Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 3 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Autora luso-americana publica “Milagre das Rosas” bilingue para crianças

A autora luso-americana Angela Costa Simões publica domingo o livro infantil bilingue “Miracle of the Roses/O Milagre das Rosas”, inspirado na história da Rainha Santa Isabel e virado para as crianças da comunidade portuguesa nos Estados Unidos


“É um milagre muito conhecido em Portugal e que conheci a vida toda por causa das Festas aqui na Califórnia”, disse à Lusa a autora, referindo-se às celebrações da comunidade luso-americana.

“Fui rainha duas vezes e marchei em paradas todos os fins de semana até completar 18 anos”, lembrou. A comunidade de origem portuguesa na Califórnia, que tem uma grande preponderância de imigrantes açorianos, celebra a Festa do Divino Espírito Santo seguindo a tradição da Rainha Santa Isabel, que viveu entre os séculos XIII e XIV (1271 a 1336).

Ângela Costa Simões considerou que era importante documentar em livros infantis as histórias por detrás das celebrações, depois de perceber que muitas das crianças que participam em paradas e Festas não conhecem a sua origem.

Mas a própria autora foi surpreendida quando começou a pesquisar e trabalhou com um historiador para este livro, que sucede a outros dois na coleção “Herança” – um sobre a lenda do Galo de Barcelos e outro sobre a canção Uma Casa Portuguesa.

“Descobri que o Milagre das Rosas não é a razão pela qual fazemos as Festas. Fiquei estupefacta”, contou. “A razão é que ela era uma pacificadora e prometeu ao Espírito Santo que se lhe desse força para parar a guerra entre o filho e o marido, ela organizaria um banquete na aldeia”.

A tradição deste banquete é que esteve na origem das Festas, o que deixou Ângela Costa Simões “de queixo caído”. Bisneta de emigrantes portugueses, a autora foi várias vezes rainha e aia nas Festas da Califórnia.

“Foi uma ótima experiência de aprendizagem e descoberta sobre a vida dela, desde criança até à velhice, e como o seu legado continuou”, frisou. O Milagre das Rosas é o oitavo livro da luso-americana e tem ilustrações de Mariana Flores, uma artista de Leiria.

“Queria mesmo encontrar alguém em Portugal, porque se fosse uma pessoa de outra cultura ou etnia, acho que não ia conseguir transmitir a emoção, o sentimento e a herança cultural envolvidos”, explicou.

Ângela Simões considera que o livro terá particular ressonância junto de famílias católicas e cristãs que estão à procura de histórias infantis sobre santos, de pais e educadores que querem ensinar português através de histórias, e ainda leitores que procuram literatura infantil com raízes culturais diversas.

Publicado através da sua editora Riso Books, o livro estará disponível na Amazon (incluindo Portugal e Espanha) e noutras retalhistas, como Walmart e Barnes & Noble. Além da coleção Herança, em que este título se insere, a Riso Books tem outras três coleções de temas distintos: Diáspora, Educação e Coração. Ângela Costa Simões quer continuar a publicar estas histórias e gostaria de ver mais autores a fazer o mesmo.

“Penso que há muito espaço para mais livros infantis escritos especificamente para a comunidade portuguesa”, afirmou. “Infelizmente, estamos a perder o idioma e se os livros forem bilingues, pais e filhos poderão aprender juntos”, salientou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 7 de julho de 2024

França - Luso-francês Tiago Martins lança nova obra inspirada na terra dos avós

Chama-se “Vive les Vacances!” (“Viva as Férias!”, em tradução livre) e é o mais recente livro do luso-francês Tiago Martins, um jovem com raízes na aldeia da Barrenta que, depois de vencer em 2023 um “Óscar” da literatura gastronómica com “A História de Portugal no meu Prato”, decidiu agora escrever uma obra infantil com ilustrações inspiradas na nossa região


Folheando o exemplar, são vários os elementos comummente associados a Porto de Mós (concelho que visita regularmente e onde promove diversas iniciativas de âmbito sociocultural) que saltam à vista, entre os quais o castelo da região e a Igreja e as concertinas da aldeia de Barrenta.

O grande objetivo do autor era que o lançamento se fizesse a tempo das férias de verão, e foi mesmo isso que aconteceu. “Viva as Férias!” ficou disponível no passado dia 24 de junho e “tem sido muito bem recebido pelo público”, conta ao Bom Dia.

Este livro ilustrado bilingue foi “especialmente concebido para ajudar as crianças a aprender português de maneira divertida”, é ilustrado por Romane Mendes e o primeiro da série literária “O Livro Ilustrado dos pequenos lusófonos”.

A obra editada pela Cadamoste Éditions “contém mais de 120 palavras ilustradas com cores vivas, uma abordagem bilingue para favorecer uma imersão natural na língua portuguesa, um jogo e recomendações de visitas ou cantigas para reforçar a aprendizagem e a retenção, e ainda uma impressão, edição e grafismo de alta qualidade, adequados aos jovens leitores”, refere ainda o autor. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




quinta-feira, 16 de maio de 2024

Macau - Mais de três mil alunos interagem com a língua portuguesa desde a infância

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude afirmou que há actualmente mais de 3000 alunos em Macau que estudam num ambiente de língua portuguesa desde a infância. Revelou ainda que o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa, lançado no ano passado, conta agora com 150 alunos, estando a produzir “resultados positivos”


As autoridades reiteram a importância atribuída à promoção da educação da língua portuguesa, indicando que mais de três mil alunos locais estão, desde a infância, a estudar num ambiente educativo de língua portuguesa. Na edição de ontem do “Fórum de Macau”, programa matutino do canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) afirmou que vai ainda “aprofundar” o desenvolvimento integrado das escolas oficiais da língua portuguesa, bem como das turmas bilíngues.

Choi Man Chi, chefe do Departamento do Ensino Não Superior da DSEDJ, frisou que foi lançado no ano passado o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa, que atraiu a participação de cerca de 150 alunos do ensino secundário. “O resultado do programa está a ser positivo”, destacou.

