Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 21 de março de 2026

Cabo Verde - Irmã Hélida Correia lança “ReiKina”, primeira obra a solo que apela ao civismo ambiental infantil

Cidade da Praia - A educadora e escritora Irmã Hélida Correia lança a 25 deste mês, na cidade da Praia, o livro infantojuvenil ReiKina, obra que sensibiliza crianças e famílias para responsabilidade ambiental e correcta gestão do lixo.


Em entrevista à Inforpress, a educadora e escritora Irmã Hélida Correia, mestre em Educação Pré-Escolar e Primeiro Ciclo do Ensino Básico, elucidou que o livro infantojuvenil ReiKina nasceu de uma experiência vivida com alunos, transformada depois numa história de sensibilização ambiental.

A ideia surgiu quando, durante uma actividade com crianças nas imediações da escola, se deparou com lixo espalhado junto aos contentores, situação que motivou um trabalho de consciencialização entre os alunos.

Segundo relatou, a iniciativa começou com uma música criada pelas próprias crianças para incentivar a colocação correcta do lixo, experiência que mais tarde inspirou a construção da narrativa.

“O contentor está aí, mas nós próprios deitamos o lixo no chão. Então decidi pôr o contentor a falar”, afirmou.

Na história, o contentor transforma-se na personagem ReiKina, uma figura simbólica que representa um apelo silencioso à responsabilidade colectiva e ao cuidado com os espaços públicos.

O nome escolhido resulta da expressão “rei da esquina”, numa referência aos contentores presentes nas ruas e bairros, muitas vezes ignorados no quotidiano, apesar do papel essencial que desempenham na organização urbana.

A obra de 36 páginas apresenta uma linguagem simples e pedagógica, dirigida sobretudo às crianças, embora também procure envolver pais, professores e toda a comunidade numa reflexão conjunta sobre os hábitos relacionados com o lixo.

Ao longo da narrativa, a autora introduz conceitos como reciclagem, reutilização e compostagem, incentivando pequenas atitudes diárias capazes de contribuir para mudanças mais amplas na sociedade.

Para Hélida Correia, iniciar essa sensibilização desde cedo constitui um passo decisivo na formação de cidadãos conscientes, sublinhando que a educação infantil representa o primeiro alicerce da construção de valores sociais e ambientais.

A escritora considera que a leitura possui um “papel determinante” nesse processo de formação pessoal e intelectual.

“Desde muito cedo percebi que o livro, na minha mão, faz-me viajar sem sair do lugar. Abre a minha mente e posso viver em qualquer sítio do mundo”, afiançou.

Com formato quadrado de grande dimensão, ReiKina apresenta uma narrativa acompanhada de elementos pedagógicos, incluindo uma música que pode ser utilizada por professores e famílias como ferramenta de sensibilização.

A publicação teve produção assegurada pela Gráfica Santos, enquanto o prefácio conta com a assinatura de Elídio Jesus, director do Centro Educativo de Miraflores.

Apesar de representar a primeira obra publicada individualmente, a autora já possui cerca de 20 histórias infantis escritas, além de poemas, romances e reflexões literárias, considerando esta publicação como a “mãe de todas as outras”.

A edição inicial prevê mil exemplares, com o objectivo de alcançar escolas, famílias e leitores interessados na temática ambiental.

A apresentação pública da obra está marcada para o dia 25 de Março, na Biblioteca Nacional, na cidade da Praia, com intervenções da escritora e docente Augusta Évora, do escritor Paulo Veríssimo e de Elídio Jesus, autor do prefácio. In “Inforpress” – Cabo Verde


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Moçambique - O sentido simbólico do tempo

Conheci Álvaro Fausto Taruma há milhões de anos. Na altura, como poeta, um bom poeta! Por isso mesmo, não fiquei nada surpreendido quando, em 2018, o seu Matéria para um grito foi laureado Prémio BCI de Literatura (ex aequo). Bem mais tarde, fiquei a saber que o nosso autor também é copywriter, guionista e, recentemente, escritor. A primeira vez que li uma história dele foi na antologia Espíritos Quânticos, organizada pela escritora Virgília Ferrão. E quando achava que já não haveria mais surpresas de sua parte, eis que me convida para apresentar o seu primeiro infanto-juvenil. Quer dizer, de tantas coisas que o poeta faz, ocorreu-me apresentar-lhe uma proposta de alteração do seu nome. Ao invés de Álvaro Fausto Taruma, bem que poderia passar a chamar-se Álvaro Faz Taruma. É uma pequena ideia. Para ser analisada com cuidado e sem pressa. 


