Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 4 de outubro de 2022

UCCLA - Vai receber concerto de André Rio & Convidados



Os sons brasileiros vão ecoar bem alto com o concerto de André Rio & Convidados - Tour Viva Pernambuco 2022, com a participação especial de Mónica Ferraz e Luciano Magno - no dia 13 de outubro, a partir das 20 horas, no auditório da UCCLA.

Os bilhetes têm o valor de 10€ e poderão ser comprados no local. Reservas através do email carmen.frade@uccla.pt.

André Rio:

A trajetória do cantor e compositor pernambucano André Rio começou cedo. Neto, filho, sobrinho e irmão de músicos, aos 7 anos, cantava em festivais estudantis e aos 17 anos já era um intérprete consagrado dos festivais de Pernambuco. O primeiro disco chegou em 1990, com grande influência da mpb e fez muito sucesso nas rádios.

O LP "André Rio e a banda modelo do meu terno" trouxe composições próprias e de seus parceiros, revelando, assim, o talento e a veia poética do cantor. No mesmo ano, André, também, lançou o compacto de frevo "Queimando a massa" para o carnaval. Em 1994, o artista gravou seu segundo disco: "Presença", que contou com vários destaques, entre eles a música "Sou teu amor", que virou nome de bloco na semana pré-carnavalesca de 1995, trazendo como atrações André Rio e Daniela Mercury. O projeto era ousado, mas a missão foi cumprida - André levou o frevo com todas as suas nuances para cima do trio elétrico e hoje é um dos expoentes do Galo da Madrugada e do carnaval pernambucano.

A diversidade do repertório tem conquistado um público cada vez maior fora do brasil. Em 2000, 2001 e 2002, André alçou novos voos. Seguiu para a Europa com vários projetos musicais, todos voltados para a valorização e propagação da cultura pernambucana.

Conheça a biografia de André Rio através da ligação:

https://www.andrerio.com.br/biografia

Páginas:

https://www.andrerio.com.br/  

https://www.facebook.com/andre.rio.338

https://www.instagram.com/andreriooficial/


 

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Brasil - Gabinete Português de Leitura abre exposição sobre primeira travessia aérea do Atlântico Sul


No Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, nesta quinta-feira (26), na sede do Gabinete, no bairro de Santo Antônio.

“A exposição celebra uma viagem que comemorou o centenário da independência do nosso país. Desde o nascimento da Fundaj, já existiam laços que nos uniam a tradição portuguesa. Fortalecer essa parceria com a comunidade lusitana é de extrema importância para a instituição, pois como Gilberto Freyre falava, o Brasil tem raízes ibéricas”, afirmou o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

Celebrando o trajeto realizado pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de Lisboa ao Rio de Janeiro, entre março e junho de 1922, a mostra conta com materiais do acervo do Gabinete, incluindo um cabeçote original da aeronave, fotos de jornal e uma réplica do avião, desta primeira viagem aérea que atravessou o Atlântico Sul. Também esteve presente o Vice-Cônsul de Portugal em Recife, Marco Ferreira de Melo.

Essa primeira exposição contempla o recorte recifense da viagem. Já no final do ano, a versão completa aportará na Fundação Joaquim Nabuco, de onde também seguirá para outros estados do Brasil.

“Depois de 100 anos comemorando não só o feito dos dois aeronautas, mas também o de todos os portugueses que construíram a comunidade portuguesa aqui, celebramos essa cooperação cultural. Estamos felizes, pois a gestão da Fundaj tem um olhar forte para cultura e uma sensibilidade que colabora com a nossa comunidade”, afirmou Celso Stamford, presidente do Gabinete.

“Quando eles passaram pelo Recife, havia muita espera das pessoas daqui e foram muito aclamados. O Sacadura pensou nessa viagem justamente como uma forma de estreitar os laços entre os dois países, no ano do centenário da Independência, com apoio das Marinhas do Brasil e de Portugal. Eles passaram por várias cidades e nossa coleção é complementada por peças do Rio de Janeiro e de Salvador, cada uma trazendo uma parte diferente da travessia”, conclui Maria Lencastre, diretora-cultural do Gabinete.

Mais cedo, antes da inauguração, foram depositadas flores no monumento em homenagem aos aeronautas protagonistas da exposição, localizado na Praça 17, no bairro de Santo Antônio. Além dos representantes das instituições parceiras, estavam presentes nas solenidades um grupo de 13 marinheiros de Portugal que estão recriando a primeira travessia do Atlântico.

