Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Literacia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literacia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de agosto de 2025

Timor-Leste - Festival Literário desafia o país a transformar-se através da leitura

O Movimento LETRAS acredita que Timor-Leste enfrenta uma “crise silenciosa” de leitura que ameaça o pensamento crítico e o futuro do país. O grupo aposta num festival literário para transformar hábitos e desafiar o Estado a encarar a literacia como prioridade nacional. Estudantes, professores e ativistas denunciam o desinteresse pela leitura e a falta de políticas públicas eficazes


“O Estado torna-se frágil quando os cidadãos são fracos.” É o alerta lançado pelo Movimento LETRAS, que em setembro organiza a terceira edição do Festival Literário sob o tema “Ler para a Transformação Social”. O evento, gratuito e aberto a toda a comunidade, terá lugar entre 6 e 8 de setembro de 2025 na Fundação Oriente, em Díli, e assinalará o Dia Internacional da Literacia.

Apesar de uma parte significativa da população timorense saber ler e escrever, o LETRAS considera que o hábito da leitura em Timor-Leste está numa situação “profundamente preocupante”, sobretudo entre a comunidade académica. Esta fragilidade, sublinha o movimento, afeta diretamente a capacidade crítica das pessoas de analisar textos, refletir sobre os acontecimentos e tomar decisões conscientes no dia a dia.

A docente de Didática da Literatura da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Maria da Cunha, confirma a tendência. Para a professora, o problema não é a falta de recursos, mas a ausência de uma verdadeira cultura de leitura. “Concordo com a avaliação de que a comunidade académica lê pouco. Isso é algo que observo e experiencio diariamente com os meus próprios alunos”, afirmou.

Apesar de propor leituras e trabalhos, poucos alunos cumprem as tarefas. “Entre dez estudantes, às vezes, apenas um ou dois leem os textos. Os restantes não mostram progressos”, lamentou a docente, acrescentando que o uso excessivo das tecnologias e dos telemóveis é uma das principais razões do desinteresse. “Hoje, até crianças andam com o telemóvel na mão. Os jovens preferem estar online a ler”, criticou.

A docente sublinhou que as bibliotecas estão acessíveis e muitos textos são distribuídos em formato digital, mas, mesmo com estas facilidades, o desinteresse persiste. Segundo a professora, a falta de leitura afeta diretamente o desenvolvimento do pensamento crítico, o enriquecimento do vocabulário e o domínio da língua. “O contacto com o professor não é suficiente para adquirir conhecimentos profundos nas áreas filosófica, científica, pedagógica, literária, social e cultural”, explicou.

Maria da Cunha defende que os alunos devem assumir responsabilidade pelo seu próprio percurso académico. “Nas universidades, o encontro com o professor representa apenas 25%. Os outros 75% dependem do esforço individual do aluno. Infelizmente, os nossos estudantes ainda não têm essa mentalidade voltada para a leitura”, afirmou.

A docente recordou ainda as dificuldades do seu tempo de estudante, quando os recursos eram muito mais limitados. “Não tínhamos telemóveis nem energia elétrica como agora. Usávamos petromax para estudar, mas, mesmo assim, tínhamos de ler”, lembrou.

Para inverter este cenário, sugere iniciativas práticas dentro e fora das universidades, como prémios literários, oficinas de escrita, tertúlias e atividades que estimulem o gosto pela leitura. “A promoção da leitura deve envolver todas as áreas do conhecimento, porque a literatura é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico e da identidade cultural de um país”, concluiu.

Segundo o Censo de 2022, 72,4% da população timorense com 10 anos ou mais sabe ler e escrever, o que representa um progresso em relação a 2015, quando a taxa era de 67,3%.

Apesar da melhoria, os dados revelam fortes desigualdades entre género, faixas etárias e regiões. Os homens continuam a apresentar níveis mais elevados de alfabetização (74,7%) do que as mulheres (70,0%).

Entre os jovens com menos de 25 anos, a taxa varia entre 85% e 90%. Já na população com mais de 30 anos, os níveis descem drasticamente. Entre as mulheres com idades entre 60 e 65 anos, apenas 21,0% sabem ler e escrever, contra 45,2% dos homens da mesma faixa etária.

Em termos regionais, Díli lidera com 89,6% da população alfabetizada, seguido de Manufahi com 75,8%. Oé-Cusse, por sua vez, regista os números mais baixos, com apenas 56,7% de alfabetização entre pessoas com 10 ou mais anos.

O organizador e gerente do programa, Basílio Sanches Sávio, afirmou que o festival pretende mobilizar a sociedade para refletir sobre a importância da leitura, promovendo-a como base de uma cidadania crítica e informada.

Segundo o responsável, a iniciativa surge como resposta ao panorama frágil da cultura de leitura no país, ainda longe de estar enraizada. “A influência da globalização tem reduzido a consciência crítica dos cidadãos, afastando-os do hábito de ler livros com atenção e profundidade”, afirmou.

“O nosso compromisso é promover a leitura como um direito e um dever cívico fundamental”, acrescentou. A programação será diversificada: debates temáticos sobre feminismo, política, economia, arte e literatura de resistência; sessões com autores nacionais e internacionais; seminários de escrita criativa; oficinas de colagens e produção de zines; e uma feira do livro com participação de bibliotecas, livrarias e movimentos literários do país.

