Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Guiné Equatorial – O pavilhão do país na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália

O embaixador dos EUA foi recebido por Chiara Modicà Dona Dallè Rose, Presidente da Fundação Dona Dallè Rose, e pelo Comissário-Geral da Secção da Guiné Equatorial, Jerónimo Nsue Asumu Nchama


O pavilhão da Guiné Equatorial na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman Fertitta.

Durante a visita, o diplomata conheceu em primeira mão a proposta artística e cultural apresentada pela Guiné Equatorial e destacou o valor da cultura como instrumento de projeção internacional.

Na sua deslocação, Fertitta ficou a conhecer os principais eixos conceptuais da exposição, uma proposta que destaca a diversidade cultural, o património histórico, a riqueza artística e a identidade nacional da Guiné Equatorial.

O encontro também serviu para trocar ideias sobre o papel da cultura como veículo para fortalecer o entendimento, o diálogo intercultural e a cooperação entre os povos.

Como parte de seu roteiro, Tilman Fertitta também visitou a coleção histórica do Palazzo Dona Dallè Rose, que abriga o pavilhão da Guiné Equatorial. O edifício guarda um património que abrange mais de três séculos de história familiar e é um dos locais culturais mais representativos de Veneza.

No final da visita, o embaixador expressou o seu apreço pela qualidade da proposta apresentada pela Guiné Equatorial e valorizou positivamente a presença do país num dos eventos artísticos mais importantes do mundo. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


terça-feira, 12 de maio de 2026

UCCLA - Apresentação de série documental sobre São Tomé e Príncipe

A UCCLA vai acolher, no dia 14 de maio, às 17h30, a apresentação da série documental “Africanko São Tomé e Príncipe”, uma produção da RTP África que convida o público a descobrir a riqueza cultural, turística e humana do arquipélago de São Tomé e Príncipe.


Composta por oito documentários, a série revela paisagens, tradições, histórias e o potencial deste país, promovendo uma viagem autêntica pelo património e identidade santomense.

A sessão terá lugar no auditório da UCCLA e a entrada é livre.

Veja o trailer através da ligação https://we.tl/t-9FvHgtvnWjj0qGOX


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Macau - 22 imóveis patrimoniais foram restaurados ou revitalizados em 2024

O Instituto Cultural restaurou ou revitalizou 22 edifícios patrimoniais no ano passado, envolvendo um total de 26 projectos. Além disso, segundo o relatório anual do organismo, a Universidade de Macau já pode estudar os dados obtidos pelo Centro de Monitorização do Património Mundial para analisar as mudanças gerais nas construções patrimoniais, ao abrigo de um acordo de cooperação bilateral


No ano passado, o Instituto Cultural (IC) concluiu 26 projectos de restauro ou revitalização de 22 construções patrimoniais, indica o último relatório anual do organismo. Segundo o documento consultado pelo Jornal Tribuna de Macau, 16 projectos envolveram trabalhos de restauro, incluindo a reparação das paredes exteriores do edifício do Clube Militar e do Farol da Guia, reparação das portas e janelas de madeira do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, restauro parcial de instalações do Teatro Dom Pedro V, das Antigas Muralhas junto à Estrada de São Francisco e das paredes exteriores e da superfície do telhado da sede da Fundação Oriente.

No âmbito da revitalização, os 10 projectos visaram a Antiga Fábrica de Panchões Iec Long, Zona da Barra no entorno da Doca D. Carlos I, Rua da Felicidade, Fortaleza do Monte, pontes-cais 23º e 25º do Porto Interior e Centro Ecuménico Kun Iam.

O IC saliente que, em 2024, continuou a recorrer ao Centro de Monitorização do Património Mundial para supervisionar, de forma geral, as mudanças nas estruturas dos imóveis patrimoniais e no seu ambiente circundante, tendo gerido de forma centralizada e analisado de modo abrangente os dados de monitorização. “O objectivo é analisar mais precisamente as tendências de mudança estrutural física nas respectivas construções, por forma a tomar decisões científicas e adoptar medidas de protecção adequadas e atempadas, aperfeiçoando ainda mais a monitorização e a protecção do Património Mundial”, sublinha o relatório.

Nessa vertente, recorda que, com o intuito de aproveitar de melhor forma os dados de monitorização, o IC e a Universidade de Macau (UM) celebraram no ano passado um acordo de cooperação. No âmbito dessa colaboração, a UM já pode estudar os dados obtidos pelo Centro de Monitorização para analisar as mudanças gerais nas construções patrimoniais.

Ao longo do ano transacto, o IC promoveu inspecções de segurança a 165 imóveis classificados, envolvendo mais de 600 construções patrimoniais, bem como levou a cabo 231 acções de fiscalização aos templos, no âmbito da prevenção de incêndios.


No mesmo ano, instalou o sistema de prevenção e monitorização de térmitas em 68 locais patrimoniais e encarregou o Laboratório de Engenharia Civil de Macau de efectuar a monitorização da segurança estrutural em 10 locais patrimoniais, incluindo as Ruínas de São Paulo, Fortaleza do Monte, Casa do Mandarim, Teatro Dom Pedro V, Capela de Nossa Senhora de Penha e Igreja de Santo Agostinho. A par disso, foi analisada a situação de mudança na Casa de Retiros da Ilhas Verde, entre outros espaços patrimoniais, através da digitalização 3D e fotografia aérea.

Também na esfera da protecção do património cultural, o IC emitiu 891 pareceres em 2024, principalmente relacionados com projectos de construção e placas publicitárias.

No que respeita ao património cultural intangível (PCI), o documento revela que o IC concluiu, no ano passado, investigações sobre 20 itens, que servirão de referência para a actualização do Inventário do PCI no futuro. Paralelamente, o organismo fotografou e filmou 14 itens, tendo concluído a produção de vídeos promocionais sobre seis itens de PCI.

Menos visitantes nas Ruínas de São Paulo

O relatório também aponta que, entre as construções patrimoniais que servem de pontos turísticos, as Ruínas de São Paulo, o Museu de Arte Sacra e Cripta e a Igreja de S. Domingos foram as mais visitadas no ano passado, registando 4,05 milhões, 2,09 milhões e 1,56 milhões de visitantes, respectivamente. O Museu de Arte Sacra e Cripta registou um aumento expressivo de 2,47 vezes no número de visitantes, face ao ano anterior, enquanto as Ruínas de São Paulo ilustraram uma descida de 10,3% nesse capítulo.

