Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Moçambique - Lançado livro sobre a história do Rap nacional

A evolução do rap em Moçambique e o seu impacto sociocultural ganharam destaque com o lançamento do livro intitulado “Rap”, do escritor moçambicano Lázaro Marcos Januário. A obra, publicada pela Massinhane Edições, foi apresentada oficialmente no dia 6 de dezembro no Camões – Centro Cultural Português na Beira, na província de Sofala.



O livro analisa o rap como uma ferramenta de expressão artística, cidadania e intervenção social, destacando a sua contribuição para o pluralismo e a formação da esfera pública em Moçambique. Estruturada em duas partes, a obra explora inicialmente as origens do rap nos Estados Unidos e Jamaica na década de 1970, a sua chegada a Moçambique entre 1985 e 1995, e sua evolução até aos dias actuais. Na segunda parte, o autor examina a obra de protagonistas específicos do rap moçambicano, revelando as suas manifestações artísticas e representações sociais.

O evento de lançamento contou com a apresentação do advogado e docente universitário Edmar Barreto, que destacou o papel transformador do rap na sociedade moçambicana e o seu poder como instrumento de intervenção social. A cerimónia incluiu momentos culturais, como declamações poéticas e apresentações do grupo Ngonyama Voice, que combinou ritmos musicais com a poesia sobre o rap.

Lázaro Januário, finalista do curso de Direito pela Universidade Licungo, é também fundador da Associação Juvenil Adolescentes e Jovens Amigos da Sociedade (AJAS) e membro do Clube do Livro da Beira. O autor partilhou as motivações e desafios por trás da escrita do livro, destacando o preconceito ainda existente em relação ao rap e sua vontade de mudar esse panorama.

A Moz Entretenimento recomenda esta obra como uma leitura indispensável para compreender o impacto do rap na construção da identidade cultural moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 28 de setembro de 2024

Cabo Verde – Rapper Mark Delman lançou o videoclipe “Obra Prima”

Cidade da Praia - O rapper Mark Delman já tem disponível nas plataformas digitais o novo videoclip “Obra Prima” desafiando os fãs a prosperarem e transformarem as suas vidas numa “Verdadeira obra prima”.

De acordo com uma comunicação enviada à Inforpress, um artista da ilha de São Vicente, que também vem com um nível internacional próprio, irá surpreendê-lo com os seus trabalhos inéditos e conhecidos.

Depois do sucesso de “STORM”, Mark Delman regressa às suas plataformas de streaming como “Obra Prima”, que agora está no top 100 da Apple Music Cabo Verde.

Segundo à mesma fonte, “Obra Prima” não é apenas uma música, é um manifesto de resiliência e conforto.

“Num mundo onde muitas coisas se perdem nas ruas e em falsas promessas, isto é uma onda como um alerta”, não é comunicado.

O single antecipa o lançamento do novo álbum da artista, que deve ser lançado no mercado em novembro.

Na hora das mensagens de hoje, o ponto forte do rap, que este é um single, carrega uma mensagem que pode ser usada por quem se sente próximo nos ciclos de negatividade e violência, cuja marca é uma família e um comunidade com a qual estão perdidos.

“Em vez de perder a vida em conflitos sem propósito, a faixa incentiva a canalização da energia para algo maior, criação, conhecimento e autossuperação”, escreve a assessoria do cantor. In “Inforpress” – Cabo Verde
 

sábado, 11 de maio de 2024

Cabo Verde - Trakinuz volta às origens em novo EP “Passajeru”

Afirmou-se no rap, no seu último álbum aventurou-se, com sucesso, no afrobeat e outros ritmos, mas agora regressa às origens em “Passajeru”, seu novo EP, prestes a ser lançado. O primeiro single “Nu tem ki muda” feat Garry, já está nas plataformas digitais


“Um rapper que também canta afrobeat e outros ritmos”. É assim que Trakinuz, de nome próprio Jailson Correia, se descreve enquanto artista. E é movido por esta identidade que regressa agora aos ritmos que o lançaram no mundo da música, num EP “Passajeru”, de sete faixas musicais, maioritariamente do estilo rap.

“A ruptura que aconteceu no meu álbum foi boa, até um certo ponto, porque foi uma alternativa dentro do meu caminho, dentro daquilo que é a minha essência. Eu sou um rapper, que também faz afrobeat e outros estilos de música. Não sou um cantor de afrobeat que faz rap”, explica o artista.