Para as crianças, haverá a hora do conto e atividades artísticas, enquanto a vertente cultural trará exposições, pintura ao vivo, poesia, música e teatro.

“O festival não é apenas uma celebração da literatura, mas também um espaço para valorizar a arte como ferramenta de construção social e intelectual”, destacou Basílio. Queremos reforçar o papel da literacia como base de uma sociedade mais crítica, justa e participativa”, concluiu.

O evento está a gerar grande expetativa entre jovens e estudantes, que o veem como um espaço de partilha e reflexão crítica.

Heger Robinson, de 22 anos, participa regularmente nas atividades do grupo e sublinha a importância do evento. “Se conseguir participar, será a minha primeira experiência. Vai ser um espaço de diálogo para os jovens e vai aumentar o interesse e a paixão pela literatura”, disse.

Para Robinson, a leitura é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento pessoal e social. “O conhecimento que adquirimos através da leitura deve ser aplicado no quotidiano, para nos tornarmos cidadãos críticos e ativos na sociedade”, acrescentou.

Também Alcinda Menezes Martins, de 22 anos, estudante do Departamento de Gestão da UNTL, mostrou entusiasmo. “Quero ganhar experiência e aprender com os conhecimentos que os escritores vão partilhar. Espero que as atividades sirvam de motivação para nós, estudantes, dedicarmos mais tempo à leitura”, afirmou.

Alcinda reconheceu, contudo, os desafios no acesso aos livros. Segundo a estudante, uma das maiores barreiras é a escassez de títulos nas bibliotecas universitárias. “Muitas vezes, os livros que precisamos não estão disponíveis e temos de recorrer ao Google”, explicou.

Outro entrave é o preço elevado dos livros em Díli. “Gostaríamos de comprar para apoiar os nossos estudos, mas os preços variam entre 10 e 15 dólares. Muitos de nós não temos capacidade financeira”, lamentou.

Apesar disso, Alcinda defende a importância da leitura. “Ler ajuda-nos a formar pensamento crítico e a tomar consciência da realidade social em que vivemos. É essencial para construirmos um futuro melhor”, concluiu.

O Movimento LETRAS defende que uma sociedade com uma forte cultura de leitura e altos níveis de literacia é essencial para a construção de uma nação desenvolvida, próspera, justa e democrática. “Não basta apenas ler; é preciso compreender o que se lê e transformar essa compreensão em ação social, promovendo os valores da humanidade e dos direitos humanos”, frisou o coletivo.

Contudo, acusa o Governo de negligenciar a promoção da leitura. Em Timor-Leste, a leitura continua marginalizada pela falta de políticas públicas e pelo desinteresse institucional.

Mesmo assim, a participação da população nas atividades continua reduzida. Para Henrique dos Santos, membro do LETRAS, a causa não é apenas desinteresse individual, mas sobretudo a falta de condições estruturais. “O país não tem uma Biblioteca Nacional e os currículos escolares, do básico ao superior, não exigem a leitura de obras literárias como parte essencial da formação dos estudantes”, afirmou.

Já Basílio apontou outro problema: a falta de atualização e distribuição de livros nas escolas, agravada pelos preços elevados no mercado. “O Governo poderia subsidiar editoras e livrarias para tornar os livros mais acessíveis”, defendeu.

Segundo ele, essa situação desincentiva o gosto pela leitura. “A cultura de leitura em Timor-Leste é extremamente frágil, porque não têm sido feitos esforços consistentes para criar condições que a promovam.”

Educação quer transformar leitura em prioridade nacional

A chefe do Departamento de Currículo do Ensino Básico do Ministério da Educação, Édia Monteiro, reconheceu a falta de hábitos de leitura em Timor-Leste e sublinhou que o Governo está a intensificar os esforços para transformar a leitura num hábito nas escolas. A prioridade é melhorar as competências de literacia dos estudantes desde o primeiro ano de escolaridade.

Segundo Édia Monteiro, vários estudos demonstram que muitos alunos apresentam ainda níveis baixos de leitura. Para combater esta realidade, o Ministério da Educação tem implementado diversas iniciativas, como a distribuição de livros de histórias a todas as escolas e a formação de formadores para apoiar os professores na melhoria da literacia dos alunos.

“Começámos a implementar um programa de leitura antes das aulas para todos os estudantes do primeiro e segundo ciclos do ensino básico. Temos também o programa EMLULI (Educação na Língua Materna), que nos ajuda a avaliar a capacidade de leitura dos alunos”, destacou.

Apesar de alguns alunos já conseguirem ler, a compreensão dos textos continua a ser um grande desafio. “Estamos a trabalhar para mudar esta realidade e reforçar a literacia de forma contínua”, acrescentou Édia.

Para tornar os livros mais acessíveis, o Ministério criou o programa “Cantinas de Leitura”, em que os professores disponibilizam livros em sala de aula. “As bibliotecas gerais são limitadas devido à falta de infraestruturas e de pessoal qualificado para o atendimento”, reconheceu.

De acordo com a responsável, nas turmas iniciais — como a pré-escola e os dois primeiros ciclos do ensino básico — já foram criadas minibibliotecas em cada sala. Os livros distribuídos estão adaptados a cada disciplina e incluem ainda histórias infantis, de forma a incentivar o gosto pela leitura.