Segundo a representante do organismo, o Programa de Iniciação de Aprendizagem da Língua Portuguesa prevê um curso de aprendizagem com duração de quatro anos, destinado aos alunos cuja língua materna não é portuguesa e com interesse de prosseguir os estudos de ensino superior em Portugal. Para além das aulas de português, o curso oferece ainda actividades culturais, abrangendo culinária, música portuguesa e pintura em azulejos.

“A aprendizagem da língua portuguesa pode tornar-se ainda mais dinâmica”, disse. Choi Man Chi acrescentou que o programa vai organizar visitas dos alunos em áreas com ligação à língua portuguesa, como os bancos, a Assembleia Legislativa e determinadas empresas, com o intuito de aprofundar os seus conhecimentos sobre profissões e indústrias relevantes.

Em Macau abriu mais uma escola privada com elementos de programas portugueses e internacionais neste ano lectivo de 2023/2024, segundo Choi, sublinhando que, entretanto, as escolas do ensino técnico-profissional de ensino não superior têm se empenhado em melhorar a competência de tradução chinês-português dos seus estudantes, promovendo o ensino da língua portuguesa. A responsável deixou ainda a garantia de alargar o escopo das bolsas de estudo para ajudar a formação de quadros qualificados de língua portuguesa.

No programa da rádio de ontem, alguns cidadãos telefonaram para sugerir o reforço do ensino das línguas em Macau, bem como a realização de actividades familiares para aprender português. Um outro residente manifestou preocupação sobre o desenvolvimento rápido da inteligência artificial, que poderá substituir os tradutores chinês-português.

Choi Man Chi, em resposta, disse que, com a evolução da sociedade, as disciplinas relacionadas com a tecnologia, como a inteligência artificial, tornaram-se mais populares entre os estudantes de Macau que vão estudar para Portugal.

“No passado, a sociedade local necessitava de mais talentos de língua portuguesa nas áreas da tradução e do direito”, referiu Choi Man Chi, salientando que as autoridades reforçaram agora a educação dos alunos em competências integradas e aplicadas, tendo alargado os programas subsidiados para o estudo de alunos locais no estrangeiro, incluindo disciplinas como farmácia, economia, bio-engenharia, inteligência artificial e matemática. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


domingo, 5 de novembro de 2023

Reino Unido - Teresa Dangerfield: escrever em português é mais natural

Uma fotografia de um boneco de peluche esquecido num banco de jardim inspirou Teresa Dangerfield, residente no Reino Unido, a escrever o livro infantil “A Ovelhinha Perdida”, que foi editado em versão bilingue português-inglês.

“A Ovelhinha Perdida/Baa Goes Missing” foi editado em junho em Portugal e é o resultado de vários cursos de escrita criativa da antiga professora nascida em 1956 em Lisboa.

“A ideia surgiu de uma fotografia que uma amiga me enviou de um brinquedo perdido, uma ovelhinha de peluche, num banco do jardim. Ela sugeriu que eu escrevesse uma história”, contou Dangerfield à agência Lusa.

O livro, ilustrado por Paulo Fernandes, conta o esforço de várias pessoas e as respetivas peripécias para encontrar o dono de uma ovelha de peluche esquecido por uma menina num banco de jardim. 

Após um primeiro esboço, a autora fez pesquisas sobre temas pertinentes, como a questão da perda, importância dos brinquedos para as crianças, as características de diferentes animais e até encontrou um artigo de jornal sobre uma cadeia de hotéis que descobriu que muitos dos peluches esquecidos eram de adultos e não de crianças.

Foi a editora “Trinta por uma linha” que sugeriu fazer uma versão bilingue e Teresa Dangerfield aceitou, até pela experiência que teve como professora de língua portuguesa no Reino Unido.

“É muito importante para as crianças que não dominam bem uma língua. Quando dava aulas, escrevia histórias para ensinar o vocabulário e depois fazia fichas bilingues. Foi uma coisa com a qual eu tive preocupação”, revelou.

Embora resida em Londres há 37 anos, Teresa Dangerfield continua a escrever em português porque, explicou, escrever na sua língua “é uma coisa que sai mais naturalmente”.

A proprietária da livraria online Miúda Books sediada em Londres, Gabriela Ruivo, disse à Lusa que os livros infantis bilingues português-inglês têm vários públicos.

“Os pais portugueses procuram para as crianças que vivem aqui [no Reino Unido] poderem ler nas duas línguas, mas há adultos britânicos que compram porque estão a aprender a língua portuguesa é uma ajuda para os iniciantes poderem comparar o vocabulário”, contou.

Outro tipo de clientes dos livros bilingues, acrescentou, são famílias mistas de portugueses e britânicos porque “permitem que os dois pais possam interagir com o mesmo livro”. 

Aos 67 anos, este foi o primeiro livro para o público infantojuvenil de Teresa Dangerfield, que tem publicado textos de prosa poética e contos em coletâneas e revistas. 

Recentemente foi premiada com o segundo lugar no Prémio Literário Hernâni Cidade 2023, atribuído pela Câmara de Municipal de Redondo. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 10 de março de 2022

Macau - “Atractividade dos cursos do ensino superior em língua portuguesa continua a aumentar”, diz a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude

Vinte e cinco cursos universitários de português ou ministrados maioritariamente em português, com cerca de 1500 alunos, é o balanço, até ao momento, do trabalho de promoção e formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português no ensino superior. Em resposta a uma interpelação do deputado Ma Io Fong, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) destacaram um “aumento significativo” na frequência desses cursos nos últimos anos

Em resposta a uma interpelação escrita sobre a formação de bilingues em chinês e português, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou que existem actualmente 25 cursos em Macau no ensino superior que são cursos de português e de cursos ministrados maioritariamente em português, e o número de estudantes a frequentar esses cursos já atingiu cerca de 1500, entre os quais cerca de 60% são alunos locais.

