Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Portugal - Abertas candidaturas ao programa de bolsas “Lusofonia+” da Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro

Estão abertas as candidaturas ao programa de bolsas “Lusofonia +”, uma iniciativa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para promover mais oportunidades de educação e de formação aos estudantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O período de candidaturas às 50 bolsas disponíveis está a decorrer até ao dia 15 de setembro.

“Como destino universitário cada vez mais global, multicultural e inclusivo, a UTAD assume este compromisso com a cooperação internacional e com a promoção da Língua Portuguesa no mundo. Em conjunto com algumas empresas, queremos elevar as qualificações destes estudantes para que, no futuro, possam ser agentes de mudança e contribuir para o pleno desenvolvimento dos seus países de origem”, afirma o reitor Emídio Gomes.

O programa “Lusofonia +” destina-se a alunos oriundos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que já se encontram a frequentar um curso de licenciatura ou de mestrado na UTAD, que tenham mérito no seu aproveitamento acadêmico e motivação para prosseguir os estudos. No ano letivo 2024-25, serão financiadas as propinas a 20 estudantes de licenciatura e a 30 de mestrado. As candidaturas devem ser submetidas online até dia 15 de setembro, sendo os resultados divulgados a 19.

Com as bolsas de estudo “Lusofonia +”, a UTAD quer ainda reduzir o abandono escolar, potenciar o sucesso académico e promover a integração social dos estudantes lusófonos na comunidade acadêmica e na sociedade portuguesa.

“A lusofonia é um dos principais vetores da estratégia de internacionalização da UTAD. Ao longo dos últimos anos, temos vindo a estreitar os laços de cooperação académica e científica e as parcerias estratégicas com um número crescente de universidades e instituições dos países da CPLP, porque estamos empenhados em construir pontes para uma lusofonia plena”, conclui o reitor.

Promovido pela UTAD, o programa “Lusofonia +” conta com o envolvimento de empresas que, em regime de mecenato, apoiam a formação e a qualificação de estudantes da lusofonia em diversas áreas-chave, da educação às engenharias, da saúde e bem-estar à economia e gestão, informa a instituição.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro é uma universidade pública localizada na cidade de Vila Real, norte de Portugal. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Portugal - Descoberto fóssil raro de planta primitiva extinta na região do Bussaco

Pedro Correia, especialista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu um fóssil de uma planta primitiva que existiu na região do Bussaco há cerca de 300 milhões de anos. O investigador do Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) encontrou um estróbilo fóssil de um novo género e nova espécie de planta articulada extinta - Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida).


A descoberta está descrita no artigo científico “The evolutionary macromorphological novelties of Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida) from the Upper Pennsylvanian of Portugal” publicado no jornal internacional Historical Biology.

Este estudo, liderado por Pedro Correia e realizado em colaboração com Artur Sá, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), permite saber como estas plantas primitivas evoluíram e se adaptaram em ambientes tropicais em mudança durante o final de uma glaciação, no fim do Período Carbonífero, há 300 milhões de anos.

As Sphenophyllales são uma ordem extinta de plantas terrestres articuladas e um grupo irmão das atuais cavalinhas da ordem Equisetales. Estas plantas primitivas eram relativamente pequenas (inferiores a um metro de altura) e produtoras de esporos que existiram durante o Devónico até ao Triássico. A classificação das esfenofilídeas baseia-se principalmente nos seus órgãos vegetativos e reprodutivos (caules, folhas e estróbilos).

«É uma descoberta espetacular, porque este tipo de frutificações de Sphenophyllales são raras no registo fóssil, o qual é muito fragmentado e pouco se conhece sobre a sua verdadeira diversidade taxonómica», revela Pedro Correia, especialista em paleobotânica.

«Os seus esporangióforos secundários e esporângios estão notavelmente bem preservados na matriz rochosa em diferentes ângulos, o que nos permitiu descrever um conjunto de caracteres diagnósticos essenciais para uma comparação próxima com outros estróbilos do mesmo grupo», esclarece o investigador, acrescentando que esta é uma descoberta cientificamente muito relevante que se vem juntar à de uma nova espécie de barata primitiva e outra nova espécie de gimnospérmica, encontradas no mesmo afloramento e recentemente publicadas.