Quanto ao que mais importa, atribuí a esta intervenção o título “O sentido simbólico do tempo”. Pois, durante a leitura de Moya e o pequeno gigante solitário, visualizei que o plano temporal do conto é das construções estéticas mais impactantes na solidificação do enredo. Sem muito interesse em seguir um trajecto cronológico na enunciação dos eventos cardinais, Álvaro Fausto Taruma opta por diluir a história num movimento paralelo que se projecta do presente ao futuro e do passado ao presente. Para o efeito, o escritor inventa um diálogo entre um pai e um filho. O primeiro, como autor moral que justifica a activação de analepses. O segundo, como protagonista de um suspense que mantém o desfecho indefinido até ao fim. 

Editado pela Escola Portuguesa de Moçambique, este conto infanto-juvenil aproveita-se do estranho ou do maravilhoso para instalar, nos mais novos, a imaginação de que necessitam para aceitarem a história como um universo encantado, no qual se pode aprender a sonhar sobre tudo o que a realidade angustiante impede. Assim, ambas as experiências fantásticas (estranho e maravilhoso) concorrem, igualmente, para situar Moya e Inkulo (o pequeno gigante solitário) numa dimensão em que os argumentos discursivos das personagens ultrapassam as ocorrências normalmente explicadas através das leis da natureza. Por essa razão, quando lemos a obra de Álvaro Fausto Taruma, não procuramos interpretar a origem e o destino dos protagonistas e das personagens secundárias conforme o que julgamos saber. A história, na verdade, afirma-se como uma paisagem para aprendizagem de outros significados, que, não obstante o efeito místico, ajudam imenso a tornar a literatura um recurso tão importante para a compreensão do quotidiano. A literatura cumpre e muito bem esse papel de, por exemplo, estimular nas crianças a rápida compreensão sobre quem são na ligação com o ambiente. Consequentemente, quanto mais histórias uma criança ouve, mais possibilidades tem de se relacionar com mundo através do conhecimento proporcionado pela palavra.

Mesmo a propósito do poder das histórias, há dias, numa caminhada nas ruas do Bairro Infulene, onde vivo, impedi o meu sobrinho Liam de pisar capim. Mas, à medida que a caminhada prosseguia, ele reaproxima-se desordenadamente ao capim. A certa altura, farto de ouvir a mesma proibição, ele parou e enfrentou-me para elaborar a maior pergunta do mundo: 

– Tio Remédios, o que é capim?

Bem, num país em que se defende que o cabrito come onde está amarrado, encarrei o meu sobrinho com empatia, na certeza de que ele nunca se tornará um quadrúpede, isto é, um cabrito. Mas, ainda assim, não consegui espantar um sorriso malandro que se prolongou por uns segundos nos meus lábios. Antes de qualquer resposta, entretanto, formulei a seguinte pergunta como quem se certifica do que acaba de constatar:

– Liam, tu não sabes o que é capim?

O Liam, 5 anos de idade, que vive no primeiro andar de um prédio, aqui na Cidade de Maputo, fez uns tantos gestos com a cabeça. Para cima e para baixo. Então mostrei-lhe o que era capim e mesmo assim ele não quis ser cabrito. Fiquei contente pela integridade do meu sobrinho, que, logo a seguir, perguntou-me: 

– Tio Remédios, porquê não posso pisar capim?

Para não revelar o meu verdadeiro receio, inspirado na leitura de Moya e o pequeno gigante solitário, feita naquela mesma tarde, improvisei uma história sobre os animais bons e maus, verdadeiros e falsos, e ainda defini o capim como caminho preferencial dos animais que foram expulsos da convivência humana, por serem cruéis. Enrolei-me tanto que até sou incapaz de repetir a história completa. Mas o Liam não reparou nos meus improvisos. Pelo contrário, o miúdo não só entendeu a minha proibição como também ampliou o seu vocabulário e a sua capacidade de imaginar. Hoje, tenho certeza de que se lhe perguntarem como foram as férias na nossa casa, ele dirá algo assim:

– Foram muito boas! Aprendi o que é capim.

