Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 20 de junho de 2026

Macau - Concurso fotográfico dedicado à Grande Baía aceita candidaturas até 16 de Agosto

O “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía” está de regresso, desta vez com foco no quotidiano das aldeias urbanas. Os participantes podem submeter os seus trabalhos até 16 de Agosto na página do CURB, que atribuirá prémios em dinheiro e certificados aos trabalhos vencedores


O CURB – Centro para a Arquitectura e Urbanismo está a aceitar candidaturas para a segunda edição do concurso de fotografia da Grande Baía até 16 de Agosto. Este ano, os participantes são encorajados a explorar os “recantos mais recônditos” das cidades e a documentar, com recurso à câmara fotográfica, a vida quotidiana das aldeias urbanas.

Sob o tema “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía – Aldeias Urbanas na Grande Baía”, os participantes da segunda edição são convidados a olhar atentamente para os detalhes da paisagem urbana e a captar a rotina de quem nela vive. “Vista de uma perspectiva pessoal, as cidades da Área da Grande Baía revelam camadas ricas e toques humanos únicos”, escreve o CURB na sua página oficial, onde destaca os “edifícios densos, ruelas movimentadas, ruas históricas e bairros animados” que, juntos, “formam o autêntico carácter urbano da região”.

O concurso divide-se em três categorias: “Grupo Aberto de Macau”, “Grupo de Estudantes de Macau” e “Grupo Aberto da Grande Baía”, sendo que este último está também aberto a participantes de Hong Kong e das demais cidades da Grande Baía. Em todas as categorias, os vencedores serão recompensados com prémios pecuniários e certificados e haverá ainda espaço para a atribuição de menções honrosas às candidaturas que se destacaram, embora não tenham ficado no pódio.

Mais concretamente, os três primeiros colocados dos grupos abertos de Macau e da Grande Baía vão receber prémios de 4000, 2500 e 1500 patacas. Quanto ao grupo de estudantes de Macau, os prémios são de 2000, 1500 e 1000 patacas.

Os trabalhos podem ser submetidos até dia 16 de Agosto na página do concurso (https://competition.curb-center.com/gba-2026-edition), sendo depois apreciados por um “painel de jurados experientes” encabeçado pela fotógrafa Ines Leong e composto pelo designer Carlos Sena Caires e pelos arquitectos Francisco Ricarte e Nuno Soares. No regulamento do concurso, lê-se que as fotografias – limitadas a um máximo de três por participante – serão avaliadas com base na “criatividade, qualidade de execução e originalidade da visão”

Os resultados serão posteriormente anunciados na página de Facebook do CURB. A cerimónia de entrega dos prémios está agendada para o dia 12 de Setembro, acompanhada por uma exposição que ficará patente na Ponte 9 – Plataforma Criativa, sede da organização.

Em comunicado, o CURB recorda que tem vindo a dinamizar concursos fotográficos desde 2022, somando já cinco edições do Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau – um evento “único” na cidade, que tem ajudado a fomentar “o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. Ao longo dos anos, já foram recebidos 1917 trabalhos de 831 participantes.

Com o “Concurso de Fotografia Tesouros da Grande Baía”, lançado pela primeira vez em 2024, o CURB diz querer “alcançar uma audiência mais vasta” e “envolver o público em geral na exploração da arquitectura da Grande Baía”, de forma a reforçar o “sentimento de pertença e de ligação” entre as várias cidades que a constituem. A edição anterior recebeu 377 fotografias de 157 participantes. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Guiné Equatorial – A jovem Cidade da Paz, na província de Djibloho, declarada a nova capital política do país

A designação foi feita pelo Decreto número 1/2026, de 2 de Janeiro, sancionado pelo Presidente da República, Obiang Nguema Mbasogo


A Cidade da Paz, na província de Djibloho, foi oficialmente declarada capital política da República da Guiné Equatorial, após a aprovação do Decreto nº 1/2026, de 2 de janeiro, sancionado pelo Presidente da República, Obiang Nguema Mbasogo.

A decisão representa uma grande mudança institucional para o país, estabelecendo a Cidade da Paz (Djibloho) como a nova sede do Governo e das principais instituições do Estado.

A cidade, que integra a província criada em 2017, assume agora o papel de capital política, reforçando a sua posição na organização política e administrativa do país. Com esta medida, Malabo deixa de ser a capital da Guiné Equatorial, estatuto que detinha até então.

Djibloho, concebida desde o início como a futura sede da capital administrativa, abriga há anos infraestrutura governamental e prédios institucionais. Sua designação oficial faz parte de uma estratégia de reorganização territorial do estado e descongestionamento administrativo.

A declaração de La Ciudad de la Paz como capital política inaugura uma nova etapa na estrutura institucional do país, com implicações políticas, administrativas e logísticas que serão definidas conforme as disposições oficiais derivadas do Decreto nº 1/2026 forem aplicadas. Juan Nka – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”

O projeto urbanístico da Cidade da Paz, Djibloho, foi concebido pelo atelier português de arquitectura e urbanismo FAT – Future Architecture Thinking fundado pelo arquitecto Miguel Correia.

Na fase inicial da criação, o ateliê português Ideias do Futuro (IDF) também participou no desenvolvimento conceptual de Djibloho em colaboração com a construtora Zagope. Baía da Lusofonia


terça-feira, 4 de março de 2025

Macau - Cristina Rocha Leiria, autora do projecto do Centro Ecuménico Kun Iam: “A obra que mais me preencheu”

Até 13 de Março pode ser vista, no Centro Ecuménico Kun Iam, a mostra “Moments of Light with Kun Iam”, uma exposição de Cristina Rocha Leiria, arquitecta, escultora e autora do projecto do centro. Ao HM, Cristina Rocha Leiria fala de um espaço criado para todos, incluindo ateus, e lamenta a falta de divulgação da exposição



Fale-me de “Moments of Light”, a exposição patente no Centro Ecuménico Kun Iam.

CRL - O centro foi criado para o silêncio, porque tudo é feito para as maiorias, mas temos de pensar nas minorias, que têm direito de existir. Pode existir uma minoria que precisa de silêncio. Podem ser vistos cristais levados de Portugal e adquiridos também na China, escolhidos por mim, e pedras energéticas. Incluem-se ainda 25 peças feitas pela Atlantis [empresa portuguesa do grupo Vista Alegre] em cristal, além de um bazar com outros materiais.

O centro ecuménico foi inaugurado em 1999, passaram-se 25 anos. Como olha hoje para o projecto? Sente que está devidamente aproveitado?

CRL - É a obra que mais me preencheu. Trabalhei nele ao nível da arquitectura, porque é essa a minha área de formação, e trabalhei também com a escultura porque é o que faço, embora não tenha tirado qualquer curso. Faço escultura como terapia. Trabalhei ao nível da música com Rão Kyao e outro maestro, que perceberam o que eu queria e fizeram uma composição de tal ordem que toca o dia todo [no Centro] e as pessoas nunca se cansam. Tratei, na altura, de tudo o resto, da decoração e do que lá se vendia. As coisas foram-se esgotando e acabou por não haver quase nada para vender, à excepção de uns livros e postais. Criámos muita coisa que se vendia, os turistas iam lá, não faziam barulho porque percebiam que era um sítio de silêncio, compravam e esse espaço tinha um certo rendimento. Deve-se divulgar este centro ecuménico, que se tornou um ex-líbris de Macau, junto dos turistas como algo que Macau tem e que não existe em mais nenhum outro lugar urbano no mundo. Portanto, o centro funciona neste momento com uma exposição minha e um bazar que tem produtos que se vendem noutros locais e que não têm nada a ver com o centro ecuménico, mas que são um chamariz.

