Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Internacional - PIB-PPC: Estas serão as maiores economias do mundo em 2026, segundo o FMI

Dados do World Economic Outlook mostram protagonismo do Sul Global na economia mundial


Os dados mais recentes do World Economic Outlook, divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro de 2025, revelam uma mudança estrutural profunda na economia global. Considerando o PIB em Paridade do Poder de Compra (PPC) — indicador que mede o tamanho real das economias ao levar em conta o custo de vida interno —, o ranking de 2026 confirma que o eixo do crescimento mundial já não está concentrado no Ocidente.

A China permanece como a maior economia do planeta em termos reais, respondendo por 19,84% do PIB mundial. Mesmo com uma desaceleração gradual, o país mantém uma liderança sólida baseada em mercado interno robusto, cadeia industrial completa e forte presença no comércio global. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 14,52%, ainda como potência central, mas com peso relativo em declínio frente às economias emergentes.

O grande destaque do ranking é a Índia, que já concentra 8,73% da economia mundial, consolidando-se como a terceira maior economia do planeta. A combinação entre demografia favorável, expansão industrial e crescimento do consumo interno sustenta a ascensão indiana no longo prazo.

A Rússia ocupa a quarta posição, com 3,35% do PIB global, à frente de todas as grandes economias europeias. O resultado evidencia a capacidade do país de reorganizar sua economia apesar das sanções ocidentais, ampliando laços comerciais com a Ásia, o Oriente Médio e o Sul Global.

Entre as economias tradicionais, Japão (3,16%), Alemanha (2,89%), França (2,12%) e Reino Unido (2,10%) seguem relevantes, mas com participação cada vez menor no PIB mundial, reflexo de baixo crescimento, envelhecimento populacional e limitações estruturais.

Dois países do Sul Global reforçam a mudança de eixo econômico: a Indonésia, com 2,44%, e o Brasil, com 2,35%, figuram entre as dez maiores economias do mundo. No caso brasileiro, o desempenho reflete o peso do mercado interno, do agronegócio e a maior integração com os países do BRICS.

Os números do FMI confirmam que o século XXI é marcado pela consolidação de um mundo multipolar, no qual o protagonismo econômico se desloca de forma acelerada para a Ásia e o Sul Global. Yuri Ferreira – Brasil in “Revista Fórum”


quinta-feira, 17 de abril de 2025

China - Economia cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2025

A economia chinesa cresceu 5,4% no primeiro trimestre do ano, segundo dados oficiais difundidos, à medida que os fabricantes apressaram a entrega de encomendas, antes da subida das taxas alfandegárias nos Estados Unidos



O crescimento está em linha com o ritmo de expansão alcançado pela segunda maior economia do mundo no quarto trimestre e excede a meta de “cerca de 5%” para o ano de 2025 estabelecida por Pequim.

O impulso surge numa altura em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a guerra comercial contra Pequim, ameaçando uma dissociação total entre as duas maiores economias do mundo, numa altura em que a China enfrenta já uma prolongada crise no setor imobiliário.

As taxas sobre a maior parte dos produtos chineses aumentaram para, pelo menos, 145%, um nível que poderá levar as exportações da China a entrarem em contração este ano e prejudicar um motor de crescimento crucial.

Os dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE) ultrapassaram a estimativa consensual de 5,2% dos economistas inquiridos pela agência de notícias Bloomberg.

A produção industrial expandiu 7,7% em março, em relação ao mesmo período do ano anterior, no crescimento mais rápido desde junho de 2021. As vendas a retalho aumentaram 5,9%, o melhor ritmo desde dezembro de 2023.

“A surpresa mais agradável são as vendas a retalho, o que mostra que os subsídios ao consumo estão funcionar”, disse Michelle Lam, economista do banco francês Societe Generale SA para a China, citado pela agência. “A produção industrial foi uma surpresa, mas compreensível após os fortes dados de exportação. Mas isso agora faz parte do passado”, afirmou ainda à Bloomberg.

Apesar dos dados positivos, o GNE recomendou cautela, sublinhando a necessidade de dar maior apoio à economia. “Devemos estar conscientes de que o ambiente externo está a tornar-se mais complexo e grave. O impulso da procura interna para o crescimento é insuficiente e a base para uma recuperação económica e crescimento sustentado estão ainda por consolidar”, afirmou o gabinete num comunicado. “Temos de implementar políticas macroeconómicas mais pró-ativas e eficazes”, apontou.

O investimento em ativos fixos aumentou 4,2% nos primeiros três meses de 2025, enquanto o investimento imobiliário registou uma contração de 9,9%, prolongando a crise que atingiu o setor em 2022.

A taxa de desemprego urbano foi de 5,2% em março, descendo de 5,4% no mês anterior.

A China poderá ter dificuldades em atingir o seu objetivo oficial de crescimento este ano sem mais estímulos. Nas últimas semanas, vários bancos internacionais, incluindo o UBS Group AG, o Goldman Sachs Group Inc. e o Citigroup Inc., baixaram as suas previsões de crescimento da China para cerca de 4% ou menos, fruto do agravar das tensões comerciais com Washington.

Alguns economistas esperam que o Banco Popular da China reduza as taxas de juro ou a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva já este mês, enquanto outros preveem vários biliões de yuan em empréstimos e despesas fiscais adicionais para preencher o vazio deixado pela queda das exportações.

A China tem de aumentar rapidamente o consumo doméstico e o investimento para contrariar o impacto das tarifas. A debilidade do mercado de trabalho continua a impedir os consumidores de gastarem mais, mesmo antes de as tarifas dos EUA atingirem empregos relacionados com as exportações.

O impacto da guerra comercial vai provavelmente manifestar-se na atividade económica a partir de abril, após um aumento de 12,4% das exportações em março, à medida que as empresas se apressaram a concluir encomendas.

