Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

China - Ensino do português no país continua a crescer

O ensino do português na China continental registou um crescimento acelerado nos últimos 20 anos. Há 25 universidades chinesas que ensinam português, abrangendo mais de 1500 estudantes. No entanto, o rápido aumento da oferta está a dificultar a vida aos profissionais da área, habituados outrora a receberem propostas de trabalho mesmo antes de terminarem o curso



Num dos edifícios da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai), quase cem alunos e ex-alunos, oriundos de toda a China, aguardam por um exame de português, um projecto de vida que atrai cada vez mais chineses. “Espero conseguir com este certificado [CAPLE, Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira] ter mais oportunidades de emprego”, explica à agência Lusa Zelma, que viajou deste Tianjin, cidade portuária a 120 quilómetros de Pequim, ilustrando a crescente competitividade no mercado de trabalho para licenciados em português, língua que, até há pouco, significava emprego certo na China.

A mais antiga licenciatura em língua portuguesa da República Popular da China foi criada em 1961, precisamente na Beiwai. Durante quase vinte anos, aquele curso foi o único do género no país e, até ao final da década de 1990, surgiu apenas mais um, em Xangai. No entanto, o ensino do português no continente chinês registou um crescimento acelerado nos últimos 20 anos, coincidindo com o retorno de Macau à soberania de Pequim, que confiou à região o papel de plataforma comercial com os países lusófonos.

A evolução das trocas comerciais entre a China e a lusofonia, que só em 2018 se cifraram em 147 354 milhões de dólares, um aumento de 25,31%, em termos homólogos, geraram uma crescente necessidade em formar quadros para trabalhar com os países de língua portuguesa.

Hoje, não contando com Macau e Hong Kong, há 25 universidades chinesas que ensinam português, abrangendo mais de 1500 estudantes. No entanto, o rápido aumento da oferta está a dificultar a vida aos profissionais da área, habituados outrora a receberem propostas de trabalho mesmo antes de terminarem o curso.

“Para quem tem apenas licenciatura, encontrar emprego na China tornou-se difícil”, diz Isabel, que entrou em 2008 para o curso de português da Universidade Normal de Harbin, no Nordeste da China, e tirou depois uma pós-graduação na Universidade de Macau. “Optei por estudar português porque na altura havia escassez de profissionais com conhecimentos da língua”, recorda. “Mas, nos últimos anos, o mercado tornou-se mais competitivo”.

Para os recém-licenciados que rumam a Pequim ou Xangai, as duas principais metrópoles do país, e que estão entre as cidades com mais alto custo de vida do mundo, o salário inicial varia entre 7000 e 8000 yuan. Um intérprete simultâneo chinês – português e vice-versa pode receber até 10 mil yuan por dia de trabalho, geralmente a acompanhar delegações de empresários ou visitas oficiais, mas trata-se de uma tarefa ocasional e executada apenas pelos profissionais mais experientes. Já quem está disposto a rumar a África “continua a ter muitas oportunidades”, conta Isabel.

Em Angola ou Moçambique, um intérprete e tradutor numa das centenas de empresas chinesas que ali operam na construção de infra-estruturas, sector energético ou mineração, recebe por ano entre 200 mil e 400 mil yuan, segundo estimativas da agência Lusa, com base em ofertas de emprego difundidas em portais chineses.

A maior exigência no mercado de trabalho levou a Beiwai a elevar este ano o seu Departamento de Estudos de Língua Portuguesa ao estatuto de faculdade, visando complementar o ensino da língua com conhecimentos “mais aprofundados” sobre os países lusófonos e “aumentar o intercâmbio internacional”, diz à agência Lusa a directora, Patrícia Jin.

“É um passo natural, que nos permite ter mais recursos, mais possibilidades e mais alunos e professores”, explica. “Com esta evolução, abriremos mais cadeiras, em cinco áreas de estudo: linguística, tradução, literatura, ciência política, economia e comércio”, detalha.

Entre os licenciados, há também quem opte por reforçar o seu curriculum com um mestrado em Portugal ou no Brasil. Zelma, por exemplo, vai em breve começar um mestrado na Universidade de Lisboa, permitindo-lhe também conhecer melhor um país cuja História aprendeu ainda no ensino secundário. “Fui sempre aluna da área das Humanidades e sempre gostei muito de História, conheço bem o período dos Descobrimentos”, conta. João Pimenta – China “Agência Lusa” in “Ponto Final”

quarta-feira, 16 de maio de 2018

China – Realizado o VII Festival da Canção em Língua Portuguesa em Beijing

A Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing (BFSU, na sigla inglesa) realizou no passado dia 06 de maio a sétima edição do Festival da Canção em Língua Portuguesa, contando com a participação de concorrentes provenientes de universidades de todo o país.