A Casa de Lou Kau, Fortaleza da Guia, Sala de Exposições do Templo de Na Tcha, Biblioteca Sir Robert Ho Tung e Antiga Fábrica de Panchões Iec Leong também se revelaram populares em 2024, com 420 mil, 197 mil, 190 mil, 174 mil e 171 mil visitantes, respectivamente. No contexto da histórica bilheteira do filme de animação chinês “Nezha 2”, projectado no ano passado, a Sala de Exposições do Templo de Na Tcha registou também um aumento notório de 48,8% no fluxo de visitantes.

No ano passado, foram projectados 582 filmes/vezes na Cinemateca Paixão, atraindo um total de 22.736 espectadores. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau





quarta-feira, 16 de julho de 2025

Macau - Visitas de estudo da Escola Portuguesa sensibilizam alunos para o património

As visitas de estudo a locais do Centro Histórico têm vindo a ser cada vez mais valorizadas nos conteúdos curriculares da Escola Portuguesa de Macau. Funcionando como uma integração de conteúdos no currículo de Portugal, essas actividades constituem uma chamada de atenção para temas como a chegada dos portugueses a Macau e têm despertado o interesse quer de alunos quer de professores. Deolinda Santos, docente da disciplina de História da EPM, disse ao Jornal Tribuna de Macau que essas deslocações têm contribuído para “sensibilizar os estudantes para a importância da protecção do património”


Apesar de não terem a regularidade que os professores desejariam, as visitas de estudo que os alunos da Escola Portuguesa de Macau (EPM) têm efectuado a alguns locais do Centro Histórico são consideradas de grande importância para o conhecimento sobre o património arquitectónico existente no território. O edifício do antigo Leal Senado, actual sede do Instituto para os Assuntos Municipais, foi um dos últimos exemplos de visita efectuada por estudantes do 8º ano de escolaridade da EPM, inserida num percurso delineado aquando do planeamento do ano lectivo feito pelos respectivos professores de História.

“Desde a publicação dos nossos manuais de Macau-China que trabalhamos esses conteúdos e então aplicamos com as visitas”, começou por dizer ao Jornal Tribuna de Macau Deolinda Santos. A docente da disciplina diz que estas visitas servem para “sensibilizar os estudantes para a importância da protecção do património”, isto numa altura em que Macau celebra o 20º aniversário da inscrição do Centro Histórico na lista do Património Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e que foi designado como o 31º sítio do Património Mundial da China.

Essa inclusão, a 15 de Julho de 2005, também contribuiu para a conservação do património histórico e arquitectónico da cidade e, num contexto mais amplo, representa uma parte importante da história da China.

Mesmo não tendo apenas a intenção imediata de assinalar a data do aniversário da inscrição de Macau como Património Mundial, “este tipo de iniciativas é bastante interessante e agrada aos alunos, que assim vão conhecendo os locais do Centro Histórico e alguns dos edifícios que simbolizam as primeiras instituições de Macau”, declara a docente que há vários anos coordena estas deslocações a locais icónicos da RAEM.

A docente coloca a hipótese de a efeméride ser salientada nas próximas visitas de estudo. “Em Julho ou Setembro nós estabelecemos o plano do próximo ano lectivo e isso é uma boa sugestão, relembrar os 20 anos da entrada no Património Mundial da UNESCO”, apontou.

“A última vez estivemos no Leal Senado, mas já antes tínhamos visitado outros pontos do Centro Histórico, como a Santa Casa da Misericórdia, o antigo Colégio de São Paulo e o Museu de Arte Sacra, onde lhes explicámos que ali ao lado existem pequenas escavações, que eram as celas dos jesuítas”, vincou a professora.

Além disso, as visitas de estudo contemplaram o edifício do antigo Hospital de São Rafael, actualmente o Consulado-Geral de Portugal na RAEM, e a Diocese de Macau. “Foi muito agradável termos feito todo esse percurso a pé, durante cerca de uma hora e meia”, concretiza.

O resultado destes programas é sempre publicado no jornal escolar da EPM, Tempus & Modus, no qual os alunos expõem fotografias e escrevem pequenos artigos sobre a experiência sentida e o que apreenderam das explicações da professora, que serviu de guia.

Conteúdos inseridos no programa de Portugal

Os estudantes, concretamente os do 8º ano, que são os que estudam os Descobrimentos no século XVI e a chegada ao território dos exploradores portugueses no século seguinte, dispõem de um guião, pré-estudado. “Nós fazemos uma planificação do programa de Portugal e nela inserimos os conteúdos de Macau-China, integrando-os no devido tempo histórico”, diz, acrescentando que se trata de adequações curriculares, ou seja, uma integração de conteúdos no currículo de Portugal, “mas só até ao 9º ano”, lembrou.

Os participantes nas visitas de estudo dispõem de um guião, aplicando essas deslocações nos testes que posteriormente realizam ou em trabalhos que produzem. “Há alguns anos, eles fizeram coisas lindíssimas, como maquetes 3D, que julgo estarem na biblioteca da escola, mas agora o tempo é mais escasso”, diz.

Deolinda Santos gostaria, por isso, que estas iniciativas de levar os alunos à rua para aprenderam mais sobre o Centro Histórico e sentirem o quão importante é a protecção do património, ou até fazerem visitas a exposições, se verificassem com maior frequência.

“Cerca de hora e meia por semana para alguns anos lectivos e quase duas horas para outros é muito pouco para tantos conteúdos e por isso não há tempo para fazer mais visitas de estudo, porque penso que é fundamental este conhecimento in loco das primeiras instituições de Macau, quer portuguesas, quer chinesas”, prosseguiu.

A docente, que é uma das mais antigas a leccionar na EPM, ali exercendo funções ininterruptas desde 1993, considera que estas iniciativas também são importantes para a sua própria “valorização pessoal e profissional”.

Deolinda Santos lembra que há uma disciplina de História e Geografia imposta pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). “Aí eu também tenho de abordar estas temáticas, mas é diferente, não é a chegada dos portugueses a Macau, mas sim a globalização, o papel da China no mundo, as primeiras dinastias, que é também um programa interessante”, explica, adiantando que há igualmente saídas dos alunos, uma vez que, neste caso, há maior flexibilidade. “Já fomos, com os alunos mais velhos, do 12º ano, à Casa de Sun Yat Sen, assim como visitámos a exposição da Rota da Seda, no MGM”, recorda.