«Estas novas descobertas científicas revelam o quanto ainda há para conhecer acerca das dinâmicas da evolução da biodiversidade no Carbonífero terminal, período desafiante da história da vida na Terra. O afloramento onde estes fósseis foram recolhidos constitui um novo Sítio de Interesse Geológico em Portugal, sendo que a relevância dos achados paleontológicos recentes lhe confere um valor científico internacional», afirma Artur Sá, coautor do artigo.

As floras do Carbonífero do Bussaco viveram em condições ambientais e climáticas confinadas a uma região intramontanhosa, na qual sistemas fluviais funcionaram como mecanismos de transporte de muitos restos vegetais e de sedimentos erodidos de rochas circundantes. A combinação de um ambiente intramontanhoso e clima restritivos favoreceu um endemismo local, razão pela qual os cientistas têm descoberto fósseis de várias novas espécies de flora e fauna com características endémicas neste tipo de ambientes.

«Estes géneros de ocorrências demonstram por que o registo fóssil terreste necessita de verdadeira criatividade e compreensão da ecologia, bem como da geologia, para ser interpretado», conclui o investigador Pedro Correia.

A nova espécie é dedicada a Zélia Pereira, especialista em Palinologia, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Universidade de Coimbra - Portugal


 

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Brasil - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro estuda impacto nos recursos hídricos de rompimento da barragem em Brumadinho

Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estudam o impacto nos recursos hídricos do rompimento da barragem, há cinco anos, em Brumadinho, Minas Gerais, e estimam a reposição do abastecimento para consumo em “dois a três anos”.


A UTAD, em Vila Real, Portugal, foi chamada para estudar o impacto que a rotura de uma barragem de um complexo mineiro, teve nos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, a possibilidade de recuperação para parâmetros idênticos à situação antes do desastre que aconteceu a 25 de janeiro de 2019, bem como a reposição do consumo humano através do rio Paraopeba.

“Doze milhões de metros cúbicos de lama rica em ferro e manganês invadiram uma série de linhas e margens impactando os ecossistemas”, contou à agência Lusa Luís Filipe Fernandes, investigador do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD e um dos coordenadores do projeto que decorre há três anos.

Em consequência do desastre, 270 pessoas morreram em Brumadinho e o município ficou parcialmente destruído por um mar de lama e resíduos.

A barragem do complexo mineiro da empresa Vale estava localizada no ribeirão Ferro-Carvão, um afluente do Paraopeba, rio que abastecia 30% da área metropolitana de Belo Horizonte. O abastecimento foi suspenso afetando três milhões de pessoas.

Em consequência do desastre, a empresa mineira assinou um termo de compromisso para indemnizações pelos danos causados que rondou os sete mil milhões de euros só para a parte ambiental e recuperação do rio.

Luís Filipe Fernandes referiu que foi aqui que, por intermédio da secretária de Estado do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais e do Ministério Público local, entrou a UTAD, instituição que há mais de uma década desenvolve investigação em colaboração com universidades brasileiras.

Fernando Pacheco, investigador do Centro de Química da UTAD, explicou que, na área atingida, foram instaladas 40 estações de monitorização que mediram regularmente cerca de 70 parâmetros, entre os quais os metais pesados.

“O impacto em termos de água foi muito grande”, realçou o também coordenador do projeto, referindo que esse impacto tem vindo a ser atenuado, quer de forma natural quer através da remoção, por parte da empresa, dos rejeitos (resíduos sólidos resultantes dos processos de beneficiamento a que são submetidas as substâncias minerais) para o local da mina.

O docente disse tratar-se de um rio, já antes do desastre, muito afetado pela atividade mineira e industrial.

Adiantou ainda que a remoção dos rejeitos, que está a ser feita pela empresa através de máquinas e dragagens, “está a mitigar o problema”.

A investigação estima que as dragagens contribuam em cerca de 30% para “atenuar das concentrações” de metais a níveis antes da rutura, resultando os restantes 70% de “uma lavagem natural”.