A possibilidade de um acordo entre os EUA e a China sobre o litígio comercial parece reduzida num futuro próximo, uma vez que Pequim adotou por retaliar as sucessivas rondas de tarifas impostas por Trump.

Os índices bolsistas da China mantiveram em grande parte as suas perdas após a divulgação dos dados, com o Hang Seng China Enterprises, que reúne as principais empresas chinesas cotadas em Hong Kong, a perder 2,4%, e o CSI 300, que replica o desempenho das 300 principais acções negociadas nas bolsas de Xangai e de Shenzhen, a cair 0,8%. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Angola – A economia cresce 3,2% este ano e inflação cai a partir de 2025

A economia de Angola deverá acelerar para 3,2% este ano e 2,9% em 2025, depois de crescer 1% no ano passado, segundo o Banco Mundial, que prevê que todas as economias lusófonas cresçam em 2024


“Em Angola, o crescimento deverá acelerar de 1% em 2023 para 3,2% em 2024”, lê-se no relatório Pulsar de África, ontem divulgado em Washington, no âmbito dos Encontros Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realizam este mês na capital norte-americana.

A aceleração do crescimento da atividade económica este ano em Angola foi sustentada na “melhoria dos gargalos que estrangulam o aumento da produção petrolífera, como suspensões de exploração para manutenção dos principais poços”, dizem os economistas do Banco Mundial, apontando, no entanto, que as perspetivas de crescimento a médio prazo são ainda limitadas.

“As perspectivas de crescimento para 2025 e 2026 são ainda limitadas pela lenta implementação das reformas estruturais que podiam fomentar a diversificação económica”, lê-se no relatório, que apresenta boas notícias para as famílias no que diz respeito à evolução dos preços. “A inflação deverá atingir o pico este ano, com as pressões inflacionárias a caírem gradualmente em 2025 e 2026, graças ao aperto da política monetária e à consolidação orçamental”, diz o Banco Mundial no relatório, que prevê uma redução da inflação, de 27,4% este ano, para 16,1% em 2025.

No relatório, são também apresentadas as previsões para todos os países da África subsaariana, região que o Banco Mundial prevê que cresça 3% este ano e 4% no ano seguinte.

A única grande variação em termos de evolução do PIB regista-se na Guiné Equatorial, que depois de ter estado em recessão no ano passado, com uma contração de 5,7%, deverá registar uma expansão de 4,7% do PIB este ano, voltando depois a entrar ‘no vermelho’ em 2025, ano em que o PIB se deverá reduzir 4,4%.

Questionado pela Lusa sobre estas oscilações, o Banco Mundial respondeu que o crescimento deste ano “é alicerçado numa recuperação do setor dos hidrocarbonetos graças às reparações nas plataformas que sofreram incidentes recentemente”, mas confirmou que é esperada uma nova recessão para os próximos anos. “Sem reformas estruturais fortes, e novas e substanciais descobertas de hidrocarbonetos, o crescimento médio anual para 2025 e 2026 deverá ser de -2,6%, refletindo principalmente o declínio da produção de petróleo”, acrescenta o Banco Mundial na resposta à Lusa sobre as razões das oscilações no crescimento da mais recente economia do espaço lusófono.

Para impedir estas variações e “conter um declínio económico a longo prazo, são precisas reformas estruturais que diversificam as fontes de crescimento, e é também necessário criar estabilidade orçamental através de esforços na mobilização da receita interna e uma despesa pública mais eficiente”, acrescentam ainda os economistas do Banco Mundial.

De acordo com os dados desta instituição financeira de desenvolvimento, a Guiné Equatorial teve um crescimento médio de -3,3% entre 2010 e 2019, registando depois uma recessão de 4,8% em 2020, o primeiro ano da pandemia de covid-19, e recuperando nos dois anos seguintes, em que registou expansões económicas de 0,9% e 3,7%, antes de se afundar novamente numa recessão de 5,7%, no ano passado. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Timor-Leste - Economia mantém trajectória de crescimento de 3%

A economia de Timor-Leste continua a recuperar, mas mais lentamente devido à baixa execução orçamental, prevendo-se um crescimento próximo dos 3% para 2024, de acordo com um relatório divulgado pelo Banco Mundial.


“Espera-se que Timor-Leste mantenha a sua trajetória de recuperação, com a projeção de um crescimento do Produto Interno Bruto próximo dos 3% em 2024, acelerando para uma média de 3,7% para o período 2024-2026”, refere-se no relatório semestral das perspectivas económicas da instituição.

Os dados indicam que até Maio de 2024 tenha sido executado cerca de 25% do Orçamento de Estado e 6% do orçamento de Capital e Desenvolvimento. “São necessárias taxas de execução substancialmente mais elevadas para alcançar níveis mais elevados de crescimento económico”, pode ler-se no relatório.

Segundo a organização, o crescimento vai continuar dependente da despesa pública e o défice orçamental deverá permanecer elevado, situando-se a “44% do PIB a médio prazo”. “Sem medidas significativas geradoras de receitas, prevê-se que o défice continue a aumentar, o que obriga à continuação dos levantamentos do Fundo Petrolífero”, lê-se no documento.

O Banco Mundial destaca uma “estagnação na produtividade”, especialmente nos sectores do PIB não petrolíferos, associado a “progressos lentos na diversificação da economia”. Em relação à inflação, a organização salienta que apesar do fortalecimento do dólar e do alívio das pressões inflacionistas, o preço dos produtos alimentares continua elevado.