Como foi o arranque da construção deste projecto? Já tinha feito alguma coisa com tanta ligação ao mundo espiritual?

CRL - Vivi em Moçambique até ir para Lisboa estudar arquitectura. Desde criança que conheço a deusa Kun Iam, porque a minha mãe tinha uma estátua branca de Kun Iam em casa, e era a coisa que eu mais gostava naquela casa. Mal sabia eu que um dia viria a fazer um centro dedicado a esta deusa. Quando vim para Macau trabalhar no Leal Senado, como assessora do presidente, com o primeiro dinheiro que ganhei fui a Hong Kong comprar um abat-jour branco com a figura de Kun Iam, que ainda hoje tenho. Em relação à parte espiritual, esta vem de criança, sempre gostei do silêncio. Quando faço arquitectura ou escultura é sempre em completo silêncio. Estou só eu ligada ao trabalho e a um mundo que, como não é tangível, muitas pessoas nem se apercebem dele, nem acreditam nele. Eu acredito porque sinto que quando trabalho duas noites sem dormir, ou três dias seguidos, em qualquer projecto, em silêncio, acordo de manhã e penso nas ideias que tive, surpreendo-me até com elas. Então a parte espiritual está reflectida na escultura que faço. Especializei-me em habitação e a espiritualidade também se reflecte nos projectos que fiz em Macau na área da habitação social. A espiritualidade é uma parte de mim, e o centro ecuménico é orientado para isso. Nestas visitas guiadas que tenho feito tento puxar pelos mais jovens para que percebam que podemos ser muito ajudados por energias que não vemos. Não dou nomes às coisas e digo para não se importarem com isso, porque o importante é tomar consciência que há mais do que aquilo que vemos. O mundo material não é o único que nos interessa, há mais para tomarmos contacto e agradecermos.

Macau é um território pautado pelo consumo, o jogo, os excessos. Ter um centro desta natureza nesta sociedade tem um maior significado?

CRL - Este centro é ecuménico, mas nada tem a ver com a Igreja, remetendo sim para algo abrangente. O centro foi feito para ateus, agnósticos, religiosos e não religiosos, para todos aqueles que precisem de silêncio. E no mundo de Macau, ou em grandes meios urbanos, há sempre poluição auditiva. Esse centro foi feito numa ilha que pedi de propósito ao Governador de então, o general Vasco Rocha Vieira, que foi uma pessoa muito aberta a esta proposta. Essa ilha foi criada porque, na altura, não havia espaço em Macau para colocar um monumento de 20 metros de altura. O centro tornou-se um símbolo, muitos vão lá rezar, mas não foi feito para isso. Devo dizer que acredito que a essência do divino está em cada um de nós, mas nem todos têm consciência disso. Outros estão abertos para essa essência.

Voltando à exposição. O que podem as pessoas aprender com ela?

CRL - Estou agora em Macau por um período de seis meses, mas tenho tratado também de vários assuntos relacionados com projectos que fiz em Portugal há muitos anos e que estou a tentar que sejam recuperados. A exposição, por si, está lá e não é um atractivo. É bom saber-se que a reabertura do centro ecuménico não teve a divulgação que deveria ter. Ninguém sabe que o centro ecuménico foi aberto, e quem aparece lá são as pessoas que deixam os filhos nos parques, observam o espaço, e vão lá com as crianças. É interessante porque os mais pequenos dirigem-se, precisamente, para os pontos de energia identificados por mim. Aparecem pessoas que andam a passear, entram, mas não vão de propósito ver a minha exposição. Depois, como vêem a porta de saída que dá para o rio, saem logo e a exposição passa despercebida.

Mas lamenta que não se tenha feito mais divulgação.

CRL - Não se fez, não. Agora é que estou a fazer esse trabalho e a divulgar junto de pessoas amigas. Estou a acabar uma exposição sem que, de facto, as pessoas tenham usufruído, quando tenho esculturas com mensagens. Demoro cerca de um mês a fazer uma escultura, e vou escrevendo, pensando, fazendo poesia, então tenho muito a transmitir às pessoas sobre cada escultura. Muitas pessoas dizem que saem de lá mais ricas. Vou pedir que a exposição seja prolongada além do dia 13 de Março e era bom que isso acontecesse, porque têm aparecido grupos de pessoas, inclusivamente algumas que marcam hora comigo e eu vou fazer a visita guiada.

Como surgiu a sua ligação à cultura chinesa?

CRL - Essa ligação vem de infância. Depois aprofundei muito essa ligação porque tive de estudar sobre a deusa Kun Iam. Tive de ver muitas figuras de Kun Iam para pensar como iria fazer uma que estivesse ali suspensa, ao ar livre sujeita aos tufões e ventos fortes, bem como altas temperaturas. A parte espiritual foi mais fácil para mim, porque desde criança que me interesso por filosofias orientais. Essa parte da espiritualidade [na construção do centro ecuménico] foi, para mim, mais fácil, embora tenha tido muitas dificuldades. Dei tudo de mim, livros para a biblioteca, e até contribuí a nível financeiro para este centro, para que muitos jovens pudessem usufruir dele.

Disse-me que algumas obras que edificou necessitam de recuperação. É ingrato esse lado do artista, de ver os projectos a destruírem-se com o tempo, sem preservação?

CRL - Não lamento nada, tento, sim, entender. Mas também tento defender os propósitos que existiam no arranque de cada projecto. Tento entender a maneira de ser dos chineses que viveram tantos anos limitados e com muitas proibições. Gostaria de entender porque puseram um bazar na exposição a vender tantos produtos. O mesmo acontece em Portugal: tenho a obra “Vela ao Vento”, em Tavira, numa rotunda enorme que tinha um lago, foi algo que tentei fazer de forma poética, mas depois vejo que as pessoas menosprezam. Agora não há água no espaço e crescem ervas. Sinto que há uma falta de respeito pelo artista. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quarta-feira, 24 de julho de 2024

Macau - Uma jornada pelos 160 anos de arquitectura da Região

O arquitecto e artista plástico André Lui lançou o seu livro “Walking Around Macau Architectural Aesthetics” durante a mais recente Feira do Livro de Hong Kong. Uma viagem pelos anos que precedem o retorno de Macau à China, onde a arquitectura de edifícios icónicos e patrimoniais tem a sua estética analisada pelo autor, com o intuito de relembrar a beleza do património arquitectónico da cidade e servir de guia para os interessados. O livro lista 33 construções que apresentam a mudança dos estilos com o passar dos anos, desde o neo-classicismo à contemporaneidade, acompanhada pelo panteão de renomados arquitectos de Portugal, Macau e China

O recém-lançado livro “Walking Around Macau Architectural Aesthetics” apresenta a estética enigmática dos edifícios de estilo ocidental e chinês em Macau, desde o neoclássico até ao design do século XXI. Segue a evolução da arquitectura em Macau e permite que os leitores descubram ‘hot spots’ alternativos, reconheçam a beleza arquitectónica e aprofundem o conhecimento da história e conotações culturais da cidade, além de proporcionar à comunidade estrangeira uma visão mais aprofundada da arquitectura de Macau, muitas vezes pouco apreciada.

Lançado durante os dias de abertura da Feira do Livro de Hong Kong 2024, que ocorreu entre os dias 17 e 23 de Julho, a edição ainda está apenas disponível em língua chinesa, mas, segundo o autor, a intenção é de, por enquanto, abranger o público da região, entre interior da China, Taiwan e Hong Kong, para não só atrair mais visitantes, como apresentar ao detalhe as construções singulares de Macau aos interessados na estética e design da arquitectura.

A editora responsável pela publicação é a Joint Publishing de Hong Kong, mas a Pin-to Livros de Macau já divulgou nas suas redes sociais a possibilidade de reserva do livro, para quem estiver interessado.

