Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Gronelândia - China avisa Estados Unidos para não usar outros países como pretexto para tomar o território autónomo dinamarquês

A China avisou os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional


“Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa. “As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou.

Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”. Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, realizou ontem um encontro com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que deseja discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no setor comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojeto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

NATO discute possível reforço da segurança na Gronelândia

A NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico, num debate com participação da Alemanha, no contexto das tensões criadas pela pretensão norte-americana de anexar a Gronelândia, confirmou ontem o Governo alemão. “No âmbito da segurança transatlântica, o Ártico tem um papel crescente e, dentro da NATO, discute-se fortalecer a zona”, disse o porta-voz adjunto Sebastian Hille numa conferência de imprensa em Berlim.

Hille respondia a uma questão sobre um possível envio de tropas para o território autónomo dinamarquês, segundo a agência de notícias espanhola EFE. O porta-voz assegurou que o Governo alemão “participa ativamente” nas conversações em curso no seio da Aliança Atlântica, de que tanto a Alemanha, a Dinamarca e os Estados Unidos fazem parte. “Basicamente, qualquer diálogo diplomático para tranquilizar a situação é motivo de satisfação”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, admitiu abordar a questão em Washington numa reunião com o homólogo norte-americano, Marco Rubio. “Precisamente porque a segurança no Ártico se torna cada vez mais importante, quero aproveitar a minha viagem para debater como podemos assumir esta responsabilidade conjuntamente dentro da NATO, dadas as rivalidades antigas e novas na região por parte da Rússia e da China”, assinalou Wadephul.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, referiu no domingo à noite que “uma presença militar aumentada de forma significativa terá um impacto real” na segurança, “tanto no Ártico como para a Europa e para os Estados Unidos”.

O jornal britânico The Telegraph noticiou no domingo que o primeiro-ministro Keir Starmer estava em conversações com aliados europeus sobre um possível destacamento militar na Gronelândia, no âmbito de uma eventual missão da NATO para reforçar a segurança no Ártico. A iniciativa, que começou a ser debatida na passada quinta-feira em Bruxelas, procura responder às preocupações expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possível ação da Rússia ou da China na região. Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia.

De acordo com o jornal The Telegraph, chefes militares têm estado a elaborar planos preliminares para uma possível missão aliada, que poderá incluir tropas, navios e aeronaves, com a participação de vários países europeus, incluindo o Reino Unido.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha, Mitko Muller, disse ontem que, por enquanto, não havia planos para estacionar tropas alemãs na Gronelândia. Destacou, no entanto, que Berlim demonstrou nos últimos meses que a defesa do Atlântico Norte e do Ártico faz parte dos interesses da Alemanha. Muller recordou que a Alemanha participou em agosto em manobras militares na zona com a marinha dinamarquesa e que também o ministro da Defesa, Boris Pistorius, se deslocou à ilha ártica. Ressaltou ainda que a questão da segurança no Atlântico Norte deve ser abordada sempre a partir de uma perspetiva multilateral.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, admitiu ontem um reforço da segurança da Gronelândia se a Dinamarca considerar que a ilha se encontra em risco. “Se em torno da Gronelândia ou no Ártico houver (…) elementos ou situações que possam colocar em risco a segurança atlântica, estou certo de que todos o poderíamos analisar e, se houver necessidade de reforçar a segurança, seria reforçada”, afirmou Albares em Madrid. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Sahara Ocidental – Dar a voz aos povos oprimidos

Na cidade de Dakhla, no Sahara Ocidental, novas companhias aéreas chegam ao aeroporto, o porto cresce, resorts multiplicam-se ao longo da costa e as nuvens de kitesurf enchem o mar. A localidade é, inclusivamente, cenário do novo filme A Odisseia, do realizador Christopher Nolan. Enquanto isso, do outro lado da fronteira, na Argélia, cerca de 175.000 saharauis vivem exilados em campos de refugiados, que adotam os nomes das cidades que deixaram para trás na antiga colónia e província espanhola do Sahara, incluindo Dakhla.