Como elemento de apoio para essas visitas de estudo, a DSEDJ editou alguns pequenos livros, “muito bons”, nota a professora. “São publicações que nos têm ajudado bastante, sobre a história da China, mas cada vez mais também sobre Macau, o que era pouco acessível quando aqui cheguei”, conclui. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”






sábado, 7 de junho de 2025

Cabo Verde - Descoberta histórica na Cidade Velha trava obras para redescoberta do primeiro hospital do Atlântico

As obras de requalificação urbana da Cidade Velha ligadas à escavações das ruínas onde foi descoberto o “primeiro hospital” do Atlântico vão sofrer interrupções temporárias, adiantou o primeiro-ministro durante visita de acompanhamento ao andamento dos projetos


Ulisses Correia e Silva explicou que a descoberta inesperada que envolve as ruínas que já estão a ser trabalhadas com arqueólogos, na área da Misericórdia, vai obrigar a uma pausa, para que se possa fazer todo o trabalho da reabilitação e da redescoberta e possam integrar esta “valência histórica”.

Segundo o chefe do Governo, o antigo hospital. que servia de posto de atendimento aos viajantes transatlânticos, era desconhecido e estava completamente enterrado até agora, pelo que a sua redescoberta impõe uma nova fase de trabalhos, com prioridade para preservar e estudar o sítio.

Apesar do atraso que esta suspensão acarretará em parte dos projetos, o objetivo final para a Cidade Velha permanece inalterado.

O primeiro-ministro reiterou que a conclusão das distribuições globais está prevista para dois anos, para que a localidade "vibre positivamente com a sua história, a sua cultura e a sua identidade".

Esta nova etapa visa garantir que o vasto e inexplorado património da Cidade Velha seja totalmente revelado e integrado na sua narrativa histórica, enriquecendo a experiência dos futuros visitantes. In “Expresso das Ilhas” com “Inforpress”


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Passeios pela Macau antiga mostram cidade cristã e chinesa

O programa de visitas guiadas a locais do património de Macau vai abordar a cidade dos séculos XVI a XIX. O professor Cândido de Azevedo conduzirá o passeio histórico pelas duas partes do território, a cristã e a chinesa. A iniciativa cabe à Fundação Rui Cunha


A iniciativa “Passeios com História” volta a chamar a atenção para os locais icónicos da Macau Antiga, proporcionando uma abordagem do património diversificado do território. O evento com três sessões é mais uma vez promovido pela Fundação Rui Cunha (FRC).

O programa de visitas guiadas à História e Património da “Cidade de Macau dos séculos XVI a XIX” vai permitir que, ao longo de duras horas e meia, os participantes possam conhecer as memórias, crenças, práticas quotidianas e saberes das gentes desse tempo, das duas partes da cidade: a cristã e a chinesa.

Esta é a quinta edição da iniciativa de índole cultural da FRC, que considera, em texto de divulgação, ter havido sempre “grande aceitação por parte do público”. Desde 2017 que a Área dos Apoios Sócio-Culturais e Filantrópicos da instituição oferece aos interessados um programa gratuito de visitas guiadas.

Ruas, becos, santuários e núcleos museológicos serão objecto desta deslocação às zonas mais emblemáticas da cidade em termos patrimoniais, conduzida pelo professor Cândido de Azevedo, que, entre outros cargos, foi antigo coordenador da área cultural, artística e filantrópica da FRC e ex-docente do então denominado Instituto Politécnico de Macau, além de professor de Língua e História de Portugal na Universidade de Pequim.

Duas sessões vão acontecer no mesmo fim-de-semana, 26 e 27 de Outubro, das 10h00 às 12h30, em língua portuguesa, e a terceira no dia 3 de Novembro, no mesmo horário e conduzida em inglês. Apenas poderão participar maiores de 12 anos.

O ponto de encontro será na Galeria da Fundação, pelas 09h45, estando disponíveis vagas para 20 inscrições, sendo de seis o número mínimo. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Macau - Realidade virtual online chega a mais locais do património

O Teatro D. Pedro V, a Fortaleza do Monte, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung e o Edifício Sede do Instituto para os Assuntos Municipais contam agora com visitas de realidade virtual online, anunciou o Instituto Cultural. Recorde-se que este serviço já estava disponível na Casa do Mandarim e na Fortaleza de Nossa Senhora da Guia


O Instituto Cultural (IC) introduziu a função de visita de realidade virtual (RV) online para quatro sítios do Património Mundial. Os visitantes poderão assim “explorar, sem restrições geográficas, a Fortaleza do Monte, a Sala de Obras Antigas e Raras Chinesas da Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Biblioteca do Senado e o palco do Teatro Dom Pedro V”.

Actualmente, os serviços online de visitas guiadas estão disponíveis em 17 sítios patrimoniais e instalações culturais. Frisando que “trabalha continuamente no sentido de integrar os recursos técnicos associados ao património cultural, incluindo acções para promover a exibição digital do património cultural”, o organismo acrescenta que tem vindo a lançar “cada vez mais serviços online de visitas guiadas de RV para vários sítios do património cultural e instalações culturais, os quais têm sido bem acolhidos por residentes e turistas”.

As visitas de RV destes quatro locais do património mundial já estão oficialmente disponíveis, podendo o público usufruir das funções de exposições virtuais online através da página electrónica do IC. Para além de oferecer os serviços da “Área Panorâmica Interactiva” e das “Apresentações Interactivas” em quatro línguas (cantonense, mandarim, português e inglês), a página contém ainda modelos 3D dos espaços interiores e exteriores, bem como um vídeo filmado a 360º dos diferentes sítios do património mundial, mostrando as características arquitectónicas e funcionais destes locais.

O IC acrescenta que os utilizadores poderão usar os seus próprios óculos de RV para maximizar a experiência sensorial das visitas, “que permitem igualmente visualizações que ultrapassam as restrições temporais e espaciais e a realização de passeios virtuais com vistas de 360º pelo património de Macau sem sair de casa, tendo assim acesso a uma experiência turística remota pelo Património Mundial de Macau, com o uso de técnicas inovadoras”.