Pelo facto de se ter registado um “aumento significativo” nas estatísticas dos últimos anos em comparação aos do passado, “a atractividade dos cursos do ensino superior em língua portuguesa continua a aumentar em Macau, contribuindo para garantir mais talentos bilingues, em chinês e português, para o Governo da RAEM”, salientaram os serviços educacionais.

A afirmação foi dada em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ma Io Fong, que questionou o progresso da formação de talentos bilingues. O organismo defendeu que o Governo da RAEM atribui grande importância e apoio neste âmbito, tendo as autoridades coordenado a “Aliança para Formação de Quadros Bilingues Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa”, que é formada por cinco instituições de ensino superior locais com cursos em língua portuguesa.

E este ano, através dos apoios financeiros da formação de quadros qualificados da China e dos países de língua portuguesa, serão realizadas “séries de curtas-metragens e exposições itinerantes” no território, de forma a apresentar e promover os resultados dos trabalhos de formação de quadros qualificados bilingues em Macau, “no intento de chamar a atenção dos alunos do ensino secundário de Macau para os cursos de língua chinesa e língua portuguesa ministrados no ensino superior e atrair mais alunos para a sua frequência”, destacou o director Kong Chi Meng.

Na sua interpelação escrita remetida à Assembleia Legislativa, Ma Io Fong citou os dados estatísticos no Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa, para criticar os quadros qualificados bilingues em Macau que mostram uma natureza homogénea e não localizada, o que não favorece o desenvolvimento a longo prazo de Macau como uma plataforma sino-lusófona.

“De acordo com os dados, existem no momento 1297 talentos bilíngues registados, entre os quais os tradutores respondem por 52,46%, enquanto outros sectores, como finanças, exposições e crédito de investimento, correspondem a menos de metade. Além disso, 89,28% dos talentos bilíngues vivem actualmente na China Continental e apenas 6,94% vivem em Macau”, esclareceu o deputado ligado à Associação Geral das Mulheres.

Também segundo a resposta de Kong Chi Meng, além da bolsa de estudo para alunos que estão interessados em estudar Direito em Portugal, a DSEDJ lançou dois programas de estudo para subsidiar estudantes de Macau a prosseguir o estudo em Portugal nas diferentes áreas, incluindo Educação, Tradução, Enfermagem, Psicologia e Preservação do Património.

Relativamente à formação de quadros qualificados bilíngues em economia e comércio, as autoridades de educação apontaram que, na Universidade de Macau, a disciplina Direito Comercial e de Investimento da China e dos Países de Língua Portuguesa no curso de mestrado em Direito (língua chinesa) já se tornou numa cadeira obrigatória desde 2019. A instituição do ensino superior estabeleceu ainda duas alianças com a Universidade de Lisboa, a Universidade de Pequim e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, com vista ao trabalho de cooperação no domínio do ensino da língua portuguesa entre os três locais.

Já a Universidade Politécnica de Macau disponibiliza cursos de licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês-Português, Relações Comerciais China-Países Lusófonos, Ensino da Língua Chinesa como Língua Estrangeira, o Curso de Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português, com um ensino e uma prática de tradução automática auxiliar, bem como o Curso de Doutoramento em Português em vertente da Tradução, “de forma a formar talentos bilingues nestas duas línguas, que serão imprescindíveis para a Zona de Cooperação Aprofundada” e para a Grande Baía, assinalou a DSEDJ.

Recorde-se que, no caso do ensino não superior, a DSEDJ publicou no ano passado um conjunto de seis volumes dos materiais didácticos “Vamos Falar Português” dedicado ao ensino primário, baseado na referência ao “Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas”. De forma a enriquecer os recursos pedagógicos neste assunto, o organismo adiantou que já iniciou estudos para a elaboração e publicação dos materiais didácticos de língua portuguesa destinados ao ensino secundário. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Macau - Lançados guias para investir nos países lusófonos

O Fórum de Macau lançou a primeira edição dos guias de investimento dos países de língua portuguesa para ajudar empresas chinesas e do território a investir e desenvolver a cooperação económica sino-lusófona


Os novos Guias de Investimento “visam fomentar o investimento e o comércio provenientes do sector empresarial do interior da China e Macau nos países de língua portuguesa, para que Macau possa exercer integralmente o seu papel de plataforma”, afirmou, na cerimónia de lançamento, o secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau).

Ding Tian disse que estes guias de investimento dos oito países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), bilingues (chinês-português), contaram com a estreita colaboração dos delegados dos países no Fórum de Macau e as agências de promoção do investimento de cada país.

Os guias, produzidos pela empresa local Macaulink com a colaboração da empresa portuguesa Ecospheres, apresentam “toda a informação actualizada (…) na óptica dos investidores chineses”, abrangendo “incentivos e benefícios” para diferentes sectores, “garantias e políticas preferenciais para os investidores”, em termos de lei, regulamentos e formalidades, bem como os “regimes fiscais relativos ao processo de investimento”, salientou.

O Fórum de Macau vai continuar a explorar “novas áreas e novos modelos de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, enquanto mecanismo multilateral que visa promover a cooperação económica e comercial sino-lusófona, com benefícios recíprocos, para melhor responder, em conjunto, aos existentes desafios económicos globais”, sublinhou o responsável.

À margem da cerimónia, o coordenador do Gabinete de Ligação e delegado de Cabo Verde junto do Secretariado Permanente do Fórum, Nuno Furtado, considerou que o guia sobre o seu país, além de fornecer informações práticas, contribui para um “maior conhecimento das oportunidades de investimento” em Cabo Verde, dotando os investidores chineses de “um instrumento de orientação fundamental”.