A descolonização nunca chegou ao Sahara Ocidental, administrado por Espanha desde o final do século XIX até 1975, ano em que foram assinados os Acordos Tripartidos de Madrid. Espanha retirou-se então em favor da Mauritânia e de Marrocos, sob forte pressão deste último, que organizou a Marcha Verde — ou Negra, consoante o ponto de vista —, mobilizando cerca de 350.000 civis e militares para reivindicar o território. A Mauritânia abandonou o Sahara em 1979, enquanto Marrocos construiu o segundo muro defensivo mais extenso do mundo para consolidar o seu controlo.

Antes disso, durante o processo de descolonização africana em meados do século XX, Espanha tentou transformar o Sahara numa província, procurando eliminar o seu estatuto colonial perante as Nações Unidas — sem sucesso. A ONU incluiu o território na lista de territórios não autónomos e solicitou a realização de um referendo de autodeterminação. Espanha anunciou que o referendo teria lugar no primeiro semestre de 1975, mas Hassan II, então rei de Marrocos, recorreu ao Tribunal Internacional de Justiça para reclamar um alegado direito histórico sobre o território. O tribunal rejeitou essa tese, confirmou o direito à autodeterminação do povo saharaui e declarou a nulidade do Acordo Tripartido. Ainda assim, Rabat avançou.

A ocupação desencadeou um deslocamento em massa: entre 40.000 e 50.000 saharauis refugiaram-se na Argélia. A Frente Polisário, movimento de libertação saharaui criado alguns anos antes, iniciou uma guerra armada que se prolongou durante décadas. Os acordos de paz com Marrocos, que previam a realização de um referendo, só seriam assinados em 1991.

Espanha já tinha elaborado um censo em 1974, rejeitado por Marrocos. A ONU apresentou um novo em 1999, igualmente recusado. Em 2007, Rabat apresentou a sua alternativa: um plano de autonomia sob soberania marroquina. A Polisário opõe-se por excluir o direito à autodeterminação e, em 2020, declarou o fim do cessar-fogo. O conflito mantém-se.

De acordo com a Carta das Nações Unidas, as potências administradoras têm a obrigação de descolonizar os territórios sob a sua responsabilidade e não ficam isentas apenas por se retirarem. Assim, Espanha continua a ser a potência administrante de jure — embora não de facto — do Sahara Ocidental. Até 2022, Madrid defendia a realização do referendo sob mandato da ONU. Nesse ano, porém, deu-se uma reviravolta sem debate público nem consulta parlamentar: «Espanha considera que a proposta marroquina de autonomia apresentada em 2007 é a mais séria, credível e realista», afirmou o Governo numa carta divulgada por Rabat.

No seu primeiro mandato, Donald Trump reconheceu a soberania marroquina sobre o Sahara, e a lista de países alinhados com Rabat tem vindo a crescer. Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU apoiou a proposta marroquina de autonomia. Até esta mudança de contexto internacional, o Tribunal de Justiça da União Europeia mantinha uma jurisprudência clara: o Sahara Ocidental não faz parte de Marrocos, anulando por isso os acordos comerciais e de pesca entre a UE e Rabat que incluíam recursos saharauis.

Marrocos precisa do rico deserto do Sahara. A sua zona de pesca faz do país o 15.º maior produtor mundial de peixe. Detém as maiores reservas globais de fosfatos, essenciais para a produção de fertilizantes, exporta grandes quantidades de areia e alberga, nas suas águas, minerais estratégicos como cobalto, lítio e terras raras, como o telúrio.

Para preservar o controlo destes recursos, Marrocos exerce influência de várias formas: instrumentaliza os fluxos migratórios — como ficou patente na tragédia de Melilha, onde pelo menos 77 pessoas desapareceram após Espanha ter prestado assistência médica ao líder da Polisário, Brahim Gali. No plano político, Rabat foi acusado de subornar eurodeputados para influenciar votações a nível europeu. A nível nacional, o Parlamento Europeu apontou Marrocos como possível responsável pela espionagem de altos responsáveis espanhóis, incluindo o presidente do Governo, através do spyware Pegasus.