“Macau é um ponto de encontro de culturas com mais de 500 anos de história, é um destino turístico que atrai milhares de visitantes todos os anos. Embora o Centro Histórico de Macau seja um património mundial reconhecido, há muito mais para descobrir além disso. O seu rico passado colonial e a sua localização estratégica no cruzamento entre a Ásia e a Europa criaram uma cidade com uma arquitectura única e diversificada”, descreve o comunicado da equipa editorial da Pin-to Livros.

O autor do livro Andre Lui, arquitecto e artista de Macau, apresenta a estética escondida de edifícios de estilo ocidental e chinês espalhados pela cidade, incluindo os autores responsáveis pelas obras de arquitectura. O livro poderia ser descrito como uma viagem pelo tempo e pela cidade, através de cinco secções que abordam diferentes períodos e estilos arquitectónicos de 33 edificações icónicas no território.

“Os leitores poderão seguir a evolução da arquitectura em Macau, desde o neoclássico da segunda metade do século XIX, quando a cidade era um importante centro comercial entre Portugal e a China, passando pelo ecletismo do início do século XX, que é outra das características marcantes da arquitectura de Macau”, explicou André Lui ao Ponto Final.

“Cada secção é dedicada a edifícios representativos projectados por arquitectos famosos, tais como Luiz Nolasco da Silva, Francisco Xavier Anacleto da Silva, Carlos Rebelo de Andrade, José Maneiras, Manuel Vicente, Adalberto Tenreiro e Vicente Bravo, em ordem cronológica. Pretendo também destacar quem são os autores, já que algumas vezes não são reconhecidos pelo seu trabalho, principalmente entre a comunidade chinesa actual”, descreveu Lui.

Arquitecto registado em Macau, artista e doutor em design, entre outras actividades, André Lui nasceu em Macau, licenciou-se na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Portugal, em 1999. Trabalhou para Manuel Vicente em Portugal e para o Architecture Studio em França. Participou na concepção do monumento à amizade sino-portuguesa do escultor português Domingos Soares Branco e trabalhou no Instituto Cultural de Macau de 2000 a 2003, onde participou no restauro de edifícios históricos e na candidatura a Património Mundial.

Para além da concepção arquitectónica e de investigação, participou também em numerosas exposições de arte, incluindo a 52.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza e a 14.ª Bienal Internacional de Arquitectura de Veneza, em Itália.

“Walking Around Macau Architectural Aesthetics” foi o segundo livro mais vendido pela Joint Publishing de Hong Kong, durante a Feira do Livro que acabou ontem, e é destinado a todos os amantes da arquitectura e da história que querem descobrir mais sobre a cidade de Macau. No seu formato quase de guia, os leitores poderão explorar a cidade de forma mais profunda e apreciar a sua beleza com outro olhar. Sem dúvida uma importante contribuição de André Lui para o acervo bibliográfico da arte da arquitectura de Macau e do mundo. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 14 de maio de 2024

Moçambique - Estação Central dos Caminhos-de-Ferro de Maputo: Uma das mais belas do Mundo

A Estação Central dos Caminhos-de-Ferro de Maputo (CFM) foi considerada, por diversas vezes, uma das mais belas do mundo. A revista norte-americana Time colocou-a como a terceira estação ferroviária mais bela num ranking que incluiu todas as infra-estruturas do género em todo o mundo, das mais “modestas” às mais famosas


A pesquisa tomou em consideração o traçado arquitectónico e o seu nível de conservação, algo que, no caso da imponente obra, casa a história com o empenho da instituição que a tutela, a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, em conservá-la.

A estação ferroviária de Maputo é uma obra secular concebida, segundo algumas fontes, pelo arquitecto francês Gustave Eiffel, célebre por ser o criador de várias obras no mundo e que têm como traço comum o uso do ferro na sua execução. Outras fontes, entretanto, atribuem a sua concepção aos arquitectos Alfredo Augusto Lisboa de Lima, Mário Veiga e Ferreira da Costa.

A Estação Central de Maputo dos CFM foi inaugurada em Março de 1910, dois anos depois do início da sua construção. Contudo, a imponência com que se lhe conhece hoje só se verificaria a partir de 1916.

Actualmente, para além de estação ferroviária por onde passam milhares de passageiros e mercadorias de/e para Maputo (também para os vizinhos Zimbabwe e África do Sul), é também um local de cultura. Nela, vários eventos de carácter cultural e artístico têm sido promovidos.

O Museu dos CFM foi inaugurado a 11 de Junho de 2015 e está sediado na Estação Central dos Caminhos-de-Ferro, em Maputo. Nas paredes e estrutura exterior da mesma, está a exposição com imagens das 10 Mais Belas Estações Ferroviárias do Mundo entre as quais está, claro, a Estação Central dos CMF.

O emblemático edifício da Estação Central de Maputo é um dos símbolos mais antigos e de maior significado da empresa CFM, da cidade de Maputo e de Moçambique. É algo que sobressai numa cidade que, acompanhando os tempos modernos, tem também edifícios mais altos nas redondezas, mas onde se destaca esta pérola da arquitetura. Nilsa Batalha – Angola in “Jornal de Angola”






quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Portugal - Arquitetura comemora 35 anos de existência na Universidade de Coimbra

A Arquitetura celebra 35 anos de existência na Universidade de Coimbra (UC) já na próxima segunda-feira, dia 19 de setembro. As comemorações terão início às 14h30, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).


Para comemorar esta data importante será lançado o livro “Ensaios” e ainda haverá lugar para o debate “Diálogos”. No final do dia, pelas 19h, será inaugurada a exposição “Impressões”, no Departamento de Arquitetura (DARQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). As celebrações terminam com uma festa, que começa às 22h.

«O livro “Ensaios” reproduz igualmente a vida pedagógica, científica e académica percorrida tanto dentro como fora do ambiente do DARQ e da Universidade de Coimbra (UC)», revela Luís Miguel Correia, diretor do DARQ, acrescentando que esta publicação reúne o contributo de quarenta e dois docentes e retrata os distintos interesses disciplinares dos autores e, em consequência, os que desde setembro de 1988 se partilham em coletivo.

«Embora deste leque de reflexões possa ecoar certo passado da nossa presença na UC, crê-se, sobretudo, que dele emana um potencial prospetivo e sugestivo do caminho a trilhar nos anos vindouros. A pretexto dos 35 anos da Arquitetura na UC, produz-se com “Ensaios” uma estreita síntese das vocações disciplinares do corpo docente e dos conhecimentos por ele cumpridos e a cumprir», refere o docente.

À semelhança do livro, também “Diálogos” e “Impressões” pretendem mostrar a história destes 35 anos de Arquitetura na UC. «O debate, que conta com a participação de Alexandre Alves Costa, Ana Drago, Clara Almeida Santos e Gonçalo Byrne, e moderação de Jorge Figueira e Nuno Grande, tratará de perspetivas atuais e desafios futuros no mundo da arquitetura. Já a exposição mostrará imagens que ilustram a reflexão proposta pelos autores de “Ensaios”», conclui.

As celebrações das três décadas e meia de Arquitetura na UC não ficam por aqui. Como já é habitual, irá decorrer também o encontro Escola de Coimbra 2023, no dia 21 de setembro, das 9h30 às 18h, no Auditório da Reitoria da UC.