No futuro, o organismo refere que irá continuar a desenvolver estudos e mais visitas online para os sítios do Património Mundial, promovendo a integração e o desenvolvimento de recursos e novas tecnologias associadas ao património cultural. O objectivo é reforçar a disseminação dos valores culturais implícitos e disponibilizar ao público múltiplas formas para explorar os recursos do património cultural.

Desde 2021 que o IC oferece este serviço de RV na Fortaleza de Nossa Senhora da Guia e na Casa do Mandarim, também dois locais do Património Mundial. Em ambas, o público pode desfrutar de uma “visita na nuvem” com vistas de 360 graus por estes locais. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 19 de abril de 2023

Macau - Preservação da herança portuguesa na Região é estratégica para a China, diz Helena de Senna Fernandes

A diretora dos Serviços de Turismo de Macau, Helena de Senna Fernandes, considerou que os governos central e regional têm feito por preservar “a singularidade” do local, herança mista de influências chinesas e portuguesas


“É isto que nos distingue e não podemos perder”, afirmou, em entrevista à Lusa, Helena de Senna Fernandes, admitindo que o carácter único de Macau é aquilo que o distingue do resto da China.

E explicou: Pequim deu três objectivos estratégicos a Macau, a aposta no turismo, a ligação do território à lusofonia, mas também transformar a Região Administrativa Especial numa “base de intercâmbio cultural”. “[É] importante aproveitar os nossos laços portugueses, mas também os nossos laços chineses” e “aproveitar desta boa relação entre as duas culturas” elementos que ajudem a “utilizar Macau como um ponto de encontro” cultural.

Apesar do fecho das fronteiras, motivado pela pandemia da covid-19 e o aumento dos turistas chineses, continuam a existir projetos de preservação da herança histórica do território, desde o dialecto local (‘patuá’) à cozinha macaense, mas também há novos “espaços turísticos de inspiração portuguesa” a abrir. “Há muitos chineses que têm muito interesse em Macau porque Macau tem esta mistura de Portugal e China”, explicou Senna Fernandes, que está em Lisboa para uma ação de promoção do território, à margem de uma visita do chefe do Executivo, Ho Iat Seng.

Exemplo disso são os sucessos dos pontos de venda de pastéis de nata, comida portuguesa ou macaense, salientou a diretora do turismo.

Hoje o território vive um equilíbrio, com uma “grande influência em termos de cultura chinesa em Macau”, mas também continua “a ter muita afinidade com as raízes portugueses e macaenses”.

Admitindo que a presença chinesa no território é “muito grande e intensa”, Senna Fernandes considerou que o futuro de Macau passa por “preservar a sua identidade” na China global, algo que “é promovido pelo governo central”.

Promoção de Macau em Lisboa visa regresso aos mercados internacionais

A directora dos Serviços de Turismo afirmou ontem que as acções de promoção a partir desta quarta-feira em Lisboa assinalam a tentativa de regresso do território aos mercados internacionais, um objetivo estratégico do governo.

Helena de Senna Fernandes admitiu que a pandemia da covid-19 alterou o modelo de gestão do território, que se fechou ao exterior e há agora “um caminho a recuperar” na promoção exterior. “Em termos a mercados internacionais, vamos retomar o nosso trabalho, ficamos realmente fechados para o mercado internacional durante algum tempo e tivemos que parar porque foi um passo para proteger para a população” devido à pandemia.  “Temos que recomeçar o que não foi feito em três anos”, disse. Mas “o passo para a frente não vai ser completamente fácil” porque há muita concorrência turística, reconheceu Senna Fernandes.

Antes da pandemia, o peso do mercado internacional valia entre 9% a 10% do turismo em Macau, um cenário que mudou drasticamente, reconheceu, admitindo que hoje “são muitos poucos os estrangeiros” no território. “Em Março, foram só 2000 pessoas internacionais a entrar por dia”, explicou a directora, considerando que esta preocupação com os turistas estrangeiros é transversal a todo o governo.

Exemplo disso são algumas das medidas dos novos contratos de concessão de jogo para as operadoras dos casinos, que passaram a estar obrigadas a investir nos mercados e na promoção internacional, criando novos produtos e novos canais de captação de turistas. “Daqui para a frente a eu julgo que vocês vão ver muito mais trabalho junto dos mercados internacionais, o turismo internacional é diferente do turismo interno, com um consumo mais diversificado”, afirmou.

A acção de promoção de Macau em Lisboa aproveita a presença em Portugal do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, para tentar “ter mais atenção” da opinião pública portuguesa. “Estamos a aproveitar a visita do Chefe do Executivo para também ter um foco maior em Macau”. Por outro lado, “todo mundo parece que hoje em dia vem para Portugal” e uma ação em Lisboa é uma “promoção para o mundo”.

Além disso, a Praça do Comércio é “um espaço multicultural” com milhares de estrangeiros e os stands de Macau e o ‘videomapping’ no Terreiro do Paço terão um “impacto muito grande junto de vários mercados”, além do português, considerou Helena de Senna Fernandes. “Não vamos ter de Portugal grandes números de visitantes, mas Portugal é importante para já, para trabalhar na Europa e, por outro lado, eu acho que Portugal também é uma porta para os mercados de língua portuguesa”, procurando promover Macau como “centro de mundial de turismo e lazer”.

O facto de Macau ser património mundial ou a classificação do território como “cidade criativa de gastronomia da UNESCO” são elementos que acabam por atrair novos mercados também na região. “Estamos a ver muitos turistas já asiáticos a querer também provar a comida única de Macau”, explicou, acrescentando que o território tem novos espaços de concertos, parques aquáticos e mais locais para eventos.

Durante a pandemia, a maior parte dos escritórios turísticos de Macau fechou, mas Senna Fernandes admitiu que o cenário mudou. “Neste momento estamos a equacionar para cada mercado o que fazer. O mundo mudou muito, se calhar não é tão importante uma presença [mas sim] trabalhar diretamente com o consumidor”, usando as novas tecnologias.

Nova geração de turistas chineses que liga menos ao jogo

A diretora dos Serviços de Turismo de Macau referiu também que o território tem de se preparar para uma nova geração de turistas chineses que procura uma oferta ligada a experiências, redes sociais e eventos. Helena de Senna Fernandes afirmou que estão identificados dois perfis de turistas chineses no território, com hábitos de consumo muito diferenciados, uns mais tradicionais que olham para Macau como um espaço de jogo, e a geração mais nova com um olhar mais contemporâneo.