“A leitura passou a ser uma prioridade nacional. Por isso, no currículo do primeiro e segundo ciclos, colocámos o foco na literacia em tétum e português, com o objetivo de desenvolver a leitura e a escrita. Estamos a implementar programas para que as crianças se familiarizem com os livros desde cedo”, reforçou Édia Monteiro.

A Ministra da Educação, Dulce de Jesus Soares, recordou que o hábito de leitura não é uma responsabilidade exclusiva do Ministério, mas de toda a sociedade, sobretudo dos pais e encarregados de educação. “Os pais devem incentivar e acompanhar os seus filhos na leitura dos livros distribuídos pelo Ministério”, apelou.

De acordo com a governante, este ano o foco está na literacia básica. “As crianças precisam de livros interessantes, que as motivem a ler. Para o currículo do 3.º ciclo, temos livros escritos por timorenses, com o apoio de consultores nacionais, para criar conteúdos atrativos. Queremos que a escola seja um espaço interessante, e não um ambiente intimidador”, sublinhou.

A ministra acrescentou que o Ministério continua a produzir e a adquirir livros para distribuir às escolas em todo o país. “Mesmo que alguns livros estejam desatualizados, ainda são úteis, porque contêm conhecimentos e ciências de que precisamos”, afirmou.

Dulce de Jesus Soares apelou ainda à comunidade escolar para que os livros não fiquem guardados nas bibliotecas, mas sejam levados pelos alunos para casa, como preparação para as aulas. “Queremos evitar a prática em que os professores escrevem no quadro e os alunos apenas copiam. Precisamos de mudar essa realidade”, concluiu.

Ameaça às elites

No entanto, o movimento LETRAS vai mais longe, afirmando que o sistema político, dominado por elites, dá prioridade a interesses pessoais em vez de decisões públicas que beneficiem todos. “As elites sentem-se ameaçadas quando percebem que a sociedade começa a pensar de forma crítica. Uma sociedade que lê e produz conhecimento é um risco para quem pretende manter o controlo”, denunciou Basílio.

Para o jovem ativista, esta realidade não é fruto do acaso, mas de um sistema nacional e global construído sobre bases injustas, que impede o desenvolvimento do pensamento crítico. “Isso abre espaço para que elites políticas usem os recursos públicos em benefício próprio e de pequenos grupos de interesse”, acusou.

Apesar da falta de apoio estatal e dos recursos limitados, o Movimento LETRAS mantém a sua atuação com base no voluntariado. Este ano, além do festival, vai lançar o projeto-piloto “Literacia para Todos”, em seis municípios: Díli, Baucau, Lautém, Ainaro, Aileu e Liquiçá, com o apoio de jovens, estudantes e colaboradores.

Com o lema “Nós lemos, nós sabemos, nós transformamos”, o LETRAS quer fortalecer a cultura de leitura em Timor-Leste como passo essencial para o desenvolvimento humano e social.

A visão do movimento é criar condições para a construção de uma sociedade crítica, criativa e capaz de se transformar, promovendo a justiça social e os direitos humanos. Entre os seus principais objetivos estão: aumentar a consciência pública sobre a importância da leitura, influenciar políticas públicas que favoreçam o acesso ao conhecimento e garantir a disponibilização de materiais e espaços de leitura nas comunidades.

“O acesso à leitura é um direito fundamental. Investir na literacia é investir no futuro do país”, concluiu o Movimento LETRAS. Rilijanto Viana – Timor-Leste in Diligente


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Portugal - Curso teórico-prático: Plasticus maritimus

«A cada hora que passa, mil toneladas de plástico vão parar aos oceanos, o equivalente a um camião cheio de plástico, por minuto! Já é tempo de fazermos alguma coisa.»

Ana Pêgo, Plasticus maritimus


Os professores são os mais fortes aliados na mobilização e consciencialização dos alunos para a literacia dos oceanos, e por isso propomos que conheçam Plasticus maritimus, uma «espécie» que se apoderou das nossas vidas e que agora está em toda a parte, causando uma infinidade de problemas. É importante perceber o que é, de onde vem, quais os efeitos da sua utilização descontrolada e o que se pode fazer para minimizar o problema. Vamos também perceber como é que, a brincar, conseguimos dominá-la. Nesta formação, explorando tanto o lado científico, como o lado artístico, serão oferecidas aos professores ferramentas científicas e lúdicas que podem ser usadas em sala de aula, com o objetivo de ampliar o conhecimento dos alunos sobre o oceano e de estimular a sua vontade de o proteger, contribuindo para a tão desejada alteração de comportamentos. Esta formação é dirigida a professores e outros agentes educativos, de todos os níveis de ensino e de todas as disciplinas. Vão abordar-se as questões científicas relacionadas com a poluição dos oceanos por plásticos, e serão propostas abordagens artísticas ao tema, intercalando a teoria com atividades práticas que podem ser replicadas, posteriormente, em sala de aula.

Conceção e orientação: Ana Pêgo

Mais informações aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Portugal - Alunos estão a perder hábitos de leitura

Os alunos do 3.º ciclo e ensino secundário leem cada vez menos, segundo um estudo do Plano Nacional de Leitura e do ISCTE divulgado hoje e que aponta para a influência da família nos hábitos de leitura



Os primeiros resultados do estudo “Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário”, do Plano Nacional de Leitura 2017-2027 (PNL2027) e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE) foram hoje apresentados no ISCTE, em Lisboa, e revelam um decréscimo nos hábitos de leitura dos jovens.

