Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 1 de julho de 2025

Internacional - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental liderou expedição à maior montanha submarina europeia

Campanha científica internacional para mapear e caracterizar o monte Gorringe integrou nove investigadores, seis dos quais são da Universidade do Porto


O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) liderou este mês uma expedição ao mar profundo na área do monte submarino Gorringe, a maior montanha submarina portuguesa e europeia. A campanha, realizada no âmbito do projeto europeu TwinDEEPS, integrou uma equipa de nove investigadores, seis dos quais do CIIMAR, tendo ainda utilizado um veículo subaquático operado remotamente (ROV) português, pertencente à Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental – EMEPC.

A viagem a bordo do navio de investigação NIOZ RV Pelagia, do Royal Netherlands Institute for Sea Research (NIOZ, dos Países Baixos), partiu do porto de Las Palmas para o Gorringe no dia 3 de junho e terminou a 16 de junho, no Terminal do Porto de Leixões, onde há dias decorreu uma sessão de apresentação dos resultados preliminares da expedição. A paragem em Matosinhos permitiu ainda dar a conhecer a outros investigadores do CIIMAR, bem como a várias entidades com interesse no projeto, o navio e o ROV utilizado nesta expedição.

O mar profundo representa, refira-se, 98% da Zona Económica Exclusiva Portuguesa, sendo uma área de grande relevância para a Estratégia Nacional para o Mar 2030, que pretende equilibrar o desenvolvimento económico e social com a sustentabilidade dos recursos marinhos nacionais. Já o projeto TwinDEEPS tem como principal objetivo alavancar a capacidade de investigação nacional na área da exploração e observação em mar profundo, ligando o CIIMAR a três centros de excelência internacional: o norueguês IMR, o NIOZ dos Países Baixos e o AWI, da Alemanha. O projeto visa capacitar uma nova geração de investigadores e gestores de ciência altamente qualificados, com impacto na partilha e transferência de conhecimento e de tecnologia avançada entre as instituições parceiras.

Foi neste contexto que o CIIMAR liderou, juntamente com o NIOZ, a mais recente expedição ao banco submarino Gorringe. A campanha científica surgiu na sequência de um conjunto de workshops de planeamento, liderança e gestão de dados de campanhas oceanográficas também organizados no âmbito do TwinDEEPS, o qual permitiu já formar 11 investigadores e gestores de ciência de instituições portuguesas.

Os objetivos da campanha

Furu Mienis , do NIOZ, que liderou a campanha com a investigadora Joana Xavier (CIIMAR), aponta como principais objetivos da viagem “o mapeamento e a caracterização da biodiversidade do fundo marinho e da coluna de água, bem como a recolha de informação ambiental que nos permite compreender melhor o funcionamento deste grande ecossistema e dos seus diferentes habitats”. A expedição permitiu documentar a presença, distribuição e comportamento de várias espécies de megafauna, nomeadamente de baleias, aves e tartarugas marinhas, tendo sido ainda avaliada a diversidade de comunidades microbianas na coluna de água e caracterizada a sua estrutura físico-química e a disponibilidade de nutrientes. Adicionalmente foi também avaliada a extensão da influência humana no Gorringe, incluindo o impacto do lixo marinho e de contaminantes emergentes.

“Nos últimos anos houve um grande esforço por parte da comunidade científica para estudar este banco submarino. Esta campanha vem complementar esse trabalho, focando-se nas zonas mais profundas do Gorringe (entre os 500 e os 3000 metros de profundidade), implementando uma abordagem multidisciplinar que recorreu à mais avançada tecnologia de exploração e observação oceânica dos dois países”, refere Joana Xavier, coordenadora do projeto TwinDEEPS.

Todos os dados e amostras serão tornados públicos e disponibilizados às autoridades nacionais com competências na gestão e conservação da biodiversidade marinha. Entre estas, destaca-se o ICNF, que está a desenvolver o plano de gestão desta Zona Especial de Conservação integrada na Rede Natura 2000. “Esperamos que os dados e o conhecimento gerados no âmbito desta campanha venham a apoiar esse processo e, com isso, contribuam para a proteção deste hotspot de biodiversidade, de valor natural excecional no Norte Atlântico”, explica Joana Xavier.