Nos primeiros quatro meses do ano foi registada uma inflação de 4,7% contra os 11,9% registados durante o mesmo período em 2023. O Fundo Petrolífero manteve-se estável com 18,45 mil milhões de dólares, em Março deste ano, registando um modesto aumento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. “Este crescimento foi impulsionado pelos preços do petróleo e do gás, pelo pagamento de receitas referentes a 2023 e pela redução dos levantamentos devido à baixa execução orçamental no contexto da transição política”, salienta o Banco Mundial. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Moçambique - FMI estima subida da dívida pública para 97,5% do PIB em 2024

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o ‘stock’ da dívida pública moçambicana vai crescer este ano para o equivalente a 97,5% do PIB e defende medidas para “fortalecer” a política fiscal do país. “Os esforços para reforçar a administração de receitas, a gestão das finanças públicas, a gestão da dívida e as operações das empresas públicas são essenciais para fortalecer a política fiscal”, afirma o diretor-executivo adjunto do FMI, Bo Li, citado no comunicado em que a instituição anunciou ontem que vai desembolsar de imediato mais 60 milhões de dólares (55,5 milhões de euros) de apoio a Moçambique, ao abrigo do programa de assistência

No comunicado, o FMI refere que o conselho executivo concluiu o processo de consulta regular com Moçambique relativo a 2024 e a quarta avaliação do acordo ECF (Facilidade de Crédito Alargado) a 36 meses, o que “permite um desembolso imediato” equivalente a 60,03 milhões de dólares “utilizáveis para apoio orçamental”, elevando os desembolsos totais a Moçambique, ao abrigo deste programa de assistência, a 330,14 milhões de dólares (304,9 milhões de euros).

O FMI estima no documento um crescimento económico para Moçambique de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, contra 5,4% em 2023, enquanto o ‘stock’ da dívida pública deverá crescer para 97,5% do PIB, contra 93,9% no ano passado.

A inflação em Moçambique deverá recuar este ano para 3,6%, contra 4,3% em 2023 e longe do pico de 10,9% em 2022. “Uma orientação restritiva da política monetária ajudou a conter as pressões inflacionistas e a reconstruir as reservas cambiais. Dadas as perspetivas fracas para o crescimento não mineiro, as expectativas de inflação bem ancoradas e a continuação da consolidação orçamental, é apropriada uma flexibilização gradual da orientação da política monetária”, assegura Bo Li, citado no comunicado.

O diretor-executivo adjunto do FMI defende que “uma combinação de políticas fiscais e monetárias cuidadosamente calibrada é fundamental para preservar a estabilidade macroeconómica” em Moçambique. “Melhorar a transmissão da política monetária através do aprofundamento dos mercados interbancário, monetário e cambial continua a ser importante para uma melhor gestão macroeconómica. É necessário permitir uma maior flexibilidade cambial para aumentar a resiliência aos choques externos”, acrescenta Bo Li, reconhecendo que “são também necessários mais progressos” em Moçambique em matéria de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Macau - Estudo coloca a RAEM no quinto lugar das regiões mais ricas do mundo

A revista Global Finance publicou um estudo onde Macau aparece em quinto lugar dos territórios com maior PIB per capita do mundo. Em 2023, a RAEM subiu no ranking, ficando apenas atrás de outros pequenos territórios com grandes economias como a Irlanda, o Luxemburgo, Singapura e o Qatar


A RAEM ultrapassou o Qatar em 2014, e esteve em primeiro lugar até ser ultrapassado pelo Luxemburgo em 2019, caindo depois a pique durante a Covid-19 para 16.º lugar. Isto até as fronteiras reabrirem e chegarmos a 2023: Macau, apesar de ter vivido vertiginosas oscilações, está agora no 5.º lugar das regiões mais ricas do mundo, revelou um estudo elaborado pela revista financeira Global Finance.

O estudo, que analisa o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e o cruza com os valores da Paridade de Poder de Compra (PPC), que leva em consideração a inflação e custo de vida local, refere que o território este ano capitalizou em 89,558 dólares norte-americanos. “Há apenas alguns anos, muitos apostavam que a Las Vegas da Ásia estava a caminho de se tornar na região mais rica do mundo”, recordou o mesmo artigo, acrescentando que a “região administrativa especial da República Popular da China tem visto a sua riqueza crescer a um ritmo espantoso”.

O mesmo texto comentou que a região se tornou numa “máquina de fazer dinheiro”, até a máquina “começar a perder dinheiro em vez de o ganhar” durante a pandemia. Nessa altura, com o fecho das fronteiras, “Macau chegou mesmo a sair do ranking dos dez países mais ricos”, lembrou. No entanto, a RAEM está “lentamente a regressar à normalidade”, mesmo apesar de, curiosamente, ter sido o único país da lista com um actual poder de compra per capita inferior ao da pré-pandemia: em 2019, este era de cerca de 125 mil dólares em 2019, e agora, em 2023, ainda tem uma redução de mais 35 mil dólares.

Em primeiro lugar da classificação, está a Irlanda, com um PIB/PPC per capita de 145.196 dólares, seguida de perto pelo Luxemburgo, com 142.490 dólares. A cidade-Estado de Singapura ocupa o terceiro lugar, com 133.895 dólares, e o Qatar o quarto lugar com 124.848 dólares. Quanto a Hong Kong, a região vizinha ficou em 12.º lugar, com 74.598 dólares. A China ficou classificada em 77.º lugar (23.382), e Portugal em 45.º lugar (44,708).

De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, o PIB de Macau registou uma expansão anual de 116,1% no terceiro trimestre de 2023. Este crescimento foi impulsionado pelas exportações de serviços, nomeadamente nos sectores do jogo e do turismo, que registaram taxas de crescimento de 781,4% e 255,4%, respectivamente. A produção económica global da cidade para os primeiros três trimestres de 2023 voltou a 77,4% em comparação com o mesmo período de 2019.