Ora, uma das ocorrências interessantes de contar histórias tem a ver com o seguinte: enquanto contamos, aprendemos alguma coisa sobre o que contamos e sobre nós próprios. Quando respondia às perguntas do meu sobrinho, reparei que a curiosidade é o requisito para o conhecimento da mesma forma que a invenção ficcional constitui, geralmente, um teste à nossa maneira de recorrer à língua e à cultura para, no caso do conto infanto-juvenil, redefinir a realidade. 

Com efeito, na leitura de Moya e o pequeno gigante solitário, naquela tarde de sábado, captei as possibilidades criativas que me permitiram ensinar ao Liam os limites do Homem na relação com os outros bichos da natureza ou com o meio ambiente em geral. Nesse aspecto, o conto de Taruma é uma proposta ecológica, uma vez que nos desperta para a necessidade de cuidarmos do que o ser humano tem de preservar para as futuras gerações: o planeta Terra. Este tema não é nada furtuito, pois vivemos numa época em que os grandes decisores mundiais rasgam ou boicotam protocolos climáticos por questões meramente económicas e egocêntricas. 

O infanto-juvenil de Álvaro Fausto Taruma é uma história para gerar mudanças positivas de comportamentos. Numa comunidade aterrorizada pelo imbatível poder do pequeno gigante solitário, por exemplo, cabe ao herói, o menino Moya, a difícil missão de vencer o medo, como assegura o narrador do romance Ku Femba, de João Salva-Rey, o parente próximo da loucura. O herói da história, não obstante a sua pouca idade, representa a determinação que, nas nossas sociedades, tem faltado no ataque às questões que comprometem o bem-estar colectivo. Moya é uma personagem que personifica o altruísmo, a justiça e a paixão pela liberdade. Tomando o problema dos outros como seus, a personagem inspira-se no pai e no que há de melhor à sua volta para que, numa situação em que Inkulo e a comunidade encontram-se afastados, possa aproximar as partes contrariadas. Desse ponto de vista, esta também é uma história de reconciliação. Mas não na perspectiva da que os políticos nos habitaram. A reconciliação vigente em Moya e o pequeno gigante solitário é oportuna e genuína, o que nos faz pensar sobre o poder da pacificação e da harmonia social. 

Aos que se preocupam com a integridade dos seus filhos, sobrinhos, netos ou alunos, a todas as crianças que estudam nesta ou noutras escolas, se calhar, têm mesmo de ler este conto infanto-juvenil. Quem sabe, tal como o meu sobrinho Liam, poderão aprender numa palavra o universo que se esconde à nossa volta. José dos Remédios – Moçambique in “Moz Entretenimento”


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Portugal – Lançamento do livro infantojuvenil de Luísa Fresta no Centro Cultural de Cabo Verde na cidade de Lisboa

O Centro Cultural de Cabo Verde acolhe, no dia 28 de fevereiro, pelas 16 horas, o lançamento do livro infantojuvenil “Bichos de Má Catadura” da escritora portuguesa e angolana Luísa Fresta, segundo livro da coleção Capitão, após o livro “No País das Tropelias e Desventuras”, publicado em setembro de 2024


Com a chancela da Editorial Novembro e com ilustrações de Mara Silva, o livro será apresentado pela escritora Regina Correia e a leitura de textos a cargo do escritor angolano João Fernando André.

Bichos de Má Catadura é o quarto livro infantojuvenil da escritora Luísa Fresta e almeja unir a família ao redor das cinco histórias que o livro apresenta. Baía da Lusofonia

Sinopse

“(…) BICHOS DE MÁ CATADURA reúne cinco novas histórias e pretende, a partir de agora, ser teu companheiro e amigo, oferecendo-te momentos de distração e de aprendizagem. Não te esqueças nunca que os adultos que escrevem e fazem ilustrações também já foram crianças e lembram-se bem do que sentiam, do que gostavam e sonhavam. Pode ser que tenham sido crianças parecidas contigo, ou não, porque, no mundo em que vivemos, há espaço para pessoas diferentes, que querem comunicar umas com as outras e construir relações harmoniosas, que é como quem diz, modos de conviver que sejam agradáveis e pautados pelo respeito e pela tolerância (…)”. 

Biografia da autora: 

Luísa Fresta, portuguesa e angolana, viveu a maior parte da sua juventude em Angola, país com o qual mantém laços familiares e culturais; reside em Portugal, desde 1993.