Para saber mais sobre a história do DARQ pode aceder aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Macau - Plano de salvaguarda do centro histórico é instrumento decisivo e urgente

Alguns arquitectos de Macau reagem à necessidade de Macau em acelerar os esforços para implementar o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico. Segundo um projecto de decisão divulgado pela UNESCO e que o Jornal Tribuna de Macau deu a conhecer em artigo recente, a RAEM deve submeter o respectivo regulamento ao Centro do Património Mundial, com as revisões sugeridas pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios. Alguns passos dados pelas autoridades locais nos últimos anos, têm sido elogiados pelo Comité do Património Mundial, mas este quer receber informações sobe vários estudos. Francisco Ricarte, Mário Duque e Maria José de Freitas dão a sua opinião sobre os últimos requisitos impostos pela UNESCO


Nos últimos anos Macau tem lançado algumas medidas para preservar o Valor Universal Excepcional (OUV, na sigla em inglês) do Centro Histórico, mas a UNESCO, responsável pela implementação da Convenção do Património Mundial, considera que alguns dos processos devem ser mais céleres. De entre esses processos está o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico, que se arrasta desde 2014.

Um projecto de decisão vai ser votado na 45ª sessão do Comité do Património Mundial, agendada para o período entre 10 e 25 de Setembro próximo, em Riade, capital da Arábia Saudita, e a China deverá submeter o novo documento para análise dos órgãos consultivos. Isto tendo em consideração que o regulamento administrativo sobre o Plano de Salvaguarda e Gestão “será revisto em conformidade com o parecer técnico” do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS).

Lançados os dados para alguma reflexão, o Jornal Tribuna de Macau ouviu algumas opiniões de arquitectos do território.

Francisco Ricarte considera que, com a promulgação em 2005 do Centro Histórico de Macau pela UNESCO a Património Mundial, “a cidade obteve um reconhecimento nacional e internacional do seu significado”, importância histórica e cultural relevantes e do património edificado existente, que “constituem factores decisivos para a sua afirmação e identidade.

Contudo, diz, tal distinção “acarretou – e acarretará ainda mais no futuro – passos decisivos na sua conservação, reabilitação e valorização integrada”. São esses passos que a Unesco e outros organismos de protecção cultural têm vindo, naturalmente, a pedir e, mesmo, a “exigir à RAEM”.

O arquitecto considera que o conceito de “salvaguarda do património” tem vindo a evoluir desde a sua criação (ver a “Carta de Veneza”, 1964), passando de uma abordagem essencialmente física – protecção dos monumentos e edifícios singulares notáveis – “para uma visão mais integrada” abrangendo também “a identidade dos espaços urbanos e as suas características sócio-económicas de base”, como a população residente, as suas actividades económicas e equipamentos de uso público, a sua acessibilidade, as redes de infraestruturas de suporte, entre outros aspectos.

Reconhecendo que a RAEM tem vindo, nas duas últimas décadas, a desenvolver um trabalho consistente na identificação e classificação dos monumentos e edifícios notáveis da cidade, e estabelecendo perímetros – tanto quanto possível consistentes – de protecção da sua área envolvente imediata, Francisco Ricarte, afirma que “é preciso ser mais ambicioso e atender a outros aspectos de natureza social, económica e ambiental que promovam a reabilitação harmoniosa e integrada da área”.

Acelerar medidas de protecção integrada

Na linha do reivindicado pela UNESCO, prossegue o arquitecto, importa agora “acelerar” as medidas de protecção integrada do Centro Histórico de Macau que “acautelem também o que não é singular ou monumental”, como os edifícios existentes de acompanhamento, as actividades económicas neles desenvolvidas, a fixação dos seus habitantes e atracção de novos residentes, a sua acessibilidade e a mobilidade urbanas.

Em síntese, é de opinião que o Plano de Salvaguarda “deverá também proteger e valorizar a vivência integrada do centro da cidade, evitando quer a sua sub-ocupação com edifícios em degradação já sem ocupação viável, ou a sua sobre-utilização agora que os fluxos turísticos voltaram, em massa, à cidade.”

O Plano, que surge na sequência de outros, será “um dos instrumentos fundamentais para conseguir o propósito de salvaguarda e reabilitação integrada do Centro Histórico”. Não deverá, obviamente, ser o único instrumento, “mas ser prosseguido por intervenções de pormenor quer de iniciativa da RAEM (Processo de renovação urbana e de reabilitação do edificado, por exemplo), quer privada sob sua orientação”.

Terá, contudo, prossegue, “um papel decisivo no estabelecimento de regras base e claras de utilização do espaço edificado e urbano existentes, dos edifícios a salvaguardar e dos passíveis de alteração, do desenho das ruas e seu mobiliário urbano de suporte, bem como de definir a potencial utilização dos espaços “vazios” e logradouros existentes, das volumetrias possíveis para as novas edificações e sua imagem arquitectónica geral”.

Neste domínio é imprescindível ser elaborado um Regulamento “ponderado” e com suficiente detalhe, “que dê resposta aos desafios e situações particulares que, naturalmente, surgirão”.

O arquitecto vai um pouco mais longe e expressa o seu ponto de vista sobre a matéria dizendo que que o Plano de Salvaguarda “terá que ir muito mais além do que abordar apenas aspectos físicos”. Como acima referido, “deverá avaliar e ponderar medias de valorização social e humana da área de forma integrada”, estipulando medidas de apoio aos seus residentes actuais e futuros, às actividades económicas de suporte, designadamente as tradicionais, ou à “criação de redes de equipamentos e serviços públicos fundamentais que propiciem uma melhoria da qualidade de vida da área”.

Neste aspecto, “dois dos desafios são enormes” e terão de ser abordados, designadamente a “valorização do Ambiente e Eco-sistema da área e o controlo da sua sobre-utilização por fluxos turísticos cada vez maiores”.

Francisco Ricarte lembra que a visão integrada do Plano de Salvaguarda não se deverá restringir ao seu limite territorial, que deverá ser o mais alargado quanto possível, mas identificar ações e intervenções articuladas com áreas adjacentes, como salientou a UNESCO, que deverão igualmente ser objecto de planeamento de detalhe e valorização, como a envolvente Norte e Sul da Colina da Guia, a Av. Rodrigo Rodrigues, a reabilitação e valorização integrada do Porto Interior, entre outros.

Na abordagem final, o arquitecto considera que o Plano de Salvaguarda do Centro Histórico “será um instrumento decisivo que urge elaborar”, as suas propostas e acções integradas serem discutidas publicamente, “e ser promulgado”. Cada dia que passa torna-se mais “urgente e necessário”.

Concretização de raiz implica um esforço significativo

Mário Duque deu igualmente ao JTM a sua opinião, começando por dizer que a demora na concretização do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico não é muito diferente do que se passou com o Plano Director da RAEM. “São diplomas no topo da hierarquia das matérias que regulam, que se actualizam ocasionalmente, mas a concretização de raiz implica um esforço muito significativo em reunir e tratar sistematicamente conteúdos, de os enquadrar numa síntese com as orientações necessárias e certas”.

Acrescenta que “é ainda tarefa que se torna cada vez mais difícil à medida que o tempo passa, as complexidades urbanas e económicas crescem, e proliferam as intervenções mal-avisadas, mas consolidadas”.

O arquitecto revela que a salvaguarda e a gestão do Centro Histórico da RAEM tem sido possível através de considerações e de diplomas avulsos que têm valido como medidas cautelares até à concretização do plano em vista, “mas sem a mesma eficácia ou consequência de um Plano de Salvaguarda e Gestão que se espera capaz de integrar e tratar todas as questões num único corpo”, completando o que falta, reformando e revogando o que ficou obsoleto.

Por isso, também à semelhança do que se passou com o Plano Director, muito possivelmente o formato do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico “será de início apenas as linhas geradoras dessa salvaguarda e gestão”, para serem preenchidas com especificação de detalhe, “sendo essa a modalidade que se afigura possível e desejável na impossibilidade de tratar toda a realidade”, e para que a entrada em vigor de um plano não seja recorrentemente protelada.