A versão digital dos Guias de Investimento está disponível na página electrónica oficial do Secretariado Permanente do Fórum de Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

https://www.forumchinaplp.org.mo/tc/home-tc/


domingo, 7 de novembro de 2021

França - Livros: “La poésie du Portugal – des origines au xxe siècle”, um monumento à poesia portuguesa

Quando foi a última vez que viu nas livrarias uma antologia de poesia com quase duas mil páginas, bilingue – português e francês – que, de modo cronológico, percorre um longo caminho histórico, feito de mil poemas e trezentos poetas, desde o século XII, com as Canções de Amigo dos trovadores galaico-portugueses, até às portas do século XXI?

Talvez nunca tenha visto. E é natural, pois esta monumental obra editada pela Chandeigne – é impressionante o trabalho de Michel Chandeigne, ao longo das últimas décadas, em prol da promoção e difusão em França das Literaturas em língua portuguesa – aparece uma vez na vida.

“La Poésie du Portugal – des origines au XXe siècle”, edição e tradução, ritmada e fluida, do também poeta Max de Carvalho, começa o seu longo percurso de 900 anos de poesia portuguesa com a lírica em língua vulgar dos dealbares da criação de Portugal, embora, por ser a mesma cultura ibérica e a mesma língua, enverede também por Castela e Leão: a poesia do rei sábio Afonso X é um dos marcos fundamentais das culturas peninsulares.

E é desse caldo primordial que nasce a poesia portuguesa, “uma”, diz o editor, “das mais fecundas tradições líricas e épicas da Europa”. Um percurso que termina com os poetas contemporâneos, descendentes diretos da chamada “idade de ouro” que nasce no pós-guerra, durante os anos 1940, com o surrealismo e com a hegemonia póstuma de Pessoa que paira sobre a poesia da segunda metade do século XX. Uma explosão de criatividade poética que, paradoxalmente (ou não), surge da opressão fascista do triste Portugal de Salazar.

Esta antologia é um longo rio quase milenar no qual o leitor mergulha não apenas na história e no romance nacionais, construídas graças a uma eterna permuta de influências, sejam árabes, africanas ou brasileiras, mas também nos seus mitos, medos e fantasmas coletivos. Uma história perturbada que nasce da reconquista – essa longa cruzada ibérica que termina com a conquista do Algarve em 1249 por Afonso III (Granada cairá apenas em 1492, annus mirabilis castelhano) – e atinge os píncaros com a expansão portuguesa – esses “Descobrimentos” que marcam tanto o início de grandes avanços científicos e geográficos como o começo da “industrialização” do tráfico negreiro transcontinental – que tem nos “Lusíadas” o seu momento estratosférico.

Depois, século após século, é uma inexorável decadência histórica feita de batalhas perdidas, reis desaparecidos, naufrágios, crescente irrelevância global, terramotos e longas ditaduras…

Uma decadência que não se verifica na poesia, que, pelo contrário, se alimenta dos tristes fados nacionais, enriquecendo-se de tal maneira que, ainda hoje, os portugueses (mito ou realidade?) acreditam constituir um povo feito de poetas. Gomes Garcia – França in “LusoJornal”


quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Macau - “Fragmentos”, de António Correia, publicado em terceira edição bilingue

Com a chancela da LITS, o livro de poesia do advogado português chega, na sua terceira edição, em formato bilingue, português e chinês. Parte da edição será doada a bibliotecas de instituições educativas e culturais de Macau e de outros países

O advogado português António Correia acaba de editar a terceira edição do seu livro de poesia “Fragmentos”, editado pela primeira vez em 1994 e uma segunda vez em 1996, em edição bilingue, português e chinês, com a chancela da LITS.

O poeta apresenta uma reedição com pouco mais de 190 página, totalmente renovada e colorida, que divide num prelúdio e cinco livros a que chama Fragmentos da Raiz, Fragmentos da Virtude, Fragmentos do Amor, Fragmentos da Inquietação e Fragmentos da Fé e Redenção, num total de 75 poemas. Depois de duas edições “consideradas esgotadas”, conforme refere nota de imprensa enviada pela editora às redacções, a edição agora publicada tem uma tiragem de 500 exemplares.

António Correia é um escritor e poeta com uma vida pelo mundo repartida entre Portugal, Angola e Brasil, além de Macau onde desempenhou funções públicas e privadas, nomeadamente como deputado à Assembleia Legislativa e advogado, durante cerca de 20 anos. Foi co-fundador do escritório C&C Advogados juntamente com Rui Cunha. O autor tem obra literária divulgada e reconhecida, maioritariamente poesia, mas também ficção e crónica. Publicou em Macau, Portugal, Brasil e Japão.

Das mais diversas obras publicadas por António Correia, que tem colaborado igualmente com a imprensa, destacam-se, na poesia, “Amagao Meu Amor” (sonetos), Macau, 1992,  “Rua Sem Nome” (romance), Lisboa, 1999, e, “Lisboa, em Haiku”, edição trilingue, em português, inglês e japonês, Lisboa, 2015. Participou ainda em diversas antologias de poesia de onde se destaca a última, editada em 2020 em Macau, intitulada “Rio das Pérolas”, com a chancela da Ipsis Verbis e coordenada pelo poeta português António MR Martins.

“Fragmentos” já é “um clássico” da poética de António Correia, refere a LITS, tendo merecido estudos e análises “francamente positivas de várias proveniências”, nomeadamente de professores como Ngai Iek Kim, José Carlos Seabra Pereira e Michela Graziani. O primeiro, aliás, sob o pseudónimo Tou Lei, publicou no jornal Ou Mun um extenso artigo em que projecta o olhar de um poeta chinês de Macau sobre a obra, “sem olvidar alguns considerandos sobre o poeta António Correia e também enaltecendo a excelência da tradução e naturalmente da tradutora Iok Lan Fu Barreto”.

Já Seabra Pereira no seu “Delta Literário de Macau” dedica algumas páginas à forma literária e ao conteúdo desta obra, apreciando-a positivamente. Por último, Michela Graziani, da Universidade de Florença, tomando por base “Fragmentos” elaborou uma extensa reflexão sobre o sentido da vida em António Correia, a qual foi publicada em revistas literárias das Universidades de Florença e do Porto.