Situado a aproximadamente 240 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente, o Banco Gorringe é uma impressionante cadeia montanhosa submersa que se estende por cerca de 180 quilómetros de comprimento e 60 de largura. Esta estrutura eleva-se do fundo oceânico, a cerca de 5000 metros de profundidade, até atingir um planalto situado entre os 200 e os 300 metros; já os montes Gettysburg e Ormonde estão apenas a 60 e a 25 metros da superfície, respetivamente. Este banco submarino é amplamente reconhecido como um oásis de biodiversidade marinha, onde se encontram inúmeras espécies e habitats de grande importância de conservação, nos quais se alimentam e reproduzem jardins de esponjas e corais, peixes, mamíferos e aves marinhas. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 29 de agosto de 2023

Expedição luso-brasileira refaz caminhos percorridos por Dom Pedro I

Começa nesta terça-feira (29), no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte (MG), a expedição luso-brasileira que vai refazer os passos do príncipe regente Dom Pedro I. A expedição resultou na proclamação da Independência do Brasil de Portugal, em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo.


Refazendo os caminhos de Dom Pedro I, a comitiva, integrada por dez pessoas dos dois países, passará por 24 cidades nos estados de Minas Gerais, São Paulo e do Rio de Janeiro. O final da expedição ocorrerá no dia 7 de setembro próximo, no Museu do Ipiranga, na capital paulista. A comitiva é coordenada pela Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, idealizadora do projeto Heróis Portugueses do Brasil, e celebra os 200 anos da Independência, completados no ano passado.

O coordenador do projeto, Vittorio Lanari, disse à Agência Brasil que o plano foi concebido entre 2013 e 2014, com a ideia de resgatar nomes de cidadãos portugueses que foram importantes para a concepção do Estado brasileiro na forma como é hoje. O primeiro homenageado foi Pedro Teixeira, responsável por ampliar as divisas da Amazônia brasileira para além do Tratado de Tordesilhas da época. Seguiu-se o capitão-mor português Martins Soares Moreno, que ajudou a expulsar os franceses e holandeses do Nordeste do país e foi fundador do estado do Ceará. O terceiro é Dom Pedro I, responsável pela Independência do Brasil, “que nós estamos comemorando com um ano de atraso”, afirmou Lanari.

A expedição 200 anos – Os caminhos da Independência do Brasil vai refazer os passos de Dom Pedro, não só em agosto e setembro, quando ele foi do Rio de Janeiro para São Paulo. “A gente começa por Ouro Preto, porque entre março e abril de 1822, Dom Pedro I fez a primeira viagem para o interior do Brasil, a fim de conter uma possível rebelião separatista que podia ocorrer naquela província de Ouro Preto. Esse foi o primeiro passo”, disse o coordenador.

Em maio, ocorreu uma rebelião em São Paulo, devido à morte de alguns militares. “A coisa começou a piorar e aí ele resolveu fazer uma viagem também para aquele estado, com o mesmo motivo, de neutralizar uma possível rebelião, e acabou declarando a Independência”. Segundo o coordenador, “esse é o grande objetivo da expedição: resgatar a memória desses portugueses que foram importantes para o Brasil”.

Novas demandas

Já existem várias demandas de nomes de cidadãos portugueses que agiram em favor do Brasil. Elas procedem do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Centro-Oeste do país. Vittorio Lanari explicou que será feita uma análise histórica do que cada um dos nomes sugeridos tem de importante.

“Acredito que todos estarão na mesma balança, com o mesmo peso, e aí deverá ser por sorteio”. A tendência, porém, é que seja escolhido um nome do Sul brasileiro. Apesar de a região ter colonização europeia, com destaque para alemães e poloneses, tem também uma colônia açoriana muito grande, explicou.

A decisão será dada pelo conselho da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, entidade que idealizou o projeto. A expectativa é que, até o fim do ano, será conhecido o nome do quarto homenageado, quando historiadores iniciarão um trabalho de pesquisa mais aprofundado, examinando os roteiros que foram importantes para aquela pessoa, para que possa ser preparada toda a logística da próxima expedição luso-brasileira. Os patrocinadores são empresários dos dois países.

Livros

A cada expedição, são publicados dois livros diferentes. Um, de cunho didático, conta a história do que ocorreu de forma lúdica e é destinado para crianças e alunos do ensino fundamental. Os livros são doados para a comunidade por meio das secretarias municipais de Educação e bibliotecas públicas. Em algumas cidades, é feita uma performance, contextualizando o livro e a expedição para as crianças do local.

Em uma segunda etapa, é publicado o livro da expedição que, além de abordar a parte histórica do evento, inclui o diário de bordo da comitiva e sua relação com as comunidades por onde passa. A ideia é fazer também um documentário cinematográfico sobre a expedição de Dom Pedro I que, além de proclamar a Independência do Brasil, outorgou a primeira Constituição em 1824.