“Temos pressionado através dos nossos artigos para que as dragagens sejam mais aceleradas porque, para nós, é de facto o elemento mais importante para o restabelecimento”, afirmou Fernando Pacheco.

As previsões iniciais apontavam para uma normalização da situação no rio Paraopeba em “sete a 11 anos”.

Com a recolha de dados e modelações feitas, entretanto, Fernando Pacheco acredita que pode acontecer “em menos tempo” do que inicialmente previsto.

O investigador estima que a qualidade da água fique idêntica ao que estava antes em “dois a três anos”, reforçando que o rio já apresentava não-conformidades.

Segundo os especialistas, na estação do ano mais seca no Brasil até já poderia ser reposto o abastecimento para consumo humano, com o devido tratamento, mas ainda não na época mais chuvosa.

Relativamente às águas subterrâneas, concluíram que não se pode atribuir ao rompimento “um papel especial” e que, apesar de não ser o foco do trabalho, os estudos apontam para que o excesso de ferro nas margens do rio possa ainda estar a degradar a mata ripária.

Fernando Pacheco disse que este terá sido um dos acidentes com uma barragem de rejeitos “mais documentado a nível mundial”.

Segundo Luís Filipe Fernandes, a equipa terá cerca de 30 artigos científicos publicados no âmbito do projeto Entire – análise dos impactos de rejeitos em rompimentos de barragens para um ambiente aquático restaurado. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Portugal - Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro junta-se à Aliança Internacional para os Carvalhos

A Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro (UTAD) é a única universidade portuguesa a integrar a Aliança Internacional para os Carvalhos, um projeto a partir da California Wildlife Foundation dedicado à conservação e perpetuação dos bosques de carvalhos nativos da Califórnia. Vão ser desenvolvidas atividades de investigação, de desenvolvimento e de divulgação acerca dos ecossistemas de carvalhos.


“No California Oaks, vamos trabalhar várias questões relacionadas com os carvalhos, nomeadamente o seu contributo crítico em aspetos como o habitat da vida selvagem, a proteção, a conservação da água, o papel privilegiado no armazenamento de carbono, a saúde e a qualidade de vida das comunidades humanas”, explica o docente da UTAD, João Paulo Carvalho.

A UTAD tem sido pioneira nos estudos sobre o ecossistema carvalhal e os carvalhos. Desde 1990, que têm sido desenvolvidos diversos projetos com várias instituições e organizações, nacionais e internacionais. “Destaca-se a colaboração com Espanha (através da Consejeria de Medio Ambiente da Província de Castilla-León) em matérias relacionadas com as utilizações e as formas de gestão destes ecossistemas e, mais recentemente, com instituições públicas do sector florestal e ambiental em França, República Checa e Eslovénia, em aspetos relacionados com a promoção de elementos de conservação biológica em florestas de carvalho e sua relação com usos multifuncionais”, esclarece. Para o outro lado do Atlântico, a UTAD tem colaborado em abordagens de regeneração dos carvalhais e com o Forest Service (USDA) na apreciação de elementos edáficos, de proteção e silvicultura. 

João Paulo Carvalho, também perito da estratégia Europeia para a Biodiversidade, alerta para o facto de alguns ecossistemas de carvalho estarem a sofrer uma regressão e degradação do seu habitat. “Esta situação constitui um alerta para a tomada de decisões de ação política e social, não só para minimizar os efeitos da degradação do meio ambiente, como também para proceder à sua restauração e valorização, de modo a assegurar condições ambientais benéficas e a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida das comunidades humanas.” Joana Costa – Portugal in “Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro”


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra e UTAD promovem seminário sobre panorama dos incêndios florestais face às alterações climáticas

A Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) e o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), juntamente com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vão promover o Seminário Temático Triple-C.

O evento, que se realiza no dia 13 de fevereiro, entre as 9h30 e as 13h00, no Auditório da FCTUC, decorre no âmbito do projeto “Triple-C - Capitalização de projetos ligados aos riscos das alterações climáticas” e pretende dar a conhecer o novo panorama dos incêndios face às mudanças climáticas e as adaptações a fazer neste contexto.