Mário Duque ressalva, no entanto, que existem “questões de articulação temática”, nomeadamente com o Plano Director, “para o qual um Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico compreensivo, e não apenas uma estrutura de plano, é já esperado e é necessário”, sem o qual “não é possível concretizar os planos de pormenor”, para que a cidade deixe de ser “avisada e decidida avulsamente”.

Mesmo assim, discorre o arquitecto, “a possibilidade de esse plano de salvaguarda ser ainda num formato de intenções”, ou de uma estrutura para ser preenchida com especificação de detalhe, “não significa que o mesmo não enuncie já os princípios que orientem significativamente o que irá suceder”. As questões do “impacto do desenvolvimento e da morfologia urbana” serão sempre aquelas que os órgãos de fiscalização acompanharão pelas razões mais standard e mais recorrentes.

Mário Duque observa que as questões da interpretação pela qual se pauta a renovação urbana, na qual se tomam posições respeitantes às características tipológicas das edificações e do espaço urbano, e não apenas aos desenhos das fachadas, abrindo assim espaço e conferindo sentido à interpretação, como motor de actualização e de inovação do mesmo património, “já não será imposição dos órgãos de supervisão”. “Seria antes a visão do plano”, diz.

No remate final da sua análise, o arquitecto fecha com a frase: “Se se diz que pela constituição que tens, dir-te-ei que país és, da mesma forma se pode dizer qual é a pauta cultural de determinado lugar, a integração do seu património histórico no quotidiano das suas gentes, e a forma como isso repercute no estilo da vida, a partir dos princípios por que se norteia um plano de salvaguarda para um centro histórico”.

É importante que permaneça a atmosfera única de Macau

Por fim as declarações de Maria José de Freitas, ligada à área do património há mais de 30 anos, não só em Macau, mas igualmente em Portugal. “O Plano de Gestão para o Centro Histórico de Macau é urgente e a sua necessidade faz-se sentir desde que o Centro Histórico, pelas caraterísticas que revela, foi incluído na lista Classificada da UNESCO em 2005”, inicia assim a sua abordagem ao tema que lhe propusemos comentar.

A arquitecta refere que “mais tarde, em 2013, a Lei 11/2013 veio abordar novamente esta situação – a promulgação do Plano de Gestão – como uma das prioridades a concretizar para salvaguardar o património existente em Macau”.

E cita alguns pontos importantes: “compete ao Instituto Cultural (IC) a elaboração e execução do plano em cooperação com outros serviços públicos que, no âmbito das respectivas competências, exerçam poderes relativos ao «Centro Histórico de Macau», nomeadamente a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM)” – na altura IACM; “O plano de salvaguarda e gestão subordina-se ao estabelecido na lei e às orientações da UNESCO, devendo conter medidas específicas que garantam o uso sustentável do espaço em termos urbanos, culturais e ambientais”.

Desde então, continua Maria José de Freitas, “temos assistido ao adiamento sucessivo da publicação do Plano de Gestão, o património vai sofrendo a consequência dessa ausência e as situações são resolvidas de forma casuística”, sendo certo que o Instituto Cultural tem zelado pela manutenção e cuidado dos bens patrimoniais, no entanto, “a inexistência de um plano consagrado e aprovado” torna a gestão “mais complexa, morosa e pouco transparente”. “As regras devem estar definidas, devem ser claras e a população está ciente disso”, afirma.

A UNESCO e o ICOMOS como entidades que cuidam da proteção patrimonial e sua defesa de modo que seja possível a existência de legados com significado e manutenção dos respetivos valores universais – Outstanding Universal Values [OUV] – tem feito pressão nesse sentido, a vigilância é permanente como denotam as sucessivas recomendações feitas ao longo dos últimos anos.

Aquela que é actualmente membro do Conselho do Património Cultural, juntamente com mais sete elementos, considera que a UNESCO e o ICOMOS como entidades que cuidam da proteção patrimonial e sua defesa, “de modo que seja possível a existência de legados com significado e manutenção dos respetivos valores universais” – Outstanding Universal Values [OUV] – “tem feito pressão nesse sentido, a vigilância é permanente, como denotam as sucessivas recomendações feitas ao longo dos últimos anos”.

Maria José de Freitas termina apontando que “em Macau as autoridades estão conscientes dessa situação e em Pequim têm-se feito sentir os ecos desta carência”, principalmente pela voz de associações patrimoniais locais, “designadamente no caso da envolvente do Farol da Guia e volumetria das construções a edificar nos novos aterros”.

Julgando ser importante que os corredores visuais se mantenham e permitam a visualização dos bens patrimoniais e considerando que é relevante que a atmosfera única de Macau permaneça, a arquitecta faz votos para que os prometidos Plano de Gestão e respectivo Regulamento sejam uma realidade em breve. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Portugal - O melhor design de Macau da última década em exposição no Porto

O design “Made in Macau” está de destaque em Portugal. Uma selecção das “melhores obras dos últimos 10 anos” de áreas como arquitectura, design de interiores, moda, ou design gráfico, está exposta na Universidade do Porto até 30 de Agosto. Entre as 37 obras, estão patentes na exposição trabalhos da Lines Lab, Macau Creations, Centro de Design de Macau, Associação de Arquitectos Marreiros, Worker Playground, MOD, Chill Design, Untitled Design, entre outros


Inaugurou ontem, dia 22 de Junho, uma exposição colectiva de designers de Macau na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Numa estreia em Portugal, a exposição “Reconnect – Macau – Portugal – Design” reúne uma selecção de 37 trabalhos de vários estúdios e projectos que primam pela sua surpreendente “variedade e versatilidade”, indica a Associação Cultural Portuguesa (ACPT), entidade organizadora na exposição. A marcar presença na cerimónia de inauguração estiveram Chao Sio Leong, presidente da Associação de Designers de Macau (ADM), James Chu e Emanuel Barbosa, ambos curadores da exposição, e Óscar Afonso, director da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Co-organizada pela ACPT, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, e a Associação de Designers de Macau, a exposição conta com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo de Macau.

São obras que cobrem um leque variado de áreas de design, da arquitectura, moda, interiores, a gráfico e digital, numa representação do trabalho de 42 designers e 35 marcas de renome de Macau, como Lines Lab, Macau Creations, Centro de Design de Macau, Associação de Arquitectos Marreiros, Worker Playground, Soda Panda, MOD, Chill Design, Untitled Design, entre muitos outros.

Destacando que os designers do território fizeram muito pela promoção a nível mundial, a ACPT recordou em nota de imprensa que nos últimos dez anos os designers de Macau “foram distinguidos em prestigiados concursos internacionais, permitindo que os seus estúdios expandissem os seus negócios e projectos a uma escala global”. A exposição na Universidade do Porto foi concebida numa “perspectiva internacional, destinada a promover o desenvolvimento das indústrias de design e arte de Macau”, em que se aguarda “a chegada de visitantes para explorar juntos a intersecção entre criatividade e cultura”, acrescentou a organização.

A associação portuguesa define Macau como uma “cidade onde as culturas chinesa e ocidental se misturam”, com “profundas influências culturais portuguesas na arquitectura, comida, língua, mas também no campo do design”, e que foi este “profundo intercâmbio e integração das culturas oriental e ocidental” que “moldou o estatuto único do design de Macau”.

Na mostra, que está patente na cidade do Porto até 30 de Agosto, é possível ficar a conhecer uma selecção representativa do design que se fez na última década na RAEM. Como esclareceu ao Ponto Final James Chu, que, para além de curador, também terá trabalhos seus expostos no local, vai ser possível ver as obras “dos melhores designers de Macau” e de todo o design que se fez nos últimos 10 anos. Este é “muito diferente daquele que se faz em Hong Kong e outras cidades na China”, e “existem, aliás, imensas cópias na China do estilo de design de Macau”, revela.