“Neste momento temos dois grupos, os que chegam em grupo de excursão, e aqueles que vêm individualmente, os ‘independent visitors’”, afirmou. A maior parte dos que chegam em excursões tem mais de 55 anos e os que viajam de modo individual têm menos de 35 anos.

Este grupo mais novo “gosta muito de ir para além dos casinos e, se calhar, nem visita os casinos ou vai apenas por curiosidade”, preferindo aproveitar Macau como um espaço turístico mais completo.

Exemplo disso são as filas junto a pontos tradicionais de turismo de Macau que nada têm a ver com o jogo, explicou Senna Fernandes, salientando que a visibilidade nas redes sociais é um fator decisivo para o sucesso de alguns produtos. “Há muitas lojas pequenas que, porque têm presença nas redes sociais, têm muita gente que vai lá”, exemplificou.

No entender da directora do turismo, “o jogo vai continuar a ser importante”, mas o governo está a “investir muito mais” em produtos complementares e “é obrigação também dos concessionários que invistam muito mais em não-jogo”, eventos, exposições, convenções, espetáculos culturais, gastronomia ou atividades balneares

No quadro das concessões de jogo recentemente atribuídas cada um dos operadores já prometeu ao Governo que vai investir na promoção do turismo fora do jogo. “A proporção de investimento é quase, salvo erro, de nove vezes para um. Quer dizer, eles vão investir nove vezes mais no não jogo comparando com o seu investimento na área do jogo”, explicou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 31 de março de 2023

Cabo Verde - Recuperado mais um canhão de forte secular no ilhéu da Boa Vista

A reabilitação em curso no secular Forte Duque de Bragança, construído num ilhéu para proteger a ilha cabo-verdiana da Boa Vista dos piratas, vai envolver a conservação dos sete canhões, um dos quais agora recuperado de uma colecção privada.


De acordo com informação divulgada pelo Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, responsável pela obra de reabilitação e musealização do Forte com mais de 200 anos, do período colonial português, o restauro dos canhões vai decorrer até 06 de Abril, através de profissionais de conservação da instituição que se encontram no ilhéu.

“De referir que um destes canhões foi restituído no quadro desta missão, já que tinha sido apropriado há vários anos por um particular”, acrescentou a mesma fonte.

O Forte, construído durante o período colonial português, em 1820, no ilhéu na baía do porto da vila de Sal Rei, tinha a função de defesa do ancoradouro contra os então frequentes ataques de piratas à ilha da Boa Vista.

A um quilómetro da ilha da Boa Vista e da cidade de Sal Rei, sobreviveram até aos dias de hoje apenas os canhões e algumas muralhas, que ainda recordam as guerras do passado e a protecção da exportação de sal, pastel, algodão, gado, cal e cerâmica na altura.

A reabilitação em curso no Forte desde 2022 vai permitir a instalação de um centro interpretativo daquela área, conforme anunciou anteriormente o ministro da Cultura.

“Quando reconstruímos lugares como estes estamos a reconstruir parte da nossa própria história”, disse o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, durante uma recente visita à Boa Vista.

“Apresenta-se também, a partir deste Forte, o berço da ecologia de uma reserva natural da marinha a todo o mundo a partir de um património que serve como alavanca para a construção para contar a história da Boa Vista. Teremos, ainda, uma espécie de centro interpretativo para contar a história do ilhéu, da infra-estrutura, e uma plataforma que se ligará ao Centro Interpretativo do Museu da Arqueologia Subaquática, com uma sala dedicada ao ilhéu”, acrescentou.

Trata-se de uma obra avaliada em 4,2 milhões de escudos cabo verdeanos (38 mil euros), co-financiada pela Direcção Nacional do Ambiente através do programa da Bio-Tur e com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O Forte já foi anteriormente alvo de trabalhos de prospecção arqueológica e neste momento as obras têm como foco a consolidação dos restos arquitectónicos, em sítios onde se revelem necessários, para que possa impedir a contínua degradação, aliás visível neste momento.

Após a conclusão da reabilitação, o objectivo do Governo cabo-verdiano é integrar o monumento na rota do turismo local, sendo esta a segunda ilha mais procurada pelos visitantes do arquipélago.

Segundo o IPC, o projecto, além de permitir reabilitar um Forte histórico para o arquipélago, vai ainda gerar indirectamente uma nova fonte de rendimento para os pescadores locais, que garantem o transporte entre a ilha do Sal, onde prospera o turismo internacional e o ilhéu da Boa Vista. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau com “Lusa”


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Macau - Património, língua e economia são preocupações do novo cônsul-geral de Portugal

Numa apresentação à comunicação social portuguesa e inglesa, Alexandre Leitão reiterou ainda que uma das prioridades incontornáveis passa por assegurar a resposta dos serviços consulares. O diplomata deseja ainda que “um maior número de portugueses possam vir aproveitar e enriquecer” em Macau, uma vez que “isto é uma estrada com dois sentidos”. Também na mesma conversa, o director do IPOR, Joaquim Coelho Ramos, admitiu aos jornalistas ainda não saber quem o irá substituir, e quando, à frente da entidade


O novo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong continua a apalpar terreno. Depois do encontro com o Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na RAEM, Liu Xianfa, uma recepção da Câmara de Comércio Europeia em Macau, onde foi nomeado copresidente honorário, uma visita à Escola Portuguesa de Macau (EPM) e de uma audiência com o Chefe de Executivo de Macau, Ho Iat Seng, foi a vez de Alexandre Leitão dar-se a conhecer e ouvir as opiniões de jornalistas portugueses.

Depois de se apresentar, bem como apresentar o novo delegado da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e, igualmente, vice-cônsul para Assuntos Comerciais e Investimento, Bernardo Almeida Pinho, Alexandre Leitão fez questão de reiterar perante os profissionais de comunicação social algumas das prioridades estabelecidas pelo Governo português para o desempenho no novo cargo.

Aos presentes, o diplomata assumiu objectivos que passam pela “valorização do património cultural português e do papel da língua portuguesa, bem como pelo aproveitamento das oportunidades económicas regionais num mercado tão alargado como é o chinês, com destaque para a Grande Baía”. Aliás, o novo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong considera mesmo que a Grande Baía é um mercado aliciante para os empresários portugueses, apesar de admitir que não é fácil entrar sem uma boa estrutura de suporte.