Ao final do dia, no auditório do Gabinete, ainda foi realizada uma palestra, conduzida pelo comandante da expedição, José Mesquita, com o tema: “Salvem os Oceanos – Salvem a Humanidade”. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Brasil - Cancelamento do carnaval acentua impacto da pandemia na cultura popular


A classe artística costuma repetir que foi a primeira a fechar as atividades por conta da pandemia e deve ser a última a voltar. É uma situação que faz ainda mais sentido para a cultura popular, que tem na sua gênese as aglomerações e no carnaval sua expressão máxima. A folia pernambucana está longe de ser só festa. É um festival por onde desfilam expressões únicas da nossa cultura, como os maracatus, afoxés, caboclinhos, tribos de índios, cavalos marinhos. Todos exigindo muita gente reunida e muito contato físico – desde a preparação, com ensaios que reúnem multidões. Tudo que deve ser evitado em tempos de coronavírus.

No ano passado, a crise chegou logo depois do carnaval. Não teve São João, não teve Festival de Inverno de Garanhuns, não teve ciclo natalino. E, agora, também não vai ter carnaval. Para muitos grupos, é a receita de boa parte do ano. E faltando menos de quatro semanas para o que seria o início da folia, as prefeituras e o Governo do Estado ainda não se pronunciaram sobre como fica a sobrevivência de quem vive para fazer o carnaval.

“Muitos maracatus vão morrer. É difícil ficar um ano parado, muitos adereços e roupas se perdem”, lamenta o produtor cultural Elex Miguel, de Nazaré da Mata. Dos três maracatus em que ele trabalha, apenas um, o Águia Misteriosa, possui sede própria. E foi uma luta mantê-la todos esses meses, sem que nenhum dinheiro de apresentações entrasse.

Rifas, com prêmios custeados pela diretoria, foram usadas para pagar as contas. “Mas, na verdade, foi a comunidade quem nos sustentou. Compraram nossas rifas e, quando ganhavam, recusavam o prêmio, para a gente poder fazer outra rifa, e assim foi”, agradece Elex. Também foram feitas algumas lives, que arrecadaram cestas básicas para os brincantes – cerca de 40.

“Dias piores virão. Na zona canavieira, a safra acaba em fevereiro e o cortador de cana, sem auxílio e sem dinheiro do carnaval, fica sem perspectiva. O corte de cana só volta no final de agosto. E não estamos com nenhuma esperança para o São João. A vacinação vai demorar, só lá para dezembro é que devemos ter alguma paz”, acredita Elex, que já se vacinou contra a Covid-19 na primeira leva de Nazaré da Mata, por ser também agente de saúde do município.

Há seis meses, falamos com Mamão da Xambá, músico e produtor de festas da cultura popular em Olinda em uma reportagem sobre o cancelamento do Festival de Inverno de Garanhuns (Fig). Na época, ele estava com auxílio emergencial e vendendo instrumentos e equipamentos de som para sobreviver. De lá para cá, a situação teve altos e baixos. Quando as festas e músicas ao vivo em bares estavam liberadas, chegou a voltar a trabalhar. Mas a situação rapidamente mudou, com o recrudescimento da pandemia. “Cheguei a ter uns seis eventos cancelados no fim do ano passado”, diz.

Tem vivido fazendo dívidas no cartão de crédito e da Lei Aldir Blanc, que critica por conta das contrapartidas. No caso dele, a produção de um vídeo. “Você já gasta 20% com produtor do projeto e aí tem que gravar um vídeo como se fosse um show ao vivo. De R$ 3 mil que se consegue no edital, uma boa parte já vai embora para isso”, diz.

A Lei Aldir Blanc foi discutida ainda no primeiro semestre de 2020 para ajudar financeiramente a classe artística durante a pandemia. Os recursos começaram a ser liberados somente em setembro, por meio de editais das prefeituras, com várias categorias. Pernambuco recebeu R$ 150 milhões dos R$ 3 bilhões destinados pelo Governo Federal. Além de um auxílio por três meses de R$600, a lei também conta com editais para grupos e espaços culturais, que variam de R$ 3 a R$ 30 mil.


Desde então, a lei Aldir Blanc vem sendo usada como justificativa por governo e prefeituras para não oferecerem outros tipos de auxílio – além dos editais recorrentes – durante a pandemia. Do Festival de Inverno de Garanhuns ao ciclo natalino e, agora temem os grupos, o carnaval. E agora é muito mais doído. “É a principal fonte de renda dos maracatus”, lamenta Elex.