A Associação Económica de Macau afirmou há um mês que as perspectivas da economia de Macau “continuam a ser positivas” e que o desempenho económico global de Macau para este ano poderá ser ainda melhor do que a previsão feita recentemente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em que se antevê que a taxa de crescimento do PIB para 2023 seja superior a 74,4%, atingindo 38,48 mil milhões de dólares, o que corresponde a 69,7% dos 55,21 mil milhões de 2019. A organização internacional estimou ainda que o PIB de Macau só ultrapasse o nível pré-epidémico em 2025. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


domingo, 22 de janeiro de 2023

África - Banco Africano de Desenvolvimento prevê crescimento de 4% no continente, acima da média mundial

O Produto Interno Bruto (PIB) de África vai crescer cerca de 4% neste e no próximo ano apesar dos múltiplos desafios, e acima da taxa mundial, de até 3,2%, estima o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

“Apesar de uma confluência de choques múltiplos, o crescimento nas cinco regiões africanas foi positivo em 2022 e as perspetivas para 2023 e 24 deverão ser estáveis”, disse o presidente do BAD, Akinwumi Adesina, no lançamento da primeira edição do relatório bianual Desempenho e Perspectivas Macroeconômicas de África, citado pela agência espanhola de notícias, a Efe.

“O abrandamento da procura global, condições financeiras mais restritivas e perturbações nas cadeias de abastecimento tiveram impactos diferentes nas várias economias africanas”, acrescentou Adesina.

Segundo o relatório, o crescimento médio estimado do PIB em África abrandou para 3,8% em 2022, contra 4,8% em 2021, num contexto marcado pela crise da covid-19 e pela invasão russa da Ucrânia.

No entanto, “as cinco regiões do continente permanecem resistentes e com uma perspetiva estável a médio prazo”, disse a instituição financeira multilateral, com sede em Abidjan, a capital econômica da Costa do Marfim.

O BAD espera que as cinco economias com melhor desempenho no continente antes da pandemia registem um crescimento médio em 2023 e 2024 superior a 5,5%, lideradas pelo Ruanda (7,9%), seguido da Costa do Marfim (7,1%), Benim (6,4%), Etiópia (6,0%) e Tanzânia (5,6%).

Outros países também crescerão mais de 5,5% neste período, como a República Democrática do Congo (6,8%), Gâmbia (6,4%), Moçambique (6,5%), Níger (9,6%), Senegal (9,4%) e Togo (6,3%).

Por outro lado, das regiões africanas, foi a África Central que atingiu o crescimento mais rápido no continente em 2022, com 4,7%, em comparação com 3,6% no ano anterior, graças aos “preços favoráveis das mercadorias”.

Por outro lado, a África Austral, que engloba Angola e Moçambique, teve o crescimento mais baixo, 2,5% no ano passado, abrandando face ao crescimento de 4,3% em 2021 devido ao aumento das taxas de juro e às interrupções persistentes devido à profunda crise energética na África do Sul.

Apesar das projeções positivas, o relatório, segundo a Efe, adverte também para riscos como “o aumento dos preços dos alimentos e da energia, o aperto das condições financeiras globais e o aumento associado dos custos do serviço da dívida”, para além da questão transversal das alterações climáticas.

Para enfrentar estes desafios, o BAD apela a medidas tais como ajustamentos “oportunos e agressivos” da política monetária nos países atingidos pela inflação ou o reforço do comércio intra-africano, especialmente no fabrico de produtos, para “proteger as economias dos preços voláteis das matérias-primas”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Japão - Economia cresce no final de 2021 alavancada pelo consumo e exportações

A economia do Japão cresceu a um ritmo anual de 5,4% entre Outubro e Dezembro, impulsionada por uma subida no consumo e nas exportações, disse ontem o Governo nipónico

O Produto Interno Bruto (PIB) real do Japão, que mede o valor dos produtos e serviços de um país, cresceu 1,3% em relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgado pelo conselho de ministros japonês.

O crescimento acelerou após a suspensão das medidas implementadas em 2021 para conter a subida das infeções por coronavírus. As restrições incluíam horários reduzidos para restaurantes e bares e o cancelamento de eventos de grande escala ou a sua realização com limitações no número de participantes ou espetadores.

O futuro da economia japonesa permanece incerto, já que as restrições voltaram a ser impostas recentemente na maior parte do país, incluindo na capital, Tóquio, após a variante Ómicron, considerada mais contagiosa, ter levado a um aumento das infeções e mortes.

No último trimestre do ano passado, antes do recente surto de covid-19, os japoneses tinham começaram a viajar novamente, sair para jantar e fazer compras. Entre Outubro e Dezembro, a procura doméstica cresceu 1,1%, impulsionada pelo consumo. As exportações também cresceram.

O Japão está atrás de outros países desenvolvidos na administração de doses de reforço das vacinas contra a covid-19, que chegaram a cerca de 10% da população.

Em 2021, a terceira maior economia do mundo cresceu 1,7%, a primeira subida em três anos. Este valor reflete a recuperação de uma economia estagnada, que em 2020 foi afectada pela pandemia. A economia do Japão encolheu em 2020 e 2019. Em 2021, a economia tinha crescido a uma taxa anual de 2,4% entre Abril e Junho, antes de contrair 2,7% no terceiro trimestre, entre Julho e Setembro.

Takayuki Toji, economista da SuMi TRUST, disse que os dados mais recentes mostram uma forte recuperação devido ao aumento do consumo, bem como uma subida nas exportações e no investimento devido à retoma da produção. O analista deu como exemplo a retoma na indústria automóvel, cuja produção tinha sido paralisada por uma crise no fornecimento de semicondutores.

Embora o fornecimento tenha recomeçado, permanecem restrições na oferta de semicondutores, algo que está a pressionar o investimento e as exportações japonesas, disse Toji. “Prevemos que a economia desacelere mais uma vez neste trimestre devido a um aumento das infeções por covid-19”, acrescentou. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 11 de julho de 2021

Lusofonia - Países lusófonos todos juntos seriam a 10ª maior economia mundial

Os nove países de expressão oficial portuguesa seriam a décima maior economia do mundo, valendo 1,8 biliões de dólares, ficando abaixo do Canadá e acima da Coreia do Sul, numa lista liderada pelos Estados Unidos.