A terceira jornada tem liderança de Raul Penna, vice-presidente do Conselho Consultivo da Câmara Portuguesa de Minas Gerais, e por Fernando Meira Ribeiro Dias, presidente do Conselho Consultivo da Câmara Portuguesa do estado.

O roteiro histórico com todas as localidades visitadas por D. Pedro inclui Belo Horizonte, Ouro Preto, São João Del Rei, Tiradentes, Fazenda Borda do Campo, Barbacena, Juiz de Fora, Fazenda São Mateus – todas em Minas Gerais – Sebollas, Petrópolis, Rio de Janeiro, Fazenda Imperial de Santa Cruz – no Rio de Janeiro – e Fazenda 3 Barras, em Bananal, Fazenda Pau d’Alho, em São José do Barreiro, Areias, Silveiras, Cachoeira Paulista, Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí, Mogi das Cruzes, Santos e São Paulo em São Paulo. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Agência Brasil”

terça-feira, 31 de maio de 2022

A viagem dos veleiros portugueses na travessia histórica do Atlântico Sul


No ano em que o Brasil completa o bicentenário de sua independência, também é comemorado o centenário da primeira travessia do Atlântico Sul feita por hidroavião. Esse feito foi alcançado, em 1922, por dois oficiais da Marinha portuguesa, o Almirante Gago Coutinho e o Capitão de Mar e Guerra Sacadura Cabral.

O grupo de velejadores portugueses que decidiu repetir o percurso, visitando os mesmos pontos da expedição realizada há cem anos, partiu de Lisboa em 3 de abril, e já passou pelas Ilhas Canárias e Las Palmas, na Espanha, e Cabo Verde antes de chegar ao Brasil.

“A Expedição Lusitânia é uma iniciativa nossa, enquanto sociedade civil, para homenagear a epopeia desses homens, por meio da qual estamos fazendo, pelo mar, exatamente o mesmo trajeto, parando nos mesmos locais e procurando ser o mais fiel possível”, contou o Comandante português José Mesquita, no Brasil.

Em Pernambuco, a expedição passou pelo Arquipélago de São Pedro e São Paulo na quinta-feira do dia 12, e foi recebida pelo Navio-Patrulha (NPa) “Guaíba” e pelos residentes da estação científica das ilhas. O navio partiu da Base Naval de Natal (RN) para apoiar a equipe da estação e receber os velejadores, segundo a Marinha do Brasil.

Há cem anos, o arquipélago tornou-se parte importante do itinerário dos oficiais portugueses, pois, ao serem surpreendidos por condições climáticas adversas no caminho para Fernando de Noronha, sua aeronave foi avariada e tiveram que aguardar apoio no arquipélago brasileiro situado no meio do Oceano Atlântico.

O comandante José Mesquita relatou, em seu diário de bordo, como foi a experiência de chegar às ilhas. “Às 8h30 chegamos a São Pedro e São Paulo. Ver o Navio-Patrulha ‘Guaíba’ à nossa espera e a aproximação da frota ao navio foi um momento de extrema emoção. Depois, durante o dia, as emoções sucederam-se porque para além de nos terem reabastecido, o comandante do Guaíba veio a bordo do Anixa 2”.

De seguida, a expedição “Lusitânia”, composta por 13 pessoas em 6 veleiros, chegou dia 16 de maio no Arquipélago de Fernando de Noronha (PE), onde promoveu palestras sobre o centenário da travessia de Coutinho e Cabral e sobre a preservação dos oceanos.

No dia 18, o comandante do veleiro Anixa 2 ministrou palestra no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, como parte da Ação Cívico-Social (ACiSo) promovida pela Marinha do Brasil no arquipélago.


Mesquita declarou que além da recriação da travessia de Coutinho e Cabral, os seis veleiros carregam em seus cascos a mensagem “Salve os Oceanos – Salve a Humanidade”. “É uma mensagem de sensibilização ambiental para falar dos problemas gravíssimos que os Oceanos têm e das práticas de vida que os cidadãos têm que começar a adotar para termos um planeta no futuro para os nossos filhos e netos. Pelos lugares onde passamos, procuramos transmitir essa mensagem também por meio de palestras, como a que estamos realizando em Fernando de Noronha”, completa.

Após Fernando de Noronha, a expedição partiu para Recife (PE), e deve passar ainda em Salvador (BA) e Vitória (ES) antes de chegar ao seu destino final, o Rio de Janeiro (RJ).

Também no Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, na última quinta-feira na sede do Gabinete, para marcar o feito.