O que os grupos ouvidos pela Marco Zero querem não é carnaval na rua. Sabem que não é possível. Mas que seja realizado um carnaval online. E que o governo pague lives com os grupos. Ainda não há nenhum acordo com prefeituras ou o estado.

As obrigações que não podem ser canceladas

Carnaval não é só a festa profana. Para alguns grupos, é um momento também de celebrações religiosas. Se a parte profana segue indefinida, a religiosa é certa. Nos grupos ligados aos terreiros de candomblé, algumas obrigações já tiveram início e continuam até o carnaval.

Como são restritas para os praticantes da religião, não geram aglomerações. Mas algumas adaptações também foram feitas. No centenário Maracatu Leão Coroado, o pai de santo está afastado desde março por ser do grupo de risco para a Covid-19. Quem conduz os trabalhos no terreiro São João Batista é a yalorixá da casa, Giullene de Aguiar Neto.

“A gente começa a cuidar desde o dia 2 de novembro, na obrigação para os finados. Na semana do carnaval, sempre tem uma obrigação fechada no terreiro para pedir proteção para os brincantes. Mesmo sem ter o carnaval oficial a gente tem que fazer, não pode deixar”, conta a dirigente do Leão Coroado, Kariana Aguiar.

No Maracatu Nação Encanto do Pina, da mestra Joana D’arc, as obrigações também seguem, só com as pessoas que fazem parte do terreiro. “É o que nos mantém em pé. As obrigações para os éguns (antepassados), pras calungas e patroas da nação, Yemanjá, Pomba Gira. Não podemos deixar de fazer, mesmo que o carnaval não aconteça ou seja online”, diz Joana.

A Noite dos Tambores Silenciosos talvez seja o evento máximo do carnaval pernambucano na mistura do religioso e do profano. Não é, porém, algo tão antigo: foi criado em 1965 pelo jornalista Paulo Viana e pela carnavalesca Badia, na época em que se tentava criar um carnaval mais cultural. Naquela época, Pernambuco só perdia para o Rio de Janeiro em quantidade e tradição das escolas de samba.

A noite do Recife logo se tornou um evento especial. Além da celebração aos éguns, é um raro momento de comunhão entre os maracatus, que são rivais no desfile de carnaval. Em Olinda, a noite dos tambores silenciosos é realizada uma semana antes do carnaval, reunindo nove maracatus e termina com uma belíssima louvação em frente à Igreja do Rosário de Nossa Senhora dos Homens Pretos, com todos os maracatus reunidos e uma multidão em volta.

E como será esse ano? “A louvação na frente da igreja, com a cerimônia, não deve ter. Estamos vendo talvez uma live somente com representantes dos maracatus, algo simbólico. A preocupação maior é com a saúde das pessoas”, diz Marcionilo Oliveira, um dos diretores da Associação dos Maracatus de Olinda, que representa nove grupos da cidade.

As marcas da Covid-19

A pandemia jamais será esquecida pelos grupos de cultura popular. Vários grupos perderam amigos e integrantes. Marcionilo, que também faz parte do maracatu Maracambuco, conta que duas pessoas dos grupos de Olinda foram vítimas da Covid-19.

“Quando a gente sente na pele, quando começa a atingir quem você conhece, é muito sofrido”, diz. “Vai demorar muito para voltar como era. Quando vi que se chamava ‘plano de convivência’, já vi que ia demorar muito, que a gente ia ter que conviver com isso. E não é só gente vulnerável que morre. Perdemos uma pessoa jovem, um atleta. Me explique, como pode uma doença dessa?”, lamenta.

No afoxé Alafin Oyó também houve mortes. “A pandemia trouxe uma lupa e nos mostrou a total ausência do estado para os mais pobres”, diz Fabiano Santos, presidente do afoxé.


No maracatu Águia Misteriosa não houve infectados, mas foi seguido uma série de protocolos para proteger o fundador Zé Rufino, de 87 anos. De segunda a sábado ele vai até a sede do maracatu para bordar as fantasias. Quando ele está lá, os outros integrantes não vão. “Se alguém precisar ir, fica de máscara o tempo todo e longe dele”, conta Elex.

Um carnaval de lives

Para o carnaval, os grupos não querem sair, apesar de alguns deixarem transparecer uma mágoa disfarçada de ameaça. Querem que o carnaval de 2021 sirva como uma vitrine para a cultura popular pernambucana. A chance de se ter um carnaval estritamente pernambucano. Tudo online e, claro, com cachê.