Nesta conferência, que conta com a intervenção de vários investigadores da área, serão abordados temas como “Alterações Climáticas e perigos”; “Riscos naturais”; “Adaptação da gestão dos incêndios às alterações climáticas”; “Efeitos em cascata nos incêndios florestais”; “Incêndios florestais e o setor privado”. No final, haverá espaço para uma mesa redonda e perguntas da audiência.

O projeto Triple-C centra-se na análise, avaliação e capitalização de projetos europeus com reconhecido sucesso na prevenção e gestão de riscos decorrentes das alterações climáticas. O objetivo final é que os resultados e boas práticas identificadas pelos parceiros influenciem políticas, estratégias e ações levadas a cabo a nível da regulação pública.

A participação no Seminário Temático Triple-C é gratuita, porém sujeita aos lugares disponíveis, sendo necessária inscrição prévia, que decorre até 7 de fevereiro, através da seguinte ligação 

https://forms.gle/Go9vyVdfAAjUmUaX7

Universidade de Coimbra - Portugal



segunda-feira, 17 de maio de 2021

Portugal - Cientistas criam verniz que mata bactérias em poucos minutos

Uma equipa multidisciplinar de cientistas, liderada por Jorge Coelho e Paula Morais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), desenvolveu um verniz para superfícies que mata bactérias, mesmo as mais resistentes, em apenas 15 minutos, uma solução segura e eficaz para prevenir e combater as infeções hospitalares.

Este novo verniz inteligente com elevada atividade antimicrobiana, que é ativada por ação de luz branca, inócua para o ser humano, foi desenvolvido no âmbito do projeto de investigação “SafeSurf”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e teve a participação de investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

O projeto, cujos resultados já se encontram publicados na revista científica ACS Applied Materials & Interfaces, compreendeu três fases. Primeiro, os cientistas desenvolveram e testaram uma nova geração de polímeros catiónicos com propriedades antimicrobianas contra várias espécies de bactérias. De seguida, procuraram um fotossensibilizador com atividade fotodinâmica à superfície, tendo sido utilizado um composto natural que é produzido por plantas, a curcumina.

Ao combinar os polímeros catiónicos com a curcumina, os cientistas verificaram que a atividade antimicrobiana dos polímeros aumentou de forma significativa, permitindo matar um maior número de bactérias em menos tempo, como relatam Jorge Coelho e Paula Morais: «quando juntámos os dois sob a ação da luz branca, verificámos que as bactérias morriam passado muito pouco tempo. As várias experiências realizadas em superfícies mostraram que, em apenas 15 minutos de exposição, estes dois compostos combinados reduziam mil vezes o número de bactérias gram-positivas e gram-negativas, como por exemplo, da Escherichia coli. Ou seja, numa ação conjunta, os dois materiais provocam stress oxidativo nas bactérias, eliminando-as de forma eficaz e segura».


Perante os resultados obtidos, os investigadores avançaram então para a formulação de um revestimento (verniz). Com recurso a uma formulação industrial, desenvolveram um verniz de base poliuretano contendo, pela primeira vez, biocidas poliméricos catiónicos combinados com um fotossensibilizador de curcumina.

A bateria de testes antimicrobianos realizados com o verniz desenvolvido mostrou a eficácia na eliminação de bactérias. A grande inovação, segundo os coordenadores do projeto, reside no facto de «conseguirmos incorporar estes dois compostos num verniz de formulação industrial de base poliuretano, utilizando condições industriais, dando ao verniz a inovação da funcionalidade antibacteriana, facilitando assim a sua introdução no mercado. A formulação do verniz contendo os polímeros catiónicos e o fotossensibilizador constituiu uma etapa do projeto de elevada complexidade que foi realizada pelos nossos colegas da FEUP».

Sabendo-se que a grande maioria das infeções surge em ambiente hospitalar, Jorge Coelho e Paula Morais salientam que «os revestimentos de superfície inteligentes que apresentam vários mecanismos de atividade antimicrobiana surgiram como uma abordagem avançada para prevenir com segurança esse tipo de infeção». Assim, acrescentam, este novo verniz representa «uma solução eficaz e segura para a prevenção e controlo de infeções nosocomiais [contraídas nos hospitais], uma vez que impede a proliferação das bactérias nas superfícies».