Em 30 de março de 1922 deu-se início à primeira travessia aérea do Atlântico Sul, protagonizada pelo Almirante Gago Coutinho e pelo Comandante Sacadura Cabral a bordo do hidroavião Fairey III, batizado “Lusitânia”, tendo como destino final o Rio de Janeiro.

Foi uma viagem bastante atribulada, na qual foram utilizadas três aeronaves. Depois de percorridas 4527 milhas em 62 horas e 26 minutos sobre o Oceano, os heroicos oficiais foram recebidos em festa pela população do Rio de Janeiro, a 17 de junho de 1922. Mais sobre atividades comemorativas estão aquiIn “Mundo Lusíada” - Brasil




 

sábado, 21 de novembro de 2020

Madagáscar - Espécie de camaleão desaparecida há 100 anos redescoberta

 


Os cientistas encontram vários espécimes vivos do camaleão de Voeltzkow durante uma expedição em Madagáscar.

Há mais de 100 anos que esta espécie não era avistada, sendo que numa expedição ao noroeste da nação insular africana, investigadores locais e alemães descobriram diversos espécimes vivos.

O resultado desta expedição foi publicado na revista Salamandra, onde a equipa de investigadores, liderada por cientistas da Coleção de Zoologia do Estado da Baviera (ZSM), afirmaram que a análise genética determinou que a espécie estava intimamente relacionada ao camaleão de Labord.

Os investigadores acreditam que ambos os répteis vivem apenas durante a estação das chuvas – eclodem dos ovos, crescem rapidamente, lutam com rivais, acasalam-se e morrem depois de alguns meses.

“Estes animais são basicamente as efígies entre as vértebras”, disse Frank Glaw, curador de répteis e anfíbios do ZSM.

Os investigadores afirmam ainda que as fêmeas da espécie, que nunca tinham sido documentadas, exibiam padrões particularmente coloridos durante a gravidez, ao encontrar machos e quando sob stress. In “Green Savers Sapo” - Portugal

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Uruguai – Navio-escola Sagres reproduz navegação que batizou o “Monte Vidi”, atual Montevidéu




O navio-escola “Sagres” vai reconstruir, com 30 convidados especiais, o histórico percurso da epopeia de Fernão de Magalhães que deu nome ao “Monte Vidi”, o morro ao redor do qual cresceu Montevidéu, capital do Uruguai. A “Sagres” zarpará da baía de Maldonado, em frente a Punta del Este, rumo a Montevidéu, reproduzindo a travessia com o cenário de 500 anos, quando a expedição do navegador avistou um curioso morro com forma de chapéu no centro de uma planície arenosa.

Durante a navegação, o navio-escola português será acompanhado pelo seu par uruguaio, a escuna Capitán Miranda.  A bordo da “Sagres”, um grupo de 30 convidados entre embaixadores, académicos, historiadores e autoridades locais.

Um desses convidados é o escritor uruguaio e investigador de História, Juan Antonio Varese, autor do mais recente livro sobre a saga de Fernão de Magalhães, único livro no mundo que põe a lupa sobre o capítulo Rio da Prata da histórica viagem de circum-navegação.

“Vou ter a imensa honra de ver o ‘Monte Vidi’ com os meus próprios olhos, como viram os descobridores”, exclama emocionado, Juan Antonio Varese, em entrevista à Lusa.

O livro “A Expedição de Magalhães no Rio da Prata” foi publicado em dezembro e apresentado em 10 de janeiro passado, exatamente 500 anos depois do dia em que Fernão de Magalhães entrou no rio de Solis, atual Rio da Prata, para tentar encontrar uma saída ao Mar do Sul, que seria rebatizado pelo próprio como Pacífico.



A partir do Rio da Prata, a viagem de Magalhães cruzaria uma fronteira desconhecida, nunca antes navegada, sem referências de nomes nem de mapas.

O piloto da nau Trindade, Francisco Albo, escreveu no seu diário de bordo naquela terça-feira, 10 de janeiro de 1520, após cruzar o Cabo de Santa Maria, atual Punta del Este:

“Dali para a frente corre a costa Leste-Oeste e a terra é arenosa. Direto do cabo há uma montanha feita como um chapéu ao qual pusemos o nome de Monte Vidi”, descreve Francisco Albo. No documento, aparece, entre parênteses, uma frase posteriormente acrescentada: “corruptamente chamam agora de Santovidio”. Do latim, Monte Vidi seria “Eu vi Monte”.