“Está todo mundo triste e desesperado. Essa hora é a vez do grosso da renda de aderecistas e costureiras. E é toda uma cadeia que o carnaval gera que está parada. Com as prévias e ensaios, as pessoas das comunidades ganhavam dinheiro vendendo bebidas e comidas. Não há turistas também. Estamos vivendo um luto”, diz Marcionilo.

A Aldir Blanc não cobre nem de longe o que se ganha em um carnaval. O cachê do afoxé Alafin Oyó, por exemplo, pode chegar a R$ 18 mil por apresentação, com dez apresentações no período. “O edital da Aldir Blanc se propõe a cobrir um hiato que começou em 16 de março de 2020 sem apresentações. É uma lei emergencial para garantir a estrutura econômica dos grupos, mas só começamos a receber os valores no final do ano, mesmo a lei sendo do meio de 2020. É uma estratégia para não pagar agora o carnaval?”, questiona Fabiano.

Para Marcionilo, a Aldir Blanc funciona como um paliativo, mas pode ser que não seja suficiente para evitar a extinção de agremiações. “Um maracatu custa de R$ 100 mil a R$ 250 mil para ir para rua. Só um estandarte é uns R$ 15 mil. Não vou nem entrar nas fantasias da corte, que tem até fio de ouro. E tudo aumentou muito…fora as contas para manter uma estrutura de sede, com contas de água, luz. A gente já nasceu com a crise, mas ficar um ano sem carnaval talvez seja demais”, diz.

A ideia das lives é defendida pelo grupo Acorde Música, que reúne mais de 140 artistas e produtores, de várias áreas. E também por várias agremiações de Olinda, que se reúnem em três grandes grupos no WhatsApp.

Há meses todos tentam articulação com prefeituras e governo, mesmo sabendo que o valor de cachê das lives também não irá ficar perto do valor recebido em carnavais.

Com as prefeituras de Bezerros, Nazaré da Mata, Olinda e Recife, onde acontecem os principais carnavais de Pernambuco, há um certo diálogo, mas nenhuma resposta concreta, nada certo. “Está um empurra-empurra. As prefeituras dizem que precisam de uma resposta do Governo do Estado. E a gente tem um governo cada vez mais fechando as possibilidades, travando e impedindo. E as prefeituras dizem que precisam do aval do governo para se posicionar. Está cansativo”, conta Fabiano.

Em nota para a Marco Zero, que questionou para onde irá os recursos que estavam previstos para a realização do carnaval e se haverá apoio financeiro para as agremiações, o Governo do Estado diz que está “estudando possibilidades” e cita os recursos distribuídos por meio da lei Aldir Blanc (confira a nota completa abaixo). Há menos de quatro semanas, o que vai ficar no lugar do carnaval ainda segue indefinido.

“O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer e da Secretaria de Cultura, segue estudando a possibilidade de apoiar os grupos e agremiações carnavalescas que tiveram suas atividades suspensas pelo cancelamento do Carnaval 2021. A decisão foi tomada em virtude dos índices da Covid-19 no Estado.

A Secult informa ainda que a cadeia cultural de Pernambuco recebeu, nos últimos 20 dias, injeção de R$ 48 milhões em recursos provenientes da Lei Aldir Blanc para atividade no primeiro trimestre do ano que atinge todos os segmentos e que parte importante desta verba beneficiou grupos de cultura popular ligados ao Carnaval.

O Governo de Pernambuco vem insistindo com as prefeituras municipais para que haja o cumprimento da determinação governamental sobre a proibição de prévias carnavalescas.” Carolina Santos – Brasil in “Marco Zero”

Maria Carolina Santos - Jornalista pela UFPE. Fez carreira no Diário de Pernambuco, onde foi de estagiária a editora do site, com passagem pelo caderno de cultura. Contribuiu para veículos como Correio Braziliense, O Globo e Revista Continente. Ávida leitora de romances, gosta de escrever sobre tecnologia, política e cultura. Contato: carolsantos@gmail.com







 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Itália - Quer reforçar as parcerias com o Brasil, fortalecendo a indústria naval

Ministra da defesa da Itália e representantes do Grupo Fincantieri vieram a Pernambuco reforçar a disposição em construir as embarcações no Estaleiro Vard Promar, em Suape




A ministra da Defesa da Itália, Elisabetta Trenta, está no Recife para reforçar o interesse italiano na licitação que prevê a construção de quatro corvetas para a Marinha do Brasil. A ideia é construir os navios por meio do Grupo Fincantieri, que detém o Estaleiro Vard Promar, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, e foi apresentada ao governador Paulo Câmara e a representantes da indústria pernambucana em uma tentativa de angariar parcerias para melhorar o projeto apresentado à Marinha.