Questionados sobre quando é que esta solução poderá chegar ao mercado, os docentes e investigadores dos departamentos de Engenharia Química e de Ciências da Vida da FCTUC referem que, do ponto de vista científico, «o conceito está provado, ou seja, foi desenvolvido um verniz eficaz e completamente seguro para o ser humano. No entanto, é necessário realizar uma avaliação económica do projeto». Universidade de Coimbra - Portugal




quinta-feira, 25 de junho de 2020

Portugal - Investigadora está a desenvolver protocolo de rastreio de perturbações do desenvolvimento da linguagem

Tânia Roçadas, investigadora do Centro de Estudos em Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), está a realizar uma investigação de doutoramento que pretende criar um protocolo de rastreio precoce de Perturbações do Desenvolvimento da Linguagem (PDL).

As PDL são alterações do desenvolvimento da linguagem associadas a causa desconhecida. Estudos já realizados estimam que, em idade pré-escolar, existe uma prevalência de PDL entre os três e os sete por cento.

Neste estudo, que está a ser desenvolvido com a Unidade de Dislexia da UTAD, estão em análise dois grupos de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 6 anos, equiparados em termos de faixa etária, condição socioeconómica e sem problemas auditivos: um grupo de crianças com níveis normativos relativamente às competências da linguagem, e outro grupo com níveis considerados indicadores de PDL.

Até ao momento, foram testadas 107 crianças, em quatro jardins de infância do distrito de Vila Real e na Consulta de Desenvolvimento do Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, através do protocolo de colaboração estabelecido no âmbito desta investigação.

Na avaliação foram usados dois testes padronizados que avaliam o desenvolvimento da linguagem, uma prova de capacidades cognitivas gerais não verbais, uma Prova de Repetição de Frases, desenhada para avaliar as competências gramaticais e uma Prova de Repetição de Palavras e Pseudopalavras. Os dados obtidos até à data revelam que as “crianças com Perturbação de Linguagem apresentam desempenhos muito abaixo dos das crianças com desenvolvimento normativo nas tarefas de repetição de frases”, explica a investigadora.

O “desenvolvimento adequado das capacidades de linguagem é crucial para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, afetivas e de interação social”, acrescenta Tânia Roçadas, sublinhando que as “PDL influenciam negativamente as trajetórias académicas, as interações sociais, o desenvolvimento profissional e o bem-estar individual”.

Por isso é crucial “detetar tão cedo, quanto possível numa idade que permita o diagnóstico, a presença dessas perturbações de modo a que estas crianças possam ter acesso a ajuda e a serviços especializados para colmatar e/ou atenuar os efeitos nefastos desta condição”, salienta Ana Paula Vale, diretora da Unidade de Dislexia da UTAD.

No final desta investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia por 48 meses, através do financiamento programático do CEL, os dados obtidos e a metodologia utilizada serão usados para a criação de um protocolo de rastreio, que possa vir a ser – espera a investigadora – utilizado para a deteção precoce de PDL em crianças em idade pré-escolar. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Portugal

terça-feira, 2 de junho de 2020

Portugal - Utilização de subprodutos da couve-brócolo para combater a obesidade

O projeto VALORIZEBYPRODUCTS está a aliar a exploração de subprodutos dos brócolos aos benefícios da saúde humana. O objetivo é valorizar os subprodutos de Brássicas (couve-galega, couve-brócolo, couve-flor) e explorá-los na forma de suplemento alimentar para a prevenção ou tratamento da obesidade e, ainda, reduzir a quantidade e custos de produção de resíduos derivados destas culturas.

Os brócolos são reconhecidos como uma “fonte de nutrientes saudáveis”, pelo que este projeto pretende valorizar os subprodutos na forma de suplementos dietéticos.

“Neste estudo serão feitos ensaios preliminares em culturas de células para testar e perceber quais os componentes dos subprodutos dos brócolos que melhor podem ajudar no combate à obesidade. O componente que considerarmos mais promissor será inserido numa ração que será testada num modelo animal de obesidade”, explica Eduardo Rosa, Investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e Coordenador do projeto.