Publicou em 2012/13 uma série de crónicas sobre as décadas de 70/80 da vida em Luanda, através do Jornal Cultura - Jornal Angolano de Artes e Letras, com o qual colaborou regularmente até 2015, e publicou também, pontualmente, em diversas revistas on-line (a moçambicana Literatas e as brasileiras Samizdat e Subversa).

Escreve regularmente desde 2013 no portal O Gazeta, coordenado por Germano Xavier e desde 2014 publica prosa e poesia no portal Entrementes - Revista Digital de Cultura. Desde 2016 escreve também no jornal digital Artes&Contextos.

Sobre cinema, essencialmente lusófono e africano francófono, mantém participações episódicas através de artigos de opinião no site de crítica de cinema Africiné, portal BUALA, revista Awotele, e manteve, até 2015, duas colunas na revista METROPOLIS, intituladas: “A 7ª arte em África” e “Filmes da Lusofonia”. Em 2016 integrou o júri do comité de pré-seleção da representação pan-africana do Festival L’Arbre d’Or (filmes documentários - Gorée/Senegal).

Prémios e principais Antologias: 1998 - Portugal: concurso de contos curtos “Expo 98 palavras” (texto Crime, publicado juntamente com cerca de outros 100); 2013 - Brasil: 2.º lugar no 9.º concurso online - II Prêmio Licinho Campos de Poesias de Amor (poema Soneto do Amor no Feminino); 2.º prémio no 1.º Concurso Internacional de Literatura de Alacib (na categoria crónica, com Outros Campeonatos); 2014 - Brasil: o poema Talvez foi considerado um dos melhores 50 apresentados a concurso e incluído numa coletânea publicada pela Academia Jacarehyense de Letras, promotora do 8.º Festival Internacional de Sonetos; 2015 - Brasil: crónica Luanda, aliás «São Paulo da Assunção de Loanda» incluída numa coletânea editada pela Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP; 2016 - Portugal: integrou, juntamente com sete outros autores, uma antologia solidária dedicada ao tema da saúde mental, intitulada “Mens Sana” (com o conto O papel de Aurélie), editada pela Livros de Ontem; 2018 - Brasil: 1.º prémio de crónica internacional no 2.º Varal Literário da Câmara Municipal de Divinópolis com o texto Eu quero a panela grande; 2019 - Angola: participou numa antologia em homenagem ao poeta João Tala intitulada “Nós e a Poesia” editada pelas Edições Handyman; Portugal: integrou uma antologia poética intitulada “Templo de Palavras”, com o selo da Editorial Minerva e coordenação literária a cargo do poeta e escritor Delmar Maia Gonçalves; Brasil: 1.º prémio de crónica internacional no 3.º Varal Literário da Câmara Municipal de Divinópolis com o texto Os caminhos ínvios da escrita; Cabo Verde: participou na antologia solidária “Mulheres e Seus Destinos”, organizada por Yara dos Santos e Lena Marçal; 2020 - Portugal: colaborou no projeto LER&CONTAR (contos infantis/infantojuvenis para colecionar), criado por Glória de Sousa, Tomás Gavino Coelho e Samuel Rego, com o conto “O organizador de bichas, uma história de guerra”. Trata-se de uma iniciativa probono, com textos de doze autores angolanos. 

Obras da autora: 49 Passos/ Entre os Limites e o Infinito (poesia), Chiado Editora, 2014; Contexturas (contos, baseados em quadros de Armanda Alves, coautora), Livros de Ontem, 2017; Março entre meridianos (poesia, 1.º prémio “Um Bouquet de Rosas para Ti”), MAAN, 2018; Março entre meridianos (reedição), Livros de Ontem, 2019; A Fabulosa Galinha de Angola (infantojuvenil), Editorial Novembro, 2020; Sapataria e outros caminhos de pé posto (contos), Editorial Novembro, 2021; Burro, sim senhor! (infantojuvenil), Editorial Novembro, 2021, Casa Materna (poesia), Editorial Novembro, 2023 e No país das tropelias e desventuras, (infantojuvenil), Editorial Novembro, 2024.