Entre as várias versões para Montevidéu (em espanhol, Montevideo), aparece uma influência do português. Um desconhecido marujo, que vigiava do alto do mastro de observação, teria exclamado ao ver o monte: “Monte vide eu”.

O siciliano Ovídio viveu em Portugal, onde foi venerado. Foi o terceiro bispo de Bracara Augusta, atual Braga. Do seu nome, o Monte Santo Ovídio seria Monte Ovídio ou Monte Vídio.

Já a versão em espanhol diz que nos mapas de navegação o sexto monte de Leste a Oeste no território uruguaio era lido como “Monte VI de E-O” (“Monte Sexto de Este a Oeste).

“Mas a única versão que está documentada é a de Magalhães. É essa a expedição que dá nome ao Monte”, indica Juan Antonio Varese, que ilustrou a capa do seu livro justamente com a frota de Magalhães tendo o “Monte Vidi” ao fundo na paisagem. O nome resistiria por mais de 200 anos até à fundação de Montevidéu entre 1726.

“Depois de vir do Brasil com frondosa vegetação e montanhas, nada lhes chamou a atenção na costa uruguaia que descreveram sempre como plana e arenosa. Por isso, chamou-lhes tanto a atenção um monte”, compara Juan Antonio Varese, quem também é membro da Academia de Marinha de Portugal.

A “Sagres” ficará em Montevidéu até o dia 27, quando parte para Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Esses dias na capital uruguaia poderiam ter um correlato com o roteiro de Magalhães há 500 anos.

“Calcula-se que a expedição de Magalhães tenha ficado alguns dias em Montevidéu. Não está documentado. Acredita-se que tenham subido o Monte Vidi como forma de ver o horizonte. Fazia-se sempre, especialmente nesse monte com apenas 145 metros”, analisa Varese.

Mas antes de Magalhães já tinha passado por esta costa Américo Vespúcio em 1501, João de Lisboa e Estevão Fróis em 1514 e João Dias de Solis 1516.

Para chegar até ao Rio da Prata, canal que acreditava ser a passagem para o Pacífico, Fernão de Magalhães contou com os conhecimentos de outro português integrante na sua expedição: o piloto João Lopes de Carvalho.

Era Carvalho que sabia o caminho. Tinha recebido referências de João de Lisboa e de Francisco Torres, que tinham estado na expedição de Solis. Carvalho sabia que era preciso encontrar o Cabo de Santa Maria (Punta del Este), como referência de entrada para o Rio de Solis (Rio da Prata).

“Eles vinham à procura do Cabo de Santa Maria porque tinham notícia da prévia expedição de Solis, mas havia um deles que conhecia bem a localização. Esse era João Lopes de Carvalho, que explicava que, para se saber onde estava o Rio de Solis, era preciso chegar ao Cabo Santa Maria”, conta Juan Domingo Varese.

Foi exatamente esse caminho que a ‘Sagres’ fez hoje ao chegar a Punta del Este, onde parou antes de continuar a Montevidéu, exatamente como Fernão de Magalhães há 500 anos. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

domingo, 25 de agosto de 2019

Internacional - Expedição revela que o Titanic está se desintegrando



Os primeiros exploradores a alcançarem o Titanic nos últimos 15 anos afirmam que parte do naufrágio está em franca deterioração.

Ao longo de cinco mergulhos, uma equipe internacional de exploradores de alto mar examinou o navio naufragado, que está a 3800 metros de profundidade no Oceano Atlântico.

Enquanto uma parcela dos destroços estava surpreendentemente em boas condições, outra havia se perdido no mar.

O maior estrago foi percebido no setor dos alojamentos dos oficiais da tripulação.

O historiador do Titanic Parks Stephenson afirmou que parte do que viu durante o mergulho foi "chocante".

"A banheira do capitão é uma imagem favorita entre os entusiastas do Titanic - e ela se perdeu", disse ele.

"A casa do convés daquele lado está colapsando, levando consigo os salões. E essa deterioração continuará avançando."

Segundo Stephenson, o teto inclinado da proa provavelmente seria a próxima parte a se perder, obstruindo a iluminação que chega ao interior do navio.

"O Titanic está retornando à natureza", acrescentou o historiador.

Correntes, corrosão e bactérias

O navio está sendo destruído por fortes correntes oceânicas, pela corrosão salina e por bactérias que comem metais.

O RMS Titanic está submerso há mais de cem anos, a cerca de 600 km da costa de Newfoundland, no Canadá.

O navio de passageiros, que foi a maior embarcação de sua época, atingiu um iceberg em sua viagem inaugural de Southampton para Nova York em 1912. Dos 2200 passageiros e tripulantes a bordo, mais de 1500 morreram.