De acordo com a base de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a junção do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste daria uma riqueza de 1,8 biliões de dólares, equivalente a cerca de 1,5 biliões de euros.

Os dados, consultados pela Lusa nas vésperas da realização da Cimeira de Luanda, que assinala a transição da presidência rotativa da CPLP de Cabo Verde para Angola, mostram ainda que a riqueza do Brasil é, de longe, a maior da lusofonia.

Entre as economias lusófonas, o Brasil tem um PIB avaliado em 1,4 biliões de dólares, o que compara com os 257 mil milhões de dólares de Portugal, a segunda maior economia lusófona, e com os 485 milhões de São Tomé e Príncipe, a mais pequena.

De acordo com as previsões do FMI, o valor destas economias vai crescer 9,1% no próximo ano, chegando ao final de 2022 com uma riqueza total de 2,014 biliões de dólares, equivalentes a 1,65 biliões de euros.

Acima da economia lusófona estão os Estados Unidos, com 22 biliões de dólares, a China, com 16 biliões, e depois Japão, Alemanha, Reino Unido, Índia, França, Itália e Canadá. In “Mundo Lusíada” - Brasil com “Lusa”

 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Lusofonia - Países lusófonos juntos seriam a 10.ª maior economia mundial

Os nove países de expressão oficial portuguesa seriam a décima maior economia do mundo, valendo 1,8 biliões de dólares, ficando abaixo do Canadá e acima da Coreia do Sul, numa lista liderada pelos Estados Unidos

De acordo com a base de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), consultada pela Lusa, a junção do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste daria uma riqueza de 1,8 biliões de dólares, equivalente a cerca de 1,5 biliões de euros.

Entre as economias lusófonas, o Brasil é, de longe, a maior, com um PIB avaliado em 1,4 biliões de dólares, o que compara com os 257 mil milhões de dólares de Portugal, a segunda maior economia lusófona, e com os 485 milhões de São Tomé e Príncipe, a mais pequena.

De acordo com as previsões do FMI, o valor destas economias vai crescer 9,1% no próximo ano, chegando ao final de 2022 com uma riqueza total de 2,014 biliões de dólares, equivalentes a 1,65 biliões de euros.

Acima da economia lusófona estão os Estados Unidos, com 22 biliões de dólares, a China, com 16 biliões, e depois Japão, Alemanha, Reino Unido, Índia, França, Itália e Canadá. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Macau - Economia caiu 48,7% no primeiro trimestre de 2020

A economia de Macau caiu 48,7% no primeiro trimestre, reflectindo uma quebra que não surpreendeu os economistas ouvidos pelo Jornal Tribuna de Macau, devido à actual conjuntura no sector do jogo. Porém, apesar de Macau ter uma grande reserva financeira, alertam que esta situação poderá tornar-se incomportável e defendem a abertura das fronteiras como solução

O Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma descida anual de 48,7%, em termos reais, durante os primeiros três meses deste ano. Segundo salientou a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), “embora não tenha ocorrido qualquer contágio a nível comunitário em Macau, a economia do território, em que predominam as exportações de serviços, sofreu um grave impacto da queda drástica da procura global”.

Economistas contactados pela Tribuna de Macau consideraram que a queda era “expectável” tendo em conta a correlação com as receitas do sector do jogo, que também estão em queda devido ao encerramento das fronteiras, para conter a disseminação do novo coronavírus.

“Podemos notar que a resposta do PIB é muito próxima do que aconteceu com a quebra das receitas do jogo”, que como é natural, “nesta altura é muito acentuada”, indicou Albano Martins. Por isso, o economista sublinha que a recuperação económica depende das regras impostas nas fronteiras.

“Não há outra hipótese de recuperação a não ser pela via da abertura das fronteiras de Macau a jogadores chineses e de Hong Kong, claro neste momento mais da própria China Continental”, defendeu.

No que diz respeito à procura interna, segundo os dados oficiais, as exportações de serviços desceram 60%, em termos anuais, com destaque para as quedas de 61,5% nas exportações de serviços do jogo e de 63,9% nas exportações de outros serviços turísticos. As exportações de bens diminuíram 23,5%.

Albano Martins esclareceu que “Macau não exporta bens, só exporta serviços, o que é o termo técnico económico para dizer que nós vendemos produtos, que são serviços no território de Macau, a não residentes. Chamamos exportação de serviços, mas não há exportação nenhuma”.

Neste contexto, Albano Martins considera que as actuais restrições de entrada são desproporcionais à dimensão do problema da pandemia. “Quem entender que pode melhorar a economia de Macau estando apenas preocupado com a saúde pública está enganado. Isto é um binómio, as duas coisas dependem uma da outra, mas é preciso a determinada altura haver um grau de risco”.

“Quando há mais de 50 dias que não temos contaminação nenhuma, nós estamos a dar um tiro nos próprios pés”, disse, alentando que este “tiro nos próprios pés” custa muito dinheiro ao Governo. “Não estou preocupado com as receitas do jogo em si. Estou preocupado com as receitas do jogo do Governo que são substancialmente elevadas para serem perdidas apenas porque quem decide as questões económicas, mistura as questões económicas com as questões de saúde publicas”.

Por sua vez, José Sales Marques diz que a recuperação económica será “certamente só depois do Verão”.

“Apesar do consumo interno estar a recuperar, até pela injecção dos cartões de consumo electrónico o consumo representa uma parte não tão significativa, [do PIB] sobretudo, o consumo interno dos residentes. Portanto, enquanto não recuperarmos o número de visitantes, quer em termos gerais, quer particularmente, visitantes que venham cá jogar, vamos continuar a ter valores muito baixos em termos do PIB”, explicou.

Quanto ao Governo “já chegou ao limite daquilo que vai fazer do ponto de vista de injecção na economia, aquilo que podemos chamar de estímulos fiscais”. “O que vamos ter a partir de agora é o regresso do funcionamento normal da economia de Macau”, indicou referindo-se às duas rondas de apoios que totalizaram uma injecção de 13,6 mil milhões de patacas na economia local.