Esta terceira edição, com concepção de Ernesto de Matos, encontra-se disponível ao público nas livrarias de Macau e pode também ser adquirida directamente com a editora. Parte da edição será doada a bibliotecas de instituições educativas e culturais de Macau e de outros países. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”



segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Luxemburgo - Brasileira-luxemburguesa lança livro para ajudar crianças de famílias lusófonas

O livro "O Papagaio Imigrante", de Cíntia Ertel, surgiu para ajudar as crianças descendentes de imigrantes oriundos de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a ter maior sucesso escolar


Cíntia Ertel, uma imigrante brasileira a viver no Luxemburgo desde 2012, lançou, este mês, um livro infantil para ajudar as crianças descendentes de famílias lusófonas a terem sucesso escolar no país.

O livro "O Papagaio Imigrante" surgiu para ajudar as crianças descendentes imigrantes oriundos de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a ter maior sucesso escolar conseguindo aprender "de forma mais lúdica" o alemão, que é a língua em que aprendem a ler a escrever, explicou Cíntia Ertel à Lusa.

A autora tirou um doutoramento na Universidade do Luxemburgo, na área da Psicologia Educacional de crianças imigrantes, mais precisamente sobre dificuldades linguísticas das crianças portuguesas no ensino luxemburguês.

Durante quatro anos teve contacto direto com estas crianças, descendentes de portugueses, brasileiros e cabo-verdianos, e percebeu que a língua era difícil por ser a terceira que estavam a aprender, sendo o português a familiar, o luxemburguês a do quotidiano e a alemã a escolar, e porque as crianças não "praticavam a língua com as suas famílias".

Ao terminar o doutoramento, foi trabalhar para uma 'maison relais' (um ATL) e constatou que as crianças com ascendência portuguesa, no geral, estavam cada vez mais desmotivadas com a escola. A autora disse à Lusa que sempre escreveu, mas a pandemia fez com que iniciasse este projeto de "um livro bilingue". O livro está também disponível em Portugal e tem um sítio próprio.

A estória do livro baseia-se num papagaio que se vai embora do Brasil, juntamente com a sua namorada, a arara, devido ao descontentamento que sente no país. Segundo a autora, é uma crítica à conjuntura atual no seu país natal, desde a desflorestação à inflação de preços.

Segundo dados do instituto de estatísticas luxemburguês Statec, de janeiro de 2021, vivem oficialmente no Luxemburgo 94335 portugueses, 2604 brasileiros, 2557 cabo-verdianos, 394 guineenses, 62 angolanos, 30 são-tomenses e 05 moçambicanos.

Cerca de 5319 brasileiros já obtiveram a nacionalidade luxemburguesa por descenderem de imigrantes luxemburgueses no Brasil.

Cíntia Ertel explicou à Lusa que está a surgir uma segunda vaga de imigração brasileira no Luxemburgo. A primeira foi das pessoas que partiram do Brasil para Portugal e posteriormente para o Luxemburgo. A segunda vaga é a de brasileiros que vão diretamente para o Grão-Ducado. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 21 de julho de 2021

Portugal – “Cem Poemas de Li Bai (701-762)”, um novo livro de poemas chineses traduzidos por António Graça de Abreu

“Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é o nome do livro com traduções de António Graça de Abreu que acaba de ser editado em Portugal pela mão da empresa Vela Chinesa. Depois de uma primeira edição em Macau nos anos 90, este livro é totalmente bilingue, incluindo o prefácio e as anotações dos poemas


Já está nas livrarias um novo livro de poemas chineses traduzidos por António Graça de Abreu, académico, autor e tradutor de poesia chinesa. “Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é uma edição de autor financiada pela empresa Vela Chinesa, sediada em Portugal. Aquele que Graça Abreu diz ser “talvez o maior poeta dos trinta séculos de poesia chinesa” e também “um dos grandes poetas de toda a literatura universal”, ganha agora uma nova versão dos seus escritos, depois de duas edições produzidas em Macau na década de 90, com mais de 200 poemas.

“Esse livro teve uma certa importância porque foi apresentado em Lisboa pela Natália Correia e no Porto pelo Eugénio de Andrade e pelo professor Óscar Lopes”, recordou ao HM. Desde então que António Graça de Abreu tem vindo a tentar reeditar as suas traduções.

“Encontrei muito pouca receptividade por parte de Macau. Há dois anos apareceu a Vela Chinesa que deu importância às minhas traduções e fizeram uma sugestão de reedição. Propus a várias entidades em Portugal, desde a Fundação Oriente até ao dr. Jorge Rangel, para que fossem reeditados estes grandes poetas da China e não tive muita receptividade”, apontou.

A grande diferença de “Cem Poemas de Li Bai (701-762)” é o facto de ser totalmente bilingue, sendo que os poemas foram escolhidos pela empresa que financiou a edição.

“Os poemas estão bem escolhidos e todos eles são representativos [de Li Bai], embora tenha escrito à volta de mil poemas. [Li Bai] não passa de moda, mesmo com todos os problemas que a China tem tido ao longo da sua história, estes poemas estão sempre presentes. A poesia de Li Bai é sempre actual e os chineses também têm muito orgulho neste homem.”

Graça de Abreu assegura que “qualquer chinês que tenha pelo menos o quarto ano conhece Li Bai, porque é um poeta que tem a dimensão de Camões ou Dante”. “É um homem universal”, aponta.

O amor e a guerra

Nos cem poemas agora publicados, e nos restantes, é possível encontrar temas como “a guerra, que fez com que milhões de pessoas tenham morrido, não dos conflitos mas de fome, porque todas as estruturas do império eram alteradas”. Mas Li Bai escreveu também sobre a relação do Homem com a Natureza e sobre o amor. O poeta “amava os amigos, e também o feminino”.