Este ano, o evento contou com a presença do embaixador de Portugal da China, José Augusto Duarte; da embaixadora de Cabo Verde, Tânia Romualdo; do vice-reitor da BFSU, Yan Guohua, entre outros convidados chineses.

No discurso de abertura, o vice-reitor, Yan Guohua, deu os parabéns à organização do festival, assinalando o crescimento deste ao longo dos últimos sete anos: “Tem crescido em dimensão e influência”.

“Este festival não é apenas um palco para que os alunos mostrem o seu talento, mas também oferece uma oportunidade para conhecerem a cultura, história e arte por detrás da língua. Além disso constitui também uma ocasião importante para o intercâmbio da construção do curso de português, assim como a integração de qualidades essenciais dos alunos das universidades participantes”, acrescentou.

Tânia Romualdo, atual embaixadora de Cabo Verde na China dirigiu também algumas palavras aos participantes. “A língua portuguesa é o que nos une. Não é só a língua, mas ela acaba por facilitar a comunicação entre os países da CPLP, e também entre as restantes comunidades espalhadas pelo mundo”.

Referindo o número cada vez mais promissor de estudantes chineses que aprendem a língua portuguesa, a embaixadora falou também sobre os numerosos alunos provenientes de países da CPLP que se encontram a estudar na China. “Estas trocas linguísticas vão aproximar o diálogo, aproximar os povos e criar um ambiente de amizade e confraternização maior”, reforçou.

O embaixador português, por sua vez, afirmou ter conhecido, ainda em Portugal, vários diplomatas chineses formados em português na referida universidade. Revelando já ter sido professor, José Augusto Duarte salientou que é a simbiose entre o espírito de sacrifício dos alunos e também dos professores que produz resultados tão satisfatórios.

“Mas, para aprender uma língua não é apenas trabalhar, estudar a gramática, estudar a sintaxe, a literatura, estudar, estudar, estudar. Por vezes de forma lúdica e a brincar também se aprende muito. Acho que o facto de fazerem pela sétima vez consecutiva este festival mostra vontade de se divertirem e ao mesmo tempo de aprenderem”, comentou.

A concurso estiveram 14 canções interpretadas por alunos provenientes de universidades de Jilin, Beijing, Xi’an, Sichuan e Tianjin.



Após as atuações, e durante o intervalo, no qual foram degustados pastéis de nata e caipirinha — bebida alcoólica brasileira — os dois embaixadores mostraram-se impressionados com a qualidade do português de alguns alunos presentes.

“Acho que são boas iniciativas. Congrega a animação e o espírito e também serve de motivação para os alunos. É impressionante o nível de português dos alunos”, comentou o embaixador português.

A embaixadora cabo-verdiana expressou também o seu apreço: “Penso que a iniciativa é muito boa, mostra um lado muito divertido da língua e dá aos alunos uma oportunidade de vir mostrar o que aprenderam ao longo do ano letivo. O nível de português deles é muito bom, sobretudo quando ouvimos dizer que têm um ou dois anos de aprendizagem de língua. É impressionante”.

André Santos, professor do Instituto de Línguas Estrangeiras Huaqiao de Jilin, é um dos criadores da “Tuna” — agrupamento musical constituído por alunos do ensino superior — participante já em algumas edições do festival.

Sendo a Tuna uma tradição académica ocidental, André explicou que o grupo musical “dá oportunidade aos estudantes de conviver connosco, portugueses, e é uma forma de os tirar do mundo virtual deles, onde eles passam demasiado tempo. Nas aulas eles aprendem connosco, mas fora [das aulas] também é importante comunicarem connosco, conhecerem as nossas canções, os nossos costumes e tradições universitárias”.

No final do festival, a canção “Sobe, sobe balão sobe” interpretada por alunos da Universidade de Comunicação da China recebeu o prémio de popularidade. Eduarda (Xu Yukun) e Figo (Deng Chenchao), também da mesma universidade, receberam o prémio pela interpretação da canção brasileira “Águas de Março”.

Ao Diário do Povo Online Eduarda revelou que a escolha do português “nem sempre é porque escolhemos. É o que fazemos com essa escolha. Na altura a escolha não foi tão importante assim, mas agarrei essa oportunidade e agora quero sempre aprimorar a língua”.

“Costumo dizer isto quando me perguntam porque decidi estudar português: foi o português que me foi buscar”, disse Figo.

Ambos acreditam que ouvir música em língua portuguesa é uma forma de aprender a língua e conhecer mais sobre a cultura dos países lusófonos.

O evento contou ainda com outras atuações especiais, um jogo para os convidados e degustação de especialidades, promovendo o intercâmbio cultural entre os presentes. In “Diário do Povo online” - China