Sales Marques destacou ainda que o Executivo já assumiu um orçamento deficitário para o corrente ano e que os valores referentes ao primeiro trimestre correspondem às expectativas traçadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “Aquilo que está previsto pelo FMI é uma queda de 29% para este ano e, por enquanto, acho que essa previsão está mais ou menos dentro daquilo que poderá acontecer”.

Um “amortecedor” parcial

Por outro lado, José Isaac Duarte, observa que as “previsões dependem de um conjunto de pressupostos, que nesta altura são muito difíceis de definir”.

“Abril foi 5% das contas do ano passado. No primeiro semestre foi um período de adaptação onde as pessoas foram postas em ‘lay-off’ ou despedidas, ainda têm algumas poupanças e por isso não têm padrões de consumo, mas a cada mês que passa essa situação se irá agravar mais”, alertou o economista. “Já estamos a metade do ano, não podemos ficar assim o ano todo”, indicou, acrescentando que as iniciativas do Governo serão insuficientes dada a dependência económica do sector do jogo e das receitas das despesas dos visitantes.

Os economistas afirmaram ainda que a reserva financeira tem capacidade para suportar esta situação durante bastante tempo, mas Isaac Duarte nota que “as reservas também precisam ser reabastecidas”.

“Existe um amortecedor, mas que servirá apenas parcialmente. Nunca será um amortecedor que substitui o resto da economia. As despesas totais do Governo representam cerca de 25% do PIB, por isso o Governo tem de cobrar esses impostos, uma vez que não vende serviços”, afirmou Isaac Duarte.

Por outro lado, no que diz respeito ao sector privado, “precisa de manter os padrões de vida, e em alguns casos padrões de vida mínimos porque começará a haver pessoas com carências para satisfazer as necessidades básicas”.

O comunicado da DSEC referente ao primeiro trimestre indica ainda que a procura interna “arrastada principalmente pelas diminuições do investimento em activos fixos e da despesa de consumo privado, não obstante o aumento de cinco por cento da despesa de consumo final do Governo”, teve uma queda de 17,5%. A despesa do consumo privado sofreu uma descida de 15,2%, justificada pela redução no consumo fora de casa e nas viagens.

No campo das despesas, o Governo adquiriu mais equipamentos de protecção e materiais médicos, lançou medidas de apoio financeiro e reservou hotéis para quarentenas, “incrementando assim a amplitude ascendente da despesa de consumo final do Governo, passando de 1,9% no trimestre anterior para cinco por cento”.

A amplitude descendente do investimento em activos fixos foi agravada com um decréscimo anual de 37,2%. Por outro lado, investimento em obras públicas registou uma subida anual de 47,8%.

Em termos anuais, as importações de bens caíram 30,8% dadas as diminuições na despesa de consumo privado, no investimento e nas despesas dos visitantes. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

São Tomé e Príncipe - Governador do Banco Central prevê crescimento do PIB em 3,5%

São Tomé – O governador do Banco Central de São Tomé e Príncipe, BCSTP, Américo Barros anunciou na passada segunda-feira no tradicional balanço económico do fim do ano, que a economia são-tomense deverá registar um crescimento do PIB na ordem de 3,5%, em 2020, e uma inflação a rondar os 6,6%.

“Espera-se um maior incremento da actividade económica para 2020, sendo espectável uma maior aceleração da taxa de crescimento do PIB a rondar os 3,5% na sequência da execução do programa de investimento público com financiamentos do Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, a República Popular da China dentre outros parceiros estratégicos para São Tomé e Príncipe”, sublinhou Américo Ramos em projeção para 2020.

Tendo revelado uma inflação acumulada em Novembro ultimo de 5,7% face a 8,0% no igual período do ano anterior, Américo Barros disse esperar em 2020 uma inflação a rondar os 6,6% que considera “compatível com a contração da oferta monetária em 5,2%.

Depois de manifestar-se preocupado com o crescimento do PIB em 2019 por não ter ultrapassado 1,5 %, o governador do Banco disse que “quanto às contas externas a sua evolução é reveladora de grande preocupação, na medida em que as reservas internacionais líquidas garantem apenas 1,6 meses de importação”.

“A conjuntura económica internacional foi de facto bastante adversa aos propósitos da economia são-tomense”, disse Américo Barros, tendo sublinhado que “no actual contexto, estima-se que o Produto Interno Bruto cresça 2%, sustentado essencialmente pela evolução positiva do Turismo e da Agricultura”.

O governador do Banco Central anunciou para o segundo trimestre do próximo ano a entrada em vigor da nova serie de notas de 200 Dobras para “minimizar os constrangimentos relacionados com a retirada das mesmas em circulação”. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”

sábado, 15 de dezembro de 2018

Moçambique - FMI projecta um crescimento económico de 4,7 por cento para 2019

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta um crescimento económico, para Moçambique, entre 4 e 4,7 por cento, no próximo ano, segundo indicou, na quarta-feira, 12 de Dezembro, em Maputo, o representante residente desta instituição, em Moçambique.

Ari Aisen, que falava à margem de uma palestra, promovida pela Escola Superior de Altos Estudos e Negócios – ESAEN, uma unidade orgânica da Universidade Politécnica, sob o tema: “A Conjuntura Económica Internacional e Potenciais Impactos nas Economias Emergentes e de Moçambique”, sustentou que o desempenho da economia moçambicana, em 2019, vai depender, em parte, da Decisão Final de Investimentos (FID) das empresas no sector de gás, na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

O representante residente referiu, igualmente, que aliado a este factor, o pagamento aos fornecedores e o contínuo relaxamento cauteloso de uma política monetária podem favorecer o aumento de crédito, assim como a manutenção da paz, que é um elemento central no projecto do crescimento económico do país.