Neste seu novo trabalho, cujo primeiro single já está revelado nas plataformas digitais, vai contar, segundo diz, com músicas mais centradas no Trakinuz que as pessoas já conhecem, o Trakinuz do início, ligado ao rap, a ideologias, ao movimento.

Entretanto, o mesmo não vai deixar de lado outros estilos. O single “Nu tem ki muda”, lançado a 12 do corrente mês, revela uma parceria com o músico Garry e já soma quase 200 mil visualizações no Youtube. 

“Passajeru”, assim como o nome sugere, fala da passagem pelo Mundo e da impermanência que caracteriza o ser humano. “Vivemos a pensar no amanhã e nos esquecemos do hoje. Não nos apercebemos que estamos aqui por um tempo e que o amanhã é incerto”, diz o artista, para quem este EP é, por isso, uma chamada de atenção para “vivermos o presente, da forma que é possível para cada pessoa, porque tudo passa”.

Fãs já cobravam este regresso

Apesar da boa aceitação e sucesso do último álbum, onde o artista apostou mais no afrobeat e outros estilos, Trakinuz assume que os fãs já cobravam por este regresso às suas raízes.

“Directa ou indirectamente eu senti isso. Acho que o público consegue sentir a nossa essência. E as pessoas que gostam de ti por aquilo que trouxeste desde o início geralmente não são pessoas que aceitam mudanças muito profundas. Eu, como artista, sinto que meu campo de actuação de verdade é o rap. Posso fazer outras coisas, mas é no rap que me sinto em casa”, revela.

Realizado

“Rapazinhu Fora”, nascido e criado nos Picos, São Salvador do Mundo, esta referência está presente ao longo dos seus trabalhos, simbolizando uma criança que um dia sonhou viver a música e hoje vê esse sonho realidade.

“Este rapazinho hoje é um jovem que continua sonhador, continua a lutar pelas coisas que acredita. Sou realizado, até um certo ponto, porque desde criança o meu sonho foi viver a música e é algo que já consegui. Já sei o que é fazer música, sei o que é fazer um show para dez pessoas ou para cinco mil pessoas. A minha coragem para me aventurar neste caminho me traz benefícios que, se neste momento eu decidir parar, não vou ficar a pensar o que poderia ter sido. Se eu parar vou parar uma pessoa feliz”, garante.

Ainda assim, novas metas são traçadas e os desafios vão ficando cada vez maiores para este artista que faz um balanço “extremamente positivo” da sua carreira, que o tem levado a vários palcos nacionais e internacionais.

Neste momento, prepara-se para uma nova leva de shows, que começa no Fogo, pelas festas de São Filipe, e passa depois por Luxemburgo, Praia e França. Natalina Andrade – Cabo Verde in “A Nação”


sábado, 29 de julho de 2023

Cabo Verde - Rapper Indzayz lança novo videoclipe “Afrodite” nas plataformas digitais

O rapper e compositor santantonense Indzayz Fortes lançou recentemente o seu 11º videoclipe do ‘single’ “Afrodite”, que conta com a participação da jovem cantora Yazmin Lopes


A música, que está disponível no canal de YouTube do artista e nas outras plataformas digitais, foi inspirada, segundo Indzayz Fortes, na mitologia grega e em “alguém especial”.

“Afrodite é a Deusa da beleza e do amor, era tudo aquilo que eu queria retratar. Foi então que eu resolvi fazer essa associação batizando a música com esse nome, pois retrata uma estória de amor, mas ao mesmo tempo faz um elogio à mulher”, explicou.

Indzayz Fortes salientou que queria que as pessoas se identificassem com a música e que cada mulher se sentisse uma verdadeira Afrodite, numa era em, indicou, as músicas se destacam pela “objetificação das mulheres”.

E, neste sentido, optou por elogiar “o sorriso, a inteligência e a classe”,  sem perder o “toque descontraído” que o caracteriza enquanto compositor.

A mesma fonte contou ainda que a divulgação da música “deu o que falar”, pois, o mesmo desafiou a Câmara Municipal da Ribeira Grande a cumprir com a promessa de inauguração do Pavilhão David Fortes para que pudesse liberar a música.

“Talvez eu deva preparar um álbum para que possam avançar com o estádio do Tarrafal”, brincou.