Graça de Abreu assume ter uma paixão pela poesia chinesa e pela tradução, que vai fazendo nas horas vagas e recorrendo a outras bases de apoio escritas nas línguas ocidentais.

“A poesia não me é estranha e mexo-me nela com alguma facilidade, embora os meus conhecimentos de chinês não sejam tão vastos como eu gostaria. O poema, na sua língua de chegada, tem de ter qualidade literária e força, e eu socorro-me de tudo e mais alguma coisa [para assegurar isso].”

O autor e tradutor lamenta que a poesia chinesa traduzida tenha surgido tão tarde. “Ainda ninguém tinha traduzido Li Bai a sério para língua portuguesa e pela primeira vez apareceu um grande poeta chinês [refere-se aos anos 90, aquando das publicações em Macau]. Não sou nenhum especialista mas nestas coisas nota-se algum atraso, porque foi preciso chegarmos ao final do século XX para aparecerem as primeiras grandes traduções de poetas chineses.”

“Dei o meu contributo, já traduzi cinco grandes poetas chineses, todos eles da dinastia Tang, o período dourado da poesia chinesa”, rematou. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Macau - Instituto Politécnico de Macau quer alargar acreditação de tradutores a países lusófonos

O IPM quer promover os testes de acreditação da China de tradutores e intérpretes chinês-português e português-chinês nos países de língua portuguesa, revelou o presidente da instituição, Im Sio Kei


O presidente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Im Sio Kei, disse que pretende promover o reconhecimento mútuo entre os certificados do Teste de Acreditação da China para Tradutores e Intérpretes (CATTI, na sigla inglesa) e certificados semelhantes atribuídos nos países lusófonos.

Im Sio Kei falava durante uma visita de uma delegação do CATTI, a propósito dos primeiros testes de tradutores e intérpretes chinês-português e português-chinês realizados em Macau, disse o Centro de Gestão de Projeto do CATTI em comunicado.

Mais de 100 candidatos participaram nos testes de português e de inglês, distribuídos por três níveis de proficiência, que decorreram a 19 e 20 de Junho, em simultâneo com a China continental.

O director-geral do Centro de Gestão de Projeto do CATTI, Jiang Ping, disse esperar mais colaboração com o IPM na formação de talentos bilingues em chinês e em português no futuro.

O responsável disse que a formação de mais bilingues poderá ajudar a promover o intercâmbio na área das humanidades e das ciências sociais entre a China e os países de língua portuguesa, avançou o IPM.

Os testes exigiam “um conhecimento profundo da sociedade, história e cultura da China e dos países de regiões de língua portuguesa”, sublinhou o CATTI, num comunicado divulgado em Março.

A candidatura aos testes estava aberta não apenas a cidadãos chineses, mas também a estrangeiros que trabalhem na China e residentes em Macau, Hong Kong e Taiwan.

Só quem passa nestes testes pode trabalhar na Administração de Publicações em Línguas Estrangeiras da China (CIPG, na sigla inglesa), que tem a tutela do CATTI, ou ingressar em mestrados de tradução e interpretação.

O CATTI tinha anunciado no final de Fevereiro a criação de um comité para preparar e avaliar este teste. O comité, que conta com 12 peritos em português, seis dos quais baseados em Macau, é liderado pelo presidente do Conselho Geral do IPM, Lei Heong Iok.

O CATTI realizava até agora testes de acreditação de tradutores e intérpretes de sete línguas: inglês, francês, alemão, japonês, russo, espanhol e árabe.

Alunos estiveram em Sichuan para intercâmbio

Um grupo de alunos do IPM deslocou-se à Província de Sichuan, a convite da Universidade de Pequim, para participar na iniciativa intitulada de “Simbiose entre artes e campo rural: Workshop sobre as artes e a criação cultural no campo”. “Através de actividades como notas de entrevista e investigação ‘in loco’, os alunos puderam aprofundar os seus conhecimentos sobre as características culturais locais, como fonte de inspiração do pensamento criativo, assim promovendo o intercâmbio cultural e criativo na área das artes”, indica a instituição em comunicado. O workshop dividiu-se em quatro fases: cursos online, exames presenciais, conclusão dos resultados e participação nas exibições. Os resultados deste workshop serão apresentados na terceira edição do Festival Fringe de Dabashan, que se realiza em Agosto próximo, e na Semana de Design dos Estudantes Universitários de “Ouro Roxo”, em Novembro. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Macau - “Contos de Ou-Mun”, de António Correia, reavivados em edição bilingue

A obra faz este ano 25 anos da sua primeira edição. Autor doou valor total da venda de 50 exemplares à Associação Fu Hong



Chega agora às livrarias a edição bilingue de “Contos de Ou-Mun”, da autoria do advogado António Correia. Em português e chinês, a obra foi publicada ainda durante o ano passado e tem a chancela da LITS Macau, uma empresa vocacionada para a tradução e outras actividades de natureza linguística e cultural, principalmente as relacionadas com as duas línguas oficiais de Macau.

Em comentários à obra, segundo o professor Seabra Pereira no seu “Delta Literário de Macau”, ”o título sugere o que depois efectivamente se depara no livro: breves narrativas realistas de espaço e de costumes, onde uma personagem telúrica e colectiva avulta por detrás ou em torno das demais personagens individuais e grupais – a cidade de Macau…”.

Já em 1996, o também professor Orlando Neves conclusivamente escreveu, no prefácio à primeira edição, que os “Contos do Ou-Mun não são uma obra local. Participam, exemplarmente, de uma reflexão universal”.

O livro, primeiramente editado pela Livros do Oriente em 1996, vê agora uma nova edição com tradução chinesa da autoria de Iok Lan Fu Barreto. As ilustrações da nova obra estão a cargo de Teresa Portela. A edição de há 25 anos continha ilustrações de Emílio Remelhe. O prefácio, esse, está a cargo de Orlando Neves, em ambas as edições.

Solidariedade

A totalidade do valor da venda de 50 exemplares desta nova edição foi integralmente doada à Associação Fu Hong, como contributo para a prossecução da sua benemérita actividade social, revelou a LITS em nota enviada às redações.