A Decisão Final de Investimentos sinaliza, conforme argumentou Ari Aisen, o grande potencial que Moçambique tem e que poderá catapultar o crescimento da economia para 4,7 por cento.

O orador alertou sobre os riscos que as economias da África subsariana têm, e que podem ser externos, como os preços do carvão e do alumínio, que se espera que não tenham declínio no mercado internacional. Apontou ainda para os factores de risco climáticos, que podem pressionar a política fiscal e económica, tendo, por consequência, recomendado para a observância de uma disciplina fiscal acentuada.

“Recomendamos uma disciplina fiscal neste processo, para evitar situações de agravamento, depreciação e inflação da moeda, quando comparado com o que o País registou no ano passado, com o Produto Interno Bruto (PIB) a registar uma subida de 3,5 pontos percentuais, em 2018, para 4,7 por cento, como projecção em 2019”, disse Ari Aisen.

A inflação também registou uma estabilidade, com o registo de 6,5 pontos percentuais, em 2018, e projecta-se 5,5 pontos percentuais para 2019. A taxa de câmbio, segundo Ari Aisen, continuará estável em 2019.

Abordado momentos após a palestra, Narciso Matos, Reitor da Universidade Politécnica, disse ter tirado várias ilações da apresentação feita pelo representante do FMI em Moçambique, particularmente no que se refere às projecções do ano económico de 2019.

Sobre o evento, Narciso Matos explicou que se insere no novo ciclo de palestras, que visa orientar os estudantes da maior universidade privada do País, o corpo docente e convidados, sobre as dinâmicas da economia nacional e suas directrizes. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 24 de novembro de 2018

Brasil - Economia cresce 1% no terceiro trimestre de 2018, diz FGV

A economia brasileira cresceu 1% do segundo para o terceiro trimestre deste ano. A informação é do Monitor do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com a pesquisa, divulgada hoje no Rio de Janeiro, o PIB se expandiu 1,7% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, e acumula alta de 1,6% em 12 meses.



Considerando-se apenas setembro, houve avanços de 0,4% na comparação com agosto deste ano e de 1,1% em relação a setembro de 2017.

O crescimento de 1% do segundo para o terceiro trimestre foi seguido pelos três grandes setores produtivos: serviços (0,7%), indústria (0,7%) e agropecuária (2,4%). Entre os segmentos da indústria, a maior alta foi anotada na construção (1,5%).

Também teve crescimento a indústria da transformação (0,7%).

No entanto, tiveram queda a indústria extrativa mineral (-0,7%) e a geração de eletricidade (-0,4%).

Entre os serviços, as maiores altas foram observadas nos segmentos de transportes (2,5%) e comércio (1,3%). Apenas o setor de outros serviços teve queda, de 0,1%.

Demanda

Sob a ótica da demanda, a alta foi puxada principalmente pela formação bruta de capital fixo, que são os investimentos. 

O setor cresceu 7% de um trimestre para outro. O consumo das famílias também aumentou, mas de forma mais moderada: 0,7%. O consumo do governo, por outro lado, caiu 0,1%.

No setor externo, observou-se um avanço de 8,6% nas exportações entre o segundo e o terceiro trimestre. As importações, no entanto, tiveram um crescimento mais expressivo no período: 11%. Vitor Abdala – Brasil in “Agência Brasil”

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Cabo Verde - Produto Interno Bruto aumentou 5,9%, no 2º trimestre de 2018

No 2º trimestre de 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) registou, em termos homólogos, um aumento de 5,9% em volume. Esta evolução resultou do maior contributo das despesas do Consumo Final e das Exportações. A aceleração do Consumo Final resulta, principalmente do aumento das despesas do Consumo Final da Administração Pública

No 2º trimestre de 2018 o PIB registou uma variação homóloga de 5,9%, em termos reais, taxa superior em 2,4 pontos percentuais (p.p.) à verificada no 1º trimestre de 2018.

O Consumo Final registou uma variação homóloga positiva de 4,2% no 2º trimestre de 2018 (-3,8% no trimestre anterior). O Consumo Privado aumentou 0,3%, em termos reais no 2º trimestre de 2018, o que traduziu numa aceleração face à variação de - 3,2% registada no 1º trimestre. O Consumo Público apresentou uma taxa de variação homóloga de 21,2% (variação -6,0% no trimestre anterior).
 
O Investimento registou uma variação homóloga positiva, de 5,0% em volume no 2º trimestre de 2018 (variação 2,3% no trimestre anterior).

As Exportações e as Importações aumentaram 27,7% e 16,7% em volume, respectivamente

As Exportações de Bens e Serviços em volume registaram no 2º trimestre, uma variação homóloga de 27,7% (11,5% no trimestre anterior).

As Importações de Bens e Serviços, em termos homólogos, aumentaram 16,7% (-0,1% no 1ºT de 2018).

VAB a preços base aumentou 5,4% no 2º trimestre 2018

O VAB a preços de base registou no 2º trimestre, um crescimento homólogo de 5,4% em termos reais, mais 2,0 p.p que no trimestre precedente.

O VAB do ramo Agricultura diminuiu 13,6% no 2º trimestre de 2018, contribuindo, negativamente, em -0,9 p.p na variação total do crescimento do PIB.


O VAB do ramo da Indústria Transformadora registou um aumento de 9,4% (25,3% no 1º trimestre de 2018), contribuindo com 0,5 p.p. para a variação total do crescimento do PIB.

No VAB do ramo da Construção, verificou-se um aumento de 8,6% no 2º trimestre, tendo uma contribuição de 1,1 p.p na variação total do crescimento do PIB.

Comparativamente ao mesmo trimestre de 2017, o VAB do ramo de Comércio apresentou, no 2º trimestre de 2018, uma variação homóloga de 8,0% em volume (6,3% no trimestre anterior), traduzindo-se num contributo para a variação homóloga do PIB em 0,6 p.p.