Para James Chu, o design feito em Macau é de uma excelente qualidade, como se comprova pela quantidade de prémios internacionais recebidos ao longo dos anos. O designer está grato ao ACPT pelo apoio, que permitiu que “em tão pouco tempo se ter conseguido organizar tudo com qualidade”, e também agradece “a ajuda preciosa de Emanuel Barbosa, o curador do Porto, sem o qual não teria conseguido organizar o evento sozinho”.

Chao Sio Leong, presidente da Associação de Designers de Macau, acredita que esta mostra vai conseguir “ir mais longe do que apenas expor obras”, ela é uma “oportunidade profunda de intercâmbio”, e tem confiança que a “relação com o design português vai ser ainda melhor depois desta exposição”.

Quando perguntámos a James Chu qual é o balanço que faz, de voltar a poder ir a Portugal depois do período de restrições da pandemia, este confessou que é algo que lhe “dá muita alegria”, de poder voltar a Portugal para “comer boa comida, e beber bom vinho”, e poder voltar a “falar cara-a-cara com designers aqui no Porto”, algo que na sua perspectiva é “muito diferente de sms, email ou reuniões através da internet”. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 15 de março de 2023

Macau – Instituto Cultural actualiza reconstrução virtual das ruínas de S. Paulo


O público de Macau vai ter oportunidade de apreciar uma versão actualizada da exposição “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo”. O Instituto Cultural fará uma reconstrução virtual das características históricas da antiga Igreja da Madre de Deus, antes de ser destruída por um incêndio, em 1835. O lançamento oficial da segunda fase da exposição está agendado para 24 de Março


A exposição de realidade virtual das Ruínas de S. Paulo, organizada pelo Instituto Cultural (IC) vai permitir mostrar uma conjectura interpretativa, sobre a tipologia arquitectónica barroca da Igreja da Madre de Deus, tendo por base os dados históricos relativos a um período de cerca de 400 anos.

A mostra “Visitando as Ruínas de S. Paulo no Espaço e no Tempo” apresenta a reconstrução virtual das características históricas da antiga igreja, antes de um incêndio que destruiu o complexo, há cerca de 200 anos. Vão ser apresentados aspectos adicionais relativos ao restauro virtual do exterior e do ambiente envolvente.

Esta é uma nova fase da exposição, depois da primeira, de carácter experimental, ter sido lançada na segunda quinzena de Dezembro do ano passado e que atraiu um grande número de visitantes. 13 mil pessoas viram a primeira exposição, que terminou a 28 de Fevereiro, “permitindo que que a história e a cultura de Macau fossem partilhadas de forma abrangente e com o uso de tecnologias inovadoras”, segundo refere um comunicado do IC, sublinhando que esta “importante mostra representa um novo capítulo para a revitalização do legado do património cultural de Macau”.

A inauguração oficial da versão actualizada está agendada para o próximo dia 24 de Março, com bilhetes já disponíveis, que podem ser adquiridos através da plataforma “Inscrição em Actividades” da Conta Única de Macau.

Relativamente aos detalhes desta segunda fase, a exposição contará com duas novas cenas de realidade virtual, nomeadamente a “Procissão e missa” e “A missa e a dança do caranguejo”, sendo ainda adicionados novos elementos, numa visão mais completa e tridimensional do seu interior e exterior. Na nota, o IC revela que os visitantes poderão participar em jogos na primeira pessoa, com uma consola na mão e ainda tomar parte, de forma imersiva, em outras actividades, como dança de caranguejo.

Estará igualmente disponível no local da exposição e no espaço aberto junto às Ruínas uma área de experiência de realidade virtual, possibilitando aos visitantes “partilhar a história secular de Macau” e a integração entre as culturas do Oriente e do Ocidente, “bem patente no legado da cidade, enriquecendo a experiência a este local do Património Mundial”. A mostra estará aberta diariamente, das 9:00 às 18:00 horas, incluindo feriados, contando com três sessões por hora, ou seja, de 20 em 20 minutos, sendo que o número máximo de pessoas em cada sessão será de 10.

Os participantes devem ter pelo menos cinco anos de idade e todos aqueles com idade inferior a 12 anos devem ser acompanhados por um adulto durante a visita. As primeiras 500 pessoas que participem na experiência completa da exposição poderão ter direito a uma lembrança.

Igreja reconhecida como marco arquitectónico único

A antiga Igreja da Madre de Deus era o principal edifício do antigo Colégio de S. Paulo, fundado em 1594 e encerrado em 1762, tendo sido a primeira instituição de ensino superior de modelo ocidental na China e até na Ásia, “oferecendo um contributo histórico importante para o intercâmbio económico, tecnológico e cultural entre o Oriente e o Ocidente”.

Construída em 1640, a magnífica Igreja da Madre de Deus foi outrora reconhecida como um marco arquitectónico único no Extremo Oriente. O Colégio e os edifícios principais da antiga igreja foram destruídos por um incêndio, em 1835, sobrevivendo apenas a fachada principal da igreja, a maior parte das fundações e a escadaria de granito, que milagrosamente sobreviveram ao longo de cerca de 400 anos. Tudo isto faz com que este monumento seja, hoje em dia, um dos mais importantes marcos culturais do Património Mundial de Macau.

O IC garante que irá promover mais iniciativas “com a aplicação de tecnologias inteligentes à área da cultura,” fazendo uso de novos instrumentos “para continuar a partilhar a história do intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente” e enaltecendo a identidade multicultural de Macau “de uma maneira dinâmica”. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




 

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tailândia - Herança arquitectónica portuguesa é motivo de debate

Desde Ayutthaya até ao centro histórico de Phuket, passando pela capital Banguecoque. O património arquitectónico edificado de origem portuguesa carece de alguma atenção, defendeu a arquitecta Maria José Freitas ao Ponto Final. Um webinar recentemente realizado pretendeu ser mote para uma discussão mais aprofundada sobre a presença ocidental no antigo reino do Sião


Em jeito de preparação para a próxima assembleia geral anual internacional do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla inglesa), o Comité Científico Internacional sobre Património Construído Partilhado (ISCSBH, na sigla inglesa) realizou um webinar no passado dia 3 de Setembro onde se discutiu a presença de arquitectura e património partilhado, de índole ocidental, na Tailândia, antigo reino do Sião.

“O objectivo foi o de analisar criticamente as arquitecturas europeias na Tailândia. Acompanhando a presença portuguesa e holandesa, e não só, este tipo de arquitectura atingiu um estágio de consolidação, particularmente no período da segunda metade do século XIX até à Segunda Guerra Mundial, momento histórico significativo de transformação para aquela região, antigamente denominada por Sião”, referiu ao Ponto Final a arquitecta Maria José Freitas, presidente do ISCSBH.

Há vestígios de arquitectura ocidental em diversas partes da Tailândia. A antiga capital Ayutthaya é um desses exemplos. Por ali encontram-se os Campos Portugueses, muito provavelmente resquícios da maior comunidade ocidental na cidade. Ainda hoje se pode ver aquilo que são as ruínas das igrejas de São Pedro e de São Paulo, onde jazem ossadas de antepassados portugueses. “Muito deste património está pouco preservado e carece de maior atenção”, constatou Maria José Freitas

Também o centro histórico de Phuket ou alguns edifícios na actual capital Banguecoque são “declaradamente reflexo da presença portuguesa no Sião”. “Muitos edifícios construídos neste período moderno estão actualmente em uso. Por exemplo, o edifício da Embaixada de Portugal é grande exemplo disso. Torna-se, por isso, premente olhar para todos estes exemplos, procurando soluções que passem pela sua preservação, porque são exemplos únicos. É importante ter em conta como o processo de patrimonialização – parcialmente em construção – está em constante desenvolvimento”, referiu a arquitecta portuguesa ao nosso jornal.