A expedição de exploração dos destroços do Titanic foi realizada pela mesma equipe que recentemente fez o mergulho mais profundo de todos os tempos, até o fundo da Fossa das Marianas, que fica a cerca de 12 km de profundidade no oceano Pacífico.

Os mergulhos aconteceram em um submersível de 3,7m de comprimento por 3,7m de altura - chamado de DSV Limiting Factor - que foi construído pela empresa americana Triton Submarines.

Houve uma série de obstáculos na expedição do submarino ao redor do naufrágio do Titanic, separado em duas partes principais distantes quase 600 metros uma da outra.

O mau tempo no Atlântico e as fortes correntes submarinas dificultaram os mergulhos. Havia também um risco significativo de a embarcação ficar presa ao naufrágio.



Os mergulhos recentes foram filmados pela Atlantic Productions para um documentário.

Além de capturar imagens, os cientistas da expedição também estudam as criaturas que vivem nos destroços.

Apesar das condições quase congelantes, águas escuras e forte pressão, a vida prospera por lá.

Isso, aliás, é um ponto importante na deterioração do Titanic, afirma a cientista de expedição Clare Fitzsimmons, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.

"Há micróbios no naufrágio que estão corroendo o ferro do próprio naufrágio, criando estruturas do tipo 'rusticle', que é uma forma muito mais fraca do metal", disse ela.

Essas estruturas - semelhantes a estalactites de ferrugem penduradas nos destroços - são tão frágeis que podem se desintegrar em uma nuvem de poeira se forem desestabilizadas de alguma forma.



Os cientistas estão estudando como os diferentes tipos de metal entram em erosão nas águas profundas do Atlântico, para avaliar quanto tempo ainda resta ao Titanic.

Robert Blyth, do National Maritime Museum, em Greenwich, ressaltou a importância de mergulhar e documentar os destroços em seu estado atual.

"O naufrágio em si é a única testemunha que temos atualmente do desastre do Titanic", disse ele.

"Todos os sobreviventes já morreram, então acho importante usar o naufrágio enquanto o naufrágio ainda tem algo a dizer." Rebecca Morelle – Brasil in “BBC News Brasil”



Um histórico da exploração do naufrágio

1985 - O local de naufrágio do Titanic é descoberto por uma equipe franco-americana

1986 - O submersível Alvin explora os destroços

1987 - A primeira expedição de resgate coleta 1.800 artefatos do navio

1995 - James Cameron visita o naufrágio - as filmagens são usadas no filme Titanic

1998 - Os primeiros turistas mergulham no local

1998 - Parte do casco do navio é coletado

2005 - Dois submersíveis tripulados visitam o naufrágio

2010 - Robôs autônomos mapeiam o local

2012 - Destroços passam a ser protegidos pela Unesco

2019 - Submarino DSV Limiting Factor faz cinco mergulhos

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Brasil - Expedição vai estudar o Oceano Atlântico Sul

Navio com pesquisadores zarpa nesta semana do Porto de Santos



Uma equipe de 19 pesquisadores vai embarcar em uma expedição a bordo do navio oceanográfico Alpha Crucis, no Porto de Santos, para estudar os impactos da poluição global e das mudanças climáticas no Oceano Atlântico Sul. A embarcação pertence ao Instituto Oceanográfico (IO), da Universidade de São Paulo (USP). O grupo deixa o complexo marítimo na sexta-feira e retorna dia 28.

Segundo a diretora do IO, Elisabete de Santis Braga da Graça Saraiva, entender os danos do efeito estufa no mar ajuda a antecipar soluções a essa questão. As análises também servem para compreender as mudanças climáticas que atingem, principalmente, as populações que vivem em áreas costeiras, onde está grande parte do território da Baixada Santista.

Apesar dos estudos oceânicos terem ganhado maior destaque a partir de 2003, só em 2011, com início do projeto South Atlantic Meridional (Samoc), passou-se a observar mais de perto o Atlântico Sul.

Agora, a expedição conhecida como Sambar, que complementa o projeto Samoc, fará sua segunda viagem para acompanhar a variação da corrente meridional de circulação da água.

“A obtenção de dados no mesmo lugar nos permite analisar os efeitos do impacto global sobre a economia azul (que reúne as atividades relacionadas aos oceanos e a seus recursos), impactos na área costeira e atividade portuária, como a presença de ventos extremos, ressacas e aumento do nível do mar”, explicou a diretora.