António Correia, advogado e um dos fundadores do escritório de advocacia C&C, residiu em Macau cerca de 20 anos e regularmente se desloca e permanece no território por largos períodos. Chegou a ser deputado à Assembleia Legislativa.

O autor tem obra literária divulgada e reconhecida, maioritariamente poesia, mas também ficção e crónica. Publicou em Macau, Portugal, Brasil e Japão.

Das mais diversas obras publicadas por António Correia, que tem colaborado igualmente com a imprensa, destacam-se, na poesia, “Amagao Meu Amor” (sonetos), Macau, 1992,  “Rua Sem Nome” (romance), Lisboa, 1999, e, “Lisboa, em Haiku”, edição trilingue, em português, inglês e japonês, Lisboa, 2015. Participou ainda em diversas antologias de poesia de onde se destaca a última, editada em 2020 em Macau, intitulada “Rio das Pérolas”, com a chancela da Ipsis Verbis e coordenada pelo poeta português António MR Martins.

“O seu conceito de liberdade insere-se também numa óptica ocidental e oriental, pois representa metaforicamente o sentido de liberdade ainda vivo na cidade de Macau e explicitado na harmoniosa convivência entre diferentes crenças”, escreveu a italiana Michela Graziani no trabalho académico “Luz e Negrume – Para uma reflexão do sentido da vida em António Correia”. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com

Conheça o pensamento do escritor António Correia numa entrevista ao canal de televisão de Macau TDM:




quinta-feira, 2 de julho de 2020

Macau - Mandarina “desbrava” mercado da literatura infantil

Liderada por Catarina Mesquita, a “Mandarina books” lançou o terceiro livro infantil bilingue, reforçando a aposta num mercado que, apesar das “muitas possibilidades”, estava inexplorado em Macau. À Tribuna de Macau, a responsável da editora faz um balanço muito positivo do caminho “cimentado” desde o lançamento da primeira obra, em Setembro



Mandarina, segundo a tradição, é símbolo de felicidade e prosperidade, mas é também o nome da editora de livros infantis local. O nome rima com o da promotora da iniciativa, Catarina Mesquita, que à Tribuna de Macau resumiu um pouco da jornada que arrancou em Setembro com o lançamento da primeira obra da editora.

Quando chegou a Macau há cerca de sete anos, a madeirense já trazia uma experiência de cinco anos de trabalho numa editora infantil em Portugal.

“Em Macau, trabalhei enquanto jornalista e editora e percebi sempre que faltava alguma coisa. Mas, fui fazendo outras coisas por sobrevivência também, e fui-me envolvendo noutros projectos. Entretanto, tive um filho, e parei”, contou, ao confessar que foi nessa altura que surgiu a oportunidade de avançar com um projecto relacionado com os livros infantis.

Apesar de alguns “medos” e “períodos longos de dúvidas”, arriscou e, por conta própria, resolveu perseguir o sonho guardado na gaveta há, pelo menos, seis anos.

“Quis que a Mandarina books fosse um projecto pessoal. Por isso, nos primeiros livros não pedi nenhum subsídio e, nesta terra de apoios, isso é um risco”, afirmou, acrescentando que até agora entre “todos os cenários e mais alguns, tinha criado não sei quantos problemas e dramas que nunca surgiram”. “Tem tudo corrido de uma forma muito positiva”.

As obras infantis são todas bilingues e têm em comum Macau e as suas “particularidades”.

“Estou super entusiasmada e, às vezes, tenho um discurso um bocadinho ingénuo e muito apaixonado porque gosto muito do que estou a fazer”. Catarina Mesquita explicou que além dessa vontade, conta com a experiência profissional de saber, em termos práticos, o que exige a publicação de uma obra.

“Já estava a fazer isso em Macau, mas destinado a adultos. A Mandarina acaba por ser um reflexo da minha personalidade que é o espírito de comunidade. Acho que Macau é um sítio pequeno e de oportunidades se as pessoas tiverem os olhos e o coração abertos. Foi essa questão de pensar como posso juntar o que eu gosto, com o que sei e quero fazer no meu dia a dia”, explicou.

A autora lamenta que actualmente não seja possível viver da venda de livros em Macau, mas espera que isso se trate de uma fase.

“Queremos começar a fazer livros sem ser sobre Macau, para podermos abrir um bocadinho mais o horizonte. Nós somos de Macau e estamos no mundo, não são só as editoras dos outros sítios. É preciso mudar esta ideia, que parece que só produz para dentro e que é só a cidade dos casinos”.

“O desafio foi fazer livros 100% de Macau. Tudo é feito em Macau, com a excepção da impressão que é feita na China Continental porque os preços são muito mais competitivos”, disse ao explicar que os cinco profissionais da equipa estão, de alguma forma, ligados ao território, incluindo “um ilustrador de Macau, que vive no Brasil, a tradutora chinesa com hábitos portugueses, um escritor chinês que se considera de Macau”.

A editora lançou na semana passada a terceira obra intitulada “Na Rua”. “Atrevo-me a dizer que a ideia para este livro surgiu na minha primeira semana em Macau, quando andava nas ruas e pensava: ‘isto é o cenário perfeito para um livro infantil’”, recordou ao revelar que o título está relacionado com a actual situação pandémica.

“Estamos em Macau numa altura em quase nos esquecemos que o mundo inteiro está fechado e que nós podemos andar na rua. O livro serve para preservar a memória daquilo que são e vão voltar a ser as ruas de Macau”, mencionou, referindo-se às habituais multidões.

“Este livro veio cimentar a nossa posição. Nós precisávamos de um livro de histórias, mas também de algum reconhecimento por parte da comunidade”, afirmou.