Acrescenta ainda que os subprodutos resultantes da colheita de plantas do género Brássica podem ser uma boa fonte de compostos bioativos, pelo que acredita que estes podem ser explorados e utilizados como um “extrato com potencial atividade biológica para prevenir ou retardar o início dos diversos processos patológicos associados à obesidade e respetivas comorbidades”.

O investigador refere também que estudos pré-clínicos mostram que estes compostos têm efeitos benéficos no tratamento de outras doenças, incluindo a diabetes e o cancro, pelo que querem agora testar os mesmos para o combate à obesidade.

Esta investigação tem ainda um segundo objetivo que passa pelo estímulo da economia circular, já que os subprodutos resultantes da indústria agroalimentar são tratados como resíduos industriais, os quais têm “impacto económico e ambiental negativos”. Por esse motivo, nos últimos anos, a investigação tem-se focado na “transformação de subprodutos gerados no processamento de frutas e vegetais em vários produtos de valor acrescentado”, sublinha o responsável.

Em 2018, mais de 4,6 milhões de toneladas de Brássicas foram produzidas na União Europeia e mais de 137 mil em Portugal, o que representa grandes quantidades de subprodutos com “impacto económico e ambiental negativos”.

O VALORIZEBYPRODUCTS, liderado pela UTAD, é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do COMPETE 2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI)] no valor de 235.948,90€, e tem a duração de três anos. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Portugal

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Portugal - Jogo eletrónico para ensinar contabilidade

Rui Silva, docente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a utilizar o conceito de jogo eletrónico (gamificação) para ensinar os estudantes nas unidades curriculares de Contabilidade. A ideia foi desenvolvida “desde o zero” para o projeto de doutoramento e foi testada e utilizada por cerca de 2000 alunos de várias Universidades e Institutos Politécnicos em Portugal.

O “AccountinGame” está disponível em www.jogosdegestao.pt e tem sido utilizado por estudantes para testar conhecimentos de Contabilidade no nosso país.  A utilização de jogos em contextos de ensino tem crescido exponencialmente, em diversas áreas, desde o mundo empresarial aos sistemas de ensino, sendo considerado uma forma “tecnológica persuasiva capaz de criar mudanças benéficas de atitude nos seus utilizadores, essencialmente ao nível motivacional”, explica o autor da plataforma.

Os resultados do “AccountinGame” mostram que a motivação para o estudo, o número de horas de estudo, a concentração, a atitude, a aprendizagem percebida e a autonomia aumentaram nos estudantes que utilizaram o jogo.

Apesar de os jogos educativos terem sido já testados em disciplinas como a matemática, a informática, engenharia, história, ciências sociais, geografia ou línguas, na área da Contabilidade, e não obstante a existência de algumas plataformas educacionais, “estas são raras em forma de jogo”. Neste contexto de utilização, a gamificação em geral e os jogos sérios em particular, aplicados em sala de aula pelos docentes, “permite experienciar novas formas de estudar resultantes da aplicação de recursos capazes de serem viáveis e eficazes na promoção da motivação, imersão, atitude e aprendizagem percebida dos alunos do ensino superior de qualquer parte do mundo”, refere Rui Silva.

Neste momento a plataforma está acessível a todos os que queiram testar conhecimentos na área da Contabilidade, mas pode ser alargada a outras áreas, já que a base da plataforma está criada, podendo receber diferentes conteúdos de diferentes docentes e unidades curriculares.

O “AccountinGame” aguarda agora o resultado do pedido de patente provisória submetido em abril deste ano. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro "Escola de Ciências Humanas e Sociais" - Portugal

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Península Ibérica – Abutre-do-egipto recuperado e libertado no sul de Espanha

Abutre-do-egipto perdeu-se na primeira migração. Estava enfraquecido e desorientado, mas agora já foi libertado em Espanha. Especialistas portugueses ajudaram na recuperação de um jovem abutre-do-egipto, uma ave de uma espécie protegida que se perdeu na primeira migração e foi libertada em território espanhol, disse a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)



“Se a soltássemos no norte de Portugal ela não sobreviria, já que esta espécie costuma usar vários países nos seus voos migratórios conforme o clima e as necessidades exploratórias de alimento”, afirmou o professor da UTAD Celso Santos.