Morada:

Centro Cultural de Cabo Verde

Rua de São Bento, 640

1250-222 Lisboa

(Metro: Rato/ Autocarros: 727, 388)

38° 43' 6.29'' N | 9° 9' 27.57'' W


domingo, 22 de dezembro de 2024

Angola - Escritora lança a obra infantil “Os segredos dos meninos mágicos”

A escritora Gizela de Brito lançou e comercializou sexta-feira, no auditório da Biblioteca provincial do Huambo, a sua obra infantil intitulada “Os segredos dos meninos mágicos"



O livro que está resumido em três contos, com um total de 104 páginas, serve para levar os amantes da literatura a viajar sobre os desafios que se impõem na educação e no futuro das crianças.

Segundo revelou a escritora, Gizela de Brito cada um dos três contos, narra a história de uma criança do sexo masculino, que no seu universo estava envolvido na convivência com as áreas rurais, florestas e desertas.

Gizela de Brito disse que “Os segredos dos meninos mágicos”, constitui a primeira obra a solo, mas tem várias participações em colectâneas de alguns escritores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

A escritora sublinhou que o livro de contos, retrata a vivência das crianças dos municípios do Huambo, Bailundo e da província vizinha do Bié, que fizeram o universo na sua inspiração, fruto de algumas pesquisas que a autora realizou nessas localidades.

Gizela de Brito revelou que o curso da natureza, as crenças religiosas e o imaginário africano, ofereceram pistas, para a autora reflectir sobre a obra literária por via da observação e auscultação.

A escritora acrescentou que os contos da sua obra, além de entreterem, abrem uma janela para a alma de um continente repleto de vida e mistérios, onde o passado e o presente, se entrelaçam de uma maneira mágica e indissolúvel.

Gizela de Brito prometeu que no próximo ano vai lançar igualmente duas obras literárias da classe infantil, já em fase de conclusão, uma delas vai tratar sobre a vida dos meninos do Huambo, um conto misto entre uma criança que atravessa o universo africano, para Europa, que estão a ser trabalhados numa das editoras Infanto-juvenil de Portugal.

A escritora incentivou a população do Huambo e não só, o gosto e hábito pela leitura, por propiciar o aumento do conhecimento e capacidade intelectual do cidadão.

No final da sua actividade Gizela de Brito ofereceu cerca de 60 livros de diversos géneros literários à Biblioteca Provincial do Huambo, para apetrechar a instituição.

A directora da Biblioteca Provincial, Herodina Afonso agradeceu pela doação, tendo afirmado que Gizela de Brito é uma benfeitora fiel da sua instituição, uma vez que em todos os anos oferece livros de diferentes áreas do saber.

A responsável apelou aos demais cidadãos, para que doem mais livros, para enriquecer o acervo bibliográfico da Biblioteca. Marcelino Wambo – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 22 de junho de 2024

Cabo Verde - Cidade Velha acolhe lançamento do livro “O Menino Pirata nas Ilhas do Encantamento - MORABEZA”

O Centro Cultural da Cidade Velha acolhe este sábado, 22, o lançamento do terceiro título da colecção de Cabo Verde, do projecto Ilhas e Encantamentos “O Menino Pirata nas Ilhas do Encantamento – Morabeza”


O evento contará com a participação de representantes das entidades parceiras do projecto Procultura, União Europeia e Camões. I.P., assim como das instituições/entidades locais, nomeadamente, Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Instituto Património Cultural e Delegação Escolar.

No decorrer do lançamento do livro serão entregues kits pedagógicos associados a este terceiro título, produzidos pelas artesãs locais da Ribeira Grande de Santiago.

Segundo uma nota enviada, serão apresentadas as actividades desenvolvidas, ao longo dos três últimos anos, com artesãs, jovens, alunas e alunos, professoras e professores, não só na Ribeira Grande de Santiago, mas também na Ilha do Maio, que deram origem à criação das duas Casas dos Contos e dos dois Pólos, que têm como objectivo a dinamização do livro e da leitura, para além de se constituírem como hubs criativos locais.

O evento conta também com a apresentação pública dos projectos ao Fundo de Apoio a Iniciativas Locais promovida pelo Ilhas e Encantamentos e com a entrega dos respectivos certificados.

Está ainda prevista a entrega dos livros e jogos didáticos às Casas dos Contos, uma doação feita ao projecto pela creche/jardim de infância “Bela Infância”, em Portugal.

A mesma fonte indica que o projecto é também desenvolvido em Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, “tendo como principal objectivo contribuir para a criação de emprego sustentável através da produção, publicação e divulgação/comercialização de literatura para a infância e juventude; assim como mobilizar o poder criativo e educativo do património, em suportes diversificados e apelativos de literatura infantojuvenil, numa dinâmica de cooperação Sul-Sul”.