“Tivemos um processo evolutivo desde o primeiro livro. [O “Little Explores of Macau”] não foi um livro muito profundo ao nível de conhecimentos, mas também não era só um livro de autocolantes. Todas as páginas têm um texto que explicam o património de Macau, que é acompanhado de uma actividade ou um jogo” que desenvolve várias áreas cognitivas, salientou.

“Depois lançámos o “Como se diz?”, porque achei que as línguas são muito importantes, até porque são uma realidade em Macau. Faltava-nos um livro de histórias”.

O turbilhão de ideias

Segundo Catarina Mesquita, a editora foi feita um pouco à sua imagem, por isso, não estabelece prazos para futuros projectos. “Sinto que é preciso fazer e quero fazer. Sou um turbilhão e tenho milhares de ideias a cada microssegundo e o projecto da Mandarina é pequenino. Somos uma equipa muito pequena, está muito centrado em mim. Tenho as ideias, algumas são antigas, e depois ganham forma. No fundo, é pôr em prática aquilo que me vai na cabeça. Só não ilustro. De resto, edito e escrevo, além de todas as questões práticas”, contou.

Apesar de todos os aspectos positivos, não deixou de notar algumas dificuldades que tem vindo a sentir neste projecto que conta já com três obras publicadas antes do primeiro ano. “Há um problema logístico em Macau. Além disso, também há os ‘óculos’ que nós pomos de que não há livrarias infantis em Macau, quando há imensas. Por isso, quando há um volume de negócio um bocadinho maior não há canais de distribuição organizados”, notou.

Catarina Mesquita referiu ainda alguns entraves por parte das escolas, particularmente de língua chinesa. Em questão estará a barreira linguística e alguma resistência em receber livros que não conhecem.

Sobre a editora, a autora refere que sente que está a “desbravar” um território por explorar em Macau. “As pessoas não têm muito a cultura de livros infantis. Os pais não ofereciam livros às crianças, até uma dada geração. O que acontece agora é que os pais são pessoas que viajam e que também querem usar os livros infantis para ensinar outras línguas às crianças”, destacou.

“As coisas estão a mudar, mas Macau é muito particular. Nem sequer podemos comparar com a China, porque em termos de livros infantis está a crescer brutalmente. Macau é muito particular em termos de tudo, até nesta questão”.

O sentido de pertença

Tendo como cenário Macau, Catarina Mesquita pretende que, através destas obras, os mais pequenos conheçam de forma mais aprofundada a cidade onde nasceram, despertando assim o sentido de pertença numa comunidade.

“Queria chegar às escolas para que as crianças pudessem manusear os livros e que depois cheguem a casa e digam ‘Mãe, aprendi isto sobre Macau porque li num livro’ e se for num livro da Mandarina, excelente”, disse, convicta de que os mais pequenos “não sabem nada sobre Macau”.

Por isso, “se cada criança de Macau tiver um livro eu dou-me por muito contente, não pelo número de exemplares, mas porque significa que chegamos a elas”.

Por agora, Catarina Mesquita está muito satisfeita com os resultados, apesar de não serem suficientes para a subsistência financeira da editora. “Quando eu digo que já atingi 1000 crianças em Macau, para o número de crianças não é tão significativo, mas para nós já é bastante, até porque conheci quase todas as pessoas que compraram os livros. Consegui entregá-los em mão. Isso também é das coisas mais importantes”, acrescentou. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 30 de março de 2020

Estados Unidos da América - Lusodescendente conta tradições portuguesas em livro



A empresária lusodescendente Ângela Simões lançou um novo livro bilingue ilustrado para crianças dos seis aos 12 anos, com uma história que retrata a tradição das “Festas” nas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.

Com ilustrações da luso-americana Hélia Borges Sousa e tradução portuguesa do professor Diniz Borges, o livro intitula-se “Maria and Joao go to the Festa! A Maria e o João vão à Festa!” e está disponível na livraria online Amazon em formato papel.

“Durante a minha infância em quase todos os fins de semana íamos a uma Festa”, disse à Lusa a autora, que foi rainha e aia das celebrações em vários anos e noutros levava bandeiras ou estandartes. “As Festas foram uma grande parte da minha vida, tenho muito boas memórias”, acrescentou.

As “Festas” das comunidades nos Estados Unidos estão ligadas a eventos religiosos com uma forte componente de tradições açorianas, refletindo a origem da maior parte dos emigrantes portugueses no país.

Ângela Simões, lusodescendente de terceira geração, teve a ideia de escrever livros bilingues para crianças quando começou a ler histórias infantis em português à filha e teve dúvidas em relação a certas palavras. Se os livros fossem bilingues, ela conseguiria perceber o sentido das palavras em português que não conhecia.

Depois dos livros “Pretty Girl, Linda Menina”, “Handsome Boy, Lindo Menino” e “Numbers, Colors, Fruits, Números, Cores e Fruta”, para uma audiência mais nova, a autora decidiu escrever um livro mais completo em termos de narrativa.

“Percebi que não havia livros infantis sobre as Festas, o seu colorido, a diversão”, afirmou, referindo que “há um livro que documenta a história das Festas na Califórnia” mas nada com que as crianças lusodescendentes, como ela foi, se identificassem.

“Aprendi palavras enquanto escrevia o livro, o que reflete a razão pela qual tive a ideia de o escrever”, contou. “Os portugueses nos Açores poderão identificar-se com o aspeto das Festas e os portugueses em Portugal poderão ter um vislumbre da cultura luso-americana”.

Ângela Simões publica os livros através da insígnia Riso Books, tirando partindo do mecanismo de impressão a pedido da Amazon, o que faz com que não seja necessário um grande investimento financeiro à partida nem a manutenção de um inventário. “Este modelo permite a qualquer autor publicar o que pretende”, sublinhou.

A empresária, que é também ‘chair’ do Conselho de Liderança Luso-americano (PALCUS), tem uma “longa lista” de tópicos que gostaria de abordar em livros com ilustrações para crianças, em colaboração com a artista Hélia Borges Sousa. “Escrever um por ano seria ótimo”, afirmou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo