANTS”, tendo obtido aprovação preliminar na fase final de seleção, após o que os serviços da União Europeia comunicaram no passado mês de maio, a todos os parceiros, através do beneficiário coordenador – Junta de Andaluzia - que este novo projeto passou nos diferentes critérios de avaliação, tanto por consistência e qualidade técnico-financeira, como devido ao valor acrescentado para a União Europeia.

Por outro lado, constitui a sequência e evolução lógica do anterior projeto LIFE+Iberlince, que decorreu entre setembro de 2011 e junho de 2018, em cujo âmbito o ICNF e outros parceiros nacionais públicos e privados e do país vizinho, com o indispensável apoio e acolhimento por parte das populações locais, de associações representativas de caçadores e de proprietários, de ONG’s, de diversas entidades públicas e de autarquias do Vale do Guadiana, conseguiu reintroduzir o lince-ibérico em território Português, com caráter estabilizado e sustentável, o que não ocorria desde o final do século XX.

Este projeto, que agrega 20 parceiros ibéricos, tem como beneficiário coordenador a Consejería de Agricultura, Ganadería, Pesca y Desarrollo Sostenible da Junta de Andaluzia, e por parte de Portugal, para além do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP (ICNF), participam como parceiros a Infraestruturas de Portugal, IP e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

Em termos financeiros o projeto implica um investimento total de 18,754 milhões de euros, cabendo ao ICNF um pouco mais de 1,5 milhões, sendo a taxa de financiamento de 60,67 %, o que se traduz num financiamento comunitário global de perto de 11,4 milhões de euros.

Portugal, através do ICNF, da Infraestruturas de Portugal e da CIMBAL, e com o apoio de outras entidades públicas e privadas pretende consolidar a população criada entre 2015 e 2018 no Vale do Guadiana, estabelecer pequenos núcleos populacionais que reforcem a conectividade com as subpopulações de Andaluzia, Castilla-La Mancha e da Extremadura espanholas e, ainda, equacionar a possibilidade de identificar e caracterizar uma nova área de reintrodução, através da avaliação de potenciais territórios que reúnam as condições adequadas de habitat, alimento, continuidade natural e tranquilidade e aceitação social para o estabelecimento de uma nova população.

Paralelamente com as medidas diretamente relacionadas com a espécie alvo deste projeto, serão desenvolvidas iniciativas de caráter social, de promoção, sensibilização e informação dos públicos locais e urbanos, a par de outras ações que terão efeitos positivos indiretos sobre o ecossistema mediterrânico e sobre a economia local, criando melhores condições de vida para as populações locais e proporcionando alternativas de desenvolvimento sustentável, por exemplo, através do turismo de natureza.

Da experiência obtida no Vale do Guadiana, a presença do lince-ibérico neste território, traduziu-se em diversas mais-valias para a população residente ou que dele depende economicamente, não tendo a sua presença representado uma nova condicionante, antes pelo contrário, uma vez que atraiu visitantes e passou a constituir uma marca de elevada qualidade e potenciadora de novos visitantes e de novas atividades económicas para o Vale do Guadiana. Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas - Portugal