Elisabetta veio acompanhada do embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, e também de executivos do Grupo Fincantieri. Entre eles, o presidente do grupo Stelio Vaccarezza; a vice presidente de vendas, Sabrina Sanguineti; e o presidente-executivo do Vard Promar, Guilherme Coelho. A comitiva visitou o estaleiro no início da manhã desta quarta-feira (23), depois se reuniu com representantes do setor industrial na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e almoçou com o governador Paulo Câmara, que deu as boas vindas oficiais ao grupo.

“O governo italiano quer reforçar as parcerias com o Brasil, fortalecendo a indústria naval. E, se tivermos a colaboração do governo neste projeto, podemos desenvolver novas capacidades e criar novos postos de trabalho qualificado no setor naval de Pernambuco”, afirmou a ministra italiana na Fiepe. Ela lembrou que a construção das corvetas pode gerar até cinco mil empregos diretos e indiretos em torno do Vard Promar, que, hoje, emprega menos de 200 pessoas.

Presidente do Grupo Fincantieri, Stelio Vaccarezza explicou que o projeto das corvetas é a atual prioridade da empresa. Afinal, o projeto garantiria trabalho por oito anos para o Vard Promar, que hoje faz apenas reparação de navios por conta da falta de encomendas de novas embarcações. Ele garantiu, por sua vez, que caso as corvetas não venham para o Estado, não há projeções de encerrar as atividades do estaleiro pernambucano. “Somos o terceiro maior grupo naval do mundo. E estamos aqui para ficar”, afirmou, dizendo que outros projetos estão sendo negociados para o Vard Promar.

Corvetas

O projeto de construção de quatro corvetas da classe Tamandaré para a Marinha do Brasil foi anunciado no fim de 2017 e está orçado em US$ 1,6 bilhão. Desde então, está em processo licitatório. O Grupo Fincantieri e o Vard Promar estão na fase final desse edital com outros três consórcios. Este é o único grupo, contudo, que pretende construir as embarcações em Pernambuco. O resultado desse processo está previsto para o fim de março. Por isso, se ganhar a licitação, o Vard Promar projeta iniciar a construção das corvetas em meados de 2020, depois de um ano destinado à elaboração dos projetos da obra. Marina Barbosa – Brasil in “Folha de Pernambuco”

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Brasil - Suape: quatro décadas de impulso à economia

Suape é considerado um porto estratégico para a atração de investimentos porque está a no máximo 800 quilômetros de distância de seis capitais, cinco aeroportos e dez portos internacionais



Quem circula pelo território de Suape não tem a dimensão de onde começa nem de onde termina o complexo. “Suape é um mundo.” É o que se costuma dizer por lá. Com 13,5 mil hectares distribuídos entre os municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca, no Grande Recife, o porto-indústria ocupa uma área equivalente a três cidades do tamanho de Olinda. Acomoda 100 indústrias de dez setores, contabiliza R$ 50 bilhões em investimentos privados, emprega 22 mil pessoas, movimenta mais de 23 milhões de toneladas de cargas por ano, abriga uma população de 4,8 mil famílias, tem uma área de preservação ambiental equivalente a 7,9 mil campos de futebol e guarda equipamentos histórico-culturais em suas terras. A instalação de Suape, que completa 40 anos, contribuiu para transformar uma região de economia tradicionalmente sucroalcooleira no maior polo de atração de investimentos de Pernambuco. Mas o mundo de Suape ainda tem espaço para crescer e desafios a enfrentar se quiser se tornar competitivo em âmbito internacional e ser percebido mundialmente.

O ex-governador Eraldo Gueiros, que lançou a pedra fundamental do porto-indústria, já vislumbrava que o complexo se transformaria no motor da economia do Estado. Em homenagem ao gestor, o empreendimento foi batizado de Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros. Hoje, Suape contribui com 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco e continua sendo aposta para o futuro da economia estadual. “Não se imagina o desenvolvimento do Estado sem passar por Suape. O Plano Diretor do complexo (com horizonte até 2030) prevê um amplo projeto de expansão, mas isso depende da devolução da autonomia aos Estados para que possam realizar licitações de novos terminais. Desde 2013, com a nova Lei dos Portos, essas concessões ficaram a cargo do governo federal e estagnou a expansão portuária no País”, observa o presidente de Suape, Carlos Vilar. Com 43 anos de experiência no setor, o economista e sertanejo de Itapetim assumiu o comando do complexo há quatro meses, com o desafio de reorganizar a operação portuária.