O especialista juntou-se à equipa do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que conduziu a ave até ao sul de Espanha, onde se procedeu à sua libertação com a colaboração e participação de membros do governo regional e de representantes de organizações não governamentais nacionais e espanholas afetas à conservação da natureza.

Segundo sublinhou a UTAD, em comunicado, o abutre-do-egipto é uma espécie com estatuto de conservação em perigo.

O jovem abutre foi encontrado por populares neste verão, no concelho de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, "enfraquecido e desorientado".

“Ainda muito jovem, perdera-se ao iniciar a sua primeira migração, desviando-se dos corredores migratórios, parando numa zona onde não havia alimento e onde ficou debilitado e incapaz de prosseguir”, contou a academia transmontana.

A ave foi entregue ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e depois ao Parque Biológico de Gaia (PBG), onde recebeu os primeiros cuidados e permaneceu até estar mais estável.

Foi, depois, transferida para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) - Hospital Veterinário da UTAD, onde foi tratada e reabilitada.

A academia transmontana referiu que o “jovem abutre teve dois meses de tratamento, necessários para recuperar peso e massa muscular, impermeabilizar as penas e ganhar capacidade de voo em treino nos túneis do Hospital Veterinário”.

A ave foi devolvida à natureza depois dos especialistas da UTAD a considerarem apta e saudável.

Em colaboração com o PBG e o ICNF, e em articulação com as entidades espanholas (Consejera para la Transición Ecológica y Sostenibilidad da Junta da Extremadura), foi decidido transportar o abutre para um território mais quente, nomeadamente Acehuche, na zona de Cáceres, do sul de Espanha, a “única área de inverno propícia à sobrevivência desta espécie na Europa”.

De acordo com a UTAD, antes do seu lançamento, o abutre foi equipado com um GPS para monitorar os seus movimentos, garantir que seguia um destino adequado e estudar o comportamento desta espécie.

A academia adiantou que, da informação entretanto recolhida, verificou-se que a ave, contrariamente ao que era esperado, não se acomodou no local de invernada estabelecido e viajou para o Norte de África.

A UTAD referiu que, “num dos seus trajetos, fez, em duas horas e meia, mais de 200 quilómetros, sendo localizada já em Argel, o que significa ter conseguido uma velocidade média de 80 quilómetros por hora”. In “Sapo 24” - Portugal

sábado, 19 de outubro de 2019

Portugal – Estudo indica que engaço de uva pode ajudar na cura de feridas do Pé Diabético

Esta alternativa natural foi já testada e comparada com antibióticos comerciais



Um estudo feito por investigadores do Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro está a aplicar extratos de engaço de uva das castas Sousão e Syrah para avaliar o efeito antibacteriano num conjunto de microrganismos associados às feridas do pé diabético. O estudo engloba isolados bacterianos obtidos desde fevereiro de 2009 em mais de 120 doentes, no âmbito de um protocolo estabelecido com o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e aprovado pela Comissão de Ética do mesmo.

O potencial biológico dos extratos foi já avaliado em isolados de úlceras do pé diabético, nomeadamente Staphylococcus aureus (bactéria que representa a maior ameaça para a Saúde Pública e incluído no grupo de prioridade alta pela OMS em 2017 como “agente patogénico prioritário”), resistente à meticilina – antibiótico utlizado no tratamento do pé diabético. Os resultados mostram que, através do “método de difusão em disco, em meio sólido, os extratos de engaço da casta Sousão apresentam atividade antibacteriana, maioritariamente bacteriostática, ou seja, impede o crescimento bacteriano”, explica Ana Barros, investigadora responsável pelo estudo, e Diretora do CITAB.

A aplicação destes extratos mostrou um efeito antibacteriano entre 50 a 100%, quando comparados com o efeito do antibiótico comercial gentamicina. Além disso, os extratos da casta Syrah, na concentração testada, “afetam a taxa específica de crescimento dos isolados Staphylococcus aureus e revelam um efeito bacteriostático”, acrescenta a investigadora.