Em 2019, a maioria dos 7469 alunos inquiridos admitiu ter lido menos de três livros por prazer nos 12 meses anteriores ao inquérito e, entre o 3.º ciclo e o secundário, cerca de 21,8% dos jovens disse não ter lido nenhum livro durante o mesmo período, mais do que em 2007, quando apenas 11,9% deu a mesma resposta.

Esta tendência verifica-se nos dois níveis de ensino, mas é no secundário que se regista uma diferença maior entre os dois períodos com a percentagem de alunos que não leram qualquer livro por lazer a passar dos 11,3% para os 26,2%.

“Regista-se uma diminuição do número de livros lidos à medida que cresce a idade e esta diminuição no ensino secundário pode estar relacionada com a exigência do ensino e a concentração nas leituras escolarmente mais produtivas”, explicou um dos investigadores, João Trocado da Mata, durante a apresentação.

Há ainda uma diferença contextual entre 2007 e 2019 que, segundo o investigador, poderá ajudar a explicar estes resultados: o alargamento da escolaridade obrigatória até 12.º ano, que resultou numa maior heterogeneidade no ensino secundário, que deixou de ser “uma espécie de filtro”.

Os primeiros resultados do estudo apontam ainda para uma relação entre os hábitos de leitura dos alunos e o contexto familiar e, mais do que a escolaridade dos pais, é a relação das próprias famílias com a leitura que parece exercer maior influência.

Quanto mais forte é a relação da família com a leitura, mais livros os jovens dizem ter lido. Mas este é um fator que se relaciona também com a forma como os alunos utilizam a biblioteca escolar.

Segundo os dados referentes a 2019, a grande maioria dos estudantes utilizava a biblioteca para preparar trabalhos ou para aceder à internet, e apenas 16,1% para levar livros para casa.

No entanto, são os alunos que têm mais livros em casa aqueles que mais requisitam na biblioteca.

“Isto permite-nos pensar sobre um problema que tem a ver com o distanciamento (dos alunos em relação à leitura) e que as bibliotecas não estão a resolver”, sublinhou João Trocado da Mata, considerando que este poderá ser um segmento objeto de intervenção prioritária das políticas públicas.

A influência das famílias pode também ajudar a explicar o enfraquecimento dos hábitos de leitura, uma vez que mais de metade dos alunos (57%) diz que a família tem uma relação distante com a família e a percentagem de estudantes com menos de 20 livros em casa quase duplicou entre 2007 e 2019, passando dos 14,5% para os 27,3%.

Esta situação, consideram os investigadores, aumenta a complexidade do desafio colocado às escolas, exigindo o reforço de investimento na promoção de práticas de leitura, não só dos jovens e de adultos.

Também o secretário de Estado Adjunto e da Educação, que esteve presente na apresentação, destacou a necessidade de promover a leitura que não se esgotem no contexto escolar, mas cheguem também às famílias.

“Precisamos muito de uma incidência em planos de literacia familiar. Se há tanto que de depende da família, vamos também tentar chegar ao contexto familiar”, disse João Costa.

O secretário de Estado sublinhou ainda a importância do estudo, considerando que não só é importante que se continuem a desenvolver, como devem ser regulares, permitindo “saber, acompanhar e agir em função dos dados que são revelados”.

Os dados hoje divulgados fazem parte dos primeiros resultados do estudo “Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário”, que analisa as práticas de leitura dos alunos do 1.º ciclo ao ensino secundário.

Os primeiros resultados referem-se apenas o 3.º ciclo e secundário, porque a pandemia da covid-19 obrigou à interrupção dos trabalhos de terreno no 1.º e 2.º ciclos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

domingo, 15 de março de 2020

Portugal – Diabetes 365º o sítio informativo que promove a literacia em diabetes em língua portuguesa



Acha que sabe o que é a diabetes?

Esta pergunta foi o ponto de partida para o lançamento de um novo projeto editorial inovador.

Em Portugal, mais de um milhão de pessoas vive com diabetes, um número que está, porém, aquém da realidade que se desenha: estima-se que cerca de 30% dos portugueses tenha pré-diabetes e que, dos que têm diabetes, 5,8% estejam por diagnosticar.

Para aumentar a consciencialização e a literacia sobre a diabetes, uma doença que nos toca – ou pode tocar – a todos, a How criou o primeiro projeto multiplataforma que desde 14 de novembro de 2019, e durante 365 dias, desafia e contribui para o conhecimento sobre a diabetes. O objetivo? Despertar consciências e, se possível, mudar comportamentos.

A Diabetes 365º é uma plataforma dedicada à divulgação da diabetes sob três ângulos principais: saber, prevenir e cuidar. Conta com a parceria de revistas e websites especializados em saúde, assim como o apoio de entidades para a educação e prevenção da diabetes, desde Associações Médicas, Associações de Doentes, Indústria Farmacêutica, entre outras.

Com conteúdos diários e de formatos variados, desde artigos, vídeos, galerias ou Vox Pop, vamos aumentar a consciencialização sobre a diabetes em Portugal, fomentar a prevenção e estender a mão na hora de cuidar. “HOW - House of Words, LDA” - Portugal

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Macau - Novos desafios na educação devido ao coronavírus

O ensino através de ferramentas virtuais devido à propagação do novo coronavírus traz um desafio principal aos alunos: a gestão do seu tempo para garantir que cumprem todas as tarefas que lhes são pedidas, acredita a directora da Faculdade de Educação da USJ, apontando ainda que este processo exige uma “literacia tecnológica” que às vezes pode falhar pelo facto de em Macau ainda se seguirem “modelos tradicionais”. Ainda assim, ao Jornal Tribuna de Macau, professores fazem um balanço positivo do sistema que levou a novas aprendizagens. Por sua vez, uma encarregada de educação admitiu que, no início, o processo foi “stressante”



O novo coronavírus levou a mudanças ao nível da educação e da forma como crianças e jovens estão a estudar, agora a partir de casa. O novo modo de funcionamento do ensino trouxe desafios para todos, mas talvez sobretudo pais e professores.

“Quando se passa de um modelo presencial para um modelo de aprendizagem à distância demora-se algum tempo até tanto professores como alunos se adaptarem mas até agora temos tido uma experiência muito positiva”, garante a directora da Faculdade de Educação da Universidade de São José (USJ) em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

“Os alunos estão a responder e os professores, claro, estão a trabalhar intensivamente. Há muitos ajustamentos, muitas adaptações que têm de ser feitas. Temos também que nos familiarizar com este novo sistema”, destacou Ana Correia.

Num ensino nestes moldes, “as actividades têm de ser feitas consoante as instruções que o professor dá, que têm de ser extremamente claras, detalhadas, para compensar a inexistência de um diálogo na sala de aula”.

A USJ está a adoptar um esquema que mistura aula em tempo real com materiais colocados “online” com indicações para os alunos. “Não significa que a comunicação em tempo real tenha desaparecido, de modo nenhum”.

Ainda assim, é exigida aos alunos uma maior auto-regulação. “O aluno tem de gerir o seu tempo de uma forma que tem de partir dele, ao passo que no ensino presencial a gestão é-lhe imposta devido a um limite temporal. A aula é das 15:00 às 18:00 e o que lhe é pedido é que esteja presente na aula. Agora não têm de ir a lado nenhum, mas continuam a ter de gerir o seu tempo porque os prazos existem e são extremamente rígidos, como eram as presenças na aula”, sublinha Ana Correia.

Por outro lado, o facto de não haver um prazo de duas ou três horas para uma aprendizagem específica faz com que os estudantes tenham de se adaptar. “Como é muito tempo, um dia inteiro, se o aluno não tem essa capacidade de auto-regulação, vai deixando para o fim e esse problema existe, mais provavelmente nos não universitários que nos universitários, mas mesmo os nossos alunos, sobretudo do bacharelato, vão ter de passar por um período de adaptação”.

“Os prazos têm de ser muito curtos, precisamente para ajudar o aluno a processar esta transição e a adquirir mais auto-regulação, portanto, não podemos dar um prazo de uma ou duas semanas porque vai levar a que o aluno provavelmente não trabalhe antes do fim do prazo”, destacou a académica.

Questionada sobre o que deverá ser feito para tornar esta mudança mais fácil, Ana Correia opta por destacar o que não é aconselhável. “Não se deve replicar o ensino presencial e fazer quase a mesma coisa que se faria nesse modelo. O ensino à distância tem um formato completamente diferente, não pode ser uma réplica do ensino presencial porque temos de motivar os alunos e isso implica criatividade, encontrar formas de fazer com que eles possam interagir. Por exemplo, pedir a uma classe que leia um texto é insuficiente. Poderia resultar se na aula houvesse discussão e interpretação, mas no ensino à distância isso não existe, por isso, esse formato não resulta”.

Isso leva a que os docentes tenham de ter “literacia tecnológica”. “Têm de saber ir ‘online’ procurar formas que sejam motivadoras para os alunos e não apenas repetir formatos que usavam antigamente, portanto, criatividade e literacia das tecnologias educacionais é fundamental”.

“Provavelmente estamos todos um bocadinho a falhar neste domínio porque, em Macau e em todo o lado, ainda continuamos a seguir modelos tradicionais e não são todos os professores que adquirem o hábito de integrar as tecnologias dentro do currículo. Infelizmente, agora fomos obrigados, de um dia para o outro, e, de facto, todos temos de dar um salto muito grande e é isso que estamos a fazer”.

Novidades bem recebidas

Estas questões colocam-se também aos professores de outros níveis de ensino e há quem receba o desafio de braços abertos. “Tipicamente seguimos o modelo tradicional no sentido em que temos o professor na escola. Isto acaba por ser uma novidade, ou seja, não fazer apenas a utilização dos recursos online, porque isso não é nada de novo, mas algo integral, a 100%. Dadas as circunstâncias é uma realidade necessária para não haver uma suspensão permanente do ensino”, começou por destacar Miguel Melo em declarações a este jornal.

Ainda assim, o novo paradigma envolve desafios. “Traz [desafios], sem dúvida, mas vejo isso como sendo algo positivo porque, numa perspectiva mais futurista, até mesmo no desenvolvimento de uma profissão como a nossa, no ensino, as coisas mais para a frente parecem apontar cada vez mais para uma dependência deste tipo de infra-estruturas para realizarmos a nossa profissão. Nesse sentido, acho interessante porque obriga o professor a sair um bocadinho da sua zona de conforto e a pensar fora da caixa numa forma de criar e adaptar materiais que sejam eficazes para o ensino e, nesse sentido, é uma nova experiência que permitirá a aquisição de outras capacidades”.