Perante esta pressão e uma alegada «reserva de interesses» partilhada, impõe-se um pragmatismo que evita incomodar o vizinho. O Sahara Ocidental é o território mais extenso do mundo ainda pendente de descolonização, e 2026 será um ano decisivo: ficará claro se a via da legalidade internacional se mantém ou se o conflito evolui para uma escalada militar aberta. A população permanece dividida entre os campos de refugiados e os territórios ocupados, onde enfrenta discriminação económica e restrições políticas. Após meio século de espera, o destino do Sahara Ocidental continua por resolver. Pablo Fernández – Espanha in “Associação de Amizade Portugal Sahara Ocidental”

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Pablo Fernández Fernández - Diretor de conteúdos da Fundación porCausa, uma organização espanhola sem fins lucrativos, fundada em 2013, dedicada ao jornalismo investigativo, à investigação e à promoção de narrativas informadas sobre migrações e direitos humanos.


sexta-feira, 10 de maio de 2024

Moçambique - Terroristas ocupam distrito de Macomia em Cabo Delgado

A vila sede do distrito de Macomia, no centro da província de Cabo Delgado foi ocupada pelos terroristas na madrugada de hoje, 10 de Maio. Há troca de tiros nas matas de Macomia entre os militares e os terroristas. A informação foi confirmada por um sobrevivente.


O grupo terrorista que assola a província de Cabo Delgado voltou a entrar em acção. Desta vez foi no distrito de Macomia.

“Eles entraram por volta das cinco horas e, até agora, ninguém sabe de nada porque continuamos escondidos aqui no mato”, contou um sobrevivente do mais recente ataque terrorista a vila de Macomia, onde está instalado um dos acampamentos militares dos países da África Austral, que desde 2021 ajudam Moçambique no combate ao terrorismo.

Com este ataque, a circulação na estrada N380 que liga a zona norte de Cabo Delgado e a República da Tanzânia foi interrompida.

As autoridades continuam no silêncio e pouco ou quase nada se sabe sobre as consequências deste ataque que ocorreu a quase 200 quilómetros de Pemba, a capital da província.

Macomia já foi alvo de ataques terroristas por várias vezes, e o penúltimo ocorreu em Maio de 2020, quando o grupo armado deixou a vila parcialmente em ruínas, depois de ter ocupado por quase uma semana. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 24 de abril de 2024

Timor-Leste - Demolições na capital Díli não reflectem valores democráticos

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) afirmou que as demolições, ocorridas na semana passada em Díli, não reflectem os valores democráticos e têm consequências graves para mulheres e crianças.


Durante a sua intervenção na sessão plenária, a deputada da Fretilin, Marquita Soares, disse que a actuação do Governo foi “desorganizada e não seguiu os procedimentos”. “Eu testemunhei diretamente a actuação da equipa da Secretaria de Estado dos Assuntos da Toponímia e da Organização Urbana [SEATOU] e vi que ação não só expulsou pessoas que ocupavam terras do Estado, mas também as que moravam naqueles locais desde 1980 e 1981”, afirmou Marquita Soares.

A deputada alertou também que a actuação do Governo tem “graves consequências para as mulheres e crianças”, “não reflete os valores de um Estado democrático” e não seguiu os procedimentos correctos, além de violar as regras da propriedade. “As pessoas afetadas enfrentam graves consequências, com a perda de habitação e trabalho, passando a enfrentar uma situação difícil. As crianças vão faltar à escola e pior aquelas acções criam uma forte pressão psicológica e trauma nas pessoas afectadas”, disse a deputada.

A Fretilin pediu aos ministérios relevantes para criarem condições mínimas antes de retirarem as pessoas, especialmente mulheres, crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais.