Os extratos de engaço destas castas apresentam-se assim como uma “alternativa natural com potencial de ação efetiva contra a Staphylococcus aureus”, pelo que o uso na prevenção das infeções das úlceras do pé diabético “poderá ser de grande utilidade”, refere a equipa de investigação.

Os resultados obtidos através deste estudo tornam-se ainda mais relevantes já que se sabe que a infeção do pé diabético é uma complicação tardia da diabetes mellitus que, quando não controlada, pode levar à amputação dos membros. Em Portugal estima-se que possam ocorrer anualmente cerca de 1200 amputações dos membros inferiores. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro “Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas” - Portugal

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Portugal - Investigadores procuram usar tecnologia para monitorizar vespa asiática


Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estão a estudar uma forma de instalar microtransmissores na vespa asiática para segui-la até aos ninhos, monitorizar estes e avaliar a melhor forma de os destruir

O projeto ‘GoVespa’ procura a aplicação de novas tecnologias para ajudar à resolução da proliferação de ninhos de vespas velutinas, conhecida como vespa asiática, em Portugal, que “está a preocupar seriamente a comunidade científica”, destacou a universidade, de Vila Real, em comunicado.

A metodologia da equipa de investigação da UTAD passa pela captura das vespas vivas, sem as ferir, de modo a proceder à colocação de um microtransmissor no dorso, libertar as vespas e seguir o seu voo, através de um radar ou um drone [veículo aéreo não tripulado], filmar e fotografar o ninho e, por fim, fazer voos nas imediações dos ninhos identificados e procurar novos ninhos.

O investigador do departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, José Aranha, citado no comunicado, alerta que “é fundamental apanhar as vespas fundadoras (rainhas) no início da primavera, de modo a que não criem colónias e não se dispersem”.

“Impõe-se a deteção precoce de ninhos e a procura de ninhos primários para tentar apanhar as fundadoras”, realça.

Para José Aranha, a “deteção dos ninhos nem sempre é tarefa fácil”, pois, apesar de “alguns se localizarem em árvores baixas ou em telhados, sendo por isso facilmente visíveis, outros localizam-se em árvores altas, como por exemplo eucaliptos adultos, e neste caso é muito difícil ver os ninhos, não só pela distância ao solo como pelo facto desta espécie florestal apresentar folhas todo o ano”.

Assim, a captura da vespa asiática, e a instalação de um microtransmissor no dorso, permitirá a identificação dos ninhos mais inacessíveis.

“Posteriormente, estes dados serão inseridos no Sistema de Informação Geográfica já criado e usados para melhorar o modelo de suscetibilidade à dispersão da vespa velutina”, refere ainda o comunicado.

Este modelo de dispersão permitirá concentrar esforços de localização de ninhos secundários e eleger áreas prioritárias onde colocar as armadilhas primárias, acrescenta.

Designada cientificamente por vespa velutina, a vespa asiática registou o primeiro avistamento em Portugal em 2011, no distrito de Viana do Castelo e, “desde aí, tem vindo a deslocar-se para o sul do país, sendo que Lisboa, até agora, é o distrito mais a sul onde existe a presença da vespa velutina”, disse Ricardo Vaz Alves, do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

“Desde 2017 até ao corrente ano, temos verificado um aumento do número de denúncias”, afirmou Ricardo Vaz Alves, em declarações à agência Lusa, indicando que, em 2017, contabilizaram-se 499 avistamentos, número que aumentou para 708 em 2018 e que, este ano, até 25 de agosto, soma 508 situações relacionadas com a presença de vespa asiática.

Em termos de localização, os distritos onde se registaram mais denúncias, ao longo deste ano, foram Porto (133), Braga (92), Viseu (60), Aveiro (53) e Coimbra (50).

Como não tem predadores naturais, a vespa asiática coloca em perigo a biodiversidade, as abelhas e consequentemente a polonização, podendo ameaçar também a segurança das pessoas.

A vespa asiática é de tamanho superior e mais escura do que a vespa comum, e com apenas uma lista amarela no abdómen, não devendo ser confundida com a vespa crabro que é ainda maior, mas com o abdómen todo amarelo e que não representa uma ameaça. In “Notícias de Coimbra” - Portugal