“Ilhas e Encantamentos” é apoiado pelo programa Procultura promoção do emprego e actividades geradoras de rendimento no sector cultural dos PALOP e Timor-Leste, no âmbito do programa regional PALOP-TL da União Europeia, cofinanciado e gerido pelo Camões, I.P.

O Projecto foi implementado pela Associação Marquês de Valle Flor em parceria com a SPHAERA MUNDI (Cabo Verde), Artissal (Guiné-Bissau), Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique (Moçambique) e Casa da Cultura (São Tomé e Príncipe). Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Goa solicita o envio de livros infantojuvenis em língua portuguesa

Em 2017 a Communicare Trust em parceria com a Fundação Oriente India deu início a uma biblioteca itinerante. Inicialmente abrangia apenas três escolas onde o português é ministrado. Nessa altura contava apenas com 150 livros e neste momento possui 290 livros e circula entre 8 escolas.


Quando eu soube da vinda do grupo TXico Dos Viras solicitei que trouxessem alguns livros em português, com o intuito de ampliar a distribuição de livros nas escolas de Goa onde o português é ministrado. Nunca imaginei que a generosidade deste grupo fosse tão grande ao ponto de transportarem 92 livros para a biblioteca itinerante.

Embora o ano letivo em Goa esteja prestes a encerrar, há planos para expandir esta iniciativa para 10 escolas no ano de 2024/2025.

A distribuição ocorre em duas fases: Cinquenta livros são entregues em junho/julho em cada escola. No mês de outubro dá-se a primeira circulação de livros seguida de uma segunda circulação em janeiro. Em março/abril os livros são recolhidos. Ao todo, os alunos de português entre os oitavo e décimo segundo anos têm a oportunidade de ler 150 livros por ano.

Durante o ano letivo, a Communicare Trust esforça-se para programar pelo menos uma visita por escola para incentivar a leitura.

Voluntários precisam-se! Quem estiver interessado nesta tarefa, por favor, entre em contacto comigo (telemóvel: +91 98 22 58 60 58)

Para saber mais, visitem o website da Communicare Trust: www.ctngo.org. Há outras atividades de que podem participar. Nalini de Sousa - Goa


sexta-feira, 28 de abril de 2023

Portugal – Cidade de Pombal promove literatura infantojuvenil lusófona

Difundir e promover a literatura para a infância e juventude, os escritores, ilustradores e editores, projetando-os nos territórios da CPLP são objetivos do Observatório de Leitura, criado em Pombal, no distrito de Leiria

O projeto surge no contexto do Encontro de Literatura Infantojuvenil Caminhos de Leitura, cuja 20.ª edição decorre entre os dias 22 e 24 de junho, em Pombal, onde serão entregues os primeiros prémios selecionados pelos dez especialistas que fazem parte do Observatório, avança o município.

“Sentimos necessidade de deixar uma marca mais científica no território, através do encontro que realizamos”, explicou à agência Lusa Sónia Fernandes, chefe da Unidade de Cultura da Câmara Municipal de Pombal, a propósito da ação da nova estrutura criada.

O Observatório de Literatura é inspirado no Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio – iiLer/Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio, do Brasil, com o qual foi firmada uma parceria.

“A ideia era muito interessante para desenvolver cá e foi amadurecendo desde a 18.ª edição”, explica a responsável. Agora que o encontro Caminhos de Leitura parte para o 20.º ano, torna-se uma realidade, atribuindo quatro selos distintivos às melhores edições do ano e fomentando “a investigação com suporte científico”.

A intenção é investir no estudo e na partilha, para “aprofundar mais as questões” relacionadas com a literatura infantojuvenil.

Por outro lado, o acordo entre o Observatório de Literatura e o instituto brasileiro representa “uma porta muito grande que se abre para as editoras e autores nacionais”.

“A ponte que se cria com este projeto vai permitir levar escritores e editoras portuguesas para o Brasil, permitindo o melhor acesso àquele mercado, e o contrário também se vai verificar”, explica a responsável da Unidade de Cultura do município de Pombal.

A partir de Pombal espera-se aproximar Portugal e Brasil nesta área da literatura, assim como outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Até aqui tem sido muito difícil fazer chegar o livro infantojuvenil lá. Sentimos necessidade de conhecer mais, conhecer outros autores”, bem como agilizar canais de comunicação.