De qualquer modo, o docente considera “interessante e desafiante” a criação de material, que considera o “maior desafio”, uma vez que tem de ser adaptado a um ensino que funciona nestes moldes.

“No fundo, os alunos acabam por ter uma experiência positiva porque cada vez têm mais contacto com as ferramentas ‘online’ e com a internet e dá-lhes algo que fazer, sobretudo nestas circunstâncias em que as pessoas acabam por ter de estar fechadas em casa. E acho que o mais importante é o facto de não permitir a suspensão efectiva do processo educativo”, sublinhou Miguel Melo.

O docente do ensino primário diz não notar diferenças nas dificuldades sentidas pelas crianças em relação a quando têm aulas presenciais. “Não seria por aí que contrastaria e referiria que existem mais dificuldades em relação à aprendizagem. Os pais têm prestado um bom desempenho a nível do suporte que dão aos alunos, porque consigo perceber que existe um contacto constante entre pais e professores que resulta do ‘feedback’ que recebem do trabalho que os alunos fazem em casa”.

Por sua vez, o subdirector da Escola para Filhos e Irmãos dos Operários sublinhou que o caminho até ao ensino à distância passou por várias fases. “No início, muitas escolas delinearam planos de ensino concretos, pretendendo até dar aulas consoante o calendário, mas temos ouvido comentários sobre o facto de as tarefas serem pesadas. Percebemos que o ensino virtual não terá um efeito equivalente ao ensino presencial e que os alunos iriam enfrentar muitas dificuldades se fizéssemos isso”, sublinhou Lam Lon Wai.

Mais concretamente, em relação aos estudantes do ensino secundário, são dadas duas matérias para aprenderem por si mesmos. “Primeiro, damos trabalhos de casa aos alunos que depois de os concluírem tiram fotografias e enviam aos professores por e-mail. Em segundo lugar, os professores dão aulas através de um vídeo em que explicam o conteúdo através de um ‘powerpoint’. Os alunos podem descarregar o vídeo mas não podem fazer logo perguntas ao professor, por isso, encontrámos uma solução como uma ‘aula interactiva’ em que os alunos podem fazer as perguntas e receber as respostas ‘online’. Não é fácil, mas pedimos aos professores para dar pelo menos uma aula destas por semana ou a cada duas semanas”.

Lam Lon Wai defende que o contacto entre professores e alunos tem sido fácil com recurso a uma aplicação móvel denominada “turma virtual”. Ao inscrever-se na aplicação, cada pessoa tem de escolher uma função: professor, aluno ou orientador da turma.

A taxa de recolha de trabalhos de casa tem sido elevada, frisou o subdirector, frisando que 70% dos estudantes conseguiram apresentar os trabalhos a tempo. “O nosso modelo de escola virtual não sofreu grandes mudanças mas reduzimos muito a quantidade de trabalho. Por exemplo, no ensino secundário os estudantes costumam ter cinco aulas de chinês por semana mas agora mudámos para duas. Disciplinas como Física e Química reduzimos para apenas uma aula semanal”.

No que se refere ao ensino primário, há encarregados de educação a queixar-se de dificuldades e pressão por terem de acompanhar de perto a aprendizagem dos filhos. “Tendo em conta que os alunos do primeiro ciclo têm menos capacidade de auto-aprendizagem, exigimos apenas aos estudantes do primeiro ao terceiro ano que leiam, cantem e façam ginástica diariamente, sendo que disciplinas como chinês e matemática não estão incluídas nas tarefas diárias”.

Para os estudantes entre o quarto e o sexto ano de escolaridade foram acrescentadas tarefas de compreensão textual, em chinês e inglês, sendo que os textos são ou literários ou relacionados com a ciência popular. “Claro que no ensino primário e secundário acrescentámos uma vertente de conhecimento sobre o coronavírus, pusemos online um vídeo de conhecimentos gerais sobre a epidemia para os alunos, além de ter sido preparada uma lista de perguntas para eles responderem”.

Os professores, assegura, não se queixam de aumento da pressão. O modelo de aulas virtuais garante-lhes “tarefas relativamente mais leves, assim os docentes conseguem, além de se ocuparem do ensino, cuidar da família”.

Primeiros dias “confusos”

Para os pais o ajustamento também não está a ser fácil. “Os primeiros dias foram confusos. Ambos os meus filhos têm uma conversa de grupo no ‘WhatsApp’ da turma que estava a ‘explodir´ com todo o tipo de mensagens e que era difícil de seguir porque tive de ler em português e o meu português não é muito bom”, contou Christina Kimont ao Jornal Tribuna de Macau.

“Foi stressante mas a escola parece ter um currículo para actividades em casa. Forneceram-nos um ‘website’ no qual podemos entrar, cada um deles [dos seus filhos] tem a sua informação de ‘log in’ e as suas tarefas. Isto começou na terça ou quarta-feira da semana passada e tiveram tarefas na quinta e na sexta-feira. Foi um início duro, um processo de aprendizagem, mas a minha filha que está no primeiro ano, adorou. O meu filho não sei se adorou mas não se queixa”, sublinhou.

“Felizmente”, salienta, a família tem vários computadores em casa pelo que “podem trabalhar individualmente”, o que será “muito mais fácil à medida que forem atribuídas novas tarefas que têm de fazer”. “Estando em casa, no geral, a longo prazo, não é fácil termos a nossa rotina”.