O grupo é formado por professores, estudantes e técnicos brasileiros e estrangeiros. E se deslocará até um ponto do oceano entre o Brasil, Argentina e Uruguai.

Elisabete conta que a equipe vai para alto-mar para “medir correntes marítimas e temperaturas, usamos telemetria, imagens de satélite, equipamentos de fundeio – são lançados no mar e recuperados no ano seguinte –, analisamos dados a mais de 4 mil metros de profundidade para avaliar a circulação profunda”.

A pesquisadora diz que cada nível de água se movimenta de forma diferente e, a cada pequena mudança, é percebido o efeito da poluição. “Não analisamos só a circulação da água. Observamos o oxigênio, os nutrientes, propriedades químicas e o carbono”, conta.

Não se espera notar um aquecimento nas águas mais profundas, pois é algo que não deve ocorrer, diz a professora. De acordo com ela, uma maior temperatura registrada até mil metros ainda não é tão preocupante, porém alerta: “Temos que prever para melhorar as medidas de mitigação (para aliviar os danos), antes de atingir graus de perigo”.

Oceano é radiador

A pesquisadora destaca a importância do oceano no controle da poluição. “É um grande radiador para a distribuição de calor da terra”.

Mas, devido ao grande volume de gases, ele está sobrecarregado. “A queima indiscriminada de combustíveis gera o gás carbônico e o efeito estufa retém o calor do sol. Esses gases envelopam a Terra e fazem troca com a água. O mar absorve o CO2 tentando aliviar a atmosfera, mas as águas superficiais se aquecem e as correntes mudam seu percurso, o que causa reflexos, novamente, como aumento de ressacas, erosão, aumento do nível do mar”.

Elisabete conta que a expedição é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta com o apoio da Marinha do Brasil, da Capitania dos Portos de São Paulo e da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos). Matheus Müller – Brasil in “A Tribuna”

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ilha do Príncipe - É uma pequena rã e só existe nesta ilha

É uma pequena rã e só existe na ilha do Príncipe. O arquipélago de São Tomé e Príncipe continua a ser uma caixinha de surpresas. Uma expedição pelas duas ilhas principais permitiu descobrir uma espécie de rã nova para a ciência


As aparências iludem e podem passar 100 anos até que alguém diga que estão erradas. As rãs que o digam. Uma equipa da Academia das Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos, em expedição por São Tomé e Príncipe descobriu que algumas rãs identificadas como Hyperolius molleri pertenciam, afinal, a uma nova espécie: a Hyperolius drewesi. A sua descrição científica foi agora publicada na revista Herpetologica.

Situadas no Golfo da Guiné, as ilhas de São Tomé e Príncipe têm uma vasta vegetação acumulada no solo, que é arrastada pelos rios e pelas grandes chuvadas. Por isso, tornam-se o habitat ideal para os anfíbios. Até há bem pouco tempo, estavam registadas sete espécies endémicas de anfíbios nas duas ilhas. Dentro destas espécies que só existem ali, havia duas rãs que vivem nos juncos (do género Hyperolius). Uma é a espécie Hyperolius molleri, que se encontra nas duas ilhas, a outra é a Hyperolius thomensis vive apenas em São Tomé.

Investigadores da Academia das Ciências da Califórnia – liderada pelo herpetólogo norte-americano Robert Drewes e que é membro do comité científico da Reserva Mundial da Biosfera da Ilha do Príncipe, da UNESCO –  começaram a fazer expedições a São Tomé e Príncipe para estudar a enorme biodiversidade destas ilhas.

Ao longo de 15 anos de expedições, já foram descobertas cerca de 20 novas espécies: duas rãs, uma osga, dois peixes, um escaravelho, mais de seis cogumelos, dois crustáceos, uma formiga e duas cobras.

Para a nova espécie de rã agora encontrada foi fundamental a recolha de vários exemplares ao longo das expedições, entre 2001 e 2013. Assim pôde-se comparar as diferenças entre as espécies de rãs presentes nas duas ilhas.

A entrada da investigadora norte-americana Rayna Bell para a equipa, em 2012, fez a diferença nesta história. Foi ela que reparou em algo estranho nos exemplares da ilha do Príncipe até então classificados como Hyperolius molleri: “As rãs dos juncos do Príncipe eram diferentes das de São Tomé. As rãs raramente atravessam o mar – não conseguem sobreviver muito tempo em água salgada – e parecia-me estranho que a migração entre as ilhas tivesse sido frequente”, conta ao Público a investigadora. É que cerca de 150 quilómetros separam São Tomé e Príncipe.