A produção do videoclipe durou aproximadamente uma semana e foi feita pelo Indzayz Fortes e a equipa da EYE CV. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde


sábado, 28 de janeiro de 2023

Moçambique - Rap de Chimoio e Beira é debatido em congresso internacional em Portugal

O rap das cidades de Chimoio e Beira, localizadas na região Centro de Moçambique, foi assunto de debate durante o Colóquio Activisms in Africa, que se realizou na cidade do Porto, em Portugal. O evento iniciou na passada quarta-feira (24) e encerrou na sexta-feira (26).


De acordo com o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, a apresentação em torno destas duas cidades ocorreu nesta quinta-feira (25) e teve como título “Diretamente das Outras Províncias´: Práticas para contrapor as invisibilidades no rap de Chimoio e Beira”. Os conferencistas que apresentaram a comunicação são Janne Rantala e Carlos Guerra Júnior, este último também é conhecido artisticamente como Mossoró. Janne participou presencialmente da conferência na Universidade do Porto, enquanto Carlos contribui online, a partir de Porto Velho, cidade no Brasil.

Janne Rantala e Carlos Guerra estudaram sobre o rap moçambicano nas suas pesquisas de doutoramento. Rantala finalizou o seu doutoramento na Finlândia e Carlos em Portugal. Nos últimos anos, ambos estão a dedicar-se a compreender mais profundamente as dinâmicas regionais do rap de Moçambique.

A frase que dá título à comunicação é retirada da música “Se Não Fosse a TV”, de Extraterrestre. Esta música do artista tem como foco pedir visibilidade para as ações que acontecem fora da capital do país, Maputo, e ressaltando a qualidade musical existente nas províncias do Centro e Norte de Moçambique. Isso porque a capital do país está localizada na região Sul.

A apresentação dos pesquisadores utilizou como base o conceito de “linha abissal” do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, renomado sociólogo que recentemente viralizou na mídia moçambicana ao recitar um trecho da música do rapper Azagaia. Boaventura defende a ideia de que a sociedade é formada por linhas, que apesar de serem invisíveis, definem os cidadãos que possuem mais direitos e privilégios.

As linhas perpassam por raça, género e geografia. Desse modo, a invisibilidade questionada pelos rappers de Chimoio e da Beira ajuda os pesquisadores a refletir sobre a “maximização” das linhas abissais. Uma vez que os artistas sofrem com uma primeira linha abissal entre o Norte Global e o Sul Global, outra por serem negros e outra por cantarem um género musical marginalizado e uma outra por atuarem numa província fora da capital do seu país africano. Outras formas de maximizar essas linhas são através de divisões de género ou por cantar numa língua não ocidental.

Para Boaventura de Santos, as linhas são invisíveis, no entanto, Rantala ressaltou na sua apresentação que essa linha se torna visível em Moçambique, por conta do Rio Save, que divide o Sul de Moçambique, do restante do país. Desse modo, o artista mencionou um trecho do rapper e apresentador Pier Dogg, natural da Beira, e que ressalta a importância de atravessar o Rio Save bem preparado para ser um vitorioso.

Pier Dogg também foi relembrado na apresentação como criador do evento que promove o principal acontecimento nacional de rap, o Punhos no Ar. Esse evento promove a interligação nacional dos rappers moçambicanos e já contou com representantes de todas as províncias.

Outro ponto que foi enfatizado no evento foram as iniciativas internacionais. O projeto Interligados, criado pelo rapper do Chimoio Inspector Desusado, foi a primeira iniciativa de rap a contar com membros de todos os continentes. Esse grupo também teve destaque em várias edições do programa dos Estados Unidos Planet Earth, Planet Rap, liderado por Chuck D, do lendário grupo Public Enemy.

Além disso, o projeto Barras Maning Arretadas também foi mencionado, por promover uma aliança internacional com mais de 20 países, a partir de uma ligação entre Moçambique e Brasil. Também foi mencionada a participação de rappers da cidade da Beira na compilação Priesthood Internacional, juntos com o afiliado do lendário grupo Wutang Clan Killer Priest.

A apresentação de Janne Rantala e Carlos Guerra ainda mencionou artistas como Kuatro Ases, Dedecco e Duplo V da cidade da Beira, os beatmakers Imblgk e Az Pro da cidade do Chimoio, o rapper Função Inversa, do Chimoio, Sargento Killa de Beira, os rappers Stupa Serious, Y-Not e Tchacka, de Quelimane, bem como o rapper Azagaia, oriundo de Namaacha.