O Governo de Timor-Leste iniciou a semana passada uma “limpeza” em vários bairros de Díli para acabar com o comércio não autorizado no espaço público e habitações construídas ilegalmente, levando comerciantes ao desespero por ser o seu único meio de sobrevivência e despejando centenas de pessoas. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 1 de junho de 2021

Casamansa - Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa denunciam bombardeio do exército senegalês


Na série de provocações que já dura há mais de 5 meses, o exército de ocupação senegalês, com o seu novo Comandante do Estado Maior na região, bombardeou o principal eixo rodoviário da cidade de Nyassia que a liga a Ziguinchor, chegando a reivindicar que atacara as forças do MFDC. Isto, depois de ter alardeado por toda a parte que teria destruído as suas bases durante as suas operações em fevereiro de 2021.

O Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do MFDC denuncia estes bombardeios que em nada afetam as posições do MFDC, mas sim as populações civis, o meio ambiente, a economia da região. O Círculo condena os efeitos colaterais dos bombardeios das tropas coloniais geralmente indiscriminados.

Ao mesmo tempo, na floresta de Elinkine, bem como na de Diouloulou, ocorreram confrontos entre a guarda florestal ocupante e as forças do MFDC, causando algumas vítimas. O que está em jogo aqui é o controlo dos recursos florestais. A riqueza da Casamansa deve ir primeiro para a Casamansa.

Tornou-se cada vez mais evidente que o exército de ocupação está numa posição ofensiva total quase implacável, instalando assim a guerra no coração das aldeias. Durante este tempo, conclaves iniciados por vários fazedores da paz são realizados aqui e ali, troçando da gravidade da situação, da provocação das tropas coloniais contra o MFDC, dos efeitos do nervosismo e da tensão que essas operações podem causar nas populações inocentes.

Tudo se passa para demarcar o terreno para a próxima visita, dita económica, de Macky Sall a Casamansa, para que esta visita nos atulhe da sua demagogia quanto ao processo de resolução política do conflito na Casamansa. O chefe do exército senegalês parece estar com medo de tomar o eixo que as suas tropas estão atualmente a atacar.

Não resolvemos a questão da Casamansa com comunicações militares ou bombardeios, muito menos com espectáculo militar esporádico, principalmente para salvar o seu miserável ego. Pelo contrário, resolvemos politicamente a questão da Casamansa, detendo as ofensivas e provocações em curso há 5 meses, com vista a atos políticos fortes e dignos da categoria democrática que o Estado conspiratório do Senegal dolorosamente reclama.

O nosso povo tem sofrido tanto nestes 40 anos com a negação ou a violação dos seus direitos políticos, com a militarização na abordagem da resolução como na ocupação do seu território.

Bem-vindo a Macky Sall nesta Casamansa, sufocada sob as bombas, que, neste aspecto e consequentemente, não precisa das suas receitas de desenvolvimento, mas de paz política a favor de um verdadeiro processo de negociações que traça os contornos institucionais de Casamansa, finalmente Livre e Independente! Círculo de Intelectuais e Universitários na Europa do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa


 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

União Europeia - Intergrupo para o Sahara Ocidental no Parlamento Europeu toma posição

O Intergrupo do Sahara Ocidental tomou posição sobre a situação atual no Sahara Ocidental na sequência do reatamento da luta armada e da recente posição da administração de Donald Trump, tendo divulgado um comunicado com data da passada segunda-feira, 14



Estimadas Excelências,

Senhores Deputados,

Estimados senhoras e senhores,

Expressamos a nossa profunda preocupação com o retorno do conflito armado no Sahara Ocidental. Na sequência de repetidas violações do acordo de cessar-fogo pelo Reino de Marrocos, mais recentemente com a ação militar de Marrocos na região de Guerguerat, a Frente Polisário, declarou o acordo de cessar-fogo de 1991 extinto.

Condenamos a ação militar ilegal de Marrocos na região de Guerguerat e a subsequente construção de um muro numa região que claramente faz parte do território do Sahara Ocidental sob o controle da Frente Polisário, conforme acordado no acordo de cessar-fogo da ONU. Apelamos ao Reino de Marrocos a retirar-se imediatamente da região de Guerguerat.

Apelamos ao Reino de Marrocos e à Frente Polisário para que acabem com os confrontos militares e voltem ao cessar-fogo.