As questões práticas, são acessíveis. “Abre-se um separador [do site] e mostra todas as tarefas que têm de cumprir e, ou ficam com um ‘visto’, ou desaparecem por completo à medida que são terminadas, por isso, é fácil para eles. O desafio é não os deixar jogar demasiados videojogos ou ver demasiada televisão porque consigo ver diferença no comportamento deles se fizerem isso durante demasiado tempo. Essa parte é um desafio”.

A cada dois dias, o marido de Christina Kimont leva as crianças a zonas onde não estejam muitas outras pessoas “só para fazerem algum exercício”.

“Para mim, o grande desafio é que ainda tenho trabalho que normalmente faria enquanto eles estão nas aulas, como ir à biblioteca. Agora não posso ir e tenho sempre as crianças em casa, é muito mais difícil trabalhar”, admitiu até porque “eles não podem só sentar-se e fazer o trabalho sozinhos”. “Há muita coisa que conseguem, mas precisam de alguém que esteja lá perto e diga para não se distraírem”. Inês Almeida – Macau com Rima Cui in “Jornal Tribuna de Macau”

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Macau - Alunos da Região melhoram em todos os índices e sobem ao 3.º lugar a nível mundial

Os testes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), cujos resultados foram ontem revelados, mostram que os alunos de Macau melhoraram a literacia científica, matemática e de leitura. Macau fica, assim, no 3.º lugar de entre os 79 países e economias a participar no programa da OCDE. Macau foi mesmo a única região a apresentar um “progresso contínuo e rápido em termos de qualidade educativa”, diz a organização



Macau é a única região, de entre as 79 que participaram no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que registou um “progresso contínuo e rápido em termos de qualidade educativa”, notou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Os resultados do índice, divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), mostram que os alunos de Macau melhoraram os índices de literacia matemática, científica e de leitura. Em cada um dos três indicadores, Macau está no 3.º posto a nível mundial.

O PISA é um estudo internacional coordenado pela OCDE que avalia a preparação dos alunos de 15 anos que frequentam o ensino secundário a nível global. Participaram neste estudo, que se realiza de três em três anos, um total de 600 mil alunos. O teste consiste num teste digital de duas horas e num questionário de 40 minutos. Em Macau, 3775 alunos fizeram o teste.

O teste realizou-se em 2018, mas os resultados foram apresentados ontem por Cheung Kwok Cheung, administrador do projecto nacional do PISA de Macau, e por Lou Pak Sang, director da DSEJ, e mostram que a literacia matemática tem vindo a aumentar desde 2003, o primeiro ano em que Macau participou no estudo. Em 2015, o índice de literacia matemática foi de 544 pontos e este ano os alunos de Macau chegaram aos 558. Macau fica em 3.º lugar do índice, atrás de China – cujos resultados foram contabilizados apenas em Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong – e Singapura, respectivamente, e à frente de Hong Kong, que está na 4.ª posição. Portugal ficou-se pelo 28.º lugar.

Os resultados da literacia científica também registaram uma subida. Dos 529 pontos que se registaram em 2015, Macau chegou, em 2018, aos 544. Macau fica em 3.º lugar na literacia científica, também atrás da China, que fica em 1.º lugar, e de Singapura, que fica em 2.º. Na literacia científica, em 4.º fica a Estónia. Hong Kong desce para 9.º e Portugal fica em 26.º lugar. Segundo o relatório, a percentagem de alunos de Macau que se situam num nível elevado aumentou “significativamente” para 13,6%. Os alunos de Macau mostram-se “habilitados a resolver problemas científicos de grau mais elevado” e são “possuidores de uma forma de pensamento igual à dos cientistas”.

Macau fica também em 3.º lugar da classificação geral relativamente à literacia de leitura. Macau fez 525 pontos em 2018 e tinha feito 509 em 2015. À semelhança dos outros dois índices, China fica em 1.º e Singapura em 2.º. Hong Kong volta ao 4.º posto e Portugal em 24.º.

Diferenças de género atenuadas, ‘bullying’ em queda

Segundo os dados do PISA, as diferenças de género nos alunos de Macau foram esbatidas. As alunas têm tido melhores resultados do que os alunos. Em 2018, o desempenho médio em literacia de leitura das alunas de Macau continua a ser melhor do que o dos alunos, mas a diferença tem vindo a diminuir. Em 2009, a diferença entre rapazes e raparigas era de 34 pontos e em 2018 foi de 22. Houve, assim, “uma aproximação ao nível detido pelas raparigas de Macau ou mesmo uma progressão superior à obtida por estas”, indicou a DSEJ na apresentação.

Na literacia matemática os alunos também diminuíram a distância para as alunas. “Em comparação com os resultados obtidos no PISA 2015, o progresso dos rapazes de Macau na literacia matemática foi 2,5 vezes superior ao das raparigas”, indica o relatório. No que toca à literacia científica, o progresso dos rapazes foi 1,4 vezes maior do que o apresentado pelas raparigas.

Segundo Lou Pak Sang, “o Governo e as escolas de Macau atribuem grande importância ao fenómeno do ‘bullying’. Macau aparecia no fundo da tabela de 2015 e agora está a meio. Os resultados do estudo do PISA 2018 demonstraram que, após três anos de esforço, a situação do ‘bullying’ nas escolas de Macau melhorou”. Segundo o relatório, a percentagem de alunos frequentemente alvo de intimidação foi de 10%. Já 27% dos estudantes de Macau foram vítimas de ‘bullying’. Nestes dois parâmetros, Macau aproxima-se da média da OCDE, que é, respectivamente, 7% e 27%.