Plano Diretor

O Plano Diretor de Suape dividiu o complexo em quatro áreas (portuária, industrial, de serviços, de preservação ecológica e de preservação cultural), com espaços estrategicamente definidos para cada tipo de operação. Na Zona Industrial, se instalam empresas de acordo com seu perfil de negócio (alimentos e bebidas, energia, naval, petroquímica, plásticos). “Isso é feito para criar sinergias e evitar que uma indústria de alimentos, por exemplo, fique do lado de um estaleiro”, explica Vilar.

Na Zona Portuária, ficam as companhias de logística, o parque de tancagem e o polo naval. “A área de preservação ecológica responde por 59% do território total de Suape. Isso foi um compromisso do Plano Diretor para garantir sustentabilidade ao porto”, complementa. Na Zona de Preservação Cultural, estão equipamentos como o Engenho Massangana e o Parque Armando Holanda. Um dos projetos do gestor do porto é fazer parcerias com outras secretarias e órgãos do Estado para ajudar a administrar esses espaços.

A Zona Central de Serviços abriga o prédio onde funciona a administração de Suape e também terá equipamentos como shopping, hotel, restaurantes e salas empresariais. “A expectativa era de que esses empreendimentos já estivessem funcionando para garantir uma infraestrutura de serviços aos empresários interessados em resolver seus negócios e ficar dentro do porto, ao invés de ter que voltar para o Recife. Mas a crise freou esse processo e a empresa responsável pela construção (Queiroz Galvão) pediu extensão do prazo”, justifica Vilar.

Reconhecido como o mais importante porto-indústria do Nordeste, Suape é considerado um porto estratégico para a atração de investimentos porque está a no máximo 800 quilômetros de distância de seis capitais, de cinco aeroportos e de dez portos internacionais. Além disso, está localizado numa região que concentra 46 milhões de habitantes e 90% do PIB do Nordeste. No rol de vantagens competitivas também estão a profundidade dos portos interno e externo, que varia de 12 a 20 metros, as certificações internacionais e o prédio de autoridade portuária, que concentra órgãos necessários ao processo de desembaraço de cargas.

Combustíveis lideram movimentação de cargas no porto-indústria

A Petrobras inaugurou a movimentação de cargas do Porto de Suape em 1983, com o desembarque de um carregamento de álcool. De lá para cá, o complexo foi se consolidando como um polo de movimentação de combustíveis e hoje ocupa a liderança nacional na atividade entre os portos públicos. Das 23,8 milhões de toneladas movimentadas no ano passado, 74% foram desse tipo de carga. O crescimento acelerado do setor e a liberação para a importação de combustíveis, a partir de 2015, provocou um déficit no parque de armazenagem dos portos brasileiros e exigiu investimentos na expansão dos pátios de tancagem. A greve dos caminhoneiros, em maio deste ano, fez entender que Suape é um “porto movido a combustíveis e gás de cozinha”. É do complexo que saem os produtos para abastecer todo o mercado nordestino.

Instalada em Suape desde 2000, a Pandenor acabou de concluir um investimento de R$ 80 milhões para ampliar de 24 para 32 seu número de tanques de armazenamento, expandindo a capacidade de armazenamento de 24 mil m³ para 60 mil m³. “Quando o dólar estava em baixa e os preços do petróleo atrativos, as importações chegaram a representar 50% da nossa movimentação. Mas, com a valorização da moeda sobre o real, o cenário mudou e as importações caíram para algo entre 15% e 20%”, diz o superintendente da empresa, Paulo Perez Filho, acreditando que as importações podem voltar a crescer em breve. No vácuo da Pandenor, as demais companhias de tancagem do porto (Decal, Temape e Tequimar) também estão ampliando suas operações, totalizando investimento de R$ 540 milhões e com conclusões das expansões previstas para entre 2020 e 2022. Com o aumento, o parque de tancagem do complexo vai passar de uma capacidade de 700 mil para 1 milhão de metros cúbicos.

Além do avanço das importações, a entrada em operação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em novembro de 2014, turbinou a movimentação de combustíveis em Suape, sobretudo de óleo diesel. Se em 2014 a movimentação total estava na casa das 15 milhões de toneladas, no ano seguinte já chegou perto das 20 milhões e continua em escala crescente. Isso porque a Rnest sequer completou seu projeto total de implantação, previsto para processar 230 mil barris de petróleo por mês, e hoje transforma apenas 100 mil barris por dia.