Alexandre Leitão referiu ainda aos jornalistas que uma das prioridades incontornáveis da missão em Macau “passa por assegurar a resposta dos serviços consulares, sobretudo num período em que em Macau e em Hong Kong se verificou uma explosão de procura”, após três anos de fortes restrições fronteiriças nestes dois territórios.

O diplomata comentou ainda a debandada de portugueses de Macau nos últimos anos. “Desde logo houve aqui o factor muito especial que foi a Covid-19. Penso que ainda estamos numa fase em que ainda é um pouco difícil discernir o que se se deve a uma alteração de vida durante um período particularmente difícil para todos nós ou se foi outra alteração de vida. Não sabemos se a retoma a uma normalidade será reflexo da retoma a um fluxo que é desejável (…) Portugal tem, hoje, gente muito bem preparada para exercer qualquer tipo de função em qualquer parte do mundo”, referiu, desejando que “um maior número de portugueses possam vir aproveitar e enriquecer” em Macau, uma vez que “isto é uma estrada com dois sentidos”.

Na apresentação, para além do chanceler Manuel Ricardo da Silva, esteve igualmente Joaquim Coelho Ramos. O ainda director do Instituto Português do Oriente e também vice-cônsul para Educação e Cultura está de passagem pelo território, mas ainda não sabe quem e quando irá surgir um nome que o suceda nas funções. Aos jornalistas, o responsável admitiu que o processo conheceu algumas dificuldades devido às restrições pandémicas da Covid-19 e, até ver, mesmo trabalhando à distância em Portugal, continuará a ser o director da entidade. “Há outras prioridades para o Governo português neste momento. Foi a Covid-19 primeiro, depois o conflito na Ucrânia, enfim, terei de aguardar pelo fim do processo” que, lamentou, pode arrastar-se por mais algum tempo, apesar de ter esperança que em Março possam surgir novidade quanto ao sucessor. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Portugal - Arte participativa junta Gulbenkian e D. Maria II



No próximo ano, o Teatro Municipal D. Maria II vai estar em “Odisseia Nacional” com o programa Atos, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, para apoiar a criação artística com comunidades de todo o país

Organizado em três grandes eixos temáticos – Pessoas, Paisagem e Património –, o programa Atos viabiliza 43 projetos de arte participativa, distribuídos por 43 concelhos e dinamizados por 16 estruturas artísticas, que pretendem valorizar o tecido cultural nacional e promover as práticas cívicas das comunidades que ali residem, através de projetos artísticos e reflexivos.

Com esta parceria, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Teatro D. Maria II procuram apoiar a criação artística local e convocar populações, estruturas artísticas e instituições de todo o território nacional para criar projetos que partam dos lugares, os ativem e os coloquem em relação entre si e com o pensamento contemporâneo. A iniciativa passará por terras e cidades de norte a sul do país, inclusive na Madeira e nos Açores.

Os projetos focados na valorização das pessoas terão como objetivo promover novas práticas comunitárias para a resolução de problemas, como a inclusão de minorias étnicas, o combate a estereótipos, a promoção da igualdade de género, o combate ao isolamento dos idosos e a integração de imigrantes.

No eixo Paisagem, as estruturas apoiadas vão desenvolver iniciativas que visam um maior conhecimento da paisagem e dos ecossistemas locais, a consciência para os desafios da sua manutenção e a promoção de hábitos mais sustentáveis.

Já os projetos do âmbito do terceiro eixo partem do Património, tanto edificado como imaterial, para a recolha e partilha de lendas, tradições e memórias dos lugares como fontes de criação artística e valorização local.

Todos os projetos terão momentos de visibilidade pública, em formatos tão distintos como espetáculos, percursos, instalações artísticas, assembleias, residências ou convívios. Os primeiros espetáculos serão apresentados já no final de janeiro (28 e 29), pela Ondamarela, em Vila Real, e a Amarelo Silvestre, em Lamego.

Esta iniciativa inscreve-se na programação do Teatro D. Maria II prevista para o ano em que o edifício estará encerrado para obras de requalificação, denominada “Odisseia Nacional”, e está em linha com o papel de liderança que a Fundação tem desempenhado na promoção do papel cívico das artes, em Portugal e no Reino Unido. Neste âmbito, destaca-se a iniciativa PARTIS & Art for Change, concurso anual de apoio a projetos de arte participativa, e o Award for Civic Arts Organizations, que reconhece as melhores práticas nesta área, no Reino Unido. Mais informações aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Lusofonia - Património do século XX está ameaçado, avisa presidente dos arquitetos lusófonos

O presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP), Rui Leão, alertou que o património construído no século XX nos países lusófonos “está em grande risco de vir a desaparecer em massa.

“Em Portugal menos, mas nos outros países – incluindo em Macau – o património está muito mal protegido, porque não existe enquadramento suficiente, estudo contínuo e força política também”, disse à Lusa o arquiteto radicado em Macau.

“Já tem desaparecido património muito bom” em Angola, lamentou o presidente do CIALP, e também em Moçambique e Cabo Verde há a “tentação” de demolir edifícios do século XX “porque dá jeito em termos políticos ter mais dois ou três andares”.

Rui Leão lembrou ainda o caso do Palácio Gustavo Capanema, “das peças mais essenciais do património do século XX brasileiro”, que foi colocado pelo governo numa lista de imóveis a serem leiloados.

Em fevereiro, um tribunal do Rio de Janeiro deu razão ao Ministério Público Federal e proibiu o governo de aceitar qualquer proposta de compra do palácio, “o que poderia levar a alterações indesejadas”.

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai discutir na primeira semana de maio uma proposta do CIALP para estabelecer uma listagem de “património notável” do século 20, revelou Rui Leão.

Há dois anos que um grupo de trabalho do CIALP tem vindo a discutir os critérios para cada país, disse o arquiteto.

Apesar da listagem não ter um caráter vinculativo, se for adotada pela CPLP, “vai-nos permitir trabalhar mais a fundo, aí já com equipa de pesquisa e universidades associadas”, acrescentou Rui Leão.

O presidente do CIALP diz ter esperança de que a Comissão do Património Cultural da CPLP, criada em 2017, possa ser um “interlocutor” na proteção do património arquitetónico lusófono.