“A literatura no Brasil e a nossa estão muito relacionadas. A base é muito idêntica, mas não conseguimos ter livros. Mandar vir – ou enviar – livros é arriscado, porque ou não chegam ou ficam muito mais caros”, devido a custos de alfândega.

O novo projeto traz também uma lufada de ar fresco aos Caminhos de Leitura que, de braço dado como Observatório, vão acontecer renovados este ano. “Queremos novos horizontes, explorando novos temas, mantendo a nossa forma de estar e de receber”, procurando “outra divulgação que, até ao momento, não temos tido”, conclui a responsável. 

Neste primeiro ano, o Observatório de Leitura recebeu na totalidade 61 títulos de 24 editoras e edições de autor. “Acreditamos que para o ano vamos ter muito mais editoras a querer participar e muitos mais títulos a concurso”.

A essas edições foi atribuído o selo Caminhos de Leitura em quatro categorias: dez prémios “Distinção” aos “dez melhores livros do ano”; 20 prémios “Seleção”, para “livros que não podem faltar em qualquer biblioteca”; um selo “António Torrado – Menção honrosa”, para o livro que se destaca em todas as categorias; e ainda selo Brasil, “livros da distinção do Selo Cátedra 10 – Cátedra da UNESCO para a Leitura da PUC-Rio”.

Os premiados para as três primeiras categorias estão já anunciados, com “Caras”, de João Pedro Mésseder (texto) e Inês Oliveira (ilustração), uma edição da Xerefé Edições, a receber o selo “António Torrado – Menção honrosa”, de destaque em todas as categorias.

Os prémios são entregues em Pombal, em cerimónia a realizar no dia 23 de junho, no âmbito do 20.º Caminhos de Leitura. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Uma viagem ao plano extraterrestre

Romance infantojuvenil de Silas Corrêa Leite conta a aventura de um jovem marginalizado no mundo da ficção científica

                                                                                                    

                                                                     I

Em nova experiência no gênero romance infantojuvenil,  Silas Corrêa Leite (1952) apresenta A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (São Paulo, Editora Cajuína, 2021), que conta a trajetória de um adolescente revoltado com a difícil vida que leva numa das zonas periféricas da grande cidade de São Paulo e procura fugir de casa para embrenhar-se no mundo. Abandonado pelos pais, decide largar-se sozinho a pé, com seu skate, pela Serra do Mar em busca das praias do Litoral paulista.

E, assim, passa a viver uma vida de andarilho e a sobreviver do que a floresta lhe podia oferecer como alimento, ou seja, água, peixes, frutas e animais silvestres, até que, um dia, acaba por descobrir, no meio da mata, um objeto enorme não identificado, a que passa a chamar de A Coisa, ou seja, um aparelho estranho que soltava sons igualmente inidentificáveis, ou seja, provavelmente um veículo extraterrestre.

Com um estilo que absorve a linguagem popular sem rodeios, o narrador, um alter ego do romancista, ou seja, um professor e bibliotecário de escola pública da periferia, conta e reconta a história de um seu ex-aluno, um tal de Karl Marx, de sobrenome bem brasileiro, da Silva Santos, também conhecido como Carlinhos Buscapé ou apenas Carlito, menino traquina criado num barraco das quebradas do Jardim Jaqueline, na zona oeste de São Paulo, à beira da rodovia Raposo Tavares, e, depois, na casa da avó, que logo haveria de morrer, e, por fim, na casa do pai, em meio a irmãos filhos de outra mãe.

 

                                                                   II       

O que se percebe neste romance é a intimidade com que o autor percorre os ambientes dos marginalizados da sociedade brasileira, pois conheceu a fundo esses meandros. De origem humilde, Silas Corrêa Leite foi aprendiz de marceneiro, tendo começado a escrever aos 16 anos, época em que também começou sua vida profissional como garçom, tendo sido engraxate, boia-fria e vendedor de doce de groselha. Foi aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube de Itararé e escreveu crônicas para o jornal O Guarani, daquela cidade.

Em 1970, migrou para São Paulo, onde morou em pensões, cortiços, passou fome e dormiu na rua. Já empregado, formou-se em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado extensões e pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Com tamanho histórico, nunca deixou de aproveitar a oportunidade para passar essa vivência aos livros que escreveu. Por isso, este romance infantojuvenil constitui uma recolha de fragmentos de história oral que o autor ouviu durante os 22 anos em que atuou como professor de Geografia e História em aglomerados subnormais, ou seja, em favelas, agora chamadas de comunidades, como se comprova neste trecho:

(...) A vida lhe tirara tudo. E o pouco que restava ia também se desfazendo, ralando a relação, esticando o calibre de sua dor para a inevitável ruptura. É pela ferida que a dor entra na alma e produz monstros... ou liberdade expandida (...).

Em resumo: o romance começa e termina com acontecimentos narrados a um professor numa biblioteca pública de escola de periferia carente, lugar de trabalho que virou um confessionário de neuras e de traumas de infância. Até a descoberta do que seria um disco-voador pousado na Serra do Mar, a que Carlito seria abduzido, tendo sido submetido a procedimentos físicos e psicológicos de complexidade não-compreendida:

(...) Com o celular fervendo na mão viu um número que parecia ser de seu pai, mas não teve certeza. Estava meio bobo. Colocou o aparelho na mochila e se levantou para ver o maquinário interno e iluminado da Coisa. Um enorme CPU no ar interno de 360 graus? O ar de todo ambiente parecia uma ventoinha de ar, lux e som em 5D ou mais. Muito lindo aquilo. Amou. Adorou estar ali. Sentiu-se parte, feito um robô do filme Star Wars, o C-3P0 (...).

 

                                                                  III

Nascido em Monte Alegre, hoje Telêmaco Borba, no Paraná, mas tendo vivido até a juventude em Itararé, na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, Silas Corrêa Leite, além de contista, é poeta, romancista, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista, ensaísta, blogueiro e membro da União Brasileira de Escritores (UBE).

Nos últimos tempos, lançou também Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013), romance pós-moderno, considerado a sua melhor obra; Gute-Gute, barriga experimental de repertório, romance (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Tibete, de quando você não quiser ser gente, romance (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017);  Ele está no meio de nós, romance (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019), romance social; Lampejos, poemas (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019);  Transpenumbra do Armagedon, ficção científica (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos selvagens, romance imaginativo (Curitiba/Taubaté: Editora Kotter/Letra Selvagem, 2021);  e Favela stories, contos (Cotia-SP: Editora Cajuína, 2022).

Como poeta e ficcionista, consta de mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, Christmas Anthology, de Ohio, Estados Unidos, e Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Seu texto “O estatuto do poeta” foi vertido para o espanhol, inglês, francês e russo.  

Foi vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores/USP/Jornal da Tarde/Estadão/Parceiros do Tietê; premiado no Concurso Lygia Fagundes Telles para professor e escritor/Secretaria Estadual de Educação de São Paulo; Prêmio Biblioteca Mário de Andrade (Poesia sobre São Paulo)/Secretaria de Cultura de São Paulo, Prêmio Fundação Petrobrás de Contos, curadoria Heloísa Buarque de Holanda; Prêmio Simetria (Microconto) e Prêmio Instituto Piaget (Cancioneiro infantojuvenil), ambos em Portugal.

É autor do primeiro livro interativo da Internet, o e-book O rinoceronte de Clarice, que reúne onze ficções, cada uma com três finais, um feliz, um de tragédia e um terceiro politicamente incorreto, que virou tema de tese de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) e de doutoramento na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Foi finalista do Prêmio Telecom, em Portugal, em 2007.

É autor ainda de Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005); Campo de trigo com corvos, contos (Joinville-SC, Editora Design, 2007), obra finalista do prêmio Telecom, Portugal 2007, e O homem que virou cerveja, crônicas hilárias de um poeta boêmio (São Paulo, Giz Editorial, 2009), livro ganhador do Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador-Bahia, 2009. Em 2022, lançou O menino que queria ser super-herói (Lisboa/São Paulo: Editora Primeiro Capítulo). Adelto Gonçalves – Brasil

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A Coisa: muito além do coração selvagem da vida, de Silas Corrêa Leite. Cotia-SP: Editora Cajuína, 126 páginas, R$ 52,00, 2021. E-mail da editora: contato@editoracajuina.com.br E-mail do autor: poesilas@terra.com.br Site do autor: poetasilascorrealeite.com.br

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Adelto Gonçalves é mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo-Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br