O complexo também tem sido decisivo para implantação de grandes empreendimentos do Estado, que não necessariamente ficam na área do porto, mas impactam o terminal. É o caso da instalação da montadora da FCA/Jeep, em Goiana (extremo norte do Grande Recife), que ocupa a liderança no ranking das empresas exportadoras de Pernambuco e incluiu Suape como um dos critérios para optar pelo Estado. Em 2017, o embarque de veículos chegou a 80.080 unidades, registrando crescimento de 46% sobre o ano anterior. De janeiro a setembro, o número é de 49.773 veículos.

As cargas conteinerizadas também estão entre as principais movimentações de Suape. Embora a crise e a alta do dólar tenham desaquecido temporariamente o setor, o Tecon Suape (controlado pela empresa filipina ICTSI) escolheu Suape para expandir sua atuação para o Brasil desde 2001. “O Tecon é um dos principais ativos desse porto, que tem 40 anos de história e uma trajetória de crescimento que acompanha o desempenho do Brasil. Suape é um porto estratégico e vai continuar a crescer”, acredita o presidente do Tecon, Javier Ramirez. Adriana Guarda – Brasil in “Jornal do Commercio”

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Brasil - Transnordestina deixa região Nordeste nos trilhos do atraso

Em 12 anos de obras, ferrovia recebeu R$ 6,2 bilhões e não foi concluída



Doze anos depois do início das obras da Transnordestina, a empresa responsável pela implantação do empreendimento, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), continua procurando um parceiro privado para concluir a ligação férrea, que já recebeu um investimento de aproximadamente R$ 6,2 bilhões.

As obras estão paralisadas desde 2016. “A Transnordestina é a espinha dorsal da logística do Estado. É um atraso na vida de Pernambuco esse empreendimento não avançar. Faz falta outro modal. E aí temos a BR-232 totalmente desgastada porque todas as cargas passam por lá, quando boa parte podia ir para o interior de trem”, comenta o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger.

A ferrovia tornaria o escoamento de grãos mais barato e favoreceria o crescimento do setor. “De Gravatá até Araripina, há um clima ideal para a criação de animais, como aves e suínos. O transporte de grãos a preços menores traria a possibilidade de toda essa produção crescer e se instalar um polo de criação de suínos com as indústrias que podem surgir, como fábricas de processados e abatedouros, entre outros. Sem falar em alguns minérios que poderiam vir do interior, como o dióxido de titânio”, afirma Essinger.

Um dos setores que poderiam ficar mais competitivos com a ferrovia é o avícola, que tem grande parte das empresas instalada no Agreste. “Trazer os grãos de trem iria trazer uma economia de 65%, comparando com o frete rodoviário. Hoje, gastamos R$ 15 para transportar o saco de 60 quilos. Com a ferrovia, esse custo ficaria em torno de R$ 6”, afirma o presidente da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Giuliano Malta.

Atualmente, o setor avícola instalado no Estado consome, mensalmente, cerca de 150 mil toneladas de milho e 50 mil toneladas de soja. Os grãos são produzidos no Maranhão e percorrem de 1,5 mil quilômetros a 2 mil quilômetros de para chegar aos produtores pernambucanos. “Isso faz parte do custo Brasil, e não ocorre só em Pernambuco. Dificulta a competição das empresas do Nordeste com as do Sudeste. Ia ajudar muito se a ferrovia saísse do papel, mas depende muito do governo federal”, lamenta Giuliano.

Gesso

Outro setor que ficaria mais competitivo é o do gesso. “O mais complicado atualmente é o escoamento da produção. O Araripe está perdendo muito mercado, e as empresas estão fechando”, conta o diretor da Indústria de Gessos Especiais (IGE), Josias Inojosa Filho. O setor gesseiro tinha a esperança de exportar gipsita, caso o empreendimento fosse concluído. “Os caminhoneiros buscavam o gesso para não voltar sem carga ao Sudeste. O tabelamento do frete acabou com isso e dobrou o preço do frete rodoviário”, comenta.

Josias critica também o traçado da ferrovia, alegando que, do jeito que está, o setor precisará usar caminhão. “O transporte é o grande gargalo contra a expansão de vários tipos de negócios. Ou se faz uma solução integrada com vários modais ou seremos sempre tupiniquins”, aponta. “Há uns 25 anos, a gipsita saía do Araripe de caminhão, ia até Petrolina, pegava a balsa e chegava às indústrias cimenteiras instaladas em Minas Gerais. Tudo isso ficou no passado. O Rio São Francisco está assoreado, e não se usa mais a hidrovia. A transposição previa várias ações de recuperação do rio, mas essa parte ficou na promessa”, diz.