No webinar, para além da intervenção de Maria José Freitas que falou de Portugal e da Tailândia, bem como dos 500 anos de história partilhada e património edificado como memória presente, houve ainda lugar para a discussão da génese e razões para uma presença europeia na Tailândia, por Luc Citrinot, bem como uma visão sobre a presença europeia na Tailândia, por Peeraya Boonprasong. As presenças alemã e italiana também não ficaram esquecidas com discussões promovidas, respectivamente, por Siegfried Enders e Romeo Carabelli. “Uma espécie de ‘outra Europa’, modernidade e tecnologia do poder não colonial. Uma experiência insubstituível de cooperação para o desenvolvimento”, defenderam.

Recorde-se que, historicamente, Portugal e Tailândia têm uma história que se toca por diversas vezes ao longo de 500 anos. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar àquele país do sudeste asiático. A relação entre os dois territórios remonta ao ano de 1511, quando Afonso de Albuquerque conquistou Malaca, território que prestava vassalagem ao reino do Sião. Para apaziguar os ânimos, o vice-rei da Índia enviou o emissário Duarte Fernandes à capital do reino, Ayutthaya, onde foi muito bem recebido. Depois, os portugueses “instalaram-se” por lá, dando inclusive origem a uma comunidade luso-siamesa que ainda hoje tem descendência na Tailândia, tal e qual Malaca. Em 2018, celebraram-se os 500 anos do Primeiro Tratado de Amizade e Comércio celebrado entre os dois países. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Macau - Livraria Portuguesa acolhe exposição de livros de artista

Da pintura à banda desenhada, passando pela escultura, fotografia e arquitectura, a Livraria Portuguesa alberga a partir de sexta-feira uma exposição de livros de artista com trabalhos de mais de 50 autores portugueses e locais. Do conjunto de obras que, muitas vezes, não eram para ser ou serviram de base para criações artísticas, destaque para produções de Julião Sarmento, Blaufuks, Rusty Fox e Chong Hoi


A partir de sexta-feira, a Livraria Portuguesa acolhe uma exposição dedicada a livros de artista, que junta cerca de 68 obras de mais de 50 autores portugueses e locais. Organizada pela Associação Cultural 10 Marias, a segunda edição da “Book Hop” em Macau vai exibir publicações independentes, de pequena escala, únicas ou que tenham servido de esboço para criações artísticas ou profissionais, nas mais diversas áreas, como a escultura, a pintura, a banda desenhada ou a arquitectura.

Depois de em 2018, a 1.ª edição do evento no território ter servido, sobretudo, para mostrar o que era feito em Portugal na área, a exposição que pode ser apreciada na galeria da Livraria Portuguesa até 5 de Dezembro pretendeu integrar mais artistas locais, especialmente de matriz chinesa.

“A exposição que fizemos em 2018 foi essencialmente para mostrar o ‘estado de arte’ daquilo que se fazia em Portugal ao nível dos livros de artista. Trouxemos para Macau a maior parte dos livros e entrámos em contacto com alguns artistas locais como o Carlos Marreiros, o Alexandre Marreiros, o Konstantin Bessmertny, entre outros. No fundo, arranjámos um núcleo aqui de Macau, mas mais ligado à lusofonia digamos assim”, começou por explicar ao HM o curador da Book Hop, Paulo Côrte-Real.

“Da edição passada para esta (…) temos agora muito mais artistas locais connosco, especialmente chineses. Isto para nós é importante porque há uma diferença em termos de pensamento e de abordagem aos assuntos, entre as pessoas de Macau de matriz portuguesa e de matriz chinesa. Integrá-los neste evento é uma boa maneira de juntarmos toda a gente”, acrescentou.

A exposição conta com a participação de artistas portugueses como Julião Sarmento, Daniel Blaufuks, João Louro, Leonor Antunes, Pedro Valdez Cardoso, Pedro Pousada, Alexandre Baptista, João Miguel Barros e artistas locais como Chong Hoi, Alan Ieon, Rusty Fox, Jack Wong, Tang Kuok Hou, Yolanda Kog ou Yang Sio Maan.

Sublinhando que um dos objectivos da curadoria passa por “ir buscar o maior número possível de disciplinas”, Paulo Côrte-Real destaca a presença do recém-falecido artista multidisciplinar e “internacionalmente reconhecido”, Julião Sarmento, os trabalhos fotográficos de Rusty Fox e Daniel Blaufuks e as criações de João Louro e Pedro Valdez Cardoso nas áreas do desenho e da escultura. De referir ainda, a obra de “corte e colagem” feita a partir de revistas dos anos 20 da autoria do Anonymous Art Project. Pedro Arede – Macau in “Hoje Macau”


sexta-feira, 16 de julho de 2021

Lusofonia - Um diálogo sobre a arquitectura lusófona em forma de filme e exposição

“Arquitecturas em Português – Diálogos Emergentes” é o nome do filme-exposição que vai estrear este domingo. O vídeo ficará disponível na internet, enquanto que a exposição física acontece no Rio de Janeiro, no Brasil. Ao Ponto Final, o arquitecto Rui Leão, coordenador do projecto, explicou que o objectivo é dar a conhecer os projectos desenvolvidos por jovens arquitectos lusófonos, com foco nos projectos de habitação


No domingo, estreia o filme-exposição “Arquitecturas em Português – Diálogos Emergentes”, uma iniciativa que serve para dar a conhecer os projectos de arquitectos lusófonos e que está integrado no 27.º Congresso Internacional de Arquitectos UIA2021RIO. O projecto será apresentado no Rio de Janeiro, no Brasil, sendo que estará também disponível através do YouTube.

A iniciativa apresenta os trabalhos de 11 ateliers de arquitectura de oito territórios lusófonos: Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. A curadoria deste filme-exposição esteve a cargo dos arquitectos Ana Vaz Milheiro, Inês Lima Rodrigues e Jorge Figueira. O arquitecto de Macau Rui Leão fez a coordenação. A curadora principal da exposição física foi a arquitecta brasileira Lígia Zanella.

As obras seleccionadas para serem mostradas são: as Casas MBV2 e a Residencial Duarte Murtinho, no Brasil; o Condomínio Asa e Habitação Palmarejo Grande, em Cabo Verde; House in Assagao, em Goa; Residência + Hemeroteca, na Guiné-Bissau; o The Studio, em Macau; o Condomínio Terra, em Moçambique; a Casa Vermelha e as Casas 6 e 12, em Portugal; e a Moradia Edson Gomes, em São Tomé e Príncipe.

Ao Ponto Final, Rui Leão explicou que o objectivo era mostrar “o trabalho de uma geração mais nova de arquitectos dos países de língua portuguesa que esteja a propor soluções mais válidas enquanto respostas à condição social e económica de cada país”.

Neste caso, o foco foi para os projectos de habitação, porque “habitar é sempre a necessidade básica de todos e aquela a que temos de dar mais respostas e saber mais como nos adaptar às condições do contexto”. Além disso, houve também a preocupação de não mostrar apenas os pontos em comum entre cada projecto mas também as diferenças, que reflectem “culturas e economias muito diferentes”.

“Sociabilidade” e “quotidiano” são palavras-chave do guião do filme que capta as “urgências particulares de cada contexto, revertidas no programa da habitação, individual ou colectiva”, lê-se no comunicado de imprensa, que acrescenta: “A casa, em projecto ou em vivência, é hoje o lugar matriz de todas as crises. No filme, os arquitectos falam-nos e mostram-nos diferentes perspectivas deste lugar. Ouvimos vozes diversas e contrastantes colocadas em coro fílmico, diálogos que atestam os desafios actuais que se colocam à arquitectura da casa: a adaptação a novas funcionalidades, a saúde, a sustentabilidade”.

Os projectos foram seleccionados através de um concurso aberto. Cada instituto local endereçou um convite à participação aos ateliers. “Em Macau, a Associação de Arquitectos de Macau fez uma chamada pública de projectos, os arquitectos que estavam interessados fizeram as suas submissões e os curadores receberam as propostas de todos os países e a partir do que receberam fizeram uma selecção”, explicou o arquitecto de Macau.

Este projecto organizado entre Macau, Lisboa e Rio de Janeiro foi “feito num curto espaço de tempo e feito nesta colaboração à distância”. “Uma experiência nova e que correu muito bem”, comentou Rui Leão, explicando ainda que o filme que faz parte do projecto “permite uma versatilidade muito grande”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com


 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Macau - Equipas portuguesas vencem competição de arquitectura destinada a parque de Mong Há

Uma competição de arquitectura para um projecto do circuito pedonal sem barreiras do parque municipal da Colina de Mong Há contou com cinco primeiros prémios, dois dos quais liderados por equipas compostas por portugueses. O concurso, concebido pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e a Associação dos Arquitectos de Macau (AAM), contou com 39 candidaturas


No sábado realizou-se a entrega de prémios da competição de Arquitectura para o Projecto do Circuito Pedonal sem Barreiras do parque Municipal da Colina de Mong Há, iniciativa que contou com 39 candidaturas. “A colina de Mong Há é um pequeno morro localizado no Norte da Península de Macau, no cimo do qual existe um parque equipado com diversas instalações de lazer e de serviços municipais destinados ao uso público. No entanto, a falta de conveniência na utilização dos transportes públicos e de sistema pedonal afecta a apetência dos cidadãos pela subida a colina usando as instalações do parque”, pode ler-se no catálogo das obras da competição.

Neste âmbito, vista a necessidade de melhorar as vias de acesso pedonal desta colina, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) desafiou a Associação dos Arquitectos de Macau (AAM) a organizar em conjunto esta competição, “permitindo a participação de indivíduos ou equipas de desenho da arquitectura, no sentido de proporcionar fundamentos e orientações para o reordenamento da Colina de Mong Há com a adição do sistema pedonal sem barreiras”.

Ao Ponto Final, Ricardo Santos Meireles, que cabeceou um das equipas vencedoras do primeiro prémio juntamente com Nuno Alves e Bruno Malés, explicou um pouco mais sobre o projecto. “Normalmente, quem consegue ir lá tem muitas dificuldades em percorrer o próprio espaço da colina. O projecto em si explora dois pontos específicos à volta da colina, e um dos pontos importantes a apontar é de ser sem barreiras e de ser acessível a pessoas que tenham dificuldades motoras. Portanto, é de providenciar a conexão do ponto A ao ponto B, atravessando o ponto B e C que está estipulado no concurso, e em dois pontos específicos do projecto. É, no fundo, ligar dois espaços da colina entre si de maneira que as pessoas de ambos os lados tivessem menos dificuldades de acesso porque a colina é muito íngreme”, explicou.

Este concurso esteve aberto a todos os profissionais da arquitectura e, no caso desta equipa vencedora, foram três arquitectos portugueses que trabalham em três gabinetes diferentes, unidos pela amizade e na vontade de participar e de desenvolverem uma proposta juntos. Entre os vencedores esteve também a dupla liderada pelo português Rogério de Oliveira, com Laura de Juan.

Em termos de requisitos à participação, este concurso exigia um máximo de quatro pessoas e que pelo menos uma delas teria de estar registada na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). “Este projecto em si é um concurso de ideias. Primeiro, é conceptual, que pode dar providência à continuidade. Essa é a nossa expectativa e esperamos que isto vá para a frente, portanto, que este concurso aborde a questão de uma maior abrangência de prémios. Aqui houve cinco primeiros prémios e cinco menções honrosas, que faz no total 10 prémios”, acrescenta Ricardo Santos Meireles.

Quando questionado sobre se estava à espera de ganhar, o arquitecto que reside em Macau há 9 anos, conta: “Ganhar foi uma surpresa. Tínhamos a expectativa só da participação, quando soubemos da notícia sentimos que foi algo gratificante porque estivemos sempre a trabalhar depois do horário de trabalho, durante várias semanas, até às 3 ou 4 da manhã. Ainda por cima, como cada um tem o seu horário, foi difícil”, acrescentou o arquitecto. “Nós estamos na expectativa de receber então o convite para a segunda fase do projecto e está estipulado que o IAM vai entrar em contacto para os primeiros cinco vencedores para que possamos então aprofundar um pouco mais o projecto. Portanto, nós como os outros, estamos agora numa ‘shortlist’ para dar procedimento a isto”, explicou Ricardo Meireles.

No sábado, além da entrega de prémios, foi também a inauguração da exposição onde se podem ver as propostas dos vencedores, e também dos restantes, na Ecohouse de Mong Há. Ricardo Meireles reitera que houve uma grande disputa para os lugares vencedores. “Foi gratificante para todos nós porque acaba também por impulsionar um pouco a maneira como os arquitectos em Macau também conseguem viver o espaço em Macau, integrarem-se na cultura local, e é um pouco o perceber que existe o ‘fairplay’ ainda neste tipo de concursos em que houve uma disputa muito grande. Normalmente existe uma separação ainda muito grande entre os arquitectos locais que são de língua chinesa e os de língua portuguesa. Percebemos que o júri olhou mesmo para as propostas em concreto e foi gratificante perceber que o que nos propusemos vai ao encontro do expectável da parte do júri, pois o júri também é de várias áreas especificas, e foi bom perceber isso”, apontou o arquitecto português.

Sobre a forma como vê a arquitectura actualmente no território, Ricardo Meireles diz que é uma “pergunta difícil”, e assinala que a arquitectura actualmente ainda está em impulsão em Macau. “Ainda existe muito a arquitectura dos arquitectos dos gabinetes locais, que estão bem presentes em Macau, e existe outra versão nova, mais recente, de arquitectos a abrir novos gabinetes, mais pequenos, e que estão a tentar, de certa maneira, ter algum impulso em Macau, e ainda se vê um pouco aquela dificuldade em conseguir novos projectos”, lamentou.

O arquitecto refere que há gabinetes que têm os seus contactos e muitas vezes recebem convites para entrar em concursos em Macau porque já têm currículo na área específica. Por outro lado, há gabinetes de arquitectura mais recentes que não conseguem entrar muito no mercado sem ser através de outros gabinetes que já estão mais presentes em Macau, o que “dificulta um pouco a situação”. “Acho que para melhorar a situação, começaria tudo por uma abertura um pouco maior ao âmbito da arquitectura e o que a arquitectura significa para Macau. O que nós podemos dar mais à cidade é criar uma nova dinâmica em cruzamento com a cidade velha e com a cidade nova que está aberta ao mundo, como é Macau. Não se pode ficar apenas por aquele conceito mais antigo que Macau”, frisou.

No entender do arquitecto, muitas vezes há partes da cidade que estão desconexas e “não comunicam umas com as outras”, devendo ser feita uma leitura mais urbana para projectar edifícios. “Temos de projectar as ligações, as comunicações, não só visuais, mas físicas também, e é um pouco através de um conjunto de ideias mais urbanas que podemos que podemos encontrar o nosso ponto de partida”, concluiu. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

 Joanachantre.pontofinal@gmail.com