Janne Rantala atualmente possui o projeto MSCA Performing Political memory (POME-RAPMOZ) em colaboração com o projeto CIPHER, na University College Cork, na Irlanda e segue com as pesquisas sobre a memória pública e Hip Hop moçambicano. Já Carlos Guerra Júnior é professor de jornalismo da Universidade Federal de Rondônia, no Brasil, e enfatiza o rap moçambicano no programa de pesquisa e extensão Barras – Bloco de Ações em Rap, Rádio e Ausências Sonoras. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 15 de janeiro de 2022

Cabo Verde - Revan Almeida, a música para sentir, fora do digital

Revan Almeida colocou no mercado recentemente a versão física do “Futur passod na prezent”, seu primeiro álbum, no verdadeiro sentido da palavra. Uma prova de fogo para a música num mundo cada vez mais digital, com o agravante da pirataria, mas também a resistência de “um dos últimos românticos” que continuam a acreditar no material palpável


Não se arrepende. Isso é certo. Também não é a primeira vez que se aventura a disponibilizar de um CD físico, embora seja a primeira experiência com um álbum oficial, já que os projectos anteriores foram mix tapes e EP´s.

Este jovem rapper age assim na contramão daquilo que diria o senso comum, à partida, e prova que ainda há quem valorize esta cultura que teme se perder.

“Antes, as pessoas paravam para escutar um álbum, valorizar, prestar atenção em detalhes como a ficha técnica e entrar na viagem que o artista quer proporcionar. Agora estamos a consumir música de forma retalhada, dentro de outras playlists, de uma forma que às vezes passa muito longe daquilo que o artista quer transmitir”, observa, em conversa com o A Nação.

Queria algo material, físico, “para pegar e sentir”, diz o também designer, que, por conta dessa sua profissão, acaba por ser ainda mais “apegado à parte final de produção”. “Gosto de ver o meu material impresso, palpável, fora do digital.”

A cultura da música, na sua forma mais genuína, se perde, segundo o artista, em detrimento de uma cultura do streaming, beliscada ainda pela pirataria.

Viável quanto baste

Segundo o jovem, que se diz um grande amante de CD’s e do vinil, o senso comum diriam que não é viável fazer um CD físico numa era de pirataria e streaming digital. E reconhece, não seria viável, de facto, fazê-lo em grande escala. “Mas pode ser viável fazer em pequena escala, conforme o mercado que tens. Pode não ser uma venda imediata, mas acredito que num espaço de algum tempo podes conseguir vender tudo”, garante.

Revan e a sua equipa encomendaram, em Portugal, uma centena de exemplares do CD.

Em pouco tempo, e até agora, vendeu cerca de 30%.

“Queríamos proporcionar uma experiência diferente para as pessoas que seguem o nosso trabalho de perto e dar a oportunidade de serem as primeiras a escutar a nossa música”, diz o rapper, natural de São Nicolau e radicado no Mindelo.

Por outro lado, falou do desejo de resgatar uma prática antiga. A de colocar um álbum a tocar, com calma, e apreciar cada música sem a pressa do dia a dia a que estamos sujeitos actualmente.

Resultado positivo

Apesar de pequenos contratempos, que se resolveriam com uma melhor logística para colocar o produto no mercado, garante, o efeito tem sido “extremamente positivo”.

Para reforçar ainda mais essa experiência de consumir música, o jovem organizou, no Mindelo, uma sessão de escuta, onde amantes da sua música puderam sentar e ouvir o álbum, embalados por sabores da nossa gastronomia. “Foi incrível, as pessoas ficaram muito impressionadas e o feedback foi muito positivo”, garante.

O CD está a ser comprado, segundo diz, maioritariamente por pessoas que já cultivam esse hábito e gostam de colecionar este tipo de produto cultural. “São também pessoas já melhor posicionadas socialmente, com um trabalho, e por isso, não tão jovens, numa camada etária entre os 25 e 40 anos”, específica, indicando naturalidade, tendo em conta a experiência de música que já trazem de tempos idos.

Com essa experiência, termina, percebeu que, por mais que tudo leva a crer que não, ainda há pessoas que valorizam o físico.

O álbum “Futur passod na prezent” foi lançado nas plataformas digitais no dia 19 de Novembro de 2021. Natalina Andrade – Cabo Verde in “A Nação”