A DSEJ atribui os resultados positivos ao plano de prevenção de ‘bullying’ e à formação dos docentes, no sentido de melhorar o seu trabalho pedagógico para “fazer com que os alunos aprendam com sucesso e obtenham atenção e carinho, no sentido de aumentar o seu sentimento de pertença às escolas e propiciar uma vida de aprendizagem agradável”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Timor-Leste - Instituto Camões realiza formação para jornalistas timorenses em literacia orçamental

O Instituto Camões, em parceria com a União Europeia (UE), realiza este mês uma formação sobre "literacia orçamental" para jornalistas timorenses, no âmbito de um projeto de apoio à melhoria do setor das finanças públicas do país

O coordenador geral da Unidade de Implementação do Camões do Programa da UE explicou que a formação envolve o Cenjor e o Consultório da Língua para Jornalistas.

Numa nota enviada à Lusa, Rui Nelson Dinis afirma que se pretende "melhorar as capacidades de compreensão dos jornalistas em matérias relativas à supervisão e fiscalização das finanças públicas, de modo a reforçar os níveis de conhecimento sobre o processo Orçamental do Estado".

A iniciativa visa ainda "contribuir para o processo de aprendizagem e compreensão das políticas de finanças públicas, apoiar o desenvolvimento de uma técnica de informação isenta e profissional sobre a supervisão das finanças públicas (e) reforçar as capacidades analíticas e de investigação económico-financeira" dos jornalistas.

A ação formativa arranca com um debate sobre o papel da imprensa na supervisão das finanças públicas e inclui vários módulos sobre o processo orçamental.

Cofinanciado pela UE e implementado com o modelo de cooperação delegada pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, o projeto "Parceria para a melhoria da prestação de serviços através do reforço da Gestão e Supervisão das Finanças Públicas em Timor-Leste" (PFMO) é um dos mais amplos programas de apoio institucional em Timor-Leste.

O projeto conta com um financiamento de 12 milhões de euros através do 11.º Fundo Europeu de Desenvolvimento e de cerca de 600 mil euros do instituto Camões, e divide-se em dois componentes essenciais, nomeadamente o apoio orçamental ao Ministério das Finanças e o fortalecimento e capacitação institucional. In “Sapo” com “Lusa”

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Parlamento Europeu - As “publicações” mais populares do ano

Literacia, direitos das mulheres e liberdade de circulação na UE foram os temas que receberam mais “gostos” por parte dos seguidores da página do Parlamento Europeu no Facebook entre janeiro e junho deste ano. As mensagens de Hauwa Ibrahim e Malala Yousafzai sobre a igualdade de acesso à educação e a defesa dos direitos das mulheres estiveram no topo das preferências dos nossos amigos no Facebook.
























“Se investirmos nas raparigas, investimos na humanidade” defende Hauwa Ibrahim, laureada com o Prémio Sakharov, na sua mensagem vídeo sobre o acesso das raparigas à educação no âmbito do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março. Mais de 100 mil pessoas clicaram na mensagem de Ibrahim, tornando-a na publicação com mais sucesso de sempre na página do Parlamento Europeu no Facebook.

A segunda publicação mais popular do ano também está relacionada com o mesmo tema. O texto “Armas ou literacia? Em que devemos investir? Veja o que Malala tem a dizer e partilhe se concordar” foi recebeu os gostos, foi partilhada e comentada por cerca de 30 mil pessoas.

O Acordo de Schengen, que permite a livre circulação, fez 30 anos em junho e o nosso texto recebeu os gostos de quase 30 mil seguidores da página do Parlamento Europeu no Facebook. Os europeus fazem 1,25 mil milhões de viagens transfronteiriças dentro da área Schengen todos os anos. Parlamento Europeu

terça-feira, 24 de março de 2015

Cabo Verde - Inquérito sobre a literacia financeira

O Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde (INE) realiza, de Março a Abril de 2015, em parceria com o Banco de Cabo Verde (BCV), o Inquérito sobre a Literacia Financeira, dirigido à população de 20 a 65 anos. Este estudo abrange 3 800 agregados familiares e tem uma representatividade a nível de cada ilha.

Pretende-se com este inquérito avaliar e analisar os comportamentos, as atitudes e os conhecimentos da população adulta cabo-verdiana sobre conceitos e questões financeiras, especificamente sobre a inclusão financeira, gestão de conta bancária, planeamento de despesas e poupança, escolha de produtos bancários, escolha e conhecimentos de fontes de informação e compreensão financeira. Os resultados deste inquérito fornecerão elementos para o desenho e definição de projectos e Elaboração de um Plano Nacional de Formação e Educação Financeira. INE – Cabo Verde

domingo, 22 de julho de 2012

Literacia

"A falta de cultura na generalidade da sociedade portuguesa é uma coisa gritante. Este trabalho que estamos a desenvolver no âmbito da alfabetização de adultos tem como tema Sem cultura não há desenvolvimento para as pessoas perceberem que é preciso cultivarem-se para terem necessidade do desenvolvimento." Helena Moura - Portugal      in "Livros & leituras 

               in Memória Helena Tâmega Cidade Moura (1924 - 2012)