O VAB dos ramos de Transporte, Alojamento e Restauração apresentaram, em termos reais, uma variação de -7,5% e 7,3%, no 2º trimestre, respectivamente (contribuindo em -0,7 p.p e 0,1 p.p, variação total do crescimento do PIB).

O VAB do ramo da Administração Pública, acelerou para um crescimento de 14,7% no 2º trimestre (-5,1% no 1º trimestre de 2018), contribuindo em 2,5 p.p na variação total do crescimento do PIB.

Por sua vez, os Impostos Líquidos de Subsídios sobre os Produtos, em termos reais, apresentaram um crescimento homólogo de 9,1% no 2º trimestre, contribuindo em 1,3 p.p na variação total do crescimento do PIB.




Aceda aqui para mais informações. Instituto Nacional de Estatística – Cabo Verde

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Timor-Leste - Dados económicos confirmam desaceleração da economia

A tensão política que marcou o último ano em Timor-Leste está a ter um grande impacto na economia do país, com indicadores macroeconómicos a confirmarem uma contração económica profunda, especialmente no setor não-petrolífero.

As previsões mais recentes do Banco Mundial, por exemplo, revelam que a economia regrediu 1,8% em 2017, muito longe do crescimento de 5,3% de 2016.

A nível do PIB não-petrolífero, o próprio Ministério do Plano e Finanças indica nos documentos do Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano – em debate atualmente no parlamento – que a economia recuou 5,3% no ano passado, crescendo apenas 0,6% este ano.

Os mesmos documentos referem inclusive uma queda de 5,1% no número de pessoas com emprego formal, especialmente devido à redução no setor da construção que tem estado seriamente condicionado pelo menor investimento do Estado em infraestruturas e obras públicas.

Recorde-se que no último ano Timor-Leste viveu um dos períodos políticos mais tensos, com a dissolução do parlamento, eleições legislativas antecipadas e a queda do Governo.

Uma situação ainda não totalmente resolvida – apesar de um Governo apoiado por uma coligação maioritária – com grandes solavancos na coabitação entre o chefe de Estado e os partidos do executivo relativamente à nomeação de alguns membros do Governo, incluindo para posições chaves como são o caso do Ministro das Finanças, do Interior ou da Saúde.

Apesar dessa instabilidade política não ter causado instabilidade social – praticamente não houve conflitos de natureza política e a criminalidade mantém-se relativamente idêntica – o mesmo não se pode dizer da economia do país.

Quando se cumprem 16 anos da restauração da independência, Timor-Leste meteu travão a fundo num crescimento económico que tem estado entre os mais elevados da região e está hoje a regredir ou praticamente estagnado.

Com o país a duodécimos desde 01 de janeiro – o novo Governo espera aprovar o orçamento para 2018 apenas em meados de setembro, tendo depois que passar ainda o crivo do Presidente -, a economia timorense, que vive em grande parte dependente do Estado, tem-se ressentido seriamente.

A situação agravou-se em julho quando o dinheiro disponível nos cofres do Estado praticamente acabou e não foi feito qualquer levantamento adicional do Fundo Petrolífero.

Um dos exemplos mais gritantes é a da dívida à ETO, a empresa que fornece diesel para as centrais elétricas do país, que já ascendia este mês a “entre 25 e 30 milhões de dólares”.

As reservas chegaram ao limite e chegou mesmo a estar em risco o fornecimento elétrico ao país, ‘salvo’ por um pagamento parcial da dívida, de sete milhões, feito em meados de agosto.

Muitos empresários, de média e pequena dimensão, falam da falta de liquidez, com empresas e pequenos negócios a fechar, empresários a ter que recorrer à banca para se financiar enquanto não recebem do Estado ou enquanto esperam que a máquina de concursos públicos volte a acelerar motores.

O emergente setor de serviços do país e paralelamente da emergente classe média nacional são os primeiros a ressentir-se com restaurantes, lojas ou outro tipo de serviços a relatar quedas significativas nas vendas.

Ainda que os salários de muitos – especialmente funcionários públicos – se tenham mantido, há mais conservadorismo nos gastos por recearem a duração da crise.

Muitos subcontratados estão desempregados ou não viram os seus contratos renovados, procedeu-se à redução no número de assessores – e o impasse que levou muitos a optarem por sair do país faz-se sentir em aspetos como arrendamentos de casa, contratações de empregados domésticos ou consumo nos supermercados.

Nos primeiros oito meses deste ano, por exemplo, o Portal de Transparência do Ministério das Finanças regista receitas não-petrolíferas (impostos sobre importações ou tributários, por exemplo) de cerca de 137,62 milhões de dólares (cerca de 118 milhões de euros), ou cerca de 17,2 milhões por mês (cerca de 15 milhões de euros).

Um valor idêntico à média mensal de 17,51 milhões de dólares registada em 2017, mas abaixo dos mais de 19 milhões por mês de 2016. O próprio Governo nota nos livros orçamentais para 2018 que “o fraco desempenho do crescimento do PIB, afetou negativamente as receitas fiscais, as quais são o principal componente das receitas não-petrolíferas”.

O impacto da situação política no funcionamento do Estado torna-se igualmente evidente pelos gastos públicos que continuam a ser o maior motor da economia, tanto direta como indiretamente.

Nos primeiros oito meses do ano o Estado gastou 503,18 milhões de dólares (433 milhões de euros) ou cerca de 62,9 milhões por mês (53 milhões de euros). Um valor que é cerca de um terço menor do que a média de 98,64 milhões gastos mensalmente em 2017 (foram executados 1,18 mil milhões de dólares), mas que é significativamente menor do que o verificado em 2016.

Nesse ano, o Estado gastou 1,63 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 135,83 milhões de dólares mensais, mais do dobro do que gastou por mês nos últimos 20 meses. In “Dinheiro Vivo” – Portugal com “Lusa”