Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 9 de maio de 2020

Portugal - Navio-escola Sagres regressa amanhã a Lisboa



O navio-escola Sagres regressa no domingo a Lisboa, um mês e meio depois de ter sido cancelada a viagem de celebração dos 500 anos da circum-navegação de Fernão Magalhães devido à pandemia de covid-19, anunciou a Marinha.

Na sua conta oficial no Instagram, a Marinha informou da data de chegada do navio-escola, que partiu de Lisboa em 05 de janeiro para uma viagem à volta do mundo, mas que foi interrompida em 24 de março devido ao surgimento do surto epidémico.

“Face à situação de pandemia da covid-19, que afeta mais de 180 países em todo o mundo, o navio-escola Sagres, que ruma à Cidade do Cabo, na África do Sul, onde se prevê que chegue esta quarta-feira, dia 25 de março, recebeu ordens para regressar a Lisboa”, segundo um comunicado do Ministério da Defesa Nacional divulgado em 24 de março.

O navio saiu da capital portuguesa no início de janeiro para uma viagem à volta do mundo que teria duração de pouco mais de um ano.

Previa-se que o navio passasse por 22 portos de 19 países diferentes e que seria a Casa de Portugal durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, competição que foi adiada para 2021.

O Ministério da Defesa Nacional justificava que a decisão de interrupção da viagem “foi tomada na sequência das medidas de segurança que os diferentes países estão a adotar para protegerem os seus portos, Portugal incluído, limitando a atracação e desembarque de tripulações e passageiros de navios”, o que inviabiliza “o pleno cumprimento da missão”.

O Governo considerava ainda que “a continuidade desta expedição poderia potenciar um maior risco de contágio entre os 142 elementos da guarnição, que se encontram bem de saúde”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 24 de março de 2020

África do Sul - Impõe restrições à chegada do navio-escola Sagres à Cidade do Cabo devido ao covid-19




A tripulação do navio-escola Sagres vai ficar confinada ao navio quando aportar esta semana na Cidade de Cabo devido aos riscos de contaminação com a Covid-19, disse à Lusa fonte diplomática.

O navio-escola português, a navegar no Atlântico Sul rumo à África do Sul, está autorizado a atracar no porto para receber apoio logístico, mantimentos, energia e outros, mas a tripulação não pode sair do navio, disse a mesma fonte à Lusa.

A informação foi confirmada na passada quinta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africano, referiu a mesma fonte, adiantando que as autoridades portuárias sul-africanas estão a analisar “navio a navio” no âmbito das restrições anunciadas pelo Governo para contrariar o surto de Covid-19 no país.

As autoridades sul-africanas concederam em Dezembro uma autorização de aportagem diplomática de 72 horas à Sagres, segundo a fonte da Lusa.

Todos os eventos previstos em torno da visita do NRP Sagres à Cidade do Cabo foram também cancelados, acrescentou.

As associações e colectividades portuguesas na capital sul-africana anunciaram também o cancelamento de todas as actividades sociais agendadas, adiantou.

O navio-escola português era aguardado no próximo dia 27 na Cidade do Cabo no âmbito da celebração dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou já mais de 400 pessoas nas nove províncias da África do Sul, anunciou o Governo.

O novo coronavírus já infetou mais de 380 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 16 500 morreram. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul com “Lusa”

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Uruguai – Navio-escola Sagres reproduz navegação que batizou o “Monte Vidi”, atual Montevidéu




O navio-escola “Sagres” vai reconstruir, com 30 convidados especiais, o histórico percurso da epopeia de Fernão de Magalhães que deu nome ao “Monte Vidi”, o morro ao redor do qual cresceu Montevidéu, capital do Uruguai. A “Sagres” zarpará da baía de Maldonado, em frente a Punta del Este, rumo a Montevidéu, reproduzindo a travessia com o cenário de 500 anos, quando a expedição do navegador avistou um curioso morro com forma de chapéu no centro de uma planície arenosa.

Durante a navegação, o navio-escola português será acompanhado pelo seu par uruguaio, a escuna Capitán Miranda.  A bordo da “Sagres”, um grupo de 30 convidados entre embaixadores, académicos, historiadores e autoridades locais.

Um desses convidados é o escritor uruguaio e investigador de História, Juan Antonio Varese, autor do mais recente livro sobre a saga de Fernão de Magalhães, único livro no mundo que põe a lupa sobre o capítulo Rio da Prata da histórica viagem de circum-navegação.

“Vou ter a imensa honra de ver o ‘Monte Vidi’ com os meus próprios olhos, como viram os descobridores”, exclama emocionado, Juan Antonio Varese, em entrevista à Lusa.

O livro “A Expedição de Magalhães no Rio da Prata” foi publicado em dezembro e apresentado em 10 de janeiro passado, exatamente 500 anos depois do dia em que Fernão de Magalhães entrou no rio de Solis, atual Rio da Prata, para tentar encontrar uma saída ao Mar do Sul, que seria rebatizado pelo próprio como Pacífico.



A partir do Rio da Prata, a viagem de Magalhães cruzaria uma fronteira desconhecida, nunca antes navegada, sem referências de nomes nem de mapas.

O piloto da nau Trindade, Francisco Albo, escreveu no seu diário de bordo naquela terça-feira, 10 de janeiro de 1520, após cruzar o Cabo de Santa Maria, atual Punta del Este:

“Dali para a frente corre a costa Leste-Oeste e a terra é arenosa. Direto do cabo há uma montanha feita como um chapéu ao qual pusemos o nome de Monte Vidi”, descreve Francisco Albo. No documento, aparece, entre parênteses, uma frase posteriormente acrescentada: “corruptamente chamam agora de Santovidio”. Do latim, Monte Vidi seria “Eu vi Monte”.

Entre as várias versões para Montevidéu (em espanhol, Montevideo), aparece uma influência do português. Um desconhecido marujo, que vigiava do alto do mastro de observação, teria exclamado ao ver o monte: “Monte vide eu”.

O siciliano Ovídio viveu em Portugal, onde foi venerado. Foi o terceiro bispo de Bracara Augusta, atual Braga. Do seu nome, o Monte Santo Ovídio seria Monte Ovídio ou Monte Vídio.

Já a versão em espanhol diz que nos mapas de navegação o sexto monte de Leste a Oeste no território uruguaio era lido como “Monte VI de E-O” (“Monte Sexto de Este a Oeste).

“Mas a única versão que está documentada é a de Magalhães. É essa a expedição que dá nome ao Monte”, indica Juan Antonio Varese, que ilustrou a capa do seu livro justamente com a frota de Magalhães tendo o “Monte Vidi” ao fundo na paisagem. O nome resistiria por mais de 200 anos até à fundação de Montevidéu entre 1726.

“Depois de vir do Brasil com frondosa vegetação e montanhas, nada lhes chamou a atenção na costa uruguaia que descreveram sempre como plana e arenosa. Por isso, chamou-lhes tanto a atenção um monte”, compara Juan Antonio Varese, quem também é membro da Academia de Marinha de Portugal.

A “Sagres” ficará em Montevidéu até o dia 27, quando parte para Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Esses dias na capital uruguaia poderiam ter um correlato com o roteiro de Magalhães há 500 anos.

“Calcula-se que a expedição de Magalhães tenha ficado alguns dias em Montevidéu. Não está documentado. Acredita-se que tenham subido o Monte Vidi como forma de ver o horizonte. Fazia-se sempre, especialmente nesse monte com apenas 145 metros”, analisa Varese.

Mas antes de Magalhães já tinha passado por esta costa Américo Vespúcio em 1501, João de Lisboa e Estevão Fróis em 1514 e João Dias de Solis 1516.

Para chegar até ao Rio da Prata, canal que acreditava ser a passagem para o Pacífico, Fernão de Magalhães contou com os conhecimentos de outro português integrante na sua expedição: o piloto João Lopes de Carvalho.

Era Carvalho que sabia o caminho. Tinha recebido referências de João de Lisboa e de Francisco Torres, que tinham estado na expedição de Solis. Carvalho sabia que era preciso encontrar o Cabo de Santa Maria (Punta del Este), como referência de entrada para o Rio de Solis (Rio da Prata).

“Eles vinham à procura do Cabo de Santa Maria porque tinham notícia da prévia expedição de Solis, mas havia um deles que conhecia bem a localização. Esse era João Lopes de Carvalho, que explicava que, para se saber onde estava o Rio de Solis, era preciso chegar ao Cabo Santa Maria”, conta Juan Domingo Varese.

Foi exatamente esse caminho que a ‘Sagres’ fez hoje ao chegar a Punta del Este, onde parou antes de continuar a Montevidéu, exatamente como Fernão de Magalhães há 500 anos. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Brasil - Inaugurada praça no Rio de Janeiro em homenagem a Fernão de Magalhães



Uma praça em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães foi inaugurada nesta terça-feira no Rio de Janeiro, com a presença de figuras de Estado, que frisaram a importância do momento na história entre Portugal e Brasil.

O local da praça, agora denominada de “Praça da Circum-Navegação”, não foi escolhido ao acaso, estando localizada em frente à Baía de Guanabara, um dos primeiros locais onde Fernão de Magalhães aportou há 500 anos na América, aquando da sua histórica viagem ao serviço da coroa espanhola, e onde o navio-escola “Sagres” atracou na segunda-feira, após ter saído de Portugal em 05 de janeiro, para também ele seguir as pisadas do navegador português.

“Mais do que ser direcionada a Portugal, esta placa é direcionada ao navegador português e à circum-navegação. Tínhamos o plano de dar o nome de Fernão de Magalhães a uma praça ou escola, mas não foi possível designar dessa forma porque já existe uma artéria aqui com esse nome. Dessa forma, decidimos chamá-la de ‘circum-navegação’, mas na placa está descrita a homenagem a Magalhães”, disse à Lusa o cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Jaime Leitão.

“É também um momento interessante porque foi feito simultaneamente à estadia da ‘Sagres’ no Rio de Janeiro, que está aqui mesmo em frente. Quando propus este lugar, achei também graça ao facto de a praça estar ao lado de uma roda-gigante [Rio Star, maior roda-gigante da América Latina], numa alusão à circum-navegação, também ela redonda”, acrescentou Jaime Leitão, impulsionador do projeto.

Na cerimônia de homenagem sob chuva, estiveram também presentes figuras como a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, o embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral, e prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

Ao som da banda da Marinha de Guerra Portuguesa, que tocou os hinos do Portugal e do Brasil, foi feita a homenagem ao navegador português, tendo o prefeito Crivella declamado versos do poeta Fernando Pessoa, num elogio à “bravura” dos portugueses, quando descobriram o território brasileiro.

“Nós não podemos deixar de proclamar que na origem do povo brasileiro existe a fibra de uma nação que não se conformou com a determinação geográfica de viver entre a Espanha e o mar e, na força dos seus navegadores, cruzou os abismos para construir novos mundos. O Brasil é herança dessa valentia e bravura. No nosso sangue pulsam as mais altas tradições desse povo heroico que marcou a história”, indicou Crivella.

“Ao inaugurarmos esta praça, vibram na nossa alma essas conquistas lusitanas. Apesar da independência nunca nos desunimos. O Brasil estará eternamente ligado a Portugal. Lembro-me dos versos de Fernando Pessoas que dizia ‘Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal’, e o Rio de Janeiro fez muitas lágrimas para que aqui chegassem os navegadores, como foi esse, que hoje homenageamos. Agradeço poder marcar estes laços eternos, aqui”, declarou o prefeito na inauguração da praça.

Também Berta Nunes sublinhou a importância do esforço dos navegadores portugueses, como Fernão de Magalhães ou Pedro Álvares Cabral, reconhecendo “algumas menos valias” e “percalços” do período dos descobrimentos.

“Com o navio-escola Sagres e com o descerramento desta placa, a circum-navegação, Fernão de Magalhães e [o navegador espanhol] Sebastião de Elcano ficam aqui imortalizados para memória futura, sendo muito importante este ato simbólico, que irá preservar esta memória. Foi também Portugal que há 500 anos conseguiu globalizar o mundo no sentido de ligar territórios e culturas desconhecidas”, afirmou a secretária de Estado.

O embaixador Jorge Cabral admitiu que a programação que Portugal tem delineada para celebrar os 500 anos da viagem de Circum-navegação é “ambiciosa”, afirmando que a inauguração de uma rua ou praça em nome do navegador português foi sempre um objetivo primordial.

“Esta placa é uma referência que vai aqui ficar registrada. Sempre tivemos a expectativa de conseguir concretizar este objetivo, aqui, perto da Baía de Guanabara, onde a frota de Magalhães aportou na América. A nossa programação é ambiciosa, passando por todos os países que fizeram parte da rota do navegador. No caso do Brasil, em que temos esta proximidade histórica, é muito importante este registo físico da chegada da frota”, realçou o diplomata.

No âmbito das referidas celebrações, o navio-escola “Sagres” chegou na segunda-feira ao Rio de Janeiro através das águas da baía de Guanabara, reentrância costeira que deu nome à embarcação quando esta pertencia à Marinha do Brasil, após mais de um mês a navegar à vela, depois de ter saído de Portugal no dia 05 de janeiro para uma viagem de circum-navegação.

A viagem vai prolongar-se durante 371 dias, sendo que a próxima paragem é Montevidéu, capital do Uruguai.

O navio-escola “Sagres” vai passar por mais de 20 portos de 19 países diferentes.

Em 30 de dezembro, a embarcação da Marinha chega a Portugal, mais precisamente, a Ponta Delgada, nos Açores, estando o regresso a Lisboa agendado para 10 de janeiro de 2021. In “Mundo Lusíada” - Brasil com “Lusa”

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Portugal - Quatro projetos científicos estão a ser desenvolvidos a bordo do navio-escola Sagres



A volta ao mundo do navio-escola Sagres, no contexto das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação do Globo, inclui a realização de quatro projetos científicos.

No âmbito de uma colaboração entre o Instituto Hidrográfico, o NRP Sagres e a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, dos EUA), Portugal participa no Programa Global de Bóias Derivantes (Global Drifter Program – GDP).

O projeto tem como principal objetivo melhorar a previsão numérica global e a monitorização dos oceanos e do clima, através do lançamento, em diversos pondo do globo, de bóias derivantes que adquirem dados de temperatura superficial da água, correntes marítimas e pressão atmosférica.

Durante a viagem, da Sagres deverão ser lançadas à água 32 bóias em diversos pontos dos oceanos Atlântico e Pacifico. A primeira foi lançada a 6 de janeiro.

Outro projeto junta a Marinha Portuguesa, através do NRP Sagres, e o INESC TEC, do Porto. O ‘SAIL’ (Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer) é um estudo pioneiro sobre a eletricidade atmosférica e as alterações climáticas.

O objetivo passa por desenvolver uma plataforma de observação científica no navio-escola para a recolha de dados, durante a viagem, sobre a atmosfera e o oceano.

Os investigadores esperam aumentar o conhecimento sobre o clima através do estudo dos efeitos das alterações climáticas no circuito elétrico do planeta.

Por outro, pretendem avaliar a saúde do oceano, que tem um impacto significativo ao nível global em setores como as pescas, atividades marinhas ou até mesmo a energia, através da recolha de amostras de peixes para análise posterior em laboratório.



Os microplásticos e as migrações

Um terceiro projeto centra-se na colheita de amostras em zonas muito distintas à volta do mundo, algumas remotas e de difícil amostragem, para ser feita uma caracterização da distribuição do percurso e destinos dos microplásticos nos oceanos.

A monitorização dos microplásticos e a identificação dos locais onde o fenómeno mais ocorre é considerada fundamental para avaliar a dimensão global do problema.

Ao longo da viagem da Sagres serão feitas colheitas diárias de amostras da água em zonas distintas, alguma remotas e de difícil amostragem, que vão ser filtradas para que os microplásticos fiquem retidos em filtros. Serão depois analisados nos laboratórios da Divisão de Química e Poluição do Meio-Marinho do Instituto Hidrográfico.

“A presença de plásticos e microplásticos nos oceanos representa um enorme impacto ambiental, colocando em causa a qualidade do ambiente marinho, a sua flora e fauna e a integridade dos ecosistemas”, refere a Marinha Portuguesa na divulgação dos projetos científicos a bordo da Sagres.

Já a investigação ‘Circumtrack’, a desenvolver ao longo de três anos, pretende compreender os motivos que levam a que alguns grandes animais migradores, tipicamente solitários, convirjam para locais específicos em determinadas alturas.

“Estes locais são chamados habitats críticos por poderem ter uma importância desproporcional para a sobrevivência e sustentabilidade destas espécies, muitas delas ameaçadas, podendo servir como pontos de encontro para reprodução, para dar à luz, alimentação ou ter ainda outras funções desconhecidas, mas importantes par motivar estas grandes migrações”, explica a publicação da Marinha Portuguesa.

O projeto está centrado em três locais significativos na expedição de Fernão de Magalhães: Brasil, Filipinas/Molucas e canal de Moçambique. O NRP Sagres será fundamental, como veículo de divulgação e transferência de conhecimento. Ana Pinto – Portugal in “Mundo Português”