Foram implantados 600 quilômetros da ferrovia em trechos no Sertão do Piauí, do Ceará e de Pernambuco. No projeto, a ferrovia sairia de Eliseu Martins, no Piauí, e seguiria até a cidade de Salgueiro, em Pernambuco. De lá, um trecho iria até o porto de Pecém, próximo à Fortaleza; e o outro ramal, até Suape. À frente da implantação do empreendimento, a TLSA é uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruck. Na semana passada, o assunto chegou ao debate eleitoral com o governador Paulo Câmara (PSB) – que tenta a reeleição – defendendo o fim da concessão. O senador Armando Monteiro (PTB), que disputa o governo na chapa de oposição, afirmou que, “com o atual concessionário, não vamos sair do lugar”.

Iniciada em 1997, a concessão da Transnordestina foi feita na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), presidente entre 1995 e 2002. Desde então, somente a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ameaçou tomar a concessão, mas não levou à frente qualquer procedimento nesse sentido. É difícil finalizar a concessão porque o grupo dono da empresa tem grande influência política e econômica. Entre 2015 e 2016, a empresa foi presidida por Ciro Gomes (PDT), que disputa o cargo de presidente, e é próximo do dono da TLSA. Ângela Belfort – Brasil in “JC”

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Brasil - Indústria naval ameaçada em Pernambuco

Sem encomendas que garantam a sobrevivência do setor, o Estaleiro Atlântico Sul admite que pode fechar

As mudanças na gestão da Petrobras com relação à Política de Conteúdo Local podem ser o golpe de misericórdia no setor naval do País, sobretudo para os negócios instalados em Pernambuco. É que a decisão da estatal de comprar navios e plataformas no exterior, motivada por questões econômicas, pode terminar de sufocar os já cambaleantes estaleiros Atlântico Sul (EAS) e Vard Promar, instalados em Suape. Há anos os empreendimentos tentam, sem sucesso, conquistar novas encomendas para sobreviver depois de terem as suas carteiras corroídas pela crise de contratos da petrolífera e os impactos da Operação Lava Jato.

Depois de o Governo do Estado ter alardeado, no ano passado, a conquista de novas encomendas que dariam sobrevida ao EAS (13 navios para a Staco, garantindo trabalho até 2022), o presidente do Estaleiro Atlântico Sul, Harro Burmann, admitiu, em entrevista ao Valor Econômico, que o negócio ainda não se concretizou porque depende do aval da Petrobras. Diante da ausência de novas encomendas - a Transpetro cancelou metade do seu pacote -, o empreendimento pode fechar as portas em 2019.

“Sem a adoção de medidas governamentais com relação ao Fundo de Marinha Mercante e ao BNDES para promover crédito; e sem revisão da decisão da Petrobras de importar navios e FPSos (unidade flutuante), é real o risco de o EAS e todos os demais estaleiros brasileiros virem, em um futuro próximo, a ter que encerrar as suas atividades”, afirmou em nota a administração do EAS. No caso dos navios, a regra determina um percentual de 75% de conteúdo local.

O problema é que, somente o EAS emprega diretamente 3,8 mil pessoas mais cerca de 700 terceirizados. Já o Vard Promar, também carente de novas encomendas, emprega mais 1,6 mil pessoas diretamente e outras 1,5 mil indiretamente, nas contas do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco - Sindimetal-PE. “Nosso temor é ter estaleiros fechados como em outros estados”, comentou o presidente do Sindimetal-PE, Henrique Gomes.

Ele diz que, no EAS restam apenas cinco navios do tipo Aframax para construção, com finalização prevista para 2019. Já o Vard tem quatro navios. “Dois prontos e dois somente para encaixe”, revelou, preocupado. O Vard Promar não respondeu às perguntas da reportagem. Além da carteira, as dívidas do setor inquietam o sindicalista. “Sabemos que o EAS tem débito de R$ 1,3 bilhão com o BNDES.

Considerando outros bancos, a dívida ultrapassa R$ 350 milhões este ano. Se ele não conseguir prorrogar essa dívida e contratar novos financiamentos pode chegar à recuperação judicial”, avaliou Gomes.

Até o fim deste mês, o Sindimetal pretende realizar um ato para denunciar a situação do setor naval em Pernambuco. Também articula uma reunião com parlamentares da bancada de Pernambuco no próprio EAS e, em um segundo momento, pretende mobilizar uma audiência pública sobre o tema na Assembleia Legislativa do Estado. In “Folha de Pernambuco” - Brasil