Mas não bastam desconfianças para se definir uma nova espécie. O que foi então feito? Através da sequenciação do ADN de amostras das rãs, a investigadora conseguiu perceber melhor a sua anatomia em laboratório e, por fim, detectou as diferenças. Sequenciou dois genes das mitocôndrias da nova espécie, bem como da Hyperolius molleri da Hyperolius thomensis. Tinham linhagens distintas.

Rayna Bell conta-nos que estas diferenças se devem ao tempo em que as ilhas já estiveram isoladas. O arquipélago São Tomé e Príncipe só começou a ser habitado há 500 anos: “A partir daí, as espécies começaram a mudar genética e anatomicamente e a nível do comportamento. Por vezes, ‘descobrir’ uma nova espécie envolve observar as espécies de perto e revelar o que afinal já é conhecido.”

Eis que surgiu então uma nova espécie. E até foi fácil para Rayna Bell atribuir-lhe um nome vulgar. No artigo científico em inglês, propôs “Drewes’ reed frog”, algo como rã-dos-juncos-de-drewes. E o seu nome científico é Hyperolius drewesi. “Teve de ficar com o nome do meu mentor Robert Drewes, em honra ao seu contributo para o estudo dos anfíbios em África e, em particular, da biodiversidade de São Tomé e Príncipe.”

A nova espécie está espalhada por sete locais com altitudes variadas na ilha de Príncipe. Podemos encontrá-la perto de riachos que correm lentamente, em lagos temporários em florestas ou até em habitats onde há muitas pessoas.

Mesmo que as diferenças entre a Hyperolius drewesi e outras espécies não se tenham notado durante 100 anos, elas estão lá. Tanto o macho como a fêmea da “Hyperolius drewesi” são monocromáticos, ou seja, ambos verdes. Já a “Hyperolius cinnamomeoventris”, umas das espécies endémicas comparadas, tem diferenças entre os sexos, a fêmea é verde e o macho cor de bronze com riscas amarelas.

A rã-dos-juncos-de-drewes também difere da Hyperolius thomensis no tamanho: pode ter entre 24,8 a 30,9 milímetros de comprimento, enquanto a “Hyperolius thomensis” tem entre 36,1 a 41,2 milímetros. Assim como há diferenças na coloração do ventre, em que a Hyperolius drewesi é branca ou translúcida e a “Hyperolius thomensis” é preta ou laranja.

Levar o laboratório às escolas

A acompanhar de perto esta descoberta esteve a investigadora portuguesa Maria Jerónimo. Actualmente está a terminar o doutoramento em evolução e desenvolvimento, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, e decidiu embarcar na expedição a São Tomé e Príncipe. “Realmente, as duas espécies eram muito parecidas morfologicamente e devido a esta equipa descobriu-se a diferença”, diz-nos.

Mas Maria Jerónimo não esteve na expedição por causa das rãs. A cientista portuguesa integrou a equipa para divulgar ciência nas escolas de São Tomé e Príncipe. “Só” faz ciência em laboratório e sentiu que tinha de levar tudo isso para fora. “Toda a ciência que se faz deve-se levar à sociedade. Afinal, é da sociedade que vem o financiamento e gosto de dar o retorno.”

Cada expedição dura cerca de um mês. Este ano, Maria Jerónimo esteve nas duas ilhas entre 12 de Novembro e 11 de Dezembro e, no ano passado, entre Setembro e Outubro. Em cada expedição visitou cerca de 50 turmas de 27 escolas do ensino básico em São Tomé e Príncipe e conheceu 2200 alunos com quem falou sobre a biodiversidade das ilhas.

Este ano, Maria Jerónimo foi às escolas acompanhada pela equipa de Robert Drewes. Levaram binóculos, lupas e o livro “As Nossas Águas Costeiras”, escrito pela investigadora brasileira Roberta Ayres (da equipa de Robert Drewes) e que Maria Jerónimo fez a revisão.

Com o grupo também vai sempre uma mensagem. Maria Jerónimo gosta de a contar assim aos mais novos: “As vossas ilhas são especiais. Têm animais especiais e vocês são os donos. Tentem saber mais sobre elas e depois falem delas com familiares e amigos.”

Parece que as crianças que Maria Jerónimo tem encontrado em São Tomé e Príncipe são boas alunas: “Quando vamos para a expedição ao final do dia, vemos os miúdos com as lupas a procurar os animais especiais de que lhes falámos.” Talvez ainda venham a encontrar novas espécies de rãs em São Tomé e Príncipe. Teresa Serafim – Portugal in "Jornal Público"