O património do século 20 será o tema de uma das duas mesas redondas que o CIALP vai coorganizar em Luanda, entre 3 e 5 de maio, no âmbito da terceira edição da Capital da Cultura da CPLP.

A iniciativa, que irá celebrar o dia mundial da língua portuguesa, 5 de maio, vai decorrer na capital de Angola, que exerce atualmente a presidência rotativa da CPLP.

O CIALP tem como membros as ordens ou organismos profissionais de arquitetos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização não-governamental representa “mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, disse à Lusa em julho Rui Leão.

O CIALP, fundado em 1991, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, é parceiro institucional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e observador consultivo da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Macau - Pandemia não travou restauro do património

O chefe da Divisão de Estudos e Projectos do Instituto Cultural assegurou que, apesar da pandemia, o restauro e manutenção do património cultural não sofreram atrasos. O organismo vai ouvir opiniões dos especialistas do exterior através de reuniões online sobre a segurança e o estado do património local


Apesar da situação pandémica impedir, de certo modo, a vinda de especialistas do património cultural para participar neste trabalho em Macau, os trabalhos de restauro e manutenção não sofreram atrasos, garantiu o chefe da Divisão de Estudos e Projectos do Departamento do Património Cultural. Com vista a garantir a segurança e o bom estado do património, o Instituto Cultural (IC) vai auscultar opiniões dos peritos através de reuniões online, revelou Sou Kin Meng, citado pelo “Ou Mun Tin Toi”.

Notando que está em andamento a construção de hardware para o Centro de Monitorização do Património Mundial, que entrará em funcionamento no final do próximo ano, o chefe da divisão referiu que as técnicas que serão utilizadas nesse projecto vão articular-se com os meios tecnológicos adoptados na China Continental em relação à preservação do património mundial. Isto é, através da tecnologia em nuvem, o Centro irá monitorizar as estruturas dos pontos turísticos patrimoniais de Macau, a manutenção da aparência e até o fluxo de pessoas.

Sou Kin Meng indicou ainda que está basicamente concluído o restauro das casas da Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó que serão abertas ao público ainda no final deste ano. Recorde-se que, com duas casas da vila já em funcionamento, o antigo centro de actividades e outro imóvel vão ser transformados num pavilhão de exposição para apresentar a história e os cenários de vida dos pacientes com lepra que no passado viveram naquela zona de Coloane.

Além disso, Sou Kin Meng recordou que estão ainda em andamento os projectos de revitalização do Pátio da Eterna Felicidade e da antiga Fábrica de Panchões Iec Long. Rima Cui – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Macau - Teatro D. Pedro V reflecte “equilíbrio” entre defesa e reutilização do património

O modelo de gestão do Teatro D. Pedro V comprova que é possível atingir uma relação de “equilíbrio” entre a protecção e reutilização do Património, defendeu o Instituto Cultural ao Jornal Tribuna de Macau. Desde 2019, o Teatro acolheu quase 500 actividades e tem atraído uma média anual de 80 mil visitantes. O líder do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia concorda com a análise do IC e, inclusive, defende que a solução adoptada no histórico do Teatro deveria ser aplicada noutros edifícios classificados


O actual modelo de gestão do Teatro D. Pedro V “já alcançou o objectivo da promoção do património” e atingiu um ponto de “equilíbrio entre preservação e a reutilização”, sublinhou o Instituto Cultural (IC) numa resposta ao Jornal Tribuna de Macau.

Construído em 1860, o Teatro D. Pedro V é “um dos mais importantes edifícios” incluídos no Centro Histórico de Macau, classificado pela UNESCO como Património Mundial em 2005, salientou o IC, recordando que foi o primeiro teatro de estilo ocidental na China, acolhendo inúmeros espectáculos de ópera, música e dança, além de outros eventos públicos e celebrações.

Estando em causa um edifício que, por um lado, está classificado como Património Mundial e, por outro, é um espaço de eleição para actividades culturais, “é preciso encontrar um equilíbrio entre a sua protecção e reutilização”, reforçou o organismo, sustentando que o sucesso dessa meta está espelhado, desde logo, no facto do histórico Teatro ter vindo a registar uma média de 80 mil visitantes por ano.

Na mesma resposta à Tribuna de Macau, o Instituto Cultural revelou também que o Teatro D. Pedro V serviu de palco a 198 actividades durante o ano de 2019 e 153 eventos organizados em 2020. Entre Janeiro e Julho deste ano, acolheu já 132 actividades.

A Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V tem emprestado a maior parte do espaço ao Instituto Cultural, que assumiu a responsabilidade da manutenção do edifício. Desta forma, os proprietários não ficam sobrecarregados com os custos e o IC pode coordenar melhor a utilização dos espaços culturais no território.

Para o presidente da Associação de Promoção do Desenvolvimento de Distritos, responsável pelo Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, o modelo aplicado no Teatro D. Pedro V “merece ser promovido” como exemplo para a gestão de outros edifícios classificados como património na RAEM. “Este modelo de gestão do património cultural ainda é muito raro, mas é bastante necessário”, considerou Chan Tak Seng.

Na perspectiva do líder do Grupo para a Salvaguarda do Farol da Guia, a protecção e manutenção dos imóveis do património cultural requerem dois factores cruciais: dinheiro e técnicas de preservação. “Ambos os elementos são necessários para garantir os trabalhos de manutenção. De uma forma geral, normalmente, os proprietários individuais de edifícios do património não são capazes de suportar custos elevados nem possuem técnicas de preservação”, frisou.

Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, Chan Tak Seng expressou concordância com a análise do IC sobre o aproveitamento do Teatro D. Pedro V, referindo que a cooperação com o Governo é mais comum nos países ocidentais. “Os governos também podem ajudar a preservar o património imaterial. Por exemplo, Singapura ajudou a manter um tipo de gastronomia, que enfrentava um elevado risco de extinção”, apontou.

Na sua opinião, depois de ter sido uma referência para a organização de actividades recreativas da comunidade portuguesa de outrora, o Teatro D. Pedro V oferece ainda hoje um palco excepcional para eventos artísticos e culturais, afirmando-se como uma das mais antigas testemunhas do desenvolvimento das artes performativas em Macau.

Chan Tak Seng realçou também que os edifícios classificados como Património Mundial converteram-se em bens de todos os seres humanos, o que acarreta uma responsabilidade acrescida. “Hoje em dia, é muito importante promover a salvaguarda do património, porque se o deixarmos desaparecer a sociedade sofrerá uma perda cultural”, rematou. Catarina Pereira e Viviana Chan – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 12 de março de 2021

Macau - Centro de monitorização deve proteger mais edifícios e difundir conhecimento

Está concluída a elaboração da proposta de criação do Centro de Monitorização do Património, adiantou o Instituto Cultural ao Jornal Tribuna de Macau. Os arquitectos Nuno Soares e Francisco Vizeu Pinheiro apontam que o Centro deve ter em conta questões como o aumento da lista de património local, bem como a disseminação de informação sobre os edifícios e a sua história


Numa altura em que a preservação do património cultural está cada vez mais na ordem do dia no território, o Instituto Cultural (IC) revelou ao Jornal Tribuna de Macau que já concluiu a elaboração da proposta de criação do Centro de Monitorização do Património Mundial e “irá concretizar os respectivos trabalhos previstos”. A data de conclusão do projecto mantém-se – deverá estar pronto em 2022.

O arquitecto Nuno Soares defende que um dos papéis mais importantes deste Centro será ter uma monitorização do património “mais consistente” e fazer um desenvolvimento de investigação sobre cada um dos edifícios que fazem parte do património local, mas também dos que são classificados pela UNESCO.

“É muito urgente, relativamente aos edifícios que estão preservados pela UNESCO, aumentar o conhecimento sobre eles. Melhor ou pior, os edifícios foram preservados, mas não se expandiu o conhecimento sobre eles, por exemplo, sobre os materiais construtivos, sobre a própria história de cada um. Temos informações que são muito assimétricas sobre vários edifícios: há uns que se conhecem bem e outros que se conhecem pouco”, apontou.

Além disso, Nuno Soares defende que devia haver um acesso mais fácil a informação, uma vez que actualmente “há muito poucas bases”. “Neste momento, temos o IC que é a instituição que tem o Arquivo Histórico, mas seria muito importante que pudéssemos ter acesso mais facilitado e generoso a informação sobre o património de Macau. Se se está a criar um centro, era muito importante que contribuísse para produzir mais conhecimento sobre a história dos edifícios classificados e daqueles que poderão vir a sê-lo”, afirmou em declarações a este jornal.

O arquitecto observou que só há informação sobre os edifícios classificados, mas é também importante conhecer os restantes. “É muito importante mudar esta cultura em Macau – há muito mais património para além da lista (…) Acho que seria muito importante que o centro conseguisse ter uma atitude mais transparente e generosa do ponto de vista de distribuição de conhecimento e de o colocar à disposição de investigadores e população em geral”.

Neste contexto, Nuno Soares apontou também que a lista de património local é “muito curta e muito pouco representativa”, pelo que é “muito urgente” expandi-la. 

No mesmo sentido, Francisco Vizeu Pinheiro afirmou que “desde a transferência da RAEM nota-se que há uma preocupação maior e divulgação do património, mas o património é sempre o mesmo”, pelo que este Centro deveria também ter em conta essa questão. “Falta acrescentar mais [edifícios à lista de património]. Às vezes tem havido consultas, mas são todos templos ou edifícios pequenos que são do Governo, portanto, não há, digamos, uma colheita de edifícios que estão realmente em risco. Deveria ser maior o número de edifícios a proteger”, sublinhou.

Vizeu Pinheiro alertou ainda que, com o passar do tempo, os edifícios vão decaindo, dando como exemplo aqueles que se encontram na zona do Porto Interior, que “são de interesse patrimonial e não estão protegidos”.

Questionados sobre se o Centro poderá de alguma forma ajudar nas polémicas sobre as construções em altura, ambos os arquitectos explicaram que para que tal aconteça é necessário haver alterações ao nível das leis. “Pode ser um instrumento que ajude um bocado a consciencializar as pessoas ou os outros departamentos do Governo. Uma vez que as Obras Públicas é que têm o poder de aprovação de edifícios, será um poder limitado”, disse Vizeu Pinheiro.

Já Nuno Soares apontou que o IC já tem um departamento que tem atribuições muito claras de estudar o património, preservar e fazer pareceres sobre as novas construções. Mas, acrescentou: “Provavelmente o centro vai ser criado para tornar mais efectiva algumas das atribuições que o IC tem neste momento e que não tem conseguido, com a sua orgânica normal, dar resposta”.

Por outro lado, Francisco Vizeu Pinheiro considera que devia haver mais consultas públicas nos planos de intervenção do IC. “Penso que há muito trabalho a ser feito em termos de património. Tem sido feita muita coisa, mas realmente ainda se pode fazer mais. Penso que a consulta pública é importante e também maior participação do público, porque o património é do povo”, prosseguiu.

Questionado sobre o montante global que será gasto com o projecto, o IC disse que como as obras de construção ainda estão em preparação, não é possível confirmar o custo específico por enquanto. O organismo não avançou uma data para dar início à concepção.

Através deste Centro, como já tinha dito o organismo a este jornal, serão recolhidos dados sobre o “ambiente, catástrofes naturais, fluxo de turistas”, mas também sobre os “projectos de construções nas imediações”, entre outros factores ligados ao Património Mundial. Para isto, serão instalados “equipamentos e sistemas avançados”. O IC acredita que, com este novo serviço, será possível “alertar de forma eficaz e tratar oportunamente as situações de segurança das construções do património cultural”.

O organismo adiantou que o Centro ficará nas instalações do Departamento do Património Cultural, “a fim de integrar de forma eficaz os recursos de protecção do património cultural”.

Como o IC já tinha dito a este jornal, está afastada a hipótese de contratação de novos funcionários pelo que o futuro Centro será apetrechado com pessoal que, actualmente, já fiscaliza as construções em zonas do património cultural.

Plano de Salvaguarda sem evolução

Sobre o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, o IC voltou a garantir que antes que o mesmo seja promulgado e implementado, será apresentado ao Centro do Património Mundial, de acordo com a resolução do Comité do Património Mundial em 2019.

Desde Dezembro que o organismo do Governo diz que o regulamento administrativo está concluído e que estão a ser promovidos “activamente” os respectivos trabalhos sobre a legislação. No entanto, não aponta nenhuma data para entregar o plano à UNESCO, que aguarda a sua submissão desde 2014. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”