Pedimos a ambas as partes que se empenhem na cooperação, retornem ao cessar-fogo e exortem a comunidade a empenharem-se politicamente para resolver o conflito de décadas e a ocupação do território do Sahara Ocidental. O direito dos saharauis à autodeterminação, conforme estabelecido ao abrigo do direito internacional, deve ser respeitado. O referendo acordado em 1991 deve finalmente ser realizado e a era do colonialismo deve acabar.

Denunciamos o agravamento da situação dos direitos humanos nos territórios ocupados e a renovada perseguição aos jornalistas, defensores dos direitos humanos e ativistas políticos.

Apelamos ao Secretário-Geral da ONU para nomear o mais rápido possível um Representante Pessoal para substituir seu enviado pessoal anterior, Horst Köhler, que renunciou em 2019. Esta etapa é urgentemente necessária para facilitar uma resolução duradoura de conflitos.

Esperamos que a Comissão e o EEAS [Serviço Europeu de Ação Externa] apresentem uma iniciativa ambiciosa para uma contribuição da UE para a resolução do conflito. É de grande importância que as decisões do Tribunal Europeu de justiça sejam totalmente respeitadas, especialmente no que diz respeito à necessidade de obter o consentimento do povo sarauí para quaisquer acordos da UE com o Sahara Ocidental em qualquer aspecto envolvendo o território não autónomo do Sahara Ocidental.

Esperamos também que a Comissão e o Conselho condenem as violações da lei internacional dos direitos humanos e o direito humanitário e coloquem a resolução do conflito do Sahara Ocidental na agenda da próxima cimeira entre a União Europeia e a União Africana e intensifiquem o apoio da UE aos campos de refugiados saharauis em Tindouf.

Condenamos veementemente a proclamação da soberania marroquina de Donald Trump sobre o Sahara Ocidental.

Esta é uma tentativa inaceitável e profundamente desinformada de adicionar lenha à fogueira.

Atenciosamente,

Os membros do Intergrupo para o Sahara Ocidental. In “AAPSO - Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental” - Portugal


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Portugal - Ocupação Científica dos Jovens nas Férias no CEI-IUL

Entre os dias 8 e 12 de julho, o CEI-IUL irá receber alunos do 10º, 11º e 12º ano para um estágio no âmbito do programa Ciência Viva no Laboratório – Ocupação Científica dos Jovens nas Férias, intitulado “Quais os desafios e oportunidades do século XXI?”.

Esta atividade será dividida em 5 módulos dedicados às temáticas de migrações, género, cibersegurança, alterações climáticas e a Europa. Pretende-se que os estudantes desenvolvam um pequeno projeto de investigação sobre uma destas temáticas, sempre com apoio dos investigadores especialistas do tema que irão dinamizar atividades e conversas ao longo da semana.

Ainda é possível submeter a candidatura ao estágio ao longo desta semana. Centro de Estudos Internacionais ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa - Portugal





quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Timor-Leste – Os filhos perdidos

Durante os mais de vinte anos pelos quais se prolongou a ocupação indonésia de Timor-Leste, mais de quatro mil crianças timorenses foram retiradas às respectivas famílias e enviadas para a Indonésia. A questão deu o mote a um documentário produzido por uma associação indonésia. O filme é exibido no próximo sábado, 21 de Janeiro de 2017, em Díli.

A delegação da Fundação Oriente em Timor-Leste apresenta no sábado um documentário sobre as crianças timorenses que foram roubadas durante a ocupação indonésia, levados para aquele país e começam agora, pela primeira vez a regressar a casa.

“Nina e as crianças roubadas de Timor-Leste”, foi produzido pela AJAR – Asian Justice and Rights, uma associação de direitos humanos indonésia que conta com uma representação em Timor-Leste e que usa alguns casos para ilustrar uma realidade que afecta a milhares de timorenses.

Realizado em indonésio e legendado em português e inglês o filme é exibido na tarde de sábado na delegação da Fundação Oriente em Díli, seguindo-se à exibição algumas explicações dos antecedentes do trabalho por parte de elementos da AJAR.

Espalhados pelo vasto arquipélago indonésio, há milhares de timorenses que, à força, ainda crianças, foram retirados às suas famílias, das suas terras e levados para milhares de quilómetros de distância, obrigados a mudar de religião e até de nome.

Vítimas praticamente invisíveis da ocupação indonésia de Timor-Leste e que, ainda hoje, continuam sem ver a família, sem regressar à sua terra natal, sem saber sequer se os familiares estão vivos ou onde se encontram.

Do lado de Timor-Leste, os seus familiares procuram por eles, sem saber onde se encontram. Em alguns casos, até já fizeram o luto, deixando perto de casa túmulos sem corpo a lembrar um filho ou uma filha perdida.

Em Maio do ano passado um pequeno grupo de 11 homens e mulheres, alguns já pais e mães, chegou a Timor-Leste, a maioria pela primeira vez desde que foram roubados às famílias.

Galuh Wandita, da AJAR – que é responsável por este programa de reunião familiar – explicou à agência Lusa que se trata de encontrar a “geração roubada”, um grupo de pelo menos 4000 timorenses – segundo o relatório da Comissão de Acolhimento Verdade e Reconciliação (CAVR) – que terá sido levado de Timor-Leste: “Estamos a procurar sobreviventes de um grupo que eu acho que pode ser muito maior do que essa estimativa de 4000. Para já, só estamos a trabalhar com contactos com outros sobreviventes, que se lembram de pessoas ou conhecem outras”, explicou.

Hoje com as suas vidas na Indonésia, é particularmente complexo procurar as reuniões: “É uma questão muito sensível para eles. Vivem na Indonésia há muitos anos, estão integrados nessa cultura e nesse país e nós tentamos apenas fazer a ponte”, explicou.

“De um ponto de vista de direitos humanos, são crianças roubadas às famílias. Mas a realidade é que hoje já têm eles as suas próprias famílias, estão em novas comunidades”, notou.

O choque ao sistema que muitos sentem ao regressar pela primeira vez, depois de muitos anos, é um sinal do drama pessoal que cada um viveu, separado da sua infância e família com quem hoje têm até algumas dificuldades em comunicar, por questões de língua ou outras.

Todos têm nomes diferentes daqueles com que foram baptizados: desapareceram os nomes próprios e apelidos timorenses – ou portugueses – e são hoje conhecidos por nomes indonésios, a maior parte muçulmanos.

Entre os que vieram em Maio, por exemplo, Ernâni Monteiro é Mubaraj Wotu Modo, Eugénio Soares é Muhammad Irfan, e a sua mulher, com quem se casou em 2001, é também uma criança roubada, Dortea Hornai, agora Siti Latifah Dortea.

Rosita, hoje Rosnaeni, é uma das crianças roubadas há mais tempo. Em 1978 ela e a irmã foram levadas à força da sua casa em Railakolete por elementos do batalhão indonésio 612 para Makassar, onde, mais tarde, acabaram por ser separadas. Rosita nunca mais viu a irmã.

As promessas de uma educação, feitas pela família indonésia de acolhimento, nunca se materializaram e Rosita passou a vida a trabalhar arduamente nos terrenos agrícolas. Fugiu muitas vezes mas era sempre devolvida a casa.

Hoje, já adulta, saiu de Makassar e vive em Sulawesi Central, ainda sem acesso à educação que lhe foi prometida. Outro elemento desse grupo de Maio, natural de Baucau, é uma das meninas roubadas em 1999, durante a debandada final dos ocupantes indonésios.

Foi levada como refugiada para Atambua, no lado indonésio da ilha, e, mais tarde foi transportada num navio militar para Makasar, onde ficou ao cuidado da Fundação Islâmica Ansar.

Instalada com outras crianças numa casa de acolhimento, Teresa foi regularmente espancada: não sabia rezar e era uma refugiada de Timor-Leste, de uma realidade distante da comunidade onde, à força, foi integrada.

Mudaram-lhe o nome, agora é a Sity Alma, é empregada doméstica e vive a quase 2.000 quilómetros de Baucau, na cidade de Malili, nas Celebes. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”